CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA | PODCAST DE ENGENHARIA | LUIZ HENRIQUE CEOTTO | CONSTRUECAST #002

Podcast entrevista com o engenheiro civil Luiz Henrique Ceotto (formado em 1975) sobre inovação e aumento de produtividade na construção civil brasileira. Ceotto critica a mesmice centenária do setor, defende a educação voltada ao planejamento (engenheiro de produção aplicado à construção), e descreve sua experiência prática com sistemas industrializados (estrutura metálica, fachadas pré-fabricadas, dry‑wall) visando reduzir ciclos e mão-de-obra por m².
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Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtor à Infinity Plus. Hoje estamos aqui com o Luiz Henrique Ceotto. É um profissional diferenciado. Eu nem vou apresentar ele, porque o currículo dele é bastante extenso. Então, Ceotto, eu queria que você se apresentasse um pouco para a gente. Primeiro, é um prazer muito grande receber você aqui.
Bom, minha apresentação é muito simples. Eu sou um engenheiro civil, formei em 1975. e tenho dedicado minha vida toda ao ensino e ao desenvolvimento de sistemas construtivos e planejamento, sistemas de planejamento voltados à produtividade. Então, minha vida toda foi dedicada ao aumento da produtividade na construção civil.
Hoje você tem, na formação, você fica ali muitas vezes quatro anos estudando um segmento específico, por exemplo, concreto, depois você acaba dividindo aí poucos meses o estudo em madeira e aço. Como que você enxerga? Existe uma forma de juntar tudo isso?
A construção civil, infelizmente, ela tem sido repetitiva na maneira da gente construir. Então, nós não estamos com novidades há 100 anos. A última grande novidade que aconteceu no nosso setor foi o advento do concreto armado, que aconteceu na década de 1920, 1920 e poucos. E eu tive um verdadeiro choque quando eu vi que nós realmente estamos há 100 anos sem fazer muita inovação. Eu tive a oportunidade de analisar um dos primeiros prédios em concreto armado feitos no Brasil, em 1923, mais ou menos, que era um edifício à noite, no Rio de Janeiro. Tive a oportunidade de analisar esse edifício para fazer um retrofit, que é um restauro do edifício. Fiquei impressionado com a qualidade do prédio, feito há 100 anos, um prédio de 20 pavimentos, que foi construído em 20 meses, E eu analisar o projeto e ver a qualidade da construção, fiquei muito impressionado. O projeto é rigorosamente muito semelhante ao que nós fazemos hoje. A estrutura é muito semelhante, vãos de 5, 6 metros, os sistemas hidráulicos, sistemas elétricos, é claro. houve algumas mudanças. Então, por exemplo, os sistemas hidráulicos de esgoto eram ferro fundido, tubulações em ferro galvanizado. Hoje em dia você usa PVC. Mas, assim, sistemicamente era praticamente a mesma coisa. Então, assim, foi um choque para mim ver que aquele prédio podia ser confundido com o prédio feito nos últimos dez anos. Então, essa, infelizmente, é a nossa situação. O mundo inteiro, em todas as engenharias, estão dando saltos de produtividade, saltos de inovação, de modernidade, e a construção civil no Brasil continua praticamente, tem evolução, mas está praticamente se arrastando, com muito pouca novidade nos últimos 100 anos. Se isso é um problema, por outro lado, é uma oportunidade e que as universidades precisam aproveitar. As universidades estão reproduzindo exatamente ou muito parecido com sistemas que temos utilizado nos últimos 100 anos. E existem várias outras questões que precisam entrar para a gente realmente dar um salto. O papel das universidades é muito importante, porque elas formam a base, a base intelectual, a base profissional, onde nós vamos nos basear para dar esse salto.
Tem alguma sugestão para dar nesse sentido? Até porque nos últimos anos eu tenho conversado bastante com você e até acompanhei recente uma construção que você realizou com estrutura mista. E eu fiquei bastante impressionado com o tempo de produção. Até você deu um exemplo, inclusive, que você usou. Na construção desse edifício, você deu o exemplo de um chassi de carro, até para trazer inovação para o seu sistema construtivo.
Eu acho, de uma maneira simples, que nós deveríamos mudar o engenheiro civil para engenheiro de produção civil. O engenheiro de produção, que você tem produção mecânica, produção metalúrgica, o engenheiro de produção é municiado de uma série de instrumentos de planejamento que o engenheiro civil não é. Se reproduz em pilhar tijolo na universidade. Então, eu acredito que a característica, de uma maneira bem simples, a característica do engenheiro civil do futuro era o engenheiro formado em engenharia de produção, especializado em engenharia civil, especializado em construção civil. E esses engenheiros, as universidades, deviam se afastar ao máximo de sistemas que são arcaicos, por exemplo, a alvenaria. A alvenaria vai tender a desaparecer. Existe há dois mil anos e não tem mais sentido, é anacrônico você pensar em construir edifícios com alvenaria. Você pode construir casa, uma casa ou outra, uma casa de campo, mas de uma forma seriada, de uma forma produtiva, A forma de se construir tem que mudar.
Tem que pensar na aplicação, ou seja, tem que levar a pessoa para pensar um pouco mais o que eu posso fazer com esse tipo de... Que solução eu posso trazer. para esse tipo de construção e não já ir naquele modus operandi automático.
Na verdade, capacitar o engenheiro, o futuro engenheiro, a pensar, a estudar. Ele precisa ter... Não estou muito preocupado com o domínio tecnológico, mas estou muito mais preocupado com o domínio que ele tem do aprender a aprender, porque o domínio tecnológico é muito rápido. Se você aprendeu a aprender, Você domina qualquer tecnologia do setor com uma certa facilidade. O grande problema é... Nós temos feito os nossos engenheiros, os nossos estudantes de engenharia, já mergulhar, primeiro, em muita matemática, sem dizer exatamente para que aquilo vai acontecer. Tudo bem, falam que isso forma a capacidade de análise, acho que forma, sim, mas nós podemos encurtar um pouco mais isso e tornar toda essa matemática mais aderida, aderida à tecnologia. O segundo ponto é isso que eu coloquei, afastar. Pode até, historicamente, dizer como foi, mas não focar. Não focar. O empilhamento de tijolo, que isso significa um monte de coisa, que é uma construção úmida, intensa, a construção sem uma metodologia muito clara. Então, uma série de itens que nós poderíamos focar e capacitar esse engenheiro a pensar, a dominar novos processos, dominar o processo produtivo como um todo, ser obcecado por produtividade. obcecado por qualidade. Isso são coisas que, infelizmente, nós não estamos fazendo.
O senhor, e nesse sentido de método construtivo, você acha que a questão da qualificação acaba induzindo as pessoas, as construtoras, enfim, os próprios investidores a optarem por uma metodologia mais tradicional? Você acredita que essa falta de capacitação acaba induzindo a isso?
Eu acho que ajuda, mas eu não posso imputar somente a falta de capacitação, esse tipo de atraso da maneira de pensar. Eu acho que tem vários fatores. O primeiro fator é que há 50, 60 anos atrás, nós cube a construção civil por questões políticas e por questões das lideranças da época, absorver mão de obra não qualificada, qualificada no sentido de não especializada, e absorver mão de obra do campo. Há 50, 60 anos atrás, começou uma revolução no campo. Há 50, 60 anos atrás, os setores mais improdutivos da economia eram, basicamente, o agropecuário e a construção civil. Porque o agropecuário estava o quê? Na enxada, era baseado na enxada e no arado, de carro de boi. Houve um planejamento estratégico nacional e nós demos um salto, quer dizer, nós nos tornamos em 50 anos, 40 anos mais ou menos, um dos setores mais sofisticados e mais produtivos do mundo. Hoje nós somos uma potência agrícola, que jamais nós seríamos essa potência agrícola na base da inchada e do carro de boi. Então, em 40 anos, eu me lembro que eu já era professor, eu estava conversando com uma turma, dando uma palestra, e eu citei a Constituição Civil e o agronegócio, a agricultura. Hoje, a agricultura deu um salto fantástico, e nós estamos lá atrás.
Um salto gigante. Eu visitei recentemente um pequeno produtor aqui em Minas, bem próximo a São Paulo, Fiquei impressionado com o que vi de tecnologia. Imaginei que ele estava ali, não diria no arado, mas bem atrasado, pelo tamanho, pelo porte dele. Mas, quando vi a quantidade de tecnologia que ele utiliza, fiquei impressionado.
É fantástico. Hoje em dia, o homem do campo tem mais tecnologia, domina muito mais tecnologia que o engenheiro civil. E nós ficamos lá atrás. Nós achamos muito bonito absorver a mão de obra que veio do campo. O que aconteceu? Com toda essa tecnologia, com todo o desenvolvimento tecnológico do campo, aumentou muito a produtividade. E houve uma migração das pessoas, dos trabalhadores do campo, que eram trabalhadores de braçais, para a cidade. O que aconteceu? O pessoal achou muito inteligente a gente absorver essa mão de obra. Tudo bem, eu acho que se isso valesse por 5 anos, 10 anos, o problema é que nós fizemos isso por 50 anos, 60 anos. Então, o que aconteceu? Todos os demais setores da economia se desenvolveram muito, o desenvolvimento tecnológico, o desenvolvimento dos sistemas, e a Constituição Civil fica atrás. Se nós, da Constituição Civil, fazermos uma similaridade com o setor de computação, se a computação tivesse usado essa estratégia, hoje, nós não estávamos usando computador, nós estávamos usando Soroban. Sabe o que é Soroban? Aquelas contas que os japoneses fazem contas. É isso aí. O Soroban é o que estamos fazendo, estamos construindo com o Soroban, entre aspas, e precisamos mudar isso.
Você sabe que é um ponto bem interessante essa questão de atraso? Outro dia estava falando com uma engenheira e ela estava falando que ela tem dificuldade com os engenheiros da obra que não conseguem ler uma planta. Muitas têm que se deslocar, sair de onde estão para ir lá resolver questões básicas. Você já passou por alguma situação parecida?
Acho que tem coisa até pior. Hoje, o engenheiro reproduz aquilo, passa na frente de atividades verdadeiramente absurdas e não o incomoda. Então, assim, a maneira como nós construímos, a maneira como esses engenheiros são formados gerou uma preguiça mental muito grande. Ora, o sistema construtivo que nós estamos habituados, ele permite ajustar qualquer coisa. Ficou torto, dá uma cheia de massa e você alinha. Ficou isso, quebra e faz de novo. O nível de possibilidade de arranjos, de precariedade, de gambiarras, é tão grande que deixou o engenheiro com preguiça de pensar. Você não tem isso na engenharia aeronáutica, na engenharia elétrica, entendeu? Você não tem isso nas outras engenharias, na engenharia mecânica. Tudo é com muita precisão, tudo tem um motivo, tudo é calculado. Na construção civil, não. Na construção civil, é um monte de gambiarras que a gente até faz um planejamento muito superficial, porque a gente sabe que qualquer coisa a gente vai corrigir. vai corrigir com um aumento muito grande de mão de obra, com baixa produtividade, mas tudo bem, entendeu? Então, deixou o nosso engenheiro preguiçoso. Então, eu noto isso. Hoje em dia, a tendência, quando você contrata o engenheiro, a primeira coisa que você tem que se preocupar, focar, é mudar a percepção dele. Por exemplo, é muito comum, minhas obras, faço obras muito rápidas, edifícios de 15, 20 pavimentos, muito rápidos.
Inclusive, já acompanhei alguns e fiquei bastante impressionado com a metodologia.
A primeira coisa que eu contrato o engenheiro, a primeira coisa que ele quer fazer na obra é criar um almoxerifado. Para quê? Se você pode pegar o material, o componente, sair do caminhão e ir direto para o lugar de assentamento, para que precisa do almoxerifado? O engenheiro não consegue, porque o almoxerifado é aquele local que você deposita as coisas porque você planejou mal, comprou mal, comprou com a data errada, comprou com folgas excessivas. Então, para mim, tirar isso da cabeça deles, eles não conseguem, é muito difícil. Eu prefiro muitas vezes pegar um engenheiro recém-formado, trabalhar nesse tipo de percepção, para a gente chegar no just-in-time, que é você chegar ao recurso e já utilizar rapidamente, porque o engenheiro tradicional não consegue pensar de uma outra forma. Esse é só um exemplo, tem vários outros exemplos.
E se eu tenho que começar na faculdade, é isso?
Tem que começar na faculdade, pelo menos. Na verdade, a obsessão por planejamento devia começar na vida, na vida familiar. Mas, como isso é muito difícil... Aliás, acho que é mais comum você encontrar planejamento na vida familiar do que nas universidades. Então, na universidade, nós tínhamos que incultir isso. Valorizar isso. O engenheiro tem que ter prazer em planejar. Ele tem que ter prazer na precisão. Sem precisão, não tem velocidade. Sem velocidade, você não tem produtividade. Nós não podemos continuar nesses ciclos absurdamente lentos, essa mesmice que nós temos na construção civil hoje. É muito recurso desperdiçado, principalmente o tempo. Uma coisa que tive nos Estados Unidos durante dois anos, recentemente, no MIT, fazendo um curso sobre liderança e inovação, e lá pude perceber que tive muito contato com as empresas americanas. E uma coisa que pude perceber é a obsessão que o americano, o canadense, tem com o tempo. O tempo é considerado por eles como uma dádiva divina para você realizar coisas. No Brasil, o contrário. Na construção civil. Em outros setores, eu acho que não.
Em outros setores também existem.
Mas o tempo a gente desperdiça. Deixa para pensar de última hora. Ah, mas atrasou. Ah, não, mas dá um jeito. A leniência que nós temos com o tempo é tão grande que nós desperdiçamos tanto tempo. E a produtividade vai por água abaixo e vai recursos importantes, custos. Então, hoje, acredito que a grande oportunidade na Constituição Civil está no aumento da produtividade. Hoje, com todas as pesquisas, a produtividade no Brasil é tão pouco importante que ninguém mede. Você não tem uma empresa que mede sistematicamente a produtividade. Então, quando a gente consegue medir, a gente verifica que, em edifícios, nós estamos na faixa de 45, 50 homens-hora por metro quadrado, algumas 40, sendo que a China já está trabalhando com cinco, seis homens-hora por metro quadrado. A China está obcecada por produtividade. Agora, a coisa de uns cinco anos atrás, eles construíram um edifício de 72 pavimentos em 60 dias. Os brasileiros aqui, os nossos coleguinhas... Isso é propaganda. Agora, recentemente, menos de um ano atrás, fizeram um edifício de 17 pavimentos em 24 horas. E o brasileiro está achando muito engraçado. Isso é um absurdo. Hoje, a China é o maior exemplo de produtividade. Na Constituição Civil foi o maior salto. Para você ter uma ideia, as empresas chinesas de engenharia varreram as empresas americanas do sudeste asiático. O americano hoje só pega serviço de engenharia nos Estados Unidos. A produtividade, tanto dos coreanos, como dos chineses, como dos japoneses, eles estão dominando o mundo em termos de engenharia. E nós, no Brasil, nem nos preocupamos em saber o que é produtividade.
Seu doutor, e nesse sentido dessa questão de organização, de processo e tudo mais, até sem ser redundante, mas é um ponto que eu reputo muito importante, por isso que eu vou voltar um pouquinho. Eu queria que você desse um exemplo de como funciona o processo nas suas obras, porque eu já tive a oportunidade, repetindo, de acompanhar alguns trabalhos que você faz, algumas edificações, e eu fiquei impressionado com a rapidez, com a limpeza. do canteiro. Você que está à frente disso, como funciona? Explica um pouquinho, de forma mais detalhada, como funciona o processo, meio que um passo a passo, e se você tem dificuldade com fornecedores, com terceiros, para manter esse padrão, esse padrão seoto, vamos dizer assim.
Essa resposta pode durar uma semana de conversa. Mas, basicamente, a minha empresa, eu e meus sócios, o Flávio Lino, nós criamos uma empresa para ser uma empresa de altíssima produtividade. E, é claro, nós estamos cada dia melhorando mais. Mas a ideia é a gente, primeiro, ter uma produtividade da mão de obra de pelo menos um terço do que se faz no mercado. Então, hoje em dia, o mercado fala em 40 homens-hora por metro quadrado de área construída. Nós estamos já produzindo 9 homens-hora por metro quadrado, 9, 10. Esse homem-hora por metro quadrado quanto menor, mais produtivo, porque é menos gasto de mão de obra. e em ciclos muito rápidos. O ciclo, normalmente, da construção para edifício, todo de 20 pavimentos, é 30 meses. Se correrem muito, daria 26 meses, 24 meses. Nós estamos conseguindo fazer esses edifícios em 12 meses. teórica e nosso sonho é chegar em dez, talvez menos, oito meses, e com alta qualidade. Criamos um processo construtivo voltado para a construção metálica, fachadas pré-fabricadas, voltada para a construção seca, que tem dado resultado muito grande. Nos últimos dois anos, com o Covid, tivemos uma... um aumento muito grande da construção metálica. Isso desbalanceou e nós tivemos que, momentaneamente, voltar para a construção em concreto. Mas todo o restante do sistema é voltado para a construção industrializada. No caso específico, nós só estamos fazendo moldado em loco a estrutura de concreto. O problema da estrutura de concreto é que ela é naturalmente imprecisa. você fazer estrutura de concreto, porque, na verdade, você faz uma estrutura de madeira e lança o concreto e a armadura dentro. Então, isso tudo se move. A possibilidade de você abrir uma forma, de desalinhar uma forma durante a concretagem, mesmo durante a montagem da forma, é muito grande. É naturalmente instável. Então, quando você tem mais ou menos cinco centímetros, dois centímetros para lá, dois centímetros para cá, três, Esse tipo, se você quer ter produtividade, você não consegue, você precisa ter, obcecadamente, precisa ter precisão. E nós encontramos na estrutura metálica essa precisão que nós precisamos. A estrutura metálica você está falando em 5 milímetros, 2 milímetros, enquanto você está falando em 10 vezes mais no contrário.
É muita diferença, muita diferença.
Por que a precisão é tão importante? Porque você não pode ter retrabalho. E segundo, a estrutura é como um chassi. Eu sempre falo, é um chassi de um carro, que você monta tudo em cima desse chassi. Então, a estrutura de um edifício está para um edifício como o chassi está para um carro. E o chassi, ele relaciona o chassi de um carro, ele fixa o motor nele, ele fixa todos os demais sistemas, né? Embreagem, sistemas elétricos, hidráulicos, tudo no chassi. Imagina se o chassi não tivesse precisão e fosse colocar o motor e não coubesse, entendeu? Precisa-se... Faz um ajuste aqui e segura.
Pra próxima etapa que... Um carro é.
Montado em duas horas. Um carro tem a mesma quantidade de itens que um edifício. É mais ou menos 4.000 a 4.500 itens num carro. É mais ou menos 4.000 a 4.500 itens num edifício. Esses 4.500 itens são montados num carro só porque nós temos um chassi preciso. Isso eu aprendi. Então, o nosso chassi é a nossa estrutura. E tivemos que optar pela estrutura metálica. Agora, recentemente, com a estrutura de concreto, por mais o esforço que a gente tem que fazer para dar o mínimo de confiabilidade, eu nem chamo de precisão. Para sair dos 5 centímetros para 2 centímetros é muito grande, porque a estrutura de concreto, ela naturalmente é imprecisa. Você bobeou, sai tudo errado.
Mas mesmo que você utilize formas ultramodernas, Apesar que quando você vai começar, vou investir muito em forno, você acaba, dependendo da situação, você acaba onerando muito o projeto, porque acho que você, de certa forma, está colocando tecnologia, uma forma diferenciada ali, isso acaba encarecendo às vezes o...
O desenvolvimento de formas metálicas para concreto é fundamental, só que no Brasil nós não temos. Ainda temos muito pouco desenvolvimento. Normalmente a forma metálica é para fazer um edifício. Se você vai repetir aquele edifício 500 vezes, ótimo, você tem uma ótima produtividade. Mas o grande mercado residencial, principalmente de incorporação, de classe média, cada edifício é diferente do outro.
E essa sujeira, quando você está desformando aquele material, o que eles fazem?
A raspa vai para o entulho, vai para as caçambas. Quando você desforma um andar em concreto, é uma sujeira absurda. São metros cúbicos de entulho, que raspa nas formas, que vazam das formas, que às vezes grudam na laje. Você tem que ter um esforço danado para desgrudar tudo aquilo da laje ou quebrar, lixar. Então, é uma quantidade de serviço que você tem que aplicar sobre a estrutura para poder colocar um componente industrializado. Se você vier botar alvenaria, não. Alvenaria, de qualquer jeito, cabe lá na laje. Vamos falar do drywall, que a gente chama, que é o frame, a estrutura em aço galvanizado com chapas de gesso no entorno. Você pode fazer isso tanto na estrutura metálica, que é extremamente preciso, como você também pode fazer no concreto. Mas, para você assentar a guia da parede no chão, você precisa ter um tratamento de superfície bastante importante, porque senão você vai ter problema de escape de som, você vai ter problema de baixa produtividade, de irregularidade na parede. E você economiza um pouco na estrutura, porque o peso O peso da parede em drywall é muito menor, da ordem de 20, 30 quilos por metro quadrado, enquanto o peso de uma parede convencional é da ordem de 200 a 300 quilos por metro quadrado. Então você tem uma certa economia. Mas o grande problema é que o drywall tem flexibilidade, mas, por exemplo, a fachada pré-fabricada não tem. Então qualquer desalinhamento que você tem na estrutura, as juntas entre as fachadas ficam grandes ou até não cabem. Então, assim, você tem que criar um monte de artifício de tal maneira para compensar essa improdutividade, essa baixa precisão, mas isso envolve redução da produtividade. Toda vez que você tem que botar o que a gente chama na construção civil de um bacalhau, o bacalhau é a faixa de ajuste, entendeu? Você tem que produzir essa faixa de ajuste depois que você mediu. A construção úmida, a construção em concreto, quando você usa componentes industrializados, você precisa medir tudo. Você faz a estrutura porque você não sabe exatamente como essa estrutura vai estar. Você tem que medir e mandar fabricar. Isso demora muito tempo. Você coloca as atividades em linha. Quando você está construindo de uma maneira de alta produtividade, com estrutura metálica, eu posso mandar encomendar todas as peças, por exemplo, peças de fachada, peças de sistemas hidráulicos pré-fabricados. Eu posso mandar fabricar tudo isso com medidas de projeto. São fabricadas enquanto eu estou montando a estrutura. Na estrutura de concreto, não. É muito mais difícil. Alguma coisa você consegue, mas é muito mais difícil. Então, por isso que eu elegi para a minha estrutura a estrutura em aço. Infelizmente, com o Covid, o último prédio que eu fiz e o Íon, que eu vou começar agora, está sendo feito em concreto. Mas eu tenho um terceiro prédio que nós também vamos começar agora, que eu já estou estudando e o maior desejo meu é retornar a estrutura em aço. Eu acredito que os preços, o aço subiu muito, ele dobrou de preço, triplicou muitas vezes. Eu acredito que os preços relativos vão tender à estabilidade, tá certo? E a estrutura em aço vai voltar a ser 40 ou 50% mais cara do que a estrutura de concreto. E nós estamos desenvolvendo maneiras de produzir essa estrutura de tal maneira que nos próximos dois anos a gente consiga fazer uma estrutura metálica no mesmo preço, no mesmo custo por metro quadrado de uma estrutura de concreto.
Isso é um sonho, não é?
Hoje tenho praticamente certeza de que vamos conseguir, porque a fabricação, por incrível que pareça, a fabricação de estruturas metálicas no Brasil é altamente improdutiva. O edifício montado é rápido, mas a produção é lastimável, as fábricas são lastimáveis.
Agora eu entendi o que acaba, muitas vezes, onerando aquilo, porque, se você não tem um processo bem pensado, lá na base, você acabou nerando, e quem paga essa conta...
É, porque para você produzir estrutura metálica, você precisa de uma produção industrial, você precisa de uma base industrial. Se essa base industrial funciona por espasmo, Funciona de uma maneira totalmente desorganizada, como são as fábricas de estrutura metálica. Funciona por esparro, ora tem serviço, ora não tem serviço. Tem uma estrutura de diretor cara para diabo. É o samba do crioulo doido, aquela música. Se você não acertar isso, A estrutura metálica não vai baratear. Tendo todos os testes, tudo que nós desenvolvemos até agora, dá para a gente reduzir a metade do custo da estrutura metálica somente focando no projeto e focando na forma de você produzir essa estrutura, com sistemas, com empresas que já estão no mercado, que são mal gerenciadas. Uma das coisas que eu falo, que é um dos pecados que as siderúrgicas têm, é que eles não cuidaram dos serviços ajusante. Eles fazem um produto excelente, um perfil maravilhoso, mas, depois do perfil, para você ter um prédio pronto, tem muita coisa que você tem que incorporar. E, se você deixa tudo relegado à própria sorte, tem de ir de mal a pior. É a primeira lei de Murphy.
Nessa questão que você está levantando agora, é bem interessante porque outro dia eu estava lendo um livro do Vicente Falcone e ele deu um exemplo muito interessante do café. Você vai fazer um café e você não tem processo para fazer ele. Aí chega uma visita, imagina que ele quer um café mais fraco ou um café mais forte. a partir do momento que você não tem uma metodologia, que você não tem um processo, você nunca vai saber agradar aquela visita, você nunca vai conseguir acertar fazer um café de uma forma que aquela visita de fato vai gostar. Agora se você tem um processo, eu tenho as medidas, hoje eu vou fazer um café mais fraco, é só você diminuir ali a quantidade de água ou aquela... Enfim, você tem... Você tem domínio sobre o processo. Você tem domínio sobre o processo. É muito interessante. Acho que entra bem nessa questão que você está falando. E, infelizmente, tenho visitado algumas fábricas, visito muitos canteiros de... canteiros de obra. Fico muito triste quando vejo... Enfim, situações em que você está... E.
Outra coisa, a estrutura metálica não vive sozinha. Você não pode fazer um prédio com uma estrutura metálica e encher de tijolinho. Não tem sentido. Então, a estrutura metálica precisa da fachada pré-fabricada, ela precisa do drywall, ela precisa dos sistemas hidráulicos e elétricos, dos sistemas hidráulicos pré-fabricados, dos chicotes elétricos. Precisa de um conjunto de coisa. Então, imagina se você tivesse um chassi de um carro e você tivesse que recobrir ele com madeira.
Não faz sentido nenhum.
São esses serviços todos a montante para produzir a estrutura, somado a tudo que você tem que pensar para construir o edifício, que no Brasil nós não temos. E nós temos. Eu, meu sócio, a minha empresa foi voltada para isso. E esse domínio, hoje eu acredito, estou só esperando, nós já tínhamos atingido antes do Covid, agora com Covid os preços relativos ficaram uma loucura, mas eu acredito que nos próximos um, dois anos, nós vamos retomar o ponto que nós estávamos. E nós vamos fazer com que a estrutura de aço tenha o mesmo custo direto por metro quadrado de uma estrutura de concreto. E o ganho da estrutura de aço vai estar na rapidez, vai estar nos custos indiretos e em uma série de outras coisas.
Nesse sentido, nessa questão de melhorar a produção nas fábricas, você está participando de algum processo, ajudando alguma empresa, até a melhorar os processos e tal, para que isso de fato ganhe redução? E o investidor que vai pagar essa conta também ganha, porque a partir do momento que você faz uma melhora ali na base, todo ciclo ganha. Você está trabalhando isso dentro de alguma ou algumas indústrias?
Sim. Hoje nós já estamos com o braço... Nós trouxemos para ser sócio nosso uma empresa de estrutura metálica, que trabalha com industrialização da construção, e nós estamos trabalhando com ele para eles nos ajudarem a ter altíssima produtividade. Então, eu acredito, e os primeiros resultados nós já estamos conseguindo, inclusive com outros fornecedores do mercado, está sendo muito interessante. Tanto que agora, não sou louco, o próximo prédio nós já estamos estudando em aço, nós vamos arregaçar manga, vamos trabalhar para ser em aço, Em plena, assim, hoje em dia ninguém pensa nessa possibilidade devido ao preço do aço. Eu acredito que o aumento da probabilidade de fonte é tão grande que a gente consegue na construção de aço, que vai ser viável. Eu não tenho dúvida mais.
Quando você falou com essa veemência, com essa certeza que você vai conseguir, eu falei, não, esse outro deve estar atuando aí, ele deve estar... ajudando alguém ali da indústria, porque acho que, para você conseguir essa certeza, de fato, você tem que estar ali junto com a base.
A minha empresa se associou à CMC de Belo Horizonte, a CMC do Grupo Lafayette, uma empresa muito grande.
Conheço.
E eles vão... Entre outras coisas, estamos trabalhando em conjunto, entre outras coisas, vão produzir para a gente estrutura metálica, parte de estrutura metálica, porque parte dela não precisa ser produzida por eles, e vão produzir também fachadas pré-fabricadas, fachadas leves de steel frame. Então, essa base construtiva tem muito a ver com a estrutura e com a fachada. A gente, tendo domínio desses dois itens, fora outros itens, como banheiro pronto, uma série de coisas que não podemos fazer, mas tendo domínio da fachada e da estrutura, nós temos domínio do sistema. Esse é o que é importante.
Senhor, e sabe que uma coisa que até eu vou... É um pedido, porque, quando a gente pensa nessa nova geração, Você tem ótimos cases, inclusive depois eu queria até falar de um case específico. Você toparia, de repente, a gente pegar quando esse próximo empreendimento em aço começar e você, sei lá, de repente trazer até seu parceiro, o que está... Eu não sei o nome, você pode citar o nome.
O pessoal da CMC?
É, escolhe alguém.
Ah, sim.
Então, você escolhe... Edson Tedeschi.
Você traz o Edson... Um grande engenheiro mecânico que está trabalhando com a gente. Inclusive, robotizando. Nós vamos robotizar a fabricação.
É muito interessante porque seria interessante a gente fazer um case, do início ao fim. Como funcionou? Desde o... Pensamos no projeto, esse foi o primeiro passo, depois pensamos na produção. Enfim, mostrar um passo a passo para esses alunos, para essas pessoas que estão ou iniciando na faculdade, ou já estão se formando, acho que você acaba pegando toda a cadeia. Desde aquele engenheiro, aquele cara meio turrão, que o cara não quer mudar, não quer inovar, enfim, acho que você acaba ajudando toda a cadeia.
Ultimamente, eu tenho um engenheiro de uma empresa que são parceiros nossos, um diretor técnico que não quer colocar a grua, não coloca a grua na obra porque ele fala que é possível descarregar a carreta de aço no braço. Nós temos que vencer uma série de resistências e maneiras de pensar. Então, está prometido, para o final do ano que vem, nós vamos ter casos bastante interessantes. Eu acredito que, até o final do ano que vem, nós vamos ter três ou quatro obras em andamento com toda a filosofia que nós fomos aprendendo ao longo do tempo, nos edifícios que nós fizemos. Acredito que, já com o novo processo de produção, vamos ter bastante coisa interessante.
A gente consegue, porque a ideia é justamente isso, é mostrar. Quando te convidei para fazer esse bate-papo é porque, de fato, fiquei encantado com o que vi. com a forma como você...
É, você viu um edifício de 16 pavimentos em 12 meses.
Fiquei muito encantado. Então, você trazendo aí, no método tradicional, que tem uma média de 30 meses, você reduz isso para 12. E aí você está querendo reduzir mais ainda.
É, muito mais.
Você entende? Então, eu acho que a gente tem aí um, eu acredito, um caminho, eu não diria fácil, um pouco desafiador. E se você, de repente, até tiver algum engenheiro júnior para, sei lá, para.
Ele falar da experiência... Bem, eu tenho uma engenheira.
Maravilha.
Eu tenho uma engenheira recém-formada que nós estamos capacitando ela. E ela entrou como pombinha e está saindo como gavião em um ano.
E aproveitando que você falou da engenheira, como que você enxerga o papel da mulher na construção? Hoje eu tenho grandes exemplos de construtoras que estão montando fábrica com 70% da operação só mulheres. Tenho aí, na própria indústria mesmo do Aço, tenho visitado algumas empresas e eles têm contratado muitas mulheres, mas eu sinto por parte dela que existe um preconceito muito grande.
Eu acho que esse preconceito está reduzindo. Eu gosto muito de trabalhar com as mulheres. Hoje, toda a minha base de obra é praticamente mulher. O que eu noto? Elas são extremamente atenciosas, elas prestam atenção, o homem às vezes é muito mais apressado, as mulheres são detalhistas, são muito caprichosas. Elas têm calma. O equilíbrio em situação de diversidade, em situações mais difíceis da mulher, é muito grande. O cérebro, a memória da mulher é enorme. Vejo uma engenheira recém-formada minha, que trabalha lá comigo, ela hoje já domina todos os processos, ela sabe tudo, ela consegue me reportar detalhes diariamente que eu precisaria ter muita anotação e, ainda assim, eu ia esquecer. Então, eu gosto muito de trabalhar com engenheiras, com arquitetas. Hoje em dia, a base da empresa, arquitetura e engenharia, está na mão das mulheres.
Está na mão das mulheres. Eu, particularmente, gosto muito, acho que esse cuidado que a mulher tem A inteligência.
É fantástica, a inteligência feminina, assim, elas vão dominar o mundo, vão mesmo. Eu, às vezes, fico admirado com o que essas garotas estão fazendo.
E essa engenheira que você citou, ela está trabalhando com você há quanto tempo?
Trabalhando há dois anos.
Há dois anos e está te surpreendendo isso aí? Estou me surpreendendo todo dia, todo dia.
É fantástico. Eu tenho algumas engenheiras trabalhando comigo. Eu tenho uma mais experiente, eu tenho outra mais nova, que tem uns três, quatro anos de formado, sendo dois trabalhando comigo. Mas assim, a capacidade de produção, e principalmente produção intelectual, no sentido que você precisa pensar e planejar delas, é enorme.
O seu, nessa questão intelectual também, existe uma técnica? de estudo, algum direcionamento para ajudar essas pessoas? Algum conselho? Se você puder estudar tal coisa, isso vai te ajudar a pensar? Existe algum?
Acho que a primeira coisa é ler. Tem que acostumar a ler. O melhor vício que a pessoa pode ter na vida é ficar obcecado por leitura, viciado em leitura. Então, é ler. Hoje em dia, eu leio um livro a cada duas semanas. Eu já cheguei a ler um livro por semana. Eu falo assim, leiam, leiam. Agora, leiam pode ler itens da própria teoria do pensamento, estruturação, planejamento, itens de mercado. Leiam, leiam. Esse é o primeiro ponto. Quando você se acostuma a ler e a pensar, você aprende a aprender. O segundo ponto que você tem que ter é o seguinte. Toda vez que você olhar para uma atividade, olhe de maneira diferente. Ou seja, nunca faça atividade duas vezes da mesma maneira. Pense em como pode melhorar. Quais as lições que você pode ter e o que você pode melhorar. Isso aí eu chamo de compromisso com a modernidade. Como você pode melhorar aquilo que você já fez e vai fazer de novo? Mesmo que sejam coisas semelhantes... Sempre existe.
Uma forma de fazer melhor.
Tem que ser obcecado por isso, está certo? E é interessante para quem está já na universidade, além desses dois itens, para quem está na universidade, acho que é muito importante fazer um curso do PMI, O PMI, o Project Management, dá uma metodologia e uma organização mental num projeto, num empreendimento, numa obra. Ele treina você para olhar de uma maneira sistematizada. Quando você olha de uma maneira sistematizada, pode até não ter olhado da forma mais perfeita. Mas a segunda vez que você olhar, ele treina você a olhar várias vezes, você melhorando essa sistematização. Então, basicamente, são esses três itens.
Entendi. E, para fechar, seu outro, imagina que tem alguém nos assistindo agora ou vindo nas plataformas de áudio, alguém que tem interesse em conhecer um projeto do seu outro. O que essa pessoa tem de fazer?
Bom, nós temos um site, mas é um site mais comercial, que ele mostra as obras que nós fizemos. Hoje, nós terminamos em dois anos, três obras. Dois anos e meio, três obras. Com Covid e tudo, nós conseguimos terminar essas obras, com um pouquinho de atraso, mas atrasaram muito pouco. E eu acredito que, ao longo do tempo, nós vamos mostrando o que nós vamos fazendo. O novo ciclo de obra que nós vamos começar é um ciclo bastante, tem bastante novidade em relação ao que nós fizemos. Depois, vou encontrar uma maneira de filmarmos, de mostrarmos, de passar dados reais do que está acontecendo, como está acontecendo a produtividade, o que deu certo, o que não deu certo. Então, acho que vou encontrar uma maneira de ir divulgando isso.
É bem interessante. Inclusive eu vou receber aqui o Nilson Tsui para falar sobre ACM. As aplicações que se encaixam muito bem também em alguns tipos de fachadas. Então assim, eu vou trazer muito conteúdo aqui. E é muito importante que a gente crie essas conexões. Então, se eu sou um estudante e quero conhecer... De repente, eu quero visitar uma obra... Acho que existe essa possibilidade. Eu acredito que você é uma pessoa muito... Você dá muita abertura para essa geração. Acho que você está construindo essa base.
Eu quero incomodar a nova geração para eles saírem da caixinha, saírem da mesmice, porque o futuro da construção é deles. Eu acho que tem muita oportunidade, muita oportunidade.
Eu acho que para quem quer inovar, cola no seu outro que tem bastante oportunidade aí. Então tem mais alguma coisa, algum assunto? Eu sei que a gente vai conversar mais, mas eu queria, em um outro momento, eu queria que você fizesse um convite para três pessoas. Na verdade, essas pessoas têm que vir aqui para participar de um bate-papo com você.
Olha, eu poderia convidar muitas pessoas, né? Tem três pessoas que eu gosto muito e são pessoas que têm muito a acrescentar e estão inovando. A primeira delas, eu acho que valeria a pena uma conversa com o professor Wanderlei John, da Escola Politécnica.
Fale um pouco sobre o Wanderlei.
O Wanderlei é professor, doutor e pesquisador na área de materiais. Ele tem uma capacidade gigantesca de ver a construção civil do ponto de vista de emissão de carbono, do ponto de vista de redução de consumo de energia, Então é fantástico. Ele é uma pessoa que eu tenho aprendido muito.
E esse é um tema muito importante, inclusive aí acho que está muito em alta. Então o Wanderlei está convidado para fazer um bate-papo. Inclusive, Souto, você vem junto.
Está prometido. Ele, por exemplo, está desenvolvendo o consumo, ele está reduzindo nas pesquisas dele, reduzindo o consumo de cimento em concreto de altíssima resistência a um terço do que hoje nós gastamos.
Bem interessante. Então, esse é o tema de um podcast. Vamos falar com o Wanderlei. E quem é o próximo podcast?
Outro bastante interessante é o Carlos Franco. Ele é um engenheiro, um projetista estrutural voltado a pré-moldados. Além de ser uma pessoa extremamente inteligente, ele é filho de um grande amigo meu que, infelizmente, morreu, que é o professor Franco, da Poli. Mas ele pesquisa e desenvolve sistemas em concreto que possam conversar com o aço. Ele tem feito muito trabalho interessante nesse sentido, acho que vale a pena.
Inclusive, quando você fala de construção mista, aquele último projeto que visitei, achei bem interessante essa mistura.
Isso, eu tenho usado muito ele, tenho conversado muito com ele para o desenvolvimento dos sistemas.
E a próxima? Ah, então está convidado, tá? Depois a gente alinha aí as datas para a gente bater esse papo.
E outra é uma profissional, quase garota, mas é uma profissional de estruturas metálicas, que é a Rosane Bevilacqua. Ela hoje trabalha na Gerdau. Mas ela tem uma visão muito estratégica, muito interessante do uso do aço. E ela tem me ajudado muito, com muitas ideias, no desenvolvimento do meu processo consultivo. Dá para a gente ficar falando aqui mais umas quatro horas de pessoas interessantes. Aliás, uma coisa que eu tive na vida foi sorte de encontrar pessoas que me ajudaram, pessoas excelentes ao longo de todo o tempo.
Eu ia te fazer essa pergunta agora. O que você fez para construir essa carreira tão brilhante que você construiu? Eu ouço e falo muito bem de você no mercado, principalmente essa questão de inovação. Você tem uma inquietação por inovação absurda?
Eu acho que eu tive sorte de trabalhar nas melhores empresas do mercado. Eu trabalhei em poucas empresas. Eu fiquei sempre 12 anos nas empresas. E essas empresas me deram a oportunidade de desenvolver muita coisa. Então, eu pude desenvolver muita coisa e eu pude conviver com excelentes equipes. Eu pude liderar equipes excelentes, mas eu tive também contatos com profissionais que me ajudaram muito. Então, eu tive sorte. Na verdade, na minha vida profissional, o que eu posso falar é que eu tive sorte.
Eu acredito, de fato, em sorte, mas acho que você correu atrás dessa sorte. Eu acredito em sorte e mérito, porque você teve oportunidade, correu atrás, batalhou e... chegou onde chegou.
Eu acho que eu tive mais sorte, quando a sorte é tão boa, você não pode deixar de aproveitar, só se eu fosse muito burro de não aproveitar. Tem gente que é esforçado, trabalha, competente, mas trabalha às vezes em empresas que não são boas, que não dão oportunidade, tem chefe tóxico. Eu tive excelentes empresas, eu trabalhei em excelentes empresas que me deram oportunidade. Respeito, oportunidade, oportunidade de criar. Então, assim, isso é sorte. Infelizmente, muita gente, a maior parte do mercado é tóxico.
É muito prazeroso falar com você. Fiquei muito, muito feliz com o nosso bate-papo. Tenho muitas coisas, muitas outras coisas pra te perguntar, mas infelizmente o nosso tempo tá curto. Teremos essa oportunidade aí de conversar com outros convidados, inclusive quando a Rosane, no dia que a Rosane estiver, seria interessante se você conseguisse trazer Qual que é o nome da sua engenheira?
Marina.
Marina. Seria muito interessante ter nessa mesa aqui a Rosane, a Marina e o seu outro, para bater esse par.
A mais nova é a Marina. Mas eu posso trazer as duas engenheiras que eu tenho aqui, mais uma arquiteta. Eu posso encher de mulheres de excelente qualidade.
Vamos conversar, porque eu tenho esse desafio.
A Bia Bidala.
Vamos conversar, porque eu acho que... Eu estou muito contente com a penetração da mulher no setor da construção. Acredito que vai trazer, de fato, muita qualidade. E qualidade é uma coisa que a gente precisa muito, porque...
Elas têm muito o que ensinar para a gente.
Têm muito o que ensinar. Qualidade e cuidado. Então, bom, eu recebi hoje aqui o Luiz Henrique Ceotto e em breve teremos novos convidados e, claro, o Ceotto junto.
Pode contar comigo se você precisar.
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