
Gustavo Azulejista walks through tile setter training and practice. He breaks the work into three pillars: knowledge of norms like NBR 13753, hands-on practice, and proper equipment. The episode covers laser leveling, substrate prep, cutting technique, and why large-format tiles are changing the job.
Chapters
Formação de mão de obra pra azulejista é o tema do bate-papo de hoje. E para falar sobre o assunto eu recebo... Roda a vinheta!
Este.
Episódio é um oferecimento Hub e Construção. Gustavo Azulejista, seja bem-vindo ao nosso podcast, o podcast que vem para unir, para ensinar, para dar dicas importantes para toda a cadeia da construção e, principalmente, também para quem contrata mão de obra.
Show de bola, Paulo. Eu agradeço o convite, tô muito feliz de estar aqui hoje, nesse podcast que eu acompanho já há um bom tempo, que eu vejo que só cresce, que globaliza realmente, traz os profissionais ali mais pra perto. Tanto o profissional da área mais técnica, quanto o profissional também da área mais braçal. E acredito eu que também a indústria.
Gustavo, antes de iniciar o nosso bate-papo aqui, eu tenho algumas perguntas que enviaram pra gente. Eu queria que você falasse um pouquinho como que você entra na construção civil. Fala um pouco aí da sua história pra... Hoje você é uma grande referência no setor, enfim, um exemplo de bom profissional. E como você entrou na profissão?
Cara, minha história... Obrigado pela grande referência, tá? Eu costumo dizer que eu sou...
Eu também te acompanho, tá? Eu sou um grande fã.
Pô, legal, legal. Eu costumo dizer que eu sou um profissional como qualquer outro, mas um profissional que decidiu estudar. Na nossa área a gente tem muito uma visão de que a prática é o mais importante. Eu costumo dizer que tem três pilares que são importantes, que é a prática, o conhecimento e o investimento em equipamentos, porque um não anda sem o outro. E qual que é a diferença entre mim e um outro azulejista, de repente um azulejista que não é tão conhecido? A quantidade que eu estudei, eu dediquei os últimos 10 anos, não, os últimos 12 anos para ser mais preciso, desde 2012, a estudar normas técnicas, processos e conhecer o porquê do porquê. Mas eu trabalho com construção civil, Paulo, pode-se dizer, há mais de 30 anos. Comecei na obra garotinho junto com o meu pai. Acho que é a história que se assemelha à história de grande parte dos pedreiros do Brasil. Meu pai, grande mestre de obra, Seu China, saudoso. E ele me levou pra obra garotinho ainda pra acompanhar ele, e aí depois eu fui me tornando ajudante, porque era uma malandragem antigamente. O pai levava o filho pra obra só pra você me acompanhar, e aí daqui a pouco tava carregando um tijolo, mexendo uma massa, e aí virei ajudante do velho e fui ficando nisso aí. E a construção tem um negócio que é um vício, sabe? Que depois que você entra, você não sai. Eu não queria trabalhar com construção até os 27 anos. Eu falava assim pra mim mesmo, falava, vou ficar nisso aqui só até eu estudar, fazer um curso, me formar em alguma coisa e... Vou mudar de setor, eu quero trabalhar menos e ganhar mais, né? Basicamente é isso, né?
E aí, você viu que ganhou bem e falou, vou resolver ficar. Resolvi ficar, não quero sair mais.
Na verdade foi bem assim, ó. Com 27 anos, eu percebi que eu não ia conseguir. Porque eu fiz curso, fiz curso pra área da segurança, eu gostava muito daquilo de polícia e tal, né? Queria ser policial, queria entrar pra civil e tal, estudei. Eu vi que não era pra mim, sabe? E aí, um dia, assim, deitado na obra, com a cabeça no saco de argamassa, em cima de um papelão, falei, quer saber de um negócio? Eu gosto de fazer isso aqui. É isso aqui que eu vou fazer. Só que eu não quero fazer do jeito que eu tô fazendo. Eu ganho pouco, ninguém vê meu trabalho, Eu quero fazer mais. Nessa época eu trabalhava numa construtora, foi meados de 2012 por ali, tá? E eu trabalhava nessa construtora e o meu trabalho era assim, olha, era... Ficou bom? O cara passava, anotava num papelzinho ali, ótimo, tá entregue, vai pro próximo. Ficou ruim? Ele anotava o que ficou ruim e tó. Tem que arrumar isso aqui. Era só isso. Nunca ninguém chegou pra mim e falou assim, ó, pô, ficou legal, hein? Então tinha muito isso daquela provação do cliente. Eu trabalhava pra construção de alguém e ninguém tava vendo aquilo. Então, um dia deitado ali, eu peguei uma caixa de revestimento e li. Falei, enorme técnica. Falei, olha que legal. Tem norma pra instalar revestimento? Pô, até então eu só trabalhava com a prática.
E você sabia o que era norma?
Não. Você entendia?
Tinha a menor noção do que era norma?
Tinha a menor noção. A gente não tinha treinamento, Paulo.
E eu queria, eu quero trazer essas questões aqui nesse bate-papo, porque quando você fala dessa questão de norma aí, a gente vai falar um pouco mais lá na frente sobre a norma, por exemplo, de cordão, né?
Do cordão... 3753.
É, cruzado ali, quando você tem ali um determinado tamanho de peça, que a norma tá pedindo cruzada, enfim, mas na verdade...
É, a gente tem esse desencontro.
Aquilo é um problema, enfim. Então, você que tá acompanhando esse bate-papo, Comente, compartilhe, traz sugestões que a gente daqui realmente pra discutir, né? Pra discutir boas ideias.
Show, show.
Agora, eu queria que... Eu já queria começar com uma pergunta. Em média, qual o salário de um azulejista?
Você tá preparado pra essa resposta?
Vou fazer o seguinte. Deixa essa resposta pro final.
Show, vamos deixar pro final.
Ah, eu vou tocar aqui a outra. Você tem alguma dica de um bom nivelamento?
Pra fazer um bom nivelamento, bom, vamos lá, antigamente eles trabalhavam muito com método arcaico e tal, Paulo. Até hoje ainda tem muito profissional que insiste em trabalhar dessa forma, com linha, com nível de mão, com mangueira de nível. Esse método hoje ele já é obsoleto. Ainda funciona? Funciona. Se funcionava antigamente ainda vai funcionar hoje. Mas ele não tem a precisão de um laser. Então você tem laser desde um simples de duas linhas, quatro linhas, doze linhas, dezesseis linhas, você tem laser com todo tipo de formato. E com essa globalização, né, do comércio e tal, a gente consegue trabalhar com bons equipamentos pagando um preço excelente. Importados, com sites de compra que tem preço melhor, até marcas conhecidas nacionalmente também já tem um preço melhor, então assim, não tá inacessível mais. Um ossolegista hoje pra trabalhar de forma profissional, vamos colocar aqui, exemplar, com a sua gama de ferramentas completa, até um formato de 90 por 90 ali, que é um formato mediano hoje, cara, você vai investir R$ 7 mil em equipamentos.
R$ 7 mil em equipamentos, o cara tá... Tá equipado pra trabalhar. Tá cacifado pra trabalhar e atender aí. as boas práticas do mercado.
E aí você trabalha com o pilar principal, né? O pilar do meio. Sem o equipamento, cara, você consegue fazer um serviço, mas você não consegue fazer um serviço bom e rápido.
É porque antes você tinha aquela... Quando você, por exemplo, imagina que eu vou fazer uma aplicação de um azulejo, de uma cozinha, enfim, qualquer coisa do tipo, até um piso mesmo. Você tinha aquele nivelamento, né? Que você vinha com a mangueira de níveis, mede de um lado e do outro, depois você vem, coloca a régua, fixa ela pra poder começar a subir ali as fileiras do azulejo. E como que é feito hoje?
Isso é uma curiosidade. Quando a gente fala de ambientes que a gente vai revestir paredes, a gente tem banheira e cozinha, tá? Hoje, pra você ter uma ideia, não compensa mais eu colocar uma régua, esticar... Vamos supor mesmo que eu não trabalhasse com a mangueira, fosse ali com nível a laser. Esticar uma linha embaixo, bater uma régua pra servir de suporte e começar da segunda fileira em diante pra revestir uma parede. Porque você imagina que você tem um pé direito num apartamento de 2,60m e você tem um revestimento pra instalar ali que é de 1,20m. Praticamente são duas peças.
São duas peças.
Só se teria que praticamente deixar uma inteira sem colocar. Ou seja, você vai fazer 50% das paredes para fazer 50% depois do piso. Então já não compensaria. Uma técnica que eu aplico e muitos profissionais também aplicam, tá? Que é muito... Facilita demais. Você vai fazer banheiro e cozinha? Faz o piso primeiro. Vai te dar uma preocupação.
Vai fazer o piso primeiro?
É, vai te dar uma preocupação a mais, porque você vai ter que fazer uma proteção desse piso, colocar um papelão, uma lona pra deixar ele impermeável e trabalhar com cuidado pra não bater nada, não lascar o piso, não arrebentar, tá? Mas, você vai bater junta na parede, piso e parede? Se o ambiente vai um pouquinho fora desse quadro, não vai te atrapalhar. Você vai conseguir acompanhar a junta tranquilamente. Tem muito isso, né? Às vezes o cara coloca um piso de 90 no chão, um de 90 na parede e fala, olha, eu quero que a junta se encontre. Quando eu tenho o revestimento da parede instalado primeiro e eu vou fazer o piso depois, cara, é danado pra você acompanhar duas paredes e as outras duas não vai bater junto.
Não vai bater. É porque eu tenho percebido que antes as pessoas, o que que eles faziam? Você tem o contrapiso ali pronto, Eles calculavam geralmente uma pedra pra ela pegar inteira depois que ele colocava todo o piso. Então ele começava, colocava em todas as paredes. Depois vinha, colocava o piso e depois fazia o fechamento daquela última...
A última, a gente chama de saia.
É, saia, né, pra dar aquele acabamento final. Hoje já...
Não, por conta dos formatos.
Então, mas eu vejo que tem muitos profissionais fazendo daquela forma. Por isso que eu fico questionando. Pô, mas não mudou nada.
E aí a gente vem no tema principal. A gente vem num tema muito importante, tá, Paulo? Capacitação. Conhecimento. Se trabalhava dessa forma quando os revestimentos eram 20 por 20. Eles foram aumentando para 30, 40, 50, 60, 70, 90. Hoje a gente já tem revestimentos de 1,60 por 3,20, que são as lastras. Então, dessa época, de 20 por 20 para cá, não houve uma preocupação da indústria mais forte em cima de capacitar a mão de obra. Hoje está tendo, através das próprias fábricas, indústrias estão buscando treinar, capacitar, buscando pessoas qualificadas para isso. A própria Anfacer, hoje tem um órgão dentro da Anfacer que se chama Central do Assentador Cerâmico, onde eles trabalham muito firme em cima da capacitação de mão de obra, treinamento. Então, ou seja, se você parar para pensar, Tem muito profissional hoje que ainda trabalha com placas cerâmicas da mesma forma que se trabalhava há 30 anos atrás. Cara, em 30 anos muita coisa mudou, tá? Só a cabeça do cara que não.
É, eu já fiz muitos treinamentos aí com... Enfim, eu sou um curioso da condição civil, eu sempre falo aqui todo mundo... As pessoas que acompanham o canal sabem que eu conheço aí um pouquinho. E eu queria, já que a gente tá falando desses... Dessas... Diferentes formatos, né? Como que você vê a polêmica da dupla colagem? Quando a gente fala em cordões cruzados, a partir de que tamanho a norma pede dupla colagem? E existe certo ou errado? Quando eu coloco dupla colagem, ela tem que estar no sentido cruzado? Então, acho que esse é um tema aí que a gente consegue abordar e esclarecer. Principalmente a questão da norma. Está certo ou está errado? Enfim.
Vamos lá, a gente tem que... é por isso que eu falei pra você que a gente tem que trabalhar com três pilares, que são o conhecimento, o conhecimento seria as normas técnicas, o equipamento, pra facilitar e agilizar o nosso trabalho, deixar com mais perfeição também, e a prática, porque sem a prática nada caminha, o nosso trabalho ainda é braçal. Na prática, eu entendo que a dupla colagem com o cordão cruzado não funciona. A norma funcionava dessa forma, mas vamos colocar. Por que colocaram na norma lá em 1996, na 13753, que o cordão tinha que ser cruzado? Naquele momento se entendia que o formato maior, existente na época, era 45 por 45. Então a própria norma diz isso, que eu tenho que pegar e instalar a placa mais ou menos 4 centímetros, 3 centímetros mais ou menos afastado das extremidades e vir fazendo uma torção nela para desmanchar os cordões, até encostar.
Isso, em outros casos, também você pode ter o... você colocava ela um pouco afastado e deslocava mesmo reto pra quebrar os cordões.
Não, hoje é assim. Antigamente, a norma fala de torção, tá? Porque os formatos eram pequenos e era possível fazer essa torção, tá? Torcer pra esmagar o cordão. Ficava a bolsinha de ar ali por baixo? Ficava. Mas a norma também falava de 85% de esmagamento. Hoje ela é mais assim.
85%?
É.
E por que que acontecia tanta quebra antes?
Não se respeitava a norma mesmo antigamente. Antigamente não se usava dupla colagem, embora fosse exigido. Por conta dessa questão. O profissional braçal tinha acesso à norma? Não. Então na cabeça dele uma colagem só com um cordão maior já resolvia.
Eu tô trazendo essas questões, esses pontos.
São temas polêmicos.
É que eu vejo isso acontecer no dia a dia. Eu sempre falo, visito muita obra, eu testo. Eu sou eu, Paulo, tá? Eu não tô aqui pra dar minha opinião, mas... Quando eu pego pra fazer, que eu coloco cruzado ali, que eu vou fazer, no processo cruzado, eu percebo que entra muito ar. E na maioria das vezes, dependendo da força que se coloca pra bater ali, pra chegar ali no nível da outra pedra, acontece muita quebra.
Muita quebra. Ainda mais com a espessura dos revestimentos hoje. O revestimento aumentou o seu ground de dureza, de resistência, mas ele diminuiu a espessura. A tendência do mercado é essa. Diminuir a espessura pra diminuir o peso. Já focado, já pensando aí na questão logística, de transporte, manuseio desse material. A tendência do mercado é essa. Então vamos lá. Por que que hoje, como você disse, você tem aquilo de colocar Junta... A norma fala afastado. Exigência fabricante afastado e junta. Eu prefiro colocar junta, afasta e volta. Então eu coloco junto, já coloco a pedra no local, afasto mais ou menos dois centímetros e volto vibrando.
É porque você já tira todo o ar, né, de baixo.
Isso. E também, se eu não colocar ela junto, na junta certinho, colocar ela afastada e juntar, ela vai jogar argamassa para a junta. E aí eu tenho que trabalhar com clipe nivelador, com revestimento. Hoje praticamente 90% dos revestimentos são retificados. Então vai me dar problema de abrir junta, travar clipe na junta. Eu não posso deixar a junta encher de argamassa, a gente já vem para a prática.
Essa aqui foi importante, porque é um problema também que o mercado tem, que quando você traz essa... você acaba tampando aquelas juntas, quando você vem com o rejunte depois, dependendo da espessura... Sim, o.
Rejunte ainda é o menor dos problemas. Quando o clipe fica travado com argamassa, você tem o clipe nivelador hoje, né? Quando o clipe fica travado com argamassa, ele quebra em cima, então fica resto de plástico na junta. Aí o profissional vai tentar tirar com um disco, com um alicate, com um estilete, com alguma coisa ali e lasca o revestimento. Tem esse problema.
Essa dica que você trouxe aqui é muito importante chamar a atenção de você, contratante, que está contratando um profissional. Porque quando ele aplica de forma errada, isso vai ficar aparente. Porque ele vai... imagina que ele deixou ali um pedaço de borracha entre uma peça e outra. Ele precisa tirar para rejuntar. Quando ele vai tirar? Dependendo do... Não dá, porque ele vai acabar tirando, quebrando as quinas.
Então eu vou te dar essa dica completa, quer ver?
Então vamos lá, isso é super importante.
Essa dica é muito boa. Na instalação de investimentos, bons profissionais conhecem essa dica, até se não é exclusivo o meu. Mas o que a gente procura fazer? Vai trabalhar com clipe nivelador? Tá trabalhando com revestimento retificado? Vai ter que trabalhar com clipe.
Vamos lá. De novo, muitos profissionais não sabem o que é um clipe nivelador. O que é? Vamos lá.
Clipe nivelador. Clipe nivelador é o equipamento que a gente usa com a cunha, tá? Ou seja, ele tem o clipe, ele vem com a cunha pra poder travar o revestimento nivelado. o clipe nivelador é pra travar nivelado o espaçador é pra fazer espaçamento eu não vou condenar a marca aqui mas tem alguns fabricantes que falam o meu clipe faz espaçamento e nivelamento mas você imagina que eu tenho uma placa de 1,20 que eu vou instalar ela na parede cada peça vai 1,20 com 9 milímetros vai pesar 40 quilos mais ou menos com argamassa passada nela então eu peguei uma peça de 40 quilos peguei quatro pedacinhos de plástico coloquei no meio da junta e coloquei uma placa de 40 quilos em cima Na hora que eu for remover esse clipe, ele vai quebrar lá na base ou vai quebrar em cima?
Entendi.
Aí eu tenho problema do plástico. Então vamos lá, e se eu tiver esse... Vamos lá que eu estou instalando um revestimento de 1,20 quilos, especificação de junta do fabricante, sempre a especificação é do fabricante, tá? De 2 milímetros. Aí eu trabalho com um clipe de 1,5, mais a cruzeta, o espaçador, de 2 milímetros, que é o que o fabricante pede. Então a cruzeta vai fazer o espaçamento e o travamento dessa placa, porque ela já é em cruz, justamente pra travar o revestimento alinhado.
Bacana. E quando você fala do clipe nivelador, eu gostei muito desse tema, porque quando você vem aplicar um revestimento que a gente... Você tem as categorias, né? Primeira, segunda, terceira, enfim.
E todo o resto.
Você chega lá pra comprar, lá no PDV tem aquela promoção, leva tudo isso aqui por um valor X, enfim. Você não tem ali a classificação se ele é de primeira, segunda, seja lá o que for. Quando você vai pra um revestimento, sei lá, de terceira, Quando você vem com clipe nivelador, você não pode ter problema ali porque você não tem uma peça tão reta como uma peça de primeira qualidade, por exemplo.
Você pode. Mas vamos entender o que é um revestimento de primeira. Existe a norma que regulamenta a fabricação de placas cerâmicas no Brasil, que é a 13.006. Até 2020 era a 15.463. Essa era a norma que regulamentava a fabricação de placas cerâmicas, o que é até uma curiosidade. O pessoal condena muito o material brasileiro e o Brasil foi o primeiro país no mundo a ter uma norma exclusiva para a fabricação de placas cerâmicas. Hoje essa norma já é mundial, de 2020 pra cá, em 2022 que ela entrou em rigor, de 2022 pra cá ela é mundial com o ISO. Então hoje é 3006, pra fabricar placa cerâmica em qualquer lugar do mundo você tem que seguir os critérios mínimos de qualidade. Então lá vai ter limitação, por exemplo, de diferença de tamanho. Então uma placa pra ser considerada classe A, de primeira, ela tem que ter diferença de tamanho dos quadros no máximo de 0,03, isso é um terço de milímetro, tá? A olho no imperceptível. A olho no imperceptível. Um revestimento bem instalado, então, você nunca vai ver. Passou de um terço de milímetro, ele vai ser desclassificado pra B ou C, tá? Então vamos lá, vamos supor que eu tô com um revestimento que tá 0,4. Ou seja, já passou, já não é mais de primeira, vai ser desclassificado. Curvatura. A gente fala de curvatura, é o empeno da placa. O profissional geralmente chama de empeno. Tecnicamente a gente conhece como curvatura acentuada, que pode ser convexa ou côncava. Então curvatura é uma característica do material, não é um defeito. Você tem uma placa cerâmica que é queimada a 800, 1000, 1200 graus Celsius, que é o limite para se queimar um porcelanato, por exemplo. Precisa queimar nessa temperatura. Por quê? Para você baixar a absorção do produto e trazer resistência. Você baixa a absorção, traz resistência. É uma consequência. Então, eu preciso queimar essa placa. Quando eu queimo ela no forno, ela curva naturalmente. Se eu colocar um bolo no forno com a massa plana dentro de uma forma quadrada, quando eu tiro do forno ele não está curvo? Basicamente é o mesmo que acontece com a placa cerâmica. Porém, existe um controle. É feito todo um estudo para que ela curve no máximo 1.8 milímetro, que é o limite que a norma aceita como material de primeira. Então tem esse limite, ou seja, se eu pegar de uma ponta até a outra ponta do revestimento, ela tem que estar no máximo com 1.8. Lembrando que eu estou falando aqui de limites, Paulo, mas nenhum fabricante quer trabalhar na margem. Se o cara conseguir trazer 0.9, ótimo. A diferença de tamanho, se ele deixar com 0.1 ou 0.2, ótimo, todo mundo quer trabalhar com um melhor. Mas ele tem essa margem caso no forno queimou ali e saiu com 1.7, pô, a gente tem até 1.8 então tá dentro, tá? É um classe A ainda. Entre outras características, então a norma limita. Se eu vou trabalhar com revestimento que tem curvatura, E é importante que o profissional conheça, porque as vezes o cara recebe na obra um material que está com uma curvatura dentro do limite. Como que eu confiro? Porque assim, eu falei aqui pra você de milímetros e de décimos de milímetros. 0,03, um terço de milímetro. Como que eu vou conferir isso na obra com a minha trena?
É, não dá, você não vai perceber isso.
É impossível. Então existe um procedimento que tá falando lá na 13753, lá no parágrafo 4.1.2, que vai falar sobre os cuidados ali com o material que você recebe. Embora ela seja de 96, ainda tem coisa atual. Pra você ter uma ideia. Desde essa época já era exigida uma coisa que se chama de paginação prévia. Então como que eu vou perceber se esse revestimento está apto à instalação? Eu vou montar um quadro com no mínimo quatro placas ali num chão plano, colocar a junta de espaçamento que o fabricante sugere, no caso de grandes formatos, que já tem curvatura, passou de 60x60 já tem curvatura acentuada, ou seja, é perceptível essa curvatura. Então eu vou colocar no chão e já travar ela com um clipe nivelador, porque eu vou perceber que se não ficar nivelado, travado no clipe, opa, estou com um material que pode ser que tenha um problema. Aí eu tenho que acionar a fábrica ali através do SAC ou a loja que me vendeu para mandar um técnico para avaliar se esse material realmente está com problema ou se é alguma característica de produto que ele vai me auxiliar.
Gustavo, você traz um ponto que eu tenho batido muito aqui, que é quando a gente traz esse tipo de abordagem que você traz aqui, é bacana, eu vejo muito isso nos treinamentos dentro da indústria, aí quando você está fornecendo para construtoras e etc. Eu queria que você tentasse trazer alguma reflexão para aqueles profissionais que estão ali no dia a dia colocando ali Imagina que ele pegou aquele trabalho pra fazer o revestimento de um, sei lá, três cômodos. E aí, geralmente, ele não tem esse direcionamento. O que você tá trazendo aqui hoje...
Um direcionamento mais técnico.
É um direcionamento, assim... Eu tô aprendendo muito, confesso. Inclusive, tem coisas aqui que a gente vai abordar mais pra frente, que agora que eu tô pegando aqui uns ganchos com você. E a minha grande... Meu grande desafio é falar com aquele cara que muitas vezes ele não tem uma proximidade nem com a indústria, porque ele não tem um suporte próximo. E ele também não tem, de repente, um engenheiro ou alguém de qualidade dentro de um técnico de uma construtora. Por exemplo, eu queria que você falasse um pouquinho desse desafio. Você sabe, você tem amigos que trabalham de forma autônoma e o que a gente, enquanto... canal, canal assim, pode fazer pra ajudar essas pessoas, porque depois quem pagar a conta é quem vai ocupar aquelas casas, né?
Sim, sim. O trabalhador da construção, se for ver, Paulo, uma das profissões mais antigas aí da humanidade, é o trabalhador da construção. Porque a partir do momento que a gente saiu de caverna, a gente percebeu que ia precisar de casa. Então, o trabalhador braçal da construção civil já é uma das profissões mais antigas. Infelizmente, ainda tem gente que prefere trabalhar de um método muito arcaico. O que eu falo? Os meios de comunicação, a internet hoje, acho que é crucial. Eu fiquei conhecido através da internet. Mesmo fazendo um trabalho muito técnico, O meu setor, que eu atendi, é muito pequeno. Cidade de Mogi das Cruzes é muito grande. Eu não conseguia conhecer Mogi inteiro. Então, eu visitava lojas. Cheguei a dar treinamento até pra vendedor dentro de lojas. Por quê? Porque o cara fazia uma especificação de argamassa ali, vendia um quantitativo de argamassa que não era pra dupla colagem. Na colagem a gente tem um gás quase dobrado, tá?
Sim.
Fala, vai fazer 4 metros com 20 quilos. Cara, não faz.
Não, não dá, impossível.
Tá? Então, preciso lavar. Cara, mas olha, tem a norma. Ai, cara, eu não sabia disso. Então, vamos entender agora.
Independente do quanto a piso que você recebe.
Você entendeu?
Até do tipo de areia, muitas vezes você vai ter um problema, você vai consumir muito mais material.
Então hoje eu acho que essa preocupação, como vem já sendo, como a gente falou no começo, tem que ser da indústria. Tem que levar o conhecimento pra esse cara, porque assim, se o cara tá fazendo lá no interior, numa comunidade, a instalação de placa cerâmica dentro de uma casinha de dois cômodos, quem fabricou essa placa cerâmica? Quem é o maior interessado em trazer qualidade para esse produto final? Porque assim, é uma coisa que a gente tem que ter na cabeça, tá? Se o pedreiro fizer um piso que fica muito bem instalado, esse pedreiro é muito bom. Se o piso ficar mais ou menos, se ficar ruim, o material era ruim. Você entende? Na cabeça dos caras é isso, porque tem esse... Cara, a culpa não foi minha, o material que você trouxe que não era bom.
Sim, e por outro lado, até eu acrescentar um terceiro aí no meio, porque quando eu contratei um profissional pra ir, sei lá, pra fazer essa obra na minha casa, Muitas vezes eu vou pedindo quantidade de argamassa, quantidade de... enfim, de rejunte... Material. Material e tal. Eu vou até adicionar um quarto, tá? Você falou agora há pouco do... quando você chega lá no ponto de venda, lá no PDV, no famoso depósito de material de construção. Quando eu chego, imagina que eu sou... vou comprar esse material. O meu pedreiro ou azulejista especificou uma quantidade. Aí eu chego lá, se eu tenho um atendente preparado, tecnicamente, a minha experiência enquanto investidor, enquanto contratante, pode mudar drasticamente. Até, às vezes, eu romper aquele contrato com aquele profissional que... Eu tô trazendo questões aqui que tudo acontece.
Eu vou te falar de um cara que é sensacional, que eu admiro muito aqui, cara.
Eu acho que... Eu não tô aqui pra... Enfim, pra ficar passando pano, tá?
Não, não, com certeza.
Eu olho muito pras construtoras, eu vivo lá também, mas eu tenho uma preocupação com esse cara que vai...
A gente tem um ponto muito positivo nisso que você tá falando, Paulo. Tem um ponto que ainda, infelizmente, é negativo, tá? Então, vamos lá. Vou ter que falar de um cara que eu admiro muito, que é o Rafael, tá? O Rafael Oliveira. Ele desenvolveu um projeto de treinamento que é sensacional, cara. Um projeto onde eu me incluo, tá? Esse projeto de treinamento, ele pega toda a linguagem técnica, Qual que é o arroba do Rafael? Rafael Ponto Cerâmica, se não me engano. Rafa Ponto Cerâmica.
Vamos colocar na transcrição aqui dos vídeos.
Perfeito.
Aqui das plataformas de arte.
Cara, ele desenvolveu um projeto. Não sei se eu posso falar o nome do edifício da fábrica aqui.
Pode, imagina.
Ele desenvolveu um projeto de treinamento.
Quem sabe depois ela vem e patrocina.
Perfeito.
Já vou ligar pra patrocinar.
Não, pode ligar sim. Fala com o marketing lá, Fábio. Ele desenvolveu um projeto de treinamento pra Embra Macho, cara, que aquilo foi genial. Esse projeto engloba desde a indústria, desde o cara que fabrica cerâmica, ou seja, ele vai fabricar cerâmica entendendo como se assenta, por quê, por que tem que ter aquele limite de tamanho controlado, por que não pode ter uma curvatura de ponta que vai atrapalhar lá no final, ou seja, ele capacita o cara dentro da fábrica, ele capacita o especificador, o arquiteto, o gestor de obra, o engenheiro, ou seja, o pessoal que vai trabalhar com especificação de revestimentos. Ele capacita o vendedor, O lojista e o instalador com a mesma mensagem, só muda um pouco a forma de linguagem. E assim, pra você ter uma ideia, eu sou o responsável lá por capacitação dos profissionais instaladores, os assentadores cerâmicos, os azulejistas. E aí tem o pessoal, uma arquiteta que é responsável pelos arquitetos e tal, mas a gente fala a mesma língua. Tanto que, às vezes, a gente faz treinamento junto para o arquiteto, a mensagem que ele fala é a mesma que eu falo, só muda um pouco a linguagem. Então, quando eu falo com o arquiteto, quando a gente faz junto, o arquiteto até fala, pô, ficou muito mais legal, porque ele fala do jeito de pedreirão. Então, assim, é a mesma mensagem. Muda um pouquinho a forma de falar, mas é a mesma mensagem. Se o arquiteto entende, por exemplo, vamos lá, de absorção de produto. Vamos falar de absorção. Tem um porcelanato que tem 1.000% de absorção, você tem uma cerâmica entre 6% e 10% de absorção, você tem um monoporoso ali que é acima de 10% de absorção. A colagem da argamassa é relacionada sempre à absorção do produto. Quanto menor a absorção, mais forte tem que ser a argamassa, porque ela não tem o poder de penetração para a colagem mecânica. Se o arquiteto entende isso, ele jamais vai pegar uma C1 e pedir pra misturar alguma coisa pra colocar uma cerâmica na área externa. Porque ele sabe que pode me dar problema depois. Se o vendedor sabe disso também, ele não vai especificar uma C1 pra área externa. Se o instalador sabe disso, chegou uma C1, ele vai falar pro cara, C1 não, pode devolver, troca por uma C2. Você entende que é a mesma mensagem?
E agora eu quero te fazer uma pergunta, tendo em vista que você tocou no assunto do AC1, AC2, AC3. Você acha que AC1 deveria existir? A argamassa AC1 deveria existir? Não vale... Fica em cima do muro.
Eu tenho, eu tenho a resposta técnica e eu tenho a resposta... Cara, é você, tá? Profissional, tá?
Fala você.
Resposta profissional. Você colocaria na sua casa? Por limitações, não. Não colocaria uma C1 na minha casa, tá? Mas vamos lá. A gente tem, é como a gente falou, a gente tem uma comunidade lá. Qual que é a aplicação da C1? Normativamente, a norma que regulamenta a produção de argomas comantes é a 14081, tá? É mais barata, é mais fácil de trabalhar, porém é limitada. Tudo que é mais barato é mais fácil, mas limitado. Qual que é a especificação de AC1? Revestimentos cerâmicos, o fabricante vai determinar ali um limite de formato, tem fabricante que especifica até 60x60, outros até 80, e tem fabricante que já fala que a AC1 dele instala até 1x1. Inclusive até em áreas molhadas não impermeabilizadas, ou seja, aquela que recebeu uma impermeabilização por baixo do contrapis, da argamassa de regularização. Então vamos lá, AC-1 para ambiente interno. Se eu comprei uma cerâmica bem baratinha para colocar na minha sala, eu vou querer pagar caro numa argamassa para colocar? Eu vou comprar também uma argamassa mais baratinha, então parto com uma AC-1. A AC-1, se eu respeitar todos os critérios dela, Ela vai funcionar tão bem quanto uma C2. Mas se eu tenho uma cerâmica externa, por mais barata que ela seja, eu tenho necessariamente que usar uma C2. Então eu preciso ter um conhecimento técnico. O vendedor passa por uns perrengues na loja e entra no outro ponto da sua primeira pergunta. Ele passa por uns perrengues na loja que é o seguinte. Você está construindo sua casa. Você contrata o melhor engenheiro, o melhor arquiteto e você compra na melhor loja o material da sua obra. Porque você quer o melhor pra você. É o teu sonho, cara. A gente fez uma pesquisa lá, pesquisa de dados oficiais. 87% da população brasileira, que diga mundial, a pesquisa é brasileira, mas que diga mundial, tem o sonho que é construir a casa própria. E os responsáveis por realizar esse sonho somos nós. E a gente também tem o poder de transformar isso num pesadelo.
Sim.
Tá? Na maioria dos casos é isso. Então, o que que acontece? Você contrata o melhor engenheiro, o melhor gestor, o melhor arquiteto, compra seu material na melhor obra. Se o teu pedreiro não for o melhor, você pôs a perder todo o projeto. Todo o projeto. Tá? E o pedreiro, na opinião ali do construtor, do cara que contratou toda essa galera, é o cara que mais tem voz. Porque se o arquiteto chegava assim, ó, compra dessa marca aqui que é boa. E o Pedro fala, não trabalhe com essa marca que é empenada. O cliente vai falar, cara, é esse cara que instala e eu não vou comprar dessa marca.
Justamente por isso que eu tô chamando atenção aqui, inclusive pra própria indústria, né? Olhem mais pra esse profissional. Então, quando você falou lá atrás dessa questão do tipo de revestimento, né? Então, se você usa um revestimento claro, óbvio que você tem que usar um argamassa colante clara. Só que o óbvio, assim, eu tô falando óbvio, mas na prática também acontece o contrário, né?
Escolher uma argamassa colante é três perguntas, né? Eu adicionaria uma quarta hoje, né? Hoje a gente tem os métodos de construção a seco, então entrou uma quarta pergunta, mas são três perguntas no geral, tá? O que eu vou instalar? Aí a gente vai pra tipificação de placas, tá? Que a gente tem os revestimentos naturais, a gente tem as placas cerâmicas que são normativas, você vai ter porcelanato, grez, semigrez, a cerâmica B2B, né? Que é a cerâmicazinha vermelha que a gente conhece, e o monoporosa. Então tem que saber que tipo de revestimento eu vou instalar, porque cada um tem o seu grau de absorção. Você tem o porcelanato que é 0,5%, gresse que é de 0,5% a 3%, semigresse que é de 3% a 6%, cerâmica entre 6% e 10%, monoporosa acima de 10%. A argamassa, a colagem dela é muito relacionada, como eu falei, à absorção. Quanto menor a absorção, mais forte a argamassa. Segunda pergunta, qual o tamanho do seu revestimento? Porque eu tenho limitação de formatos nas argamassas colantes. Eu tenho argamassas que são para formatos até 60, 80, 90, 1. médios formatos, grandes formatos e lastras. Então eu tenho argamassas específicas para cada tamanho de revestimento. Então eu preciso saber qual o tamanho. A terceira pergunta, qual o ambiente que vai ser aplicado? Porque eu tenho argamassa para interno, para externo, para saunas, piscinas, churrasqueiras, fachadas, garagens, ou seja, eu tenho argamassa para cada tipo de aplicação. Então eu preciso saber aonde vai ser aplicado esse revestimento. E uma quarta pergunta que eu adiciono hoje é, qual o substrato que vai receber? Porque antigamente se aplicava só em argamassa básica, ou seja, só em contrapiso ou reboco. Hoje você tem o acartonado, você tem a placa cementícia e aí eu preciso de uma argamassa que permita essa instalação também.
É, e a gente vai falar um pouquinho de industrialização também que entra nesse aspecto aí do tipo de... é de substrato que vai receber esse revestimento. Então, isso é um ponto importante.
A gente tá falando substrato aqui, tá ficando até politicamente correto, né? Gente, é o tipo de parede e o piso que você vai instalar, basicamente é isso.
É, tipo de piso e parede, tá? Pra que todo mundo entenda.
Como foi feita a sua obra? De concreto, de steel, de wood, de frame?
Então, dá um exemplo. Você que... imagina que você vai colocar um revestimento na... num banheiro ali de uma empresa, que geralmente esse banheiro ele foi todo revestido com... O fechamento foi ingesto acartonado, enfim, de repente um outro tipo de placa...
É interessante também a gente entrar nesse tema, Paulo, porque o acartonado também não é qualquer acartonado que aceita instalação de revestimentos, tá? Então você tem o acartonado...
É, mas hoje você tem não...
É, você tem o produto que passa, né? O acartonado sim... Não, na verdade o acartonado ele aceita, só muda o tipo de trabalho que é feito, né? Você tem um acartonado que tem uma necessidade de impermeabilização, você tem um que não. Eu, como profissional, sempre recomendo que passe ali uma camada de proteção. Mas em todo?
Mesmo que não seja área molhada?
Mesmo. Por quê? O que que acontece? Você tem um acartonado, que é uma placa ali, que tá forrada com papel impermeável. Vamos colocar isso assim, tá? Só que você tem os furos que você fez pra fazer parafuso, né? Aí você tem parafuso, que é metal, né?
Sim.
Aí você tem argamassa, né? Que foi água.
Ah, tá certo.
Então você tem que passar alguma coisa ali pra impermeabilizar, pra proteger essa estrutura, né? Porque a água é assim, a água ela só precisa de um pontinho. Ó, o maior problema que a gente tem hoje em fachada, capilaridade. O que que é capilaridade? Aquelas manchinhas brancas que dá ali no rejunte. a capilaridade é sempre água por trás da placa cerâmica. A água está entrando ali e expulsando os sais pela junta. Então você percebe que às vezes uma parede bem feita até, bem forradinha, tudo bonitinho, tá com rufo, mas em algum ponto no rejunte ficou uma falha, tá entrando água e tá tendo problema de capilaridade.
É, e dependendo do local que foi instalado, até o próprio ambiente, né? Ele acaba suando ali e acaba absorvendo Algum tipo de lago ali.
Um problema clássico de construção que os técnicos batalham para resolver e parece que a gente vai conviver com isso. Porque até hoje, cara, infelizmente.
A gente vai ter que fazer mais uns episódios aqui.
Vamos ter que fazer.
E outro vai ser bem legal porque eu vou trazer um pedreiro. Vou trazer um arquiteto pra entender como que ele, na hora que ele tá projetando ali, se ele pensa em tudo isso, né? Porque ele tá especificando e... Ou ele tá, de repente, só transferindo a responsabilidade técnica.
A gente fez um treinamento ali em Santa Catarina, que foi meio loucura, assim. A gente tava na loja, tinha um treinamento mais à noite, E aí tinha um treinamento pra arquitetos, que era meados de duas horas da tarde ali, que ia ser um café com os arquitetos, né? E aí tava eu e o Rafael, a gente fazendo esse treinamento e tal, esse bate-papo com o pessoal. E aí o dono da loja, o gerente da loja falou assim, e se a gente chamar os pedreiros? Cara, mas o treinamento é pra arquiteto, geralmente a gente não misturava muito o público, né? Ou era gestores e arquitetos, ou era profissionais braçais. E aí, nesse treinamento em específico, o cara falou, vou chamar, vou chamar os pedreiros. E a gente ficou com medo, vai dar um quebrapau aqui, porque sempre tem aquele negócio do arquiteto com o profissional instalador, aquelas rinches, aqueles negócios. E cara, foi acho que um dos melhores que a gente já fez. Porque os caras traziam a visão, porque é muito um bate-papo, sabe?
Sim, sim.
Os caras traziam a visão deles sobre o projeto, E o arquiteto entendia tanto a visão de instalação quanto também o profissional entendia a visão de desenhar, de combinação. Olha, se o arquiteto especificou esse revestimento do aparelhista pro piso, cara, não posso inverter porque vai dar problema. Se ele pediu pra eu colocar o recorte pra lá, provavelmente ele especificou ali no acabamento do móvel ali, então você respeita o projeto, assim.
E é legal esse entendimento do porquê que o arquiteto pensou dessa forma, porque no momento que eu estou aplicando, eu não vou, em hipótese alguma, fazer aquilo que eu entendi. Não, peraí, deixa eu entender. Caso eu não entenda, e se você tem um canal aberto com arquiteto ou escritório de arquitetura, Eu acho que você consegue aí chegar num resultado muito bacana.
Eu mudei muito a minha visão sobre arquiteto. Eu mudei muito. Eu tinha também.
Que bom, né?
A gente tem o cultural, né? Meu pai não gostava de arquiteto, então por meu pai não gostar, eu passei a não gostar de arquiteto também. E aí assim, não gostar assim não é um bom sentido, né?
Não, eu sei, aqui tem aquela coisa, né?
É, eu não odeio o arquiteto.
Dizem que o arquiteto é vaidoso, mas o arquiteto você não é vaidoso, tá? Eu te defendo aqui.
E aí o que que acontece? A gente tinha esse negócio. Até um projeto que eu fiz de uma cozinha, que o arquiteto pediu pra sair com um recorte na entrada. e jogar inteira pro fundo. E aí, cara, aquilo me... Porque assim, meu costume de trabalhar sempre se saía com pedra inteira na entrada. Não existe isso de sair com recorte. Aí o cara tá errado, eu chamei ele... Não, Gustavo, você vai sair com recorte aqui, pode sair com recorte que vai dar certo. Eu, cara, não vai dar certo, vai ficar feio isso aqui, cara. E aí, contra a minha vontade, eu fiz. E aí depois, a obra pronta, já entregue, o arquiteto pediu pra eu voltar lá pra dar uma olhada numa peça que o pessoal foi furar e tinha estragado pra trocar. Cara, quando eu vi aquela cozinha pronta, com os móveis instalados, eu não vi mais o recorte. E aí dava pra ver as peças inteiras onde ele mandou. Aí eu falei, ah, agora eu entendi. Daí pra lá, nunca mais eu questiono nenhuma página do arquiteto.
Então, mas você percebe se a gente começa a levar esse tipo de conteúdo, de conhecimento, para esses profissionais.
Muda a visão.
Inclusive, principalmente, o profissional generalista, né? Que é o pedreiro que faz um pouquinho de tudo. Porque, no final, acho que todo mundo quer uma boa estética, quer uma boa qualidade de aplicação.
Isso também é cultural, tá?
É cultural, você vê. Ainda está se usando aquelas famosas soleiras dividindo Um ambiente do outro?
Aí é nesse ponto que o arquiteto tem que conversar muito com o instalador. Porque, vamos supor, o arquiteto fez o melhor projeto ali, com um formato bacana, né, de revestimento, um 90 por 90, qual que é o médio aqui, vai? Num apartamento de 70 metros. E aí eu tenho três quartos nesse apartamento. Então eu vou ter três entradas onde eu vou ter que entrar com revestimento ali, sem soleira. Pode ser que em alguma dessas portas eu tenha um recorte que não é possível executar, tá? A gente chama de indesequível, né? Então, recorte que é impossível de ser feito. Pra fazer esse recorte, eu teria que fazer um corte no revestimento que ficaria muito mais horrível do que uma soleira. Então, a gente precisa conversar, arquiteto e instalador.
Mas você não tá dizendo que a soleira tá feia.
Não. Cara, eu particularmente prefiro não trabalhar com soleiro. Eu trabalho muito com visão, sabe? A gente que trabalha com acabamento, você tem que ter uma visão muito apurada. E eu particularmente não gosto de soleiro. Eu prefiro também trabalhar com investimento interno. Mas assim, é executável? Dá pra colocar esse recorte? Porque às vezes você tem uma entrada ali que pega duas portas e você tem uma pedra bem no meio. Então, olha, arquiteto, dá pra gente mudar um pouquinho essa paginação aqui? Porque esse recorte aqui é impossível de fazer. E se a gente colocar, dividir um pouquinho mais pra cá, a gente vai matar ficando uma porta só, dá pra entrar com ele tranquilo, tá? Outra questão, as portas. Eu tenho uma exigência normativa de deixar um ângulo arredondado em todo corte que tenha 90 graus. Então, basicamente, eu tenho um corte em L para fazer, eu tenho que deixar esse canto arredondado. Isso é técnica e o pessoal da obra até fala assim, mas é frescura. Não é. Se você pegar uma folha de sulfite, fizer um corte nela, Um corte de 90 graus e puxar as duas extremidades, você vai ver que ela rasga com facilidade. Se você fizer um corte arredondado e puxar as duas pontas, você vai ver que ela tem muito mais resistência.
Acabei de aprender mais uma.
Então, basicamente, um canto arredondado, isso é ciência, tá? É um ponto de resistência. E um canto vivo é um ponto de ruptura. Por que os revestimentos trincam nas janelas, nas portas? Geralmente porque não tem essa técnica que a gente chama de distensionamento. E aí eu tenho que deixar esse canto arredondado. E aí eu tenho uma passagem de porta. Se eu já tiver com os batentes instalados, tá? Um canto arredondado no corte desse batente vai ficar horrível. Porque o ideal é um corte mais justo, tá? Um corte mais aparente.
Gustavo, mas é importante isso que você está trazendo? Porque quando você faz esse tipo de corte arredondado, quando você vem, de repente, com um rodapé, você acaba tampando.
Sim, mas aí você tem corte aparente, como um ralo oculto, por exemplo. A Norma me fala o seguinte. A partir de 6 milímetros. Então se eu vou fazer um ralo oculto, eu distensiono com uma broca de 6mm, fica um canto levemente arredondado e fica muito bacana o serviço, fica legal. E com resistência, com garantia. Tenho certeza que essa pedra do ralo não vai trincar no futuro. Quando eu vou fazer um corte, que vai um rodapé em cima, um rodapé de 10mm, de 12mm, aí eu uso uma broca boa, porque quanto maior o arredondado desse ângulo, mais resistência ele tem. Esse teste a gente já fez em treinamento na prática, tem até gravado isso, tá? Com o instalador ali a gente faz um cortinho em U numa placa, um canto com um furo com uma oroca de 30 milímetros, que seria ali pra um canto onde vai a roda pé em cima, tá? E o outro cortado só numa quita retinha em 90 graus, tá? E a gente pega na frente dos caras no treinamento, cara. Por isso que eu tô lá, a gente faz a parte prática. Cara, na frente deles, eu pego assim a placa que tá cortada com ângulo arredondado, a gente enverga ela, a gente já chegou a encostar as duas pontas levantando quase dois centímetros no meio.
Não quebrou.
Não quebrou, virou um C. E o outro lado, você só encosta a mão, ela já abre aquele fiozinho de cabelo.
Eu nem quero ver o seu vídeo, na verdade. Eu queria ver com você se existe a possibilidade de a gente começar de alguma forma fazer esse tipo de conteúdo, porque eu tenho muito interesse de, sabe, fazer mesmo. Se a gente grava aqui esse bate-papo, mas um bate-papo real, igual a gente tá fazendo aqui, sem corte e tal. E aí a gente tem, né, toda uma estrutura de... uma estrutura audiovisual pra mostrar, porque dessa forma a gente consegue atingir um número absurdo de pessoas, porque quando eu falo que dessa forma a gente acaba trazendo uma credibilidade muito maior, é porque a gente vive muito na facilidade de corte. Às vezes você... mostra uma coisa, porque a gente tem que tomar muito cuidado com as redes sociais, que às vezes eu mostro uma coisa que na verdade não é aquilo que aconteceu.
Acontece muito.
Então a gente tem que tomar muito cuidado, tem muitos influencers aí.
Tem até um caso engraçado que aconteceu. Esses dias um cara chegou pra mim e falou assim, no treinamento assim, Gustavo, você consegue fazer meia esquadrilha numa riscadeira? Riscadeira, pra quem não sabe o que é, é uma máquina, que não é elétrica, tá? É uma máquina pra corte reto. Então, basicamente, uma vidia, que a gente chama de vidia, um diamantezinho, um rodelzinho de diamante, que você risca o revestimento reto, ela só faz corte reto, tá? Basicamente, é só corte reto. Pra fazer outros tipos de corte, circular, corte 90 graus, eu vou usar outros equipamentos abrasivos. Essa máquina é só pra corte reto, tá? Independente do tamanho ou do tipo de máquina. E aí ele chegou e falou, Gustavo, você consegue fazer um corte em meia esquadria numa escadeira? Eu pensei assim, falei, cara, é impossível fazer um corte em meia esquadria numa escadeira. Ah, porque eu vi um vídeo na internet que o cara faz. Eu falei, não faz não, é? É como que faz? Ele falou, não, o cara risca aqui, pega a espessura do revestimento, vira ele de tardoz, risca a parte de trás, risca a parte da frente e corta. Eu falei, cara, quando acabar o treinamento, você conversa comigo, você tem esse vídeo? Tenho. Você me mostra. E aí ele mostrou. Cara, o cara fez uma edição e cortou bem na hora de fazer a separação. Foi lá, cortou a peça, voltou. Eu falei, cara, ele não cortou aqui. Não, cara, mas... Falei, cara, esse vídeo tá editado, ele cortou. Mas e pra eu convencer esse cara aqui?
Não, tem que tomar muito cuidado, porque as pessoas acreditam que aquilo de fato aconteceu.
É, acredito. A internet, ela tem o lado bom e o lado sombrio, né? Você tem o lado bom, que é fazer um trabalho igual a gente faz, de capacitação, trazendo valorização pra mão de obra, porque isso é importante, tá?
Sim, sim.
Conhecimento ele valoriza. É... treinando o profissional para estar apto a fazer um bom trabalho e preparado tecnicamente para debater até com quem seja necessário. Conhecimento traz autoridade. E tem o outro lado, o lado negro, que é o cara que se dá voz, eu costumo dizer que dá voz a pessoas que tem um pensamento negativo, vamos colocar assim.
É, na verdade que eles fazem tudo por likes, né?
Enfim... Tem o cara que realmente ele quer fazer por like, tem esse cara, que ele inventa qualquer coisa, faz até dancinha ali por like. E tem o cara que ele tá mal intencionado. Tem o cara mal-intencionado, tá? O cara que vai pra internet e fala, eu vou difamar a marca, eu vou difamar o profissional, eu vou... Tá, pra você ter uma ideia, o clipe nivelador. O clipe nivelador é um equipamento. Sim. Tem um cara que... Tem um canal até conhecido que bate no clipe, diz que quem usa clipe nivelador não sabe trabalhar.
Não, eu já vi. Inclusive, é... Assim, eu vejo aquilo... Assim, eu não tô aqui pra criticar e ficar apontando ninguém. Mas eu fico extremamente chateado, porque... E se a gente, em paralelo, fizer o nosso trabalho, mostrando a forma correta de aplicar, se juntando aí com outros profissionais, por exemplo, como a Suelen Pedreira, que é um exemplo de profissional... Conheço, gente boa. ...que pratica uma mão de obra ali, bacana, que também investe em boa formação. Acho que a gente tem que juntar essas pessoas para que a gente consiga.
De fato, mudar a realidade da construção civil brasileira. Isso é uma coisa muito bacana que vem acontecendo. Sabe uma coisa muito bacana que vem acontecendo com a construção? No tempo que eu comecei ali com meu pai, a gente não tinha mulher em obra. Hoje eu conheço pedreiros, eu conheço pintoras, eu conheço azulejistas. Tem muita azulejista que me acompanha, que aprende bastante coisa. A gente faz treinamento. Não é um número expressivo, mas sempre tem uma mulher ou outra. Teve treinamento que a gente foi fazer no interior de São Paulo, que tinha três azulejistas ali. Tem as que trabalham com família, com filho, com marido e tal. E tem as que são azulejistas. Eu conheci uma em específico ali em Goiás. que ela é mestre de obras, deixou a profissão de mestre de obras, para trabalhar como asologista.
E cara... E tem tudo a ver, né?
Não, sensacional. Uma pessoa...
Diga-se de passagem, eu recebi outro dia aqui a Creuza Soldadora, que trabalha com solda aqui. Esse cara aqui, profissional é aquela, né?
E as mulheres têm isso, né? Porque elas vão mais atrás de conhecimento. O homem parece que não liga muito. Ah, eu sei fazer.
Eu costumo dizer que a mulher, ela é mais engajada com qualidade, assim, né? Não tem aquela coisinha do jeitinho brasileiro com ela. Não, tem que ser muito... E falou.
De acabamento, meu amigo.
É, é...
A qualidade, o conhecimento, você trazer o... Aquele pontinho a mais de qualidade faz toda a diferença.
Tenho cuidado. Inclusive, eu levo meu carro pra um lava-rápido que... São mulheres que lavam assim, né?
E às vezes é só um detalhe, né? O silicone que ela passa no painel é diferente. Mas é impecável.
Agora eu queria aproveitar que a gente está nesse tema e te perguntar se existe habilidades ou conhecimentos fora da área técnica que ajudam você a se destacar na profissão?
Cara, acho que não adianta nada você ter o máximo de conhecimento e não saber fazer. É por isso que eu falo, aí a gente volta lá nos três pilares. É conhecimento, equipamento e prática. Adianta nada eu conhecer todo o processo, saber como se instala cerâmica e não saber instalar. O nosso trabalho é muito físico, Paulo. Você tem que ter uma memória muscular, vamos colocar assim, de execução. Um cara que nunca instala o revestimento, mas que estuda isso há 10 anos, vamos dar o exemplo aqui do Rafael novamente. O Rafael, cara, ele conhece cerâmica de cabo a rabo, ele conhece todo o processo, mas ele nunca cortou uma placa de cerâmica. E ele não se atreve, ele falou, Gustavo, eu não sei cortar. Imagina, um cara... e assim, aí nesse ponto a gente tem que tomar muito cuidado, né? Trabalhar com obra se aprende na prática. Não dá pra aprender a trabalhar com obra online, tá? Isso é uma coisa que... Existe uma promessa muito grande em cima disso. Eu, particularmente, não acredito, tá? Se você fala pra mim, Gustavo, eu fiz um SENAI, eu fui pra um instituto da construção, fui pra uma escola, e eu me formei pedreiro lá. Eu falo, ok, você aprendeu fazendo. Porque lá eles ensinam na prática, né?
Sim, sim.
Agora você fala, eu fiz um curso online. Cara, não cai nessa.
Eu ia te perguntar, essa questão aí de curso online, mas aproveitando que você tocou no assunto, imagina que eu quero fazer um curso. Enfim, de repente presencial. Mas de repente eu faço um online pra ter um conhecimento básico. Você recomendaria assim? Primeiro online, depois... Sim, um técnico. Vamos lá.
Você pode fazer tanto um primeiro, depois o outro. Tanto o outro primeiro, quanto depois o um, tá? Você vai fazer um curso prático, vai, um Senai. Eu fiz alguns cursos no Senai, tá tua pele ali. Geralmente instalação de pedras especiais. Os cursos são lá, né? E cara, é sensacional. Os professores, eles estão treinados a te ensinar a instalar revestimento. É outra vida. O cara vai pegar um curso, vamos supor, fiz um curso lá de instalação de pedras cementícias, foi uma semana de curso. Dois dias técnico, você vai sentar numa sala de aula e estudar normativa, aprender a técnica do produto, por que eu tenho que usar uma argamassa assim e outra X, como que faz um tipo de colagem, como que a absorção funciona pra fazer uma colagem mecânica, ou seja, você aprende o técnico. E depois você fala, ó, beleza, vocês já sabem tudo, agora vamos instalar. Aí você vai lá pra prática, você vai pegar pedra, você vai passar argamassa nela, você vai cortar ela com uma serra mármore, tá? Então, ou seja, eu acho que é muito bacana. Você fez um curso do Senai? O curso do Senai, se não me engano, são 120 dias ali pra fazer um curso de azulejista, tá?
120 dias?
É, se não me engano, acho que é isso. Obviamente, você não vai sair de lá um zoologista profissional.
É, mas é aquela coisa, né? Você consegue sair com a base... E.
Vai praticando e vai aprimorando. É, você vai sair com... Um engenheiro que se informa numa faculdade, ele também não sai de lá um engenheiro consentuado. Ele vai sair, vai trabalhar e vai pegando, formando a sua base ali, né? Zoologista é a mesma coisa. Não dá pra... Nada se constrói... Acho.
Que ele não toma profissão, né?
É. Nada se constrói do dia pra noite, tudo leva tempo. Então vamos lá. Fiz um curso do Senai, aprendi o básico de instalação, fiz o prático também. Aí eu quero fazer um curso online com um especialista da área ali pra entender mais profundamente a minha técnica. Cara, é sensacional. Bom, eu não tenho curso online, tá Paulo? Não vendo. Todo o meu trabalho é feito de forma didática e gratuito. Ou eu tô na internet, ou eu tô num curso presencial que alguém pagou pra eu estar lá. O profissional não paga nada por isso. Mas tem alguns profissionais, vamos supor, com 20 anos de experiência. Cara, esse cara já passou por muita coisa. Ele tem uma bagagem de conhecimento que pra você que tá começando agora, vai ser sensacional. Mas do teórico... do teórico. Não dá pra eu pegar, comprar o curso desse cara online, nunca peguei numa serra-mármore na vida, receber um diploma digital e no outro dia manusear uma serra-mármore. Cara, eu vou me machucar, vou me acidentar. É arriscado fazer isso. Não dá. Eu tenho que ter uma afinidade com o equipamento. A gente trabalha com equipamentos que são perigosos. A construção civil é um dos setores que mais tem acidente de trabalho no mundo. Por quê? Porque é uma profissão arriscada.
E, de novo, Segurança do Trabalho, geralmente... Enfim, é Segurança do Trabalho e RH. São as áreas menos valorizadas dentro das empresas. É uma pena.
Por quê, né?
Por quê?
Por quê?
E, geralmente, quando você entrega uma obra, que você tem acidente zero, né? Todo mundo comemora, porque no final, enfim, é sensacional.
Você já vê que assim, meu pai falava assim pra mim, meu filho, se tem uma placa que não jogue lixa, é porque alguém já jogou.
Alguém já jogou.
Você entendeu? Se o cara comemora que não tem, é porque tem, tá? Então, o que que acontece? Eu trabalhei em construtor 10 anos, por isso que eu tenho essa afinidade melhor hoje com o uso de EPIs. Você vê um vídeo meu trabalhando na internet, o pessoal às vezes vê, Ele fala, ah, mas você trabalha todo equipado, como é que você consegue trabalhar desse jeito, cara? Eu aprendi a trabalhar assim, é prática. Eu trabalho com protetor auricular, luva, óculos, bota especial, uma roupa que protege todo o corpo, tudo isso é equipamento, é EPI, isso é equipamento de proteção individual.
Gustavo, e de acordo com a sua experiência, o que você acha que os clientes mais valorizam no azulejista?
Num azulejista que é um profissional de acabamento e capricho. Sempre, tá? E aí o azulejista fala assim, ah, o importante é resultado final. Não é, cara. Que imagina só, opa, vamos lá, você comprou o melhor revestimento pra tua casa, tu pagou caro naquele revestimento. Você contratou um azulejista, ou seja, um profissional especialista, porque a gente tem o pedreiro que instala revestimentos, que é o pedreiro geral ali, né? Não é uma profissão tão boa quanto qualquer outra. Você tem o pedreiro de acabamento, você tem o pedreiro geral, você tem o pedreiro de alvenaria, você tem o pedreiro de embolso, você tem divisões aí de pedreiro. Quando você tem um pedreiro geral, ele é como se fosse, levando pra medicina, um clínico geral. Ele não vai fazer uma cirurgia de cardiologia em você, mas ele é um médico também. Agora você, ah, tá com problema de coração, ok. Aquele clínico geral ele vai te direcionar pra um cardiologista, saiu da alçada dele, tá. Infelizmente a gente tem alguns profissionais que por arrogância acabam não fazendo isso. Você tem profissional também que tem essa humildade, tá.
E quando você fala do capricho, a limpeza no processo de aplicação, isso conta?
Todo o processo. Você comprou um revestimento ali que você pagou 500 reais no metro dele. Se o cara tá trabalhando de chinelo, meilando o bicho de argamassa todinho, arrastando um balde em cima, você vai achar.
Que... Você sabe que eu já fiz muita coisa assim.
Você vai falar, cara, pelo amor de Deus, o cara tá jogando meu dinheiro fora.
Eu já apliquei, assim, muitos revestimentos e quando eu tava aplicando, O que eu... Assim, eu recebi muitos elogios por donos mesmo de obras assim, que era... Quando eu tava aplicando, você não via uma sujeira, assim. Então, já vinha trazendo tudo limpo, aí colocava ali duas fileiras, limpava e vinha fazendo o negócio.
Tem um sistema que é japonês, que é o 5S, com certeza você conhece.
Sim, conheço.
A organização, né? A organização no... O que que eu faço? Qual que é o meu diferencial? Então, os clientes que fazem trabalho comigo, eles falam... Não colocando eu acima de ninguém. Mas entendendo que tem profissionais que trabalham assim como eu, de forma organizada, que eles são mais valorizados pelo cliente do que outros profissionais.
Como? É perceptível.
Eu chego no ambiente de trabalho, a primeira coisa que eu faço é proteger tudo do cliente que não vai... vamos supor, vou fazer uma reforma. A sala a gente não vai mexer, vai mexer só na cozinha. Vamos proteger com plástico aqui, vamos forrar as coisas dele pra não pegar poeira. Meus equipamentos, todos organizados. Eu tenho as caixas ali, a caixa pra equipamento básico, equipamento elétrico, os meus abrasivos, as bancadas montadas pra fazer os cortes, tudo organizado. argamassas, revestimentos, tudo em pilhas corretas, argamassas empilhadas da forma correta com a embalagem sempre virada para o mesmo lado, por quê? Porque eu tenho que olhar o carimbo para saber se está tudo ok, revestimento conferido, então todas as embalagens também viradas ali com o carimbozinho onde eu vou conferir lote, cálibre, tonalidade, referência, toda para a mesma posição, fica mais fácil para eu conferir tudo organizado, vou começar o ambiente que está sempre limpo Antes de encerrar meu dia, se eu vou encerrar às cinco, eu já paro às quatro e meia, já limpo tudo, deixo tudo organizado para o dia seguinte. Se eu tô mexendo com argamassa, todos os equipamentos de argamassa, eles ficam no local só. Se eu tô mexendo com corte, todos os equipamentos de corte ficam no lugar só. Isso é organização. Eu trabalho com cinto, né? Eu trabalho com cinto do lado. Isso é baseado até em métodos europeus. Por quê? Foi difícil me acostumar no começo. Porque você trabalha com penduri, cara, incomoda. Mas, cara, depois que você se acostuma, você não quer outra vida. Quanto tempo você perde dentro de uma obra procurando um lápis? O lápis soma demais, cara. Então vamos supor que você perdeu o lápis 10 vezes no dia. A gente trabalha com umas leis e você faz muito recorte. Você perdeu o lápis 10 vezes. Você teve que gastar 5 minutos procurando. Foi 50 minutos que você perdeu procurando lápis.
As pessoas perdem a marreta de borracha.
Você entendeu? Se tá pendurado aqui do lado, ou seja, as ferramentas que eu mais perco, que são o lápis, o metro, eu trabalho com metro ainda, nesse lado eu ainda sou meio raiz, a trena, a minha espátula, uma truqueizinha, eu sempre tenho uma por perto pra tirar um cantinho ali, ou seja, os meus equipamentos de uso contínuo, aqueles que eu perco muito, que são pequenos, eles estão aqui no meu cinto. Eu deixo de perder. Então eu deixo de procurar. Então é 50 minutos a mais que eu trabalho do que os outros caras. Então eu tenho um rendimento maior.
E você falando isso, dependendo do profissional que tá assistindo ou ouvindo a gente em alguma plataforma de áudio, tem gente que fala que o tempo que ele tá ali, sei lá, limpando alguma coisa, ele tá produzindo. E uma vez eu fui fazer um treinamento numa indústria e nós colocamos duas câmeras gravando dois profissionais. Um que tinha o hábito de praticar o 5S o tempo todo.
Mais organizado.
Estava organizando ali o tempo todo. E o outro ia lá. Cara, foi assim... A produtividade do que trabalhou de forma organizada assim é absurda. Assim, chega no final, cara, não tem nem comparação.
Não tem comparação.
Agora, eu tenho uma outra pergunta. Quais são os erros mais comuns que você vê na obra por falta de capacitação técnica?
Eita, a gente tem diversos. A trinca de canto é clássica, tá? Trinca de canto é clássica. Ou seja, você tem uma janela, um vitor, sempre você vai ter uma trinca de canto. Ou seja, falta de distensionamento. Erro de corte, erro de execução. Isso não tem garantia.
Nesse sentido, esses profissionais, eles podem ter um direcionamento se, imagina que eu sou um arquiteto, quando eu trabalho ali de repente com algum engenheiro, parceiro, ou eu mesmo sendo arquiteto, eu tenho um conhecimento, um pouco de conhecimento com engenharia, você acha que eu consigo evitar esse tipo de coisa direcionando aqueles aplicadores? Porque você falou lá atrás de comunicação, eu acho que comunicação é o... É fundamental em qualquer área.
Consegue, se eu souber, como faz. É importante isso, tá? Da mesma forma que você tem o profissional. Existem duas formas de errar, vamos entrar aqui pelo princípio. Existem duas formas de errar, Paulo, por inocência ou por imprudência. Se eu sei o jeito certo de fazer e insisto em fazer o errado, eu estou errando por imprudência. Se eu não sei o jeito certo de fazer e faço do jeito que eu sei fazer, eu estou errando por inocência. Grande parte dos profissionais erram por inocência. Ele não sabe o jeito certo de fazer. Tem uns que se recusam a aprender, outros realmente nunca tiveram acesso. Nunca ninguém chegou para ele e falou assim, cara, você está fazendo um corte de 90 graus, tem que ficar com o canto arredondado. Aí o cara fala, tá, mas como que eu vou deixar esse canto arredondado? Você tem que saber explicar. Você vai usar uma broca de no mínimo 6 milímetros pra fazer esse furinho no canto, isso a gente chama de distensionamento, depois você faz o corte normal com a serra mármore.
É, e quando você fala desse equipamento, dessa broca, ela é uma broca específica, né?
Não é qualquer broca.
Então, essa capacitação é importante, porque Se o profissional não souber o básico, por exemplo, o que é uma broca de madeira, o que é uma broca de aço, o que é uma broca específica...
Isso, você foi num ponto agora que... é onde eu falo que muita indústria tá perdida no treinamento. Tem muitas empresas que tão fazendo treinamento, tá? Mas se você for ver... É um treinamento muito voltado pra especificação, cara. Aí chama lá 20, 30 pedreiros ali pra uma loja e vai fazer um treinamento. Vamos supor, a empresa de argamassa vai falar da argamassa deles. A empresa de revestimento vai falar do revestimento deles. Mas é muito voltado pra especificação. Eu sempre vou dizer, o meu revestimento é o melhor.
Sim, na verdade, a gente sempre viveu assim. É cada um defendendo o seu. A gente tem uma rua ali, você tem vários moradores, é cada um defendendo a frente da sua casa.
Qual que é o diferencial?
A gente vai ter uma rua ali muito mais bem cuidada.
É valorizar. E essa mensagem, Paulo, eu acredito que ela tem que ser subliminar, vamos colocar assim. Eu vou lá fazer treinamento, eu vou pela empresa que me contrata.
Sim.
Mas o treinamento que a gente faz é pra conferência, aplicação e corte de revestimentos. Ou seja, ele vai usar isso com qualquer tipo de fabricante. Qualquer fabricante de placa cerâmica vai ser o mesmo protocolo. de conferência, manuseio e corte de aplicação. É o mesmo protocolo, tá? Então a gente está fazendo ali diretamente um favor até para as outras. Se eu chego lá e vou fazer um treinamento defendendo a minha marca, só, ah não, o meu revestimento é o melhor porque a gente cuida disso, porque a gente tem equipamento assim, assim, assado, tal, tal, tal, que é isso que acontece, tá? Cara, na cabeça do cara não fica nada de mensagem. Quando a gente chega ali, explica para ele, olha, Porque assim, eu falo como que faz, como tem que ser feito, e por que tem que ser feito daquela forma.
É, e quando você traz esse... Dessa forma como você tá falando, imagina que você tem ali o corte, né, pra ele ficar um pouco arredondado. Aí se você tem uma broca específica, e muitas vezes imagina que eu quero fazer um canto com uma broca de 10mm. Espera aí, eu não vou começar com a broca de 10mm, eu vou começar com a broca... Menor ali de 6 ou de 4.
No caso do porcelanato não.
Já pode ir direto, pode ir direto.
Porque assim, a broca na verdade que a gente fala, a gente chama de broca ou serracopo, os nomes são isso. Mas são serracopos destinados para porcelanato. Elas são como se fossem as serracopos de madeira. Elas não funcionam com guia, não com uma guia, uma broquinha mais fina que você tem que usar ela como guia.
Ah, ela não precisa de guia?
Não. Ela tem até uma guia para porcelanato que eu praticamente não uso. há quase 10 anos que eu trabalho com bloco para porcelanato, então tem bastante prática. Eu consigo já começar o furo, a gente chama de esgueio, a gente começa com ele meio inclinado e depois levanta aqui a bola que você consegue fazer o furo direto sem a guia.
Mas essa técnica de furo também ela.
É aprendida, é uma técnica que imagina. Aí entra a prática.
Justamente por isso que você estava falando inclusive lá atrás na questão do curso online.
Não funciona.
Porque você tem que sentir.
Exatamente.
Você tem que sentir a vibração ali.
Do... Existe, nesse caso de furo, tem a guia para furos, para porcelanato, que é como se fosse uma ventosa que você trava, ela tem um Lzinho ali, que vai travar a broca no local. Não é muito segura, mas funciona, tá? Eu, e muitos dos nossos profissionais que eu conheço, preferem entrar com a broca direto. Então a gente usa uma técnica de esgueio, é uma técnica que nós desenvolvemos em obras. Tem muita coisa aqui em obra que a gente faz que um técnico ficaria louco. E aí onde eu falo, é por isso que tem três pilares, conhecimento, prática e equipamento. Se eu pego lá uma broca que o cara desenvolveu pra furar assim, e ele me vê na obra entrando com o furo assim, ele fala, cara, isso não funciona assim. Mas mal sabe ele que se eu não fizer dessa forma, a broca fica escorregando e eu arranho todo o revestimento. Então assim, tem todo um protocolo de prática também. Riscador. Tecnicamente, o escador funciona em cima de uma bancada. É por isso que eu falo para o profissional. Gente, vocês estão cortando o revestimento? Está cortando do seu jeito na obra e está dando certo? Taca-lhe pau.
Gustavo, a gente está vivendo hoje a era da industrialização. Nunca se falou tanto de industrialização no Brasil como está sendo falado agora, principalmente no último ano, que foi... a gente está vivendo o boom da industrialização no Brasil, até por conta da falta de profissionais no mercado. E trazendo esse tema, que é formação profissional, Como que você vê o futuro da profissão de azulejista, principalmente, especialmente com o aumento da exigência em qualidade e inovação? E quando eu falo inovação, imagina que a indústria está trabalhando por inovação, mas por outro lado, e os profissionais? Como que você vê o que está acontecendo com os profissionais?
Vamos lá. Antigamente, isso que você falou é sensacional, tá? Antigamente, pra você ter uma ideia, se eu fizesse um trabalho, uma instalação cerâmica ali, mal feita, e um engenheiro fosse fazer ali uma avaliação técnica, ele tinha que avaliar dentro das normas. Então, se eu tivesse com um revestimento com um corte feio, um corte meio esquadrado e apelidicado, cheio de ressalto, isso normativamente não é problema estética. Você sabia disso?
Não, isso pra mim é novo.
O engenheiro não consegue laudar, dizer que aquilo ali é defeito. Ele só consegue dizer que é defeito se estiver com peça oca, se estiver com trinca, se estiver com falhas realmente que a norma fala. Isso aqui é uma falha de execução. Se a junta não estiver batendo, ou seja. Hoje não, hoje já tem um direcionamento melhor. E o cliente também tá com um feeling mais apurado. Então ele vê muito, o cara vai instalar, vai fazer a reforma de uma cozinha. Cara, hoje todo mundo trabalha com Instagram. Instagram. O cara vai reformar a cozinha, quando ele pensa em reformar a cozinha, já tem um monte de vídeo rolando aqui de reforma de cozinha. E os vídeos, é como a gente falou no começo, tá tudo muito bonito, bem editado, bem assentado. O profissional que gravou aquele vídeo tomou um cuidado de mostrar os detalhes. Então, ou seja, Ele quer o melhor, ele quer aquilo que ele viu ali. Teve um caso até que foi engraçado, tá? Um profissional falou assim, Gustavo, você ferrou com a minha vida. Eu falei, por quê? Ah, o cliente me contratou, mostrou um vídeo seu, falou assim, eu quero a minha cozinha desse jeito aqui, ó. Aí eu falei, ah, mas desse jeito é mais caro. Eu falei, então não ferrei com a tua vida. Eu valorizei teu trabalho, cara. Você vai perder um pouquinho mais de tempo, vai fazer dupla colagem, vai cortar com broca, mas vai ficar mais caro, não vai? O que você vende pro seu cliente? É piso instalado ou é tempo? Você é profissional braçal, cara. Você vende tempo. Você aluga o seu tempo pro seu cliente. Então, valorizei tua mão de obra, bloco perfeito. Tô feliz.
Então, basicamente é isso. Tempo é uma coisa que tem que valorizar muito, né?
A indústria. Voltando aqui na outra pergunta, tá? Ela... eu vejo assim, como profissional. Alguns profissionais até falam, ah, nunca vai existir alguém que faça um trabalho de um profissional. Antigamente você falava, a gente visando aqui a agricultura, né? Eu já morei muito em mato, né? Aí eu olhava antigamente como a gente fazia pra colher milho. Você tinha que colher a espiga, colocar pra secar, tirar a casca com a mão, debulhar, meu pai chamava de debulhar, não sei se é esse o nome que dá aí.
Eu sou da roça.
Você tinha que debulhar o milho com o polegar ali pra tirar. Cara, se eu olhava aquele processo todo, eu falava, cara, nunca vai ter uma máquina que faz isso aqui. E tem. Hoje tem debulhadeira, tem as máquinas que... É, ela coleta e já sai debulhado, separado espiga de palha, de milho, de grão. Então sim, hoje tem máquina pra tudo. É porque a construção, você vê, ela foi ficando pra trás. O pessoal foi visando outros setores que eram mais importantes, acredito eu.
Você vê o que a agricultura fez, né? Como evoluiu, né?
Evoluiu demais, cara.
As famílias que você falou do exemplo.
Do milho... E num curto período de tempo, né?
As famílias se reuniam pra ficar debulhando e tal, ficava... Geralmente, tia, muitos filhos, muitos filhos.
Mas isso em grandes fazendas, ou seja, em grandes construtores... Cara, não. Você vai numa pequeno sitiozinho de uma agricultura familiar, o cara já não tá cortando roça, cortando mato com uma foice, ele já tem uma roçadeira.
Já tem.
Ele já não tá debulhando, já tem uma máquina que faz isso. Então, assim... Porque não se usa mais.
Arado no Brasil, não se usa mais arado.
Vai acontecer, vai acontecer. Acredito que hoje, como no último ano a gente percebeu que já deu uma evoluída, não sei se por conta do pós-pandemia ou se realmente a escassez de mão de obra que está muito grande, que está levando aí o pessoal da área mais técnica a desenvolver tanto equipamentos como técnicos. Vai acontecer. Mas a gente sempre vai precisar do operador. Sempre vai precisar do cara que opera aquela máquina.
Isso é importante que tem gente que fala que muitas vezes os profissionais estão ultrapassados, que a industrialização vai dominar e tal, e eu ainda defendo que assim, nunca vai existir 100% industrialização, porque quando eu coloco um, imagina que eu vou colocar um módulo, eu preciso de um pedreiro pra fazer o contrapiso, pra fazer ali os... a partir de hidráulica, ou seja, pra receber aquele sistema plug and play. Então, acho que a gente precisa tomar também um pouco de cuidado com a nossa comunicação, porque assim, a industrialização precisa acontecer de fato, mas ela nunca vai substituir a mão de obra humana. O que faz, na verdade, é importante, sem te cortar, é assim, ela traz mais qualidade de vida, traz mais agilidade, enfim. Em várias situações, então...
Trazendo aqui pra minha experiência, óbvio, né? Em 20 anos, a gente evoluiu que poderia ter evoluído em 5. Mas 20 anos instalando revestimento. Lá atrás, as minhas ferramentas cabiam num balde. Cabia num baldinho de 18 litros. Tudo que eu tinha de ferramenta. O riscador, uma serra-mármore, uma colher de pedeiro, uma desempregadora de aço, linha, um prumo e um esquadro. Era isso que eu usava pra instalar revestimento. E conseguia fazer um bom trabalho dentro das condições e materiais que eu tinha na época. Hoje, eu tenho uma picapezinha, uma estrada, onde eu carrego todas as minhas ferramentas e não transporto todas de uma vez. Depende da aplicação que eu vou fazer. Se eu vou instalar até 90 por 90, vou conseguir levar na estradinha. Se eu vou instalar lasta, por exemplo, eu tenho que levar na picape e dar umas três viagens. Mas essas ferramentas, elas facilitam demais a minha aplicação, o meu dia a dia. A minha produção lá atrás, acabada, vamos colocar aí metros quadrados assentados acabados, ela teria, beirava ali 7, 10 metros. Hoje, metros acabados, entre 12 e 15, instalado por dia, sozinho, tá? Ou seja, aumentou a gama de equipamentos, aumentou a produção, aumentou o tamanho das placas e a qualidade do serviço é outro nível.
No final todo mundo ganha, né?
Ou seja, tem o equipamento, tem um maquinário ali de ponta pra trabalhar com investimento? Tenho, mas ainda preciso operar esse maquinário. Vai ter, com a evolução, vou colocar aqui nos próximos 50 anos, vai evoluir a ponto de talvez o profissional não ter que pôr mais a mão na placa, mas ele vai ter que tá operando a máquina que pega aquela placa, que assenta aquela placa.
Sim. e por isso a especialização é muito importante. Tenho mais uma pergunta. Quais são as tendências atuais na aplicação de revestimento que os azulejistas precisam para fazer essas boas execuções?
Boas execuções. A tendência Tendência mundial é diminuição na espessura da placa e aumento no tamanho. Aqui no Brasil está tentando se emplacar aí os grandes formatos, as lastras, formatos acima de 1,80 desde 2018. Não se conseguiu justamente pela recusa do profissional. Profissionais sempre... a gente teve casos presenciais que eu vi isso, de falar assim, olha, eu não trabalho com esse formato porque a partir desse formato é cheio de curvatura, é torto, é empenado, tem diferença de tamanho, ou seja, O material não é bom a partir de 1,20, tá? Mas por quê? Porque a máquina dele só cortava até 1,20. Porque ele só sabia trabalhar até 1,20. Mas como os profissionais, né? Principalmente os da minha geração.
Pois que vem a questão da atualização, né?
Eles estão estudando, eles estão se qualificando, eles estão vendo o que isso aí vai pegar e trabalhando em cima disso. Então vai entrar grandes formatos, tá? Só que aumenta o formato e diminui a espessura, então a placa fica mais flexível, você vai ter que ter equipamentos mais minuciosos pra trabalhar com ele. Pra você ter uma ideia, Paulo, um equipamento... um investimento hoje, tá? Em equipamentos pra trabalhar com lastras até 3,60m, beira 20 mil reais.
Cacetada!
É isso pra um profissional braçal, cara, um investimento brabo, tá?
Mas o legal, quando você começa a trabalhar com esse tipo de investimento, quem se arrisca a investir nesse tipo de equipamento, você acaba indo pra um nicho de cliente também diferenciado.
Você parte mais pra um alto padrão, né? Então vamos lá, vamos colocar assim, você tem hoje três linhas de profissionais. E olha, dá pra ganhar dinheiro nas três linhas, tá?
Já vai responder a pergunta do início?
Eu vou te responder a pergunta do início.
Já vamos nessa.
Se você pegar hoje um CLT, um azulejista CLT, ele tira a média salarial aqui de São Paulo, tá? Vai estar beirando entre 2,500 e 2,700, um azulejista CLT. Isso é um cara que trabalha 44 horas semanais. E lembrando que 2,700 é o salário. Você tem décimo, você tem férias.
Tem os benefícios ali. Tem a segurança ali, né?
Tem vários benefícios de outra. As legistas CLT, eles trabalham no sistema que eu trabalhava antes, que é o sistema de produção. O sistema de produção é o comissionado, tá? Então eu ganho fora o meu salário, mas uma porcentagem em cima ali, né? Uma quantidade ali.
É que você tem uma... É, você tem, dentro desse salário, você tem uma quantidade que você tem que preencher, né? Que atender. E o que você passa daquilo...
É, vamos supor, pra cada 200 metros instalados por mês, eu tenho ali mil reais a mais de pagamento. Então o salário já pula pra 3,7 mil. Então você tem isso aí em empresa. Um azulejista autônomo, o cara que trabalha formalmente por conta, aqui em São Paulo, se ele ganha menos de 10 mil por mês de receita líquida, ele tá trabalhando de graça.
É engraçado que eu falo que esse cara vive duro. Sério?
Mas por que? Falta de organização. Aí entra em outro nível.
E a falta de organização financeira é uma série de coisas.
Eu tenho também um trabalho que eu faço em cima disso, só que aí já é um trabalho mais particular. Eu trabalho com pequenas turmas, porque é difícil ensinar isso pra 50 pessoas.
Sim, sim.
Então, duas, três vezes por ano a gente abre um curso online ali, gratuito, tá? Dentro de uma plataforma chamada Center Obras, e a gente faz um... Uma palestra ali, conversa com os caras. Cara, abre a mente. Quando o cara entende que o que ele tá cobrando não paga nem o material que ele tá investindo, muda. E outra coisa, uma coisa que os profissionais fazem. Você contrata os legistas. Você me contratou, você vai me fornecer argamassa, revestimento e rejunte. E a obra? Todo o resto é comigo. Logística, ferramenta, equipamentos, cruzeta, se precisar de andame, locação de andame, se precisar de equipamento a grandes formatos, eu tenho pra corte reto, disco, clipe, tudo isso é comigo. Por quê? Eu gosto de trabalhar com os discos que eu gosto de trabalhar, porque eu sei da qualidade de corte e da durabilidade deles, tá? Os clipes, eu forneço por quê? Porque eu pego em grande quantidade direto do fabricante.
E você tem uma redução, né?
Tem uma redução de custo. só pra mim sair da minha casa pra ir trabalhar pra você. Vamos supor que ainda não coloquei a mão na massa, mas eu tenho meu deslocamento, ou seja, combustível, condução, seja lá como eu for pra obra. Eu tenho alimentação, então eu tenho dois cafés, um café da manhã ali, nove horas da noite. Eu tenho almoço também, porque eu trabalho no pesado, eu preciso comer. Então eu tenho almoço, tenho dois cafés. Eu tenho meus EPIs, meus equipamentos, minha bota, meu uniforme. Eu tenho desgaste dos meus equipamentos, desgaste dos meus abrasivos. Eu tenho desgaste das minhas ferramentas. Tudo isso só pra eu ir trabalhar.
Isso não é lucro. Quando eu falei que esses caras, às vezes, ganhando mais de 10 mil reais por mês, eles vivem duro justamente porque eles não calculam isso.
Exatamente. Receita.
Sim.
Receita.
Não é custo.
Você tem custo e receita. Quando a gente fala de líquido, o azulejista que tira líquido, 10 mil por mês, de lucro, ele tem uma margem de 4 mil.
E olhe lá, hein?
Ele tá fazendo um salário de 4 mil, dependendo do local que ele atende. Por exemplo, eu hoje atendo dentro de Mogi das Cruzes, eu não consigo atender fora mais, tá?
Então, mas aí quando eu for construir, você vai ter que vir comigo, porque é independente.
Eu tô com alguns convites pelo Brasil, viu, Paulo? Então, assim, vamos lá. é o que acontece se eu pego tem uma obra que tem um 20 quilômetros de deslocamento eu sei quanto meu carro gasta meu carro faz 7 quilômetros por um litro então tem três litros de gasolina para aí três litros de gasolina para voltar no preço que tá eu gasto 30 reais de gasolina por.
Dia Isso porque você não tá calculando o desgaste, né? De pneu, troca de óleo, uma série de fatores.
Só de combustível pro deslocamento, eu gasto 30 por dia, eu vou gastar 660 reais por mês só de gasolina. Então, dos 10 mil de receita, eu já tenho menos 650. Mais o clipe, mais o disco, mais o desgaste dos meus uniformes, mais o desgaste de pneu, mais o óleo, não sei o quê. Então, sim, não é... Hoje, a maior falha do profissional é achar que tudo é lucro. Aí ele pega uma obra de 20 mil, ele pega a tese de entrada, Ele fala, é 10 no bolso. Pega aqueles 10 e torra. Começa essa obra. No meio da obra já faltou dinheiro pra gasolina.
Sim.
Porque ele não guardou. Então já vai começar aquele negócio de pedir o valinho. Me ajuda aí com 100, porque eu preciso pôr gasolina. A obra vai acabar só semana que vem. Já acabou o dinheiro. Aí o cara ainda tem 10 mil pra receber. O cliente tá vendo o serviço andando e fala, vou dar mais mil pra ele. Aí ele pega aqueles mil e fala, beleza. Eu vou pôr gasolina e torrar. Nesse meio tempo, já tem outras necessidades dele financeiras. Você tem água, você tem luz, aquela obra tem um atraso. Porque assim, obra é obra, sempre vai ter imprevisto. Eu peguei uma reforma de banheiro pra fazer, estourou um cano, ferrou. Eu tenho mais um dia de atraso, porque eu tenho que consertar aquele cano, fazer o teste pra ver se não vai dar vazamento. Então eu já tenho um dia de atraso aí. Atrasou um dia numa reforma de banheiro é uma diferença grande. Sim, sim. Então o que acontece? Eu tenho que contar com todos esses imprevistos.
Então esse é o terceiro...
No meu valor ali tem que estar incluso. E outra coisa, quando a gente trabalha com obra, principalmente com acabamento, você trabalha com a expectativa do cliente. Esses dias eu fiz até uma pesquisa na internet, eu coloquei lá um... Em dezembro, dia 20 de dezembro, o cara vem me ligar perguntar se dá pra fazer reforma do banheiro antes do dia 24. Não dá. Aí tem... Cara, você acredita que teve gente que falou assim, caramba, reforma de um banheirinho desse eu faço em três dias.
Sim. Eu com certeza tenho.
Cara, não faz, velho.
Os deflashes da vida.
Não, porque você pega assim, vamos colocar uma reforma de banheiro. Só a reforma do banheiro. As etapas, tá? Você vai fazer a demolição. Fez a demolição, vamos colocar que em um dia você consegue remover todos os sanitários ali, as peças hidráulicas, fazer a demolição desse revestimento. Se eu precisar fazer regularização, e geralmente tem que fazer, ou seja, remover argamassa, às vezes o reboco sai junto, fica buraco na parede, o cliente aproveitou que arrancou, fala, cara, já arrancou, dá pra trocar essa caixinha pra cá? Então eu já tenho mais um ou dois dias aí de trabalho.
Que não tava no... Que não tava no previsto. É, não tava no previsto. Muitas vezes nem no orçamento.
Da minha cabeça que era colocar e colar de novo.
Sim.
Tá? Então vamos lá. Fiz aí esse trabalho de regularização, troquei essa manutenção aí da hidráulica e da elétrica. Sempre que a gente vai fazer uma reforma, conselho, faz já, dá uma olhada na hidráulica e na elétrica. Sempre. Então eu vou pegar uma reforma e já falo com o cliente dessa forma. Falo, olha, já dá uma conferida na hidráulica e na elétrica. Por quê? A gente vai reformar esse banheiro e uma reforma bem feita, Paulo, é 30 anos. Se daqui a 10 anos estourar um cano dentro dessa parede porque a gente não fez uma inspeção nesse tubo, Cara, você perdeu todo o seu dinheiro, tá? Então não precisava mexer com isso agora. Vamos fazer a reforma? Já vamos fazer de uma vez. A gente arranca o revestimento, já faz um teste em toda a hidráulica pra ver se não tem vazamento, se esses tubos estão bem, pra gente fazer uma nova instalação de revestimento, que a gente mata o problema, tá? Então vamos lá. Fiz ali a regularização, vou fazer a impermeabilização. Pra passar o impermeabilizante, cara, é uma hora de manhã, uma hora de tarde, duas demais. Mas e a cura dele?
A cura dele é 72 horas. E não só o impermeabilizante, a própria regularização.
A regularização, sete dias. Você fez uma regularização com argamassa comum, se for argamassa industrializada, eu torço muito para que usem argamassa industrializada. Controle de traço fica muito melhor, ela tem um prazo de secagem mais rápido, ou seja, e ela tem um controle de qualidade. Hoje a gente tem, né, houve até uma reforma agora da norma que regulamenta orgamassas inorgânicas em obra. Eu tava conversando com o engenheiro Filipe sobre isso. E... a partir da regulamentação... Qual que.
É o sobrenome do Filipe?
É...
É o Lima, não?
É, o Filipe Lima.
Filipe Lima, um grande amigo.
Um cara, um monte de gente boa. A gente conversou muito pela internet, tá? A gente tava conversando sobre isso, que ele tava fazendo uma remoção de revestimento em fachada, e aí eu comentei, falei, cara, parece que tá bem aplicado, mas a argamassa soltou do reboco. Aí ele falou, sabe, que provavelmente ele teve um problema de traço, né? Aí teve uma reforma recentemente, eu esqueci qual que é a norma agora, tá? Argamassas inorgânicas. dessa norma. Então, a partir daquele momento, todos os traços virados em obra tem que ser laudado por um engenheiro, justamente pra evitar esse tipo de problema. Porque o cara vai fazer o traço em obra, não tem um controle, o ajudante... De manhã, ele tá colocando três latas de areia pra uma de cimento. No final da tarde, ele tá colocando 15 pás de areia pra 5 pás de cimento, já não tá mais... E.
Não tem ninguém olhando isso.
E não tem ninguém olhando. Então tem que ter um controle. Quando você trabalha com argamassa industrializada, cara, isso é muito controlado, porque vem sacada, a quantidade de água está no carimbo, na embalagem, e o negócio fica sempre a mesma argamassa, com a mesma qualidade. Sem contar que uma empresa tem um laudo dessa argamassa deles. Se der problema, você tem a garantia da empresa que fabricou aquela argamassa, tá? Mas, usei uma argamassa industrializada, o prazo mínimo de secagem dela vai ser três dias. que é um pouco mais rápido, né? Você tem um impermeabilizante básico para áreas úmidas, é básico, né? Vamos colocar aqui um impermeabilizante 1000, ele vai ter 48 horas aí. Para poder receber o revestimento em cima. Aí você vai trabalhar com argamassa. Área interna molhada, se é um porcelanato, a C3, 72 horas de cura. Terminei a instalação, 72 horas depois para rejuntar. Ou seja, você tem um prazo, aí o cara que deu um prazo chega pro cliente, trabalha com a expectativa dele e fala assim, olha, pra reformar o teu banheiro, uma semana eu faço. E você não vai fazer em uma semana. É no mínimo 15 dias, 20 dias pra finalizar uma instalação de revestimento bem instalada. E aí, passou ali da semana que você prometeu pro cliente, ele já começa a ficar frustrado. Ele já tá chateado. Ele já tá de saco cheio de ti. O teu orçamento só cobriu uma semana. Você já tá duas trabalhando, ainda vai mais uma.
Quem tá tendo a oportunidade de assistir esse episódio, é muito legal, porque tanto pra o profissional, quanto pra quem contrata, quem contrata, eu tenho certeza que vai valorizar mais os profissionais, porque no Brasil a gente tem aquela máxima, né, que você investe milhões numa casa, mas na hora que vai reformar, você quer pagar o mínimo do mínimo pro pintor, o mínimo do mínimo, pro pedreiro, qualquer profissional. Então, eu penso que quem assistiu a esse episódio ou ouviu, enfim, acho que passa a olhar o profissional de uma forma diferente.
Ela é artesanal. Toda obra que eu faço, eu deixo um pedacinho de mim lá. Não falo só do suor, tá? Mas é o meu jeito de trabalhar. Porque, como é artesanal, cada um tem o seu jeito de trabalhar. Não existe um padrão. Embora a gente siga normas, todo profissional vai seguir a norma, mas sempre tem o seu jeitinho de fazer aquilo ali. É igual um arquiteto, ele sempre coloca um pouquinho dele ali naquele projeto. Então, no braçal é a mesma coisa. E, cara, embora seja artesanal, tem muito conhecimento envolvido. Para você ser um profissional hoje de instalação de revestimentos, você tem que ter conhecimento normativo.
Gustavo, quando você fala do trabalho artesanal, do que você deixa naquelas casas, prédios, etc, eu penso também que quando você está fazendo algum serviço desse para um lar, Essa questão da energia do profissional conta demais, né? Por isso que eu falo que esse serviço é muito intangível, assim, porque não tem aquela coisa do, ah, tudo bem, um cobrou 10 mil, outro cobrou 30. Mas muitas vezes a energia desse que cobrou 30 é muito melhor, e você fala, não, eu vou me esforçar mais, eu vou fechar com esse de 30, porque é aqui que eu vou morar, é aqui que a minha família vai morar, e acho que isso tem também no seu dia a dia, você percebe isso?
Tem, cara, tem, e eu acho que é o meu sonho, você entrou num ponto agora, o pessoal me pergunta muito, Gustavo, mas você faz um trabalho de dar, você não cobra, você não vende curso, Cara, por que você faz isso?
Eu gostei de você justamente por isso, acho que você é um cara que serve, sabe?
Por que você faz isso, Gustavo? Eu falo, cara, meu sonho é um dia, na minha cidade, todo profissional ter o mesmo padrão de qualidade. Sim. E o cliente me contratar porque ele gostou de mim, do meu jeito de fazer. Então, não, quero contratar o Gustavo. Ah, mas é 10 reais mais caro no metro. Cara, mas o Gustavo, sei lá, cara, é o jeito dele de fazer.
Ele tem algo especial. Você entendeu?
É isso. Basicamente é isso. E é isso aqui, Paulo, é um ponto que eu sempre falo pros profissionais também. Trabalhar com a primeira impressão. Toma cuidado com isso, tá? Que o cara vai te chamar pra fazer um orçamento. Hoje a gente tem, infelizmente, aquela cultura, já vem mudando, mas do cliente que vai fazer um orçamento com pedreiro, um arquiteto, mesmo que seja um construtor, um gestor, e ele está esperando aquele cara de caixa caída, boné da Casa Bahia para trás, de regato, às vezes sem camisa, para visitar a obra dele de bicicleta. E aí às vezes chega um cara que nem um azulejista que eu conheço, de high looks. Bem vestido, uniformizado. Ele fala, esse cara não é azulejista, ele deve ser o dono da empresa de azulejista. Não, ele é o azulejista que trabalha sozinho.
E quem tá contratando sabe eu que tô pagando esse luxo todo dele.
Basicamente é isso. Então assim, cara, tá bem mudando, mas ainda tem isso ainda. Então se você é profissional, Procura trabalhar com a primeira impressão do seu cliente e com todo o processo da obra. Trabalhe uniformizado, trabalhe organizado, trabalhe limpo. Faça como se fosse para você. Volto naquilo que falei no começo. A gente trabalha construindo o sonho das pessoas. Não vamos transformar isso num pesadelo.
Sim, sim.
E pra quem trabalha com acabamento, essa responsabilidade ainda é maior. Porque o cara construir uma parede com um pouquinho fora de pluma, o cara vem com reboco com certo. O cara do reboco deixa um pouquinho feio aquele reboco, você vem com revestimento com certo. Se deixar o revestimento feio, acabou.
Gustavo, esse bate-papo tá super legal, mas assim, a gente acabou estourando o tempo bastante, mas enfim, tem muitas coisas pra falar. já tá convidado pra participar de um outro bate-papo comigo. Antes da gente se encerrar, eu queria que você indicasse uma pessoa, você sabe que a gente tem um quadro aqui, convidado, convida. E eu queria que você indicasse alguém pra continuar com esse tema, né? Formação.
Formação de profissionais. Eu vou, eu vou sugerir o Rafael, cara. Rafael tem uma mentalidade, embora ele... Ó.
Convida pra aquela câmera lá, tá?
Rafa, você tá convidado aqui pro ConstrueCast pra bater um papo sobre capacitação profissional. Por quê? O Rafael, ele tem uma visão sobre capacitação que é única. E ele tem muito isso também de trabalhar por amor, sabe Paulo? Hoje eu falo que eu sou profissional braçal por amor, eu gosto de fazer isso aqui. Eu poderia ter parado, estar trabalhando numa área mais técnica, estar fazendo uma outra coisa da vida. Mas eu gosto de fazer isso aqui, só que eu gosto de fazer, eu prefiro, eu quero viver disso aqui. E fazer, eu quero virar o vovô do porcelanato.
O vovô do porcelanato.
E o Rafa é a mesma pegada, ele trabalhou, ele era gerente de uma fábrica, cara, de revestimento, ele trabalhava com o cara. Ele era o cara dentro daquela fábrica. Ficava bem, muito bem sucedido, reconhecido. E aí um dia ele falou, cara, não é isso. E aí saiu, criou um projeto de treinamento pra ganhar menos, e falou, é isso. E tá tocando essa parte de treinamento.
Lá ele é feliz.
E ele é feliz.
E como que você, falando dessa questão de propósito e tal, jeito de fazer diferente, como que você conheceu o Constricast?
Eu conheci o Constricast, foi no... Por curiosidade, foi um episódio que você gravou com o Filipe.
Filipe Lima?
Filipe Lima. Eu tava pesquisando patologias em instalação cerâmica. Eu gosto muito de ouvir podcast trabalhando, tá? É uma coisa que eu faço, assim, todos os dias. Então, eu vou trabalhando ali, eu coloco um fonezinho, coloco um abafador por cima e eu fico ouvindo um podcast ali. Nem é muito aconselhável fazer isso, tá? Mas eu gosto. É uma coisa minha.
Mas é que você tá aprendendo, né?
É. Então, eu tô aprendendo alguma coisa. É gostoso. E aí, eu tava num tema que era patologias em fachadas, né? porque foi uma atualização que passou a norma 3.755, que é a norma que regulamenta a instalação de revestimentos em fachados, e eu precisava entender melhor dessa atualização o que entrou, o que englobou, então eu estava pesquisando muito em cima desse tema, porque se você só lê a norma, você não entende a norma, você tem que ler e entender por que foram feitas essas alterações. E aí entrou nesse episódio do Felipe Lima e ele falou uma coisa que me deixou muito encantado. Eu me inscrevi na hora que ele falou assim, a obra é como se fosse o corpo humano, porque você tem a estrutura, que é como se fosse o esqueleto, você tem ali a pele, que é como se fosse o acabamento, você tem as veias, que é como se fossem as ligações hidráulicas, elétricas e tal, e aí aquilo ficou na minha cabeça e eu falei, cara, mas é mesmo. E aí, naquele episódio, eu falei, não, vou acompanhar. Hoje, eu praticamente maratonei já com Street Cash. Ouvi praticamente todos os episódios. Tem alguns, os últimos aqui, que eu tô ouvindo ainda na aula.
Mas é legal. O Felipe é um querido. Eu queria aproveitar e mandar um abraço pra você, Felipe. Eu sou seu fã. Acho que você tá fazendo um trabalho também aí na Adepat. Cara, sensacional.
Sensacional.
E até arrepia de falar do Felipe. Ele é um cara que... Aquela energia dele...
É fantástica.
É fantástica, né? Ele é... Ele é de verdade, assim, acho que...
É ele mesmo.
É ele, acho que... E outro cara.
Que você olha assim, não dá pra você imaginar esse cara fazer outra coisa.
Não, não dá, não dá.
Esse cara como mecânico, não... Não dá.
Quando você fala de apaixonado pelo que se faz, é isso. E fico muito contente de receber aqui. Tenho certeza que... Já foi um prazer. A gente não se conheceu por acaso e a minha produção maravilhosa Eu notoro que gostou também de você e está convidado de novo para mais um episódio.
Obrigado pelo convite. Obrigado por estar aqui, por essa oportunidade. Um recado final para os instaladores. Procurem qualificação. Acompanhe o ConstructCast. Aqui vocês vão desenvolver não só o conhecimento intelectual de vocês, mas vão ouvir boas conversas como essa.
Sensacional, gente. Um abraço para você que ficou até aqui. De novo, comente, dá sua opinião, compartilhe nossos conteúdos e, dessa forma, sim, nós vamos transformar a cadeia da indústria da construção civil no Brasil. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constra e Cash.
More from Andre

Tenha Cuidado Redobrado na Hora de Comprar um Apartamento | Podcast | Construção | Arquitetura

Quanto Ganha um Ajudante de Pedreiro na Construção Civil? Fala do Mestre de Obras Glaudio | Podcast

O Erro na Reforma Tributária que Pode Custar MILHÕES à Sua Empresa | Podcast #202

Valorização Profissional na Construção Civil | Podcast | Engenharia | Arquitetura #obra

Método CHAMA Gravado Com o Engenheiro Boutros Bichara | Pessoas Negativas | Paulo Barros #podcast

Assista ao Vídeo do Roberto Justos Sobre Caso Daniel Vorcaro do Banco Master | Podcast | Construção

AI FIRST #2 . André Abucham e Lauro Fiuza - Os desafios intrageracionais dentro e fora das empresas

Vidro NÃO É Tudo Igual! Descubra o Erro Que Pode Destruir Seu Projeto | Podcast | Arquitetura

Como ZERAR o Desperdício na Obra e Economizar R$ 600 mil com Construção Off-Site | Construecast #200

O Desperdício de Material na Construção Civil é Assustador | Podcast de Engenharia | Arquitetura

Pedreiro Faz Viga Invertida Que Imita MASP da Avenida Paulista em São Paulo | Podcast de Construção