Ceotto e Paulo Oliveira Revelam os Desafios da Construção Industrializada no Brasil | Offsite #8

Luiz Henrique Ceotto and Paulo Oliveira discuss why Brazil's construction industry needs industrialization to survive. High interest rates, a 5-15% cost premium, cultural resistance from older owners, and fragmented technology all block adoption. Tax reform and open standards could unlock scale in 7-8 years.
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Você está no ConstrueCast, a voz da construção. E mais uma vez, diretamente do Sambódromo do OMB, na Expo Construção Offsite. E dessa vez eu estou com Luiz Henrique Ceotto e Paolo Oliveira, dois engenheiros que, diga-se de passagem, amigo, hoje você vai se divertir aqui com esse bate-papo. Este episódio é um oferecimento hub e construção. Ceotto, como já é conhecido no mercado, é o homem sem filtro. Vamos lá, Ceotto. Queria começar esse bate-papo primeiro te agradecendo por estar aqui, mais uma vez, contribuindo com a nossa audiência. E feliz também pelo convite que você está trazendo, Paulo. Queria que você falasse um pouquinho quem é o Ceotto em um minuto.
Em um minuto?
Em um minuto.
Um cara de 50 anos de profissão, e que tem trabalhado para a industrialização da construção, para melhorar o ambiente da construção. No fundo, é isso.
Quem acompanha o Constricast, eu sempre sinto o seu nome como uma grande referência no movimento da construção industrializada no Brasil. Eu sempre falo a frase, a gente precisa de mais seotos. E Paulo, eu queria que você falasse.
Um pouquinho também Bom, primeiro obrigado a vocês pelo convite, é um prazer estar aqui com vocês. Minha história é rápida, eu sou engenheiro civil também, 20 anos na indústria, dirigindo operações a maior parte desse tempo, depois 20 anos de engenharia com sonho e cooperação em empresas de grande porte, e agora achei que era fácil, sou empreendedor, não é fácil.
Agora você tá sentindo na pele, tá conseguindo dormir?
Pouco.
Tá com a pele boa. E aí, seu Otto, o que você acha? Será que ele tá conseguindo dormir mesmo depois que veio empreender nessa área?
Eu também. Também estou empreendendo e está difícil dormir, então ele também deve estar tendo dificuldade.
Seu Otto, eu queria já começar com você. Eu queria que você falasse um pouquinho como está, já que você tem uma trajetória tão longa aí nesse movimento da construção industrializada, como que está o cenário atual nesse segmento para você de construção industrializado?
Olha, o segmento estava crescendo e com excelentes expectativas nos últimos quatro, cinco anos. O problema é que agora com essa taxa de juros, isso espantou investidores. E a construção industrializada depende de volume, depende de escala de produção. E com a fuga dos investidores e também da redução da necessidade de urgência, todos os investimentos estão no ritmo de espera ou no ritmo mais lento. Então a construção industrializada sofre com isso. Então, esse componente de velocidade passou a não ser tão prioritário nos últimos dois anos, três anos.
E aí a cadeia toda sofre?
Sofre. Desde a pandemia para cá, a cadeia tem sofrido bastante. Melhora por um aspecto de conscientização, melhora o debate, mas efetivamente a obra, para valer, está sofrendo bastante. Porque por falta de investidor.
Mas você acha que esse é o único fator? A questão de juros altos...
Eu acho que tem a questão econômica, que é muito importante, mas tem uma questão de mentalidade. As pessoas ainda do setor, a grande maioria, 99%, se eu exemplificar, ainda não entendeu, não teve consciência de que a industrialização é o único caminho para a gente vencer as dificuldades que estamos tendo hoje.
Paulo, quer complementar?
Não, acho que o seu outro foi perfeito na colocação. A gente, obviamente, fica um pouco desanimado, porque dentro do cenário que a gente estava vivendo alguns anos atrás, acho que foi, pelo menos nos últimos 30 anos, a primeira sensação que eu tive que, de fato, agora a gente tem um momento positivo para poder evoluir, para avançar mais rápido. E tem projetos importantes acontecendo. projetos de conscientização, de abrir portas e canais para que a industrialização seja mais fácil e avance mais rapidamente no Brasil. Mas, infelizmente, esse cenário um pouco político e econômico, eles não estão favoráveis. De fato, é isso.
Bacana. E seu Otto, lá atrás a gente conversou há um pouco mais de três anos e você falou que tinha um desejo de tornar a construção industrializada competitiva tanto quanto, ou seja, tornar ela competitiva. Quais são suas dificuldades para conseguir dar esse passo?
Bom, a construção industrializada, o grande problema é que ela hoje custa mais caro. Os custos diretos da construção industrializada custam mais caros do que a construção convencional. O custo indireto, que é o custo do gerenciamento da obra, é bem mais barato porque o tempo é bem mais curto. mas não compensa ainda. Então hoje a construção industrializada custa aí entre 5% e 15% mais caro do que uma construção convencional para edifícios.
Mas mesmo quando você considera, se você comparar uma com a outra, porque o tempo da outra pelo fato dele ser um pouco mais extenso, você acaba gastando muito mais, né?
É que o custo fixo da construção convencional é muito... é baixo ainda. Então, você não precisa de grua, o pessoal faz com mini-grua, entendeu? Usa muito o lombo, né? Do operário.
Ah, sim. Ainda tem isso?
Ainda. E tem muita gente que fala em sustentabilidade e usa ainda processos que você usa a força humana como... como principal orientação no processo. O problema da construção industrializada é que ela é artificialmente mais cara do que a construção convencional. A construção convencional, nós estamos construindo da mesma maneira há 100 anos. Por quê? Porque nós nos arvoramos na obrigação de absorver mão de obra. pouco qualificada ou com baixo nível de qualificação. Por quê? Porque o campo se industrializou. O avanço que nós tivemos na agricultura nos últimos 40 anos foi fantástico. Nós saímos do arado puxado por parelha de boi e da inchada, nós somos hoje a maior potência mundial agrícola. E o que aconteceu? Nós tínhamos uma população majoritariamente vivendo no campo, para poder puxar arado, e aí essa população foi ficando sem trabalho no campo, porque foi se industrializando, se mecanizando.
Foram se reinventando, né?
Vem para a cidade e a gente, espertamente, vamos aproveitar essa mão de obra pouco qualificada. Portanto, gastavam muito pouco, o pagamento era muito baixo. Só que tudo bem, fazer isso naquela época, 50, 60 anos atrás, durante um período, acho até válido. O grande problema é que se tornou uma estratégia permanente e hoje o empresário da Constituição Civil, mesmo que ele fale o contrário, ele tem uma dificuldade muito grande em entender que esse processo tem que mudar. Hoje em dia existem outras possibilidades de ganho para o operário menos qualificado. Por exemplo, hoje o iFood e o Uber estão revolucionando a construção civil, porque não tem mão de obra, as pessoas têm alternativa.
Eles estão pegando muita mão de obra, estão tirando essas pessoas para o...
O cara tem muito mais liberdade, é muito mais divertido do cara ficar na moto na cidade, embora seja também uma atividade perigosa, do que ele ficar numa obra, no sol, chuva, poeira, na maior parte do tempo. É muito mais fácil o cara entrar numa moto e já sair de casa trabalhando. Ele não precisa enfrentar ônibus de três horas e meia por dia, quatro horas por dia, dois de ida, dois de volta. Então, hoje, o ambiente O ambiente da construção é um ambiente extremamente difícil, extremamente duro, inóspito, perigoso. Nós temos uma das maiores taxas de acidente de trabalho. Isso tem que mudar, porque isso não atrai mais ninguém. É muito mais possível operar numa moto ele ganha mais, igual ou mais, do que ele ganharia na obra. E numa atividade sem ter ninguém enchendo a paciência dele, não tendo grito de engenheiro, de mestre de obras, de encarregado, pra que ele vai?
Acho que é uma questão de competitividade setorial, né? Porque, como o seu tu disse, não tem como competir com o agro, não tem como competir com a indústria, as condições de trabalho são desfavoráveis, é tomar chuva, tomar sol, carregar peso, né? Quem que é isso? Se tem, se pode trabalhar pro iFood, se pode trabalhar pra um Uber da vida, enfim, tem outras opções que são mais atrativas, essa é a verdade.
Eu sou uma pessoa, como você sabe, eu sou muito otimista. E não está faltando, na verdade, de repente a gente... Falando da indústria como um todo, a gente começar a se unir mais e melhorar a parte de gestão. Quando eu falo de indústria como um todo, da construção civil, porque eu nasci em canteiro de obra, eu sempre vivi aquela coisa da gestão à base da força, sabe? Faça o que eu estou mandando, seu papel é esse, ou seja...
Extremamente autoritário.
Extremamente autoritário. E isso também para mim é um fator que... que acaba afastando as pessoas. Hoje, eu falo, depois que eu fui pai, eu comecei a entender algumas coisas. Porque quando eu estava ali vivendo o meu papel de pai, que eu vinha aplicando aquele modelo que eu cresci, meu pai me batendo, brigando, xingando, eu comecei a fazer isso com o meu filho, até que pessoas ao meu entorno falaram, Paulo, quando você fazia, sei lá, tal situação, quando você era criança que se apanhava, você tinha intenção? E aí eu conseguia passar por um processo de reflexão que eu consegui mudar com o meu filho. Então o que eu quero dizer com isso? Você acha que isso também pode ser um fator de afastar porque as pessoas não estão olhando mais para as pessoas? Entende? Quanto custa? Ou seja, quanto eu vou ganhar nesse empreendimento? Será que vale a pena igual eu escuto? Eu não vou investir nessas pessoas porque eu vou treinar, eles vão trabalhar para outra construtora?
Eu acho que o ambiente, tudo isso, nós estamos falando de ambiente de trabalho. Tem a questão da gestão e tem a questão dos processos de trabalho. Nós temos que trabalhar das duas maneiras. E aliás, se você usa um processo de trabalho mais industrializado, se você já tem componentes pré-fabricados, primeiro a sua proliferatividade aumenta. Ao aumentar a proliferatividade, você pode pagar mais. Terceiro, você vai ter trabalhos muito menos penosos, você não usa força. Você pode usar sistemas de gestão muito mais ligados à indústria do que como nós fazemos aí, de uma gestão de caos na obra. Tudo isso, a industrialização na construção, é um dos pontos que facilita muito, que vai soltar as amarras para melhorar o ambiente de trabalho.
Em outras palavras, você tem um cenário que assim, embora a gente esteja fazendo esforço grande, e ele é importante, os cindos constam fazendo isso, a própria SEBI que está organizando esse movimento, para conseguir qualificar melhor a mão de obra na construção, olhar para plano de carreira, esse tipo de coisa. Mas a gente sabe o seguinte, nós estamos num limite em que se não industrializar não tem futuro. Nós não vamos conseguir simplesmente produzir, é isso que está acontecendo. Então a água já está batendo no nariz. Existe uma transição? Sim, existe uma transição e a gente tem que preparar essa transição. Mas as caravelas já estão queimadas e tem muita gente que não está conseguindo enxergar isso. Então, para poder avançar em direção àquilo que é o futuro da construção, que é a industrialização da construção, nós temos que passar por aquilo que o agro passou, nós temos que passar por aquilo que a indústria passou. É uma evolução. Então, enquanto a gente não transformar boa parte da construção em processos controlados, processos que você consegue, de fato, padronizar e ganhar produtividade, não tem caminho. E como disse o seu outro, isso precisa de escala.
Precisa de escala.
Senão aí, de fato, não para de pé.
A indústria e a escala são duas coisas que não dão para se separar.
É, e quando você traz esse ponto da tecnologia, quando você imagina que você tem essas pessoas lá pegando peso, agora saiu a lei que vai ser obrigado a reduzir o sacodecimento de 50 pela metade, então aí já fica pessoas... Ah, isso vem pra atrapalhar, enfim, então você tem sempre aqueles...
Não, e outra coisa, imagina, Ah, botou o saco de cimento para 25 quilos. Mas já pressupondo que o cara tem que pegar o cimento nas costas e botar... Sim. Assim, nós temos que mudar essa mentalidade. Eu não preciso fazer isso.
Porque eu tenho como industrializar esse processo. Inclusive, quando eu falo desse pensamento que a gente está conversando aqui agora, eu consigo atrair, inclusive, mais mulheres para o canteiro.
Claro.
Sem dúvida.
Nós temos 50% da nossa força de trabalho extremamente inteligente, né? que nós estamos jogando fora porque o ambiente de trabalho não é um ambiente adequado ao ser humano feminino.
E existe um conceito errado também, independentemente de sexo, que é aquela coisa... Poxa, mas como é que eu vou fazer? Eu vou tirar emprego da mão de obra direta? Na verdade, não vai tirar emprego, esse emprego está indo embora. O que nós vamos fazer é transformar um contingente maior de profissionais que são pedreiros, encanadores, eletricistas, numa outra função mais nobre, que são os montadores, mas bem remunerados. É isso que aconteceu na indústria e é por isso que nós vamos ter que passar.
Mas assim, vocês entendem qual é a principal dificuldade? Porque quando você falou que existe uma resistência, acho que de certa forma a gente tem uma liberdade para falar o que quiser aqui. O que você entende que a gente poderia fazer para começar a mostrar outra forma para a gente conseguir quebrar essa resistência das pessoas?
Então, acho que a grande resistência, agora eu vou fazer uma crítica mais dura, mas ela é real. Se a gente pegar a idade média dos empresários do setor da construção, Ela é alta. Eu tô com 65, é daí pra cima, 70, 75. E existe nesse momento de vida, com os negócios estabilizados, uma preocupação com o futuro que é mais ou menos a seguinte, eu não quero correr risco. Então, existe uma barreira cultural muito grande no próprio setor, por parte dos empresários. Quando você vê as empresas já numa fase de sucessão, os jovens estão mais propensos a tomar risco e a entender que precisam fazer uma mudança. Mas eu entendo que boa parte das barreiras são nossas, são dentro do próximo. É mentalidade.
Mentalidade é a palavra que define. E Celta, a gente estava conversando ali agora nos bastidores, que a indústria é muito fechada, muitas vezes ela se fecha, e aí surge também essa dificuldade de a gente escalar, ou seja, de a gente resolver, falando um pouco desse problema de déficit habitacional. Então, a gente está agora aqui, numa exposição, numa construção off-site, e tentando trazer alguns parceiros, eu escutei frases do tipo, não, eu não vou lá, porque vão copiar a minha solução.
Isso aí é uma grande bobagem. Quando você acha que tem uma tecnologia e você é apropriado da tecnologia, aquela tecnologia não quer mostrar para ninguém, primeiro que você não consegue. Qualquer obra você vê, se for para copiar. E outra coisa, nós não precisamos de tecnologias proprietárias no nosso setor. Nós precisamos da escala, e a escala tem que ser... Nós temos que abrir as tecnologias. As construtoras não têm que ser proprietárias de tecnologia. Elas têm que saber se apropriar das tecnologias existentes e... relacionar. Hoje nós não precisamos de desenvolvimento mais de processo construtivo. Sempre alguma coisa. Hoje a prioridade tem que ser como integrar os processos construtivos que nós já temos no mercado. Hoje no Brasil nós temos 99% do que é feito no mundo. Não precisamos ficar inventando. Vamos desenvolver, sim, é importante, mas hoje a prioridade é como juntar tudo isso. E montar isso numa obra. Como relacionar, por exemplo, fachadas. Como é que é o processo de fixação da fachada na estrutura? Será possível que cada tipo de fachada que tem no mercado tem que ter o seu processo de fixação?
Então, você vê aqui o mercado de elétrica, igual a essas tomadas. É um próprio exemplo. Você, às vezes, muda você muda a forma de conectar, só que a indústria já está com uma forma de fixar naquela tomada, e muitas vezes quando eu compro algum equipamento, eu preciso fazer adaptações.
Aqui na feira, na exposição, você vê, você tem, eu contei pelo menos três ou quatro, indústrias de pré-fabricação de sistemas elétricos, mas os componentes são componentes do mercado.
São componentes do mercado.
Entendeu? E eu posso permutar aquilo. É uma pré-fabricação aberta. Entendeu? Então, assim, nós precisamos de escala. E escala não é cada um com o seu mundinho, cada um desenvolvendo sua tecnologia, entendeu? E querendo esconder isso do mundo, que nós vamos conseguir isso. Nós já temos tudo no mercado, precisamos saber integrar.
E aí, como que ficaria essa questão das patentes, Paulo, com você?
Então, eu falo sobre isso, mas se você me permite, eu queria completar essa fala do seu, porque ela é muito importante. Eu acho que um modelo importante de industrialização da construção é o modelo do Reino Unido. Lá tinha um cara muito interessante, que estava assim, cansado que nem eu e seu outro, né? Levamos muita sapatada já. Ele se chama Mark Farmer. E ele resolveu juntar um grupo de especialistas e falou, tem 30 anos que eu estou batendo, malhando ferro frio aqui, e a construção muito se alisa no Reino Unido. Vamos entender, vamos fazer um diagnóstico. E nesse diagnóstico ele montou um relatório com um grupo que ele escolheu de profissionais para trabalhar nisso, e ele comparou a construção no Reino Unido com um paciente da medicina. E a capa do relatório dele, que acabou sendo conhecido como Farmer Report, tem lá construção industrializa ou morra. Essa é a capa do relatório. E você abre na primeira folha quando ele está apresentando o relatório, ele começa assim, a construção no Reino Unido é um paciente moribundo.
Ponto.
Essa é a primeira frase de apresentação do relatório dele. E aí ele disse o seguinte, olha, e isso não industrializa aqui porque é o que foi dito, não tem escala, mas para escalar o governo tem que comprar, ele é o grande contratante, depois o setor privado vem a reboque, ponto. A partir daí foram surgindo algumas ideias, o governo comprou, E desenvolver um sistema que a própria SEBI, que está estudando aqui, num projeto muito interessante, no qual a gente participa, que se chama Consumo 2030, que é um programa de plataformas abertas de produtos modulares. Então, para escalar, você não pode fechar o sistema. E foi o que deu certo lá. Então a gente precisa abrir os olhos, porque se a gente não... E aí tem uma outra questão política, né? Aqui sai um governante próximo, você muda o programa pra escola, pra saúde, pra educação, pra tudo. A gente tem que ter continuidade.
Começa tudo do zero de novo.
É isso, começa tudo do zero. E nessa medida, nessa linha de pensamento de bate-papo que a gente tá fazendo agora, como que ficaria a questão das patentes, quando a gente fala de tecnologia aberta?
Boa.
Bom, eu acho que cada coisa tem seu lugar. Obviamente quando você tem um investimento muito grande em tecnologia, quem fez esse desenvolvimento tecnológico quer se proteger de alguma forma para recuperar uma parte do investimento. Então as patentes existem para isso. Eu mesmo protocolei nos últimos anos pela Aratal dois pedidos de patente. Mas a gente sabe que uma patente para ser decidida no Brasil são 10 anos, 12 anos, 15 anos. Até lá, Até lá você pode ter certeza que outras coisas parecidas já estarão no mercado. Então é muito difícil isso. Você não consegue uma proteção absoluta de patente principalmente aqui. Então eu acho que é válido você buscar patente para alguma coisa que você investiu em um desenvolvimento e precisa buscar um retorno. O capitalismo é assim. Mas, por outro lado, eu estou com o Ceoto, você não consegue proteger um sistema, você não consegue evitar que ele vá ser copiado, mas são as regras do jogo, a gente joga com elas.
E você pode patentear um determinado sistema, mas deixar aberta a possibilidade de integração entre outros sistemas. O componente em si... A interface não pode ser patenteada, não pode ser proprietária, senão você só vai utilizar aquilo lá no seu mundinho, não precisa integrar. As construtoras precisam pegar os diversos componentes, mesclar para dar o prédio pronto. Então não adianta você só ter um tipo de fachada que só cabe num tipo de estrutura. Não tem sentido. Então é possível conviver de uma maneira inteligente com patentes? e abrir bastante, completamente, a interface de ligação entre os sistemas.
Perfeito.
Interessante esse ponto que você trouxe.
Só para complementar, uma dessas patentes é para um sistema construtivo, e a ideia é essa mesmo. Nós não temos a menor intenção de ter 10 fábricas pelo Brasil, 3 na América Latina, para replicar isso. É um sistema para ser licenciado para escalar, e o foco é Minha Casa Minha Vida.
Olha, que bacana. E do que a gente abordou aqui, tem algum tema que vocês gostariam de falar, alguma coisa, antes da gente encerrar, que vocês gostariam?
Nós temos o problema de custo Brasil, que é um item que impacta bastante. Se você vai levar um componente, principalmente na construção modular, que você transporta módulos, Você tem problema de como acessar com esses módulos as cidades, quando você precisa de caminhões de grande porte. Você tem problema de içamento. Nós não temos equipamentos de içamento no Brasil que sejam capazes de nos atender de uma maneira mais tranquila. Nós temos um problema, a cidade é cheia de fio, de cabo elétrico, árvore que você não pode nem tocar. Então, existe uma dificuldade muito grande. E o Brasil, as cidades brasileiras, são cidades extremamente verticalizadas. São edifícios. Então, por exemplo, quando a gente fala de construção modular, ela é bastante viável hoje para casas, para construção de baixa altura. Mas para a parte de edifício de mais altura, que realmente é uma coisa que predomina nas grandes cidades, é difícil. Você não consegue transportar mais do que 3,20m de altura um componente de 3,20m, porque senão você vai abater em todos os viadutos que tiveram no caminho.
A gente tem a possibilidade, a gente tem a indústria preparada para isso, mas as questões logísticas do país acabam viaduzando.
Você vai andar com o caminhão, vai passar em todos os buracos possíveis, entendeu? E a chance de você estragar ou desconjuntar os componentes é muito grande. Esse é o custo Brasil. Realmente.
E é um detalhe que às vezes a gente não... Não percebe, a gente não olha para isso.
Agora, tem um lado positivo, que um dos fatores que mais impactava a gente não adotar a construção industrializada era o custo. E o custo vinha muito em cima de impostos assimétricos. Então, praticamente, se você fazer alguma coisa em obra, utilizando o lombo do peão, empilhando tijolo, usando mão de obra intensiva, praticamente você não pagava imposto. E se você fazia através de componentes industrializados para ser montado na obra, você pagava em CMS. Ou seja, havia uma oneração da ordem de 20% do custo entre CMS e IPI, que a construção mais atrasada, mais artesanal, não pagava. Então, infelizmente, a reforma tributária praticamente resolveu isso, mas está resolvendo em oito anos.
Nossa, 8 anos?
O problema é que a aplicação da reforma tributária vai ser durante 7, 8 anos. Então assim, eu imaginei que ia ser mais rápido, mas vai acontecer em 7, 8 anos. Ora, a reforma tributária que vai anular essa tributação absurda, totalmente artificial, somada à falta de mão de obra que nós temos, o Uber está fazendo uma revolução, o iFood está fazendo uma revolução.
Os aplicativos da vida em geral.
Agora vai chegar um momento que não tem jeito, nós vamos ter que adotar. E é importante as empresas olharem para frente e falar, nós temos sete anos no máximo para a gente se adaptar. E sete anos passa muito rápido.
Mas essa informação, assim, é importante. Quando você fala essa questão também de troca de governo, isso não pode. Não existe a possibilidade de afetar isso, de prejudicar.
Eu acredito que não. Mas, assim, Brasil até o passado é incerto.
Tem um outro aspecto que eu queria trazer. que é a pré-construção, é uma questão mais de conceito, mais de metodologia de trabalho, a gente não matura os projetos como a gente deveria no setor, e a pré-construção é uma coisa muito mais completa, que pensa na logística, que pensa no planejamento, e que usa ferramentas como o Lean, como Engenharia e Análise do Valor, e uma ferramenta que eu gosto muito. que é o Target Custom ou Target Value Design ou Custail Meta, que é você precisa de desenvolver um produto, tá bom, vamos desenvolver aquele produto, aquele empreendimento, mas a partir de um trabalho de uma equipe bem coordenada numa pré-construção, você estabelece uma meta de preço para aquele produto e toda a equipe de projeto trabalha de uma forma integrada para atingir aquele preço meta. Não atingiu, volta para a prancheta, simples assim. Então a pré-construção, ela olha para esses detalhes do planejamento, como é que eu vou fabricar, montar, transportar, içar, etc. Mas ela olha para o todo. E com ferramentas que são poderosas para conseguir desenvolver produtos mais eficazes. Quando eu falo mais eficazes, menor custo e prazo, melhor qualidade de desempenho.
A pré-construção convencional, essa pré-construção praticamente não existe. O incorporador, ele pega o projeto, arquitetônico, joga na mão dos demais projetistas, faz aí. Eles mesmos tomam a decisão.
Não existe uma centralização.
Entre outros aspectos de logística, você tem que pensar no processo consigo.
Muito bacana. Tem alguma outra coisa que vocês gostariam de falar antes de encerrar o episódio?
Basicamente é isso. Espero estar vivo daqui a oito anos para a gente ter realmente... Eu acho que nesses próximos oito anos vai ser uma grande evolução. Pode ser que eu esteja otimista demais, Mas eu acredito que se as coisas andarem conforme está aprovado no Congresso com relação à questão tributária, eu acho que nós podemos ter uma revolução e as construtoras, os empresários, de uma maneira geral, têm que estar preparados para isso.
E eu espero, daqui a oito anos, estar aqui, fazendo bate-papo com você, para a gente comemorar, né, Paulo? Pelo amor de Deus! Vamos!
Vamos!
Paulo, alguma consideração?
Não, eu acho que está perfeito. Obrigado mais uma vez pelo convite. E vamos juntos, vamos fazer aquilo que é o nosso propósito, transformar a construção em uma fábrica de edificações.
É isso que a gente tem muita novidade nos próximos sete, oito anos, né?
Vamos juntos!
Positiva, né?
Vamos juntos transformar a condição civil através da educação, porque o que a gente está fazendo aqui é, de alguma forma, educando a sociedade. Então, Ceoto e Paulo, mais uma vez, obrigado por contribuir com esse movimento de conscientização da condição civil no Brasil. Um abraço e até o nosso próximo encontro, quem sabe aqui no Sambódromo do Ambi ou no nosso estúdio na Barra Funda. Tchau, gente.
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