Banalização do Mercado da Construção: Engenharia, Credibilidade e CREA | Felipe Oliveira #114

Transcribed episode of the Construicast podcast featuring engineer and content creator Felipe Oliveira (with guest Rafael dos Santos and hosts). They discuss Felipe’s career (started project work 2010; launched YouTube channel in 2016 after a layoff), personal story as father of an autistic teenager, the role and reach of engineering content online, concerns about banalization/exercise-ilegal of engineering, quality of projects in social media, and Felipe’s recent engagement with CREA (honorific inspector role) and efforts to improve professional regulation and inclusion (notably neurodiversity).
Chapters
O Construicast de hoje é com Felipe Oliveira.
Construicast, arquitetura, engenharia e construção.
Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Felipe, seja bem-vindo a mais um episódio aqui no Constricast. Agora a pergunta, quem é Felipe?
Primeiramente, muito obrigado pelo convite, tá? É muito bacana participar desse podcast, estando aqui, principalmente sabendo de toda a história. E o Felipe é um engenheiro civil, né? Eu sou projetista estrutural, já desde o ano de... Comecei em 2010, Assim que eu terminei o técnico de educação, já entrei no escritório de projetos, fiz minha graduação toda dentro do escritório de projetos, e até hoje estou atuando com projetos, além, lógico, das redes sociais, que é um grande calchefe aí que mudou completamente a minha vida.
Felipe, agora por falar em redes sociais, você tem um desafio que é essa parte de fazer suas atividades do dia a dia e também contribuir gerando conteúdo, né? Pro mercado, eu digo, conteúdo de qualidade. Agora, como nasceu o seu canal?
O canal nasceu em 2016, após a minha primeira demissão. Eu saí da empresa, eu me formei e fui demitido por conta da crise que estava na construção.
É que você pegou ali final de 2014, né? Esse período pós-copa que foi bem desafiador.
Pós-copa. Então, a construção civil caiu muito e veio a demissão. E a ideia não era ficar parado, era ficar ativo, literalmente. Então, começar a criar conteúdo para as redes sociais foi uma forma de eu me manter atualizado e captar clientes. Na época, as redes sociais não eram tão fortes como é hoje. Não tinha a tamanha confiança. tem hoje. Então, eu fui um dos primeiros canais de dinheiro e teve outros que começou, mas poucos anos antes, né, galera? Então, eu tô aí há muito tempo desbravando.
Mas poucos se mantiveram, né?
Poucos se mantiveram. E é interessante até salientar que o meu canal, ele nasceu no intuito apenas de compartilhar conhecimento. Ele não nasceu no intuito de vender treinamento, vender curso. Hoje a gente tem, lógico, uma linha de treinamento, mas a ideia não foi essa, tanto que levou quase 10 anos pra gente ter algo. Então, a ideia era realmente só compartilhar conhecimento.
Agora, eu queria entender como nasceu sua amizade com o Rafa, o engenheiro Rafael dos Santos, que já participou aqui bastante, é uma pessoa muito presente aqui.
Na verdade, o Rafa eu posso dizer que é um ponto alto da minha carreira como engenheiro, e hoje também como influenciador, porque eu tenho um filho, ele está com 15 anos hoje, ele é autista, grau de suporte 1, e a gente enfrentou um monte de desafios na educação dele. principalmente até os oito anos de idade dele, que não tinha diagnóstico, a gente não fechou o diagnóstico. Toca muita gente porque o autista, o mundo não está adaptado para o autista. E quando a gente fala de dez anos para trás, eu peguei uma mudança. Pra vocês terem uma ideia, eu trabalhei num Shopping Center, onde a gente foi o primeiro Shopping a nível Brasil a construir uma sala azul, que é uma sala dedicada a pessoas com Téia, que é o transtorno do espectro autista. A gente criou uma sala de descompressão, é um ambiente num Shopping, imagina um Shopping. Shopping não é um ambiente pro autista. Porque todo estímulo visual, sonoro, altera e pode trazer dores, física até. Então a gente criou, a gente foi o primeiro, teve depois no estádio do Corinthians, começou no estádio do Corinthians e no Shopping foi lá, a gente construiu. Então o Shopping deu essa oportunidade, eu participei desse projeto desde a criação, desde a conversa com especialistas, psicólogos para ter algo que atendesse. Então assim, Voltando a falar da como a gente se conheceu, o meu filho, até os oito anos de idade dele, a gente não tinha um diagnóstico fechado dele. Até esse momento da vida dele, ele era mal criado, ele era um aluno que não daria certo, ele era um aluno que poderia agredir outras pessoas, a gente ouviu muita coisa. Era um aluno excluído, a gente chegava na escola, ele estava sentado isolado no canto, que as professoras tiravam ele do convívio, não integravam ele no convívio.
É, os próprios professores não estavam preparados, né?
Os professores, toda a estrutura educacional não estava, eles estavam em uma escola pública na época. Então, aquilo foi muito difícil pra gente. Então, depois que saiu o diagnóstico do meu filho, o nosso mundo mudou por completo. Primeiro, a aceitação. Todo pai visa o filho perfeito. Eu quero meu filho perfeitinho, que vai ser rico, vai ser, vai me dar... Enfim, bem-sucedido, né?
Você já começa a projetar coisas ali, enfim.
E depois disso, a gente pensou, o que é ser bem sucedido? Eu quero meu filho feliz. Tanto que quando ele começou o tratamento dos 8 anos aos 10 anos, que foi intenso o tratamento, aí ele conseguiu todos os profissionais que precisava. Fono, psicopedagoga, psicóloga, fonoaudióloga. E quando a gente chegou numa sala, numa reunião com a psicóloga, a psicóloga falou, o seu filho é feliz. Pronto, aquilo pra gente foi A gente atingiu o que a gente queria atingir. Meu filho é feliz. E a gente tá dando uma estrutura pra ele ser feliz.
É por isso que mexe comigo, né? Quando você começou a falar. Enfim, eu não consigo falar desse tema porque... Eu tive um caso também com o Rafa, que uma mãe tinha filha há 15 anos, que não... Enfim, estava sendo cuidada, mas por um profissional despreparado. E ela assistiu a um episódio que eu gravei com o Rafa, com a história dele, me pediu o contato do Rafa e um mês depois essa mulher me ligou. quis falar comigo pessoalmente que eu mudei a vida dela, porque um mês depois que o Rafa entrou na vida dela, ela teve a filha dela de volta. A filha dela não era aquela criança que ela achou que era durante 15 anos. Então, isso é...
É muito verdade, porque mexe demais, porque a gente precisa deixar os nossos filhos serem o que eles querem ser. E o autista, ele vai ter o jeito único dele. ele vai querer se conectar com você se você der essa brecha de conexão, senão ele não vai se conectar. Aí os anos se passaram, eu criei o canal em 2016, e o canal pra mim sempre foi uma fonte de eu me manter ativo na engenharia. Eu não queria desistir de ser engenheiro estrutural, engenheiro projetista, essa sempre foi o meu foco. E aquele período foi muito difícil, porque era um período antes do diagnóstico do meu filho, toda dificuldade na escola, outros problemas pessoais acontecendo.
Nossa, e você teve que lidar com tudo isso ao mesmo tempo.
E tudo ao mesmo tempo, e na época pagando aluguel, sem expectativa de emprego, então foi tudo acontecendo ao mesmo tempo, mas aquilo fez eu parar, repensar e mudar como pessoa, ser uma pessoa muito mais simpática. E os anos passaram, o canal foram anos somente criando conteúdo, vídeo, Instagram, então não tinha nenhuma pretensão comercial, não tinha no começo do canal, nunca teve, a não ser mesmo poder estar o meu trabalho mostrando o meu trabalho ali. Aí em uma feira, uma determinada feira, tava eu conversando com o Eliel, do canal Engenheiro Pedreiro, a gente conversando, batendo papo, aí tinha um rapaz lá atrás com um fone de ouvido meio assim, meio alto olhando assim, ele olhava assim, olhava de lado assim de novo, eu conversando, aí na hora que eu terminei, que eu tava saindo, ele me chamou, falou, ô Filipe, Aí ele começou a conversar comigo, não, porque eu também trabalho com projetos, e faço isso, e começou a falar das obras que ele trabalha, das coisas, e ele com fone. E eu, na hora, eu percebi, não era um fone, era um abafador de ruído. Aí ele falou, não, mas não liga pro meu fone, não, que eu sou autista. Enfim, e mudou de novo o assunto, começou a conversar. Aí nessa eu já comecei a ficar meio assim, então, eu assisto seus vídeos desde o ano tal. desde o período tal, aí eu parei, aí me expulsaram do lado e falei, Patrícia, vem cá, escuta essa história aqui. Não, que eu me formei assistindo seus vídeos, que hoje eu faço isso, aquilo, aí quando eu comecei a entender a história do Rafa, o que ele faz, como ele faz, e o sucesso que ele tem na área, pô, é o cara que tem sucesso na área que eu também trabalho. Então, pra mim, eu consegui influenciar ele de uma maneira que foi muito melhor pra mim, foi uma onda que foi pequena e voltou gigante pra mim. E minha esposa já tava em lágrimas do lado, já.
A gente não tem noção, né?
Não tem noção do impacto que a gente tem nas vidas.
Eu não consegui falar a palavra porque me acentrava, assim. Você tá falando pra sua esposa, eu tô imaginando. Isso acontecendo, assim?
Sim, e minha esposa em lágrima, por quê? A gente viu o nosso filho, e o nosso filho é grande, ele é alto também. É grande tipo o assim. Rafa, Ele tem estilo Rafa, ele parece o Rafa, assim. Aí a gente olhou assim, poxa, o nosso filho, ele tem tudo pra dar certo. E aquele momento ali foi, assim, especial demais, porque realmente, a gente poder ter a certeza, ali eu tive a certeza. E o meu filho, ele quer ser programador, ele não quer ser engenheiro civil. Ele tá com mais de um programador, tá com 15 anos hoje. E o hiperfoco dele é programação. Ele já desinstalou e reinstalou o sistema operacional do celular, computador e faz... Seja feliz, o que você quiser fazer, eu tô aqui com você. E por isso que eu falo que essa conexão com o Rafa do canal é o ponto, é o ápice da minha carreira como pessoa, como pai e como profissional.
E agora eu queria que você falasse por que o seu canal tem tanto sucesso?
Eu acho pela sinceridade do conteúdo, né? Mas eu acho que pra falar do conteúdo do canal, precisa trazer alguém aqui.
Posso, pode, tem que ser o Rafa.
Tem que ser o Rafa. Não, a gente vai falar conteúdo porque ele fez parte de uma época do canal onde não tinha o ego que se tem hoje nas redes sociais. Onde o youtuber não era influenciador, era o youtuber. Era visto apenas como um entretenimento e hoje se tornou algo sério.
Vamos ver se você consegue trazer o Rafa aí.
Não, cadê o Rafa? Chama o Rafa aí, cadê o Rafa? Chama o Rafa. Cadê o Rafa?
Vamos lá, vem Rafa.
Vem aqui, Rafa. Agora, eu quero que você venha, Rafa, aqui, no meu lugar, tá?
Eita!
Você vai assumir o meu lugar.
Mas você vai ficar aqui, né?
Não, eu não vou ficar, você vai conduzir o meu carro.
Não, você tem que ficar, porque não.
Tem constriquece e Paulo Barros.
Então, vamos lá, eu vou ficar do.
Lado do Felipe aqui.
Então, fechou.
Vamos lá. Senta aí, eu vou pegar no celular, porque você é atrapalhado com as coisas.
Com certeza.
Então, fique à vontade aí.
Caramba! Eu nem acredito que eu tô com você assim, cara. Não acredito. Apesar de a gente já ter estado juntos em outros momentos, mas em casa é mais gostoso.
Exatamente, agora você tá em casa. O Paulo aqui abriu espaço pra eu estar aqui também. E tá aqui é uma realização de um sonho, né? É aquela história, a gente, querendo ou não, eu não me via no papel de professor. Eu passei anos ensinando na internet, uma época eu dei aula num cursinho preparatório numa escola estadual como voluntário. Quando eu comecei a ver a importância do professor, e hoje eu entendo, Porque nenhum professor quer ver o seu aluno ruim, mal. Pelo contrário, a gente quer ver crescer, a gente quer ver melhor do que a gente. Desejar que uma pessoa seja melhor que você, eu acho que é o ápice. E quando eu vi o Rafa, eu falei, cara, é isso? Tá ali. O cara começou a ver, hoje tem um conhecimento gigantesco, tanto que às vezes eu ligo, Rafa, tô com esse problema aqui, e aí, como que a gente resolve? Não, tô dirigindo aqui, manda os números, a gente resolve. E hoje em dia é isso, né? Se tornou uma amizade por conta disso. Mas é uma onda, né? Então, o bem que a gente faz, a gente pode até não ver. A rede social trouxe isso muito, porque eu sempre fui muito introvertido. Falar na frente das câmeras, tá? Por mais que as pessoas não acreditem, isso pra mim foi uma barreira gigantesca que eu tive que vencer.
É, com certeza. E a minha dificuldade na faculdade. Porque na faculdade, nem sempre o professor, nem todos os professores, eles me entendiam. Por quê? Eu sou desgráfico. Ou seja, eu não escrevo. Como faz faculdade de engenharia sem escrever?
Sem anotar.
Sem anotar. Então, eu ia pra faculdade, não tinha caderno. Eu sou muito visual e muito... O que eu escuto, eu aprendo. Então, por exemplo, tive professores maravilhosos que entenderam e tive professores que não entenderam. E muitas das vezes, os professores que não entenderam, quem substituiu os professores na minha formação foi você, cara. Então assim, por muitas vezes eu tava em casa e eu queria saber mais sobre alguma coisa. O meu recorte é lá atrás do vídeo da treliça. A parte do início do cálculo, algumas coisas que você ensinava lá atrás, qual imagem ainda não era igual à imagem hoje. Imagina assim, o garoto que, eu brinco pra todo mundo, imagina o garoto que cresceu vendo o jogador jogar e daí você vai participar daquilo. Eu entrei na faculdade em 2014, então quando eu começo a chegar naqueles dois anos ali, um ano e meio, dois anos da minha formação, que é onde começa a se definir se você vai ser engenheiro ou não, não é fácil. Pra quem não sabe, eu fui bolsista integral da faculdade, né? Então eu não podia pegar DP, eu não podia errar. E você imagina que... E eu passei por algumas coisas ainda, além disso tudo. Então, assim, a importância que você teve na minha vida, pra minha formação. Hoje as pessoas falam assim, pô, Rafa isso, Rafa aquilo. Pô, eu sou a junção de todos os meus heróis, né? Tipo, você também é um herói. É o bonequinho meu lá de super-herói. Passou o Everson aqui, eu falei, Everson, você foi um bonequinho. Felipe é outro bonequinho, você sabe que tudo que eu vou fazer eu te ligo, assim, eu tenho referencial. A última Concrete Show, pô, lembra, né? Que a gente ficou até os 48 do segundo tempo. Então, cara, assim, é um sonho realizado é ter... poder estar aqui. Aquele aluno, o espectador, o fã, o inalcançável do outro lado da tela agora tá aqui. Então, acho que é recado pra todo menino que hoje, se você tem 17, 18 anos, você tá na faculdade, você encontra aquele cara que você tem como referencial, não acha que eles são inalcançáveis, são pessoas de carne e osso, tem várias dificuldades, e quando soube da história também, né? A troca, né? Isso que é maravilhoso. Acho que o amor proporciona isso. A gente tem um amor pela engenharia, e a gente acabou tendo um amor um pelo outro, uma amizade, um respeito, e de alguma forma, Já tava falando, eu tava nos bastidores ouvindo e... E poder contribuir e poder criar histórias, né? Criar histórias.
Criar histórias e inspirar pessoas.
Inspirar pessoas.
Inspirar pessoas a se tornarem engenheiros, se tornarem profissionais, né? Porque hoje a gente trabalha, a gente que vem de uma realidade um pouco mais complicada, com diversas dificuldades da vida, a gente teve obrigações. Hoje eu quero que meus filhos tenham oportunidades. Entregar pra eles oportunidades em cima de uma realidade que é possível. e a gente vê referências de pessoas, é o que faz a gente entender que a gente pode chegar lá. Por exemplo, eu vim de uma família que não fazia faculdade. A gente escutou isso de uma pessoa muito próxima de casa. A minha irmã foi e fez. Ela entrou no programa da família, entrou, fez, conseguiu o bolso, trabalhar no final de semana, e ela mostrou pra ela, a gente pode fazer faculdade sim. Aí eu entrei, eu fiz. Meu irmão entrou, fez.
Minha outra irmã fez.
Então, assim, a gente provou que a gente faz e a gente pode ser muito bem sucedido nisso aí.
Não, com certeza.
Posso só fazer um adendo?
Claro!
Você falou lá atrás que você é apaixonado pela engenharia, que a história de vocês é apaixonado um pelo outro, aí entra o Everson nessa história toda, e o que tá muito claro aqui que me emociona é que vocês são apaixonados por pessoas. que é tão difícil hoje. Então, o Rafa não estava na hora que eu me emocionei, porque ele falou que estava nos bastidores aqui, mas eu não estava. Você não estava aqui. Mas me emociona muito ver a ligação que vocês têm um pelo outro. Assim, isso me deixa muito mexido e eu acho que o mundo precisa mais de Rafa, precisa mais de Felipe, de Everson e de tantas outras pessoas que eu tive a sorte de me conectar ao longo da minha vida. Então, só gratidão por ter você aqui.
Hoje com a gente.
As coisas não acontecem por acaso.
Não, nada acontece por acaso. Quando a gente pensa no bem e faz o bem... Rafa, pega a minha xícara. As coisas acontecem, então... É muito bom. E esse mundo do autismo é muito louco, porque a maneira como... Tudo bem, você processa as informações diferente, você absorve diferente, você lê, você escuta, só que você tem capacidades que vão além. Lógico que muitas das vezes essas capacidades podem vir pra potencializar um talento, mas também potencializam doenças de diversos tipos. Então, hoje se fala do autismo de uma maneira que não se falava 10 anos atrás. Meu filho tem 15 anos, é impressionante como 10 anos atrás não se falava como se fala hoje.
Eu sou a prova viva?
Exatamente.
Onde eu estava 10 anos atrás?
Exatamente. Qual foi o momento da sua vida que você viu e falou, peraí, o que eu tenho aqui é uma coisa, é como a minha cabeça funciona, não é como eu sou. Não é o que eu dofino.
É como eu funciono.
É como eu funciono. Então, sim, beleza. A gente tem aquele carro carburador que a gente vai sair de manhã. A gente sabe que pra ele ligar tem que jogar gasolina ali em cima. Sim. Então, eu vou fazer ele funcionar da maneira certa. Não adianta eu chutar ele.
É diferente, né? É legal isso, esse exemplo que você trouxe.
É sensacional e me chama a atenção uma coisa. Mais do que falar sobre autismo, é sobre o quanto nós podemos ter ótimos engenheiros dentro do espectro.
Exatamente.
Dentro do espectro, porque traz algumas características. Por exemplo, autista vê padrão em tudo. É uma característica. Vê padrão em tudo. E quando ele, além de ver padrão, nós hiperfocamos as coisas. E, por exemplo, eu não me recuperei da Cocrete Show do ano passado. Ainda. E agora eu vou de novo.
Isso, vai se recuperar lá.
Agora a gente vai cuidar de você, rapaz.
E poucas pessoas sabem o quanto que eu... O que que eu faço pra poder estar aqui no podcast.
Sim.
Pra conversar normal. Por exemplo, você fala assim, nossa, você... É... Seu filho... É... Não sei se passa, se não passa, um dia vai passar. A gente faz terapia, toma remédio, pra poder trabalhar. Por exemplo, pra eu ser engenheiro. E a minha vida mudou, Filipe, quando você fala o que que mudou, mudou que de 10 anos pra cá eu posso falar pro meu cliente assim, ó, você tá contratando um, eu sou TEA1, com super dotação, agora eu tenho que falar avan também, e você tá contratando um cara assim, se você não for claro comigo, eu não vou entender. Então, não brinque. Se brincar, eu não vou entender. 2. Eu sou sincero. Cuidado com o que você me pergunta. Só que, tecnicamente, eu vou entregar um nível de foco que dificilmente outro cara vai conseguir entregar.
A matemática erra. A gente erra. A matemática não erra.
Eu brinco que o Rafa é um exército de um homem só. Agora, eu queria entender do sucesso do canal, Rafa. Perguntei pra ele, entra naquela máxima, né? Que ninguém dá tímulo em si mesmo. Eu queria saber de você, o que você diria do canal do Felipe?
Cara, ativamente... A engenharia, ela pode ser passiva ou ela pode ser ativa. Ela pode esperar com que as coisas aconteçam, ela pode ir ao encontro das coisas. O que é sucesso? Porque eu estava aqui nessa pergunta. Você que fez. O que é sucesso? Então, quando a gente pergunta se é atingir o que se queria no início de uma jornada, o Felipe já pode fechar o canal. Porque ele já atingiu. Ele não precisa mudar 10 vidas. Ele mudou uma. Ele mudou a minha vida profissional. E ele mudou a vida do filho dele através da mudança que ele causou em alguém. Porque ele só me conheceu porque um dia eu o conheci. Talvez esse é o ciclo do sucesso. Então o que é o canal? O canal é mostrar que a engenharia ela é ativa, ela é pulgante, ela é vivente, ela é. Ela não está. Ela é.
Ela sente.
A gente fala da internet, das coisas. Eu digo, é a engenharia das coisas. É a engenharia da vida. Me fala uma coisa que tem aqui ao nosso redor que não teve engenheiro. Eu desafio. Eu desafio quem tá do outro lado. Me falem aqui. Deixa nos comentários. O que tem aqui que não teve nenhum engenheiro? Porque... No copo, precisa ter um engenheiro. Pra produzir a água, um engenheiro. Pra água chegar até aqui, um engenheiro. Pra envasar a água, um engenheiro. Pra fazer a mesa, a engenharia. A engenharia das coisas. Porque tudo nós tivemos um criador, né? Eu sempre trago isso. Um artista, um artesão, né? Pra quem acredita que é o meu caso, que não alguém, mas... Em algum momento tudo se cria, para ficar mais claro cientificamente. E se tudo se cria, algo se engenha, algo se arquiteta. E se algo se engenha, se engenha por quê? Engenharia é solucionar problemas. Nós tínhamos um problema no universo, quem os habitasse. E se a gente trouxer a física para cá, para explicar o sucesso do Canal do Felipe, a física quântica nos traz uma coisa importante. É o que é porque tem alguém para poder interagir. Porque existe observação e existe medição. Qual que é a diferença? A medição, existe a inferência, existe algo que está interferindo na medição. Tem como medir alguma coisa sem interferir naquela coisa? Não tem como. Não. Você sempre tem que interferir. Observar, não. Mas o universo, ele só é o universo para alguém. As pessoas esquecem que o universo só é universo para alguém. Então, nesse sentido, quando tudo se cria, ou quando alguém cria, e aqui para todas as vertentes, ou quando tudo se cria, ou quando alguém cria, a engenharia acontece. Então, as coisas começam com a engenharia das coisas. O mundo é a engenharia do mundo. Quando a gente olha lá, qual que é a diferença do corpo humano para as nossas estruturas? Dentro de um prédio nós temos tubulações de água que levam água para algum lugar, não temos? E tem alta pressão, não tem, Felipe?
Exatamente.
Não tem, Paulo?
Sim.
Nós também temos as nossas artérias. No nosso corpo, nós temos vasos que conduzem e que são mais calibrosas e conduzem o retorno de um sangue que está mais sujo, que ele precisa ser filtrado, que ele precisa ser rebombeado. E ele tem pouca pressão. São as veias. E na engenharia nós temos as tubulações de água de saída, que tem pouca pressão. Nós temos algo que diverge. Eu tenho a mesma cor que você, Felipe? Não. Eu tenho a mesma cor que você, Paulo?
Não.
Você tem a mesma cor que o Felipe, Paulo?
Parecido. Ele tá mais vermelho um pouco.
É, mas nós somos pintados igual uma casa é pintada de maneira diferente.
Com a mesma estrutura, a mesma composição.
Com a mesma composição. Nós temos ossos. As casas têm aço. Têm estrutura. Nós temos músculos. Elas têm concreto. Nós aguentamos as trações e compressões da vida e as estruturas aguentam as trações e compressões. Ou seja, o sucesso do Canal Engenharia Ativa é porque lá não era um engenheiro. não era um professor, não era um amigo, era um artista, que através da sua arte, ele fascinava, fascina e encanta pessoas, como me encantou e me fascinou, e aí sim fez me apaixonar, porque a paixão é quando nós perdemos a nossa própria individualidade em prol daquilo que nos fascina. E eu deixei de ser só o indivíduo Rafa, para ser o engenheiro Rafael dos Santos, porque um dia eu acreditei lá no canal, porque tem um vídeo dele, antigo, que ele fala assim, não, você que está aí do outro lado, não desista, tal, você pode ser. Ele nem lembra que ele falou isso. Mas eu não esqueço.
Cara, eu nunca vi uma explicação dessa forma. E eu desafio qualquer um que está assistindo a gente a comentar se já viu uma explicação. do comparativo do corpo humano e a engenharia dessa forma. Não sei se você já explicou dessa forma, mas, cara, que sensacional, Rafa!
E é isso que, para mim, o Engenharia Ativa é ativo na minha vida. Tanto que é ativo até hoje. Tanto que eu dou parabéns quando as coisas acontecem. Hoje eu vejo menos YouTube do que eu via, porque não tenho tanto tempo, mas eu estou sempre acompanhando. É um dos primeiros que aparece quando ele muda a foto, quando ele coloca uma coisa nova. quando ele traz lá de... por exemplo, eu sou tão atualizado que a gente fez um... a gente invadiu as suas redes, né? Porque a questão da construção. E assim, até pegando o gancho, Paulo, sobre o que você trouxe do Engenharia Ativa, e o que a gente trouxe aquele dia que foi a banalização da mão de obra da construção civil. Mas a gente falou aquele dia sobre a banalização da falta de alunos dentro do ambiente da construção. E assim, hoje, Felipe, eu gostaria que você falasse o seguinte, você criticar tanto a falta de alunos e tanto o trabalho dos nossos conselhos, para onde ele te levou? Porque parece que, para as pessoas entenderem que os conselhos, qual é o papel, na verdade, do CREA nesse arcabouço que está acontecendo de banalizar a figura do engenheiro e principalmente de nós cada vez formarmos menos engenheiros, que foi um tema aqui do Costa Riqueste. Então, a gente tem poucos engenheiros disponíveis e cada vez menos pessoas querendo ser engenheiros. E isso é um problema, porque nós temos cada vez mais pessoas, cada vez mais problemas, cada vez mais situações. E eu e o Paulo estávamos num episódio que a gente gerou um corte sobre isso e a gente foi criticado. Não! Porque pedreiro e engenheiro é bem pago? Porque engenheiro e pedreiro é isso, é aquilo? E ninguém quer mais ser por N motivos, porque são vagabundos. O cara chegou a falar assim, não, são vagabundos.
Tem de tudo.
Tem de tudo. Ou seja, qual que é a sua visão sobre o porquê nós não temos, e qual que é o papel hoje do Creia, E acho que primeira mão contar para todo mundo, eu estou sabendo que você agora faz parte do sistema, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Então me fala, que o cargo que você ocupa agora e fala um pouquinho para a gente logo em sequência sobre esse papel que o CREA pode ter em se aliar a empresas como a nossa, a grandes entidades, para podermos sanar esse problema da banalização da mão de obra da engenharia civil.
Primeiramente, eu queria mandar um agradecimento especial para a Lígia Mackay, que é presidente do CREA São Paulo, ao Vinícius Marquesi, que é presidente do Confe e à Luana, assessora da da presidente Lígia, que é ela que fez essa interface, essa ponte, o primeiro contato que a gente conversou. Então, eu sempre fui muito crítico do sistema, sempre critiquei muito, justamente porque é o nosso conselho de classe, a gente precisa estar junto, a gente precisa criticar, é algo que nos representa. O CREA, ele existe para fiscalizar o exercício da profissão de engenharia. O trabalho de engenharia é fiscalizado pelo CREA e tem seus órgãos, assim como o FEC, que regulamenta todos os CREAs e tudo mais. E eu fui convidado a ser inspetor especial do CREA. É um cargo honorífico, só que é um cargo que me põe nos conselhos de apoio à fiscalização. nas CAF, chamada CAF. Então ali eu consigo participar, eu consigo ter acesso às discussões de como o sistema pode melhorar no âmbito de fiscalização.
Eu colocando uma adenda, porque assim, pra nós que somos engenheiros é uma coisa, mas eu queria saber do Paulo. Paulo. Você tinha noção que existia até um tal de CAF dentro do CREA? O que você vê do CREA? Você estando do outro lado, você sendo usuário, você sendo o cara que lida com engenheiros no dia a dia, o que chega para as pessoas? Essa informação está visível? Fala, porque você está do outro lado.
Eu vou trazer aqui... Bom, eu não sou engenheiro, então eu posso falar aqui à vontade.
Com certeza.
O que acontece? Eu percebo que toda vez que eu gero um conteúdo aqui sobre CREA e etc., que entra essa questão da fiscalização, eu tenho muitos comentários no sentido de, ah, porque vocês só servem para pegar o dinheiro e não fazem nada. Então, assim, eu não entendo o porquê que isso acontece. E eu queria muito até que vocês dois discutissem mais uma forma da gente sanar esse problema, porque imagina, eu estava comentando com o meu time ontem sobre vamos gerar um conteúdo com o presidente do CREA e tal, recentemente estivemos com o Jorge, lá em Espírito Santo, presidente do Cria Espírito Santo. E assim, as pessoas, engenheiros, fazem comentários que eu falo, por que essas pessoas fazem esse tipo de comentário? Só que elas estão vivendo, será que elas estão tendo acesso a uma informação verdadeira? Porque a gente também, pelo outro lado, tem aí, tá cheio de influencers que não fazem, não sabem fazer, ou seja, eles entram no hype da internet e será que não são, de repente, informações distorcidas que chegam para essas pessoas e acabam consequentemente problematizando essas instituições. Tudo que a gente faz é com a intenção de ajudar, mas será que a gente está se comunicando de forma assertiva para resolver esses problemas?
É, eu tive uma reunião em Brasília com o Vinícius Marques, que é o presidente do Confei, foi o meu primeiro contato com o sistema, foi lá em Brasília com outros influenciadores, a gente teve uma reunião com ele, e a gente colocou na mesa algumas questões sobre o exercício da profissão, regulamentação e tudo mais, e ali me foi uma abertura muito grande da minha visão do sistema. Porque uma coisa fica nisso, o sistema tem legislações de 1960, É muito antigo, então realmente tem muita coisa a se mudar. Porém, a gente tá falando de Brasil, burocracia, leis, legislações, todas essas questões que precisam ser alteradas e mudadas. Eu não sou um especialista em legislação e tudo mais, mas algo que trouxe uma visão que nunca tinha sido feita e foi feita hoje, foi um censo com os profissionais pra entender a realidade da engenharia no Brasil. Então hoje o sistema, ele tá com informações muito valiosas de como anda a nossa engenharia. Se a gente pegar países desenvolvidos, o engenheiro ele é primordial pra infraestrutura, pra tudo acontecer, seja viária, predial, de construção. Então o engenheiro é uma peça-chave pra que um país seja desenvolvido. A China possui, não sei dizer os números, mas tem uma quantidade de engenheiros por habitante muito grande. A nossa hoje é menos. Muitas pessoas acreditam que o mercado está enxurrado de engenheiros, na verdade é o contrário. A gente tem poucos engenheiros comparado a países desenvolvidos. Então o caminho do desenvolvimento é a engenharia. Então o sistema para entender, Até essa pesquisa foi feita pelo pessoal da Quest e trouxe essas informações e uma das informações bem legal que encontraram foi que o engenheiro é um dos profissionais que mais se orgulha de ser engenheiro. Porém, ao mesmo tempo, mostrou que há uma defasagem nas matrículas. Hoje as pessoas não estão mais se encantando com a engenharia, elas não estão, não nasce 12, 13 anos, ah eu quero ser engenheiro, não, tá mudando, talvez porque o mundo tá mudando, mas se algo não for feito pra atrair essas pessoas, vai ter um problema sério, porque além dessas pessoas não quererem entrar na faculdade, as pessoas estão abandonando o curso muito cedo da faculdade. Então essa realidade, essa pesquisa, inclusive tem um vídeo no canal, onde eu mostro todos os pontos importantes dessa pesquisa. É um vídeo muito legal porque todo mundo olhar lá, ver essa pesquisa, concordar, discordar, porque ali mostra números reais, já deixa de ser um machismo.
Com certeza. E eu, particularmente, eu tenho uma coisa comigo que é uma dor. Porque... E eu vou pedir licença ao Paulo pra poder falar sobre essa dor. Eu vou quebrar o protocolo porque não tá usando a sua pote.
Pode soltar. Eu sei que o Faustista é sincero, então, enfim, se eu falei que pode, pode.
Quebrar o padrão, né?
Porque, assim, aqui, nós somos, estamos sendo, o Constrecast é a voz, mas o que conecta, né? O que conecta é... O que conecta as coisas? Qual que é a conexão? Tá? Então, justamente, o que conecta é quando a gente traz essa questão disso aqui, hub. Você foi um hub que me conectou. E por quê? Mesmo sabendo que a maioria dos traços que a gente observa em um autista, se você entrar numa sala de engenharia, você vai ver que Tipo, se fizer uma apanhada ali, o percentual vai ser maior. E eu não tô falando isso como engenheiro. A minha voz talvez esteja até desadequada. Eu falo muito bem tecnicamente, mas eu não falo bem sobre mim. Por que dentro do sistema confeito creio não há espaço pra nós? Porque, por excelência, a maioria dos autistas são hiperfocados, a maioria deles tem dupla excepcionalidade, a maioria vai muito bem com as exatas. Por que não tem espaço, por exemplo, você me admira, o Elber admira, o Paulo admira, o Mercado admira. Pô, eu tô na frente escrita de norma. E quantos outros autistas estão aí que não vão fazer nada? Talvez não vão querer ser engenheiros, porque santo de casa não faz milagre. Talvez seu filho tenha que encontrar um outro Felipe fora, assim como meu pai é pedreiro e eu me apaixonei quando eu vi o seu canal e outras pessoas. E por que nós não podemos ter uma campanha? Se faltam, engenheiros? Será que nós não estamos perdendo esses engenheiros dentro das salas de aula, que muitas vezes estão diagnosticados com autismo, com ETA, e eles não se enxergam? Por que o conselheiro de classe não tenta buscar ali? Porque são muitas as características para ser um bom engenheiro. O que se espera do engenheiro? Que ele seja focado, que ele seja sincero, que ele seja ético, que ele tente não mentir, não omitir. Não é isso que se espera? Que ele seja metódico.
Exatamente.
Você sabe o que é um autista? Ele é metódico, ele é hiperfocado.
Sabe?
Aí a gente olha pra trás e os psicólogos falam, provavelmente Da Vinci era autista. Provavelmente Newton era autista. Provavelmente Asta era autista.
Pô!
Não tem ninguém. O site do Cré não tem um laço, não tem uma carteirinha, não tem uma legislação que me dê, lá quando eu vou emitir RT, de saber assim, tá, tem portabilidade, mas a acessibilidade... E por que não tem? Por que não tem o espaço? Se 10 anos atrás eu já consigo parar no trânsito, eu tenho vaga pra mim, você entendeu? Eu tenho uma vaga, mas se eu chegar hoje no CREA, eu só tenho a plaquinha de preferencial. O que nós podemos fazer? O que você que tá lá dentro agora vai poder fazer? Você tem um filho autista, você é.
Amigo de um autista.
Por que nós não temos voz? O que nós podemos fazer?
Quando você fala de voz, Rafa, é muito importante salientar pra todo mundo que todo engenheiro tem voz. Todo. Todo. Todo. O sistema ele é aberto. Eu sou crítico ao sistema. Eu não sou, eu não tenho nenhum cargo remunerado ali dentro, eu não recebo nada. Então assim, eu tô participando justamente para entender como funciona e poder dar voz para as questões que eu considero muito importantes, a questão do autismo é uma questão muito grande, você linkar o autismo com a engenharia faz todo sentido, faz total sentido, principalmente na questão educacional, Porque o maior desafio do autista é sair da faculdade, estudar, porque é um sistema engessado de ensino. Já é provado que o sistema hoje de ensino, ele já deveria estar diferente, porque a modalidade que as pessoas aprendem está mudando. A geração é outra, a maneira como consome informação é outra. Então, tudo. Por que o sistema de ensino não muda? Um dado importante é que a primeira barreira que você encontra com o sistema é dentro da faculdade. O professor não é obrigado a se registrar no CREPA para poder dar aula. Essa é uma questão. Então, boa parte dos professores são críticos ao sistema. Estão corretos. Não é que estão errados, estão corretos. Mas o que eu digo é, se você paga RT, se você paga anuidade, mesmo que você discorde, vai nos conselhos, vai nas reuniões, vai dentro do sistema, cobra, porque você tem que cobrar, você tá pagando. É como político, você precisa cobrar o sistema, você precisa estar ali ativo, entender o que tá sendo feito, o que tá sendo discutido, o que tá sendo aplicado, o que tá sendo alterado, porque eu acho que se fala muito em alteração. Então a gente precisa alterar questões como essa. Você falou, pera aí, o autismo, ele conecta com a engenharia, então por que a gente também não pode trazer um ponto específico dentro do sistema?
Pra ajudar o CRE.
Pra ajudar o CRE.
Nem a crítica.
Sim, sim.
E muitas vezes, desculpa interrompê-lo, mas nem todo autista é comunicativo.
Exato.
Nem todo autista vai conseguir ir lá no CRE.
Exato.
Ele vai buscar eu mesmo. Eu me comunico, você percebeu como a minha fala é frida, você percebeu como a minha fala é travada quando eu vou falar de mim? E isso é automático, você já me.
Viu outras vezes assim.
Se eu chegar lá, eu não consigo falar assim, eu travo, eu não consigo falar de mim. Mas alguém sempre tem que falar de mim, eu não consigo dar testemunho de mim. Porque às vezes você esquece que o auto, o que é um carro automático? Que troca marcha sozinha. Por que você acha que chama autismo? Porque eu não faço algumas coisas sozinha. Dentre elas, conseguir falar de mim. Eu não consigo. Então assim, eu esperei tanto uma oportunidade de alguém que conseguisse viver isso pra poder mudar isso lá dentro. Porque eu sei uma dor que o sistema tem hoje. Vamos tentar ajudar essa dor? Eu tô aqui estendendo o meu laço, assim, não vou estender minha mão, que eu não sou muito do abraço, mas... Eu tô estendendo o meu laço, tipo... Quantos alunos podem se inspirar autistas e serem engenheiros? E ótimos engenheiros. Porque, assim, o Everson é dislexico e TDAH. Sim, provavelmente vocês devem, para seu filho ser autista, provavelmente pelo menos o genes você carrega.
Sim.
Você entendeu? Os genes.
Sim.
Ou seja, e quantos outros professores seus não pareciam ser igual ao Rafa?
Exatamente.
Só que não foi só diagnosticado. Então será que esses caras não se tornaram professores porque eles não conseguiram espaço dentro dos tempos? Sabe? É isso, tipo, se nós temos um problema, uma dificuldade, como é que nós podemos mudar essa dificuldade?
E trazer voz.
Posso só dar um complemento nessa questão do Rafa? Se o Rafa tá pedindo esse espaço pra você, tem alguém melhor que o Rafa pra poder dar um direcionamento? Como a gente conseguiria resolver isso dentro do CREA, por exemplo? Porque você consegue dar o direcionamento porque você é autista. Ah, como que eu gostaria de ser tratado? E aí, do outro lado, nós podemos pegar essa situação de como você gostaria de ser tratado, e aí a gente vai falar com vários outros autistas, por exemplo.
Porque o caminho pra se alterar algo, eu tô aprendendo agora, tá? Não sou especialista, quero deixar bem claro, tá? O caminho é você propor alterações, porque tudo que você Quer alterar? Você precisa propor a problemática e a solução. E como chegar nessa solução? Não adianta chegar lá e falar que é o que acontece. 99% das pessoas falam que existe um problema. Ah, eu não gosto, como é que funciona? Tudo bem, mas qual é a sua opinião para alterar?
Fala mais nada.
Tudo bem, vamos conversar, vamos entender. Teve os congressos estaduais dos profissionais, onde foram eleitos os delegados. Também é um cargo honorífico. E os delegados, eles levam propostas que passam por uma aprovação estadual e depois vai pro congresso nacional, que é onde vai a nível nacional e tem as aprovações. Então é um caminho pra se criar legislações dentro do crédito, que parte do profissional. Não depende de alguém estar lá dentro do sistema. E esses eventos é impressionante como há uma defasagem. A gente vai lá, a gente vê as mesmas caras sempre. As mesmas pessoas sempre. E tá entrando engenheiro no mercado, tá entrando pessoas novas no mercado. Então assim, eu quero hoje poder entender, eu tô aprendendo sobre o sistema. Eu quero aprender pra pegar questões como essa que você falou e saber pra quem levar, como levar e de que jeito levar. Então, assim, essa é uma das coisas que eu quero fazer, eu quero trabalhar porque eu aprendi, não adianta você criticar um problema aqui no Brasil. O Brasil é um país maravilhoso, pelo amor de Deus. Mas é burocrática. Mas é burocrática, é complicado, tem interesses... Não são legais os interesses por trás, mas, meu, o que a gente pode fazer pra nossa área? Da mesma maneira que eu criei o canal lá em 2016, pra poder ensinar sem ter nada de remuneração, por que não agora saber pra quem levar e como levar? Com certeza. Porque a nossa engenharia, ela é banalizada porque a desacreditação do engenheiro. O engenheiro é desacreditado nas redes sociais. Hoje é um movimento que acontece nas redes sociais. O engenheiro não é acreditado porque outros profissionais estão passando por cima. Ele trata como um profissional descartado.
Mas a gente não teria que mudar a forma de se comunicar? Eu até trago um exemplo. Três anos atrás, eu estava com um cara que é muito poderoso no mercado, um grande empresário, e ele falava de transformação na indústria da construção, mas ficava atacando, criticando os pedreiros, os profissionais que chegaram até aqui. E aí, gentilmente, eu falei, talvez se você mudar a forma de se comunicar, ou seja, mostrando o seu jeito de construir, talvez a gente consiga alguma mudança, mas batendo...
Não, acho que batendo não se resolve, porque no podcast você comentou que o pessoal está cansado de apanhar.
Está cansado de apanhar.
E é verdade. Hoje, o valor que você está pagando caro na mão de obra é porque você não quis pagar. Cara, eu adorei aquela frase sua.
Adorei.
Falei, cara, é isso. Ah, está tendo uma escassez de mão de obra. Não é que está tendo escassez. Quem aguenta trabalhar de sol a sol para ganhar R$1500 no final do mês, para no final ser considerado a profissão menos valorizada? Então assim, o mercado tá mudando.
Lombar saco de cimento pra depois falar que passa com a garrafa de café e te oferece água na garrafa pet.
Exatamente. Então assim, a mudança de mentalidade tem que acontecer de ambos os lados. Valorizar o profissional, porque a gente não tem um conceito de valorizar o profissional aqui no Brasil. A gente acha caro, né? pagar um pintor de R$5.000,00 pra dar uma carta...
Valoriza o produto e desvaloriza o profissional.
O profissional, exatamente. Nos países desenvolvidos é ao contrário o que acontece. A mão de obra tem que ser o bem mais valioso que a gente tem. Isso acontece tanto para o engenheiro como para o profissional em campo. Não existe inimigo na obra. Eu acho muito doido quando as pessoas falam, ah, eu não quero o engenheiro aqui porque ele não... Meu, o engenheiro tem a responsabilidade dele. Você tem a sua responsabilidade. Eu não vou assentar uma parede, porque essa não é a minha função. A minha função é saber se aquela parede vai... Parar em pé de acordo com a metodologia escolhida. E você não tem responsabilidade sobre isso. Você vai fazer a parede, você vai executar, e eu vou responder de maneira diferente. Então as pessoas estão confundindo as coisas. Sim. É muito nítido você chegar nos canteiros de obras pequenas. Você fala, não grandes obras. Toda grande obra tem um profissional estrutural, elétrico, hidráulico, de execução, de gerenciamento. Tem um apanhado de capacete branco ali. Mas numa obra pequena, dificilmente você vê um engenheiro. Porque, ah não, o pedreiro sabe executar tudo, não precisa do engenheiro. Mas será que ele precisava ter essa responsabilidade? E o risco quando isso der um problema? Judicialmente? Hoje, vídeos na internet é o que a gente mais vê. Tem um dos vídeos até que a gente comentou nos bastidores. de um slump test de um concreto alta dançado, onde a narração fala sobre impermeabilização.
Eu acho que dá pra gente ver esse vídeo.
Dá pra ver?
Aqui a gente...
Não sei se vai dar pra ver o áudio, por questões autorais.
É, mas a gente consegue entrar aqui no Instagram agora.
E assim, a confiabilidade nas redes sociais está aumentando muito. Exatamente esse vídeo.
Né?
E... Nesse vídeo, o áudio dele fala que ele tá explicando coisas ali que não são, isso é um slump test pra concreto autodensável, que vai medir realmente a sua fluidez. E a fluidez do concreto é uma característica dele. E no vídeo, o rapaz fala sobre que aquilo vai interferir na impermeabilização, conceitos totalmente que não tem nada a ver uma coisa com a outra. E como um vídeo muito bem feito e elaborado pode se tornar uma verdade.
Eu ouvi no final que ele fala o seguinte, vai dar gotejamento.
Gotejamento.
O que seria gotejamento? É um despreparo. E outra, né? Cada concreto aí é para um tipo de situação.
Exato.
Você ter um concreto alta-densável é para resolver um problema específico. Se você tem um concreto, você tem um concreto autodensável, você tem um concreto de ultra alta performance, que é o UHPC, que poucas pessoas conhecem. Além do concreto autodensável, você poderia ter um concreto com ar incorporado, que é uma outra circunstância. Um concreto reforçado com fibras. Você poderia ter um... Existe o alto adensável e o concreto com alta fluidez somente. Que não se caracteriza como alto adensável.
Então você pode ter um concreto fluido com alta resistência.
E você pode ter um alto adensável com alta resistência. Então assim, são características para resolver problemas específicos.
E, Rafa, isso aí me traz um alerta pra essas questões que a gente tava falando lá da influência das pessoas, ou seja, eu vejo muita gente, eu tô falando de engenheiros, tá influenciando pro mal.
Exatamente.
Então, isso aí me traz um alerta que o leigo não conhece, tá?
Exatamente. E muitas das vezes essa informação não é passada para o engenheiro. Parece que uma pessoa que gostou do conteúdo foi lá e repostou. E o que eu vejo muito também nas redes sociais é conteúdo de, às vezes, um executor explicando sobre a resistência de um pilar. Ele pegou uma área de um pilar de 20 por 20, multiplicou pelo FCK de 250, né, 250 quilos por centímetro quadrado, e chegou na conclusão, chegou na conclusão de que o pilar vai aguentar 90 toneladas, com 4 barras de 10. Rafa, você que é um calculista estrutural. Um pilar, só que essa informação, pilar de 20 por 20, 4 barras de 10, aguenta 90 toneladas. Um pilar.
Só até isso.
A que nível essa informação está errada? 90 toneladas é carga de edifício.
Exatamente.
E por que um pilar de 20 por 20 não aguenta 90 toneladas?
Tem uma série de fatores aí que podem influenciar nisso.
Cita quatro aí. Rápido assim.
Pela três, deixa três, cita três.
Pô, a gente não pode simplesmente tratar como se fosse simplesmente carga.
Exatamente.
Primeira questão.
Se fosse um cubo, um cubo perfeito.
Sem problema, mas não é um cubo perfeito. Não é, ele tem altura, que vai atacar os BOTs, e é o índice de flambagem. A gente tem as vinculações, a gente tem os efeitos de segunda ordem. Já é pra parar?
Vai embora.
Inércia.
Então, agora você pega uma pessoa leiga, hoje, se a gente pegar, até prédios pequenos, tá lá, responsável pelo alvará de construção. Aquele engenheiro, que é o famoso vendedor de RT, ele assinou, cobrou lá mil reais pela RT, ele é responsável pela obra, se cair, vai na conta dele aquilo. Aí o construtor, ele viu esse vídeo, pô, mas peraí, 90 toneladas? Vou fazer uma conta de padaria aqui. Cada pavimento, 1.200 quilos por metro quadrado.
Um peso médio de construção. Já tá, já tá. Grande.
Vou falar quatro piso, beleza, vai aguentar. Então, quatro barrinhos, vinte por vinte, vou construir desse jeito.
Economiza uma estrutura.
Economiza uma estrutura, fico feliz.
E não paga o engenheiro.
E não paga o engenheiro. Olha, que negócio da China. Não, da China não é. Não, da China não é. Não, vamos mudar o tema.
Que negócio de americano, né? Que tá tarifando as coisas.
Exatamente. Negócio de americano, exatamente.
Negócio da América.
Por que isso é perigoso? Porque a confiabilidade de um vídeo está se tornando maior. Antigamente, você fazer uma transação bancária pelo celular era impensável. Mas e a segurança? E como que eu não vou mandar 20 mil reais pra você aqui pelo celular? E se não for? Se não cair? Então assim, as redes sociais, a informação que é passada, tá cada vez mais sendo absorvida como verdade absoluta. Então se não tiver, e essa é uma das coisas que eu bato muito, conversei na mesa, o Vinícius Marques, que é o presidente do Confé, sobre o exercício ilegal da profissão, porque isso, na minha opinião, caracteriza o exercício ilegal da profissão.
Com certeza, até pelo motivo do quê? E a fiscalização, ela precisa acontecer de uma maneira sistemática, tá? E ela precisa ser o que? As denúncias precisam ser apuradas.
Exatamente. Não pode simplesmente pegar a denúncia, tratar também como verdade absoluta. Existe um procedimento. Só que esse procedimento precisa ser desbloqueado. Ele precisa ser mostrado que é possível de acontecer. Porque se isso vai pra frente, Ah, por que que eu vou ter dinheiro? É aí que cai. Pra que que eu vou contratar dinheiro?
Sim, e principalmente, no caso, eu acho que duas coisas que seriam sugestões. O conselho precisa aproximar os profissionais. Ele precisa aglutinar. Os profissionais brigam entre si.
Exatamente.
Acontece muita coisa. Por exemplo, você não tem nenhum caso de alguém que vendeu alguma coisa pela internet e tirou teu trabalho pra contar?
Tenho.
Tem? Então conta pra gente agora.
Essa semana.
Essa é a chance agora. Já que a gente tá com o Autista, né? Tem que ser sincero.
Exatamente. E já que você tá falando, depois eu quero que você conte como leigo se você já presenciou alguma coisa.
Eu tenho vários. Olha, eu vou falar um aqui depois de você.
No ano passado, eu recebi o contato de um cliente. As redes sociais é muito doido. Por quê? O cara te manda a mensagem, quer construir uma casa de 500 metros quadrados, mas não tem dinheiro pra pagar projeto. Começa por aí. Ah, vou construir um prédio e não tenho dinheiro pra pagar isso aqui. Ou então nem começa a obra. Aí, beleza, mandou projeto, orcei projeto pra ele e tal, conversa bem, conversa bem. Passou-se o ano, aí, nas últimas semanas, recebo um contato. Estou com um problema na minha obra. Pera aí, por que você está com um problema na obra? Quatro construtores falou que esse pilar não aguenta essa VIG. Eram dois pilares de 14 por 30, inércia desfavorável, uma VIG de seis metros de vão livre, E esses dois pilares tinham quatro barras de dez, ou seja, ferragem mínima. E um vão livre de seis metros. E essa viga de seis metros, ela.
Tinha... Quatro ferras de oito.
Tinha oito barras de vinte milímetros na parte de baixo, e quatro barras de vinte milímetros na parte de cima. Ou seja, a proporcionalidade entre viga e pilar... Estava totalmente desproporcional. Daí eu pensei... E eles estavam certos, estavam errados. Aí, por curiosidade, eu fui no carimbo do projeto. não vou citar o nome, né? Mas, assim, o metro quadrado que estava sendo vendido o projeto não chegava a seis reais.
E nós temos uma tabela, né?
A gente tem uma tabela de honorário. A gente precisa ter essa tabela, porque se pega esse valor e divide pelas horas trabalhadas, não bate. Ah, mas tudo bem, a pessoa precisa ter seu ganha-pão. Aí é uma discussão que vai para outro nível, mas até que ponto aquilo influencia na responsabilidade técnica. Ou seja, uma pessoa que vende projetos Despeja o projeto. Por quê? Naquele preço, nas redes sociais. E era uma engenharia online, sabe? A pessoa colocou lá, deixando claro que é só online. Então, se vendeu o projeto, você se vira. Vendeu o projeto, você se vira.
E tinha o número do registro do profissional lá?
Tem, tem registro do profissional, tem registro de R&P, isso. Tem tudo certinho, todos os dados do profissional, mas o que me chamou a atenção foi a qualidade do projeto. Totalmente fora dos padrões, e quando eu percebi que era um profissional que praticamente vendia coisas prontas, provavelmente ele pegou coisa pronta e entregou. E eu refiz o cálculo. Falei, não, espera aí, duas coisas. A gente vai ter que mudar a dinâmica do seu projeto e essa viga a gente vai ter que mudar. Ele ficou super feliz com a solução e tudo mais.
Teve que pagar novamente.
Teve que pagar de novo.
Provavelmente economizou na viga.
Não, na viga economizou.
Só de saber eu sou calculista.
Cara, esse dia um vão de 10 metros passou por metade dessa área de aço.
O que você falou aí não cabe numa... A gente tem cálculos pra isso. Pra quem não sabe, Paulo, a gente tem cálculos pra gente verificar se a quantidade de aço em relação a quantidade de concreto existe uma relação. Ela tem um atendimento mínimo e tem um atendimento máximo. A norma 6118 traz pra nós um norteamento mínimos e máximos. Então, quando a gente chega numa taxa de aço muito alta pra aquela relação, isso pode mexer com alguns critérios. Esses critérios, que a gente chama de domínio, estad, e outras coisas mais, levam o calculista a mexer em outras coisas. Aí ele mexe em geometria, ele mexe em inércia, troca a inércia daquele detalhe, e mexe nas vinculações. Eu brinco que engenharia não se faz com materiais. Você pode pegar qualquer material, que ao longo da humanidade a gente já trabalhou com muitos materiais, muitos ligantes, muitos agregados e pontes, né? Aí a água sendo universal por conta de características específicas, mas coisas simples que talvez o engenheiro desconheça, talvez se você sentar com o engenheiro, não dá pra chamar, não dá pra... passar, por exemplo, um engenheiro que tem uma especialidade de fazer vistoria e pedir para ele calcular uma casa, uma edificação, e eu acho que isso também é uma questão de banalização, porque a gente reduz e a gente desqualifica, porque a palavra qualificação, ela já vem de algo que que transforma algo em algo específico. Qualificação. Então, assim, existe o engenheiro que é mais qualificado para o cálculo, existe o engenheiro que é mais qualificado para projetar.
O gerenciamento de obras.
E tem que lidar com pessoas. Eu mesmo, eu sou um cara que não sou tão legal para ficar Gerenciando pessoas.
Gerenciando seres íntimos. Agora, quando o caso do Felipe é engraçado, porque é quando eu falo engraçado de uma forma cômica de falar. Ele tá falando de uma casa de 500 metros ali.
Essa no caso tinha 200. Tá, 200.
Só que esse cara que tá contratando, ele tá feliz porque ele tá contratando um engenheiro. A minha obra tá com engenheiro. Agora, se esse engenheiro é bom ou ruim, enfim, mas ele tem um engenheiro naquela obra. Agora, um fato também que eu queria contar aqui. Outro dia eu tô voltando de um cliente com o Rafa. Ele dirigindo, cara, e Paulo, eu preciso atender a ligação, esse cara é importante e tal. O cara liga e eu ouvindo, tá no Viva Voz. Ah, não, Rafa, porque aquele prédio e tal, tá cedendo lá, tá com patologias no primeiro pavimento, no segundo e no terceiro.
Deixaram de concretar.
É, e ele falava, eu preciso fazer tal coisa agora. E o Rafa falou, não faça isso, porque se você fizer isso, vai afetar em cima. Enfim, eu falei, enfim, fui visitar. Quando eu chego, o que eu vejo? O porte da obra. Podem colocar na edição, eu visitando essa obra junto, sem identificar a obra, óbvio. E eu, se nenhuma obra daquela acontece esse tipo de situação, imagina numa obra.
Estou falando de construtora.
Uma araca institucional que você trouxe.
Agora, a pergunta é que não quer calar. Essa empresa tentou te contratar antes?
Sempre as empresas grandes, elas contratam um orçamento de vários.
Mas você estava na cotação oficial.
Eticamente, vamos dizer assim que o projeto escolhido foi o mais barato.
Mas quem vai resolver agora?
Vai resolver, vai ficar mais caro para resolver.
Qual que é a função do engenheiro? Resolver problemas.
Solucionar problemas.
E hoje a gente tem engenheiros que criam problemas. E assim, na parte financeira é lindo para a gente que sabe resolver. Só que é criminal, porque se o raio daquele prédio cai. Já aquilo cai.
A gente está, Felipe, a gente está com um problema no edifício de colapso.
Então, já está numa área de risco. Uma zona de risco. Eu mesmo peguei um projeto há uns meses atrás, um conjunto de kit net, três lajes, construção relativamente não é grande, uma área estrutural tudo mais, um solo argiloso, com um SPT de dois, um, até oito metros. O cara fez uma sapata corrida de cinquenta centímetros. Por que eu estou dando essas informações?
Olha o Rafa viajando com os olhos ali.
Porque não existe. Aí eu peguei aquele projeto e foi legal, porque quando o proprietário levou para o... Primeiro que ele levou para os executores, os executores não conseguiram ler o projeto. Pô, mas é a qualidade desse projeto, não tem como ler. Aí eu peguei e fui decifrando, né? Vê cara, isso aqui está errado. Calcular o dormindo é uma coisa. Cálculo médio de peso de construção, tensão admissível do solo, assim, conversando com ele. Vê cara, sua construção vai cair? Se você construir, vai cair. Na mesa, assim, cinco minutos com ele, que cargo de padaria.
É isso aí.
Cheio de fatores de segurança lá pra cima. Vai cair. E agora? Agora, você quer fazer um projeto? A gente faz um projeto. Ah, mas eu já tive um investimento, já calculei, foi tudo bem. Mas se você construir, vai cair. Eu não tô falando que vai dar problema, vai cair. Você tá numa zona perigosa. A gente refez todo o projeto. Aí ele entendeu a diferença com os construtores. Então, eu acho que o grande problema da banalização também Tá em nós, profissionais. A gente também tem que chamar a responsabilidade pra gente, tá? Por que que o cara que vai fazer um projeto estrutural e se propõe a fazer algo que ele não sabe? Hoje, com dois mil reais, você aprende a fazer qualquer tipo de projeto com professores renomados. Sim. Professores bons. O que que eu falo professores bons? Aquele cara que já fez diversas obras, vai lá nos conteúdos de quem faz, Para de ir no conteúdo de quem só tá criando coisa aleatória. Tem muitos professores bons na internet, se você parar pra pesquisar aí algum nome, não vou citar nenhum nome, mas tem caras bons que estão aí muito tempo ensinando, professores, com mestrado, doutorado, ou com experiência de vida gigantesca.
Olha, eu não tô querendo ser advogado do diabo aqui, tá? Mas tem caras bons que você tá citando, que traz informações não boas, tá?
Ah não, com certeza.
Esse exemplo que eu tô trazendo mesmo do cara que falou que da forma como ele fala e enfim, que influencia um monte de gente, porque eu ouvi isso depois nas obras que eu visito, ele falar o aço cortado e dobrado atrasa a obra.
Como assim?
Tirou da...
Não sei de onde a informação. O cara pega um engenheiro assim, que ele constrói aí grandes obras, e ele fala, ah, não uso aço cortado e dobrado nas minhas obras porque atrasa. Eu sou leigo, eu não sou engenheiro. Mas qual que é o problema dele? Planejamento.
Planejamento.
Porque ele não pediu ali de forma adequada.
Sim, para a gente até fechar esse ciclo, eu acho que a gente tem que perceber que dentro do ambiente, a gente tem os bons, Vou fazer melhor. Nós temos os qualificados e os não qualificados. Dentro do ambiente da internet, nós temos profissionais qualificados e não qualificados. E nós temos os bem-intencionados e os mal-intencionados. Então nós podemos ter o bem-intencionado não qualificado, podemos ter o mal-intencionado mal qualificado, podemos ter o bem-intencionado bem qualificado. Então, em cada cenário que nós podemos ter, nós podemos ajustar tudo isso. E mais importante do que tudo isso é saber que a engenharia corre sim o risco. E se nós não tomarmos nenhuma ação concreta, ela vai acabar. E não é que ela vai acabar. como necessidade. A engenharia vai acabar como um caminho, uma profissão digna e que vai ser cada vez mais escasso. E isso vai fazer com que? Com quem está nos escutando. Com que o preço cada vez fique maior. É aquela máxima, né? Quanto menos engenheiros, mais eles vão cobrar. Então, sempre tenha noção do seguinte. O bom engenheiro, ele se paga. Eu sempre falo isso. Vai contratar um engenheiro. Quanto custa o projeto do profissional X? O projeto do profissional X custa mil reais. O projeto do profissional N custa dois mil reais. Só que o Projeto Profissional N, ele vai lá e ele economiza cinco mil reais.
Exatamente. Um bom projeto, ele é econômico, ele é execuível, precisa ser execuível.
E ele não é um custo, é um investimento.
E é um investimento, porque ele vai gerar economia no fundo e é seguro.
Com certeza.
Então?
Eu tenho um case de um, de um. E aqui já puxando, a Hub, que é essa que você tá vendo aqui agora, meio que você também, como você trouxe em primeira mão, você trazendo em primeira mão, as pessoas não sabem o que é isso, isso aqui é um, isso é um ecossistema da construção de verdade. E por que eu tô dizendo isso? Aconteceu que através da Hub, o Paulo trouxe um cliente para a Hub poder resolver o problema dele. Esse cliente tinha que desenvolver um sistema construtivo. Um sistema construtivo que resolve o problema da humanidade. Resolve lixo, tira lixo e transforma em luxo. Literalmente, não posso dar muitos spoilers aqui, mas até pra dizer, Wagner, Bruno, é pra vocês do lixo ao luxo, out! Mas, basicamente, e a gente quer trazer, em algum momento eles vão vir aqui, e aí, vou te mandar o link pra você ver. O que aconteceu? Eles tinham um projeto, que eles iam construir esse cliente em Alagoas, São Miguel dos Milagres. Esse projeto gastaria de fundação 90 mil reais. Tá? 90 mil reais. E um projeto, até de colocar, é uma obra de 500 metros quadrados de construção. Um profissional pode ir lá e cobrar 5 mil e o outro pode cobrar 10. Vamos colocar assim. Um profissional custa 5 e eu custo 10.
Só um detalhe rápido, desculpa te cortar. As pessoas têm que entender o que faz você custar 10.
Aí que tá.
Exatamente. As pessoas têm que entender que quando você vai contratar um projeto, um trabalho, não contrate pela homepage. Não entra na internet e contrata o vendedor de ART. Olha a história do cara. Se eu conversar com você e entender a sua história, pô, peraí... Eu estou investindo. Então, conversa com o profissional, entrevista o profissional, sinta o que ele pode te oferecer, o que você já fez, o que você faz, né? Então, pra você entender essa diferença de valores. Com certeza. Porque não são custos, são valores.
São valores de investimento. E olha que legal, o projeto estava pronto. Você é bom de quanto? Contratou o profissional de cinco. Quanto ele gastou até agora? R$5.000, né? Aí ele foi lá e fez uma fundação, esse cara fez uma fundação. Quando a gente levantou os valores dessa fundação, era uma fundação que gastava R$90.000. Quanto ele gastou aí?
R$95.000.
Aí beleza, R$95.000 é o que ele gastaria, ele gastou só R$5.000. Aí ele chegou em mim, quanto você custa, Rafa? R$10.000. Mas o dobro? Tá bom. Eu falei, vamos fazer assim, não paga nada. eu quero 30% do que eu reduzi para você. Aí ele falou assim, tá, mas como eu sou legal, eu vou te deixar aqui, ou o dobro ou 30%, eu vou deixar você escolher. Só que você não me paga nada, eu peguei o projeto e refiz o projeto, calculei. Vai gastar 35 mil reais. Agora eu quero que você seja bom de conta, comigo ele gastou 35 mais 10.
Quanto que ele gastou?
55. Desculpa, 45. Eu que falei errado. E quanto que ele gastou com o outro? 95. Tá. Se eu pegar 45, 45 dá 90. Se eu cobrasse 30% da redução, eu ganharia mais com o projeto. Ou seja, o que eu gero pra esse cara? Quando eu falo eu, nós, bons profissionais. Então, é muito isso que você disse. Eu acho que isso vai muito em caminho. E assim, Paulo, coloca o seu ponto pra gente terminar então.
Tá, antes eu queria deixar uma dica. não construa antes de assistir a este episódio, se você quer economizar na sua obra ou se você não quer ter problema. Então, assista. Cuidado com o audiovisual, com as informações que você vê na internet.
É, cara, o que eu queria dizer é o seguinte, Felipe. Você tá aqui via convite da Hub, é um prazer imenso. Um dos nossos produtos é o Constrycast, que é esse podcast que você tá. Onde a gente não tem conteúdo comprado, aqui a gente traz pessoas de qualidade, faz exatamente isso que você está trazendo, e eu gostaria que você falasse como que ter a Hub junto conosco, que é esse ecossistema, trazer essas soluções, o quanto ela é importante para esse movimento de dar voz aos bons engenheiros, engenheiros de verdade, e a profissionais da construção e a entidade, justamente. Eu queria que você falasse rapidamente sobre como que essa Hub que você já faz parte, inclusive, Então, bem-vindo à HUB.
Obrigado.
Usei toda a sua rede. Bem-vindo à HUB. E como você acha que ela é importante no movimento de dar voz aos engenheiros e profissionais da construção civil? E o quanto ela pode ser importante para tudo isso que você comentou de interligar, talvez ser a ponte de ligação entre o CREA e os profissionais?
Um cliente, quando ele vai comprar um produto, Ele busca referências. Hoje a gente busca tutorial na internet.
Exato.
Avaliações, reviews. E um desses reviews, as pessoas falam, esse review tá sendo pago ou não? Esse review tá sendo sincero ou não? Então você tem um hub, um ecossistema, que consiste de profissionais de diversas áreas, regiões, que sabem analisar e entender Como produto que a engenharia não deixa de ser um produto, é um serviço. É algo que não é palpável diretamente. É um conhecimento intelectual. Então, você ter pessoas ali que fizeram acontecer, entender as suas histórias, os seus conteúdos, muda tudo. Porque você cria uma perspectiva de segurança para o seu cliente. Para quem está comprando, adquirindo e dormir tranquilo. Todo mundo quer construir e dormir tranquilo, ninguém quer. Então, eu acho que é muito importante esse ecossistema existir. por conta mesmo da valorização e da qualidade da nossa engenharia, porque a gente tem profissionais aqui no Brasil excepcional. A gente tem pessoas muito boas aqui. Nossa engenharia tem o poder de extrapolar qualquer superpotência mundial em qualquer área. Só falta dar voz. Então bora lá, né? Vamos dar voz pra galera.
E por último, Felipe, pra gente finalizar, você mandou um abraço pra uma pessoa, acho que era do Cré. E você tem o direito de convidar uma pessoa pra estar aqui depois. Já que nós estamos falando de voz, Pra aquela câmera ali, convida quem você quer convidar pra estar aqui conosco e pra dar voz pra essa pessoa, talvez onde não atinja. Por favor, faça esse convite.
Queria agradecer muito a Lígia Maquei, que é a presidente do CREA. pela oportunidade de conhecer o sistema, de estar dentro do sistema, de maneira a realmente entender esse conselho, porque a gente é o maior conselho de classe do país, a gente lida com responsabilidades muito grandes, então poder conhecer o sistema está sendo muito prazeroso pra mim, sou crítico ao sistema, mas entendo que o sistema é formado por pessoas como nós. Então, a gente tem o poder da mudança. A gente precisa propor mudança e entender como é que funciona cobrar e ter pessoas que estão dispostas a ouvir, a entender e a pôr em prática é muito bom. Um agradecimento muito bom. A Lígia, presidente do CRE, tem toda a sua agenda, mas seria muito interessante um bate-papo. Luana, ajuda a nós aí. A Luana é uma pessoa muito bacana, que faz toda a interface e ajuda a gente bastante aí na comunicação. Então, está sendo bem direta a comunicação. é que ajuda bastante, um agradecimento pela oportunidade de entender como tudo funciona e quais as maneiras de melhorar.
Show de bola. Filipe, muito obrigado pela participação aqui no Constrycast, mais um episódio. Paulo. Valeu, obrigado a todos. Tamo junto e misturado. E um agradecimento especial a HUB por nos proporcionar um espaço para toda essa tecnologia. Agradecer também aos bastidores, a Gabriela, o Matheus, a Karina, que estão por trás aqui para poder fazer tudo isso acontecer. Então, Lígia, Presidente do Icréia, é a sua vez de estar aqui. Vem ser a voz da construção civil. vem para o ConstruyCast, vem fazer a diferença. Tamo junto?
Então todo mundo assim.
Ó, olha lá para aquela câmera.
Out!
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