Desvendando o Autismo na Perspectiva de um Engenheiro

Rafael, an autistic engineer, talks with psychologist Beatriz Pavel about his childhood signs like selective eating and early reading, his diagnosis and support levels, school struggles, and how he masks at work. They discuss neurodiversity, compassion, and using autistic strengths in the world.
Chapters
Hoje eu vou contar a história de um engenheiro gênio. Roda a vinheta e vocês vão entender no final do que eu estou falando. Sejam bem-vindos, está no ar mais um episódio do Constrycast. E hoje eu recebo o engenheiro gênio, tá? Ele tem três faculdades, a gente vai conhecer um pouquinho aqui a história dele ao longo do nosso bate-papo. E esse episódio tá um pouco diferente, porque nós também temos a presença da Beatriz Pavel, que vai... Primeiro ela vai se apresentar e depois a gente vai conversar um pouquinho aqui com o nosso convidado pra gente ir aí ao longo do nosso bate-papo entendendo um pouco a história de cada um e como que a Beatriz entra nessa história de sucesso do Rafael. Beatriz, para iniciar nosso bate-papo, eu queria que você falasse um pouquinho da... da sua formação, e depois eu vou pedir uma pausa pra que a gente conheça um pouco a história do Rafael, e aí a gente vai aí fazendo esse bate-papo. Então é importante que você fique até o final e detalhe. Esse bate-papo, ele vai ser dividido em três episódios, uma série de três episódios. Beatriz, seja bem-vinda ao nosso encontro aqui no Constra e Cash.
Muito bem, queria primeiro agradecer, né, e além de estar, Ciro Marrom estar aqui no podcast, estar ao lado do Rafael, né, Rafa, contar um pouquinho, né, essa ponte que fizemos. Mas, enfim, eu tô formada aí há 32 anos, eu fiz Psicologia. Aí uma série de especializações, fiz psicopedagogia, fiz neuropsicologia e sempre gostei da área da deficiência intelectual e também sempre gostei da área de TDAH e de TEA, que hoje é o termo atualizado do transtorno no aspecto do autismo. Eu falo que o universo vai direcionando, após essas especializações foram chegando adultos com TEA e TDAH para eu avaliar na avaliação neuropsicológica. foi não crescendo, principalmente pós-pandemia, porque a pandemia acabou direcionando muito, as pessoas começaram a ficar mais próximas dentro de casa, por estar mais tempo juntas, as crianças também começaram a mãe perceber mais as coisas, e aí, a partir daí, os diagnósticos foram acontecendo, e muitas vezes a gente ouve, né, que é modinha, é modinha e não é bem assim. E aí, a partir daí, eu acredito por ter trabalhado no IJC, no Instituto João Clemente, por 10 anos, acabou que eu tive um método mais específico para lidar e trabalhar com as pessoas com TDAH e com o TEA. E aí que surge a ponte com o Rafael.
E agora, assim, eu vou até pedir desculpa já no início que eu falo, né, pessoas autista. E você gentilmente me corrigiu, a gente tá usando agora outro termo, né? Então, só pra gente deixar nossa audiência... Enfim, já pra ensinar nossa audiência qual que é o termo incorreto. Então, a gente não fala mais pessoa autista.
Não, a gente tá usando TEA, o transtorno de espectro do autismo, ou transtorno de espectro autista. Às vezes a gente até abrevia, fala autista, mas o termo correto é o transtorno de espectro do autismo, porque a gente tá vendo cada vez mais que, inclusive, é muito questionável essa questão de nível 1, nível 2, nível 3, leve, moderado e grave, porque quem diz que a gente tem três níveis, ou o TEA tem três níveis? desse símbolo, e antigamente era aquele símbolo do lacinho, depois do quebra-cabeça, mas o atualizado é um símbolo do infinito, porque por ser um espectro, não tem fim. A gente não pode limitar, então é isso que a gente está querendo cada vez mais. Quando a gente fala autismo, a gente está limitando. Quando a gente fala que é um espectro, a gente tem N possibilidades, não só das dificuldades, das características, das potencialidades também. Então, por isso que a gente está usando esse termo mais atualizado.
Antes de eu falar com o Rafael, você assistiu a série The Good Doctor?
Sim. O Good Doctor tem o TEA, mas ele também tem uma outra síndrome.
Síndrome de Savant.
Isso, a síndrome de Savant. O TEA é a questão do espectro do autismo e o Savant é como se fosse um indivíduo que tem uma inteligência mais do que acima da média. Então, é um gênio mesmo.
E agora eu vou te perguntar, já que eu abri esse episódio falando de genialidade de gênio, eu poderia chamar o Rafael de Good Doctor da engenharia?
Tecnicamente pode, mas eu não sei se ele vai gostar muito. Não, né, Rafael? Isso é um tema importante depois para se conversar, o quanto que às vezes essas palavras, elas acabam grudando e estigmatizando a pessoa. Muitas vezes se fala que o TEA é extremamente inteligente. A gente usava aquele termo ásperger antigamente. Tem que se tomar cuidado, porque você tá falando com um termo carinhoso, mas às vezes as pessoas usam isso com um termo mais ofensivo, ou eles colocam de um jeito que a pessoa tem que ser daquela forma.
Entendi que acaba exigindo demais da pessoa.
Exatamente. Nem todos os testes têm uma inteligência acima da média, como um espectro. Então a gente tem que tomar cuidado, nem todos têm a sensibilidade auditiva como o Rafael tem, a sensibilidade à luz, instabilidade às vezes nessa questão das emoções ou seletividade alimentar, isso é uma flutuação, então quando a gente coloca Existe o pré-conceito, aí a gente limita muito. Então, eu digo que pode, carinhosamente, mas a gente tem que tomar cuidado pra não limitar o olhar em relação àquela pessoa.
É, como que a gente tem essa percepção, né? Tudo bem, a gente pode dar um adjetivo, né, Rafael? Mas tem que tomar cuidado com o comportamento pra que aquilo não pareça... Ah, tudo bem, eu tô chamando ele de gênio e ele tem que resolver tal problema, ele tem que saber tal coisa. Acho que a gente tem que tomar esses cuidados.
Ou também, de repente chama gênio com uma coisa meio de que ele tem que cumprir aqueles argumentos, ou aquelas situações, ou ai se não fizer do jeito que é pra fazer. Então isso acaba, eu digo que também é um ônus e um bônus, né? Então tem que se tomar muito cuidado em relação a isso. Mas carinhosamente pode.
Então tá bom, então vamos... Rafael, agora eu vou me dirigir a você. E eu queria aproveitar já, acho que a gente... Gratidão também é um pouco do tema desse bate-papo de hoje. E, de antemão, eu queria agradecer ao amigo... Você lembra do amigo que me apresentou pra você, Rafael? Filipe Lima, queridinho da engenharia, da patologia. Inclusive, vocês têm uma troca muito grande nesse sentido. Eu gostaria já de abrir este episódio também agradecendo ao Filipe Lima, que também é um grande profissional da engenharia, um patologista incrível. Agora, Rafael, vamos conhecer um pouquinho da sua história. Eu sei que você não gosta muito de falar de você, mas a gente tem que contextualizar. Rafael, eu queria que você Queria iniciar nosso bate-papo falando que você contasse um pouquinho aí da sua infância, né, de forma um pouco resumida, como a Beatriz sugeriu no início. Como que foi, assim, a sua infância até você chegar aí no processo de... na faculdade, que eu já adianto que você tem três faculdades, você vai falar quais são aqui pra gente.
O começo de tudo é difícil, eu não sou tão fluido para falar de mim, mas vou tentar resumir. Eu sou filho de uma mãe solteira, criado pela avó literalmente. A minha infância, acho que começa tudo com a minha mãe, eu dentro da barriga da minha mãe. O que ela passou, o tempo que ela demorou para descobrir que eu estava lá, o que ela passou enquanto eu estava dentro da barriga, basicamente eu morri e nasci de novo com medicações erradas durante a gravidez e basicamente Tudo dizia que eu não estaria aqui da forma como estou, principalmente, pelo que minha mãe passou. Então, a minha mãe, acho que na minha infância, ela começa com a minha mãe, antes de tudo. E uma criança que a seletividade alimentar estava ali, até os cinco anos de idade, no começo, bebê, eu comia... Minha mãe dizia que eu comia frutas e várias coisas, mas nada verde. Isso é interessante. Era... Manga, tinha goiaba, tinha algumas coisas que eu comia, banana, comia legumes. Aí, de repente, parou, cessou, assim, bruscamente, quando eu comecei a entender as coisas. Isso quem contava era minha avó e minha mãe. E eu me lembro de algumas coisas da infância. Parece estranho, mas eu tenho essa lembrança. Eu lembro claramente. E não é de ouvir contar, porque às vezes eu contava algumas coisas e minha avó falava, nossa, como que você lembra disso com tamanho detalhe? E durante muito tempo eu comia o que minha avó e minha mãe chamavam de arroz amarelinho num prato azul. Era um arroz, colocava um ovo, misturava e colocava. Eu basicamente só comia isso e tomava leite. E esse é um traço da minha infância que eu carreguei, que se a minha família tivesse, isso que a doutora falou, que é de saber o que está acontecendo, teriam identificado quando criança. O presente que eu vou pedir para minha mãe e daí A minha mãe tem que me enviar pro parquinho, que eu já entrei um ano antes do parquinho, porque eu chego no parquinho sabendo ler e escrever. Só que a minha avó tem até terceira série, a minha mãe não terminou o ensino fundamental, e daí quem que me ensinou a ler e escrever? E no aniversário de três anos eu peço um livro. Esse livro chama Casa Bem Assombrada. Só que eu vou andar com dois anos e meio. Então, com três anos, eu toco flauta, doce, canto com a minha avó no coral da igreja do meu avô, com o pessoal que cantava, a Ângela, o Paulo, etc., na igreja São José, Matriz São José de Cravinhos. Eu tocava flauta no coreto e, assim, eu tocava mesmo. Não era só soprar, não. Eu já identificava os sons. E na época, minha mãe brincava com o maestro Marquinho, que tocava sax. Ele lembra dessa época, nessa infância. E ali já começam a aparecer alguns traços. Algumas coisas que se fosse hoje em dia, já identificaria. Eu vou pro parque e corrijo a professora no primeiro dia. Me devolvem pra casa. A minha mãe tem que pendurar uma certidão de nascimento minha, porque falaram que eu era alto. Só que detalhe, a minha mãe tem um metro e sessenta, meu pai deve ter um e cinquenta e oito, ele disse que é um e sessenta, eu acho que é um e cinquenta e oito, e eu tenho um e noventa e um. Já tem essas circunstâncias aí de diferença. E assim a minha infância começa a aparecer que eu não gosto daí de escrever. E eu começo a ser forçado a escrever. Daí eu começo a escrever, a minha caligrafia, aí eu tenho que fazer, e daí vem o perfeccionismo, acredito eu. novinho, então cinco pra seis anos, eu já tô na primeira série, com seis anos, e daí eu já pego caligrafia. E daí o meu caderno da primeira à terceira série vai pra Secretaria da Educação, minha mãe não tem. Minha mãe não tem os meus cadernos, porque além eu terminava muito rápido, E eu fui obrigado a escrever. Nisso eu não gosto de escrever, fui obrigado. Foi a primeira coisa que eu me lembro que foi aterrorizante dentro da minha infância. E eu não tenho muitas questões que eu lembro de amizades, a não ser o Michel, que era um amigo meu que eu comia ração de cachorro escondido com ele. É, Michel Fonseca da Silva, o nome dele, e a mãe dele trabalhava no banco, à época, e ele também era filho de mãe solteira e filho único, criado pela avó. E era o amigo que eu tinha. Basicamente era isso. Tinha colegas da escola, mas eu nunca fui... Eu sempre me comuniquei muito bem, mas nunca fui de ter aqueles grandes grupos. Eu viro coroinha e aí eu sigo essa caminhada. Porém, eu já passo pra acólita, que deveria ter idade muito cedo, e tudo muito precoce. Eu tive, tipo assim, o início das coisas muito rápido na minha infância. E eu não me recordo de ter de brincar com outras crianças. Eu nunca soltei pipo. Nunca fui de jogar bola na rua, nunca fui de andar de bicicleta, nunca fui de fazer as artes que todas as crianças fazem. Fazia as minhas artes, só que era o quê? No quintal de casa eu recolhia animais e guardava animais, criava um habitat novo pra eles, trocava o habitat dele, trancava e passava dias observando como que seria esse animal ali. Colocava coisas que não eram adaptadas dele pra ver se ele ia comer. E ficava, tipo, anotando isso. Pra eu brincar, eu ganhei um caminhão vinho da minha tia Eneida, que ela quis me dar. E a minha tia Eneida que me norteou, que era a que era dentro de casa que tinha, era a mais culta, assim, que eu fui criado por uma avó, uma mãe e uma tia. Três mulheres.
Acho que é importante até, eu não sei, mostrar, pontuar que isso é uma característica muito comum nos testes, que é a dificuldade na coordenação motora. Então, às vezes, eles demoram para andar e eles têm todo o órgão da fala presente, perfeito, ok, e muitas vezes demoram para falar, ou falam de um jeito A leitura e a escrita, sim, de uma forma brilhante, muito precoce. Mas a coordenação. Então, às vezes, eles começam a andar na ponta dos pés, tem essa demora. E muitos não gostam dos esportes exatamente porque tem essa dificuldade. Então, muitas vezes, os meninos são forçados a isso. Então, imagina como deve ser, como foi para o Rafael essa...
É interessante, até quando o Rafael fala dessa oportunidade de identificar cedo, mas também eu queria trazer assim uma reflexão, Rafael, pra esse momento do nosso bate-papo que, felizmente, hoje você consegue, você faz aí, tem uma independência muito forte. Mas quando a gente fala de identificar cedo, não é todo mundo que tem essa oportunidade, porque isso também tá ligado ao ambiente que você tá inserido. não só a família, mas também, de repente, ali uma comunidade onde, de repente, a criança tem um tipo de comportamento. Aí vem outro colega também, criança, que fica brincando, fazendo brincadeira de mau gosto também, que aquela criança não tem culpa, mas ela está, de repente, reproduzindo ali um comportamento dos pais. Então, acho que seria interessante, até já nesse ponto, aproveitar a sua presença, Beatriz, para a gente, de repente, trazer como a gente identifica alguns comportamentos também por parte de outros pais e de outras crianças para não fazer algum tipo de brincadeira com essas crianças que têm um tipo de comportamento diferente, quando na verdade a gente pode, de repente percebeu, a criança percebeu, mãe, aconteceu isso, né, como que de repente essas pessoas vão até os pais dessa criança para de repente oferecer ajuda, enfim.
É porque a gente tá falando até do bullying, né, mas assim, é difícil a criança identificar e às vezes os pais, né, porque muitas vezes essas brincadeiras acontecem, né, então o tempo vai passando e a gente tá falando de, por exemplo, o Rafael já tem esse expertise eu também, né, mas tem pessoas que não entendem esse andar na ponta dos pés, essa demora na fala, às vezes vai o pediatra e o pediatra fala, ele é mais preguiçoso, calma, vai falar. Então, quando a pessoa não tem essa consciência, não tem essa prática, essa expertise, é mais difícil enxergar mesmo. O que eu posso dizer assim, vai percebendo que tá, ou a escola tá falando alguma coisa, ou que a criança Se tem outros filhos, não tá cumprindo, ou se vai percebendo alguma diferença, tem que procurar. Ou um neurologista, ou um psiquiatra. As pessoas têm um pouco de preconceito, mas são os profissionais que têm um olhar mais específico. Essa questão do bullying, tudo é natural da criança. Mas assim, eu digo que vem muito dos adultos também, então tem que tomar muito cuidado em relação a isso. Mas assim, o que perceber? Começou a andar na ponta dos pés, a criança, exatamente, os movimentos. Normalmente são bebês que choram mais, às vezes acordam muito durante a noite.
Não chora nada.
Ou não chora nada. Então na hora da amamentação não mantém aquele contato afetivo. Essa seretividade alimentar diferente uma coisa é muito como crianças e não gostar de feijão de verdura mas às vezes em relação à cor em relação a prato. Então tem que comer num pratinho específico.
Disposição.
A disposição, porque muitas vezes, inclusive o TÉ é confundido com trastorno obsessivo compulsivo, que a gente chama de TOC. Muitas vezes chega ou para o neurologista ou pediatra com características de TOC, mas na realidade são os rituais exatamente para se organizar e não ter crise ou não ter o que a gente chama de meltdown, que é aquela coisa da crise ou das descompensações, então é importante. O que mais?
Os dispositivos são diferentes do toque no autismo. O autismo é muito mais católico da rigidez cognitiva.
Exatamente.
E o toque com o mecanismo de recompensa.
Exatamente. Então, às vezes essa precocidade na leitura, na escrita, muitas vezes essas...
Interesse específico.
Exatamente. Muitas vezes essas brincadeiras específicas ou até, imagina, uma criança de 3 anos querer um livro e já saber ler, escrever, corrigir a professora, então é algo que a gente diz que foge, que é atípico.
E quando, Rafael, até como você viveu tudo isso e tem essa consciência, essa clareza de tudo que você passou. Muitas vezes o professor falar, assim, de uma forma, assim, enfim, eu fico um pouco preocupado com a força da internet, mas tem coisas que a gente tem que falar, não dá para fugir. Muitas vezes os professores estão preparados para uma situação como essa, por exemplo, quando você tem uma criança que você percebe que ela é acima da média, muito.
Bom, e vou pontuar uma coisa. A internet tem poder? Com certeza. Mas eu não vou falar da instituição. Eu vou falar como parte do sistema. Porque uma coisa é quando eu falo da capacidade que os professores têm. E daí eu tô individualizando a minha fala. E aqui eu vou trazer isso por um âmbito que dificilmente pode ser contestado, que é eu estou comunicando o resultado da dor que eu tive dentro do processo educacional brasileiro. E isso ninguém pode contestar, porque ninguém esteve em meu lugar. Daí a minha dificuldade, depois ela pode falar, no termo empatia e da literalidade. Eu entendo compaixão. Empatia Eu entendo, mas não sei se eu já vivi de verdade. E tenho dúvidas se as pessoas conseguem viver realmente e se não é só um termo de conforto para o outro. Como seria... Lhe empresto os meus sentimentos para que, na falta dos seus, seja confortante a sua perda. Que é assim que eu entendo o tal do meus sentimentos não veloram. que eu percebi que não é só eu de autista que odeia velório. Um monte de autista odeia velório. Eu odeio velório. E não é por conta do velório, é porque normalmente eu não estou adequado ao velório. No velório da minha avó, eu tava do lado de fora, e a minha avó, a pessoa, com certeza, sem sombra de dúvidas, a pessoa mais importante da minha vida. Com certeza, sem sombra de dúvidas. E ela, talvez, é a pessoa... que eu vi nela muitos traços da minha avó, e não tô falando da minha avó a questão de etariedade, não tô falando de idade, tô falando de personalidade. Até porque eu acho que ela, eu já disse que ela é bonita, né? E parece a minha esposa.
Então misturei avó com a esposa e a esposa pronto.
E aí ficou perfeita. A terapia perfeita.
Que legal!
Mas voltando ao tema, tá? Que eu não esqueci. Eu acho que o problema está anterior à sala de aula. O sistema de ensino. A gente não ensina as áreas correlacionadas. O autista correlaciona as coisas. E a gente aprende as coisas... Vamos lá. Você aprende separado a história, tá? Da geografia, do português, da biologia, ok? Mas a história de algo biológico, vamos colocar lá, a gente viveu três extinções em massa. A última, 66 milhões de anos, que foi dos dinossauros, um asteroide cai aqui. Isso segundo o que a ciência diz hoje. Pode mudar durante esse podcast, mas o que a gente tem hoje, que a ciência nos traz, e é o que vai ser ensinado no meio acadêmico. Ok? Ok. Aí a pergunta eu faço a vocês, para iniciar o ponto de ignição da linha de raciocínio. Isso é história, biologia, geografia. Vou colocar só as três, eu poderia colocar mais. Poderia colocar antropologia. Tá, mas vamos lá. Quando eu falo, de novo, nós tivemos três extinções em massa, a última, 66 milhas de anos, que foi a extinção dos dinossauros, quando um asteroide caiu na Terra. Eu estou falando de história, geografia ou de biologia? Eu estou fazendo uma pergunta.
Você tá falando das três, eu penso.
Perfeito. E por que você aprende cada uma sem fazer correlação entre elas? Por que elas não estão relacionadas no sistema educacional? Porque quando eu olho pra disciplina ou pra essência que tá sendo ensinada, ela é correlacionada, eu olho pros indivíduos como espelho do meu sistema de educação. Se eu olhar o autista como alguém que relaciona as coisas de uma maneira diferente, eu consigo entender o aluno autista.
É, porque, na realidade, as coisas têm que ter lógica. Então, eles entendem a partir do momento que é lógica e também não gostam se não tem lógica. Então, quando a gente vê algumas descompensações ou que não entende as emoções... Então, quando chora muito num velório, por exemplo, não é que o autista não entenda os sentimentos. Alguns têm mais dificuldade mesmo, mas tem outros que percebem quando você está triste, alegre. Mas, muitas vezes, não tem aquela questão de regular a emoção e entender. Por que que tá chorando tanto? Mas por que que aquela pessoa tá tão feliz? Isso tem a ver porque não tem lógica, assim como essa questão que ele tá falando do ensino. Eu fiz psicodrama e o Moreno fala um termo sobre empatia que é meio que arrancar-te os meus olhos e colocarei no lugar dos teus. e arrancarei os teus olhos e colocarei no lugar dos meus". Então, ele entende um pouco essa questão da empatia. Como é que a gente vai conseguir entender o outro se a gente não tá dentro do outro? Eu acho que é um pouco isso. E, ao mesmo tempo, na sala de aula, a professora tem N personalidades, tem crianças com neurodivergências que não solteia. Às vezes, tem questões emocionais acontecendo na casa dessa criança. Então, se eu falar da internet, eu acho que é importante, sim, questionar o sistema. Eu acho que essa questão seria muito mais gostoso para a criança entender a lógica do por que eu tenho que estudar história, matemática, geografia tudo junto. Por que a gente tem que estudar em pedaços, depois a gente vai... Enfim, eu acho que sim, eu acho que eu concordo. E, ao mesmo tempo, se tivesse uma lógica, ia ser muito mais gostoso aprender.
Sim, enquanto ao mesmo tempo que você tá aprendendo, só pra colocar, ao mesmo tempo que... Qual que é a dificuldade? A dificuldade é que a gente tem uma divisão de série etária enquanto as pessoas não são iguais. A gente tem... A gente vai criar um indivíduo para se especializar e a gente generaliza situações que são empurradas, mas ela tem que aprender isso? Tem, mas a pergunta que se faz é, ela precisa aprender isso da maneira e na linha, na linearidade com que se tem hoje? Essa é a melhor maneira de se ensinar? Por que será que nós estamos obtendo êxito com as escolas em tempo integral, que elas relacionam matérias do período da manhã e à tarde elas fazem tarefas ou experimentos que correlacionam os aprendizados? Por que quando a gente vai para Por exemplo, a gente pega um especialista. Por que que você fala que quando eu ensino algo, isso está didaticamente, fica fácil de entender? Você falou de um aço que chegava a 700 MPa e ele conseguia ficar menor. Assim, e que a gente vai entrar nisso depois, mas por que ficou fácil de entender? Porque eu saí Eu fiquei out of box, eu saí da caixa da especificidade e usei do empréstimo para poder explicar alguma coisa. Você falou do Felipe, a gente estava na feira de patologia. Patologia é um termo de empréstimo da medicina. Acabamos de fazer exatamente isso que eu estou dizendo. A gente está aqui fazendo o que? Correlacionando um comunicador um neurotípico, um outro neurotípico, mas que me ajuda e que ajuda outras. Então, a gente está aqui fazendo exatamente isso. E isso vai ter, no âmbito da comunicação, atingir variados grupos, como se fossem grupos matemáticos, eu teria grupo A, grupo B e grupo C. Se eu ramifico esses grupos, não há intersecção entre eles. Mas quando eu relaciono essas áreas, a gente, olha que interessante, o comunicador vai ter contato com a neuropsicologia que ele não teria se não houvesse essa intersecção. E vai ter contato com alguém que tem uma dificuldade, você sabe qual a bolha que vai furar? Quando o pai engenheiro que tá assistindo isso hoje com o filho, ele vai ver que esse filho tem capacidade de ser aquilo que ele achou que talvez ele não fosse, porque alguém furou a bolha e chegou em algum lugar, mas chegou em algum lugar por conta de alguma coisa. E por conta do quê? Do espaço dado e principalmente do suporte ofertado da maneira correta. Porque não basta só fazer terapia. Eu tinha uma terapeuta antes dela. E nada contra a terapeuta, mas a linha, eu sou cognitivo. E o que isso afeta o meu comportamento? Então ela entra com uma terapia que através do meu cognitivo muda o meu comportamento. Porque se eu partir para uma terapia que tenta trabalhar algo em mim que seja os aspectos emocionais, E daí, ela que vai estudar isso, vai estudar lá com IB, ego, superego. Ele é tão abstrato, na minha cabeça, na questão lógica, naquilo que a gente vai colocar. Meu, ela falou do contato inicial. Eu sei que... E aí, a captação. O outro problema do autista. Que ela me ensinou a tentar ajustar e eu acabei de captar isso. Eu fico... Como eu não faço contato visual. E aí, eu queria sugerir um experimento pra você sugerir pra todo mundo fazer, mas antes disso, eu não sei a hora de parar, porque eu não tô falando pra vocês, e isso é difícil de vocês entenderem. Tecnicamente, eu tô falando tecnicamente, você vai perceber que a fluidez com que eu falo tecnicamente muda, a velocidade das palavras, a entonação de voz, a firmeza muda de quando eu falo de mim. Isso é automático. A minha vida toda foi assim. E são coisas que eu não sei a hora de parar de falar. Eu notei que você me deu três sinais não verbais de que você quer fazer uma pausa e uma colocação na minha fala. Porém, dentro do Theia, se eu não terminar a minha questão lógica, eu fico extremamente desconfortado dentro daquilo. Por quê? Na questão lógica, há início, há meio e há fim. Isso nos atípicos. Os típicos, eles ramificam os assuntos e não terminam ciclos, e isso é natural pra eles. Tipo, quando eu falo eles é porque eu não me encaixo nesse grupo. E pra mim é extremamente ruim. E o experimento que eu disse anteriormente pra fazer, e daí eu já vou te dar o aporte, que você me deu três sinais com a caneta, e daí eu toquei isso por conta da movimentação. Como eu escuto, o ar-condicionado poderia me atrapalhar até a percepção. Eu não tô usando porque tem ruído. e eu tô usando o fone agora porque o ruído do ar-condicionado e os barulhos que vocês não estão ouvindo mas eu estou ouvindo de fora aqui eles tiram a minha atenção porque às vezes eu me conecto a eles eu já tô com dificuldade porque eu tô me conectando com o seu cenário eu já vi uma série de coisas aqui que eu fico pensando e muitas vezes eu fujo do tema então eu tô fazendo um esforço pra poder estar aqui. Se eu pegar agora e tirar minha mão, que tá aqui, e eu colocar aqui e eu vou tirar, provavelmente minha mão deve estar como? Por dentro. Como que você acha que tá?
Boa pergunta.
Essa aqui tá de boa, que eu tô aqui mexendo. Provavelmente passa a mão na minha palma da mão.
Nossa, que interessante.
Aí.
Suadinha. Agora fala do experimento, fiquei curiosa.
Você comentou que agora é onda ser autista, né? Faça o desafio pra quem tá em casa. Tente manter um diálogo sem contato visual com uma pessoa, principalmente num ambiente de bar ou de tiver uma churrascaria, alguma coisa. Tente manter um diálogo sem você fazer contato em nenhum momento. Olha como você não consegue.
Você fecha os olhos?
Fecha não, fechar é fácil. Eu não fecho.
Não, fica olhando pra alguém sem falar, só olhar.
Eu não olhei nenhuma vez pra vocês. E eu tô focado aqui. Tenta fazer isso, você vai ver que quem não é atípico, essa questão que ela colocou, se é moda, se estão forjando, quero ver forjar contato visual, quero ver viver assim. Eu vivo assim desde que eu sou novo.
E fazendo a conexão com tudo que ele tá falando, olha só, a fala dele técnica, o quanto que felizmente ele conseguiu encontrar um caminho que ele se delicia, que é a engenharia calculista. Então, o segredo, e eu digo que a sacada é quando a gente consegue fazer com que o TEA vá se mostrando e entendendo a sua própria lógica. E, a partir do momento, se ele teve, por exemplo, uma avó espetacular, que foi entendendo, na simplicidade, que fazer o arroz com ovo era o que deixava ele tranquilo. Enfim, outras coisas aí que ele sabe muito bem da história. Então, o quanto que esse desenvolvimento... E se a professora, por exemplo, der... Não é que ela não tenha condições, mas realmente são muitos alunos, muitas vezes. Mas, na simplicidade, eu já vi várias professoras que vão dando esse acolhimento e percebendo a lógica e se percebe a lógica, vai conseguir desenvolver o potencial. Então, ele conseguiu através, precisou de duas faculdades antes para chegar numa faculdade que é a engenharia e a engenharia calculista que encaixou perfeitamente o Rafael. Então, o quanto que é importante esse olhar e essa possibilidade de dar ferramentas, fornecer para o indivíduo com, não só com TEA. Ele falou da neurodivergência, eu tenho TDAH. Então, enquanto ele, às vezes, foca, se deixar, eu vou mudar de assunto a cada hora, enfim. Dentro da minha neurodivergência, eu achei uma linha de trabalho. Eu sou TCC, Terapia Cognitivo-Comportamental Psicodramatista e neuropsicóloga, que são áreas mais dinâmicas. Então, talvez, se eu estivesse numa outra linha, eu estaria mais engessada. Então, o que eu quero dizer é o quanto que a gente pode aproveitar Toda essa lógica, essas ferramentas e essas questões que o pessoal fala esquisitas como potencial. Imagina o quanto que ele é importante. Ele fala que ele é a questão lá da quando tem incêndio. Ele é o primeiro a ser chamado exatamente para olhar se o ambiente está propício para os bombeiros entrarem. Então imagina se ele não está lá presente. quanto que a gente pode, e aí foi a hora que eu entrei, né, de mostrar pra ele que ele não tem que ter receio e tem que se privar da capacidade de personalidade. Ele tem que aproveitar o que ele tem, né, então ele tem que se, a gente fala, né, não é só ele que tem que se apresentar ou mostrar pras pessoas, mas também as pessoas têm que conhecerem, né, conhecer o Rafael da forma como ele é.
É, dá a oportunidade do experimento.
Exatamente.
Porque, igual, nessa fala anterior do Rafael, me chamou muito a atenção que ele percebeu, assim, o momento... Três batidas na careta.
Uma em cima, uma do lado e uma deve ser no final aqui, perto daqui.
É muito interessante, porque essa percepção, assim, é muito bacana e também um ponto que me chamou a atenção é essa capacidade que o Rafael tem de começar e fechar. um assunto, um projeto, né? Então, eu imagino que você não deixa nada pelo caminho, você conclui tudo. E durante a fala de vocês dois aqui, teve dois momentos que eu ia pedir guardanapo, porque eu, assim, eu tava chorando e tô chorando por dentro. Desculpa. Porque... Eu tenho um filho de nove anos, tá? Então, e ele me conta coisas, assim, do dia a dia da escola. E ele estuda numa escola. Escola, assim, em pés, as pessoas estão preparadas, sabe? E eu identifico que, às vezes, as pessoas ali não estão preparadas pra lidar com algumas situações. Desculpa, gente. Mas… É porque, assim, o que vocês estão falando… Eu tenho muita percepção, né, de mundo. Eu tenho sensibilidade pra… Poxa vida, como que a gente pode falar de igualdade? Não existe igualdade. Não existe igualdade, porque… Quando eu falei que as pessoas… Assim, a gente tá numa distância muito, muito grande. da minha realidade, de repente, pra realidade do Rafael, pra realidade de outras pessoas. Então, assim, como que eu começo a ser julgado por conta de um comportamento que ninguém viveu? Então, eu falo, gente, respeita a minha história. Tenta entender o porquê do meu comportamento e aí a gente vai ter, de fato, um mundo melhor. Então, o que eu tô muito feliz com esse bate-papo, porque A história do Rafael aqui, assim, a minha história de vida é muito, muito, muito louca, assim. Só que eu fui tão massacrado, tão massacrado, tão massacrado, que ontem, num bate-papo que eu tava fazendo com uma convidada, assim, super bacana também, depois que teve noite, a gente ficou conversando, eu falo, hoje eu não sou usuário de droga, eu sou um sobrevivente. Entende? Porque eu fui muito massacrado. E quando a gente fala da... oportunidade que o Rafael teve de encontrar também você, Beatriz, pelo caminho, eu vivo muito em canteiro de obra. E aí, nossa, olha o comportamento dessa pessoa, olha o comportamento dessa. Eu falei, poxa, mas por que você não aproveita isso, esse comportamento dessa pessoa? Porque olha a habilidade que ele tem pra fazer isso. Por que você não soma a sua dificuldade pra gente conseguir ter um resultado muito melhor? Então, Eu acabei fugindo do assunto, desculpa.
É, mas eu acho que você está trazendo uma coisa que também a gente tem que entrar no equilíbrio, porque a professora, por exemplo, tem N crianças e ela tem que seguir algumas coisas, assim como um curso, qualquer coisa. Então, como equilibrar a individualidade com aquele saber.
E ela não tem culpa.
É, eu digo que a gente tem um ensino e existe individualidade, claro. A gente vê, assim como o Rafael, que se encaixa, a gente vê engenheiros que têm dons diferentes, por exemplo. Então, existem pessoas e pessoas dentro da engenharia, assim como em qualquer outra área. A gente não pode dizer que está certo ou errado. Isso é assim. O que a gente pode ver é o que a gente, que nós enquanto profissionais da psicologia, da engenharia, enfim, da publicidade, o que a gente pode fazer para divulgar e multiplicar saber. Então, quando a gente está aqui conversando sobre essas questões, a gente está exatamente dizendo que um engenheiro, um pedreiro são importantes. Se o engenheiro não tem o pedreiro, como é que a obra vai caminhar e vice-versa. Então, muitas vezes, Existe o que a gente chama de exclusão ou capacitismo em relação à pessoa com deficiência ou TEA ou qualquer outra neurodivergência, mas se a gente olhasse as características de um TEA no ambiente, o quanto que aquilo traz o hiperfoco, a lógica, a capacidade de olhar para algumas coisas que a gente não olha. Eu digo que seria perfeito se a gente tivesse uma neurodivergência no local Porque ia ter um olhar totalmente diferenciado, né? A criatividade do TDAH, né? Essa rapidez.
E esse olhar que vocês... Essa conversa... Eu tô aqui assim... Eu tive uma funcionária que ela tem TDAH e eu sinto muita falta dela porque ela percebia coisas em mim que ninguém percebe. Então... Ela... Eu vou cortar essas coisas depois, porque... Gente...
Não, acho que não tem que cortar, não.
Tá bom, então eu vou deixar.
É extremamente importante você trazer.
Júlia, eu queria mandar um abraço pra você, porque assim, ela percebia, ela me chamava, ela percebia quando eu não tava bem. E ela... Ela percebia sentimento dentro de mim que ninguém Ninguém percebeu, e eu tinha funcionários também no grupo autista, e ela vinha e falava, Paulo, sabe tal pessoa, faz dessa forma. Ah, Júlia, beleza. Sabe assim, e esse tipo de sensibilidade, eu acho de uma, sabe, eu falo, poxa vida aqui, Eu me sentia o tempo todo privilegiado por ter essas pessoas do meu lado assim, me direcionando, sabe? Me corrigindo sobre os meus comportamentos.
É, eu acho que tudo isso a gente está dizendo também de multiplicar informação, porque também não só são flores. Então, existem as pessoas que não têm as informações ou não foram buscar a teoria, como o Rafael falou, que está estudando sobre terra. Eu tenho a teoria prática, mas isso a gente tem que ver que as pessoas também, nem todo mundo tem essa informação e a gente tem que respeitar. O que a gente tem que fazer também é informar, é trazer Por isso.
Que eu falei, né, dos julgamentos que eu vivi, Rafael. E assim, de verdade, eu fui muito massacrado e acho que as pessoas que trabalham comigo falam, ah, Paulo, mas você é muito paciente, você tem muita paciência. Eu acho que eu já vivi, eu tenho 40 anos hoje, mas eu já vivi tantas coisas que eu não sei muito definir, Rafael, a diferença entre empatia, mas essa coisa de se colocar no lugar do outro, parece que eu estou o tempo todo. me colocando no lugar do outro, inclusive a gente vai conversar depois. E é pra você me ajudar com isso, porque também eu noto que as pessoas acabam abusando, abusando do meu coração, assim.
A questão da empatia, a minha dificuldade, é que esse questão do olhar, ele é bem subjetivo, ele não é objetivo. Você se coloca no lugar do outro, aí você tem que fazer muita... Pensa assim, numa linha correta. Para você entender como eu me sinto, você teria que realmente estar nessa ótica. E quando você sai para estar na ótica, você deixa de estar ali e você impacta naquilo que eu sou. A gente tem, só fazer um paralelo, física clássica e física quântica. Real. E a gente tem um problema com os termos. A empatia, daí eu entendi, eu entendo o termo que ela coloca. É o movimento da tentativa de ter a visão que o outro está tendo. Porque sentir o que o outro está sentindo não rola. Porque eu não processo sentimento igual você processa sentimento. Por exemplo, duas coisas. Eu já quis abandonar a escola pelo jeito que era tratado, abandonar mesmo, não ir mais, não ir mais, por conta de professor e por conta de aluno. A professora, que ela criou um critério que era excelente, satisfatório, excelente, Excelente, satisfatório, não satisfatório. E tinha mais um grau lá vermelho que eu até parei de... Já nem lembra, né? Eu tirei, excluí. O que é excelência? Pra ela julgar como excelente. E eu, ela passou essas regras. E eu trabalho com regras. Eu tenho dificuldades, mas se eu entender a regra daquilo, eu vou fazer aquilo. Ela colocou uma regra e depois ela colocou o olhar dela sobre o outro aluno. Se ela estabeleceu uma regra, ela precisa seguir essa regra. Isso pra mim foi... Acabou comigo e era português. Eu acho que ela não vai estar vendo, mas o nome dela era Jaqueline. Ela ficou pouco tempo. E ela não era uma má professora, ela errou no critério comigo. Porque não sei quando você fala de massacre, eu queria abandonar a escola porque ela me deu uma nota amarela de satisfatório e não excelente. Ah, lembrei. Excelente, plenamente satisfatório, satisfatório e não satisfatório. Vocês lembram dessa época?
Sim. Inclusive, eu fiz tudo isso. Eu tirava muito NS, cara.
Olha lá. Você lembra? Só que pra mim... É... Eu não sei como é... Na verdade, eu não sei como é quando você recebe uma nota que não é boa. Pra mim, é... Massacrante. Só que... Na regra, Ela me deu um plenamente satisfatório e só precisava ser satisfatória pra passar. Ela me deu um plenamente satisfatório, peraí, vamos lá. Se eu consigo, o que tá pleno, eu consigo colocar mais?
Não.
Se eu tô satisfazendo, o que se espera, o que está feito, se está bem feito, está satis...
Feito.
Se não há espaço para melhoria naquilo que está satisfeito, qual a diferença do planejamento satisfeito para o excelente? Se eu faço aquilo e eu excedo, é isso? Precisa estar claro. Mas isso no sistema educacional está correto? É justo? Porque qual é o objetivo do sistema educacional? deveria ser apresentar, é porque a gente não fechou a pergunta ainda da educação, por isso que eu não consegui sair dela.
Tá.
Dentro da educação, dentro daquilo que eu tinha comentado antes, do modelo, o que é excelente? Me dá um exemplo. O que é uma excelência? É aquele aluno que mais te apetece como você, como professor? É aquele ao qual você tem coisas que no teu subconsciente, ela tem traços que lembram da sua família e daí você tem uma conexão que você não sabe explicar, e daí volta ao tema da inteligência artificial que a gente falava antes. A inteligência artificial não é inteligência, porque ela nunca vai simular a quantidade de variáveis da comunicação emocional, por exemplo, e do equilíbrio emocional. Como que ela, por exemplo, um ser humano, e aí, até brinco com isso, eu participei dos grupos lá de desenvolvimento quando foi sair da agência artificial, que mandava as perguntas do que que você faria pro carro ser autônomo, por exemplo. O carro tá indo aqui, daí tem um velho, beleza? e tem uma mulher com um carrinho de criança e um casal de velhinhos. Um em cada faixa. O carro é autônomo. Esse carro, ele não toma a decisão. Você diz pra ele o que ele vai fazer quando tiver aquilo. Tá entendendo como que não é inteligência? Vocês acham ainda que é uma inteligência? Quando ela faz, tem um banco de dados. Se você encontrar, é E-4-House. No final das contas, é isso. Ou é isso, ou é aquilo. Você vai matar quem? O velhinho ou a outra? Eu pergunto pra vocês. Qual a resposta de vocês questionar?
Você quer que eu me comprometa, Rafael? Eu vou me comprometer.
Não, não vamos colocar como se isso fosse uma resposta pessoal.
Acho que é para cada um pensar.
Hipotética.
É, isso aqui é reflexão. Mas vamos subir o tema. E daí você vai entender como um autista pensa, que é a questão do trem, lembra? Do questionário que eu fiz, que você me ajudou. Depois, aquele é bom de você falar. 96 de inteligência, matemática, lógica, espacial e 4.
De autoconhecimento, cê lembra dessa?
Sim, sim. É, e assim, aí que entrou, né, quando você fala como é que foi a trajetória pra ele chegar, né, e a gente... tem todo o processo educacional aí.
Deixa eu só fazer um... Assim, ó, gente, quem tá ouvindo pelas plataformas de áudio é importante a presença da Beatriz aqui, porque o Rafael é muito grato a ela, tá só reforçando. Então, agora, ela vai falar como ela entra na vida do Rafael.
É, ele ainda vai comentar, mas assim, eu acho que... Tá pra fazer as conexões? Exatamente pra... É, eu fui entrando, enfim, ele tinha já passado por alguns processos, né, e aí uma pessoa me conhece, né?
É o Almir.
Eu acho que, se é dom ou se é a expertise, são 32 anos, se é onde eu trabalhei, o IJC, enfim, eu consigo tirar isso que ele tem, essa capacidade, e o que a gente pode fazer dentro dessas dificuldades que ele pode ter de entender algumas emoções, de como, às vezes, ser mais focinto. Então, eu brincava, Rafael, quando você estiver lá na live, dá um exemplo, foca mais, dentro das qualidades que ele tinha. Então, como a gente pode utilizar o jeito de ser dele e direcionar, porque muitas vezes, ou num processo de terapia ou na escola, o indivíduo quer fazer com que o outro entenda o jeito da técnica ou da escola, e esquece que é uma pessoa que está tendo a capacidade e o entendimento Então, a partir do momento que eu conheço o Rafael e que ele tem esse jeito que a gente tá vendo aqui, ouvindo, eu fui aproveitando tudo isso que ele tem e direcionando. Falei, olha, Rafael, ok, entendi, mas assim, você vai ficar quantas horas numa live, por exemplo? Então, como você tem um jeito bem específico de falar, pessoas que podem não compreender, não conseguir entender esse teu caminhada. Então, como você pode focar ou exemplificar para o outro entender. Então, eu aproveitei tudo o que ele tem de potencial e direcionei. Tem uma técnica que a gente usa para entender as emoções através de umas imagens. Para ele foi assim ruim, muito ruim. Eu não insisti, mas a gente continuou fazendo de outra forma.
Gosto de lembrar daquelas figurinhas.
Então, mas aí a gente vai. Tem pessoas que têm mais facilidade. Então, é respeitar, mas trabalhando de outra forma. Então, é ter essa flexibilidade para trabalhar a rigidez, né? Do TÉ, né? Ou de outras... No TDAH, como ter estratégias para não procrastinar, para trabalhar, outras coisas, então a gente vai ter que ter esse olhar, mas dentro do que a pessoa oferece, que o que ele tem é diferente de você, que é diferente de um outro, e aí vai. Então, aproveitar todo o potencial dele, porque muitas vezes eles chegam com uma ansiedade, uma depressão, porque as pessoas querem mudar ou não enxergam muitas vezes essa capacidade, esse potencial. Então, é olhar dentro do potencial e aproveitar com uma linguagem que ele entenda, porque muitas vezes o terapeuta já que fala, vamos entender as suas emoções, já fala que, dependendo do teste, já descompensa porque ele... como é que eu vou entender? Às vezes pode ter, mas tem coisas anteriores a isso.
Já que vocês usam muitos exemplos, uma coisa também que eu fico muito contente com esse bate-papo, inclusive eu adorei falar com o Rafael lá na feira por conta dos exemplos que ele traz e aquilo me dá uma clareza absurda para as explicações dele. Essa forma de identificar, Beatriz, ou seja, você está focando muito ali na qualidade das pessoas, trabalha muito aquilo, né? Seria mais ou menos uma análise SWOT? Ou seja, você identifica ali essas qualidades, esses potenciais e outros pontos, não, aqui eu não vou colocar muito foco agora.
A primeira coisa que eu pergunto é quais as expectativas que a pessoa tem em relação à terapia. Porque muitas vezes a gente se esquece de perguntar isso. Porque muitas vezes o terapeuta pensa, vamos trabalhar as emoções e ele quer conseguir falar numa live, estar numa live. sem tantos teams ou... Também percebi?
Eu tô segurando aqui, gente. Eu vi que eu tava aqui em cima.
Então, de como ele se comportar... Enfim, então, eu acho que essa é a primeira coisa. Então é de... Eu digo que é um caminhar juntos, né? Então, quais as expectativas, o que ele tá precisando naquele momento, que se direcione, e aí vai. Tanto que terapia, tem pessoas que fazem um tempo, dão uma parada, depois voltam. Não é porque terapia não fez efeito, e sim porque a gente tem momentos que a gente precisa olhar praquilo, depois em outro momento praquilo, enfim.
Eu acho que lá atrás você falou do gênero que você comentou. É legal. É bom. Tem uma terapia nossa que daí eu sempre perguntava pra ela se podia abrir ou não, mas aqui, ela estando aqui, pode.
É, na realidade, você que tem que me dar permissão de abrir, né? É, mas... A ética, é o que ele está falando da ética do sigilo profissional, né?
A gente ficou um dia, uma sessão que nunca era... Eu sempre ficava por último.
Uma hora e meia, duas horas, três horas.
E era assim, ó... O que me pega? A vida inteira, primeiro adjetivo, É, ele é muito inteligente, ele é gênio, ele é muito inteligente, ele é gênio. Eu falei pra ela, ok, é legal. Tem a parte de que as pessoas, e daí, pra quem é autista e tem a regra, a questão emocional, eu preciso atender aquilo. Porque uma vez que você me colocou como aquilo, eu sou aquilo. Porque eu não sei quem eu sou. Já pensou na palavra autismo? Ismo é movimento. E auto, o que te lembra? O que que te remete? Vai, você.
Auto, auto, auto.
Vai, automóvel, automóvel. Sim. Auto de auto, de A-U-T-O. Vai, automático. O que que é automático? É aquilo que não é analógico. Se é automático, automóvel, é você que empurra o carro?
Não.
O autômato, ele precisa ou ele faz?
Ele faz.
O que é automático, você tem que dar um comando ou ele é automático? Ele faz.
Você dá o comando, né?
O movimento autismo. Será que eu sou realmente alto? E aí? Ou eu preciso? Daí vem a questão do DSM-5 colocar o suporte e a oscilação. No final de ano, eu pedi pra ela, a gente conversou, ela me mandou uma carta. Por quê? E aqui, isso não é vergonha pra mim, Mas aconteceram algumas coisas que daí, é... Eu tive que... Tudo que eu tinha, as pessoas tentaram tomar na justiça de uma maneira errada. E eu não consegui lidar com isso de uma maneira tão fácil. E daí, eu... Se existe algum nível de suporte, eu não tava mais no um. Vamos pras realidades. Tô na cama, eu não controlava mais a minha necessidade fisiológica. Esse mesmo cara que tá aqui. Estamos falando de dois anos e pouquinho.
É pra entender, né? Até pro público, né? A gente tem três níveis dentro do TES, do transeuspectro do autismo. Nível 1, nível 2 e nível 3, que a gente fala em relação às funcionalidades. Então, o quanto que eu necessito de suporte. Então, o nível 1, que seria uma necessidade de apoio. Nível 2, certo apoio. Nível 3, eu até questiono tanto esses níveis. O nível 2, muito apoio. E o 3 é apoio substancial. São aqueles indivíduos que precisam realmente de um suporte. Muitas vezes não fala, por exemplo, precisa de um acompanhante a todo momento. Então, a gente tá falando de nível 1, que antigamente se falava leve, moderado e grave. Então hoje se fala nível 1, nível 2, nível 3 de suporte. Porque a gente pode ter o TEA, é com, transformando o aprendizado intelectual, que é o termo novo em relação à deficiência intelectual, então a gente está usando um termo mais novo ainda. Então pode ter com deficiência ou sem deficiência, com prejuízo na linguagem ou não, e na linguagem funcional. Então a gente tem, olha aí o espectro, mas enfim.
É, e é isso, porque assim, eu tava bem, viajava sozinho, fazia as coisas, só que daí acontecem essas coisas na minha vida, e daí eu passo a não controlar a necessidade fisiológica. Simplesmente pelo que tá acontecendo, eu não consegui processar, entender. Por que que alguém que tá comigo, do meu lado, que falou que quer trabalhar, quer estar comigo, etc. Aí ele vai lá, no outro dia ele me fala assim, ah, conta comigo, se você precisar tá aqui. No outro dia ele me processa.
Nem tudo são flores.
Aí ou eu tô numa situação onde eu passei um... Imagina uma pessoa que eu gosto muito. E aqui fica até uma... E olha a capacidade de colocar uma coisa boa ou não, que aqui eu acabo tendo dificuldade de falar das minhas coisas. Imagina uma pessoa que você gosta muito, daí ela te resumir, e como eu sou literal, por exemplo, imagina assim, o que eu faço, o que realmente eu faço? Poxa vida, eu já construí casa com a minha própria mão, eu já montei gerador, eu já programei, Eu já fui um cara de tributária, já mexi com muitas telas ao mesmo tempo. Eu trabalhei na Nestlé 11 anos, praticamente. Comecei como aprendiz, terminei como, praticamente, especialista, liderando equipes. E aí entra a questão do trabalho, eu tenho um amigo meu que se chama William Zagatti, ele identificava isso em mim lá atrás, falou, o Rafa gosta de desafio. Olha o gestor, olha a visão de pessoa. Ele não é psicólogo, nada a mal. Se você colocar o Rafa numa rotina... Eu gosto da... Aí, olha que interessante. Eu gosto das coisas organizadas e planejadas, mas eu não gosto das coisas repetitivas sem desafio. Não é difícil de entender. Ele gosta da mesma roupa. Você vai ver que eu estou, na maioria das vezes, com a mesma roupa, do mesmo fone, Ah, ele gosta do Lakers, não é outro time. Ele gosta do Corinthians, não é outro time. Ele não gosta de verde. Ele é isso e aquilo e aquilo outro, ok. Porém... Se você der pra ele todo dia, pra ele fechar 30 unidades todo mês que tem o mesmo problema tributário lá na Nestlé, ele faz o primeiro mês, faz o segundo, quer mudar tudo no terceiro, pega todos os erros, todas as coisas. No quarto, se não mudar e não alterar aquela rotina, eu não tenho mais interesse em fazer, porque se tornou fácil.
E só fazendo um complemento, isso acontece em outras neurodivergências. No TDAH, por exemplo, a gente fala é transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Eu tenho TDAH, então tenho déficit de atenção, mas quando eu hiperfoco, então se eu quero, por exemplo, achar um fone novo para o Rafael, eu vou ficar o dia inteiro. tudo que eu tenho para fazer, essa que é a questão do TDAH. Eu procrastino outras coisas, né, para achar o fone. Então, assim, esse cuidado que você falou do gênio, que a gente tem que ter, porque a gente acha que o déficit de atenção vai ter desatenção em tudo e não necessariamente. Assim como...
No caso da Júlia, só um, aproveitando a sua fala, Rafael, a Júlia, ela pegava assim, ela tinha o desafio, ela pegava o desafio de fazer uma animação de um hétero para facilitar o processo, o trabalho da equipe. Chegava isso na quinta-feira, por exemplo, se ela não terminasse, ela levava aquilo pra casa. Na sexta não resolveu, ela levava no final de semana, mas ela falava, no domingo ela mandava mensagem, resolvi. Tá aqui. Agora, o que ela fazia com outras coisas, eu não sei.
Exatamente, é isso que eu ia falar. Às vezes, as outras coisas ficavam pendentes, né? Então, aí que a estratégia no TDAH é como conseguir fazer com que equilibre. Assim como no TDAH, no TEA, é como fazer com que ele pegue todas essas lógicas e traga pra parte mais das emoções e das habilidades sociais. Porque, outra coisa importante, pra gente considerar a TEA, prejuízo em habilidades sociais, e padrões restritos e repetitivos de comportamento. Então, isso é outra coisa. A gente não pode ter uma coisa isolada. Então, por isso que, às vezes, tem os estímulos, que são esses movimentos, e tem a habilidade social nessa dificuldade. Assim como no TDAH. Então, a gente tem a desatenção, a criatividade. Então, é importante a gente olhar pra essas coisas. E neurodesenvolvimento, ou seja, tem que vir desde a infância. Então, é importante. Desculpa te cortar.
Não, não. Tem muito a ver porque Quando a gente olha pra isso dessa forma, a gente passa a perceber o que? E aqui acho que ficou nítida a questão que eu falei do meu Cristo de Recompensa, você viu? O TTDH, aí olhando pro cérebro, pô, o que aconteceu? Córtex pré-frontal dela, aí a gente tem entre duas orelhas, imagina assim, vocês conseguem imaginar? Só pra vocês entenderem, quando eu falo de Rapidinho, né? Só pra eles entenderem, acho que é melhor.
Dá o exemplo, né?
É, quando fala de dopamina, ele chama de hormônio da expectativa, na verdade, grande parte dele é o mecanismo da recompensa e o córtex pré-frontal não é essencial pra nossa vida. Então, daí ele vai fazer o quê? Se você perdeu o córtex prefrontal, você perdeu o quê? Questões sociais. Então, a maioria das vezes, as pessoas que tem, tem alterações no córtex prefrontal. E aí, olha que interessante, quando você vai na farmácia, você olha aquele medicamento. Normalmente, os medicamentos são supressores desses receptores ou mexem nesses receptores. E aí receptores de alguns hormônios específicos, dopamina, noradrenalina e vários outros. E aí você vai perceber o que? Que a gente, quando a gente olha para o autista em si, você vai ter uma questão da dopamina, que é a expectativa, vamos lá. Qual que é a diferença? Ela vai deixar de fazer, ela vai procrastinar porque ela hiperfoca. Eu vou procrastinar porque não me desafia, não me traz, eu não me interesso. Olha, a procrastinação, se a gente olhar para a engenharia patológica, a manifestação patológica, ou seja, a manifestação daquilo, qual é a manifestação? A procrastinação. Agora, qual é a causa daquilo? Nela é a recompensa que ela tem de encontrar o fone para mim. Olha a dopamina aí. E é da onde que ela está fisiologicamente, que a gente pode furar a bolha e chegar em outros públicos. A gente tem entre as duas orelhas, você traça uma linha entre as duas orelhas, imagine aí. Dentro tem um núcleo chamado núcleo acúmbens. Esse núcleo ele transporta, ele faz o que a gente chama de ciclo dopaminérgico. Ele vai trabalhar até o córtex pré-frontal. Lá a gente vai ter os receptores que vão trabalhar essa questão da dopamina. Rede social, que nós estamos fazendo aqui agora. TikTok, o que ele faz? Age direto na dopamina. A nossa questão das gerações, e aí entra a questão educacional, entra a questão da identificação do TDAH. É TDAH, é Terra? Qual que é a diferença entre eles? Como que eu vou identificar dentro das manifestações, que é o que ela disse, precisa ter? Ela tem lá no DSM-5 três coisas que essa pessoa precisa ter prioritariamente. Uma delas tem que ser muito evidente.
E a outra?
Pode ser a segunda, mas também vai identificar. Ela tem que ter dessas três, duas. Depois tem mais cinco situações que ele precisa ter, tipo, duas prioritariamente e mais uma. E duas pode não ter. E ela tem três níveis onde ela vai pegar e vai montar, tipo, um mapinha dessa pessoa. Ah, o Rafael. Por que o Rafael é autista? Quando... E aí o doutor Caio Barba Caciela, né? Que foi o primeiro.
Excelente psiquiatra.
E ele chegou em mim quando ele colocou... Ele começou a conversar comigo e ele me... Acho que depois ele falou com você, ele virou e falou assim, você tem uma aderência ao... Ele conversou com a minha esposa, conversou com a minha mãe e conversou comigo. Quando ele pegou desde a minha infância a questão, pô, ele ficou seis anos comendo arroz amarelinho no mesmo prato. A minha avó identificou isso, tirou tudo que era verde de perto de mim e minha avó, e aí minha família inteira, Até hoje, na verdade, profissionalmente, eu entro numa reunião, quando eu começo a perder os meus gatilhos, ou seja, os gatilhos não, as minhas proteções, eu vou perdendo as camadas de acordo com o que vai passando o tempo socialmente, vai ficando evidente, eu começo a reunião como gênero e termino como esquisito. Isso aconteceu esse ano, várias vezes. Começa a união como gênero e termina como esquisito. Só que o gênero fica, mas, por exemplo, chegou o Johnny lá que tá na indústria, a gente tava em Teixeira de Freitas, chegou um investidor lá com a equipe de engenharia dele, ó, vamos conversar, beleza. O cara começou assim, nossa, esse cara é inteligente, nossa, como é que você sabe disso, como é que você sabe daquilo, aquilo, outro? E o papo foi rolando muito e começaram a divagar o tema, a ser algo que vocês chamam de jogar a conversa fora. Eu não sirvo pra isso. Começou a jogar conversa fora naquela conversa, eu comecei a ir pra Narnia. Literalmente. É isso que vocês usam o termo, né? Eu saí, fui pro mundo lá, né? E pro meu mundo, e até tem a frase do Fantástico Mundo, da lista dos pais das maravilhas, né? Que eu uso muito. Que é assim, como que eu colocaria isso? Já leu?
Já.
Então, lembra daquela parte quando ela cai no mundo lá, tem o gato. E daí ela tá perdida, tá num mundo das maravilhas. É uma maravilha ser um gênio, né? Porém, nesse mundo das maravilhas, será que eu sei pra onde eu quero ir com tudo isso que eu tenho de potencial? Porque se eu tiver potência sem direção, do que serve? Então, pra quem não sabe pra onde vai, qualquer caminho serve. E nesses caminhos, eu flertei com o suicídio. Nesses caminhos, minha mãe perdeu o dente em crise minha. Nesse caminho, o meu quarto foi destruído seis vezes. Nesse caminho, eu arranquei o volante do meu carro numa crise. Nesse caminho, eu agredi policiais. Nesse caminho, eu era tido como uma pessoa inconstante dentro da Nestlé ao final do meu processo, porque me colocaram dentro de uma baia. E eu nunca trabalhei bem dentro de uma baia. Eu trabalhava bem numa sala isolada, tudo fechado, com o ar tourado no 16, na minha cabeça. E eu sempre comi muito. Desculpa.
Enquanto ele toma, acho que é importante essas coisas até porque descompensam mesmo. E aí eu lembrei, enquanto você estava falando isso, de uma outra pessoa que eu atendia, que faz faculdade e ajuda muito a mãe em casa. já tinha um diagnóstico de Té, e quando veio pra terapia, exatamente porque tava num processo depressivo, de muita ansiedade. E o que eu fui percebendo? Que ela queria dar conta de tudo no mesmo dia, então ela não se conhecia, quais os limites. Então, começou que ela queria trabalhar, dar conta da faculdade, ajudar a mãe, e aí quando não conseguia, entrava em crise. Aí é a partir do momento que a gente foi clareando essas coisas. Então, por que você não pergunta pra sua mãe durante a semana o que vai precisar ser feito? O que você vai precisar ajudar ou não? Se, por exemplo, vão sair os pais, às vezes esticavam mais o tempo, ela começava a entrar em crise porque ela tinha se organizado para aquele tempo e começava a chorar. Então, por que você não avisa a tua família quando já estiver no prazo? Então, isso tudo é importante. que é exatamente entender, porque senão chega num processo de depressão, ansiedade, que realmente é uma coisa muito descompensatória.
E chega, eu mesmo, eu era Asper, que era o nome que Que é.
O nome anterior, antes de chamar a transição no espectro do autismo. A gente, dentro do autismo, tinha algumas subdivisões. Uma delas era a síndrome de Asperger, que a gente chamava de autista de autofuncionamento, que era o autista com uma grande capacidade intelectual.
Mas que precisava de um suporte, por exemplo. Essa época do fim do ano, e fechando esse ciclo, Mas antes de fechar o ciclo, a gente tem que terminar a parte da dopamina. Imaginaram o fio entre as duas orelhas, o núcleo acúmulo vai lá pra frente. E eu que estava falando dos medicamentos. Os medicamentos, eu falei do córtex prefrontal. E um medicamento com muita aderência, que se utiliza, que aí ele é basicamente um vasodilatador, mas ele atua principalmente no córtex prefrontal. O nome dele comercial, vocês imaginam qual é? Ela acha que sabe, não pode deixar ela falar. Você imagina qual é?
E aí, Biel, como você?
Se é do córtex pré-frontal, o nome dele é frontal. Que é o aprasolam, que muita gente utiliza. Por quê? Justamente no córtex pré-frontal. Aí tem outros medicamentos que vão trabalhar nesses transmissores que são importantes pra gente utilizar. Por exemplo, eu utilizo uma medicação que é pra diminuir essas estímulos, que são essas coisas que eu fico fazendo. Que é aripiprasol, que eu utilizo. Já tive canabidiol também, que normalmente quando está mais agressivo. Daí a gente tem, voltando mais para a área da Bia, mas a gente existe em nós o sistema endocanabidióide. E daí como estimular ele, aí não estou falando das duas substâncias, do THC e do CBD, estou falando do CBD, não daquele que pode causar uma alucinação. ou algo pra trazer uma recriação. Eu tô falando aqui dessas questões. E por que eu fui pra essa área do medicamento? Porque tão importante quanto a terapia é a medicação. E daí sim, a Bia começou tudo a questão da psiquiatria. E ela disse o seguinte, eu tava olhando a heliprota e ela falou o seguinte, Importante é procurar o neurologista ou psiquiatra e as pessoas tendem a ter um preconceito, lembra? Eu tava olhando bem ali, eu recordo exatamente dessa fala sua. Aí eu tô voltando ela pra gente fechar aquele ciclo inicial da importância dele na minha vida. Quando o doutor Caio chegou e ele, não esqueço, eu tava num Airbnb e tava com a Thalita e a gente estava ali tratando e ele deu um sorriso. E ele falou, poxa, a aderência alta e você tem uma série de coisas, não sei, ele deve ter comentado com você, uma série de coisas voltadas a isso. E aí ele entra com a medicação. Normalmente, quando eu entrei, eu passei por todos os diagnósticos. O médico anterior a ele, lá quando eu era adolescente, eu fiquei muitos anos, que foi o cara que virou para mim e falou assim, olha, já testei de tudo, agora você precisa ir para o especialista, o nome dele é Dr. José Maurício Golfeta Iacozile. Sim, literalmente eu lembro todos os nomes dessa forma. Dr. José Maurício, ele passou por tudo. Ele já tentou transtorno de pânico, que era a síndrome do pânico. Eu comecei o diagnóstico com síndrome e terminei com transtorno. Aí, agora a fobia. Nossa, mas o que é agora a fobia?
Não sei, de forma bem que eu fiquei curioso, assim.
Ó, vamos lá. Fobia é medo.
Sim.
Agora é...
Agora, momento. Entendi.
Medo de lugar... medo de muita gente.
É. Então, assim, existe pânico, né? Agora a fobia, exatamente. Agora, porque quando você fala de depressão, olha o empréstimo. Ah, como que eu entendi depressão? Vamos lá, pega a tua vida. E não vou olhar pro âmbito clínico ou teórico da coisa, mas pra quem tá leigo em casa. Depressão faz parte do autismo em algum momento, como uma manifestação patológica. E muitas vezes é identificado o autista só na parte quando ele tá deprimido. E daí ele é diagnosticado com depressão. Vou só conectar as áreas, tá? Quando ele entra com depressão, normalmente se entra com um medicamento chamado sertralina. e sertralina, que é o que está na rede pública. Sertralina não é tão legal para quem está no TEA. Para quem está no TEA, o interessante não seria ele. Talvez o sucinato de desvenaflaxina monoidratada seja mais ok, porque tem menos efeitos colaterais, porque o TEA, voltando a frase dela, na segunda resposta que ela deu que foi Muitas vezes o Téia tem que ter a linha lógica, na hora que ela pegou falou, explicando, Rafael, ele precisa ter a linha lógica. Se não fizer sentido, por que ter? Então vamos lá, se eu estou tomando um medicamento e ele me gera muita contraindicação e eu estou percebendo que ele está me gerando muito onus, eu tenho muito problema quando eu uso ele, por que eu continuo usando ele? E daí a interrupção. Esses medicamentos, para eles acontecerem, eles precisam de 180 dias.
Extremamente importante falar que ele toma isso com o doutor Caio, ou o médico que, né, então, por mais sábio que ele seja, que ele conhece muito, né, é até importante deixar claro que ele tem um médico que acompanha, né, porque tem que ver os efeitos colaterais, né, então, por mais que a gente conheça, né, então, enfim, qualquer pessoa tomar esse cuidado, né, porque a automedicação...
Não pode.
Não, é porque o que serve pra uma pessoa não serve pra outra, a dosagem, e também existem, por exemplo, algumas medicações que dá um efeito rebote, nossa, então tem que tomar muito cuidado, tem que ser também uma pessoa estudiosa, é importante isso, né?
Com certeza, porque vai se atualizando, né?
Sim.
E aí você vê assim que Quando eu tirei o sucinato, eu estou falando porque eu passei por isso. Quando eu estava lá com a sertralina e com outras coisas, por exemplo, com outras medicações, elas alteravam uma coisa que acho que muita autista tem também, que é a questão do descontrole do intestino. E aí, as pesquisas, e a gente precisa estar sempre atualizado, porque a gente sabe que A parte que a gente tem digestiva e intestina, a gente tem ali um outro... A gente toma decisão. Vocês já ouviram falar disso? A gente toma decisão. A gente não tem... Então, assim, tá muito conectado com o nosso sistema neurológico. Então, a gente precisa tomar cuidado porque... Qual que é a relação do autista? Como é que você acha que eu penso quando eu cheguei nela e falei assim, Bia, ó, tô aqui, ok. O que é borboletas no estômago, lembra dessa? Quando alguém te falou, borboletas no estômago. Vamos colocar o traço real pra eu fechar a parte dos medicamentos, a parte da dopamina, do mecanismo de recompensa, e a gente finalizar Quando alguém te falou assim, ó, como você soube, quem te explicou que você tava apaixonado quando você era adolescente?
Acho que a gente percebe, né?
Eu não.
Quem descobriu que você tava apaixonado?
Tão. Hã?
Às vezes ele chora, ele já chorou. Ele falou, eu tô chorando, mas eu não sei por quê. E qual que é o sentimento que eu tô chorando. Por que que eu tô chorando, eu não sei.
Que interessante. Quando eu tava aqui emocionado, por assim, porque eu tô o tempo todo emocionado com esse bate-papo, você percebe esse sentimento em mim?
Não. Não?
Não percebe?
Pois olha aí, provavelmente eu devo ter rido. Não sei dela que tá vendo. Provavelmente você me viu rindo.
Eu não reparei muito em você também.
Eu...
Não quer dizer que ele não respeite. Eu sei. Mas é interessante.
Mas eu sou sincero, tá? Sempre. Então tem que ter cuidado. Por exemplo, daí já fica a dica pra quem conhece as mulheres, não pergunte pra mim.
Se tá bonita ou não. Aliás, pro Theo é por isso que a gente fala que é literal. Por isso que às vezes passa por grosseiro. Então eu falo, quer saber alguma coisa, pergunte.
Inclusive, foi bom você tocar nesse assunto, Rafael, porque eu tenho uma amiga agrá, ela tem um filho, se eu não me engano, Vitor, de 23 anos, se eu não me engano. E a gente se encontra muito lá em Itaien, que a gente tem uma casa grande lá, e a gente se reúne lá, uma galera, uma turma. Outro dia eu tava falando, uma coisa boa que eu tenho pra mim é que eu nunca saio feia. E quando eu saio feia eu tenho certeza, porque eu tenho o Vitor que eu pergunto pra ele e ele me fala na lata. Não mãe, essa roupa você tá parecendo a piriguete. Não mãe, tá feia. Não, essa tá legal, essa tá bonita. E ela falou esse ponto e agora eu lembrei disso.
A minha mãe fica feliz uma vez no ano. E aí, fechando a questão desses medicamentos. E eu também. Porque uma vez no ano, eu dou um abraço da minha mãe. A minha mãe chora. Minha mãe deve estar vendo isso aqui, depois você liga pra ela, pergunta pra minha mãe, ó, seu filho veio no podcast? E daí ele falou que ele te dá um abraço por ano. Eu dou um abraço da minha mãe, sei que minha mãe ficou feliz, mas se você me perguntar, eu dei o abraço por conta dela, não por minha conta. Se eu ficar, por exemplo, se eu ficar um ano sem falar com a minha mãe, e eu tô falando isso pra que outros entendam, tá vendo? Não quer dizer que eu sou insensível, depois você me defende, por favor.
Aí nem quer dizer que também todos tenham, né?
É, que nem todos sejam assim, mas eu já encontrei vários com esse mesmo problema, tá? Que é... A que você tá falando aí, ó. A minha mãe é acessada. A minha mãe, ela tem um complexo de que ela é feia. E minha mãe é linda. Por quê? Porque toda vez que ela me pergunta a roupa, eu falo.
Sabe?
E minha mãe precisa dessa afirmação. Ela, sabe? Ela não tem marido, então daí ela vai falar, eu sou filho único. Ela, o que você achou dessa roupa? Não vou aljar a palavra que eu falo, mas não está adequada. Ou melhor, está inadequada. E depois, para não precisar editar, o inadequado é outra coisa.
Entendi.
E aí ela fica assim, mal. Daí chega minha tia e tal. Antigamente, as pessoas que estavam ao meu redor, meus tios e tias, por que você trata tua mãe assim? Por que você não gosta de tua mãe? Você não pode tratar tua mãe assim e tal? Me arrebentava. E daí você vê o massacre. E você acha que eu estou entendendo por que eles estão me julgando? Pô, mas eu estou falando só a verdade. E quando eu tive com ela, eu passei... As pessoas passaram... Depois que eu vi que eu era Téa, e que eu me assumi Téa, e que eu coloquei, eu explodi em potencial. Eu tava escondido até outro dia, eu explodi em potencial. Por quê? Porque ela me falou que eu não preciso ficar... É que a gente cria o personagem, chama masking. Talvez depois você pode falar sobre isso. A gente cria o personagem e vive nele. Então, quando a pessoa fala assim pra mim, ah, mas você... Vai lá, você fala. Comunicar não é socializar. Eu não tô falando pra ninguém. Normalmente a pessoa vem aqui, vai... Provavelmente a pessoa conhece você, você é hipercomunicativo, acompanhei teu trabalho, eu gosto do teu trabalho, gostei de você. Dentro do network, você acha que eu sou bom de network? Eu sequer te chamei. Pergunta pro Felipe. Eu tô lá, membro. Pergunta pra ele se eu procuro. Se eu vou atrás, se eu tô no network, se eu passei por São Paulo já três vezes da feira.
Ó, quero abrir um parêntese aqui, Rafael. Você falou essa questão do sentimento, mas eu falo, eu tô muito emocionado porque mesmo sem você perceber, você tem uma capacidade de se conectar com as pessoas, você tem um carisma, Isso tá incutido em você. Você tem um... É... Eu não sei porquê, mas eu me senti muito abraçado por você. Pra mim, você é uma pessoa extremamente carinhosa.
Todo mundo fala. Mas... E aí? Volta no alto. Eu sou... E aí, acho que finaliza aqui. Essa alteração do córtex prefrontal. Agora eu posso. Tem a deixa. Ela é ligada ao social, é ligada a como, não só como as pessoas nos veem, mas como nós nos vemos e como nós apresentamos as pessoas. Fecha o triângulo. Como você se vê? Como as pessoas te veem? E qual que é a outra?
E aí?
Porque você me vê de uma forma. O como eu me vejo falta. Mas como eu acho que as pessoas me veem?
Entendi.
Essa trindade, no meu entendimento, isso é o social. Quando eu, no meio ambiente, ou seja, no ambiente no meio em que eu estou, eu consigo saber quem eu sou, daí eu me posiciono, como as pessoas me veem, E como eu acho que elas me veem. Aí eu fico ajustando como eu acho que elas me veem. Pra poder mudar como elas me veem. Só que eu sei quem eu sou. Porque um desses caras tem que ficar travado. Quem eu sou tem que ficar travado. O social das pessoas funciona porque quem eu sou, você sabe quem é você. Você sabe suas lutas, você sabe suas potências. Você sabe os seus pontos de melhoria. Você sabe onde que as coisas acontecem. Isso tá ali em você. Você sabe quem você é. Você não precisa de ninguém dizer quem você é. Tá travado esse pino. Como as pessoas te veem, é impactado. pela forma como você acha que as pessoas te veem. E daí, se você altera aqui, pô, vou me apresentar como um cara mais sorridente, vou me apresentar como um cara mais... você tá sendo adaptativo. Você só se adapta, por quê? Porque a recompensa que você tem lá na dopamina, no ciclo da dopamina e outras, mas isso também é dopamina, te dá o retorno. Quando você estuda isso, você estuda marketing, quando você estuda marketing que não tá no âmbito analógico e tá no digital, isso é marketing digital, quando você pega a base de como funciona o TikTok, eu sei as suas preferências, te recompenso toda hora, essa recompensa tem que vir rápido, eu recompenso, quando acabo de recompensar eu quero mais recompensa, eu quero mais recompensa, isso é o tal do viral, viral vem de vírus, é um vírus que pega todo mundo, que impacta todo mundo, e as pessoas olham, e elas continuam no vírus da, no vírus da, como que seria da, oferta rápida de dopamina. Olha como que a neuropsicologia, a neurofisiologia tá presente. E olha aí, acabei de dizer, o médico vai pegar isso, então se você entendeu isso, então é o seguinte, você vai fazer um corte aqui, perceba o que você fala quando você fala em crescimento orgânico, quantas pessoas viram, quantas curtiram, quantas passaram a te seguir. É a trindade. Quem só curte é quem está te vendo. Quem te segue é quem, como ela tá me vendo, ela captou que eu sou. Tá vendo? Então, tá tudo aí. O nosso mundo vive disso. Vive de pequenos prazeres. É o retorno do hedonismo. E nisso que a gente tá vivendo, aí o autista fica deslocado desse mundo. E daí muitos diagnósticos de autismo talvez não estejam sendo corretos. Por quê? Porque a dopamina que está sendo ofertada nos meios digitais e daí as pessoas começam a associar as telas. Tela não causa autismo, mas tela causa, não é o causador. Não nasceu com a tela, já nasce, tem uma alteração genética. Porém, muitos dos sintomas agora, e aí fechando o ciclo de uma vez, A Bia comentou. Ah, e o boom do autismo? Ele tá junto do boom das telas. E ele veio depois dos casos de depressão. A gente não tinha caso clínico descrito de depressão pesada no século XV, século XIV, mesmo na Idade das Trevas, Idade Média, mesmo quando a gente passou por grandes cismas lá no meio do século XVI, grandes cismas em 1500 e alguma coisa, 1400 e alguma coisa, que a gente divide religiões, grandes coisas acontecem, a gente passa a aprender sobre as coisas, a gente não tem. Então, fechando esse ciclo, o porquê que hoje virou moda, porquê o autismo no sentido das suas Atribuições teve visibilidade porque agora todo mundo tem um aparelho na sua frente e ele se filma e pessoas profissionais competentes como a Bia identificam esses padrões que são justamente desencadeados, porque ele tem um problema que tá ligado à córtex prefrontal, tá ligado à dopamina. E quando essas pessoas chegam e se apresentam no meio digital, porque é muito mais fácil, no meio digital eu não tô socializando gente, eu tô comunicando, é muito simples. É muito mais fácil pra mim estar aqui. Então quando eu consigo no masking simular ou criar uma realidade virtual na minha cabeça, a minha matrix, a minha pílula vermelha, é quando eu subo na palestra, é quando eu vou pro podcast, é agora. Eu falo pra ela que a minha maior mentira é o meu sorriso. Eu tô sempre sorrindo. E quem eu sou? Eu sou aquilo que você disse. Eu sou aquilo que você disse. A minha maior maldição é a minha maior bênção. Você me disse que eu sou carinhoso, que eu abraço, que eu sou legal. Eu fico extremamente feliz. Extremamente feliz. E só que falando de verdade... É... A pergunta que eu deixo e finalizo é... Por que eu não sei que eu sou assim? Isso é ser autista. Isso é estar na Terra. Eu não sei quem eu sou. E isso me traz uma série de coisas. E uma série de manifestações. Essas manifestações me dão um diagnóstico. Por que eu não sei quem eu sou? É basicamente isso.
E pra juntar, se a gente não sabe quem é, como a gente pode dizer que é um nível 1, nível 2, nível 3? Sabe quem falou do espectro.
E a Alice faz as maravilhas. Se eu não sei pra onde eu vou, com todo o meu potencial, qualquer caminho serve.
E eu vou te falar uma coisa, Rafael e Bia. Acho que o encontro de vocês dois me deixa extremamente contente, porque essa parte final do Rafael, o tempo que ele conseguiu ficar no alto, Sabe? Sabe? Quando eu falo lá no alto no sentido de dar um recado para a sociedade, assim.
Que alto nem eu, que alto como assim?
Sabe quando você tá com a fala lá em cima, segurando a audiência, a atenção? Segurando a atenção das pessoas. Entende? Você começou a subir o tom, um raciocínio de fala tão incrível.
Como se tivesse subido a dopamina, né?
Subiu! Você tá feliz lá em cima e dando recado, dando recado pra nossa audiência, dando recado pras pessoas. Você falou da importância das telas, você falou dessa questão da bolha, né, que as redes sociais te colocam, porque eu ia, quando você tava falando, eu ia até te interromper, felizmente você não deixou, que foi bacana, que agora eu vou fechar, é quando você pode pegar o celular de qualquer pessoa, quando você vai lá em busca, clica lá na lupinha, na tela dela aparece o que ela mais vê, porque os algoritmos estão o tempo todo te mostrando, estão o tempo todo te mostrando, então, inclusive, Quem for um pouco curioso, quando a pessoa entra no Insta da pessoa, não precisa nem fazer nenhuma busca, clica na lupinha, você vai saber exatamente quais são os gostos mais comuns daquela pessoa. Que fica assim, fica escancarado na tela, não precisa fazer busca nenhuma. E você, Rafael, trouxe brilhantemente aqui um fechamento que, diga-se de passagem, nunca vi igual. E razão pela qual você está convidado a hora que você quiser vir aqui pra falar com quem você quiser, a Bia também, esse canal é de vocês, é nosso, porque quando eu falo, quando vocês iniciaram o bate-papo falando de união, né, porque o engenheiro tem o potencial dele, o pedreiro tem o potencial dele, da mesma forma que o arquiteto também, então assim, ah, Quem é o maestro? Quem é realmente o grande maestro de uma construção? Tudo bem, ah, falam que é o arquiteto. Em um determinado momento, pode ser o engenheiro, mas também pode ser o pedreiro. Tá? Então, quando a gente traz esse canal, o ConstructCast, que ele vem não só para promover ideias e soluções para o mercado de engenharia, arquitetura e construção e indústria, que as pessoas esquecem da indústria, ele também vem para dar voz ao pedreiro, ao soldador, ao, enfim, ao engenheiro, porque hoje a gente tá com dificuldade muito grande. A gente tem os engenheiros que têm muita experiência, mas por conta da formação e da bolha que ele vive, muitos têm dificuldade pra se expor nas redes. E aí vem outros engenheiros com pouca experiência, que não têm tanto domínio de, assim, não viveu tanta coisa, não tô desqualificando, tá, esses engenheiros. Só que eles têm uma capacidade, de fato, de se expor nas redes sociais muito grande. E eles acabam influenciando o mercado, infelizmente, de forma um pouco equivocada, tá? Então, o que você trouxe pra gente, Rafael, hoje foi uma aula, assim, de tudo, uma aula de sentimento, uma aula de empatia, uma aula de se colocar no lugar do outro, uma aula de história, e, enfim, a forma como a Bia entra na sua vida é uma coisa que é fascinante, eu quero deixar aqui esse meu, enfim, essa minha admiração, tá? E reforço, você, pra mim, É um cara extremamente carinhoso, sabe? Extremamente, cara, eu quero te levar pra vida. É isso.
Valeu. A Vi abriu a caixinha de Pandora.
É, o que eu posso dizer é que a minha felicidade é, assim, eu amo o que eu faço, mas é conseguir ver exatamente o desenvolvimento dos meus pacientes, porque eu digo que é a maior vitória, né, quando a gente consegue ver que eles criam asas e vão por conta própria, porque acho que é isso que é pra mim é o melhor, e não segurar o paciente ou achar que tem que ficar dependente, não, acho que é criar asas e voar.
Agora, para a gente fechar, Rafael, eu queria que você desse um...
Ele está questionando o que é asas e voar, né, Rafael? É metáfora, Rafael.
Tem uma música que ela falou, eu já fui na música, né? Eu sou cristão, e daí tem uma música que ela fala, né? Ela fala assim, que me dá forças para ser vencedor nas asas do Senhor. Vocês não têm noção. O que eu vi a primeira vez? Imagina um senhor. Senhor é o pessoal mais velho.
Com asas, né?
Com asas.
Ele tava me vendo com asas agora também.
No primeiro momento, eu vou desarmando, né? Daí a literalidade, vocês tão falando, parece que você falou alto. Você tá no alto.
Ele olhou.
Alto.
É. A primeira coisa que vem na minha cabeça é alto.
Alto.
Alto? Montanha, tirolesa. Falei assim, tá no alto. Eu comecei a buscar na minha fala se eu tinha falado alguma coisa de que eu tava... Falei, será que eu... Enfim.
Rafael, pra gente encerrar esse episódio com a Beatriz, eu queria que você deixasse um recado pras pessoas. Na verdade, pra sociedade, como as pessoas devem olhar para outras pessoas, independente se elas são autistas, se elas têm o termo TÉ ou qualquer outro tipo.
De neurodivergência.
Repete.
Eu queria que você deixasse um recado para as pessoas, como elas devem olhar para as pessoas, no sentido de respeitar o outro. Que você me deixou uma mensagem bem interessante na última conversa que tivemos do orgulho que você tem, inclusive do seu crachá.
Ah, sim. É porque, como eu não sei quem eu sou, ele me lembra. Às vezes eu ando dentro, mas eu sempre ando com ele. Dá pra ver que tá surradinho. Preciso de outro, inclusive. Mas me lembra de quem eu sou. Eu acho que o recado é o seguinte. Acho que pegando o gancho da empatia, se nós conseguirmos parar de tentar enxergar o outro com os nossos olhos e respeitá-lo, ao poder contemplar naquilo que ele é, gastar menos tempo tentando se colocar no lugar do outro, mas gastar mais tempo tentando, do nosso ponto de vista, tornar aquele instante melhor para aquela pessoa. Creio que o simples fato de não permitir que uma pessoa saia da tua presença melhor do que ela chegou, já faria muita diferença. Se os pais quiserem com que os filhos o instante adiante, o minuto adiante, a hora adiante, o dia da frente, o próximo dia, seja melhor do que o dia anterior, sempre, já é bom. Quando olha pra que cada pessoa tem a tua potência, cada pessoa tem o teu jeito de encarar a vida, e cada pessoa tem as suas particularidades. E a liberdade que normalmente nós lutamos, porque quem tá ouvindo esse O ConstruCast, ele tá ouvindo o que? São pessoas que com certeza tem valores. E uma coisa que eu sempre falo, quando a gente olha pra pessoas que a gente não consegue entender, pensa que a gente garimpa o barro, o solo, a rocha no rio pra encontrar ouro. ele não está evidente. E normalmente a outra frase que o essencial quando ele fala que é invisível aos olhos é porque não. E aí tentando juntar na dificuldade que eu tenho que o essencial ele é invisível porque não é porque não dá para ver é porque eu não estou conseguindo ver do meu ponto de vista. Então. Quando eu torno Um, a vida de quem está melhor a partir do momento que eu estou. Ou seja, o que conforta ele, o que deixa ele mais tranquilo. Se ele gosta de... Se o teu filho que você está vendo, ou o teu esposo, ou a pessoa com quem você vive, teu pai, tua mãe, se gosta de olhar para as estrelas, deixa olhar para as estrelas. Se gosta de caminhão, dê caminhão, fale de caminhão. Se gosta do Lakers, assista Lakers com ele. Deixe que ele fale de Lakers. Deixe que ele viva Lakers. De repente ele vai se tornar um analista de jogos, etc. Mas respeitar a pessoa, então, olha pra ela, deixa o dia dela melhor. Como eu deixo ela mais confortável? Esse é o principal ponto. E perceber que sempre que eu não consigo enxergar algo naquela pessoa, é porque eu não garimpei direito. É porque eu não tirei a sujeira. É porque eu não consegui tirar as pedras, a terra, eu preciso de mais água, eu preciso de mais fluidez, eu preciso. O movimento precisa ser que quando a gente tenta sair de nós mesmos, arrancar os nossos olhos e colocar os olhos do outro, existe um momento em que eu não tô vendo nada, que o olho tá fora de mim. e não está lá ainda, e nesse momento eu posso me perder. Então, talvez se a gente prestar menos atenção na empatia e mais na compaixão, essas pessoas podem ser mais bem atendidas, sejam mais bem vistas. Compaixão, paixão de pátior, sofrimento. Sofra junto, mas sofra o processo. Porque confiando no processo, a gente vai ter resultado. E eu acho que basicamente é isso. A gente olhar pra isso com esses olhos, como você disse, com carinho. Eu sem te olhar, você se sentiu abraçado. E me mostrou que eu consigo abraçar alguém sem tocar. É isso que você me ensinou hoje. Eu consigo abraçar alguém sem tocar. E se minha mãe estiver ouvindo isso, eu queria deixar um recado pra minha mãe. Dizer que eu amo a minha mãe. Ela sabe o quanto não é fácil pra mim falar isso. Nem um pouco. É... vai... é... Tomara que doa da maneira correta pra minha mãe, mas... É... queria dizer pra todo mundo que estiver ouvindo. E pra minha mãe saber que eu tô falando pra todo mundo. Porque vai muito longe. Ela sempre diz, não, mas você não gosta de mim. Então, eu amo a minha mãe. Eu amo a minha mãe. E eu entendo tudo que ela passou pra eu estar aqui hoje. E se eu estou aqui, como ela disse no início, eu devo muito a minha mãe, sim. Minha avó foi extremamente essencial, uma pessoa extremamente importante, mas a minha mãe precisa ouvir que eu amo ela. Talvez eu cheguei aqui hoje com um propósito. Herança é o que eu construo hoje pra deixar amanhã, que é palpável, mas custa algo e as pessoas matam por ela, mas legado esse, as pessoas vivem por um legado e a minha mãe não vai me deixar herança, mas minha mãe me deixou um legado, me deixou tudo o que eu sou e acho que é isso que eu queria deixar pra ela, acho que a maior mensagem é mãe eu amo você é Mesmo que eu não entenda amor.
Como é o nome da sua mãe, Rafael?
Minha mãe chama Regina de Fátima.
Regina de Fátima. Eu vou deixar, ó... Eu falo que, assim, eu tenho uma coisa com amor, mas eu também te amo muito, porque você é responsável por esse cara hoje estar aqui na minha frente, que é o Rafael dos Santos. Então, esse amor dele eu estendo a você aqui.
E pra, já que a gente tá na emoção, o que eu posso dizer, né? Não sei se eu posso dizer pra...
Pode falar pra cá na câmera.
Vocês não estão sozinhos. Procurem ajuda. Não tenham vergonha. Tem muito preconceito com psicólogo, psiquiatra. Procurem. Você não está sozinho. Eu sempre uso uma frase assim... Ser diferente faz diferença, né? Então, busque ajuda. Você não tá sozinha, nós profissionais estamos aqui pra ajudar. Não conseguiu com o primeiro, vá, troque. Às vezes tenha compaixão, empatia, enfim, a palavra que for, né? Mas busque ajuda. Você não está sozinho. Mãe, pai, paciente, Té, o que for. Vocês não estão sozinhos.
Tá tudo liberado, gente. Não foi cortado nada esse episódio, você que chegou até aqui. Está na íntegra e eu quero agradecer mais uma vez a presença da Beatriz e do Rafael. Estou muito contente quando o Rafael fala de legado. Nós estamos construindo um legado, estamos contando histórias, estamos dando voz. Então, um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no ConstrueCast, que a gente vai continuar depois um outro bate-papo com o Rafael para falar de engenharia.
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