Engenharia de Vácuo: o que a Indústria Esconde e a Academia Revela | Fatec | Atlas Copco | Podcast

Professor Tadeu, Luiz, and Ana Costa from Atlas Copco discuss vacuum technology across industries: glass, steel, aerospace, medical devices. Brazil lacks the academia-industry partnerships that industrialized nations have built, and the country faces a critical shortage of skilled workers in the field.
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Sejam todos bem-vindos a mais um episódio aqui no ConstruCast. Hoje é diretamente da FATEC São Paulo para falar com a maior autoridade do Brasil em engenharia de vácuo.
ConstruCast Arquitetura e Engenharia de Construção.
Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Eu vou conversar com o professor Tadeu. Antes de apresentar o professor, eu tenho também a presença de um convidado também muito importante, que ele representa a indústria. Então a gente vai falar sobre desenvolvimento da indústria, vai falar sobre aplicação, onde a indústria do vácuo é aplicada não só para construção civil, mas também a gente vai dar um panorama geral. Luiz, seja bem-vindo para dar esse suporte aqui nesse bate-papo com o Professor Tadeu.
Obrigado, vai ser um prazer.
Antes da gente começar, fala um pouquinho quem é o Professor Tadeu.
É uma satisfação muito grande estar aqui com vocês. Bom, a minha trajetória, eu fiz colégio técnico, até ginásio técnico da época, na área de eletrotécnica e eletrônica industrial. Posteriormente, inclusive ontem, completou 50 anos que eu entrei no Instituto de Física da USP, onde eu fiz o bacharelado em física.
Ontem foi dia 8 de março de 2026.
Isso. Então ontem fez 50 anos. E como eu tinha o colégio técnico, quando eu entrei no Instituto de Física, eu já comecei a trabalhar. Então eu fiquei lá até 2000, onde pedi a demissão e vim aqui para a FATEC São Paulo em tempo integral, que eu já tinha iniciado em tempo parcial desde 1994. Então, a partir de 2000, eu intensifiquei a montagem do laboratório de tecnologia do vácuo que eu havia iniciado em 1900, 97, tá, onde eu criei o laboratório e desde então eu coordeno. E todos esses anos eu orientei perto de 200 estudantes. Iniciação científica para escola técnica de ensino médio, iniciação científica e tecnológica para estudantes da FATEC, mestrado profissional aqui do Centro Paula Sousa. E o aspecto que eu quero reforçar é que todos os trabalhos que eu faço no Laboratório de Tecnologia do Vácuo para a ciência e tecnologia do vácuo, os estudantes participam. Eu acho isso fundamental. A chamada metodologia científica não é somente para ser usado nas atividades científicas, mas sim também nas atividades industriais. E isso se coloca cada vez mais, uma vez que as empresas têm que inovar, têm que ter pesquisa. Eu depois que eu concluí o bacharelado no Instituto de Física da USP, escola espetacular, eu fiz o mestrado e doutorado na UNICAMP, dentro da ciência e tecnologia do vácuo. Desde então, eu tenho feito muitos trabalhos com a indústria brasileira, muitos trabalhos com centros de pesquisa, tá, sempre em torno da tecnologia do vácuo e também de fenômenos de transporte. E ao longo de todos esses anos, foi construída uma rede de colaboração muito grande. Por quê? Porque a tecnologia do vácuo cada vez mais é utilizada, tá. Podemos até conversar por que isso acontece. Luiz aqui, que foi inclusive o estudante que trabalhou quase...
Professor, eu quero depois só pegar um pouquinho desse gancho para falar do Luiz, antes, para a gente conectar as duas coisas, conectar essa importância das academias e indústria. Então, antes da gente falar desse ponto agora, só não perca o raciocínio, eu queria que você falasse, Luiz, Como que você entra nesse mercado? De forma um pouco resumida, e aí eu vou falar dessa importância da gente ter você aqui representando a indústria e o professor a ciência e desenvolvimento.
Para mim é uma honra, um prazer estar participando, estar falando ao lado do professor Tadeu. A minha trajetória se mistura, não é tão embasada com tantos títulos acadêmicos como o do professor, Mas se mistura muito com a trajetória do professor em um certo ponto, porque eu brinco com o pessoal que trabalha comigo que eu caí meio que de paraquedas no mundo do vácuo, né? Eu fazia um outro curso aqui na FATEC, né? Eu me formei aqui na FATEC em 2012. Eu fazia um outro curso na FATEC que não tinha disciplina de tecnologia do vácuo. E eu fiz um programa de estágio da FATEC onde eu tive o prazer de trabalhar com o professor Tadeu. E aí eu fui aprendendo sobre tecnologia do vácuo, cursei a disciplina. Depois que eu me formei, isso me ajudou no momento de procurar emprego a conseguir minha primeira oportunidade no setor de vendas de uma distribuidora de hoje, de um dos concorrentes da nossa marca, como vendedor de produtos de vácuo. Então tudo que eu tinha aprendido com o professor Tadeu eu pude começar a usar no meu dia a dia na indústria, que eu gerava vendas para a indústria, para os clientes finais, de muitas das pesquisas que o professor mesmo atua. E desde então eu estou nesse mercado. Em 2017 eu migrei para o grupo Atlas Copico, onde eu estou até hoje. Comecei como vendedor de pesquisa e desenvolvimento, então tem muito a ver com o que o professor está falando. Então eu visitava diretamente não só o professor, mas como tantos outros pesquisadores no Brasil que trabalhavam com vácuo. Em diversas aplicações química, física, aeroespacial, entre outras. E desde então fui me desenvolvendo na Edwards, até hoje tá no cargo de gerência de vendas, ajudando o pessoal que trabalha comigo a continuar esse legado aí.
Muito legal, professor. Antes de passar a palavra para você, já que você tocou nesse assunto de você caiu de paraquedas, e eu entendo que falar de vácuo, indústria do vácuo, assim, eu pelo menos eu vejo que isso é raro. E como que você enxerga a importância da gente começar a falar mais, falar de aplicações para que outros Luizes, enfim, acabem entrando nesse mercado? Porque nem todas, não é qualquer um que tem a oportunidade de conversar com o professor.
O vácuo é um mercado bem nichado, porque eu acho que na verdade o vácuo está presente em tudo. Então a gente tem várias apresentações lá na empresa que a gente fala que o vácuo está presente em tudo. Então desde a lente do teu óculos tem processo de vácuo, desde o celular que está na palma da mão de todo mundo. Aí o pessoal às vezes assimila vácuo com embalagem de comida a vácuo, né?
Que é o—
mas esse daí é menos de 1% do que a indústria pode oferecer no vácuo. Então a gente está desde a fabricação do chip do celular até embalagem a vácuo, até a construção de um edifício, até a construção de um centro de pesquisa. Então, a parte de iluminação, enfim, são diversas atividades. Então, às vezes, a gente, quando vai conversar com algum cliente, algum possível fornecedor que não conhece tanto, a gente às vezes tenta trazer sempre exemplos do dia a dia para ficar mais fácil dele ter essa proximidade. Então, ah, é o seu celular, é o seu notebook, a sua televisão, o vidro da sua casa, o vidro do teu carro. Então, o cimento, aço, na parte interna de um edifício, tanto de ar-condicionado, que tem tudo isso envolve vácuo. O vácuo então ele está em praticamente todos os processos.
Bacana, professor. Agora eu queria que o senhor falasse da importância dessa, antes da gente falar mesmo propriamente do vácuo, falar da importância dessa conexão da academia, do meio acadêmico com a indústria. Porque tudo nasce aqui, né? Ou seja, ele está aqui porque ele veio da academia e hoje ele está na indústria. Então como que o senhor enxerga essa ligação com a indústria?
Bom, isso é de extrema importância. Os países que hoje são desenvolvidos, chamados desenvolvidos economicamente, cientificamente, industrialmente, essa conexão já é clara há mais de 150 anos. Então, o que ocorre? Há uma percepção muito clara desde a época da Revolução Industrial Principalmente no início do século 19, a percepção de que ciência e tecnologia são poder. Com essa percepção, tornou-se claro para esses países, Inglaterra, Alemanha, Itália, França, que deveria haver uma conexão forte entre o meio acadêmico, que gera essencialmente conhecimento, que tem que existir, tem que ter vida própria com a indústria, que é outro tipo de setor, o setor produtivo, porém cada um deles pode conversar entre si sem descaracterizar nenhum de outro. Isso é fundamental. Tem que haver o setor puramente que gera conhecimento, mas parte desse conhecimento pode ir para o setor produtivo, e deve. Então deve haver essa conexão sem descaracterizar nenhum e nem outro. Então isso falta ainda no Brasil numa escala maior. Já existem algumas indústrias que já têm essa percepção há algum tempo. Acredito que principalmente as empresas multinacionais, uma vez que As matrizes já têm essa cultura. Então isso precisa ter no Brasil. É aquela cultura de uma vez estabelecida a produção, tem que melhorar a produção permanentemente. Isso é à custa da pesquisa, que deve haver a metodologia científica. Então na minha opinião, O que eu procuro fazer é que essa conexão exista. Como? Mantendo os estudantes dentro de uma atividade que requeira a metodologia científica. E isso ele vai aplicar na indústria. Tem que ter essa organização, tem que ter o conhecimento, ele tem que saber que em um dado momento ele tem que pesquisar sobre algo que aparece no problema da indústria para poder melhorar o produto. Essa cultura de recorrer sempre ao conhecimento e aplicar o conhecimento à atividade industrial é fundamental. Por exemplo, por que o agronegócio brasileiro é uma verdadeira potência, é considerado o melhor do mundo? Porque existe a Embrapa. Por trás. Pesquisa séria, profunda. Nos últimos 70 anos, a produtividade do solo brasileiro aumentou 7 vezes. 7 vezes, tá? Então hoje, com a produtividade, há uma riqueza muito grande. A gente vê hoje no Centro-Oeste, já aquelas cidades maravilhosas, Parecem cidades de países avançados. Então, a tecnologia tem que estar presente na indústria. E a cultura deve começar logo na escola. Por exemplo, atualmente eu estou orientando 15 estudantes na escola técnica. Garotos e garotas de 15 anos de idade. Os trabalhos que eles fazem são muito bons. Usando a metodologia científica, parte a parte, construído, medindo, interpretando com a teoria, comparando com a teoria.
Professor, quando a gente fala de— me permita mais uma pergunta antes de passar para você, Luiz. Quando a gente fala de cultura, isso em países desenvolvidos é comum de fato acontecer essa união, né, academia e indústria. Por outro lado, quando a gente fala de Brasil, eu visito muito a indústria da construção como um todo, como você falou, o vácuo está em tudo, até me surpreendi hoje depois que conversei com você. Eu, quando eu vou numa fábrica de cimento, por exemplo, ou numa fábrica de vidro, eu percebo que você tem muitos operadores de máquinas que estão utilizando o vácuo, mas muitas vezes sem saber, sem ter a menor noção daquela tecnologia. Já existiu aqui em algum momento visitas de profissionais que operam essas máquinas, que utilizam dessa tecnologia, para entender como funciona essa base?
Então, essa é uma das atividades que mais faço no laboratório. Inclusive, todos os recursos financeiros que eu obtenho, 100% vão para as atividades de pesquisa. 100%. Eu faço até questão, eu poderia até receber uma parte, mas eu prefiro deixar para os estudantes para construir os arranjos experimentais que são caros. O que ocorre é o seguinte: algumas empresas já têm essa percepção, então eu geralmente vou até as empresas e lá eu obedeço o curso, treinamento, e é interessante que nós discutimos o assunto e muitas vezes vem à tona as especificidades deles e aí muitas vezes com uma conversa curta, mas eles entendem o que agora eles estão fazendo, eles podem melhorar. Eu já fiz trabalhos com indústrias que uma simples mudança de abertura e fechamento de válvulas, ele economizou óleo de bomba difusora, que o Luiz pode falar muito bem, inclusive as bombas eram da Edwards, sistema excelente, só que ele estava operando de maneira errada e perdia muito óleo. A partir daí eles não tiveram mais praticamente recusa na produção e economizaram enormemente o óleo. Simplesmente mostrando pra eles a abertura e fechamento como deveria ser. Então quando eles começam a entender, eu fiz o trabalho já várias vezes, 6 ou 7 vezes, pras indústrias nucleares do Brasil, em Resende, onde eles fazem o enriquecimento de urânio. Uma pessoa, depois que eu fiz o trabalho, Fiquei lá durante 3 semanas, no período de férias aqui. E o que aconteceu? Depois das atividades, a pessoa veio conversar comigo, falou: "Professor Tadeu, eu faço isso há 17 anos. Agora eu entendi o que eu faço." Uau! Desse jeito. Isso é realmente um problema sério, porque precisa ter uma escolaridade mínima Para a pessoa entender. E a busca do conhecimento deve estar sempre presente, melhorando a mão de obra. Eu acho que as empresas deveriam ter essa cultura de procurar sempre melhorar a qualidade da mão de obra. Com a Edwards, por exemplo. Com a Edwards eu cheguei a fazer já 3 vezes o trabalho de de curso e treinamento e discussão de problemas.
Fique à vontade para fazer alguma pergunta para o professor, que eu sei que você está com várias aí, mas esse ponto que você trouxe, professor, é muito importante. Se você pegar a própria, o transporte, eu atendi uma empresa que ela é muito forte no país, ela falou que com um simples treinamento para motoristas explicando como funciona essa parte do motor, freio, motor, ela economizou milhões em combustível. Só quando ela pegou alguém que desenvolve ali os motores, os caminhões, para explicar para eles como isso agregou valor. Então eu penso que é muito importante, de repente até a partir de agora, através desse movimento que a gente está fazendo via Hub Construção, a gente começar de repente trazer de fato a indústria Não só aqui para dentro da FATEC, para conversar com o senhor, mas também aproveitar essa parceria com a Atlas Copico para que a gente comece: "Opa, peraí, nunca pensei nisso." E aí a gente de fato começa a trabalhar a cultura do país. Porque quando a gente começa a fazer esse trabalho, a gente acaba atraindo outras pessoas.
Eu vou dar um exemplo próprio que o Luiz acabou de mencionar. Quando ele me falou que trabalha na parte de vendas, quando ele tem o contato com o cliente, o cliente tem que sentir firmeza que aquilo que a empresa, no caso Luiz, que está representando, garanta que aquele produto é adequado. Então, para fazer isso, o vendedor Tem que conhecer muito bem o produto, saber como conectar, por exemplo, a bomba de vácuo à câmara de vácuo. Ele sabe que existe uma tubulação que vão ter válvulas e essa tubulação não pode prejudicar em demasia o transporte de gás. Então tudo isso é teoria que No caso, o vendedor, para vender adequadamente o produto, tem que conhecer a tecnologia e a ciência que estão por trás daquele produto, para a pessoa sentir firmeza, para depois, ao comprar equipamento, que em geral os equipamentos de vácuo são caros, funcionem adequadamente.
Luiz, com você.
Puxando nisso que o professor falou, Ele falou muitas vezes de cultura, né? Você já fez vários trabalhos com Atlas Copico, você sabe o quanto que é forte a questão da cultura da Atlas e muito que a gente fala na cultura da Atlas é de preparação. E do que o professor falou, então trazendo isso da parte da academia, eu reforço, na verdade o nosso desafio do dia a dia lá em vendas é realmente insistir nessa preparação para os vendedores, para o pessoal que está na linha de frente, tá conhecendo mais os produtos, saber do que vai falar, porque puxando um pouquinho, quando você falou, ah, você deu o seu exemplo da indústria de vidro, o operador ele nem sabe o que o vácuo está fazendo ali, às vezes o vácuo está numa linha de utilidade, tem uma tomada de vácuo ali que ele abre uma válvula e faz vácuo. Então, a importância de ter esse intercâmbio entre a FATEC, no caso representado pelo professor, os outros institutos que prestam esse trabalho de treinamento com as indústrias, com as empresas que vendem bombas de vácuo, sistemas de vácuo, e também com os clientes finais que utilizam do vácuo, é muito importante porque, primeiro, que você traz conhecimento para os usuários, eles vão saber utilizar melhor o seu equipamento, então eles vão— vai diminuir, como o professor disse, o índice de quebra de equipamento, o índice de retrabalhos, e vai aumentar a confiabilidade da marca. Então, quanto mais a gente trabalha nisso, tanto com o nosso time e com os nossos clientes, e aí tem diversas formas disso ser trabalhado, tanto utilizando do recurso da academia, ou até mesmo você passando um treinamento como empresa de vácuo para os usuários do seu cliente final, para que ele entenda o que ele está fazendo, para pelo menos ele ter uma noção do que ele está fazendo. Então, a gente vê que isso É uma atividade que vem gerando muitos bons frutos ao longo dos anos. E corroboro com o que o professor Tadeu falou. Muitas das empresas, elas hoje não têm assim, a gente sabe como que o tempo é corrido, você mesmo brincou com a gente, ó, estou tirando vocês da rotina de vocês. Então o nosso cliente também tem uma rotina.
Inclusive a gente tentou agendar já esse episódio 3 vezes.
O cliente, ele tem uma rotina apertada, a gente tem que valorizar o tempo do cliente de estar recebendo a gente. E muitas das vezes essa preparação vai te ajudar nisso. E também muitos dos clientes possuem, às vezes ele não tem um departamento de pesquisa e desenvolvimento. Aonde ele vai buscar desenvolvimento? Com inovação através da academia. Então ele vai nas universidades, a gente vê diversos laboratórios sendo patrocinados por Petrobras, por por Shell, por— vamos falar da indústria civil— por Gerdau, por outras empresas desse porte, que patrocinam as pesquisas, ajudam, né, o professor deve ter alguns exemplos, que é o que eu ia perguntar para ele, que ele pode citar, empresas privadas que ajudam ele a desenvolver pesquisas que vai voltar para a indústria e isso vai gerar novos negócios.
Agora, antes do professor falar, professor, desculpa, a gente está vivendo um desafio que é mão de obra, tá todo mundo falando de mão de obra e eu Na minha concepção, eu entendi que o problema não é mão de obra, e a gente tentar trabalhar essa questão cultural. Você falou agora que esse intercâmbio aí, essa união de indústria e academia gera muitos frutos para aquela indústria ali, no caso, o Atlas Copico, e também para aquela indústria, para aquele cliente de vocês, que ele aprende a utilizar melhor a tecnologia. Agora, qual o benefício para aquele profissional que está operando um equipamento quando ele, essa indústria ou essa empresa pega esse cara e traz ele para aprender, para se desenvolver?
Ele se torna um especialista, né? Ele vai se diferenciar dos demais ali do setor dele, por exemplo, né? Então, quanto mais ele conseguir, vamos pegar um exemplo da sua indústria de vidro que você trouxe. Então, o operador hoje ele só tem uma noção do abrir e fechar de uma válvula. Quando ele entende o porquê que ele está fazendo isso, ele vai deixar de fazer alguma coisa que pode estar errado ou não no processo, vai ganhar alguma coisa com o processo, ele vai poder até levar isso como um projeto de eficiência, ganhar uma promoção, ele crescer na carreira através disso. Então por isso é muito importante também para o usuário estar aberto a aprender, absorver essa cultura.
Professor, com você.
Esse exemplo Essa questão tem um exemplo que ficou bastante marcante. Eu fiz dois trabalhos com a grande empresa Sebrasti, que é de vidros, que tem aqui em Jacareí, do grupo Sangoban. É uma empresa gigantesca e eles têm um sistema de vácuo de 90 metros de comprimento, onde eles trabalham vidros arquitetônicos. Quando os operários entenderam o processo, eles começaram a sugerir mudanças, porque aquilo não era mais uma caixa preta. Eles sabiam como aquilo funcionava. Um deles, inclusive, recebeu como prêmio uma viagem com a esposa para a França.
Nossa, que legal!
Por quê? Porque ele entendeu o processo. Tem muita gente inteligente. Perspicaz, que entendeu o projeto e sugeriu mudanças. E a empresa, uma empresa de cultura e pesquisa, valorizou aquilo. Isso tem que ser observado, tá? Agora, essa questão da mão de obra, isso tá virando um desastre no Brasil, porque muitas pessoas entram em contato comigo das empresas pedindo mão de obra, estudantes. Tem momentos que eu não tenho quem indicar, porque eu procuro indicar estudantes que têm um certo perfil, que eu sei que é adequado àquilo lá. Mas a situação do Brasil, da minha parte, da minha visão da parte de educação, está um desastre.
Mas nesse sentido, o senhor não entende que a gente precisa insistir mais? Porque quando a gente fala de cultura, a gente tem: ah, tudo bem, eu tenho aquele garoto de 18 anos, tem exemplos de pessoas que têm 17, 16 anos, que é um talento, mas só que ela não está inserida num ambiente de casa que o pai incentiva, que a mãe incentiva. Então se a gente começasse de repente fazer esse trabalho a partir de agora com o apoio da Hub dentro das escolas, De repente pegar aquele jovem que está ali, sei lá, do oitavo ano para frente e começar a trazer pequenas pílulas de conhecimento, para aí sim, quem sabe, a gente resolve esse problema. Mas é isso a médio e longo prazo.
Tem um programa de aprendizes que eu acho que são interessantes, mas esse é um aspecto que se esquece na hora de discutir. Os sucessos que eu tive no laboratório, que foram muitos, eu converso muito com os estudantes, eles vêm muito conversar comigo. E o que está por trás de um estudante bom? Família. A família é fundamental. Eu tenho isso como referência própria. O meu pai tinha terceiro ano primário, a minha mãe quarto ano primário. No entanto, valorizavam enormemente o estudo. E eu gostava de estudar. E eu segui com isso. Então, a família é fundamental. Mas eu acho que a escola pode, de certa forma, não digo suprir completamente, mas tem esses programas que já começam a existir de realmente pegar os talentos, as pessoas e levarem para o setor produtivo, para o setor acadêmico, tá? Por exemplo, a gente não tem exemplos aí de cidades do Nordeste com poucos recursos financeiros que estão indo muito bem nas Olimpíadas de Matemática? Isso são exemplos aqui do Brasil. Eu sou uma pessoa otimista, eu acredito, tá?
Eu também.
Então, vamos fazer o nosso trabalho. Eu procuro, tá? Já estou esse ano completa 54 anos que eu trabalho. Adoro trabalhar, adoro ter estudantes do meu lado. Atualmente estou aí com 28, talvez hoje mais um, 29, que eu conversei há pouco. É para isso, é isso que eu gosto de fazer. Pegar o estudante, colocar o problema difícil para ele e trabalhar esse estudante. E conexão com a indústria. Eu atualmente tenho algumas indústrias que têm financiado o laboratório para eu fazer certos trabalhos que irão até eles posteriormente. E tudo isso feito através, né, por meio, melhor dizendo, da Fundação de Apoio à Tecnologia, FAT. Tudo é feito legalmente. O dinheiro, o recurso financeiro chega até a fundação, parte vai para a coordenadoria do Belcurso, parte fica na fundação e a maior parte vai para o laboratório para poder comprar, suprir o laboratório, que custa caro.
Se prepare que hoje a gente tem plateia, fiquem preparadas aí mulheres. Você é engenheira? Engenheira? Então hoje você que está acompanhando vai ter uma surpresa diferente durante esse episódio. Antes de eu anunciar o que é a surpresa, eu queria que o senhor falasse onde o vácuo é aplicado e traga aí exemplos, principalmente da indústria da construção. Eu sei que o vácuo está em tudo, tá? Mas gostaria muito, como a gente tem uma audiência muito grande de diretores aí de grandes empresas e indústrias como Gerdau, Votorantim, Sebrasti, papel e celulose, porque a gente fala do cimento, mas para esse cimento muitas vezes, quando ele não é industrializado, chega na obra, ele chega ensacado, né? Então o vácuo está lá na indústria do papel. O senhor pode trazer aí alguns exemplos de forma resumida onde o vácuo é aplicado?
A quantidade de aplicações de vácuo tem cada vez aumentado mais, ano a ano, tá? Eu até gosto muito do catálogo da Edwards de 2017, que foi o Luiz que me deu. Tá guardado às sete chaves. Tirei até uma cópia para deixar no laboratório. E as primeiras, basicamente 50 páginas, trazem lá muitas aplicações. Apesar que eu tenho eletrônico também.
Você consegue disponibilizar esse catálogo para nossa audiência? Então, você que está curioso, coloca nos comentários, a gente manda para vocês.
O que as empresas de equipamentos de vácuo querem fazer? Vender equipamentos, né? E para isso há uma prospecção cada vez maior de aplicações. Existem duas situações basicamente com as aplicações de vácuo. Tem o tipo de aplicação que o vácuo é necessário. Sem o vácuo não funciona. Por exemplo, uma lâmpada incandescente, ou, que agora é até proibido, as lâmpadas fluorescentes. Elas funcionam basicamente numa pressão de 1 10��¹ milibar, ou seja, uma pressão 10.000 vezes menor que a pressão atmosférica que nos rodeia. Ela não vai funcionar se a pressão for ou maior ou menor, tem que ser aquele intervalo. Ela tem que obedecer o que se chama a curva de Paschen, tá? Então aí o vácuo é absolutamente necessário. Para fazer o antirreflexo da lente de óculos precisa de vácuo. É necessário fazer em baixa pressão, baixa densidade, para que o material atinja a superfície. Tem outro tipo de, outros tipos de aplicação onde pode ser feito sem o vácuo, mas fica melhor fazer com o vácuo. Por exemplo, o processo de secagem. Então, a quantidade de aplicações é enorme: indústria alimentícia, indústria de remédios, siderurgia a vácuo, indústria aeroespacial, que hoje, veja, a indústria aeroespacial, ela não está só dentro do contexto acadêmico, ela virou De fato, uma indústria. Hoje as viagens com foguetes vão começar a ficar cada vez mais intensas, tá? E tem problema.
E mais baratas também.
Baratas e em torno disso. Já é um negócio. Então a quantidade de aplicação é enorme. Por que fazer em vácuo? Quando você reduz a pressão e muitas vezes tem que injetar o gás para poder fazer o processo, você tem controle sobre o gás que estava dentro. Aqui tem dia que a poluição está maior, tem dia que a quantidade de água da atmosfera, o ar está mais úmido. Tem uma série de fatores que mudam de dia para dia e isso afeta o produto. Você não tem controle. Sobre isso. Então, fazendo o vácuo, você tem o controle. Então, basicamente, tem as atividades que exigem necessariamente o vácuo e tem aquelas, digamos, aplicações que com vácuo fica melhor, fica sob controle.
Interessante, que aula, hein?
Tá bem?
Que aula, professor!
A gente percebe hoje o vácuo na prateleira de um supermercado. São as embalagens a vácuo. A gente sabe que aquele produto pode durar muito mais tempo, que não precisa ser congelado, pode ser mantido a 4 graus Celsius durante vários dias. Por quê? Porque a embalagem que foi feita a vácuo, além de você reduzir a quantidade de oxigênio e não oxidar os alimentos, você Tira o quê também? As bactérias, fungos e vírus que tem no ar.
Nossa, que legal!
E aí você preserva a qualidade daquele produto.
Luiz, e como que o vácuo é utilizado? Até fiquei curioso agora, na indústria do aço. E também eu queria que você falasse, eu sei que são vários setores ali na construção, mas aço e principalmente quando a gente fala de construção industrializada, do concreto pré-fabricado?
Na parte de concreto, a gente já viu algumas aplicações que o pessoal usa na hora de formar os blocos mesmo, né? Então, quando você faz vácuo, você tira os gases ali, porque a massa está quente, né? Então está degasando, né, que a gente chama. Então você faz vácuo, você acaba tirando esses gases, né? Você transporta esses gases para a exaustão da bomba de vácuo. Isso ajuda você ter blocos mais robustos. Na indústria do aço, normalmente as aciarias, eles têm umas panelas gigantescas que o aço está trabalhando em temperaturas elevadíssimas. Isso também gera muitos gases. Então você faz o vácuo em velocidades altíssimas. Então são sistemas de vácuo que cabem assim, são maiores do que essa sala aqui, os sistemas de vácuo que são utilizados na siderurgia. Então você faz um nível de vácuo muito rápido, baixo e muito rápido, para que você consiga eliminar esses gases e o aço adquira propriedades mais robustas. Então você não vai gerar bolhas dentro do aço, que aí você, quem estudou a parte de metalografia, essas disciplinas de fabricação de aço, você não vai evitar trincas. Então o aço, por exemplo, você pensar num vergalhão, ele, imagina um vergalhão na hora da construção ele trincar, gera um problema muito grande. Então você aumenta, o principal motivo, você aumenta a robustez, você aumenta a segurança desse processo. Então puxando um pouquinho do que o professor falou, do exemplo da Sebrasti, outros fabricantes de vidros arquitetônicos, você faz vácuo além de tirar bolha também do vidro, também você tem processos que são processos cada vez mais específicos, como por exemplo sputtering, que dependendo da mistura gasosa que você usa, muda a cor do vidro.
Nossa, que legal!
E você consegue fazer o vidro espelhado, então você tem diversas aplicações.
Então, primeiro, complementando a parte da indústria de aços, nós temos aqui na cidade de Sumaré, do lado de Campinas, uma empresa, a Vivares Metals, que fabrica aços especiais. Então eles têm enormes sistemas de vácuo para remoção de hidrogênio que aparece na liga antes de ter sido feito o vácuo. Isso melhora enormemente a qualidade do aço. Tem determinadas indústrias, espacial, aeronáutica, nuclear, que exigem esses aços especiais. Então o vácuo aí é fundamental. Eu cheguei já a fazer 3 trabalhos com a Vilares Betons, empresa excelente. As pessoas estudam o vácuo. Eu até sugeri a construção de alguns equipamentos que eles realizaram. Também para a Sebrasti, são vidros arquitetônicos que têm 8 metros por 7 metros. Então veja, eles fazem camadas usando o processo Sputtering e acontece algo bem interessante. A radiação solar tem a parte do infravermelho que esquenta o ambiente e tem a parte do ultravioleta que é prejudicial aos nossos olhos, pele. Então, com esse sanduíche de filmes finos que são feitos por processos de sputtering, espirramento em português, eles criam uma camada que só passa a luz visível. Com a instalação desses vidros, que é cara, eles diminuem o ano em que economizam luz e energia elétrica por causa da diminuição do ar condicionado, porque não esquenta tanto. E o ano eles pagam o vidro.
Nossa, que interessante! Quando a gente fala de SG, então imagina, então aqueles— agora eu entendi o porquê que aqueles vidros que a gente chama de vidros de alto desempenho na construção, o senhor deu um exemplo aí de vidro Jumbo, mas como eu vivo muito na construção, agora eu entendi como funciona o processo. Ah, por que que esse vidro aqui ele é mais caro, mas ele gera economia de ar-condicionado em função desse desenvolvimento que impede a entrada de luz. Agora, antes da gente continuar, quem vai continuar esse assunto com o senhor agora e com o Luiz? Luiz, qual o nome das engenheiras que a gente tem ali na plateia hoje?
A Vitória e a Ana.
Ana, você vem aqui, ó, você tem a função de ficar aqui aproximadamente 10 minutos conversando com eles e encerrar o episódio. A indústria não é feita só por homens, e por essa razão eu faço questão de trazer aqui para que a nossa audiência conheça a potência que são as mulheres.
Olá pessoal, tudo bem? Primeiramente vou me apresentar para vocês, eu sou Ana Costa, hoje em dia eu trabalho na parte de vácuo do grupo Atlas Copico. Eu vou seguir essa conversa com as nossas grandes referências, né? Então hoje nós temos Luiza aqui representando a indústria e o professor Tadeu, que acho que para todos nós do vácuo É muito difícil ninguém ter escutado falar do professor, ele hoje é uma grande referência que nós temos. E eu acho que um ponto muito importante que a gente precisa sempre reforçar é exatamente a questão da qualificação das pessoas que nós temos no vácuo. Porque como a gente já trouxe aqui para vocês, hoje o mercado de vácuo ele tem essa deficiência de pessoas qualificadas e que entendam desses mercados. Nós temos diversas aplicações, o vácuo está em todos os lugares. A gente tem desde um hospital até a parte de fabricação de caixões, então a gente fala que ali é da vida até a morte, nós temos o vácuo. Então eu gostaria de saber um pouco mais com vocês, como a gente pode trazer mais as pessoas para o nosso mercado do vácuo, como a gente pode incentivar a curiosidade deles sobre as aplicações que nós temos hoje, né, para abrir o o olho dessas pessoas de quão importante é o vácuo, por mais que não tenha tanta visibilidade?
Bom, eu acho que eu tenho alguma coisa para dizer, porque ao longo de todo esse tempo que eu trabalho com tecnologia do vácuo, que o ano que vem completará 50 anos, quando eu entrei no Instituto de Física para estudar, do ano eu comecei a trabalhar também e fui inserido no vácuo, porque o laboratório tinha bombas de vácuo e eu fui exposto a essa nova tecnologia. Foi amor à primeira vista e até hoje eu gosto dessa tecnologia. Não sei por que as pessoas se afastam do conhecimento da ciência e tecnologia do vácuo. Primeiro, o problema central do transporte de gás é complicadíssimo em baixas pressões. É um problema realmente complicado. Eu gosto de problemas complicados pela minha própria formação. Mas dá para fazer trabalhos bons Cometer poucos erros ou quase nenhum, tendo o mínimo de teoria, o mínimo. Não cometer erros crassos aí que muitas vezes são cometidos, que não deveriam acontecer, com o mínimo de teoria. Então, essa parte referente à formação das pessoas Por exemplo, tem bancadas que eu cheguei a construir, inclusive, com uma pessoa que trabalhou na Edwards, a Vanessa de Paula. Ela foi a minha orientada quando ela fez o curso da FATEC, atualmente ela trabalha na Edwards em Portugal.
Distribuidora da Edwards em Portugal.
E a Vanessa, eu propus para ela construir uma bancada didática de vácuo. Ela fez a bomba de vácuo com tubos de PVC e funcionou. E ela apresentou em muitos eventos com jovens. Foi um sucesso. Experiências. Sabe o que acontece? Eu muitas vezes converso com pessoas sobre vácuo e eles pensam que é algo místico. Não é. É o problema de fenômeno de transporte, transporte de gases em baixas pressões, que é um fenômeno complicado. Mas dá para atuar tendo o mínimo de conhecimento, para, como eu disse, não cometer erros grandes. Então, isso faz parte, concordo, de expor dentro desses museus de ciência, Dessas atividades, como por exemplo o catavento aqui em São Paulo. Infelizmente foi fechado a Estação Ciência da USP, que era magnífica, e foi colocado lá o material que nós desenvolvemos. Então, para ter uma ideia, a grande cientista polonesa e depois francesa, Maria Curie, tá, que recebeu dois prêmios Nobel, um em física e um em química, ela dava aula para as crianças e tem um livro dela com experiências sobre vácuo, experiências bonitas que eu faço com os meus estudantes aqui quando eles estão tendo aula, que eu dou as aulas do próprio laboratório para poder enriquecer mais o conhecimento deles. Então eu concordo totalmente com você, tá? Então veja, tem a parte da curiosidade e tem a parte do conhecimento mais duro. E os dois podem, devem muito bem andar um do lado do outro, porque aí a pessoa pode ligar ou assunto ao outro, é aí que surgem ideias. Concordo.
Aí puxando isso, Luiz, até para complementar para o Luiz conseguir seguir, eu acho que um ponto importante que a gente pode trazer também é a questão dos cuidados que a gente tem que ter no vácuo, porque tem o vácuo, diferente de algumas outras aplicações e mercados que nós temos, as pessoas precisam de uma base para conseguir seguir, afinal tudo que está no processo do cliente a gente vai ter ali na nossa bomba, né? Então como é isso no dia a dia?
Puxando o que o professor falou, acho que ele disse a palavra mágica que está na coisa, que é curiosidade. Então assim, do nosso lado, que é quem está na indústria, então a gente vai contratar às vezes um profissional que já está formado e nem sempre ele teve, por mais que a Atlas, você mesma já participou dessas atividades de ir nas feiras de estudantes, mostrar bomba de vácuo, mostrar as experiências com marshmallow, por exemplo, de expansão, né, quando você faz vácuo. Mas muitos dos profissionais, eles não vêm com essa bagagem. Hoje em dia você não tem, não é uma disciplina, né professor, que está presente nos cursos básicos de física e química, nem da universidade. Você tem fenômeno de transporte, mas você não tem a matéria tecnologia do vácuo em todas as universidades. Aqui na FATEC tem. Então a gente preza, o profissional que vem trabalhar com a gente, ele tem que ter essa curiosidade, ele tem que ter essa atitude de querer conhecer mais. Então ele tendo isso, porque conhecimento é o que ele já traz, habilidade a gente vai treinar, mas atitude é inerente da pessoa. Então ele tem que ter essa curiosidade. O recado é que tenha curiosidade, que queira aprender. E aí querendo isso é uma escalada. Então o que você citou muito bem é: ele vai ter curiosidade, ele vai querer conhecer um pouquinho mais o produto, ele vai visitar o cliente dele, ele vai entender como que funciona a aplicação do cliente, Vai estudar depois e vai entender o que aquela aplicação pode gerar no equipamento dele, para que ele consiga reforçar a qualidade da marca, reforçar que o processo é robusto, que o equipamento vai funcionar. Então, a palavra mágica que eu puxei aqui do que o professor falou é curiosidade. O profissional que vem trabalhar com vácuo, porque não é uma matéria assim que está em todas as disciplinas, não está no dia a dia ali, principalmente na base acadêmica, na construção do estudante, não tem isso. Então ele tem que ter curiosidade de aprender algo novo. Então se ele vier com a mente fechada para aprender o novo, ele vai ter muita dificuldade de trabalhar com vácuo.
Maravilha. Eu acho que hoje em dia, pegando essa questão das experiências que o professor comentou e o Luiz também mencionou, a gente sempre tenta mostrar muito para os estudantes o que é o vácuo. Então levar uma experiência para fazer nas feiras estudantis, nas feiras de profissões, para a gente realmente conseguir mostrar para ele o que é isso, porque a gente sente essa falta da curiosidade de muitas pessoas. Então nós precisamos cada vez mais destacar o que é o vácuo, mostrar o visual, porque muita gente é pelo visual. Então quando você coloca uma câmara de vácuo com alguma matéria ali dentro, faz o vácuo naquela câmara, gera curiosidade das pessoas e elas vão atrás para aprender um pouco mais. E eu vejo que hoje a gente realmente tem essa falta mesmo, né, até das instituições. Hoje a gente tem a FATEC como uma das referências, então a gente não tem tanto posicionamento de outras instituições com o VAC. Então a gente precisa cada vez mais incentivar essas empresas.
É um trabalho mundial, né? Então se você for ver no site da Edwards, das outras empresas do grupo Atlas, Você tem diversas atividades que eles mostram fazendo com crianças, até, professor, o Paulo comentou oitavo ano, às vezes são crianças de 7 anos de idade, são crianças do primário, vendo experiências simples como vácuo com uma vela, né, coloca uma vela ali com líquido, então tem diversos tipos de experiências que são atrativas, você começa a introduzir a tecnologia do vácuo na criança ali na base, para que ela já entenda que aquilo existe. Então isso hoje no Brasil é algo que a gente realmente tem empresas que fazem, né, modéstia à parte, a Atlas faz isso muito bem, mas a gente tem poucas universidades que recebem isso e puxam essa demanda também junto com a gente, né.
Sim, sim. E hoje o vácuo nós temos a presença desde a indústria de base, então que vai fazer ali a matéria-prima, vai desenvolver um material de maior resistência, de melhor qualidade, até as indústrias finais, a parte de centralização, utilização e movimentação que a gente tem nas indústrias e embalagem. Então eu acho que um ponto importante que seria destacar aqui para aguçar a curiosidade do pessoal seria trazer de vocês qual foi a aplicação de vácuo mais diferente que vocês tiveram contato, que é alguma aplicação que viraria a chave dessas pessoas de: nossa, ali tem vácuo e ele não não teria essa visão.
Bom, eu cheguei a fazer o trabalho que o animal, né, o bovino era morto e imediatamente era colocado no bairro, onde era feito o vácuo e selado. Bom, é algo assim bastante estranho pra gente, né? Mas essa é uma das aplicações. Ou, por exemplo, a liofilização. É você pegar uma bandeja que acabou de ser feito o estrogonofe, tá? Todo cremoso. E aí você coloca e congela Coloca numa câmara de vácuo e durante 12 horas faz o bombeamento. A água é removida e aquele cremoso e suculento estrogodofe vira pura palha, parece palha, tá? E aí fala: "Ué, o que aconteceu com aquele estrogodofe maravilhoso?" que virou serragem, né? Aí ele coloca no bairro Balagem, do Orbau. E um ano depois, ele compra, quando ele faz lá o acampamento dele, ele compra aquele pacote feito no interior de São Paulo. Aí ele coloca a água a 80 graus, aquela palha aquela serragem, volta a ser aquele suculento estrogonofe. E quando se experimenta, não sente a diferença de um feito na hora. É a liofilização, que cada vez mais tem aplicação aqui no Brasil.
Sim, e a importância da liofilização é porque ela vai tirar aquela umidade que tá ali, mas ele vai conservar os princípios do alimento.
Então parece feito na hora. Tanto as propriedades nutricionais como organolépticas, que é uma das grandes aplicações do vácuo. A biofilização. E é usado também em medicamentos, uma série de outras aplicações. Essa é interessante. Você vê aquele suculento estogonofe entrando na câmara de vácuo e sai serragem, sei lá o que dizer, e depois adicionando o ano depois, água quente, volta a ser aquele suculento Stroganoff.
Exatamente.
Isso é bem interessante.
Essa aplicação é realmente incrível.
E dá creditável, né? Exatamente.
E a gente tem desde alimento quanto a medicamento, então é aquilo, o vácuo tá em tudo.
Bom, só para finalizar, além das da indústria civil, da construção civil, que a gente trouxe, que eu acho esse processo do aço fantástico, pela quantidade de aço que está sendo trabalhada, temperaturas elevadíssimas e a velocidade que as bombas têm que trabalhar, é realmente muito impactante quando você vê um sistema trabalhando. Mas trazendo um pouquinho mais para o nosso dia a dia, Eu gosto de pensar, por exemplo, quando a gente pensa, sei lá, todo mundo aqui já passou ou conhece alguém que passou por uma cirurgia, e quando você pensa ali nos pontos cirúrgicos, a gente tem empresas aí no Brasil que fabricam as suturas, que eles chamam, e eles fazem um processo de secagem tão fino, com níveis de vácuo tão altos, alto vácuo, porém baixa pressão, que a linha é absorvida pelo seu próprio organismo. Então, para aqueles pontos internos, quando necessário. Então eles fazem processos de vácuo em 10��³, por exemplo, para que tenha uma secagem extremamente agressiva no fio e consiga ser absorvido pelo seu próprio corpo. Então é uma tecnologia ali muito forte que está utilizada aí no dia a dia.
Maravilha. Muito obrigada, pessoal. Obrigada por todo o conhecimento passado hoje. A gente espera que com isso a gente consiga trazer cada vez mais pessoas interessadas no vácuo, afinal é um mercado que está cada vez mais em expansão. A gente sabe que tanto nacional quanto fora é um mercado muito forte, então a gente queria agradecer a participação de vocês hoje.
Obrigado, gente, agradeço.
E esse foi mais um episódio do ConstruiCast nesse cenário especial da FATEC São Paulo. Afinal, conhecimento se constrói. Obrigada!
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