Como Contratar um Pedreiro | ConstrueCast | Podcast de Construção

Transcript of a Portuguese podcast episode (ConstrueCast) where host Paulo interviews Josivan Mello, an experienced pedreiro (mason/tiler). They discuss Josivan’s background learning from his father, evolution in construction practices and tools, issues of workforce qualification, safety (EPIs), site culture (alcohol, cleanliness), materials and norms (argamassa, dupla colagem), installation details (ralos, porcelanato, ralo linear/oculto), client advice when hiring trades, and the need for better collaboration between architects, engineers and craftsmen.
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Constricast, arquitetura, engenharia e construção. Está no ar mais um episódio do Constricast. E hoje, como de costume, eu recebo uma pessoa muito especial que, como no episódio anterior, também é uma pessoa apaixonada pela vida, uma pessoa que vive a vida de fato, e uma pessoa que contribui dentro das residências, dos apartamentos, enfim, dentro das obras em geral. Jusifan Mello é o nome do nosso convidado de hoje, e ele é um pedreiro, mas um pedreiro diferente. Vocês vão entender o porquê. Jusifan, seja bem-vindo ao nosso podcast.
Muito obrigado, Paulo. Obrigado pelo convite, né? É uma honra estar com vocês aqui.
Josivan, chega mais pra perto aí.
Estamos aqui pra trocar uma experiência.
E vamos conversar. O episódio de hoje não tem roteiro, tá? A gente vai entender o dia a dia de um pedreiro, ó. Sabe aquele ditado? Você quer saber se você é pobre ou rico? Tente contratar um pedreiro. E você só não entender por quê.
Peça um orçamento para um pedreiro, né?
Peça um orçamento, tá? A gente vai falar um pouco da filha dele, que também, ó, filha... de uma pessoa de classe média alta, a filha dele, tá? Faz balé, faz ginástica, compete, natação. Entende, ó? Fique ligado. Já aproveite. Curta, compartilhe. Qual que é o outro nome mesmo, Josivan, que a gente tem que falar? Comente, né? Comente, comente.
Vamos lá. E deixa o like.
E deixa o like. Josivan, deixa eu te perguntar, como que você entra no mercado de construção? Ou seja, como que você começa? Eu queria que você falasse um pouquinho aí do seu início, como que você entra na construção civil.
A minha história, vamos dizer, eu desde os 14 anos de idade estou na construção civil, né? Trabalhando pra mim mesmo. Já vão 18 anos e eu abordo sempre diretamente com o cliente, não tenho intermediários.
Mas onde você aprendeu? De onde vem isso?
Isso vem do meu pai. Meu pai foi pedreiro. É um orgulho pra mim seguir isso entre os dois irmãos a mais que eu tenho. Eu sou o único que... seguiu essa carreira aí de obra de construção civil.
E você se deu bem nesse sentido, né? Porque a gente vai falar o porquê daqui a pouco.
É aquele ditado, né? Filho de peixe, peixinho, peixinho é. E já são mais de 20 anos na construção civil, né?
Mais de 20 anos.
Mais de 20 anos. Tive outras carreiras nesse meio termo, né, foi bombeiro civil.
Calma gente, calma que eu não falo agora. Como vocês podem ver o Josivan também foi picado por aquele bichinho que... Pica, gente! A gente não consegue mais sair da Constituição Civil. Foi assim comigo há muitos anos atrás. Estou aqui até hoje promovendo encontros como esse, que é o caso do Josivan. Josivan, agora eu queria que você falasse um pouquinho, por exemplo, queria que você falasse um pouquinho do seu pai, que você tem tanto orgulho, não é à toa que você está dando continuidade. Essa trajetória, essa carreira brilhante, que é a carreira de pedreiro. E eu queria entender, o que você viu antes ali, trabalhando com seu pai, e o que muda hoje? Porque a gente fala muito de tecnologia, fala muito de industrialização da construção, então eu queria que você falasse um pouquinho do antes e o que você enxerga hoje, para aí depois a gente vai falando um pouquinho de futuro.
Então, Paulo, na época do meu pai, uns anos atrás, era inspirador a gente sair de casa para trabalhar junto com os pais, principalmente. E ali a gente via a realidade do dia a dia, o esforço que ele fazia, tanto também por questões da escassez que tinha de ferramenta.
E já tinha, né? Escassez, no caso, de ferramenta, hoje...
Exatamente, né? Tanto que, assim, você vê hoje... Um pedreiro não faz esforço.
É importante reforçar isso. Josivan, fala pra essa câmera aqui, porque as pessoas pensam que o pedreiro se esforça hoje.
Não, o pedreiro hoje não faz esforço. Não faz. Entendeu? Porque hoje você tem tanta ferramenta pra fazer o esforço pra você, igual antigamente. Se batia uma massa, né? Quantas lajas a gente não encheu, era na enxada.
Confesso que na enxada, confesso que eu já enchei. Sabe quando você faz aquela carreirinha lá, pra ir passando lá?
Sim, entendeu? Enchia a lata, colocava em cima do andame, jogava pro outro, ou puxava na carretilha. Hoje não, hoje você liga na empresa, ó, me manda um caminhão de concreto aí, né? prático, entendeu?
Ô Josivan, agora você falando desse assunto, naquela época tinha recompensa, quando a gente... Eu adorava ser convidado pra encher laje, porque você tinha aquele churrasco que era muito raro comer churrasco, né? Então, hoje, como que tá esse ambiente aí, depois que enche uma laje, ainda existe? Mesmo que você chama e compra esse concreto já pronto?
Algumas construtoras, alguns empreiteiros fazem ainda, por reconhecimento ao pessoal que tá fazendo essa parte de encher a laje ali. Mas muito não, o caminhão encheu, vai embora, entendeu? Então ficou um pouco meio formal, vamos dizer, né? Não tem mais aquela união tão assim na construção civil, infelizmente.
Tá, e a gente vai falar disso também aqui nesse episódio. Esse episódio é muito recomendado para engenheiros, arquitetos, também para quem vai contratar uma mão de obra importante, entendeu? Agora pedreiro, né? Eu tô aqui com um azulejista especializado em porcelanato de vários tamanhos. Só que eu queria entender ainda, o que você fazia quando você começou a trabalhar com seu pai? Porque às vezes a gente tá numa profissão, né? As pessoas olham hoje pra você e não entendem o porquê que você age daquela forma, o porquê que você é muitas vezes tão exigente com alguma coisa, o porquê você é tão diferente de outros profissionais. Porque tudo que você é hoje tá muito ligado ao que você viveu com seu pai.
No passado, exato.
Ou seja, você tava ali de ajudante, você via coisas que, opa, isso aí eu faço diferente hoje porque eu vi meu pai fazer de uma forma. Como que era? O que você fazia, de fato?
Quando a gente é novo, a gente pensa em crescer, né? A gente pensa em crescer. Então, assim, meu pai que aprendeu na raça, ninguém ensinou ele. A gente... Como hoje tem a tecnologia, procuro evoluir, isso foi me levando a buscar outras alternativas para melhorar a minha qualidade de trabalho. Tanto em ferramentas, como a apresentação, a forma de eu trabalhar, que antigamente o pedreiro chegava lá com um baldinho, uma.
Colher, Uma régua, uma mangueira ali... Acabou.
Fazia tudo. Hoje, você pega aí um... igual o meu ramo, um azulejista, né? Especialista em instalação de porcelanato. Hoje, o cara chega com um arsenal de ferramenta pra quê? Pra facilitar o trabalho dele, entendeu? Naquela época do meu pai, eu pensava, pô, não, preciso melhorar isso. Em vez de eu usar um... Um carrinho de mão? Por que que não? Eu não posso usar um outro... mais.
Pra Vem frente, vem mais pra frente de novo.
Por que que eu não posso usar um outro... Uma outra ferramenta pra me facilitar isso, entendeu? Então, aí eu fui aperfeiçoando, né? Igual antigamente, usava muito mangueirinha de nível, né?
Uhum.
Quantos pedreiros não tem ainda guardado aí?
E quando fala... Gente, eu vou até... Só para entender o que é uma mangueirinha... Mas essa mangueira de nível que ele fala... Inclusive, tem muita gente que não confia tanto na tecnologia e ainda usa.
Sim.
Tá? Então, é uma mangueira onde a gente usa para fazer o nível, né? Você tem... Geralmente, você faz isso em duas pessoas e sai fazendo o nível...
Marcando.
Marcando ali nos ambientes. É muito bacana. Inclusive, eu confesso que eu gosto muito Da mangueira. Até hoje, vira e mexe, quando eu tenho oportunidade, eu vou nas obras só pra... Sabe? Pra reviver um pouquinho aquilo. Eu falo, você tem uma mangueira de nível aí? Às vezes eu até tenho no carro, assim...
É porque ela ainda é considerada ferramenta 100% precisa. Tá?
Você não fica refém da tecnologia, né?
Exatamente. Porque hoje você tem um nível a laser. Dependendo da distância, você tem perda de milímetros. Tem nível aí que a 50 metros você perde 1 ou 2 milímetros de perda. Então, isso num paredão que você vai fazer uma instalação de um porcelanato grande, quando chegar no final, você está perdendo 1 centímetro. E a mangueira, que é uma ferramenta, uma das mais antigas da construção civil, ainda tem muito pedreiro que ainda confia nela.
Eu confesso que eu confio muito na mangueira.
Eu confio também. Não uso. Não tenho. Porque a gente procura evoluir, mas se.
For preciso... Uma coisa que faz parte da história.
Exatamente.
Faz parte da história. Por isso, Ivan, e o que você nota hoje? Foi falado aqui já por você que o pedreiro hoje não faz mais esforço. E o que você nota que evoluiu da época do seu pai, quando você entrou para a construção civil, para hoje? Como você vê o mercado hoje?
O mercado hoje está abrangente. Está em crescimento, muito crescimento. Mão de obra difícil, porque muitos não querem se qualificar. não quer buscar conhecimento técnico em produto, em ferramenta, em normas. Eu vim agora há pouco de uma visita técnica onde houve um procedimento errado da instalação de um piso, aí a gente entrou em contato com o instalador, ele quis culpar o produto e não era o produto. Então, falta ainda muito pessoal se qualificar, buscar esse feeling de trazer pra ele.
E quando você falar de qualificação é muito bacana? Porque falando com você é notório que você... A gente, assim, né? No meio, a gente fala que, às vezes, é muito desafiador você falar com aquele profissional. Eu nem vou tratar o pedreiro em si.
Sim.
Então, eu falo profissional como um todo, que ele é muito resistente à mudança. Fala, não, eu aprendi assim. Quem é você pra querer mudar agora?
Ele fala assim, né? Ah, eu instalo porcelanato há 40 anos.
Há 40 anos.
Aí, se você for ver a história do porcelanato, não tem 40 anos. Então, ele instalava o quê? Granito.
Granito.
Né? que antigamente se usava muito granito.
E hoje, até esse bate-papo-repita é muito importante também para que a gente consiga entender, para que a indústria consiga entender, para que as pessoas que contratam mão de obra consigam entender como, na verdade, esse tipo de mão de obra, que é tão importante no setor, precisa evoluir no sentido de ouvir que existem formas diferentes de fazer, mais ágeis, inclusive, E como que você sente ali no dia a dia essa questão da resistência? Como que você quebra a resistência de um profissional que tá trabalhando com você? Porque você trabalha com muita gente.
Sim. Hoje a gente procura passar pra pessoa a facilidade. Tipo, você vai pegar hoje uma lastra, que são porcelanatos de grande formato. Antigamente você precisava de quatro, cinco, seis pessoas. Você abre a mente dela, ó, tem essa ferramenta, você não vai fazer tanto esforço físico, né? Pô, mas é caro, tá? Mas e sua saúde?
Tá. E aí, como que... Tudo bem, mas aí você fala da saúde e não é o suficiente pra você colocar na cabeça daquela pessoa que ele deve fazer um investimento naquela ferramenta. Né? Então, assim, existe algum outro tipo de argumento, além da saúde?
O principal ponto que eu foco nele é a saúde, né? uma ergonomia ali pra ele não forçar tanto, não se cansar, porque ele vai precisar voltar a trabalhar no outro dia. Então a gente fala, ó, investe, se atualiza, entendeu? Hoje você tem aí milhões de empresas aqui no Brasil que te fornecem pra você não ter um esforço físico. É igual, antigamente você carregava um saco de cimento aí Era pesado, hoje você carrega. Hoje você consegue diminuir essa carga com outro tipo de ferramenta.
Agora, Josivan, para a gente entrar agora, para a gente começar a falar mesmo da questão de mão de obra, da questão de algumas soluções, tipo de argamassas, tipo de pisos e etc. Enfim, quando a gente vai falar agora de solução, eu tenho uma curiosidade, porque na época do meu pai, quando eu ia nas obras, A gente lidava com um desafio muito grande, que é assim, cara, vira e mexe... Estava ali todo mundo trabalhando, e daqui a pouco saía um pra tomar um negocinho, e... Enfim, abandonava a obra, ficava, cara, todo mundo bêbado, ia o criança ali.
Você já viu o próprio cara, o próprio pedreiro, o próprio ajudante, ou qualquer outro, ou eletricista, agenceiro, no geral, bêbado na obra. Sabe como que o pessoal leva? Bebida pra obra.
Muito cheio de placas, tipo, proibido entrar bebida alcoólica.
Você tem garrafa de café, não tem?
Aham.
O pessoal cortava metade, colocava lá embaixo, fechava, levava aquelas corotinhas. Entendeu? Cara do céu. Sério. Mangueira, a própria mangueira de nível. Quantas vezes eu vi em obra, o cara tá lá chupando a água, você fala, será que tá com excesso de água na mangueira de nível? Não, aí você ia dar uma olhada. Cachaça.
Então isso existe ainda?
Existe, existe. Opa, obra que não tem uma vistoria na portaria, uma obra de menor porte que não faz uma vistoria do funcionário, existe. O pessoal leva, leva cachaça, leva pinga, leva qualquer coisa.
Mas sabe o que você me chamou agora? Você me chamou atenção agora? Eu, assim, eu visito grandes obras, né? Enfim, pequenas obras também. Mas nas grandes construtoras ali, porte médio, grande, você tem aquela vistoria. Todo mundo que passa tem que apresentar a mochila.
Sim.
E na saída também. Só que eu percebo que eles só abrem e fecham. É só uma coisa pra englês. Você não olha o fundo. Não olha o fundo.
Então, aí você vai olhar uma garrafa de café do cara. Você usar o termo de obra, pião, é um bicho muito esperto. Ele te enrola sem você perceber, entendeu?
Cara, eu tô aqui...
Ele pega a garrafa de café grande, ele troca aquele cilindro, põe um menor e põe o corotinho dele ali pra tomar depois do almoço dele. Os brasileiros vão ficar bravos comigo, entregando o segredo. E acontece.
Então vamos fazer o seguinte, já que a gente tá aqui pra denunciar... E.
Não é só isso. É igual. Hoje é muito usado o cigarrinho, né?
Também?
Também. Eles entram de muita maneira. Eu já vi gente levando na palmilha, embaixo da palmilha da bota. Porque você não vai olhar a bota.
Gente, então, todo aquele cuidado que as construtoras têm, geralmente, é por isso, então... Eu achava, nossa, que exagero, mas por que isso?
Não, não é exagero. Imagine, um funcionário seu, almoçou daqui a pouco, você conversou com ele durante o dia, estava bem na parte da manhã, foi lá, almoçou, daqui a pouco você chega perto dele... Rapaz, você está um cheiro de álcool, está turbinado para trabalhar. É certeza que levou em algum lugar escondido.
É, uma vez aconteceu, né? Eu não vou citar aqui a obra, mas... Eu fui numa obra uma vez, eu tava assim, era mais ou menos duas horas da tarde, eu tava conversando com um cara, eu falei, esse cara tá mamado. Gente, mamado, o termo é bêbado, tá? E eu falei, não, agora eu entendo, porque eu falei, pô, ele vinha entrar aqui nessa obra com bebida. Entendeu?
Aí acontece isso, levam de outras maneiras, entendeu? Às vezes, tem muito peão, né? O termo peão que a gente usa, né? Tem muita amizade com o pessoal de portaria, entendeu? Os porteiros fazem.
Resumindo, relacionamento é tudo.
Você pode não ter dinheiro, mas entenda... Sou seu amigo.
Sou seu amigo. Vocês entendem o poder da amizade, né?
É, o final de semana, ele tá lá no churrasco. Aniversário da filha? Eu te vi lá no aniversário, mas vocês têm amizade? E assim vai indo. Gente, que interessante.
Bom, eu acho que vou parar de denunciar, mas eu entendi que relacionamento é tudo. Então, você vê como são as coisas. Mesmo sabendo que aquilo pode prejudicar, pode causar um acidente.
Ele faz. E hoje o índice de acidente nas construções são muitos. O pessoal não quer usar os EPIs, principalmente, né? Protetor auricular, óculos, não quer usar.
Bom, então vamos aproveitar essa deixa. O que você sente falta hoje, assim, nas obras, no sentido de educação, no sentido de orientação? Porque eu penso que uma situação como essa, nessa questão da bebida alcoólica, essa questão dos EPIs, ainda é um ponto... Tá bom. É um tabu porque, às vezes, quando eu entro numa obra que eu fico olhando assim, a gente... O cara está fazendo uma atividade que ele precisa de um óculos, mas ele não está usando um óculos. O técnico de segurança precisa estar ali, muitas vezes como um chato. E ele está ali, na verdade, para orientar. Então, eu penso que a gente precisa começar a criar um modelo de comunicação, trazendo todas as pessoas para, ó, a partir do momento que você não está usando e eu estou do seu lado, enquanto seu colega é de trabalho, eu sei que você está expondo ali sua vista em risco ou alguma coisa do tipo, Você entende? Acho que a gente precisa começar a trabalhar mais o coletivo como um todo.
É que isso é meio cultura, né? Vamos dizer. Isso veio dos nossos antepassados, né? Aí o que acontece? Ah, hoje você vê muito profissional trabalhando de que forma? Chinelo, bermuda, né? Uma camiseta curta, quando não... Acho que vai pra praia, regata, né? Isso na parte, vamos dizer, autônomo, né? A maioria aí, uma grande parte autônomo trabalha assim, né? O cara tá lá fazendo uma solda numa estrutura metálica, tá soldando, cadê a máscara? Cadê o protetor?
Mas nunca vai acontecer, né?
Ah, não. É aquele negócio. Trabalha há 30 anos, né? Não vai acontecer comigo. Aí passa três, quatro meses, você vê lá o fulano postando lá nos stores, cortei o dedo. Cacei a mármore.
Então... Ô, Josivan, nesse sentido, você se sente diferente da maioria dos profissionais da sua área?
Diferente, diferente... Eu acho que não, assim...
Quando eu falo diferente, na verdade, não diferente melhor ou pior, tá? É que eu me cuido, né?
Eu me cuido.
Então, mas o que leva você? Por exemplo, onde você aprendeu isso? Como você aprendeu?
É que eu tive uma formação Senai. E ali é uma escola que você segue regras. Então, eu tive uma base disso daí lá atrás. Então, é uma formação que eu levei e levo pra minha vida. Entendeu? Porque lá é uma instituição que você tem que usar. E você saindo de lá, Você não consegue ficar sem. Então hoje eu tenho lá meu capacete, dependendo da atividade que eu for usar na minha obra, eu uso meu capacete. Eu só trabalho de bota, eu não consigo trabalhar sem bota de proteção, não consigo. Às vezes eu tô num condomínio, eu tô numa obra, eu vejo o profissional chegando de chinelo, Dá vontade de ir lá no depósito comprar uma bota e dar pra ele. Isso me incomoda, né? Eu tenho meu óculos de proteção, eu tenho meu protetor auricular. Eu tenho o meu kit sobrevivência pra mim não se machucar.
E esse ponto que você fala aqui me chama muito a atenção. Às vezes eu vou em algumas obras e eu vejo algumas coisas, né? De visitantes mesmo, assim. como as pessoas realmente não se atentam a essa questão da segurança. Porque, no seu caso, virou um hábito.
Sim, virou um hábito. É uma rotina.
É uma rotina. Então, eu atuo muito nas obras, na indústria como um todo. Eu visito muitas fábricas. Eu ando com o meu kit, com a minha bota, com o meu capacete, óculos ali. Cinto de segurança, eu não tenho visitado mais tantas coisas pra ter que subir em alguma altura e tal. Mas assim, aquilo virou um hábito pra mim. Da mesma forma... E olha que eu não trabalho ali na obra, no dia a dia. Eu visito as obras pra fazer algum trabalho pra cliente, vistoria, ou acompanhar alguma obra. Eu gosto de fato de canteiro. Acho que aquele ambiente, ele é... Contagiante. Ele é contagiante. Ele tem uma energia diferente, de fato. Aquilo me fascina. Agora, eu fico muito triste quando eu vejo essas situações que você relatou aqui. E eu não estou falando só dessas pequenos condomínios, quando você visita ali.
Não, isso em altos padrões.
Olha aí, eu participo de um grupo de empresários, onde a gente tem ali alguns empresários com muitos funcionários. E eles... Eu tô muito ali no sentido de orientar a questão do cuidado com a comunicação, porque quando você tem um funcionário ali numa obra, num lugar, e ele tá trabalhando de chinelo, de bermuda, ele tá vendendo a imagem da sua empresa. Então, por que não começar a fazer com que esses funcionários se adequem à empresa e não a empresa se adequar a ele? Então, de repente, a gente pode até conversar depois pra ver se o seu exemplo, a gente não consegue... Opa, peraí, por que não? Porque uma coisa é eu falar de fora. O cara vai falar, não, você não tá aqui no dia a dia.
Você não vive aquilo, né?
Você não vive. Agora você não, você vive aquilo. Então, de repente, tudo bem que você tenha ali o seu dia a dia, mas por que não, né? Pegar o seu exemplo e começar, de repente, a conversar com... com alguém do meio, você ir de repente numa construtora falar do seu dia-a-dia, da importância, porque você é casado... Tem uma filha.
Que me espera chegar em casa.
Que te espera, né? E a gente tá vivendo muito essa questão dos celulares. A gente tava falando muito isso. Eu vejo situações, a pessoa tá ali fazendo uma atividade de risco, mas tá com o celular na mão.
Quer ver um exemplo? Hoje esse pessoal de telefonia. Telefonia, internet que fica nos postes. Quando eu vejo um, eu paro e falo, irmão, amigo, você tem família? Coloca o capacete, você tá próximo de uma rede elétrica, entendeu? Você tá de cinto, mas se abre um arco elétrico aí, como sua família vai receber a notícia? Então, será que falta mesmo informações ou um pouco de educação nessa área pessoal, entendeu?
Precisa falar mais.
É.
Eu dou muito exemplo do meu filho. Você que tem filho sabe como que é.
Sim.
Né? Sua filha tá agora com... Vai fazer 10 anos.
10 anos.
Vai fazer 10. O meu também tem 9. E aí a gente tem que tá ali falando, né? Todos os dias. Lembrando de escovar os dentes. E tal. E aquilo... Até virar um hábito.
Virar uma rotina constante.
Demora. Então é importante que... Ah, mas isso é óbvio. Não, gente. O óbvio precisa ser dito.
Exatamente.
Sempre. Então, eu tenho certeza que a gente vai fazer muita coisa junto, inclusive... É, eu já vou até aproveitar aqui que tá tudo sendo gravado aqui. E eu vou te chamar pra gente, de alguma forma, tentar... Usar o seu exemplo pra melhorar. Contribuir, né? Com a formação. Hoje a gente... Vai num hotel. Tô falando do hotel? De alto padrão? Médio padrão? Sim. E eu vejo coisas assim, gente... Uma caída de um ralo, que a água não... A água, assim... O ralo tá aqui e a caída tá pro outro lado.
Mas isso... Sacadas de prédios... Vou te falar, 90% das obras hoje, infelizmente, está assim. Por quê? Muitas construtoras visam o financeiro, não qualidade. E o que é o financeiro deles? É a produtividade.
Produzir a todo custo.
Exatamente. Aí, contrata um profissional que não é qualificado. Fala, vou te pagar x metro a instalação. Então, se eu fizer tantos metros por dia, eu vou ganhar tanto. Aí, o que acontece? Ele manda ver. E aí, não se preocupa em nível, no acabamento. Não se preocupa em fazer um 45° num rodapé. O ralo, corta o ralo. Fica um dedo de cada lado, longe do ralo, piso.
Mas eu percebo, eu estou falando isso com propriedade, é claro, porque... Você vive em obra. Eu vivo em obra e eu também sei fazer. Não é só viver e olhar. Entende? Ah, isso eu tô falando aí de 15 anos atrás, 20 anos atrás, que era tão desafiador, porque a gente não tinha ferramentas, por exemplo, pra fazer um corte ali decente.
Sim. E fazia, né?
E fazia. Pô, você pega obras, aí você pega pedreiros aí, generalistas, né? Aquele cara que faz tudo. E eu falo, meu, tem uns acabamentos incríveis, caídas assim, incríveis. Então, eu falo, é tão simples, é tão fácil você fazer uma caída de uma água, Num ralo. Pra um ralo? É tão fácil.
E fazem errado.
E fazem errado.
É.
Então, e aí eu te pergunto, aquele cara que vai morar num apartamento, numa casa, como ele não cai numa situação como essa? Você que tá ali no dia a dia, qual que é a sua dica?
A dica é ir antes numa obra do profissional, tá?
Mas só isso resolve?
Resolve, porque ali você vai ver todo o acabamento. Se possível, duas a três obras. Não vale só nenhuma. Procure saber, é igual assim, eu trabalho muito, 95% das minhas obras são apartamentos. E eu sempre chamo meus clientes pra ir ver o meu trabalho. Ó, esse é meu trabalho, esse é meu acabamento. É isso que você procura? Eles falam, é isso. Então... É isso que eu vou te entregar. Então, o que eu falo? Qualquer cliente, vou até frisar aqui, qualquer cliente que for contratar um profissional, procure antes ver uma obra dele. Não só por foto, nem vídeo. Porque foto e vídeo tem aquela distorção.
Você maqueia, né?
Maqueia, exatamente. Vá na obra... Ô, Josivan, onde você tá trabalhando hoje? Posso ir ver sua obra? Tenho interesse em fazer com você, mas eu gostaria de ver sua obra, entendeu?
De repente, converse com alguém, algum cliente desse proporcional.
O próprio morador ali, o próprio dono da obra, com certeza vai passar as referências. Ele é assim, assim, assim, trabalha certinho, entendeu? É organizado. Uma coisa que eu odeio em obra é desorganização.
Eu ia falar dessa questão da limpeza.
Nossa! É uma coisa que eu chego na obra, olho assim, ó. Se eu vejo que tá sujo, a primeira coisa que eu faço é organizar. Mês passado, eu peguei uma reforma da reforma.
Reforma da reforma.
Entendeu? Reforma da reforma. Tá até na minha página. E o pessoal acabou com o porcelanato da cliente. Mas acabou. Acabou. Você entrava assim dentro do apartamento, parecia um lixão. Era agamaça, cimento, entulho jogado pra um lado, jogado pro outro. E a valorização do dinheiro do cliente que foi investido ali.
Agora eu te pergunto, porque a gente vive no mundo de ficar culpando o outro. Esse cliente, ele tem culpa por ter contratado errado?
Eu, num ponto sim. É igual eu falei pra você, vá visitar a obra antes. Entendeu?
Porque eu vou trazer algumas provocações aqui para você. Sim. Porque, muitas vezes, quando eu sou leigo no assunto, eu não entendo de obra. Aí, tudo bem, eu vou visitar uma obra, mas eu não tenho a menor noção do que aqueles... Sabe, um exemplo. Vou tratar aqui. Eu tenho um acabamento ali de um porcelanato, ou então você tem o piso de primeira, segunda e terceira. Então, assim, se você pega um... Se aquele cliente, ele não tem um poder aquisitivo para colocar um material de primeira, Ele vai colocar um de segunda ali, mas dependendo se esse cara, ele é bom naquilo que faz...
Ele faz ser um de primeira.
É, ele faz, de fato.
Exatamente.
Ele não vai ficar preso ali na questão dos guias ali, né?
Ele faz o negócio ficar... Do alinhamento todo, exatamente.
É, então ele vai dando uma equilibrada.
É igual, hoje a indústria, ela tem três tipos, né? O A, B e C.
Sim.
De porcelanato, entendeu? Eu já peguei tipo C, que eu consegui fazer um padrão A, entendeu? Demora um certo tempo, demora, né? Aí o cliente falou assim, nossa, eu achei que ia ficar horroroso. Ficou perfeito, entendeu? Então isso vai muito do profissional, principalmente assim, você pega um canto, 45 graus. Hoje o profissional não tem ferramenta, não investe. Investe numa lixadeira, investe numa lixa brilho d'água pra você desgastar o porcelanato, entendeu? Ah, não, é muito tempo, é mais fácil o cliente comprar uma cantoneira e colocar aqui. Ele gasta 20, 30 reais numa cantoneira e coloca, pronto.
É, as pessoas estão indo sempre no mais fácil.
É, no mais fácil. No mais fácil. Entendeu?
E eu quero aproveitar essa deixa agora. Você, Josivan, acha que a argamassa C1 deveria existir ainda no mercado?
Não. Por mim... Olha, Paulo, eu... Eu acho que foi há uns 10 anos que eu não uso a C1. Por quê? Entendeu? É uma argamassa que não... Sai pra quê? Pra nada. Só pra atrapalhar nossa vida.
Agora eu te pergunto, por que a indústria coloca no mercado?
Porque tem quem consome, que é os antigos. Se você fizer uma pesquisa hoje no mercado, eu garanto pra você que 80% dos azulejistas, dos pedreiros, não querem mais a C1. Entendeu? Por outra questão, a norma hoje mudou muito, né? A norma fala que tamanhos a partir de 40 por 40, você tem que fazer dupla camada, né? Tem todo o mesmo sentido de cordões, que é o cordão do argamassa, né? A C1.
Então, mas aí você tava... Outro dia eu tava recebendo aqui um engenheiro, a gente tava falando de normas e tal, e eu acabei trazendo ali uma provocação, porque eu dei aí alguns treinamentos pra indústria de argamassa ano passado. Gente, eu não sou... Quando eu falo dei treinamento, na verdade, não fui eu que dei o treinamento. Eu produzia o material audiovisual pra ensinar as pessoas a fazer aquela aplicação ali. E eu sempre me incomodei, porque as pessoas vinham seguindo ali a norma de dupla colagem, né? Só que o cordão cruzado. E aí entrava ar naquilo. Eu falei, gente, essa norma aqui precisa rever. E eu fiquei 10 anos batendo nessa tecla. 10 anos. Felizmente, ó... No final do ano passado, estou falando de 10 anos depois, eu encontrei um engenheiro que eu comecei... E ele faz parte, né, da... Comissão. Da comissão aí, da norma. E ele falou, pô, Paulo, ninguém me falou isso. Eu falei, você entende? Porque quando você cruza... Sim. E aí vai muito dar... Por isso que é importante a gente entender, conversar com quem está ali no dia a dia, sabe?
Porque também assim, ó, a questão dos cordões cruzados, né? Hoje tem profissionais ainda que trabalham com martelo de borracha. E tem profissionais que trabalham com a marreta vibratória.
Marreta vibratória eu não conheço.
Você não conhece? É uma ferramenta que ela tem uma certa velocidade, eu tenho uma que ela vai de 1 a 6, que você vibra. Entendeu? Quando você usa o martelo vibratório, você consegue tirar essa agamaça cruzada. Só que quando você não tem, você na batida não consegue. É onde cria o bolsão de ar internamente, entendeu? Porque você vibrando o porcelanato ali, automaticamente a de baixo vai vibrar e vai uniformizar tudo. Já no martelo de borracha não. Entendi. Então assim, a questão hoje ainda pega muito. Tem muito que fala, ah, é besteira usar dupla colagem. Não é. É uma realidade hoje. Entendeu? Eu já escutei o pessoal falar assim, não, isso aí foi a indústria de argamassa que não tava conseguindo vender, mais argamassa, se juntou com o corpo técnico de engenheiros da norma, não, ó, precisamos vender mais argamassa.
Precisamos consumir mais.
Exatamente. Aí fez o quê? Não, exijam que os pedreiros, azulejistas, façam dupla camada. Não foi isso, entendeu? Porque realmente começou a ter problema. Tem problema de desplacamento, entre outros.
E, Josivan, é uma coisa também que acontece muito ali nessa questão, na hora do assentamento, quando você tem essa questão do ar, você quebra muito material. Você está batendo ali e quebra muito material por conta do ar.
Sim.
E aí, felizmente, agora eles estão revendo, né? Não sei se já entrou, se já está valendo. Eu acredito que sim. Que você, na verdade, agora você pode usar Os cordões no mesmo sentido, né?
É, hoje a norma exige que seja no mesmo sentido.
No mesmo sentido.
No mesmo sentido, entendeu?
Então você não precisa mais fazer aquela quebra de cordões antes, que era obrigatório cruzado ali.
É, e também você não pode, a gente chama, eu chamo de pano, né?
Pano, sim.
Estica a argamassa por tantos metros. Tem até um senhor aí na internet que eu dou risada. Ele estica a 30 metros quadrados e sai aplicando. Eu falo, gente do céu. Porque a argamassa, ela vai criar uma película ali de secagem. Aí quando você vai colocar, não vai colar. Entendeu? Aí depois começa a desplacar. Eu sempre aconselho, estica pelo menos dois porcelanatos. Você está usando ali um porcelanato 90x90, mete 80, que é o tempo de você colocar um e já vir colocar o outro.
Eu já vi de tudo, eu já vi gente ali aplicando e pega a brocha e vai molhando para não perder o tempo.
Exatamente.
Josivan, agora eu queria fazer uma pergunta, vou quebrar um pouquinho aqui o nosso bate-papo. Existe pedreiro pobre hoje?
O pessoal vai achar que eu sou rico, pô.
Pobre você não é.
Vai achar que eu tô andando de Land Rover aí.
No começo do episódio, eu falei. O que a sua filha faz hoje? Fala aí, vai.
Minha filha faz ginástica.
Quantas?
Ginástica rítmica em duas escolas. Balé e natação, entendeu?
Como que é o nome da sua filha?
Pietra Raíssa.
Pietra Raíssa, olha só. Pietra Raíssa, olha só.
É meu funcionário por longas datas.
Você entende? Agora, e você fala, aí você quer ter mais filhos?
Não, não, não. Assim, se Deus permitir, amém. Mas... A fábrica lá em casa já meio que fechou, vamos dizer assim.
Ficou assustado.
Ah, o custo de vida hoje é muito alto, né? Pra você manter um filho. Principalmente mulher. Quem tem filho é mulher, sabe.
E sua esposa não foi boba, né? Falou, pegou uma época boa que o pedreiro tá aí...
No auge.
Nadando de braçada no auge. Falou, você quer ficar rico? Gente, vira o pedreiro, porque... ó, de verdade.
É uma área hoje muito bem remunerada. Não vou mentir pra você, entendeu? Hoje, se o cara tiver cabeça, ele fica bem financeiramente. Porque não tem mão de obra. Não tem mão de obra. Eu, todo dia, venho no meu WhatsApp, nas minhas redes sociais, gente me pedindo dois, três, quatro orçamentos.
E agora eu já queria aproveitar para... Gabi, você vai deixar o contato dele aqui? Pode ter certeza que... Vão te procurar mais ainda e a procura vai aumentar.
É, agenda a gente dá um jeito.
E quando eu for fazer alguma, construir alguma coisa, pode ter certeza que a gente vai conversar.
Não, toma disposição, pô.
E, José Ivan, eu queria aproveitar, como eu falei lá atrás, Queria... Claro, se você se comprometer, eu gostaria muito da gente, de repente, em alguma obra que você tiver, a gente gravar alguns vídeos, sabe? Ensinando ali como fazer um contrapiso, uma caída, o que que é... O que que é uma... Sabe? Uma caída... Sabe? Porque acho que... Como a gente tá vivendo nessa questão do... Tem muita gente entrando no mercado. É mais por falta de opção. Porque por mais que, ah, tudo bem, a gente precisa de mão de obra, precisa de mão de obra. E aí começa a entrar gente, mas eles não têm oportunidade no sentido de, porque às vezes eu vou aprender e dependendo da pessoa que essa pessoa se aproxima, já vê como uma ameaça...
É, eu não vejo muitos como ameaça, eu não tenho esse problema, né? Tanto que assim, lá na minha região, eu tenho alguns amigos que são pedreiros, azulejistas, às vezes a gente troca figurinhas.
Sim.
Entendeu? Até troca cliente. Ele fala, ô, Josval, não tô podendo atender. Você consegue atender? Ô, eu não consigo. Você consegue atender? Né? Então, a gente acaba trocando essas experiências. Até em produtos. Qual o produto que você usa para impermeabilização? Qual o ralo que você está usando hoje? Como você bate o nível? Por onde você sai uma paginação? Isso é um grande erro. Paginação. Por onde começar o assentamento. Hoje, isso, mais de 70, uns 90% de pedreiros e azulejistas não sabem fazer uma paginação. Porque eles pensam assim, ah, não, quem tem que me entregar uma paginação é o arquiteto, é o engenheiro. Nem sempre um cliente, ele contrata um arquiteto, contrata um engenheiro. Ele contrata quem? O profissional direto.
Direto, sim.
Direto, é igual eu. 95% são clientes...
É o cliente final, né?
Final. Não vem de um arquiteto, não vem de um engenheiro. Não vendo uma construtora. É o Paulo me contratando. E aí, Josvan, por onde você vai sair uma paginação? Aí você está lá na sua casa, você vai viajar, deixa eu lá instalando. Quando você chega, o recorte está na porta de entrada. Tá certo isso?
Não, pelo amor de Deus, né? Não, então... Então, Josivan, o que também é um ponto que você tocou nessa questão? Você falou 90% dos clientes que você atende geralmente é o cliente final.
Final, direto comigo.
Você tem mais facilidade para trabalhar quando o projeto vem de um arquiteto?
Não, eu vou te falar por mim.
Caramba, mas é importante a gente fazer esse bate-papo aqui e entender porquê, tá?
Porque assim, eu tenho contato com arquitetos, uma grande maioria dos arquitetos, eles falam assim, tem que fazer aquilo. Só que muito que está no papel não é o que é a realidade da obra. Não é o que é a realidade da obra. Tem muitos que pegam uma planta que já está pronta, joga no CAD, faz a paginação, só que quando você chega na obra, as medidas batem tudo diferente.
Tá, mas aí é uma questão muito de qualificação desse arquiteto.
Sim.
Entende? Porque é importante, porque a gente não pode generalizar. Olha só, eu estou aqui agora na minha frente com um pedreiro, uma pessoa que conhece, enfim, que vem aí desde o pai, tem todo um processo aí de formação, uma pessoa que está muito preocupado com qualidade, ou seja, não é o dinheiro que te move, o que te move, pelo menos ao meu ver, é a paixão, é se colocar no lugar daquelas pessoas que vão morar.
Sim.
Nesse sentido, tem aquele arquiteto que não está nem aí. Ai, quantos projetos eu vendo? Hoje está essa onda aí de vender projeto online. Ah, vendi lá um projeto... Aquilo que você falou, o cara pega um projeto pronto lá, tá com o negócio, não tem nada a ver quando chega lá na realidade do projeto.
É outra coisa.
É outra coisa. E alguém vai levar a culpa, geralmente é o cara que está lá na obra.
100% é o cara que está executando.
Então, o que você sente falta hoje também do mercado? Por que é importante esse nosso bate-papo? Da mesma forma que eu escuto muito arquiteto, hoje eu estou tendo essa oportunidade de trazer o pedreiro, o pintor, o soldador... Enfim, o construtor. A gente recebe todo mundo aqui. É importante porque quando vem isso de você, muitas vezes... Tudo bem, você pegou esse trabalho vindo de um profissional de arquitetura e você pode questionar onde você arrumou esse arquiteto. Como que ele te entregou esse projeto? Ele veio aqui medir? Ou você mandou medida pra ele? Será que ele realmente tem, sabe? Sim.
Ó, eu vou citar um caso recente que eu tive. A arquiteta fez o projeto... Não vou falar o nome dela aqui, né?
Não, nem deve, pelo amor de Deus.
Ela fez o projeto de um ladrilho, entendeu? E na hora da execução, deu totalmente errado. Deu totalmente errado. Aí, eu questionei. Ela falou assim, não, tem que ser feito assim. Eu quero assim e ponto. Aí o que eu fiz? Eu perguntei para o dono também. Falei assim, olha, não é melhor fazer assim? Aí o dono perguntou para o arquiteto, olha, o que você acha de fazer assim? Aí ele falou assim, não, pode fazer então. Tipo assim, a maioria dos arquitetos, engenheiros, como eu posso dizer, não todos, não quero generalizar.
Não, é importante assim, a gente hoje, assim, Internet é uma merda. Vamos falar assim. Então, a gente está falando aqui do bom profissional.
Sim. Ele escuta você.
O bom profissional, ele escuta. Aquele profissional que ele vem para somar, ele escuta.
Ele escuta.
Agora, o que eu estou falando aqui, o que a gente está conversando aqui é... Tem aquele arquiteto, aquela empresa que realmente se preocupa em envolver o todo.
Sim.
Então, só deixar claro.
O ideal hoje de uma empresa de arquitetura ou engenharia é ela, antes de executar qualquer projeto, chamar o profissional. Vamos juntos verificar a obra? O que pode ser mudado? O que a gente pode melhorar nesse projeto? É igual hoje, tem muita construção que não está vindo ralo fora do box. E eu tenho pegado muito isso, né? E eu tenho dado a solução que o arquiteto não tinha visto isso daí.
Então, aí é importante. Aí você vê, você pegou um projeto de um arquiteto.
Exatamente.
Entende? E hoje eu acabei de conversar, eu acabei de fazer um episódio... sobre formação, sobre como que está a formação hoje desses profissionais. Porque tem vezes que você pega um profissional que ele acabou de se formar, ou então ele está no mercado já há algum tempo, mas ele não tem ainda essa casca.
É igual a minha área, azulejista. Muitos não procuram se atualizar de produto. Que porcelanato existe hoje no mercado? Qual é a granilha? Qual é a densidade? Antigamente tinha muito PI, PI 1, 2, 3, 4, não tem mais isso, as fábricas tirou. Mas como que a fabricação, hoje ele é via seca ou via úmida? Ele tem absorção de quanto de água? Porque hoje o cliente é atualizado. Ele liga pra mim, ô Josvan, aquele semigrey, você é bom daquela marca? O que você me indica? Aquele porcelanato é bom. E qual é a absorção de água dele? Então hoje, em todas as áreas, as empresas disponibilizam. Entra no site lá, faz o download.
E aí você traz um ponto muito importante. Eu sempre falo, quem manda na obra, gente, é o pedreiro.
É o pedreiro.
É o pedreiro, não é o dono da obra. Olha o que o Josivan acabou de falar aqui pra mim. O dono da obra ali, a pessoa que contratou, ele sempre vai perguntar para o pedreiro. Portanto, gente, dê mais atenção a esse cara. Porque muitas vezes, quando o arquiteto especifica, quando alguém especifica alguma coisa, é o pedreiro, é o azulejista que está ali e ele tem o poder de mudar tudo. Então, por que não unir mais o setor?
Eu tive um caso, eu tinha feito um levantamento de material pra um cliente meu todo, metragem, quantidade de argamassa, rejunte, tudo. Passei pra ele, discriminativo, falei assim, ó, você vai gastar isso. Ele chegou na loja, aí os vendedores, né? Falaram assim, nossa, o seu pedreiro vai levar a argamassa embora. Porque não pode, ele vai construir o quê? Vai fazer dois apartamentos, três apartamentos com a quantidade de argamassa? Então, assim, falta informação, o pessoal abrir a mente, procurar a informação, ler a embalagem, né?
Quase ninguém... parece que aquilo ali não é pra existir, porque quase ninguém olha.
Exatamente, né? Ler a embalagem. Quantos metros faz um saco de argamassa? Quantos metros... Quanto de água? Isso é um grande problema que a gente tem hoje em assistência. de indústria, vai na obra, o cara colocou mais água do que é o permitido na argamassa, que aí diluiu os polímeros, a quantidade de polímero da argamassa, entendeu? Então falta ler, entendeu?
Joselino, aí você tem usado muito ralo linear ou você tá usando mais o tradicional nas suas obras?
Eu tenho usado aí mais aquele oculto.
Oculto.
É, é a febre.
Ah, então você tá em outro nível de obra.
É, tô usado mais oculto. O pessoal tem usado aquele clique, né?
Sim.
Só que aí coloca, vê que não gosta muito. Me liga, Josuando, vem aqui, troca, entendeu? Então, hoje, muito oculto. Que fica mais bonito, né? Parece que você tem um piso só ali, né?
Gente, mas é legal aquilo. Eu não vi ainda como funciona na prática a aplicação. O dia que a gente for numa obra, que você estiver fazendo de repente alguma coisa, eu gostaria de acompanhar para entender, né? Porque... Ah, eu vejo ele pronto, já pronto.
Já instalado, né?
É, eu quero ver como que funciona o processo de instalação.
É, eles são dois componentes, né? Ele tem a base, que você chumba ali no ralo, e uma outra parte, que você cola o piso... Ah, é.
O próprio piso ali?
O próprio piso. Você cola o próprio piso. Nele ali, entendeu? Só que aí você tira essa tampa pra fazer a limpeza, a manutenção.
E os frisos ali, a única coisa que você não faz...
Não, o friso já vem.
Você deixa aberto.
Deixa aberto. Então, aqui é por onde a água vai ter o espaçamento, entendeu?
Ah, que legal.
Então, eles são dois componentes. Ele tem o ralo, que aí ele vem com a saída de 100 ou 150 milímetros, que aí você coloca no cano. E a parte da tampa em cima que você cola com PU, né? O porcelanato em cima. E aí ele fica, acho que é um milímetro e meio, dois milímetros, o vão por onde a água escorre. Aí tem dois tipos, né? Tem o ralo linear, que ele é... Ele é maior, tem de 1 metro, 80.
Ele é mais fácil de trabalhar?
O linear é mais difícil.
Não, não, tudo bem, mas a parte do acabamento ali, de colocar o piso...
Ele é mais difícil. Ele é mais difícil por quê? Ele não pode ficar encostado na parede. Então, o que acontece? A gente deixa um centímetro e meio da parede, aí você tem que fazer a volta inteira ao corte do porcelanato, entendeu? Para ele encaixar certinho. Então, para a gente, ele é um pouco mais trabalhoso, entendeu?
Mas aí você compensa essa diferença com o quê? Com o rodo?
Com a... Com o piso que vai na parede. Com o piso da parede. É, que aí chega nele ali, entendeu?
Cara, já entendi. É. Não preciso mais visitar sua... Aí tem.
Um outro porém da questão de um ralo linear. Ele precisa ter uma caixa sifonada. Porque ele não é um ralo normal sifonado.
Entendi. Entendeu?
Você faz a conexão de um tubo de 40 ou 50, dependendo do modelo, e aí leva até uma caixa sifonada.
Que fica ali no outro, fora do box.
Exatamente. Ali perto da... Do vaso sanitário. Do vaso sanitário, da pia, entendeu? Então você tem que ter uma caixa sifonada, para a água sair dele e ir para ali. Que aí toda a sujeira vai nela para fazer a manutenção, limpeza.
Isso aqui é legal. E essa parte que você falou, que geralmente você pega a obra, onde as pessoas não colocam ralo, Fora do box. Fora do box também, me preocupou bastante isso.
Até nas minhas redes sociais tem um vídeo desse daí, mostrando, entendeu? Ele é uma chapa pequenininha assim, ó, dá 4 milímetros de altura por 15, 10 de comprimento, entendeu? E aí o que acontece? Ele vai... Onde que fica o box, você vem com o trilho do box embaixo dele. Então, você faz a limpeza Por dentro da parte do boxe.
Do boxe.
Do boxe. Faz a limpeza, a manutenção, tudo. Entendeu?
É, e você... Eu acredito que você tem muito a contribuir, né? Com aquilo que eu estou falando aqui desde o início. Se a gente conseguir, de fato, essa união aí de pedreiro, arquiteto, engenheiro, mestre... Agora, na próxima semana, Gabi, a gente vai ter, né? Conversar com o mestre. Sim, com o mestre. O Francisquinho lá, um cara incrível. Ele é da... da... da construtora da Tarjab.
Legal.
E é muito legal, assim, a gente começar a ouvir vocês, porque, de fato.
A gente é o final, né?
É o final. Eu sempre falo que o arquiteto precisa visitar as obras. A gente precisa começar a tirar a bunda da cadeira e começar a visitar as obras.
Precisa. Eu tenho... Eu até reclamo, vamos dizer assim, lá na minha cidade, tem uma construtora lá e eu já conversei com os diretores pra mudar um ponto que aí é um projeto arquitetônico, né? dos apartamentos, que os ralos são embaixo das máquinas de lavar, nas cozinhas. Como que vai, quem vai ficar tirando uma máquina de lavar pra fazer uma limpeza ali, entendeu? Pô, coloca do outro lado. Então, falta um pouco ainda mais essa conversação.
Então, mas aí entra aquela questão que eu te falei, né? A gente precisa começar a falar mais. Daqui a pouco, os próprios moradores têm que começar a se movimentar. Pô, como que coloca um negócio desse aqui? Eu falo, ao mesmo tempo que a rede social é um saco, ela também é boa, ela serve pra que essas coisas cheguem, né? Até, muitas vezes, os decisores ali de um projeto. Porque, às vezes, de fato, eu entendo que mudar um projeto é bem complicado, por conta do custo que envolve. Então, muitas vezes, já tá assim, mas imagina, de repente, tudo bem que você... Eu tô falando não com propriedade isso, tá? Você muda ali, de repente, um valor na venda desse empreendimento aí, compensa essa mudança. E no final, todo mundo vai ganhar.
Houve um caso, não sei se você já viu ralo na parede.
Já.
Já viu?
Já vi de tudo.
Então você já viu o meu Instagram?
Não, eu não vi lá, não.
Depois você dá uma olhada lá. Cara, foi uma coisa assim, nova pra mim, tá? Mas eu fui visitar o local, só que não é funcional. Entendeu? No dia a dia, pode ser uma estética bonita e tal, mas não é funcional. Entendeu? Falei pra construtora, falei assim, ó, vocês vão ter problema com isso aí. Ah, não, vai evitar a manutenção pro vizinho de baixo, porque no vizinho de baixo não tem o gesso, né? Só que você tem o shaft. Se qualquer jeito, você vai quebrar o shaft. Aí eu falei pra ele, tá, eu reformo o meu banheiro. Eu não tenho mais aquele piso. Deu um problema. Vou ter que quebrar o banheiro. E aí, como que eu faço?
Se eu aproveitar agora, a gente já está com o tempo bem apertado, né, Gabi? Mas a gente vai ter que marcar um outro bate-papo. Acho que a gente precisa conversar mais, isso é fato. Se você não tiver problema para você, vai marcar um outro bate-papo. Acho que você, de fato, tem muito para contribuir, porque você está vivendo ali. Agora, um ponto que eu queria trazer aqui... Tudo bem, você falou, pode dar manutenção embaixo. Agora, se você faz um contrapiso bacana, uma boa impermeabilização, uma aplicação ali bacana, Você percebe que a gente nunca vai ter problema com o de baixo?
Não, não dá problema. Eu estou, como eu falei, quase 20 anos nesse ramo, até hoje eu nunca tive problema com as minhas impermeabilizações. Por quê? Primeiro eu sigo o que o fabricante pede do impermeabilizante dele. É 3D mão de impermeabilização, cruzada, usa tela de dilatação em volta. Hoje você vê profissionais aí, Daqui a pouco não faz um rejunte direito.
Mas entra naquela questão da velocidade. O cara está pagando. Ah, tudo bem, meu. Quero... Sim. Produção, produtividade, produtividade. Enfim.
Sim. Entra nisso, entendeu? Entra nisso. O cara pega uma caixa de impermeabilizante e faz cinco, seis banheiros.
E aí ainda, José Ivan, só para a gente encerrar esse assunto, para a gente encerrar, porque, enfim, realmente está bem apertado o tempo, mas... o dono da obra, geralmente, ele não está lá acompanhando, né? Porque uma situação como essa de imprimibilização, é muito fácil perceber quando está sendo feita de forma adequada ou não, porque tudo bem. O cara passou uma vez, aí você tem que esperar o tempo de cura pra passar outra cruzada ali. Pra cruzar e tal, geralmente, tem que ser acima de três. De mãos. De mãos ali, pra, de fato, ficar uma coisa ali a contento, né? Correta. Agora, geralmente, esse cara não está lá. O que você recomenda para esse... Cliente? Cliente.
Pede uma foto.
Uma foto?
Foto com a hora marcada.
Tá. Então, eu quero ver que foi, de fato, aplicado.
Exatamente. Igual eu. Tudo o que eu faço, eu registro. Eu mando para o meu cliente.
Vamos chamar de diário de obra.
Exatamente. Tudo o que eu faço, eu registro. Foi feita essa impermeabilização, tá aqui.
Primeira demão, segunda, terceira... Primeira demão, terceira, entendeu?
E aí, eu espero 48 horas pra fazer a aplicação do porcelanato.
Tá. Vocês fazem teste de estanquidade?
Tem lugar que não precisa, entendeu? Mas o que eu normalmente faço? Eu jogo uma água, vejo se ela tem uma absorção rápida ou se ela parou. Se ela parou ali, não tem problema nenhum, né? E assim, e depois da aplicação do porcelanato, o revestimento que você for fazer, trabalha com o rejunte ou acrílico ou epóxi. Você não vai ter problema.
Vou te falar uma coisa, trabalhar com epóxi, meu amigo...
É o choro dos pedreiros...
É de chorar aquele negócio, mas é bom, funciona.
Você não tem problema, entendeu? Porque o resinado, ele tem a absorção de água. Entendeu? Porque ele é dolomita. Dolomita, ela absorve água.
Olha que nome.
Entendeu?
Esse pedreiro é diferenciado mesmo.
Né? O epóxi, não. Entendeu?
É ele.
Não, realmente. E o acrílico, ele tem a resina. Resina, depois que ela seca ali, ela vidrifica.
O José Ivan, qual que é a dica, antes da gente se encerrar, que você deixa aí para a nossa audiência?
Procure bons profissionais. Entendeu? Avalie o pessoal. Se você estiver contratando alguém, Entendeu? Como eu falei, vá em duas, três obras dele, procure referências.
Você sabe que todo mundo procura um bom profissional, todo mundo procura um bom relacionamento, mas a gente vive quebrando a cara. Agora, como que eu procuro um bom profissional?
Hoje tem as redes sociais, né? Hoje tem as redes sociais. Hoje, 90% dos meus clientes vêm pela minha rede social. Isso é fato. Tem parcerias com alguns lojas de material de construção, que também me indicam, e ali a loja não vai se queimar por um profissional, ela vai te indicar um profissional de qualidade, entendeu? É igual mecânico. Você vai levar o seu carro... Ah, eu tô vendo um mecânico ali, o Zé da Esquina. Entendeu? Você vai ligar para algum parente seu, qual é o seu mecânico. Entendeu?
É, todo mundo deveria ter.
Deveria ter.
Um mecânico bom, um funileiro bom, um guincheiro ali.
Um pintor.
Um pintor, um pedreiro.
Um pintor, um pedreiro, entendeu?
Inclusive, já coloquei você aqui na minha lista, já pedi seu telefone pra Gabi. Gabi, deixa aqui comigo, que eu quero esse contato.
É porque hoje a mão de obra, ela tá muito grande assim. Tem muitos profissionais bons e tem muitos profissionais meia colher. Entendeu?
Meia colher. Você adora esse termo.
Meia colher. Entendeu? Uma coisa que você pode observar é valor de mão de obra. O Josuvan me cobrou R$ 20 mil para fazer meu apartamento. O Zezinho da Esquina me cobrou R$ 7 mil. O que o Zezinho da Esquina tem a me oferecer que o Josuvan de R$ 20 mil tem a me oferecer?
É o famoso barato sai caro.
Exatamente, entendeu? Então assim, às vezes o Zezinho da esquina vai chegar com aquela, o baldinho, a colher, entendeu? Só.
Tem uma coisa que eu gosto de falar aqui, na verdade, para as pessoas no geral. Eu gosto de pedir as coisas ou contratar serviço de pessoas muito ocupadas. Empresas que estão ali, é todo vapor, porque elas fazem bem e fazem com eficiência. Quando a pessoa é muito desocupada, quando.
Tem tempo demais... Você desconfia, né?
Eu desconfio, geralmente eu tento não cair nisso. Agora tem gente que está muito... Eu vejo que você está muito corrido, atarefado. Eu falo, pode ser que eu tenha um tempo.
Eu, esse ano, praticamente eu não tenho agenda mais. Eu tenho até uma construtora aqui de São Paulo que quer fechar um contrato comigo de setembro até dezembro já, para trabalhar com grandes formatos. Ela falou, eu preciso amarrar o C, Comigo, preciso trazer você pra mim. Só que tá difícil, né? Aí eu falei, tapa questões de agenda minhas. Então assim, eu tenho o contrato já fechado até outubro. Né? Isso é um sinal que eu acho certo.
Mas assim, Josivão, conversando com você, eu tenho certeza que a gente vai conseguir, através do seu trabalho, do seu dia a dia, da forma como você olha para o mercado, a gente vai conseguir.
Uma visão diferente.
Uma visão diferente. Inclusive na formação de pessoas que você possa dar vazão para que essas pessoas trabalhem de uma forma correta, que façam mão de obra ali. Bacana e de repente, por que não? Então você tem um poder de transformação muito grande.
Uma coisa que eu sempre falo, faça tudo com amor. Independente se é seu ou não. Faça como se fosse pra você. Entendeu? Seja lembrado por coisas boas, não seja lembrado por coisas ruins. Ou o Josivan vai fazer uma cagada. Pô, não é legal. Entendeu?
É, bem desafiador.
É. Às vezes eu prefiro perder um cliente por não conseguir atender, do que perder um cliente por algo não executado.
E eu costumo dizer que nem sempre, quando você fala não pra esse cliente, você vai perder. De repente, ele pode esperar.
Exatamente. Eu tive uma cliente aqui de São Paulo que ela me esperou sete meses. Ela falou, não, é você que vai fazer meu apartamento. Entendi.
Então, essa questão da pressa, nem sempre tem que ser agora. Então, a gente tem que tomar cuidado, como eu falei lá no outro episódio, que a gente estava conversando, geralmente, quem tem pressa come cru.
É, exatamente.
E assim, a gente tem um quadro aqui, Convidado com Vida. Quem você gostaria de ver e ouvir aqui no ConstruyCast?
Do meu ramo?
O que você quiser.
Cara, tem um amigo meu. É...
O que ele faz?
Ele é azulejista também.
Traz ele aqui?
Tá. É um cara, assim, que eu... Viramos muito amigo. Muitos amigos. É... O Rafael Madeira. Ele é da cidadezão do Rio Preto.
Ele vem aqui?
Com certeza. Eu acredito que vem. Entendeu? Eu amarro ele lá e trago ele.
Mas não é minha colher, não, né?
Eu quero ter que ser bom igual você. Esse profissional, eu posso, assim, colocar minha mão no fogo por ele. Entendeu? É um cara top. É um garoto novo também. Acho que não tem 30 anos. E é um excelente profissional.
É um bacana.
Excelente, excelente. Hoje aí, nas redes sociais, pra mim, ele é uma referência, tá? Eu sou difícil de ter caras, pessoas como profissional de referência, entendeu? É diferente de você ter uma marca de... de carro, de ferramenta. Olha, eu gosto dessa, eu gosto dessa. E de pessoas, para você ter uma pessoa como referência profissional, ele é uma pessoa.
Não, é bacana. É muito bom, né? Ouvir isso de você, porque quando você está referenciando outra pessoa, você está colocando... Sim, colocando.
Exatamente.
Exatamente. Imagina, está convidado. Convida você para aquela câmera.
Rafael, você está convidado aqui para vir no ConstruCast aqui, tá bom?
E aí, Rafael? Dá para falar não para um cara desse, meu amigo? Se tu falar não aqui, a gente vai te buscar força. É isso. Eu queria que você desse suas considerações finais para a gente encerrar e a Gabriela já vai ver uma outra data para a gente fazer um bate-papo, mas nessa outra conversa que a gente vai ter, eu vou trazer alguém do mercado. Provavelmente, a gente vai fazer algo muito maior, inclusive vai ter a presença aqui de um arquiteto e um engenheiro nesse bate-papo. Eu vou ser um arquiteto mais um engenheiro.
Tá jóia.
Fechado?
Fechado, Paulo. Queria agradecer mais uma vez você, a Gabriela, pelo convite aí. Foi uma honra, né? E o que precisar de mim, tô à disposição 24 horas aí, entendeu? Segunda a segunda.
Você vê, né? O cara é muito ocupado. Por isso que eu falo, quando a gente quer de fato... Faz acontecer. Faz acontecer. Então, é com esse final, né? Quando a gente quer de fato, faz acontecer. Então, um abraço e até o nosso próximo encontro. Antes de finalizar, a gente não esquece, compartilhe nossos conteúdos, se inscreva em nossos canais e, claro, coloca nos comentários o que você achou deste episódio e como você pode contribuir. Só dessa forma a gente vai, de fato, construir um mundo muito melhor. Tchau, gente!
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