Construir Sem Água e Sem Desperdício: O Futuro da Construção Civil | podcast | Arquitetura

Arquiteta Isabela, fundadora da Ponto Arquitetura de Negócios, explica como a construção off-site resolve desafios de pontos de venda espalhados pelo Brasil: montagem em cinco dias, 15% menos desperdício de material e custo inicial 15-20% maior que o convencional. Ela detalha dois projetos e discute como painéis pré-fabricados e containers amadureceram no mercado.
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Sejam bem-vindos a mais um episódio diretamente do Sambódromo do AIMB na Expo Construção Offsite 2026. A convidada de hoje é arquiteta e é conectada com as principais incorporadoras do país. Ela tem muito conteúdo para compartilhar com você. Então fique até o final que o episódio de hoje, gente, como eu falo, promete. ConstruCast, arquiteto, engenheiro e construção. Este episódio é um oferecimento Mídia Lotus. E Bloco BR Paredes Rápidas. Isabela, seja bem-vinda.
Muito obrigada, obrigada pelo espaço, pelo convite, estou muito contente de estar aqui.
Agora, eu queria que, para iniciar nosso bate-papo, queria que você falasse um pouquinho quem é a Isabela, como que você entra nesse mercado, enfim, imobiliário, varejo, construção, enfim, que é tão desafiador, né?
Bom, vamos lá, acho que é um mercado muito desafiador, como você bem colocou, e eu acho que é difícil a gente desprender dele, né? Uma vez que você entra, Uma vez que você cresce nesse mercado, você continua. A minha história, na realidade, ela... Eu comecei, enfim, no mercado imobiliário na faculdade, né? Entrei como estagiária de produto de uma loteadora, né? Uma das maiores do Brasil hoje, que é a Alphaville Urbanismo. E fiquei lá por muitos anos da minha vida. Tive uma breve passagem também na Gafisa e aí retornei à Alphaville. E fiquei lá por muito tempo, né? Onde eu atuei em algumas áreas diferentes. E me formei ali, virei gestora ali, tive um time lá, então fiquei por muitos anos. E saí de lá sendo gestora de ponto de venda, de PDV, que é o que a gente chama. Então implementando pontos de vendas, estandes de vendas pelo Brasil todo, que é justamente a casa onde aqueles empreendimentos são lançados, né? Então a gente fala que é o primeiro contato que aquele cliente tem com o futuro onde ele vai morar. Então tem um peso muito forte isso, né? Eu acho que pouco se fala sobre a importância desse PDV. Mas depois a gente chega lá. E aí fiquei por muitos anos lá, me formei, sou arquiteta formada pelo McKinsey, pós-graduada lá também. E quando, em determinado momento, eu resolvi, eu entendi na verdade que o mercado, peguei alguns momentos de mercado imobiliário, a gente fala que o mercado é um mercado muito cíclico, mais ou menos um ciclo que leva 5 anos entre o topo e mais ou menos o vale, e peguei alguns desses ciclos e eu entendi num determinado momento, eu falava: "Poxa, acho que eu não tenho mais algum caminho que que brilha os meus olhos ali, embora a empresa fosse incrível, pessoas incríveis. E pensei comigo, falei: poxa, acho que eu tô vendo uma baixa do mercado, talvez o que eu faço aqui dentro seja algo que eu possa fazer fora para várias incorporadoras, inclusive para cá. Então não faz sentido eu estar aqui. E aí eu resolvi arriscar e montar a Ponto. A Ponto Arquitetura de Negócios é o nosso escritório focado no desenvolvimento de projetos para empresas. A gente só atende o B2B, a gente nunca atendeu, já atendemos pontualmente residências, mas sempre relacionadas ao B2B à empresa em si. E logo quando eu também saí da Alphaville para montar a Ponto, que tem 9 anos isso, eu comecei a fazer um mestrado e entrei na carreira acadêmica, que era algo que eu sempre pensei em fazer. E desde então, né, meu mestrado ele foi muito focado no mercado imobiliário. Então foi uma pesquisa desenvolvida com base, né, na ocupação, no desenvolvimento de empreendimentos compactos em São Paulo. E a partir daí eu nunca saí da academia. Então eu tô hoje, né, atuo à frente da Ponto, mas também atuo como professora de alguns programas de pós-graduação, como no Mackenzie, na Belas Artes e na IPOG. Então a gente acaba se dividindo ali uma coisa a outra. E é algo que eu sempre achei importantíssimo assim, a gente beber dessa fonte do saber, da academia, da parte teórica, pra que a gente retroalimente o nosso lado operacional, nosso lado de trabalho, né. Então a Ponto, ela tem uma— um viés muito forte também em pesquisa. Então, além do desenvolvimento de projetos, a gente foca muito em pesquisas, a gente faz muitas viagens de pesquisa para entender não somente movimentos de mercado, mas movimentos de consumo, né? O que que esse consumidor tá querendo, o que que esse consumidor tá buscando e como é que isso pode refletir nos negócios dos nossos clientes e, claro, naquilo que a gente projeta, né? Se eu projeto, foco em projetar áreas comuns, estandes de vendas, apartamentos decorados, eles precisam refletir aquilo que o consumidor está buscando nesse momento. E a gente sabe que isso tem mudado muito. Então, um pouquinho aí dessa overview aí dos 9 anos que a gente tem de história.
Bastante coisa, imagino. É uma pena que esse episódio vai ser um pouco curto, mas você já está convidada para a gente fazer a continuação lá no nosso estúdio aqui em São Paulo. Isa, agora nesse processo, quando você fala em PDV, quais são os principais desafios enfrentados, tendo em vista que você atua a nível nacional? E a gente fala muito, a gente tá vivendo muito essa questão, ah, fala assim, falta de mão de obra e industrialização. Só que quando você fala industrializar, a gente precisa abrir a mente das pessoas para o novo, só que o novo assusta demais, né? Então, como que você lida com esses desafios de, principalmente de PDVs?
Olha, é realmente um grande desafio porque assim, a gente O ponto de venda, o estande de venda, o espaço onde você tem o primeiro contato com o empreendimento imobiliário, ele por muitos anos, ele foi meio que deixado de lado e ele, em alguns casos, algumas incorporadoras ainda não olham com a importância que se deveria ter. Aquilo lá acaba sendo a marca, a casa da marca num primeiro momento. Muitas vezes uma incorporadora chega numa cidade ou num bairro que as pessoas não conhecem aquela empresa ainda e as portas que você abre desse estande de vendas está dizendo quem você é. Então tem uma questão de posicionamento muito forte de marca através do espaço físico, né? E aí assim, o ponto de venda ele tem que representar essa marca. Só que ele tem alguns desafios pra ser implementado, sem dúvida alguma. Então assim, quando eu ainda então gestora da Alphaville, que a gente implementou o ponto de venda no Brasil todo. Sei lá, acho que foram mais de 40 pontos de venda atuando e operando esses pontos de venda de Manaus a Porto Alegre, por exemplo. A gente tinha, né, dificuldades logísticas e operacionais para essa implementação de obra, porque naturalmente a gente está falando de um país de tamanho continental, então eu tenho não só questões de mão de obra, mas questões territoriais, de logística para chegar alguma coisa, de cultura também do local, até mesmo de construção, né? Então isso é muito difícil de você implementar. E aí eu vejo que ao longo dos anos a gente já se transformou muito nisso, O mundo como um todo, então a gente está vendo uma dificuldade que agora está chegando um pouco mais forte para a gente em mão de obra básica de canteiro. É muito difícil a gente achar ali as pessoas para trabalhar, os empreiteiros sofrem com isso e naturalmente o preço desses empreiteiros acabam subindo um pouco e reflete na composição de resultado do mercado imobiliário também. Mas a industrialização é uma alternativa e ela é uma alternativa extremamente importante, acho que não só para torres subir, que é algo que a gente participa de muitas discussões com os clientes também, mas para o próprio ponto de venda. Porque o ponto de venda, o grande lance dele é que ele seja algo que ele seja rápido, que ele seja a cara da marca por um período curto, ou seja, que eu precise vender aquelas unidades o mais rápido possível. Então ele está muito ligado ao timing que você tem que ser implementado. Muitas vezes a gente está falando que o stand de um PDV, ele vai ser aberto mais ou menos uns 40 dias, 30 dias antes do lançamento, antes da abertura de vendas daquele empreendimento. E nem sempre eu tenho um período muito longo para fazer essa obra, né? E aí a industrialização ela é uma alternativa, com certeza. No entanto, ela ainda é algo que eu vejo para essa área de PDV ainda pouco utilizada. Eu vejo que a gente subutiliza ferramentas e tecnologias que estão disponíveis hoje no mercado. E eu acho que tem algumas causas para isso, né? Tem, claro, a primeira delas eu diria que é o próprio incorporador assumindo um risco de fazer diferente. Porque a gente é aquela coisa, né? Sempre fizemos daquela forma. E hoje o tradicional para você montar um PDV é com drywall, por exemplo. E sempre deu certo, né? Acho que as grandes, as construtoras de PDV, as empreiteiras de PDV focadas nisso, elas dominam muito essa técnica, essa tecnologia. É muito fácil. Mas para o incorporador, para ele ousar fazer com uma outra tecnologia, com algum material que seja remontável, com algum material que venha pronto de uma fábrica, né? Que ele só seja montado ali no espaço, ele requer alguns riscos para serem tomados. Então, primeiro risco deles é: "Meu Deus, vai dar certo?" Tem a questão do custo, porque muitas vezes ainda o material industrializado, quando você faz a conta final, ele ainda fica um pouco mais caro do que o convencional. No entanto, a gente tem que pensar nele no global, no tempo global. Então assim: "Poxa, eu monto mais rápido, eu abro meu PDV mais rápido, naturalmente, o meu dinheiro no tempo pode ser muito mais eficiente do que se eu montar de construção convencional." Mas é um risco pro incorporador, e esse incorporador ele já assume tantos riscos que eu também não culpo de falar: "Nossa, não, eu vou no meu convencional aqui que é mais seguro." Porque esse cara ele tá tomando um risco gigante em várias frentes, né? Então natural que ele tenha uma certa resistência. Mas algumas incorporadoras já surfam essa técnica, digamos assim, essa vertente da industrialização, não só pra obra do prédio, mas isso também já no ponto de venda. Pensando em reutilização, pensando em remontagem, pensando em sustentabilidade e menos água que a gente vai usar no canteiro e menos desperdício, né? Uma obra limpa, seca e com menos mão de obra que eu acho que vai muito, né, de encontro ao que a gente tá vivendo agora com essa escassez que tá todo mundo sentindo, né?
E principalmente quando você fala de tudo isso que você trouxe agora, principalmente é menos transtorno, né? Pra você criar aí, pra você dar início nessa Nessa obra, tendo em vista que tudo é feito na fábrica, no off-site, num lugar controlado e muitas vezes só transportado e às vezes montado no local.
Montado e já tudo já tá mapeado, ponto de tomada tá mapeado, ponto de hidráulica tá mapeado, já tô com todas as furações feitas, onde eu vou ter cada um dos detalhes, muitas vezes a gente já consegue fazer detalhes construtivos ali mesmo na fábrica, isso vai pronto pro canteiro, então realmente isso tem uma facilidade muito grande, a gente teve duas situações de projetos que foram implementados, né, que foram totalmente industrializados.
Eu ia te pedir pelo menos dois cases assim, rápido.
Ah, legal. A gente teve, o primeiro deles foi feito em 2022 para Artesano Urbanismo, uma empresa que já foca muito em sustentabilidade. Então eles têm como premissa de marca isso, eu acho muito interessante a gente refletir essa premissa de marca para o ponto de venda. Como comecei falando, né, ele é a casa de uma marca. Então assim, se eu tô falando: "Poxa, vou comprar uma calça, vou comprar um sapato." Eu vou até uma loja e essa loja tem que representar aquela marca que eu estou me conectando. E o ponto de venda imobiliário é a mesma coisa. Então a Artesana, ela tem esse viés da sustentabilidade muito forte. E eles utilizam a madeira engenheirada, que é um sistema industrializado, nos empreendimentos. Então, para fazer toda a construção de clubes, de portarias, eles já utilizam isso. A Artesano é uma urbanizadora, uma loteadora que atende nacionalmente. E aí a gente desenvolveu um projeto que na realidade esse projeto surgiu antes no escritório, a gente pensando muito assim: "Poxa, em algum momento a gente precisa criar algum stand, algum modelo de stand de projeto que seja sustentável, que seja otimizado e que seja rápido de ser feito." E a gente começou a fazer alguns protótipos de projeto dentro do escritório e aí faltava achar alguém que pudesse encabeçar isso e botar isso de pé. E aí a gente apresentou, né? Falou assim: "Poxa, artesano, acho que faz sentido a gente conversar sobre isso." E eles super se engajaram e criaram junto esse primeiro projeto conosco. Então foram alguns protótipos que foram feitos. E aí então a gente chegou num modelo, né? Que foi feito a algumas mãos entre a Ponto Artesano e a Cubicset, que foi a empresa montadora, que produziu e que montou esse stand. E ele foi implementado em Londrina. E foi um projeto muito legal porque ele tinha, ele foi bastante otimizado, ele tinha dois cores principais de construção e um pátio no meio que tinha cobertura que era única para os dois cores. E com isso a gente ganhou uma área útil também meio que a varandada. Então esse projeto ele tinha mais ou menos uns 100 metros quadrados de área construída, um projeto compacto. No entanto, ele foi pensado para ele ser montado de uma forma muito rápida e o principal para ele ser desmontado e remontado em outra praça, né? Como eu disse, o objetivo de um ponto de venda é ele cumprir a função de vender as unidades daquele empreendimento e partir para a próxima, né? Então acho que não faz sentido a gente ter um tanto de lixo que a gente tem hoje, construir do zero em drywall tudo e aquilo tudo ir para o lixo depois. Então esse projeto, ele foi muito para responder essa dor, né, que a gente, essa inconformidade que a gente tinha. E foi um projeto que ele foi feito, né, ele foi todo produzido em Mojimirim, A madeira engenheirada foi fornecida pela Urban, uma indústria de madeira engenheirada que fica no Paraná. Então eles forneceram as placas, a Kubikset montou, né, porque obviamente acaba sendo uma construção híbrida entre madeira engenheirada e estrutura metálica também. E foi tudo pronto para a obra que foi em Londrina. Então a gente tá falando assim: produção interior de São Paulo, com placas que vieram de perto de Curitiba e que foi montado em Londrina. Então assim, foi um grande triângulo. E quando chegou em Londrina, a gente já tinha preparado todo o terreno, já tinha deixado todas as esperas necessárias. E essa obra, essa montagem aconteceu em 5 dias. Então assim, algo que é, que naturalmente num PDV imobiliário a gente leva 30 dias, a gente montou em 5. Então foi fantástico, foi uma experiência muito legal. Pois é. Sem te cortar, não fique com raciocínio. Claro, não, por favor, estamos falando aqui.
Você tem muito conteúdo notório. Quando você fala: "Beleza, eu montei, eu industrializei, depois eu vou pegar esse material e vou reutilizar em outro local." Sim. Como que você dilui essa conta para convencer o incorporador que vale a pena ir por esse caminho?
Sim.
E tem algum desafio para que ele confie no que você está vendendo para ele?
Olha, tem muito desafio, assim, eu adoraria chegar aqui e falar assim: "Não, eles se apaixonam e assim querem fazer isso na hora." Não é assim. Ainda não é assim, porque quando a gente, depois desse case, a gente teve esse case, teve outro case que foram, né, ou seja, tá construído, tá aprovado, legal e tal, mas obviamente tem dificuldades, né? Esse projeto, ele além de, quando o incorporador ele acaba comparando preço da construção convencional, que é em drywall, para PDV, e desse tipo de construção, ela ainda é um pouco mais cara, só que ela se paga muito rapidamente na segunda montagem.
Na segunda montagem, sim.
Então você tem que ter uma visão um pouco a longo prazo disso, né, pensando já no outro projeto. Objeto. E aí, qual que é a dor do incorporador? Depende muito do perfil dessa incorporadora, porque assim, hoje, né, quando acaba tendo tudo, tem dois lados. Porque comecei falando da necessidade desse ponto de venda representar uma marca. Então esse incorporador, ele não sabe se o próximo empreendimento dele, esse estilo, né, essa arquitetura vai responder ao que ele precisa para aquele empreendimento. Então tem essa questão e também tem a questão de, de custo, né? Porque assim, a gente sabe que a conta, o que pagam PDV, é a conta do empreendimento. Se eu vou pagar essa primeira conta com esse empreendimento e a segunda conta que vai ficar barata com outro empreendimento, como é que eu equilibro um pouco disso, sabe? Então tem que ter uma visão bastante institucional sobre esse PDV, né? Sobre essa remontagem, sobre essa vantagem de você ter a remontagem, que ela é uma vantagem, mas ela precisa ter uma gestão administrativa diferente para esse caso. Então é uma questão, também tem a questão de você armazenar esses materiais. Então precisa ter um contrato eficiente, né, para que você não tenha um custo. Por exemplo, poxa, montei esse stand, vendi tudo, aí eu vou desmontar ele, mas se eu já não levo ele para outro lugar, onde eu vou guardar tudo isso, esses materiais, né? Então você tem que entrar na conta, eu vou ter que pagar o galpão, eu vou ter que colocar em onde isso tudo, né?
Quanto que isso vai me custar para eu armazenar durante um período até eu conseguir utilizar em outro canteiro.
Exato. É claro que eu acho que essas dificuldades estão diminuindo cada vez mais à medida que a gente também— não gosto muito dessa palavra, mas é mais ou menos doutrina as pessoas sobre industrialização, né? Elas querem ter isso como uma alternativa viável hoje em dia, né? Em função da mão de obra. Mas tem as suas dificuldades, é claro, né? Como todo sistema construtivo tem seus prós e contras. Então é ótimo. A gente viu que nesse projeto, né? Quando você desmonta, quando a gente desmontou esse projeto, a perda que teve foi de mais ou menos 15%. Então assim, que é realmente revestimento de fachada, que você perde um pouco, uma troca de uma placa ou outra, então é muito baixo. E do custo inicial de construção, né, se for comparar custo de metro quadrado desse sistema e do sistema convencional, a gente tá falando de mais ou menos uns 20%, 15 a 20% mais alto numa primeira montagem.
Primeira?
Na primeira montagem, não é tão mais alto assim.
Eu achei que fosse muito mais alto.
Não é tão mais alto assim, ele não é tão alto e na segunda montagem ele cai absurdamente.
Então já compensa muito.
Já compensa na segunda.
Se o investidor tiver uma mentalidade um pouco mais pensada a médio e longo prazo, isso dilui basicamente.
Isso, e fazendo essa gestão do espaço, né? Então entendendo onde ele vai ficar, onde faz sentido. Mas sem dúvida é algo que é super eficiente e que melhor de tudo, né? Eu acho que É eficiente, ele é rápido, mas ele é uma obra muito limpa. Então eu não tenho— a gente praticamente não teve utilização de água, a não ser para fazer radier, para fazer a base desse espaço. A gente teve uma equipe muito otimizada, desperdício quase zero, porque também a gente usou a própria madeira engenheirada. Nesse caso, ela já serve como acabamento. Então ela já é bonita o suficiente para você deixar ela aparente. E ficou fantástico. Enfim, é o estilo de construção que eu acho que é muito contemporâneo e que tem muito a ver aí com o que tem de mais atual, né, quando a gente fala em tecnologia. Mas tem, né, de novo voltando ao que eu disse, a ser a cara de uma marca, ser a cara de um produto, nem sempre é a cara daquele produto, daquele cliente, né, daquele consumidor. E por isso a gente, é tão importante a gente entender quem é esse consumidor, o que que ele tá fazendo, né, para ver como é que a gente faz um projeto adequado a ele.
Para quem tá acompanhando pelas plataformas de áudio, nós estamos gravando este episódio diretamente da Expo Offsite 2026, dentro do Sambódromo do Aimbi. É uma passarela de módulos. Então aqui é um grande exemplo de construção industrializada. Nessa medida, Isa, o que você viu aqui no evento, você deu uma passada rápida, que pode facilitar o dia a dia tanto das incorporadoras para PDVs como também para canteiro de obra? Porque até eu implantar uma obra eu tenho toda essa parte de terraplanagem, enfim. Então você tem soluções prontas que facilitam ali esse dia a dia. Como que você enxerga soluções que estão expostas aqui para facilitar o dia a dia do seu trabalho?
Eu acho que tem muito assim, muita solução, desde obviamente os painéis modulares, né, de construtivos, que já servem para utilizar, que muitas lojas de grande porte já utilizam para construir, né, galpões já utilizam dessas técnicas, e que a gente pode traduzir isso também para construção menor, digamos assim, né, seja do canteiro de obras ou do PDV. Placas em PVC, placas em light steel frame, enfim, o que for. Então acho que a gente tem muitos, muitos desses exemplos aqui. E tem fachadas, né, acho que revestimentos de fachadas que já vêm prontos e que a gente consegue ter uma fachada bacana, otimizada, fachada ventilada, com eficiência térmica e tudo isso, isso já vem pronto, né, não exige que a gente faça um detalhe enorme que a gente tem que fazer um grande trabalho em obra. Mas eu acho que o principal é que a gente vê o quanto esse eixo da construção civil, a construção civil industrializada, tem avançado ao longo dos anos. Quando a gente começou esse projeto que eu citei agora, lá em 2021, e que ele foi implementado em 2022, 2023, era muito diferente. A gente tinha menos opções prontas no mercado. Essas cabanas mesmo, que a gente vê várias aqui, né, já prontas, a casa em cabana, encapsulada, tudo, isso era muito difícil de você ver. Eu comecei a trabalhar com container, pra você ter ideia, fazendo PDV em container em 2013.
Nossa!
Era outra, não tinha nada. A gente tinha que a gente acompanhava de perto a nacionalização de um container marítimo que tinha que passar por uma higienização, por ganhar um documento brasileiro, era uma coisa louca. E você ter que fazer ali a fusilagem daquilo para aquilo virar um espaço, uma loja container que estava na moda até então. Então era muito no começo. E eu vejo o salto que isso já deu em anos aí, claro que a gente está falando de mais de 10 anos, mas que hoje a gente já tem empresas muito sofisticadas vendendo módulo pronto, 100% pronto para você implementar para um empreendimento, para você fazer um hotel, para você fazer as cabanas ali numa área que você tenha, para você fazer um PDV, para fazer um canteiro. Então tudo isso já vem muito pronto. Eu acho que a indústria hoje também, as indústrias estão muito preparadas para receber nós profissionais de arquitetura ou incorporador ou cliente final para discutir e trabalhar em cima desse projeto, previabilizar, né? Coisa que isso não tinha antes, que era uma coisa muito distante.
É, a resistência acredito que era muito maior.
Muito maior. E até do próprio consumidor, né? De ele falar: Aquela coisa: "Nossa, a parede é oca, né? Eu quero a parede de verdade." Isso já foi, a gente não tá mais nessa pauta mais, né?
Sensacional isso aí. Deixa eu querer... A sua área de atuação, principalmente PDV, na verdade uma das áreas, você tem um desafio muito grande na parte de comunicação visual.
Sim.
Eu te conheci através de um parceiro que tá dentro do Portal Hobby Construção ali, no guia de fornecedores, a Media Lotus, que é uma empresa que fica em João Pessoa. Queria que você falasse um pouquinho do desafio de atuar nessa área de comunicação visual, porque imagina você atuar a nível nacional, em todo lugar, imagina, eu tenho fornecedor bom em João Pessoa, mas como que é a experiência na região sul, na região centro-oeste? Eu queria que você trouxesse aí um pouquinho dos desafios para a gente encerrar esse episódio.
É um grande desafio, vou te dizer que a comunicação visual ela entrou na minha vida de uma forma muito orgânica, na verdade. Eu lembro quando eu estava ainda como gestora de PDV nessa Lutadora, na Alphaville, e a gente começou a pensar assim: "Poxa, não, a gente construía, fazia um projeto de um espaço e daí depois, pô, quem vai fazer a maquiagem daquilo?" Que é fazer a narrativa, né, de contar uma história através da comunicação visual.
E traduzir, né?
Traduzir, exato. Contar uma história, traduzir aquele empreendimento ou qualquer coisa que seja, né, dentro do espaço físico. É isso. E aí a gente deixava muito a cargo das agências de marketing, que fazem um trabalho incrível. Mas o que o arquiteto tem que talvez a agência não tenha é justamente a escala humana. A noção da escala, a noção da composição de uma hierarquia de informações. Então, poxa, eu não posso encher essa parede de informação porque a assimilação de conteúdo de quem tá vendo não será a mesma. Ele vai ver uma bagunça de coisas, ele não vai entender que aquilo é mais importante que aquilo. Então, a gente começou a trabalhar com os clientes assim, tipo: "Gente, não adianta botar um monte de coisa. Eu preciso ser estratégico, colocar aquilo que... Qual a história eu quero contar? E vamos ter uma hierarquia de informações à medida que ele vai percorrendo aquele espaço." Então, a gente começou a fazer isso à mão. E aí, a Ponto, desde o começo, a gente começou a fazer comunicação visual. Então, a gente entregava os projetos de lojas para qualquer segmento, varejo, mercado imobiliário, enfim. Já com a comunicação visual. E alguns clientes começaram a demandar da gente somente projeto de comunicação visual. Chegar pra gente e falar assim: "Olha, eu quero um orçamento de comunicação visual, de projeto de comunicação visual." Sendo que o nosso core era arquitetura.
Que loucura!
Exato! E por ser justamente um produto mais barato, digamos assim, a gente começou a entrar em muitas empresas através da comunicação visual. Então muitos clientes hoje que são clientes de arquitetura, de grandes projetos, A gente começou fazendo projeto de comunicação visual.
É aquela técnica do... Você utilizou aquela técnica do supermercado. Ele coloca o pão lá no final pra você atravessar inteiro. Vai lá, pega o pão e depois sai comprando.
Isso, isso mesmo. E foi, de novo, foi orgânico. Mas foi muito desse incômodo de: "Poxa, eu faço um espaço às vezes tão legal e às vezes em um outro projeto que às vezes não traduz o que a gente tá imaginando pra ali." Então aí a arquitetura some naquilo, porque... Ele não tá, né, outra coisa já roubou essa atenção. E isso começou a dar muito certo. Aí as incorporadoras vinham atrás da gente pra fazer isso. E a gente começou a se profissionalizar muito nessa área. E hoje a gente faz muitos projetos de comunicação, sinalização, junto com arquitetura. Então pra gente, quando a gente faz projeto de arquitetura, às vezes o cliente contrata arquitetura e não contrata comunicação visual. Mas a gente acaba entregando, porque já faz parte da nossa metodologia de trabalho, né, criar essa unidade. E acaba sendo a maquiagem, é o que vai engrandecer alguma coisa e faz muito Faz parte desse posicionamento de marca, né? Acho que não tem nada... O nosso subconsciente entende quando aquele lugar tudo tá fazendo sentido ou quando você fala: "Nossa, mas isso tá um pouco fora, né? Tá um pouco... Não tá combinando direito". E aí, entrando na... Bom, fazemos o projeto, mas quem executa esse projeto, né? Quem que vai pegar esse projeto e falar: "Não, agora eu vou produzir, vou montar aquilo". Que é o caso, né, do Saulo, por exemplo, que nos conectou, né? Mas a gente tem... O desafio de ir atrás de empresas que consigam interpretar esse projeto. Então, enquanto antes, né, no passado era muito comum que as empresas apenas adesivavam as paredes todas, a gente começou, né, claro que nós não inventamos isso, mas a gente teve um trabalho de tentar, olha, aqui eu quero uma letra caixa de tantos milímetros, aqui eu quero uma iluminação por trás com esse efeito, aqui eu vou usar um acrílico, aqui eu vou usar um PVC, aqui eu vou usar um material reciclado, reciclado, enfim, trabalhar isso de uma forma mais aprofundada. E você achar fornecedores e parceiros que tenham esse olhar e que consigam trabalhar com esses materiais é um pouco mais desafiador. Mas também, ao longo dos anos, a gente vem acompanhando um avanço também dessas empresas, que são empresas que estão se profissionalizando cada vez mais. Então a gente tem, obviamente, algumas empresas em São Paulo que trabalham muito bem, mas temos muitas empresas muito boas Brasil afora que também trabalham muito bem. Assim, acho que foi o tempo de a gente falar: não, é só São Paulo, Rio de Janeiro que tem. Não, Então, tem empresa muito boa no Nordeste, em João Pessoa, tem empresa boa em Manaus, tem empresa boa em Belo Horizonte, tem empresa boa em muitos lugares e que, mesmo que eles não tenham às vezes o material que a gente está imaginando, eles têm a boa vontade de sentar junto e falar: "Não, vamos manter esse efeito, mas usando tal coisa ou otimizando o orçamento para usar um outro tipo de material." Então, acho que ao longo dos anos a gente vai criando amigos também, né, parceiros, esse hub de parceiros para fazer com que esse esses projetos aconteçam, né? E que sejam cada vez mais relevantes, que sejam bonitos, que façam sentido. E claro, estejam de acordo com o budget do cliente, que agora a gente tá falando esse ano. É só budget, a gente atendeu o budget, mas sem perder a essência, né? Mas eles estão juntos e é um desafio, mas tem dado certo, né?
Pois é, o que que vocês fazem lá na região Nordeste com a Lotus?
Olha, a gente tem um cliente que é um dos nossos clientes mais antigos da Ponto, que é o Grupo Direcional, que é uma empresa, né, uma das maiores construtoras do Brasil, né, enfim, tá sempre no top 1 do ranking e tudo mais, e que eles têm uma atuação nacional de empreendimentos, de lançamentos, né, então eles estão na região de Manaus, estão em Fortaleza, estão na região da Bahia, estão em Belo Horizonte, São Paulo, Rio, enfim, vários lugares E aí, além da gente ter outros clientes nessas regiões, mas essa empresa ela acaba tendo mais volume. E aí a gente tem a dificuldade de achar profissionais que atendam num prazo bastante otimizado que essa empresa demanda e que faz parte, porque o ciclo do lançamento imobiliário ele tem que ser muito assertivo, então não dá pra gente perder tempo, né? E você achar empresas que tenham esse timing é difícil. Então a MediaLotus foi uma delas que a gente encontrou e que nos atendeu super bem, nos atende muito bem na região Nordeste, né? Então a gente inclusive não fez projeto em João Pessoa com eles, fizemos projetos em outras localidades, né, que eles puderam atender em outras regiões.
É um raio de aproximadamente quantos quilômetros?
Aí eu não vou saber dizer, eu preciso abrir o mapa. Sem dizer. Muito mais, não, muito mais. A gente tá falando de projetos que a gente falou Fortaleza, Salvador, enfim, outros lugares também. E que super deu certo. Então assim, esses fornecedores acabam tendo uma atuação regional muito importante, né? A gente tem outros parceiros nos lugares também atendendo dessa maneira. E é muito legal de ver que tem— eles abraçam as oportunidades, né? Que ao mesmo tempo que a gente faz projetos para o Brasil inteiro, não só para o Grupo Direcional, que a gente tem o maior cuidado, maior honra e carinho de estar com eles há tanto tempo, mas outras empresas também. E ver que esses fornecedores também entendem isso como oportunidade de profissional de se profissionalizar, de entender como vencer essa logística num Brasil tão grande e conseguir entregar um projeto no prazo que se precisa também, dentro do budget que é esperado.
Nossa, é uma pena ter que parar esse episódio pra gente continuar depois, mas, Isa, eu queria que você falasse o que eu deixei de perguntar que você acha importante falar neste episódio.
Nossa!
Vamos lá, vamos lá.
Assim, de bate e pronto. Olha, eu acho que a gente precisa Falamos um pouco sobre essa dificuldade de mão de obra, acho que a gente falou sobre a construção, ela é uma resposta a tudo isso, mas eu acho que a gente precisa pensar que esse segmento da construção civil, ele é um dos segmentos mais importantes para a economia, claro, sem dúvida alguma, mas que ele acarreta, ele é, eu diria que ele é, a gente estava até falando antes disso, o imóvel ele acaba sendo a compra mais importante na vida de uma pessoa, as pessoas, muitas pessoas sequer conseguem comprar um imóvel na vida. Mas a média do brasileiro é comprar 1,1 imóvel durante toda a sua vida. Então a gente está falando de uma operação de construção que está muito ligada a sonho. E esse sonho, né, ele precisa ser representado de alguma maneira e precisa ser levado com muita responsabilidade por todos os profissionais que atuam nesse segmento. Não estou falando só de um sonho de um imóvel, de um apartamento, mas um sonho seja de um escritório, o sonho seja de abarcar até um galpão logístico que vai ali armazenar uma série de coisas que estão no nosso dia a dia, né? Mas isso tudo tem a ver com a responsabilidade de nós profissionais, né, de fazermos isso. E no mundo onde tá tudo mudando muito rápido, cada vez mais rápido, né, a gente vê o crescimento de IA facilitando muitas áreas, área de otimização, né, de canteiro de obra, da obra em si, dos projetos, mas a gente não pode perder esse lado humano, esse fator humano, né? Esse tete a tete, entender quem é esse consumidor. Então, eu acho que o nosso desafio enquanto profissional é a gente manter essa empatia, essa humanidade com quem tá do outro lado comprando ou vivenciando os espaços que a gente constrói. Eu acho que é o principal.
E nessa linha, só pra gente, uma última pergunta, você tem o fornecedor comum, parceiro comum e parceiro estratégico nesse seu momentos que você precisa vencer alguns desafios, ó, eu tenho esse cara estratégico, vai nele que ele resolve?
Com certeza, mas com certeza, assim, tem muitas vezes que alguns clientes ou amigos ou colegas, sei lá, eles pedem: "Olha, tem uma indicação de tal coisa?" Eu falo assim: "Olha, ele não é desse segmento que você tá precisando não, mas ele com certeza vai te ajudar de alguma maneira." Porque é isso, a gente só consegue, acho que agora, né, o mundo tá pedindo que nós sejamos mais generalistas, que a gente possa mostrar aquilo que a gente sabe, a nossa boa vontade em resolver em diferentes pontos e segmentos. Se eu não sei, certamente eu vou tentar ajudar de alguma maneira indicando alguém ou fazendo o que eu posso dentro do que eu sei. Mas o fornecedor, eu acho que essa é a grande diferença entre fornecedores pontuais e fornecedores estratégicos. E são esses estratégicos que vão com a gente a todo momento. Que problema sempre vai ter? Problema inerente ao negócio, né? Ninguém nunca vai ser perfeito o tempo inteiro. Mas eu acho que a boa vontade de você estar junto "Não abandonar o barco" e resolver ou responder até o final por alguma coisa é fundamental. E assim como a gente tenta ser esse fornecedor para os nossos clientes, a gente também conta com esses fornecedores para fazer o nosso trabalho, né? E acho que a nossa história, ela só tem sido uma história bacana em função desses parceiros que foram sendo adquiridos aí ao longo dos anos.
Sensacional! Agora, as suas palavras finais para a gente encerrar esse episódio. Que pena!
Olha, eu queria agradecer muito aí o convite. Acho que é super legal a gente falar sobre isso e se conectar com outras pessoas também, que é fundamental. Então, tô muito feliz, muito honrada de estar aqui, que a gente possa estender essas conversas para outros caminhos também, né? Fazendo outros bate-papos. Então, muito obrigada e que a gente possa aí construir cada vez mais relações importantes, né? Que obviamente vão reverberar em negócios. Pontos muito relevantes.
Eu que agradeço, Isa, foi sensacional. Na verdade, já tá assim, já tá certo que a gente vai continuar mais um episódio lá no nosso estúdio.
Conta comigo.
Imagina, você tem muito conteúdo, é muito bom te ouvir assim, eu ficaria horas aqui te ouvindo e não cansa.
Eu ficaria horas falando, tá? Obrigada.
Sensacional. Então esse foi mais um episódio do ConstruCast, o podcast da Hub Construção, que conecta você com quem realmente você precisa estar conectado. Afinal, conhecimento também se constrói.
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