Do Pedreiro ao Inovador: Como Dione Andrade Transformou a Construção Civil em 23 Anos | Podcast

This is a Portuguese-language podcast episode (ConstrueCast) in which Paulo interviews Dione Andrade about his 23-year journey from construction laborer to industry innovator. Andrade describes joining a small EPS/insulation company (Isossil/ISOCIL) as a young auxiliary, developing industrialized construction products—notably EcoBaldrame (an EPS-based foundation formwork that remains in place) and Monoleve (structural wall panels with galvanized steel, claimed 750–900 MPa)—and demonstrating rapid-build examples (e.g., a ~140 m² house assembled in three days). The conversation emphasizes addressing Brazil's labor shortage through industrialization, cost and time savings (Monoleve claimed up to 30% cheaper than conventional masonry), worker quality-of-life, technical training, and caution about inexperienced “adventurers” in the market.
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Sejam bem-vindos a mais um episódio da série ConstrueCast pelo Brasil. E hoje eu estou aqui em Espírito Santo para conhecer a história do Johnny Andrade. Ele é fundador de uma empresa pioneira e inovação no Brasil.
Este.
Episódio é um oferecimento hub e construção. Um prazer ter você aqui com a gente e, de alguma forma, que a sua história abra caminhos para que outras pessoas venham inovar na construção.
Perfeito, Paulo. Eu que agradeço a oportunidade de a gente estar podendo bater esse papo, de te receber no Espírito Santo, né? A gente está aqui no meio de uma feira, de um evento da ES Construções. Muito obrigado por ter vindo.
Inclusive, a gente está aqui no meio de uma feira, de fato, esse espaço que estamos aqui, a empresa do Johnny que trouxe para o evento, tá? E olha a qualidade que a gente tem aqui de som. Johnny, agora eu queria entender de você, como que você entra nesse mercado de louco, diga-se de passagem, porque... e com inovação, né? Você vem, traz inovação. Conta um pouquinho da sua história para que a gente entenda aí o que você está trazendo hoje de soluções para o mercado de construção civil.
Perfeito, perfeito. Bom, eu vou começar fazendo uma pequena correção. Eu não fundei a ISOCEO. Eu entrei lá para moer material, para pegar o isopor e jogar ali para triturar. Então, eu entrei com essa função há 23 anos atrás. A Isossil também era uma empresa pequena, cortava os blocos, comprava, cortava os blocos. Não era a indústria que é hoje, uma das referências do país. E ali eu comecei a minha história. Eu entrei para ser um simples auxiliar, uma empresa pequena. E a inovação fez com que nós fôssemos crescendo até virar a indústria que hoje despacha a tecnologia construtiva para o Brasil todo.
E voltando um pouquinho, você criança, quem é o Johnny em criança? Você teve contato com a construção só para a gente voltar um pouquinho na história?
Eu tive contato com a construção. Na verdade, eu nasci em obra. Meu pai é pedreiro. Então, eu cresci vendo meu pai construir as nossas moradias, que nós moramos, e eu cresci ajudando meu pai, desde criancinha ali, ajudando virar uma massa e tudo mais. Então, eu sou filho de pedreiro, fui ajudante de pedreiro até meus 16 anos, mas desde os 10 anos eu ajudava meu pai carregar as tábuas. Então, vivi a obra desde quando eu nasci praticamente.
E aí olha como a sua história está muito conectada com a minha. Eu imagino o que você passou vendo seu pai e outras pessoas. Acredito que você também carregando saco de 50 quilos nas costas para fazer traço de massa. E como essa... fase que você viveu na infância foi importante para que você de alguma forma tentasse mudar a realidade de 20 anos atrás e até chegar onde chegou. Hoje a gente está em 2025 com o apagão de mão de obra, agora eu queria falar um pouquinho aí das soluções que vocês proporcionam para o mercado enquanto industrialização da construção.
Perfeito. Inclusive eu até tive a felicidade de receber meu pai ontem aqui na feira. Nós vivemos um momento realmente de apagão de mão de obra. O empreendedor, o construtor, ele tem que entender que é um passo que ele obrigatoriamente tem que ser dado. Porque amanhã ou depois você pode ter projetos, você pode ter recurso, você pode ter capital, isso não é problema. O problema é como eu vou edificar, como eu vou construir. Então se a gente não trabalha e não sai do discurso de que a gente precisa de obra industrializada, mas aí por causa de R$5,00 no metro quadrado, R$15,00 você continua fazendo alvenaria convencional. Não se arrisca ao novo. As nossas obras vão parar. A gente não vai ter moradia para as pessoas morarem. A gente não vai ter empresas sendo construídas. Então é muito necessário que a gente dê esse passo para que a gente tenha a construção firme e forte como a gente teve nos últimos anos e que a gente continue tendo o crescimento da construção civil.
Dionísio, hoje a gente está vivendo um boom também da palavra industrialização. E por outro lado, a gente tem muitos aventureiros no mercado, é importante ressaltar. Então, industrializar, na verdade, a gente fala de construção ágil, onde a gente traz parte dessa construção, ela é feita na fábrica, a gente traz para o canteiro e monta. Eu queria entender, nesse processo de industrialização, o que vocês têm de diferencial que o mercado não tem?
Nós trouxemos um produto agora pra feira, que é um produto que a gente já tem, já tem há algum tempo, mas que agora a gente tá trabalhando ele comercialmente, que elimina a fase de montagem de caixaria nas obras. A gente reclama muito que tá difícil de encontrar pedreiro, mas o pedreiro tem a mesma dificuldade que a gente em encontrá-lo, que é encontrar ajudante. O ajudante ganha 120 reais por dia.
E dependendo do lugar, né?
Dependendo do lugar. Quem vai trabalhar no sol, muitas das vezes em um ambiente que não tem um conforto mínimo, um banheiro, uma água pra você tomar, pra ganhar 120 reais por dia. É muito difícil. Se a gente não qualificar os produtos pra que esse trabalhador chegue no canteiro de obra e tenha a sua vida mais facilitada, a gente não consegue fazer as obras que a gente necessita. Então a gente trouxe o EcoBaldrame, que é um produto que substitui a madeira, é uma forma em EPS de altíssima resistência, Você coloca o aço ali concreto e você não desforma. Com isso você elimina a fase de montagem de madeira, você elimina a desforma, porque esse produto a partir do momento que ele está instalado e você não retira, ele já faz a impermeabilização da obra. Então a gente tira etapas do processo. Fora isso, depois do alicerce, depois da base ou do radier, nós viemos com o monoleve. Monoleve é uma parede estrutural composta com núcleo de GPS, aço dos dois lados, unidos com pinos de conexão de aço. É um aço especial galvanizado de 750 a 900 MPa de resistência, numa trama de 10 por 5, que a uma vez Reboco estrutural de um lado e do outro pode suportar até 50 toneladas. Então a gente industrializou realmente muito o processo da alvenaria convencional. O que esse painel representa na obra? Lajota, areia, cimento. concreto para você fazer o ligamento, a caixaria toda de uma obra, a ferragem em um produto só. E mais do que isso, tudo isso você precisa levantar. O painel já vem montado. A gente entrega o painel com o pé direito da obra com uma largura de 1,25 com macho e feime para você ir montando e encaixando. É possível fazer uma obra, por exemplo, de 100 metros quadrados, uma casa que a gente acabou de fazer, de 140 metros quadrados em três dias, passando a elétrica hidráulica.
Em três dias?
Três dias, faltando só achar, piscar e rebocar. E aí, falando da industrialização da construção civil, se você vem com o processo de uma projeção de argamassa, que facilita também a vida do trabalhador, você tem uma casa pronta para você bater a laje e morar em uma semana, dez dias.
E aí, o que dica você daria para as pessoas, na verdade, quando eu falo o investidor, é aquele cara, aquela pessoa que precisa construir uma casa, muitas vezes ele está preocupado, sei lá, eu tenho 100 mil reais e a gente tem aquele dilema, né, que a construção nunca acaba. Com esse sistema construtivo você acredita que essa pessoa consegue ter uma segurança de custo, no sentido de eu consigo fechar o meu custo, eu tenho um valor pré-estabelecido e você dá esse suporte para que essa pessoa tenha essa segurança financeira?
A partir do momento que você envia o projeto para nós, nós temos a capacidade de entregar o projeto estrutural. E o painel, Paulo, o painel traz uma fidelidade orçamentária muito grande. Porque você tem um produto que não tem desperdícios. A gente manda a quantidade de painel que você vai usar na sua obra. Com os reforços, com a quantidade de aditivo, você vai comprar areia e cimento para poder fazer a massa. Então você não tem desperdício, então te possibilita, além de você não ter uma obra infinita, você vai ter um prazo para terminar sua obra, você possibilita você ter essa fidelidade ao seu orçamento, ao seu caixa, e aí você não tem dessabores. A gente sabe que a construção civil é cheia de dessabores, então te permite realmente você ter essa fidelidade.
E que dica você daria hoje para um profissional, na nossa audiência a gente tem em todas as plataformas de áudio e de vídeo, é uma audiência bem diversificada, que dica você daria para quem vai construir nos próximos meses ou próximos anos na escolha da solução construtiva?
A gente fala muito sobre a industrialização da construção civil, e a dica que eu posso dar, humildemente falando, é dê oportunidade para novas tecnologias. Se nós não abrimos espaço para as novas tecnologias, e aí eu vou pegar um gancho que você disse, uma fala um pouco agora, é sobre aventureiros. Procure empresas que tenham corpo técnico. Você teve contato com o nosso corpo técnico? Acho que você consegue nos validar em relação a isso. A gente tem o mesmo grupo técnico, né? Dê oportunidade para esses sistemas construtivos. A gente só consegue mudar a cultura a partir do momento que a gente dê espaço para outras culturas nascerem.
Tem que se permitir, né?
Tem que se permitir, tem que se permitir. Às vezes a tecnologia é um pouco mais cara, mas é com a escala que nós, como indústrias, conseguimos ser mais competitivos. O Monolev já entrega uma performance alta e um custo até 30% mais em conta do que a alvenaria convencional. Pega esse número, 30%... 30% mais em conta que a alvenaria convencional, fora os benefícios.
Isso é um ponto importante, porque quando a gente fala de industrializar, o ponto que pega é custo, porque assim, automaticamente você fala industrializar é mais caro, mas nem sempre é, porque quando você faz aquela conta de tempo de obra, o que você está deixando de pagar de mão de obra, essa conta precisa ser feita. É o custo invisível que a gente não percebe.
Exatamente. E após a obra concluída, daqui dois, três anos, se você não tiver esse cuidado, começa a aparecer aquele podre no pé de parede, na casa toda, aí seu filho já fica doente, de alergia. Então a industrialização da construção civil, ela veio não só para trazer qualidade de vida para quem vai trabalhar com os sistemas, aí eu tô falando de pedreiro, arquiteto, mas também trazer conforto para o seu usuário. Esse é um dos objetivos principais da industrialização da construção civil. Você falou sobre... muito se fala sobre industrialização. A gente assistiu algumas palestras aqui hoje e realmente esse é o tema. Mas esse tema, já tem um tempo que a gente está ouvindo falar sobre isso. A gente precisa de dar celeridade para que essas coisas aconteçam. O apagão de mão de obra que funda os temas que a gente conversou aqui, ele está se agravando a cada dia. A gente está perto de um blackout, realmente um apagão total de mão de obra. Há tecnologia do monoleve, a gente está falando de economia, mas a gente não está tirando do trabalhador a oportunidade dele ganhar mais. É possível construir uma relação ganha-ganha. Um trabalhador hoje, vamos dar um exemplo aqui de uma casa de 100 metros quadrados, Paulo. Numa obra de 100 metros quadrados, o trabalhador poderia ganhar mil reais a diária para fazer uma casa em monoleque, na fase cinza. Em 10 dias, 15 dias, ele vai tirar 15 mil reais. Se for na avenaria convencional, ele ficaria ali três meses ganhando 250 reais por dia. ele pode acabar essa obra e ir pra uma outra. O construtor, o dono da casa, ele vai ficar satisfeito que ele tá com a obra entregue mais rápido, uma obra de extrema qualidade, e ele também tá pagando menos.
E você tocou num ponto importante que, às vezes, até pra cultura também do pedreiro, eu, bom, já fui pedreiro, já fui pintor, já fui, enfim, tudo que você pode imaginar na construção eu já fui, e tem aquela massa, ah, eu vou dar uma segurada pra o dono não pensar que eu tô ganhando muito. Quando, na verdade, é o contrário. Quanto mais você acelera essa obra, é melhor para todo mundo. Então, é importante a gente se atentar a essa questão da industrialização. Queria agora perguntar se tem alguma outra pergunta que eu deixei de te fazer e você gostaria de falar aqui para a nossa audiência.
Eu queria só abordar esse tema final que a gente falou sobre oportunidades. Eu tive a oportunidade de conversar com um construtor em Brasília e ele já tem experiência em trabalhar com o nosso sistema. E ele falou assim, Johnny, eu demorava um ano e meio, dois anos para fazer uma casa de alto padrão. Comecei a trabalhar com o sistema, eu reduzi para um ano. Ganhei expertise, eu reduzi para seis meses. Ele fez quatro vezes mais no mesmo período.
Quatro vezes mais. É mais famílias morando, é mais sonhos realizados.
É mais oportunidade. É mais oportunidade. E outra coisa que ele falou, os trabalhadores que constroem com o sistema construtivo industrializado não voltam para o sistema tradicional. Porque tem qualidade de vida no trabalho.
Isso é um ponto bem importante.
Tem oportunidade.
E o que a gente vai fazer agora, na verdade, é pegar as pessoas que estão morando nessas casas para que a gente faça o inverso. Eu sou usuário e eu quero contar história. da minha experiência, acho que isso é um trabalho bacana que a gente pode fazer aí para frente, para que essas pessoas sirvam de motivação, para que outras pessoas também consigam aderir a essas novas soluções construídas.
Perfeitamente.
E uma coisa importante, a gente olhar para a industrialização da construção como um sistema, e não como um único produto.
Perfeitamente, perfeitamente. Olhando muito a parte do trabalhador, A ISOCIL, logo quando ela veio com a tecnologia da Monolev, ela abriu um instituto de formação. Então, nós temos um instituto dentro da ISOCIL que capacita engenheiros, arquitetos, pedreiros... Tem.
Muitas mulheres aí, vocês têm... Mulheres, mulheres...
Inclusive, tem um mestre de obra nosso, que é o Jorge, um espetáculo. Ele, na montagem desse estande, ele falou assim, olha, minha mulher quer ir aprender. Posso levar ela pra lá ver, pra ela treinar? Eu falei assim, fode! Ela ajudou a montar esse stand aqui.
Nossa, que sensacional!
Eu lembro que o engenheiro nosso falou assim, John, poxa, mas o que você acha e tal? Eu falei assim, é um talento que pode surgir, é uma oportunidade que a gente tem que trazer pras pessoas, tá faltando mão de obra.
Sim, e essas tecnologias, né, você não tem mais aquela coisa da força.
Perfeito. A gente tá falando de uma obra leve, de uma montagem facilitada. Faz todo sentido ter mulher no canteiro de uva.
Então eu falo mulheres, olhem pra esse mercado.
Nós precisamos do carinho de vocês com cada detalhe na Constituição Civil. Isso faz uma falta absurda na Constituição Civil.
E a mulher traz um diferencial muito grande, que é o detalhe e a gestão. Então acho que o evento em si já foi um espetáculo. E quando você me pergunta sobre a experiência do que eu vi, a gente está aqui no espaço, numa amostra gratuita. Enfim, tem muito barulho lá fora, até abrindo aqui. Eu fui visitar hoje uma obra Com essa solução construtiva eu falei com o proprietário e ele contou um pouquinho da história dele, como ele foi convencido em usar essa solução, o quão ele está impactado com a rapidez, inclusive já com a economia que ele teve, economia financeira, ele falou pra mim que o que ele economizou ele vai poder colocar um móvel muito melhor na casa dele, vai escolher esquadrias, melhores, porque ele conseguiu economizar na estrutura. Então, assim, o que eu vi aqui, não tem nem o que falar, eu estou muito contente e muito grato por ter contato com loucos como você, visionários, que conseguem proporcionar esse tipo de experiência para a gente.
Eu que agradeço por estar batendo esse papo contigo, espero que a gente consiga contagiar e que nasçam novos loucos pra gente poder formar uma comissão. O Brasil precisa desse tipo de movimento e espero que a gente consiga incentivar cada vez mais pessoas e que clientes dê oportunidade como essa que você acabou de testemunhar. Pro novo, ele só vivenciou isso porque ele rompeu a barreira do preconceito, ele teve coragem, ele buscou informação técnica, Essa.
Informação que você trouxe agora é importante, porque quando você, assim, tá falando muito industrialização, mas cuidado, tem muito aventureiro, então assim ó, vai atrás de empresas sérias, cuidado com aquele glamour das redes sociais, a gente tem muita influencer hoje falando de, ah, porque isso é legal, enfim, mas se atentem às questões técnicas, porque o diferencial tá no detalhe, e é aí que a gente vai conseguir de fato ter uma mudança radical na palavra industrialização.
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