Entre obras e rodovias: Jornada de uma caminhoneira - Maternidade e Quebra de Preconceitos | #102

Nina Santos, a truck driver from Bahia, talks about dreaming of driving since age eight and breaking into a male-dominated industry. She worked seven years at her first job, moved through Salvador and Rio before landing in São Paulo six months ago, and now wakes at 4:50 am for daily 360-degree vehicle checks. Her daughter Yasmin wants to be a truck driver or doctor.
Questions this video answers
Presidente Tancredo Neves, Bahia (near Valença/Feira de Santana).
Eight years old.
Moved at age 15 (first to Salvador, later to Rio de Janeiro).
First obtained category B; later obtained category D.
Seven years.
Chapters
A convidada de hoje é carreteira e vive a maior parte do tempo em obras. Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Neste episódio, você vai aprender comportamento, você vai aprender se motivar a acordar cedo e ir trabalhar com alegria. Você vai aprender sobre a vida e eu tenho certeza que a história da convidada de hoje... Ó, tô começando arrepiado. Nina Santos, seja bem-vinda a este episódio que, enfim, não tem nem o que falar deste episódio. A forma como a gente se conheceu e eu falo com muita propriedade. O episódio de hoje promete. Fiquem até o final e vamos conhecer a história dessa mulher incrível. Nina, seja bem-vinda.
Obrigada, é um prazer estar aqui. A gente conheceu, né, de uma forma...
Inusitada, né?
É, verdade. Você me convidou, eu gostei. Adorei o convite. Contar um pouco da história, né? De como começou. Eu gosto, é bom que a gente incentiva outras pessoas. Porque nem todo mundo tem o apoio, né? Então, muita gente desiste. Começa chegando no caminho daquela...
Eu vou começar... Esse episódio, a Nina é uma motorista de carreta, mas ela tem uma história por trás. Então, Nina, eu vou iniciar o bate-papo de hoje com você te perguntando como que você entra nessa profissão. Eu queria que você falasse um pouquinho desde a sua infância, onde você nasceu, depois o estado que você mudou e agora o estado que você tá trabalhando em grandes obras, né? Então, como que foi um pouquinho da sua história? Por que Carreta?
Meu sonho começou quando eu tinha oito anos de idade. Morava no interiorzinho.
De onde?
Presidente Troquedo Neves, na Bahia, próximo de Valença, feira de Santana. Então, era difícil, a gente não tinha TV, a gente tinha que andar pra poder reunir todo mundo daquela comunidade pra assistir. Só tinha uma televisão, a pessoa botava assim na frente da casa e a gente ia assistir. Então eu vi a Sula Miranda cantando aquelas músicas de caminhoneiro, né?
Ele sai logo de madrugada e vai.
Pegando a estrada com seu caminhão E eu via homens, ela cantando, aí passava foto de homens, vídeo, dirigindo um caminhão, carreta. Aí eu falei, eu vou dirigir aquilo. E ninguém acreditou, ninguém levou fé. Eu botei aquilo no coração. E foi difícil, levou muito tempo pra eu conseguir chegar onde eu cheguei. Mas quando a gente coloca aqui e a gente corre atrás, a gente consegue.
Nina, agora me chama a atenção, a sua história começa com o incentivo da Sula Miranda.
É, que eu vi ela cantava música de... eu não lembro o nome da música.
Mas você lembra de alguma palinha assim dela?
Não, tem muito tempo. Porque aquilo, eu lembro dela, do nome dela. Eu lembro dela fazendo um programa, cantando uma música de caminhoneiro. E logo depois, eu vi ela também comentando de uma corrida, tipo Fórmula Truck.
Existia essa coisa do A Rainha. E era muito legal o carinho deles comigo. Porque todo mundo imagina, assim, um público mais rude, mais… Pelo contrário, aonde eu chegava eu não tinha medo de nada, porque eu sabia que eu estava bem guardada. Quantas vezes fiz shows em postos de gasolina, em apresentações, e quem fazia segurança pra ninguém encostar em mim eram os próprios caminhoneiros. Eles faziam um corredor pra eu passar e ninguém encostava em mim.
E de lá pra cá ela fez participações, né, falando de caminhão. Então aquilo me incentivou, mas não por ela ser caminhoneira.
Mas os clipes dela eram muito baseados em caminhoneiros, assim, era muita coisa na estrada.
E eu amei aquilo, ela falar dos caminhoneiros. Só que praticamente, eu não via mulher naquele meio. Então, aquilo ali, eu falei assim, ah, eu vou dirigir um negócio daquele lá. E corri atrás, mas ninguém acreditou. Ninguém falou assim, ah, eu vou te apoiar. Não.
Não, é muito legal. A sua história, ela começa, então, você com oito anos, pô, já sei o que eu quero ser. Agora, o que me espanta é você...
Porque com oito anos... Com oito anos ter essa... Oito anos, minha mãe me ensinou a correr atrás do que a gente quer. Eu, com oito anos, eu tive que... Ah, eu quero uma roupa, eu tinha que trabalhar pra poder comprar. A partir dos oito anos de idade, eu tive que me aprender a me virar. Minha mãe me ensinou isso. Que mulher não tem que depender do homem. O homem tem que complementar a mulher e a mulher complementar o homem. Então a mulher não tem que viver nas costas do homem. Porque a mulher é empoderada. A gente tem condições, a gente toma conta de filhos, casa. Por que não fazer o que a gente quer fora da nossa casa? Então... A gente pode.
Mas eu tô adorando. Ó, você que tá chegando agora aqui, queria te perguntar, você conhece alguém, alguma mulher, que atua no canteiro de obra como motorista, como... Tem muitas mulheres também que eu já conheço que atuam como maquinista, né, que trabalham com retroescavadeiras, então, se você conhece alguma mulher, coloca o nome aqui, quem sabe ela passa por aqui e se identifica. Agora, com quantos anos você muda da Bahia. Qual que é o próximo estado que você vai?
Com 15 anos eu mudei. Primeiro eu saí do interior, fui pra Salvador.
Ah, que legal. Sai do sertão ali da roça, né? E vai pra cidade.
Aí fui pra cidade. Aí lá meu pai começou a trabalhar, só que a gente não foi muito além. Aí decidimos. Minha tia morava no Rio de Janeiro. Aí o nosso próximo destino foi pro Rio. Então, lá que eu consegui tirar minha primeira habilitação, Foi a B, depois eu batalhei e lá foi onde eu consegui realizar o meu sonho. Foi chegando no Rio de Janeiro. Eu tinha 15 anos.
Você chegou no Rio com 15 anos?
15 anos.
Então, a sua passagem pro Salvador foi muito rápida?
Foi. Salvador eu morei mais ou menos acho que uns... Uns 8 anos. Do interior, a gente foi pra Salvador, lá a gente ficamos... Porque ficava no interior do Salvador, aquele pedacinho ali?
E depois quem... Eu vou, no final deste episódio, eu vou falar uma coisa do povo do Nordeste. O que que eles fazem com a construção civil? Tá? E aí você chega no Rio de Janeiro. Eu queria que você me contasse um pouco mais pra, enfim, pra nossa audiência entender o seu... Um pouco do seu dia a dia, da sua chegada aí como motorista de caminhão, de carreta.
Então, eu cheguei... Eu fui pro Rio de Janeiro. Na Bahia, eu tinha tios que... Eu tenho, né? Tio que é caçambeiro. Trabalha... Um caminhão. Então me incentivou mais.
Mas caçambeiro é aqueles basculhantes?
É.
Não é aquele que tem aqui em São Paulo, né? Que você vai pegar em Túlio, na... Nas obras.
Não, é... Você pega o material aqui e joga igual eu estou hoje. Então, aí eu tenho acho que uns dois tios que já estavam na profissão.
Na época lá?
Em Salvador.
Em Salvador.
É. Então, aquilo também me incentivou. Eu falei, por que eu também não posso?
Mas você chegou a pedir pra eles?
Não.
Não.
Porque eu era nova. Tinha 14, 15 anos, então... Não cheguei a pedir.
Só aquele desejo mesmo.
A vontade, o olho brilhava. Aí eu falei, ah, eu vou trabalhar pra poder tirar minha habilitação. Eu lembro que eu pedi meu pai pra ele emendar, pagar a primeira habilitação pra mim. Ele olhou pra minha cara e falou assim, mulher foi feita pra pilotar fogão.
Meu Deus!
Eu nunca esqueço. Mas ele falou assim, porque antigamente as mulheres era pra ser dona de casa, entendeu? Então, a mulherada depois que foi, né, fazer as coisas pra fora. Então, mas aquilo não me desanimou.
É, porque foi uma fala infeliz, na verdade. Ele foi até inocente nessa fala dele, eu acredito.
Hoje, eu sou dona de casa e sou carreteira, caminhoneira. Então, ele não tá mais no meio da gente, ele faleceu.
Mas ele chegou a ver você... E.
Ele falou pra mim que teve orgulho de eu ter chegado onde eu quis chegar. Então, pra mim, foi... Foi maravilhoso, que antes dele partir, ele teve orgulho da filha dele. A filha dele não desistiu. Então, eu tenho... Ele me incentivou na realidade.
E o legal é que a sua história agora tá registrada. A gente vai deixar ela registrada aqui pra outras gerações, né? Não só pra outras gerações, mas também... Enfim, eu não vou citar agora suas filhas ainda, mas é muito legal. E aí eu queria que você falasse um pouquinho mais como que... Beleza, você tirou a habilitação B e aí como que foram essas outras etapas? Porque eu, até hoje, eu ainda nunca consegui tirar nem a D. Mas eu tenho muita vontade de dirigir carreta, dirigir caminhão, aquilo mexe comigo, não sei porque.
Eu tenho certeza que na hora que você entrar dentro de um caminhão, você não vai pensar duas vezes. Eu já era amor antes de entrar. Quando eu entrei, casei e pronto. Foi paixão que... só em ver. Depois que eu entrei dentro do caminhão, falei, é isso que eu quero pra minha vida. Só que eu passei por outras... Tipo assim, não vou falar assim, ah, eu não tentei outras profissões, eu tentei. Só que o coração falava mais alto, não, Nina, você tem que ser caminhoneira, carreteira, é isso que você quer.
Mas é legal, tem profissão que você tem vocação. Quando o jogador tem vocação pra ser jogador, ele é bom.
Verdade.
Entende? É notório que você tem vocação pra estar nessa profissão que você tá hoje.
Eu tenho uma padaria. Eu trabalhei na minha padaria durante cinco anos. Gostava muito, mas não era... o amor que eu tenho por dirigir caminhão. Então, eu falo pra você, às vezes a gente passa por algumas provações, né, pra ver realmente o que a gente quer. Então, eu trabalhei de babá, auxiliar de serviços gerais, doméstica, pra chegar, pra realmente chegar no meu sonho, porque essas, por onde eu passei, me ajudou a juntar um pouco de dinheiro, porque tirar habilitação não é mil reais. Dependendo da cidade, é três, quatro mil reais. Então, pra você que ganha um salário mínimo e tem as contas, fica meio complicado. Então, foi juntando um pouquinho pra chegar onde eu cheguei. Então, a caminhada foi grande.
Você se esforçou, né? Você foi somando ali de um lado, somando do outro. Faz um piquinho aqui, faz um piquinho ali pra economizar.
Desse jeito.
E aí, como que foi o seu primeiro trabalho como... Já foi direto trabalhar como caminhoneira? Ou você teve alguma outra profissão? Assim, eu sei... Tudo bem que você fez várias outras coisas, trabalhar de babá, de doméstica e etc. Pra ter... Ou seja, como que foi o seu primeiro emprego como motorista? Qual foi o primeiro carro que você... Eu estou como profissional, eu estou ganhando pra dirigir.
Então... Meu pai comprou um caminhão pro meu irmão. Comprou assim, ele foi lá, deu uma entrada pro meu irmão pagar o restante. Aí com aquilo meu irmão comprou outro caminhão. Aí precisava de um motorista. Aí eu tinha acabado de tirar minha habilitação D. Aí eu falei assim, agora eu vou procurar trabalhar com caminhão. Aí conversei com ele e falei, meu irmão, dá oportunidade pra tua irmã ir. Eu fui pedir, né? Aí ele, tu tem certeza, Nina, que você dá conta? Eu falei, ah, eu tenho. É isso que eu quero, eu amo dirigir, eu quero. Aí ele, então vou falar lá na empresa. Lá nós também não tinha motorista mulher, só homens. Aí, que ele tinha um caminhão agregado. Aí ele chegou na empresa, que eu amo aquele pessoal da empresa até hoje. Então, ele chegou lá, falou para o encarregado, ele falou, tem certeza? Você quer trazer sua irmã? Aí, ele tem, ela tem capacidade. Eu cheguei lá, todo mundo desse tamanhozinho, né? Um metro e cinquenta e três de altura. que falou assim, vou dar oportunidade pra ela. Eu sei que fizeram aposta, que eu não ia passar de um mês, e fiquei sete anos.
Sete anos, meu Deus.
Sete anos. E eu mostrei que eu era capaz. Então, eu passei por umas aprovações que Rio de Janeiro...
É, o Rio de Janeiro não é pra amador. Não é. Ô Nina, e nesse processo ali que você tá... muitas vezes precisando provar, né, que você é igual aos outros, sei lá, igual aos homens, que você pode atuar da mesma forma. Qual que era o sentimento, assim, o seu sentimento, você com você mesmo, sabe? Aquele tipo de... você precisava se motivar para seguir em frente ali.
O que me incentivava mais era eu ter o prazer de mostrar que eu era capaz. As pessoas falavam, você não consegue, e eu mostrava que eu conseguia. Teve uma situação no Rio de Janeiro, tinha que entrar numa rua de ré, era em pleno sábado, a tarde, tava tendo churrasco, muita gente, muito homem. Então eu parei, olhei, tinha carro de um lado, carro de outro, falei assim, dá pra passar. Tinha um caminhão meio inclinado, metade na calçada, metade embaixo. Fala pra você, 90% das pessoas que estavam no bar parou e falou, teve umas pessoas que falaram pra mim, você não vai conseguir. Outras pessoas tentaram, não conseguiu, porque você vai conseguir. E eu entrei dentro do caminhão, fechei o meu retrovisor, deixei o outro aberto pra mim poder visualizar, porque o meu dá pra me botar o rosto do lado de fora e olhar. E eu entrei de ré.
Meu Deus.
O que pessoas de frente não conseguiu. Então, aquilo ali pra mim foi uma sensação que eu não sei te explicar. Eu falei assim, é, é isso que eu quero pra minha vida. E fiquei, mostrei, porque eu falo pra você, Rio de Janeiro, as situações que acontecem é complicada lá, então você tem que ter força de vontade, batalhar e conseguir, porque lá trabalhar com entrega é mais complicado.
Gente, eu confesso que eu tô impressionado com o que eu tô ouvindo de você. E essa cena que você falou agora, que você entrou de ré com o caminhão, fechando seu retrovisor, fechando ali. Eu imagino o espaço que você entrou de ré e eu imagino como aquilo foi libertador pra você seguir em frente a partir daquele momento, ou seja, se eu conseguir fazer isso, a partir de agora eu consigo qualquer coisa?
Consigo. Eu botei isso no meu coração e tive ajudas de pessoas no começo, de uma pessoa lá na empresa também que falou, não, Nina, você vai conseguir. A gente é muito amigo hoje, meus ex-ajudantes, que trabalhava com ajudantes lá no Rio de Janeiro pra fazer as entregas, Então, no caminhar, a gente faz muitas amizades. Eu acho que o mais interessante é as pessoas que a gente conquista, que a gente faz amizade, que a gente conversa, né? E a gente leva pra vida. Então, teve pessoas que me incentivaram com palavras. Às vezes acontece uma coisa ou outra, aí eu digo, não, Nina, vai lá que você consegue, você é capaz. Então, a gente precisa de mais pessoas nos apoiando, porque... Nessa parte é meio complicado.
Ó, acabaram de soprar aqui no meu ouvido, tá vendo que tem um ponto aqui? Estão perguntando quem são essas pessoas.
É o Wellington, trabalhou comigo muito tempo e o José também é ajudante. Tem o Alex também que é um fechamento também lá. Então, e através dessa empresa lá no Rio de Janeiro é o um coroa, gente boa, super feliz, alegre. Foi ele que me deu aulas de carreta.
Que legal!
Então, ele me ajudou muito também.
Será que eles vão assistir esse episódio?
Ah, com certeza!
Com certeza! Então, eu quero que vocês comentem aqui, nesse episódio que eu quero conhecer vocês, pra mim, a coisa mais digna de um ser humano.
Hoje ele tá na Bitrem, tá? Esse Neio que eu falei pra você, ele tá no Bitrem hoje. Então, tá arrasando aí pelas estradas aí do Brasil.
Vamos começar diferente esse episódio, então? A gente já tá no meio aqui, já tá uns 20 minutos. Convida ele pra vir aqui falar um pouco do dia a dia. Imagina pilotar bitrem, gente.
O que que é isso? Ele arrasa.
Fala pra nossa audiência o que que é uma carreta bitrem.
Olha, é... Você imagina uma carreta, que é uma parte. São duas. Então, é responsabilidade dobrada, né?
Na verdade, ali acaba sendo três, né? Porque você tem o cavalinho, depois você tem uma segunda carreta e uma terceira.
Isso aí.
Gente, eu acho aquilo... Quando eu tô na estrada, que eu vejo aquelas carretas, eu falo, gente, como esse cara consegue?
É dom, né?
É dom.
É dom. E fazer com amor também. Ele já tá nessa profissão há muito tempo. Então, eu agradeço muito a ele. porque ele, os primeiros passos foi ele que me mostrou. Então, através dele, aquilo ali...
É, eu fico muito feliz em poder contar a sua história, né, e você não chegou aqui sozinha, você precisou desses, eu falo, né, desses seres iluminados que passaram pela sua vida, mesmo você ali como motorista, né, com um cargo um pouco mais alto, Mas esses ajudantes que estiveram ali com você no seu dia a dia, muitas vezes percebendo as suas dores e te abraçando quando você precisou. Eu acho que a gente precisa de mais seres, de mais pessoas mais humanas.
Verdade.
E quando fala de ser humano, recentemente eu fui numa construtora aqui em São Paulo e eu conversei com o Filipe. E Felipe é um cara incrível, assim, ele... Fiquei muito emocionado na conversa que eu tive. O que ele faz, né, com muitas pessoas que entram pra trabalhar, o esforço que ele coloca, sabe, pra ensinar essas pessoas pra fazerem com que elas, de fato, acreditem naquele sonho, naquela vontade e, assim, é digno de... Felipe, um abraço pra você e te parabenizar que você continua esse cara motivador, que eu acho que é de gente assim que a gente precisa. Concordo. O que você acha do Felipe?
Pra mim, ele é uma pessoa muito gente boa. Foi ele que me ajudou também, né? Então, só agradecer a ele também, que dele é só desejar que Deus multiplique tudo o que ele faz. Porque a gente tá aqui pra aprender, que ninguém veio, já nasceu sabendo.
É, ninguém nasceu pronto, né?
Então, as pessoas precisam de oportunidade pra mostrar. E ele é uma dessas pessoas, que ele dá oportunidade às pessoas.
Não, é bem bacana e eu acho que esse movimento que ele faz é bacana e eu queria estender esse agradecimento ao Júlio César, que também é um cara incrível. Eu tenho várias ideias, como eu visito muitos canteiros de obras, estou em várias construtoras, em várias indústrias e eu falo, pô Júlio, eu tenho um desejo de ver mais mulheres assim. nos canteiros, sabe? Mais mulheres no dia a dia da construção civil. E ele falou, tô com uma mulher aqui, cara, contratamos uma mulher que ela tá como operadora de máquina, de retroescavadeira, temos uma mulher atuando como motorista de carreta e eu acho bacana essa troca e esse incentivo, né? Que ele, enquanto líder aí de uma grande construtora, incentiva esse movimento.
Eu fui a primeira motorista de caminhão nessa empresa. Ela nunca tinha... Você foi a primeira motorista? a primeira mulher motorista nessa empresa. Então, eles fizeram até uma postagem sobre, e tal, nossa primeira motorista, tal, e tal.
E agora, acabaram de... Acabaram de soprar aqui no meu ouvido todo mundo querendo saber quem é a construtora, mas calma.
Calma.
A gente, eu vou tentar... Eu vou... Eu vou... Eu vejo uma forma da gente produzir um documentário. Porque tem outras mulheres lá.
Tem, tem. Hoje tem mais duas. Três comigo.
E tem, tem, tem, tem... Eu não sei. Operadora de retroescavadora.
De retro e outra de caminhão.
Sim. Então, a gente vai fazer um... Mostrar, né, essa história, contar essa história de uma forma diferente lá no dia a dia de obra e tal. E agora, eu queria que você me falasse um pouquinho como que é o seu dia a dia, né, enfim.
Pra mim é algo divertido, porque é algo que eu realmente amo fazer. Eu não vou só pra falar assim, ah, eu vou receber um salário. Tudo bem, ajuda sim, claro que a gente quer trabalhar e receber, mas eu vou com amor. Eu faço o que eu faço porque eu amo dirigir. Então, se você falar assim, Nina, vai lá pro Ceará. Você quer ir de caminhão ou quer ir de carro de passeio? Não tenha dúvida que eu quero ir de caminhão, porque eu amo dirigir caminhão e carreta, é uma paixão que eu tenho. Então, eu acordo todos os dias. Hoje eu acordo mais tarde, um pouco, porque eu comprei uma moto, então ficou mais fácil.
Além de tudo, é motoqueira também.
Eu amo. Então, hoje tá mais fácil, né, que eu vou de moto, então eu consigo chegar mais cedo. Então, hoje eu acordo 4h50 da manhã, 4h50, levanto, Vou lá dar um beijinho nas minhas princesas, porque quem é mãe sabe que a gente tem que dar um beijo nos nossos filhos antes de sair de casa. Então, ao acordar, eu já vou lá ver elas. Então, vou, pego minha bolsa, arrumo, boto meu uniforme, porque eu já saio de casa...
Uniformizada? É.
Agora. Antes, eu deixava o uniforme na empresa. Hoje em dia, não. Já saio de casa com o uniforme, chego na empresa, Gosto de chegar um pouco mais cedo, tomo café e o meu dia começa, bato o cartão às sete e pra mim eu tô indo pra... Me diverti.
É isso, Lina. É esse o sentimento que eu tenho. Eu queria ser engenheiro quando criança. Não fui engenheiro, mas eu queria atuar no audiovisual como segunda opção. E olha que coincidência. Hoje eu atuo com audiovisual para o mercado de engenharia.
Tá vendo? Você juntou as duas coisas.
Olha que sensacional.
É muito bom.
E eu queria... Você... Desde quando a gente se conheceu, né? Na situação bem inusitada, através das suas filhas.
É.
Eu queria que você falasse um pouquinho. A gente fala muito de um ser ser feliz, né? De acreditar no sonho. Tem gente que não vive, apenas existe. Então, eu queria que você, assim, tá legal esse bate-papo e eu queria que você falasse dessa parte de fazer realmente o que ama.
Olha, eu acordava porque eu sou daquela pessoa que eu não falto serviço. Eu faço de tudo pra não faltar. Só em caso de...
Extremo, assim.
Então, eu boto pra mim que, como eu te falei, tudo que a gente faz com amor é gratificante. Então, eu levanto na segunda-feira, primeira coisa que eu faço, depois do beijo das minhas filhas, eu vou pro meu banho. Pra me acordar, né? Então, eu falo pra você, eu não sei explicar bem a sensação. Eu sei que é algo muito bom.
É algo mágico, né?
É, porque eu não faço por fazer.
Não é um esforço.
Não, eu não saio da minha casa. Ai, gente, hoje eu não quero trabalhar, mas eu sou obrigada. Não. Eu não saio de casa assim. Eu saio porque eu quero realmente ir dirigir aquele caminhão. Eu quero mostrar o meu melhor. Eu quero dar todo dia o meu melhor. Mas é pra mim. Eu não quero mostrar pras pessoas. Ai, eu sou melhor do que fulano. Não. Eu quero mostrar pra mim que eu sou melhor. Então, eu faço com amor e falo pra você. Não me arrependo, isso aqui, de estar onde estou hoje.
Você faria tudo de novo?
Faria. Faria tudo de novo. E se fosse mais complicado, não desistiria. Eu sou daquela pessoa que quando eu quero alguma coisa, eu não passo por cima de ninguém. Não, mas eu vou tentar batalhar. Eu sou daquela pessoa que eu gosto de tentar. Então, eu vou te falar, se eu não conseguir, eu dou um passinho para trás, depois Deus multiplica dois, aí você vai lá e consegue chegar onde você quer.
Agora, eu imagino, Nina, a pessoa que está assistindo esse episódio, imaginando você dirigindo aquele carro, aquele caminhão, eu imagino como esse carro é bem cuidado. E eu imagino como você economiza combustível, como você economiza pneu, como você economiza... Enfim, como essa empresa é privilegiada de ter uma pessoa...
Eu recebi elogios, tá?
Por economia?
Por limpeza, principalmente, porque você sabe que trabalhar em obra o tempo todo ou é chuva ou é sol. Então, na chuva, lama. No sol, poeira. Então, você tá ali num ambiente que suja o tempo todo. Então, meu caminhão precisou ir pra garagem e lá eu recebi vários elogios. Esse caminhão, justamente o meu que estava lá, a pessoa não sabia que era eu que estava dirigindo e elogiou o caminhão. Aí perguntou quem era o motorista daquele caminhão. Quando ficou sabendo, falou parabéns, porque não é todos que mantêm tão limpo. E eu gosto de botar, eu tenho chapéu rosa no caminhão. Se deixar, Eu faço de tudo, boto tudo rosinha, tem bonequinha, ursinho, se deixar.
Eu... Gente, que legal.
Eu gosto. Tem minha redezinha do baiano lá no painel.
Agora, menina, agora aquela... todo mundo tem um apelido, né? Todo mundo tem um apelido. Todo mundo tem um nome artístico na obra. Qual que é o nome artístico, ou seja, o melhor, o segundo nome artístico da Nina, na obra?
Na obra ou por ser caminhoneira?
Por ser caminhoneira.
Ser caminhoneira é K. R. A. Baianinha.
K. R. A. Baianinha.
K. R. A. Baianinha.
Então, K. R. A. Baianinha tem que ter na descrição desse vídeo.
K. R. A. Baianinha. Dos caminhoneiros, muita gente me conhece. K. R. A. Baianinha. E na obra, o pessoal me chama de Rapunzel, por quê, né?
Tem um cabelão gigante.
Aí o pessoal, é a Rapunzel. Ou então... Porque meu cabelo tava ruivo. Tava vermelho. Não sei se você lembra. Aí era a ruiva. Então...
Não, gente. A Nina é uma mulher muito dinâmica. É impressionante, ó. Motoqueira. Outro dia ela postou um vídeo lá andando numa moto gigante. Eu falei, meu, que essa mulher é maluca.
Eu gosto.
Daqui a pouco tá com cabelo vermelho.
Vermelho.
Outra hora ela é ruiva, sabe assim?
Passa com preto.
Pensa. Ó, se você quiser resumir uma pessoa feliz, é só olhar pra ela e falar felicidade se resume. E Nina, então, eu queria que, assim, foi muito legal quando você falou do seu rito de acordar e dar um beijo nas suas filhas, tomar banho. Então, você fez coisas pra mim que é o que todo mundo deveria fazer ao acordar, antes de trabalhar, né? Que é acordar, tomar banho pra acordar de fato.
Pra acordar realmente, né?
Chegar no trabalho cheirosinho lá e tal.
É essencial.
É essencial. Não importa se você vai num canteiro de obra, acho que higiene é fundamental. E uma coisa que me marca muito, você fala, eu sempre chego cedo no trabalho.
Sempre gostei.
Eu tenho uma coisa comigo, se você entra às sete e você chegar faltando cinco minutos, você está atrasado.
Verdade.
Que dica você daria para essas pessoas que vão trabalhar criarem bons hábitos para melhorar o dia a dia deles?
Primeira coisa, a gente tem que ter um compromisso, né? Então, sempre é bom dormir um pouco mais cedo, porque conforme você dorme muito tarde, você não consegue descansar o tempo necessário. Então, eu procuro dormir no máximo 10 horas, porque eu vou pra academia, eu volto, tenho que fazer comida pra deixar pras minhas filhas. Então, dona de casa, a gente tem a casa, sai do trabalho e vai pra casa. Então, eu falo pra você, tem que fazer por amor e o essencial, né? Acordar de manhã, tomar um banho, tomar um café, acordar mais cedo. Eu acordo, porque duas horas e meia antes do trabalho. Então, eu consigo chegar no meu serviço, mas tardar quando eu consigo é seis e vinte. A maioria das vezes é seis, seis e dez. Então, eu consigo fazer as coisas com calma e não vou chegar atrasada, não vou chegar de mau humor, entendeu? Porque pra gente começar o dia, a gente tem que sair de casa bem.
E você traz um ponto importante, né? Tudo que você faz com antecedência, onde você prevê algumas coisas, você poupa estresse.
Verdade.
Quando você dorme, você tem mais atenção no trabalho. verdade não é porque você tá pilotando ali um caminhão a carreta que muitas vezes a gente tá expondo às vezes a vida né não só a nossa mas também de outras pessoas naquele canteiro de obra ou na nas rodovias nas estradas por onde a gente anda quando a gente traz isso para outras profissões isso também prejudica a atenção aos detalhes. Até pessoas que trabalham com texto podem, de repente, escrever uma palavra errada por desatenção em função do sono. Então, você trouxe pontos importantes nessa sua fala, por isso que eu quis muito reforçar. Esse rito que você tem é bem bacana. Agora, eu queria que você falasse um pouquinho da relação você com as suas filhas. Como que é suas filhas? Você tem duas, né? Tem a Júlia e a Yasmin, inclusive que eu conheci. Como que é, assim, como que é a Nina pra elas? O que elas querem ser quando crescer?
A minha mais nova já falou que quer ser caminhoneira, igual a mãe.
A Yasmin.
É, a Yasmin. Ela tem maior orgulho. Não é à toa que você conheceu, né? E me conheceu através delas.
É, ela falando da carreta, como que era a manobra de uma carreta, enfim.
Elas têm... Eu sou uma mãe muito orgulhosa pelas filhas que eu tenho. E elas têm o orgulho da mãe que tem. Então, pra mim, isso é... É essencial, porque a gente cria nossos filhos e a gente quer guiar o caminho deles, né? Então, pra mim, é muito gratificante a minha filha falar pra mim assim, mãe, eu quero ser caminhoneira igual você. Então, ela foi pra escola no dia da profissão de motorista de caminhão.
De motorista de caminhão, que legal.
Então, lá tinha. Era policial, era advogado, médico. E ela foi como motorista. Então, pra mim, aquilo ali foi algo...
Pra mim que... Seu telefone tá aí?
Tá, tá ali.
Ô, Júlia!
Espera aí que eu vou te bloqueando.
É a Yasmin, a voz é da Yasmin.
Ah, você é a Yasmin, é isso? É. Yasmin, eu tô com a sua mãe aqui, olha que legal. Sua mãe toda chique aqui no podcast.
Oi, filha.
Oi, mãe.
Yasmin, eu queria te perguntar o que você quer ser quando crescer?
Olha, eu sei que, tipo assim, eu venci muito em ser caminhoneira, carreteira.
Tem outras profissões também, cara.
Você quer ser outras coisas também?
Ah, tipo assim, eu tenho dúvida em duas. Ou médica, ou carreteira. Porque, tipo assim, médica, eu focaria, tipo, muito mais nos estudos e na minha família. E caso houvesse alguma coisa, eu conseguiria ajudar.
Interessante. Então você vai ser uma médica pilotando uma carreta. Se acontecer alguma coisa na estrada, você... Gente, que sensacional.
Ela vai querer ajudar as pessoas.
Isso veio da sua cabeça ou foi alguém que colocou?
Veio na minha, tipo assim, mas é porque eu amo, tipo assim, eu quero dirigir muito. E quando eu dirigi, tipo assim, fiquei do lado da minha mãe quando ela dirigia, eu fiquei muito, tipo assim, muito distraída. Eu gostei muito da experiência, então achei legal, uma coisa que eu vou querer muito.
Então tá, eu vou torcer pra que você seja uma médica pilotando uma carreta ou um caminhão pra que você consiga ajudar as pessoas nas estradas e consiga colaborar com a vida das pessoas.
É, eu vou tentar focar nisso porque é algo que eu achei legal e é algo que pode ajudar também muito.
MC é meu tesourinho.
Então tá, você é o tesourinho da sua mãe, tá? Então tá, Yasmin. Obrigado, viu? Da próxima vez que ela vier aqui, aí você vem junto pra conversar um pouquinho com a gente, tá?
Tá bom.
Que você continue sendo essa menina incrível e dedicada aí nos estudos e na vida.
Obrigada.
Tchau, tchau.
Tchau, filha. Te amo.
Eu também te amo.
Tchau.
Tchau tchau e aí eu queria que você falasse hoje como que você se sente na empresa que você trabalha eu sei que é uma grande construtora super renomada e queria que você falasse um pouquinho né porque que você gosta tanto de trabalhar lá como que você é.
Tratada Olha, tudo começou lá no Rio.
Sim.
Então, lá eles abriram as portas pra mim.
Ah, então a empresa que você trabalha.
Hoje... Aqui também é lá no Rio.
Você foi transferida do Rio pra cá.
Não, eu... minha mãe ficou doente.
Aqui em São Paulo?
É. Aí, minha filha morava aqui com ela. Aí, eu pedi as contas lá pra vir pra cá. Aí, chegou aqui, eu comentando com o Felipe. Aí, ele, ah, Nina, então vem trabalhar comigo aqui em São Paulo. aí eu fui trabalhar com ele na mesma empresa, que são uma interligada na outra, né? Então, eu vim pra cá e já tô aqui em São Paulo seis meses e no Rio fiquei três anos e quatro meses.
Nossa, que legal!
Então, lá onde eu comecei, não tinha mulher, como eu te falei, eu fui a primeira mulher motorista nessa empresa e eles me acolheram muito bem. as pessoas da administração, os motoristas, o encarregado, o mecânico, todo mundo se tornou uma família ali. Então, hoje eu só tenho a agradecer porque eles me apoiaram. Claro que a gente sempre tem dúvida aqui, uma dúvida ali, e eles me ajudaram. Como eu também ajudei algumas pessoas também. E eu mesmo gostei muito de fazer parte lá no Rio, agora aqui em São Paulo. Tô amando as pessoas também aqui, onde eu tô. Me tratam muito bem, me elogiam, falam que eu sou ágil. Então, pra mim, é gratificante.
É muito legal, né? Essa coisa que você falou do ambiente. É muito bacana quando você trabalha numa empresa que eles têm uma cultura colaborativa, né? Onde a gente entende que a gente não faz nada sozinho, que ninguém chega a algum lugar só, né? Então, quando você é abraçado por uma empresa que tem essa cultura do incentivo a que todo mundo é igual, não importa se você é mulher, se você é homem, todos têm um valor para aquela empresa, ou seja, não tem divisão de gênero. Então, isso é muito bacana.
E por não ter uma mulher, eu pensei que ia ser mais complicado, né? Mas não, eles me apoiaram, deixaram eu usar o banheiro deles. Tipo assim, não, Nina, você faz parte daqui, porque você sabe que onde trabalha só homem, hoje em dia não, hoje em dia tá tudo melhor, né? Mas banheiro, vestuário, é mais complicado. A gente não pode fazer parte junto com os homens. Então, eles me acolheram, me ajudaram muito. Então, pessoal, eu só tenho a agradecer. E não é à toa que eu voltei. Eu saí, mas eu gostei, né? Porque se eles não tivessem me tratado bem, eu não teria voltado. Então, hoje continuo as amizades lá, E.
Aí você traz uma coisa que eu gostaria de compartilhar aqui, né? Para os meus amigos, donos de empresas e construtoras, indústria, enfim. Trate as pessoas bem em suas empresas para que elas queiram ficar.
Verdade, verdade.
Porque isso é importante. A gente tá falando de... Ah, falta de mão de obra, as pessoas... Ah, mas as pessoas se vendem por salário. O salário é importante, mas não é tudo. Primeiro, em primeiro lugar, vem... Eu me sinto abraçado nessa empresa?
Verdade.
Ou sou só um número? Isso é uma pergunta. Então, Nina, é notório que você é uma pessoa muito abraçada na empresa.
Sou. Bastante.
Eu passei, eu conversei com algumas pessoas da empresa que você trabalha e é impressionante como eles falam bem de você, falam bem de outras pessoas e que isso se multiplique para outras empresas, que as empresas olhem para os seus empregados, que esses empregados olhem para essas empresas, ou seja, está todo mundo no mesmo barco. E se o empregado olha para a empresa de uma forma distorcida, afinal, todo mundo sai perdendo. Agora, quando a gente, enquanto empresa e empregado, olha para o todo, eu, enquanto empresa, quero somar, quero gerar emprego, E a gente enquanto empregado, opa, eu quero colaborar através do meu trabalho, quero colaborar com meus colegas para que a gente cresça como um todo, que a empresa cresça e a gente gere mais emprego, gere mais oportunidades. Então, acho que isso é muito importante e é o recado que você deixa. E só dessa forma a gente consegue ter um ambiente, sobretudo, feliz.
Verdade. E por incrível que pareça, as empresas que eu passei não tinham mulher. Então, eu imaginei que as pessoas iam ter um pouco de dificuldade para aceitar, né? Ah, é mulher, tal, tem prioridade. Não, me trataram bem, mas me trataram igual às outras pessoas. Não me colocaram à frente, melhor, não.
Não tratou você diferente?
Não, foi com respeito, né? Todo mundo sempre me respeitou. eles escutam a gente. Então, eu acho que isso é essencial. Às vezes, ah, o caminhão quebrou uma peça. Vão lá, conserta. Então, as coisas funcionam quando os dois lados se ajudam.
Sim, porque você não tem que ser tratada como coitadinha, né?
Não tem aquela coisa... Só porque é mulher.
Sim. Eu trabalhei com uma menina no passado e às vezes a gente ia numa gravação e as pessoas ficavam... Ah, deixa que eu levo a bolsa. Não, mas eu não tô com nada na mão, só tô com essa bolsa, deixa que eu levo. E ela falava que aquilo fazia um mal pra ela, porque ela só queria levar a bolsa dela.
Ó, pra você ter ideia, na empresa que eu trabalhei no Rio, na transportadora, Eu carregava meu caminhão, eu amarrava a minha carga, eu carregava a geladeira. A gente tem tudo um jeito, né?
Fogão.
Então, não é peso, é jeito. Então, eu carregava meu caminhão, todo mundo falava assim, não, Nina, deixa pros ajudantes. Não, eu carregava, eu bati a minha carga do meu caminhão, tirava lá do fundo do baú, trazia até a porta do baú. Ali, os meus ajudantes levavam pro cliente. Então, eu fazia o trabalho que todos os homens faziam. Então, eu falo pra você, ninguém nunca falou assim, ah, a Nina não pode, a Nina não consegue. Eu sempre mostrei que a mulher consegue.
Ô, Nina, mas isso parte do seu comportamento, é isso?
Olha, eu sou assim.
Porque você sempre, assim, é notório que você sempre tá ali, você é muito participativa, você é muito presente. Sabe, a gente tá conversando, parece que você, não, tá pronta. Você tá o tempo todo pronta.
Uma coisa que eu amo fazer é ajudar. Então, e se você falar assim, Nina, eu quero que você faça aquilo. Eu vou tentar. Às vezes, possa ser que eu não consiga, mas eu vou te mostrar.
Você vai tentar, não é uma forma.
Entendeu? Tem situações lá que fala assim, Nina, vê lá se dá pra descer, com caminhão. Eu vou lá, olho e falo, olha, não vou te dar 100% de certeza, mas eu vou tentar. Então, eu tento e dá certo. Então, se você não tentar, Você não vai saber se vai dar certo ou não. Então, eu sou daquela pessoa de sempre pensar positivo, eu boto no coração e falo assim, eu vou conseguir, eu vou tentar, eu vou lá e faço e eu consigo.
Pensa positivo, bota no coração e voa.
Isso aí.
Olinda, a gente tá chegando no final, eu queria que você... Tem alguma coisa que você gostaria de falar que a gente não pode esquecer?
Nunca desista dos seus sonhos.
Nunca desista dos seus sonhos é a dica da Nina.
Nunca.
Nina, mas eu queria agora te perguntar, dica da Nina pra... cuidar bem de um equipamento. O que, como um motorista, um operador de máquina, enfim, deve se comportar para cuidar bem de um equipamento?
Eu, eu faço todos os dias. Eu dou aquela 360 graus, né, no meu veículo. Eu não ligo ele de manhã, eu já vou, eu olho pneu, óleo, água, Então, isso é essencial para você manter, não ficar dando prejuízo, porque tem situações que se você não olhar o óleo, o óleo baixa, aí se você não olhar a água, também pode baixar. Pneu, aí você bota um peso no caminhão, você não olhou o pneu, tá vazio algum pneu, vai forçar, pode... estragar o pneu, né? Então, eu acho que o essencial para qualquer equipamento é você dar um 360° nele, olhar ele todinho antes de ligar ele. Então, eu faço isso todos os dias e eu vejo que dá resultado. E limpeza, você tem que trabalhar num ambiente limpo. Eu, se você olhar lá no meu caminhão, tem vários produtos. Então, todo dia, de manhã, Passa um paninho, limpo, vive cheirosinho, o meu perfuminho dentro do caminhão. Então, eu acho que é isso aí.
Ambiente, limpeza, importante, né? E você, antes de operar o equipamento, antes de ligar o carro, isso é importante que você falou, até pra você dirigir seu carro. Antes de sair com esse carro, antes de entrar, dá uma olhada em volta, vê se tá tudo ok, se os pneus estão ok. Se quiser checar o óleo, ótimo.
É, nem todo mundo tem essa mania, né?
Nem todo mundo tem essa mania, mas uma coisa que eu faço sempre quando eu vou entrar no carro, antes de eu entrar, eu dou uma volta para ver se os pneus estão ok e eu sempre testo o freio, sabe, antes de sair, porque a gente evita muitas situações.
Eu mesmo olhando, tinha uma pedra entre um pneu e outro. Se eu boto peso em cima, os pneus vão forçar, então aquela pedra pode furar um dos dois pneus. Então, eu acabei evitando Então, se eu não olho, eu não teria visto. Aí poderia estourar um pneu na rua, né? E prejuízo. Então, é uma coisa que não acontece sempre, mas se você sempre estiver olhando, você evita.
E agora eu tenho uma pergunta da nossa produtora. Ela quer saber qual foi a experiência dela em fazer a primeira viagem longa sozinha.
Sozinha. Foi... o coração disparou, né? Porque era algo que eu queria muito, mas eu falei assim, se furar um pneu, fica aquela sensação, né? Então, foi algo que me deu mais força de vontade de ir, eu fui. Foi uma viagem pequena, curta, digamos assim, foi aqui pra... foi do Rio, de caminhão, foi do Rio pra São Paulo. A minha primeira viagem. Então, foi uma sensação boa, por incrível que pareça. Estourou um pneu.
E você sozinha no carro?
Sozinha. Então, tipo assim, mas eu consegui, não foi o dianteiro, foi um pneu traseiro, deu pra chegar no borracheiro, trocar. E foi uma sensação maravilhosa, sensação de liberdade, porque você conhece pessoas, você conhece lugares. E toda vez que eu faço uma viagem, eu faço amizade. Então, acho que as pessoas que a gente conhece, que a gente leva pra nossa vida, a gente aprende coisas com elas. Então, eu paro no posto pra abastecer, aí as pessoas, nossa, você que tá dirigindo aquele caminhão ou então aquela carreta, quando eu falo, as pessoas, que legal, que bacana, olha, você tá me incentivando, eu vou tentar tirar. Então, eu acho maneiro, eu acho gratificante. Pra mim, eu me sinto muito bem, me sinto feliz em fazer o que eu faço. Então, a minha primeira viagem foi do Rio pra aqui, pra São Paulo, de caminhão. Aí também, carreta também, Rio pra São Paulo, já fui pra Salvador. Então, os lugares... Bom, mas minha primeira foi pra aqui.
Obrigado pela pergunta, Gabriela. Adorei a resposta. Nina, eu estou muito contente com esse bate-papo que eu fiz com você e o meu desejo é que esse bate-papo seja uma porta de entrada para várias outras mulheres, que seja uma porta de entrada para várias outras construtoras, para várias indústrias. aderirem mais à mão de obra feminina e, sobretudo, que seja um recado pra toda a classe masculina que, ó, deixa as mulheres, deixa elas serem quem elas quiserem ser. Elas precisam estar onde elas quiserem estar. Entende? O lugar de mulher não é na cozinha, é onde ela quiser. Então, é esse o recado que eu deixo. Não tô militando aqui, longe disso, tá? Então, eu me esforço um pouco mais pra cuidar mais da minha esposa. Porque quando ela chega em casa, a casa já esteja limpa. Aprendi a cozinhar a male-male pra cuidar um pouco mais. E hoje incentivo muito o meu filho também a falar. Filho, ó, a mamãe tem que estar onde ela quiser.
É porque a gente é capaz.
Então ela pode cozinhar, ela pode estar na rua, ela pode viajar, ela pode estar onde ela quiser.
Tem mulheres que hoje em dia ainda tem medo de não ser bem recebida. Só como você falou, tem empresas que dão oportunidade. Então, se cada vez mais as empresas abrirem as portas, melhor vai ficar. Porque tem pessoas que falam, vou fazer entrevista, mas só tem homem. Aí fica com aquele receio.
Aí eu falo, depende de você, depende de você. Tá, então, da mesma forma que a gente não tá nem defendendo o gênero, né? Então, o que a gente tá tratando aqui, ou seja, ela é só uma motorista, entende?
Verdade.
Da mesma forma que tem homem seguro, tem também mulher. Tem também. Então, você só precisa acreditar, ter força, que você vai encontrar alguém no meio do seu caminho que vai te ajudar. Então, o que foi discutido muito aqui nesse bate-papo de hoje, com toda a sua vontade, você precisou de alguém pra te incentivar, pra te ajudar.
É, eu agradeço muito a meu irmão, né? Que ele que me...
Inclusive, como que é o nome do seu irmão? Que eu fiquei curioso. Isaac. Isaac, um abraço pra você. E ó, parabéns aí pela... Pela força, né? Que você deu inicialmente. Por ter acreditado.
Ele acreditou em mim.
Na sua irmã.
Eu consegui, mostrei pra ele que eu fui capaz e ele falou, Nina, eu vou te dar uma oportunidade, vai lá, mostra o teu melhor. Então, eu fui lá, mostrei e hoje ele falou pra mim, eu nunca esqueço, no comentário que a empresa fez sobre a primeira motorista, ele falou assim pra mim, o comentário que ele fez. Você é diferente. Onde você chega, você mostra quem é a Nina. Você faz a diferença. Então, meu irmão acreditou em mim e hoje em dia eu sou orgulho. Minha mãe fala para as amigas dela. Minha filha é carreteira, minha filha é caminhoneira. Do nada, minha mãe me liga. Nina, manda um vídeo seu aí que eu tô falando para a minha amiga que você é carreteira, mas ela não tá acreditando. Aí eu mando pra ela. Então, aquilo me faz muito bem. Que minha família tenha orgulho.
E eu vou te falar, Nina. De novo, quando eu te conheci, eu fiquei muito impactado com a forma como você é leve, sabe? Então, quem tá ouvindo a gente pelas plataformas de áudio, que tá só ouvindo, eu reforço. É muito legal. Eu, por exemplo, me identifico muito com pessoas como você, sabe? que chega, que, enfim, que faz o que tem que fazer. Lógico, tem as pessoas que são introvertidas, que eu também me identifico, que a gente, de certa forma, é um complemento do outro. Por exemplo, a minha esposa, ela é um pouco mais contida que eu, né? Então, eu falo a gente que é um pouco mais extrovertido, precisa dessas pessoas É pra ter um equilíbrio na vida. Então, o seu jeito de ser mais extrovertido, o meu jeito de ser mais extrovertido, não quer dizer que somos diferentes daqueles mais introvertidos. Ou seja, a gente precisa dessas pessoas pra ter esse equilíbrio. Então, o que eu deixo, de novo, de recado aqui nesse episódio, resumindo, em uma palavra é gratidão. por mais um episódio incrível onde eu tive a oportunidade de ser a ponte entre a Nina e vocês. É esse o meu sentimento hoje de registrar sua história aqui.
Obrigada pela oportunidade de vir aqui mostrar um pouco da minha história e falar para as mulheres vocês conseguem. Só você colocar no coração e falar, eu quero ir se lá, correr atrás, porque a gente é capaz. Não tem aquela, eu sou mulher, eu sou frágil, não. Somos capazes de tudo que a gente quiser. Então, se você tem um sonho, vai lá e realiza, porque a vida tá aí, né, pra gente viver.
Bora viver!
Bora viver!
E participem, comentem, coloquem histórias de superação, coloquem histórias que vocês viveram aqui, não importa se está ligado ao tema deste episódio ou não. Coloquem suas histórias aqui nos comentários, falem o que vocês acharam da história da Nina. Se vocês quiserem sugerir também outras pessoas para virem aqui contar histórias, podem indicar outras pessoas para também virem aqui, porque o nosso canal é para criar essa aproximação entre você, operador, não importa o que você faz de operação num canteiro, numa indústria, mas também para trazer um arquiteto, um engenheiro, enfim, como a sua filha falou, eu quero ser médica caminhoneira para, através da minha profissão, eu conseguir ajudar as pessoas na estrada. Olha aqui, olha o que eu ouvi hoje. Então, gratidão por mais esse episódio incrível e nos vemos em nosso próximo encontro aqui no ConstructCast.
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