Construção Industrializada | Podcast de Engenharia | Arquitetura | Construção | ConstrueCast

Episode interview with Ulisses Nunes (executive director of ABSEM) about industrialized construction. Nunes defines industrialized construction as more productive, cleaner and sustainable than conventional building, and discusses advantages (reduced waste, shorter schedules, recyclability), barriers (low industry/university engagement, supply-chain readiness, tax/financing asymmetries) and enabling factors (BIM adoption, better education, cross‑sector collaboration). He cites practical cases (a mixed steel/concrete Greenfield plant in Resende, industrial projects in paper & pulp, Petrobras platforms, and fast wood-buildings used after coastal flooding), workforce impacts (easier adoption by women, upskilling to factory/assembly roles) and upcoming collective actions (Modern Construction Show, Oct 1–3, 2024, Anhembi).
Questions this video answers
October 1–3, 2024, at the Anhembi district (São Paulo).
Approximately 600 architects (tenth edition of the course).
Since 2018 (transcript states he has been 'diretor executivo ... desde 2018').
Chapters
Costa e caixa, arquitetura, engenharia e construção.
Está no ar mais um episódio do Constrecast. E hoje vamos falar sobre um assunto, como vocês sabem, eu gosto muito, que é a construção industrializada. Para falar sobre o assunto, eu recebo Ulisses Nunes, ele é diretor executivo da ABSEM. Ulisses, seja bem-vindo ao nosso podcast. Eu queria aproveitar e pedir para você se apresentar, falar um pouquinho da sua trajetória, principalmente da sua carreira no mercado de construção industrializada.
Obrigado. pelo convite, né? Espero... está atendendo aí as expectativas. Eu sou engenheiro, iniciei minha carreira não construção industrializada, mas uma construção industrializada diferente, que é a fabricação de torres de eletrificação na Sádio Sul-Americana de Engenharia e aí fui caminhando aí em várias empresas, trabalhei há 20 anos na Mangues, na área de galvanização, muito ligado à estrutura metálica, e sempre em contato com os fabricantes de estrutura metálica que precisavam de uma opção para proteção contra corrosão nos materiais. E terminei minha carreira profissional em empresas na Armico Staco e tive uma experiência muito interessante, foi a construção de uma nova planta no Greenfield. Desde a escolha do terreno, escolhas dos sistemas construtivos, todos construímos uma bela planta ali em Resende. Hoje sou diretor executivo da AB100 desde 2018 e estamos aí desenvolvendo um trabalho incansável da construção industrializada. Eu digo talvez em aço, mas Eu já sou mais específico. Uma construção industrializada de sistemas construtivos que trabalham em conjunto.
Esse é um ponto bem importante que você fala quando você fala dessa questão de sistemas, você não está defendendo só um tipo de material. Você está falando de várias soluções que se complementam ali. Então, você tem a industrialização desde a solução em concreto, solução em madeira, solução em aço, enfim. Então, isso é um ponto bem bacana quando a gente fala em construir pontes, em unir sistemas. Ulisses, e para você, o que é construção industrializada?
Para mim a construção industrializada é realmente a gente, comparando com a construção convencional, é a gente dar um passo à frente. Ser uma construção sustentável, uma construção limpa, uma construção eficiente, uma construção produtiva, que reduz os resíduos, Essa é a construção industrializada.
Muito bacana. Eu vou fazer uma pergunta agora, que é justamente, você já falou algumas coisas, mas eu queria que você falasse, ouvindo de você, já que você tem aí uma vasta experiência no mundo da industrialização, e quais são as principais vantagens do sistema industrializado? Você já falou algumas coisas, mas queria que você falasse mais para a nossa audiência entender que realmente vale a pena industrializar.
É, eu vou falar, inclusive, falando da experiência que eu tive na construção de um galpão, um galpão de 10,1 metros quadrados, um galpão razoável, onde eu escolhi os pilares de concreto, fechamento metálico, telha metálica, onde foi o melhor custo-benefício que eu consegui obter para a construção. Cada material tem a sua o seu potencial no lugar certo. E você tem o concreto trabalhando bem com os pilares, você tem a estrutura metálica também. trabalhando bem onde ela é útil, né? E aí a gente consegue ter um bom desempenho, né?
É, inclusive quando você fala em fechamento, né? Que a gente vai falar um pouquinho mais pra frente aí da questão do drywall, né? Enfim, isso é muito bacana. Ulisses, e o que que você entende que, assim, que é um grande, que tá sendo um desafiador essa aderência da industrialização da construção. Porque eu visito muitas obras, muitas empresas, e percebo que no Brasil tem muita inovação, tem muitas soluções bacanas, só que a aderência não está acontenta. Para você, qual é o grande desafio?
Eu acho que o grande desafio é essa cadeia também estar preparada para atender as necessidades, a divulgação disso junto às universidades, junto aos projetistas. Eu vejo que a gente precisa, as empresas com essas inovações, com todas essas soluções que estão surgindo, precisam ser mais ativas, um marketing mais forte e eu vejo trabalhar na parte educacional, nas universidades, na formação dos arquitetos, dos engenheiros. Um arquiteto sai sem saber os produtos que ele vai utilizar, ele não conhece, ele entra no mercado e E aí? Ele foi preparado para o modelo de construção do passado. Eu vejo que a educação hoje prepara os profissionais para uma construção convencional, convencional do passado. Ela não prepara, ela não mostra as inovações, as inovações não chegam nas universidades. Então, o profissional entra no mercado de trabalho desconhecendo totalmente o que existe. E ele vai o que? Fazer tijolo, assentar tijolo, fazer o método tradicional, vai fazer a sua construção na obra. Vendo as soluções que ela tem off-site, onde poderiam já vir com isso tudo pronto dentro do canteiro de obra. A Abicem, nós fazemos um trabalho junto com outras associações, junto com a BCP, a Abau, Abravidro, na Faculdade de Arquitetura Mackenzie. Nós tivemos esse ano a décima edição de um curso que a gente faz lá na FAU Mackenzie e a gente formou aproximadamente 600 arquitetos. Cada associação tem uma semana de cursos sobre produtos inovadores. Cada associação mostra os produtos para eles. E a gente fica surpreso que eles são sedentos de conhecer.
Sabe uma curiosidade que eu tenho aqui, inclusive, que é uma pergunta que geralmente acabo fazendo para a maioria das pessoas, que até me surgiu com essa sua fala agora dessa questão das universidades e tudo mais, Como que é uma situação como essa a aderência da indústria? Porque a partir do momento que eu estou no processo de formação de novos alunos, não importa se é arquitetos, engenheiros, é importante que a gente mostre novas soluções. E como que a indústria participa de eventos como esse?
A indústria, quer dizer, essa é uma ação dessas associações, das indústrias que estão nessas associações, é uma ação isolada. Mas a gente não tem uma ação muito ativa das indústrias em todas as universidades no Brasil. Nós não temos uma ação, por exemplo, das siderúrgicas forte nas universidades, investindo forte na formação de profissionais. A gente não vê, no caso nosso de estruturas metálicas. Talvez o concreto tenha feito a lição de casa melhor no passado. O cimento hoje, a faculdade basicamente forma arquitetos, engenheiros para construção convencional, quer dizer que algum trabalho foi feito e foi bem feito. Enquanto a construção industrializada está patinando aí há algum tempo e não vejo perspectivas de grandes investimentos na educação, não.
Eu tenho criado um movimento aqui, mas eu confesso que, da minha parte, eu fico um pouco decepcionado com essa... com essa aderência por parte da indústria, não falando de uma indústria específica, porque, assim, se eu faço um movimento aqui, outra pessoa faz um outro movimento... Assim, se eu conseguir mostrar uma solução para quatro pessoas, essas quatro pessoas mostram para mais quatro, a gente vai criando aí uma cadeia, vai ampliando cada vez mais e, como você falou, O cimento, em algum momento, eles fizeram um trabalho bacana lá atrás. Não é à toa que na faculdade você fica aí estudando quatro anos na construção tradicional.
Não é que eu quero falar do setor do aço ou da siderurgia, que é o nosso setor, mas, por exemplo, o PVC, os tubos PEC estão tomando o lugar do tubo de aço.
Sim.
O aço está perdendo espaço nas tubulações, nos eletrodutos. Está perdendo espaço até nos tubos de condução de gás. Está sendo substituído o aço por tubos de PAD. A parte de saneamento básico, hoje o PAD está tomando espaço também.
E está tudo muito ligado a essa questão da divulgação.
Exato.
Como que eu trabalho essa questão da união para levar mais informação, mais conteúdo. Exemplo disso, recentemente eu fui para Fernando de Noronha e, assim, eu fiquei encantado com a parte de tratamento de água. Lá, assim, é um exemplo que eu recomendo para qualquer pessoa que queira entender sobre tecnologia de tratamento. E aí, eu conversando lá com o engenheiro, ele falou, você conhece a solução de tal empresa? Eu falei, não conheço essa solução, não conheço nem essa empresa. Você entende? Então, eu fico assim, Eu fiquei preocupado, como que você está falando de uma solução de tratamento e essa empresa se titula como referência no mercado, e esse engenheiro que está fazendo uma grande citação de tratamento lá, precisa de inovação e não conhece as soluções dessa empresa. Exatamente. Você entende? Então, assim, isso me preocupou bastante. Eu entendi que a gente tem aí um desafio muito grande pela frente.
Eu acho. Eu sei que o trabalho universitário é um trabalho longo, Aí a pessoa fala, não, não tem um retorno imediato, então deixa pra depois. Mas se não começar a ser feito, é como você enterrar os tubos na cidade, a fiação de São Paulo. Ou deixar ela exposta, porque muita coisa pra fazer e tal. Se não começar, nunca vai acontecer.
Precisa começar, alguém precisa fazer.
Alguém precisa fazer, alguém precisa fazer.
Ou começa a criar um movimento.
E eu acho que o movimento da construção industrializada é isso. A gente tem que começar a fazer. As coisas tem que começar a andar. A cadeia tem que começar a entender e se preparar. para atender a demanda de uma construção industrializada.
Ulisses, e como a tecnologia está impulsionando, está ajudando nessa transformação, nessa aderência, nessa aquisição da construção industrializada?
Eu acho que já a adoção do BIM é uma coisa muito importante que ajuda bastante na construção industrializada. Eu acho que isso já começa a dar um encaminhamento para você industrializar. já ajuda a mostrar que industrializar é melhor. Eu me lembro, tem um prédio que foi construído em frente de casa e eu vi levantaram todo aquele prédio, demorou três anos para subir. Aí, quando fechou tudo lá, eu comecei a ver aquele barra-barra batendo na parede, mas nem pra fazer o caminho dos conduítes, começa a quebrar o prédio inteiro pra passar. Um absurdo, né? Quer dizer, não deve ter usado bino, não deve ter usado nada, né? Simplesmente construiu o prédio. E eu não posso falar o nome da construtora, que é uma construtora grande, então não posso nem citar. É um negócio absurdo. Você fica assim, nossa, como é que pode? Você constrói, depois destrói para ajustar o prédio.
Aí eu vou fazendo as modificações.
Exatamente. Esquecido o conduíte. Esquecido o conduíte.
Não, realmente. E sabe o que me preocupa essa questão do BIM? É que visitando algumas obras, eu percebo que as empresas estão investindo ali na parte de projeto, enfim, na parte de escritório. E quando fala do canteiro, quando vai para a obra, ainda tem muita gente, muitas construtoras utilizando a planta 2D. E aí, conversando com esses profissionais, eles falam muito da dificuldade de entender a tecnologia. Então, quando falamos agora há pouco dessa questão da educação, É importante que a própria indústria, o próprio mercado, faça esse trabalho com os profissionais dos canteiros para que a gente consiga trabalhar a tecnologia desde a parte de projeto no escritório até a execução da obra, para não ter isso que você falou. Porque muitas vezes tem a tecnologia, está tudo muito bem criado ali, só que na hora da execução, ah, eu não vi que estava passando um conduíte. Ah, eu não vi que o duto de ar-condicionado tinha... Você entende?
Tem que rasgar uma viga.
Tem que rasgar uma viga.
Exatamente isso que acontece. E também eu vejo muitas empresas falando que estão usando tecnologia, falando que a construção dele é industrializada porque ele está usando tecnologia. Então ele usa um drone, ele usa um software. para o mestre de obras, um tablet, mostrando as coisas, quanto é que está o passo da obra, o acompanhamento da obra. E os caras quase que estão entendendo que isso aí é construção industrializada. Isso aí não é construção industrializada. Isso é a utilização de equipamentos em uma construção convencional. Como eu fui diretor de fábrica, de chão de fábrica, e tive a experiência de implantar o Lean Manufacturer dentro de uma fábrica, e quando eu ouço falar de implantação de Lean Manufacturer, numa construção convencional, às vezes eu fico assustado. É triste, porque o lean não é para uma construção convencional, o lean é para uma construção industrializada, onde você tem as medições de produtividade realmente, você tem realmente o desempenho das coisas, você consegue ver praticamente os resultados, você tem controle. Se você não tem controle, como é que você vai emparcar o lean? Então, é um absurdo, né?
Então, até complementando a sua fala, o que eu vejo muitas empresas fazendo é muito marketing.
O cara faz uma construção, eu chamo de construção, ela não é industrializada, é racionalizada. É uma construção convencional racionalizada que ele fala que é construção industrializada. Então você vê aí o cara, pra mostrar que ele industrializou a construção, eles colocam os painéis de LED embaixo. Para quem passa em frente achar que a coisa... põe alguns indicadores de segurança de trabalho, não sei o que. Coloca o número dos andares no prédio, um, dois, três, para você ver de fora quantos andares estão subindo. E acho que na cabeça deles existe a industrialização. Entendeu?
É aquela coisa, né? Eu costumo dizer que, assim, em terra de cego, quem tem um olho só é rei.
É verdade.
Ah, eu falo de industrialização pra alguém que não entende nada de industrialização, a pessoa é tudo bem, a pessoa tá até... Ah, tá legal, é industrializada, mas a gente não é industrializado. Então, a construção racionalizada é uma coisa, a construção industrializada é outra. Então, nesse sentido de que a gente está falando agora, eu queria que você falasse um pouquinho qual é o papel, qual a importância que a construção industrializada traz na questão da sustentabilidade. Porque também eu entendo que as pessoas entendem a sustentabilidade de uma forma um pouco distorcida. Porque a construção industrializada, a sustentabilidade vai muito além do que as pessoas enxergam.
É, eu acho que começa pelo, vamos falar, falando muito de consumo de carbono, a construção industrializada realmente ela ela consome menos carbono que uma construção convencional, que tem uma série de perdas que você vai ter na construção. Eu acho que a construção convencional Ela vai gerar resíduos, ela consome mais água, ela tem riscos trabalhistas para os funcionários, porque quanto mais tempo você fica numa obra, mais riscos de acidentes, uma série de problemas que você pode gerar. Muitas coisas acontecem. Se você tem uma construção convencional que dura três anos e uma construção industrializada que vai durar um ano, um ano e meio, olha o quanto você minimizou os riscos dessa construção, as intempéries e tudo que pode acontecer. Então eu acho que aí a construção se torna mais sustentável, um dos motivos dela se tornar mais sustentável. E um consumo menor, todos os materiais são recicláveis, todos os materiais que você usa na construção industrializada, a tendência é que ele seja cada vez mais reciclável, porque eu acho que a construção industrializada também a gente não vai conseguir mudar da noite para o dia e ir do 0 ao 100. Hoje ela é convencional, amanhã ela vai ser totalmente industrializada. Então a gente vai passar por um por um período de transição, onde a gente vai pegar uma construção convencional e ela vai se transformando em industrializar. Bom, vamos industrializar uma parte aqui, vamos industrializar mais alguma coisa ali. Então a gente vai estar misturando construção industrializada com convencional. Isso a gente vai fazendo aos poucos, aos poucos vai ficando uma construção mista, até o ponto que a gente vai chegar como é na Europa, como é na Inglaterra, como é nos Estados Unidos. como é no Japão ou no Chile mesmo, que a gente tem bastante construção industrializada. Então aí, as vantagens, ela vai se tornando cada vez mais sustentável. Ela vai se adaptando mais aos gastos menores de água e de uma série de coisas.
E quando essa parte de sustentabilidade, a gente fala muito hoje de SG, e quando você tem menos caminhões, Também, menos.
Caminhões circulando, menos transtorno no canteiro, porque.
Você consegue programar essas atividades.
É, o que você falou é verdade, a programação também. A programação. A programação é extremamente importante.
E até um ponto também que eu reputo muito importante, quando a gente fala de industrialização, de tirar aquele operário do canteiro, colocar numa fábrica, muitas vezes quando eu estou construindo um prédio, eu tenho vários operários ali que participaram da construção daquele prédio. Muitas vezes, parte desses operários podem, inclusive, trabalhar ali naquele empreendimento. Porque eles participaram, eles sabem onde está cada coisa. Aí você tem o uso da tecnologia também, que facilita o processo de manutenção. Então, quando a gente fala de sustentabilidade, acho que isso é um... um pouco do mundo à parte que é, essas questões de sustentabilidade.
E também a questão de mão de obra, que a gente fala assim, o jovem não quer mais ir para uma construção convencional, ele não quer mais sentar tijolo lá na obra, Ele quer talvez virar um montador, alguma coisa melhor, vai pôr uma furadeira na cinta, na cintura, então ele já vai ter um equipamento mais moderno e já começa a mudar a maneira desse jovem ver, né? Puxa, já é um negócio mais... mais nobre, os profissionais vão crescer também. A gente vai fazer com que esses profissionais ou vão para a fábrica ou aqueles que vão ficar no canteiro vão ser montadores, montadores no nível um pouco melhor.
Sim, e nesse ponto que você trouxe, Nunes, agora, a gente tem também hoje uma aderência muito grande na construção civil pela mão de obra feminina. Como que você vê aí essas questões? Porque a partir do momento que eu industrializo, tudo bem, eu tô num canteiro, antes você tinha aquela questão da força, né? Se prejudicava a coluna, você tinha que ficar pegando ali saco de cimento, uma série de coisas. Quando você fala de industrialização, A mão de obra feminina traz um cuidado, uma atenção maior e na questão de peso, de pegar peso, você tem máquinas para fazer esse trabalho por elas. Como que você enxerga esse cenário dessa aderência da mão de obra feminina na construção industrializada?
Eu acho que vai ser um grande passo, realmente, uma grande mudança. Acho que a gente vai ter facilidade de aderência de mão de obra feminina, porque vão ser serviços mais leves, né? Como na indústria automobilística, você tem mulher, você tem mulheres. Quando eu era diretor de uma planta de galvanização, eu tinha, por exemplo, mulheres em pontes rolandes, mexendo com pontes rolandes, porque elas só mexiam no botão ali. Elas não faziam esforço nenhum.
Olê, mas isso há quanto tempo que você está falando disso?
Ah, isso faz... Oito anos atrás. Oito anos atrás eu já contratava mão de obra feminina na parte de ponte rolante, porque ela não fazia esforço nenhum, a não ser apertar o botão para subir e descer e organizar.
E olha que legal, conversando outro dia.
Com... E a minha filha é técnica em segurança de trabalho. E o primeiro emprego dela foi numa construção de uma fábrica. Ela foi a técnica de segurança responsável por uma construção de fábrica. No primeiro momento ela chorou, mas hoje ela agradece imensamente, porque a experiência que ela teve foi muito grande. Naquela época, só para ter uma ideia, não tinha nem banheiro para mulher.
Inclusive, esse é um ponto que ainda...
Não tinha banheiro pra mulher. Ela lutou, conseguiu organizar. Mas, realmente, ela fala hoje que foi difícil, mas foi muito enriquecedor na vida profissional dela.
É, nessa parte aí de banheiros femininos, lixar feminino nas obras, é uma coisa que a gente tem falado aqui reiteradamente, porque tem algumas construtoras veem isso como custo, mas além das mulheres que podem ser inseridas aí nesses canteiros para trabalhar, também tem mulheres que vão visitar uma obra, tem arquitetas, tem engenheiras, enfim, tem fornecedoras.
No mundo de hoje a gente não pode pensar que é custo, pelo amor de Deus, nós estamos numa outra fase.
Esse é um ponto importante, inclusive mandar um abraço carinhoso para essa turma de segurança do trabalho que fazem um papel fundamental, que é cuidar das vidas, que é essa questão da segurança. Eu queria que você falasse de algum case de sucesso vivido por você na construção industrializada. Ou alguns, enfim.
É, o que eu vivi pessoalmente foi a construção dessa planta lá em Resende. Pra mim foi uma experiência muito importante na minha vida, onde eu usei a construção industrializada mista entre concreto, aço. E telha de aço também. Não tinha madeira porque ali não era um local de madeira, mas a gente utilizou o que tinha de mais moderno e um custo-benefício correto pra gente.
E a experiência no final, o resultado final.
Foi ótimo, foi excelente. A planta ficou linda, funcional, prática. Nós fizemos os pilares de concreto, os caminhos em aço de ponte rolante. Porque a ponte rolante, ela corre melhor numa viga de aço. Numa viga de concreto, ela tem alguns problemas de tripidação. Então, foram os caminhos em viga de aço soldado na época. O telhado, toda a parte superior, toda em aço. E as telhas também metálicas, em uma água só, Roulon, que isso aí permite também, uma água só, um galpão de 20 metros quadrados, 20 metros de largura.
E telha sanduíche?
Não, foi telha normal, não foi sanduíche na época.
É, porque dependendo também da altura do...
É, eram 10 metros.
É, então você não tem problema aí de aquecimento, né?
Não, não tem, não tem problema de aquecimento. Essa foi a minha experiência, mas existem várias experiências. Eu acredito que um exemplo de obra industrializada é o do Seoto aí, esse grande empreendedor aí, com esses dois prédios que ele construiu para mim. São os dois... Para mim, são dois exemplos de construção industrializada que deveria entrar para livro, em história. Ele deveria fazer um relato, um livro sobre toda essa industrialização, uma grande experiência. E muito corajoso, né?
É, o Seoto é uma grande referência, sim, nessa parte de industrialização. Inclusive, assim que terminar esse episódio, vai aparecer aqui uma sugestão do episódio que ele participou aqui falando de construção industrializada. E aproveitar também, já vou convidá-lo para fazer um episódio falando desses prédios, falar exclusivamente dos desafios que foi na construção desses prédios, porque acho que você traz aí um olhar diferente, principalmente para a questão de... para outros engenheiros conseguirem superar desafios, arquitetos, estudantes, para que eles consigam aprender muito mais, lidar com os desafios durante o processo de obra.
Existem muitos exemplos de infraestrutura em construção industrializada, particularmente em aço. A indústria de papel e celulose hoje utiliza a construção industrializada em praticamente toda a sua obra, só que em aço. Tem concreto também, tem uma mistura, mas tem muita coisa em aço. A própria Petrobras, com os investimentos dela em plataformas e refinarias. Então a gente tem uma certa industrialização da construção nessa parte de infraestruturas, fábricas. galpões, logísticos, tudo. O que falta realmente é a parte residencial. A parte residencial realmente ela não se industrializou. Já a parte industrial, ela está industrializada.
Vamos fazer um trabalho aí. Quem sabe a gente consegue fomentar e despertar o interesse para essas construções. Porque tem algumas casas, você deve ver aí, industrializadas que diga-se de passagem que.
Fica linda, fica... Fica muito linda, né? Ali na Estrada da Boiada tem um prédio que está sendo construído um pouquinho antes de virar pra... quando você vai pegar a Faria Lima. Tem uma construção pequena em aço, muito bonita ali. Está terminando agora. Então você começa a ver na cidade vários casos de industrialização em aço concreto, madeira. Tem aquele da Dengo ali na Faria Lima de madeira. ali no início da Faria Lima.
Só precisamos divulgar mais.
É muito bacana, a madeira é muito bonita aquela.
Eu visitei um projeto do... Temos um.
Exemplo muito legal da construção em madeira também, que o governo de São Paulo fez na inundação lá na Aqui no litoral. No litoral, onde teve a inundação, agora eu esqueci. É Birtioga, né? É Birtioga, a região ali.
Aquela região de Birtioga.
Então, que teve aquele problema todo e o governo construiu, foram feitas prédios em madeira, já estão prontos.
É muito bacana, é rápido, né?
Totalmente industrializados, prontos. Prontos para morar já.
Acho que tem muita coisa boa acontecendo aí. E agora a gente tem umas, eu tenho uma pergunta da internet para você. Ulisses, qual é o papel da colaboração e parcerias na promoção da construção industrializada? Como os diferentes setores podem trabalhar juntos para impulsionar essa abordagem?
Nós temos que trabalhar juntos, realmente, todos os setores. Vamos falar das nossas associações que existem. A gente não pode trabalhar cada um puxando sardinha para o seu sistema. Nós temos que unir os sistemas. Para isso, a gente tem agora um evento que vai acontecer em 2024, que é o Modern Construction Show, onde nós vamos reunir todos os sistemas construtivos, todos os sistemas construtivos num lugar só. E ali nós não somos concorrentes, nós somos todos a favor da construção inicializada. Nós temos algumas ações que a gente tem realizado, que eu esqueci de falar, mas a construção inicializada tem um pequeno problema de tributação. A construção inicializada ela é penalizada, não é que é penalizada, ela paga ICMS 18% enquanto a construção convencional paga 6% ou 4% de excesso depende da cidade onde ela estiver. Então, você tem parte com essa diferença de custo que é uma coisa que realmente pesa na decisão do empreendedor, de quem está construindo. Lá atrás, a Abramart, a Abicic, o CBCA, tem mais algumas associações, nós iniciamos o trabalho do Construa Brasil. Onde houve a parte que já andou, que é a parte de desburocratização, digitalização, que andou bem, e a parte de industrialização, que é a parte de financiamento e melhoria dos fluxos de financiamento e também da parte tributária, da isonomia tributária. para a gente estar simétrico com a construção convencional. Esse é um trabalho que foi feito, foi contratado pelo governo e nós assessoramos esse trabalho para a Recepet, que foi a empresa contratada. Isso está na mão do governo, foi feito no governo anterior. O governo atual, o Geraldo Alckmin, deu continuidade. O ministro da Indústria e Comércio. O trabalho está andando. E é uma coisa muito importante que a gente está fazendo aí, tentando equilibrar agora essa parte de imposto. A gente sabe que com a reforma tributária isso deve acabar, mas é um tempo muito longo. A gente teria que ter alguma ação rápida para diminuir essa diferença de impostos.
O bacana é que vocês criaram esse movimento.
Temos trabalhado juntos e isso nos fortaleceu as nossas ações juntos. Hoje a gente conversa já bastante. E a gente já não se vê mais como concorrentes, a gente se vê realmente como sistemas construtivos que têm que trabalhar juntos pela industrialização.
É, acho que um complementa o outro.
Exatamente, exatamente.
É igual a gente estava conversando fora das gravações dessa questão da comunicação, do tom da comunicação. A gente só vai conseguir construir grandes mudanças se a gente unir.
E isso aí eu falo que o seu outro fala muito, né? Não adianta nada essas associações, tudo de letrinha, cada um puxando para o seu lado. Não, tem que trabalhar todo mundo junto. Se não, não adianta.
Tem que se unir, né? Ou seja, o que o meu sistema soma com o seu, o que o seu soma no meu e o que o nosso soma no do outro. Então, também eu defendo muito aqui. A gente está bem alinhado nesse sentido.
E esse evento que a gente vai fazer em conjunto, né? Eu acho que é o primeiro movimento, o primeiro evento de construção industrializada, realmente, para ser um marco, realmente, para a gente estar juntos aí.
Quando que vai acontecer o evento?
Acontece do dia 1º a 3 de outubro de 2024, no distrito Anhembi.
Olha que legal, já vamos... E não.
O Distrito Anhembi, eu sei que muita gente ficou chateada de terem derrubado as estruturas tubulares lá, né? Estruturas antigas até...
Calma que vocês vão se surpreender com o que tá nascendo aí.
Tá nascendo uma estrutura fantástica lá, né? Que a gente já vê como é que ela tá. sendo montada lá, vai ficar legal.
Inclusive, a gente tem aí uma série que é por dentro da obra, onde a gente mostra como está sendo feita, a gente entrevista ali engenheiros da própria construtora e também engenheiros técnicos para falar das soluções construtivas. Vocês vão acompanhar um pouquinho dessa construção aqui no Constrecast.
É um negócio fantástico, vai ficar muito lindo. Eu sei que muita gente ficou chateada, né? Porque era histórico aquilo, né? Não existem mais estruturas tubulares.
Não, não.
E aquelas estruturas tubulares é alumínio. A maior parte é alumínio. E uma parte em aço, mas a maior parte é alumínio. Acho que alguma coisa vai ser reaproveitada em um outro local.
É, tem um trecho, na verdade, tem um trecho que eles tiraram, eu não sei onde que eles vão colocar.
Parece que vai ser um outro centro de convenções no interior de São Paulo.
Porque, é bem assim, me chamava muito a atenção quando eu visitava ali, que eu olhava pra cima aquelas A forma como aquilo era construído.
É muito bacana, muito legal.
É, eu sou apaixonado pela engenharia, então... Ulysses, aqui a gente tem o quadro Convidado Convida. Com quem você gostaria de ver um episódio aqui?
Eu gostaria de ver com o Ceotto.
Com o Ceotto?
Com o Ceotto, eu acho que é legal. Com o Zanettini.
Então...
O Zanettini é um grande amigo também.
Os dois já vieram aqui, mas agora a gente vai trazer dois especiais.
A Heloisa Amaringoni.
Sim, a Heloisa também já veio, mas também a gente está criando aí várias séries para falar de projetos. E, enfim, então eles com certeza virão muito aqui. São três pessoas.
Eu acho que eles têm muitas experiências, muitas histórias. E muitas ideias, sabe? Ideias novas. Quem viveu uma construção industrializada... Sentiu na pele o que precisa ser feito. Como o sistema hoje, todos os fornecedores têm que se preparar. A gente tem que ter uma cadeia de fornecimento preparada. Essa cadeia de fornecimento tem que estar preparada. Porque senão a coisa não vai andar. Por isso que eu falei, de ir do zero ao cem, você vai bater na parede porque você vai ter uma cadeia que não está preparada realmente. Você não vai ter fornecedor de steel deck, você não vai ter fornecedor disso. Vai travar, vai ter que mudar o sistema construtivo, vai ter que adaptar. Então, aos poucos, eu acho que a coisa vai. E outra coisa, tem um engenheiro italiano que nós trouxemos para o Construmental chamado Enrico Mangoni. Esse cara é legal para trazer. Ele traz a experiência lá na Itália, na Europa. Principalmente retrofit, né? Retrofit utilizando o sistema de aço, lógico, internamente, mas vai ter cimento, concreto, vai ter todos os sistemas, mais steel frame.
A responsabilidade de trazê-lo aqui é sua e você tá convidado pra ficar aqui do meu lado pra fazer esse bate-bola, esse bate-papo junto com ele.
Pode ser.
Tá aceito?
Aceito, aceito.
Então tá ótimo.
Aceito.
Ulisses, tem mais alguma coisa? Ah, eu queria fazer um bate-bola rapidinho com você. Está fora da programação? É, rapidinho. Engenharia, para mim, é?
Engenharia, para mim, foi minha vida. Foi minha vida até agora.
Industrialização, para mim, é?
É tudo que a gente tem que fazer para a construção civil crescer.
O que foi marcante na sua carreira, na sua trajetória profissional como engenheiro?
Ser gestor de uma fábrica, isso para mim foi uma experiência durante muito tempo.
E o que você deixa de legado, o que você quer deixar de legado para as próximas gerações?
Eu quero deixar bons fluidos, realmente pensar na sustentabilidade, a gente deixar para a minha neta, um mundo melhor, né? Um mundo sustentável e que ela possa viver tranquilamente, né? Nós não podemos acabar com o mundo, né?
Gente, eu conversei com Ulisses Nunes, olha que bate-papo super legal, quero agradecer a participação aí, o apoio da produtora de vídeo Infinity Plus, que faz um trabalho incrível no setor de construção, arquitetura e engenharia. Ulisses, eu queria te perguntar se tem alguma coisa que deixamos de falar e passar aí as palavras finais para encerrar esse episódio tão rico de conteúdo.
Bom, agradecer novamente a vocês pela oportunidade. Falar que a Bicem está lutando intensamente pela construção industrializada, a gente tem como foco hoje, realmente, lutar pela construção industrializada no Brasil. Lógico que a gente quer que utilize mais aço, mas a gente sabe que a construção tem que trabalhar junto com todos os sistemas. Todos os sistemas têm que estar juntos. O conjunto é que faz, que vai fazer com que a construção se industrialize.
Muito bacana, hein? Pode contar com o nosso apoio, pode contar com a nossa audiência, com o nosso canal, como um braço aí da Absen.
Obrigado.
Enfim, eu admiro demais o trabalho de vocês. Então, gente, é sobre tudo isso que conversamos aqui. Você que não participa, que não conhecia ainda o nosso canal, compartilhe nossos conteúdos, comentem, falem de que estado ou país vocês estão acompanhando. E fiquem ligados porque logo mais tem conteúdo novo pra você!
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