Começo do escritório de arquitetura e grandes cases | André Dias Dantas | Constru e Cast

Architect André Dias Dantas started through student competitions and won early projects like a Nestlé cultural center in Araras. He describes the Fundação Bradesco project, where elevated metallic pavilions with perforated metal cladding preserved the site's vegetation, and discusses how the pandemic shifted material costs and housing demand.
Questions this video answers
2002
2004
1870
About 10 to 12 thousand collaborators
Saint-Gobain prize in 2019
Chapters
Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtor à Infinity Plus. Está no ar mais um episódio do ConstrueCast. Hoje é um dia muito especial porque eu tenho a honra de receber um amigo, um arquiteto que eu tenho uma grande admiração, André Dias Dantas. Ele é arquiteto titulado de MDV Arquitetos Associados. Seja bem-vindo ao nosso podcast. É um prazer receber você aqui para brilhantar o nosso canal.
Bom, Paulo, obrigado. Fiquei muito feliz pelo convite. Para mim é uma honra estar aqui e poder contribuir com essa iniciativa super bacana, que é falar sobre arquitetura, falar sobre engenharia, enfim, um pouco do nosso dia a dia. E fico feliz especialmente porque você é uma pessoa que tem acompanhado ao longo de anos a nossa trajetória. Então, a gente tem algumas Alguns registros feitos por você ao longo desses anos aí. Então, para mim é um enorme prazer.
Tem uma história, né?
Sim, sim.
A gente está vivendo aí uma história bem interessante. Eu me sinto, de fato, muito honrado com a sua presença, porque eu acompanho muito o seu trabalho e você é uma das pessoas que eu mais admiro na arquitetura. Uma pessoa acessível, uma pessoa que está ali... sempre presente, que é o propósito do canal, criar pontes, ou seja, unir toda a indústria e não criar barreiras. André, eu queria iniciar o nosso bate-papo você falando como a arquitetura surgiu na sua vida. Quem é esse cara que, enfim, fora da arquitetura, como que ele foi inserido no meio?
Olha, arquitetura, na verdade, eu caí de paraquedas na arquitetura, porque quando eu estava no colégio, assim, na época de vestibular, eu ficava muito na dúvida, assim, eu tinha dúvida do que faria. Na verdade, eu sempre falei em fazer medicina, mas tinha alguma coisa que me falava que não era muito aquilo. Tentando fazer um resgate, assim, eu tenho a impressão de que eu consigo fazer uma relação Com um momento em que eu era adolescente e meu pai construiu uma casa. A gente morava em São Paulo e meu pai construiu uma casa em Atibaia. E essa casa levou anos pra ser finalizada.
E seu você com quantos anos?
Eu tinha, quando eu me mudei pra lá, eu tinha 13 anos. Então ele começou a construção dessa casa, eu devia ter uns 11. E até finalizar, de fato, levaram-se alguns anos. Então, acho que talvez essa semente foi plantada ali nesse momento.
Você só não entendia, né?
Eu não entendia. Na verdade, eu nem sabia muito bem o que fazia um arquiteto. Então, no momento do vestibular, eu tinha uma amiga que o pai dela era arquiteto. Eu não conhecia nenhum arquiteto. Assim, não era do da minha convivência, não tinha nenhum parente, nenhum amigo. meu... E essa amiga minha, o pai era arquiteto, e eu me lembro que eu fui conversar com ele. Ela falou, não, vai no escritório do meu pai, enfim, bate um papo com ele. E eu conversei com ele e ele meio que me abriu um mundo novo. Eu falei, poxa, pode ser interessante. Então, entre medicina e arquitetura, estou preferindo embarcar na arquitetura.
Mas por quê? Ou seja, por que arquitetura?
Não sei, eu sempre me interessei muito por desenho, então tinha habilidade de desenho. Essa questão da construção também sempre me interessou, e a questão da criatividade, de ser uma profissão que você não entra numa rotina de monotonia. Então, tinha uma questão de descobertas ali, que eu falei, bom, eu não sei direito o que é, mas vou arriscar. Eu acho que toda vez que a gente encara uma profissão, a gente nunca sabe muito bem o que vem pela frente. Mas eu achei que seria interessante embarcar. Então, prestei vestibular, acabei passando. E foi curioso porque, ao longo da faculdade, é claro que a gente vai entendendo um pouco mais como é que a coisa funciona, toda a questão mais teórica e técnica. E logo no início da faculdade, os meus amigos, praticamente todos, começaram a trabalhar, a fazer estágios. E eu me mudei para São Paulo e eu não vim morar com os amigos aqui, assim, precisava me manter, precisava, enfim, trabalhar também. Na época eu consegui um trabalho fora da minha área e fiquei por muito tempo trabalhando nesse outro lugar. Durante praticamente todo o curso. Na faculdade, a gente tinha um grupo de amigos que a gente fazia os trabalhos juntos. Nessa época, começaram a surgir muitos concursos de arquitetura. Era muito comum concursos públicos e mesmo concursos para estudantes de arquitetura. Então, existia muito esse incentivo. E a gente começou a se interessar por essa questão de fazer concursos. Então, mais ou menos lá pelo quinto, sexto semestre...
Isso, um grupo de quantas pessoas?
Cinco pessoas. Éramos em cinco. Então, nós começamos a fazer esses concursos e também pensando que, poxa, para a gente conseguir um estágio num lugar legal, é interessante que a gente tenha experiência, que a gente tenha portfólio e a gente via essa produção dos concursos, mesmo sendo estudante, como uma produção de portfólio, de ter o que mostrar, com uma bagagem. A gente foi desenvolvendo esses concursos e quando chegou, a gente estava no último ano da faculdade, o governo do estado estava promovendo um concurso para profissionais para transformar São Paulo na cidade-sede das Olimpíadas. Na verdade, era a cidade concorrente à cidade-sede. São Paulo iria concorrer com o Rio de Janeiro para ser sede das Olimpíadas. Eu não lembro se foi em 2006. Na verdade, esse concurso foi em 2002, mas eram para anos depois. E o governo do estado organizou então uma intervenção no complexo esportivo do Ibirapuera. Era uma questão muito difícil, porque exigia uma série de questões técnicas para a readequação de todas as instalações esportivas baseadas nas regras do Comitê Olímpico Internacional, então eram alterações que iam desde curva de visibilidade do ginásio, questões super técnicas, né? E um concurso profissional. E a gente falou, vamos fazer esse concurso, mas... como era profissional, a gente precisava de alguém formado, precisava de um... alguém profissional, com experiência. E na época, o irmão de um desses amigos tinha se formado, a gente falou, bom, empresta o seu... o seu cal, na verdade era Creia na época, mas vamos nos inscrever com o seu nome para a gente ver. Enfim, vamos ver o que acontece. E foi um concurso super, na época, super concorrido. Enfim, concurso importante. E a gente acabou ganhando uma menção honrosa. Então, assim, eram arquitetos do Brasil inteiro, arquitetos de peso e a gente acabou se vendo no meio de outros tantos arquitetos que a gente tanto admirava recebendo essa premiação. E, nesse momento, a gente começou a entender que concursos de arquitetura poderiam ser um bom caminho para a gente conseguir entrar, de fato, no mercado. Na época, cada um trabalhava já. Isso a gente estava no final do curso. Na época, cada um trabalhava já, estava consolidado em escritório de arquitetura. Foi nesse momento que eu acabei saindo desse outro trabalho que eu estava. Ao longo do curso, para mim, sempre foi muito difícil também, porque eu estava fora da minha área, não trabalhava com arquitetura. Então, eu sempre procurei me dedicar muito ao que, de fato, eu queria. E a gente viu que existia essa possibilidade, então, disso ser uma porta de entrada. E, com isso, a gente começou a investir cada vez mais energia no desenvolvimento de concursos. Para nós, sempre foi uma coisa muito interessante, porque um concurso de arquitetura possibilita O tema de um concurso é sempre muito diferente de um projeto convencional. Então, você tem sempre a possibilidade de colocar a sua criatividade, de fazer propostas realmente inovadoras. É claro que você tem uma série de questões que precisam ser obedecidas. mas é um exercício importante para você exatamente treinar a questão da criatividade, mas ao mesmo tempo também de fazer esse projeto num tempo que é extremamente curto.
André, e uma curiosidade, como que funciona um processo de concurso? Por exemplo, você recebe as mesmas informações que outros grupos recebem. Você tem a questão do prazo também, como você falou, que é bem desafiador. Como funciona esse processo? E, ao final, eu gostaria de saber se você incentiva essa nova geração a praticar esse tipo de prática que você fez no passado para se lançar no mercado de arquitetura.
A gente acabou aprendendo com o tempo. Então, os concursos que a gente fez durante a graduação foram importantes, teve esse concurso do Ibrapuera que foi importante, mas a gente precisa ser extremamente objetivo, precisa ter, na verdade, Tinha um professor nosso que foi muito importante para a nossa formação, que é o Viglieca, o Héctor Viglieca. Na verdade, ele sempre foi uma grande inspiração para a gente. Nós todos fomos alunos dele. E na época que a gente estava na faculdade, ele ganhava muitos concursos. A gente fala, bom, vamos prestar atenção no que ele está falando. As aulas dele eram sempre muito interessantes e ele sempre falava muito. O que era importante num concurso de arquitetura é entender qual é a questão, assim como em qualquer projeto. Então, qual é a questão? Qual é o problema que eu preciso resolver? qual é o ponto fundamental que eu preciso dar uma resposta às vezes a gente faz uma série de levantamentos às vezes são várias questões mas sempre tem uma questão principal E eu acho que o grande desafio é a gente encontrar uma resposta precisa e coerente pra essa questão.
Pra essa questão. E nesse processo, assim, você recebe tudo escrito?
Tudo escrito.
Você tem um script ali, você precisa fazer essa leitura. na verdade, desse cliente, né, entre aspas ali, e entregar a melhor solução dentro daquilo que é esperado para aquela proposta. Não tem nada assim, uma conversa e enfim...
É comum, assim, a gente recebe então esse material, tem um programa de necessidades que é dado, tem uma série de questões legais e técnicas que devem ser obedecidas, então a gente recebe esse material formatado, consolidado. Muitas vezes eles dão uma abertura até para perguntas e respostas, que isso às vezes até gera confusões, porque acabam abrindo margem para possibilidades que até então não estavam tão claras. O que a gente foi aprendendo com o tempo foi justamente essa questão de tentar ser objetivo, atender o que está sendo solicitado, entender qual é essa pergunta. e sempre no menor prazo possível. Então, assim, o fato da gente desenvolver um projeto de um concurso, muitas vezes você tem um mês, tem poucas semanas para desenvolver. E muitas vezes um projeto de uma grande complexidade.
Não, e para você conciliar isso com outras atividades que você está fazendo no seu dia a dia, então imagina que, de fato...
É um exercício que consome muita energia, que demanda muito. Então, assim, quando a gente acabou nesse início de carreira, a gente trabalhava em outros escritórios e a gente levava essa coisa quase como num terceiro turno. Logo, como eu estava comentando, esse concurso do Ibirapuera deu um certo gás pra gente pra fazer outros. E no ano seguinte, a gente tinha praticamente um ano de formado, a gente ganhou um concurso, aí sim a gente já estava formado. Mas nós ganhamos um concurso para fazer um centro cultural numa antiga estação ferroviária na cidade de Araras. Esse concurso foi patrocinado pela Nestlé na época. A Nestlé estava naquele momento completando 100 anos de instalação da primeira fábrica deles no Brasil, que era lá em Araras. E eles acabaram organizando esse concurso para transformar essa estação num centro cultural.
Foi executado o projeto?
Foi executado. Na verdade, não foi executado por completo, mas faltou uma terceira fase. E pra nós esse projeto foi muito importante, assim, porque, como eu disse, a gente desenvolvia esses concursos quase que num terceiro turno, então, esses meus amigos levavam os computadores pra minha casa, a gente, depois do trabalho, todo mundo ia pra lá, a gente ficava madrugada adentro, por semanas também fazendo, E quando a gente soube da notícia desse concurso, que a gente tinha ganhado esse concurso, a Leslie virou pra gente e falou, bom, agora... Parabéns, vocês serão contratados para o desenvolvimento do projeto executivo. A gente precisa que vocês emitam uma nota fiscal para a gente pagar o prêmio e tudo mais. A gente falou, nota fiscal? Eu nem sei o que é isso. Eu não sei o que é isso, sabe? Então, a gente... Nesse momento, isso foi em 2004, a gente falou, não, então agora a gente precisa... formalizar...
A brincadeira ficou séria.
A brincadeira ficou séria. E a gente tinha um cliente, que era a Nestlé, e um projeto super complexo pra ser desenvolvido. Era um projeto que envolvia uma estação de 1870, com uma série de questões relativas a restauro, relativas a soluções de intervenção super complexas, E a gente era recém-formado.
Então pra nós... André, só um minuto. Pra quem tá ouvindo pelas plataformas de áudio, eu tô conversando com o André Dias Dantas, ele é arquiteto titular do DMDV Arquitetos Associados. E mais uma informação importante, quem? Vocês que estão ouvindo, se quiserem assistir pelo canal do YouTube, vocês conseguem ver as imagens desses projetos que ele está falando. Isso é bem interessante para contextualizar de fato, porque imagina a emoção que é receber um prêmio desse e, inclusive, esse projeto ser viabilizado, porque nem sempre acontece, né, André?
Sim, muito difícil, muito difícil. Tanto que... a gente teve muita sorte de começar com esse projeto e, de fato, ele ser viabilizado. Porque era muito comum, nesse momento, os concursos de arquitetura, como eu falei, mas a grande maioria deles não... Os escritórios, muitas vezes, até desenvolviam um projeto executivo, mas para ele ser, de fato, executado, realmente era muito difícil.
E nesse caso, às vezes acontece, às vezes o aluno ganha um concurso desse, quando ele é de fato executado, o projeto executivo passa para outro arquiteto com experiência ou não?
Nesse caso, o que aconteceu? A Nestlé não tinha um corpo técnico de arquitetura dentro da sua estrutura. Então, eles acabaram contratando um outro escritório para fazer as validações das nossas entregas. Então, a gente foi contratado para desenvolver esse projeto executivo. Na época, a gente falou, vamos manter o esquema do escritório da maneira que está. Então, cada um continuou trabalhando nos seus respectivos escritórios. Na época, eu trabalhava no Piratininga, tinha outros dois que trabalhavam no Rocco, associados. Enfim, então a gente permaneceu com essa rotina de desenvolver num terceiro turno, porque a gente tinha consciência de que um escritório de arquitetura não se faz com um único projeto. Todo mundo tinha suas contas para pagar, então a gente falou, vamos com calma.
Vamos com calma. Vamos viver o processo.
Vamos viver, exatamente. Então, ao longo de um ano, mais ou menos, a gente acabou fazendo o desenvolvimento desse projeto executivo e foi muito interessante porque a gente teve muito apoio, muito suporte da Nestlé, principalmente nas tomadas de decisões, até mesmo das intervenções dessas edificações históricas, porque eles tinham um acervo muito interessante, fotográfico, dessas edificações, os registros, porque Essa fábrica está instalada do lado dessa estação ferroviária e, por muito tempo, eles utilizaram essa estação como meio de transporte da produção da fábrica. A gente conseguiu, através desse departamento de documentação histórica deles, muitas decisões que a gente acabou tomando em projeto foram com base nesses documentos que a gente encontrou no acervo. E para fazer essas validações, a Nestlé acabou na época contratando a Brasil Arquitetura, que é um escritório muito importante, com um super acervo de projetos ligados a essa questão de patrimônio, Marcelo Ferraz e o Chico Fanucci. Para nós foi uma grande escola, porque o desenvolvimento desse projeto Porque depois do executivo, a gente ainda acabou sendo contratado para fazer o acompanhamento da obra. Então, foi praticamente mais um ano de desenvolvimento de projeto.
Não, e de escola, né?
Foi uma outra graduação. E foram mais quatro anos de obra. Então, a obra também aconteceu em etapas. Então, a gente ia mensalmente para Araras, enfim, acompanhar todo esse processo. Foi muito importante para nós o desenvolvimento desse projeto.
André, e para quem está ouvindo e vendo a gente, quais foram as soluções construtivas adotadas nesse projeto?
Na verdade, nesse projeto existiam algumas edificações e o partido do projeto foi tentar aproveitar ao máximo as estruturas existentes, essas edificações existentes. Então, basicamente, a gente tinha quatro edificações, uma delas era a sede da estação, onde junto a essa sede estaria acoplada a plataforma da estação. Existiam outros dois galpões, que eram galpões de armazenamento, eram galpões que a Nestlé, por exemplo, utilizava para guardar as mercadorias que seriam transportadas. E nas estações dessa linha, uma das características era ter junto desse conjunto de edificações uma casa que era do chefe da estação, que era praticamente o zelador que cuidava dessa instalação. E a gente acabou aproveitando também essa estrutura dessa pequena casa para fazer uma área de apoio, de serviço desse centro cultural. Então basicamente a gente cria na sede da estação uma área administrativa, nos dois galpões a gente faz um deles uma área de exposição e o outro a gente instala um auditório e essa parte de serviços na casa do chefe de estação. A única grande intervenção que a gente propunha era uma construção de uma nova edificação que, teoricamente, estaria no lugar onde o trem estaria parado. Essa nova edificação até remetia a um trem estacionado na plataforma, era um edifício metálico com uma chapa perfurada. Nesse edifício a gente instalava umas oficinas, tinha um programa de uso múltiplo que era proposto nesse edifício. No final das contas, a Nestlé, a gente acabou dividindo em fases e não teve verba suficiente para finalizar essa última fase que seria esse edifício novo.
Foi primeira e segunda fase?
Foi primeira e segunda fase. A primeira eles fizeram o auditório e o bloco de exposições, depois fizeram a plataforma e a parte administrativa de serviços. E essa última fase, que seria do prédio novo, acabou não indo pra frente.
Ainda?
Não, mas, poxa, isso tem tantos anos que... É difícil, mas daí também, pra nós, foi importante... Esse é um aprendizado, porque a gente como arquiteto muitas vezes tem uma certa ansiedade de ver a coisa acontecendo no momento que a gente gostaria. Foi importante também entender que existe um tempo para essas coisas acontecerem. Então, um projeto nessa escala, um projeto que, na verdade, a construção, a viabilidade dessa construção foi com o dinheiro da Lei Rouanet. A Nestlé investiu, mas tiveram outras empresas também que investiram para viabilizar esse projeto. Então, você imagina, foram quatro anos de obra para fazerem duas fases. A gente queria que aquilo estivesse pronto há muito tempo.
Você fica na expectativa, né?
Então, é um trabalho também de... É um processo que faz com que a gente amadureça também profissionalmente para entender que Tem projetos que é claro que são mais rápidos, mas tem outros que o processo do projeto, ele tem um tempo certo pra acontecer.
André, dando continuidade ao nosso bate-papo, eu não sei se você gostaria de falar mais alguma coisa antes da gente entrar na parte de cases. Eu já visitei alguns projetos que vocês desenvolveram e fiquei muito impactado. Eu já queria falar de cara do primeiro, que é o projeto da Fundação Bradesco. Eu queria que você me falasse um pouco qual foi o partido arquitetônico ali, como aconteceu aquele projeto, tendo em vista que ele está em uma área muito verde, vocês preservaram ali a parte ambiental, que eu achei muito interessante. Como que vocês tomaram partido, principalmente, da solução de materiais, para viabilizar aquele projeto?
Sim. Bom, esse projeto Bradesco, para nós, é bastante importante, bem emblemático.
E importante, tá? Quem está pelo YouTube está vendo, está conseguindo ver. Quem está pelas plataformas Zee Audio também podem acessar depois, para conseguir ver as imagens.
Bom, esse projeto quem nos encomendou foi o próprio banco mesmo, o Departamento de Patrimônio do Banco. A sede do Bradesco hoje, uma das sedes, mas a principal fica em Osasco, numa área em que eles chamam Cidade de Deus. E hoje eles têm praticamente, acho que de 10 a 12 mil colaboradores que trabalham dentro desse espaço. Eu não sei como está agora nessa questão pós-pandemia, mas isso eram números antes da pandemia. A encomenda que nos chegou era que a gente precisava criar espaços que pudessem melhorar a vida desses colaboradores. dentro dessa estrutura toda do banco, esse espaço era um espaço que foi construído ao longo do tempo, então tinham várias edificações muito antigas, muitas delas acabaram sendo adaptadas para esse uso administrativo e não existiam espaços adequados para atender essa quantidade de pessoas. Então, por exemplo, na hora do almoço não tinham áreas de alimentação. Todas essas 10, 12 mil pessoas precisavam sair dessa área, almoçar fora, para depois voltar. Além disso, eles tinham um problema também complexo que era essa questão dos carros. Então, existe uma quantidade de vagas ali que naquele momento era super disputada e ainda com esse fluxo de todo mundo saindo e entrando para almoçar e tal, então era uma questão a ser resolvida. Além desse programa, a ideia era tentar trazer outros usos que pudessem facilitar o dia a dia desses colaboradores. A ideia foi criar módulos de alimentação e de serviços, onde esses serviços poderiam ser uma farmácia, um cabeleireiro, uma barbearia, uma pequena lavanderia, pequenos serviços que poderiam ajudar no dia a dia das pessoas. Quando a gente recebeu essa solicitação, a gente foi fazer uma análise na área e a premissa foi não podemos perder vagas. Então assim, a gente começou a procurar possíveis locais para implantação dessas edificações. A ideia era que a gente conseguisse fazer uma construção rápida, uma construção seca, que não tivesse, que não gerasse muito transtorno, essa obra também não causasse um grande impacto para o funcionamento ali da operação do dia-a-dia do banco. Então a gente acabou localizando quatro áreas, quatro ou cinco áreas dentro desse complexo deles, mas eram áreas que estavam dentro dos bolsões de estacionamento e eram áreas de jardins. áreas com uma grande vegetação. Então a gente viu que seria muito interessante e a gente teria uma possibilidade de implantar esses módulos nessas áreas ajardinadas, mas fazendo com que o impacto da implantação dessas edificações fosse o mínimo possível. Então a ideia era que a gente não tivesse nenhuma retirada de árvores, mas que essa edificação poderia estar integrada a essa vegetação e a essa massa arbórea existente.
E aí, a parte de estruturas que foi utilizada, a parte de materiais, ele é basicamente concebido em quais soluções?
Então, para isso, inclusive, Pensando em evitar a movimentação de terra, a gente propôs edifícios metálicos, estruturas metálicas, onde a gente acabou elevando esses edifícios do solo. Então a ideia é que realmente não tivesse essa movimentação de terra, porque muitos desses terrenos não eram planos. Então a gente acabou elevando essas edificações, criando esses pavilhões praticamente soltos do solo. e pontuando, fazendo recortes dentro desses edifícios. Esses pavilhões são lineares, mas a gente acabou implantando de maneira a criar alguns vazios internos. nos pontos, nos trechos em que a gente tinha essa vegetação de grande porte. Então, esses edifícios têm estrutura metálica, eles têm um fechamento metálico também de chapa perfurada. A ideia foi trazer uma perfuração para essa chapa que pudesse mimetizar a sombra das árvores existentes. Então, a gente fez uma uma brincadeira aí de tentar quase que fazer com que esse edifício ficasse ali nessa sombra das árvores, ali integrado. Então a gente trouxe essa sombra diretamente para essa perfuração dessa chapa.
Essas perfurações, elas simulam o quê? As folhas das árvores?
Simulam justamente as silhuetas das árvores, assim. Então tem imagens que a gente vai colocar, mas dá pra ver perfeitamente. É quase como se você tivesse impresso no edifício uma sombra de uma massa, de uma vegetação mesmo.
André, eu sempre faço essa pergunta para as pessoas. Quando você pega um projeto que ele é um pouco desafiador, para você viabilizar, para ajudar... Imagina, você está ali desenhando. Antes de você seguir adiante com esse projeto, você busca apoio da indústria no sentido de viabilizar? Será que existe essa solução? Até pra viabilidade técnica mesmo, porque funciona esse processo?
Isso é importante, é claro que a gente tem que ser responsável também de propor o que é execuível, não adianta nada a gente vender uma ideia super interessante E chegar na hora...
Na hora não, não funciona.
Não funciona.
Muda o projeto. Muda o projeto.
Então assim, a gente sabia que era possível fazer dessa maneira, a gente sabia que já conhecia produtos que... disponíveis no mercado, inclusive com mais de um fornecedor que... que era possível de fazer dessa maneira que a gente estava imaginando.
E o resultado final, depois dele pronto, como que foi o feedback? Qual foi o feedback que você teve dos usuários do empreendimento?
Eu acho que esse projeto... ele acabou sendo muito importante para nós. A gente ganhou, em 2019, se não me engano, um prêmio Saint-Gobain na categoria de edifícios comerciais. A gente ganhou também, posteriormente, um prêmio internacional, que foi o Pre-Versailles, com ele também, nessa mesma categoria de edifícios comerciais. Então, é um projeto que acabou virando E mesmo dentro do Bradesco, com o próprio cliente, é um projeto importante para eles porque reflete uma mudança de postura interna mesmo do banco, de olhar com mais cuidado para para os seus colaboradores.
E ainda mais o ambiente de banco.
Claro, claro. E eu acho que o que é interessante, isso foi antes da pandemia, e eu acho que hoje esse modelo de espaços livres, abertos, integrados com a paisagem, integrados com o ambiente natural, Isso é uma questão que tem sido muito falada, principalmente no pós-pandemia, que as pessoas têm... A gente ficou muito tempo confinado, as pessoas muito tempo em casa, e a gente percebe essa mudança dos ambientes de trabalho muito relacionados com essa questão da natureza, muita gente falando sobre biofilia. Esse projeto acaba sendo um exemplo também do que é possível fazer. Porque tem muitas pessoas, por exemplo, no banco, que acabam fazendo pequenas reuniões dentro desses espaços, sabe? Porque é muito mais agradável você fazer uma reunião ali, de repente, ao ar livre do que dentro de uma sala de reunião fechada, né?
E realmente é um projeto muito bonito. Eu tive a honra de ir lá visitar. Fiquei bem... Realmente é muito integrado. Parece que você está, de fato, inserido ali naquelas árvores, naquela área verde, o projeto em si. Porque muitas vezes você vê uma imagem, uma foto, e quando você chega lá não é aquilo. Mas de verdade, quando eu cheguei lá, eu me senti abraçado, me senti muito inserido ali naquela área. André, e dando continuidade, queria que você falasse um pouco de outros cases. Você quer começar pelo condomínio de casas? ou clubes?
Acho que a gente podia falar sobre clubes, porque os clubes pra gente tem sido uma experiência bastante interessante. Tem alguns anos que a gente trabalha para as principais urbanizadoras do país, desenvolvendo as áreas comuns dos empreendimentos. Então, a portaria, o bloco de apoio, os clubes desses condomínios horizontais.
Eu queria que você, falando desse tema, eu gostaria que você falasse, inclusive, desse pós-pandemia. O que mudou? Porque, enfim, acho que a forma de projetar mudou geral? São outras exigências, né? Então, como que era antes, né? E o que mudou no pós-pandemia?
Olha, eu vejo que a gente teve uma, na própria pandemia, muita gente querendo sair de apartamentos, né? Então, pessoas que moravam em apartamentos muita gente acabou indo, até com a possibilidade do trabalho remoto, teve muita gente que saiu dos grandes centros urbanos e acabaram indo para cidades menores. Então, esses condomínios, essas opções de morar num condomínio, acabaram virando um grande sucesso de vendas. Então, muitos empreendimentos que foram lançados, por exemplo, na pandemia, foram vendidos muito rapidamente. Acho que isso ainda continua, justamente por conta, muitas vezes, dessa questão da flexibilidade do trabalho, dessa questão híbrida, possibilidade de qualidade de vida melhor em uma cidade menor. Isso tem sido um movimento que tem acontecido bastante. É claro que no pós-pandemia, eu acho que a gente acabou ficando com alguns resquícios hábitos que acabaram sendo frequentes durante o momento de isolamento. Então, essa questão da limpeza dos espaços, essa questão desse costume de tirar o tênis ao entrar. Eu vejo que até tem algumas unidades habitacionais, eu vejo até edifícios, incorporadoras trabalhando com edifícios, onde na entrada do apartamento hoje se tem uma pia O desenho dessa unidade mudou, tem reflexo nesse desenho, tem alterações que não sei se vieram para ficar de fato, Mas tem muitas empresas pensando nessa questão da saúde desses ambientes.
Inclusive, é uma forma de atender diferentes comportamentos.
Exatamente.
Porque, às vezes, a pandemia pode ter gerado, pode ter deixado uma sequela em mim que não deixou em você. Enfim, deixou em um outro morador diferente. Então, como que você resolve isso? Como que a arquitetura resolve isso? Atender esses comportamentos variados.
Sim, sem dúvida. mas a questão dos clubes para nós tem sido um processo muito interessante porque são programas sempre muito parecidos. Então a gente tem sempre um salão de festas, o espaço gourmet, a brinquedoteca, a sala de ginástica, o vestiário ali que vai atender a piscina. Então muitas vezes varia um programa ou outro. Às vezes tem um salão de jogos, às vezes tem um salão de... Sabe? Pouca coisa que altera. Mas o grande desafio é como a gente cria um edifício novo sempre com o mesmo programa e sempre com metragens também parecidas. Então, para nós, ao longo desses anos, que a gente já desenvolveu vários, tem sido uma experiência muito interessante no sentido de experimentar sistemas construtivos.
Eu queria entrar nesse tema, sistemas construtivos. A questão do sistema construtivo, ele é decisivo de acordo com o tempo da obra ou nem sempre?
Nem sempre.
Por exemplo, se eu tenho um prazo, eu vou utilizar um sistema construtivo. Eu não tenho, eu vou utilizar outro. Como que funciona isso?
Nem sempre. Muitas vezes essa premissa vem do próprio cliente. Muitas vezes o cliente fala, olha, muitas vezes eles fazem uma pesquisa de mercado e a gente recebe a informação, bom, talvez nesse caso aqui daria para fazer alguma edificação com estrutura metálica. Ou, ah, nesse caso, nesse contexto, talvez uma estrutura de madeira. Mas falando especificamente dos clubes, é muito mais uma premissa, às vezes é uma premissa do cliente, mas às vezes é até uma sugestão nossa mesmo. Às vezes, sei lá, é uma construção que vai ser num lugar muito remoto e pensar num sistema construtivo convencional acaba complicando a execução. Então, pensar num processo de construção industrializado, num sistema de montagem, faz muito mais sentido. Então, a gente tem tido experiências dessa maneira.
E nesse processo de tomada de decisão pelo sistema construtivo, Vocês trabalham muito em parcerias com as empresas, no sentido de, legal, eu optei por um sistema, por exemplo, metálico, mas de repente a metálica está passando por um momento de alta, mas eu quero continuar com a metálica e eu preciso, de repente, adotar uma solução mista. Nesse processo até de trazer uma solução para, enfim, continuar viabilizando naquele sistema construtivo, por exemplo, na mista. São os próprios parceiros que te ajudam nesse desenvolvimento para manter essa solução arquitetônica ou parte da arquitetura?
Normalmente parte da arquitetura, porque esses projetos que a gente acaba desenvolvendo normalmente são projetos que vão ser construídos daqui um ano e meio, dois anos depois. Então a gente entrega os projetos executivos e esses clientes acabam fazendo uma concorrência com construtoras para que eles desenvolvam e executem o projeto. a gente, especificamente para esses projetos, a gente acaba não acompanhando essas obras. Então, essa interlocução com a indústria, exatamente no momento da obra, não é em todo projeto que a gente consegue fazer. Tem obras que, muitas vezes, como são obras no Brasil inteiro, então às vezes uma obra lá no Ceará fica difícil, mas de repente uma obra em Campinas, é mais fácil. Então, a gente consegue estar mais presente, a gente consegue até tirar mais dúvidas com o pessoal da obra, consegue, de repente, propor outras soluções, e aí, sim, a gente acaba tendo mais essa interlocução, mas não é sempre que a gente consegue.
Mas pode acontecer, de repente, na hora, imagina, você desenvolve o projeto agora, beleza, mandou, vai ser executado daqui um ano e meio, e de repente, naquele momento, alguém fala, André, cara, a gente precisa pensar numa solução aqui para viabilizar.
Aconteceu, inclusive, na pandemia. Projetos nossos de clubes que eram em estrutura metálica e, na pandemia, o preço da metálica foi lá pra cima. E o cliente falou, olha, tá inviável. Não tá viabilizando. Talvez a gente tenha que mudar pra um sistema construtivo convencional. Daí a gente falou, poxa, mas perde todo o conceito. Enfim, é complicado. A gente até poderia pensar num sistema misto, mas nesse caso, especificamente, o cliente preferiu segurar um pouco o início da obra e, com isso, também, o preço da estrutura metálica acabou caindo um pouco mais. Então, assim...
Viabilizou.
Viabilizou. Daí não precisou fazer a alteração, sabe? Mas a gente teve muita oscilação de preço durante a pandemia.
A China estava dominando. E nessa parte de condomínios, de casas, eu queria que você falasse um pouquinho também, especificamente de um condomínio, e falar das soluções construtivas, porque ali você tem o uso de concreto, aço, vidro, brizes, enfim. falar um pouquinho desse mercado que, até então, as pessoas, as construtoras pensam muito em construir um prédio e, de repente, é economicamente viável. Como está sendo esse momento para vocês?
A gente tem desenvolvido um projeto que está em obra. A obra está bem adiantada até. É um condomínio de 17 casas, na verdade são dois terrenos, um terreno de 12 casas e um outro de 5. E são casas de alto padrão, mas elas são geminadas. Então, esse modelo de produto, digamos assim, era um modelo que até então, até poucos anos atrás, era muito difícil da gente conseguir encontrar mercado para isso. Mas acho que, dada a escassez de terrenos em boas localizações, o próprio mercado começou a entender que existia a possibilidade de venda de um produto assim, de uma casa assim. E a gente acabou desenvolvendo esse projeto e foi um sucesso. Então são casas de mais ou menos 400, variam de 400 a 600 metros quadrados, com térreo e mais dois pavimentos, ainda com rooftop em cima, uma área comum, a garagem é uma garagem em subsolo, mas com os sistemas construtivos também mistos, então a gente tem uma estrutura de concreto, muito concreto aparente, algumas empenas de concreto aparente, e algumas soluções metálicas para pergolados, algumas soluções, algumas estruturas metálicas também dentro desse sistema. O fechamento dessas casas é feito em painéis de alumínio, ripados de alumínio, Essa é uma questão também que tem sido muito, acho que a própria indústria tem desenvolvido muito essas opções de acabamentos porque esses ripados de madeira, principalmente para a área externa, é claro que muita gente ainda utiliza, mas tem uma questão de durabilidade, não só durabilidade, mas principalmente de manutenção dessas Tem a questão ambiental também nesse caso? Sem dúvida, questão ambiental também. Tanto que no mercado hoje a gente vê muitas opções, acho que o mercado entendeu um pouco essa demanda que existe, e tem trazido soluções e opções muito interessantes. Seja no alumínio, seja na madeira ecológica.
André, e quando existem outras soluções no mercado, isso acaba reduzindo o custo? Por exemplo, imagina, antes você usava muito mais madeira, agora a indústria acabou trazendo outras soluções, enfim, de outras formas e tal. Você acaba reduzindo um pouco o custo global da obra em função de, de repente, uma solução construtiva do mercado ter lançado algumas outras opções ou não?
Sim, porque muitas vezes o custo da execução dessa madeira, por exemplo, não está só na execução, mas está principalmente na manutenção. Então, quando você fala de um painel de madeira exposto numa área externa, como um revestimento externo, Esse painel ele vai exigir pelo menos uma manutenção anual, né? E que requer também um tempo de manutenção. Então não é só o custo da manutenção, mas muitas vezes dependendo do tamanho da área, essa equipe de manutenção vai ficar um tempo ali na sua casa executando esse trabalho.
E essa manutenção, ela já é prevista, por exemplo, quando você desenvolve o projeto? Isso já é passado para o cliente ou não?
Tem que ser passado. É fundamental que isso seja seja informado até como opção de escolha do cliente.
Porque imagina, eu faço uma casa, faço um investimento relativamente alto, e daqui seis meses, daqui oito meses, eu já tenho que fazer uma intervenção ali, imagina... Por isso que eu estou... Porque daí você fala, está contigo, esse sistema construtivo de fato, você vai precisar fazer uma manutenção daqui oito meses.
Sim, mas sem dúvida, isso tem que ser colocado, o cliente tem que estar ciente desses custos. Mas você falando da diferença dos produtos, eu acho que pensando em soluções industrializadas e tendo essas opções, a gente consegue ter uma redução significativa desse custo.
É interessante. Bom, já está chegando no final, né? Infelizmente. Eu gostaria de te perguntar, no quadro Convidado com Vida, quem você gostaria de ver ou ouvir aqui no ConstrueCast?
Bom, eu vou deixar o convite para um amigão meu. Na verdade, são dois amigos que eles têm um escritório chamado Coletivo de Arquitetos. Mas eu vou convidar o Guilherme Amadeu, o Guilherme Amadeu. Eles têm um escritório com uma atuação bastante interessante porque O escritório deles é dividido em duas sedes. Eles têm uma sede em São Paulo e uma sede em Aracaju. E eles estão com uma plataforma agora muito bacana chamada Plataforma Coletiva, que tem agrupado profissionais, que tem uma relação também com o conteúdo de educação, é uma plataforma também que tem alguns cursos, então eu acho que eles podem bater um papo legal com você e falar um pouco mais sobre isso.
Interessante. Você pode convidar alguém naquela câmera?
Gui, então você está convidado. Rodrigo, se você estiver por aqui também. Mas tem muita coisa legal que eles estão propondo e eu acho que é bacana de se conhecer.
Não, bacana. Eu conheço eles já e, de fato, está convidado. Enfim, a convite do André não tem nem como recusar. Legal, legal. Antes da gente encerrar, André, tem, sem querer que você fizesse aí... Enfim, antes de dar as suas considerações finais, você tem alguma coisa, algum recado que você gostaria de... deixar para o mercado, ou para os estudantes, ou para os profissionais de construção, da construção no geral?
Bom, o recado que eu posso dar, na verdade assim, eu tenho... eu sou professor também, então, meus alunos, a gente discute bastante também sobre essas questões do mercado, acho que é muito importante essa troca, acho que para quem está nessa linha de frente aí também, Como professor, é fundamental essa troca com os alunos. Pensando globalmente, a troca acontece com toda a rede que faz parte desse processo de projeto de arquitetura. Um projeto não se faz isoladamente. A gente falou de alguns projetos aqui do escritório, É muito importante reforçar que tem todo um time atrás desse desenvolvimento, seja ele do corpo, do próprio escritório, e uma outra rede enorme de profissionais que estão envolvidos também nessa cadeia. Então, eu acho que o recado que eu tenho para colocar é que um bom projeto se faz com um bom time. É sempre importante fazer com que essa comunicação entre o time, fazer com que essa rede seja mais coesa e o mais próxima possível para que a gente consiga viabilizar, atender tecnicamente e atender as necessidades do cliente de uma forma bem satisfatória. Então, acho que o recado e o segredo é esse.
Muito bacana, ou seja, a integração.
Sim.
E quando a gente fala de integração, eu queria que você falasse um pouco, você que é arquiteto, tá inserido no meio, sabe bem a fama de arquitetos, enfim, eu tô na obra direto, eu ouço muito, mas não, o arquiteto, não posso falar porque, assim, pro mercado, Existe uma certa barreira entre a obra, muitas vezes, e o arquiteto, porque alguns arquitetos acabam criando, de fato, essa barreira. Nem todos são assim acessíveis, enfim, como você. E, por essa razão, eu queria que você falasse um pouquinho como é o seu dia a dia. Às vezes, quando você vai na obra, quando você está ali interagindo com aqueles profissionais, enfim, como é?
É claro que tem muitos arquitetos que acabam criando muito mais dificuldades do que dando soluções. Eu acho que essa proximidade com a obra é importante e fundamental. porque a gente consegue entender, de fato, como a coisa funciona, como é que a gente consegue, muitas vezes, olhar para o nosso trabalho que a gente faz no escritório de um jeito que facilite essa execução, essa leitura do projeto na obra. Então, Eu acho que é fundamental essa ligação, essa conexão, porque, muitas vezes, a gente se acostuma a ficar dentro de uma bolha, que é aquele mundinho ali de desenhar, desenhar, fazer detalhes, detalhes, detalhes, e, muitas vezes, a obra Nem vai olhar para aquele detalhe, nem vai, né?
Esquece do essencial, às vezes.
Do essencial. Então, é um pouco do que eu falei, assim, no começo. Qual é a questão do projeto, né? Será que vale a pena a gente ficar detalhando o parafuso? do batente da porta, sendo que isso vai ser uma solução que já vai vir pronta, né? Então, assim, é tentar entender um pouco de que maneira a gente consegue facilitar o processo de produção do projeto e dar atenção a questões que realmente são mais relevantes e fundamentais, né?
E uma última pergunta que me surgiu, como que você enxerga o Constricast, né, que tem esse propósito de fato de unir Já que a gente está falando de união, de conexão ainda, como você enxerga? Tendo em vista que você vê um prédio, você vê uma casa, você vê um projeto, geralmente é o arquiteto que está dando entrevista, na grande maioria das vezes. Aqui você tem um engenheiro, você tem um profissional de obra, você tem, muitas vezes, um profissional de segurança, falando ali de segurança, falando das dificuldades. Como que você enxerga tudo isso? Você que está acompanhando o Constrecast, enfim.
Paulo, achei super interessante a iniciativa, acho que falta isso nesse nosso mercado, essa integração entre essas disciplinas que são complementares, engenharia, arquitetura e outras pessoas do mercado que você tem chamado. Eu acho que essa conexão entre essas peças que fazem parte do nosso mercado da construção são fundamentais. Essas ligações são importantes. E esse canal, eu acho que justamente o objetivo dele é fazer isso. Tipo, parabenizo pela iniciativa. E eu acho que tem tudo pra cada vez mais o canal crescer e ter... Enfim, estabelecer concretamente essas conexões, né?
Fico muito contente, mais uma vez aí, com a sua presença aqui, abrilhantando ainda mais o nosso canal. André, eu queria que você fizesse suas considerações finais. Infelizmente, a gente acabou chegando no final do nosso episódio.
Enfim... Legal. Bom, Paulo, eu queria te agradecer pelo convite, te desejar uma boa sorte aí com essa iniciativa, que, como eu falei, tem tudo para crescer cada vez mais. Fico feliz, reforço aqui a minha felicidade em estar novamente aqui com você, você por muitos anos acompanhando o nosso trabalho, a nossa trajetória, registrando muitos dos nossos projetos. Então, enfim, só queria registrar a minha alegria e felicidade de estar aqui hoje.
Obrigado, André. Então, mais uma vez, eu conversei com o André Dias Dantas, que é sócio-fundador, na verdade, um dos fundadores do DMDV Arquitetos Associados. André, mais uma vez, meu abraço a você, ao seu time e para aquela câmera lá. Tchau, pessoal. Até o nosso próximo encontro, gente.
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