CONSTRUECAST | ENTENDA A INDUSTRIALIZAÇÃO DA CONSTRUÇÃO | Luiz Alfredo | Podcast da Construção

Podcast episode (YouTube) in which host Paulo interviews Luiz Alfredo (CEO, Grupo Assos) about the role of steel service centers (centros de serviço) in industrializing construction. Luiz explains his background, how a service center transforms raw steel into detailed, CNC-cut, drilled and surface-treated components from a structural design, the importance of project detailing and planning, logistics challenges (stock, retalhos, sequencing deliveries), pricing methodology (unit-cost model, charged per operation like hole drilling), and competitiveness vs. traditional manufacturers. He gives case examples (a tall monitoring tower in the Amazon; the Goiânia Legislative Assembly) and highlights advantages of industrialized construction: speed, reduced site disturbances, flexibility for future changes, and the need for client/architect engagement and planning.
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Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtor à Infinity Plus. Está no ar mais um episódio do Constricash. Hoje vamos falar sobre um assunto muito importante, que é como tornar a industrialização da construção competitiva em relação aos sistemas já existentes, ou seja, sistema tradicional. Para falar sobre o assunto, eu tenho a honra de receber aqui Luís Alfredo, que é CEO do Grupo Assos, e vai falar um pouquinho para a gente como funciona o papel, seja de um centro de serviço, nessa cadeia de distribuição do aço. Luís Alfredo, seja bem-vindo ao nosso podcast.
Obrigado, Paulo. Obrigado.
Para introduzir um pouco sobre o assunto do tema centro de serviço, eu queria que você falasse um pouquinho sobre a sua formação e, dando continuidade, o que é um centro de serviço.
Perfeito. Eu sou engenheiro civil de formação. Me formei na USP São Carlos. E, diferente dos amigos, todos queriam trabalhar em construtora, eu queria ir para a área comercial. E, trabalhando na área comercial, fui tomando conhecimento, contato com os sistemas que tinham, construtivo, enfim. E, sempre, a gente acaba se interessando mais pelo que inova. Convencional, a gente já conhece de longa data, é feito há muito tempo da mesma forma. Enfim. No decorrer da trajetória profissional, eu fui treinido a Gerdau. Fiquei, trabalhei na Gerdau, primeiro como vendedor, depois como executivo, por 10 anos. E aí apareceu a oportunidade de ir trabalhar com um centro de serviço, de montar, na verdade, um centro de serviço do zero, através de um cliente da Gerdau. tinha a ideia, via que a distribuição tinha os dias contados e cada vez com as margens mais apertadas e estava buscando uma perspectiva melhor para o negócio. E ainda na Gerdau, plantei essa semente na cabeça dele, ele comprou a ideia, foi atrás de conhecer o que era isso, um centro de serviço, de que forma preparava as peças, os equipamentos necessários para isso. E acabou fazendo a compra dos equipamentos, investindo, e aí apareceu uma oportunidade e me convidou pra fazer parte aí dessa construção. Enfim, de lá pra cá já se passaram 12, 13 anos que eu tô aí nessa empreita. Eu tô sendo de serviço, a gente pegou do zero no terreno pra montar. O projeto inicial, ele mudou, a gente acabou ampliando. A intenção inicial era trabalhar exclusivamente com perfil estrutural, com viga laminada de aço. E a gente acabou ampliando um pouco mais ele no decorrer, as coisas andaram bem. Enfim, dois anos depois estavam prontas as máquinas instaladas e começamos o nosso trabalho de fazer esse fornecimento.
Luiz Alfredo, nesse processo, falando do centro de serviço, eu queria que você falasse um pouquinho para a gente como que funciona, por exemplo, eu tenho um projeto e preciso construir uma casa, um prédio, que tipo de solução você oferece para esse mercado e onde que o centro de serviço se encaixa? Não sei se ficou clara a minha pergunta.
Ficou sim, ficou sim. O centro de serviço tem o papel de industrializar o material. O material, a matéria-prima aço é produzida pelas usinas nas diferentes formas. Os aços longos são laminados e produzidos e comercializados, distribuídos pelas siderúrgicas em barras. bobinas são enroladas e você também tem outro processo, desenrolar, transformar em chapa, transformar em rolos. Então, para cada matéria-prima você tem processos até chegar e você ter uma estrutura pronta montada. A concepção estrutural é definida por um projetista, sempre, e o projeto de aço tem uma etapa a mais do que um projeto assim. Não que o projeto de concreto não tenha, mas o do aço é mais específico, mais especializado, uma etapa de detalhamento. Então, a partir de uma concepção arquitetônica, o arquiteto define vãos, define formas, isso é passado para um projetista estrutural, ele faz o lançamento da estrutura, ou seja, ele vai definir para cada posição de elemento estrutural, uma viga, uma coluna, qual a carga, a solicitação que tem ali, faz o dimensionamento com base nos esforços que você tem. E vencido essa etapa, ele vai para uma fase de detalhamento. Então, explode-se o projeto inteiro, elemento por elemento, viga por viga, coluna por coluna, vigas principais, vigas secundárias. E para cada elemento desse é detalhado posição de furos, recortes, comprimento da peça. Então, como ele é um processo muito industrializado, ele precisa de uma precisão muito grande desses elementos. Então, por isso, essa etapa de detalhamento é muito, muito importante. Uma vez detalhado o projeto, aí o centro de serviço entra. Tem condição de fazer um estudo para fornecer essas peças. Então, o primeiro estudo que é feito é o quantitativo de matéria-prima. Então, é feito o arranjo das peças dentro da matéria-prima que tem. Então, para a gente falar de prédios, estamos falando de perfil estrutural. é laminado, então as barras são fornecidas com 12 metros, 12 e 6 metros, então dentro de todos os elementos encaixa-se as peças para que sejam tiradas dessa matéria-prima nesse comprimento. Então o estudo é inclusive divisão de peças, mas tem todo um critério técnico para se definir aonde vai dividir uma peça, uma viga, você não vai colocar uma emenda no meio de uma viga. Então esse é o primeiro estudo. Então a gente quantifica, para você construir um prédio que vai ter um peso aplicado de 50 toneladas, você vai precisar de 55, 60 toneladas de matéria-prima. Então esse é o primeiro estudo que é feito. E depois disso a gente gera os programas para levar essas peças para o entendimento das máquinas. As máquinas que a gente utiliza são equipamentos CNC. Então ele tem uma forma de leitura que depende de um arquivo específico que é gerado de uma forma comum para quem trabalha com detalhamento em aço. E aí sim que começa a mágica. Peça a peça, barra a barra vai entrando e vai saindo as peças. Então, hoje, o que a gente consegue fornecer? A partir de um projeto, é muito comum a gente ter demandas que venham de clientes finais. Então, a pessoa física quer construir a casa dela, ela chega e fala, olha, eu quero construir a casa. O centro de serviço, hoje, onde a gente está, a gente não consegue fornecer uma casa montada. A gente tem o interesse de avançar, temos inclusive plano de planejamento para isso, de avançar mais na cadeia de processos. A gente tem que ter mais processos, por exemplo, solda, que nós não temos hoje. Então, eu preciso necessariamente de um parceiro que é um fabricante de estrutura. que vai terminar, aí a gente faz uma preparação das peças. O que é preparação? A gente faz o corte, faz furação, faz recortes, faz marcação, faz um tratamento superficial com jateamento, para tirar a carepa, fazer a limpeza das peças, e aplicação de um fundo de base epóxi. Isso dá uma qualidade muito grande nas estruturas.
Luís Alfredo, e nesse processo, quando você fala de quantitativo, que você prepara ali todo... Enfim, você precisa precificar isso, né? E, enfim, você vai ali até certa etapa, deixa tudo pronto. Essas peças, no caso, depois que você trabalhou, passou pelas máquinas, a LICNC, tá tudo ok, você manda essas peças para a montagem, já direto para o canteiro, ou ela passa, de repente, ainda pelo... Esse parceiro fabricante?
Bem colocado. Olha, via de regra, as peças elas... podem ter ou não a necessidade de passar por uma fábrica. Então, a gente bate muito nessa questão do planejamento. O planejamento é uma coisa muito importante. E isso é difícil de partir do centro de serviço. Isso tem que partir do cliente, do gerenciador da obra.
Porque o centro de serviço, na verdade, é uma etapa desse projeto. Ou seja, faz parte de um... É uma... Sei lá como que eu posso colocar... O centro de serviço, na verdade, é o meio.
É um elo dessa cadeia toda, que é uma cadeia bem extensa. Se a gente falar da concepção estrutural, definição de vão, toda a concepção estrutural, aí depois projeto estrutural, detalhamento, para chegar no centro de serviço passa com uma preparação dentro desses processos que eu comentei, e depois disso ela vai ainda passar por mais um processo de fabricação e depois a montagem para você ter a estrutura pronta para você seguir com a obra, com os acabamentos. Então, o planejamento é uma coisa muito importante, porque toda estrutura de aço não é diferente, são peças pesadas. E as peças, uma vez que você movimentou, eu costumo dizer que eu não quero ver o projeto. Eu não quero nem ver a cara do projeto, porque isso, de alguma forma, me atrapalha a concepção do centro-serviço. O centro-serviço tem que procurar a produtividade dele por outros parâmetros que não é um entendimento da estrutura total. Eu tenho que ter foco na produção da peça item a item. Eu não enxergo o prédio, eu enxergo a peça. Isso leva a gente a ter uma produtividade melhor, isso converge para uma produtividade melhor dentro do centro de serviço, de organização mesmo, de planejamento nosso, interno. Então, o planejamento interno nosso é exaustivamente trabalhado, a gente vai ver. Não tem sentido, por exemplo, se eu vou entrar com uma matéria-prima, eu produzir uma peça, por uma questão daquela etapa que eu falei antes, que é a primeira que a gente faz, que são os arranjos, eu vou estudar o aproveitamento da matéria-prima. Então eu vou pegar peças. Eu posso ter numa mesma barra um elemento, uma viga, por exemplo, uma viga secundária, que ela está sendo produzida ao mesmo tempo uma viga que vai ser aplicada no primeiro andar do prédio junto com uma que vai ser aplicada no último andar do prédio. E uma interferência nessa metodologia vai provocar, com certeza, uma perda, um aproveitamento pior da matéria-prima. Então, por isso que eu digo, a gente faz o nosso planejamento olhando em produtividade e economia de matéria-prima. Mas nem sempre não, praticamente nunca. Essa é a demanda do planejamento da obra.
E isso é um ponto que você tocou que é importante agora. Então, por exemplo, o centro de serviço tem o desafio de tornar a industrialização da construção competitiva em relação a outros sistemas, justamente porque pensa nesse reaproveitamento da matéria-prima. Então, por exemplo, você pegou parte de uma viga para usar num projeto de um cliente A, e parte dessa matéria-prima que sobrou ali, você usou no cliente A, você não vai cobrar essa matéria-prima, essa peça inteira, porque você vai pegar isso e reutilizar, vender para o cliente B. É por isso que você torna isso, mas, de certa forma, acaba reduzindo o custo.
Eventualmente sim, Paulo, mas isso acaba não sendo uma regra. Isso era o grande desafio que eu tinha quando a gente começou há 10 anos atrás. Esse é o pensamento que eu tinha. Eu vou juntar todo mundo, como a gente tem até por característica atender Projetos de todos os tamanhos. Então, projetos pequenos, projetos grandes. A gente atende mezaninos de três toneladas. Há projetos de prédios de universidade de mil toneladas. Então, eu tinha essa pretensão de conseguir fazer isso. É um pouco difícil na prática. Porque quando a gente fala sobre a série de materiais, de bitolas, por exemplo, material laminado, você tem hoje praticamente 100 bitolas. Então, para coincidir naquele momento exatamente, é bem difícil.
Você tem que ter uma inteligência ali muito grande, né? Muito, muito. Ficando um pouco... Você coloca muita inteligência, de fato, e isso acabou nerando de outra forma, eu diria.
Sim, sim, sim. E é difícil de ser no mesmo tempo, naquele mesmo momento, coincidir. E uma vez que você tira a matéria-prima do processo de produção, da máquina, e a gente tem lá espaços que a gente guarda os retalhos que a gente fala, que são sobras que sobraram, que saíram de algum projeto, É muito difícil de a gente conseguir voltar com aquela peça para a máquina por uma questão física. Porque imagine uma organização de pedaços de vários tamanhos que a gente tem. Durante um tempo, a gente fez isso de uma forma até mais criteriosa. Então, a gente anotava o comprimento das peças que tinham sobrado e as bitolas, as dimensões daquela peça. E quando aparecia um projeto, eu falava, Dá para pegar aquela lá.
Então, primeiro... Desculpa, sem te cortar. Então, quando entra um projeto novo, primeiro você vai avaliar o que você tem ali de sobra.
Na verdade, a gente vai avaliar, antes de mais nada, a gente vai avaliar aquele projeto, qual que é a demanda dele. Normalmente, os projetos, por si só, a gente consegue ter bons aproveitamentos fazendo boas análises. Por exemplo, considerando divisão de peças, que é uma coisa que é viável, o aço permite isso. Você pode fazer soldas, soldas de topo, inclusive, você consegue fazer numa viga, você posicionar emendas em pontos que vão atender bem. E quando eu faço isso, Eu tenho uma inteligência que tem por trás, porque eu tenho que... Aquela peça, para a máquina, inicialmente, ela é um arquivo. Ela é um comando e eu tenho que dividir essa peça em dois comandos.
Entendi.
Então, trabalhando no próprio projeto, na demanda do projeto, a gente consegue ter índices de aproveitamento muito bons, desde que não haja do cliente alguma restrição sobre emendas, às vezes por uma questão de prazo, às vezes por uma questão, enfim, de não querer esteticamente ver uma emenda numa viga ou numa coluna. Mas, normalmente, a gente trabalha fazendo esse estudo dentro daquele projeto. Para aproveitar materiais que foram de outros projetos, tem essa dificuldade. Esse era o grande objetivo e é o que eu tinha na cabeça quando a gente começou lá atrás. A gente não inventou isso, o modelo do centro de serviço. A gente foi conhecer o que tinha no mundo. Então, viajei. Viajei para a Europa, fui lá visitar centros de serviço para ver como eles trabalhavam. E eles já me adiantaram que seria muito difícil de conseguir ter esse aproveitamento. Mas eu acreditava que com o ganho de escala, a gente tendo mais projetos passando por lá, eu teria ao mesmo momento vários projetos, e aí seria mais fácil essa interação. E em alguns momentos, sim, a gente fez, a gente procura fazer até hoje, mas existe uma dificuldade realmente física de um retalho, de uma parte que saiu de algum projeto. Quando ele vai para o estoque, ele muitas vezes, esse pedaço que você precisa, a gente tem catalogado, mas ele está por baixo de toda uma pilha. Preciso movimentar 20 toneladas de material para conseguir acessar aquele elemento. Então, o que torna um pouco mais difícil. Mas a gente recorre, sim. É bem comum a gente usar, mas não é daí que vem a economia, não, do centro de serviço na cadeia.
Nesse bate-papo eu vou descobrir.
Vai, sim.
Só uma... Eu queria aproveitar. É... Eu sei que, assim, as grandes obras, hoje, existentes no país, quando fala de aço, elas acabam indo aí para os grandes fabricantes.
Sem dúvida.
E vocês, como centro de serviços, de certa forma, acredito que sejam um facilitador aí para as construtoras. não precisarem recorrer a essas grandes empresas metálicas. Como que você facilita essa negociação dentro de uma construtora? Por exemplo, eu não quero passar isso para um grande fabricante porque eu acho que eu sou capaz de fazer.
Perfeito. Olha, tem uma questão estratégica do negócio em si, e a outra é uma questão técnica, realmente, do que precisa e qual é o grau de conhecimento e de domínio de toda a cadeia que esse meu cliente tem a posterior.
E nesse sentido, só para complementar, aproveitando, eu queria que você me falasse também se você tem um... um tipo de projeto específico que o centro de serviço cai muito bem.
Perfeito. Tem, sim, uma tipologia de projetos para prédios, por exemplo, ele vai muito bem. Galpões vai muito bem. Alguns projetos que partem, tem um partido arquitetônico com curvas, com elementos que não são convencionais, ou seja, não partem simplesmente da matéria-prima está praticamente pronto, só ser trabalhado, aí tem um pouco mais de dificuldade dentro dos processos que a gente tem hoje. A tendência é que os processos também a gente evolua. Mas, principalmente, eu diria prédios e quando a gente fala do mercado de construção especificamente, a gente tem mercado de energia também, aí tem uma outra pegada, uma outra particularidade. Mas no mercado de construção, o centro de serviços se adapta muito bem à construção imobiliária, residencial, prédios e galpões.
E nesse segmento imobiliário, como você sabe, muitos amigos e amigas arquitetos, E também tem donos de construtoras ligado ao meu ciclo de amizades. Como que você consegue ajudar, de repente, um arquiteto a viabilizar uma casa em aço? Porque como eu te falei, um pouco atrás, a gente estava falando de... Ah, eu tenho um projeto em aço, não é possível viabilizar por conta do custo, às vezes porque ele não consegue medir ali as vantagens da questão da solução construtiva em aço. Então, como que você ajuda um arquiteto, por exemplo?
Eu acho que a gente ajuda num primeiro momento, a gente ajuda com informação, facilitando os meios que são necessários. Porque, como eu comentei anteriormente, a gente no centro de serviço precisa do detalhamento. Eu preciso enxergar as peças exatamente como elas são. Onde estão os furos? Onde estão os recortes? Onde estão as passagens de dutos? Então, esse projeto, quando sai da mão do arquiteto, ele vai para um projetista estrutural, para um projetista de instalações, que vai definir parte de iluminação, parte de dutos, no geral. O aço tem essa vantagem. É possível você fazer passagem de dutos por vigas. Isso dá bastante flexibilidade também para o projeto. Então, como que a gente ajuda? A gente ajuda naturalmente, com os anos a gente foi desenvolvendo o nosso network, contato de pessoas que a gente já trabalhou, que a gente confia, que são bons profissionais. Então, no primeiro momento, se chega um projeto para a gente sem o detalhamento, a gente orienta a procurar e até indica alguns projetistas para fazerem o detalhamento.
E nesse sentido, você acaba, nesse momento, você acaba passando ali, acho que esse projeto a gente consegue reduzir esse custo inicial em até x%? Você já tem mais ou menos essa skill ou não?
Se a gente comparar com o mercado em termos do custo de processamento do aço, sim. Sim. Agora, o que acontece é que o aço é um produto que é vendido na balança, ele é peso. Então, o projeto estrutural muitas vezes vai determinar a taxa de aço de um projeto. Mas muito também do projeto arquitetônico. Às vezes a gente escuta bastante, tem demandas, e eu estou passando até por uma situação pessoal nesse quesito. O arquiteto fala, olha, tá, eu quero em aço, mas eu quero uma viga grande, eu quero imponente. Então isso é um apelo arquitetônico. Estruturalmente, você pode usar uma viga bem menor. Então, essa é a questão, de você conciliar qual é a expectativa do projeto arquitetônico, do cliente e do que é possível fazer tecnicamente.
No episódio da série Mulheres que Constroem, eu recebi um bate-papo muito interessante entre uma arquiteta, a Viviane, e uma engenheira. Ela atua em uma grande construtora, a Berenice, e a gente estava falando da importância da comunicação entre arquitetura, E engenharia, você acha que isso é um ponto que a gente precisa se atentar? Porque às vezes, imagina, você chega com uma solução que vai atender muito melhor e às vezes, sei lá, por um capricho do arquiteto, fala, não, eu não abro mal e isso acaba inviabilizando, às vezes, um projeto. Por conta disso, pode acontecer ou não?
Pode, pode acontecer e eu acho que é super salutar, tem que ter uma sintonia bem fina ali e chegar a ser um acordo. Eu entendo que a arquitetura em si, em muitos momentos sim, o apelo visual do arquitetônico, isso faz parte da arquitetura e tem que ser valorizado. Mas eu acho que tem que ter, pelo menos, uma comunicação efetiva para trocar informações, para buscar soluções que sejam mais adequadas do ponto de vista da viabilidade econômica. Já vi projetos que entraram, e não seguiram adiante, portarem com uma taxa de ácido muito alta, e não chegou a um acordo entre o arquiteto e o cliente, e falaram, nossa, mas está muito mais caro construir em ácido do que fazer em concreto, então eu vou abandonar essa ideia. E projetos esses que poderiam, sim, ser trabalhados do ponto de vista estrutural.
Eu queria abrir um ponto nesse negócio que você acabou de falar. Quando eu visitei sua fábrica, você me falou sobre um case que você recebeu de uma casa também nessa mesma situação. ali você tinha um volume de aço muito grande, você acabou trazendo uma solução que viabilizou, ou seja, você conseguiu reduzir, assim, drasticamente o custo daquela residência, só fazendo uma análise nesse projeto, você apresentou uma solução. Ah, legal, consegui. Como que funciona esse... Ou seja, esse seu suporte?
Vê, nesses casos, eu uso muito mais a experiência que a gente tem mesmo, que eu tenho, de ter visto muitos projetos.
Você bate o olho no projeto e fala, peraí, tem alguma coisa errada aqui, vamos rever.
É, a gente tem taxas de referência, né, do mercado, né? Então, a gente sabe, não do mercado, dos projetos mesmo em si, né? Então, é evidente que o partido arquitetônico, ele vai levar a uma taxa mais alta ou mais baixa. Grandes vão taxas mais altas, balanços, taxas mais altas, isso é normal. Mas, por exemplo, uma residência, que seja dois, três andares, ela deve ter uma taxa de aço por volta de 50 quilos por metro quadrado. Chega a 100? Sim, chega a 100. Às vezes chega a 100. Se você tem um vão muito grande e pôr um partido arquitetônico, um apelo arquitetônico, eu quero essa viga aparente, eu quero uma viga bem grande, porque eu quero ela, e aí você pode levar consideravelmente essa taxa.
Então, mas eu tenho uma dúvida, será que essa parte de eu quero uma viga grande, aparente, será que isso não está um pouco ligado à falta de conhecimento? do setor, porque eu fico me questionando, será que vale a pena realmente eu vou elevar o custo dessa obra em, sei lá, em x% a mais por conta de um detalhe ali, que tudo bem, eu sei que o detalhe faz a diferença, de fato, faz. Agora, será que quando você traz uma solução, você é ouvido? Essa é a minha dúvida.
Às vezes sim, às vezes não. Isso depende do profissional que está do outro lado.
Por exemplo, ele chega a passar isso para o cliente dele, eu tenho essa solução e vai reduzir seu projeto em tanto?
Muitas vezes a gente procura não entrar em rota de colisão com arquitetos. Mas, via de rega, as demandas que aparecem para a gente nessa aplicação do Aço, nesse tipo de construção, elas vêm dos clientes finais. E o cliente final faz um orçamento, eu olho e falo assim, nossa, mas eu estava esperando menos. E aí, inevitavelmente, também a gente faz um comentário, pela sensibilidade que a gente tem. Eu falo, olha, mas aqui, em uma avaliação prévia, eu te digo, esse projeto está pesado. Eu acho que ele pode ser reavaliado. Você pode lançar partido de soluções que podem aliviar. Por exemplo, uma contra flecha. Muitas vezes não são todos projetistas que trabalham com contra flecha em aço. Isso é um processo que você consegue aliviar peso de vigas, principalmente vigas circundárias. Então, a gente trabalha com viga mista. Você conecta a laje na mesa superior da viga, você consegue fazer essa seção de concreto trabalhar junto com o aço. Então, isso traz economia também. Sim, inevitavelmente, a gente faz, sim, uma crítica, não é esse o nosso compromisso, mas é essa forma que a gente vê também de viabilizar, de um cliente contente, satisfeito. Então, isso volta, indica. Então, a gente faz o nosso trabalho também nesse sentido.
Porque se você tem, na verdade, esse desafio de contribuir com o mercado, Imagina, eu tenho um sonho de construir metálica. De fato, a construção industrializada dá um gosto pessoal. Eu considero várias vantagens, inclusive a leveza do projeto.
De fato.
É gosto pessoal, enfim. Mas se você tem esse desafio, acho que, de fato, sim, você tem que contribuir com o conhecimento de vocês. Porque eu estou trabalhando ali, eu, engenheiro estrutural junto com arquiteto. De repente, eu trago você para essa discussão, peraí, a gente consegue melhorar isso aqui em questão de custo para viabilizar para esse cliente final, acho que no final todo mundo ganha.
Com certeza, com certeza.
E nessa questão de precificação, que de certa forma, acredito que seja o grande desafio onde vocês atuam, acredito que muito bem, é como que funciona a forma de precificação? Então, pegando um gancho... Até assim, comparando com a metodologia tradicional, é importante falar, tá?
Perfeito, perfeito, perfeito. Ele tem uma metodologia própria porque ele tem toda uma cadeia própria, o aço. E pegando um gancho, como que... Por que um centro de serviço consegue ser mais competitivo? é pela escala de processos e uma visão de mercado mesmo diferente, de negócio. A visão de negócio é diferente do centro de serviço. Então, quando eu falo que o centro de serviço consegue tornar uma estrutura metálica mais competitiva, ele está falando a partir de um projeto definido. Então, eu falo assim, olha, é esse o projeto e não vai se mudar mais nada. Então, eu tenho um projeto aqui de 100 toneladas. É isso. Está definido. A partir daí, o centro de serviço entra e ele consegue ser mais competitivo em toda a cadeia de processamento do aço até ele virar uma estrutura montada. E aí, por isso passa pelo modelo de precificação. O modelo de precificação do centro de serviço, do nosso centro de serviço, ele se baseia em custos unitários. Então, o furo se paga por furo. É um modelo também que eu fui visitar lá fora, fui ver como o pessoal fazia um benchmarking lá, principalmente na Europa, e vi como o pessoal trabalhava, a gente adaptou para a nossa realidade aqui, acho que a gente foi até um pouco mais criterioso, então acho que o modelo nosso dificilmente você vai achar em outro país, como a gente calcula isso, mas é extremamente justo. Tem mais interferência de máquina, o custo sobe, soma-se mais custos unitários e você vai ter um preço que vai ser traduzido num preço por quilo mais alto. Se tem menos, menos. Um fabricante, ele sim, ele faz essa análise, mas é uma análise muito menos quantitativa. Ele faz mais uma análise, o fabricante ele tem uma característica de usar muito o custo fixo. na formação de preço. Eu não uso custo fixo. Eu não quero saber quanto que é o meu custo fixo, mesmo porque a gente tem outras atividades no nosso negócio que ele custeia.
Interessante, né? Uma coisa vai compensando a outra.
Exatamente. E por isso, e aí vem a competitividade. E daí vem a competitividade. O centro de serviço vai somando. É evidente que ele vai trabalhar com margens menores, se você olhar num retrato do que um fabricante, mas pela taxa de ocupação, com o tempo e margens que vão somando, é na venda da matéria-prima. É outras coisas, outros produtos que a gente consegue também viabilizar na obra e no dia a dia. Cheio, trabalhar cheio. Um centro de serviço tem que trabalhar cheio. Sempre cheio.
E automatizado. E automatizado. Então existe aí um desafio de vocês, que vocês... Por exemplo, vocês têm aí uma baixa do aço. Vocês... Opa, vamos comprar bastante para ser competitivo aí, porque... Tudo bem, o aço subiu. Vocês conseguem segurar isso por mais tempo?
Sim, aí é muito mais uma condição, uma questão de mercado. Se o mercado sobe o preço, o mercado está demandado, evidente, uma empresa visa sempre o resultado. Ela repassa. Mas consegue amortizar principalmente na disponibilidade. A gente passou por uma época de pandemia, 21 principalmente, segundo semestre de 21, que a gente viveu uma crise de escassez de produto, de matéria-prima, não se tinha. E aí o centro de serviço conseguia dar uma agilidade, porque a gente tinha, a gente sempre trabalhou muito estocado, então como distribuição a gente tem uma facilidade muito grande, a gente consegue trabalhar com prazo mais curto, porque a gente está em cima da matéria-prima. Isso dá um diferencial muito grande. E os preços são praticados de acordo com o mercado, mas Na composição do resultado sendo de serviço, se a gente olhar para a margem, a margem dos processos que a gente faz, elas são muito baixas. Isso torna mais competitivo, mas para a gente faz sentido por toda a cadeia.
Tem algum case, assim, de alguma obra relevante no país que vocês forneceram via centro de serviço? Só pra contextualizar um pouquinho aqui o nosso bate-papo.
Sim, sim.
Porque a gente fala muito de residência, de prédios e tudo mais. Sim, fala umas três obras relevantes, assim, que vocês forneceram no Brasil.
Tiveram algumas. A gente forneceu, por exemplo, uma estrutura, uma torre de monitoramento na Amazônia, que até naquele momento, faz uns cinco anos mais ou menos, era a torre mais alta do Brasil. Ela está no meio da Floresta Amazônia. É um projeto, se eu não me engano, que foi financiado pelo governo alemão. E foi montado, então tinha todo o desafio, né? Esse projeto tinha o desafio da logística, né? Que aí é parte do fabricante, né? Que nos contratou. Mas as peças precisavam chegar lá e serem montadas com precisão, não podia nem de forma alguma uma peça ter que ser descartada ou ter que voltar para a fábrica. Então esse foi um projeto bem interessante, emblemático pelo fim dele, muito legal, pela logística. E é uma torre enorme, tem uma escada dentro. e sobe, eu não me lembro agora qual a altura que ela atinge, mas é bem alta. Eu cheguei a ver fotos dela depois, no meio daquele mar de floresta, ali você vê a torre, ela sobressai, realmente ela passa por cima da copa de todas as árvores e passa muito em cima. Esse é um projeto, foi um projeto bem diferente, foi produzido basicamente em cantoneiras pesadas. Foi um projeto que passou por lá. Deu até uma relativa publicidade.
Não, eu vou ver depois. Isso me manda, inclusive.
Dá uma olhada, é um projeto legal. Teve um outro projeto que a gente participou também, que é da Assembleia Legislativa de Goiânia. Depois eu pego certinho também para te passar. E esse é um projeto bem legal. O arquitetônico, é um projeto arquitetônico bem legal, que usou muito elementos totalmente um diferente do outro, tinha um nó no piso dele, né, da... da assembleia, que ele tinha... Chegavam nesse nó coisa de... 15, 20 vigas, assim, sabe? Era esse elemento que, inclusive, a gente fez toda a preparação das peças e levou numa caldeiraria pra soldar, porque era uma coisa de uma precisão, tudo com ligações, né? Que a gente fala de contato, né? Ligações, contato, flanjadas. Então, esse tipo de conceito, ele não admite nenhuma... Nenhum desvio, sabe? E foi montado com sucesso, tá lá, bem bonito. Esse foi um projeto bem legal.
É, eu vou pegar esses links aí depois, se a gente conseguir, acho que coloca na descrição, tanto das plataformas de vídeo, de áudio também, pra quem tiver curiosidade em querer visitar, querer ver, acho que vale muito a pena.
Perfeito, eu compartilho com você.
É, e tem algum ponto, assim, que você gostaria de... falar sobre vantagens da construção industrializada e do centro de serviço, essa ligação.
Esse casamento. Eu sou suspeito para dizer, porque estou inserindo nisso, acredito nisso, vim para o projeto porque eu acreditava, sempre acreditei nesse modelo de construção e na participação do centro de serviço justamente para conseguir tornar mais competitivo e mais ágil. Você ter peças expressas rápidas, de uma forma rápida. A gente, na história, falando um pouco sobre o mercado e como foi para você criar uma cultura no mercado. Isso é uma grande dificuldade. A gente tem muita contribuição do pessoal das usinas, trabalhando. Mas, eu confesso que os interesses nem sempre são convergentes. Lá atrás, quando a gente montou, montou a fábrica linda, tudo montado, os equipamentos de ponta, tudo prontinho para começar a atender o mercado. a gente enxergava que os nossos clientes seriam os fabricantes, principalmente os pequenos e médios, porque os grandes fabricantes têm a capacidade instalada deles, os equipamentos deles. E aí, naquele momento, tudo prontinho, vamos dar o start, então vamos atrás dos projetos. E aí fomos conversar com fabricantes. Isso não foi difícil à base, porque a gente já atuava na distribuição há muito tempo, então a gente tinha com quem conversar.
Tinha muito contato.
Exatamente. Então, basicamente, foi chamar esse pessoal, hoje está comprando a barra, Você não quer levar essa barra cortada, furada?" E, curiosamente, a resposta não foi muito boa nesse primeiro momento. O pessoal enxergou o centro de serviços como um concorrente, a grande maioria, não todos. E aí, para vencer essa resistência foi muito difícil. No primeiro momento, Alguns enxergaram, realmente, como é um diferencial estratégico poder trabalhar com o centro de serviços e começaram a trazer os projetos. E, mais do que isso, entenderam que, através do centro de serviços, eles conseguiriam aumentar a capacidade de produção deles. Então, se lançava em projetos maiores, quando eles não conseguiriam competir com fabricantes maiores, porque tinham prazos que ele não tinha capacidade de atender, e em associação com o centro de serviços se tornou viável. Então, alguns enxergaram isso de uma forma positiva e se deram muito bem.
Bacana.
Isso era muito bem. Eles já entravam com projetos pequenos, projetos de 5, 10 toneladas, e meses depois já estavam buscando projetos grandes, 400, 500 toneladas, que só se tornou possível alcançar, atingir esse mercado, esses clientes, para eles, utilizando o centro de serviço. Aí depois a gente teve um segundo momento, que passou por uma crise, como a gente sempre tem. E aí muitos fabricantes desmobilizaram a sua fábrica. Eu me lembro de uma situação em que a gente criou um workshop e levamos um pessoal para conversar, mostrar um projeto, fazer visita, um tour na fábrica. Todo mundo olhando, curioso, meio desconfiado, alguns desconfiados e tal. E aí um dos visitantes lá me falou assim, mas o furo como que você faz? Eu falei, eu cobro por furo. Ah, mas quanto que é um furo? E aí na época, não lembro, o preço não mudou praticamente nada, a gente não tem inflação. Mas eu falei, ah, R$1,50 um furo. Aí ele falou, nossa, mais um real e cinquenta. Aí ele viu uma viga toda furada e falou assim, não, mas eu tenho lá o meu funcionário, o meu operador, ele faz cento e cinquenta furos por dia numa furadeira de base magnética. E aí ele fez a conta, eu acho que hoje até faz mais sentido, os salários cresceram. Mas na época que ele fez a conta, ele falou assim, não, mas é louco. Não dá. Eu respondi. Ele falou assim, sim. E quando ele não está fazendo o furo, você não paga ele? Ele olhou com uma cara assim, mas não foi muito receptivo. Eu falei, e se ele fizer o furo no lugar errado? Aqui você paga pelo furo, e o furo no lugar certo. Então tinha essa desconfiança, essas contas que faziam muito, de novo, voltaram para custo fixo e tal. E aí depois... por conta de uma crise, mudou, porque o pessoal acabou desmobilizando, teve que mandar a gente embora, e quando o mercado retomou, aí voltou a olhar um pouco para o centro de serviço com outro olhar. Falou assim, puta, eu vou contratar ou vou usar de um centro de serviço? E aí teve esse segundo momento. Hoje, Naquele momento, a gente enxergava que o centro de serviço deveria se reservar a alguns processos para não invadir o espaço do fabricante. Então, isso funcionou durante algum momento. Isso lá atrás, conversando com uma pessoa que eu respeito muito no mercado, e lá atrás ele me falou, olha, não vai funcionar você entregar parte dos processos. Você tem que entregar a peça pronta, na obra. E eu falei, mas a nossa estratégia, eu não quero que o fabricante nos veja como um concorrente. Mas, na verdade, hoje não. Hoje eu tenho uma visão diferente. fez nossa parte na contribuição, mas a gente vai poder contribuir mais daqui para frente, realmente avançando mais nos processos. Então, levando processo de solda, nos capacitando para conseguir atender, realmente botar uma peça pronta no canteiro de obra para ser montado. Lá atrás você comentou sobre o que vai para a obra, o que vai para a fábrica. Depende muito do projeto. Isso é uma coisa que trabalha muito com os clientes para conscientizar sobre a necessidade de planejamento, Por essência, nós brasileiros não gostamos muito de planejamento, mas faz muita diferença. E na construção industrializada faz mais ainda.
Faz mais ainda.
Você não pode ter surpresa. As coisas têm que estar bem definidas. Então, você olha, eu estou produzindo tudo junto, como eu comentei. A viga do primeiro andar e do último andar estão sendo produzidos na mesma barra. Se você não me avisar antes o destino e a fase que ela vai ser usada, eu vou juntar, vou deixar elas juntas. E você vai receber na obra, só se tiver um canteiro com recessão de espaço, você vai receber no mesmo momento e você vai se bater para achar. Então, esse trabalho foi feito exaustivamente, a duras penas. Porque o cliente comprava e contratava a gente, e botava ali um... Fala, eu quero... Me entregue! E sempre assim. Demora-se muito tempo para definições arquitetônicas, definições com cliente, e quando solta, tem que ser para amanhã. Tem que ser rápido. E aí o que acontecia? Isso, pegava obras maiores, a gente estava produzindo, a gente enxerga a peça. Não estou enxergando a obra. E quem tem que me passar é você. O planejamento eu não sei por onde você vai começar a montagem da sua obra. Então a gente trabalha muito na conscientização. Hoje a gente está mais vacinado, então quando começa, principalmente um projeto grande, A gente enfatiza muito essa questão. Veja, qual é o seu plano de montagem? Você me passe como você quer receber essas obras, essas peças em obra. Porque senão eu vou mandar do meio do meu critério.
Isso gera uma organização de canteiro absurda, né? Se você trabalha esse planejamento.
Sem dúvida, sem dúvida. Muitas vezes você inviabiliza. Aconteceu situações de ir tudo pra obra e ele falou, me mande, me mande, me mande, me mande peça. Até tinha por parte do nosso cliente uma necessidade de fazer medição, então precisava estar com o material na obra, só que ele não estava acompanhando a montagem na velocidade que as peças estavam sendo entregues. O que aconteceu? Ele juntou Toneladas e toneladas de peças, o aço é pesado, difícil de movimentar. Quando ele começou a montar, ele não se achava. Estava tudo misturado. E aí estava tudo misturado, aí uma pressão por ter que entregar e montar a obra, ele chegou a ponto de pegar a peça que não era do lugar e montar no lugar. E peças maiores. Então você vê, o projeto todo feito, todo concebido de uma forma correta, dentro do que tem de mais avançado, em termos de tecnologia de construção. Detalhado, com peças para serem parafusadas, uma montagem por parafuso, que é o que ganha mais velocidade. E ele teve que cortar pedaços da peça e soldar em obra. E quando chegou na posição daquela peça, não tinha. Só que sobrou uma peça mais curta. Enfim, então tudo isso para mostrar a necessidade realmente que tem de ter um planejamento de recebimento das peças dentro de acordo com o plano de montagem.
Isso é importante, acho que quem está ouvindo ou assistindo... Tomara que se sensibilize.
Porque isso é uma coisa muito, muito importante. Isso facilita muito nossa vida e facilita muito a vida do cliente.
Sim, sim, porque muitas vezes, numa movimentação de peça de forma inadequada, você acaba até danificando todo aquele tratamento da peça que foi feita em fábrica. Tem que imaginar, eu pego uma peça que está lá no canteiro, vou pra um lado, depois eu pego essa outra peça, coloco em cima dessa de uma forma... Eu não tenho controle no canteiro, muitas vezes.
Se não tiver, realmente complica. Aí a gente foi desenvolvendo metodologias de como fazer melhor. Vamos pensar. Então as peças saem de carreta. Hoje, lá na empresa, a gente criou baias. Então tem baias. As baias têm exatamente o tamanho em área da planta de uma carreta. Então, a partir do planejamento do cliente, a gente destina. A gente sabe que a baia 1 é terceira entrega. Baia 2 tá na primeira entrega. E a gente dispõe as peças em cima dessa baia de uma forma que a gente já tá prevendo como vai ser carregada. E tá separando. Então, numa mesma barra, aquele exemplo que eu falei, se eu tô tirando uma peça que é do primeiro andar, e eu sei que é do primeiro andar, que ela tá na carga 1, Entendeu? E a outra peça, que é do último andar, que está na carga 8, nesse momento, fisicamente, eu já separo. Eu coloco a peça do primeiro andar, na baia, onde vai a primeira carga, exatamente. E a peça do último andar, onde vai a última carga. Porque eu estou produzindo isso ao mesmo tempo. Isso é uma coisa que é fundamental. Não tem como se mudar. pela questão do aproveitamento.
Sim, para você já é um processo pensado ali desde o início daquele projeto, já é tudo separado, antes entrou o projeto, vocês já pensam ali naquela área, beleza, então isso aqui, essa peça vem para cá, essa vem para cá, essa vem para cá, e aí você facilita toda essa logística do cliente.
Exatamente, exatamente. Agora, essa sintonia, essa informação mais refinada, mais afinada com o cliente, não é tão fácil não de conseguir, porque não é da cultura. De novo, não é da cultura, sabe? Mas evidente que clientes recorrentes que já fizeram uma vez, duas vezes, eles vão se adaptando à forma de trabalhar do centro de serviço. Porque quando você contrata um fabricante, isso é um problema do fabricante.
Sim.
Esse planejamento. Então, no centro de serviço, você tem que se antecipar nesse plano para as coisas depois andarem de uma forma mais tranquila.
Luiz Alfredo, só para a gente estar chegando ao final do nosso episódio, quais são as vantagens que você destacaria na construção industrializada?
A construção industrializada tem as vantagens. A primeira vantagem dela, com certeza, é a velocidade. Você consegue ter obras, construir prédios de uma forma muito rápida.
E velocidade remete a?
Antecipação de receita, por exemplo. Então, a obra industrializada, mas é mais cara. Via de regra vai ser sim. Ela vai ter um custo maior. Só quando você coloca isso numa linha de tempo com antecipação dessa receita, do resultado do negócio, ela sim se viabiliza.
Eu falo muito aqui, menos transtorno para a vizinhança.
Com certeza. No ponto de vista social de coisa, é muito mais fácil. Você trata... Todos os imprevistos você trata dentro de fábrica, então isso ajuda muito. Bem planejado, você consegue causar impacto muito pequeno. A obra industrializada, metálica, ela dá uma versatilidade muito maior depois para adequações, se você precisar fazer uma ampliação, por exemplo. uma obra que ela pode mudar. Eu fiz hoje assim, mas eu preciso agora esticar um pouco para cá, preciso mudar esse vão. A obra em aço, principalmente, ela dá essa flexibilidade também.
E tem uma coisa aqui, um ponto aqui no nosso podcast, que é convidado convida.
Certo.
Tem alguém que você gostaria de ouvir, a pessoa aqui? Enfim, se sim, você gostaria que você olhasse para aquela câmera e convidasse a pessoa aqui.
Tá certo, tá certo. Eu acho que aqui a gente tá indo bastante na linha da... construção imobiliária. Eu sei que tem um alinhamento muito com os arquitetos e acho que são realmente os arquitetos que têm a capacidade de transformar o mercado, conhecendo mais o produto, aplicando mais o produto. E falando em construção industrializada no geral, tem um arquiteto que eu poderia somar aqui, trazer alguma contribuição, porque ele é bastante especializado em construção industrializada. Ele usa muito madeira e usa muito aço, e conhece, detalha bem a estrutura arquitetônica, o projeto arquitetônico, detalha bem, conhece bastante do produto. Tanto madeira como aço que são, nas duas vertentes, construções industrializadas. O nome dele é Pedro Corneta. Pedro Corneta. Tô fazendo aqui a propaganda dele. Enquanto eu tô construindo minha casa agora, eu cheguei a consultar o Pedro, acabei decidindo por um outro arquiteto, mas foi o que eu fui buscar pelo trabalho dele. Eu conheço o trabalho dele, o trabalho dele é muito legal e soma bastante, conhece bem.
Então, Pedro Corneta tá convidado pra participar do nosso podcast, a convite do Luiz Alfredo. Tem uma pergunta que eu gostaria de fazer antes da gente encerrar. Vou colocar seu contato na descrição do nosso episódio, tanto de áudio quanto de vídeo. É se alguém quiser, algum arquiteto, engenheiro, quiser visitar a sua fábrica. É possível, sim ou não?
Claro, claro, claro. A fábrica está sempre aberta. A gente sempre recebe bastante visita e a gente fica bem contente de receber o pessoal lá para conhecer, informar, trazer algum esclarecimento que vai ajudar a gente a desenvolver esse mercado também. Hoje a gente está com a planta para esse mercado em Curitiba, temos uma operação menor hoje em Minas Gerais, que temos um grande projeto para sair em Minas Gerais, e depois que sair a gente volta aqui pra falar um pouco mais dele, mas indo nessa linha que a gente quer avançar mais e ter peças mais especializadas, mais processos e peças prontas pra gente realmente ter a condição de entregar peças no canteiro prontas pra montagem.
Não, bacana. Pergunta porque eu visitei vocês lá em Curitiba, gostei muito do que vi, a razão pela qual você está aqui hoje e já estou curioso aí para visitar Minas também.
Em breve nós vamos tirar esse projeto do papel. A gente está hoje com investimentos no Rio também, mas aí mais para a linha de energia, mas com centro de serviço, com vários processos também. Então, fazendo mais investimentos lá e em breve vamos voltar para o projeto de Minas para tocar esse projeto aí, que é um projeto bem Bem audacioso.
Bacana. E antes da gente encerrar o nosso episódio, tem alguma fala que você gostaria de dar, algum conselho para quem quer construir um aço, por exemplo, que é a sua grande especialidade?
A gente está à disposição no que precisar de ajuda, de algum esclarecimento aí. Não tenha nenhuma restrição aí para incomodar a gente que a gente gosta de participar. e de ajudar. E agradecer a oportunidade de estar aqui, de poder trazer um pouco mais de informação, esclarecer um pouco mais o que a gente vive. E que a gente... Para mim, isso é meu vício.
Que bom, que bom. Fiquei, de fato, muito contente com a sua participação. A gente vem conversando há muito tempo e eu tenho certeza que esse episódio somou muito para você arquiteto, você construtor, engenheiro, enfim, estudantes de arquitetura, eu tenho certeza que hoje nós tivemos a oportunidade de ouvir e ver um assunto inédito na construção civil. um abraço pra vocês e antes de encerrar esse episódio peço que você compartilhe, comentem, é muito importante que você comente pra eu saber de fato se esse conteúdo tá chegando de uma forma adequada pra você, se tiver alguma sugestão manda pra gente que o nosso objetivo sempre é melhorar então um abraço e até o nosso próximo encontro.
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