Arquiteto na Gestão de Obras: Bastidores da Maior Incorporadora do Sul Construtora Melnick Podcast

Neste episódio da série Por Dentro da Obra, apresentado por SPEAKER A e patrocinado pelo Hub Construção, o arquiteto Maicon Leal, que atua há 14 anos na incorporadora Melnick, compartilha sua trajetória profissional e descreve como funciona a gestão de projetos dentro da maior incorporadora do Sul. Maicon conta que começou em escritórios de arquitetura e loteamentos, fez pós‑graduação em gestão de projetos e, em 2012, ingressou na Melnick como arquiteto de projetos, evoluindo até coordenar a área de projetos em 2019. Ele explica que a equipe de projetos atua como guardiã do conceito, traduzindo a visão de produto em soluções executáveis que conciliam estética, funcionalidade e viabilidade econômica. O entrevistado detalha a rotina de visitas mensais às obras (como o High Garden Iguatemi), a interação constante com engenheiros, mestres de obra e demais frentes, e os desafios de manter o design contemporâneo ao longo de ciclos de 3‑5 anos, equilibrando custo, prazo e qualidade. Maicon enfatiza a necessidade de arquitetura e engenharia caminharem juntas, descrevendo‑se como “o arquiteto mais engenheiro” e usando a analogia de que a área de projetos funciona como um goleiro que impede gols (riscos e incompatibilidades). Ao final, ele aceita o convite para palestrar no ecossistema Hub Construção, reforçando a importância de compartilhar boas práticas e experiências no setor da construção.
Chapters
O Por Dentro da Obra de hoje é diretamente de Porto Alegre. Eu estou na incorporadora Melnick e nós vamos conhecer um pouquinho das histórias por trás de uma obra, quais são os desafios que a gente precisa vencer. Construir cash, arquitetura, engenharia e construção. Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. E nessa série eu vou conversar agora com o arquiteto Maicon Leal. Maicon, seja bem-vindo aqui à nossa série de conversas e histórias por trás dos projetos.
Muito obrigado pelo convite, é muito bom a gente sempre poder compartilhar nossas histórias. Espero contribuir bastante aí com o programa.
Vamos nessa, agora a gente tá aqui para conhecer um pouquinho da história do Michael. Michael, conta um pouquinho para a gente como que você entra no universo da obra.
Eu estou na Melnick há 14 anos, Seu primeiro emprego? Não, eu sei que parece que eu sou novo, mas eu já vim com uma trajetória de fora da empresa em que eu sempre me direcionei para a área de gestão de projetos. E aí eu fiz, eu trabalhei em escritório de arquitetura, fui arquiteto de prancheta, já em CAD, né?
Mas que segmento?
Parte de loteamentos e projetos de condomínios fechados. Alguma coisa de edificação. E aí eu fiz uma trajetória já pensando em ir para uma grande incorporadora, que era trabalhar num escritório de projetos complementares de engenharia, e aí abranger aquele conhecimento das disciplinas específicas, principalmente instalações, estrutura. Então ali eu já comecei a me experimentar como um gestor multidisciplinar. E fiz algumas, eu tinha um time de arquitetos e engenheiros, engenheiro eletricista, engenheiro civil, engenheiro mecânico, e ali sim eu já tinha feito minha pós-graduação em gestão de projetos. Eu fiz então essa escola de 2 anos e aí teve a oportunidade de eu entrar na Melnick. Comecei como um arquiteto de projetos ali que liderava alguns projetos. E comecei a evoluir dentro da empresa, a empresa que já estava em franco crescimento ali em 2012. Passamos por uma jornada aí sempre de planejamento estratégico, pensando em crescer, se estabilizar, crescer de novo, estabilizar, e foi assim que eu também fiz dentro da própria Merck, né? Cresci, estabilizei, virei coordenador, fiquei mais um tempo fazendo a gestão de fazer parte do time de projetos. E aí em 2019 eu assumi então a área de projetos da MELNIC.
Agora vocês entenderam um pouquinho da história do Michael. Michael, agora a gente tá num projeto bem interessante. Conta pra gente sobre esse projeto, onde que a gente tá. Inclusive dá para notar que a gente tá no apartamento decorado aqui. Fala um pouquinho do dia a dia de um arquiteto Num canteiro de obra como esse.
Isso foi uma das minhas escolhas também, direcionando a minha carreira, de lá, se for buscar lá na origem, quando eu fui fazer a, me candidatar ali a ver qual o curso que eu ia fazer no vestibular, e eu fiquei entre engenharia e arquitetura. Inclusive, naquela época se fazia os testes vocacionais e trouxe que eu tinha um viés de engenheiro, mas eu tinha colocado na minha cabeça que eu queria algo que eu pudesse criar, né, ou trabalhar com a criação, com a criatividade. E aí, com o tempo, eu fui vendo que eu precisava juntar essas duas partes, né, a criação, mas também como aquilo se mantém de fato de pé. E aí eu digo que a área de projetos de uma incorporadora é tudo isso. Tu lida com a questão da solução pensando em custo, pensando em viabilidade executiva. A gente tem uma interação muito forte com os gerentes e engenheiros de obra. Na própria construção desse produto, a gente tem as etapas definidas lá de desenvolvimento integrado de produto, que a gente trabalha com a área de produto e com a engenharia. E depois, no projeto executivo, a gente faz toda essa dinâmica. E o melhor de tudo é tu poder acompanhar as coisas de fato sendo executadas com o time, eu sempre falo ali: vão para obra com a planta e olhem aquilo que vocês estão, que vocês liberaram como um projeto. Porque aqui a gente até faz a parte da gestão e compatibilização, a gente não é o projetista, a gente vai dando as premissas para o projetista e aperfeiçoando essas premissas a partir de boas práticas. Então a leitura da planta no canteiro, digo que a memória visual ou fotográfica, que a gente vai criando um repertório.
E aí você traz um ponto importante, né? Você fica responsável por manter aquilo que foi projetado.
Sim, a gente comenta que nós somos o guardião do conceito. O arquiteto, a área de produto pensa, tem toda ali a questão de trabalhar com o que o cliente hoje enxerga ou o que é o produto, desejo de consumo. E a gente pega aquilo ali e transforma em algo executivo pensando que tem que ser guardado o conceito. E aí uma das frases que a gente mais fala também, trazendo muito para o mundo da engenharia ou o mundo da execução: funcionalidade também é um atributo de produto. Se for belo e não funcionar, o cliente vai trazer depois numa pesquisa de clientes as suas dores. E isso vai funcionando como um PDCA infinito dentro da empresa. Para que a gente possa sempre pensar num produto único, belo e funcional.
É importante você trazer esse ponto porque a gente sempre ouviu no passado que às vezes os arquitetos eles não projetavam para o cliente e sim muitas vezes para alimentar o próprio ego. É muito interessante. E a gente está aqui hoje no High Garden Iguatemi e você vem muito no Canteiro de Obra, inclusive quem está acompanhando pode ver que a gente está Aqui tem imagens das obras. É comum você visitar muito o canteiro de obra, Michael?
Sim, eu e a minha equipe, a gente tem uma rotina mensal nas obras. Então, a equipe que lidera o projeto, faz a coordenação e a gestão, uma vez por mês, no mínimo, vai estar em uma das nossas 14, 15 obras que a gente tem hoje. Então, eles têm uma reunião de rotina com o time da engenharia. Para repassar, acompanhar, ver se tem alguma pendência de projeto, se tem alguma questão que surgiu ao longo da execução que possa ter tido algum problema e a gente voltar para o projeto. Tem a questão da reengenharia, a gente trabalha muito com a pressão do custo, enfim, a gente está montando um projeto lá há 5 anos atrás, que é o ciclo que a gente chama lá entre concepção, conceituação, desenvolvimento do projeto executivo, para iniciar uma obra, geralmente já se passou 1 ano, 2 anos. A gente fala depois de uma obra de 3 anos, a gente tem que entregar aquilo no futuro dos 5 anos, dentro do custo, dentro do prazo e ainda com cara de totalmente contemporânea e atual. Então esses são os grandes desafios.
E aqui eu tenho uma última pergunta para a gente encerrar um bate-papo bem rápido. Nesse processo que você tem em sua equipe, que está ali, alimentando, que está visitando os canteiros, A gente costuma dizer aqui na Hub, no ConstruCast, que é muito importante a gente conversar com todas as frentes da obra, né? Então você, enquanto arquitetura, você citou a engenharia. Pelo outro lado, a gente tem o mestre da obra. O mestre participa desse processo de conversa, dessas trocas?
Sim, sim, o mestre, a gente diz, ele tem um papel importantíssimo dentro de uma obra, porque ele em última instância, ele tá mais próximo da ponta. E pra tirar um pouquinho essa questão da arquitetura e engenharia, elas têm que andar juntas.
O tempo todo, sim.
E os meus colegas dizem que eu sou o arquiteto mais engenheiro.
E aí também os arquitetos falam: "Ah, que bom que tem um arquiteto dentro da engenharia pra fazer essa ponte." Mas quando você falou que era meio quase engenheiro, que você foi fazer o teste vocacional e deu também engenharia, E você falou da criatividade, eu ia fazer uma brincadeira, mas será que o engenheiro não é criativo?
Ele tem, claro que tem a criatividade, mas ele pensa sempre ali na criatividade para executar com mais produtividade, com mais eficiência. Para mim, arquiteto e engenheiro tem que estar junto, daí a gente vai ter sempre um melhor trabalho.
Pega a dica, tá? Se não andar os dois juntos, em algum momento vai ter problema.
Se eles andarem contra, aí sim a gente perde eficiência.
Agora, só para suas palavras finais, pra gente encerrar esse episódio. Detalhe: você já está convidado para ir lá em São Paulo, no nosso estúdio, pra gente conhecer um pouco mais da sua história. Enfim, desde você criança até os dias atuais. Fala só, faz um geralzão aí do que foi esse bate-papo pra você e faz o encerramento.
Muito legal. Assim, agradecer o convite. A gente sabe como o mundo corporativo, o mundo da engenharia, como o mundo de uma forma global assim carece de boas informações, boas experiências e bons exemplos. E te parabenizo aí pela iniciativa do ConstruCast de trazer isso de uma forma fluida, uma forma tranquila, e que as pessoas possam conhecer os bastidores do que um cliente vai viver lá 10, 15, 20, 30 anos, de como é feito. Então parabéns aí pelo trabalho.
Agora, importante, você já conhecia o ConstruCash quando a gente chegou aqui?
Sim, sim, já conhecia e era bem... Para mim ele é uma referência dentro do segmento.
E sabe o que é importante? Essas conversas que a gente está tendo aqui, a gente chega, conhece as pessoas e a partir do momento que a gente entende que elas fazem um trabalho diferenciado no setor da construção, aí sim a gente chama para conhecer E a partir de hoje, Maicon, você faz parte do ecossistema Hub Construção. Eu gostaria muito de ter você palestrando para que outras construtoras, para que outras empresas entendam a importância de ter uma área de projeto dentro de suas empresas.
Com certeza, a gente fala que área de projetos é que nem goleiro, fazendo analogia com futebol. Se não tiver goleiro, vai tomar muitos gols. Gols. Talvez o goleiro deixe passar uma bola e seja gol. A área de projetos, ela serve para reduzir os riscos, as incompatibilidades. Então, sem uma área de projetos estruturada, ou eventualmente até terceirizando esse serviço, tu acaba perdendo a parte de tu planejar a obra e minimizar os riscos depois no canteiro.
Obrigado, Michael. Esse foi mais um episódio da série Por Dentro da Obra. Afinal, conhecimento também se constrói.
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