Construção de Pontes | Podcast de Engenharia | Construções

Podcast episode on metallic bridge construction (Portuguese). Hosts (Speaker A and Rafael dos Santos) interview José Augusto (BRAFER; joined 1999), who describes his career, notable metal-structure projects (Arena Corinthians, Arena da Baixada, large passarelas, ciclovia da vida, Porto Murtinho bridge) and practical engineering lessons. The discussion covers technical challenges (montagem/lançamento, erection sequencing, contraventamentos temporários, inverse load cases during lifting), material choices (steel vs concrete; mixed solutions), fabrication and digital workflows (BIM → CAD/CAM → CNC), rapid interventions (examples of delivery in days to weeks), cost/finance tradeoffs (material cost per kg, montage costs, time-to-revenue, fidelity of steel procurement), and seismic/ductility considerations. The guest also mentions ABSEN involvement and proposes future guests/events.
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Construção de pontes metálicas é o tema do episódio de hoje. E para me ajudar nesse bate-papo, eu tenho a presença de um grande amigo que é engenheiro, Rafael dos Santos, que vai me ajudar aqui na condução desse bate-papo, que eu só vou revelar o nosso convidado depois da vinheta. Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Sejam todos bem-vindos a mais um episódio aqui no Constrycast. Hoje eu tenho a honra de receber um engenheiro civil que eu admiro demais. Já tive contato com ele aí no passado e hoje tenho a honra de receber aqui no Constrycast. O nome dele é... Você quer falar?
Fala.
Posso falar?
Claro.
Olha o suspense. Então, gente, antes de revelar, já pega um caderno, aproveita este episódio, porque vai estar demais. José Augusto, seja muito bem-vindo a mais um episódio. Você tem cases incríveis que vamos falar ao longo do nosso bate-papo, então reforço, fiquem até o final, porque uma aula como essa, que teremos aqui hoje, Tem gente pagando mais de 10 mil reais para ter acesso a um conteúdo como esse.
Obrigado, obrigado pelo convite. Vai ser um prazer esse bate-papo. E se eu puder contribuir com esse desenvolvimento dessas ideias em construções, em estrutura metálica, conte comigo.
Então vamos nessa. Vamos iniciar. José Augusto, eu queria que você contasse um pouquinho como que você se enveredou, como que você entrou na construção civil e, sobretudo, em um nicho tão importante para o desenvolvimento do país, que é pontes metálicas.
Legal. Bem, eu entrei na BRAFER em 99, eu já era técnico em construção civil, estava na faculdade ainda e entrei como estagiário, buscando uma oportunidade na área de construção industrializada. Desde então, me dedico só à estrutura metálica, não só a pontes, Brafer, onde eu trabalho, a gente se envolve com tudo que é construção metálica, em especial obras de grande porte. Obras industriais, papel solose, mineração, indústrias químicas, o que seja, infraestrutura, muita coisa, pontes, viadutos, estádios, aeroportos, e difíceis múltiplos andares, Linhas de transmissão, a gente faz também, muita parte de energia, tem um viés grande de energia, subestações, estrutura fossovoltaica mais recentemente, que entrou na nossa pauta também.
Até para citar alguns projetos relevantes aqui, você tem um exemplo que é o estádio do Corinthians, né?
Sim, sim. O Mundial, a Copa, a gente fez o Estádio de Corinthians, fizemos o Estádio Atlético Paranaense no Paraná, fizemos aquela parte do retrofit interno das arquibancadas do Maracanã, depois das Olimpíadas fizemos também Arena do Futuro, Arena da Juventude, que é estádio de handbol, estádio de basquete no Rio de Janeiro.
Tem aquelas passarelas também, super importantes.
É, passarelas, a gente tem um monte de cases aí, acho que em volume, as maiores que a gente fez foi em Salvador.
Em Salvador, sim.
Isso, no Complexo da Rodoviária, Complexo de Imbuí, E são passadas bem robustas lá.
Inclusive, você que está ouvindo esse episódio pelas plataformas de áudio, se você quiser ir assistir em nossas plataformas de vídeo, está passando algumas imagens desses cases que o nosso convidado está trazendo aqui. Agora, para fazer a primeira pergunta, eu gostaria que você fizesse, Rafael.
Com certeza, é um prazer estar contigo.
Obrigado, Rafael.
Se apresente um pouquinho para as pessoas também. Sou o Inger Rafael dos Santos. Autista com supernotação, tem que falar, né? O pessoal que está me vendo, às vezes vai notar que eu não vou fazer essa comunicação visual, mas oral. Nós conseguimos. Trabalho com o desenvolvimento de sistemas construtivos, desenvolvimento de novos sistemas, ensaios, laudos e documentação normativa. Além disso, sou patologista e construtor de estruturas. Eu, inclusive, visito uma dessas obras que ele citou e, para quem não sabe, É uma visita em São Paulo, visitar a Arena Corinthians.
Concordo contigo.
A solução... Cara, eu não tenho sentimento, cara.
Eu tô arrepiado.
Porque a solução que se deu ali, são quatro apoios.
Exatamente.
E assim, são nós. É uma concepção de solução metálica digna de melhor solução no mundo de primeiro mundo. Quando se observa, e eu observo muito, estádios de Giuseppe Meazza na Itália, Alianz Arena, e por incrível que pareça, ninguém tem uma solução tão usada quanto Divão. Primeiramente, né? Vamos lá, é sul.
Quase duzentos metros, cento e nove metros. Duzentos graus. Dos lados norte-sul. Eu não sei se você sabe, não era bem o tempo aqui, mas...
É um aquecimento.
Eu tô mesmo. Essa arena do Corinthians foi uma das montagens mais complexas, porque estruturalmente aquela cobertura funciona como uma placa. O único ponto rígido que segura tudo é no bloco oeste, no lado oeste. Todas as outras colunas do lado leste são bi-rotuladas, na base e no topo, em dois sentidos. Isso quer dizer que as colunas não param de pé, elas simplesmente se equilibram, elas conseguem transmitir esforço vertical, mas elas não transmitem nenhum tipo de esforço horizontal para a estrutura de concreto onde se apoia. Então o que acontece? Até que a estrutura estivesse integralmente pronta, conectada ao lado oeste, com o lado leste, através daqueles dois grandes vãos do lado norte e sul, a estrutura era instável. Então a gente montou, a gente criou contraventamentos temporários em todas as colunas, nos dois sentidos ortogonais, diagonalmente, e fez a montagem para aquilo ficar estável. Pouca gente sabe, é uma curiosidade, mas a gente teve que montar aquelas colunas fora de prumo, inclinadas para o lado oeste, porque quando a gente decimbrou os lados norte e sul, elas foram montadas em cima de colunas, A estrutura se acomodou como tem que se acomodar, tudo se acomoda, né? E ao se acomodar, ao diminuírem a flecha, elas aumentaram de extensão. E ao aumentarem a extensão, como o lado oeste era rígido, elas empurraram o lado leste em torno de cinco centímetros pra trás. Então as colunas estavam fora de prumo, elas vieram pro prumo depois do decimbramento. Então foi uma operação muito legal.
Isso, eu acompanhei. Acompanhei isso. Eu falo não só como um corintiano, tá?
Você é corintiano?
Sou corintiano.
Ah, não.
Isso não.
É, porque somos operários, Comissão Civil, tem tudo a ver. Mas é sensacional essas soluções. Essa, de maneira geral, ele trouxe... O que ele traz aqui é de uma riqueza técnica. Que quem tá ouvindo não tem noção.
E gratuito. Conteúdo gratuito. Como eu falei no início.
Isso aqui é case. para um doutorado. Estou falando alguma mentira?
Acho que não. Esse projeto, o projeto que foi o cálculo, veio da Alemanha e a gente foi para a Alemanha mais de uma vez ajustar esse projeto. Até essas ideias dos pinos duplos foi uma ideia nossa, adequando o projeto que inicialmente era uma solução até teoricamente mais limpa, era uma rótula esférica embaixo, uma rótula esférica em cima, mas trazendo pra realidade brasileira o custo disso ficava...
Gigantesco.
Enorme. Então a gente falou, bem, dá pra simular esse efeito de rotação de uma esfera perfeita trazendo pinos em dois sentidos que fazem basicamente quase o mesmo efeito, mas essa diferença de um pro outro é desprezível versus o ganho econômico que se tem.
Esteticamente também é... E agora podemos falar.
Da pauta do episódio. Vamos falar dos desafios na construção de pontes metálicas. Pode fazer sua primeira pergunta, Rafael.
Quando nós falamos de pontes, nós falamos sobre ligar, nós falamos sobre proporcionar a capacidade de respeitar um conceito constitucional. Às vezes a gente se esquece disso. A gente garante ir e vir quando a gente fala de uma ponte. A dificuldade, o Brasil, a gente tem uma situação de... a gente não tem mar no Brasil. a gente tem só o oceano, o bairro pelo oceano diretamente, e uma quantidade gigante de rios. Então as pontes elas se tornam um meio de viabilidade de conexão e de propiciar esse direito constitucional a muitas pessoas e garante que muito do progresso do país chegue em situações, principalmente ajudando em déficit optacional, porque ajuda a chegar, ajuda a chegar alimento. Então a importância da ponte não só como elemento de estrutura, gostaria que você falasse, Pode chamar de Zé Augusto?
Pode chamar de Zé Augusto. Aliás, é o nome de guerra.
Então, Zé Augusto.
É, porque ele lembra o cantor, né?
Não é?
Que não é o cantor.
Essa parte eu não sei se é tão positiva.
Nem sei, assim, não o nome, só a sonoridade. Então, Zé, a parte que eu gostaria que você falasse, até depois pra gente entrar na parte técnica propriamente dita, mas a importância da construção das pontes pro desenvolvimento local e o desenvolvimento como um ecossistema mesmo. Ou seja, vou pegar dois exemplos. Ponte Rio-Niterói e terceira ponte que liga Vila Vela à Vitória. Para mim são cases que explicam muito o desenvolvimento dessas capitais. A terceira ponte, a questão dela como um case, mas a parte, para quem não sabe, ela é mista. E a questão da ponte Rio de Janeiro também, que é um colosso para a engenharia do mundo como um todo. Qual que é a importância dessas pontes e da facilidade delas para poder propiciar esse desenvolvimento e garantir que essas coisas aconteçam no âmbito geral e social do nosso povo brasileiro?
Exatamente como se falou, hoje em dia existem alguns elementos, sejam da natureza ou feitos pelo homem, que criam essa separação, ou um rio, ou uma linha férrea, ou uma estrada, que acabam deixando limitado esse direito de ir e vir, e que acabam criando separações muito grandes. Eu lembrei de um case aqui, que ainda não virou realidade, mas a gente estudou muito a fundo isso, mas eu acho que é super relevante comentar dentro do que você tá falando. Faz alguns anos atrás a gente estudou um projeto na Argentina, em Buenos Aires, que era um edifício-ponte. Ele liga o barco da Recoleta, que é uma área nobre da cidade, por cima de uma série de linhas férreas e uma estrada, para uma área do outro lado, que se chama Barrio 33, que é uma área extremamente pobre. O interessante é o seguinte, do lado da Recoleta aqui tem uma estação de metrô, e aquele edifício-ponte, que ia ser uma sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento, ia, no seu teto, ser uma passarela de pedestres, e ia possibilitar que toda aquela população do outro lado tivesse acesso ao sistema de metrô já existente em Buenos Aires, que é um bom sistema. Ou seja, traria uma mudança de vida, de deslocamento, de facilidade, integraria um lado muito rico e um lado muito pobre. Então isso é um exemplo icônico, esse prédio não foi executado ainda, espero que volte a pauta e seja executado, a gente tinha feito um processo de montagem por empurramento lá, que era lindo, uma obrigeria fantástica. Mas como você falou, existem muitos exemplos desse. Niterói com certeza se desenvolveu muito mais por conta do ponto de rio Niterói. A gente tem N casos desses que o outro lado, Porto Velho, eu estive em Porto Velho, antes daquela ponte. O outro lado não tinha valor nenhum, o outro lado do rio, madeira. Depois que fizeram a ponte, começou-se a levar a cidade para o outro lado, o desenvolvimento econômico possibilitou mais áreas de moradia, etc. As cidades quando vão crescendo e ficam limitadas, chegam na beirada de um rio e param, ou chegam na beirada de uma estrada e não tem acesso para o outro lado. Quando você cria essas conexões, você traz qualidade de vida. Agora tá se construindo uma ponte lá, no nosso estado, no Paraná, sobre a Baía de Guaratuba, verdade? Quantos anos tem essa demanda da sociedade, né? Que tem essa separação Guaratuba de um lado, Caia do outro, aliás, isso... O Paraná é um dos poucos estados que não existe esse trecho da BR-101. A BR-101 vem do Rio Grande do Sul pra Santa Catarina, aí entra em diagonal pela 376, e depois você sobe pela 116 e volta pra 101 em São Paulo. Essa ponte, logicamente, não está se tornando um trecho da 101, mas ela está permitindo uma circulação contínua.
Tem uma redução de tempo, né?
Claro, uma redução. Hoje ainda é operado pelos ferryboats, né? Mas o ferryboat, além de ser demorado, no verão tem filas quilométricas pra pegar balsa, né? Às vezes tem ventos que mais de uma vez o ferryboat já se perdeu, né? Ficou a deriva, né? Pelo risco com a população. Você tem uma ponte, não. Você traz o direito de vir a qualquer horário, com segurança, né? E com agilidade.
Velocidade e descontrole.
Exatamente.
Velocidade e essa ponte que você se A gente já comentou da ligação de Vitória e Vila Velha, tem um case muito interessante que foi essa ampliação das ciclovias, não sei se você... Sim, sim, ciclovia da vida. Eu achei sensacional, inclusive eu visitei algumas. Metálica.
A gente participou dessa cotação, acabamos não fechando, existem muitas obras A Fera é uma das grandes empresas de estrutura metálica no Brasil, talvez uma das maiores, mas obviamente que existem dezenas ou centenas de outras empresas.
Eu achei bem interessante essa possibilidade de construir aquela ciclovia que, assim, não tinha outra forma de fazer que não fosse o aço.
É, exatamente. E você sabe por que você chama ciclovia da vida aquilo?
É bem curioso. Eu sei, mas eu prefiro que você fale. Inclusive, quando eu estava lá, algumas vezes que eu fui lá pra acompanhar a montagem, três situações que eu tenho certeza que você vai citar. O que é?
De fato, né? Infelizmente, é uma ponte icônica e... Ela não tinha parapeitos muito altos, e ela é uma ponte muito alta em relação ao mar, e o pessoal acabava usando a ponte para se suicidar. Então, ia caminhando lá pela ciclovia existente, pela lateral, chegava no meio e pulava. Então, essa ciclovia da vida, o que ela foi feita? Além de possibilitar um trânsito de pedestres e bicicletas muito mais seguro em relação à ponte existente, eles fizeram aquilo com as telas laterais de proteção, e que não permite mais que as pessoas consigam pular. Então, trouxe essa preservação da vida e além de uma melhoria, obviamente, no trânsito de ciclistas e pessoas.
É bem bacana. Inclusive, como eu te falei, a gente tava lá à noite gravando e vira e mexe. do nada assim, a pessoa tá lá, tentando se jogar.
Outro case que a gente não mencionou, mas de ponte também, essa sim a gente trabalhou, a terceira ponte. Eu moro em Florianópolis, estou morando atualmente em Florianópolis, e lá temos três pontes também, né, Pedro Ivo e Colombo Salles, e a primeira, fantástica, é de Cílio Luz, de 1929, sua inauguração. E a gente participou de todo o processo de retrofite dessa ponte, e também foi acrescentada de um lado uma ciclovia extra, porque inicialmente quando foi feita era uma coisa meio estranha, só tinha uma ciclovia de um lado, embora ela tinha uma preparação pra ter ciclovia de outro lado, talvez por uma economia à época, não sei. E a gente fez isso, e de fato, além de ser um cartão postal, é uma conexão que ajuda muito no trânsito ali, pra quem vai daquela parte do Parque da Luz pro outro lado do estreito, né? Você chega em regiões muito mais próximas, né? Do que dar a volta pelas outras pontes. Lógico que ela tem uma capacidade de circulação menor, porque é uma pista simples que vai e outra que vem, né? Não são três faixas indo e voltando como nas outras pontes, mas ela... do ponto de vista turístico ali, ela ficou fantástica. Eu acho que a cidade acertou muito lá, onde ela opera com uma ponte normal de segunda a sexta, e no final de semana de feriado ela é fechada para veículos, só é aberta para pedestres e bicicletas. Então vira um parque. Você tem um parque sobrevivendo.
Qual é o grande desafio técnico na construção de uma ponte ou passarela metálica?
Veja... Tem diversos desafios, mas um dos maiores é geralmente o... o processo de montagem, o lançamento dessas peças. E aí, a gente fala ponte metálica, mas eu quero fazer jus, eu acho que não existe nem ponte metálica, nem ponte de concreto. Existe ponte de concreto armado, que tem um monte de aço dentro do concreto, existe ponte mista metálica, onde você tem um monte de aço e também vários elementos em concreto. Eles se ilusivam, caso a parte é só metálica, mas não é um tipo de solução mais eficiente.
E nem tão comum.
E nem tão comum, exatamente. A gente como engenheiro, antes de ser alguém da área de estrutura metálica, sabe que se você tirar o melhor de cada material, você vai ter a melhor solução. Eu trabalho com metálica, eu não sou, jamais sou a favor, contra o concreto gente, que isso, o concreto é um material fantástico, para compressão o custo-benefício do concreto é maravilhoso.
Tem espaço para todo mundo.
Isso é importante a gente reforçar, porque acho que a gente precisa acabar com esse negócio de cada um defendendo o seu. A gente precisa unir mais o setor, porque acho que isso também é uma premissa aqui do ConstriCast, que quando a gente une, inclusive a união entre arquitetos, engenheiros, as pessoas que estão ali no dia a dia da obra, acho que a gente precisa falar de união, não só da união de sistema como um todo, mas também da união das pessoas, de diferentes áreas na construção.
E a união... A escolha dos melhores materiais, não pelo material ser melhor, mas é o mais adequado àquela situação. Existem algumas coisas que são patentes e ninguém questiona, mas existem outras que têm diversos caminhos. Por exemplo, você já imaginou uma cobertura de um galpão de grande vão sendo feita em um concreto? Dá até pra fazer, mas fica uma coisa grotesca. Vão de 40 metros de cobertura, bota uma viga de concreto lá pra você ver.
E a espessura?
A espessura, o peso sobrecarga nas fundações, nas colunas, visualmente fica pesado, consome um material enorme. Então o aço não, você consegue vencer vãos de 40, 50 metros com, seja uma viga, uma cheia, seja uma tesoura, uma treliça, de uma forma muito mais leve, muito mais bonita, muito mais esbelta. Então é adequado. Agora, em muitos casos você vê a cobertura sendo metálica e a coluna sendo de concreto, porque a coluna sob compressão consegue ser mais econômica que o aço puro. Então, essa mistura de materiais é super positiva. Você tem que usá-lo. E na ponte a mesma coisa. A gente não é tolo o suficiente pra achar que eu consigo dar uma solução mais econômica em vigas em aço sempre, não. As pontes pequenas, de pequenos vãos, 10, 15, 20 metros, a solução em concreto geralmente fica mais econômica.
Apesar de que... Se você quiser resolver.
Rápido... Ah sim, claro. Você falou de rapidez, eu vou te dar alguns exemplos. Tem um exemplo de agora, que tá acontecendo nessa semana, que a gente fala aqui. Me ligou um cliente, não vou trazer o nome dele, no último dia de agosto. mas... E falou, Zé, tô com um pepino aqui, eu preciso fazer uma passarela, que é uma contrapartida nossa, numa obra nossa com a prefeitura, etc, ligar aqui sobre um rio que é um parque da cidade, e eu preciso disso muito rápido. Eu falei, tá, mas em quantos meses você precisa disso? Ele falou, não, você não tá entendendo, eu preciso... Em 20 dias. Em 20 dias, exatamente isso. E eu falei, você tá falando sério? Ele falou assim, tô e acho que só vocês podem me ajudar. Falei, então tá bom, então vamos lá, me manda aí o projeto, o que você tem, o que você precisa.
36 horas pro projeto.
E vamos fazer. E bem, nós estamos falando agora do comecinho de outubro, né? No dia 3 de outubro. E vou te dizer que é uma ponte pra pedestre, né? Tá quase pronta. A gente conseguiu fabricar e no meio do caminho ainda teve a revisão do projeto. Descobriram que ela teve que aumentar dois metros a mais, né? Porque na hora que foram fazer a fundação, teve um problema ambiental lá, o Ministro falou, não, aqui não pode cortar, coloca mais longe a fundação, os embasamentos laterais, os encontros, e a gente teve que aumentar o voo em mais dois metros. Então, esse tipo de coisa, sim. A gente consegue fazer muito rápido. Você quer ver um outro case? Já tem vários anos atrás, uns oito anos atrás, teve um deslizamento na Dutra, na região de Arujá. Então, uma pista dupla, uma das pistas, por um trecho de mais de 100 metros, 120 metros, deslizou e levou a estrada em hora. E o pessoal, obviamente por ser Dutra, pela importância da estrada, pelo volume de tráfego, precisava de uma solução rápida e mais do que isso, que não trouxesse nenhum tipo de interferência pra outra pista que tava operando, que era a única, que ficou num trecho que tivesse uma pista simples. Então a gente fez um projeto lá de 311 de 40 metros, fabricamos as vigas muito rápidas enquanto eles faziam novos apoios lá de concreto, os apoios de concreto, e montamos essa ponte inteira, os 311 de 40 em uma semana. A gente estava com o material pronto, ou seja, terminou o concreto, a gente estava com o material pronto, começamos a operação, conseguimos trabalhar pelas duas cabeceiras sem ter que vir ao lado.
Uma situação, desculpa te interromper, Zagusto, porque assim, até aproveitar que eu preciso do Rafael. Numa situação como essa, que você tem que fazer uma intervenção muito rápida, pelo outro lado, o concreto, você tem ali o tempo de cura.
Sim.
Né?
Em quanto tempo é possível, Rafael, aproveitando vocês dois aqui, é possível fazer uma intervenção dessa com essa solução mista, né? Você tem que preparar ali a base de concreto para receber essa estrutura metálica.
Eu não sou especialista em concreto, o Rafa vai me ajudar mais, mas hoje tem tecnologias de concreto de alta resistência inicial que tem um curto prazo, porque a resistência característica do concreto que a gente aprende na faculdade é a 28 dias, mas hoje em dia você consegue obter isso em prazos muito mais curtos, mas tem N cases da parte metálica, Por exemplo, a gente fez uma outra ponte com uma empresa parceira nossa, onde a gente fez o fornecimento, e eles fizeram a montagem. Uma ponte ferroviária pra rumo ali em Santos. Eles fizeram a troca da ponte, era uma ponte antiga, precisava receber uma ponte nova, por maior capacidade dos trens, por deterioração mesmo, ponte que tinha dezenas de anos lá. Eles fizeram a troca da ponte numa madrugada.
Numa madrugada, né?
Eles fizeram um sistema de cavalete dos dois lados da Via Férrea, né? De um dos lados eles montaram a ponte nova durante alguns dias, deixaram ela pronta, né? O outro lado deixaram o cavalete vazio, né? Chegou o horário, não sei se foi onze da noite ou meia-noite, que passou o último trem. Thumbs up, aprovação, corta o trilho, pega a ponte velha, arrasta para o lado, um sistema de barco hidráulico, pega a ponte nova, empurra para o lugar, coloca no lugar, solda os trilhos de volta, quando dá cinco da manhã, obra pronta, o próximo trem que vem, entre o intervalo de passagem dos três fizeram uma troca de ponte.
E uma coisa legal, que esse aço que saiu ali vai ser todo reciclado.
Com certeza, com certeza.
Você tinha comentado, Acho que dois pontos eu vou pegar esse gancho.
Sim, sim. Eu inclusive ia voltar lá pra falar do... É... Da cura.
Hoje a gente tem concretos de... É... Alto desempenho chamados, que atinge até 200 MPa. O Brasil não é uns HPC, ia ter uns nomes mais bonitos aí. Porque pra ele, que tá fazendo a ponte, tem duas coisas importantes pra gente saber. Quando ele fala que eles têm essa característica, até pra quem tá ouvindo a gente, pra gente tornar essa comunicação mais fácil pra eles, né? Porque a gente tá aqui todo especialista, a gente conhece.
Eu não sou especialista, tá? Eu sou... Eu tô do outro lado.
Hoje, gente, vou colocar um caso real, tá? Eu sou o engenheiro que tá auxiliando o Zé. É o Zé e o Rafa, né? O Zé me liga, Rafa, hoje é quinta-feira, me ligaram aqui que nós vamos precisar de fazer um aponte aqui rápido. Cara, segunda-feira eu tenho que montar. Como que vai fazer? Tá, me dá o que você precisa. Olha, isso vai montar na segunda, mas quando ela vai ficar disponível para uso? Isso é extremamente importante no processo de construção e de concepção da solução. Por quê? Ele vai me passar dois valores. Ele vai me passar a resistência que eu vou precisar de operação. De operação, cada apoio vai... Porque o ácido tem algumas características distintas do concreto, em transmissão de momentos e outras coisas. Então o ácido vai transmitir para o apoio basicamente a compressão, ele vai trazer essa característica para nós, ele vai absorver muita coisa. E aí ele vai falar assim, eu preciso de 120, vou colocar em MPA para ficar simples para as pessoas, uma única medida, vou precisar de 120 dos apoios daqui duas semanas, daqui três semanas, desculpa. Mas para uma semana, que é segunda-feira, eu só preciso de 20. Porque é o que eu preciso, ele precisa estar rígido pra eu poder assentar a mistura do metálico que é leve. Aí a gente não precisa de ter a resistência, te respondendo, final. Eu posso ter a propícia, a mínima, e a gente estabelece o projeto. Qual a resistência que eu preciso ter pra quem a gente chama de resistência de disforma? que para o psi ele poder executar, porque a estrutura dele é leve. Então isso acho que é sensacional, porque a solução que o Zé traz para o Rafa, ele dá ferramentas para que eu entre com um concreto que vai ter 150 MPa final, mas ele vai entregar, ele pode ser um ari, pode ser um concreto alto, alta resistência inicial, ele vai trazer em 4 ou 5 dias a resistência que ele precisa para poder trabalhar e terminar de montar e fazer a conexão entre esses dois.
Claro, quando a gente faz um plano de montagem, você leva em consideração várias coisas, mas Inicialmente, como o Rafa falou, você tem que ter uma resistência ao peso próprio da estrutura. Enquanto você tá fazendo a montagem, ela tem que resistir ao peso próprio. Ela tem que resistir às cargas maiores de utilização, à sobrecarga, em um momento posterior. A gente faz muito disso em prédios múltiplos andares. Muitas vezes a gente faz com colunas mistas. Então você projeta uma coluna metálica que é totalmente suficiente para suportar o peso das próprias estruturas, consegue ir avançando rapidamente e depois vem concretando, seja dentro de um tubo, seja por fora de um perfil, criando esses pilares de uma forma mais resistente, que serão necessários para resistir os esforços futuros, esforços de ocupação do edifício, esforços de vento, que só acontece numa fase posterior, o vento durante a montagem é um pouco menor, você não tem as paredes fechadas ainda, o prédio tá oco e vazado, então pega uma certa carga de vento, mas é menor do que aquela carga final. Quando a gente faz uma montagem de ponte, voltando ao nosso assunto, o cálculo da viga para a etapa de lançamento, que lançamento é a montagem, é bastante diferente do cálculo da viga pra etapa de utilização. Até porque você tem uma inversão de esforços, né? Quando a viga tá montada, ela tá apoiada pelas extremidades e recebendo carga que traz uma flecha de sentido pra baixo pra ela, né? Quando você levanta a viga, não, você pega ela pela parte superior com o guindaste, a curvatura dela é diferente, ou seja, durante a utilização ela tem tração Parte inferior e compressão na superior. Durante a montagem, ela tem tração na superior e compressão na inferior. E é um dos grandes problemas de montagem. Porque a viga, geralmente, a compressão na parte inferior é o teu limitante. Porque se ela não resistir o suficiente, ela dobra durante o içamento. Então você tem que criar maneiras de içamento, seja içar os pares travados, seja fazer o que a gente chama de engessamento, que é o aumento de... de rigidez transversal da peça.
Ou estrutura, ou trabalhar pelas extremidades, só com instamento central, ou criar situações pontuais, né? Colocar um travamento de reengessimento de alma, contraventamento... provisório pra poder montar a estrutura, que uma coisa que ele fala importante, muito importante, que o pessoal não sabe do processo é, a engenharia ela lida com o como e com o quando, com muita importância. Isso é muito importante pra engenharia, às vezes uma solução de uma estrutura que tá pré-moldada, metálica, em algum lugar, a gente tem o desafio de que muitas vezes ela vai atender, mas eu não consigo chegar com essa peça lá.
Veja o sentido, esse é um outro fato. Por isso que eu falei que as estruturas metálicas nas pontes, elas têm vantagem nos vãos maiores. Porque uma peça pequena, ela tem menor peso. O trabalho, a operação de lançamento é mais fácil. Uma solução metálica pesa entre 20% a 25% do peso de uma solução em concreto.
20% a 25%?
Isso, de 4 a 5 vezes menos. Então, por exemplo, uma viga de ponte de 30 metros de vão, uma viga pré-moldada em concreto, vai pesar aí 90, 100 toneladas. Uma viga de ponte dos mesmos 30 metros em estrutura metálica é 20 toneladas por aí. Então, o que acontece? Você lançar uma peça de 100 toneladas a um certo raio, requer o uso de uma máquina extremamente robusta. Se você lançar uma peça de 20 toneladas ao mesmo raio é um equipamento muito menor. Então quando você chega num certo raio do lançamento e num certo peso de peça, o concreto fica inviável naquele formato. Ou você usa outros formatos, tipo usar uma treliça lançadeira, que é metálica, né, pra conseguir levar a peça lá. Ou vai levar a peça através de uma balsa e saco dois string jacks, etc. Mas tem casos que não é possível. Ou você parte pra uma solução metálica, que você consegue ainda fazer um sistema de montagem. Então muitas vezes não é O preço da peça em si é a fabricação, mas é o preço da solução completa montada.
O processo é o cômodo.
O processo, isso.
E aproveitando essa... Não sei se isso onera o custo da operação, quando você vai para essa estrutura de concreto, já que eu tenho uma diferença de peso significativa, o meu custo de cimento ele eleva significativa?
Com certeza, não é só ele. Impacto no entorno também. Exatamente. Você eleva tanto que às vezes chega a inviabilizar a obra porque o custo de montagem e lançamento inviabiliza. Pra você ter ideia, estamos falando hoje, pra dar alguns números agora válidos em outubro de 24, o preço de fornecimento de uma viga metálica, uma obra de grande importe, da parte que se chama de subestrutura nas ligas dos travamentos, a gente deve estar falando aí em torno de, dependendo de muito imposto, no Brasil muda imposto, em semestre pode ser 0, 7, 14 até 22, mas enfim, uma média de 16 reais o quilo. enquanto o preço de montagem pode ser muito econômico, se você consegue ter acesso aos guindastes logo embaixo das bases, caso de um viaduto, que você tem acesso inferior, vai gastar aí 4, 5 reais pra montar. Ou você pode ir pra 10, 12, 15 reais o custo da montagem.
Você pode ter o mesmo valor do material. pra montagem.
Exatamente. Você veja, outro caso interessante que a gente fez, quando a gente tem desafios, a estrutura metálica começa a entrar com uma solução muito bacana. Vou dar dois exemplos aqui. Quando a gente fez a transolímpica no Rio de Janeiro, nós fizemos uma obra da transolímpica na chegada da Brasil, foi uma das alças, em ligação das duas. Uma das alças eles resolveram com concreto, mas na outra alça existiu uma adutora da sedai de água, dois metros de diâmetro, um tubão de dois metros de diâmetro, e eles precisavam também de um gabarito acima de mais dois metros para fazer a substituição da tubulação no caso do rompimento, do não-rotenção. Então isso deixava pra gente um gabarito de altura do viaduto muito baixo. Ninguém conseguiu resolver em concreto. Ninguém conseguia ter uma solução em concreto tão esbelta que conseguisse vencer os 60 metros de vão livre em curva e com uma altura pequena. Aí foi um cálculo que a gente fez, uma solução que a gente deu, fez esse projeto, não só foi um desafio de cálculo, de engenharia, mas na hora de montar também, mas do outro lado aqui tem a Brasil, vocês não podem colocar o Guinás, montem lá do outro lado do rio. Então a gente pré-montou a viaduta para o outro lado do rio, um córregozinho ali, e levantou com ela para o lado de cá.
Isso em quanto tempo? Essa montagem, assim?
Essa montagem... Bem, o prazo da pré-montagem, né? Como a gente lá era um caixão todo soldado, levou um pouco mais. Levamos aí dois a três meses pra fazer a pré-montagem. O lançamento da peça pronta é questão de um dia. É rápido. É rápido, é.
E existe também uma outra forma, né? Que a gente tá falando aqui de chegar embaixo. Levantar a estrutura é mais simples porque você tá trabalhando num eixo só, né? A gente fala chega, é igual chegar e colocar. tem uma dificuldade nas peças de concreto armado pra ponte, que é não só, e aqui eu vou tentar exemplificar, é não só você... olha que interessante, eu tenho essa caneca aqui, ela tem um peso X. Quando eu pego essa caneca aqui, é uma coisa, Quando eu pego essa caneca aqui, é outra coisa. Então a gente tem um ângulo de ataque e um ângulo de limitação logística, onde não é só a robustez do equipamento que vai e sai essa peça, mas onde ele estará instalado por conta do peso, que a gente chama de braço de alavanca, o conceito do momento aplicado na transferência.
O aço...
É sensacional para quando nós temos justamente o que ele está dizendo. O aço às vezes propicia de um lado de uma ferrovia ou de uma via, seja ela hídrica ou não. Eu estar aqui, vamos supor que essa mesa é que separe, às vezes o aço eu pego daqui e coloco o elemento. O concreto eu não consigo porque eu teria que estar com esse equipamento.
O raio de operação é muito perto. É, você vira o seguinte, né? geralmente se refere aos guindastes pela sua capacidade. Um guindaste de 30, de 50, de 100, de 400, 500 toneladas. Aí você fala assim, vou levantar, vou fazer o ensamento de uma peça de 40 toneladas. O leigo pode falar, bem, aluga uma máquina de 50 que trabalha com sobra. Ela só consegue levantar 50 toneladas no raio da operação mais curto possível, mínimo raio. Não! À medida que você vai aumentando a distância, a capacidade, dependendo do plano de ringue que você faz pra levantar uma peça de 50 toneladas, você pode precisar de uma máquina de 200, de 300 ou de 500 toneladas.
E nessa medida, como que é o uso da tecnologia, né? Porque assim, desde o processo de... de fabricação dessas peças até o momento de içamento. Não sei se está tudo diretamente ligado.
Existem várias tecnologias que são usadas ao longo. Então, começando do básico, o cálculo hoje são feitos em softwares propícios. usa-se o SAP, usa-se o STRAP ou outros para o cálculo da ponte ou qualquer estrutura. Depois a fabricação, hoje em dia já tem vários anos que a gente tem trabalhado só em 3D, questão do BIM, a gente trabalha em BIM já há muitos anos. Então você tem todo o O BIM te ajuda muito nas interfaces de obra e o BIM é extremamente necessário porque hoje em dia os processos fabris estão muito automatizados. A gente não corta mais chapa com maçareca, corta com máquina plasma ou laser. A gente não faz mais furo traçando e descendo na furadeira radial, a gente faz com as máquinas de função automática, seja por punção ou por broca. Mas esses arquivos, que a gente chama de arquivo CADCAM, que traz a informação numérica para as máquinas CNC e comando numérico, eles vêm diretamente do software de detalhamento, então é uma outra tecnologia. Bem, a fabricação, eu falei, várias máquinas automáticas. Existe, já no ramo de estrutura metálica, alguns tipos de robôs sendo utilizados, embora os robôs eles são mais eficientes quando se tem maior repetição. Série. Série. Pra gente que fabrica Se você for hoje na Abrafero, você vai ver lá 15, 20 mil peças em produção, onde poucas são repetidas, a maioria são diferentes. Então, esse fato de você ter que fazer... programação de robô setup para fazer uma, duas, três peças não compensa. Melhor ter precisão, né? Exatamente. Então a gente faz a preparação nas máquinas automáticas, mas as montagens e soldas ainda nos processos manuais. Então, falando da tecnologia de produção. Aí sim, existem softwares que ajudam a fazer os planos de iniciamento, os projetos de iniciamento. E a tecnologia do uso, obviamente, ginastas mais modernos, equipamentos do tipo Strangeq fazer instamentos de grandes cargas.
E tá tudo diretamente ligado? Por exemplo, quando eu passo pra outra etapa, aí eu vou utilizar outra tecnologia? Ou de repente você já usa o dado inicial de uma e transfere pra outra?
O BIM que ele falou não é uma extensão tecnológica. BIM é um conceito. Quando ele fala de BIM, ele não tá falando só de T3D. Quando ele fala de cortar no laser, não é só cortar no laser porque é mais eficiente para ele, porque o corte laser propicia uma única peça, ele vai fazer uma coisa só, ele tem um blocão que ele consegue fazer. Se ele tem numa máquina, ele tem a limitação da própria máquina do eixo, numa CNC ou outra. Então quando fala de BIM, essa integração, o BIM entrega para ele a peça, cada etapa de processo da peça, ele entrega custo, muitas vezes o BIM, e entrega pra próxima disciplina dentro do processo que ele vai colocar. Então, o pessoal que vai projetar e que calculou, ele tem uma integração dentro do BIM com o pessoal que vai pra execução, certo?
Um clicar de botão aqui e sai pronto lá. Mas você tem diversos aproveitamentos, né? Quando você lança um modelo de cálculo, aquele modelo consegue ser importado pro modelo que faz a fabricação. Quando você faz o modelo de fabricação todo detalhado, aquela informação consegue ser enviada para as máquinas de produção. Aquela informação consegue, a partir do modelo de fabricação, você consegue gerar os desenhos de montagem. Então tem essa interligação, você não precisa começar do zero em cada etapa. Mas não, um plano de montagem. Daí já não vem automaticamente daquele modelo BIM. O plano de montagem geralmente é feito de uma forma separada. Ele usa as informações do BIM pra você calcular muitas vezes o centro de gravidade da pesca que foi censada, calcular o peso correto, calcular a geometria correta, projetar pontos de pegas adicionais a partir do BIM. Mas você tem que fazer interações e verificações adicionais que você usa outras ferramentas.
Ah, isso é bacana, porque imagina, você já tem essa facilidade, já coloca tal ponto de içamento naquele local, então isso já é um baita facilitador.
Isso, claro. Centro de massa, centro de gravidade, ponto de içamento, rotação de peça. Isso tudo a gente consegue agilizar muito em função do BIM. A gente fez um outro viaduto muito interessante lá no Rio de Janeiro sobre sete linhas férreas da supervia. E aí, de novo, era um viaduto com 80 metros de vão e a gente não podia criar apoios e não podia interferir na operação férrea. E aí a gente fez o seguinte, fizemos um caixão metálico Mas para a montagem, o caixão tá lá, lindo, projetado, resolvido. Como é que a gente monta aquilo? Não dava para levantar o caixão inteiro, não tinha como pré-montar inteiro e içar. A gente dividiu ele em fatiazinhas, que a gente chama de aduelas, e foi montando uma fatia de cada vez. E aí entram outras coisas interessantes. Nesse caso, um dos grandes desafios foi a questão geométrica, de deformação. Porque assim, você monta um pedacinho do viaduto, um pedacinho eu tô falando, sei lá, 5, 6 metros de comprimento. Suporta o que lhe dá, se liga com a peça anterior e solta ele. Quando você solta, ele deforma um pouquinho. Aí você vai lá no outro dia, na outra madrugada, encaixa o outro. O outro tem a sua deformação própria, mas como ele tá apoiado em algum balanço, ele deforma o anterior. E você, cada vez que isso vai subindo, você tem umas deformações acumuladas. De forma não linear, porque os tamanhos das peças e os pesos não eram iguais, e o viaduto era em curva, então você tem uma... um comportamento estrutural muito particular, e aí você tem que encaixar a última peça e garantir que ela encaixe, seja em alinhamento, seja em torção, seja em tudo. Então essas tecnologias de como estudar a engenharia, como fazer a obra, deixar ela pronta, quem vê o viaduto pronto não consegue às vezes validar o quanto de esforço, o quanto de dificuldades tiveram que ser ultrapassadas.
Não, é muito bacana. Rafael, agora a última pergunta, que depois eu vou pedir para o nosso convidado indicar um convidado para a gente, que daqui a pouco ele tem que fazer uma participação na MCS.
Sim. Não vai ser uma pergunta, mas acho que trazer um pouco mais de algo diferente para o nosso público e para quem nos assiste. Acompanhou aquela ponte da China? A última.
Não sei qual é a última, exatamente o que você está falando. Tem tantas coisas fantásticas lá.
É, a última eu vi, é muito recente inclusive, foi um colosso de... distância, um vale gigantesco, todinha metálica.
Sim.
Esse todinha metálico. E ele comentou do formato de solução muito próximo desse. Eles vão montando essa ponte por trechos.
Isso. Estalhado, né?
Estalhado. Só que é uma tecnologia onde aconteceu exatamente isso que ele tava dizendo, que era cada módulo que eles colocavam, eles iam fazendo, sabe aquelas plataformas, aquele trenzinho, esse tipo de... eu queria que você comentasse um pouquinho, não sei se é muito comum no Brasil, acredito que não.
Não, não, até é mais do que você pensa, você comentou na China, mas eu vou pedir licença e trazer aqui pras nossas terras, que é um orgulho. Quando fizeram a segunda ponte Brasil-Paraguai em Porto Murtinho, exatamente nesse sistema. A ponte é metálica, as colunas são de concreto e os estais e o tabuleiro é metálico. Então foi feito exatamente nesse sistema. O sistema de pontes estaiada é um sistema que vai trabalhando com equilíbrio. Então você tem a coluna, você lança um estai para a parte anterior, lança pra duela pra frente e estalha ela também. Então você vai equilibrando. E assim você vai avançando na ponte e ela vai conseguindo ser montada em balanço, ou seja, balanço é sem apoio, e sendo estalhada, que são os cabos atirantados que seguram ela. Essa ponte foi feita desse formato e agora vai ter uma outra ponte sendo feita sobre o Rio Xingu exatamente com a mesma tecnologia. É uma obra que já se iniciou, a gente tá participando inclusive do processo concorrencial para ver se a gente consegue financiar essa obra, e aqui no Brasil.
Citei por conta do cartão postal de São Paulo, que é a ponte estalhada ali.
Exatamente. Essa ponte estalhada aqui de São Paulo é de concreto, e também é possível ser feita. De novo, cada uma vai ter a sua característica.
Mas a diferença de construção, comparando de uma solução construtiva para outra, é gritante. A questão da... da entrega da obra, assim, vamos dizer assim.
É, cada uma tem a sua característica, né? E, de novo, volto a dizer, eu prefiro chamar de obras mistas sempre, né? Aquela grande coluna, né? Quando você vai na Golden Gate, a coluna é metálica, né? Quando você vai na ponte do Rio de Janeiro, a coluna é metálica, né? Mas nessas pontes, como aqui, o exemplo seja da Ponte Estelar daqui em São Paulo, ou seja, nessa ponte de Porto Mrutinho lá, ou do Chico Xingua, a coluna é concreta. O concreto funciona muito bem pra isso. pra ser coluna.
Mas o style é metálico.
Mas o style tem que ser metálico, ninguém vai fazer um style que não seja metálico. A montagem da duela, que é aquela seção metálica, a meu ver, ela traz vantagens. É uma peça muito mais leve, é uma peça que tem uma resistência versus as seções transversais maior, é uma peça que possibilita a interligação seja por parafuso ou por solda, o processo fabril da estrutura metálica, é isso que a gente às vezes se enrosca um pouquinho com o concreto. O pessoal de concreto usa uma medida centímetro, e o pessoal de metálica usa uma medida milímetro. Existe muita estrutura metálica montada em cima de pilares de concreto, mas eu digo.
Pra vocês que... Tem que ter muito controle.
Infelizmente no concreto eles não conseguem um controle tão grande. Eu digo pra vocês que em 90% dos casos a gente tem que fazer ajuste da metálica porque os pilares nunca estão exatamente no plumo. Ou seja, eles não conseguem com facilidade traduzir a topografia da base para o topo dos pilares, pilares de 15, 20 metros de altura. Sempre você tem uma pequena distorção pra direita, pra esquerda, pra frente e pra trás de nível e você acaba chegando com a ajuste da metálica e ela não encaixa com nenhuma lua.
Mesmo com as tecnologias de forma que a gente tem hoje...
É porque entra numa questão que a gente fala de estrutura. Estrutura não é material. Estudo das estruturas é estudo da geometria, da inércia e do vínculo. Tudo se resume a isso. Quando ele fala da dificuldade, quando você tem um elemento muito esbelto, o próprio elemento, seja ele material que for, tem a deslocação própria em função do próprio eixo, que é o que ele tem de característica para resistir ao próprio peso. Então, quando ele tem lá a coluna ou o pilar de concreto, a própria geometria e a própria inércia dele, que é a função das grandezas de largura e de altura em função de largura e de espessura em função da altura, Trazem com que esse deslocamento seja inerente ao próprio elemento. Ele já é esperado, por isso que ele diz que não é uma questão... Ele pode ser feito ali. Perfeito. Vamos pegar um encamizamento metálico e deixar ele perfeito. Quando tirar o encamizamento metálico, a própria acomodação do elemento vai trazer algum deslocamento. Porque ele fica suscetível. Justamente porque ele não tem o travamento. Ah, conseguiria... conseguiria ser somente se travássemos as partes e mesmo assim há uma dificuldade gigantesca de se manter essas medidas no concreto. Deformações próprias do próprio material, retração... E.
Os próprios mecanismos de trabalho mesmo, né? Sim. Como o pessoal de concreto está acostumado muito a fazer coisas em obras, ou quando o concreto é pré-moldado ele tem maiores tolerâncias, ele é um pouco mais robusto, né? Menos... E na estrutura metálica não, né? O nosso cálculo é milimétrico, o nosso corte a gente garante precisão milimétrica de um milímetro mais ou menos.
Tolerância menor.
Isso. A gente faz ligações com 50, 100, 200, 300 parafusos. onde o diâmetro do furo é 1,16 avos de polegada, que é 1,6 milímetro, maior só do que o parafuso. Você tem que encaixar os 300 parafusos com aquela tolerância de 1,6 milímetros. E faz. A gente faz. Precisão industrial. Quando a gente chega a campo com algo feito por processos muito manuais montados, às vezes por processos manuais, a gente encontra um pouquinho de dificuldade. Mas nada que não se resolva também.
Agora uma pergunta assim, me dá uma resposta em 30 segundos ou 40, enfim, não passa de um minuto. Além dessa precisão, quais são outras vantagens que a metálica traz para a construção civil?
Então vamos lá, acho que uma das maiores é a agilidade, como a gente consegue fazer obras na metade do tempo ou menos em especial edifícios. Maior sustentabilidade porque o aço vende materiais recicláveis, parte do aço é produzido por sucato, e o aço pode ser integralmente reciclado. Você tem a questão de vencer maiores vãos com o aço, ele permite isso. Então você tem obras arquitetonicamente mais desafiadoras.
Exemplo disso é o próprio Distrito Aimbi, que obra linda, diga-se de passagem.
Ontem eu fiquei assim... Trelice espacial.
O AIS tem em São Paulo, uma cobertura em cúpula, em grid shell. A Rua da Saúde em Porto Alegre, depois de morar no Instituto Ingrid Schell.
Museu do Amanhã.
Isso, Museu do Amanhã. São obras que são para ser feita em aço. É difícil outro material que tenha essa característica. Então você tem, em muitos casos, até o próprio custo. Como eu falei no caso das coberturas leves, o aço é o material mais econômico para executar aquele tipo de obra. Então você tem essa série de características, e pode ter outras também, que tragam para o teu desafio específico, acho que você é a solução mais adequada.
Agora, eu vou aproveitar para situar uma palavra a custo e conversando aí no meu dia a dia com meus amigos engenheiros, Eu noto que o mercado tem muita dificuldade de fazer essa conta e aproveitar a presença do nosso amigo Rafael aqui. Rafael, na sua visão, como você entende que os investidores, na hora de tomar uma decisão por um sistema construtivo ou outro, qual que é a conta que essas pessoas devem fazer? Porque não é só o custo financeiro ali. Qual conta o investidor deve fazer para escolher uma solução construtiva, na verdade, predominante em metálico concreto.
Sim, vou pegar o exemplo de um amigo, vou te chamar de amigo, Zé.
Com certeza, com certeza.
Eu tô te chamando de Zé.
E eu te chamo de Rafa.
Já tá aí, tio. O meu não dá pra ter apelido, tudo bem.
Quando nós olhamos pra custos, nós podemos olhar só, a gente tem que olhar sempre os benefícios que nos trazem. O investidor precisa alargar a visão dele, tirar a visão de próximo e olhar um pouco mais distante, ter uma visão de águia, porque daí ele consegue ver o processo como um todo. Quando nós falamos de custo e quando olhamos as possibilidades dos sistemas mistos, e aí aqui agradecendo ao Zé por trazer a nós esse termo, a gente olhar além do custo, porque custo sobre benefício é igual a valor. Então essa razão traz um valor maior pro investidor, porque quando eu consigo transmitir pro meu cliente final, pra quem vai comprar minha solução ou produto, que ali foram empregados processos mais sustentáveis, quando eu falo sustentabilidade em todos os âmbitos, sustentabilidade econômica, sustentabilidade social, sustentabilidade ambiental, sustentabilidade de futuro, que pouca gente fala. E principalmente as práticas atuais como o ESG, trazer a parte da governança, da intenção corporativa, porque hoje as pessoas, que é o cliente final e investidor, precisa sempre pensar naquilo que ele vende, além do custo, mais a margem de lucro embutida no produto dele.
Ótimo, Rafa. Agora, respondendo especificamente na parte do custo, do metal que circula aqui. Às vezes você compara, essa aqui em concreto sai 10, por exemplo. Essa aqui em aço sai 11. Ah, ficou mais caro. Será? Essa aqui, em aço, que custa aparentemente 11, ela tem um peso menor da estrutura, portanto exige uma fundação menor e mais barata. Opa, já ganhei tanto. Essa aqui, que custa 11, vem pronta e te dá 0% de desperdício em obra. Essa aqui, que custa 11 em vez de 10, consegue ser feita na metade do tempo. E quando você fala em investidor, quando de fato a gente tem um investidor por trás, é muito fácil convencê-lo. Você pega um fundo, que vai tirar dinheiro do bolso e colocar numa obra. Por exemplo, num hotel. Ah, o processo normal de construção, estrutura de concreto, etc. Eu faço esse hotel em 30 mesas, em prédios de 20 endares. Aí, ok, ele faz o fluxo de caixa dele, etc. Aí você chega e fala assim, mas vou trocar o sistema pra estrutura metálica. Isso, eu trago de 30, não vou ser tão arrojado, vou colocar De 30 pra 15 meses. Passou na metade do tempo. Tive um capex, hoje em dia, um pouquinho maior. Só na estrutura, com os outros elementos custa a mesma coisa. Fechamento, porta, janela, aula de iluminação. Então, aquilo impacta no preço da obra, se eu considerar 10% mais caro sobre uma estrutura. A estruturação de um prédio, geralmente, leva 20% do custo da obra. Então, 10% entre 20% são 2%. Deixei a minha obra 2% mais cara, por exemplo. Só que eu ganho 15 meses. O fundo fala, como é que é? 15 meses antes, 15 meses antes de receita, 15 meses de custo financeiro que você tomou o dinheiro de mim e me devolve.
Isso.
Ela falou, pode fazer, com a taxa de juros a 11% ao ano, a 12, sei lá quanto que vão parar essa SELIC, pode fazer, 15 meses antes, gastei 2 para ganhar 15 meses vezes taxa de juros 18%, nossa senhora, não preciso fazer conta, tá resolvido já, fica mais barato. Então, isso sim é uma vantagem. Lógico que por outro lado, as obras em estrutura metálica, isso é uma coisa que a gente tem conversado e tentado resolver, elas são obras de capital mais extensivo. Se você quiser que a gente monte um prédio de oito andares em três meses pra você, a gente faz tranquilo, a gente monta em três meses. Mas via de regra, nós que somos executores e não financiadores, vamos esperar que você nos pague em três meses. E aí a gente acha, às vezes o cliente do outro lado fala, opa, em três meses eu não dou conta.
Você esbarra com a disponibilidade do dispendio financeiro.
Exatamente. Por isso que eu falei que quando tem um fundo que tem grana para investir, não é problema. Quando tem um investidor qualquer por trás que tem grana para colocar, não é problema. Quando você depende de vender aquelas unidades imobiliárias com gente que tem uma capacidade de desembolso também limitada, aí você vai ter que resolver isso. Mas hoje em dia o pessoal tem resolvido, tá? Tem resolvido através de CRI, tem resolvido através de outras ferramentas financeiras que conseguem trazer essa disponibilidade de caixa mais robusta que a estrutura metálica exige e é o ferido dos benefícios de uma obra que fica pronta e disponível muito mais cedo.
Vou te trazer a última, já que você contribuiu, vou retribuir a contribuição. Fidelidade orçamentária.
Exatamente.
O concreto tem uma volatilidade maior de custo.
Isso.
Então eu chego pro meu consultor e falo, eu consigo ser mais fiel. Você comprou X em aço, te entrego X em aço.
O concreto é difícil de conseguir isso. Isso, perfeito.
Então é só retribuir.
Fantástico documentário.
Eu vou só contribuir mais uma, tá? Então quando a gente traz isso pra um empreendimento, até pra moradia mesmo, né, prédio residencial, imagina você antecipar um sonho.
Isso, exatamente. Gostei da colocação do Rafa da Fidelidade. Vou te dar dois exemplos que as pessoas não conseguem quantificar e nem precificar, né? Quando você faz uma estrutura de um processo mais convencional em obra, né? E você deixa a parede lá levemente desaprumada e daí o pessoal fala assim, atira no reboco. Atira, mas você gastou muito mais material. Se a gente consegue entregar uma estrutura metálica muito mais verticalizada e alinhada, você gasta menos. Desquadrinho, reboco em tudo. Outra coisa, padronização. Para esse pessoal que cria obras simultâneas, idênticas, sequenciais. Seja dois prédios iguais, seja 50, 100 casas iguais do Minha Casa Minha Vida, outra coisa. Se você faz por métodos tradicionais, Possivelmente você tenha pequenas variações de uma para outra, o aço não. Se você nos pedir para fazer 50 casas, e a gente está com um projeto muito interessante no norte do país, no Pará, o projeto Ter Paz, Territórios pela Paz, com uma série de empresas, com a Vale, com a Hydro.
Já tá sendo executado?
Tá sendo executado já, tá avançado.
Seria legal de acompanhar. Você poderia, inclusive, você poderia viabilizar uma aí da nossa pra acompanhar e mostrar.
Claro, claro. Perfeito.
Pra que as pessoas vejam isso, né?
Teria viabilidade técnica e comercial?
Nós estamos hoje atuando em 28 cidades. Alguns são idênticos, outros são muito similares. Mas nos projetos que são idênticos, a gente faz, por exemplo, um teatro, um dojô, um ginásio. nessa localidade o outro do lado sai igualzinho no milímetro porque a gente produziu peças idênticas ele vai ser montado de forma idêntica então isso possibilita por exemplo voltando um pouquinho antes né possibilita que você encomende suas esquadrias antes e fabrique as antes e quando a gente montar a estrutura se encaixa a esquadria porque nós conseguimos de garantir o vão, coisa que em uma obra convencional não tem, eu quando fui estagiar em obras convencionais lá, não, não, não, a esquadrinha não dá pra mandar fazer, tem que terminar primeiro o concreto pra depois o cara vir medir, medir pra descobrir com quanto ficou de verdade, porque no projeto dizia 2, mas era muito comum ter só 1,98 ou ter 2,02, então o cidadão fabricava a esquadrinha pra cada vão que ele media. Não, na estrutura metálica você fala assim, se é 2, eu vou Inclusive esquadrias.
Eu tenho recebido muitas sugestões. Paulo, fala sobre esquadrias, porque é um dos maiores problemas que a gente vive nas obras, é esquadrias e cachilhos.
Então essa interface com o metálico, ela é muito mais precisa. Então você, logicamente, você precisa ter pequenas tolerâncias, mas são pequenas. Não precisa ter uma tolerância de 2, 3 centímetros. Se você tem uma tolerância de 5 milímetros, a gente já se resolve e sempre faz engajar.
Concreto armado tem a questão do... Vou trazer o termo mais popular, tá? O aperto nas estruturas. Pra quem tá nos ouvindo, o aperto é quando a gente tem que deixar a estrutura do concreto armado trabalhar, encaixar o venarinha e muitas vezes quando isso não é respeitado e aí é instalada as... Esquadrias, quando o edifício recebe o carregamento, o que é o carregamento pessoal? Carregamento são móveis, pessoas, antropodinâmica, que é a movimentação das pessoas, as pessoas não são cargas estáticas, elas se movimentam, a estrutura está movimentando a todo tempo, elas vão... vai ocupar um apartamento, vai desocupar outro. Essa estrutura tá em pleno funcionamento, ela tá se movimentando. Ela é como um corpo, ela é um organismo vivo que tá inserido dentro daquele ambiente. Quando a gente fala da metálica, a gente tem situações... Por que a metálica vem em grandes valos? Porque a metálica, o que a gente chama de flecha no concreto, ou de trabalho, na metálica vai ter um outro conceito. Eu não vou nem entrar, porque senão eu vou ficar cobiçado em responder. Mas eu já tô me policiando.
Eu acho que a gente vai ter.
Que embarcar um outro episódio.
Mas, irmão, você falou de flecha, agora eu fiquei... Agora você me provocou.
Eu sabia! Eu tô aqui, ele vai fazer, irmão.
É, olha só. Quando a gente montou a Arena da Baixada, que é o estádio do Atlético Paranaense... Linda, né? E também tem um vão de 180.
Metros... Ah, não posso. Olha aqui, de novo, ó.
A gente montou, foi um projeto de uma viga treliçada de 10 metros de altura, 5 de largura, são duas vigas que suportam toda aquela cobertura, no sentido do maior vão, que era onde ficavam os gigantes concretos, não dava pra fazer o maior vão lá. E a gente montou com 11 torres de apoio. E aí, por causa da flecha, a gente monta todas essas estruturas demogrânicas com uma contra flecha. A gente faz uma curvatura pra cima, que quando você colocar a carga, ela cede e teoricamente vai ficar exatamente do 0 a 0. Tem pequenos ajustes, mas ela fica mais próxima do 0 a 0. E lá, a contra flecha que a gente teve que dar foi de quase 1 metro de altura no meio do vôo, pra 180 e poucos metros de comprimento, quase 1 metro. E aí você falou que é um elemento que também trabalha, que também... Ela conversava com a gente durante esse momento. Estalava, gritava, e o pessoal que não entendia morreu de medo e falou, gente, tranquilo, ela está conversando com a gente, está se acomodando, né? E de fato, se acomodou, né? E veio parar, e tá lá linda hoje, e o teto abre e fecha e tudo mais, mas é feito um cálculo e ela conversa com a gente.
Vou te falar, se você concorda comigo, tem um termo que eu carrego toda a minha vida, minha carreira profissional, e a galera brinca com os meus bordões. Mas o pessoal me perguntou assim, você é o único cara que vai em obra de fone, por que você faz isso? Eu falo, porque eu não quero escutar ninguém, porque eu escuto a obra. Então para de escutar a obra que ela grita.
Concorda comigo? Ela conversa com você... Escuta a obra. E o metálico é muito bom de conversa, sabe? Já que você falou, vamos caminhar para o seguimento. A gente já fez muita obra no Chile. E no Chile, como você sabe, é um país que é sujeito a efeito sísmico, tem muito terremoto no Chile. Quando a gente faz obra no Chile, a gente tem que observar, existe até uma norma chilena, que é a NCH-203, que ela exige um patamar de escoamento maior, mais pronunciado, ou seja, ele quer que o aço... Mais espaço pra trabalho. Isso, mas que deforme mais antes de romper. Por quê? Porque isso torna... traz pra você mais segurança durante a ruptura frágil, durante um sismo, e também traz muito mais indicações visuais. Quando você vê lá depois um terremoto muito grande, por exemplo, que você viu uma estrutura entortar, ó, perfeito, você consegue ir lá. Se você é muito rígido, como é outros elementos, até o concreto, você acaba chegando num ponto de ruptura mais cedo, né? Você não quer que a coisa resista, resista, resista e mora pra outra história, né? Pra quem é aquelas pessoas que vão acumulando, acumulando e daqui a pouco briga com todo mundo. Não, você quer que ela vá dando sinais, né? Você quer que, opa, tá no sismo, olha o aço. Lá você tem que ter mais de 20% de patamar de escoamento. Então, opa, tá escoando, ó, tá lindo. Porque o aço, quem lembra da Na curva de resistência ele escoa, depois ele aumenta um pouco a resistência e depois ele quebra, ele entra em ruptura. Então você não, você quer que esse patamar seja longo, que ele converse com você, que ele te mostre o que está acontecendo, que te dê tempo de fazer ações ou evacuar, ou o que seja, para só então, numa situação última, acontecer.
O Zé está me dificultando. Não faz isso, Zé.
Vocês começaram a entender, mas a responsabilidade da agenda é sua.
O que ele faz? Pega o autista que não sente nada, daí ele fala, pô, estrutura da Arena da Baixada. Daí eu lembro, arrepio. Pô, Arena Corinthians, ele fala, lembro do desapromo, pô, arrepio.
É que você não viu, é que ele não se aprofundou nessa cobertura do Einstein.
É melhor que não.
Tem bastante coisa pra conversar.
Mas o que ele tá falando é delicioso, por quê? Eu acho que você falou coisas tão importantes aqui que as pessoas não se atentaram. Temos dois públicos. Nós temos o público específico e temos o público que não é do mainstream da construção, que é o público leigo. O público que é específico, o que ele explicou? Ele explicou que a gente consegue atender ainda no Chile com uma norma específica, uma maior variação entre o estado limite de serviço e o estado limite útil.
Isso, exatamente.
Ou seja, ele tá dizendo que o propiciamento de talvez um tratamento térmico diferente numa liga metálica diferente que propicia maior ductibilidade e maior uma plastificação visual, ou seja, é uma norma que a nossa limita, só pra quem tá ouvindo, a nossa norma de metálica limita a deformação ao visual, porque não existe só resistir, mas não pode incomodar visualmente, porque gera desconforto, e desconforto é um item de antropodinâmica, da norma de desempério, último item da 15575, que a metálica também atende. Que é o visual, ou seja, não necessariamente, não vai cair, mas visualmente não vai transmitir confiança. Engenharia não é só resistência. E quando ele fala de sismos e da capacidade da metálica, ele fala de uma maneira técnica gostosa de se ouvir. E vou deixá-la mais lírica, mais doce, até um pouquinho. Que é o quê? Eu preciso... É... E a gente fala do grito, né? Tá conversando. Quando ele falou, tá conversando. É... Vamos pensar assim. Galera tá lá em casa, eu olho pra edificação, a edificação tá falando assim... Ei! Ei! Corre! Corre que eu tô segurando!
Corre que eu vou romper!
Vai dar tempo! Vai que eu tô segurando! E ela vai se deslocando como se ela estivesse cuidando daquelas pessoas. Então, esse estado limite de serviço, o que ele é? Olha, daqui pra lá eu tô me sacrificando por você. Eu ainda tô segurando, eu tô te avisando. É um aviso constante que a gente tem de prazo, que o concreto... E aqui eu vou falar de amizade. Olha que nada a ver. Como tem a ver, na verdade. Quanto mais rígido, menos amigável é.
É isso aí.
Quanto mais flexível, mais amigável é.
É isso aí.
Então quando a gente fala de estrutura, era só pra fazer essa colocação.
É isso aí.
Pra ficar, pra criança que talvez estiver ouvindo, papai, que que esses dois estão falando com esse outro moço aqui do lado? Ah, eles estão falando que quanto mais rígido tiver, Então não sejam rígidos, pessoal, sejam mais flexíveis.
É a metáfora da árvore, né? Você vê agora nos furacões, infelizmente, o Helene, quando a palmeira se curva e deixa flexível, ela não quebra. Se você fizesse uma palmeira, se o caldo dela fosse de sílica, de vidro... Nossa! Mexia pouco, quando via, já tinha quebrado, saindo voando. Na palmeira, não. Deixa o furacão passar, é flexível, se curva e depois volta. O aço tem um pouco disso.
A estrutura imita a vida.
É isso aí.
Nossa, que sensacional. Eu fiquei muito feliz com esse bate-papo. De novo, Rafael, de novo. Não foi programado isso aqui.
Não, deixa a gente perto, só que marca uma agenda mais longa.
Vamos marcar uma agenda longa. Quando você tiver, quando você vier, Pra São Paulo a gente combina alguma coisa, se você conseguir... Vai ser um prazer.
Vir de novo, tá? Eu não sabia que ia ter uma presença tão fantástica, que nem do Rafa.
É sensacional.
Eu que agradeço.
Que bom.
Essa troca com vocês dois... Eu sou apaixonado por engenharia, né? Seria uma área que eu... Seria a minha primeira opção. Minha segunda seria audiovisual. Estou no audiovisual. e feliz por poder contribuir com a engenharia. Então, fica aquela sensação gostosa que nunca estou trabalhando. Então, me sinto, assim, o tempo todo feliz. E, nesse sentido, eu queria agradecer a sua presença, mas antes de você falar as suas considerações, Fez, eu queria que você indicasse para o quadro. O convidado convida uma pessoa que você gostaria de ver aqui, ouvir, que tem muito a contribuir para o nosso setor, assim como foi a sua presença agora.
Claro. Difícil indicar um, né? Porque você deixa tantos de fora, né?
Acho que com a sua autoridade, Rafa, o que você acha? Quantas pessoas...
Eu já...
Quantos convidados ele pode trazer? Deixa o Rafa escolher agora.
Três. Três?
Ele tem uma coisa...
Eu acho que eu dei certo com ele, porque a camisa dele é azul. Tem azul ali.
Tem azul.
É isso aí.
Três, três.
Três.
Três pessoas.
Melhorei.
Melhorou, melhorou. Claro que melhorou. Bem, vamos tentar colocar uma pessoa de cada área.
Bora!
Porque daí fica... Tem uma pessoa da área de projeto que eu admiro, que é um parceiro, já trabalhando com a gente na Brafeira, hoje tem empresa própria, que é o Jefferson, da área de resenha de engenharia e consultório de cálculo. Acho que ele tem muito a contribuir na parte de cálculo de dimensionamento.
Convida ele aí.
Jefferson, venha para o podcast. Eles vão fazer contato contigo, aceite, por favor. Acho que ele vai. Encaixando a agenda, ele vem com certeza. Eu queria convidar quem mais? Pra parte de montagem, né? Muitas dessas peripécias que eu contei aí, quem desenrolou isso tudo foi o nosso diretor de montagem, o Adriano Joslin. Queria convidar ele pra vir aqui. Adriano, venha contar um pouco mais, que você sabe os detalhes de montagem. Eu só tô contando as histórias que eu vi um pouco e escutei bastante. E quem mais? Vamos ver.
É...
Materiais?
Da área de materiais.
Pra falar dessa líquia, desse aço, das inovações.
Pois é, então vamos lá. Eu vou convidar mais uma pessoa da parte de aço. Bem, a gente depende muito, né? Do fornecimento de aço, né? E vou convidar um parceiro que tem nos ajudado bastante, que é o Paulo Hakt, né? Diretor comercial da Gerdau. Eu acho que pode ser uma pessoa fantástica pra falar. de materiais, entende muito de aço, entende muito do mercado, e pode contar um pouquinho pra vocês desses aços especiais que a gente usa em ponte, que é um material com alta resistência à corrosão, ou materiais especiais que tem esse alongamento maior, ou outros tipos de materiais que eles produzem, que é um dos maiores cidades lúdicas do Brasil hoje. Paulo! Não fique bravo comigo, vem pra cá, tá? E o Paulo fica aqui em São Paulo, é mais fácil trazer ele aqui.
Pelo porte dessa conversa, eu tive uma ideia agora que surgiu agora de repente pra gente levar isso, talvez, lá pro auditório da FATEC. Cara, você... Levaria pro auditório da FATEC, convidaria estudantes e outras pessoas pra participarem. E pra essa rodada eu traria também uma pessoa que eu admiro muito, que você conhece. É uma mulher, Rosane Bevilacqua.
Claro, Rosane trabalha junto com o Paulo em áreas distintas.
Sim, a gente traz, porque acho que.
Essa... Sim, a Rosane é fantástica.
Esse complemento, né? A gente tem ali também duas pessoas da indústria pra fazer essa troca, acho.
Que o Cariá... Pode trazer, a gente marca um pequeno incidência, a gente vem todo mundo pra cá, fazemos um dia de conversas e essa troca é fantástica.
Imagina a oportunidade de a gente poder, né, conseguir proporcionar isso para o mercado.
E abrir também uma oportunidade para perguntas, porque muitas vezes a gente está no dia a dia, a gente já tem algumas respostas. Mas que pro pessoal que não tá no dia-a-dia, às vezes, algumas coisas são tão nebulosas como é que aquilo é feito, né? E a gente pode responder e ajudar a esclarecer.
Eu falo isso porque, assim, como eu vivo muito no dia-a-dia de obras, assim, de diferentes portes, né? Então, eu noto um pouco a dificuldade, às vezes, até conversando com Luiz Henrique Ceotto, que você conhece, com a própria Luiza Maringoni, enfim, pessoas, o próprio Zanettini também, que é uma pessoa muito querida e comigo demais. Eu acho que a gente pode trazer, de repente, usar, né, o Constra e Cash pra dar oportunidade pra um número maior de pessoas não só ter a oportunidade de ouvir e assistir a esses conteúdos, mas também de ter a oportunidade de, sabe, de conhecer pessoas como você, como Rafael, como a Rosane, essas pessoas que você indicou. Seria uma...
Maravilhoso, maravilhoso. E queria deixar mais uma informação, eu agora nessa próxima gestão da ABSEN, da Associação Brasileira da Construção Metálica, eu me juntei à diretoria, vou ocupar vice-presidente das estruturas metálicas, também queria colocar em nome da ABSEN, a associação, a disposição de vocês, ela pode ajudar, ela pode trazer esclarecimentos técnicos, indicações de profissionais, empresas de todas as áreas. Atua em todos os setores que tem relação com a estrutura metálica, com a construção metálica, desculpa. Seja na parte de estruturas, na parte de torres de distribuição, lá existe o frame, o revestimento, etc. Quem não conhece, acesse o nosso site. E eu sei que a partir daí a gente tem muito interesse em divulgar cada vez mais, esclarecer essas dúvidas, trazer informação para o mercado.
É muito bacana, e abriu um postre teste, até de portas abertas pra vocês, porque quanto mais união a gente conseguir trazer, a gente de fato vai ter uma construção muito melhor. Fazemos parte de uma sociedade. Quando temos uma construção melhor, no final todo mundo ganha. Então é esse o meu desejo.
Com certeza.
Que bom.
E aí, Rafael, fechamos com chave de ouro?
Chave de diamante.
De diamante. Zé Augusto, não tenho o que falar.
Obrigado, obrigado pela oportunidade, fico feliz de vir aqui, voltarei outras vezes se convidado, e esse evento da FATEP pode marcar que eu vim.
Tá, então você já está convidado para voltar outras vezes, e mais uma vez, pessoal, você que chegou até aqui, ajude na divulgação desse conteúdo, você vê, não é? Não é... Detalhe, você não precisa pagar por isso. Pegue esse conteúdo, compartilha com estudantes, engenheiros, com investidores, né? Enfim, toda cadeia da construção precisa ter acesso a um conteúdo com duas pessoas que, além de serem brilhantes tecnicamente, tem muito como ser humano pra contribuir com cada um de vocês, inclusive comigo. Obrigado, José Augusto.
Eu que agradeço.
Obrigado. Valeu.
Valeu.
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