Arquitetura em Projeto Social | Podcast de Arquitetura | ConstrueCast

Portuguese-language podcast interview (ConstrueCast) with architect-urbanist Maria Tereza about architecture and urbanism in social projects. The guest recounts ~30 years of work in urbanization of favelas and public housing, describing program examples (Programa Mananciais, Favela-Bairro analogies), legal frameworks (federal and municipal laws), community-centered design practices (colors, facades, plazas, planta livre), and intersecretarial public projects (parks, TEIA coworking, sanitation). The episode links housing quality to health and education outcomes, highlights barriers in project approval (municipal vs. state rules) and financing, and names organizations and initiatives involved in these efforts.
Questions this video answers
Lei federal 11.888/2008 (mentioned as the federal law from 2008).
Lei 13.465 (mentioned in connection with land titling / regularization).
Lei municipal 17.734 (cited as a São Paulo law linked to titling/reurb S).
Programa Mananciais (started in the 1990s for Guarapiranga/Billings regions).
Cities Alliance (Aliança de Cidades), Habitar para a Humanidade (Habitat for Humanity), Interação (local NGO), Movimento de Defesa do Favelado (MDF), UNAS (Heliópolis movement).
Chapters
Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtora Infinity Plus. Está no ar mais um episódio do ConstrueCast e hoje vamos falar sobre um tema que eu reputo muito importante que é arquitetura e urbanismo em projeto social. Para falar sobre o assunto eu recebo a arquiteta e urbanista Maria Tereza. Seja bem-vinda ao nosso Podcast.
Obrigada do convite.
Para iniciar nosso bate-papo, eu queria que você falasse um pouquinho. Primeiro, se apresentasse aqui, falasse um pouquinho sobre você. E, na sequência, eu já queria que você emendasse falando de onde surge essa ideia de projeto social.
Meu nome é Maria Tereza, sou arquiteta urbanista, me formei em 1995. Comecei a faculdade buscando um trabalho voltado para as artes, porque a arquitetura tem muito isso, e me descobri num outro caminho, que é trabalhar com urbanização de favelas. No que vem, já tem 30 anos de caminhada nessa área das políticas públicas de habitação e urbanização social, que é o tema que você convidou. Fico muito feliz porque poucas faculdades abordam esse tema. Poucos alunos, no final de suas carreiras, se dedicam a trabalhar com os projetos públicos ou em alguma organização social. ou algo a fim que possa ter esse trabalho. Trabalhar o tema é importante. Toda vez que alguém me pede apoio em alguma faculdade ou em um doutorado ou mestrado, eu sempre me disponibilizo, porque acho que temos que divulgar cada vez mais o que é o trabalho de um arquiteto urbanista nas políticas públicas para trabalhar o tema que você traz, a arquitetura e o urbanismo em comunidades. Ano que vem eu faço 30 anos nesse trabalho. Comecei fazendo estágio na prefeitura de Diadema, trabalhando como tirão de favela. Tem gente que não gosta, que chama de favela. Naquela época se falava favelas. Tem gente que chama hoje de comunidade. Cada um tem um nome. Eu sempre cito bastante um movimento que chama Movimento de Defesa do Favelado, chama MDF. É um grupo de pessoas que trabalham aqui em São Paulo, e isso se estende. Eles têm apoio internacional, vêm da Alemanha, recurso. Eles têm que se inscrever todo ano, prestar contas, para implantar trabalhos sociais dentro dessa rede. E o movimento de defesa do favelado, eles se altam o título favelados. Então, comunidade, favelas, Assentamentos Precários, já é um nome mais técnico, são todos para chegar no mesmo lugar.
Maria Tereza, mas de onde surge esse movimento? Quando surge assim?
Aqui em São Paulo, a gente começa esses trabalhos através de uma política pública dentro da Prefeitura de São Paulo, que é o Programa Mananciais. O programa foi criado na década de 90 e ele, quando é criado, é feito com os técnicos da Prefeitura e ainda numa escala menor do que naquela época também, os números de ocupações em São Paulo eram diferentes, mas ele já era para preservar esse programa, para preservar a bacia da represa Guarapiranga, que é uma das nossas fontes produtoras de água. Foi feita para questão de energia e depois nossos dois grandes reservatórios, a Billings e a Guarapiranga. Então, na década de 90, é o programa Guarapiranga, No Rio de Janeiro, a gente tinha o Favela Bairro. Não sei se você já ouviu falar.
Já.
Eles têm semelhanças de trabalhar a infraestrutura. O que a gente chama de infraestrutura? Colocar água, esgoto, caminho das águas de chuva, que é a drenagem. superficial ou enterrada, trabalhar pequenas praças, áreas de convívio, guarda-corpo, escadarias. Fazer um desenho que se integre aquela favela, aquela comunidade ao território. E de uma forma que quem estiver andando, passeando a pé, de carro, não consiga distinguir. Isto é uma favela? Isto é uma comunidade? Isto é meu bairro formal ou informal? Que são outros nomes colocados, né? Bairros informais.
Então, mas aí não está muito mais ligada na questão urbanística do que propriamente dito a questão arquitetura em si?
Nas duas coisas, a gente não consegue trabalhar esses programas sem trabalhar a infraestrutura e habitação. Nesse momento, quando você começa a trabalhar infraestrutura, você tem nessas áreas famílias em áreas de risco ou de morros, de encosta, com uma topografia mais acidentada. ou sobre bordas de córrego, ou até mesmo sobre córregos. Ou dentro das represas. Aqui em São Paulo tem um número muito alto de famílias que estão dentro da represa. E todo mundo percebeu que, de uns anos pra cá, com os fenômenos climáticos, em 2014 tivemos uma crise hídrica em São Paulo, pra quem lembra. E agora a gente teve um oposto, que é uma subida do nível d'água. Então, a gente tem muita familiária de risco. Quando você tem essa situação, você tem que tirar as famílias de área de risco e levar para algum outro lugar. Ou construir na própria comunidade. ou procurar um terreno próximo na região de preferência, e aí entra a arquitetura, que é o que você está colocando. A arquitetura entra para a construção das unidades habitacionais, equipamentos públicos destinados a encontros de convívios coletivos, construções de equipamentos públicos, tudo que é equipamento. A gente sempre fala que quem mora também adoece, precisa estudar, precisa ter um comércio. Então, no nosso leque, esse programa, quando foi criado, ele foi ficando cada década mais robusto. Robusto não só nos investimentos públicos, mas também no que a gente foi enxergando e aprendendo que deveria ser implantado nas comunidades. Então, algumas marcas políticas, elas trazem, talvez você lembre do programa Singapura, Sim, sim. O programa Singapura, o nome dele técnico é Prover, programa de verticalização. Singapura foi a marca política e todo mundo reconhecia aqueles prédios que foram carimbos espalhados pela cidade de São Paulo. Isso é uma forma da arquitetura, mas de uma arquitetura empobrecida, de uma arquitetura que não via no programa Só via a arquitetura, não via o urbanismo, não via a relação das pessoas. Então, você pode perceber que quem estudou Singapura tinha envoltórias de Singapuras criando-se uma nova favela novamente. Porque lá não tinha um comércio, um lugar para manicure, um lugar para você ter uma vendinha. Então, quando você entra com a arquitetura sem ter uma multiplicidade de usos, Isso se constrói ao mesmo tempo, junto com os moradores, e aí se tornam de novo construções irregulares, sem um planejamento. Cidade de Tiradentes acho que é um exemplo muito forte de que implantamos muitos conjuntos habitacionais, todos com a mesma cara arquitetônica, numa pobreza de arquitetura. A gente fala que a arquitetura não pode ser pobre porque ela vai ser destinada para uma camada mais pobre da nossa cidade.
Teresinha, nessa linha que você está falando, eu até ia fazer essa pergunta mais para o final, mas eu já vou antecipar, até porque está dentro disso que você está falando agora. Existe alguma lei federal que, imagina, aquela pessoa que mora ali numa comunidade, ela não necessariamente precisa participar de um projeto social, vindo aí das prefeituras, do governo, mas, assim, alguma lei onde ela tenha direito, por exemplo, ela tem ali aquele... ela tem uma moradia popular, mas ela quer fazer uma reforma, Só que ela tem que trazer, de alguma forma, uma qualidade arquitetônica para aquele espaço. Tem algum lugar onde essa pessoa que não conhece essa lei possa buscar essa informação e trazer uma qualidade arquitetônica para aquela área? A exemplo disso, a gente tem advogados. Se eu não tenho condição de pagar um advogado, eu tenho meios para ter esse advogado de forma gratuita. Na arquitetura, na defensoria. Na arquitetura existe também essa possibilidade?
Existe. Existe uma lei federal, que é 11.888 de 2008, se não estiver enganada. É uma lei que foi publicada esse ano, mas já vem de frutos anteriores de história, de batalha pelos direitos à moradia junto a movimentos populares, junto a técnicos arquitetos urbanistas. Ela, antes de ser publicada, tem um histórico que foi percorrido. O nosso país tem muito histórico de leis que foram criadas ligadas ao direito urbanístico, que vêm de conquistas populares, de movimentos. Só que ninguém sabe que existe essa lei. Essa lei é como se fosse... Sabe o SUS? A gente tem o SUS. Vamos fazer um paralelo. Todo mundo pode acessar o SUS.
É, inclusive, até se você já conseguir dar um direcionamento para essa pessoa, como que eu vou atrás, de repente, desse direito?
Tá. Ela é mais complicada, porque quando você tem o SUS, você tem uma estrutura montada. Então, criou uma lei, fez o SUS, Sistema Único de Saúde, você tem verbas destinadas, você tem unidades de equipamentos básicos pelas cidades, você tem um programa que foi criado, tem uma verba, tem um planejamento para implantação. Quando criar essa lei, qualquer morador que ganhe de zero a três salários mínimos tem direito, arquiteto urbanista, Se eu não estiver enganada, acho que entra um engenheiro, assistente social ou alguém da área social. E não lembro se tem advogado também, porque se forma um combo. Você nunca entra numa comunidade ou favela sem olhar o contexto. A primeira coisa é que ela não esteja em uma área de risco. Aí você não vai consolidar uma casa, reformar para melhoria habitacional, se o problema não é a casa em si, é o terreno onde ela mora. Só que quando foi feita essa lei, ela é uma lei que a gente fala auto-aplicável. Ela não foi regulamentada. Como usar essa lei? Procura quem? Eu disco que número. Tem um site? Não tem nada. Então, uma lei de uma abrangência territorial federal, que não tem uma destinação de verba. E não tem um caminho que você divulgue. E você divulgou. Quem que vai estar lá para atender? O Paulo se inscreveu.
Entendi.
Quer dizer, não tem nem a inscrição, tá vendo? Vai vendo como... Então, quando foi feita essa lei, vários movimentos pensaram como aplicar ela. Eu pude trabalhar num projeto, foi em 2016, que era fomentado pelo Cities Alliance. É um grupo que chama Aliança de Cidades. A gente fez esse trabalho, ele fomentou, injetou recurso aqui para a gente. A gente trabalhou com duas ONGs. Eu fazia parte da Habitar para a Humanidade, que é uma ONG internacional e que atua aqui no Brasil. A outra ONG era Interação, Habitar para a Humanidade como Expertise da Construção e da Reforma. A Interação é uma ONG que tem o objetivo de formar as pessoas, formá-las para que elas tenham condições de você é que elas caminhem sozinhas para o futuro. Você dá os meios para elas, não ficar tutelando, carregando no colo e a hora que você termina um programa, aquilo despenca. Então, a interação fez um trabalho com a gente que era da organização social e de formação. E a gente então foi atrás desse recurso. Quanto que dá para investir? Em quais comunidades? E nós chamamos dois movimentos de comunidades. Um que é o próprio MDF, que eu citei anteriormente. para trabalhar em uma favela que se chama Verguerinho, na Zona Leste. E o outro, não sei se você conhece, é o Unas. O Unas é um movimento de Heliópolis. É uma organização gigante. Heliópolis e Paraisópolis são as nossas duas maiores comunidades das cidades de São Paulo em tamanho e densidade. Então, pegamos duas áreas que tinham uma organização social pré-estabelecida, porque precisaria. Isso que você falou, como não tem uma estrutura na lei, você tem uma lei com uma cabeça que alguém pensou, faltando o resto do corpo, faltando braços, pernas, um coração para pulsar, carteira para injetar o dinheiro no bolso e caminhar. Então, a gente montou um programa que a gente queria que fossem células que se multiplicassem e a gente pudesse espalhar isso de São Paulo afora. E escolhemos duas comunidades. Aí nós fizemos parcerias, porque a ideia do programa não era só reforma. Porque você pode querer uma reforma, Paulo. Eu vou na sua casa, eu fui numa... Vou dar um exemplo, claro. Fui numa casa de uma moça, mãe de família, com um filho de oito anos, sozinha, né? Então esse perfil da mulher solo. A casa, a moça queria pôr um forro de PVC porque era muito quente. A mãe morava embaixo e ela em cima. E ela tinha uma escada que a gente chama caracol, helicoidal, né? Só que quando você chegava na parte superior dela, já era a porta dela. Ela nunca percebeu que, mais importante do que ter uma casa fria ou quente, aquela escada ir chegando no patamar da entrada da porta, sem um guarda-corpo... Sem.
Um guarda-corpo, uma escada caracol.
É, sobe, aí dá na porta, qualquer mal súbito, você cai, você pode morrer. crianças que empinam pipa em laje. Quantos não têm isso registrado de acidente ou falecimento em Mauá? Tem até um movimento de uma pessoa que eu conheci quando eu trabalhei lá em mutirão de favela. Ele perdeu o filho empinando pipa na laje. Então sempre tinha um evento na prefeitura de Mauá para trazer isso para a consciência das famílias. Então, ela não tinha se dado conta que o problema da casa dela era o mais importante, ela sair, ela ter um mal súbito, ou o filho dela sair ou chegar E cair e poder vir a falecer ou algo de proporção. Então a gente faz um trabalho de sensibilizar a família. Muitas famílias pediam pintura, né? A gente é um país quente, gosta de cor. Você vai em comunidade, o uso das cores é... não tem essa coisa. O blasé da classe média, com todo o respeito, uma crítica é o ocre, é o cinzinha. São cores vibrantes, porque a nossa comunidade são feitas de várias culturas, de famílias que vêm do Norte, do Nordeste. E esse enriquecimento popular, cultural, traz essa questão.
E ontem, até dentro disso que você está falando, eu estava passando com a minha esposa, a gente estava passando e observando algumas coisas, passando mesmo em uma comunidade assim, e a gente fica impressionado como a gente se diverte com tão pouco. E dentro disso tem a questão das cores. Ela falou, meu, olha essas cores. A gente começou, inclusive, a falar do Pelourinho na Bahia.
Vibrantes, né?
Vibrantes, sabe? Como, de fato, as cores estão também relacionadas a essa questão da alegria, da diversão, né? Do olhar.
Parece que aquilo não te deixa... Da arquitetura.
Da arquitetura. Aquilo nunca te deixa triste.
Não.
Assim, enfim.
A gente tem várias experiências. Tem uma comunidade que a gente trabalhou na Vila Nilo, através do Poder Público também. E, no final, a gente fez um estudo cromático, que era para trabalhar as fachadas das casas por setores de cores. Só que cada casa tinha algum detalhe que era a escolha do morador. O que era isso? A gente fez uma pesquisa de porta em porta e falava, diga três cores que você gosta. No final, a gente tabulou, e a minha colega, minha amiga arquiteta, a Elaine, eu chamo-a de Nani, a gente tabulou, fez um desenho de fachadas para não ter recortes, fachadas com reentrâncias. A gente tem que trabalhar a segurança do morador, as pessoas podem se esconder. fachadas que você tem arbustos muito altos, né? Então, tem estudos que mostram essas questões de violência e de vulnerabilidade com uma pequena coisa que é um recorte de um muro e eu posso estar lá me escondendo na hora que alguém passa.
Entendi.
Algum arbusto que está muito cheio. Então, a gente refez todas as fachadas e fez uns desenhos geométricos. Então, as cores que mais ganharam em vários setores... Vamos supor que você está num trecho que ganhou verde. mas você queria muito um violeta. Então, a gente fazia um predomínio, porque não dava para comprar a cor de cada, eram uns 500 edificações. Não dava para comprar a cor de cada um. Então, a gente fez um desenho geométrico em todas as fachadas e punha a cor. que era do seu gosto pessoal, da sua família. Então, tinha uma cor de fundo, de base, e aquilo vinha sempre com o detalhe do seu gosto, do seu coração. E, quando a gente implantou, foi muito legal que os jovens não estavam entendendo nada. O que era aquele bando de cores? E lá tinha um trabalho sendo feito pelo Serviço de Assistência Social da Subprefeitura, na época, de Jacena Tremembé, e a psicóloga me chamou. Falei assim, os meninos não estão entendendo nada. Falei, que legal. Então, a gente pegou uma praça que reformamos e a gente chamava de a Praça da Pipa, por sinal. Falando de pipa... Praça da Pipa, que legal. A gente fez com mosaico, desenhou no chão, trouxe as crianças para fazer o plantio dos jardins. Mas, nesse dia, com a praça pronta, a gente fez uma vivência para trabalhar as cores. Porque a gente fala das cores... Quando a gente está estudando arquitetura, uma das primeiras coisas que você faz nos primeiros anos é pegar pipoca e tingir de rosa e uma de verde. As duas são corantes. Aliás, o que faz mal, né? Não recomendo nem a rosa nem a verde. Apesar de ser bom, entre aspas, né? Mas... Ninguém quer pegar pipoca verde. Todo mundo olha pipoca verde. Mas é a mesma coisa. A cor tem essa questão de influenciar o ambiente. Não vai por um quarto vermelho? Não sei que você viva querendo pegar no fogo, energeticamente. Então, as cores da alimentação, McDonald's, o M, o vermelho, o amarelo, o laranja, cores mais calmas para dentro do ambiente, para acalmar. Ou você quer ter uma sala ativa, uma parede só, com algum tipo de textura. Então, a gente trabalhou para aqueles meninos, na época, com a psicóloga. com a psicóloga, o que eram as cores e o que elas representavam para a gente. Isso fez parte de um estudo em que a gente trabalha na arquitetura. Era uma revitalização. Tinham construções de casas novas. Então, quando você me pergunta onde entra a arquitetura, numa urbanização, nesse caso da Vila Nilo, a gente fez três estudos de projeto urbano e arquitetônico. e os três sempre têm a necessidade de realocar as famílias ou levar para algum outro espaço de construção, porque, se não tem espaço dentro da comunidade, se você consegue tirar um número maior e manter elas lá é importante, porque as famílias têm relações sociais entre elas. Então, se eu for mudada para uma outra região, e você cuida do meu filho para eu trabalhar, eu vou mudar. Eu vou ter a oportunidade de ter entrado num programa habitacional para construir minha casa. E o meu trabalho? Você cuidava do meu filho. Quem vai cuidar do meu filho?
Entendi.
Então, o nosso trabalho, a gente não consegue falar só da arquitetura, só do urbanismo, sem citar outras questões e profissões.
É bacana ter esse bate-papo porque eu consigo, eu conheço todo esse processo que você está me falando e quando você faz esse estudo, trazendo a comunidade, e depois você fala da questão das crianças, aí você faz um outro, espaço ali para as crianças, trazendo também a participação dela. Então, por mais que naquele... Tudo bem, eu queria tal cor, mas de repente não está na minha área, mas ela está em algum lugar daquele ponto, e de certa forma eu acabo me identificando com aquilo. Então, aquele espaço, de alguma forma, vai me abraçar, porque eu pertenço àquela área. E, dentro disso, eu queria entender de você, nas faculdades, existe ali uma disciplina que te direciona, durante esse processo de formação, que te direciona um arquiteto a ter esse olhar para a arquitetura popular?
Quando entrei na faculdade foi em 92. São cinco anos de faculdade. Em 94 foi quando comecei a fazer estágio na prefeitura de Diadema. Eu tinha que acompanhar obra, fazer pequenos projetos de infraestrutura. e acompanhar um trabalho feito por mutirão, que a maioria das pessoas no mutirão são homens. As mulheres sempre ficavam com a parte de organizar a alimentação, essa questão mais maternal, ligada ao gênero da mulher. Depois, isso foi mudando. Tem vários grupos de mulheres que viraram eletricistas, carpinteiras, pintoras. Quando eu começo a trabalhar, Eu não tinha aprendido nada de favela na faculdade, nada. Eu tive muito planejamento urbano. Para mim, isso foi muito importante, porque eu tinha planejamento no nível do meu bairro, no nível de cidade, no outro nível, que são as cidades na região metropolitana. Eu tive muito planejamento. Algumas matérias ligadas à obra, mas obra, Ou você acompanha, ou você não aprende no papel. É igual um paralelo bem tonto, mas... É mestre de obra, né? Quando falam curso de mestre de obra. Eu sempre quis fazer um, porque eu admirava tanto mestre de obra. Achava incrível. É igual... Eu joguei muito tempo capoeira. Quem joga capoeira? Não existe um curso pra você virar mestre de capoeira. A vida te faz um mestre.
A vida te faz um mestre.
E eu tive professor de capoeira, um mestre de capoeira que deixou de dar aula, porque quando abriram um concurso... Ah, em diadema isso. Uma das exigências era a faculdade, e a capoeira sempre foi muito marginalizada, né? Isso há décadas atrás, desde que se tratava a capoeira como uma vadiagem, é um marginal. Então, algo não estava ligado aos estudos, de fato, né? E esse mestre Marinho sempre falava, estudem, meninos, porque eu deixei de poder participar de um concurso em diadema para dar aula para vocês. porque eu não tenho um diploma, mas ele tem um diploma que é mestre de capoeira, que é da vida. O mestre de obras é um paralelo besta, mas é muito simples. Quem fizer um curso de mestre não vai ser um mestre, e o mestre vem da vida. Então, eu entro em uma faculdade e vou fazer um estágio que tive que me virar nos 30. Então, mulher na arquitetura, Você é projetista para decorar, fazer decoração? Isso agora mudou bastante, mas, na década de 1990, era bastante complicado. As pessoas nem sabem, na comunidade, o que fazia o arquiteto. Achavam que era para embelezar, enfeitar. Na faculdade, de um tempo para cá, isso mudou. Tive que me virar nos 30, aprender a trabalhar em mutirão. Você tinha que coordenar aquele mutirão. Eu tinha uma arquiteta, coordenadora, Soraia. Tinha que saber conversar com as pessoas. Tinha que saber conduzir aquilo. E eu lembro que eu tava num mutirão, o cara falou pra mim, a gente começa a escada por onde aqui, hein? De cima pra baixo, de baixo pra cima. Eu pensei, nossa... Não tenho a menor ideia.
Onde elas estão me enfiando, né?
Então eu ia no feeling de entender quem era a pessoa que mais sabia. Vamos pegar a pessoa que mais sabe. Então vamos dando uns insights pra você. E também tomar cuidado, porque senão você é engolida pelo sempre o sabe-tudo, né?
Sim. Porque se você não traz segurança para aquilo que você fala, a tendência é você ser engolido por aquele até que... enfim, que não sabe nada, né? Uma interação. E, nesse sentido, o que é considerado a moradia de habitação popular?
Então, vocês sabem que eu tinha um professor, hoje eu trabalho numa pós, e um dia ele falava assim, a gente chama de habitação social, habitação popular, a gente fica muito estigmatizando, moradia é moradia, ela tem que ser boa para todo mundo, ela tem que ser social para todo mundo, não importa a sua classe. Ele falava, igual um carro, a gente tem um carro, ambos te levam ao mesmo lugar, O carro não tem que estar sempre perfeito para estar andando. Tudo bem, tem carros com design, um tipo de tecnologia, mas a gente tinha que tratar moradia e habitação como uma coisa única, não começar a colocar em caixinhas.
Você não começa a rotular as coisas.
É, começa a rotular. Esse nome continua, eu acho que ele vai sempre perpetuar aqui no nosso país. Mas eu trabalho essa questão sempre pensando, a gente fala moradia de interesse social, moradia popular, mas eu nunca... A gente não gosta que o popular caia nessa arquitetura que é a arquitetura fraca, a arquitetura barata, a arquitetura sem um pensar, essa questão de levar os conjuntos e se construir como se fossem carimbos. As cidades não são feitas de carimbos. Tudo bem, a gente não precisa reinventar a roda, mas você pode fazer um projeto que é o que eu trabalho há décadas com isso e tenho ainda hoje a oportunidade. Você pode fazer um projeto que está ligado à identidade daquela comunidade, que tem que seguir a lei. Se eu fizer um projeto num terreno, é uma legislação, e no do lado é a mesma, porque estamos na mesma área de abrangência, podem dar arquiteturas diversas. Então, se eu contratar um bom projetista, eu posso ter um excelente projeto voltado à sua comunidade, à sua área de interesse social, ao seu bairro precário, assentamento precário, que seja a sua favela. Então, a arquitetura vem com força para trazer uma marca. A gente tem falado aqui, tem falado bastante porque as pessoas não conhecem o trabalho que é feito na própria cidade. O Rio de Janeiro tem uma geografia que, a geografia dele abraça os ricos e os pobres e eles se convivem da forma que são conflituosas ou com menos conflito, depende do bairro, ou mais espraiado para o norte. São Paulo é mais espraiada. Então, muitas vezes fica no invisível. A gente tanto veio falar do invisível, da invisibilidade na pandemia. E essas comunidades, a gente tem que trazê-las para serem vistas, para serem trabalhadas. E essas referências de arquitetura e urbanismo poucas pessoas conhecem. Quando a gente convida a faculdade, que você perguntou para mim, voltando para a última pergunta, Eu faço questão de, em faculdade, falar sobre esse trabalho, oportunidade de formação, porque as pessoas não sabem que você pode trabalhar ou você pode se tornar... Tem incentivado também arquitetos urbanistas a trabalharem na Câmara, Câmara de Vereadores, como deputados, não sei por quê. Tem que ter um olhar para que isso seja discutido com quem tem uma formação específica, porque vai precisar.
Inclusive, você já está convidada para participar do podcast, Pode Pensar Diferente, que é apresentado pelo doutor Routinaldo Bastos, que tem um trabalho bem interessante na Câmara de Itaiaen.
Muito bom, eu agradeço. Eu tenho incentivado alunos que procurem outros lugares para dedicar o seu aprendizado na arquitetura e urbanismo. O curso está chamado Arquitetura e Urbanismo. Muita gente até esquece ou não sabe o que é o próprio urbanismo.
Dentro disso que a gente está conversando, eu queria trazer, na verdade, uma palavra sua. Bom, para chegar aqui no estúdio, você deve ter observado a qualidade dos prédios, porque a gente está em um bairro relativamente bacana e tal, só que tem muitos prédios que você olha e não sabe se você está em uma habitação popular ou em uma habitação... Enfim, eu não sei qual o termo. que vocês utilizam. Aqui já perto de Perdizes também a gente tem muito essas construções hoje chamadas de estúdio. E antes, quando você fala de moradia popular, as pessoas atrelavam muito essa questão também do tamanho, do espaço. Só que no estúdio você está em uma área muito bem localizada, você tem de repente uma cor, uma arquitetura mais elaborada, pelo menos a parte externa. E dentro também você tem a questão do espaço pequeno, um espaço um pouco confinado. Como que você traz esse olhar, trazendo essas construções, que eu diria com pouca criatividade por parte dos projetistas e da arquitetura em si, fazendo analogia com o estúdio, essas construções, e com a comunidade, a gente chamando de construção popular?
Tá, é boa a sua pergunta, porque São Paulo está ficando cada vez mais com o que a gente fala de baixo estoque de terra. Então, qualquer metro quadrado em São Paulo é caríssimo para você investir. E aí, acho que surgem coisas que vão ficando... que vêm, acho que ao longo de décadas. Isso que você falou, o tamanho da casa. Há um tempo atrás, você morar numa casa enorme, isso te dava algum tipo de status ou nível social, classe média, classe alta, casarões, quantos banheiros tem, quantos quartos, suítes? E agora você paga 13 metros quadrados em áreas mais centrais, 20 metros quadrados, aí todo mobiliário é ergue a cama, abre uma gaveta que você usa qualquer coisa, abre outro móvel que você toma café. Você tá em tudo, né?
Existe todo um olhar. Nossa, que criativo. Nossa, sabe assim? Então, assim, porque esse olhar para aquilo que a gente chama de estúdio, tem essa criatividade na construção, e do outro lado, que a gente chama de popular, não existe esse olhar.
Ou casos opostos. Meu pai brincava muito comigo que aquele shopping para o lado dos jardins, que você não precisa sair de lá. Você tem o shopping, você tem a casa, você tem a academia, custa milhão a unidade. Meu pai falava, você nasce, cresce, só faltava ter uma área de velório, crematório ou enterro. Você não precisa sair, mas que é um horror. É carésimo, deve ser um luxo só, mas você não tem troca com ninguém. Você não tem diversidade cultural, você não vive a vida, você não vive a cidade, você não vive um parque que pode ter linear... A gente faz vários parques, ninguém conhece o nosso trabalho, mas a gente fala muito do Ibirapuera. Mas isso que você falou estava ligado ao tamanho, então a gente vem numa cidade que está cada vez mais com baixo estoque de terra. A gente, no poder público, para garantir essas áreas que a gente possa construir, elas têm uma demarcação específica, que elas chamam ZEIS, Zonas Especiais de Interesse Social. E elas têm uma variação numérica, um, dois, três, quatro, acho que vai até cinco, se nada mudou. Está discutindo o plano, foi aprovado o plano diretor, que poucas pessoas também conseguem acompanhar. ou se dedicam para, e tem a lei de uso e ocupação do solo. Quando você faz isso, você marca na cidade, estou falando de uma forma simplista, o que pode, o que não pode. Então a gente reserva essas áreas de zonas especiais. As ex-4 são para as áreas de manancial sul da cidade, da Billings e Guarapiranga. E, no nosso trabalho, a gente não vem fazendo o que vem fazendo o mercado na cidade, que é diminuir o espaço, trabalhar essa lógica de que tudo pode ser feito dentro do seu prédio, porque tem coisas que são legais. Mas tem uma coisa de mudar o perfil, isso em regiões metropolitanas. Venho de uma época em que Você tinha que saber o que você vai estudar. O que você ia se formar era para a sua vida toda. Você ia comprar uma casa, que naquele bairro você ia pagar 30 anos seguidos. Ia comprar um carro. Hoje em dia, meus filhos já... Eu tenho um com 22 e a Bruna com 31. eles têm outras coisas. Eles querem estudar, querem ter oportunidade de uma vivência fora de São Paulo, têm os grupos que se unem e alugam casas juntos. Então, as pessoas hoje... Eu acho que, ainda mais, o Brasil é muito diverso, nossa metropolitana. Junto uma cidade que tem um perfil diferenciado, funciona 24 horas por dia, usa as questões coletivas que acho legal, lavanderias coletivas. Trabalho com a Elisabeth França. Ela é doutora na matéria da arquitetura e do urbanismo. e vem me ensinando bastante ao longo das décadas que eu tenho e tive a oportunidade de trabalhar com ela. O que é isso? Ela sempre fala para a gente pensar no espaço de estudo das crianças. Quando a gente faz um prédio na Habitação Popular, se for chamar assim, vai ficar com entre 42 e 50 metros quadrados. Cabem os dois quartos, cabe a cozinha e o banheiro, mas a gente vem trabalhando o que a gente chama da planta livre. O que é a planta livre? Assim como esses estúdios, fazendo um paralelo ao que você perguntou, de um tamanho menor, Mas você tem a liberdade de fazer por uma cama, por uma cortina, por um biombo, por qualquer coisa que você module seu espaço. Então, quando a gente trabalha planta livre, o morador adora fazer sua reforma também. E os prédios, quando são feitos de alvenaria estrutural, que você usa a parede, é uma outra técnica da engenharia, se você tirar uma parede que ela tem uma função de estrutura, ao longo das alturas, isso pode vir a ceder, a ruir, a cair. Então, quando a gente faz a planta livre, o morador no miolo pode fazer o que ele quiser.
Inclusive, você reduz custo com essa construção, porque depois você transfere, de repente, a criatividade para aquele morador. Imagina, eu não tenho filho, não tenho pretensão de ter, não quero dois quartos, eu quero um. Então, é muito bacana isso, porque você não impõe para aquela pessoa. Eu não quero ter dois quartos, só quero um.
Exato. E para a família que tem seus filhos, então, se ela está sem recurso para investir, também está pronto. A gente vem de um senso que percebe que as famílias estão diminuindo na quantidade de filhos, Mas ainda as famílias, essa geração, acho que a gente vai saber daqui a 30 anos do que vem pela frente. Mas ainda temos as composições, não falando de gêneros e relações que são de casais, não entrando nesse mérito, mas que quer os dois quartos, que necessita. Então a gente faz o que chama de planta livre. Porque além de ter isso que você está falando da questão da economia, você tem uma coisa que é do meio ambiente. Que a primeira coisa que o morador vai fazer é tirar uma parede que ele achar que é inútil pra ele, ele vai demolir, vai ter que contratar uma caçamba. Se ele não contratar uma caçamba, ele vai ter que contratar a pessoa do bairro pra jogar num carro, vai descartar em qual lugar.
E muitas vezes você tem, pode surgir um problema estrutural.
São questões ligadas à estrutura, ao meio ambiente, a um descarte irregular. Quando a gente trabalha essa planta, tenta trazer esse modernismo dessas plantas menores, mas são plantas que... E, como a gente sempre contrata um arquiteto, um escritório de arquitetura que faça um projeto para aquela área, Em um dado momento, em São Paulo, a gente tinha tantos exemplares de boa arquitetura feita em programas públicos. Eu visitava cada um e falava que queria essa unidade no Real Parque. Será que no Real Parque? Para quem conhece o Real Parque, antes tinha os Singapuras, antes não, ainda tem, que logo pela cor mudam por causa da poluição da marginal. Atrás, fizemos um outro desenho de implantação de arquitetura, outro tipo de edifícios, outro tipo de espaços coletivos. Na época, o pessoal não queria, porque era um bairro nobre. Foi difícil a discussão.
E dentro disso, dessa questão de moradias e até a questão de baixo custo, qual é o desafio e como é feito o estudo de uma boa arquitetura para reduzir esse custo? Ou seja, o desafio da escolha dos materiais de uma forma que você tem uma construção bacana, com qualidade, mas você investe um tempo muito maior na criatividade para trazer produtos um pouco mais em conta. Em sumos, na verdade.
O Cal e a Folha de São Paulo, há uns anos atrás, fizeram uma pergunta parecida com essa. Quantas pessoas contratam um arquiteto para planejar? Quantas pessoas usam do que foi desenhado? Quantas pessoas viram o tipo de material? Quantas pessoas se planejaram para ver o que era fazer? Ou uma construção nova ou uma reforma? E o índice de pessoas que utilizaram o serviço de arquiteto, isso está ligado com uma das suas perguntas, da oferta do serviço gratuito para quem é morador de baixa renda, ou para quem não é de baixa renda, mas você tem uma classe média muito autoconstrutora. É bem legal ver essa pesquisa. Se você puxar pela folha, junto com o carro, você acha. Ela fala que quem pôde usar o serviço de um arquiteto, urbanista e de um engenheiro também, a gente tem limites para tipos de aprendizado, de questões estruturais, de engenharia, que você pode dar conta até uma dada escala, se você trabalha com a sua formação. Passou, você vai chamar um profissional um engenheiro para essa outra categoria. Então, quando você tem a oportunidade de pensar, programar, ver o que você vai comprar, tipos de materiais, não só para a questão do que você gosta, do que não gosta, mas meio ambiente, as questões de saúde, quanto você usou aquelas telhas de fibra ou cimento, quanto aquilo fez mal para a saúde das pessoas, Quanto que você descartar um material que pode ser ecologicamente, ambientalmente ruim? Quando você tem um profissional... Vou dar um exemplo tão simples. Eu pude comprar a minha primeira moradia, depois de quase 30 anos, eu comprei fora de São Paulo. Fui comprar no litoral, porque era onde eu tive oportunidade pelo preço. Porque aqui em São Paulo, qualquer metro quadrado era um absurdo. Eu falei, eu trabalho há 30 anos entregando chaves, eu moro com os meus pais e os meus filhos. E, nessa busca, eu fui parar no litoral norte. Aí, minha vizinha começou a reformar a casa dela. Tem uma casa-terra, perdeu o marido já há uns anos. Pegou alguém para dar umas dicas para ela. Ela reformou a casa de um jeito que ela ficou presa na casa dela. Eu não sei que labirinto eles fizeram. Ela falou, ai, Maria, eu podia ter te chamado. Eu falei, podia, Lu. Qualquer sugestão que a gente vá dar, a gente pode trazer conversando com o cliente, porque não é para mim. A casa é dela, não é o que eu gosto, é o que ela deseja. Mas ela fez um negócio que ela queria... alugar para familiares dela para ganhar uma renda extra e ela morar também, só que ela queria ter a privacidade dela quando ela alugasse. Ela fez de um jeito, Paulo, que eu não fui lá olhar porque ela não me chamou, mas ela falou que ficou presa na casa dela. Não sei que labirinto que ela fez para tentar criar, em uma mesma casa, situações independentes que, quando chegar uma visita, ela aluga. Aí já nem é visita, ela está alugando mesmo para um familiar dela. E ela possa ter o quarto dela, o banheiro, e sair para uma outra área que fica privativa dela. E até ontem eu tava lá na minha casa e vi que o vizinho da frente vai começar. Falei, será que quer alguma dica, né? Porque eu vi um outro pensando, puxando. É uma soma de saberes, né?
Não, mas você sabe que tá muito... Você falou, agora você trouxe um ponto... Também você tem aí a classe até de relativa média, mais ou menos, aí, que também é autoconstrutora. Mas eles acabam fazendo muita coisa sem... trazer um arquiteto, porque existe a ideia que o arquiteto é um profissional para rico.
Um luxo.
É um luxo. Então, até depois que a gente está conversando aqui, eu estou lembrando de algumas coisas que eu já fiz, eu, Paulo, sobre autoconstrução e falando em português, claro, as merdas que eu já fiz, que depois eu falei, gente, como que eu consegui fazer isso? E hoje eu tenho muitos arquitetos, muitos engenheiros, e visitam a minha casa e falam... Cara, como você conseguiu fazer isso? Como você não pensou nisso? Falaram... Se eu tivesse buscado um profissional, se eu soubesse que dava pra contratar... Agora, eu sei que naquela época dava. Naquela época eu não sabia, eu não tinha a menor noção. Tanto é que, inclusive, o ConstriCast vem para isso.
Que legal.
Ele vem para trazer, para mostrar, trazer pessoas como você no intuito de mostrar que qualquer pessoa pode ter acesso a um engenheiro, pode ter acesso a um arquiteto, porque moradia também é questão de saúde.
Total.
Então, não é simplesmente, não é morar.
Você falou outra questão que é muito importante.
Porque trazendo esse ponto que você falou agora, dessa questão da qualidade da arquitetura, muitas vezes quando você traz um toque, uma luz, a cor de uma luz, ela pode te gerar um cansaço, que você não sabe porque que está gerando, mas às vezes é só a iluminação da sua casa, é a tinta, Entende? Então, eu acho que ter a oportunidade de trazer esse olhar, né? Seu, Maria Tereza e tantos outros profissionais de arquitetura, engenharia, mestres de obra que foi falado aqui. Então, eu fico contente porque essas pessoas hoje, de repente, têm a oportunidade de falar, de se apresentar para essas pessoas. Você também pode contratar um arquiteto, um engenheiro, enfim.
Pode. Você sabe que você tocou em uma coisa super importante. A habitação está diretamente ligada às questões de saúde e de educação. Existem dados para isso, não sou eu que acho. Na saúde, quando a gente trabalha, a melhoria habitacional vem no final de um processo, Paulo. Então você primeiro tem que olhar se a área é de risco, se não é de risco, se é possível a permanência, isso falando de habitação social. se é de possível permanência. Posteriormente, o final do processo é uma entrega de título similar a uma escritura, que isso vem por leis federais. Tem a Lei 13.465. A gente pode falar com seu colega. E em São Paulo tem a 17.734, que é para você... Chama de reúrbi S. No final, você vai ter o título. Mas só para não perder o gancho do que você deu. Quando você consegue consolidar uma casa, Então, foi feita toda a melhoria, tem água, tem esgoto, ninguém mais está em área de risco. Aí sim eu vou poder investir na minha casa. com a segurança jurídica, que eu vou estar titulando. Então, segurança jurídica. Fala, agora eu vou investir sem o temor se eu vou ser despejado, reintegrado posse, que é a retirada forçada, ou se minha casa vai ruir. Quando a gente está no nosso processo de urbanizar, a gente faz, às vezes, isso para o morador. Eu trabalhei num trecho de Heliópolis que o miolinho de quadra A gente tirou o miolo de quadra para levar o saneamento. E nisso, as casas que ficaram, a gente pôde então entrar em uma casa. O que a senhora precisa? Ela falou, olha, eu falei para ela, seu banheiro está escuro, sua sala. Vamos pôr uma janela aqui e uma aqui? Vamos. Não deu três meses, ela me fala. Mas, Maria Tereza, minha conta de luz baixou. Minha conta de luz baixou porque agora, com essa janela, eu não preciso mais acender a luz. Então, são feedbacks que você vai tendo. Mas a questão de saúde, você vê, as comunidades que têm o médico da família, que é o grupo de acompanhamento que vai casa por casa, Quando você trabalha, ela falou da conta de luz, mas quando você trabalha a circulação, você está trabalhando a saúde.
Sim.
O número de famílias que diminuem de pedir os remédios para todas as itens de alergia, poeira, áreas úmidas demais, é diminuir. Diminui isso, é um dado. Problemas respiratórios. Então, quando você urbaniza um lugar, e a família pode reformar a casa, ou nós, através do programa, fazer algum tipo de melhoria, isso diminui drasticamente. Então, isso que você falou da saúde. E outra coisa é da educação. Estava comentando que a Elisabeth França sempre falava para a gente pensar num espaço coletivo, porque os apartamentos, as famílias ainda que são mais numerosas, apesar de estar caindo, quando você estudar, vai estudar onde? Vai estudar aqui, a televisão tá ligada, o outro tá cozinhando. Não tem a mesinha do estudo.
Sim.
Então, essa coisa de ter um espaço pra você estudar... Eu trabalhei... Trabalhei, não. Tive a oportunidade de assistir algumas palestras de um convidado nosso que a gente sempre chama, quando vai falar de curtiço, ele chama Luiz Corrara. O Luiz Corrara faz um estudo dos cortiços de São Paulo com o que isso se desdobra, e ele fez uma pesquisa relacionada à educação. Ele lembra que, quando visitou uma escola, não sei se foi escola ou família, a professora falou para ele, porque o menino estava pisando na mesa onde era o refeitório, e ela falou para ele, na sua casa, você sobe em cima da mesa? Você sobe onde você faz a lição? Onde você come? Ele falou, eu não tenho mesa. Na minha casa, onde eu como é onde eu estudo. Ele visita e mostra a foto da área, era um cortiço. A família vivia num espaço, voltando a falar do metro quadrado, o do Curtiço é um dos mais caros de São Paulo. É mais fácil você alugar uma casa em comunidade do que você vai para o Curtiço, tem muita gente de fora, imigrante, empobrecimento, é um dos espaços mais caros de São Paulo. Sem qualidade, né? E aí ele visitou e mostra a casa desse menino, menor que essa sala que a gente está. E, de fato, onde ele dormia, onde eles comiam, onde eles faziam tudo, onde a família vivia. Então, quando a professora fala e o menino não tem referência, ele não tem referência. Então, quando você tem um espaço que a criança possa estudar, que ela possa se desenvolver, é um outro ganho da educação. E uma outra questão que está ligada à saúde, como você bem comentou, crianças na primeira infância que não têm acesso à coleta de esgoto, elas serão limitadas dali pra frente. Não tem volta. Então, por mais que a gente trabalhe no futuro com as coisas de cotas, questões identitárias, Se você limitou aquele acesso, é o acesso da pobreza. É outra coisa que a gente tem falado bastante. Criar as caixinhas são importantes, de identidade, gênero, etc. Mas tratar a pobreza como raiz é o principal. Então, uma criança até 8 anos, se ela tiver contato com esgoto, no pé, na porta, a água, ela vai ser, fisicamente, ela vai entrar num processo que ela vai ficar limitada. Isso também tem estudos.
Ela vai levar aquela sequela pra vida.
Vai. De desenvolvimento. Qualquer tipo de desenvolvimento.
E dentro disso que você está falando, como a gente está conversando sobre essa questão da saúde, é bem interessante, porque quando você traz esse cuidado, essa atenção para a questão da arquitetura, para a questão urbana, ali na construção você trata a impermeabilização, que também é um problema e causa muito problema respiratório, esse ponto das janelas que você fala, onde você trabalha ali, a circulação de ar e, sobretudo, a questão da luz. Então, eu tenho umas perguntas aqui. vindas da internet. O que o governo está fazendo para melhorar o fluxo de trabalho da Central de Aprovação de Projetos? Essa é uma pergunta da Maiara Gomes.
Olha, aprovação de projeto é algo que é bem difícil. E eu estou falando porque eu trabalho hoje na Secretaria Executiva do Programa Manancial na Prefeitura de São Paulo. A aprovação legal, ela é feita por uma outra secretaria que chama ISMU, Secretaria Municipal de Licenciamento Urbano. Essa secretaria, quando você está... Nós que atuamos no território da Bilese e da Guarapiranga, elas têm leis específicas que são do Estado, porque essas represas, elas dialogam com outros municípios. Então, quando você vai estudar isso desde as cabeceiras, o sistema de drenagem, ela está regida pela lei estadual. Então, hoje, nós, nos mananciais de São Paulo, qualquer coisa, aliás, todo mundo, quando você vai aprovar, você tem que passar pelo crivo da lei municipal e pela lei do Estado. Eu vou dizer para você que é uma das coisas mais difíceis que tem. Eu tenho aprendido isso ao longo do tempo. Porque há muito tempo, trabalhando com favela e com comunidade, várias leis foram criadas. Nosso país é um exemplo de criar leis assim. Só que tem algumas que não funcionam definitivamente. Elas perdem o caráter do que é ter a parte de regionalidade. Então, para ir na pergunta da aprovação, tem coisas que não são compatíveis das leis municipais com o Estado. Então, a lei da Billings, ela está hoje compatibilizada com a do município para as aprovações, a da Guarapiranga não. E mesmo que está compatibilizada, você tem questões contraditórias. Então, você tem o que a gente chama de potencial construtivo, taxa de ocupação, o gabarito que nada mais é que a altura do prédio. Então, a gente estava até discutindo, vira e mexe, a gente tem discutido de pedir a revisão da legislação. Primeiro que elas vêm de datas anteriores e a cidade foi mudando. para a gente compatibilizar e tentar simplificar o sistema. Porque, de verdade, no município, então a gente... Tem uma coordenadoria, que é para projetos de interesse social. A gente dá entrada. Então, tem vários tipos de modalidade. Desde o parcelamento de solo. O que é o parcelamento, para quem não sabe? Quando você tem um terreno que passou de 20 mil metros quadrados, você vai ter que levar sistema viário, vai ter que dedicar uma área para o que a gente chama de institucional, para pôr no equipamento público. vai ter um trecho que vai ser de área verde. Então, entram as questões que são obrigatórias, porque, se depender de loteadores, os loteadores sempre visaram por um número maior de lotes para uma renda. E a gente tem visto, cada vez mais que a gente não pensa a cidade como um todo, chove, já sabe o que vai acontecer. A gente fala, a gente já sabe o que vem. Num grau ou menor ou maior, obras emergenciais ou obras definitivas. Então, Não pode perder esse foco. E aí você, para aprovar, então você tem que destinar parte também de áreas verdes. Quando você tem que fazer isso junto com o Estado, as taxas que a gente fala, os índices urbanísticos do Estado, eles são mais rigorosos do que o do município. Isso não quer dizer que o do município é ruim. Ele te dá um potencial maior de construção. Vou dar um exemplo. Tem uma área que a gente tem 300 mil metros quadrados no Grajaú. Está passando por esse processo de aprovação. Primeiro estudo, cabiam 3 mil unidades habitacionais, que é muito bom, porque teremos grandes áreas de parques, que são as zonas destinadas para proteção ambiental de córregos e afluentes. Teremos a implantação de um céu. Se você pensar em 3 mil famílias, é uma cidade. Então, não se faz mais cidade de tiradentes. É mais caro levar a infraestrutura depois. Então, a gente vai ter um céu vai ter o BAS, Unidade Básica de Saúde, e vai ter creches também, e comércio. Quando passamos para aprovação, para o município, pode ter as 3 mil unidades. Quando chega para o Estado, a legislação que vigora hoje, com os órgãos de aprovação que você tem na pasta, em especial ligados à CETESME, isso te traz outros requisitos. E aí, para você atender a todos e ficar dentro da lei, você começa a ter que abrir mão de algumas coisas. Então, as questões de onde está a nascente de um curso d'água, mas essa nascente estava ocupada, estava desocupada, os prédios na Billings não podem passar de 20 metros de altura. Não pode. É uma lei. Tudo que você faz nessa região tem que ter 20 metros no máximo. A gente fala o pé direito, né? A altura de um andar. 2 metros e meio? 3? 2,60? Não pode passar. Aí que vem o que a gente começa a pensar que tem que mudar. Se eu te levar num prédio de 20 andares, que seja um TR ou mais 5, se eu colocar dois andares a mais, urbanisticamente, um prédio de 9 andares vai te sentir com uma arquitetura que te massacra na cidade. Se você pegar um terreno, que a gente chama de taxa de ocupação, eu libero o terreno para uma área verde maior, eu deixo ele mais estreito e eu verticalizo, eu subo mais andares, eu estou liberando solo. Se eu estou liberando solo, ambientalmente é melhor. Pode ter áreas mais vegetal, mais impermeáveis. Então, em vez de eu construir a mais no plano horizontal, eu diminuo o meu plano horizontal e subo no vertical. Se a gente subisse dois andares a mais de cada prédio que tem lá, atenderia muito mais famílias que estão vindas de áreas de risco. Da nossa conversa do começo desse bate-papo, famílias que não podem ficar devem ir para conjuntos habitacionais, conjuntos popular, que sejam, devem ir para moradias. Então, a gente está tirando famílias que estão em risco de morte, para morrer. para ir para um conjunto. Então, dois andares a mais não é permitido. Não é permitido arquitetonicamente. A gente vê os prédios que tem em São Paulo. É isso que você falou. Quando você chega aqui, cada vez mais alturas. E a lei não permite. Então, essa pergunta que ela fez é bem difícil. Eu tenho aprendido... Como eu sempre lidei com as leis que trabalham... O Estatuto da Cidade é uma lei antiga que vem nessa briga dos movimentos de moradia. Essa lei da ReurbS também vem aprimorando. Aí fazem leis que você não pode... usar na margem dos córregos e rios, como se você estivesse no Mato Grosso, na Amazônia.
Inclusive, a Mayara trouxe mais uma pergunta aqui que eu acho interessante fazer antes da gente... a gente já está caminhando para o final. Ela falou o seguinte, o que o governo está fazendo em relação à urbanização e infraestrutura das favelas e comunidades irregulares em todo o Estado?
O Estado agora está com uma atuação vinda forte. A gente viu que teve desastre no final do ano em São Sebastião, com as chuvas que tiveram. Então, tenho acompanhado o trabalho de uma colega muito competente, também minha xará, Maria Teresa Diniz, junto a demais que vêm trazendo essa questão da moradia e trabalhar urbano. E como que seria isso? Estou dando esse exemplo. O governo do estado teve sempre um papel muito dedicado à construção da moradia. O governo do estado, a gente pode falar que a CDHU, que é a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, todo mundo conhece às vezes a sigla, mas não sabe o que é. fez muitos prédios que também se espalharam pela cidade. A prefeitura, através também da Coab, Companhia Habitacional, também fez, e às vezes você nem sabia distinguir quando era um ou outro. E a prefeitura, o município, fica muito a cargo de ter esse trabalho da urbanização de favelas ou de assentamentos como um carro-chefe mais forte. Não que isso não seja do governo do estado também. O governo também tem suas atuações e eu sei que está ampliando isso. E felicito que tem essa colega à frente dessa pasta no estado. Então, hoje, Eu trabalho, como eu disse inicialmente, na Secretaria Executiva do Programa Banancial. A gente trabalha com vários contratos, são oito lotes de contrato para projeto e obra que passaram por uma licitação. Eles são contratos que tiveram, vem da fase, hoje estamos na fase 3 do programa. Eu te disse que ele começou na década de 90, né?
Sim.
Que era o programa Guarapiranga. E aí, o programa ficou robusto, entrou fase 1 de licitação. 2, hoje estamos na 3. O que é essa licitação? Projetos e obras. Então, você pega o território. demarca esse caminho das águas, que o nosso trabalho, ele é ligado ao caminho das águas, ao caminho do saneamento, eliminação de áreas de risco, aí algo que eu ainda não falei aqui, criação de parques. Então, a gente dialoga com as demais secretarias, dialoga com a saúde e educação para saber a demanda, porque quando a gente tem que optar por um espaço, põe o saúde, põe a educação. Então, a gente vai nas secretarias e vê a demanda. Um outro espaço que a gente vem construindo chama TEIA, está ligado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que é para você pensar em formação das famílias, como se fosse um co-working público de CT dentro da comunidade, um espaço que seja dedicado a que ela crie um fortalecimento e possa caminhar na vida nova que ela vai construir naquele conjunto.
Aqui você trabalha a questão das relações ali.
Isso. E também a questão do comércio em escalas menores. Então, esse trabalho que a gente faz hoje, ele é intersecretarial. Então, ele começa bem, porque a gente não faz nada sozinho. Você que citou, que visitou a casa, por que não pensa nisso? Quando a gente vai ouvir a opinião dos moradores, tem sugestões também. E se a gente faz isso? E se faz aquilo? Tem o conselho gestor participativo, que é para ouvir o morador, e ver o que ele pensa para aquele espaço. Então, a gente tem um programa que se relaciona com outras secretarias para fazer um programa único de prefeitura, porque o morador não entende o que são as secretarias. Obviamente que, se explicar, ele vai entender, mas...
Mas é um processo que leva tempo.
É processo. um Então, é a prefeitura. Então, a prefeitura, no fim, a gente faz esse trabalho e entram os parques. Eu não sei se você conhece o Cantinho do Céu.
Cantinho do Céu não.
A gente sempre fala do cantinho porque lá tem oito quilômetros de parque.
Onde que fica?
Ele fica afastado da nossa região central, né? E a gente sempre brinca, fica pro lado da Bilins, pro lado do Grajaú, a gente sempre brinca que o morador do cantinho não vai pro Ibirapuera. Agora a gente está trabalhando na prefeitura o transporte hidroviário público. Isso vai ser implantado. Então, para se deslocar, para quem anda para a região sul de São Paulo, ou, eu não gosto de chamar de extremo sul porque... E também nem falar dessa questão da periferia, porque longe para eles somos nós que estamos aqui.
É, longe depende de onde você está.
O Cantinho do Céu é um dos parques que a gente trabalha com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, nossa parceira. É um parque público, aberto. O projetista é o arquiteto Marcos Boldarini. Esse parque já foi premiado nas primeiras fases dele em Veneza, na Bienal de Veneza. É um parque que já foi anunciado, divulgado fora do Brasil de forma...
É, vamos mostrar ele aqui para a audiência do Constricash. Vamos mostrar.
Vamos fazer uma visita lá. Vai ser bem bacana. Se quiserem, a gente organiza. E o que foi legal do parque? Os moradores foram se apropriando. Tem o samba da Clarissa. Depois tem todas as redes, aí dá para puxar. É um samba que tem sempre no primeiro domingo de cada mês. No dia do samba, eles usam o deck que a gente fez. Não o flutuante que a gente ficou preocupado com a questão da vida das pessoas. Então não são aquelas raves que ficavam na rua, até de madrugada, morador quer trabalhar. Então quando a gente fala de questões conflituosas e de agenda para a periferia também, Tem que ver o que o governo pode propor ou propõe. Então, no cantinho, o dia do samba, tem a mulher que vai vender um hambúrguer artesanal, que começou a estudar nutrição, deixou mó vizinha para estudar também. Achei tão lindo isso. Tem um grupo que organiza, você faz o artesanato.
É bacana que você vai criando, de fato, uma rede ali, né?
Crie uma rede.
Sim.
Grupo dos grafites, é o grupo entre o sonho e a realidade. Agora eles querem alavancar o grafite às mulheres, porque geralmente é homem grafiteiro que você vê, né?
Geralmente, sim.
Agora eles querem empoderar, que é uma das palavras mais usadas no momento, empoderar as meninas. Então, a nossa secretaria trabalha um leque É um processo bem demorado, porque o protagonista é o morador, que é para ele que vai ser o serviço. As áreas têm sofrido muitas ocupações, muitas especulações, ações criminosas. Então, você comprar um terreno de alguém que te vendeu Não tem escritura, não tem documento. São processos bem conflituosos.
Ah, bem interessante. Bom, Maria Tereza, antes da gente encerrar, a gente tem um quadro aqui, Convidado com Vida. E eu gostaria de ouvir de você, assim, eu sei que essa pergunta tem gente que, ah, não quero me comprometer só com um e tudo mais, enfim. Mas quem você gostaria de ver aqui, que na sua cabeça, ou seja, de acordo com o seu, com a sua perspectiva, essa pessoa vai trazer aí um conteúdo relevante para a nossa audiência.
Olha, eu acho que um conteúdo complementar pode ser a minha xará, que eu citei aqui, Maria Tereza Diniz. Ela é arquiteta, urbanista, também ela está no Estado, então pode ser um complemento aí de políticas públicas, se você quiser fazer um acervo do POD. de vocês. Obviamente, não poderia deixar de mencionar a secretária Elisabeth França, não pelo fato dela ser secretária hoje, mas pelo histórico do trabalho dela na cidade de São Paulo e Brasil afora. Ela traz uma experiência e que se volta a se dedicar para esse trabalho de urbanização. Acho que são duas pessoas que estão ainda nessa linha. E também dá pra pensar se você quiser ouvir outros participantes, né? Então, eu citei aqui o pessoal do grafite, dá pra convidar os meninos do Entre o Sonho e a Realidade, que também trabalham com a música. Acho que dá... Eu ia lê-la em camão de gente, mas não...
Não, vamos pensar. Eu vou pensar aqui num episódio diferente. Pensar do que você precisa. De repente igual esse, inclusive, do parque. Eu estou com umas ideias aqui.
Eu vou... Vou... Do parque, o projetista é o Marcos Boldarini. É uma obra da prefeitura. É um projeto feito em conjunto prefeitura. Esses processos são criativos coletivos, né? Entre o poder público e o arquiteto. É o Marcos Boldarini. Se você também quiser... Tá, eu vou.
Pensar aqui num episódio especial de ver se a gente consegue, de repente, em um episódio, unir, sabe? Essas pessoas aí pra gente fazer um bate-papo.
Eu fico à disposição de colaborar com essa união.
Criar essa conexão aí, a ponte entre essas pessoas, então... Sim, pra não serem.
Só trabalhos solos que eles não são.
Sim, sim, porque eu acho bacana. Outro dia eu tava falando com o paisagista Alexandre Anasack, E a gente estava falando justamente dessa questão da importância do paisagismo, por exemplo, nas cidades. O que isso reflete ali na questão do olhar, como que as pessoas se comportam nos espaços através da arquitetura, através do paisagismo, enfim. Então, traz tudo isso. Eu queria que você desse aí suas palavras finais. A gente falou Bastante. E tem muita coisa que eu deixei de perguntar, mas quem sabe...
Eu também deixei de concluir. Acho que o raciocínio nem fechou em alguns momentos. Mas eu queria muito agradecer a você a indicação do meu nome para essa conversa. Eu achei bem legal. Você tem muitas perguntas que também provocam a gente para trazer uma conversa mais rica. Então agradeço a oportunidade, sua vivência de ter transformado o Constro e caste para todo mundo ter acesso. Fico à disposição de formar esse grupo maior de trabalhos. Para quem quiser, tem alguns livros que são publicados quando a gente trabalhou em outros momentos. A gente gosta de fazer publicação, que é absorver o aprendizado. E tem um site da prefeitura que chama Bita Sampa. Lá tem alguns PDFs de livros publicados, tem Do Cantinho do Céu, entre outros, e tem um que eu gosto muito para quem é estudante ou para quem está formado e queira, que é um livro que tem volume 1 e 2, é Do Plano ao Projeto. Então, você trabalha desde a escala do plano até chegar dentro da unidade habitacional, até chegar dentro do quarto, do apartamento. Então, a escala da urbanização, a escala do conjunto, a escala do prédio e a escala da unidade. Então, para quem é estudante ou para quem é da área, a gente sempre recomenda, porque não tem muita bibliografia. Você mesmo trouxe essa questão nas faculdades. Então, quem quiser, fica essa dica aí de leitura para seguir carreira e que se discuta mais como você está fazendo hoje comigo.
É um bacana, então vamos colocar o link aqui na descrição do vídeo.
Tá bom.
Maria Teresa, mais uma vez, obrigado aí. Conte com o Constra e Cash para o que você precisar. Eu sempre falo que esse espaço aqui é nosso, inclusive o fato de você trazer aí sugestões e convidados é justamente para a gente conseguir ampliar mais a discussão e, consequentemente, levar informação de qualidade para a nossa audiência.
Obrigada.
Então é isso, gente. Você que ficou até aqui, eu tenho certeza que ficou impactado com esse conteúdo exclusivo. Eu, que sou, que vivo arquitetura, que vivo engenharia, que vivo obras, nunca tinha feito um bate-papo tão rico e esclarecedor quanto esse. Então um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constricast.
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