Construção Híbrida: Como Concreto e Estrutura Metálica Transformam Grandes Obras | Podcast

João Carlos da Leonardo Prefabricados explains hybrid construction, which combines prefabricated concrete and steel structures. He discusses why Brazil needs to industrialize building, the technical advantages of each material, and real projects like Allianz Parque and a data center in Pinheiros.
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Sejam todos bem-vindos a mais um episódio diretamente aqui do Allianz Parque em São Paulo. A gente está falando muito de construção metálica, mas agora eu vou abrir um pouquinho para a gente falar de construção híbrida. Eu estou hoje com o João Carlos, que é diretor da Leonardo Prefabricados. E o que o concreto, aliado à metálica, como que a gente pode ter construções muito melhores? Este episódio é um oferecimento MBP IsoBlock. João, seja bem-vindo aqui ao Constricast. É um prazer enorme receber você aqui no nosso canal.
Obrigado.
Eu queria que você falasse um pouquinho da importância da gente falar mais da construção híbrida, tendo em vista que quando você tem a melhor solução construtiva em uma obra, é a obra que ganha, porque você não precisa impor aquele... Ou seja, a obra que pede concreto, ela vai concreto, e onde pede aço, pede aço. Como que você enxerga esse cenário, onde tem muita gente defendendo um outro?
Bem, estou aqui num evento da Abicem e aqui realmente hoje está se falando da metálica, mas na verdade é um evento onde se fala de construção e hoje o foco é a industrialização da construção. Então é difícil hoje pensar em sistemas estanques, falar de concreto ou falar de metálico ou falar de madeira ou qualquer outro sistema alternativo. Vamos pegar esse exemplo aqui, o Alliance Park. A estrutura embaixo toda é de concreto, concreto pré-fabricado. Aqui em cima é metálico. Então esse é um exemplo de que é onde você tem que aplicar todos os materiais para tirar, no seu projeto, o melhor resultado. Obviamente, quando a gente fala de elementos para pura compressão, o concreto é muito eficiente. Quando a gente fala uma cobertura como essa, seria impensável fazê-la com concreto. Eu diria aqui, não falando só como pré-fabricador, mas hoje também ocupa a função de vice-presidente do Conselho Estratégico da BICIC, que é a Associação Brasileira da Construção Industrializada do Concreto. E mesmo dentro da associação, hoje o que a gente pensa é sempre naquilo, que para cada projeto, em cada cliente, você consegue dar o melhor resultado. E isso normalmente passa por obras mistas. Não adianta querer lutar contra. Isso é consenso e, como eu já disse, essa obra que é onde nós estamos é um belíssimo exemplo disso.
Só que, nesse caso concreto, ele só não aparece, mas ele existe, ele está aqui.
A estrutura, estamos em cima de concreto. Todos os estacionamentos, todas as arquibancadas é concreto pré-fabricado.
O João, falando de industrialização da construção, existe limitação quando a gente fala, por exemplo, imagina que eu quero criar em um projeto. É possível criar e também ter escala ou eu fico muito limitado? Pergunta de leigo, tá?
Eu diria que não é limitação do criar. A limitação existe algumas vezes por questão de logística. Quando a gente fala de regiões metropolitanas como São Paulo, elementos pesados para serem transportados de grandes dimensões nem sempre é viável pela logística desses materiais chegarem até o canteiro de obra ou pela condição do equipamento de montagem, um grande guindache ou uma grua. que ter construções convencionais ou mesmo estrutura metálica feita com módulos pequenos todos parafusados muitas vezes viabilizam pela. Agora quando não existe essas limitações de logística ou de acesso aí é uma questão realmente de projeto. Se a gente falar de alguns países um pouco mais avançados, onde já tiveram a passagem da construção deixar de ser tão artesanal para a construção industrializada, se a gente falar de cases como alguns países europeus, isso já aconteceu na década de 90 e agora que está acontecendo aqui no Brasil. Por quê? São vários fatores, mas talvez o principal é que aqui se deu uma ênfase muito grande na construção convencional como um ponto para gerar emprego para mão de obra que saía do campo para vir para as grandes cidades e precisava gerar emprego. Fazendo paralelo, setor automobilístico fez uma passagem muito grande com a abertura do nosso mercado. Quando a gente fala mesmo agronegócio, ele está automatizado, tem altos índices de produtividade. Quando a gente entra dentro de um canteiro de obra tradicional hoje, mesmo em São Paulo, não mudou muito do que acontecia 50 anos atrás. Ao mesmo tempo, se a gente fala nesses últimos 30 anos, o mercado, a economia sofreu muito com algumas crises. E a construção civil, de modo geral, ela foi muito penalizada. Existiam obras residenciais, mas indústrias. Quando a gente fala de grandes centros logísticos e grandes investimentos, por exemplo, São Paulo. Quantos shopping centers foram construídos nos últimos 25 anos na cidade de São Paulo? E isso gerou uma demanda reprimida. que agora precisa ser atendida e no momento onde não existe mais mão de obra disponível para o mercado. Então chegamos a esse momento aonde se fala realmente a industrialização não é mais uma opção, ela é uma necessidade. Só que como fazê-la bem feito? Realmente já tem que ter essa premissa na concepção do projeto. Só que um projeto bem feito, com planejamento, com a modelagem BIM, e já pensando em todas as instalações e projetos complementares no seu início, mesmo para uma construção convencional, ela dá muito ganho. Ela reduz desperdícios. E para uma construção industrializada, ela é inevitável. Vamos dizer, uma premissa básica para a industrialização da construção é que essa ideia seja levada em consideração na concepção do projeto.
Eu tenho duas últimas perguntas antes da gente se encerrar. Uma é sobre logística, que eu vou emendar na sequência. Primeiro, eu queria saber, você está atraindo mão de obra para dentro da sua fábrica, de outros mercados, de outros setores, por exemplo, como automobilístico?
A nossa indústria, nossa fábrica hoje está em Atibaia, que é do lado, que é uma região passando por um processo de industrialização também e ainda existe uma mão de obra saindo da área rural. para vir para trabalhar nas indústrias. Mas temos uma escassez muito grande de mão de obra para a própria indústria e para os nossos canteiros de obra. Hoje, o que a gente faz é um processo de formação de mão de obra. E isso é tanto para a fábrica, onde a gente pega quem não tem experiência, faz um processo de qualificação, como para a mão de obra realmente técnica. Sempre usamos muito estagiários para trabalhar, só que hoje os estagiários já estão muito concorridos e realmente caiu a qualidade dos estagiários. Então, por exemplo, hoje a gente tem um programa muito forte que a gente leva muito em consideração com jovens aprendizes. Trabalhamos com essas garotadas de 16, 17 anos, investindo neles para que sejam nossos bons profissionais daqui a 10 anos.
Muito legal, muito bacana e tô na torcida aí que dê certo, porque quando a gente pega, tem todo esse processo de formação, existe um investimento muito alto, não só financeiro, mas também de tempo de outros profissionais para que a gente consiga, de fato, ter aí bons profissionais por conta do desafio, também da motivação desses jovens.
Isso é inevitável cada vez mais. Ao mesmo tempo, se fala tanto realmente desses jovens que hoje não estão com tanta vontade de trabalhar. Na verdade, eles estão perdidos. Tem muito jovem. com vontade, precisando, e o que eles precisam é de uma oportunidade e ajudá-los que despertem realmente para o mercado de trabalho.
É, gente que tem a paciência para fazer acontecer. Agora, minha pergunta, eu queria que você falasse um pouquinho sobre os desafios logísticos na industrialização, porque já vi situações onde vários projetos foram inviabilizados por conta do processo logístico que não foi pensado na etapa de projeto. Então, eu queria que você falasse um pouquinho sobre o que as pessoas têm que se atentar nesse processo de uma construção industrializada, olhando para a logística.
Quando se fala de uma construção convencional, temos muitos profissionais que têm experiência, que têm uma bagagem acumulada e aí não têm esses desafios. Então, realmente é o tradicional, para chegar carretas transportando armações ou barras de aço. ou estrutura metálica, ou necessidade realmente de bombeamento de concreto, elevador de carga, uma pequena grua para montagem dentro de um canteiro de obra. Vou dar um exemplo que fizemos uma obra grande de um data center, onde nós precisamos para fazer uma montagem, um prédio de 63 metros de altura, dentro da região metropolitana, com dificuldade de acesso. Então, você já tem que conceber um projeto levando em consideração os equipamentos que estarão disponíveis, qual é o comprimento máximo de uma peça ou qual é o peso máximo que eu posso transportar para aquele determinado local. Porque dentro da nossa fábrica, nós já tiramos peças de lá de 40 metros de comprimento. Nós já fizemos elementos pré-fabricados de 50 toneladas, que eram diferentes, porque, às vezes, ele é curto, muito pesado. O problema é como eu chego no canteiro de obra. Então, precisa de um estudo. E, às vezes, eu posso projetar essa obra com elementos compatíveis que eu vou chegar até lá. Mas aí eu vou ter condição de ter um guindache pesado nessa obra ou eu vou precisar montar com uma grua? Mas pegando, voltando a exemplo desse data center, era um prédio alto, que uma parte dele foi montado com guindache e a outra parte com uma grua. Mas hoje nós já temos disponibilidade de gruas que elas conseguem, a um raio de 30 metros, fazer inçamento de pesos de 20 toneladas. Com isso você tem uma flexibilidade muito grande.
Reduz custos, né?
Reduz custos. E hoje quando a gente fala de industrialização, nós não temos que pensar simplesmente na parte estrutural da obra. Você tem que pensar nela por completo e industrializar ao máximo. Então hoje o novo foco que nós estamos trabalhando são os edifícios altos. Recentemente nós fizemos três prédios com uma incorporadora dentro de Pinheiros, dentro de São Paulo. Com uma logística toda preparada, montagens com gruas, mas os resultados são muito bons. E a tendência sempre é essa. E aí sim, a metálica, ela leva grandes vantagens pela facilidade. Ela fica mais leve muitas vezes, você tem uma flexibilidade para montar também. Mas como eu falei, para cada projeto é estudar aquilo que pode ser colocado, que vai dar o melhor resultado dentro da combinação dos vários sistemas.
É, olhar para o projeto e usar a melhor solução para aquela obra. Tem alguma pergunta que eu deixei de fazer que você gostaria de falar, aproveitar esse espaço e falar alguma coisa, João?
Olha, acho que a gente está vivendo um momento muito feliz. Eu fico muito satisfeito em ver esse evento. para estar percebendo realmente a evolução do mercado. Como eu escutei há pouco de uma pessoa aqui tomando café, chegou o momento, o momento da industrialização. Mas o que nós precisamos realmente é de uma mudança cultural. Para quem está concebendo as obras, analise gestas alternativas. Analise. E nós precisamos disso no Brasil, tá bom?
Obrigado. Obrigado pela sua participação. Então, aproveitar e agradecer o apoio da Isobloc, que está ajudando a gente nesse desafio de levar informação para o mercado de construção. Um abraço e até o nosso próximo encontro, ainda que nesse cenário que, diga-se de passagem, está lindo. Até já.
Obrigado.
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