CIDADE MATARAZZO | PODCAST DA ENGENHARIA CIVIL | EDSON KATER | CONSTRUECAST #005

Podcast episode (ConstrueCast #005) — interview with Edson Kater about his 38–39-year career in building construction (started 1983) and his recent focus on delivering large, emblematic projects. Detailed case discussions include: Porto Atlântico Leste (110,000 m² mixed-use complex; converted from concrete to mixed metal/concrete structure to meet schedule and site constraints; archaeological finds and use of 3D georeferenced scanning to avoid stoppages); Holiday Inn hotel (35-storey building executed in 23 months; conceived originally as steel/mixed structure and born in BIM); and Cidade Matarazzo (managing execution for ~50% of the complex via CRS consortium, engineering challenges on Torre Mata Atlântica — unique façades and 106 hotel rooms/126 apartments with non-repetitive balconies — plus the capela and maternity engineering solutions involving deep piles, a new raft under the chapel, and temporary bracing/"hands" for the marquise while excavating five sublevels). The interview also covers decision drivers for choosing steel/mixed structures (time-to-market, tax incentives), use of BIM, and several retrofit cases in Rio.
Questions this video answers
1983
Around 2007
110,000 m²
35 storeys; executed in 23 months
4 January 2014
Chapters
Sejam bem-vindos ao ConstruyCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtora Infinity Plus. Tenho o prazer de receber aqui o Edson Cater. Edson, eu queria que você se apresentasse para quem não te conhece, ou seja, faz um pit rápido de você. Quem é o Edson Cater?
O Edson hoje é uma pessoa que está se especializando em materializar negócios, jobs. Eu entrei no ramo da construção predial, eu sou um cara eminentemente da área de construção predial, comecei em 83, então tô aí 38, 39 anos na luta e boa parte desse fazendo prestação de serviço, construindo prédios pra terceiros, pra condomínios e tal. Mas nos últimos 10 anos, 15 anos, eu consegui, depois que eu percebi que eu não tinha uma vocação para ficar sentado numa mesa, o famoso diretor técnico de obras e tal, não vou dizer que eu não esperei isso na minha vida, mas quando eu percebi que alguma coisa me direcionou, para realizar desafios grandes. Comecei especialmente na Tishman Spire, porque os empreendimentos são geralmente relevantes. Então, a gente tinha que fazer uma gestão de contrato bastante eficaz e foi um contato que eu nunca tinha tido com novas tecnologias de construção. Conceitos mais modernos, sair da construção molhada Isso aí nas montagens.
Em que ano você saiu da molhada?
Então, acho que foi 2007.
2007.
Em 2007 eu comecei a ter uma oportunidade de conhecer um outro mundo da construção.
E aproveitando, como foi essa mudança? Acho que eu estou até interrompendo a sua apresentação, mas...
Mas eu não saí mais disso. E depois, voltando só um pouco antes de falar dessa mudança, mas eu acabei na Tishman adquirindo uma experiência muito grande na na gestão de grandes empreendimentos, múltiplo uso. Então, não à toa, a Aldebrecht me convidou para integrar o time na OR, Aldebrecht Realizações, que é focada na construção predial, mas com foco nesses empreendimentos maiores de múltiplo uso no Rio de Janeiro. Eu fiquei responsável pela parte da construção predial no Porto Maravilha. Eu tinha um colega que cuidava das obras na região lá da Barra, que eram as obras olímpicas e eu trabalhei na construção predial no Porto Maravilha. E com a crise eu me desliguei do Odebrecht, mas algo me dizia já quando eu estava no Rio que eu ia um dia fazer parte desse empreendimento que é o Cidade Matarazzo, que nós estamos entregando, acabamos de entregar a primeira fase, essa semana passada o hotel começou a funcionar. E eu me vi na minha idade, na minha formação, uma pessoa mais focada em tentar trabalhar com jobs, ou seja, realizar contratos relevantes. Já existe alguns na mira para eu ir daqui para frente. E esse contato com a construção, essa migração da construção molhada, que eram os prédios, para a construção um pouco mais focada na montagem, ainda que com grandes desafios, foi um divisor de águas enorme do meu ponto de vista. Acho que teria alguma dificuldade hoje em tentar voltar a responder pela execução de obras convencionais.
Eu queria que você falasse um pouco especificamente do Porto Atlântico e como foi o processo de construção.
Foi uma tomada de decisão relativamente fácil.
Quem quiser pesquisar, tanto quem está nos ouvindo nos canais de áudio e vídeo, quem quiser pesquisar... Qual que é o nome?
O empreendimento se chama Porto Atlântico Leste.
Porto Atlântico Leste, é só buscar no Google, vocês vão ver o nível.
Sim, tem uns vídeos muito legais. É um empreendimento múltiplo uso. eram 110 mil metros quadrados, tinham prédios corporativos, dois hotéis, um de quatro, um de três estrelas, um prédio de salas comerciais, um mini shopping e tudo isso em cima de cinco subsolos que dentro de uma área que era um aterro no mar dentro da Baía da Guanabara e que só potencializou o desafio construtivo. Mas a tomada de decisão naquele momento foi relativamente fácil, Paulo, porque...
O rio estava em alta.
Não só o rio, mas especialmente o rio. O mercado estava muito aquecido depois daquela crise de 2009. O mercado estava muito aquecido em 2010, 2011 e 2012. e o Rio especialmente pela pela contratação pela pelo advento da já vinha dos Jogos Pan Americanos que já estava em alta. Depois o anúncio da Copa e das Olimpíadas. Então a gente percebeu pois foi uma tomada de decisão que a gente já destacou várias vezes na apresentação desse empreendimento em alguns lugares que a gente tinha que fazer algo diferente. a gente ia competir com um sistema, com construtoras e execução de obra no sistema convencional e muito provavelmente a gente ia perder em rentabilidade, em tempo, nós não íamos conseguir honrar os prazos e os custos. As construtoras, o Rio de Janeiro contratando obras em grande quantidade, sejam lá públicas ou privadas, A gente percebia que o mercado do Rio, ele sempre foi, ele sempre esteve vários anos atrás em termos de competitividade, em qualidade, em gestão do que São Paulo. Então, eu vindo de São Paulo, a gente percebia isso e já estava vivendo no Rio e percebemos que se a gente não fizesse algo diferente, a gente não ia honrar a nossa meta que era entregar o empreendimento para para as Olimpíadas, não era para a Copa, era para as Olimpíadas. Então a gente, por exemplo, a dificuldade de encontrar colaboradores, seja lá subempreiteiras, empreiteiras ou trabalhadores próprios, que nos garantisse que nós íamos entregar um prédio de 110 mil metros quadrados numa construção convencional, no tempo e no prazo, no prazo e no custo. algumas coisas relacionadas às características ali do local, da região portuária, são vários fatores que... E outra, a questão do tempo, a gente também fez, a gente percebeu que aquilo que todo mundo entende como um custo adicional da construção, ele tem que ser percebido como um grande potencial de não haver o custo adicional da construção convencional. A cada mês de atraso que eu teria numa construção convencional, e a gente estimulou naquela ocasião que a gente muito provavelmente teria uma construção com atraso de no mínimo seis meses, já era suficiente o custo fixo da construção para justificar a tomada de decisão de pôr esse dinheiro na construção em aço e entregar a obra no tempo.
E durante esse processo de planejamento, ou seja, você já tem que chegar com a solução construtiva, ou seja, que tipo de metodologia construtiva vou utilizar?
Então, tivemos dois casos. O Porto Atlântico Leste, particularmente, foi concebido em construção convencional em concreto. Então, foi um grande desafio fazer a migração para o partido estrutural metálico misto. A gente optou por uma estrutura metálica com núcleos de concreto para enriquecer a construção, porque se fosse puramente metálico, aí o custo realmente não fechava. E núcleo de concreto a gente sabe fazer, né? Então a gente não via isso como nenhum problema. Deu muito trabalho e na verdade uma coisa que nós percebemos é que a hora que você migra um projeto já aprovado Atendendo todas as condições de legislação de concreto pra metálica, a gente teve alguns impactos em espaços.
Mas ele tava aprovado em concreto?
Tava aprovado em concreto. Ele tava já projetado em concreto.
E como que você lida? Porque imagina, SBTs do aço.
Você tem SBTs do aço, mas você tem o núcleo de concreto que rouba muito espaço. Então a gente se por um lado eu tive a esbeltez trazendo inclusive uma uma assertividade geométrica do prédio isso é fantástico também. Você não ter o erro. Sim isso é muito relevante. A precisão da estrutura metálica. Mas em contrapartida como ele não foi concebido na hora que a gente transformou ele em estrutura mista. A gente teve alguns impactos, por exemplo, de espaços internos, recuos, devido ao tamanho dos núcleos de concreto que resultaram mais robustos do que as construções, os mesmos núcleos em construção convencional. Por outro lado, a gente fez um outro empreendimento lá que tá lá, que é o Holiday Inn. É um hotel que infelizmente não foi aberto, a gente entregou o hotel, foi uma construção que a gente executou um prédio de 35 pavimentos, nós executamos em 23 meses, a tomada de decisão de fazer o prédio foi três meses antes da obra começar, só que a gente já partiu na concepção de metálica. Então houve uma montagem de um grupo multidisciplinar extremamente dedicado tanto ao Debrecht quanto dos projetistas e a gente conseguiu muito rapidamente conceber um produto já originalmente metálica que não trouxe o ranço ou os ruídos que aquele que foi transformado nos trouxe, como foi o caso do Porto Atlântico, ainda que tenha sido um sucesso Porto Atlântico. O Holiday Inn foi muito mais espetacular em termos de gestão da construção do que o próprio Porto Atlântico, por ter sido menor, por ter sido já concebido em metálico.
Isso estava andando ao mesmo tempo?
Ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo porque ambos os empreendimentos, tanto Porto Atlântico Leste quanto Holiday Inn, eram obras para atender a Olimpíada. Então, nós tínhamos uma meta muito clara, até atrelado a benefícios tributários e construtivos da Municipalidade do Rio, que ambos os empreendimentos tinham que ter o abite até dezembro de 2015, meio ano antes da Olimpíada. A Prefeitura do Rio fez um trabalho muito bacana lá, não podia correr risco de não ter os empreendimentos prontos. E os nossos empreendimentos eram encarados como empreendimentos de apoio, eram hotéis, e o Rio estava com uma carência de hotel muito grande naquela ocasião. Então foram feitos vários hotéis, no fim acabaram se tornando relativamente ociosos.
E esse do hotel também, eu já vi alguns vídeos no Google também.
O Holiday Inn?
Tem.
O Holiday Inn gerou... Eu considero um... A gente conseguiu implementar muito o BIM, a gente fez muito uso do BIM, Não como uma modelagem de 2D para 3D, como foi o Porto Atlântico. O Holiday Inn nasceu no BIM. Então os projetistas tinham que utilizar a ferramenta BIM. Eu tinha um arquiteto, que aliás hoje ele é um profissional muito bacana, depois posso te recomendar.
Fala o nome dele, eu tô curioso.
É o Eduardo Escobar.
Escobar.
Muito legal, ele trabalha... Ele tá um pouco distante da gente hoje, mas ele tem hoje um escritório próprio. Ele mergulhou no desafio de viabilizar a concepção de um empreendimento que pudesse começar dali três meses, projeto do zero. Eu vou te dizer que em setembro de 2000, a gente terminou o prédio em 2015, então foi 2014, 2015. Em setembro de 2013, a gente decidiu que a gente ia fazer o prédio. Em setembro de 2013, a gente decidiu, vamos fazer o prédio. A prefeitura nos convidou Ah, mas o prédio tem que estar pronto em dezembro de 2015. Nossa senhora, então era pouco mais de dois anos. E aí é muito bacana também, já que a gente fala da metálica. Naquele momento, nós tivemos pouquíssimos dias para fazer um estudo comparativo para ver qual o melhor partido estrutural. Então, o que que estava na pauta? Uma estrutura convencional de concreto que a gente já sabia que ia ser problemática. uma estrutura metálica que nós tínhamos acabado de sair da validação do Porto Atlântico já estava em andamento. Então a gente já tinha virado fã da metálica. Então para nós, para mim, já era uma tendência. Para mim, Edson, eu já sabia que ia ser metálica. Mas por a gente estar trabalhando na Aldebrecht, Aldebrecht tinha uma, por conta da Braskem, Eles insistiram muito em que a gente estudasse uma outra, um outro partido estrutural que era baseado naquele sistema que chamava de Bubble Deck.
Bubble Deck sim.
E algumas pessoas dentro do meu grupo se entusiasmaram com Bubble Deck. A Odebrecht estava fazendo alguns prédios com Bubble Deck em Brasília. Mas para mim estava claro que o Bubble Deck era um risco. porque era uma tecnologia que ainda não estava dominada, o bubble deck fazia o papel de uma forma, a construção fundamentalmente ia ser concreto, e a gente falou, vamos entregar, e foi muito bacana porque a gente teve que ir mostrar para a diretoria de negócios do Aldebrecht em poucos dias, criar um estudo comparativo, Foi muito democrático. A gente fez uma reunião com um grupo, um petit comitê técnico dentro da nossa unidade de negócios no Rio de Janeiro, onde a gente apresentou as alternativas e ouvimos todo mundo. E a tendência maior era pela Metallica.
Só um ajuste, como tem muita gente que não conhece o Bubble Deck, eu acredito, você pode só explicar um pouquinho o que é para o Lego?
O Bubble Deck, o pouco contato que eu tive e que não me entusiasmou, ele faz um papel de forma, ele ocupa um espaço dentro da estrutura. vazios, ele gera vazios dentro da estrutura, se você for ver ele se assemelha muito com o que seria o sistema daquelas formas de cubetas, da tex e tal, ele permite que a estrutura de concreto seja calculada e executada considerando alguns vazios dentro que permitiriam talvez um consumo de concreto e de aço menor do que o convencional. Eu não conseguia, apesar de ter colaboradores diretos meus entusiasmados, visitaram as obras da Odebrecht em Brasília, eu não conseguia vislumbrar o ganho.
Como era algo novo, talvez despertou esse...
É. Mas a gente confia muito no nosso na nossa percepção e com a experiência recente do Porto Atlântico. Ainda bem que apesar de ter sido democrático. Eu lembro muito bem que no dia o nosso diretor de negócios ele ouviu todo mundo e disse Fletson você é o nosso gerente geral aqui né. Qual é a sua opinião, Flávio? Eu respeito bastante a opinião dos demais, mas eu estou convencido que se a gente não optar pelo partido metálico misto, nós não vamos entregar esse empreendimento até dezembro de 2015. Então você imagine se em setembro de 2015 não existia nem o projeto. Bem desafiador, bem desafiador. Paulo, no dia 4 de janeiro de 2014, a gente estava cravando as primeiras estacas metálicas, perfis metálicos. Ainda bem que não era, não tinha subsolo, era sobressolo. Isso ajudou muito também, que o Rio tem uma legislação muito mais amigável para sobressolos do que São Paulo. E a gente cravou as primeiras estacas metálicas no dia 4 de janeiro de 2014, isso me marcou.
Quanto de janeiro?
4 de janeiro de 2014.
Mas, enquanto isso, o projeto já estava na fábrica.
Já estava, mas a fundação já estava definida, então a gente pôde executar a fundação antes de começar as primeiras peças metálicas, que a gente também se juntou novamente com a Codeme. A Codeme entrou com uma colaboradora muito forte nessa hora.
Esse projeto da Acodemic executou.
Também.
Que é interessante.
E também teve uma coisa interessante. A gente teve uma preocupação em garantir que o núcleo de concreto fosse o menos complexo possível. Tinha que ser uma forma trepante que teria que dar velocidade, senão a gente não conseguiria entregar o prédio em 24, 23 meses. A gente acabou executando em 23 meses. Foi uma coisa fantástica. E por incrível que pareça, o prédio acabou não sendo aberto. Ele é um prédio que tá fechado até hoje. No momento que eu ia começar a fazer implantação hoteleira, de fato, que isso era uma obrigação da gente, equipar o hotel, a gente recebeu a informação de que o hotel não ia ser aberto. Então o prédio ficou lá com a Bitsi, fechado.
Mas todo pronto, né?
Todo pronto. com a Beats na mão e faltando pouca coisa. Quando você tem uma Beats, falta pouca coisa. E esse prédio até hoje parece que é um desafio da UR em tentar transformá-lo num outro uso, estúdios, alguma coisa assim.
É muito triste, porque o conjunto, na verdade, de obra ali, eu vi alguns vídeos no Google, é muito bonito. E eu fico muito triste quando eu vejo um projeto feito daquela forma, um projeto tão bonito, Ou seja, virou um elefante branco.
Virou. Além do que, ele tinha uma arquitetura inovadora. Eu diria para você que era um dos hotéis mais bonitos do Rio de Janeiro. Muito moderno, muito enxuto. A gente fez muito uso. O núcleo de concreto... Na verdade, a gente chamava de núcleo, mas eram três núcleos, dois deles nos extremos. E o núcleo a gente fez num concreto aparente que foi incorporado a fachada, então foi um concreto tratado, estrutura metálica.
Aquele concreto é especial?
Não, não, não, concreto convencional. Apenas com um slump maior para poder fazer o bombeamento e a fachada em, fachada unitizada em alumínio. Então você olha para o prédio hoje, você vê concreto aparente, alumínio, vidro e ACM. Fantástico.
Não, é muito bonito. É um projeto que quem tiver curiosidade pode ir lá buscar no Google.
Tá lá ainda, acho.
Tá, eu vi recente.
Ele tinha um outro nome e aquela região do Rio chamava, se eu não estou enganado, acho que era Água Formosa.
Água Formosa, é Holiday Inn.
O Holiday Inn era a bandeira com quem a gente firmou um contrato. Só que ao final de 2015 o contrato foi desfeito. Então ficou Holiday Inn. Mas eu não lembro, acho que o empreendimento era Água Formosa, uma coisa assim, porque era o nome daquela região Praia Formosa.
Praia Formosa.
Praia Formosa. Porque era justamente uma região que antes de ter o aterro daquela região, ele era uma prainha. Tem até registros do Praia Formosa.
Eu vou tentar colocar na descrição do conteúdo, vou tentar colocar o link desse vídeo, para quem tiver curiosidade em ver o que... Ou seja, sobre o que a gente está falando.
A diferença básica é que o Holiday Inn foi concebido em metálico, era um prédio bem menor, mas ele foi executado de uma maneira extremamente mais ágil, enxuta, mais inteligente, eu diria. O Porto Atlântico Leste, O mérito dele é o desafio do gigantismo do empreendimento e a gente transformar um empreendimento de 110 mil metros e também executar ele, ele teve um prazo de um ano a mais. ter que entregar aquele empreendimento de 110 mil metros, e ainda por cima com cinco subsolos dentro de uma área que era aterro, na costa do rio. E ali do que a gente encontrou uma série de vestígios arqueológicos lá.
Isso para, né?
A obra quando você encontra... Então, pararia, mas até isso a gente inovou, porque a gente conseguiu um alinhamento muito legal com o IFAM, A Odebrecht, tem uma coisa que eu gosto de contar, que é muito bacana, acho que as pessoas têm uma impressão de que a Odebrecht, acho que por tudo que aconteceu, que ela fazia muito uso do nome dela para encurtar caminho. Quando eu entrei lá no Rio de Janeiro, uma das primeiras coisas que o meu líder falou era de que eu jamais fizesse uso do nome da Odebrecht, para obter vantagem junto aos stakeholders todos envolvidos em empreendimentos, especialmente a municipalidade. Então, todo o trato que eu tive com as concessionárias, Light, CEDAI, com as secretarias, existe lá a Secretaria do Meio Ambiente, que ela é extremamente importante no processo de aprovação e entrega da obra, A gente conseguiu, e o IFAM, que acabou virando uma realidade, todos com a sede ali no Rio, a gente criou uma relação de proximidade, de humildade, a gente ia se apresentar, olha, tô fazendo uma obra lá e tal, e isso funcionou muito bem, muito bem, não tinha uma arrogância, uma presunção, e abriu portas. E no caso do IFAM, até isso a gente acabou inovando, porque no Porto Atlântico, a gente criou um case novo, que era o seguinte, quando eu encontrava um vestígio arqueológico, eu encontrei fundos de barcos, âncoras gigantes, âncoras de 3 metros de altura, correntes, bala de canhão, Muito bacana, né? Quando você encontrava isso numa situação normal, você era obrigado a parar a obra. A gente ouve falar muito disso.
É, eu tenho alguns case aí... Sim, no próprio Rio. ...que eu faço acompanhamento de obras aí, às vezes eu vejo que, opa, encontraram ali alguma coisa, tem que parar a obra.
Eu não podia parar. Então, o que a gente fez? A gente propôs pra eles um sistema de trazer uma estação de... Como é que chama? Um scanner 3D georreferenciado. Esse era o nome, scanner 3D georreferenciado. Esse scanner, a gente descobria o suficiente para expor o vestígio arqueológico, colocávamos o scanner, o scanner registrava aquela peça nas coordenadas de altura, latitude, longitude no espaço, Dava nome. Aí a gente tirava, desmontava tudo, colocava num depósito pra ser remontado em algum lugar. E imediatamente era liberado pra continuar com as escavações.
E você já conhecia esses câmeras? Ou descobriu que existia isso?
Não, eu tinha uma turma muito bacana lá e eu lembro que eu tinha uma menina de qualidade que ela que trouxe a ideia e a gente mostrou pro Ifan. O Ifan usou isso como um case de como tornar as obras mais sérias em função de não ficar parado e tal. E ao final foi muito bacana que ainda como uma compensação para quem for hoje no Porto Atlântico Leste ou puder ver eu fiz questão de dentro da praça. dentro da praça, que é uma praça grande, que tem os empreendimentos ao redor, a gente montou uma estação, uma estação para visitação turística, com dois ou três vestígios arqueológicos, uma âncora, uma bala de canhão, uma corrente, com uma espécie de uma comunicação visual ao redor, num painel de alumínio muito bacana, contando a história daquela região do Rio.
Nossa, que legal!
E eu lembro que no dia do... da entrega do empreendimento, que muita gente até falava, não, não precisa, não sei o que, virou um ponto de atenção muito bacana, uma iluminação bacana e tal. Então o Iphan também divulgou isso, a gente tinha uma assessoria, existia empresas que o Iphan... você contrata uma assessoria arqueológica. Eu não tô lembrado o nome, já já vou lembrar, mas era uma empresa bastante experiente, a dona da empresa era uma arqueóloga também bastante experiente junto ao Iphan, e ela nos ajudou a montar isso e ajudou a divulgar. E a gente fez, inclusive durante o empreendimento, uns dois ou três eventos lá na obra para divulgar para a comunidade os achados arqueológicos lá.
Nossa, muito legal.
O empreendimento foi se tornando bastante relevante por todas essas coisas, não apenas pela construção em si.
De certa forma, vocês acabaram até descobrindo uma história que, de certa forma, Estava apagado ali.
Eram coisas que estavam ali provavelmente há 200, 300 anos ali embaixo.
É muito interessante. E Edson, trazendo agora para o Casey do Matarazzo, eu queria que você contasse um pouco do seu papel, o que você fez. O Matarazzo, para quem não conhece, também queria que você fizesse uma breve apresentação. Contasse um pouquinho também da história da capela, que aqui chama muito a atenção.
Está muito na mídia, inclusive nessa última semana saiu mais uma matéria na Veja, na Veja São Paulo, destacando a entrega da primeira fase do empreendimento. O empreendimento também é um empreendimento múltiplo, gigantesco, para quem não sabe, o Alexandre Allard foi um visionário, ele já tinha um viés de explorar hotéis na Europa, e ele já vivia entre Brasil, Paris, Londres, e ele teve uma vontade de investir no Brasil, e ele foi o cara que identificou o complexo do Matarazzo, que estava parado, congelado, fechado há décadas, e apostou as fichas em criar ali um empreendimento emblemático para a cidade de São Paulo, com viés de natureza, uso de materiais nacionais, Foi muito bacana a ideia dele. E essa ideia surgiu, se eu não estou enganado, há pouco mais de dez anos. Quando eu estava no Rio, executando as obras da Aldebrecht, existiam alguns profissionais em comum as obras. E qualquer coisa me dizia ali que, nessa minha linha de participar de empreendimentos emblemáticos, eu falava que um dia iria estar na cidade de Mataraz. Então você já sabia que tava uma.
Coisa, você já tava sabendo esse movimento.
E quando eu voltei do Rio, eu passei um período parado, fiz uma opção, parte por uma opção e parte pelas circunstâncias, mas aí surgiu a oportunidade de eu conversar com uma pessoa na cidade de Matarazzo. E imediatamente encontrei com uma pessoa lá que é o engenheiro Maurício Bianchi, que é o diretor técnico, ele me conhecia, ele não sabia que eu tava parado, ele falou, não, você vai trabalhar aqui comigo. Uma coisa impressionante assim, né? Passou na minha frente.
E vocês trabalharam juntos nesse projeto?
Sim. A construção, qual é o meu trabalho lá? Eu faço a gestão contratual da execução de uma parte do empreendimento, eu diria que talvez 50% do complexo. E a empresa chama-se CRS, é o Consórcio RFM Sérgio Porto Engenharia, duas construtoras que se uniram montar um consórcio para poder realizar aquelas obras, parcial. E o CRS entrou nessa obra, já deve estar fazendo aproximadamente seis anos, começou a dar os primeiros passos para engenharia, fundação, contenção. Eu entrei a quatro. Quando eu entrei lá, a gente estava começando a estrutura, a superestrutura da Torre Mata Atlântica, que é uma torre gigantesca, muito bacana em termos de solução da estrutura, que é uma estrutura de concreto pigmentado com concreto autodensável, um desafio de engenharia também pelo modo executivo, desafios.
Aquela própria solução daqueles breezes, né?
Então, e ela é uma estrutura que ela não tem, ela conversa com a fachada e a fachada são sistemas de esquadrias, que simplesmente estão instalados em cima da estrutura, não existe elementos intermediários como paredes. revestimentos que nos permitisse fazer a conciliação do sistema de esquadrias, sejam lá as portas minimalistas, sejam lá os brizes que são decorativos de fachada, não existia uma interface para a gente fazer, ah, vou dar o meu jeitinho aqui. As esquadrias todas, tanto portas minimalistas, gradis e brizes de fachada foram fabricados a partir do projeto. E elas chegavam na obra e tinham que ser instaladas. Então, a gente tinha que entregar uma estrutura pronta para receber as esquadrias.
Isso, o prédio mesmo sendo em concreto.
Sim. A gente até teve a oportunidade de conversar disso uma vez. A estrutura... da Torre Mato Atlântico, é uma estrutura fundamentalmente de concreto convencional. Ela só tem os desafios arquitetônicos de cálculo, a geometria dela, ela é um prédio que qualquer um pode ver, ele não é um cubo, um caixote, ele não tem um único apartamento igual ao outro. Nós temos lá, para você ter uma ideia, na torre, 106 quartos de hotel e 126 apartamentos. nenhum deles é igual a nenhum. Então, quando você olha para a fachada, a fachada tem um jogo, as sacadas, cada um com a sua particularidade. Então, a estrutura, o desafio foi... Imagina, a forma. O meu concreto aparente, como o cliente não admitia nem aquelas famosas tiras de rescoramento, eu tinha uma forma por sacada. Então, eu não consegui repetir a forma. A parte interna toda eu conseguia aproveitar relativamente, mas a cada andar tinha que ser reformada, complementada, diminuída, porque tinha vez que aumentava, tinha vez que diminuía, balanço, e a parte externa aparente... que a Bulevar Matarazzo, especialmente o Alex Allard, ele tinha uma expectativa de um visual o mais limpo possível em termos de... A própria paginação das formas levou a gente, sem maiores detalhes, mas levou a gente a ter que fazer uma forma por sacada. Eu não tinha como reaproveitar, porque cada sacada era diferente da outra. E nem por similaridade, porque a gente ia ver que uma sacada que eu estava executando no terceiro andar, ela só ia ter algo parecido com ela no 18º. Então, a verdade é que a gente acabou tendo um consumo de formas excessivo.
Mas essa forma, ela voltava?
Não, não, não. A forma das sacadas, ela era perdida. Ela era usada uma única vez.
Mas ela teve um desenvolvimento especial pra ter esse projeto?
Teve, claro. Ela teve um desenvolvimento especial pra justamente ter um resultado estético que o cliente queria.
Quem foi a empresa que forneceu a forma? Você lembra?
Os compensados foram, acho que, da Forma Plan. Mas quem bateu a forma pra nós foi a EPM, o Mário. Muito legal, uma empresa que eu recomendo muito.
Não, é muito interessante isso porque eu acho que é um projeto que eu tive o prazer de visitar e é bem diferente, por isso que me chamou bastante a atenção.
As cambotas, as formas chegavam em dimensões gigantescas e a gente tinha que pegar a grua, tirar ela do caminhão e já colocar num lugar de uso. para entrar com a armação e concretar. Um prédio com canteiro, apesar de todo mundo imaginar que ele é gigantesco, eu tinha uma restrição de canteiro de obras enorme, então eu tinha que fazer praticamente o just-in-time com a forma. Parte da forma eu conseguia reutilizar, então eu devolvia, por exemplo, boa parte da forma dos pilares era da doca, mas cada andar tinha um tamanho diferente, então geometria diferente, então era obrigado a praticamente devolver as formas a cada concretagem para a doca reformar para a próxima concretagem. Esse foi o desafio da Torre Mata Atlântica. E, além disso, o CRS ficou responsável pelo retrofit da maternidade.
Uma coisa que me chamou bastante a atenção, conforme falei que eu visitei essa obra algumas vezes, me chamou a atenção muito a limpeza do canteiro de obra. E aí você me falando agora dessa questão da forma, Então, olha... Como que vocês conseguiam manter aquela organização de canteiro em um canteiro tão reduzido, né?
Eu vou dizer que foi, olha, até com uma boa dose de sorte, viu? Porque o sistema construtivo, as limitações de canteiro, todo o conjunto de acabamentos que vem, que são acabamentos de altíssimo padrão, com requintes de detalhes minuciosos, muito uso do drywall, Muito uso do drywall, que é uma... Apesar de a gente ter feito todo aquele conceito de você devolver, tem até um nome, esqueci, agora já vou lembrar. Logística reversa. É o termo que eles gostam de usar, né? É que você já fazia um acordo com o fabricante, o fornecedor das placas, dele responder por levar embora logo pra reuso os resíduos do drywall, né? Que até pouco tempo atrás não tinha reuso. O reuso do drywall é uma coisa relativamente recente. As primeiras iniciativas foram da Knauf, há uns anos atrás, hoje já está mais em voga. E as restrições de canteiro. Agora, era um contingente tão grande, Paulo, a gente chegou a ter um pico de 1.200 pessoas no canteiro. Deu bastante trabalho.
E a capela, né? Imagina você, porque você tinha que ter muito cuidado, né? Porque eu não sei como vocês conseguiram também manter aquela capela.
A capela, apesar dela ter ficado... Foi um case, né? Que saiu muito na mídia.
Porque cuidado tinha também, que ter né?
Sim, a capela não podia se movimentar um milímetro. O desafio era esse, a capela não podia se movimentar nenhum milímetro, era uma condição. Mas é engraçado, a gente que tá na construção há muito tempo, quem vê de fora não percebe, o case da capela, que foi manter ela no ar, como o pessoal chamava, foi muito bacana mesmo, mas não foi o maior case de engenharia do empreendimento, eu já vou comentar com você. A capela, fundamentalmente, era uma construção apoiada em fundação direta na terra, baldrames, vigas baldrames, rasas, pouco profundas. E embaixo dela, nós tínhamos que ter oito subsolos da capela. Oito subsolos. Então, como é que nós vamos fazer? Chegou... Teve gente que chegou a pensar em desmontar a capela e reconstruir, mas era inviável. O que a gente fez, fundamentalmente? A gente, antes de escavar, a gente criou um sistema de fundação profunda novo, que eram fundamentalmente oito grandes estacas, estacões, que no futuro seriam parte integrante da superestrutura de concreto armado. Então a gente fez oito grandes estacas, que devem ter chegado a uma profundidade de talvez 40, 50 metros, e fizemos uma espécie de um novo radier, para não entrar muito em detalhe também, uma laje, uma laje de fundação, abaixo da capela, apoiada nessas oito estacas, que permitiu a gente soltar a fundação antiga, que era os baldrames. Entendi. Então, a gente criou um sistema novo cravado, uma grande laje, apoiado em oito grandes estacas, exatamente na projeção da capela, no contorno da capela, quatro e quatro, para poder permitir escavar e construir uma estrutura nova. E aí o momento de desligar a fundação velha foi muito bacana também, porque como não podia ter vibração, e apesar de ser uma fundação rasa, ela era uma fundação robusta, a moda antiga, e a gente fez uso de concreto, A gente cortou o concreto com água em altíssima pressão, suficiente para cortar obras civis. Imagina o cuidado que teve que ter para não ter um acidente. E a gente cortou, a gente descolou a fundação velha da capela, de tal forma que ela ficou simplesmente apoiada na fundação nova, e a gente simplesmente desprendeu e removeu a fundação velha por baixo à medida que escavou, logo que começou a escavação.
E atenção, né?
É, mas tinha um monte de instrumentos, vários instrumentos de monitoramento de nível. Pra você ter uma ideia, me fez lembrar o filme lá do Jurassic Park, que tinha aquela história do copinho. E a gente não era na brincadeira. A gente, quando fez essa operação, a gente deixava uns copinhos d'água pra ajudar a chamar atenção, você não poderia estar tendo uma vibração. Mas o resultado foi sucesso total. Agora, o que eu ia falar pra você é que o case de engenharia que é mais relevante do que a capela, foi na própria maternidade, porque a maternidade tinha uma marquise, ainda tem, a marquise que não podia ser demolida, que é inclusive onde está o letreiro lá, Maternidade Condensa Filomena Matarazzo, e embaixo dessa marquise nós tínhamos cinco subsolos. E a marquise também estava apoiada a quatro grandes colunas em fungações diretas. Só que eu ia escavar e não tinha estaca embaixo, ao contrário da capela. A gente foi obrigado a fazer um sistema de mãos francesas duplas, com a ajuda de cálculo dos escritórios da JKMF, o Júlio Cazóia e o Mário Franco, e do próprio professor Maffei, de contenção, para criar um sistema de fundação provisória daqueles quatro pilares, apoiados de forma a 45° numa estrutura existente, e soltamos tudo que estava embaixo, escavamos. Eu sempre brinco, é a primeira vez que eu consegui olhar por baixo de uma fundação, porque depois que a gente fez esse sistema, a fundação original, que também eram baldrames, ficou suspensa no ar, e a escavação foi falando e você passava por baixo da fundação. Eu tenho fotos, inclusive.
Eu visitei, eu fiquei assim, eu tirei fotos, eu fiquei sem entender.
E esse conjunto, que eram duas mãos francesas por cada um dos quatro pilares que se apoiavam, na estrutura existente, na contenção existente, para poder criar o buraco onde a gente fez os cinco subsolos, ele só foi removido quando a superestrutura dos subsolos voltou a alcançar o nível de apoio das quatro colunas. Então, quando a estrutura foi executada, onde eram as fundações viraram blocos de transição e quando elas estavam prontas e a gente absolutamente seguro que ela estava apoiada, A gente simplesmente cortou as oito mãos francesas.
É uma obra, sim.
Muito. O visual era impressionante. Você passava por baixo da fundação, a capela. Você passava por baixo da capela, mas não por baixo da fundação da capela.
E olha eu, no caso. Tive o privilégio de visitar.
A gente, com retroescavadeiras, arrancando de leve a terra e a fundação direta da Marquise, causou uma prensão muito grande também. porque não podia falhar o sistema de mão francesa e não podia ceder um milímetro a Marquise.
E o operador também.
Também, cuidado. A Marquise está lá, quem olha hoje é aquele lugar que a gente chama de Praça das Oliveiras, não consegue imaginar que ali embaixo tem vários subsolos e aquilo ficou no ar um tempo também.
Vocês fizeram algum 3D para explicar da forma como está por baixo, chegou a ver alguma coisa?
Não, o 3D que a gente fez foi mais para poder, nós usamos o BIM, pra conceber os projetos, mas e também pra fazer a gestão da construção, né? A gente conseguiu usar o BIM, especialmente a Bulevar Matarazzo, tá? Menos o CRS, menos o consórcio. A própria Bulevar Matarazzo investiu pesado no BIM, pra concepção dos projetos, compatibilização dos projetos e a gestão da execução da obra, né? Ajudou muito. Você imagina você ter 650 terraços, um diferente do outro, portas diferentes. A gente fez muito uso de cores para poder fazer a sugestão. Mas não chegamos a fazer um BIM para fazer uma animação, por exemplo, do processo. A gente executou e entregou.
Não, é muito legal. Eu acho que quem vai lá, quem visita hoje, não tem a menor noção do que tem ali embaixo.
É, e quem passa ao redor, ali na rua Itapeva, na Rio Claro, eu não consegui imaginar o que estava acontecendo dentro daquele buraco. Só a capela que veio na mídia, mas eu diria que a capela é um percentual relativamente menor do grande contexto que foi pra quem foi ver o sistema de contenções e outros tipos de reforços estruturais.
Pra você ver, o que me chamou a atenção foi a capela.
Foi.
E agora que você falando, eu lembrei desse outro case.
Inclusive, num vídeo que circulou hoje, foi muito bacana, eu até te copiei esse vídeo, que foi um vídeo de Boas Festas, que a Bônia Matarazzo circulou hoje, deixou a gente a vontade pra copiar pra muita gente, tem uma foto preta e branca bacana desse momento da Marquise apoiada nas mãos francesas. Fiz questão de, na hora do vídeo, congelar a imagem e mandar para algumas pessoas para poder falar. Isso aqui foi um momento relevante muito maior que a da Capela.
É bem legal e eu percebo que você fica muito emocionado em falar desse projeto.
É isso que eu estava falando para você quando você perguntou do que o Edson faz e tal. Eu acho que hoje eu me vejo uma pessoa talvez voltada para tentar materializar esses grandes projetos. Eu não consigo mais me ver indo ocupar um cargo dentro de uma construtora de supervisão e tal. Acho que o meu negócio agora é job. Então, por exemplo, já existem algumas ideias de eu sair daqui e responder por outros grandes contratos em São Paulo. Não importa para quem eu esteja trabalhando. E eu tenho uma satisfação muito grande por esses empreendimentos, como esses do Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, as pessoas não sabem, mas enquanto eu tava na Chishima, existe um empreendimento que pra quem puder conhecer, que eu fiz junto quando eu tava trabalhando com o Luiz Henrique Ceotto. A gente fala que é o nosso bebê. É um retrofit, da antiga sede do Grupo de Seguro Suamérica. Era Banco Suamérica, Seguro Suamérica, né? Suamérica Seguros. É uma construção que ela foi executada em fases, ela ocupa uma quadra inteira dentro do Centro Velho do Rio, ali no Centrinho Velho, Rua Dovidor, Oratório, e até ela fica escondida, porque ela tá num lugar que você tem grandes avenidas, mas que você não visualiza a construção. É um prédio que ocupa a quadra inteira, são 2.500 metros de laje. Ele foi construído em etapas pelo Grupo Sul América, sempre na mão do Grupo Sul América, com um projeto daquele arquiteto Guirê, que é o mesmo que fez o Copacabana Palace, o edifício à noite. E ele foi feito em quatro etapas. A primeira etapa deve estar fazendo 100 anos agora, pouco menos. Então, ele foi executado na década de 20, 30, 40, 50, até completar a quadra. Quando a gente vislumbrou a Tishman, os fundos vislumbraram a oportunidade de transformar aquilo num negócio, a gente comprou aquele prédio, que era ocupado pela Companhia Sul América de Seguros, era um prédio extremamente antigo, pesadíssimo, com equipamentos enormes de ar-condicionado, a gente transformou ele num prédio muito mais leve, com a fachada totalmente preservada e algumas áreas internas, virou um case também lá no Rio de Janeiro, e teve um caso curioso. A estrutura de concreto, você tinha pilares, por exemplo, às vezes de 60 por 60, ou quase um metro por um metro, com quatro barrinhas de ferro dentro. Nossa. Porque eles foram executados numa época em que a norma de estrutura era muito menos exigente com relação à armação. E como a gente assumiu o empreendimento, nós temos que entregar com a responsabilidade técnica, por incrível que pareça, a gente retirou a quantidade de peso que nós retiramos daquele prédio, com coberturas antigas, elevadores antigos, ar-condicionados, revestimento de mármores e granitos pesadíssimos, enchimentos, paredes pesadíssimas, que depois viraram escritórios de laje inteira open space com drywall e tudo muito mais miniaturizado vamos dizer assim, eu fui obrigado a fazer o reforço da estrutura. A gente teve que investir na estrutura com muito aço por sinal, porque eu tinha que descascar os pilares que já eram robustos. E fazer uma armadura de pele ao redor e tornar, encher, pra manter a estrutura dentro da norma brasileira, sem o risco de um dia você ter um problema estrutural e alguém falar, escuta, mas como é que você tá entregando um prédio que não tem, não atende a norma?
Inclusive, o Ceoto vem depois falar sobre retrofit, né? Que ele tem uns cases bem interessantes.
Esse case, você pode cobrar dele. O Ceoto foi bacana porque o Ceoto era o meu líder aqui de São Paulo. Eu tava na Tijuma morando lá no Rio. E eu era o responsável pelas obras também. Por isso que eu acabei migrando pra Odebrecht, porque eu tava fazendo obras corporativas relevantes no centro do Rio. e chamou a atenção da Odebrecht, mas eu fazia isso pela Tishma. E esse prédio, ele tem uma coisa tão bacana, eu gosto de contar, o tempo passa rápido, mas vale a pena. Quando a gente comprou o prédio, a gente identificou que no subsolo tinham dois grandes cofres com aquelas portas metálicas feitas em Paris, gigantes, e tanto eu quanto o Ceotto, e só apenas eu e o Ceotto, A Tishman sempre tinha assim, todo prédio tem que ter uma obra de arte. Essa vai ser a nossa obra de arte, nós vamos botar isso lá em cima. Nós vamos botar lá em cima, no térreo, no lobby. E a gente conseguiu, com muito custo, remover aquela porta de cofre. Pra você ter uma ideia, nós tivemos que arrebentar a laje em cima da posição que ela tava no subsolo, e sair essa porta e levar ela. E essa porta hoje, ela é a obra de arte da entrada do prédio, quem puder também procurar num vídeo ou fotos ou vídeos do Galeria Sul América, ele é um prédio que foi totalmente retrofitado, a fachada foi totalmente refeita pela, na época foi a Construjato, foi um trabalho muito bacana, porque tinha um sistema de fachada chamado velatura, que é pouco comum, o sistema de pintura, É um sistema que respira, você não pode pintar, ele é um sistema que permite que o ar entre e saia, a umidade. E aí a gente escolheu a porta do cofre como sendo obra de arte. Hoje ela tá, quando você entra no lobby do prédio, na entrada, tem a porta gigantesca ali apoiada. E é um negócio que chama a atenção, a gente mandou recondicionar a porta, conseguimos estabelecer todos os elementos decorativos, país, 1920, caramba!
Isso aqui legal!
Ficou muito bacana!
Eu vou procurar, vou procurar!
Pode procurar, e o senhor, tu e eu, a gente brinca, a gente fala que é o nosso bebê, né? E teve, vou te falar que teve muita resistência em colocar essa porta, e numa das primeiras visitas que a gente recebeu dos donos da Tishman, os diretores, os donos da Chisholm, os proprietários da Chisholm de Nova York, o senhor falou assim pra mim, você vai levar eles pra mostrar aquela porta que eu tenho certeza que ela vai falar, faça. E foi muito bacana, porque eu desci com a diretora, a Catherine Farley, a esposa do Jerry Speier. E eu fiz questão de levar, e a gente andando em cima de uns estrados com água pra tudo que é lado, se é que não tinha barata, sei lá o que, o prédio tava ali entregue, né? E eu falei, Catrin, a gente tá pensando em colocar essa porta como obra de arte. Ela falou, quanto vai custar, Edson? Eu falei, coisa de 100 mil reais, está aprovado, pode fazer. E muita gente que não queria ficou bastante enciumada, mas virou o nosso bebê ali, meu e do seu, não só o prédio, mas como a obra de arte que tá lá.
É diferente, né?
É diferente, vale a pena. E é uma pena que é um prédio que você passa ali na Avenida Rio Branco, você passa na 1º de Março, você passa ali na Candelária e ele tá nesse quadrilátero, né? Cinelândia, Candelária, 1º de Março e Rio Branco. Quase ninguém vê. porque ele está num sistema de ruazinhas, as primeiras ruas do centro do Rio de Janeiro, e você só quando chega a meia quadra do prédio que você vê, é uma fachada maravilhosa também.
Wesley, tem alguma coisa que você gostaria de falar?
Não, eu acho que falando um pouco dessa coisa da construção metálica, que nós falamos também, falamos um pouco lá fora, assim, o Brasil, eu estou há quase 40 anos, quantas vezes eu não devo ter ouvido de que a gente precisava inovar na construção, né? No começo da minha carreira, vamos visitar a feira lá, bate-mate, vamos visitar, parecia que tudo estava lá fora e hoje está aqui. Você tem essa tecnologia disponível no Brasil. Teve uma modernização finalmente da construção, eu acho. Eu estou convencido, existe uma modernização, mas a gente esbarra muito na questão econômica. Então, a estrutura metálica, por exemplo, você tem agora uma commodity, você pega agora o que tá acontecendo com o preço de algumas commodities, o aço especialmente, não ajuda. Então, a pergunta de novo, por que eu fiz em metálica quando eu fiz? Porque eu sabia que eu tava gastando um pouco mais, mas eu sabia que se eu não fizesse em metálica, aí eu ia gastar muito mais.
Mas só que aquela conta que a gente fala, né? Que geralmente, dependendo do empreendimento que você vai fazer, né? E quando você, mesmo o aço sendo mais caro, o fato de você finalizar essa construção, sei lá, de repente dez meses antes ou oito meses.
Essa era a coisa.
Imagina, o dinheiro entrando antes.
Até a qualidade construtiva também. Então, nesse trabalho que você até comentou, que eu apresentei, já apresentei esse case do Porto Atlântico Leste em vários lugares. A gente, óbvio que a gente fala de todas as vantagens e também dos problemas, não é só solução, não é só vantagem. Eu acho muito bacana falar dos problemas, nós tivemos vários problemas, tomadas de decisão equivocadas, especialmente quando você não concebeu em Metallica. Mas foi muito engraçado porque eu lembro que quando a gente fez o Porto Atlântico e aí eu tive que tomar a decisão da Metallica no Holiday Inn, Era um empreendimento que na época ele deveria valer a construção dele e não era, era coisa de... 90 milhões, eu não lembro bem. Bom, mas enfim, quando o meu líder... junto comigo tomou a decisão, vamos fazer em Metallica, nós ainda tivemos que apresentar a viabilidade para a auto-administração da Aldebrecht. Essa auto-administração era composta por engenheiros muito maduros da Aldebrecht, você imagina, os melhores engenheiros em todos os sentidos, técnicos, econômicos, financeiros, marketing, tudo que você pudesse imaginar. Um comitê muito bacana. E eu nunca mais esqueço que o meu diretor falou assim, Edson, eu vou apresentar a viabilidade e na hora que a gente for falar do custo, Quem vai explicar é você. Eu falei, vamos embora, vamos lá, né? E nós sentamos na frente do comitê, uma reunião interna, e o meu diretor começou a apresentar o case no PowerPoint, e quando apareceu o slide do curso da obra, um dos diretores falou assim, o Rodrigo, tem acho que uns 5 milhões a mais aí que acho que não estava nessa conta né. Rodrigo, o Edson vai explicar. Quando eu ia explicar, Paulo, quando eu ia explicar, um dos diretores falou, Edson não precisa explicar, eu sei, você está apostando na questão da gente ter que cumprir um objetivo que se você não fizer em metálica nós não vamos cumprir. E se a gente não cumprisse o objetivo, diferente do Porto Atlântico, se a gente não cumprisse o objetivo no Holiday Inn da entrega do prédio em 23, 24 meses, a gente perderia benefícios fiscais concedidos pela municipalidade do Rio de Janeiro enormes. Eu diria pra você que tinha até potencial de área construtiva. Em outras palavras, é como se eu não entregasse o prédio até dezembro de 2015, eu teria que quebrar três andares.
Nossa.
Porque o potencial construtivo foi potencializado. Mas mais do que isso, foi o benefício fiscal, o tributário, o incentivo pra entregar que a Prefeitura do Rio concedeu. E era enorme o valor. Então, 5 milhões. Não era custo, era investimento. Então foi rápido, eu não precisei dar grandes explicações.
É muito bacana. Quem está tendo a oportunidade de ouvir esse bate-papo nas plataformas de áudio e ouvir e assistir também nas plataformas de vídeo, Acho que teve a oportunidade de conhecer um profissional incrível e tenho certeza que você serve de referência para muita gente.
Obrigado, Paulo. Muita coisa para fazer ainda.
E é gratificante ver esse brilho nos seus olhos, viu, Wesley?
E com anseio de conhecer coisas novas, obras diferentes, e vão vir. Quem sabe a gente vai estar contando outros casos aqui.
Com certeza. Ah, eu queria, antes de fechar, antes de encerrar, eu queria que você pensou em alguém pra trazer aqui pra gente conversar depois.
Não, por exemplo, o Escobar é um bom nome.
Escobar. Me fala um pouco sobre o Escobar, faz uma apresentação.
Ah, não dá pra falar muito. Escobar, ele era um dos arquitetos contratados pela gente naquele time do Rio de Janeiro, a gente chamava de pequena empresa, era uma unidade de negócio. O Escobar não lembra exatamente qual foi a referência mas ele surgiu ali no meu time e ele sempre foi um cara incomodado com a construção convencional e um entusiasta do BIM.
Então está convidado.
Pronto. E ele nas apresentações que eu faço que eu fazia já fiz para o pessoal do Aço lá. Eu tenho um slide que é muito bacana o Escobar apresentando na tela uma imagem em BIM do Rolli Dean, ainda que o Casey seja do Porto Atlântico, mas justamente eu mostrando, usando o Rolli Dean para mostrar que se ele fosse concebido em metálica, ao contrário do Porto Atlântico, ele teria ganhos muito maiores. E o Escobar é uma pessoa. Mas dá para lembrar, depois a gente pensa em algumas pessoas aí para...
O Edson então, obrigado, agradece aos seus...
Obrigado a todos, estou à disposição, vamos ver como é que o Paulo vai divulgar o podcast, o vídeo e provavelmente ele pode dar algum caminho para contatos diretos, é muito bacana, a gente tem muita história legal para contar. Obrigado a todos.
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