Construções Híbridas | Construção Civil | Engenharia

Podcast episode (YouTube) hosted by Andre Abucham with guests Enrico (Italian structural engineer, PhD) and Rafael dos Santos (Brazilian structural engineer). The conversation defines hybrid/mixed structures as systems where different materials collaborate statically and complement each other (not mere juxtaposition), uses analogies (human body, car), and argues hybrid solutions enable better structural efficiency, fire resistance and sustainability. They discuss practical trade-offs (steel vs reinforced concrete vs precast), durability and recycling, cultural and educational divides in Brazil that silo materials/experts, the role of retrofit and aesthetics in sustainability, and the need for broader environmental norms and multidisciplinary coordination.
Chapters
Construções híbridas é a pauta do bate-papo de hoje. Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Sejam todos bem-vindos a mais um episódio aqui do Constra e Cast pra ouvir e assistir a essa pauta tão importante que é construções híbridas. Pra me ajudar na condução desse bate-papo eu recebo o engenheiro super amigo Rafael dos Santos que vai fazer uma troca aqui super bacana. Então eu já te convido a partir de agora já pega papel e caneta e um recado importante se inscreve em nossos canais compartilhe nossos conteúdos porque Dessa forma, você não vai só ajudar a você, mas também contribuir com o conhecimento de outras pessoas. Enrico, seja bem-vindo ao nosso podcast. Como sempre, é um prazer enorme receber você aqui.
Muito prazer. É sempre uma honra divulgar o que a gente conhece, o que a gente estuda e aplica. Não paramos de estudar e de aplicar. Eu sou engenheiro civil, a minha formação é uma formação estrutural. Me formei na Faculdade de Engenharia da Universidade de Florença. Sou PhD em Engenharia das Estruturas. A partir de 2003 sou professor também na área. Tenho uma empresa de serviços de engenharia de arquitetura na Itália que começou com o meu avô em 1931 e nós temos uma filial no Brasil a partir de 2016. A minha história com o Brasil começou no 2012, no final de 2011. Nós fomos convidados para fazer algumas palestras da USP de São Paulo e iniciamos a trabalhar como consultores e assim vai. Depois decidimos abrir uma uma empresa. O Brasil sempre é um lugar muito difícil e muito, pra mim, muito fascinante. O que me fascina do Brasil é o tamanho das coisas. Acho que você sabe, mas, por exemplo, São Paulo Não é o lugar do mundo onde você tem os prédios mais altos do mundo, não é. Mas é o lugar onde você tem a média mais alta.
A média mais alta?
Porque você tem milhares de prédios que ficam entre 20, 25, 27, 28 andares. São realmente milhares. Então tem esse horizonte de prédios que são todos iguais, que não para. Então isso é... para dizer como o Brasil para nós sempre foi interessante. Do ponto de vista da nossa pesquisa e da nossa atividade profissional, nós sempre fomos muito interessados nas estruturas híbridas. Para falar a verdade, é uma consequência natural porque na Itália, claro, a minha cidade é Florença, 70% do nosso trabalho é no existente. Então quando você trabalha com o existente, A solução final é sempre uma solução híbrida e não pode ser padronizada. Cada caso é um caso, porque o existente, felizmente ou infelizmente, cada caso é um caso. Então, para resolver as coisas, você tem que conhecer várias tecnologias. Cada uma pode te ajudar em um caso ou mais de uma. e no final o que você constrói é uma construção mista.
Nesse sentido, eu queria que você falasse um pouco, o que define, que você já está um pouco falando disso, um pouco da definição, mas o que define uma construção híbrida e mista e como isso está moldando a construção civil? Porque como você tem essa experiência de fora e na sequência...
Na sequência eu vou...
Aproveitar e passar uma pergunta para o Rafael, que hoje aqui é meu co-host, também é engenheiro, para a gente fazer uma troca bem bacana aqui.
Bom, uma estrutura híbrida, uma estrutura mista, na verdade um nome sinônimo do outro, é uma estrutura feita por vários materiais. não é feita somente misturando vários materiais, mas os materiais colaboram entre si de uma forma estaticamente eficiente. Essa é uma frase que eu sempre uso e que tenho na cabeça e que hoje vou mostrar na minha palestra, na Moda e Construção Show. Como uma estrutura mista é casamento entre materiais, não é mistura de materiais. Como duas pessoas juntas não fazem um casamento, dois materiais juntos não fazem uma estrutura mista. Então, tem que ter uma complementaridade entre eles e os materiais trabalham juntos de uma forma estaticamente eficiente, não é somente uma sobreposição de materiais. Então, já isso dá para entender que a escolha dos materiais não é uma escolha qualquer, é uma escolha baseada em uma lógica, em uma lógica para chegar em um objetivo final. Se a gente pensa no exemplo, eu acho, mais incrível de estrutura mista, qual é o exemplo mais incrível de estrutura mista? É o corpo humano. O corpo humano é feito, falo disso também hoje, Sou engenheiro, não quero fazer poesia, mas é interessante. O corpo humano é feito... posso até falar o número exato, mas não interessa. É feito de ossos e de músculos. Os ossos são a parte que trabalha em compressão. Os músculos são a parte que trabalha em tração. Quando você tem problema nas costas, ou... O médico fala, provavelmente pra você, que você tem que reforçar os seus músculos. Por quê? Porque tá faltando, não tá funcionando bem a parte em tração. Então, você tem uma parte em compressão, uma parte em tração funcionando. O que liga os conectores entre as duas partes são os tendões. as cartilagens. Então, as duas partes foram criadas para trabalhar cada uma de uma forma optimal. Quando uma não trabalha de uma forma optimal, você tem doença. Então, isso dá para entender o que é uma estrutura híbrida. Na construção civil, por que muitos falam que isso é um atrapalhamento? Por que as estruturas, as construções mistas? Porque hoje as nossas construções são máquinas e deveriam ser, são máquinas complexas. É possível que você vai atender todos os requisitos de uma máquina complexa com um único material?
Sem chance.
Já que estamos falando de máquina, pega o seu carro. Você acha que o seu carro seja feito como ele era feito no 1925, mais ou menos de um único material? Claro que não. Então, uma construção, por quanto seja mais simples, hoje é uma... É uma construção onde nós queremos vários requisitos, queremos a resistência, queremos a rigidez, queremos o conforto termoacústico, queremos a durabilidade, queremos a resiliência e assim vai. E tudo isso não é igual. Por exemplo, em um prédio em São Paulo, eu quero isso, mas quero isso no mesmo prédio no litoral. Mas tem um impacto ambiental bem diferente. Então, as minhas escolhas devem ser diferentes. Então, as estruturas híbridas, as estruturas mistas hoje são o futuro das construções. Para você entender, Tem um estudo da CTB-UH, que é o Conselho Internacional dos Prédios Altos, que mostra como hoje, nos primeiros 100 prédios mais altos do mundo, cerca de 70% são mistos. Somente em 1990, entre os primeiros 100 mais altos do mundo, os 50, 60% eram de aço puro. Por que houve essa transformação? Porque a estrutura de aço é estaticamente muito eficiente, mas entrou justamente depois de vários acidentes, entraram no mundo várias leis muito restritivas sobre a resistência ao fogo. A estrutura de aço puro não tem resistência ao fogo, ou tem uma resistência bem baixa. Então, houve uma transformação. Você poderia dizer, ah, muito bem, nós no Brasil resolvemos o problema, porque a gente aqui constrói em concreto armado. O concreto armado tem uma ótima resistência ao fogo. Mas, por exemplo, existe que o tema que está se discutindo nesse evento, nesses dias, Quantos são os prédios altos do mundo realizados em concreto armado puro? Não são muitos. Por quê? Porque não é muito simples concretar naquela altura. Porque a realização é bastante lenta. Porque a qualidade da obra depois fica muito ligada à qualidade da mão de obra. E hoje a gente tem sempre menos mão de obra. Muito bem, você poderia falar, vamos fazer em premoldado. Aí chega um outro problema. O premoldado resolveria o problema da qualidade da obra, o problema da durabilidade, mas peças são gigantescas, são pesadas. Então, uma conta é se você faz um prédio de 10, 15 andares, no campo livre, mas pensa em São Paulo, fazer um prédio de 30 andares no meio das cidades com peças pesadas, é um problema danado. Exemplo disso é o balneário, logística, transporte, logística, por isso O Brasil não deve ser tão superbo de entender, de resolver os problemas que no mundo foram resolvidos de outra forma. No mundo você encontra muitos poucos prédios altos impremoldados, para essa razão. ou um problema de logística, um problema de transporte, um problema de levantamento das peças e assim vai.
Eu queria te fazer uma pergunta, depois.
Eu já passo pra você Rafael.
Eu percebo também no mercado, desculpa, enfim, me corrija se eu estiver errado, que pelo menos aqui no Brasil, que assim, tá cada um defendendo o seu. É a indústria do concreto defendendo o concreto, o aço defendendo o aço, enfim, a madeira defendendo a madeira e eu não vejo muito essa união, porque você traz um ponto muito importante. Eu visitei agora Balneário e eu percebo que existe uma competição muito grande de, ah, eu tô construindo o prédio mais alto. Aí veio um construir um outro que é um pouco mais alto, mas ele não é mais alto nos andares. A pessoa simplesmente colocou uma estrutura metálica para ficar mais alto que o vizinho. Como que você vê essa competição?
Essa competição no Brasil é cultural e começa das faculdades, porque Porque o Brasil tem especialistas muito bons no setor estrutural, por exemplo, mas cada um é especialista do seu setor. Você não imagina quantas são as energias e o dinheiro que vai ser perdido no Brasil em grandes projetos para fazer compatibilização de vários projetos diferentes. Por exemplo, no Brasil, tradicionalmente, quem projeta as fundações não projeta as sobreestruturas. No mundo não é tão assim. E tem gente que fala, como é que eu projeto o corpo da pessoa e não vou projetar os pés? Então, é uma suma de partes o que se faz. Tradicionalmente é uma suma de partes diferentes para chegar no resultado final. Isso talvez não é ótimo. Então, é cultural. Tem especialista de um material, tem especialista de outro material e os dois não querem se conversar, ou muito pouco. No mundo, sabemos hoje que se fechar em qualquer setor, não se abrir, não conversar com os outros e não juntar as forças, não vai produzir um resultado ótimo. pensando na medicina. Na medicina também você tem o ortopedista, tem o, sei lá, o especialista do coração, mas na medicina você tem a figura, eu acho, mais importante da medicina, que é o clínico geral.
O clínico geral que vai direcionar É.
O clínico geral que se ele precisa de aprofundar alguma coisa, te fala, vai dar esse doutor que ele é especialista. Mas depois o quadro geral de como fazer e de onde evoluir para tirar a sua doença é do clínico geral. Então, nós europeus, a nossa formação, por que os engenheiros italianos, por exemplo, sempre foram muito bem vindos no mundo? Porque a formação é uma formação, digamos, que enxerga um problema a 360 graus. Depois, ele não sabe alguma coisa, ele que é uma consultoria para aprofundar alguma coisa, mas cada problema deve nascer olhado a 360 graus. As estruturas mistas nascem com um objetivo, que é o objetivo de realizar um ótimo referente ou o que você quiser, por exemplo, quero a estrutura mais eficiente de um ponto de vista estático. a estrutura mista, aço, aço concreto, é isso. Por quê? Porque você coloca o aço trabalhando na parte em tração, o concreto trabalhando na parte em compressão. Você poderia dizer, ah, mas eu já tenho isso, o concreto armado é uma estrutura com aço e concreto. Infelizmente, você deixa trabalhar o concreto também em tração. É isso que provoca a fissuração do concreto, é isso que provoca a corrosão das barras, é isso que provoca a degradação das estruturas de concreto armado. Uma estrutura mista, por exemplo, você poderia falar, quem trabalha somente no seu setor, por exemplo, fala, eu sou do concreto armado, as minhas estruturas são pesadas, mas tem uma ótima resistência ao fogo. O cara que trabalha no setor do aço fala, as minhas estruturas de aço são muito leves, mas não tem resistência ao fogo. A estrutura mista, aço concreto, se ela é bem projetada e concebida, tem uma resistência ótima. tem uma leveza intermédia e tem uma resistência ao fogo. Então entende que juntando as forças, a gente chega no ótimo. E hoje, além do que estamos falando, tem um assunto fundamental que ainda no Brasil se tenta escapar, que é o assunto da sustentabilidade, que é o assunto dos critérios ambientais. Por que estou dizendo isso? Estou dizendo isso porque sabemos, o mundo sabe, que não é um fato de o concreto ser culpado, o asso ser, digamos, culpado. A Constituição Civil é responsável pelo 40% das emissões globais. Então, Como é que um país como o Brasil, que é tão sensível à natureza, vai colocar essa questão da sustentabilidade, essa questão ambiental, somente nas queimadas de alguns árvores e não pensa em outros setores que são muito poluidores? No mundo sabemos que é essencial preservar as florestas, é essencial plantar árvores, mas como eu falo, plantar árvores, se você não vai reduzir as emissões, é como uma pessoa que tem câncer que pega paracetamol. Não faz mal. Pode até fazer bem, mas não resolve o seu problema. Então, a produção de cimento é responsável pelo 7% ou 8% das emissões globais. O cimento é um componente fundamental do concreto. Todos os materiais que são produzidos com altas temperaturas são materiais poluidores. O aço também. Somente que tem uma diferença. Qual é a diferença? É que o seu prédio de 500 metros cúbicos de concreto depois de seis anos é uma montanha de resíduos. O meu prédio de 1.500 toneladas de aço depois de seis anos é 1.500 toneladas disponíveis para serem recicladas. Então, você está entendendo uma diferença fundamental. É claro que não podemos imaginar um mundo sem concreto armado, é um mundo sem aço. Então, juntando as forças e realizando mais estruturas compostas, eu posso também atender os critérios ambientais. Os critérios ambientais no Brasil ainda são voluntários. não são incluídos nas normas. Então, muitas vezes, essa questão da sustentabilidade, infelizmente, é utilizada como uma historinha para atrair gente. Eu faço um prédio que é totalmente sustentável, depois coloco um sistema de placas solares e falo, ah, estou vendendo um prédio sustentável. Não, a sustentabilidade depende do empreendimento inteiro.
De todo o ciclo da construção.
Exato, é a suma que faz o total, entende? Então, os adendos podem variar, mas é a suma que faz o total. Então, no caso de uma construção mista, você pode empregar também alguns materiais que são mais poluídos, porque isso serve, por exemplo, na eficiência, na parte estática, mas pode empregar também, juntamente com esse material, outros materiais que são menos eficientes, mas são mais sustentáveis. Então, no final, o conjunto O que hoje, a gente não pode ter essa ilusão de chegar na perfeição, mas tem que fazer o melhor que pode ser feito. Então, uma estrutura mista hoje é o melhor que pode ser feito.
Rafael, eu queria agora que você faz uma pergunta, ele entrou em um tema importante que inclusive eu achei relevante, se você puder complementar, óbvio, que é a partir de normas. Principalmente ambientais, que é um tema desafiador, mas que eu não vejo ninguém falando muito.
Primeiramente, e com prazer estar em sua presença.
Prazer meu.
As nossas histórias são mais próximas do que a minha ligação com a minha esposa, família italiana, diretamente.
Nossa.
Diretamente, tá? Ela é Talita Tosi, literalmente estou numa família de italianos, então é um prazer estar falando contigo, me sinto em casa, sou autista com superdotação, então na falta do contato visual segue as minhas condolências. dessa minha forma, mas interessante. Eu também sou engenheiro da parte de estruturas, também professor, também dentro das universidades federais. Você estava falando aí a história, eu falei, caramba, como é legal. E eu sou a resposta da sua crítica. Eu sou engenheiro de sistemas construtivos inovadores e da interligação de sistemas diferentes. Vou citar aqui, antes de citar algo do ecossistema que o Henrico trouxe, você traz uma discussão para o âmbito nacional aqui que não existe. Vou tomar a licença, querido amigo Paulo, de que ele precisa estar mais vezes em evidência, ele precisa se tornar referência pra formação das pessoas, porque sem referência, há a potência do ensino brasileiro, mas não há direcionamento. Há um grande briga de egos e vaidades. A Itália passou por isso. Ele citou do pai dele em 31, em 22, só foi possível em 31 porque em 22 a Itália passou por um processo político de fechamento político que propiciou com que durante o período de queda desse processo, as estruturas italianas pudessem começar a, quando ele fala ali da parte dos médios empresários, o setor de serviço italiano, muito propiciado também pela questão da tensão da guerra, que a Itália ficou envolvida, principalmente com as nações africanas, foi importante pra Itália poder entender a sua identidade. E a Itália vai passar por esse processo, doloroso inclusive, porém, com as questões, vou aqui citar um sistema que ele não colocou, mas que é homologado na década de 80, início da década de 80 da Itália, vem combater os sismos, que é justamente a construção de pareses moldados em loco, com núcleo em EPS, que na verdade, data lá de trás, do início do século XIX, lá que os franceses, Lambeau e Meunier, vão trazer algumas citações.
São os padres do concreto armado.
Ah lá, entenderam como conversar com alguém?
Você sabe que a gente não acredita o que esse Meunier, ele era um padre. E os primeiros exemplos de concreto armado como elementos Digamos, construtivos foram, o quê? Foram vasos de flores.
Vasos e barcos.
E barcos de lambô.
Lambô.
Então, tá vendo o quê?
É gostoso. Você viu como que é? Eu tirei um sorriso desse italiano. Porque dificilmente, e aqui você vai ouvir algum brasileiro lembrar dos nossos padres. E a importância deles ainda no meados do século XIX, porque a gente não tem muita coisa a se dizer sobre construção e a gente fala de pórticos. Os pórticos são herança da nossa cultura latino-americana, são herança de Roma. As colunas, que a gente chama de coluna, hoje é herança ainda cultural da Itália. Quando a gente fala dos nossos pórticos das igrejas, do barroco brasileiro, da importância da nossa cultura é totalmente trazida pela Itália. Aqui só fazendo uma questão da cultura dentro disso e onde eu me insiro nesse papel que é o que eu escrevo, ensaio, laudo e direciono empresas com sistemas construtivos inovadores pra isso. E aí, voltando ao que eu disse das paredes moldadas em loco, a Itália passava ali entre 50 e 80, quando as pessoas começaram a entender, pós Guerra Fria, e a Itália se reconstruindo de uma maneira até muito interessante. Aí a gente teve as questões políticas dos grandes primeiros ministros ali, o que acontece hoje muito no Brasil, talvez você chegando em 2000 e pouquinho, com os escândalos políticos que tivemos, você percebeu o impacto que teve talvez num período difícil pro teu pai lá atrás na Itália, a se repetir no Brasil, escândalos de famílias dentro da política que muitas vezes impede o crescimento, principalmente da construção civil que depende de grandes aportes. E ele começou a palavra falando de como isso tem que chegar a não ficar só na elite, porque apesar do grande prédio, da verticalização da construção, ela ser uma questão que vai ser direcionada pelos grandes players, ela impacta muito na base da habitação de um país. Você consegue reduzir de uma maneira local, impactar o entorno, que é a inserção de um sistema. O que ele está falando de impacto ambiental, às vezes a gente pensa ambiente aqui da maneira incorreta.
Só uma coisa, eu vou ter que marcar esse bate-papo, um outro bate-papo com você, se você me permitir pra você vir. Porque essa questão tá bem apertada.
Aí eu vou fazer outros bate-papos somente na presença de comida italiana com ele.
Ah, e eu amo, tá?
Porque é bem interessante essa troca assim entre vocês. Não foi combinado isso, tá?
E ele traz essa questão porque o Brasil, ele traz uma cultura do imediatismo. Isso que ele traz na cultura europeia, principalmente na Itália, é uma cultura daquilo que se valoriza do que foi. A Itália você pega lá Rafael, Michelangelo, você pega... Hoje a própria cultura da igreja católica inserida com toda a sua cultura e o impacto dela nas construções e nos sistemas mistos inclusive, a Itália ela tende a contemplar e a se deixar fascinar pela inserção da construção civil em todo o teu entorno. E quando ele fala ambiente, aqui vou fazer uma crítica aos brasileiros na questão de conceito, nos falta conceito. E aí ele pode, pela gentileza de mim, interromper se eu tiver falado alguma coisa errada em relação ao ambiente. Quando ele fala ambiente, acredito que eu me sinta refletido nas falas dele, porque ambiente não é só meio ambiente no quesito de natureza. Ambiente é inserção dos meios construtivos, e quando ele fala híbrido ou mistos, a gente lembra de híbrido dos carros, né? E a gente lembra das questões do híbrido e dos mistos. Ela é... Na verdade, a resposta a uma necessidade da própria sociedade do meio que está inserido. Quando fala meio ambiente, é todo o ambiente. A gente não fala somente da natureza, a gente fala do impacto na vida das pessoas. E quando ele fala, por exemplo, do ácido, do concreto e outras coisas mais, das nossas especialidades, eu entendo que o Brasil, ele se orgulha de ter um especialista em alguma coisa. Porém, ele citou o empréstimo, que eu sou patologista, o empréstimo da patologia do meio médico. Só que aí eu vou inverter. O clínico geral, ele só é procurado quando há um problema na engenharia. O engenheiro generalista, ele precisa ser consultado antes. Porque sustentabilidade é a capacidade de sustentar algo ao longo do tempo, de modo a não impactar pra frente, ou seja, a questão dos resíduos, o que nós vamos fazer com essa montanha de aço e concreto? Ele trouxe as emissões, a gente vai ter a COP24 no Rio Grande do Norte do Brasil esse ano. Com certeza vai ser uma brincadeira política, porque ele falou das emissões, aí, olha que interessante um dado, você falou de madeira engenheirada, e daí eu vou voltar a palavra pra ele, Ele falou das emissões do cimento, da cadeia do cimento, tá? O Brasil é muito rico na cadeia do cimento. Principalmente aqui no entorno. Porém, não é só aí que tem o impacto. Tem o impacto também na hora da execução do concreto armado. O concreto armado, pão cúbico, a 2.5 toneladas, ele emite uma tonelada de CO2. E aí a gente vai ao seguinte, as tecnologias que a gente tem hoje, e também os sistemas mistos e híbridos, em função com o que a gente tem de mais atual, vem atender uma situação que o Brasil tem a possibilidade de fazer direito, o que lá fora, e não falo Europa, só mais China, Estados Unidos, Canadá, não faço, pra terminar minha frase. A gente tem hoje o advento da inteligência artificial. A inteligência artificial tem um problema que a engenharia mista, que é o que ele trouxe, precisa resolver uma necessidade. A gente fala de emissão e de sustentabilidade de prédios altos e esse é o problema atual. O nosso problema de amanhã, e quando eu falo amanhã é daqui dois, três anos, é que os servidores para entregar tudo isso de tecnologia, esse podcast, para entregar o chat EPT, para a gente entregar o Gemini, que está ligado também a ele, a todos esses sistemas, ele utiliza muita água e as construções não atendem. Esse é o problema do amanhã próximo, que a gente hoje no Brasil vai ter esses servidores e a gente precisa atender. E o que ele traz é solução para esse tipo de problema.
Sim, sim. É claro que a minha formação é diferente. Agradeço muito a minha família, porque eu sou engenheiro formado na família de arquitetos. Então, por exemplo, outra história que no Brasil é bastante carente é que nós italianos, pelo menos os italianos antigos, faziam sempre alguma coisa que deveria ser funcional, claro, Mas o impacto visual de tudo que era feito era também importante. Essa era uma herança do Renascimento. Então, para nós, a estética não era estética somente de uma... de uma roupa, porque ela é super bonita. Se você pensa na construção civil, a estética é intimamente ligada à sustentabilidade. Por quê? Porque se você, em uma praça, faz uma construção, que é uma construção que ele pode gostar um pouco menos e eu vou gostar um pouco mais, mas uma construção relevante, é um marco. O que São Paulo, e por incrível que pareça, é uma cidade tão grande, é uma metropole, tem, eu já disse, milhares de edifícios altos, mas muitos são todos iguais. Um estrangeiro que chega aqui e volta pelo seu país, não volta com algumas referências da cidade na cabeça. Por que isso? Porque não tem essa atenção no que eu faço impacta no contexto, no ambiente onde ele vai. Então, uma construção bem feita, uma construção que tem as suas características, eu posso gostar menos, ele gosta mais, mas que seja diferente, ele é sustentável. Por quê? Porque você não vê a hora de tirar aquela construção. Uma construção horrorosa, você não vê a hora de tirar aquela construção. Então vai demolir de novo, vai reconstruir de novo, vai refazer de novo. Isso é insustentável. Além disso, a sustentabilidade tem um lado social importante. Eu também, aqui no Brasil, sou chamado, digamos, de fazer palestras sobre o assunto do retrofit. O retrofit é importante porque não é somente, ah, muito bem, o empresário fala, o retrofit é ótimo, eu vou aproveitar do que existe e gasto menos dinheiro. Esse é o ponto número um. O ponto número dois é o ponto ambiental. Eu não vou destruir, vou poluir menos, vou extrair menos novos materiais. O terceiro é o impacto social. Eu não vou destruir aquele prédio lá, porque como eu vi na minha vida, os nossos filhos deverão ter a possibilidade de ver, ou seja, a transferência de uma identidade.
A história, né?
Claro, é óbvio que nem tudo pode ser mantido, precisa ser demolido, é óbvio. Mas pelo contrário, nem tudo pode ser demolido. Uma matéria que saiu alguns meses atrás no Valor Econômico, um super empresário da construção civil falava que em uma região nobre de São Paulo, não vou dizer o nome, não vou dizer a região nobre, O metro-quadro valorizou tanto que até dava para demolir prédios realizados nos anos 60, 70. Puxa, um prédio realizado nos anos 60, 70, no ciclo de vida de um prédio, a gente fala de vida útil, se ele é bem feito, ainda fica na sua vida útil. Por que destruir? Entende? Então, é uma lógica mais abrangente que eu acho que o Brasil, se quer se comparar com o resto do mundo, precisa iniciar esse caminho. Não será fácil. Como cada coisa nova não é fácil, mas precisa entender, por exemplo, Brasil é um país que eu gosto muito realmente, mas também é um país de desculpas. Como é que você, se você pega, por exemplo, uma estrutura Você esperaria que em uma construção, em um prédio, onde tem apartamentos que você vende a 15 mil reais por metro quadrado, tinha um nível E em uma construção onde tem apartamento que você vende por 50 mil reais por metro quadrado, tem outro nível. Nossa senhora! Na parte estrutural, a diferença pode ser muito pouca. Por que isso? Porque já está tudo claro na minha cabeça. Porque é cultural, ou seja, Eu não vendo o que a gente não enxerga. Eu vendo o que a gente enxerga. E eu te pergunto, mas você no seu corpo, de novo, coloca importância mais no seu coração ou na sua pele? Claro que a pele é a parte que permite que você vai abordar de uma forma... Bom, é importante, mas o coração também é importante. Você não fala, ah, o coração fica lá, ninguém vê, então mesmo ele fica um pouco faltante, deixa ele lá, não vou me mexer com ele. Então, esse conceito é um conceito que se enxerga Muito bem, porque se você tem uma construção que custa 2, 3 vezes, esperaria também que o nível estrutural fosse diferente. É um pouco diferente, mas não tão diferente. Isso significa que não vai ser colocada a importância devida na parte estrutural. E também isso se reflete onde? Você passa nas ruas, você vai ver a placa do empreendimento. Você encontra lá o nome do arquiteto, do bam-bam-bam, mas o engenheiro, onde ele fica? Nem é citado. Então, a engenharia daquele prédio, ela é comprada na banca? Claro que não pode ser assim. Estou dizendo isso porque Tudo o que tem que ser melhorado, como você justamente falou, tem uma origem, que é a origem cultural. Tem que mudar um pouco os conceitos. Você ainda enxerga ou vai ouvir coisas que não deveria mais ouvir. Ou seja, se a abertura do Brasil não chega para quem tem conhecimento, Daqui deve chegar a abertura do Brasil e a ligação com o que se faz no resto do mundo. Então, eu acho que todos os canais para divulgar para deixar claro o que está acontecendo no mundo, para quem não tem essa possibilidade de conhecer, de estudar, acho que são importantes porque é uma É uma... abrir a cabeça da gente, é? Então, se o Brasil precisa evoluir, essa evolução não pode ser elitista. Deve ser uma evolução, digamos, total.
É, nesse sentido eu falo, né? Todo mundo conhece o arquiteto que projetou Brasília, né? Mas ninguém conhece o engenheiro.
Joaquim Cardoso ninguém lembra.
Ninguém lembra.
Não estou errado, não estou errado.
Faz todo sentido. A agenda dele está super apertada. Até desculpa ter te interrompido naquela hora. Você pode só concluir que ele vai fazer agora a indicação do convidado dele. Se está convidado, dá pra voltar aqui outro dia, viu?
Ah, tá bom.
Pode concluir. Eu sei que você não esquece dos seus...
Não, não, não. Era só a parte de que a importância do que ele traz Apesar dele condensar por conta do tempo, dele trazer pra verticalização e pra inserção no ambiente social, o que ele traz pra mim vai além, vai pra parte industrial também. a questão mista e de inserção, porque esses grandes servidores, eles estarão no meio de nós. Então, uma das coisas que nós temos que aprender com a fala dele hoje, não é somente o que nós podemos aprender com uma cultura nova, mas é como nós podemos enxergar o passo que daremos a partir de adiante. E o que ele traz, se a gente aprender alguma coisa com o podcast dele, a gente falando povo brasileiro, Não é só ao que nós precisamos mudar da forma como nós fazemos, porque nós somos o que fazemos para mudar o que fomos um dia. Mas o que podemos aprender com o que vai vir para não cometermos os mesmos erros. Acho que esse aqui é o mais importante, que talvez essa feira de construção moderna, quando a gente fala de construção moderna, o que é o modernismo? dentro da cultura. Então, o brasileiro não vai mudar a cultura assim. E ele falou, bem, vai começar na sala de aula, vai começar com a educação e principalmente com a valorização daquilo que é essencial. Então, finalizo dessa forma. Acho que o que ele traz é... O essencial é o livro do Pequeno Príncipe, né? É invisível aos olhos.
É bem interessante você trouxe, inclusive eu trouxe aqui, eu tô refletindo sobre o que você fala, inclusive usando o próprio exemplo do carro e do corpo humano, tá?
Sensacional.
Nesse sentido, eu queria que você indicasse um convidado pra que você gostaria de ouvir aqui.
Eu não sabia dessa possibilidade.
É uma surpresa.
Essa possibilidade. Mas poderia, se ele aceitar, eu tenho uma pessoa que conheço, além de ser amigo dele, que é um engenheiro, que ele tem uma experiência muito grande na realização de grandes obras de arte de pontes. Ele acho que já é um dos engenheiros que gerenciou a construção de mais pontes estalhadas no Brasil e também no exterior. E eu acho que se ele aceitar, a fala dele é bem interessante para vocês. Ele se chama de José Oscar Brun. Posso até falar com ele.
Então pode ir.
Mas se ele aceitar, acho que hoje ele é lá na feira ouvindo a minha palestra.
Ah, ótimo.
Te apresento, pode conversar sem problema.
Então, mais uma vez, obrigado pela sua participação.
Obrigado. Obrigado a você.
Por esse conteúdo rico.
Um prazer.
Um abraço, pessoal, e até o nosso próximo encontro aqui no Constrae Cash.
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