Construção com Aço: Vantagens, Desafios e Futuro da Engenharia Industrializada | Constru e Cast

Zé Augusto from Brafé and Marcos Pereira from Gerdau discuss steel construction. Steel buildings go faster, need fewer workers, and let architects design bigger open spaces. The main obstacles are cultural resistance and the need for rigid cores, but BIM and better education could speed adoption.
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Você está no Constrycast, a voz da construção diretamente da Construção Offsite aqui no Sambódromo do AMB em São Paulo. Hoje eu vou fazer um bate-papo super legal com o meu amigo engenheiro Zé Augusto e Marcos Pereira. Esse episódio é um oferecimento Produtora de Vídeos Infinity Plus e Portal Hub e Construção. Vamos falar um pouco de construção industrializada, né? Tô aqui com o Zé Augusto, que é diretor da Brafé, e o Marcos.
Pereira, Coordenador da Gerdau Design.
Coordenador da Gerdau Design. Então, vamos fazer um bate-papo aqui sobre construção industrializada de uma forma bem abrangente e dando início aqui, vamos falar do desafio de fazer grandes construções com a construção industrializada. Zé, eu queria que você falasse um pouquinho do trabalho que você faz de construção industrializada voltada para o mercado de aço. E o que que a gente pode contribuir aí nesse setor pra dar mais velocidade nesse processo de industrialização usando aço, óbvio, como um material predominante.
Legal. Bem, esse tempo da construção industrializada tá tomando alguns contornos novos hoje em dia, Mas não é um tema propriamente novo, né? O Abrafero, onde eu sou vice-presidente, já existe há 49 anos, e mesmo antes da primeira existir, já existia construção industrializada. O tocante é que ela era muito mais voltada para as áreas industriais, que nas áreas industriais sempre já teve um pouco mais dessa pegada dentro da construção. O que a gente tá vendo mais recentemente é trazer muito mais dessa construção industrializada pra uma área que foi, historicamente, sempre muito da construção in situ, que é a construção tradicional, que são as edificações de múltiplos andares ou mesmo residenciais. Aí sim, a gente tá vendo um movimento, nesses últimos anos, que tá trazendo cada vez mais frequente a construção industrializada. E assim, um dos grandes drivers no momento, deixa eu só recompor, Houve um primeiro driver que começou, sei lá, uns 10, 12 anos atrás, que era a questão da velocidade da construção. Construção industrializada consegue ser muito mais rápida. Então, locais que eram muito sensíveis ao tempo de construção, por exemplo, o cidadão ia investir numa faculdade nova, de múltiplos andares. Um edifício de 2, 3, 5, 8, 20 andares não importa. Um hospital também, um hotel. O hotel e o hospital funcionam de uma maneira meio parecida do ponto de vista do investidor. Tem uma receita diária, tem um nível médio de ocupação, e quanto mais diárias mais cedo ele colocar, mais receita. Então essas áreas conseguiram olhar pro aço antes e dizer assim, opa... Se eu fizer isso com a construção metálica já pré-fabricada nas fábricas, eu vou trazer para o meu site de uma forma muito mais rápida, a obra fica pronta mais cedo. E de fato, enquanto um prédio normal...
Antecipa o faturamento, todo o fluxo financeiro é diferente.
Exatamente. Enquanto uma obra normal leva aí, em média, 2 a 3 anos para ser feita num prédio alto, vamos dizer assim, 15, 20 dinários ou mais, a gente consegue trazer isso para metade ou menos da metade do tempo usando a construção industrializada.
Aproveitar que estou aqui com indústria e um beneficiador. Quando a gente fala de construção de prédios de múltiplos andares, quando se fala em construção metálica, pergunta de leigo que eu ouço muito do mercado. Quais são as dificuldades para você conseguir essa grande escala? Porque eu ouço que a gente precisa de uma estrutura mais rígida, por exemplo, como alguma área de concreto para dar essa rigidez. Como que funciona?
Já vou chegar nesse ponto pra você então, mas só concluindo o raciocínio anterior, aquele primeiro boom foi da velocidade da construção e hoje a gente tá vendo um outro boom motivado pela escassez de mão de obra. Então assim, nos centros, não vou dizer nem nos grandes centros, mas nos centros com grande demanda de construção, São Paulo é o maior exemplo do Brasil, porque é a maior cidade do Brasil, A gente tá vendo uma necessidade de buscar alternativas que consigam fazer a obra com menos gente. Por que tá faltando gente pra vir trabalhar? Não tem mais carpinteiro em quantidade disponível o suficiente, pedreiro, não tem mais bom assentador de um monte de coisa.
Tem pesquisa que se tu pega na região Nordeste tem alguns estados que a média do canteiro já tá passando 50 anos.
50 anos!
Então, assim, tem uma região do país que a gente tá vendo isso muito acontecer ali na metrópole de Santa Catarina, aquela região que compreende desde Balneário Camboriú, agora começando um pouquinho antes, até depois de Itapema, Meia Praia, Porto Belo, etc. Só na micro região ali de Porto Belo, Meia Praia, Itapema, tem mais de 500 obras simultâneas hoje. E não é uma metrópole que tem em São Paulo que tem 10 milhões de pessoas. Ali tem o que? Porto Belo deve ter 30 mil habitantes, está pelo menos um pouco maior, mas talvez chegue a 50. Ou seja, não é uma região ali que tem uma quantidade... Não tem mais de milhão de pessoas na região, muito menos que isso.
Até me questionei quem que vai morar naquela quantidade de prédios que estão construindo ali.
Também tem isso. Mas, enfim, as construções precisam sair. E agora esse boom é que a gente consegue fazer uma obra de construção industrializada ocupando muito menos gente. E mais que isso, como é um pessoal mais especializado e as obras são mais rápidas, é um pessoal que a gente vem, monta um canteiro, aquele pessoal termina e vai fazer outra obra em outro lugar. Então você não demanda muito a mão de obra da região. Você não sobrecarrega aquela mão de obra já indisponível da região. Você traz um pessoal com muito menos gente. Uma grua, uma equipe de quantas pessoas, mais ou menos?
Umas 15, 20 pessoas montam a obra.
No máximo 15, às vezes até 12.
20 pessoas montam a obra daquela?
Exatamente, se você tem duas gruas com.
Duas frentes de montagem, 25 pessoas resolvem a obra, 30 no máximo. Por quê? Porque não tem tanta coisa pra fazer, as peças estão prontas.
Sem necessidade de um guindaste, por exemplo.
É, a grua é o que vai na elevação.
Não, tudo bem, você tem a grua, mas dependendo do braço que ela suporta, ela consegue pegar essas estruturas, que é muito mais leve, Sim, e a gente.
Dimensiona também isso já no projeto, em função do equipamento que você vai ter. Se você tem um equipamento um pouco mais robusto, você faz peças um pouco maiores, mais pesadas. Se o seu equipamento não tem tanta capacidade, você faz peças um pouco menores, mas resolve do mesmo jeito.
E consequentemente você reduz o transtorno ali naquela região.
E a região ela tem uma particularidade também, que se tu for ver, boa parte dos incorporadores que estão lá agora com muitos canteiros, São empresas que têm 5, 10 anos e eles estão mais propensos à inovação também. Diferente das nossas construtoras aqui, por exemplo, São Paulo, que tem já 60, 80 anos e tem a receitinha ali muito bem feita. Lá o pessoal começou a crescer numa velocidade muito exponencial pela quantidade de obras que o Zé comentou. E agora eles não estão conseguindo dar conta da quantidade de canteiros e de land bank que eles mesmos criaram lá. Então, cara, um, dois anos atrás ele tinha três canteiros ao mesmo tempo, agora ele tá com 15. Então a industrialização pra ele lá faz muito sentido, porque ele não tá conseguindo... ele tá jogando... ele não consegue nem jogar entre as obras dele, mas o pessoal, assim, sabe?
Mas isso acaba sendo uma imposição, né, Zé? Assim, ele não tem outra alternativa a não se industrializar.
É, assim, a outra alternativa que ele tem é tocar as obras num ritmo mais lento, né? Empurrar gente de fora, que isso tem sido feito faz um tempo, mas mesmo assim já tá ficando mais difícil.
Começa a aumentar o custo também da mão de obra.
Muito, uma concorrência. o jeito mais fácil do que roubar é roubar da obra do lado, daí o outro rouba de volta e aí os custos vão subindo e você não tem uma confiabilidade. Isso é outra coisa, a construção metálica, a construção industrializada, por ela ter sido feita em fábrica, e falando especificamente da construção metálica, que é o que eu entendo, as tolerâncias suas são muito menores, a gente fabrica na fábrica milimetricamente. A tolerância pode ser mais ou menos um milímetro em geral. Então, aquilo entra na obra e encaixa. Você não precisa ficar fazendo ajustes, etc. Então, o encaixe é muito mais rápido que construir tudo isso. Agora, voltando ao outro ponto que você me questionou, da rigidez, etc.
Sim, quando você vai pra prédios de múltiplos andares, essa construção metálica, quais são os desafios que você precisa vencer?
Então, essa questão... Existe esse conceito, né? Primeiro que, de novo, deixa eu só corrigir, né? Eu estou trabalhando numa empresa de estrutura metálica, mas antes de tudo sou engenheiro, sou engenheiro civil. E como engenheiro, a gente conhece os materiais e as características melhores de cada material. Então, não existe, pra mim, uma construção só metálica. Ela tem que interagir com os outros materiais. Como não existe construção de concreto. Eu nunca vi um prédio de concreto. Eu vi prédio de concreto armado. Tem uma porção de ferro lá dentro, aliás, é verdade, tem um monte de aço pra colocar dentro dos prédios de concreto, não é verdade? Sim. Da mesma forma, eu nunca vi um prédio só metálico, quer dizer, com graníssimas exceções, né? A laje é sempre de concreto, né?
Fundação.
Isso, fundação e tudo mais.
É, você tem os dois, né? Você tem ali o conjunto, né?
Então a gente fala assim que a construção hoje é construção mista. Ou ele é predominantemente em concreto ou é predominantemente metálico. Numa construção de concreto armado, você tem uma taxa de uso de aço de uns 15 kg por metro quadrado de aço. Na construção metálica, depende um pouco da característica, mas sua taxa vai pra 40, 50 kg por metro quadrado de aço. É maior a taxa, reduz o consumo de concreto. Mas assim, as vigas que a gente projeta e que a gente executa são vigas mistas. Como é que a gente faz uma viga mista? A gente faz uma viga de aço, a gente coloca uns conectores em cima, que são conectores de cisalhamento, ou do nome original inglês dos studbolts, que quando você concreta a laje em cima, ele força a viga e a laje a trabalharem junto.
Através da forma metálica normalmente também.
Isso, a gente usa... Forma metálica, que é o tal do steel deck, ou forma laje, que o pessoal chama. Mas dá pra fazer sem também, se quiser. Forma laje é algo que tem outras características, que agiliza mais.
É fora o misto, tem a obra híbrida, onde tu mistura os sistemas, o pré-fabricado com a metálica, e não necessariamente eles vão estar trabalhando 100% junto também.
A laje, aquela famosa laje pi, ela se encaixa bem com a metálica?
Ela pode se encaixar bem, mas não é a solução principal quando você usa estrutura metálica.
O principal é a forma metálica. A alveolar dá um resultado bom também, só que acaba que você tem que fazer um pouco de trabalho em campo. Mas até é lógico, com forma convencional.
Já fizemos aqui em São Paulo, tem uma universidade que a gente fez com forma convencional. No mesmo conceito de criar conexões na viga, faz uma forma convencional, concreta, e os dois sistemas trabalham junto. Quando os sistemas trabalham junto, você faz com que quando você sujeita a viga a um carregamento, O processo de flambagem, na flambagem você tem tração na parte inferior, que acaba sendo absorvida pelo aço, que é um excelente elemento para tração. E a compressão na mesa superior, junto com a laje, a compressão acaba passando grande parte dela pela laje. E o concreto é um elemento de concessão fantástico para absorver a compressão.
Cada um trabalha com a melhor característica.
Daí, não quero fugir dessa pergunta, você está perguntando do núcleo rígido. O que que acontece? O aço, por si só, ele tem uma rigidez enorme. Se você comparar a modulacidade dos dois, é brutal a diferença. Mas, existem alguns elementos que acabam sendo naturalmente concretos. Por exemplo, quando você vai fazer a escada enclausurada, uma escada de incêndio, você tem que ter uma parede que é relativamente resistente, que geralmente o pessoal faz com bloco de concreto. Ou, se você migrar aquela parede para fazer uma parede de concreto, Aquilo vira um elemento estrutural em concreto muito rígido. E aí, sim, a gente pode lançar a mão que, opa, já tem um elemento estrutural rígido ali, eu vou aliviar a necessidade de elementos metálicos para dar rigidez no prédio, me apoiando naquele núcleo. Então, essa solução do núcleo de concreto ou das colunas mistas, tem colunas que a gente faz uma casca metálica com um tubo, um pepito quadrado, reenche de concreto, vira também uma coluna mista. Isso tem a função do quê? buscar sistemas híbridos que resultem num custo por metro quadrado mais interessante.
Ah, e essa solução também, ela tá relacionada ao custo.
Exatamente. Porque assim.
Corriqueiramente você tem, em todos os edifícios altos, você tem um núcleo composto pelos elevadores e escada. O elevador e a escada é a.
Circulação do prédio que está sempre junto.
E por você já ter muitos elementos que suportam o elevador e a escada, é comum você usar em cima a caixa d'água. Então, naquela prumada, a maioria das soluções dos prédios são assim. Não vou dizer que são todas, mas a maioria são assim.
No caso de Cambori, um heliponto.
Isso, um heliponto, exatamente. E ali, quando você cria esse núcleo, de uma forma... faz-se ele em concreto, você cria uma rigidez grande, mas ele é pequeno, você consegue fazer ele com tecnologias novas, tipo fogo a deslizante, etc, muito rápido. E aí a gente vem com a estrutura metálica, a gente projeta ela, se eu já tenho um núcleo rígido, eu alivio o sistema de contraventamento da estrutura e projeto a estrutura metálica mais pra cargas verticais, predominantemente, e me apoio horizontalmente nesse núcleo. Mas esse núcleo não é condição de cinego. Não, longe disso. A gente consegue fazer a própria estabilização, seja simulando um núcleo metálico ou seja bem fazendo um núcleo, fazendo um sistema de contraventamento.
Que aí é muito questão de concepção de arquitetura também.
Exatamente.
Se tu consegue fazer um prédio super alto só com estrutura metálica, só que aí tu tem que pensar que tu vai ter que tirar partido daquela estrutura com arquitetura, porque tu vai ter a fachada toda contraventada e tudo mais. E não é o conceito que a gente trabalha hoje, muito é conversão.
É, exatamente. Vocês conhecem muito os prédios icônicos do mundo afora? Tem um bem famoso em Londres, eu não sei exatamente o nome dele, mas que parece um pepino, assim, e que por fora você vê ele é todo... em que estão cruzados os elementos. Aquilo é a estruturação externa do prédio. Aliás, a posição mais eficiente do contraventamento é mais longe possível, na parte mais externa possível.
E o núcleo é o inverso.
Exatamente, o núcleo é o inverso. Então, existem concepções, muitas vezes que partem da arquitetura, que dão essa definição. O que ele falou é verdade. Hoje em dia a gente tem visto os construtores começarem a obra de uma maneira tradicional E aí se depararem no meio do caminho e falarem assim, rapaz, mas se eu continuar assim, eu tô vendo que eu vou dar com a cabeça na parede ali, né? Seja porque vou demorar muito mais tempo do que eu queria, seja porque eu não tô achando já mão de obra pra fazer isso que eu tenho aqui, como é que eu lanço mais esse outro prédio? E daí eles começam a perguntar, o que eu posso fazer diferente? E a nível de custo, tá? Por mais que ainda a estrutura metálica ou mista possa custar um pouquinho a mais do que a estrutura convencional, Se você consegue precificar o custo da sua obra, no custo do dinheiro ao tempo, e aqui no Brasil, isso é super evidente, como a Selic passando de 14% ao ano, se você ganha em algum ano de obra, você tem um ganho.
É uma obra que, agora que tá muito na mídia, que é o Senna, que vai ficar há 10 anos. O que que já não vai ser o Brasil daqui a 10 anos? A imprevisibilidade que a gente tem. É difícil de apostar no ano que vem, o que que acontece.
Sabe uma pergunta que eu queria fazer pra vocês, aproveitando que eu tô com a indústria e com o beneficiador aqui, Numa tomada de decisão de um construtor por um prédio, por exemplo, para construir um prédio em estrutura metálica, qual que é o papel da indústria e do beneficiador nessa etapa de projeto para que aquilo seja de fato possível executar?
Existe uma sinergia grande entre os dois. O Marcos vai falar, o Gerdau Design busca apoiar muitos clientes com isso.
Hoje, o foco principal nosso é esse. Porque, como eu comentei e o Zé trouxe, a gente hoje está entrando no time errado na obra. A gente está entrando num produto que já foi definido de incorporação, E aí, por algum desvio de rota, se cogitou fazer a transformação para uma solução industrializada. O nosso trabalho hoje é conseguir chegar na fase ainda anterior à definição desse projeto, fazer análise de viabilidade financeira, mostrar esse dinheiro no tempo, que nem o Zé comentou, para mostrar que se a concepção for pensada desde o início, aquele gap que existe, se tu olhar só estrutura com estrutura, a gente consegue aproximar muito se a concepção for pensada desde o início. Isso é um trabalho que tem que fazer no arquiteto, tem que fazer no investidor, tem que fazer no construtor, porque muda muito as características. o vão que eu tenho que utilizar entre colunas, a modularidade que eu tenho que dar para conseguir depois aproveitar o melhor da forma metálica. Então, depois que eu já tenho a concepção, se ela foi pensada para um sistema e eu tenho que trabalhar em cima daquilo, Eu perco dinheiro, realmente.
Ou deixo de ganhar.
É, deixo de ganhar dinheiro, porque eu não consigo fazer o mais otimizado que a estrutura. E quando a gente fala de estrutura em aço, a gente faz tudo muito otimizado, a gente faz tudo muito customizado. A viga é dimensionada para aquela situação, sabe?
Deixa eu explicar um pouco mais, que talvez o pessoal que não está no dia a dia com a gente não tenha entendido. Quando eu vou lançar em uma estrutura de concreto, a distância entre colunas Tem um padrão, às vezes a 5 metros, 6 metros, não passa muito disso, 7. Quando a gente vai pra estrutura metálica, a distância entre colunas já é maior. 8, 9, 10 metros. Isso traz uma série de benefícios. Começa com o benefício arquitetônico. O arquiteto geralmente não gosta da coluna no meio. Vou fazer uma sala grande num prédio padrão A. A sala tem 12 metros de largura. E o cara fala, meu Deus, colocar uma viga de concreto com 12 metros, vai dar mais de metro de altura, eu perco a altura do prédio. Vamos fazer metálica. As alturas das vigas metálicas são geralmente metade das alturas das vigas de concreto. Você vence vãos maiores... E você ganha área também. E ganha áreas mais lindas.
Eu fiz um bate-papo, o meu entrevistado falou que em um pré ele conseguiu ganhar um andar a mais por conta da utilização da estrutura metálica, faz sentido isso?
Claro que faz, porque se você fala assim, vou ter um prédio de 30 andares, se eu usar vigas de concreto para aquele vão determinado, por exemplo, eu vou ter 60cm de altura de cada viga. Então, agora se eu trocar pra metálica, se cai pra 30cm, eu ganho 30cm em cada viga, ou seja, em cada andar, ou seja, em 10 andares eu ganho 3m, em 12 andares eu ganho 3,60m, aqui é mais ou menos o pé direito de um prédio de bom padrão, 3,60m, então em 12 andares eu já ganho mais um. Ok, tem algumas cidades do Brasil que não se importam na altura, a Apergi faça uma vantagem mais alta, mas tem várias outras cidades, aqui em São Paulo, por exemplo, e você tem os cones de aviação de aproximação, onde você tem uma altura máxima para a tonificação ali, não deixa você fazer um centímetro mais alto do que aquilo, aqui a legislação fala tantos metros no máximo.
E isso potencializa outras soluções industrializadas, como a própria fachada, se eu tô conseguindo Resolver o prédio com uma altura menor, vamos dizer assim, eu estou gastando menos na fachada também.
Exatamente. Seja vidro, seja o que seja. E só concluindo aquele raciocínio, quando você tem vãos maiores, você tem como resultado uma quantidade menor de colunas. Se você tem uma quantidade menor de colunas, você tem uma quantidade menor de fundações. Se você tem menos fundações, você tem um custo menor. E outro aspecto da construção metálica. Membro por membro, coluna por coluna, viga por viga. A solução metálica geralmente pesa perto de 1 quarto da solução do concreto, peso próprio da estrutura.
Quando você é considerando a estrutura.
Isso, então se você tem uma coluna, uma promada de colunas num prédio, que é a carga vertical pelo peso próprio, não falando das sobrecargas que são iguais, nem das cargas de vento que é outra coisa. Mas se pelo peso próprio você tem uma contribuição aqui naquela promada de 100 toneladas, Se você se perde for metálico, vai te dar uma contribuição na casa de 25 toneladas. Então assim, você também tem menores cargas verticais a ser absorvida nas fundações. Esses vãos maiores não estão limitados só a prédios. A gente faz muita obra de ponte e viaduto também. Ponte e viaduto é uma coisa muito comum, com o mesmo racional. Muitas vezes você tem uma obra de um viaduto de concreto, onde você tem múltiplos vãos de 20 metros. É uma solução O padrão em concreto é usar vigas de 20 metros. Teve um case muito interessante que a gente fez lá em Itajaí, em Santa Catarina, por acaso, tinham duas, dois mãos de 20, teve uma patologia lá, a ponte caiu, por causa do apoio intermediário, a gente trocou por um vão de 40. A viga metálica de 40 metros é eficiente, é econômica. A viga de 40 metros em concreto já não é tão simples, porque fica um elemento super pesado, difícil de montar, etc. Não só na questão dos prédios, mas em outros elementos, o aço tem essa característica. É muito fácil observar isso, talvez as pessoas não pararem pra pensar, mas galpão, né? Você olha pra galpão, o pessoal começa o galpão com coluna de concreto, você olha pra cima, aqui mesmo, no teu, é aço. Por que que é aço? Por que que não fizeram, por que que não fazem a cobertura de um galpão de concreto? Porque fica um negócio monstruoso, pesado. Se você tiver um vão de galpão de 50 metros, não sei se você consegue resolver em compras.
É por isso que na indústria teve essa adoção primeiro, que é uma questão técnica mesmo, né? Tu conseguir vencer um vão de 50 metros com uma viga em concreto, tu tem uma viga de viaduto praticamente. Exatamente.
Você fala dessa parte aqui, né? Você vê que é bem esbelto, né? Você usou o aço aqui e ficou uma coisa... Esbelta, ou seja, a união de dois módulos e a gente tem uma...
Exatamente, você perdeu aqui 15 centímetros, não é mais que isso. E você consegue fazer um bomb que tem 6 metros de bomba.
Quando você fala, Zé e Marcos, dessa parte de que às vezes a gente acaba entrando num tempo errado, da obra. O que a gente consegue fazer pra ajudar, pelo menos, industrializar parte dessas obras que começaram ali de repente de uma forma errada, sabe?
E até no próprio concreto no Brasil a gente é referência, porque a gente industrializou a construção em concreto aqui de uma maneira que tem países da Europa e Estados Unidos que constroem muito em aço que eles não tem o nível de produtividade que a gente tem aqui no concreto.
Você está falando das formas pré-cortadas para dobradas, as armaduras pré-cortadas para dobradas.
Exato. As formas metálicas que se usa muito no Minha Casa Minha Vida, esse tipo de sistema. São sistemas que foram desenvolvidos aqui e eles também são níveis de industrialização que a gente consegue levar para o canteiro. E hoje, como tu comentou, a gente tem um déficit de industrialização considerável E é difícil tu chegar no incorporador lá, mas aí vida inteira eu fiz assim, agora eu faço uma obra 100% metálico. Às vezes é um... Cara, eu fazia que o... Eu comprava a barra reta. E aí tô cortando e dobrando em obra, gerando desperdício, precisando numa área pra fazer isso. Levei pra uma indústria que faz o corte e dobra, eu já tô levando pro off-site, já tô conseguindo trazer um nível de industrialização. Trocar barra solta por uma tela, isso já é um início, sabe? E aí tu vai escalando, né? Tem panelização, tem...
A gente tem que trabalhar na cadeia inteira, né? A gente tem que começar muito antes do projeto, né? A gente tem que começar divulgando, qualificando, explicando pras pessoas já na época da faculdade. A gente recebe muita visita dos estudantes lá, aliás, se uma faculdade quiser fazer visita, os contactos, a gente proporciona isso pra mostrar. Eu mesmo fiz faculdade de engenharia, tinha um ano de estruturas dividida em metade aço e metade madeira, saindo lá sabendo muito pouquinho.
Em umas nove disciplinas voltadas pra concreto.
Exatamente. Então assim, e depois a gente começa a fazer um trabalho com os arquitetos, mostrando pra eles a solução. O arquiteto geralmente adota muito fácil estrutura metálica, porque ele tem vantagens arquitetônicas bem interessantes. E depois a gente tem feito esse trabalho com quem usa mesmo, os donos de construtoras, os engenheiros de construtoras, mostrando aquilo. Então eu acho assim, que é... Quando as tecnologias vão sendo incorporando, elas vão sendo absorvidas a mais. Eu lembro que quando eu entrei na Braféria, em 1999, ainda o método prioritário de desenhos, faz tanto tempo atrás, em 99, era o desenho 2D, AutoCAD, não existia desenho 3D. E lá pelo ano de 2002, por aí a gente comprou um sistema em 3D de fazer, que é o precursor do BIM, o BIM a gente usa na escala hoje. Eu lembro muito bem, eu tava aprendendo na época, mas a gente via aqueles produtistas mais antigos, de começo, Tendo mexer com esse treco é muito complicado. E aí eles começaram a perceber, num prazo relativamente rápido, meses, menos de um ano, que aquela rapaziada que tinha adotado o BIM estava produzindo muito mais com eles, com muito menos erro. E aí eles mesmo falaram assim, vem cá, como é que aprende aquilo mesmo? Porque eu quero deixar esse 2D do AutoCAD e vou pro trabalho do 3D. E hoje em dia é isso, sabe? Hoje em dia a realidade, por exemplo, a gente tá fazendo obra de um shopping em Maceió, né? Começamos a obra com o que? Com o escaneamento 3D. Começamos a obra com o escaneamento 3D, trazemos uma nuvem de ponto, nuvem de ponto importada para o sistema 3D, lança a estrutura toda em BIM, compatibiliza o lançamento 3D com o BIM, sai uma estrutura perfeita, precisa nas dimensões, verificando todas as interferências, que nem no projeto básico existia, tinha uma coluna que saltou um pouco mais, a execução não estava prevista, mas você traz, e aí você faz aquela construção toda em fábrica, transporta para lá e você monta. Monta, o pessoal gosta de falar muito, monta que nem um Lego, mais ou menos isso.
É um manualzinho ali que você vai fazendo a montagem.
E assim, outra coisa, não tem perda, porque na construção tradicional você tem muita perda, você tem muita perda que é difícil de ser contabilizado. Quanto a mais de madeira ou de forma que você gastou, quanto a mais você perdeu nas concretagens, nos volumes, Muito custo indireto. Tem que pedir mais uma betoneira de caminhão, mais um caminhão, porque não deu. Mas daí usou metade, aquela outra metade sobrou, não tinha lugar para concretar.
Isso nem chega a ser um custo que você está perdendo invisível, porque ele está muito visível.
Exatamente.
E você pensa que no formato que as obras estão hoje, como o Zé comentou, no sistema tradicional, que às vezes levam três, até mais, tempo, esse controle se perde ao longo do tempo também.
Exatamente.
E aí isso some no orçamento. E só complementando ali, tu perguntou o que a indústria também contribui, uma coisa, além do trabalho do CBCA que ele faz também de educação, gera manual, a gente também gera muito manual, gera os videocases que a gente desenvolveu contigo também para pegar cases relevantes e mostrar a visão do investidor também, do arquiteto, porque ele tomou aquela solução. E agora que o Zé comentou a questão do BIM ali, a metodologia também do BIM, a gente acredita que vai impulsionar muito a industrialização. Que no Brasil a gente tem essa coisa muito do as-built ali, né? Resolver na obra. E aí, com a metodologia cada vez sendo mais implementada, a gente tem que fazer o planejamento da obra virtualmente antes, né? Tu realmente faz uma construção virtual. E aí, quando tu começa a ter que planejar antes, aí a solução industrializada fica muito mais eficiente. Por isso que a gente tem todos os objetos hoje, nossos produtos também, todos já estão com biblioteca Binge.
Eu vou fazer uma última pergunta para vocês. A gente tem uma máxima, inclusive você falou que essas construtoras mais recentes, elas estão muito mais propícias a inovar. Ou seja, as mais antigas, elas têm um pouco mais de resistência. O que, na visão sua, Marcos e Zé Augusto, a gente poderia fazer, de repente, para tentar abrir a mentalidade dessas pessoas, para que eles tentem também... Ou seja, eles têm muito mais experiência, qual seria a forma correta de mostrar para esses caras que esse caminho pode ser melhor?
Tem alguns fatores. Eu acho que tem esse trabalho de educação que a gente tem que fazer, é uma coisa que a gente não começou hoje, já tem há muito tempo que a gente vem batendo nessa tecla que tem que trabalhar a academia, que tem que trabalhar os projetistas, arquitetos. Tem a questão que tu mesmo comentou, que o Zé também trouxe da mão de obra ali, que está ficando escasso. Então, vai naturalmente ter, ser empurrado para esse caminho, reforma que tem se falado o tributário pode ajudar também mas o ponto eu acho que agora é realmente a gente começar a aproximar e fazer a conta junto assim sabe estudar o projeto numa fase ainda mais de concepção, a gente não virar uma alternativa quando alguma coisa deu errado, a gente conseguir se mostrar parceiro desde o início. E não é toda obra que vai caber o sistema pré-fabricado, estrutura metálica, steel frame, wood frame, qual for. Elas atendem, elas têm vantagens e desvantagens, né? Então é muito da sensibilidade da gente entender também aonde que o sistema vai ser mais eficiente. E até misturando sistemas que a gente estava falando no início.
O teu Z11, se eu pegar esse gancho, eu acho que a base é a informação. Capacitar as pessoas. Existe muita informação equivocada ainda, né? Tem gente que eu chego pra conversar e falo assim, tá, mas eu tô perto Minha cidade é eleitorânea, eu não vou fazer prédio metálico aqui, eu acho que ferruja. Aí o Júlio Tomar resposta falou assim, pô que interessante, navio é feito do quê mesmo? De concreto, né? Não, é pedaço.
Isso dá um corte.
Por que ele não enferruja? Ele tem um sistema de proteção, é o suficiente. Hoje em dia os sistemas de pintura existem, são maravilhosos, tem solução de pintura pra todo.
Todas as FPSOs da Petrobras.
Outra coisa, o seu concreto pré-moldado não tem problema. Quantas obras, aos bilhares, tem patologia de recolhimento, fissurou, soltou, bateu, etc, que expõe a parte dos vergalhões dentro, aquilo começa a enferrujar. Por quê? Porque teve uma patologia, porque foi feito adequadamente, não devia enferrujar. O recobrimento era pra proteger. No estruturo metálico é a mesma coisa, estrutura metálica bem feita, com boa proteção do conclusivo, não vai enferrujar. Então, é a boa prática. Mostrar as possibilidades, mostrar aquilo que pode ser feito, mostrar as características. É aquilo que o Marco falou, a gente não tá aqui com a... achando que trouxe uma solução pra tudo, que vai resolver todos os problemas. Negativo. A gente tá aqui trazendo uma alternativa, que é, sim, muito boa em N casos, que em outros casos a solução melhora o concreto, que em outros casos é a mista, que em outros casos é a madeira, e mais, também romper outros desconhecimentos e preconceitos. Ah, o aço tem uma dilatação diferente, então todas as minhas paredes vão trincar. Peraí, não é bem assim. Existem muitas boas práticas, boas técnicas que você pode usar em qualquer tipo de revestimento. Se você está com um conceito inteiro de usar industrializado, o revestimento do light steel frame casa muito bem. Não, eu sou mais tradicional, gostaria de usar alvenaria externa em alvenaria mesmo. Tem várias técnicas para você assentar alvenaria junto com a estrutura metálica que não causa fissura.
Como você falou, informação é tudo.
E a gente tem que trabalhar isso. como cadeia também, que às vezes as nossas indústrias são muito... Ah, eu só faço estilframe, eu só faço estrutura, eu só faço o sistema de laje. Se a gente pensa mais como cadeia, a gente se potencializa também. O sistema de fachada mesmo, para eles é muita vantagem utilizar o teu esqueleto metálico, vamos dizer assim, porque ele consegue vir mais panelizado. A gente trabalha no milímetro, né? Então ele consegue já vir com os módulos prontos pra encaixar numa obra convencional? Cara, é impossível ter prumo ali. Então ele acaba que parte da vantagem da industrialização dele ele perde que ele tem que ficar ali no canteiro cortando, ajustando ali os montantes dele. Isso na obra que já é mais industrializada. E já é resolvido também.
É muito bacana, queria até ficar mais tempo com vocês pra gente conversar mais, queria agora passar um minuto pra você dar suas considerações finais, depois um minuto pro Zé pra gente encerrar esse conteúdo, que diga se a passagem tá sensacional. Começa com você, Marcos.
Ah, obrigado. Então, pessoal, obrigado aí. Eu acho que a mensagem está passada, né? A gente quer realmente levar mais informação. É um tema que está cada vez mais latente. Tem várias empresas que começaram a dar mais foco, acho, mais luz nesse tema também, então está nos ajudando. E aproveitar para fazer um convite, que agora a gente tem o Prêmio Talento, que é uma parceria nossa com a ABS, e é um local também onde não é só a estrutura mais diferente, mais especial. Tudo isso, eu conseguir trazer uma solução inovadora, conseguir aumentar a produtividade da minha obra, tudo isso é levado em conta lá. Então fica um convite para os projetistas a inscreverem seus projetos, que é um prêmio bem legal. E é pra trabalhar isso que eu comentei da cadeia, que a gente tem que estar todo mundo, o projetista tem que estar de mão dada com o fabricante, que tem que estar de mão dada com a indústria, que tem que estar de mão dada com o sistema de fachada, e a gente pensando como cadeia, com certeza a gente vai aumentar muito a produtividade do Brasil. trazer resultado pra todo mundo.
União é tudo, Zé, com você.
Bem, queria, Paulo, agradecer a você, a equipe, o espaço, o convite pra vir aqui falar. Venho sempre aqui pedir, tá? Porque tá dentro daquele nossa meta de divulgação, de conversa sobre o tema. Queria deixar também, eu sou o vice-presidente da Absen, colocar a Absen à disposição. Existem N associações, Absen, Associação Brasileira da Constituição Metálica, tem o Centro Brasileiro da Constituição em Aço, que é o CBCA, tem o Instituto Aço Brasil, Os fabricantes em geral, vocês vão se surpreender como eles são receptivos pra esclarecer, pra tirar dúvidas, pra conversar, porque todos eles estão imbuídos um pouco de divulgar o tema. Se vocês quiserem, podem me contactar, podem buscar a Brafair, quiserem fazer visita, ou seja, a gente tá aí justamente pra... tornar esse ecossistema mais conhecido para proporcionar que o profissional que está fazendo a obra, a construção, o projeto, tenha uma decisão acertada, possa passar pelos tipos de materiais que ele possa escolher, possa ver as características de cada um e possa fazer uma escolha adequada. Então, obrigado novamente e vai ser um prazer conversar de novo com vocês.
Obrigado, Zé. Obrigado, Marcos. Então, mais uma vez, Agradecer a sua audiência e se você tiver alguma dúvida ou quiser colaborar com alguma coisa, coloca nos comentários, você vai ter o contato do Zé e do Marcos aqui também na descrição do vídeo. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no ConstrueCast.
Obrigado.
A voz da construção, tá? Só pra lembrar.
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