Como ter Sucesso na Engenharia| Podcast de Engenharia | Arquitetura | Construção | Dia do Engenheiro

Structural engineer Iopana Rebelo talks about 52 years in the field, working across steel, concrete, wood, and masonry. He stresses hand calculations over blind software use, collaboration with architects, and sustainability as material origin plus application plus maintenance. His advice: treat engineering like art.
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Construir creche, arquitetura, engenharia e construção. Sejam bem-vindos, está no ar mais um episódio do Constricast. E hoje eu tenho a presença de um engenheiro com 52 anos de profissão. Então, você que é da área de engenharia, você que é da área de construção, vale muito a pena. Pega o caderno e não perca nada, porque hoje o episódio promete. Antes de apresentar o nosso convidado, gostaria de agradecer o apoio da produtora de vídeo Infinity Plus. Iopana Rebelo é o nome do convidado de hoje. Iopana, seja bem-vindo ao nosso podcast.
Obrigado, obrigado. Eu só queria fazer uma observação. É que, antes que comecem a fazer muitas contas, você falou em 52 anos, eu comecei com 5 anos de idade, viu?
Ah, então tá certo.
É bom que fique claro. Fazendo conta e dá um número grande.
Não, bacana. Então, assim, ele começou precoce na engenharia. Então, boa, boa observação. E o Pernal, pra gente iniciar o bate-papo, eu gostaria que você falasse um pouco da sua trajetória na profissão, né? Falar um pouco sobre você e o que que te fez entrar aí no mundo da engenharia.
Bom, eu não sei nem explicar porquê, Mas aos 5 anos de idade, ainda morando fora de São Paulo, ainda morava em Iguape, onde eu nasci. E foi quase que aos 5 anos mesmo eu vim para São Paulo. Mas eu já queria ser engenheiro. Eu achava legal a possibilidade de construir, de fazer. Eu achava muito bacana ver o pedreiro trabalhando, essas coisas todas. E ficou na minha cabeça essa ideia de ser engenheiro. E ficou de tal maneira enraigada que eu persegui essa ideia até eu me formar.
Mas tem alguém na família, assim, ligado, área de engenharia ou área de construção, assim, naquela época?
Não, não, não. Então, é... Meu pai era tavilhão, não tinha nada a ver com essa área. Então foi uma coisa que eu peguei do ar aí, sei lá, aos cinco anos de idade, e fui até o fim. Na verdade, quando eu estava nos últimos anos da escola, da faculdade, eu queria ser mesmo um pesquisador. Mas aí eu comecei a frequentar cursos de pós-graduação e vi que se tornava um sexto, sétimo ano. Então eu falei, bom, não é isso que eu me imaginava uma pesquisa, era uma outra, mais ou menos uma coisa presa em laboratório, que eu pudesse desenvolver coisas que eu testasse, pudesse testar. Então, aí eu falei, não, então eu vou pela profissão adentro e vou tentar fazer pesquisa dentro da minha profissão, trabalhando mesmo.
Dentro das suas obras mesmo.
E depois, aí apareceu a oportunidade de uma coisa que me deixou muito feliz, que foi ser professor. Então, teve essa oportunidade. Também foi uma coisa que eu descobri já aos 19 anos. A história é meio interessante porque a minha irmã dava aula de geografia numa escola lá em Utinga, em Santo André. E aí ela disse que os alunos não conseguiam aprender escala. E aí, como eu já estava na engenharia, ela falou assim... você não quer ir lá, ver se você consegue pôr na cabeça deles essa noção de escala e tal? Aí eu fui. Aí eu me virei lá, não sei se eles aprenderam ou não, mas eu aprendi, porque aprendi que eu queria ser professor. Que interessante. Então, no ano seguinte, eu fiz vestibular para dar aula na escola de filosofia. Então fiz matemática, né? Eu fiz vestibular para poder dar aula nos outros anos, e aí eu fui dar aula também na... na universidade e já sou aposentado como professor, mas continuo dando aula ainda, cursos e etc. Então foi uma outra vertente que me ajudou tanto na engenharia, porque eu fui obrigado aí sim a fazer pesquisas e a trazer para a minha profissão e vice-versa, trazer para o curso o que eu tinha aprendido também na minha profissão. Então foi um negócio que para mim foi muito valioso. E eu tenho muito orgulho de ter sido professor, até mais do que engenheiro.
Muito bacana! É muito legal, é muito gratificante ouvir a sua história. E, Panay, eu queria aproveitar até para... que sirva de motivação para outros estudantes de engenharia, de arquitetura ou qualquer área, enfim, de qualquer profissão, qual foram, melhor, os grandes desafios que você enfrentou durante o seu processo de formação, tendo em vista que você não tem ninguém Ou seja, no meio da engenharia, no meio da construção, que, de alguma forma, você pudesse se apoiar. Então, eu entendo que quando você passa por um momento como foi o seu, é um pouco mais desafiador, talvez, na questão de estudo, na questão de seguir na profissão.
Então, como você não tem nenhum balizamento, o pai, que é o avô, que é engenheiro, enfim, no meu caso, eu tive que arrancar a leite de pedra estudando. É a única maneira de você compensar. Estudar mais, talvez, do que o outro que eu chegava em casa. Tinha já um diálogo. Rapaz, não entendi isso daqui. Como é que é? Aí fluía uma coisa que facilitava o aprendizado. E eu tive que me virar mesmo. Eu era meio CDF. Então eu estudava muito e consegui superar.
Mas você estudava por gostar ou por necessidade?
Mais por necessidade do que por gostar. Aí que vem o caso. Durante os meus anos de estudo, hoje não sei como é que chama, na minha época chamava primário, ginásio, científico. Eu estudava para acabar logo.
Você queria se livrar.
Queria se livrar. Então, a minha caderneta só tinha 10, 10, 10. Não era porque eu era fera, era porque eu tinha que estudar muito para me livrar logo da escola e as férias começariam. E o gozado é que isso foi mais ou menos. Não tanto na faculdade de engenharia, mas também acontecia um pouco isso. Só que depois que eu saí da escola, que eu entrei para a área de ensino também, Me dá um prazer tão grande estudar. Hoje em dia eu amo estudar qualquer coisa, qualquer coisa, não precisa ser só no ramo da engenharia. Mas eu sou muito curioso por outras áreas, então eu vou atrás, estudo. Enfim, hoje estudar para mim é um lazer, é um prazer, é tudo de bom para mim.
E até aproveitando essa questão do prazer, pelo estudo do prazer...
Eu posso estar falando a verdade, né? Não tem problema.
Lógico!
Não é pra enfeitar o bolo, né?
Não, eu quero até aproveitar esse ponto que você... Porque, assim, você começa, de certa forma, querendo se livrar daquilo, né? Então você estudava muito... para se livrar. Enfim, tirava notas boas, ótimo. E aí, isso virou no futuro um prazer.
Isso, muito.
E até já adiantar uma coisa aqui, eu que sou da área de engenharia, de construção em geral, hoje você é uma grande referência no mundo da engenharia, como professor também, tem inclusive livros aí publicados. Que dica você daria para esses estudantes de engenharia e estudantes no geral? Ou seja, aquelas pessoas que geralmente não são estudiosas, mas sobretudo que, ó, faça agora, que de alguma forma você pode começar a sentir um prazer que você não sente atualmente.
Sim, eu acho assim que tem que começar a desenvolver, se a pessoa não for curiosa, tem que aprender a ser curiosa. Eu acho que esse é o start de qualquer aprendizado, é a pessoa ser curiosa. Então, se ela está aprendendo um certo assunto, isso aqui é curiosa e crítica. Isso também é importante, porque as duas coisas juntas fazem com que você vá um pouco mais além do que você está ali de cara aprendendo. Então, você se interessa mais pelo assunto, vai aprofundar mais. Por quê? Porque você está curioso. Você viu ali, não, mas o que o cara falou, eu não achei certo. Eu tenho minhas dúvidas que isso aí está certo. E aí vai a curiosidade e mais essa dúvida, essa crítica em relação ao que está estabelecido ali, e ele vai, então, querer saber um pouco mais sobre esse assunto. E, ao aprofundar esse assunto, ele pode também ver que existem outros assuntos paralelos que também são interessantes. Porque eu acho assim, até o Weinstein dizia, que a lógica leva de A a B, mas a criatividade leva a qualquer lugar. A criatividade, o conhecimento leva a qualquer lugar. Então, eu acho que você também não deve se aprofundar de maneira única em um determinado assunto. Eu acho que você tem que abrir para você mesmo a possibilidade de você embarcar em outras áreas, inclusive em outras áreas do conhecimento humano. por você poder trazer para a sua área coisas que já estão até às vezes estabelecidas e você não precisa inventar roda de novo. Então, essa coisa de você ampliar o conhecimento seu, sem aprofundar definitivamente só naquilo, é muito importante. Óbvio que às vezes você vai precisar de um certo aprofundamento, Mas aí você vai atrás, né? Você...
Específico pra aquela situação, pra aquela área, né?
Exatamente, mas não ser o cara que sabe tudo e quase nada, né? Aquela velha história, né?
Iopana, e até aproveitar essa deixa que você deu, como que você enxerga essa questão hoje do especialista?
Eu acho péssimo. Eu acho péssimo. A especialização é uma coisa que eu nunca fui.
Te limita, né?
Pois é. Aí as pessoas falam assim, é porque... Ah, você faz? Eu, por exemplo, faço estrutura de aço, concreto, madeira, argamassa amada, vidro, alvenaria estrutural, enfim. Eu não sei por que alguém diz assim, ah, eu só faço concreto, não faço, vou dar para outro fazer a parte de metálico, ou vice-versa, ou madeira. Eu não entendo isso. Óbvio que você não vai saber tudo de tudo, mas você vai ter uma visão boa, aliada à sua curiosidade e àquela questão de você ter uma visão crítica das coisas, você vai... Procurar alguém que esteja mais apto para te responder uma determinada coisa que você talvez não saiba ali naquele instante. Isso não tem vergonha nenhuma. Você não é obrigado a saber tudo.
Que é o caso de você ter sempre o telefone de alguém que pode te ajudar numa situação.
E saber procurar.
Saber procurar.
Onde que eu posso procurar que eu vou ter essa resposta? Em livros, em profissionais, enfim.
É, e esse ponto que você fala que é interessante, que é assim, quando você se depara com uma situação. Só que você traz também, junto contigo, essa questão da curiosidade. Então, peraí, tudo bem, eu tirei essa dúvida com alguém, mas será que é isso mesmo? Deixa eu fazer um double check, deixa eu checar de novo com... Sei lá, de repente, dependendo do grau de responsabilidade daquilo que você está fazendo, deixa eu fazer uma... uma terceira conferência com outra pessoa, porque eu não estou seguro daquilo.
E vem também a intuição sua. Eu acho que essa resposta está boa. Ela vai ao encontro do que eu penso. Você pode até fazer outra checagem, mas isso já é um bom indício de que você está no caminho certo. Esse argumento que ele está falando tem muito a ver com que eu Estava imaginando, só não tinha certeza.
É, porque faz sentido, né? Ou seja, tudo bem. Ah, legal. Eu trouxe, de repente, mais um ponto de vista. Opa, peraí. Faz sentido. Agora, deixa eu juntar isso com o que eu tô sentindo. Deixa eu pegar pra ver, pra dar mais certeza. Porque engenharia, você traz aí uma grande responsabilidade.
Sim, sim, sim.
Como outras áreas também, mas a engenharia em especial, dependendo do tipo de projeto ali que você tá responsável.
Sim, claro.
Claro. Ô Iopana, e como que você entende hoje que a tecnologia, até que você fala de intuição, né? E como que a tecnologia entra no meio disso tudo, né? Porque você tem aí, tá fazendo agora, completando 52 anos, de profissão, não tinha tanta tecnologia, então você tinha que de repente olhar uma situação e, opa, peraí, isso aqui é dessa forma. Agora vem a tecnologia, onde você, ah, o computador ali, o software tá fazendo tudo, mas já aconteceu de uma situação que foi feito pela tecnologia e você olhou e falou, peraí, tem alguma coisa que aqui não tá batendo?
Já aconteceu com o programa, eu não vou dizer o nome do programa.
Não precisa falar o nome do programa, mas...
É bastante conhecido, quase todo mundo usa. Mas eu queria falar antes da questão tecnológica.
Tá, vamos lá.
A gente precisa tomar cuidado em saber que a tecnologia nos põe frente a ferramentas, a não soluções. Ferramentas para chegar às soluções. Então, os softwares não projetam coisa nenhuma. Os softwares são uma ferramenta para você fazer as continhas mais rápidas e você ter mais precisão em desenhar alguma coisa. Então, a gente precisa tomar cuidado também com o que a gente tem de resposta desses programas de computador. Então, nesse programa, que eu uso bastante até agora, a gente estava fazendo uma estrutura e, de repente, deu um valor ali que a gente... Aí que vem, né? Você tem que ter... Isso é importante, você sair da escola com a ordem de grandeza das coisas. Eu lembro que eu falava para os alunos, assim, na primeira aula, olha, eu tenho um vão de 10 metros e eu quero fazer uma laje. Qual a espessura? Então, vinha de 5 a 80, 90 centímetros. A pessoa não tem, claro, não tinha. Mas eu só queria chamar a atenção de que é precisa essa ordem de grandeza. Acho que você tem que ter feito algum dia na mão, sabe? O famoso que é ali a quadrada sobre oito. Pô, aquilo lá é rápido. Mesmo que não caiba direito ali, mas você adapta.
Você adapta.
A ordem de grandeza é essa. Então, se der esse resultado, próximo a esse resultado, sei lá, 20%, mais para menos, sei lá, mas está dentro daquele... não 10, 15 vezes, que nesse caso dava acho que umas 20 vezes mais do que o resultado que a gente esperava.
Por isso que a experiência conta, né?
É, não, a experiência conta, sem dúvida, mas eu acho que a pessoa tem que acostumar a fazer conta e observar o que que... que valores os resultados se apresentam, para você ter uma ordem de grandeza. E foi gozado porque eu mandei esse problema para os desenvolvedores do software. Depois de um tempo, eles falaram que não conseguiram detetar qual era a razão daquele erro. E que a probabilidade daquele erro era 1 sobre 16 milhões.
Aconteceu com você?
Aí eu falei, por que eu não ganho na loteria, hein? Pô, sacanagem. Deve ser a menor probabilidade de acertar.
Você poderia ter jogado.
Então acontece isso, né? Então precisa tomar cuidado. A tecnologia é bom, mas como ferramenta... Eu sempre uso a metáfora. Se a gente não souber usar a ferramenta da tecnologia, a gente vai fazer besteira. Que é assim, imagine que você nunca tenha visto na sua vida uma chave de fenda. Você não sabe pra que que serve. Você entende? Assim, na mão. Aí você fala, bom, é legal pra coçar o ouvido, né? Abrir lata de tinta. Enfim, e usar exatamente pra que serve, que é pra pegar o parafuso lá, você não saca. Será que a gente não está fazendo isso também com muitas das tecnologias que estão aí? A gente está usando, por exemplo, para fazer cálculos mais rápidos simplesmente ou para ter uma biblioteca grande em um aparelho pequeno. Enfim, será que é isso que a tecnologia está nos fornecendo? Às vezes eu acho que a gente tá um pouco enganado sobre isso. Eu acho que tem coisa por trás disso que a gente não tá percebendo.
Não tá percebendo. Inclusive, até eu acho que eu já falei aqui sobre essa tecnologia, quando você fica refém dela usando o próprio GPS, como exemplo. Então, quantas vezes eu não estou indo num lugar, o GPS tá me mandando fazer um caminho, opa, peraí, mas não é esse. Não era esse o caminho. Eu lembro que uma vez, acho que nos Estados Unidos, eu peguei um táxi e aí o motorista colocou lá o endereço e tal. Eu falei, não, peraí, eu já fui nesse lugar algumas vezes e o trajeto não é esse, ele tá me mandando por... Enfim, então eu não fiquei refém daquilo. É o que já deve ter acontecido com você, desse cegão. Então, da mesma forma, trazendo isso aí para a engenharia, para as profissões, e usando a sua experiência como case, é até um ponto que eu gostaria de chamar atenção aí para essa nova geração que está vindo. E não só para a nova geração, da mesma forma também que tem gerações antigas, que acabaram parando no tempo.
Sim.
E a gente vem falando dessa questão de aprendizado constante, de estar sempre aprendendo, e trazendo aí, não é à toa que você veio hoje aqui para falar um pouco da sua trajetória, até para servir de alerta aí para outras pessoas. Eu tenho falado aqui reiteradamente sobre essa questão do aprendizado constante.
Sim, eu acho que isso é básico. Você está... aprendendo o tempo inteiro. Até eu fiz um trabalho agora, para uma livre docência que eu vou fazer, em que o meu tema é ensinar e aprender. Mesmo ensinando, Se você prestar atenção, você vai ver quanta coisa você está aprendendo por estar ensinando. Pena que, às vezes, a pessoa não presta atenção, só ensina, ensina, e não aproveita a possibilidade de aprendizado. Então, aprender é um negócio que você tem que fazer constantemente, tendo a sua no seu objetivo diário, hoje eu vou aprender alguma coisa.
E olha a pergunta filosófica que eu vou fazer. Existe uma técnica para aprender a aprender?
Eu não conheço. Eu acho que a única técnica é a vontade. Eu não conheço nenhuma técnica.
Não, porque você falando isso agora, eu falei, poxa, peraí, quando eu estou ensinando algo, será que eu estou prestando atenção naquilo que eu estou fazendo? De repente, peraí, acho que tem um caminho melhor. Acabei de descobrir um caminho novo.
Então, mas foi isso que eu falo, que a única técnica é querer, querer aprender. Então, você fica atento. Exageradamente, sou exageradamente curioso. Curioso por tudo, tudo, tudo, tudo. E, às vezes, eu me embanano por causa disso. Não é uma grande virtude, não. Mas eu tenho isso quase como um toque. Então, é óbvio que... Então, essa curiosidade também, quando ela é me leva para as coisas boas.
Isso é.
Ela faz com que eu preste atenção no que eu estou fazendo, né? E onde eu posso... Onde? Onde? Como que eu posso aprender daquele instante, daquela atividade, daquela palavra.
Daquele... E aproveitando também, eu vou fazer uma outra pergunta, mas antes eu queria perguntar uma coisa que já deve ter acontecido com você. Enfim, quando eu estou assistindo, eu sou muito da área audiovisual, E quando eu vejo algum filme, alguma luz, alguma fotografia que me chama a atenção, eu fico me preocupando com como esse fotógrafo, esse diretor de fotografia fez essa luz. Enfim, no seu caso, quando você vê alguma construção, algum prédio, alguma casa, enfim, diferente, Qual que é o seu sentimento? O que você vai estudar sobre aquilo? Quais são as curiosidades na cabeça de um engenheiro?
Então, isso o tempo todo eu estou também prestando atenção como é que o cara fez ali. E às vezes eu não faria daquele jeito, às vezes eu falo, poxa, que legal, ele fez melhor do que eu pensaria. Então tem essa troca toda que eu, nesse momento, estou aprendendo. Com certeza estou aprendendo. Estou aprendendo, inclusive, que eu estou certo. Ou que eu estou errado. Então, quando eu entro em uma obra... Não precisa ser muito sofisticada, não. Sofisticada tem outra conotação, que eu acho que sofisticada é tudo que é feito com sabedoria. Não é chique, não é nada. Mas eu falo assim, muito rebuscada. Não precisa ser uma estrutura muito rebuscada para eu... para eu me interessar, porque, assim, como é que o cara fez aquele reforçozinho simples? Poxa, que ideia legal. Vou pensar num assunto e vou também usar. Não está ali proibido de usar, o direito autoral tem, mas não sei como que eu poderia pagar para ele.
De repente você pode aplicar essa ideia num projeto e tal, enfim.
E também, alguém já aproveitou alguma ideia minha e eu só vou ficar orgulhoso se ele fizer isso.
Com certeza, não tenho dúvida disso. Outro dia eu estava conversando com o arquiteto Dante, que tenho uma grande admiração por você aproveitar e mandar um abraço aqui para ele.
Eu ganho do Dante um abração.
Incrível. E ele estava falando dessa questão como é bom trabalhar com você, como existe uma troca, como ele aprende.
A bondade dele também.
Como funciona essa questão hoje de... porque dentro da construção civil existe muita vaidade, você sabe disso, eu falo aqui abertamente. É, como que é a troca entre, por exemplo, quando você está num projeto, aí você fez ali o cálculo de um, enfim, de algum projeto, e imagina que de repente alguém traz uma ideia de fora, olha, o painel, acho que isso aqui poderia ser dessa forma e tal. Como é que funciona essa troca com você?
Pois então, você sabe que eu tenho uma sorte, acho que danada nesse aspecto. Eu diria que 90%... Porque eu trabalho mais com arquitetos, não trabalho com incorporadora, não, eu trabalho com arquitetos. E em 90% dos arquitetos, eu não vou nem citar nome, porque eu gostaria até de citar algum, mas posso esquecer outros, porque eles vão ficar meio bronqueados comigo. Mas eu tenho a sorte de que é o seguinte, quando a gente senta para discutir o projeto, Eu me arvoro a dar palpite na arquitetura, como eles se arvoram a dar palpite na estrutura, e isso cria uma... Uma riqueza. Uma coisa tão... Exatamente, uma riqueza, uma sinergia muito legal, que faz com que o projeto saia de uma maneira... É bacana, é tranquilo assim, sem eu estar forçando a barra para uma coisa, nem eles forçando a barra para outra. Em compensação, existem alguns casos que eu, assim, inclusive, depois eu nem quero mais trabalhar com a pessoa. Entendeu? Porque aí a pessoa acha que o projeto dele está fechado e você não pode mais e querer a melhorar em algum aspecto para melhorar a estrutura.
Não.
A estrutura, às vezes, fica assim. Mas a arquitetura, depois que aparece, põe uma máscara e fica ali sorrindo. Mas, graças a Deus, é uns 10%. Mas os 90% vale a pena estar com eles. A profissão acaba valendo a pena por causa delas.
Não, isso é legal, né? Que é aquela coisa, quando você começa a ver as coisas boas nas pessoas, as coisas ruins nem aparecem. Acaba passando, enfim...
Esquece.
Esquece. Enfim, acaba passando em branco ali. Eupanel, eu queria que você falasse um pouquinho de alguns projetos Seu, assim, projetos marcantes. E se possível, lógico, citar. E depois a gente vai atrás de algumas imagens aí pra mostrar pra nossa audiência.
Eu precisaria fazer uma listinha. Mas, assim, um que ficou muito conhecido é o Instituto Moreira Salles, né? ali na Paulista.
Quem é o arquiteto?
Ali é o Andrade Moreitinho.
Andrade Moreitinho, tá.
Pessoal muito legal de trabalhar, né? Um pessoal que é assim, tem essa troca. Ah, eu preciso... Nossa, ali teve muito disso. Eu preciso criar isso aqui para poder estabilizar. Então vamos ver como é que a escritatura se adapta para poder resolver isso sem prejudicar também a estrutura e sem prejudicar a arquitetura. Tinha isso, era muito bacana. Aliás, essa obra até eu sempre me venho à cabeça. Primeiro porque ela foi uma obra que levou quatro anos de projeto.
Quatro anos de projeto?
Ela começou em 2012 e depois em 2016 que começou a obra, se não me falha a memória. Mas foram quatro anos de projeto e depois uma obra até que foi bem rápida. Eu sofri muito porque as coisas estavam no limite, tinham que ser no limite por causa do espaço, do lugar onde ela foi implantada.
Não, ia numa área, numa região bem desafiadora.
É, exatamente. Então, você não podia ter coisas que ficassem um pouquinho folgadas. Tinha que estar ali no limite. Então, isso era um desafio legal, mas que sempre trocando com o pessoal da arquitetura, a gente arrumava um jeito de dar certo, né? E essa obra tem um outro fator que, no decorrer da obra, não importava. Tinha dado um problema? Sabe, tinha uma coisa tão bonita naquela obra, que devia ser de exemplo para todas as outras. Ninguém culpava. Ou por que você fez isso? Ou por que você... Foi você, foi você. Até falei uma vez para um arquiteto, espero que ele esteja vendo. Falei, pô, nós não estamos aqui com nem criança. Pai, foi ele que fez. Nós queremos resolver o problema. Mas lá não. Não queria saber quem que fez o erro, o engano, sei lá. Queríamos resolver. Todo mundo se juntava para resolver. Então foi uma coisa muito bonita.
Que isso sirva para outras áreas, para outros projetos, enfim. Ou seja, a gente procurar uma solução para os problemas, não problemas para cada solução.
Exatamente. Isso na política seria ótimo. não estivesse de acordo, mas está ali procurando solução e não querendo destruir a do outro.
Não, bacana. Bom, quem está acompanhando pelas plataformas de áudio pode ver, depois assistir a esse episódio pela internet, pelo YouTube, que vai conseguir ver essa imagem dessa obra incrível que fica na Avenida Paulista.
Depois tem essa do Cetim também. da Bernardes, né?
Fica onde essa?
Essa fica no Guarujá. E tem também que assim, que me marcaram assim, né? Que me vem a cabeça, eu também tenho a CBMM. que é lá em Minas.
Quem que é o arquiteto lá?
O arquiteto é o... Loeb. Roberto Loeb.
Roberto Loeb.
Lá na CBMM.
Até mandar um abraço aí pra essa galera também, que eu conheço todos aí. Enfim, já tive a oportunidade de conversar, eu acho que com 95% dos arquitetos, assim, no Brasil.
Outra que também me chama atenção é uma que nós temos lá em Imbu, que é... Almenat, que era da Libes, farmacêutica, mas que virou um hotel que é arquiteto massafumitânia.
No caso desse, quando você desenvolve um projeto para um tipo de uso e eles acabam mudando o uso desse empreendimento, tem que passar por um cálculo, um novo cálculo, alguma coisa? Tem que verificar, sim. Tem alguma verificação?
Tem, sim, porque... Por exemplo, é uma residência e vira um salão de... Como é que a gente chama? Como é que é? Fit?
Ah, fitness.
É isso, né? Mas, enfim, vira uma academia. E aí as cargas são outras, então você tem que verificar. E aí, normalmente, acontecem reforços. Às vezes, dá certo de a carga que foi prevista no projeto original estar dentro daquela que vai ser. Uma nova utilização.
E nesse sentido, quando você precisa fazer alguma adaptação de reforço, fazer um reforço assim, tem alguma solução construtiva que facilita isso? Por exemplo, imagina que você tem que construir com concreto.
A gente usa muito para reforço, por exemplo, tipos de reforços que a gente tem normalmente. Ou é, vamos dizer, aumentou a carga na laje. Então aí você tem fibra de carbono, que você pode usar para aumentar a resistência, a tração. Tem chapas metálicas que você cola. A mesma coisa para a viga, né? E, às vezes, assim, você usa muito, hoje em dia, elementos metálicos, porque eles são muito mais rápidos, né? E, às vezes, a questão é resolver mais rápido. Às vezes, o problema até é de patologia, né? Mas pode ser feito em concreto, só que aí tem uma demora maior.
Uma demora maior e às vezes é importante fazer essa conta, né? O que é mais importante eu levar mais tempo, enfim, tem uma série de coisas ali.
Isso, agora eu tô com uma obra que eu fiz duas opções, em concreto e em aço. Aí, como o aço está um pouco caro hoje, então, o pessoal, os clientes, eles falaram, não, mesmo que demore, vamos... eles não estavam com tanta pressa, então, mesmo que demore, vamos fazer em concreto. Então, foi feito em concreto.
É, e no caso do aço, você tem ali, às vezes, também é o... a época, né? Às vezes, às vezes, compensa, às vezes, não. De repente, pode também ter outra época, que o cimento também hoje está caro.
O concreto está caro, então... E, às vezes, o próprio aço, Às vezes ele se viabiliza porque, por exemplo, você vai ter uma loja. Você vai abrir uma loja. Pô, eu quero abrir no dia dos pais, no dia das mães, sei lá, no Natal. Pô, ele não tá muito preocupado porque o ácido é mais rápido. Então, se ele é um pouco mais caro... Ele vai tirar aquilo na primeira hora dele vendo.
É, imagina você antecipar uma obra aí há alguns meses, por exemplo. Realmente você acaba reduzindo aí... Cada material.
Tem a sua aplicação mais indicada, tanto em termos econômicos como em termos de tempo, né?
Não, mas tá certo, vamos lá. E deixa eu te falar, qual foram os aprendizados mais significativos ao longo da sua trajetória, assim, até hoje?
Aprendizados em que sentido?
Eu acho que da profissão, na verdade.
Tem vários, vários aprendizados.
Inclusive você já falou algum, assim, que te marcou, assim.
Ah, os meus erros. Os meus erros foram fundamentais para o meu aprendizado. E como errei? Graças a Deus, não aconteceu nada de mal, porque eles serviram de aprendizado. Então, eu falo que você não tem que se abater com os seus erros, né? Você tem que tirar dali um aprendizado. Torcer para que, obviamente, esses erros não danifiquem nada, não prejudiquem ninguém. Mas os meus erros foram assim, apareceu uma fissura num lugar não previsto. Então, pô, por quê? Então, você aprende. Então, tem várias situações nessa. Eu sempre lembro o Buckminster Fuller, numa palestra, que ele falava assim, o mais famoso fracassado, porque ele tinha uma coisa que era o seguinte, tudo que ele fazia na primeira vez dava errado, tudo, inclusive a famosa geodésica, a primeira que ele montou na escola em que ele dava aula lá, caiu. E ele falava assim, isso aqui para mim não é uma coisa que eu vou desistir, não, pelo contrário, eu vou tirar a aprendizada e ele fazia isso. E eu devolvo a mesma coisa. Eu acho que você... Ou também com o erro dos outros, né? Eu acho que com o erro... O erro é bom pra aprender.
É melhor aprender com os erros dos outros do que com os nossos. Eu queria aproveitar...
Mas os nossos, eles ficam bem mais marcados e a aprendizagem é muito mais profunda.
É, porque imagina aquela frustração. Como que eu fiz isso? Você poderia ter feito de outro jeito, enfim... Iopana, aproveitando o momento, que conselho você daria para os novos engenheiros, jovens engenheiros?
Essa juventude que está saindo das escolas, que nem falava o Vasconcelos, é uma geração digital. não no sentido de números, dígitos, mas de dedos. Apertar botão, apertar botão, apertar botão. Então, o que eu sugeria para quem está saindo da escola ou ainda está na escola, que use um pouco mais a sua... A dificuldade que é fazer na mão. Aprender, pelo menos, as contas fundamentais de como é que eu resolvo uma viga, uma laje, o pilar, na mão, na mão, sofrendo um pouquinho ali. Um pórtico mesmo, mais simples. Para você poder depois avaliar, se você não deu uma informação errada para o programa e ele te devolver uma informação mais errada ainda, você poder avaliar esses resultados. Isso é uma parte no que se refere ao dimensionamento. Outra questão é desenvolver a criatividade. Engenheiro, Infelizmente, na escola... Por exemplo, o arquiteto parece que é uma coisa tão natural ele ser criativo. Todas as disciplinas fazem com que ele seja muito requisitado a ser criativo. Na engenharia, não. Na engenharia é o contrário. Você sabe calcular, fazer números, mexer com números, agora com programas. E essa parte da criatividade é deixada completamente de lado. Então eu acho assim, todo mundo é criativo. Todo mundo, esse negócio, não sou criativo, eu sou meio burrinho. Aliás, não tem nada a ver com QI, criatividade. Às vezes o cara com QI alto é menos criativo que o outro com QI mais baixo. Então, você procure exercitar a criatividade. Procure sair da caixinha. Sabe? Procure sair da linha reta. Vê o que está ao seu lado. Vai passear pelas outras áreas.
Vai buscar referências.
Vai buscar referências. Então, eu acho que, fundamentalmente, mais até do que eu cálculo, a criatividade é importante. Porque... E, óbvio, isso é fundamental. Para ser criativo sobre um determinado assunto, você tem que conhecer aquele assunto. Então, conhecer o comportamento das estruturas, mesmo que você não seja muito bom em cálculo, mas o comportamento das estruturas é importantíssimo. E, aliado à criatividade, você vai longe.
É, eu acho que é aquela coisa, se esforçar um pouquinho mais, né? Pensar um pouquinho mais.
Pensar, pensar.
Como diz o grande mestre, que eu não vou citar o nome dele aqui, ele falou outro dia que às vezes o engenheiro tem preguiça de pensar, mas não é só engenheiro não, tá? Não, é... Sem qualquer área.
Qualquer área. Tem até alguém que diz que pensar dói, né?
Pensar dói.
É, e parece que dói mesmo, tem algum problema que estão lá entre os neurônios. Você sabe que, eu não sei o nome da escola, mas existe uma escola nos Estados Unidos, uma das poucas coisas boas nessa área lá nos Estados Unidos, que eles não ensinam nenhuma disciplina específica. Eles não ensinam engenharia, arquitetura, medicina, nada. Direito, nada. Eles ensinam a pensar. Cinco anos o cara pensando. E sabe, ela é a quinta maior produtora de doutorado, mestrado dos Estados Unidos. Em qualquer área. Porque é isso, você não precisa saber de medicina. Se você sabe pensar, você pega um assunto e vai destrinchar aquele assunto e você vai fazer uma tese sobre aquilo. Claro, porque você sabe pensar.
Não, é realmente essa questão do pensar... Mais coragem pra pensar, né? Mais tempo pra pensar, isso é fundamental. Eu tenho agora uma pergunta da internet aqui, ó. Enfim, que eu escolhi uma. Essa é do Luiz Fernandes, vamos lá. considerando as rápidas mudanças tecnológicas, tecnologia de novo, considerando as rápidas mudanças tecnológicas e as crescentes preocupações com sustentabilidade, como você enxerga o papel da arquitetura e engenharia na criação de espaços urbanos inovadores e ecologicamente conscientes?
Meu Deus do céu! Você saber, essa coisa pra mim da sustentabilidade tem a ver com diretamente com o consumo de energia. Então, eu acho que a utilização de materiais que consomem menos energia, por exemplo, muita gente não sabe, mas a madeira é um dos materiais que menos consome energia para fazer uma mesma obra, se fosse em concreto e em aço. Mas, também, isso é uma coisa. Mas a energia também está ligada a tempo. Mais tempo, mais energia. Então, materiais também que são mais rápidos. Então, eu acho que a utilização do material mais adequado, isso demanda uma pesquisa, não é? Não é assim, eu acho que esse material vai ser melhor nessa situação. Então, naquela situação, eu acho que tem que ser feita uma pesquisa alternativas de uso de materiais e avaliar qual deles é que consumiria menor energia.
Que, inclusive, quando você fala em sustentabilidade, a durabilidade desse material entra também nessa questão.
Então, aí são dois tempos. Eu até fiz um trabalho sobre isso, que é assim, você tem três tempos. O primeiro tempo é a obtenção do material. Eu estou falando do segundo tempo aqui agora, que é a aplicação, mas a obtenção do material é o primeiro tempo, de onde ele vem? E se ele está provocando problemas ecológicos, sustentabilidade ou não. Enfim, isso é um primeiro momento, a origem. Segundo é a aplicação, que é isso que a Café tem que falar. E o terceiro é a manutenção. O que isso aí vai significar no futuro? Ah, eu faço um belo projeto com uma cobertura de vidro, que depois isso vai me dar uma dor de cabeça tão grande, vai me gerar tanto consumo de energia, ou de energia, quando eu falo, não é energia elétrica, é energia física às vezes, né? De pessoas, humana, energia humana também.
É, você me trouxe aqui um ponto muito importante que ninguém nunca falou sobre a sustentabilidade, né? Sustentabilidade dividido em três tempos. Primeiro, a origem do material. Segundo, a aplicação e terceiro, a durabilidade, como isso vai O que reflete na questão da manutenção?
Não só a durabilidade, mas como é que eu faço essa manutenção de uma maneira adequada.
Bem interessante. Você me chamou a atenção. Eu nunca tinha pensado dessa forma.
Eu tenho uma palestra até que eu falo sobre isso.
É muito bacana. Você tem alguma coisa que você gostaria de falar que eu deixei de perguntar para você?
Eu só quero agradecer essa oportunidade de poder falar dessa maneira, assim, muito à vontade aqui. Não sei se fui muito à vontade demais, mas eu sou assim mesmo.
Inclusive, o propósito do ConstraintCast é isso, né? esse bate-papo. Então, assim, como você viu, eu trago aí algumas perguntas da própria obra quando eu visito, perguntas do dia-a-dia. Uso também aí um pouco do meu conhecimento para a gente fazer esse papo leve. Então, o Constricash é isso.
É, então, aí vem a sua habilidade de deixar a gente à vontade. Então, isso é muito legal.
Então eu queria te agradecer e te passar já as palavras finais. Espera aí, só uma coisa. Gabi, eu acho que ele pode fazer e indicar um convidado aqui já. A gente tem um quadro convidado e convida, Iopana. Eu sei que você tem muitos convidados pra indicar, mas indica dois aí pra falar em determinado assunto. Já deixo aqui o convite também pra você com o pessoal do Andrade Moretinho pra falar sobre esse projeto da Paulista, pra gente falar exclusivamente desse projeto, fazer esse bate-papo. Tá bom. Já tá convidado pra gente fazer.
Obrigado. Então, pegando o gancho dessa coisa da sustentabilidade, eu indicaria uma pessoa que tem muita preocupação com isso, que é o Nilton Massafumi.
Ele é?
Arquiteto.
Arquiteto, tá.
Se você perguntar engenheiro, não me dou muito... É muito pouco contato com engenheiro, meu mundo é mais... Pode indicar mais um.
Arquiteto, quero mais um arquiteto, vamos lá. Ah, lembrando que você vai voltar aqui com o pessoal do André de Moretinho pra falar sobre o projeto da Baurista, tá? A gente vai falar exclusivamente desse projeto, dos desafios e tal, desse projeto, desde o início ali até o dia-a-dia ali de obra, enfim.
Então, eu falaria do Lueb pra ele falar um pouco, porque ele tem uma vasta... um vasto currículo em obras industriais, que eu acho que é uma coisa muito bacana, porque às vezes parece que a indústria é uma coisa pesada, feia, não sei o quê. E os projetos deles são muito bonitos e para a indústria, né?
Não, o Webb realmente, ele tem um...
Não sei se você já convidou.
Não convidei ainda. O Loeb é convidado. Ele vem aqui a pedido do Iopanã. Não, e é legal porque é uma pessoa que eu também admiro, tá? Eu admiro muito os projetos, né? Apesar de você falar de alguns projetos industriais ali, mas ele tem um olhar bem diferente, de fato. Então, agora as suas palavras finais, Iopanã, pra gente encerrar.
Bom, eu quero agradecer, já falei nessa oportunidade aí, eu me senti muito à vontade e quero deixar aqui uma proposta, vamos dizer assim, de que todos vocês, principalmente o pessoal que está na escola ou que está saindo da escola, que vocês pensem na profissão como uma arte. Tem um engenheiro americano, me fala, eu tenho um problema com nome, mas ele fala o seguinte, que a engenharia está mais perto da arte do que da ciência, porque a arte ou a ciência lida com o mundo dado, é ali. É isso aqui, ela vai tentar entender aquele mundo dado. E a arte, a engenharia lida com o mundo criado. Vem do nada, tenho que fazer uma poesia, tenho que pintar, tenho que fazer uma obra, tenho que criar do nada, porque não existe ali uma estrutura, uma edificação. Então, eu deixaria esse recado para vocês olharem também a engenharia como uma coisa de arte, uma coisa humana. Eu não gosto quando me chamam de engenheiro calculista. Eu falo que sou engenheiro de estrutura. Calculista é aquele sujeito frio e calculista. Então, o engenheiro de estrutura tem emoções, ele tem medo, ele tem alegria.
Mexe com a estrutura, né?
Mexe com a sua estrutura psicológica.
Não, ele fechou e o fechamento desse episódio foi pura poesia. Eu sempre falo para todo mundo que Na engenharia existe, sim, muita poesia.
Existem poesias. Tem um livro de poesias com coisas de engenharia. Por exemplo, lembro agora de um diálogo entre dois rebites no navio, então os caras dialogando. O próprio é aquela música italiana que tocam muito. Funicular, funiculi, funicular, funicular. Essa foi em homenagem ao funicular, a primeira estrutura funicular que fizeram no Monte Vesúvio, na Itália. Então, em homenagem, um cara fez essa música. Funiculi, funicular.
Eu sou apaixonado por engenharia. E o Pana agora, a gente tem aqui esse livro, esse livro aqui. Então, já escolhi o seguidor, na verdade, vai para um seguidor do Insta. Esse livro, você vai autografar o nome do seguidor. É Luiz Fernandes. Ele é a profissão... Com Z ou com S? Luiz com... Taca Luiz com S. Pera aí, calma aí. Deixa eu conferir aqui.
Luiz com Z. Luiz e Fernandes.
Luiz Fernandes... Fernandes com S. É, normal. Então ele fez a pergunta, mas foi criativo na pergunta dele. Ele é designer, mas ele é muito curioso pela área de engenharia, pela área de construção como um todo e nada mais justo.
O que eu vou colocar aqui é que nós existimos pelo momento mais bonito que houve, que foi a hora da concepção. Então, o que tem a ver com o livro? Com o livro.
Muito bom.
Muito.
Bom. Muito bom. Então, esse livro aqui, autografado pelo Iopanã, é do Luiz Fernandes. Que esse livro possa te ajudar no desenvolvimento e no aprendizado, porque já li um pouco sobre ele.
A ideia do livro é que você não necessariamente seja da área, mas que você possa ter alguma ideia do que seja uma concepção estrutural.
É bem bacana, porque inclusive te ensina um pouquinho sobre o que foi falado muito aqui, sobre pensar.
Isso, a ideia para a gente é...
Isso dá um norte. Então, Iopana, mais uma vez, obrigado por ter aceito aqui o nosso convite. Eu peço que você que ficou até o final, compartilhe nosso conteúdo, curta, comente, aí fale o que você achou, de que região do Brasil ou do mundo você está. E é dessa forma que encerramos o episódio de hoje. Ah, aproveitar para agradecer... ao apoio da produtora de vídeo Infinity Plus, que torna esse canal viável, ao time, a todo time, a toda equipe, que tem também um carinho muito grande pela área de construção, arquitetura e engenharia. E o panão para aquela câmera do meio lá, ó. Tchau, gente! É isso aí! Da fundação aos caminhos, da inovação e da união, constro e caste, arquitetura, engenharia e construção.
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