Construção Metálica e Industrialização com ABCEM – Expo Offsite #1

Interview recorded live at the Expo Construção Offsite. Host Paulo and guest Horácio (senior professional in metal construction, ~53 years old) discuss the industrialization of construction—BIM adoption, the need for field experience, logistics, workforce training, and the market for metallic structures. Horácio describes several high-profile projects (Allianz Parque, MASP retrofit, Maracanã, Brasília arch bridge, Nova Roma bridge), organizational activity (ABSEN/ABICEM with ~100 members, ConstruMetal event on 9 September at Allianz Parque) and manufacturing capacity (Metasa factory in Marau, RS). Practical logistics and production facts are emphasized (transport size limits, typical project durations, large steel packages for pulp & paper plants).
Questions this video answers
9 de setembro, no Allianz Parque, das 8h às 20h/21h.
About 100 associates.
25 bidders (Metasa + 24 competitors).
About one year and three to four months (1y3m–1y4m).
Marau, Rio Grande do Sul (RS), Brazil.
Chapters
Sejam bem-vindos, está no ar mais um episódio do podcast, e não é qualquer episódio. O episódio de hoje é diretamente do Sambódromo do INB. Este episódio é um oferecimento produtora de vídeos Infinity Plus, Hub e Construção. E o convidado também está à altura. Eu estou falando do Horácio, que vai dar uma aula pra gente. Eu sempre falo quando o convidado é muito relevante, ele vem pra dar aula. Horácio, seja bem-vindo ao nosso episódio, ao nosso Constra e Caste, que tem como papel transformar a construção civil através da educação. E quando a gente fala de industrialização da construção civil, ninguém melhor que você pra falar sobre esse tema.
Obrigado, Paulo. Quem sabe, né, eu poderia... fazer várias declarações aqui sobre a construção metálica como parte da construção industrializada. E aqui hoje, nós demos uma caminhada pela feira e está realmente bastante heterogênea, voltando a construção industrializada ou botando a construção industrializada como um foco bastante interessante. Esse evento leva a construção metálica, de alguma maneira, ela leva bastante metálica para um top bastante interessante. Fico bastante contente pelo convite. É o meu primeiro podcast. Então você tem que, por favor, entender como é que funciona.
Que é uma conversa.
Por favor.
E é bacana, quando você fala desse evento que está acontecendo, a gente está gravando esse episódio diretamente da Expo Construção Offsite e a gente tem muita metálica nesse evento. Então, eu queria que você falasse um pouquinho do seu trabalho na construção industrializada para a nossa audiência e fala um pouco aí. A gente vai falar de um case que todo mundo conhece, que é o MASP. Então, você que chegou agora, fique até o final, porque esse episódio promete.
Veja bem, eu... Eu outro dia... Acho que o Ulisses me pediu um pequeno currículo, né? E... Quando eu fui fazer, eu... Eu estava com... Estou com 53 anos, atuando no mesmo ramo. Por quê? Eu me formei, e fui trabalhar na construção metálica. E, de lá para cá, foi só a inovação que eu vi. Já passamos por altos e baixos nesse mercado. Quem acompanha esse mercado desde a época sabe do que estou falando. Então, é um mercado que antigamente todo projeto era feito a Nankin, e hoje ele é feito todo por computador, utilizando o BIM, que é atualíssimo, como pano de fundo para que a gente possa desenvolver os projetos. É muito importante porque é uma linguagem que hoje está no mercado, é requerida pelo mercado e é necessária para o mercado. Quando eu comecei, como estava falando para vocês, todo o desenvolvimento do aço, do próprio parafuso, da solda, era uma coisa nova. Então, as obras, as grandes obras, elas vinham todas dos da Inglaterra, se você ver as grandes pontes que tem no Brasil, datadas do século passado, vinha da Inglaterra. Nós ainda éramos incapazes de fazer. E, com isso, a evolução foi bastante, muito interessante, porque hoje nós temos uma construção industrializada, que é o foco aqui nosso, muito... necessária porque o mercado hoje cada vez cada vez mais está necessitando de mão de obra qualificada e essa qualificação só é possível desde que você tenha desde o projeto até o desenvolvimento de fábrica e da própria montagem que é em loco, que é no campo, que é na casa do cliente para que ela fique cada vez mais apurada cada vez mais fácil, com segurança, com o trabalho da equipe, para que ela possa ser desenvolvida.
Prácio, eu queria agora aproveitar.
Diga.
Quando você fala da sua experiência, que não é pouca, então me sinto muito à vontade agora para te fazer uma pergunta. A gente está vivendo agora a era da tecnologia.
Diga.
Só que, por outro lado, eu percebo que os profissionais que eu falo, que são os cabeças brancas, é um grupo pequeno que domina esse mercado. principalmente quando eu falo de engenharia, daquele cara que conhece engenharia de fato. O que mudou desse profissional do passado, que não tinha tanta tecnologia, para esse profissional de hoje que tem tanto acesso à tecnologia, mas ele precisa muito do auxílio desse profissional que trouxe essa construção nas costas, vamos dizer assim?
Paulo, vou te dar um exemplo. Antigamente, o cara que fazia o projeto Ele ficava ali quebrando a cabeça de como fazer. E, por exemplo, colocar um parafuso e conseguir dar o aperto nesse parafuso. Então, ele descia até a fábrica e ia falar conosco da produção, como é que ele poderia fazer para botar um parafuso e dar o aperto. Hoje em dia, Como é no computador, apesar do BIM, muitas vezes você manda uma peça para a obra que ela ainda deixa a desejar relativamente a isso. Não que ela seja estragada, mas ela não tem... Como é feita no computador, o computador está ali, está aceitando tudo.
Aceita tudo.
E o cara não tem... O feeling, pra saber se aquilo vai ou não funcionar do jeito que ele precisa. Você imagina o cara montando a 30 metros de altura, ele recebe a peça, tem que botar o parafuso pra prender, e não tem como botar, ou não tem, no dia seguinte, como apertar.
Isso...
É uma coisa de maluco. Então, o cabeça branca, nesse caso, Ele via isso, porque ele fazia o projeto e ele acontecia ali. Hoje em dia, com o advento do computador, que é maravilhoso, todos os programas são maravilhosos, ainda você tem alguma coisa que deixa a desejar.
Eu não estou aqui para dar opinião, mas eu gosto muito de canteiro de obra. Eu vivo na indústria, eu vivo também no canteiro de obra, porque Eu sou responsável por um canal que é o maior acervo nacional de arquitetura. A gente falava só com arquitetos. E quando eu estava na obra, as pessoas falavam, Paulo, a obra não é aquela realidade ali daquele projeto. As pessoas precisam começar a viver a realidade do dia a dia de obra. Então, na sua opinião, você não acha que falta um pouco esses profissionais saírem um pouco ali dos computadores para ver se aquilo que eles estão projetando está, de fato, atendendo ali o dia a dia do canteiro?
Olha, vamos lá, vou começar pelo final. Hoje em dia o cliente requer que depois da obra pronta você faça um as-built, ou seja, conforme você construiu, me mostra, põe no projeto. Então, você usa o projeto para fabricar, você usa o projeto para montar, mas qualquer adaptação, você tem que mudar o projeto. Aquilo que a gente falou agora mesmo. Então, isso é falta de conhecimento da visita desses profissionais no canteiro de obra. É muito importante. Acho que devia ser... O tempo todo, as empresas deveriam colocar esses profissionais para que fossem verificar ou aquilo que eles fizeram ou aquilo que outros fizeram, para que participe do conjunto da coisa, da obra.
Eu estou tentando trazer uma série aqui para o canal que é assim, o que não deu certo no projeto? Eu recebi outro dia a visita de um grande amigo, ele fez um case, sim, vários cases no Rio de Janeiro, ali por volta de 2013, que estava no boom da construção civil no Brasil. Ele começou a me contar, Paulo, outro dia eu fui fazer uma palestra, só que assim, a minha palestra é o que não deu certo nas minhas obras. E ele falou, o feedback que eu tive de como eu ajudei pessoas a evitarem problemas futuros, Então, o que a gente vive hoje? Todo mundo só mostra os cases de sucesso, mas eles não mostram ali os bastidores, o que eles resolveram. Nesse sentido, que dica você traria para esses líderes dessas empresas incentivarem essas pessoas a saírem desses computadores para irem tomar sol ali, pisar no canteiro de obra?
Usem a tecnologia, usem o BIM, usem o computador e usem a obra. A escola tem que ser completa. A escola tem que dar o 360 graus completo para poder ter o sentimento, ter o feeling daquilo que está sendo feito. É importantíssimo. Então, essa sua visão é correta. Eu vou dar um exemplo para você. Você sabe, vou entrar já, se você me permite.
Por favor.
Eu hoje estou com o presidente da BICEN. e nós vamos fazer o instrumental lá no Allianz Parque pela segunda vez. Nós temos como nossa organizadora, a Francal, que trouxe pra gente, na época, uma experiência de falar, vamos fazer ali, vamos fazer num hotel, vamos fazer... E aí eles sugeriram que nós fizéssemos no Allianz Parque. E nós perguntamos, mas aonde no Arias Parque? Lá em cima, é uma área nova. E realmente era nova, porque não tinha esta área ainda lá. E nós aceitamos. E explico o porquê. Eu, por algum tempo, trabalhei na Uzi Minas mecânica e nós... Houve um concurso para saber quem é que iria é fazer a obra da cobertura do Orleans Park para a WTory. Estou fazendo um monte de propaganda aqui.
Não pode, inclusive eu acompanhei todo esse processo.
Então você sabe.
Sei.
Nós tínhamos uma engenheira chamada Laura, Laura Abreu. Ela é doutora em estrutura metálica e ela desenvolveu um projeto que o pessoal da W Torre gostou bastante, e os arquitetos também, inclusive o arquiteto português. Enfim, ganhamos a obra, depois de todo o processo, e fomos fazer a obra. E é uma obra inédita. Nunca ninguém fez um estádio daquele tipo. Então, primeiro, porque ficava num local cheio de avenidas estreitas, cheio de ruas estreitas, avenida também, um trânsito maluco, só podia entrar de madrugada, porque o caminhão só entra de madrugada, aliás, carretas enormes. E a gente conseguiu botar todo o material para dentro, no campo, Evidentemente, o campo estava lá como depósito de material na época. E a gente começou a montar esse Lego do jeito que precisava ser montado. Então, tem aquelas patas em cima do estádio, que são aqueles elefantes que a gente chama. E, para você ter uma ideia, a fundação para sustentar o momento desse gigante, teve que ser puxado com um cabo de aço e feito uma viga no solo para poder aguentar. Então, todos os cinco gigantes, esses elefantes que a gente chama, eles foram calculados para aguentar toda a estrutura metálica que está lá. E, entenda, é uma estrutura metálica que, a gente levou para testes de túnel de vento e ensaio dinâmico. E por quê? Porque lá tinha o pessoal todo pulando, porque isso acontece o tempo todo. Até porque eu, como palmeirense, o Palmeiras está sempre ganhando. Fazer o quê? O Palmeiras está sempre ganhando, então o pessoal está sempre pulando.
Palmeiras tem mundial.
Aí não vale. Mas vai ter.
Vamos ver, viu? Eu não sou corintiano, não sou seu rival.
Mas aí o pessoal pulando, o vento batendo lá em cima, e a gente precisava saber qual era a reação que isso teria. Então isso foi feito, foi aprovado, e a gente utilizou esse estádio como sendo o gabarito mesmo.
Quem é o engenheiro estrutural?
É a Laura. Laura Abreu, ela que fez o cálculo estrutural. Evidentemente depois passou por CQP, que é o controle de processo de produção e de projeto, mas foi feito por ela. Bom, aí, voltando, a gente fez esse... Como nós tínhamos feito esse estádio todo em estrutura metálica, nós aceitamos essa ideia da Francal para que a gente fizesse esse evento lá e foi um sucesso. E espero que agora seja também e vai ser.
Com certeza.
Porque nós já temos lá os nossos patrocinadores, os nossos expositores e eu acho que vai ser bem bacana.
Horácio, aproveitando, o que as pessoas vão poder acompanhar na ConstruMetal?
Nós vamos ter seis painéis. Esses painéis são construção leve, construção pesada, inovação. O próprio governo falando sobre o incentivo.
Tecnologia.
Tecnologia. Acho que vai ser vários segmentos que todo mundo... Acho que vai ser uma escola.
E qual que é a data?
9 de setembro, no Allianz Parque. Vai ser das 8 da manhã às 8 da noite, ou 9 da noite. Todo mundo convidado, por favor.
9 de setembro, já salvei na sua agenda. Você, esse case, você que não é aqui de São Paulo, coloca... Sou de São Paulo. Não, não, você, a nossa audiência que tá ouvindo, assistindo, que não é de São Paulo, coloca no Google pra entender a complexidade dessa obra e diga-se de passagem... É uma obra linda, sim. É um case de engenharia nacional. Eu queria que você agora falasse, antes de a gente falar de um case, que eu vou te perguntar, eu queria que você falasse um pouquinho do trabalho da ABSEN nesse setor de construção metálica. O papel da ABSEN, né?
Hoje nós estamos com, basicamente, 100 associados, construção leve, a construção pesada, que foi quem trouxe a BCEM para o negócio, que era a Constituição Brasileira, da construção em estrutura metálica. E hoje nós temos aí a construção leve, que é o Light Steel Frame.
Mas é outra diretoria?
Não, é a mesma diretoria. Nós temos algumas vice-presidências, onde cada um é responsável pelo seu setor. Nós temos torres, as torres de eletrificação. Hoje, todo o mercado de torres está conosco, todos os fabricantes. Eu diria para você que todas as empresas que fazem a montagem da torre da linha de transmissão nos dão a honra de estar conosco. Nós temos aí os fixadores, nós temos aí os especialistas transportadores. Então, eu acho que o Abicem hoje está com um nicho bastante grande. Também há a indústria de máquinas específicas e também a indústria de software.
Nossa, que legal. Eu não tinha noção que abrangeria tudo isso.
É, porque no dia seguinte é aquilo que nós estamos usando. Então, hoje você tem o desenvolvimento total. Hoje, as máquinas falam diretamente com a engenharia. Então, tem que vir da engenharia todo o material para que a gente tenha cada dia melhor o controle da qualidade do trabalho executado.
E para a gente fechar o assunto da metálica para aí, para o Casey, eu queria que você falasse um pouco quais são as vantagens da construção metálica e por que ela é mais barata. Quando eu falo barata, não necessariamente na questão financeira. Estou falando de tudo que você tem vantagem, que você tem previsibilidade, ela acaba trazendo vantagens.
Hoje a construção metálica, A unidade é quilo. E muitas vezes o cliente hoje está comprando projeto pronto. Ele quer saber quanto custa o projeto. Que nem aqui. A gente vai... Se hoje já fosse difundido, você imagina uma casa feita por um container ou por um container especial. O camarada compra, ele sabe quanto custa. E hoje a construção civil, até pelo prazo da obra, você contrata e no prazo da obra você tem alguns percalços, sejam eles de tempo, de intempéries e coisas desse tipo. Não que na construção metálica nós não tenhamos isso, mas é uma coisa que você tem que acompanhar aquilo para e passo para que o cliente que comprou aquilo receba aquilo que ele comprou da melhor forma, do jeito que ele comprou, no prazo e no preço. Então isso a gente consegue garantir ao longo do tempo do fornecimento desse projeto.
Horácio, eu queria até aproveitar que eu ia te fazer uma pergunta, estava na minha cabeça, eu acabei de lembrar. Nessas discussões que vocês têm nesses eventos, dentro da própria Absen, vocês escutam essa parte de logística da construção industrializada? Porque eu percebo que a dificuldade logística, quando ela não é pensada ali no projeto, ela acaba inviabilizando muitas vezes o projeto. Queria que você quisesse falar um pouquinho sobre isso, se sente à vontade.
Sim. Normalmente, até como nós estamos orçando hoje, a gente limita as peças numa condição, por exemplo, numa carreta, que ela tem 12 metros de comprimento. por 2,40m de largura, e ela consegue carregar até 2,40m para ser uma carga estável e autorizada pelo sistema de estrada, até por causa de ponte, de viaduto, onde ela tem todas as especificações. Qualquer coisa que passe disso, o transporte especial, dependendo do comprimento e da largura, ele tem por necessidade de usar batedor. Então, já sai num preço muito maior. Então, a construção metálica permite que você possa fazer uma montagem, uma pré-montagem in loco. E você consegue, com isso, ter um transporte que seja normal, transporte natural e não um transporte que seja especial.
Você não precisa onerar o projeto porque você não pensou na lógica.
Você já projeta as peças do jeito que elas têm que ser e com emendas se necessárias para que se faça no canteiro ou na própria montagem ou uma pré-montagem no chão antes de ser levada.
Desde o guindaste que você vai utilizar ali no dia a dia.
Desde o guindaste que vai ser utilizado no dia a dia.
Eu queria agora, antes da gente entrar na parte de Keisy, você tem alguma coisa que você quer falar?
Acabando um pouco essa história do Palmeiras, a gente estava montando uma viga. Ela tinha seis metros de altura. Ela foi montada na obra. E foi soldada na obra. E ela tinha... Nós só conseguimos levantar, porque ela tinha 100 metros, 50 metros e 50 metros. Então, nós fizemos uma torre no meio da... Uma torre que pudesse aguentar metade da carga e outra metade da carga. E pudéssemos fazer essa emenda lá em cima. Isso foi feito... Esse trabalho foi feito de noite. onde tinha menos gente da consultora na obra, até porque era uma viga imensa. Então, a gente tinha todos os cuidados necessários com a segurança do pessoal que estava trabalhando e do pessoal que estava no entorno. Nesse dia, a companhia de guindaste levou lá os guindastes, testamos, fizemos o diabo lá para poder fazer essa montagem. E na hora de elevar essa carga, um guindaste funcionou perfeitamente. Ele foi, botou a peça lá em cima e ficou esperando, segurando lá em cima. Ficou esperando o outro guindaste subir. Aí o guindaste foi, subiu, subiu, subiu até o meio, depois ele não aguentou, por algum motivo técnico do guindaste. Ele era hidráulico, estava com vazamento. Teve que descer. Aí o mecânico foi lá, todo o pessoal estava lá para poder fazer. E todo o nosso pessoal estava lá, os montadores, soldadores, enfim. Imagina você o recurso que levamos para lá para poder fazer isso numa noite em que a gente ia deixar semi-pronto. Ia acabar no dia seguinte, mas ia deixar engatado o negócio ali.
Mas é aquelas partes maiores que ficam atrás dos gols ali?
Não, fica na lateral do gol.
Porque eu lembro que vocês foram fazendo por etapas.
Por partes. Ela fica na lateral do gol, paralela ao gol. Ela é paralela à quadra. E aí, esse guindaste não conseguiu montar. Imagina você, duas, três horas da manhã. Estava frio, como hoje. A gente teve que abortar a operação. Todo mundo foi embora, bravo, triste. E aí veio a brincadeira no dia seguinte, ou até na mesma hora, que o Guindaste era de Corintiano, que estava lá para atrapalhar o nosso assunto. Então tem isso também. A rivalidade sempre tem, mas é brincadeira. A gente passou um perrengue, porque às vezes você prepara tudo e alguma coisa não dá certo. Tem que voltar no dia seguinte. O cara arrumou o guindaste, aí nós fomos lá e montamos. Deu tudo certo. Tá lá. Mas acontece. Essa é uma história, só pra...
Agora tem um fato...
Mas que o corintiano existe, existe, tá?
E eu acho que os corinthianos ficaram torcendo ali contra durante a execução daquela obra, eu acho. Naquela época, eu lembro que começou... Tinha muito... A Rádio Pião do mercado falando que essa obra foi a obra mais eficiente do mercado por ser uma obra privada. Isso tem alguma... Já que você estava tão dentro desse projeto... E diga-se de passagem que projeto lindo.
Foi. Eu sou suspeito em falar, porque a gente fez uma outra obra na UZI Minas Mecânica, nessa época, que foi o Estádio do Maracanã.
Ah, eu entrevistei o arquiteto lá, inclusive. Eu visitei também na mesma época.
Você lembra desse?
Sim.
Essa obra foi feita também pela UZI Minas Mecânica, pra Odebrecht.
Aquela foi PPP do Maracanã?
Não.
Não.
Ela foi bancada pelo Estado. E a gente fez essa obra. Lá o projeto da cobertura foi um projeto alemão, da SBP. É um anel de compressão. Esse anel de compressão é mais ou menos um aro de bicicleta, onde aquela manta que cobre o estádio, ela fica em cima de cabos de aço. e ela funciona exatamente como uma roda de bicicleta. Então, o anel de compressão fica no perímetro do estádio, ele é meio ovalado, ele não é redondinho. As peças são feitas uma por uma e pré-montadas uma com a outra para que haja montagem. Então a 1 é montada com a 2, a 2 é montada com a 3, e assim foi feito uma por uma para que fosse feito esse estádio. Então eu diria para você, é outra técnica, porque o estádio lá comportava por ele ser ovalado, o estádio do Palmeiras é retangular, Então, é outra tecnologia. E assim foi feito. Eu diria para você que, tanto uma quanto outra, ela dependeu de ser muito bem feita, muito bem executada e muito bem montada.
E não está ligada à questão de ser pública ou privada?
Não, não está ligada, não. Eu acho que foi feita com... com a melhor qualidade possível de ser feita, tanto o estádio do Palmeiras quanto o Maracanã, que eu participei.
Agora, bora falar do case da construção do MASP?
Vamos lá.
Agora, eu queria que você contextualizasse um pouquinho dessa obra icônica, bem na Avenida Paulista, que você tem ali o próprio antigo MASP. que já é um ícone. E vendo ali no dia a dia, eu percebo que quando você pega a altura dele, se você deita, ele tem a mesma dimensão.
A ideia do arquiteto foi essa mesmo. Foi fazer aquilo que ele tem na vertical, aquilo que existia na horizontal. Então, ele fez isso e pintou de preto ali.
É até uma curiosidade, tá? Se vocês quiserem ver as imagens, olhem a imagem do antigo MASP, que ele está na horizontal, e do novo na vertical. Se você pegar, olhar, você percebe que ele tem exatamente a mesma dimensão, né? Se você detectar o outro, assim.
Um é horizontal e o outro é vertical.
Vertical.
Mas a ideia é que, em metros quadrados, eles têm uma mesma área. Tanto da verdade que hoje foi aberto o museu na Vertical, agora esse novo, que chama Pietro Maria Bardi, em homenagem ao marido da Bardi, que foi quem fez todo o cálculo estrutural e está lindo aquele projeto. Foi feito em homenagem a ele, o nome desse MASP II.
Horácio, eu queria que você falasse então, de forma livre, quais foram os desafios da Ligue que vocês precisaram vencer e como vocês solucionaram isso?
Olha só, a gente fez essa obra... Eu trabalho na Metasa e nós vendemos essa obra para a Racional. É uma obra icônica, como você fala. ali no meio da Paulista, exatamente no meio, onde acontecem todos os grandes eventos, ou de protestos, ou a favor, enfim. Ali é a fachada do negócio. Então, nós tínhamos que tomar, primeiro, um cuidado enorme para poder entrar na obra e fazer aquela obra. Muito bem, a Racional fez um projeto nos chamou para orçar. Eu posso falar que, e sei disso, fomos nós e mais 24 concorrentes.
24?
É, eles fizeram com 25 concorrentes, imagina você. E a gente conseguiu ganhar a metasa.
Antes de você continuar.
Por favor.
Qual que é a dica para ganhar dinheiro? É qualidade, é estrutura de projeto?
Eu acho que é confiabilidade. E foi confiabilidade...
Pega essa dica, tá? Confiança é a base de tudo.
E foi confiabilidade porque... Eu nem sei quem são os outros 25, posso imaginar. Nem conheço todos, né?
Eu sei, eu sei alguns.
É. Mas a gente... E você vê, a nossa empresa, a nossa fábrica fica no Rio Grande do Sul. E a obra era aqui em São Paulo. Estão começando. Quando a gente orçou, eram sete andares novos, em estrutura metálica, que é o bom da obra. E o que é o ruim da obra? O ruim da obra é que, a cada machadada que o pessoal da consultora foi dando, eles achavam... defeitos naquilo que estava executado. E nós precisamos, ao longo da obra toda, reforçar a obra inteira. Com cada pilar, nós abraçamos com chapas e chumbadores passantes para que esse pilar resistisse à carga que vinha lá de cima. E isso foi feito desde lá de baixo.
Nesse processo, essas intervenções, elas estavam previstas no projeto?
Elas, algumas, muito pequenas, estavam. Mas foram feitas quase todas, porque todas as ligações estavam, vamos falar uma palavra usual, doentes.
Entendi.
Era um prédio muito antigo, da década de 50. Foi... Ele foi fundado pela família do Dumont. E, ao longo do tempo, ele foi abandonado. Você imagina, sem manutenção, sem nada, com todas as intempéries, ele foi deteriorando. Efetivamente, foi deteriorando. E coisas que estavam dentro do concreto, que não foram vistas, nem pela construtora, nem pela projetista, nem pelo arquiteto. E foi acontecendo ao longo do tempo, porque a cada machadada ou a cada enxadada era uma minhoca que saía da coisa. Então era chamado o calculista. Era verificado que forma ia ser feito esse trabalho. Então esse trabalho foi feito, foi exaustivo. para que a gente conseguisse se montar lá em cima, teve que fazer toda a estruturação na parte inferior.
E como que foi o casamento da metálica com o concreto? Porque você tem o uso de concreto lá em cima também, um pouco intensivo. Olha... Como que é esse desafio de você trabalhar com os dois materiais?
Primeiro, dito pelo calculista, a obra só se tornou viável porque a fundação era existente. Se eles fossem fazer em concreto, com o peso próprio da estrutura que seria feita lá em cima em concreto, a fundação não aguentaria. Então, teria que ser metálica. Então, isso foi como definição. Então, isso para nós, fabricantes de metálica, foi ótimo. A solução é com chumador. Chumador químico para fazer toda a transferência da carga. do metálico para o concreto, onde você consegue ter essa acomodação para que siga no trabalho. É importante.
E qual que é a obra da sua vida, Horácio? Você falou três obras importantes, mas você tem uma queridinha que você... Sim. Quer falar, quer deixar?
Eu acho que aquela ponte de Brasília.
Aquela estalhada?
Aquela ponte em arco. Aquela ponte foi feita pela Usminas Mecânica na época. É um cartão postal da cidade. Ela é todinha metálica. Eu acho que é um marco da engenharia. Ali tiveram os calculistas, tiveram outros. E como obra, eu acho que é um marco da engenharia nacional.
Mas é por ser em Brasília? Ou se aquela obra fosse em algum.
Outro lugar, ela teria esse... Se você ligar de manhã em qualquer canal e aparecer Brasília, normalmente o lago está ali e a ponte aparece. Então, em qualquer canal, que esteja passando qualquer jornal ou qualquer reportagem sobre Brasília, ela vai estar lá aparecendo.
Eu fiz um trabalho em 2016, E eu precisava mostrar essa obra, porque é realmente icônica. A gente falava de exportação da arquitetura nacional para o mundo. E tinha que ter essa obra nesse vídeo. Então, realmente...
Ela é importante. Voltando um pouco, falando do MASP, você imagina, esse material só pôde chegar lá à noite Não existia sexta, sábado e domingo, porque sexta-feira já tinha os eventos lá sendo preparados, então a polícia já fechava. Então era de segunda a quinta. A montagem não podia ser feita à noite, porque existiam ao redor domicílios, né? E só podíamos trabalhar... Descarregava à noite, sem fazer barulho, e trabalhava durante o dia. e a montagem parafusada. Então, é aquilo que a gente estava falando, construção industrializada.
E até você trouxe nessa parte da dificuldade logística ali do local, do entorno, você tem uma descida, é um ponto muito íngreme ali.
O caminhão ficava parado, cheio de calça ali para não descer.
E você parava naquela descida. Naquela descida.
A entrada era feita pela lateral.
Gente, e como vocês enfrentavam... Toda obra causa um... Algum tipo de transtorno. Não gosto de falar esse nome, mas enfim. Eu falo que o transtorno, se você quer algum tipo de melhoria para qualquer tipo de relação, você precisa em algum momento causar um desconforto para aquilo, para que ache a mudança. E em obra isso acontece demais. Naquela situação específica, um ponto tão importante, como que foi lidar com esse caos?
Foi assim, o caminhão só podia entrar na cidade a partir das 10 horas da noite. Ele chegava na obra por volta de 11 horas. Nós tínhamos uma equipe só para descarga. Durante o dia, a obra trabalhava com uma grua na construção civil, fazendo tudo isso que nós estamos falando. Quebrando, descendo peça por peça, porque eles tiveram que demolir para depois construir. Então, toda essa demolição foi feita também Peças, eles não foram quebrando, eles foram serrando a obra, concreto. Foi feita por uma empresa especializada. E aí eles desciam, então a gente não podia usar essa grua durante o dia. Usava à noite. E tinham peças compridas, de 12 metros. A gente subia e a peça só conseguia entrar lá por cima. A gente descia essa peça, para você ter ideia, pelo vão do elevador da obra, de pé. Pegava lá em cima, pegava com a grua, descia ela por ali.
Nossa, a grua pegava essa peça?
Pegava essa peça, levantava a peça até o topo dela. A gente enfiava nesse buraco ela verticalizada, descia a peça para poder, no andar, horizontalizar ela, se assim existe a palavra, para poder montar, que era uma viga.
No local. Nossa, que...
É, foi uma ginástica. Imagina uma viga dessa.
Imagina a criatividade de logística, assim, você fazer esse instamento lá, assim.
Nossa, a obra não teve nenhum acidente, graças a Deus.
Sensacional. E qual que foi o seu grande aprendizado com essa obra?
Eu acho que é... Acho que não é aprendizado, é satisfação. A gente, no dia seguinte, vê essa obra... sendo um museu cheio de gente, cada dia mais lotado. E... foi feito aquilo que a gente teve vontade de fazer. Uma obra que fosse... exemplar, uma obra que está lá para quem quiser ver. Então, acho que essa é a satisfação que dá para quem participou desse negócio.
Nossa, sensacional. Que aprendizado.
Foi bom, foi legal.
Eu acompanho todas essas obras que você citou. Eu me sinto muito... Tenho um privilégio muito grande de ter acompanhado. Eu fazia alguns passeios de helicópteros acompanhando as etapas, os acontecimentos, as dificuldades e tal. Então, como eu estava ali nos bastidores, E esse do MASP é um case recente.
É um case recente.
É muito recente. Eu tenho imagens ali que eu fico pensando, como que eles fazem o içamento dessa estrutura aqui? E agora você me falando que era com aquela grua, eu jamais imaginaria que aquela grua teria capacidade de içar uma peça daquela.
Ela teve, ela içou todo o material. Evidentemente, transporte horizontal, a gente fez muita coisa num carrinho, empurrando na mão. É uma obra feita a dez mãos, tá?
É, até aproveitar pra fazer um merchan aqui, que toda aquela parte de fechamento ali, daquela estrutura de fechamento... Que tá linda, aliás. É, da Sumetais, inclusive, que é um parceiro nosso aqui, que tem materiais... expostos aqui na...
É, seria bom depois você mostrar, acho que é importante.
Sim, eu vou mostrar, inclusive ver se tem algum representante da Sumetais aqui, acredito que tenha, pra gente fazer, falar um pouquinho desses revestimentos que estão expostos lá.
Porque aquilo ficou de uma beleza. É uma espécie de brisa, né? É uma espécie de brisa, né?
Sim.
Pra poder evitar o calor excessivo e funcionar muito bem o ar-condicionado, porque é tudo no ar-condicionado.
Pergunta do meu grande amigo Ulisses. Como está o mercado de estrutura metálica hoje no Brasil?
Olha, o mercado eu diria para você que há muito tempo não está assim. Eu acho que os fabricantes de estrutura metálica hoje têm bastante serviço. Há muito tempo que nós não tínhamos essa quantidade de trabalho e de solicitação de trabalho Então o mercado hoje está, acredito que esteja bastante interessante e as notícias que a gente tem é que todo mundo está trabalhando bastante. Existe um mercado hoje de papel e celulose muito forte. Falando um pouco da metasa, a metasa é especializada na área de caldeiras, para a construção de fábrica de papel e celulose. Normalmente, uma obra de caldeira é um pacote, essas últimas que saíram, é um pacote de 10, 12 mil toneladas de aço. É um prédio de 120 metros de altura e tem peças de 200 a 300 toneladas, que se chama top bin.
Horácio, não perco o raciocínio. Aqui a gente tem uma série que a gente acompanha o processo de produção, por exemplo, de materiais. Existe a possibilidade de a gente acompanhar esse processo? Como que funciona esse processo de fabricação?
Estão convidados para dar um pulo na nossa fábrica. Fica no Rio Grande do Sul, Marau. Vocês estão convidados, sim.
Maravilha, acho que essa coisa de mostrar como funciona o processo das coisas, sabe? A ciência por trás dessas obras, desses projetos.
É importante. É muito importante. Então, voltando um pouco, esse mercado de construção metálica está hoje interessante e a fábrica de papel e celulose que está surgindo hoje, nós fornecemos agora mesmo para uma fábrica da Suzano, Mato Grosso do Sul, e todas as outras caldeiras, a metade é que fez, no país. E é importante saber que papel e celulose, vinda do eucalipto, aqui no Brasil, é muito desenvolvido porque, com o clima tropical, A floresta de madeira, ela dá cada sete anos, ela está pronta.
Tem um processo de renovação muito rápido.
Você imagina a Europa, com o frio que faz, ela demora muito mais. Então, as indústrias estão optando para vir para o Brasil, então é capital de fora. Essa última que nós ganhamos, o EPC está em Avalmet, é quem está fazendo todo o projeto, ela ganhou a obra inteira, toda a fábrica, uma fábrica enorme. E nós ganhamos a caldeira e ganhamos também a linha de fibras. Isso dá aí por volta de 12, mais duas ou três mil toneladas, por volta de 15 mil toneladas só para um cliente.
E qual que é o tempo de produção de um projeto como esse, contando desde o projeto até a finalização, a média?
Um ano e três meses, um ano e quatro meses.
De projeto a execução?
Projeto a execução e entrega.
Nossa, que interessante.
É muito interessante. É porque você imagina o seguinte, o investidor ele tá lá, tá botando dinheiro, no dia seguinte ele quer tirar o produto. E o investidor é a sociedade que tá... Essa fábrica vai gerar, só a fábrica, durante a obra vai gerar 14 mil empregos. E depois durante a operação é 4, 5 mil empregos.
Então é um negócio... Tá, você toca no ponto de geração de emprego, queria que você desse uma palinha rápida sobre essa parte de formação de mão de obra, né? A gente tá falando, parece um assunto batido, mas eu queria entender de você, o que você entende que a gente precisa fazer para melhorar essa qualificação de mão de obra quando o assunto é industrialização da construção civil?
Bom, primeiro, a utilização do BIM já está ajudando muito em termos de projeto. Segundo, as fábricas estão se modernizando, estão inovando e toda Todo o processo inicial de uma fábrica de construção metálica, toda a preparação do material, a usinagem, passa por leitura da máquina. Ou seja, a engenharia passa para a máquina, que uma vez alimentada com a matéria-prima, seja ela chapa ou perfil, Ela corre sozinha, ou seja, ela corta, ela fura, ela marca, ela deixa a peça pronta para a segunda fase, que é a montagem. E aí sim, tem que ser feita manualmente.
Por pessoas.
Por pessoas. E aí são os montadores, são os marcadores, e na sequência os soldadores. E essa mão de obra, ela é Ela tem que ser preparada. Normalmente ela é formada na própria fábrica. O Senai está nos dando uma ajuda muito forte. Aqui em São Paulo, principalmente. Está formando muita mão de obra. Essa mão de obra está funcionando para o Brasil inteiro. Sim. A própria fábrica faz cursos. com o apoio do Senai e qualifica a pessoa, ela sai com diploma como profissional para que tenha essa responsabilidade e também a profissionalização. Então é difícil. Eu estou falando mão de obra de fábrica.
Sim, sim.
E a mão de obra de montagem é a mesma coisa, só que com toda a capacidade da pessoa se manter ao longo da obra, em altura, trabalho em altura, trabalho que possa ser feito de uma forma com responsabilidade e segurança, que é o que a gente preserva aqui para a mão de obra.
É, eu estou fazendo um trabalho aqui no Construicast tentando de alguma forma contribuir com esse processo de formação. Então, dentro do nosso time a gente tem... um engenheiro que é autista, com super dotação, que o Ulisses já conheceu, ele é genial, tá? Então, ele é movido por desafios. E eu tenho feito algumas visitas em algumas indústrias e grandes obras, principalmente quando é desafio. Levei ele, inclusive, em balneário, levei em algumas fábricas, e é impressionante como ele consegue contribuir com a Constituição Civil, desde a indústria até a execução ali no final. Eu vou ver de alguma forma para a gente tentar fazer um bate-papo. Levo ele lá, Navesen, para te apresentar, porque é um cara que eu falo... A gente precisa de mais pessoas como essa, que tem a capacidade de pegar uma pessoa que está desacreditada da Constituição Civil e ele conta a história por trás... Arrepia de falar isso. Ele conta a história por trás daqueles empreendimentos E as pessoas falam, pô, peraí, mas a Constituição Civil é isso? Entende? Então, eu estou à disposição aí para, de alguma forma, contribuir com esse setor. A gente defende essa, sabe, essa união aí de sistemas construtivos.
É muito importante. Hoje, com essa falta de mão de obra, eu tenho participado com o Ulisses, Fui convidado para fazer parte do DECONSIC, que é o Departamento de Construção Civil e Mineração da Fiesp. Evidentemente, o foco é São Paulo, mas é Brasil. E toda reunião nossa, o foco é mão de obra. Então, hoje, a construção civil está sofrendo muito. Você tem uma ideia? Outro dia o cara me falou, o azulejista, tá vindo o pai do azulejista, porque o azulejista mesmo, que a gente contratou, que é um garoto, não consegue ter a habilidade que o pai dele tinha. Só que o pai dele já tem lá seus 50, 60 anos, mas ainda consegue fazer uma produtividade que ninguém tem.
É, a gente...
O maior afim da isso, né?
A gente está vivendo agora essa época da tecnologia, das IAs. Então, eu percebo que dentro das empresas, várias profissões inseguras, o que vai acontecer com a minha profissão? Então, eu penso que a construção civil, muitas áreas da construção civil, dificilmente a inteligência artificial vai substituir. Eu estou olhando para esse movimento junto com o meu time para que, de alguma forma, a gente comece a trazer gente de outros setores para a construção civil. Porque quem pensa que a construção civil é pesada, não é. Para tudo a gente tem máquina, a gente tem tecnologia para usar como meio. Então, o que a gente precisa é de pessoas que entendam as histórias por trás dessas construções. Imagina a construção de uma ponte. O que você faz com a sociedade? Imagina aquela pessoa que não tinha acesso eu não conseguia atravessar para aquele lado daquele rio. E eu fiz um podcast, inclusive com esse engenheiro Rafael dos Santos e o Zé Augusto, que assim, é impressionante a conversa daqueles dois.
Eu vou te passar, vou te dar um exemplo interessante. Naquela enchente que teve no Rio Grande do Sul, e a metasa começou a ser partícipe lá, aceitou um desafio pra execução de uma ponte. Eu vou até... Se me dá licença, eu vou até ver o nome dela aqui. Pra não errar. Chama... Ponte Nova Roma.
Ponte Nova Roma?
A matéria-prima foi comprada na Gerdau pela comunidade. A comunidade comprou essa matéria-prima, mandou pra Metasa, A Metazza fabricou isso em tempo recorde. É uma obra de 150 toneladas. Eu tenho aqui até a foto dela.
Posso ver?
Pode. Ela foi montada... Você me manda depois essa foto? Manda. Ela foi fabricada e foi montada entre o Natal e o Ano Novo. O pessoal que montou ela foi o pessoal que monta a estrutura pra gente. Foi acertado direto com o pessoal. E o pessoal dos guindastes, a mesma coisa. A ponte foi feita em tempo recorde e o pessoal não tinha acesso ao outro lado do rio. A ponte existente foi levada pela chuva. Por quê? Porque, primeiro que a enchente foi poderosa e levou a ponte embora. Essa ponte foi levantada a alguns metros de altura, foi por solicitação nossa até, junto a uma comunidade, e hoje ela está lá, prestando o seu serviço de apoio à comunidade e à cidade que ela pertence. Ela foi feita lá em Nova Roma do Sul, lá no Rio Grande do Sul.
Sim, eu vou pegar essas informações para a gente colocar no vídeo e contar um pouco a história disso, ou seja, o que que aconteceu pra ter essa resolução, ou seja, só acontecer uma resolução rápida pra que a população não sofresse tanto. Então essas histórias que eu falo aqui, pra mim, são muito gratificantes, inclusive que um dos nossos lemas aqui é somos pontes, a gente quebra os muros, inclusive dá comunicação entre arquitetos, engenheiros e profissionais de obras. A gente está o tempo todo construindo pontes. E a gente está bem apertado de tempo, a gente está no meio de um evento. Eu queria passar suas palavras finais e te agradecer mais uma vez por essa colaboração de hoje.
Olha, espero ter conseguido explicar tudo aquilo que eu aprendi durante a vida toda. Acho que é importante que vocês saibam que aquilo que a gente está preparando e fazendo para os nossos jovens é com muito carinho. E cada vez mais eu tenho me dedicado a isso. Acho que é importante que a gente consiga passar essas nossas opiniões da experiência que tivemos e que temos. Então é importante. Na B100, a gente está tentando fazer o melhor trabalho. Eu, com a companhia do meu amigo Ulisses, acho que estamos conseguindo fazer um trabalho bem bacana. Tanto é verdade que já é, na minha gestão, já é a segunda vez que vamos fazer o instrumental. O outro foi um sucesso, esse eu acho que vai ser também, pelo que está se demonstrando. Temos aí todas as siderúrgicas fazendo parte do nosso trabalho. Acho que está legal, espero poder colaborar o tempo todo com a construção industrializada. E ter Marcos aí que a gente possa apresentar cada dia mais.
É isso, Horácio. Eu queria, de novo, te agradecer pela sua presença e colocar o Constra e Cash aí à disposição do mercado pra que a gente fale mais, conte mais histórias. Porque, de fato, são as histórias que vendem, né? Ou seja, ninguém compra um projeto se não existir uma história por trás. Então, essas histórias a gente tem papel.
Confiabilidade, né?
Sim. Confiabilidade, essa palavra, ela marca. Acho que a gente tem que mostrar, né?
Mostrar.
Ou seja, o que é confiança? Por que ela é tão forte? E como a gente falou lá daquele projeto lá atrás, o que foi fundamental? A confiança. Então aqui a gente também está falando dessas questões de materiais, inclusive.
Todas as poucas obras que nós falamos aqui, todas elas, do jeito, de uma maneira ou de outra, foi feita por confiabilidade em prazo, qualidade, tempo e durabilidade. Muito obrigado.
Eu agradecer e deixar uma reflexão para você que chegou até aqui. Você está cuidando da sua reputação para ter essa confiança, confiança essa que é fundamental no processo de decisão para você fechar desde um pequeno projeto até projeto de grande porte como estes que citamos aqui. Então um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constricast.
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