Concreto Permeável: solução sustentável para enchentes, construção civil e cidades | #106

Paulo Junik explains how permeable concrete reduces flooding and urban heat while improving construction sustainability. The material lets water drain through instead of pooling on streets, and it costs less than traditional concrete while solving multiple city problems at once.
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Hoje, o Constricast traz um tema que vai direto ao ponto. Como as cidades podem deixar de ser parte do problema e começar a fazer parte da solução climática? Há anos, há quem busque alternativas sustentáveis que conciliem crescimento urbano com respeito ao meio ambiente. No episódio de hoje, nosso convidado é justamente um desses nomes. Paulo Junik é administrador de empresas que compõem incorporação imobiliária pela FAP. E desde 2009, ele mergulhou no estudo de uma tecnologia que pode transformar radicalmente a forma como construímos calçadas, estacionamentos e vias. Este episódio é um oferecimento produtora de vídeos Infinity Plus, hub e construção. Que tecnologia é essa, Paulo?
Concreto permeável.
Fica com a gente até o final, porque o episódio de hoje vai abrir espaço, literalmente, para a água voltar a seguir seu curso natural. Paulo, seja bem-vindo ao Constricash. Eu tenho certeza que esse episódio está muito de encontro com aquilo que a gente defende, que é apresentar soluções construtivas inovadoras. E eu tenho certeza que muita gente que nos acompanha aqui em nosso canal não conhece o concreto permeável e agora eles vão entender, de fato, as vantagens dessa solução construtiva.
Olá Paulo, boa tarde, obrigado pela oportunidade de estar aqui, da gente falando sobre o concreto permeável. É uma tecnologia que vem ganhando cada vez mais espaço aí, não só nos empreendimentos, mas como nas cidades, trazendo aí grandes benefícios, não só para o desenvolvimento da cidade, mas ecologicamente também na recuperação dos nossos lençóis freáticos.
Ô Paulo, e pra dar início aqui ao nosso bate-papo, você acredita que o concreto permeável é a solução pra essas enchentes que acontecem aí com frequência nas grandes cidades?
Olha, vamos lá, milagre, alguns milagres não é possível se fazer, né? Mas a gente já tem alguns casos, principalmente fora do país, onde cidades e determinadas áreas onde tinha acúmulo de meio metro de água foram resolvidos com a utilização do concreto permeável, não somente no ponto onde havia o alagamento, mas também nos pontos onde essa água começava até ela chegar nesse ponto mais baixo, nesse ponto problemático, no gargalo da drenagem que fazia com que aquele ponto da cidade tivesse alagamento. Então, essa eu acho que é o... É o grande caminho que os centros urbanos têm para conseguir resolver ou pelo menos minimizar os problemas de alagamento das cidades.
E na sua visão, qual é o principal erro das cidades brasileiras quando o assunto é drenagem urbana? Tendo em vista que você tem aí uma vasta experiência no setor, ou seja, não é de hoje que você atua com concreto permeável e eu tenho certeza que muita gente vai atrás de você para tentar trazer uma solução aí para esse problema de drenagem.
Sim, há muito desejo, principalmente dos empreendedores, dos construtores, em usar o permeável como um minimizador numa dificuldade de uma drenagem do empreendimento, né? Hoje você tem a legislação onde o permeável também entra naquela parte de área permeável do empreendimento, então você pega essas redes de loja que têm um terreno apertado, justo, tem que botar loja, mas tem que manter ali 20, 30% de permeabilidade, dependendo da da legislação local, o permeável pode entrar. melhorando a qualidade da drenagem no empreendimento, melhorando a capacidade, por exemplo, dessa loja comercial em receber o cliente, porque vai ter uma área de estacionamento maior, mais conforto, né? E também, auxiliando a cidade, porque uma vez que você utiliza do concreto permeável no empreendimento, você também minimiza a entrada de água dentro das galerias pluviais, né? Que é o grande problema das inundações nas cidades.
Bem interessante essa informação. Paulo, eu tenho aqui uma pergunta que está bem dentro desse tema ainda. Qual é o impacto real do uso excessivo de asfalto e concreto tradicional nas cidades?
Olha, o primeiro impacto real é a ilha de calor. O asfalto ainda mais, o concreto ele absorve menos calor, mas o asfalto ainda mais, ele aumenta essa sensação e traz a questão da ilha de calor. Então, essa questão da sensação térmica é a primeira. A segunda, nós acabamos por ir secando também os nossos lençóis freáticos, porque ao impermeabilizar a cidade, a cidade vai crescendo, ela vai se impermeabilizando, essa água que voltaria ao solo, ela não volta mais. ela vai cair em cima de um concreto, de um asfalto, ou de algum outro acabamento, um porcelanato, seja lá o que for, vai correr, vai cair numa drenagem que vai terminar num córrego, num rio, e assim ela vai seguir o caminho dela, ou seja, naturalmente a gente deixa de recuperar os nossos lençóis freáticos. Então, esse é um dos grandes, eu acho que também, fatores que o uso do concreto permeável traz de benefício. Porque hoje, se você também pegar os grandes centros urbanos, a gente vive o quê? Falta de água, racionamento. Por quê? Porque a água não tem mais o curso, você está secando nas trentes, você está secando lençóis freáticos, e aí se a gente entra mais a fundo na questão de construção, por exemplo, de prédios, de edifícios, quando o cara encontra um lençol freático lá, ele vai bombear tudo aquilo lá até secar, pra depois de secar ele fazer toda a parte de fundação e toda aquela estrutura do prédio. Então, cada vez mais a gente tá... Como é que eu vou dizer? Se a gente olhar por essa ótica, por essa visão, né? Nós estamos acabando com as nossas fontes de água das cidades.
Entendi. E aí, agora eu queria tratar dessa parte mais de clima, meio ambiente, crises urbanas, né? Que, enfim, no último ano, você pega aí 2025, em 2024, inclusive agora em 2025 também, tem acontecido aí uma sequência de crises urbanas aí em várias cidades do Brasil e do mundo, né? Não é só no Brasil que está acontecendo isso.
Porto Alegre agora também.
É, inclusive. Então, vamos falar um pouquinho dessa parte? Eu já tenho aqui uma pergunta para você. Se você acredita que o concreto permeável pode ajudar no combate às enchentes urbanas e como?
Não, eu acredito não, eu afirmo. A utilização do concreto permeável vai ter duas principais funções no combate aos alagamentos, enfim, às inundações. E um outro ponto que a gente também vale lembrar é a questão da enxurrada em áreas íngremes. O concreto permeável vai frear a velocidade com que essa água ganha ao descer dentro da drenagem pluvial.
Eu não tinha pensado, mas com essa velocidade que essa água desce, essa enxurrada desce, ele consegue frear essa velocidade, essa força?
Exatamente, porque o concreto permeável nada mais é, se a gente olhar de uma maneira bem simplificada, do que você pegar o agregado, as pedras, e colar com o cimento elas umas nas outras. Dentro desse vazio entre uma pedra e outra, é que essa água vai passar. Então, ela desacelera a entrada dessa água na galeria, e quando você pega áreas íngremes, ruas com eclives, você também freia o efeito da enxurrada com o uso do concreto permeável.
Entendi, você tocou agora no ponto de composição do material e a gente vai falar um pouco lá na frente. Então, você que está acompanhando pelas plataformas de áudio e de vídeo, eu sei que, assim como eu, também está curioso para saber como é a composição do concreto permeável. Dá uma segurada que a gente vai falar aqui ao longo desse bate-papo. E, além da drenagem, o concreto permeável ajuda a combater as ilhas de calor, isso você falou. Agora, de que forma?
Primeiramente, quando a gente fala de pavimento, vou entrar pelo mais complexo que é o pavimento, geralmente a gente fala assim, vamos pavimentar uma rua, todo mundo já vem com o asfalto na cabeça. Hoje em dia você já tem tecnologias de concreto, o concreto com fibra, também o concreto permeável, que são alternativas tão baratas quanto o asfalto. O concreto, por si só, comparável com o asfalto, ele já absorve menos o calor. Então ele já, por si, só pelo material concreto, ele já traz uma redução nessa questão dele de calor. Indo para o nosso foco topo permeável...
Mas só uma coisa, essa questão da redução de calor, você fazendo o comparativo do concreto aí tradicional, concreto normal com asfalto, já ter uma redução menor de calor, está associado à cor pelo fato do... concreto ser mais claro e o asfalto ter o aspecto mais escuro?
Também. Também tem a ver com essa situação da coloração, né? Mas também tem a ver com a composição do material que ele por si só absorve menos calor quimicamente falando, né? E quando a gente passa pra questão do permeável, e aí a gente tem toda uma estrutura que permite o solo, vamos dizer assim, respirar, você permite que essa umidade do solo volte ao meio ambiente. Então é por isso que o concreto permeável ele reduz ainda mais a sensação térmica, trazendo conforto térmico, porque ele mantém a umidade local, então aquela região acaba por si só também sendo climaticamente mais confortável, seja no inverno, seja no verão.
E olha que interessante quando você traz esse ponto, né? Quem tá acompanhando a gente desde o início, é bem bacana acompanhar esse raciocínio, porque quando essa água, né, que tá de chuva, quando ela é absorvida por esse concreto drenante, Ela, em nenhum momento de calor, você tem um solo muito mais úmido pra voltar como benefício num dia quente.
Exatamente.
É bem interessante.
Vou usar o gancho que você deu agora. Todo mundo já vivenciou aquela famosa cena do diazão de verão calorzão do Brasil. vem aquela chuva e que você olha aquela fumaça subindo do asfalto, né? E com o concreto permeável, você não vai ter essa fumaça, na verdade, você vai ter uma área muito mais confortável, porque a umidade tá ali, né? Você não vai ter aquele bafo, parece que você tá dentro da sauna, né?
Não, e o povo de Manaus, se tem alguém de Manaus aqui assistindo ou ouvindo, coloca nos comentários, é... se você conhece essa solução em concreto permeável, porque lá tem um dia, é engraçado isso, porque chove, se eu não me engano, todos os dias.
Por volta de 14... Tem uma cidade lá, é.
É.
É antes, eles marcam a reunião, é antes da chuva ou depois da chuva?
É, antes da chuva e depois da chuva. Então, eu fui muito pra Manaus, eu fiz um trabalho aí durante muitos anos, longos anos da minha vida, e eu ia muito pra região norte. Então, tem algumas regiões que tem algumas situações e Manaus Ali é uma delas, você marca a reunião antes ou depois. E pra gente encerrar um pouco essa parte climática, em termos de sustentabilidade, quais os principais benefícios dessa solução em comparação com os pavimentos tradicionais?
O principal benefício é o alívio o alívio no uso das galerias pluviais com o concreto permeável, por mais que você vá fazer essa captação, vai jogar ela dentro de uma galeria pluvial que vai destinar essa água para algum local específico, você naquele pico de chuva, naquela concentração de meia hora, uma hora, que nos pavimentos tradicionais ou nos pisos tradicionais a água rapidamente correria por cima Encontraria ali a grelha, a boca de lobo, enfim, e seria destinado pra essa galeria provial, ele vai desacelerar, então ele vai dar um respiro, vai dar um alívio naquela hora do pico. A gente tá gravando aqui em São Paulo, tem muitas faixas reversíveis na hora do trânsito. Eu diria que vamos fazer essa comparação, foi de um pouco da engenharia do concreto, é como se abrisse aquela faixa extra, na pista, então você vai reter a velocidade com que essa água vai entrar na galeria e vai aliviar problemas que venham gerados pelo clima, da forte chuva, da chuva concentrada. Um outro ponto que eu acho importante a gente lembrar aqui também da sustentabilidade do concreto permeável, E aí é do concreto também de uma maneira geral, que ele é um grande captador de carbono. Então ele também é um material que ele, muito mais que o asfalto, consegue captar esse carbono da atmosfera e absorver ele, deixando o ar, vamos dizer assim, um pouquinho melhor.
Paulo, você fala, lá no início, dessa parte do lençol freático, né? Então, tem uma pergunta aqui. Essa tecnologia também contribui com a recarga do lençol freático? Pode explicar de forma simples para um público leigo entender? Como que funciona?
Vamos tentar explicar sem uma imagem aqui, né?
É, tem que ser simples e pra que o nosso público, um público também leigo, entenda.
Tá, então vamos imaginar que você tem o teu solo ali, a terra. Basicamente permeável, quando você tem um pavimento ou você tem uma certa força carga em cima dele, em cima desse teu solo se faz um colchão de brita, tá? E aí eu não vou entrar agora tecnicamente no assunto, né?
Ainda não, mas eu já vou te chamar pra falar um pouquinho disso.
Aí vamos lá, faz um colchão de pedra, de brita, de agregado em cima desse solo, compacta ele, então se você tem um solo que ele é um pouco mais mole e tal, esse próprio colchão de brita junto com o solo, ele vai estruturar esse solo pra aguentar também a umidade, e em cima desse colchão de brita a gente entra com o concreto permeável. Então assim, aí a água da chuva ou a água enfim, ela vai passar pelo permeável, vai passar por esse colchão de brita e esse solo vai absorver. Como recupera o lençol freático, mãe natureza, a própria natureza pela terra vai filtrar essa água e vai devolver como Entendi. Como se fosse naturalmente. Não é 100% natural para a gente falar para os ambientalistas, mas pelo menos a gente está tentando manter o ciclo natural da água o mais próximo possível.
Bacana, agora vamos... Todo mundo querendo saber como que funciona essa parte técnica, aplicação e quais são os desafios. Dito isso, quais são os principais componentes e diferenciais técnicos do concreto permeável?
Bom, componente é um concreto muito simples, a gente basicamente não trabalha com nenhum reforço estrutural no permeável, então ele é um concreto feito de agregado, cimento, água e aditivos. Então, esses quatro componentes são suficientes para que você tenha o seu concreto permeável. O que é importante, no concreto tem três informações importantes, qual a tipologia de solo que você tem no local, pra entender qual é a carga, peso, volume, tudo que você vai ter sobre aquele solo, pra entender a capacidade daquele solo de absorver toda aquela resistência que ele vai ser demandada.
Só um adendo rapidinho, então existe um estudo do local onde esse concreto vai ser aplicado, inclusive quando fala de estudo é qual que é a carga que vai passar ali?
Sim, sim. Então, o tipo de solo, pra gente entender a resistência do solo, Qual o tipo de uso, pra gente entender a carga que ele vai ser absorvido, e depois diante desse tipo de uso também, aí é definida a espessura, traço de concreto, pra atender essa demanda que vai existir na área. É sempre importante, né? Às vezes a gente brinca quando tá conversando com outro assim, né? Ah, o engenheiro passa lá cinco anos estudando. Como eu me livro da água? Pelo amor de Deus, tira a água daqui. E às vezes eu chego lá e falo assim, ó... Eu vim aqui te explicar que a água, ela é sua amiga. Ela não é mais sua inimiga.
Que legal! Ô Paulo, deixa eu te perguntar. Agora, falando de aplicações ainda, tem algum local específico que é mais fácil ou é mais aceitável essa aplicação, por conta até da pavimentação, da movimentação de gente, etc.
Olha, hoje em dia muita gente está usando o concreto permeável em estacionamentos e calçadas, né? Algumas prefeituras já estão falando nas questões de praças, tá? E a gente vem trabalhando com algumas prefeituras também a questão de utilizar o concreto permeável nas sarjetas, né? Então, você ao invés de ter sarjetas impermeáveis, você vai passar a ter sarjetas permeáveis.
Eu acho que essa palavra agora bugou a cabeça de algumas pessoas que estão ouvindo e assistindo. Explica para a nossa audiência o que é sarjeta.
Sarjeta é aquela, vamos dizer de uma forma ainda mais simples, aquela canaletinha onde a água corre do pavimento para o canto da pista e depois ela vai para a galeria pluvial. Então, aí puxando o gancho que eu falei no passado, com a sarjeta permeável, na hora do pico da chuva, ao invés dessa água rapidamente entrar na galeria, a sarjeta drenante vai desacelerar e vai conter boa parte dessa água antes que ela entre na galeria da cidade, aliviando novamente as galerias pluviais municipais.
E é legal quando você fala dessas sarjetas ali, quando você traz o exemplo ali de uma rodovia, de uma rua, por exemplo, ali você não tem peso de veículo.
Sim.
Então isso também é um facilitador, né, pra solução?
Ali não tem peso de veículos nas grandes maiorias das cidades. Se a gente vê aqui que São Paulo, que as faixas já não tem nem mais os três metros, né, que as normas permitem, você passa com um espelhinho basicamente colado no outro. Em algumas ruas aqui a gente anda até com o pneu em cima da sarjeta de tão... Justinho que é, mas na grande maioria dos casos, não. Mas mesmo assim, as sarjetas, elas têm que ser dimensionadas nesses casos para os tráfegos pesados, né? Porque você vai ter invariavelmente um caminhão ali, uma manutenção, uma obra ou alguma coisa que sempre vai acabar usando. E aí, se ela não estiver bem dimensionada no projeto, aí ela pode trincar.
Enfim, É, eu ia te perguntar agora se há alguma limitação para aplicação em vias de tráfego intenso, por exemplo.
Olha, essa é uma discussão importante. Tem vários tipos de tecnologia de permeável hoje já no mercado, né? Algumas conseguem as resistências, outras não. Então, hoje você precisa, pelas práticas recomendadas do Ibracom, né? Você precisa ter pelo menos 2 MPa de tração na flexão para um pavimento, né? E pelo menos 20 MPa de compressão.
De compressão.
De compressão, né? Mas aí, vamos... Posso polemizar um pouquinho?
Vamos nessa! A gente está aqui para discutir para, enfim, quem sabe alguém que está ouvindo, assistindo a gente.
Hoje ainda os...
Coloca atrás alguma sugestão aí para a nossa polêmica.
É, não, quem sabe. Então é assim, o que a gente fala assim, a instalação do concreto permeável, ela é feita com uma compactação mecanizada. E quando você faz ensaios de compressão, seja no corpo cilíndrico ou no corpo prismático de tração e de flexão, você não tem na mão a mesma compactação que você teria num processo mecanizado. Mas já existem aí bastante tecnologias, algumas que atendem essas normas, algumas atendem com folga, enfim, é bem importante entender e também saber a qualidade do material que está sendo colocado. O vazio, a porcentagem de vazio dentro do concreto permeável eu diria que pra quem aí tá ouvindo e tá pensando em usar a tecnologia aí, é um fator importantíssimo pra que você tenha pouco gasto com manutenção depois no teu empreendimento, né? Então isso é, acho que é um detalhe importante de se colocar. Então hoje a gente tem práticas recomendadas, norma a gente só tem uma BNT, que é de 2015, a 16.416 para tratar da velocidade da percolação da água dentro desse sistema de drenagem, como ele tem que ser visto. Mas no quesito de ABNT de execução, de resistência, de pavimentação, ainda hoje o que existe é uma prática recomendada pelo Ibracom.
E quando a gente fala que não tem normas, enfim, mas muitas cidades estão passando aí por reformulação do plano diretor e nesse sentido a gente está exatamente em 2025. Não tem nenhuma cidade no Brasil que obrigatoriamente eles colocaram, ó, precisa ter toda essa, ou seja, parte dessa pavimentação precisa ser em concreto permeável, precisa ser em alguma solução permeável.
O que você estava falando é que eu estava pensando, quando vai sair, se eu posso falar ou não. A gente está trabalhando com uma cidade, vou abrir pelo menos o estado, lá em Santa Catarina.
Santa Catarina, o Sul, olha, de novo o Sul sempre dominando.
Estamos trabalhando com uma cidade lá em Santa Catarina, justamente essa é a questão. Como ainda não existem essas questões de normatização e tal, a gente vem fazendo uma cooperação técnica com a cidade, onde a gente está levando todo esse conhecimento técnico para que o município consiga fazer os dimensionamentos corretos, fazer a execução correta e ter, vamos dizer assim, um case, um exemplo, para que ele possa depois ser replicado a todas as outras cidades. Mas eu, infelizmente, não posso falar, já abri o estado aqui.
Não, tranquilo. Agora eu queria saber quais são os erros mais comuns na aplicação de concreto permeável e como evitá-los.
O concreto permeável é um concreto, eu brinco, que ele é artístico. A execução dele demanda pessoa qualificada, muito atenta e caprichosa. Porque ele é um concreto que o mínimo de umidade não vai fazer com que o cimento reaja contento e você não consiga que o material cole, que ele se agregue um no outro. E se ele virar uma nata de cimento, se aquele cimento passar para o estado líquido, Na hora da compactação mecânica, da compactação do concreto permeável, aquela água vai virar nata e ele vai virar um concreto liso e impermeável.
Impermeável.
Porque a nata sobe, aí na hora da vibração a nata sobe e ela tampa os poros. Um outro detalhe importante, que tu me traz agora nessa situação, é com relação à pintura. Né? Muitas vezes o pessoal fala, ah, faz o permeável. Não, depois eu contrato o meu pintor, aí pega o pintor dele, pega um rolo de tinto e estica em cima.
Ah, outra coisa, eu ia te perguntar, mas pode pintar?
Pode. Pode pintar, olha que legal. Pode pintar, eu brinco muitas vezes com alguns clientes, pessoal de arquitetura, que ele é como um grande quadro branco, né? Se você não quiser uma cor padrão, também pode colorir como um concreto convencional com óculos de ferro. Mas se não quiser, quiser brincar artisticamente, eu sempre falo pro arquiteto, ó, é como um grande quadro branco. Depois você contrata alguém lá e... E faz o desenho como quiser.
Depois eu vou até fazer uma enquete com meus amigos arquitetos. Não é à toa que 10% dos arquitetos de todo o mundo estão no Brasil. Então, depois eu vou fazer uma enquete sobre essa parte de concreto permeável, ver se eles estão especificando nos projetos deles e se tem resistência, né? Porque muitas vezes um arquiteto especifica uma solução construtiva mas na construção, até por questões econômicas, isso acaba sendo barrado. Então, tudo bem, vai ser bom para o meio ambiente, mas a conta de repente para a construtora não fechou, para o investidor não fechou, eles acabam tirando isso. E eu acho bem legal quando você fala dessa parte artística, né? Como arquiteto, a grande maioria geralmente são grandes artistas, eu achei bem interessante essas possibilidades.
É, eu sempre falo assim, o concreto permeável não é das opções mais em contas do mercado, ainda não é, mas já existem alternativas aí. O que eu sempre falo, eu costumo dizer assim, Se o cliente que estava pensando no permeável vai operar o empreendimento, a chance deles decidirem para o permeável é gigante. Por conta do custo de manutenção ao longo prazo.
Já que você entrou nesse tema de manutenção, eu tenho uma pergunta daqui a pouco, mas antes, como você falou de custo, eu queria entender o que onera mais esse concreto? É a base dele?
Não, o que onera hoje é você ter uma mão de obra específica pra fazer um bom trabalho.
Ou seja, aquele cara que quer contratar um pedreiro lá, o cara aventureiro, esquece que aquilo lá não vai funcionar.
Muito difícil... Muito difícil isso dar certo, né? É até por isso que a gente vem trabalhando aí no mercado brasileiro exatamente com essa capacitação, enfim, com essa divulgação, né? Que nós estamos aqui exatamente fazendo agora, né?
E conte com o nosso apoio, com o apoio...
Não, vamos ser parceiros com os TriCast futuramente, certeza.
Na verdade já são, tá?
Não, mas eu digo mais ativamente aí.
Bora, bora nessa. A conta precisa fechar.
Pra todo mundo.
Paulo, deixa eu te falar, aproveitando que você falou essa parte de que se o empreendedor, aquele investidor vai operar, quais são as exigências de manutenção para garantir que a permeabilidade se mantenha ao longo dos anos? Porque também tem isso, os póruns podem fechar, dependendo da manutenção ali.
É, como a gente estava conversando aqui um pouco antes, até da gente sentar aqui no microfone, O concreto permeável, principalmente o intertravado, para ele conseguir resistência ele tem que ser muito prensado e você diminui as questões de vazios. Então a qualidade do permeável que você vai ter na obra depende também muito do espaço vazio que você tem dentro daquele concreto permeável. tentar aqui trazer uma linguagem mais simples, né? Quando você comprime o concreto, ele vai fechando. Ele tem a permeabilidade, mas se você comprime muito, essa água vai passar mais fácil, os finos vão passar mais fácil pela estrutura. Quando você tem um concreto permeável com vazios muito pequenos, A possibilidade desses finos, dessa sujeirinha, desse pozinho, vamos dizer assim, de uma maneira mais simples, entupir ou matar esse concreto é muito mais fácil e aí exige uma manutenção muito mais constante. Quando você tem um concreto permeável mais airado, com vazio maior, Esses finos, eles conseguem entrar naquela estrutura, no concreto permeável, passar pela estrutura de base, e se pensar, o fino nada mais é do que a terra, do que a areia.
Entendi.
Então, lá também está voltando, vamos voltar para a sustentabilidade, também está voltando essa terra a voltar para a terra. É mais fácil. Quando você começa a ter acúmulos de finos nessa superfície, Eu costumo falar pra alguns clientes assim, quando você começa a ver aquela sujeirinha em cima do piso, que parece que tá tampando, uma vape, uma vassoura, uma mangueirada e retira aqueles finos de cima pra manter a sustentabilidade, a permeabilidade do teu piso, do teu pavimento. Aí depende muito do uso, do local, né? Então você tem, por exemplo, a guarita de acesso de um clube, né? Você tem acesso ali diário, então vai te exigir uma manutenção talvez mensal, né? Mas, ah, não, tem uma praça lá, uma praça pública, então você já não tem tanto tráfego em cima, já não tem tanto esse acúmulo de finos naquela região, então vai te exigir uma manutenção menos constante.
Bacana. E quando você fala de custo, como a gente está no Brasil, a gente tem essa cultura do custo e tal, e geralmente as pessoas não fazem conta médio e longo prazo e muitas vezes as pessoas não estão também ligando para essa parte climática, enfim, essas vantagens de tantas que foram citadas aqui. Agora, como eu convenço um investidor, no caso um incorporador ou um gestor público pra utilização do concreto permeável, mesmo custando um pouco mais que o tradicional.
Tá, aí nós temos dois mundos, né? O público e o privado, tá? Eu vou começar pelo privado. O privado tem duas situações, uma exigência de área permeável e ele precisa daquela área, ele precisa dar uso daquela área, só que ele tem que manter a permeabilidade por conta de legislação, né? Em alguns lugares 20, em alguns lugares até 30% de área permeável no terreno.
Ou seja, eu sou obrigado, eu preciso.
Manter aqui Eu sou obrigado, eu preciso daquela área, aquela área vai me fazer falta, então em vez de eu plantar uma grama lá ou fazer um jardim que vai ser mais barato, eu vou usar uma tecnologia que atenda às exigências.
Pra ganhar uma área útil.
É bem isso, pra ganhar uma área útil. Existem também alguns projetos com os quais a gente vem conversando e trabalhando, que já são outras pegadas, que é a visão sustentável do empreendimento. Não, eu quero fazer minha calçada e meu pavimento em concreto permeável porque eu quero que meu empreendimento tenha o green building lá, o selo, né? O selo verde. Então, aí já é outra pegada, é um outro setor.
É, já é um outro olhar, na verdade.
É, e existe aquele que está resolvendo um problema de dor mesmo, que assim, olha, eu tenho um problema de drenagem em tal ponto do meu empreendimento ou do meu projeto, eu preciso solucionar, e o permeável é uma das soluções. Falando do privado, acho que são essas três as linhas. Por incrível que pareça, no público, quando a gente tem conversa com o pessoal do setor público, Ah, e eu quero, como é que faz? Eu quero pra amanhã, eu quero já botar no mercado, eu quero fazer acontecer. Por quê? Porque ele traz muito, ele resolve muito problemas urbanos. com essa questão do alívio da drenagem pluvial. O que acontece é que ainda é uma tecnologia que está, vamos dizer assim, chegando no Brasil. Então, assim, como ainda não tem muitas normativas, o processo licitatório dele ainda é um pouco complexo.
Entendi.
Porque você tem que demonstrar, mandar pra caixa, pra caixa fazer avaliação, devolver. Mas o setor público, por incrível que pareça, é a maior demanda no sentido de vontade, no sentido de execução privada. o público ainda tem essa questão da normatização, mas diante dos grupos que a gente participa no mercado, que estão atuando, que falam sobre o assunto, com certeza até o final do ano a expectativa é que a gente já tenha alguma coisa encaminhada nesse assunto.
Amém. Enfim, eu adoro essa tecnologia. Não tô aqui pra dar opinião, mas é notório como eu acredito nessa tecnologia e faço até um apelo aí pra esses gestores públicos que invistam um pouco mais, tenham um pouco mais de paciência pra quebrar essas burocracias, pra vencer essas burocracias, porque no final todo mundo ganha, né?
É, e no público também tem a questão da mão de obra, né?
Sim.
Já teve muita prefeitura que veio atrás, fez, executou, na hora de executar, uma empresa olha e fala assim, o que que eu faço aqui? Não sei nem por onde começa. Então, mas... Então, aí a gente tem que fazer essa... essa orientação pra que a coisa aconteça como deve acontecer.
É, tem que trazer a solução completa, viu, Paulo? Tem que chegar com a solução completa. E tem uma outra pergunta aqui. Você vê o mercado imobiliário e a construção civil mais abertos hoje, a ideia de adotar essas soluções? Você já falou um pouquinho lá atrás, mas... Muito.
Eu posso dizer aqui mais...
Eu queria que você trouxesse, se possível, trazer aí alguns cases. Acho que esse é o momento ideal.
Tá. A gente teve um case aí, eu vou dizer assim, até público bem interessante, em Balneário Cambodiú, onde uma proprietária de uma loja estava reformando toda a fachada da loja dela, e tinha um recuo da avenida bem na frente da loja dela, e fizeram uma capa asfáltica, e depois foram repavimentar lá, requalificar a via, e fizeram uma capa asfáltica em cima da antiga, então ficou aquela camada sobre camada, e aí o que acontecia? Quando chovia, essa água corria da pista, e aí ela não corria mais pela sarjeta, pela canaleta, pra drenagem urbana.
Ela corria pelo meio da pista?
Não, ela corria da pista e ela caía no recuo da avenida, que ficava na frente da loja dessa pessoa. E aí, enfim, o empreiteiro que tava executando lá me conhecia. Deixa eu te mostrar um negócio aqui. Mostrou pra ela. E a mulher, na mesma hora, me ligou. A cliente ligou. Fomos lá, conversamos. Falei, ó, dá pra fazer, só que assim, a parte da via é pública, nós não podemos... Você não pode mexer aleatoriamente. Enfim, fomos à prefeitura, conversamos com o secretário de obras, fizemos uma, vamos dizer assim, uma PPP, assim, bem, de uma maneira bem simples, porque pra ele, como prefeitura, eu falei assim, eu vou testar. E ela falou assim, mas não tem problema, eu pago. E fizemos, tem já quase cinco anos que esse recuo foi feito, até hoje ele está lá.
Nossa, que legal!
Funcionando perfeitamente. E aí, deste recuo, uns, sei lá, seis meses depois, a própria prefeitura nos chamou para uma licitação de praça que já tinha sido feita, mas que eles queriam alterar para o uso do concreto permeável, porque era uma praça, ela tinha um caimento, ela tinha um declive e pela angulação do declive eles eram obrigados a fazer uma rampa de cadeirante só que ela não era uma praça muito larga então fazer a rampa de cadeirante ia deixar a praça meio assim ok, concretamos, deixamos aquela área da cidade que antes não tinha nada bonitinha mas ela não tem usabilidade porque é uma área pequena Com o concreto permeável a gente conseguiu fazer ela 100% plana, então o cadeirante tem acesso a 100% da área, né? Sem ter esse desconforto, e aí foi alterado. Então daí surgiram várias outras utilizações públicas e tudo mais do permeável. Este é um dos cases, né?
Aqui em São Paulo você tem algum case?
Neste momento agora, a gente está fazendo mais de 5 mil metros dentro do Parque Vila-Lobos, para um espaço lá que vai ser chamado Espaço da Família.
Tá, então você que visita o Parque Vila-Lobos aqui em São Paulo, você vai lá no Espaço da Família?
Espaço da Família. Espaço da Família, se você... Só desculpa te cortar, vai ser inaugurado em junho desse 25.
Junho de 25. E aí, pra testar se funciona mesmo na prática, pega uma garrafa de água ou qualquer coisa do tipo, pode colocar em qualquer lugar onde tem esse concreto, que você vai ver que a água não escorre. O solo filtra essa água, ele absorve, na verdade, essa água. Então, é uma experiência bem legal que você pode testar aqui no Parque Vila Lobos, em São Paulo.
Esse é um outro case de dor do cliente.
Dor do cliente.
Por quê? Porque o Vila Lobos ali é um antigo aterro do Cégesp. Ele é um antigo aterro do Cégesp. Então, a CETESB ali não permite mais que se concrete mais nem um metro quadrado dentro do parque. pelo menos a informação que nos passaram, e aí obrigaram a fazer, não, você precisa fazer a base lá dos brinquedos infláveis lá, desse empreendimento lá dentro, só que ela tem que ser permeável. Então, aí foram estudos, foram defesas, foram reuniões com o parque, foram explicações, e case de novo, a primeira pancadona de chuva eu tava lá, Tava embaixo de uma tendinha, né? Aí um olhava pra cara do outro e falava assim, não, você não vai lá. Eu falei assim, não, eu vou. Saí eu debaixo de chuva lá e comecei a filmar o concreto permeável e mandei no grupo do próprio... do próprio parque pra todos que estavam participando da obra, né? Deu dois, três dias, os administradores já... Pô, eu tenho tal coisa, eu tenho tal coisa... que são problemas de drenagem nosso que talvez o permeável possa resolver, então... a experiência, quando o cliente tem a experiência e vê que realmente funcione, que atende todas as necessidades, ele começa a replicar isso de uma maneira bem mais simples.
De repente, se esse conteúdo chegasse, eu vou mandar para o secretário de desenvolvimento do estado de São Paulo, meu amigo, inclusive a gente está combinando uma pauta aqui, E, assim, é uma baita solução aí pra gente falar, porque, de novo, o que a gente tá vivendo nas cidades, acho que se a gente começar, né, a movimentar e se esforçar pra vencer essas barreiras burocráticas aí do setor público, a gente consegue, de fato, sim, trazer soluções incríveis, né? E aí, nesse sentido, nessa linha, eu tenho uma pergunta. Como que você enxerga as cidades, assim, daqui 20 anos? Já que você está há tanto tempo tentando vencer essa questão cultural para a adesão dessa solução em concreto permeável, como você enxerga essa solução nas cidades daqui a 20 anos?
Parece ler o meu pensamento aqui, eu tava aqui lembrando de quando, em 2009, eu conheci a tecnologia e comecei a estudar ela, né, viajei aí alguns países do mundo atrás dela. Quando eu conheci a tecnologia, eu olhei e falei assim, gente, não vai fazer mais sentido a gente fazer uma calçada um estacionamento aberto, qualquer área que seja aberta, né, vamos dizer assim, exposta ao sol, ao tempo, ao clima, não vai fazer sentido mais no futuro a gente fazer dessa área uma área impermeável, né, esse concreto do futuro. Aí quando você fala assim, como você imagina daqui 20, eu já pensei, bom, 2009, 19, 25, eu acho que eu tenho mais cinco pra falar como eu imaginava, né. porque já se vão 15 anos estudando e trabalhando em cima. Eu vejo, a minha expectativa, a minha esperança é que daqui 20 anos realmente os municípios adotem o concreto permeável obrigatoriamente como uma tecnologia que entendendo que é uma tecnologia não só pela sustentabilidade da água, que é muito importante, claro, mas que ela alia esse desenvolvimento da cidade com a sustentabilidade e mitigando, resolvendo um monte de problemas urbanos, de drenagem e tudo mais. Então, a minha expectativa é que daqui 20 anos isso aí já esteja consolidado nesse aspecto, que seja um padrão em todas as cidades do país que a calçada tenha pelo menos ali seu meio metro de área permeável.
Agora, eu tenho uma pergunta para você, Paulo, que eu tenho certeza que você não se preparou para essa pergunta que eu vou te fazer agora.
Vamos lá.
Imagina aqui uma prefeitura, um prefeito, um governador ou um presidente de um país, a gente não vive numa... Não é igual um papado, né? Um papa que tem a monarquia absolutista. Imagina que você tem um minuto na frente, ali numa sala gigante, com o prefeito e a câmara de vereadores. O que você diria para esses caras adotarem o concreto permeável?
Bom, vou começar primeiro com os problemas de alagamento, os alagamentos e problemas de alagamentos e enxurradas na cidade. O concreto permeável, ele vai trazer a solução para as enxurradas e na questão dos alagamentos, esses estudos vão fazer com que a gente minimize ou até elimine, como já aconteceu em alguns países do mundo, esses alagamentos pontuais em determinados pontos da cidade. Por quê? Porque às vezes determinado bairro se desenvolve Mas aquela drenagem vai ser ligada numa drenagem de 60 anos atrás, que não tava dimensionada pra esse bairro que tá sendo feito hoje. E aí você desenvolve aquele bairro e joga toda aquela água naquela drenagem antiga que não tá dimensionada pra absorver.
Que não se importa, né?
Ela não vai absorver. Então, o permeável, ele vai servir pra quê? Justamente pra aliviar aquele, né? De novo, vamos bater nessa tecla, né? Aliviar aquele pico de demanda que a forte chuva daria nessa galeria antiga. Então você não obriga mais tanto a cidade a se atualizar, vamos dizer assim, pluvialmente com as galerias pluviais, como antes. Então a gente minimizaria bastante prejuízos, porque não é prejuízo só do cidadão que tem a casa que entrou água e ele perdeu os móveis e tudo mais. O alagamento traz prejuízo para o semáforo, ele traz prejuízo na aceleração pública, ele traz prejuízo na calçada que quebra, na via que também não aguenta aquela inundação, aquele alagamento às vezes abre um buraco. Então, o prejuízo dos alagamentos também é muito grande e aí o concreto permeável realmente vai entrar como um grande fator de solução para essas situações, além de ser bom, amigável a nós, ao meio ambiente e ao nosso futuro.
Agora, vou aproveitar essa inspiração toda. Que mensagem você deixaria para os profissionais da construção a pensarem em uma cidade mais ecologicamente correta?
Olha, eu não ia falar tanto da questão ecologia. Eu acho que se eu fosse falar, pra deixar uma mensagem pra esses profissionais, eu diria pra eles, assim, não pensar somente naquela questão do orçamento, né? Do gastar menos. Eu diria gastar consciente. Não é uma questão só do permeável, mas acho que às vezes optar por um material que ele é um pouco mais custoso, mas ele vai durar muito mais tempo e a gente vai consumir menos do meio ambiente.
O que se torna mais barato.
Não, mais barato e mais sustentável também, né? E aí o permeável, lógico, também vai entrar nessa linha de raciocínio, né? Mas o que eu deixaria de mensagem aí pro pessoal de engenharia e de arquitetura, assim, Se eu pudesse afirmar assim, parem de pensar só no dinheiro, na conta do orçamento, mas também olhem um pouco na durabilidade e na resistência dos materiais, que a gente vê bastante situação aí, às vezes, onde a diferença às vezes é muito pouca para um material bom de um regular, e não, por causa dessa diferença pouca eu vou economizar e vou para o regular. Mas o impacto disso no futuro é muito significativo.
Ô Paulo, já que você tocou nesse assunto, enfim, eu já encerrei aqui muitas coisas que eu tinha pra perguntar, mas agora eu vou fazer algumas perguntas, mas como eu gostei de muitas respostas que você trouxe aqui pra mim, a gente tá falando muito de sustentabilidade, você tá falando de preço no caso de custo, do barato e caro. E você traz essa mensagem pra que as pessoas olhem com mais atenção pra essa parte de custo. O que é sustentabilidade nesse quesito de custo? Porque tudo bem, eu resolvi pagar mais caro agora. Ou melhor, mais barato agora. Eu vou ter problemas mais rápido. Aí eu optei por pagar um pouco mais caro. Né? Um valor um pouco...
Enfim.
Me esforcei um pouco mais. Só que eu vou ter uma redução de custo no tempo de manutenção. Enfim, vários fatores. Eu queria que você trouxesse Alguma dica pra essas pessoas?
Vai parecer que a gente combinou.
É, vamos nessa. Eu acho que essa ligação, essa conexão do Paulo, parece que a gente tem um ponto aqui, não sei.
Antes de você falar disso, eu tava aqui, né? Eu tava falando dessa questão de encerrar, mas ficaram algumas dúvidas. Antes de você falar disso... Vindo pra cá, inclusive, com um cliente em Pernambuco. que a gente tá trabalhando lá, ele tem uma rede de lojas, tá? E eles usam um... Eles chamam lá de cogobó, né? Em alguns lugares é aquele intertravado perfurado, em outros lugares eles chamam de concregrama, enfim. Isso é legal também no Brasil, né? A mesma coisa tem vários nomes diferentes. E o que acontece? Esse cliente, ele simplesmente tá questionando a gente no seguinte sentido, ele... Pô, Eu opto por ele, por essa solução da placa pré-fabricada, do concregrama, que eles chamam de cogobó, porque no orçamento isso é mais barato. Mas quando a gente explicou pra ele, ele falou assim, olha, eu vou ter uma economia de uma equipe que eu tenho que ficar fazendo a manutenção de mato que nasce nesse estacionamento, de peça que quebra que tem que repor, de peça que ondula que eu tenho que reassentar. Então, ao usar a tecnologia do concreto permeável moldado lá na obra, eu vou economizar muito na operação do meu negócio. Mas, por uma questão de orçamento, a gente estava sempre ali. E aí, por uma questão, aí um dos nossos dos nossos parceiros de negócios, conheci um dos proprietários lá e quando ele entendeu, ele falou assim, não, não, não, peraí, vamos juntar todo o time de engenharia e vamos explicar, não, aqui não é só preço, aqui tem uma outra conta aqui que ela não vai fechar no longo prazo. Então, quando eu falei daquela frase, voltando, tu me pediu ali pra convencer, era exatamente isso, por isso que eu falei que parece que a gente não combinou, que eu falei pensando nesse caso quando eu tava vindo pra cá. Porque assim, ok, aqui ele não é o mais barato, mas no meu dia a dia ele vai se tornar o mais caro. Sim, sim. Então, operacionalmente, o empreendedor vai fazer a loja pra alugar. Tudo bem, ele vai alugar, mas depois o inquilino dele, ele tem que manter aquilo lá inteiro. E aí, pra ele manter aquilo lá, custa. E se ele não vender bem, o aluguel começa a se tornar pesado.
Sim.
Agora, se ele tem um material bom lá, que não dá tanto trabalho de manutenção pra ele, né, o aluguel dele se torna melhor, mais fácil de se manter.
E um cliente muito mais feliz.
Com certeza.
Mais realizado.
Por isso que eu falo assim, às vezes não... E a sustentabilidade, a gente tem que fugir daquela questão que não é só natureza, arvorezinha, riozinho, né? Sustentabilidade também é a economia financeira.
É pensar a longo prazo.
Exatamente.
Essa coisa do agora, todo mundo sempre fala, todo mundo que pensa agora no agora, tá... Enfim, tá propício aí a se estrepar de alguma forma.
Com certeza.
Tudo que eu quero agora que eu penso, ah, é agora, tudo bem, vou pagar no mais barato. Não, tudo bem, você vai ter problema futuro. Desde o ar-condicionado, eu sempre falo dois exemplos do ar-condicionado, tá? Então, pensa numa tecnologia mais inovadora que você vai ter um retorno a médio e longo prazo. Então, antes da gente encerrar, acabaram de mandar aqui um bate-bola pra fazer, vamos ver se capricharam. É... Tá preparado, Paulo?
Vamos lá!
Acho que estão abusando de você aqui hoje, viu? É um tema bem interessante aqui. Tem que ser direto, Paulo. Vamos lá! É, maior vantagem do concreto permeável em uma palavra?
Sustentabilidade... Sustentabilidade.
Tá. Maior inimigo do concreto permeável?
Falta de conhecimento técnico do mercado ainda sobre... Sobre do que ele é capaz.
Mito sobre o concreto permeável?
Ele entope, não serve pra ruas, nem pra avenidas, nem pra pátio de caminhões.
Uma obra referência com concreto permeável?
Acho que eu vou usar uma que ficou bem bonita, numa coloração verde grama. Foi uma loja feita pra John Deere, da SLC, lá no... em Cruzalta, no Rio Grande do Sul.
Uma outra pergunta. Um lugar onde jamais usaria concreto permeável?
Na laje.
Sensacional, acho que tem maluco que pode fazer isso, né? Pode gostar tanto da tecnologia. Eu usei no meu solo, foi sensacional. Vou usar na laje também, nunca se sabe. Sustentabilidade ou durabilidade?
Por que não os dois?
Concreto permeável em fachada, genial ou loucura?
Loucura.
Muito bem. Maior desafio ao especificar esse material?
Faltas de materiais técnicos nacionais.
Paulo, tem alguma pergunta que eu deixei de fazer, que você gostaria de falar?
A gente abordou bastante coisa.
Então eu gostaria de agradecer os nossos parceiros, o produtor Infinity Plus, que há mais de 20 anos produz audiovisual para indústria, arquitetura, engenharia e construção. Portal Hub Construção, que também é referência em geração de conteúdo para o setor de construção civil. E, enfim, todos os outros nossos parceiros aí que, desde sempre, vêm colaborando com o nosso canal para tornar possível trazer convidados, como você, Paulo Ionic, agora eu vou abrasileirar o seu sobrenome, Paulo Junec, é isso?
Junec.
Junec. Gente, então, sensacional, adorei esse episódio. Paulo, adorei você também, você é sensacional. E eu queria aproveitar e mandar um abraço pra uma pessoa que apresentou o nosso canal pra você. Esse abraço, você que vai mandar pra ela, por favor, pra essa câmera.
Paula Valadares. Paulo, Paula e Paula Valadares. Isso aí.
De onde que a Paula é? Fala pra nossa audiência.
A Paula é lá do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre. Eu conheci ela aí também na internet. Ela trabalha com pavimentações e a gente vem trocando bastante ideias, vem auxiliando ela também no desenvolvimento do conhecimento e da técnica do concreto permeável lá no Rio Grande do Sul, lá no estado dela.
E você lá de Balneário também tá perto também. Gostaria também, Paulo, de estender esse agradecimento a você. Você sempre ali conversando com a gente, sempre acompanhando o nosso canal e inclusive você compartilha o nosso conteúdo pra ele há alguns meses atrás e hoje ele está aqui trazendo informação de valor pra toda a nossa audiência. aqui do Constricash. E, gente, você que quer sugerir algum tema específico, fique à vontade pra mandar aqui nos comentários. E antes da gente encerrar, Paulo, você tá convidado pra expo Construção Offsite que acontece nos dias 3, 4, 5 e 6 de junho. É uma intimação.
Estaremos lá.
Eu sei que você está em Balneário Camboriú, mas eu não aceito não como resposta. Sei que a sua vida é muito corrida, mas isso é uma feira, é uma exposição de inovação, e o que a gente está trazendo aqui é inovação, e o concreto permeável faz todo sentido nessas construções industrializadas, porque se você está produzindo numa indústria, por que não pensar na base e preparar esses solos que vai receber esses módulos, essas construções inovadoras.
Inclusive o permeável é um excelente concreto pra gente fazer radia de obra, porque ele respira, não retém umidade.
Então, estaremos juntos na Expo Construção of Sight nos dias 3, 4, 5 e 6 de junho no Sambódromo IMB. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constricash.
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