Evolução da Construção Civil (1985–Hoje): Experiências Reais e Desafios da Mão de Obra

Neste episódio do ConstrueCast, o apresentador entrevista Aparecido "Coco", um operário da construção civil com quase 36 anos de experiência, que chegou a São Paulo vindo da Bahia em 1985. Coco relata sua trajetória desde os primeiros trabalhos como porteiro e ajudante, passando por episódios marcantes (aplicação de mangote, incidentes com ferramentas, a cultura de apelidos), até alcançar cargos administrativos e de RH. Ele descreve a hierarquia tradicional da obra dos anos 80 (mestre, feitor, encarregado), a escassez de mão de obra, a falta de segurança e tecnologia da época, e como esses desafios evoluíram até 2026. O entrevistado destaca a importância de mentores como Hugo, Valdomiro e Júlio, a expansão de cursos de qualificação, a introdução de tecnologia nas concretagens, e a crescente presença de mulheres nos canteiros. Coco também comenta a mudança de percepção social da profissão, a melhoria salarial, o impacto na sua família e a importância de valores como humildade, responsabilidade e aprendizado contínuo. Ao final, oferece conselhos para profissionais atuais, agradece a família, colegas e menciona a curiosa sigla QGC (Quartel General do Coco).
Chapters
Sejam bem-vindos a mais um episódio do ConstrueCast e hoje eu vou conversar com um convidado que iniciou na Constituição Civil em 1985. Hoje estamos falando muito de falta de mão de obra, fala-se que a Constituição Civil não evoluiu, ou outros falam que evoluiu, e o convidado de hoje tem muita autoridade para falar sobre o assunto. Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Seja bem-vindo, Aparecido Coco.
Vugo Coco, conhecido muito na área da construção civil, onde eu estive por esse período de quase 36 anos, 35 anos e alguns meses. O nome de guerra era Coco.
Geralmente, as pessoas da Constituição Civil têm apelido, né?
Sim, sim.
Então, as pessoas... Antes de a gente iniciar o bate-papo, fala um pouquinho dessa curiosidade dos apelidos na obra. Como que as pessoas te conheciam? Se alguém chegasse na obra e falasse assim, chamou parecido pra mim, alguém te conhecia?
Não, eu vou contar bem rápido o que aconteceu. Quando a gente... é de praxe para todo o nordestino quando chega em São Paulo ou de outros estados que vêm, principalmente porque aqui é o carro-chefe. Quando cheguei, ninguém sabia. Apareci do Lopes, do Arte. Aí vinha o mestre de obra, o Cabeção, o Barriga Verde, o Baianão. Como esse apelido é de herança de pai, eu falei ao pessoal, vamos fazer o seguinte, eu tenho um apelido como Coco. Aí ficaram curiosos e tal, e aí eu contei a história e tal. Aí sim... consumou coco, ficou coco e foi passando e acabou aparecido, vamos dizer assim, da galera ficar, né, e acabou aqueles adicionais que tinha, né, que estava influente ali no dia-a-dia, barriga verde, que é chato, né, ou baianão, barriga verde, não sei o quê. Então, por aí ficou registrado coco.
Então, eu vou chamar você de coco para que todo mundo que teve o prazer de trabalhar com você saiba com quem a gente tá conversando agora. Então, Coco, seja bem-vindo, é uma honra receber você aqui. E você foi indicação de um cara que eu tenho uma admiração muito grande.
Que é o Júlio.
Eu queria deixar, Júlio, um abraço pra você. E realmente, o pouco que já conversei com o Coco aqui, ele é até um pouquinho mais do que você descreveu dele.
Imagina, muito obrigado. Eu que agradeço aí pelo convite. e a receptividade que vocês estão tendo comigo. Agradeço o Júlio porque é um amigo, foi um chefe e é um pai. Foi um pai para mim, um cara mais novo do que eu, mas o tempo que a gente trabalhamos junto mesmo, direto, ele como meu chefe, eu aprendi muito. Aprendi no crescimento financeiro. Ele me ajudou muito valorizando o meu trabalho. Aprendi muito como pessoa. E aprendi muito com ele. Ele é um cara fora de sério. É um ídolo para mim.
Bacana. É muito bonito ver essa admiração que você tem. Coco, então vamos fazer o seguinte, antes da gente entrar no assunto, né, o que que muda na construção civil, como que era antes, como que é hoje, fala um pouquinho como você entrou na construção civil e aí é uma forma de você citar esses nomes aí do.
Hugo e outras pessoas.
Fique à vontade, acho que são histórias que a gente vive que serve de exemplo pra que outras pessoas valorizem, né? Pessoas que... Acho que a gente trabalha em empresas, mas a gente convive com pessoas e são as pessoas que realmente fazem o nosso caminho, né? Mudar... As pessoas são responsáveis, de fato, pelo nosso sucesso ou fracasso.
Exatamente. Então, em 1985, eu cheguei a São Paulo.
Você veio da Bahia?
Vim da Bahia. Tinha um tio meu que morava aqui, estava morando na casa de um amigo e tal. E aí, sem muito detalhe, ele me convidou para vir para cá. Eu vim. Chegando aqui, um mundo diferente do que eu vivia. Cara que sai da roça, chegando aqui e vê aquele mundo. Poxa, olha, meu tio tinha você, arrumei um trabalho para você ir trabalhar na empresa de ônibus como cobrador. Vai fazer um teste. Puta, eu vim fazer no Paraíso. Outro cara me trouxe. Quando eu cheguei lá, não sabia se mandasse voltar ou não. Fiz, entre 60 e poucos, acho que passei como décimo segundo, uma coisa assim, entendeu? Sabia fazer as operações de conta, que era matemática, entendeu?
E naquela época era passe, né?
Era passe.
Passe de ônibus, era um bilhetinho pequenininho.
Quando eu voltei, eu cheguei lá e falei, meu amigo, Meu tio, me dê meu dinheiro que eu vou embora. Eu vou me perder, eu tinha muito medo, sabe? E eu nunca mais volto para a minha terra. Beleza, passaram-se três dias, veio o documento para eu fazer o exame, eu saí com o meu tio, passando na próxima obra, estava lá, precisa-se de um porteiro. Aí meu tio, muito extrovertido, falou assim, você vai fichar aqui, eu vou falar com o mestre. Ele falou, ah, é porque esse rapaz aqui fez isso, é da roça, é um cara de responsabilidade e tal. O mestre ficou olhando para mim e disse, você já trabalhou em construção civil? Eu falei, o que é isso? Ele disse, não, é obras e tal. Eu nunca tinha feito, vamos dizer assim, feito uma massa, vamos dizer assim. Aí meu tio ficou com pênis. Eu falei, sim, já trabalhei em obras, mas avulso, tá bom. Vem aqui segunda-feira e traz a carteira. Minha carteira é mais branca do que aquele papel. Não tinha nada, só o endereço e os dados pessoais. Foi aí que eu comecei na obra. O mestre falou, olha, a gente está precisando de um porteiro, mas você não tem registro, você não tem nada que prova, mas eu vou te fichar, eu vou te contratar, você vai ficar aqui na portaria. Você sabe escrever? Um pouquinho. Era o primário que tinha, entendeu? Beleza. Controla os cartões. Eu sempre fui muito... de boa vontade, por aí foi. Aí começamos a trabalhar na construção junto com esse pessoal.
E aí eu falo, né, que geralmente são pessoas que dão pra gente aí o direcionamento, o crescimento, quando você tem oportunidade. Nesse momento, você já teve oportunidade com o mestre de obra. Então, realmente, naquela época o mestre já mandava na obra.
Sim, sim. Ele era, eu lembro muito bem, Eu cheguei aí e ele tinha muito medo de precisar ficar aqui, de trabalhar. Ele falou assim, você já trabalhou, você consegue segurar essa ferramentaria, só que você tem que marcar que os caras levam a ferramenta de larga. Não, vamos fazer. Aí eu cuidava da chapeira, da ferramentaria, e quando era hora do pessoal fazer, eu ficava na portaria. Então tinha uma campainha lá, Chegava alguém, eu saía correndo da ferramentaria, corria lá, abria, entrava, resolvia e voltava. E aí foi nessa história. Até que chegou uma hora que o próprio mestre e o engenheiro, que era, por sinal, um engenheiro... Tínhamos dois engenheiros, que eram um consórcio. O Hugo era um dos engenheiros. Foi aí que ele viu o meu.
Esforço, E o Hugo, naquela época, ele já tocava obra?
Ele já tocava obra. Eu não sei a época, quantos anos ele tinha de engenheiro, mas não era tão, sabe? Era meio que recém-formado, eu creio, na época. O Hugo deve ser um pouco mais velho que eu, mas nem tanto. E aí, um dia ele chegou na obra, tava faltando ajudante, não tinha. Aí, puta, eu tinha que pegar umas tábuas pra levar pra cima pro veaduto, pra fazer a forma.
E aí, isso em que época?
Em 85.
Aí, gente, ó, a gente tá falando de falta de mão de obra. Hoje a gente tá em 2026. E a gente tá falando de 1985. A gente já tinha problema de mão de obra. Então esse bate-papo tá bem interessante.
Aí o mestre chegou pra... Ele era... O nome dele, Valdomiro. Chegou e ele tinha um... Um zapto, né? Coçava a cabeça. Tem que levar... E tinha um cara lá meio que... Só tinha aquele ajudante. E o cara meio que na boa, sabe? Aí eu falei, ô, sr. Valdomiro, você quer que eu ajude? Pô, mas e se chega alguém? A gente dá um jeito. Lá eu ajudei o cara, pô, que coisa braçal, né? Aí o Hugo chegou e perguntou pro Valdomiro, esse cara não é o que fica ali... Esse baiana aí é... Enfim, fizemos a iniciativa. Vamos lá e continuamos naquilo. E aí a gente tinha a turma de carpinteiros, pedreiros, que é onde se usa mais na construção civil, na construção de um viaduto pedreiro, carpinteiro e o ajudante. Enfim, passou aquilo. Aí já começava a fazer... Eu continuo lá, você vai ficar agora firme na ferramentaria. Uma história engraçada que aconteceu, Eu não sabia. Eu sabia. Chegava aqui, você tem que organizar nessa prateleira, prego 18x27, 17x21, e aí a sequência dos... E tinha algumas ferramentas que o pessoal usava, que era da empresa. Um, naquele tempo tinha mestre, encarregado e feitor. O feitor era o cara que ficava lá no pé do peão. O encarregado já corria para organizar uma coisa, e o mestre era o geral. O feitor estava abaixo do encarregado.
Ah, então aquele chato da época era o feitor.
Era o feitor. Era o feitor, vamos dizer. Na escravidão era o cabo, né?
É o cabo.
E aí o... E meu pai, sem.
Te contar, o meu pai trabalhou em obra. Como eu sou de Alagoas e a gente tinha muita fruta, em casa ele fazia a gente ir tirar sacos de fruta pra levar pra esse cara, esse.
Tal de feitor que era o terror.
Da obra naquela época.
Ele passava, vamos dizer assim, ele levava as obras pro encarregado, E o encarregado passava pro mestre. A palavra do mestre era final. Se ele não fosse cancelar a guerra... Se ele já estava demitido. E aí uma história, tinha um feitor, o nome dele era Antônio, muitos anos que eu não tive mais contato. Era Antônio Wilson e Valdomiro, os três cabeça lá. E o Antônio era meio, como diz, meio de querer fazer piadinha. Aí o cara chegou e pegou um ajudante lá em cima do veaduto. Olha, desce correndo lá e fala pro Coco mandar um esquadro redondo. Meu amigo! E ele gritava de lá, cadê o esquadro? E o mestre também. Ô, Coco, fila, manda esse esquadro logo que vai dar problema. Meu, moral da história, eu derrubei umas três prateleiras lá, caçando esse esquadro redondo. Daí a pouco eu disse, seu Valdomiro, eu não encontrei, não tem aqui no Amor Charifado. Aí eu vi todo mundo se abrindo, puta, eu fiquei muito... Você não sabia que não existia. Não sabia, não existia pra mim, ué. Meu, é o esquadro redondo, cara. Meu, eu, olha... Quando eu vi os caras sorrindo, aí a pouco eu comecei a rir também. Falei, mas começou, né? Muito burro mesmo daquilo, né? E aí a história chegou até o apontador, que era do escritório, Francisco, depois chegou ao Hugo, né? E o Hugo sorria demais. E aí, por aí começou, vamos dizer assim, a minha credibilidade, porque eles aprontavam aquelas coisas, eu sempre levei na esportiva, não tinha... Então, essas histórias... E estava tudo bem, né? E estava tudo bem. Quer ver outra coisa engraçada? Estava fazendo uma concretagem. De novo aquela questão, não ajudante quando falava. Já tinha pouco profissionais, né? Quando falava em dia de concreto, que é dia de pega mesmo, vamos dizer assim, é dia de o cara botar a mão na massa mesmo e ir para cima. Faltou ajudante. Os cara faltou nada concreto. Aquelas bombonas lá em cima. E como naquele tempo até a questão de segurança era bem mais fraco.
É, não era tão rígida como hoje.
Não, não era rígido não. O nosso técnico de segurança, que a gente tinha medo, chamava o dono da empresa, o doutor Silvio, porque ele era contra. Ele era um cara que sempre teve aquilo. Se ele chegasse na obra e visse alguém com cigarro na mão, sem capacete, meu amigo, era advertência na hora. E ele falava, isso é para a segurança de vocês, não é a minha, não. É para evitar acidente. O caminhãozão chegou, tudo marcado, foi chegando o caminhão e abrindo a neurona lá em cima. Puta, e agora? Não, meu... Seu Valdomiro, eu vou. Não, cara, mas... Não, eu vou. Lá, cara, tem uma bota... Subir... A luva, né? Que tinha... O capacete subindo lá em cima. Eu, cara... Aí eles faziam... Não tem o mangote que... Né?
Sim, sim.
De impacto lá. Aí amarraram. Hoje já tem outros meios, mas, né, amarraram com a corda no mangote, duas pessoas segurando pra ir levando e ela vai, e ela tem um impacto muito grande, né?
Pra quem não é da Constituição Civil que tá acompanhando esse podcast, o mangote é aquela, a ponta ali da, pode chamar de mangueira, né?
É, de mangueira, que vem da bomba.
É o final da mangueira, onde a gente vai direcionando o concreto ali, que seja pra uma viga, pra uma laje, enfim. É o final ali da mangueira onde o concreto é descarregado.
Exatamente. Pois bem, vai eu e o outro cara lá segurando. Olha o mestre, cuidado porque o impacto é muito grande. Meu... Vai, vai, e numa hora o cara soltou aquilo. E ela fazia assim, né? E vai.
É forte, o impacto é forte.
E aí, meu amigo, eu não podia soltar. E o mestre dizia, solta, e eu grudei. Moral da história, eu me abracei com ela. E aí, assim, vem na hora e segura isso. Rapaz, e aí os caras, pelo amor de Deus, aí gritaram, para, para, para, e o cara... Quando o cara parou, meu, eu seguro aqui, ó, em concreto, jogando pro outro lado, eu olhava lá embaixo, tô morto. morri. Era pra soltar, deixar assim que o concreto caía, mas não, a minha responsabilidade era com aquilo. Moral da história, quando acabou... O mestre ficou louco, mandou o cara embora, porque foi um risco, no meu caso. Mas, para mim, era tipo aquilo. Se você me der isso aqui e falou isso aqui, eu vou morrer junto, mas não soltava. Então, por aí foi a minha história de começo de construção civil, sem conhecer nada. E aí é onde a gente vai se aprendendo com essas pancadas que você toma.
Eu estou dando risada aqui, porque estou imaginando você abraçado com o mangote de você.
E o pior é que você, aquela pessoa que às vezes não está no braçal, você vem de casa com a roupa. Podia usar só a roupa, a gente não usava o uniforme, era mais para quem era do braço. E aí eu tinha que ir almoçar. Longe de casa, passava na cidade, todo cheio de concreto. Aí fui pra cá, cheguei lá, meu Deus do céu, trocar de roupa. O que aconteceu? Nossa Senhora. E aí eu ficava preocupado. Aí toda vez que tinha uma concretagem, chamo o Coco, vou nada, nem moto, não vou mais nisso aí.
O Coco tinha churrasco naquela época, depois do concreto?
Às vezes fazia. Aquelas coisinhas, a gente não estava lá, comprava uma carninha. Porque não era uma concretagem muito grande, era por etapa. Então, foi aí que começou, terminamos essa obra. E aí o que acontecia? Às vezes, o meu próprio Hugo chegava no final de semana, porque sempre você sabe que teve aquela questão de roubo, furto, e ele falava assim, Coco... Eu falei, não, Dudu, sábado e domingo eu venho ficar aqui, eu preciso de ganhar meu dinheiro. Mas, não... Eu vinha lá, trabalhava, ficava lá e, graças a Deus, por aí, gerou aquela confiança na minha pessoa, da minha boa vontade de trabalhar e de responsabilidade. Terminando essa obra, fomos para uma outra obra em Altura Vim, que era a construção do metrô. Já era uma outra situação. Saímos de prefeitura para ir para outro órgão que tem mais metrô.
Aquela obra foi PPP ou era uma obra...
Não, acho que era do governo. Mas terminamos essa obra lá do metrô. Teve muitos problemas, falta de mão de obra, você não achava pedreiro, porque às vezes... com a construção do metrô, gerava muita demanda. E faltava, você não tinha. E aí era aquela história, juntava o mestre com o engenheiro, vamos dar uma chance para fulano, vamos... E por aí foi.
Uma, assim, me chamou muita atenção o nosso bate-papo até aqui e eu vou te perguntar se, até falando, né, o que que muda da Constituição Civil naquela época quando você entra pra hoje. O que que eu percebi? Você diante da sua proatividade e tal, felizmente você teve a sorte, não sei se é sorte ou você buscou aquela oportunidade, de ter ali os donos da construtora vendo o seu esforço.
Olhando pra mim.
Olhando pra você.
Exatamente.
E o que muda na construção civil daquela época, quando você entra, que você tinha ali o olhar dos decisores da construtora para hoje?
Eu penso assim, que são situações de qualificações, e se você olhar no geral, vamos voltar aqui, Na minha situação, sabe aquela história em que é diferente de você... Ela é a dona, você é o meu chefe e alguém vai trabalhar comigo? Aí eu vou ter que analisar fulano, passar para você, você vai passar para ela, ela não vai... Muitas vezes, será que é? Vamos ver. Eu não tive esse privilégio. Aquilo que eu te falei, O Hugo.
É neto do fundador.
É o neto do fundador da empresa. Ele chegar e falar assim, você está comigo. Essa é a diferença que eu vejo do meu compromisso e também dos olhos de alguém que estava lá e que me levou numa... Arrastou e falou, vai comigo, porque vi que você tem pessoas que querem crescer, trabalhar, aprender. Eu vejo isso. E vem a questão da qualificação. Hoje, você tem cursos abertos para fazer administração, um cursinho de pedreiro, tem cenário. Naquela época tinha, mas era muito difícil de chegar. quase todas as cidades você tem um lugar que disponibiliza um curso técnico para profissionalizante, e naquela época não tinha. Quando fui fazer o curso de gestão de empresa, graças a Deus, tive o privilégio que a empresa pagou para mim, fiz a administração, tudo técnico. e tudo por eles. E a empresa, de uns anos para cá, disponibilizava muito cursinho online, que você faz, e aquilo faz uma diferença enorme. Então, eu vejo muito isso. A falta de tecnologia naquela época, que não ajudava, e a diferença para que você chegasse a isso era com os olhos de alguém que te levava E te dá um respeito, porque muita gente se forma um administrativo, um pedreiro, uma coisa mais assim. Você chegar na empresa e ser levado pelos donos, você tem uma responsabilidade maior, porque você não pode pisar na bola.
Não pode.
Não pode pisar na bola. Mas você tem um privilégio, como o Hugo chegou e falou, a partir de hoje, o Vlamir, que é outro cara sensacional, A partir de hoje, o bastão aqui é com você. O Coco vai trabalhar com você e carrega. E o Flamengo fez a mesma coisa. Na gestão, porque aí começa a crescer a empresa, começa a abrir, muitas vezes eu passei dois, três anos sem ver o Hugo, entendeu? Mas quando via, tinha aquele... Ah, o Coco, você trabalhou com quem na passarela? Eu fui para a Fortaleza e não conhecia.
Você não conhecia a Fortaleza?
Não conhecia a Ceará, nada, nada. Pegaram assim e falaram, tá aqui ó, essa aqui é a cartilhazinha que você tem que fazer. Lá você vai encontrar determinada pessoa e tal. Fui bem recebido, tive uma recepção muito boa com o pessoal, me deram apoio e tal. E aí você vai. Ô, Coco, mas espera aí, nunca esqueci disso. Fala com quem você era. Não, trabalhei com fulano, fulano, fulano. Ah, tá. O cara não me conhecia. Então tá bom, seja bem-vindo e aqui...
E aí tem um ponto importante, né? Tem um ditado que o exemplo arrasta multidões. E falando, ouvindo um pouco a sua história, eu imagino a quantidade de gente que acabou seguindo seu exemplo. Aquele cara que tá pronto pra tudo. Ah, tudo bem, eu tô aqui na portaria, eu tô aqui como apontador, né? Apontador é a pessoa ali que tá responsável por... Naquela época, não sei se foi o seu caso, que você tinha que sair na obra...
Pegando ponto de cada um. Hoje não.
Então, quando a gente fala, né, o que que muda daquela época pra cá e você traz essa questão que naquela época não tinha tecnologia, né? Tudo era muito mais difícil. Então, você... chega com pouca escolaridade, aí você tem que, além de fazer as suas funções, você tá pronto pra agarrar um mangote de mangueira e tá ali no concreto. Enfim, então, uma coisa que fica muito claro, se você é um profissional proativo, que faz além daquilo que tá estabelecido, a probabilidade de você se destacar no mercado, ou seja, em qualquer profissão, é muito maior.
Muito maior, muito maior. Porque depende muito A tecnologia está aí, ela tem tudo, ela te favorece a muita coisa. Mas se você não tiver a boa vontade, a garra de abraçar... O Paulo me deu esse caneco aqui, esse copo aqui. Ele me... Olha, para você usar. Eu vou usar e tentar fazer como se fosse mais do que meu. Do que meu, se quebrar, quebrou. Mas se for seu, não pode acontecer, porque é do Paulo isso aqui. Então você tem que zelar dos bens que te dão para você administrar para os outros. mais do que você zelar do seu. Eu ouço isso muito lá em casa. Minha mulher diz, você era tão rigoroso com as coisas dos outros, hoje você é relaxado. Porque você vai deixando passar pra lá. Muitas coisas você, não, deixa isso aqui. Mas dos outros, não, você tem que pegar firme.
É que também, o que acontece, a vida vai passando e aí a gente vai tendo alguns luxos. E dizem, não sei se é verdade, Coco, que a Constituição Civil paga muito bem.
Não deu o que reclamar.
Ó, você que tá aí com dúvida de vir pra construção ou não, a construção civil paga muito bem. Então imagina, o cara teve toda aquela dificuldade, chegou um época e falou, ah, tô com a vida tranquila.
É isso. Vou complementar uma coisa. Antigamente, a O Eteri aqui era rapaz, hoje eu não sou casado, tenho dois filhos, né? gente... Vivo há 30, vou fazer 36 anos no próximo mês de casado com a minha esposa, a gente vive bem.
Como que é o nome da sua esposa?
Carolina.
Carolina, um abraço pra você.
Chama-se Carol.
Um abraço pra você, Carolina, e parabéns pelo marido que você tem.
A minha filha é Ana Paula, é enfermeira, né? E o meu filho é engenheiro civil.
Quando ele estiver aqui, a gente marca um bate-papo pra gente conversar um pouquinho aí sobre o dia-a-dia dele.
Então, aí é onde eu te falo. Às vezes, assim, você tem a... Você tem a responsabilidade com as coisas e, quando vai ficando, você acaba... ficando mais tranquilo, porque quem falar que a Constituição Civil é um dos órgãos importantes hoje dentro do Brasil, que faz parte de uma contribuição muito grande para o povo brasileiro.
É a Constituição Civil que move o Brasil.
Tem um foco que nós estávamos falando daquela questão como é que diz, do crescimento, que você cresce a construção civil como era mal vista antigamente. Se você falasse que trabalhava em obra, você chegava em uma festa, menina nenhuma não queria ficar contigo. Não, meu irmão, eu sofri isso. Você trabalha em quê? Eu trabalho em uma construtora. Se falasse, então, que era ajudante, não quero nem ver espião. Você passava nas obras, saneamento, você chegava aos casos. Mulherada passava, você estava ali trabalhando, a mulher virava a cara para você. Hoje é diferente. Hoje você tem... Todo mundo sabe que a Constituição Civil é um elo muito forte dentro do mundo, vamos dizer assim. Então, hoje você é visto porque... Acabou esse conceito, né?
Agora você tem orgulho de ter um trabalho na obra.
Eu trabalho na obra. Hoje eu sempre falava pros meus filhos que assim, eu criei meus filhos, tenho minhas coisinhas, minha casa, o meu carro, eu devo tudo à empresa. O meu trabalho, é claro, porque pra isso é uma barganha, né? Mas essa barganha... pro meu grau, vamos dizer assim, de qualificação e tudo, eu fui bem remunerado, fui bem reconhecido.
Outro dia eu tava falando com uns colegas, a gente tava numa roda, né?
Sim, sim.
De pessoas, profissionais da construção civil, e aí eu falava, quando você trabalhava naquela época, tudo bem, você era pedreiro ou era ajudante, você falava pra mulher numa festa que era o quê?
Não, você ia falar que era pedreiro, ou pelo menos um pedreiro, ou pelo menos trabalhava no escritório, você não ia falar que era ajudante.
Por unanimidade, sabe o que que eles eram? Pintores.
Pintores, é.
Sou pintor.
É.
Aí eu comecei a me questionar, qual que é a diferença, né? Ou seja, os dois atuam em obra.
Em obra, sim.
Por que que um tinha vergonha de falar que era uma profissão... Mais baixa. Mas, sei lá, até melhor, né?
Sim.
Muitas vezes que o pintor.
Sim.
E falava que era pintor. Será que é porque o pintor tá um pouco ligado à arte? Porque o pedreiro também tá ligado à arte.
Sim, tá, tá. Sim, sim. Só que o... É... A gente... Nós trabalhamos numa obra no Rio Grande do Sul, na refinaria Pascualino, uma obra que tinha mais de mil funcionários. Lá dentro trabalhavam mais de 12 mil homens, vamos dizer, mais de 12 mil pessoas na construção civil. Isso engloba mulheres. A obra tinha alguns problemas e me ligou um dos diretores da empresa e falou, A gente tá com uns problemas lá, tá faltando uma mão de obra, e nessa época eu já era, assim, já tava bem na... com conhecimento bem amplo, né? E sabia lidar com pessoas, porque a questão da área administrativa é você lidar com pessoas. O trabalho, qualquer um aprende, se você fazer um cursinho, você vai aprender a fazer as coisas. Agora, lidar com pessoas que é o problema.
É, lidar com sentimentos ali, com humor é um problema, realmente.
Beleza. Eu já tinha uma turma, que estava lá, que era conhecido meu. Inclusive, o coordenador administrativo era amigo meu. O cara que foi para a faculdade financeira era meu amigo. Andou comigo há muito tempo. O gerente lá era uma pessoa que eu já conhecia, que era uma excelente pessoa. O gerente de produção era um amiguíssimo meu. E eles fizeram essa... E me chamaram. Aí eu assumi o RH e suprimento. financeiro, RH e suprimento com o Coco. Até vou falar o nome das pessoas. Financeiro era o Wilson, RH e suprimento era o Coco. E parte de contratos, que fazia parte do suprimento, mas aí era o Santana. Pois bem, aí tinha a equipe de pintores. que fazia soldas e pintores. Aqueles caras que trabalham com raio-x, é onde eu te falo. E pintores. Os caras têm um ego que é uma formação diferente. Até mais do que o cara que vai lá pintar a parede e tal, ele já tem orgulho porque é uma arte, né? E os caras ali são aqueles caras que mandavam. Quando se reunia lá, parou, parou, acabou. Por quê? Não tinha mão de obra. E nós, com mais de mil pessoas lá dentro, Nós éramos um gatinho, porque tinha lá o consórcio AGM, o András Gutierre, que tinha seis mil homens trabalhando. Então, a gente tinha que tratar aqueles caras aqui.
Pisando em ovos, né?
Pisando em ovos, entendeu? Então, quando o Coco chegou lá, eu vi muita coisa. Esse cara vai fazer o quê? E, graças a Deus, a gente terminou e deu tudo certo. Então, é o que eu te falo. A qualificação cresceu muito, a construção civil abriu um leque aqui no Brasil que compete a qualquer outro setor industrial. A qualificação, a tecnologia, Antigamente, para você fazer um prédio, vamos dizer assim, hoje o cara vai lá, aquilo que eu até vi, com cinco minutos que você chega com o pilar, já está pronto para preparar a folha, para fazer a forma.
Você não tinha tanta industrialização.
Não, não tinha tanta industrialização.
Agora, um assunto também que, naquela época, que a gente fala, é mulheres no canteiro de obra. Naquela obra, como que era o assunto mulher em canteiro? Tinha muita, não tinha? O que muda daquela época para hoje?
Na época em que eu fui, em 1985, dificilmente você via mulheres. Quando você tinha, era uma faxineira para fazer café e cuidar da limpeza. Muitas vezes era homem que tinha que fazer esse processo, porque só trabalhava homem. Existia, vamos dizer assim, não sei se era um preconceito ou era uma coisa fechada.
E quando começa a mudar? Quando a mulher começa a entrar nos canteiros?
Quando começa a mudar, há alguns questionamentos. Por exemplo, na área de escritório, como sempre foi no Brasil, o homem acha que tem que ganhar mais do que a mulher. Quando começou a entrar a mulher no escritório, Eu sempre tive uma forma de pensar é o seguinte, acho que todo mundo tem que ser igual, independente do sexo, na vida profissional. Não é porque eu sou homem, que eu era uma administrativa, entrava uma administrativa, tinha que ganhar menor do que eu. Não, a função é a mesma. Mas isso existia mesmo, de fato? Existia, existia. Às vezes, nós dizíamos, não, não vamos plantar mulher aqui, porque vai dar problema, fulano vai mexer, vai criar um problema. Existia muito assim. Um pouco você sentia que... Vamos dizer o machismo, não. O serviço ficou para homem. Quando a mulher começou a conquistar o espaço dela, você percebe que as coisas mudam para melhor. Mas aí você vê a força da mulher dentro da relação. Por exemplo, quando a gente começou, tinha as estagiárias que vinham, a mulherada. E aí a gente foi ganhando aquela confiança de trabalhar com mulher, Trabalhei em obras que tinham mais de 15, 20 mulheres dominando. Tive o privilégio de ver soldadora na refinaria no Rio Grande do Sul, e já tinha. Isso foi em 2005.
Você percebe que essa entrada da mulher na obra é bem recente.
É recente. bem Tem coisa de 20 e poucos anos. Antes se tinha empresas, vamos dizer assim, grandes que já existiam ali, começando a pensar em abrir um leque. Mas antes você não tinha. Você tinha uma pessoa, no máximo era mulher, para cuidar vamos dizer, de coisas mais, no máximo, no escritório, porque naquele tempo, às vezes, não tinha nem computador, era na máquina da telegrafar.
Coco, e uma pergunta, falando de limpeza de obra, obra que você tem muita presença de mulher, ela tende a ser mais organizada?
Sim, não tenha dúvida. Isso é, vamos dizer assim, é verídico, é fato. Apesar que tem homem que é... Eu trabalhei com engenheiros, e que ele tinha uma visão, sem mesmo no bruto, que não tinha tanta coisa de qualidade, segurança acompanhando, ele tinha uma visão de... Inclusive, esse cara até... Deus já o levou, ele se chamava Carlos Augusto daqui. Ele era um cara... Ele estava, vamos dizer assim, elétrico, mas... Organizado. Ele estava passando, óbvio, aí, ó, se o doutor Silvio passar aqui, vocês estão ferrados, ou fulano, ou doutor Hugo, ou quem quer que seja. Então, faça favor, entendeu? Então, assim, tinha aqueles caras, mas tinha aquele cara que ele chegava, fumava, botava lá, entendeu? Então, na Constituição Civil, Eu creio que de 2006, 2007, começou... 2000 para cá, vamos dizer assim. Começa a mostrar um pouco o espaço se abrindo muito para a mulher. Apesar que a empresa que trabalhei sempre lá, trabalhava muito no escritório central, Muitas mulheres e pessoas muito competentes, mas assim, a gente tá falando da obra, né? Pessoas lá que eram o apoio, vamos dizer assim, da gente, né? Então, na obra, não, olha, vamos cuidar pra levar a mulher, porque pião é... pião sempre foi visto como imagem do satanás, né? Pião é... ah, o pião, olha, pião de obra. Então, hoje mudou muito isso porque... A qualificação, o preconceito acabou.
A comunicação está muito mais ágil.
Muito com a tecnologia e você tem treinamento.
E aí, queria que você aproveitasse de estar chegando no final. Uma pessoa que você admira, que foi fundamental, que foi importante na sua trajetória profissional e te marcou por quê?
Primeiro eu já falei, o primeiro... cara que vou admirar, e eles são três. Tem muitos, mas vou colocar três como os caras de liderança, de gerenciamento. O primeiro era o Hugo Passarelli, que foi um cara que me ensinou a ser humilde. Como dizia, eu já era de pessoas humildes, e progredi. Aprender a economizar, aprender a administrar o que é dos outros, talvez melhor do que o que você faz para você. Segundo veio o Vlamir, que era outro cara que a gente chamava de paizão, que era brabo, é brabo pra caramba. Mas ele era aquele cara que te enxergava. Sabe aquele cara que enxergava em você? Puta que... Entendeu? Daqui a pouco ele pegava o cigarro e ia fumar e lá voltava. Coquinho, faz isso pra mim. Entendeu?
Mas o Flamir é um cara justo, né?
Justo, justo.
Ele não é bravo, ele é justo.
Não, é o jeito dele falar, porque ele é meio estouradão, né? Então, assim... E... Para finalizar, Júlio César. Júlio César. Júlio César. É aquele cara, dispensa comentário. É um cara que, assim, eu estou falando das caras que teve vivência, tem os outros, tantos e tantos engenheiros. Acho que, meu, se você botar, tem mais de 50 engenheiros que eu passei nesses 35 anos, muito mais, entendeu? Que nós trabalhamos aqui na consultoria. Entre civil, de gerência, de qualidade, de segurança, enfim. Mas o carro-chefe, para mim, que eu convivi, trabalhei, amassei barro junto com eles. Primeiro o Hugo, segundo o Vlamir, que é um cara espetacular, e o Júlio César.
Depois entra o Júlio aí também, nessa continuidade.
O Júlio eu conheci com 14 anos de idade.
Você tinha 14 anos?
Ele tinha 14. Tinha o pai dele que trabalhou na empresa. que era também um cara excepcional, amigo da gente. E aí o Júlio veio para ficar com o pai. A gente tinha briga antigamente porque ele era da área de equipamentos no começo. Ele é engenheiro civil, hoje tem um... É um cara que tem um cargo muito respeitado na empresa, e ele é respeitado na empresa. Ele mandava a fatura e eu, como administrativo da obra, ele cobrava de mim e eu tinha que levar para o engenheiro assinar e eu formalizar lá o certo e o errado. Doutor, aqui nós paga, aqui nós não paga, porque o equipamento ficou quebrado. Daí a pouco o Júlio ligava. Puta que pariu, você viu o seu quê, Júlio? Moral da história, no final dos últimos dez anos, aparece o Júlio. Mas, mesmo assim, éramos muito amigos, sempre fomos amigos. O Júlio veio e assumiu essa unidade de negócios junto. E aí a gente ficou. Eu agradeço muito essas pessoas, toda a empresa. Eu nunca comprei fiado. Nunca teve uma vez que eu comprar fiado para a empresa. Não, vai pagar dia 5. Não, está pagando dia 7. Não, eu podia fazer. Sempre eu tive isso. A gente, não só eu, como todos os funcionários que trabalham na empresa. Quando saí, recebi tudo o que tinha. Então, assim, eu só tenho a agradecer à Constituição Civil, meu irmão.
Agora, um conselho que você, Coco, daria para os profissionais da Constituição Civil?
Se qualificar quanto mais, buscar inovação, Tem o compromisso com as atribuições que te direcionam. Ser responsável, humilde e nunca achar que você sabe tudo. porque a nossa vida é cheia de... Cada dia as inovações acontecem e você tem que dar a par para receber. Não achar... Aconteceu tal coisa, mas eu vou fazer desse jeito, que é desse jeito que eu aprendi. Não, você tem que buscar inovação. Você tem que aprender com o que vem para você. Tudo que for de melhor, você tem que trazer para você. Não achar que você sabe tudo. Conduta com pessoas, você saber lidar. Tem uma coisa que me marcou muito. que eu até fiquei muito chateado, trabalhando com a turma de operadores e ajudantes, enfim. E, às vezes, quando dava uns problemas lá, o que acontecia? Eu trabalhando na construtora, sendo um cliente da construtora. Eu tinha que fazer meu trabalho, não podia deixar a máquina parar, porque ela parar, ela vai perder faturamento, entendeu? E chegar no final do mês, eu tinha que prestar conta. E eu estava no Nordeste, tinha outras pessoas que cuidavam aqui no Sul, em São Paulo, mas o Nordeste era eu que comandava a parte dos equipamentos da empresa. E o nosso amigo Júlio César cobrava. Meu, se nós não pagar, nós vamos parar esse trem aí. Então, assim, eu tinha que me virar. E aí, quando vinham os problemas, Tinha que chamar a turma lá e tal. Vamos comer uma pizza e tal. O Júlio dava essa oportunidade, chamava. Gente, mas tem que ser assim, assim. Quando dava um problema, eu levava. Um bom dia, chegou o pessoal e começaram a rir de mim. Aí falavam, botaram o nome da minha sala, QGC.
QGC, o que é isso?
Sabe o que significa essa sigla?
QGC?
Não, chamava Quartel General do Coco. Mas não era uma rigidez. Vamos falar aqui um palavrão, não sei se no podcast.
Pode, pode.
Vamos dizer, você comia o toco do cara aqui, às vezes eles falavam assim, porque esse general é muito fila da puta, meu. O Coco dá uma comida de rabo na gente, fala, a gente fica entendendo que ele tá dando um conselho. Quando a gente chega na obra, o que você vai entender? Foi uma baita comida de rabo. Então, assim, eu tinha esse... esse dom de conversar com as pessoas. Então, eu mostrava para ele que ali estava errado. Eu dizia, meu, você errou, cara, você não pode fazer isso, você está louco. Não, olha, bicho, você sabe que nós somos clientes, mas nós somos clientes da obra. Você está certo, mas você errou em não fazer assim. Porque se estão pedindo para você fazer assim... Não, se você vai botar o equipamento ou botar a segurança em risco, não faça. Mas se o cara quer que você faça isso, você vai fazer.
E ele está assumindo essa responsabilidade?
Ele está assumindo essa responsabilidade. Vamos fazer assim. Então não faça isso. Mas primeiro eu dizia que ele está certo. Mesmo que ele estava errado, você está certo. Mas não pode fazer assim. Nós somos clientes. E se você não fizer, o cara vai pedir sua cabeça. E o que você vai fazer? Eu não posso botar você aqui no pátio, olhando, porque lá em cima tem alguém. E o Júlio vai me... cortar, entendeu? Então assim, vamos trabalhar dessa forma. Então assim, a gente tinha uma união muito grande e tinha gente que achava, e que eu era, paparicava minhas equipes. Os caras chamavam lá os filhinhos do coco, os operadores imexíveis, esses caras não mexem. Mas eu tinha uma equipe que produzia. Eu recebi um Vocês diam uma agradecimento no meu aniversário. Me ligou um cara, mandou uma mensagem para mim. É que eu não tenho de mostrar, mas é uma coisa tão besta. Eu falei para a minha mulher e ela falou assim... O cara mandou para um amigo meu, que trabalha lá, tudo operador de macro. Hoje é o aniversário do Mestre Coco, me chamaram Mestre Coco. Aí o cara falou assim, olha, eu tenho uma admiração tão grande por esse cara que vocês não têm ideia, Rodrigo. Chamava Ribamar e o outro Rodrigo. Mulher para deitar numa cama e parir um homem daquela qualidade, e eu tonto para viver aqui no estado do Ceará. O cara falou aquilo por falar para eu elogiar o palavrão dele, mas aquilo me marcou tanto. Eu não sabia que eu tinha essa importância, porque às vezes... você tem pessoas que destacam na sua vida. Porque quando tem problema, você não tem que só querer produção. Você tem que avaliar a condição psicológica do cara, a condição familiar. A primeira coisa que você tem que perguntar para um cara que é seu liderado, se você vê ele com problema, você pergunta, e aí, você está bem? E sua família? Está bem? Acho que é o que eu carrego comigo. Se a família está bem, você está bem? Então, meu amigo, espera aí. Está tudo bem? Então, Só que aqui tá sendo assim... Por aí vai, entendeu? Então, eu acho... Eu carreguei isso comigo. Aprendi muito.
Sensacional, Coco. Sensacional. Se você chegou até aqui, digita QGC nos comentários. E o que significa QGC. Coco, suas considerações finais pra gente encerrar esse episódio.
As minhas considerações, assim, de agradecimento, né? Eu agradeço essas pessoas que eu já citei na vida profissional. Agradeço a minha família, minha esposa, meus filhos, que são dois filhos maravilhosos. Minha esposa Carol, Ana Paula, Leonardo.
Ana Paula e Leonardo.
E agradeço a Deus por me permitir estar aqui. E na minha vida, De infância, eu agradeço a minha mãe, que foi uma heroína, agradeço a um...
O nome da sua mãe?
Vicência.
Vicência.
O meu pai, que não foi um pau-e-presente, mas foi um grande amigo. E tem duas pessoas que destacam na minha vida. Dois tios. Um do lado da minha mãe e uma tia do lado do meu pai.
Quem? Nome.
E a minha avó. A minha avó, Teodória. Essa... sem comentário. O meu tio Bibiano, que já é falecido, esses pessoal já são falecidos, pai, mãe, minha avó e meu tio. E tem a minha tia que chama Maria, chama ela Maria da Paz, conhecida como Paizinha. Essa mulher é fantástica na minha vida, sabe? Eu devo tudo a eles, esse pessoal, a educação, o carinho. Então, assim, Essas pessoas que faz parte, fez parte e faz, os que estão ao vivo ainda, eu só tenho a agradecer a eles por eles me ajudar a eu ser essa pessoa.
É sensacional e até aproveitar.
E agradeço a você e a Gabriela por me dar essa oportunidade, ao Júlio, né? E essas pessoas que, tantos amigos que eu tenho na vida, eu não tenho um minimizado com ninguém, Paulo.
Não, sensacional. Eu fiquei muito feliz, viu, Koko, de te receber aqui, até deixar um beijo especial, um abraço especial pra Vicência, que onde ela estiver aí no céu, ela tá olhando pra você e ela teve a oportunidade, a sorte, né, de deixar um legado aqui, que é você e mais... Cinco, né?
Cinco, sim. São mais a minha avó, Teodora, meu pai e Bibiana Lopes e Maria da Paz do Arte.
Sensacional, gente. Então, acho que são histórias como as do Coco que deixam a gente um pouco reflexivo, né? O que é a vida? O que a gente precisa fazer pra se estabelecer, pra viver bem na vida? Então, chega um momento que a gente trabalha, trabalha, trabalha, mas... Também, em algum momento você vai parar de se preocupar tanto com a vida e vai só seguir de forma leve e em paz.
Só pra cumprimentar, estou aqui hoje, como você sabe, já contei a história da questão da minha esposa, né? Porque tá doente, mas eu vivo na Roça, eu tenho minha casinha lá na cidade, em Bom Jardim da Lapa, mas eu vivo na Roça, sou feliz lá na Roça, gosto, né? Isso, às vezes, muitas pessoas me questionam, mas foi opção minha. Ali eu nasci, criei, sofri, mas eu era feliz quando era criança. Não tinha nada, não tinha televisão, nada, nada. Mas a gente era feliz, entendeu? E assim, aquilo lá me ensinou a ser o que eu sou hoje. Não sei se eu sou uma boa pessoa, mas sou isso.
Sensacional, Koko. Obrigado pelo bate-papo.
Eu que agradeço.
Pra mim, me senti muito honrado. Fico muito feliz de poder aqui, através do nosso trabalho, ter a oportunidade de contribuir com as pessoas, né? Levando a sua história pra que elas tenham acesso e eu tenho certeza que a sua história vai mudar a vida de muita gente.
Muito obrigado. E eu que agradeço a todos vocês pela oportunidade.
É isso, gente. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Construe.Cast. Afinal, conhecimento também se constrói.
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