Construção é arte: Engenheiro, autista e gênio Rafael dos Santos e a importância da mão de obra #108

Rafael dos Santos, an autistic engineer, and Paulo Barros discuss whether construction is art and why construction workers deserve better recognition and regulation. They argue tradespeople like bricklayers and painters express creativity in their work, and propose registering and training workers to grow the profession from 3,000 to 12,000 skilled laborers.
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Fala, galera! Eu não sou o Paulo Barros e você não está no ConstrueCast também. É um DesconstrueCast hoje e nós vamos falar sobre coisas... Coisas.
Coisas aleatórias.
Coisas aleatórias. Esse aqui é o...
Eu atrapalhei?
Lógico. Esse aqui é o Paulo Barros, tá? Hoje ele tá aqui do lado, na posição diferente. Porque a gente se definiu assim.
Deixa eu só colocar meu celular no silencioso. O seu também tá no silencioso?
Lógico que não. O seu pode ficar.
Por quê?
Porque sim, mas eu sou eu.
Tá, a gente já vai poder começar então.
Já começou, filho.
Não, tá de brincadeira.
Eu não sou o Paulo Barros. Aconteceu um negócio interessante que a gente resolveu falar hoje, que é sobre... A gente foi numa feira, né, Paulo? Você lembra que feira que era lá? É um evento lá do... Da semana passada?
É sábado.
Sábado da semana passada.
No encontro de montadores de construção a seco.
Enquanto for um por um brigando, vocês não vão conseguir nada, porque mais importante do que o trabalho feito é a mão de quem faz.
Me tocou mesmo.
Não foi brincadeira, não. O quadro jamais é maior que o artista.
Por que eu tô te perguntando isso? Imagina um arquiteto. O cara desenhou lá um negócio e tal, fez um projeto lindo.
Cheiro bom.
E várias... Pão de queijo, cara. A gente tá gravando, Gabriela.
Gente!
Rafa, posso continuar?
Vai logo!
Agora imagina que um arquiteto faz um projeto de uma obra e se você fala que, pelo que deu a entender ali, ou seja, em uma obra você tem vários artistas. Um pintor é um artista, um pedreiro é um artista, um montador de drywall é um artista. Queria que você falasse sobre isso, qual foi a sua intenção com aquela fala?
A intenção, na verdade, assim, de uma maneira, é, logicamente, que é controverso. Inclusive, eu já ouvi de artistas de que a obra é maior que o artista, ou seja, a obra, ela transcende. Mas, na minha cabeça, de uma maneira.
Lógica... Tá passando balneário, inclusive, aqui atrás, na TV.
Olha, esse lugar é bonito, né, cara? Também temos que voltar lá, inclusive, né? Esse é um exemplo bom. Por quê? A galera fala, ah, eu tenho tal prédio, eu tenho tal situação, mas quem tá por trás disso? Porque é o seguinte, a expressão, ela está no artista. Se eu pegar de uma maneira geral, num âmbito mais lógico, do nada, nada se cria. Ou seja, se eu tenho algo criado, eu tenho algo que estava em algum lugar. Nem que seja a expressão ou a vontade de acontecer. Em algum momento, esse artista expressa essa vontade. O que é a arte? Aí começa a gente ter que responder o que é a arte. Mas a gente entraria em uma questão filosófica. E, como você perguntou, para o Rafa, essa livre expressão, a arte pode ser considerada a livre expressão do artista, de uma maneira muito simplória, muito simplista, muito sintética. Então, se ela é a expressão do artista, eu vou te dar um exemplo. Na questão que a gente fala de livre expressão do artista, um pedreiro, como você comentou, O mesmo método construtivo, se eu ter um pedreiro fazendo uma coisa e um outro pedreiro fazendo a mesma coisa, rebocando o muro, o muro é diferente. Se você chegar perto, o movimento de um é diferente do outro, a coloração fica diferente. Então, uma coisa não é igual à outra. Uma coisa não fica igual à outra. Então, essas coisas, elas mostram que ali tem uma livre expressão desse artista. Porém, o artista só é artista porque produz uma arte. Mas o que é arte? Se é a livre expressão, enquanto ele pensou a arte, já não é a própria arte? Ou seja, se eu penso um quadro, esse quadro nasce quando eu pinto? Ou nasce quando eu executo? Por que que eu tô dizendo isso?
Olha só, viajei agora.
Porque ó, vamos lá. A gente teve agora recentemente uma escultura. 18 mil dólares. Que ela, não tem nada ali. Mas o artista deu uma declaração de autenticidade. De que a escultura, ela existe. É uma notícia. Aliás, coloca aí pra gente agora, Matheus. Vamos lá. Já que vocês me chamam de Google. Ah, sobe um pouquinho. Não, não, não, não, não, não. Ali ó, isso, sobe aí, isso. O artista italiano Salvatore Garau vendeu em 2021 uma escultura invisível, ou seja, imaterial. Olha lá o nome dela. Io Sono, Eu Sou Italiano, por mais de 18 mil dólares. A obra não existe fisicamente, ela é composta apenas de espaço e energia segundo a visão do artista. Isso comprova meu ponto. Oi! Se a arte só é arte quando é realizada, a partir do momento que eu tenho energia, quando eu tenho energia na minha sinapse neural, quando eu tenho eletroquimicamente uma sinapse neural que gera energia, segundo Salvatore Igaral, porque ele conseguiu precificar apenas a energia e o espaço. Então, se algo em minha cabeça, no tempo e no espaço, eu tenho energia para pensar de uma forma criativa, já é arte. Então, se eu ainda não transformei, ela está ainda contida em, está dentro do artista. Logo, ela já é arte. Logo, ali a arte já acontece. E se ela já acontece, acontece onde? Em algum lugar. Então, se a obra é maior que o artista, eu estou reduzindo o que é arte. porque eu posso transformar essa arte em algo transcendente, sim, mas aí eu estou dizendo que a arte produz em outras pessoas. É a pós-produção da própria arte. Não que esteja errado a visão das outras pessoas, mas eu estou aqui oportunizando que eu consigo, em mais cenários, expor os meus argumentos. Quando eu tento trazer ele, por exemplo, para os pedreiros, o mesmo pedreiro ele faz diversas fachadas bonitas, ele pinta diversas casas bonitas, mas aquela casa bonita Ela, sem o artista, ela não existe. Mas o artista, ele produz muitas artes, várias artes.
Ô Rafa, só que lá atrás, quando você fala, né, que onde começa a arte, até eu queria que as pessoas colocassem aqui nos comentários, se pra elas, onde começa? Começa na mente? Começa na cabeça? Começa no papel? Só que daí a gente tem um agravante, né? Vou até trazer pra você. Se eu sou um arquiteto e eu desenhei um projeto, aquele pintor, aquele pedreiro, enfim, aquele mestre, essa galera, ele tá só executando algo que eu criei. Esses caras, numa situação como essa, ele pode ser considerado um artista? Por mais que tudo bem, cada um tem a forma de fazer o reboco, cada um tem a forma de rolar o rolo ali na parede.
É uma questão de conceito. Como eu disse, se arte é a expressão da criatividade, O que é criatividade? Beleza, eu tenho que ter aqui um painel com uma cor. Mas o jeito que o cara passa o pincel, ou rolo, muda. Porque senão é só você contratar qualquer pintor. Por que tem pintor que custa mais que o outro? Se é só a cor. Então, se a arte, se o pintor não é arte, por que você contrata pintores diferentes com preços diferentes? Então qualquer pessoa pinta. Se ela não tem expressão artística, se não tem criatividade, se não tem diferenciação. Ah, mas é o recorte. O recorte não muda de um para o outro?
Sim.
Então, é isso que é criatividade. Por mais que tenha que ser pintado determinado espaço, cada um vai pintar de uma forma única e uma forma que expressa a sua criatividade em cima daquilo que tem que se fazer. Inclusive, se eu tirar um pintor de que o que ele faz é criatividade, quando eu encomendo um quadro, então o artista não pintou ele. Fui eu que falei, pinta um cavalo. Então se ele pintar um cavalo, então não é criatividade dele? Interrogação. Entendi. Uai, eu que pedi um cavalo, eu que pensei um cavalo, a criatividade é minha. Ele foi só um executor. Então os esculturistas, ô Michelangelo, cê não é... Nada. Porque alguém pediu pra você pintar.
É, eu tava aqui pensando, imagina.
Mandaram, quero que pinta dois anjos na Capela Sistina. Então o artista é o papa, pô. Não é o cara que pintou.
Imagina, eu sou o seu cliente.
Michelangelo, Rafael e Leonardo são... Nada.
Você é maluco, Rafa?
Oi? Pô, é verdade. É verdade. Então por quê? Porque é o pintor e não é a obra de arte, só tem preço diferente. Eu pago pra pintar o quadro, eu pago pra pintar a parede. Em um eu quero ver uma cor só, no outro eu quero ver um monte de cor. No fundo é só isso, na física é só isso. Mas ambos usaram a tela, seja ela física, mais dura, mais mole, em tecido, alguma coisa, ambos fizeram a mesma coisa. Um com um pouco mais de técnica, outro menos, daí é valoração. Mas pra mim, ambos são artistas. E se os artistas não gostam, problema deles. Eu sou um artista. Eu elaboro coisas da minha cabeça. A livre expressão da minha criatividade produz material de engenharia. Eu escrevo as normas na livre expressão daquilo que eu sou bom, da minha arte. Então eu também produzo arte. Você produz arte quando você olha a luz. A luz precisa ser de tal jeito. Você mudou o ângulo da luz. É a livre expressão daquilo que você produz. Você também é um artista. Então, a vida é formada de muitos artistas. E se a gente for classificar os artistas, logo é uma profissão. Se é uma profissão, está contido em. Se está contido em, a obra não é maior que o artista, porque o artista produz muitas obras, mas as obras só podem ser produzidas por um ou mais artistas uma única vez.
Caraca, Rafão! Quando eu apresento você pras pessoas, eu falo, gente, ó, cuidado. O Rafa, ele é artista com... E.
Tem um... E sou doido.
É sério? Não, você é autista e você é super sincero, então assim... Aí agora eu tô chocado com as suas respostas.
É porque assim, ó...
É... Só pra concluir, Rafa, porque eu sei que você precisa fechar o ciclo. Mas imagina que eu sou o cliente. Sim. Vamos lá, eu sou um cliente, contratei um arquiteto. Eu tenho uma ideia de casa que eu quero.
Falou um monte de coisa.
Tá, falei, dei essas informações pro arquiteto.
Sim.
E aí esse arquiteto executou lá um projeto, me apresentou. Nesse processo criativo do projeto, eu enquanto cliente, tenho alguma participação artística ou não?
Então, aí é o conceito. Há uma diferença entre faça um quadro pra mim de natureza com um animal que cavalgue e que esteja inserido na natureza. E a diferença de pinte um cavalo preto correndo num campo de flores brancas com uma cerca no pôr do sol, vermelho com final violeta, no equinócio, no hemisfério norte, num país nórdico com um deus nórdico ao fundo, aí o cara vai executar o que eu pedi. Agora, quando você expõe para um arquiteto e chega a falar o seguinte, eu quero uma casa funcional, que seja mais aberta, mais clássica. Você está vendo que está sendo generalista? Aquela pessoa precisa livremente criar em cima dos aspectos que você estabeleceu para ela. Logo sim, ela livremente expressou a sua criatividade. E é uma questão de conceito, não é do que eu acho. Se essa xícara aqui, É... Se eu considerar que reproduzi-la... Aí eu vou te devolver a pergunta. Essa xícara tá aqui. Reproduzir essa xícara é uma arte?
Eu penso que não, porque eu estou fazendo uma cópia de... Aí... Aí entra.
Pros especialistas em arte, os filósofos... E aí... Entra o... Podemos olhar aqui... Os cortelas da vida... De que... O que que eu vou chamar isso aqui? Por quê? Essa xícara não vai ficar identicamente igual àquela. Se ela for por mão humana, ela vai ser semelhante.
Ah, por mão humana, entendi.
Mas nem por máquina vai ser idêntica.
Mas será que é isso?
O material não é o mesmo. A argila veio do mesmo lugar. A tinta, o pigmento veio do mesmo lugar. Se eu olhar microscopicamente, eu vou enxergar inúmeras diferenças. Então, tudo depende do referencial. Tudo depende de quanto eu estou olhando para isso. As coisas se parecem a partir do momento em que nós estamos observando determinado ponto de vista. Do ponto de vista da física, nada é igual um e o outro, tudo é único. Nenhuma xícara que parece igual não é igual. Esse cara que parece igual, não é igual. Ele é semelhante em um nível, nesse nível de coisas, nessa quantidade, nesse tamanho. Vou colocar assim de uma maneira bem didática. Para o tamanho das coisas que nós enxergamos, isso aqui é igual, um é igual ao outro. Essa xícara é igual a sua xícara. Mas do ponto de vista, quando eu me aproximo muito, elas não são iguais. Elas são diferentes. Entendeu? Em tudo. Tanto na essência, na origem, na execução e na forma e na expressão. E aí quando a gente fala em forma, expressão, a gente tá falando de arte. São as maneiras as quais a arte se manifesta.
É, cada um é igual, pelo menos na minha área tem muito isso, né? Eu tenho uma forma de enxergar a luz, inclusive eu já crio a imagem antes mesmo de colocar a câmera na pessoa.
Então, aí é um processo criativo, você já tá criando aquilo que você quer ver. Então é o seguinte, até quando a gente olha pra arte como expressão de arte nas produções audiovisuais, a gente brinca com essa dicotomia que nós estamos trazendo aqui, que é... Qual que é a maior? Por quê? No audiovisual, a nossa tendência é o quê? Mostrar a arte e ocultar o artista. A gente tem uma tendência em mostrar a arte e ocultar o artista. Agora, nós estamos vendo aí, mostrando a arte. Isso é lindo. Mas quem fez? A gente oculta o artista.
A gente oculta.
E normalmente, a gente dá crédito para o idealizador e não para o executor. Vou dar um exemplo, Brasília, todo mundo lembra de quem? Oscar Niemeyer. E o Joaquim Cardoso? Porque sem ele não teria Brasília. Agora, o que é arte? Então não produziu arte aquele ao qual permitiu que aquilo se tornasse execuível?
Ô Rafa, eu tenho uma máxima que eu falo às vezes quando eu vou...
Até defender o... Se mordeu?
Não, Rafa. Eu... Enfim, eu tô comendo esse pão. Relaxa, vamos... Posso continuar?
Mas você comeu ou não?
Não, cara, eu não comi. Você tava vendo, você sabe que eu não comi, pô. Você sabe disso.
Você não comeu nenhum?
Não, eu comi vários aqui.
E por que você falou que não?
Gente, esse episódio, por um acaso, vai pro Spotify, só pra saber.
O Spotify tem vídeo também, tá?
Ah, é verdade. Quem tá no Spotify também, bom, enfim, não sei por onde que vai.
É só clicar lá, assim, mudar do áudio pro vídeo, tá, gente? Canto esquerdo aí no celular. mudar para vídeo.
O Rafa, agora vamos lá, eu tenho uma, quando eu vou defender o nosso propósito enquanto canal, eu falo que o arquiteto desenha, ele precisa de um engenheiro para tornar aquele, aquela obra execuível, enfim, e ele precisa da mão de obra dos operários ali no dia a dia para fazer, para executar. E como que eu trago essa relação de uma forma simples com a sua explicação? Ou seja, dando a importância para cada pessoa dessa cadeia.
Se a gente jogar fora a vaidade de um artista para uma obra, as coisas acontecem. São etapas. É concepção, concepção, o projeto e a execução. Quem concebe, aí eu vou fazer uma relação, como se a mãe das coisas, onde aquilo fosse nascer, fosse gestar, é a arquitetura. Porém, o ideal de um projeto é nascer com arquiteto e engenheiro junto. A gente que trocou o processo de que um arquiteto concebe, manda pro engenheiro, pro engenheiro fazer, porque daí o arquiteto faz uma parede de 3 centímetros. Tô dando um exemplo bem... eu tô sendo... eu tô extrapolando. Mas ele vai lá e monta uma... uma... uma parede muito fina. E daí não coloca pilares ou algo que vai ter que mudar. Chega pro engenheiro, ele ajusta e volta pro arquiteto. Não seria melhor o arquiteto já ir concebendo e conversando com o engenheiro pra saber se aquilo vai passar ou não? Esse seria o caminho ideal.
Mas você acha que isso encurta o caminho?
Com certeza, reduz o processo. Mas aí temos a vaidade de que os arquitetos não gostam dos engenheiros, os engenheiros não gostam dos arquitetos. E não é uma questão de gostar, é uma questão de processo. Para o processo seria muito melhor que ambos pudessem trabalhar em conjunto, junto no mesmo projeto. E dali fosse gestado projetos. Projeto de implantação, que seria o de arquitetura e de detalhamento. Projeto de execução, real, porque o executivo não é o executivo, porque se você não colocar estrutura, você não executa. O projeto executivo é todo o projeto necessário para a execução. E aí você vai projetos complementares. Não é complementar, é um projeto que é tão importante quanto. A gente já reduz a importância desses projetos. Deveria sair tudo das mesmas mãos. É muito melhor... eu vou lá... A arquiteto põe os pontos de energia onde tem que ter, eu calculo aqueles pontos e falo quantos disjuntores vão ter e como vai ser pra funcionar. Do que ela falar onde vai ser os pontos, eu venho e coloco os pontos de novo no meu. Ele não é um processo legal quando eu não tenho engenheiro e arquiteto trabalhando juntos. E a gente tinha que traduzir isso pra junto. Não é porque eu tenho dois profissionais que estudaram de maneira distinta que eles não devem trabalhar juntos. E aí, como eu sempre falo, meu conceito sei somente se é verdade se eu consigo aplicar ele em outra coisa. Então vou aplicar. Tem diferença de enfermeiro pra médico, Paulo Barros?
Eu penso que sim.
Você pensa? Tem, tem. Você aceita ser cirurgia do enfermeiro e daí pegar o teu xixi e ser o médico?
Não, tem, tem muita diferença.
Ah, então, pô! Fala! Então, beleza.
É que eu fico assustado, é que o Rafa é muito gênio, assim, sabe?
Ah, claro! Você acha que você é gênio pra saber que o enfermeiro é enfermeiro e o médico é o médico?
Eu fico com medo da resposta pra você. Será que você não tá tentando me trollar aqui, sabe, Rafa?
Mas eu sei tudo bem de onde trollar, velho.
Fecha o seu raciocínio que eu tenho uma pergunta pra te fazer ainda dentro dessa relação engenheiro e arquiteto.
Então, mas vamos lá. O enfermeiro e o médico. Quando vai pra tua cirurgia, tá o enfermeiro, o médico, o instrumentador e o anestesista.
Tá todo mundo junto.
A obra é o seu corpo. Você não tá vendo, tá aceitando. Por que que na obra você não pode ter o enfermeiro, o médico, o anestesista e o cara trabalhando junto?
Cara, que relação legal você fez.
Pra vocês entenderem, ou seja, o meu conceito é real porque ele se aplica a outras coisas. Eu posso aplicar isso, vamos lá. Eu posso aplicar isso num produto que você compra. Você entendeu? O pão de queijo, pra ele chegar aqui pra gente, precisou de alguém fazer, alguém assar e alguém trazer. Pode ser a mesma pessoa, mas pode ser pessoas distintas. Se ele não trabalhar junto, não chega aqui. A casa é a mesma coisa, dentro de um processo. Então eles podem trabalhar juntos, podem trabalhar em momentos diferentes. Um carro. quem monta um carro? É um cara só? Ou é um parafusando uma coisa, outro encaixando outra, o carro vai passando e eles vão fazendo?
É geralmente na maioria dessas...
É uma linha de montagem todo mundo trabalhando num carro só?
Todo mundo trabalhando junto.
Então, vamos lá. Eu vou mandar um abraço pro Valmir Borges lá, o cantor amigo meu, já ele sempre manda abraço pra mim. E olha, tá convidado pra vir aqui e explicar um pouquinho do que que é arte. Imagina o Valmir lá, com a equipe dele, tá fazendo música. ele toca a música completa sozinho, tipo, sem o baixo, sem... ela não fica completa, ele consegue executar ela somente com a voz dele, consegue, mas ela não tá completa. Ele atinge, já atinge, mas não com a mesma eficiência. É a mesma coisa, eu consigo, diferentemente de uma casa, uma casa, é assim, não tem como eu dizer que não, porque assim, o... o arquiteto, se ele só fizer o projeto, a casa acontece? Estou fazendo a pergunta.
Não. Sozinho não.
Não, não, não. Sozinho não. Só o projeto. Ela vai acontecer?
Não.
O engenheiro, se ele só fizer estrutural, mas ele vai fazer estrutural do que se não tiver um projeto?
Ele precisa do projeto.
Então, mesmo que ele mesmo faça, vai ter que ter o projeto. E se não tiver quem executa? Eu tenho o projeto? Eu tenho uma estrutura para aquele projeto? Ela vai ficar em pé? Mas ninguém executou. Eu tenho uma casa? Não.
Não.
E se eu posso ter uma casa sem ter um projeto? Também não posso.
Também não pode.
Em algum momento aquele pedreiro vai ter um projeto, nem que seja na cabeça dele. Ele não pode fugir de não ter. Ou seja, você que está me ouvindo, você nunca vai fugir do engenheiro. Mas o que você está fazendo é só transformar o seu pedreiro em arquiteto e engenheiro. Você nunca foge. Agora, você quer ter um pedreiro que é arquiteto e engenheiro também? O problema é seu. Porque você gasta mais, você não gasta menos. Então cada um no seu quadrado. Aqui é dar voz e dar valor e dar espaço tanto para o arquiteto, quanto para o engenheiro, quanto para o pedreiro.
Entendeu?
Tanto para a arquitetura, quanto para a engenharia, quanto para a execução. Até o nome é pejorativo. Pedreiro, empilhador de pedras. Nosso sistema construtivo vai ter que mudar o nome. Técnico em execução de sistema construtivo.
Nossa, que legal.
Por que pedreiro? Eu luto pra que as pessoas não empilhem mais pedras.
Calma, Rafa, calma. Tem algum pedreiro assistindo esse episódio? Coloca como você se sente. Imagina, trocar esse nome...
É lógico, hein. O meu propósito de vida é que as pessoas enxerguem o artista.
O artista.
Para de chamar de pedreiro, ele é artista. E aí vão valorizar mais. Porque daí a gente consegue ter distinção real entre um e outro. Quando as pessoas entenderem que, cara, você paga... Não faz sentido pra mim a não valorização da arte na construção. Porque não faz sentido nenhum você gastar os tufos pra... Gasta 15 mil a mais pra ter um carro que tenha freio atrás, por exemplo. Porque é importante pra segurança. E você vai trocar de carro daqui X tempo. Dificilmente uma pessoa fica muito, muito, muito tempo, tirando eu. que tô com o mesmo carro, desde o primeiro carro meu, ainda tá comigo.
É sério mesmo, Raul?
Com certeza. Por que eu vou trocar?
Não me dá problema. Mas não é pelo fato do autismo que você tem dificuldade de mudança?
Isso contribui também, que eu tenho dificuldade de mudança. Contribui também.
Eu quero ver esse carro seu primeiro, eu vou lá na sua casa.
Sim, você vai andar com ele.
Eu vou andar.
Coisa mais gostosa do mundo. Quase 400 mil quilômetros. O carro nunca me deixou na mão.
E eu vou postar aqui ainda pra provar.
Pode postar, pode postar. Meu carro, ele não é nem bonito. Assim, ele tem umas manchas lá, mas de motor tá cuidado. Você entendeu? Por quê? Porque... É... A... A gente... Se a gente olhar pra um todo como o seguinte... Se... Eu dedico 15 mil a mais num carro assim. Eu tô lá comprando um carro. Vamos lá? Beleza? Fala um carro que você gosta aí.
Ah, um carro que eu gosto? Eu gosto de carro esportivo, assim.
Um carro que você gosta?
Um que eu carro gosto. Eu gosto do Civic, do antigo, não dos novos. Eu gosto mais do antigo do que dos novos.
Civic, que ano?
Aquele, sei lá, 2002, 2008.
Caralho, 2002 pra 2008 mudou até o Civic.
Não, ele não muda.
Não muda?
Não, ele pega aquela traseirinha meio... Geração, geração. Muda a geração?
Isso, esse que você gosta é o 2008. Põe aí pra nós. Civic 2008. Vê se tem o RS. Civic RS. Olha lá, esse aí, viu?
Essa é a traseira aqui.
Então, olha aí. 2008, não 2002. Põe agora Civic 2002 pra provar que eu tô certo, que agora é pra provar que eu tô certo, porque é muito teimoso.
Meu Deus do céu.
2002 é outro Civic, filho. 2002 é carro de velho, ó lá.
É, parada.
É assim.
Realmente.
Não liguem os velhos, mas é carro de tiozão, sim.
Não, realmente.
Isso tem a ver com você?
Não.
Então é o 2008.
É o 2008.
Então isso aí não é esportivo.
Ô Rafa, eu posso ir explicando pras pessoas como que você funciona?
Eu funciono?
Sim. Não, eu posso falar, porque assim...
Eu posso falar!
Gente, assim, quando você fala as coisas com o Rafa, ele precisa aprovar. Entende? O Rafa não deixa passar nada, assim, em branco, tá?
Eu sou... porque eu não sou branco, até, porque... Vou deixar em branco, né?
Rafa, a gente não pode falar agora do lance preto e branco.
Eu posso, porque eu sou preto.
Bom, então aí é um problema seu.
Mas eu não posso te chamar de preto. Pode, porque eu tô te permitindo. A partir de agora, chame-me de preto. Não, mentira. Alguém não vai gostar que você me chame de preto. Alguém, alguém. Não fala quem. Não é um apanho em casa. Alguém não vai gostar que você chame de preto.
Então eu já até imagino. Gosto muito dela, respeito demais. Uma pessoa que eu admiro muito.
Vai, ela já acha já que tem um caso. Se você me chamar de preto, morreu. Nunca mais levou orto.
Tô fora de ter um caso com você, Rafa.
Até porque, pra todo mundo saber quem seria quem na relação, gente. Quanto você tem de altura?
Cara, eu tenho 1,70m e alguma coisa.
Eu tenho 1,91m, gente. Quanto você pesa?
Eu tenho peso 73 ali.
Mentiu, 75. Mas vamos voltar pro cívico que é melhor.
Não, tudo bem, vamos falar.
O que?
Cancelado.
Não foi cancelado. Isso aqui. Essa visão representa uma expressão livre artística de um artista que não sabe quem ele é. Logo, é a lei de expressão minha, e a Constituição me permite ser livre na expressão. Isso não condiz com a vida de ninguém, somente com a minha. Eu sou preto, 133 quilos, 1,91 metro. E vai Corinthians.
133 quilos, Rafa.
É, não parece, mas eu tenho. Gordo e feliz. Lembrando que eu sou gordo, minha livre expressão de ser gordo.
E o pior?
Eu amo ser gordo.
O Rafa dormiu na minha casa essa noite.
Num outro quarto. Separado.
Separado. A minha sogra é uma figura. Um beijo pra você, meu amor, minha vida. Ela vira pra mim, nossa, esse seu amigo é muito legal.
Lógico que você é legal.
Eu acho que foi prazer demais aqui.
Eu também acho, sogra dele. Não. Dele.
Gente, Rafa, você é um figura, cara.
E tinha roupas da esposa dele onde eu dormi.
Mentira.
E um espelho. Tinha, pendurado.
É, mas lá ela...
Ele fez tipo, gente, agora eu vou falar, já que dizia que eu vou ser cancelado depois disso, É tipo um espaço pet que ele fez pra mim. Sabe quando você monta espaço pet na sua casa, você põe a casinha, você põe a comidinha, a aguinha e só que alguém lá e tipo assim, não tem banheiro, faz a coisa aqui, não tem nada, tipo, fica aí e põe um lugarzinho pra você dormir? Era eu.
Vamos cancelar isso aqui, Rafael.
Mas cancelar minha livre expressão não pode. É porque assim, quando a gente expressa sobre o outro, ok, mas sobre... é a minha livre expressão. Até porque o direito que as pessoas têm, e que eu acho que isso é muito válido, das pessoas se verem como elas, ser respeitadas da maneira como elas se veem. Então se eu me vejo assim, eu tenho direito de ser respeitado assim. Eu me vejo dessa forma. E eu luto pelo direito que as pessoas possam ser valorizadas de acordo com o que elas se veem. Porque daí eu não tenho uma pessoa que luta tanto pelo direito de poder, dela trocou o nome. Pô, nasceu João, agora eu sou Joana. E a gente precisa respeitar a identidade dessa pessoa. E é um valor que eu luto pra que essas pessoas... Aqui não tem certo e errado, tem o respeito, o amor e o carinho de abraçar essas pessoas. Então se eu quero ser assim, eu não posso mudar o conceito. Nesse conceito, eu gosto de ser chamado assim por quem eu gosto. Não todo mundo, tá? Mas só dizendo que não me chame disso.
Só pro Zy. Eu sou íntimo do Rafa.
Gente, vai ficar ruim esse negócio de íntimo. Tá bom.
Conclui pra gente... Já concluiu?
Eu ganhei o Civic.
Tá, você já ganhou o Civic.
Isso, mas aí você falou o carro que você gosta. Então, e aí eu falei... Carro esportivo.
Carro esportivo. Aí você perguntou um carro que você gosta.
Isso, um carro que você gosta. Civic 2008.
Civic 2008.
Vamos supor que você chegou pra comprar um Civic 2008. Do jeito que você queria. Pra ser esportivão. E aí... Você custou lá na época 150 mil reais. Você chegou pra comprar ele. Um Civic. Você chegou lá agora pra comprar um Civic, vai. Agora. e você chegou lá e o cara falou olha por mais 30 mil você vai levar um aerofólio que vai deixar ele mais esportivo ainda sabe que você faz pode pô e agora e isso esse carro vai ficar com você e depois vai sair um outro civic e você Tem um outro Civic, mais novo. E você vai trocar...
Provavelmente eu tenho um apego por esse modelo aí, tá?
Tá, mas beleza, mas é um bem que tá ali, ele vai desvalorizar. Enfim, você querendo ou não. E você pode viver sem ele? Pode, sim. Agora, você sempre vai precisar de um carro? Não. Você pode trabalhar home office, pode pegar um Uber, pode pegar um trem, pode andar de bicicleta. Agora, uma casa, você sempre vai ter um lugar para onde se abrigar, seja um teto, seja uma ponte, esse teto seja um casebre, esse teto seja um abrigo, esse teto seja uma garagem, esse teto seja um apartamento, seja uma casa. Só que quando chega numa casa, a mesma pessoa que foi comprar um piso por R$ 80,00 m², tem 100 m², E aí ela vai comprar um piso, a mesma pessoa que pagou 8 mil lá no piso, tô dando um exemplo, se ela aumenta 20% lá e ela vai pagar 10 mil, ela paga os 10 mil. Se o pedreiro vier fazer E ela trocou o tamanho do piso. E o cara, ao invés de assentar um piso 60x60, vai ter que colocar um 1x1. E ele vai precisar gastar mais tempo, o risco dele cair é maior, a ventosa que ele vai travar no piso é diferente, ele vai ter que investir, ele vai ter que trazer um ajudante, porque senão ele vai cansar mais. E aí ele vai chegar e falar assim, ficou R$1500 a mais. Eu já paguei o piso, etc e tal. É a tua casa. Então há uma desvalorização por justamente tratar o pedreiro como o quê? O pintor como o quê? O acabamentista como o quê? O azulejista como o quê? O montador de drywall como o quê? Essa galera não tem voz. Ninguém dá valor a esses profissionais. Por isso que uma das coisas que eu entendo é dar voz, não só dar voz, mas fazer com que as pessoas entendam que eles são artistas. E que por isso que poucas pessoas hoje querem ser pedreiro, querem ser zoologista, querem ser comedista, querem ser pintor. Aí a pessoa reclama que a mão de obra tá pouca, mas nunca valorizou essa mão de obra.
E é uma produção tão linda, né Rafael?
O mercado está colhendo exatamente aquilo que plantou durante muitos anos. Banalizou a arte de se construir, os espaços onde vão abrigar suas famílias, seus filhos. Eles passam a mesma quantidade de tempo da escola na casa. Valoriza a casa como você valoriza a escola, a educação dos seus filhos? Valoriza a sua casa como você valoriza o seu trabalho. Porque um terço da sua vida você passa dentro da sua casa dormindo no seu quarto. E você tá banalizando isso. Então a partir do momento que a sociedade banalizou o trabalhador da construção civil, ninguém mais quis ser trabalhador da construção civil e tem uma crise. Então, você que fala que é difícil achar o pedreiro, foi porque em algum momento, quando eu falo você como humanidade, você não valorizou a profissão. Quer que tenha mais pedreiros, valoriza o pedreiro que tá hoje, que amanhã vai ter pedreiro pra você.
E agora, depois desse bate-papo com você, Hara, eu acho que, dependendo de mim, eu não vou chamar mais um pedreiro de pedreiro, eu vou chamar de artista.
Mas ele é um artista. Ele é um artista. Ele é um artista. Lógico, alguns fazem uma arte menos... Mais rústico, isso exatamente. Mais rupestre, mais bruto. Aí é uma questão de você saber que tipo de arte você quer na sua casa. E analisar, e principalmente, né... Ô Rafa.
Será que a Karina já contratou um pedreiro pra trabalhar na casa dela?
Se contratou um pedreiro, já Karina.
Não, mas... Você gosta? A experiência foi boa?
Ah, ela disse que sim.
É, a mãe da Karina teve boas experiências com pedreiro.
Entendi, mas isso é raro.
Esse artista, se ele tiver uma condição bacana, ele vai onde precisar. Então, hoje a sua mãe tá um pouco mais afastada, tá com essa dificuldade de mão de obra. Mas a gente pode ajudar a mãe dela, né, Rafão?
Pode. Eu vejo todo mundo que liga, que quiser alguma coisa.
O Constra e Cash é pra isso, que a gente além de dar dicas, de trazer convidados, a gente também, se precisar ir na obra, a gente vai.
Vai, ué. Pagando bem, eu vou. Se não pagar, eu não vou, não. É, o Rafa é... Ué, eu sou não, ué. Pô.
Mas imagina que alguém que precisa, de repente, fala, ô, Rafa, você tá passando aqui... Não, Rafa, tô falando sério agora.
Onde há necessidade, a necessidade. E precisa saber se eu vou ser útil. Porque provavelmente, se for um problema que eu vou avaliar, ok. Se não, tem que ver a necessidade de eu estar lá. Porque assim, se não há recurso pra você ter quem vai pensar no teu problema, você não tem recurso pra resolver o problema. Então você me chamar lá pra saber assim, ó, o que que eu construo aqui? Eu não tenho dinheiro pra te pagar, mas você não vai ter pra fazer também.
Não vai ter pra fazer.
Então assim, não vai resolver. Ela vai criar um problema pra mim. Mas, assim, a pessoa... Agora, a pessoa não tem condição. Cara, não sei se minha laje vai cair, mas eu sou pobrezinha, não sei, eu preciso de ajuda. Isso sim, na hora. Mas, assim, sem contrapartida.
É, foi nesse contexto.
Isso, pra... Aí, ok. Agora, assim, mas a gente tem que avaliar casa a casa. Porque, na maioria das vezes, eu, até pra pessoas mais... O que eu costumo fazer? Pessoas muito, muito, muito, muito simples, que têm uma casa, eu... eu cobro um valor muito baixo, às vezes não paga nem o meu deslocamento, nem nada, nem 10% de deslocamento, mas a pessoa sente que pagou aquilo. Porque eu, Rafael dos Santos, o meu pensamento é, se eu fizer o bem ao outro, Mas eu, em algum momento, afetar a dignidade dela, como se ela me devesse um favor, eu acho que eu não fiz o que eu tinha que fazer. Porque ela fica com uma dívida que.
A gente chama de gratidão.
É, uma dívida. E eu acho que isso não é correto. Se eu quero fazer o bem, eu preciso fazer o bem. O que uma mão minha faz, a outra não sabe. Eu preciso sair e ajudar essa pessoa. Ela não tem que me dever nada. E eu não tenho que dever nada pra ela. Então eu cobro, eu consigo chegar lá e falar, ó, é isso e isso, quanto é? Não, isso aqui é uma coisa que eu já faço e não tem custo nenhum pra você. E eu que agradeço a oportunidade de vir aqui te ajudar. Aí tá tudo certo. Porque senão eu tô fazendo filantropia. E se for pra fazer caridade, sim, eu faço. Porque também é uma forma que eu tenho de amar o outro. Porque pro Rafa, amor é sacrifício. Então, quando eu sacrifico uma renda que eu posso ter pelo outro, pra mim tá tudo certo. Só que eu nem lembro as pessoas que eu fiz, porque eu sempre coloco na minha cabeça que eu me programo pra esquecer o que eu fiz. Porque se eu lembrar, eu vou ficar feliz com o que eu fiz. E a felicidade que eu trago a mim mesmo já é uma troca do que eu executei. Então, toda vez que eu der uma marmita pra alguém e ficar feliz, eu tive uma recompensa. Eu tô fazendo aquilo em troca de um bem-estar. E quanto custa o meu bem-estar?
É interessante, você já está recebendo... Pra.
Mim, um desprendimento total.
Boa reflexão, Rafa.
Então, toda vez que a gente ajuda alguém, tem que ajudar e tem que conseguir esquecer daquilo. Deu, acabou. E é um exercício difícil. Eu, graças a Deus, depois de muito tempo, eu consigo fazer isso hoje.
É, a minha mãe fazia tanto pelas pessoas. Tanto que eu sabia que fazia bem pra ela.
Então, mas isso se fez bem pra ela, e é controverso, tá? Controverso. Não tô pedindo pra ninguém concordar comigo. Mas caridade, ela conversa com a miséria. Tanto que a gente fala, e aqui entrando um pouco nas questões teológicas, a justiça e a misericórdia andam lado a lado. Então assim, para uma vida equilibrada, pra um bem viver, pra algo que a gente vai conseguir traduzir uma vida melhor em sociedade, ter ambientes melhores. As pessoas, elas recebem bem justiça das coisas, na maioria das vezes. Se eu fiz alguma coisa errada e alguém me penaliza, eu não fico tão puto do que quando eu não faço nada e sou penalizado. A injustiça machuca demais o cerne das pessoas. Tanto que a arte muitas vezes é produzida na injustiça. Quantas vezes aquele artista está se sentindo injustiçado e ele pinta um quadro dicotômico, um quadro dual, um quadro onde tem claro e escuro, onde eu tenho nuances, contrastes. Por quê? Porque essa justiça está desbalanceada e isso ele transmite na arte dele. Uma música, Tanto é que o pessoal fala que emoções e sentimentos ruins produzem boas canções, porque tratam das dores e das situações e das circunstâncias que aquela pessoa está passando.
O Rafa, e essa coisa que você traz agora dessa dívida de gratidão, que é uma coisa que me chama a atenção, até já aproveitando...
Eu já não concordo com esse termo.
Tá, tá bom.
Por quê? Mas termina que eu volto.
Você acha que essa coisa de caridade que você falou na sua... Essa coisa de ficar dando, né? As coisas, ajudando as pessoas. Essa falta de mão de obra que a gente tá vivendo hoje tá ligada ao que o governo faz com o famoso Bolsa Família?
Primeiro que o governo faz caridade. Não tem nada a ver com o que eu tô fazendo.
Mas as pessoas não acham, elas não se sentem numa certa forma, ah, de gratidão, ah, eu vou votar em tal partido, porque eles estão me dando tal coisa?
É muito fácil. Na nossa posição, a gente tem carro, tem teto, tem comida, come o que quer, tem roupa boa. Tudo que é básico pra sobrevivência a gente tem. Tem carinho, tem afeto, a gente gosta da gente, tem cheiro bom. Agora, fala isso pra quem não tem um prato de comida, quanto vale? É muito fácil, muito fácil da nossa posição criticar as classes das quais nós não pertencemos. A gente discute de quem tem mais que não nos valoriza, mas a gente valoriza quem tem menos? É muito fácil conviver com alguém que tá cheirando bem, mas com o cara que tá cheirando urina não é fácil. É muito fácil dizer que não posso vender meu voto por um prato de comida. Mas você já ficou dias sem comer querendo um prato de comida? E outra, não adianta nenhum cara agora falar, eu já fui lá. Foi nada. Tolo. Tolo. Ignorante porque não sabe como é. Desce e vai viver. Faz como Francisco de Assis. Doa tudo que você tem. Saiba que você não tem a chance de voltar pra casa, que você não tem pra onde ir. O dia que você fizer isso, você descobriu como é a vida do outro. Mas você não vai poder voltar pra viver tua vida normal. É por isso a importância de quem tem mais poder. É por isso que é difícil a gente pensar em alguém que tem tudo. Abrir mão de tudo por conta própria pra saber quem não tem nada e pra ajudar quem não tem nada. Cristo fez isso.
Sim.
Mas não vou no exemplo distante, vou no exemplo cotidiano. Se a gente olhar para as questões materiais, a gente tem necessidades. Para cada indivíduo que tem mais do que o necessário, alguém fica sem o necessário. Faz uma reflexão e vai te doer. Todo aquele pouquinho de comida que sobrar, pega um pote, que você consiga fechar ele bem para não cheirar mal, pega uma semana, não fala nada na sua casa. E lava a louça do café da manhã, do almoço, da janta e do lanche. Ou do café, do almoço e da janta. Todo grãozinho, o pouquinho que sobrar, você vai jogando. A lasca do pão, o negocinho, vai jogando tudo ali. Vê quantas pessoas se alimentam que você joga fora.
Aí a gente não dá valor, né?
Mas aí eu volto pra você. Você tá me dizendo, não é isso que... porque essa escassez de mão de obra... A escassez de mão de obra, ela vem da falta de valorização da profissão. Uma profissão que paga bem, que valoriza, tem pessoas que vão querer, cada vez pessoas melhores ir pra lá. Então, quanto pior eu pagar um pedreiro, piores pedreiros terão. Quanto pior eu pagar... Os engenheiros, tá diminuindo a quantidade de engenheiro.
Sério, Rafa?
De engenheiro? Tá diminuindo, tá diminuindo a quantidade de engenheiro.
Mas você falou de bons engenheiros.
Não, de quantidade de engenheiro formado. De novo, vai, Google!
Meu Deus!
Vamos ver se vai conseguir trazer. Um abraço para o Felipe do Engenharia Ativa, ele trouxe isso no Instagram dele. Coloca aí, Engenharia Ativa no Instagram, por favor.
Lá embaixo.
Isso. E aqui o que a gente faz é o seguinte, isso aqui não está patrocinado por ninguém, eu que mandei abrir, a gente dá a voz mesmo.
E é importante que a gente veja o episódio completo. Por isso que eu sou seu fã.
Olha lá, abre aqui a publicação. Azul, à esquerda. Azul, abre aí, por favor. Vamos lá. É assim, já curte e segue. Felipe, ganhou um seguidor.
Eu vou seguir você agora, Felipe.
Todo mundo que quiser seguir, um dos maiores especialistas da avenaria estrutural do Brasil, uma pessoa sensacional.
Tô seguindo agora. É Felipe Engenharia Ativa, né?
Inclusive, ele tá pra vir aqui. Só tá esperando um convite do Paulo pra vir aqui falar sobre engenharia estrutural. E vamos falar um pouquinho sobre sistemas construtivos utilizando a avenaria estrutural, como blocos ecológicos e outros, tá? Vamos lá. O Felipe traz o seguinte, dá um seguir lá por favor, Matheus. Muito obrigado. É isso aí, quem puder seguir ele, se tá vendo pelo ConstruyCast, coloca lá nos comentários, seguindo via arroba ConstruyCast. Beleza?
Ó, eu vou colocar aqui, ó, ainda nesse...
Seguindo via arroba ConstruyCast, todo mundo comentou.
Ó, eu ainda vou colocar aqui, ó, seguindo... Ó, nessa publicação, inclusive, vai aparecer meu comentário, ó. Ó, seguindo... Via arroba ConstruyCast. Via... Arroba... Arroba... Constru...
É isso que nós fazemos, dar voz às pessoas que não conhecem. Mas vamos lá, vamos subir, vamos ver o que o Felipe falou e vamos comentar sobre isso. Sobe aqui por favor. Então vamos lá. Por que tantos desistem da engenharia civil? A evasão nas faculdades é um problema real e crescente. Eles entram motivados e saem. E vai além da matemática. Carga horária intensa, conteúdo complexo, falta de apoio, desilusão com o mercado de trabalho. Olha, desilusão com o mercado de trabalho. Por quê? Mas a culpa é de quem? Do curso, que não coloca bem, da expectativa ou do sistema? Ou seja, você precisa de muito, porque cada vez mais as pessoas não querem pagar o preço que custa o projeto. Daí vai ter pouco engenheiro. Como tem pouco engenheiro, os bons vão cobrar muito. Ou seja, gente, pagar menos agora é pior pra vocês. Vai sobrar só os bons e os bons vão cobrar. Vocês vão precisar e vai ficar pior. Em 2015, o Brasil tinha 360 mil estudantes, aproximadamente, em Engenharia Civil. Os dados mais recentes são de agora 172 mil, metade, 51%. A queda aparece em todas as engenharias. A única que subiu foi engenharia de computação e de software. E aqui nós estamos pelo mapa do Ensino Superior do Instituto Semesp. Obrigado, Matheus. Vocês estão vendo? Então é assim. Eu peguei o dado direto, mas eu preferi vir na publicação dele, isso mostra que eu acompanho toda essa galera de altíssima qualidade. Então quando a gente percebe que a gente tem uma diminuição na quantidade de engenheiros, é o mesmo movimento que aconteceu com os pedreiros. E vai acontecer com os arquitetos. Então todo mundo, a gente tem um déficit habitacional, Teoricamente, era pra ter mais engenheiros, e tem menos. Vai ficar cada vez mais escasso, mais difícil encontrar um engenheiro, e dentro dos engenheiros que estão, alguns que tenham maior capacitação em determinadas áreas. Então, gente... Não é uma coisa simples.
E dizem que o Brasil é uma máquina de produzir engenheiros.
Os melhores. É uma máquina de produzir boa engenharia. O Brasil tem os melhores engenheiros. Os melhores engenheiros que eu conheço, tá? A gente tem N engenheiros bons. Por exemplo, a gente tem pra trazer aqui, Everson Nascimento. Abre pra mim, por favor, aí, ó, Empercon.
É, esse bate-papo tá bem diferente, viu, Rafão?
Isso. E assim, Everson, única coisa que precisa. Arrumar o paredes de concreto ali do lado. Vai pro lado, pro lado aí ó.
Ei, tá ao vivo aqui, ó.
Tá, Everson. Depois você arruma. É que o Everson é muito meu amigo, é uma pessoa espetacular, inclusive me deu um drone. Traz aqui, traz o drone. Eu quero mostrar a empresa do Everson. Um dos maiores especialistas em projetos estruturais de parede concreto. Abre o presente que eu ganhei do Everson Nascimento, amigo meu. Ganhei!
Espera aí, mas você não sabe operar, Rafa. Eu sei operar, então...
Não, mas abre aqui pra mostrar. Você tá longe da câmera, irmão.
Calma, Rafa.
Ô, o presente é meu, irmão.
Mas eu vou abrir pra mostrar.
Ah lá, é só porque eu quebro as coisas.
Não, é que você tem dificuldade pra segurar as coisas, entendeu?
Não pra segurar, eu quebro, eu seguro muito.
Ó, um dronezinho aqui, ó. Eita, Marvado!
Olha lá o meu drone, que eu ganhei de presente. Paredes de concreto e paredes de concreto celular, homologação de sistemas, RTA da TEC, sistemas construtivos. Talvez hoje em homologação, meu mentor, minha referência profissional, pra mim o número um em homologação de sistemas do Brasil é o Everson Nascimento. É um prazer gigantesco esse cara, não só como profissional, na minha vida como referência de pai pra mim, de tudo. Como homem, como família, é um cara que eu pretendo levar pro resto da minha vida, é uma referência pra mim em tudo. Então aqui mostrando a Impercon, engenharia e consultoria, fique descalvado, atende o Brasil todo e fora do Brasil. E cara, e aí a gente chama atenção pra isso. Então pessoas desse nível... É...
O drone daqui. Eu não vou tirar sua atenção não.
Pode continuar falando, Rafa.
Não, eu não vou voar aqui porque tá sem bateria. A bateria tá aqui, mas não tá funcionando.
Você apertou já?
Já.
Ah, então depois... Mas aí tem que carregar, ele já tinha comentado.
Tá, tá descarregada.
Ó. É gente boa, já me deu, já agora...
Não, e ele já é meu amigo, Justice. Você tem toda essa admiração por ele, obviamente. Ganhei um amigo de tabela hoje.
Já ganhou. Vamos trazer ele aqui. Ele vai vir aqui.
E espero que, cara...
Ele vai vir aqui e vamos fazer um por dentro da obra de uma obra dele.
Vamos fazer o seguinte, Rafa. Pela primeira vez eu me senti maior que você. Pega meu drone lá. Pronto. Aí, Rafão. Não.
Viu? Falou que o meu drone é mais bonito.
Porque é pequenininho, vai. O seu drone é menor que o meu, Rafa.
Não, não é questão de ser menor. É que assim, ó. O meu drone é mais fofinho.
É. Abre aí, abre aí, Gabriela.
Meu Deus. Olha lá.
Eu vou deixar o meu aqui.
Gente.
Isso aí é brincadeira, né? É. Pronto.
O cara quer falar mal do meu drone, tá?
Pelo menos de alguma coisa, eu sou maior que você. Mas, Rafa, você não falou que é para eu ser eu, então...
Disse o Freud que as pessoas compensam. Meu drone, drone do Paulo. Não foi eu que disse. Disse o Freud, detalhe, meu drone é branco e pequeno. Eu não quero falar nada. Não me cancelem. Eu só tô dizendo que Freud disse que a compensação. Freud. Problemas. Fale com quem? Não dá pra falar mais com ele, mas... Tá bom.
Realmente, eu acabei de... Não, gente, não coloquem isso. Não coloque isso no episódio. Vamos guardar o drone.
Nossa, e cortes? Esse, inclusive, vai gerar um corte. Você acha que esse vai gerar um corte? Onde é que você fez essa cara? Essa cara... A sua cara está melhor do mundo, porque vai pegar... E o pior?
O pior foi o Rafa num cliente ontem. E você fez essa analogia do tamanho do carro em relação à pessoa.
Eu não sabia que ele tinha uma idade Rã.
E o cara... Rafão...
É a verdade? Eu fui de pólo.
É. E aí todo mundo imagina um ambiente...
Cheio de holandês lá.
Cheio de holandês. E o Rafa me solta uma dessa, que geralmente a pessoa que tem carro grande...
Não só o carro, várias outras coisas.
Várias outras coisas.
Isso aí. A questão da vestimenta. A gente sempre tem questões a se resolver. As minhas eu resolvo na terapia, tomo remédio.
Ah, eu tô fazendo terapia agora, viu?
Você sabe, né? É, mas já temos que ver, né? Porque você tá gostando muito da sua terapia.
Não, eu não tô. Eu não falei que tô gostando dela. Não falei isso, Rafão.
Você não gosta da terapia, então?
Cara...
A sua terapeuta vai ver isso? Você quer ver? Você vai falar...
Eu não falei. Eu não falei que eu não gosto da terapia. Tá muito cedo ainda pra falar.
Ah, tá bom. A terapeuta do Paulo falou que gosta da terapia. Peraí.
O Rafa, vamos agora, gente, esquece o assunto do drone aqui, foi só, enfim, acabei, fui fazer uma brincadeira e me dei mal.
Acabou brincado?
Acabei brincado.
Não, mas você quer conversar com superdotado? Você quer zuar o superdotado assim?
Peraí, gente, o Rafa, ele é autista com superdotação.
Isso.
Quando fala de superdotado, as pessoas entendem outra coisa.
Não, mas eu tenho laudo de superdotação.
Sim, laudo de superdotação, ou seja, tá... Superdotado. Tá ligado ao seu QI. E superdotado é outra coisa.
Entendeu?
Então...
A pessoa faz as coisas erradas, já sei onde você quer chegar.
Tá bom, parou.
Eu tenho dupla excepcionalidade.
Que legal. Mas como você pode provar isso?
Ele tem laudo.
Eu tenho laudo. E o pior é que esse bate-papo aqui, tem uma galera aqui, e eles ficam interferindo no nosso bate-papo, me defendendo o Rafa.
Defendendo a verdade.
A verdade, mas eles não sabem, Rafão.
Eu sou tipo o Capitão América, que ficou negão agora, entendeu? Tipo o Sam Wilson, entendeu?
Entendeu? Gente, agora posso encerrar o episódio?
Não. Vai ficar mais um pouco.
Tá, então, é assim, eu não sei se vocês perceberam, mas eu posso fazer a pergunta agora pra testar se as pessoas ficaram até o final?
Pode. Tá.
Vocês perceberam onde que eu tô sentado hoje?
Na cadeira.
Do convidado.
Seu lugar, a partir de hoje. Nesse bate-papo, eu vou ficar aqui. Eu não sou o Paulo Barros, tá, gente?
Então, você já pensou, Rafa?
Como você se sente aí? Fala a verdade. É gostoso ficar aí?
É sensacional.
Então você já fica aí de vez.
Você gosta de ficar aí no meu lugar?
Não.
Então a gente...
Não, não, não. Na verdade, eu não gosto de ficar aqui no seu lugar. Mas hoje eu gostei de estar aqui com você. Indiferentemente do lugar que eu esteja. Mas se eu gosto de estar no seu lugar, não. Porque é o seu lugar. Agora, se esse lugar aqui for um lugar que eu posso estar, então eu tô feliz nele.
É nosso, Rafa.
Mas eu não gosto de estar no seu lugar. Mas eu gosto de estar com você.
E eu ia falar a mesma coisa de você.
Mas é isso aí. Você tá até usando a camisa que eu uso. É, preto.
É engraçado.
E eu tô usando a camisa que você usa.
É verdade. Inclusive, você participou de três episódios até hoje.
Vestido preto.
Preto. E agora eu tô de preto aqui te representando.
E isso. Olha que legal. Só falta deixar só o bigode.
Não, o bigode, não sei. Meu bigode é muito duro. Meu pelo é muito duro.
O que você acha de deixar assim igual eu? Não tá funcionando. Mas tem que tá lisinho.
Minha barba é cheia, Rafa.
Liso, mas e daí? Faz assim, bigodinho fininho, estilo Martin Luther King. Aqui embaixo, assim, ó. E cabelo raspadinho.
Traz uma dica antes da gente encerrar o episódio?
Não, cara, acho que eu vou deixar a dica é deixar a reflexão. O que todo mundo acha? Se faz sentido. é a gente entender que, pelo menos para a construção, a gente valorizar um pouco mais as pessoas. Além da dificuldade financeira, a gente vê muitos pedreiros, pintores, as legistas, acabamentistas, montadores, se sentindo desvalorizados como ser humano. Onde, às vezes, o cliente, o engenheiro, entra na obra, não dá um bondinho, boa tarde, boa noite, Não reconhece aquela pessoa como ser humano. E isso afeta demais essas pessoas, com a saúde mental delas. E com certeza, gente, se alguém tá trabalhando na sua casa, pode ser que ele não seja um primor, tecnicamente. Tenha muitas coisas a melhorar. Mas uma pessoa sai de casa pra trabalhar, se ela tá sendo bem remunerada, se o ambiente de trabalho tá bom, e se alguém tá exigindo alguma coisa dela, com certeza, não é à toa que essa pessoa tá ali. Então, a gente precisa olhar para essas pessoas como seres humanos, como artistas. E eu tenho certeza que valorizando mais a profissão, tanto do engenheiro, quanto do arquiteto, quanto do pedreiro, a gente vai ter um cenário melhor. Porque mais pessoas vão querer ser engenheiro, arquiteto e pedreiro, e quanto mais pessoas, É, não precisa nem falar, né? É, porque você tem muito mais profissionais, você tem muito mais poder de escolha, você tem muito mais chance de buscar situações melhores. Por exemplo, agora, só pra explicar como eu sou, meu ouvido, eu tô ouvindo uma frequência baixíssima atrapalhar o meu ouvido. Agora, que é uma frequência muito baixa, provavelmente de algum lugar do lado, tipo, eu estou ouvindo. Não é o ar-condicionado. Porque tá me atrapalhando demais. Tá atrapalhando? Tá atrapalhando. É, eu vou tentar continuar, mas sim.
Mas coloca o fone pra gente encerrar com fone, que é nossa marca registrada.
Eu... e assim, ó. Ó, inclusive quando.
A gente for nas obras, eu quero você com esse fone aí, tá?
Pô, mas eu uso fone nas obras. E esse fone. E... É... aqui já melhorou um pouco. Mas a frequência... Ela atrapalha muito, me atrapalha muito os sons. Por exemplo, eu comecei a ouvir um som aqui e agora eu já me perdi em tudo aquilo que eu queria dizer. Mas era isso que eu queria deixar, a reflexão de que... Como que a gente pode melhorar esse cenário? Por que que a gente não tem uma associação? que fala com os pedreiros. Por que que nós não temos encontros com profissionais da Constituição Civil feito por gente da Constituição Civil? Por que que nós não temos aqui? A gente não precisa se ir muito longe, não. Por que que... Agora eu vou fazer uma pergunta pra você, um desafio pra você, Paulo Barro.
Você quer que eu fale a verdade?
Eu vou te dizer o seguinte. Por que que o ConstrueCast não é canal de inscrição dos pedreiros pra gente buscar junto ao poder público... Vamos falar só de São Paulo inicialmente. regulamentação, piso, fiscalização, capacitação a nível governamental, se você conseguir um número de inscrições de pedreiros aqui, eu, Rafael dos Santos, me comprometo, a junto com você, Paulo Barros, mais um representante de classe, seja o Rubens da da BCP, seja a presidente da da presidente da BICIC, da BICIC, da BICEM, ou esses três ou conversar com alguma dessas pessoas, irmãos nós três, conversar com o governador Tarcísio pra ver se a gente dá voz e consegue regulamentar a profissão e dá espaço pra capacitação real no setor e um espaço com que essas pessoas possam reivindicar seus direitos e que a gente possa melhorar o nível da construção civil no Brasil. É um desafio que eu te dou de abrir uma inscrição dentro do eu venho inicialmente estadual e depois, se preciso, nacional, de valorização da mão de obra do canteiro de obra na Constituição Civil, envolvendo engenheiros, arquitetos e pedreiros num movimento único nunca antes visto na história do Brasil.
Posso te dar uma devolutiva?
Manda, bora.
Eu adoro desafios. Adorei, obrigado por confiar em mim esse desafio. Agora, o número inicial que você precisa para iniciar esse projeto? Me dá um número.
Eu quero 3 mil inscrições.
3 mil, tá aqui. Está registrado, está marcado.
E assim, lá dentro eu quero grupos abrangentes. Eu quero mulheres, eu quero pessoas que já foram da Constituição Civil e têm alguma manifestação patológica, pessoas que têm alguma doença, alguma incapacidade, porque tem sistemas inovadores que permitem que essas pessoas trabalhem, que dão essa opção para essas pessoas. Então, é isso que eu quero, dar oportunidade pra todos, entendeu? Então, dentro desse grupo, é pra todo mundo, da cadeia da construção. Então, mas principalmente, por exemplo, pessoal do drywall, pessoal do drywall vem, os montadores, pedreiros vêm.
Você precisa desse número, na verdade, eu vou chamar de classe operária.
Classe operária, eu quero chão. Pedreiro, pintor... E eu quero ser a inscrição Eu quero ser a inscrição número 3. A inscrição número 1 é quem eu quero que seja quem de alguma forma me fez amar isso, que é meu pai. A 2 eu queria que fosse seu pai, tá vivo?
Meu pai.
Tá vivo?
Meu pai tá vivo.
Então eu quero que seja a inscrição número 2.
Então fechou.
E eu número 3.
Meu pai pedreiro, como muita gente sabe e diz que meu pai é pedreiro, vai ser número 2. Seu pai número 1. Eu sou o 4, você é o 3. Fechou.
Então meu pai 1, seu pai 2, eu o 3, você o 4.
Vamos fazer.
E aí a gente segue adiante. Contata pra mim o Pedreiro Cadeirante, que ele já conversou comigo, e o pessoal que participou do dia de pedreiro. Tá. Aí tem algumas empresas que podem ajudar a gente a contatar essa galera, tá?
É, inclusive eu tenho alguns canais, tá? E eu falo que a minha dificuldade hoje é trazer, de fato, a indústria pra esse movimento, tá? Eu sendo bem honesto com você. Mas eu, de novo, eu vou fazer esse trabalho e... porque eu sempre falo que a gente dando voz para essas pessoas, a gente consegue inclusive melhorar drasticamente essa questão de inovação na construção civil, porque a gente dando voz para essas pessoas no sentido de, ah, eu estou fazendo uma aplicação, aqui esse produto não está bom, quando eu dou essa devolutiva para a indústria, a gente consegue fazer melhorias.
Sim, se a gente conseguir chegar a 9 mil, a 12 mil inscritos, também me comprometo a começar a liberar. A gente montar uma plataforma, hub da construção, um hub da construção onde esses pedreiros vão ter acesso a cursos de capacitação online e eventos que a gente vai fazer em parceria com as empresas de maneira gratuita para quem tiver inscrito e participante desse sistema. E daí a gente fomenta internamente esse sistema e dá acesso a essas pessoas para que elas possam se capacitar. E isso com uma forma de associação mesmo, para a gente poder ter normas de regulamentação, buscar capacitação, buscar banco de que uma construtora possa vir e buscar os que estão capacitados dentro desse movimento. Para a gente poder fazer com que a construção civil no Brasil cresça, eles saberem precificar, ensinar para eles que a gente vai ter condições de trabalho melhores, acesso aos equipamentos de segurança, a importância dos equipamentos de segurança. E isso de uma maneira que, pô, se todo mundo tem um conselho, uma associação, por que não os pedreiros? Por que não? Por que ninguém luta por eles? Por que ninguém é voz pra eles? E eu vou ser, porque pra quem não sabe, eu sou pedreiro.
Sim, eu também sou pedreiro.
Eu tenho o diploma de engenharia, mas eu sou pedreiro.
Agora só pra complementar, você vai deixar eu fazer engenharia ou não?
Eu vou te ajudar a fazer engenharia.
Show. Eu vou fazer engenharia, eu também vou ter diploma de engenheiro, porque muitas pessoas pensam que eu sou engenheiro, mas não tenho diploma de engenheiro.
Sou engenheiro de tabela. Existe uma pessoa que vai ajudar muita gente nisso, eu gostaria que você trouxesse agora. É o pedreiro engenheiro. Abre pra mim, por favor, Matheus. O Eliel.
Vai ganhar um seguidor agora.
Isso. O Eliel, ele vai ajudar a gente. Olha lá, de pedreiro a engenheiro. A nossa história, ela se conversa. Eu tenho uma admiração muito grande, Eliel, por você. E eu tenho um desafio pra você. A gente conversou sobre isso, Eliel, e montou um plano, alguns anos atrás, da gente dar voz aos pedreiros e capacitá-los. E ele já faz isso, de certa forma, mas no movimento sozinho. Ele já faz isso, ele já tem uma escola que ensina pedreiros, coisa simples, né? Então, eu quero dar maior voz e ele ter um instituto, tá? E eu quero trazer, expandir a nossa ideia com a experiência que ele já tem relacionada ainda, que é o pedreiro engenheiro. E eu quero que ele, ele vai ser responsável por pelo menos 10% desses 3 mil, então 300 pessoas ele vai conseguir trazer dentro dos contatos dele que ele vai mandar para fazerem a inscrição na nossa no nossa associação de pedreiros no Brasil todo então a gente vai conseguir chegar nisso é um cara maravilhoso que também se eu chamar ele vem para cá tá é um cara que vem aqui fazer e é um cara que eu queria contar a história dele aqui e como que a história deles se conversa com a minha história. Então, nós já temos Felipe Engenharia Ativa, Everson Impercon e o Eliel. São três pessoas, são dois engenheiros, um engenheiro de projeto de avaliação estrutural, um parede de concreto especialista em homologação em sistemas e o outro pedreiro engenheiro, para a gente fechar o pacote e trazer essas pessoas e dar voz para os verdadeiros grandes profissionais do mercado da construção civil no Brasil. E eu tenho certeza que hoje é um marco, hoje nasce algo muito grande e genuíno. E é legal, a equipe reunida e nós estamos em seis, né? Três de lá, dois de cá e você que está nos assistindo. Um abração, um beijo, tamo junto e não vou deixar ele acabar.
Out!
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