Gestão de obras na prática | Industrialização | ConstrueCast

Paulo interviews engineer Fábio Mello on managing construction projects and moving toward industrialization. Fábio, who worked seven years in Japan, shows how precast concrete and modular electrical systems cut facade work by four to six months, and stresses that planning early with multiple disciplines and treating your site crew like family makes the difference.
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July 11, 2024
Fábio Mello
Biritiba Mirim (interior of São Paulo)
1998
Seven years
Chapters
Construir, caste, arquitetura, engenharia, construção. Gestão de obra na prática é o tema do episódio de hoje. Para falar sobre o assunto, eu recebo um engenheiro com muita experiência para compartilhar com vocês. Antes de eu apresentar o nosso convidado, já curta, comente durante o episódio. E eu tenho certeza que este episódio vai somar muito na sua vida. Não só na carreira de engenharia, mas de arquitetura ou qualquer área. que você atua. Como você sabe, engenharia serve para tudo. Você usa engenharia para tudo, inclusive dentro da sua casa. Fabio Mello, seja bem-vindo ao nosso episódio.
Obrigado, Paulo. É um prazer estar Tá compartilhando com vocês esse momento aqui, parabenizá-lo pelo trabalho que vocês estão fazendo, tá? aqui. E é uma honra que tá participando desse episódio aí do gestão em obra na prática. Isso aí.
Ô, Fábio, deixa eu te perguntar, eu queria aqui pra gente introduzir, né, o nosso... Algumas perguntas que eu recebo, inclusive, dos internautas, das pessoas que seguem a gente nas redes sociais. Como você se veredou, como que você entrou na engenharia?
Bom... Na verdade é assim, eu sou de Biritiba Mirim, né? É uma cidade pequena. Como que é o nome da cidade? Biritiba Mirim.
Biritiba Mirim.
É uma cidade pequena no interior de São Paulo, aí fica a 100 quilômetros aqui de São Paulo, mais ou menos, né? E é uma cidade de agrícola, a principal fonte econômica lá é a agricultura. E... Naquela época, a gente sabia, puta, qual que é a carreira que eu vou seguir? Não sabia, não sabia. Aí, meus colegas todos vão partir para fazer um curso de edificações. Eu falei, vou também. Vou fazer curso de edificações, que eu estava sem opção, não sabia ainda que carreira ia seguir. E aí, entrei no curso de edificações e me apaixonei pela área. Aquela coisa de você pegar um terreno, planejar, fazer um projeto e daqui a um certo tempo você tem uma obra construída, né? Uma casa, um prédio, seja o que for. É isso aí que me encantou e eu parti para a área de engenharia.
Mas na família não tem, você não tem histórico na família?
Não, não, não tem histórico. Meu pai é engenheiro, se formou engenheiro, mas ele é mecânico, engenheiro mecânico. Na família só eu sou engenheiro civil da família.
Que legal. Agora, pra gente falar de gestão de obra na prática, é importante a gente falar da história, né? Como que você se tornou um gestor, e eu tive o privilégio de participar de ir visitar uma obra que você gere aqui em São Paulo, e eu fiquei, de fato, muito feliz pelo... pela forma como você trata as pessoas, como que você envolve as pessoas, desde os cargos mais baixos até os cargos mais altos. Eu queria entender, primeiro, qual é o principal desafio para você na gestão de uma obra?
Bom, Paulo, o principal desafio na gestão de uma obra é justamente você conseguir unir a sua equipe de forma que todos trabalham em um único objetivo. Quando eu falo em unir a equipe, eu não falo só a equipe de engenharia, a equipe administrativa, é a equipe em toda, toda a equipe envolvida na construção desse projeto. Então esse acho que é o principal ponto a ser alcançado. Pra gente conseguir uma boa gestão, nós precisamos ter uma equipe muito unida, com o mesmo objetivo, com o mesmo foco, buscando o mesmo resultado. Esse é o principal. É... Motivo que eu acho que a gente precisa buscar pra ter uma boa gestão.
E o maior desafio, né, Dilma?
E o maior desafio.
O Fabio, e como que nasce um projeto, assim, você ter muita experiência, né? Pra compartilhar hoje com as pessoas aqui que nos ouvem, que nos assistem pelas plataformas de áudio e vídeo. Agora, eu queria entender, ao meu ver, como... Assim, no dia a dia de obra, a gente tem muitos desafios.
Sim.
E parte desses desafios ali vem muito em função da desorganização de projeto. Projeto mal planejado, projeto que acaba tendo muito... Enfim, muitas mudanças ali durante a execução. Agora eu queria entender como que nasce um projeto para ele ser bem executado de fato.
Paulo, o projeto ele sempre inicia-se com o desenvolvimento do projeto arquitetônico, né? E a partir desse projeto outras disciplinas começam a desenvolver os projetos. Estrutura, instalações, impermeização e assim vai, né? Desenvolvido essa parte, nós temos o planejamento da obra. É fundamental ter esse planejamento.
Sem te cortar, na parte desse planejamento, quando envolve o planejamento, todas as disciplinas, elas precisam participar desse momento de planejamento? Ou é dividido de acordo com a etapa? Por exemplo, você está na parte de fundação, envolve só aquelas disciplinas, aí a medida que essa obra vai avançando, você vai envolvendo as outras, as próximas disciplinas.
Sim, a gente procura desde o início já envolver todas as disciplinas. Na parte de projetistas, a gente costuma fazer uma reunião com todos os projetistas, ainda no desenvolvimento dos projetos, para que esse planejamento futuro seja bem sucedido. E, além do planejamento, é fundamental você ter um bom projeto. Se você não tiver um bom projeto, os projetos forem corrigidos no decorrer da obra, você não vai ter uma obra bem executada. E também a parte de suprimentos. Você tem os projetos definidos, a contratação de todo material, mão de obra, com antecedência, é o que vai definir o sucesso do seu projeto ou não.
E só um adendo, desculpa, eu vou te interrompendo. Só pra nossa audiência começar a pegar, de fato, essa... Na verdade, conseguir absorver todo o conteúdo que você vai passando. E quando a gente fala dessa parte de suprimento, planejamento, qual que é um prazo ideal, de acordo com a sua experiência, pra que para que seja planejada toda essa parte de contratação de mão de obra e principalmente a parte de orçamento, de suprimentos, enfim, dos materiais que serão colocados nesse canteiro, porque a gente tem também a questão de gestão de canteiro, porque muitas vezes você tem um material que vai chegar, mas esse canteiro não está bem preparado. Então, qual que é o prazo, mais ou menos, de repente, três meses, seis meses, enfim, para que essa obra comece de uma forma assertiva, vamos dizer assim?
Sim, uma coisa que você falou é pura verdade. Hoje, nossos canteiros, os terrenos onde a gente está construindo hoje, eles são muito pequenos.
Que estão cada vez menores.
Então, já começa aí o nosso desafio. Conseguir desenvolver o projeto de canteiro para você estabelecer onde vai ficar, de acordo com as fases da obra, onde vão ficar os materiais, os almoxerifados, Você tem que pensar em tudo. A área de vivência dos colaboradores. Então nós temos que pensar em tudo isso. E esse planejamento inicia-se a partir do momento Quando começa o desenvolvimento dos projetos, você já tem que começar a fazer esse planejamento para que você tenha um bom sucesso. Então você precisa iniciar um empreendimento, uma obra, já com esse planejamento sólido. Vamos dizer assim, com uns três ou quatro meses antes, esse planejamento tem que estar muito bem pensado, tem que estar discutido em todas as disciplinas para a gente conseguir alcançar esse objetivo. Sem esse planejamento, nós não vamos ter sucesso. É fundamental. E esse planejamento não é apenas um documento que o engenheiro vai colocar na parede lá e a obra está planejada. Mano, se no dia a dia você não acompanhar as atividades, fazer a avaliação, se você alcançou o que você planejou neste mês ou trimestral ou semestral, não fizer essa leitura, você não vai ter sucesso.
E nesse sentido de planejamento, que você tem ali a montagem do cronograma para que essa obra seja executada ali a contento, à medida que você vai avançando cada etapa, as disciplinas que vão entrando no decorrer dessa obra, elas são avisadas, por exemplo, sobre um possível atraso, sobre um possível adiantamento, para que ela se planeje para entrar um pouco antes, por exemplo, uma semana antes, de repente um mês antes, porque tem até um caso da obra que eu visitei, que a forma como vocês estão executando, o sistema construtivo que vocês estão executando, vocês têm um ganho, principalmente na fachada, considerável. Então, eu penso que em algum momento, de repente, tem alguma disciplina que ela pode entrar antes. Então, como que funciona? Esse apontamento para as próximas disciplinas, a gente vai ter um, tivemos um ganho aqui, um saving de prazo, então vocês conseguem entrar um pouco antes, um mês antes, uma semana antes, enfim, como que funciona isso?
É, o Paulo, a gente costuma sempre programar a entrada de uma atividade nova que vai começar a desenvolver na obra com uma certa antecedência, por quê? Hoje o mercado está super aquecido. Pra você conseguir uma mão de obra qualificada hoje, tá? É um grande desafio, tá? Então a gente procura, se nossa disciplina tá, sei lá, tá programada pra iniciar daqui um mês, Eu procuro já programar a entrada deles pelo menos uns 20 dias de antecedência. Para que? Para que eles consigam chegar na obra, conhecer o empreendimento. O empreiteiro, quem eu contratei, ele já conhece o empreendimento, mas as pessoas, os colaboradores que vão desenvolver, eles não conhecem. Então eu procuro antecipar a entrada deles para eles já se familiarizarem. E quando começa uma nova disciplina, sempre algumas interfaces ali que não estavam no nosso planejamento. Então, você antecipando um pouquinho a entrada desse pessoal, quando eles conseguirem engatar o desenvolvimento do serviço que ele vai prestar, Vai estar exatamente no time que você precisa começar. Se você colocá-los no momento... Putz, o Gesso Liso tem que começar dia 2 de fevereiro. Se você se programar para eles começarem dia 2 de fevereiro, você vai começar dia 2 de março. É incrível.
É isso também?
É incrível. Mas a gente só aprende com o tempo. com a prática, com a experiência.
Eu vou trazer um exemplo aqui. Inclusive, esse exemplo serve também quando você vai contratar uma pessoa para entrar na empresa.
Sim.
Porque nos primeiros dias, até no primeiro mês, essa pessoa não vai estar entregando. Porque ela vai estar no processo de entendimento das atividades da empresa.
Exato.
Para que comece ali as entregas aos poucos.
Exato.
Seria isso.
Exatamente isso.
Então, gente, a dica com Street Cash fresquinha para você. Programe as atividades, porque a partir do momento que você programou essa atividade, as pessoas começam a trabalhar nessas frentes. com antecedência e isso, com certeza, você não vai ter problema na hora de entregar uma obra no prazo. Dica constricast fresquinha pra você. Fábio, e nesse sentido ainda, falando essa questão de planejamento, qual a importância de ter bons parceiros? Porque numa situação como essa, onde essas pessoas entram ali, você planejou tudo certinho, mas de repente você tem, por exemplo, um escoramento, um sistema de escoramento novo, que de repente essas pessoas não conhecem ainda, e você precisa do parceiro para dar esses treinamentos lá dentro da construtora. Nesse sentido, qual a importância de ter bons parceiros?
A importância de bons parceiros é tão fundamental, porque sem essa parceria que envolve, buscando o mesmo objetivo, nós não vamos conseguir sucesso, tá? Hoje, Tem muitas empresas hoje na obra, muitos empreiteiros na obra. Às vezes ele desenvolveu um bom trabalho quando praticava a função dele, se acha capaz de montar uma empresa já para conseguir atender o mercado. Só que é muito difícil, não é simples assim. você buscar uma parceria de empresas consolidadas já no mercado, é importante até para você garantir o sucesso, a qualidade e chegar ao objetivo que é entregar a sua obra dentro do prazo, com qualidade. A parceria com essas empresas que já estão no mercado e são consolidadas é muito importante também.
É que é mais uma dica importante, né? Quando a gente vai contratar uma empresa, esses parceiros, a gente não se ater só na questão técnica, né? A gente também tem que se atentar à questão de solidez da empresa. Porque, de repente, você pode ter um imprevisto ali, sei lá, um equipamento quebrou. Ela tem capacidade de repor esse equipamento?
Exato, isso é fundamental, porque não só isso, mas hoje a gente procura buscar a saúde financeira da empresa, por mais que seja um parceiro já que esteja com a gente há um bom tempo, precisamos nos preocupar com a saúde financeira da empresa, Precisamos nos preocupar se ela tem capacidade para nos atender, ainda mais com o mercado aquecido, nesse projeto que nós estamos desenvolvendo. Temos também que procurar se o pessoal, a equipe deles, são qualificadas para executar esse projeto. Então, uma série de análises que precisa ser feita antes da gente concretizar a contratação de uma empresa. E a busca dessa parceria, dos parceiros que já estão com a gente há muito tempo, é importante que ela seja mantida. Até porque é uma confiança que a gente tem na execução do trabalho.
Fábio, e nesse sentido, como você já está também há muito tempo no mercado, tem muita experiência no mercado, quando você fala dessa questão de confiança, de reputação das empresas, Eu penso que em todo setor a gente tem ali os desafios diários. E já vi casos das pessoas romperem uma parceria porque teve um problema ali pontual em alguma coisa ou um problema em outro. E como, ao seu ver, como a gente resolve essas situações? Depois a gente vai entrar em questão de comunicação dentro da construtora como um todo, desde a questão dos parceiros, dos fornecedores. e também nos funcionários, nos colaboradores ali dentro da companhia. Como que a gente resolve essas? Ah, tive um problema ali numa outra obra e fiz uma avaliação. Não, vou seguir com outro. Vou me aventurar com outro parceiro. Como que você avalia isso?
Primeiro, para ter uma quebra de uma parceria, Deve ter ocorrido uma coisa muito grave, porque senão...
Mas aí a gente tem a questão das conexões, né? Às vezes você tem ali um bom parceiro que tá te suprindo bem, aí entra alguém e fala assim, por questão de conexão, o meu diretor falou que é pra seguir com esse cara, com essa empresa.
E vai muito da gestão de cada profissional também. Às vezes uma empresa que eu considero uma parceira, que desenvolve muito bem comigo os trabalhos que a gente contrata, e uma outra obra pode ser que não desenvolva. Aí você vai ter que entender por que ele não desenvolveu um bom trabalho nessa obra e por que ele não desenvolveu um bom trabalho na minha obra. Você tem que buscar entender por que houve essa desconexão entre uma obra e outra. A partir daí a gente faz essa avaliação. E para resolver isso, É só entendendo o motivo pelo qual ela está sendo, vamos dizer assim, desqualificada dentro da empresa. E nós temos outros parceiros. Procuramos sempre viabilizar a obra com os parceiros que a gente vem trabalhando.
E ter mais que um também.
É, mais que um. Isso não adianta você... É que o pessoal fala, né? Você tem um, é como se não tivesse nenhum. Você tem dois, você tem pelo menos um. É por aí. E nessa parceria também, a gente tá sempre buscando novos parceiros, é lógico, mas os parceiros de longas datas a gente costuma sempre prevalecer nas nossas obras.
Fábio, e quais são os insumos mais desafiadores no dia-a-dia de obra, de um prédio igual àquele que você toca, por exemplo? E outros que você tocou não só como residente, mas também como gestor. Tem aqueles insumos que você fala, esse daqui tem que me planejar bem?
Acho que o insumo que dá um pouquinho mais de trabalho para a gente, é contratação de caixilhos.
Caixilhos?
Caixilhos, é. Eu falo isso, por exemplo, você contrata a parte do pavimento tipo, essa parte simples, mas a parte dos caixilhos, de toda a área comum, tem vários detalhes que você tem que se atentar para não fazer uma contratação errada. Por exemplo, você tem um projeto de acústica hoje que a gente tem que atender a norma de desempenho, cada fachada, dependendo da localização, é óbvio, né? Cada fachada é uma categoria de cachilho, entendeu? É um cachilho mais imponente, que tem uma resistência acústica melhor. O vidro, você tem que prestar atenção nas dimensões do vidro, se é 8 milímetros, 10 milímetros, chega até 10 milímetros. Um cachilho comum, uma janela de um dormitório, devido a fachada estar em uma avenida mais movimentada, alguma coisa, entendeu? Então, acho que é a contratação mais difícil.
Caixilhos. Isso é definido no projeto?
Isso é definido no projeto. Quando você contrata um projeto de acústica, né? Ali já tem essa definição, já é feito todo o estudo pra ver qual o melhor caixilho pra atender na hora do desempenho.
E esses parceiros que vão fornecer? Quando eles vão fornecer pra essa obra, como que funciona? É feito uma prova antes, um teste? produto aqui é o que vai ser aplicado na hora.
Sim, quando a gente controla, cada empreendimento tem as suas particularidades. Os fabricantes hoje, as empresas que fabricam axil já tem os ensaios deles que são feitos, realizados nos órgãos competentes. Dependendo do cachilho, que for um cachilho mais específico, a gente leva pro laboratório e faz, acompanha até, a equipe técnica nossa acompanha esses ensaios, tá? Estando tudo ok, aí a gente coloca em linha de produção. E depois, na finalização, também a gente contrata uma empresa pra fazer o ensaio no ambiente pra ver se tá atendendo a norma de desempenho e o esperado ali desse cachilho.
Que interessante. Aí, já aproveitando que você falou do Caxilis, aí tem a questão do vidro, né? Porque você tem... Da questão do vidro, você não tem só a questão acústica, tem também a questão de eficiência energética e tal. Nesse processo de contratação desse vidro, se ele é de um fabricante ou outro, porque depois você tem as beneficiadoras.
Sim.
Tem alguma situação de algum empreendimento onde o fabricante, por exemplo, entra para desenvolver a melhor solução de vidro para esse empreendimento?
Paulo, eu não cheguei a uma situação em que tivéssemos que, a ponto de consultar um fabricante de vidro para atender um uma demanda nossa de projeto, entendeu? Então não...
Não, entendi. Não passei por uma situação... Porque depende do projeto, né?
É, depende do projeto. Tem projeto que você tem a fachada toda de vidro, com certeza tem umas especificações mais detalhadas, né? Que exige do vidro para conseguir o resultado, o desenvolvimento do resultado dele, né?
É, até a certificação do empreendimento, né? Quando você fala de uma fachada pele de vidro, por exemplo.
Exato.
Agora, vamos falar de controle e qualidade. Quais são as práticas do dia-a-dia de uma obra para você aplicar um controle? e que esse controle resulte numa qualidade eficiente.
Hoje a gente tem um processo de qualidade implantado dentro da nossa empresa. E ali tem toda a sequência, a cartilha de como você deve iniciar, executar e finalizar cada processo. E esse controle tem que ser muito rígido. Esse controle tem que fazer acontecer. Dá o trabalho? Dá trabalho. Mas o que você vai colher na finalização do serviço vai ser exatamente o que você espera entregar para o seu cliente final. Se você não tiver um processo bem definido para a execução, não importa qual seja o serviço, você não vai conseguir chegar ao seu resultado final. Porque cada empresa tem sua forma de construir, apesar de não ser muito diferente, mas tem algumas particularidades que cada uma gosta de desenvolver conforme a sua característica, vamos dizer assim. E esse processo, quando é aplicado de forma correta, você tem que fazer o treinamento dos colaboradores que vão desenvolver esse trabalho. Você tem que orientá-los como desenvolver esse trabalho. como iniciar, executar e finalizar. Tendo esse processo bem definido e você conseguir transmitir esse processo para os seus colaboradores, você vai obter um bom resultado.
Fábio, e nessa parte de controle ali, da gestão da obra, quando você se refere a esses treinamentos, você, enquanto gestor dessa obra, você treina, você participa do treinamento das lideranças, dos líderes de áreas ou tem situação em que você envolve todo mundo da obra?
Primeiro eu treino os meus líderes, faço um treinamento com os meus líderes e passo para ele, transmito para ele como eu gostaria que esse treinamento com o pessoal que vai desenvolver, com os colaboradores que estão na produção direta, como eles conduzam esse treinamento. E eu procuro sempre também participar desse treinamento com os colaboradores para tentar transmitir a eles uma certa tranquilidade na execução desse processo, que é um processo não é para ser engessado, mas para que ele seja seguido para a gente conseguir um bom resultado. Então eu sempre procuro me envolver e tentar de uma forma mais simples transmitir o que a gente precisa conseguir alcançar, entendeu? Por isso que eu gosto muito de me envolver nesses processos, e transmitir para o pessoal que vai desenvolver o serviço na obra.
E como que vocês, como que você, na verdade, trabalha nessa questão, na gestão de riscos, para que isso não impacte, de repente, não atrase o cronograma da obra e, principalmente, na questão também do financeiro, porque quando você tem algum imprevisto, você acaba afetando toda a obra como um todo. Como que você lida com isso?
Risco, nós estamos sujeitos a todo momento. Então, a gente volta à tecla do planejamento. Se você conseguiu fazer um bom planejamento, você vai minimizar os riscos. Não vai se eximir deles, não vai. Mas você vai conseguir minimizar muito esses riscos. E o mercado, hoje, com o aquecimento que está, O risco até financeiro do empreendimento é muito grande, porque há uma variedade, um desenvolvimento muito alto, não é a palavra correta, mas está uma variação muito grande.
Você tem uma oscilação.
Uma oscilação, essa é a palavra correta. Uma oscilação muito grande hoje na parte de... Alumínio, na parte de aço, na parte de cimento, das concreteiras. O maior custo hoje é concreto, aço. Esse é o principal custo da obra. E essa oscilação muito grande, há um risco de... do financeiro da obra se perder. Se a gente não tomar cuidado nesse ponto, a gente pode não ser feliz aí na parte financeira do empreendimento.
E nessa parte ainda de falando, né, de que você falou agora de cronograma que é importante, como que a tecnologia está sendo usada para te ajudar nesse dia a dia de manter o cronograma ali, inclusive na gestão da obra como um todo?
É, hoje... Para a gente conseguir um sucesso, tanto em prazo ou financeiramente, é fundamental, e ainda estamos longe de conseguir isso, mas estamos no caminho certo, industrializar a construção civil.
Hoje... Você falou uma palavra que eu gosto.
É, mas tem que ser por aí, Paulo. Se a gente quiser uma boa produção e quiser um resultado, tem que ser através disso. Temos que tentar, e eu sou um cara que vou lutar para conseguir industrializar um pouquinho a construção civil.
Não, e conte comigo. E aproveitando, você está convidado agora nos dias 1, 2 e 3 de outubro para a Modern Construction Show.
Que show, que vamos!
Que vai acontecer agora aqui no AMB em São Paulo. Nós estaremos lá, inclusive, com o estúdio lá dentro da feira. Lá vai ser o maior palco da construção industrializada da América Latina. Porque quando a gente fala de industrializar, você está falando de união de sistemas.
Exato. Obrigado, já está aceito o convite. Para a gente conseguir desenvolver melhor a construção civil, nós precisamos encontrar formas de industrializar. A parede de concreto, que é um empreendimento que eu estou desenvolvendo hoje, ela já está caminhando para isso. Hoje o sistema que a gente está trabalhando lá é uma forma para a parede de concreto, onde foi toda desenvolvida e montada dentro de um galpão de uma empresa bem reconhecida no mercado. Ela foi toda industrializada num espaço específico, onde ele tem melhores condições, Elas são trazidas para o empreendimento, ali a gente faz uma montagem, a partir da primeira montagem você desmonta aqui, sobe aqui, desmonta aqui, sobe aqui. Então tem uma sequência. Isso minimiza muito os defeitos, minimiza muito os possíveis erros que possa ter na montagem de, estou falando agora de concreto. Ela é um pouquinho similar à estrutura convencional, só que ela traz uma praticidade e uma agilidade maior na execução. E além da industrialização que a gente fala, que são essas formas para fazer as paredes, as paredes de concreto, a gente faz toda a parte, o perímetro do prédio, a gente faz, e a parte de instalações elétricas, ela também toda já é montada, fora do canteiro de obras. Então, você já tem todo, a gente fala do sistema polvo, não sei se você já ouviu falar, o sistema polvo.
Eu já ouvi, mas é importante que você fale pra nossa audiência.
É, o sistema polvo, né? Então, nós contratamos uma empresa especializada em fazer esse sistema e passamos os projetos pra eles, né? Eles desenvolveram todo o o projeto, os materiais que precisam ser colocados, e ele vem montado. Tipo, nesse empreendimento que eu tenho, são 12 apartamentos por pavimento, né? Então, eles entregam em bags assim, e cada bag tem a numeração do seu apartamento, o ambiente que ele vai atender, o pessoal da instalação no dia da laje, né? O assoalho tá prontinho lá, eles pegam os bag e vão distribuindo onde estão os apartamentos, abre os bag e já tá tudo ali, ó. Afiação passada, o conduíte passada, posicionados já no lugar correto. Então, já elimina uma outra etapa.
E quais são os ganhos? O que você ganha?
Qual ganho de... Então, você já elimina uma outra etapa. No sistema convencional, você faz a laje com a tubulação seca, depois você tem que vir com o pessoal fazendo a passagem dos fios e tudo mais. Então, ali ele já está pronto. Você não precisa fazer mais nada. Só quando você vem no serviço subsequente, que são o drywall, a fiação está toda pendurada ali, o pessoal do drywall faz o plaqueamento, você fecha o plaqueamento, põe a caixinha, tá pronto, não precisa fazer mais nada, uma etapa vencida. Além disso, a parede de concreto, ela nos proporciona a instalação dos caixilhos com antecedência. No processo normal, você teria que fazer a estrutura, na sequência você teria que fazer toda a alvenaria perimetral e as internas, depois você viria com gesso e tudo mais, né? Com a estrutura de concreto, parede de concreto, você antecipa a entrada dos cachilhos. Antecipando a entrada dos cachilhos, você está liberando outros serviços para você já iniciar, porque a sua casca, vamos dizer assim, ela já está toda protegida.
Nossa, que legal!
Você tem condições de iniciar outras atividades e não precisa com a parede de concreto, mas é um concreto especial também, não é um concreto comum, né? Com a parede de concreto, você já tem a fachada quase praticamente pronta para você apenas aplicar a seladora e vir com a pintura final.
Mas a forma que você está utilizando te proporciona já essa qualidade de acabamento final, já na execução ali da...
Não só a forma, é claro assim, o concreto ele é bruto, né? Então, nós temos uma plataforma que fica montada, vamos falar assim, que seria tipo uma plataforma deslizante. Você tem a primeira plataforma aqui, é onde...
A parte de cima.
A parte de cima, o colaborador insere o concreto dentro da forma. A plataforma intermediária é onde o pessoal começa a montar a forma. Os carpinteiros, no caso, né? Faz a montagem da forma. e tem uma plataforma abaixo, que fica abaixo da laje onde você está executando o concreto. Essa a gente chama de plataforma do pedreiro, é onde ele já vem dando acabamento. Então ele concreta, a gente concretou aqui, deu tempo de resistência, sobe a plataforma, o pedreiro fica exatamente na altura para dar acabamento. nessa parede.
Então, de acordo que eu vou avançando, a parte de baixo dessa plataforma, ela já me proporciona, dando acabamento, vou avançando, a fachada já está pronta.
Preparada para você vir com a pintura da fachada. Isso, você elimina a etapa de massa da fachada. Você não precisa concluir a estrutura para começar a executar a massa da fachada, para depois você colocar o cachilho. Nossa, que interessante.
E eu imagino também que, inclusive, a qualidade desse... dos lugares aí, dos pontos onde vão receber esses caixilhos, também vai chegar com uma qualidade milimétrica absurda.
Não, chega. Por quê? Porque a gente trabalha com um gabarito metálico. Entendeu? Então, você instala o gabarito ali, a probabilidade de você sair do esquadro é praticamente zero. São gabaritos metálicos, que tem uma estrutura que vai te garantir esse vão. Então, você vai chegar com o seu cachilho... As fábricas de cachilhos, eles trabalham com milímetros. Então, é perfeito. E nós conseguimos esse resultado nesse sistema de parede concreta, com esses gabaritos metálicos.
É, eu tô te falando porque a gente tá falando de industrialização da construção e a gente fala da construção tradicional, de alvenaria tradicional, a gente fala ali de... De distorção de centímetros, né? Quando você vai pra industrialização, você passa isso pra milímetros.
Pra milímetros! Exatamente, pra milímetros.
É quase zero, assim.
Quase zero.
É uma qualidade absurda.
É, e nós já estamos nessa etapa de instalação, como é o primeiro empreendimento que eu tô fazendo com parede de concreto, né? Então, também... apesar da experiência que eu tenho, continua aprendendo. Sempre, cara. Paulo, a gente sempre vai dar pra aprender. Não adianta você falar, ah, já sei. Não sabe, cara.
Isso é um recado.
Todo dia você vai aprender uma coisa.
Para os novos engenheiros que estão chegando agora nas obras, se preparem porque a engenharia é fascinante pra isso.
É fascinante. Você sempre tá aprendendo, cara. Isso é uma delícia. É muito bom, é muito prazeroso, é muito gostoso. E eu gosto muito de compartilhar o meu conhecimento com as pessoas. Adoro.
E eu vou aproveitar que você tocou nesse assunto de pessoas. A gente já conversou um pouquinho lá atrás. E na minha visita lá na sua obra, na obra que você gere, E falo de novo pra você que eu fiquei muito feliz em ver a forma como você conduz ali, né? O seu... A troca com o seu time. Recentemente, nós tivemos um episódio aqui super bacana com o Flores, que é um querido, que ele fala muito de gestão de lideranças na obra, a gestão na vida. Ele fala, seja gentil com as pessoas e rígido com os processos.
Isso.
Né? Então, assim, como que você... Que conselho você daria para um gestor de obras ou gestor de qualquer empresa? Porque a gente fala muito que o engenheiro é durão, que a engenharia é durão. A engenharia tem essa fama, você sabe disso.
Qual conselho eu daria? Eu acho que a gente não vai conseguir alcançar nenhum resultado se não tiver todas as pessoas envolvidas. com foco e com o mesmo objetivo. E eu acho que nós só conseguimos isso, vamos dizer assim, trazendo a nossa para perto de você e tratando com, também, responsáveis e transmitindo para eles a sensação de que nós só vamos conseguir, eu, Fábio, como gestor, só vou conseguir alcançar o objetivo Se eu tiver de vocês ao meu lado, se a gente estiver trabalhando junto, com o mesmo objetivo, é que a gente fala, e eu levo isso muito a sério, ali a obra é uma família, e é mesmo, Paula, é uma família. Cara, a gente sai todo dia cedo de casa, os colaboradores saem cedo de casa, e fica o maior tempo da vida deles ali com a gente. Então, se a gente não recebê-los bem, se a gente não tratá-los como pessoas importantes, e são muito importantes, Na verdade.
Eu até falo, brinco com o pessoal nas obras, que vocês não são pedreiros, vocês não estão colocando tijolo, não estão pintando, não estão soldando. Vocês estão construindo sonho de pessoas. Então, esse senso de pertencimento de um líder É muito importante ele incutir na cabeça daquelas pessoas essa... Olha, aqui você não é um pintor. Não, você tá construindo o sonho de alguém.
Você tá fazendo parte do sonho de alguém. Então faça, faça com carinho. Faça o melhor que você pode fazer. Desse é o melhor. E não faça apenas o seu, pensando que você fazendo o seu tá tudo certo, não. O colega seu que vai fazer o serviço seguinte, Ele tá na mesma luta que você. Então, faça bem feito o seu, pra que o seu colega possa fazer bem feito. Teve uma obra, que foi uma obra bem complicada. Era uma obra horizontal, né? De um condomínio de 200 sobrados e tal.
200 sobrados?
200 sobrados, é. Um condomínio de 200 sobrados, lá em Mogi das Cruzes. E eu lá era residente ainda, né? Eu falei, meu, tá difícil essa obra. Eu preciso trazer mais confiança pra essa equipe aqui, né? E ela era faseada. Um dia eu falei, eu vou pegar esse pessoal hoje, meus líderes, os encarregados, tudo. Vou caminhar na obra com eles. Chamei tudo e falei, hoje a gente vai fazer um negócio diferente. E comecei a andar na obra. Você tá vendo aqui, cara? E nós já tínhamos a fase, tinha a fase que eu tava na fundação, tinha a fase que eu tava na vareia, e tinha a fase que eu já tava com os sobrados quase prontos. Eu peguei eles e disse, ó, nós começamos a fazer a fundação, Nós fizemos a estrutura e fui caminhando na obra, que era um canteiro bem grande, né? E fizemos a estrutura, tá aqui e olha o resultado, cara. São vocês que fizeram isso, não fui eu. Eu só direcionei pra vocês. Cara, olha o resultado que vocês fizeram. Eu te juro, Paulo, assim... os olhos desses líderes, eles encheram de lágrimas. Naquela correria do dia-a-dia, eles não percebem isso. O que eles estão realmente construindo. É o sonho de pessoas. E eles viram ali num caminhar de meia hora. Eles dizem, pô, a gente começou aqui, isso e isso aqui. Olha a coisa linda. Olha que maravilha.
E você falar de olho brilhar, né?
É.
E ao lembrar dessa situação, o seu.
Olho também está brilhando. Maravilhoso. Essa sensação é muito boa, Paulo, você começar um empreendimento e ver o resultado final. E também, nessa última obra que eu entreguei... Estava no dia da Assembleia, né? Aí o pessoal fez a Assembleia, tudo aí, o pessoal, os proprietários começam a andar a obra e conhecer o empreendimento que eles adquiriram. E tinha uma menina, e eu estava lá na parte da cobertura, que era a parte de salão, essas coisas, e a piscina e tudo mais, né? E ela estava fazendo um vídeo Assim, feliz da vida. Olha aqui, ó. Finalmente, eu consegui comprar o meu apartamento. Cara, aquilo é de uma emoção muito grande. Você vê a felicidade do cliente final recebendo exatamente o que ele esperava. Entendeu? Putz. Isso deixa a gente muito satisfeito.
Eu tô extremamente emocionado.
É, mas é verdade. Vamos chorar junto aqui.
Não, vamos chorar. E sabe o que me chama muita atenção? É quando eu falo em envolver as pessoas, Sabe aquela... Por que que eu estou participando de tudo isso? A gente estava conversando antes, fora das gravações, a gente conversou muito. Até começar a gravar. E a gente fala muito, por que que eu estou fazendo isso? E você tocou em um ponto importante, de se colocar no lugar do outro. Quando eu estou executando a minha atividade, eu estou pensando em quem vai dar continuidade na minha atividade? Porque se eu incutir na cabeça daquela pessoa essa responsabilidade, eu tenho certeza que essa pessoa que pegou a minha etapa anterior, sabe? A gente vai começar a criar um efeito dominó.
Exato.
Eu diria de... de bons líderes. Porque quando eu falo líder, na verdade, de certa forma, quando você pega uma etapa anterior, de certa forma, eu tô liderando aquele próximo profissional que vai pegar aquilo. Então, ou seja, numa obra, todos temos responsabilidade. Você chegar no final e ver, ó, uma pessoa pegando a chave do seu apartamento, da sua casa...
É feliz, cara!
Imagina!
E feliz.
Eu fiz parte disso.
A gente fica muito feliz com a alegria deles.
E eu queria que você falasse um pouquinho, rapidinho, de forma rápida, porque você entra na engenharia, você fica um tempo como residente, depois você vai pro Japão. Fica um tempo, só que você sai da engenharia e volta depois. Eu queria que você falasse um pouquinho dessa sua experiência e como que você trouxe conhecimento do Japão para a engenharia.
Vamos lá, Paulão. Eu me formei em 98, mas eu fiz o curso de Tecnologia e Edificações e meu primeiro estágio foi dentro de indústria. Então, eu comecei dentro de indústria, não foi nem na área residencial, foi dentro de indústria. E lá as coisas eram muito assim. Eram precisas, e o cronograma ali era... Você terminava de fazer uma base, já tinha uma máquina pra ser colocada ali na... Pra começar a produção. E... De indústria, aí depois eu tive a oportunidade pra... Fui convidado pra construir um prédio, foi meu primeiro prédio lá em Mogi das Cruzes. Onde eu era... Primeira obra nos... Puts... Um desafio tão grande, eu falei, nossa, como é que eu vou construir esse prédio? Meu Deus do céu!
Frio na barriga.
Frio na barriga. Mas, graças a Deus, eu tive bons mestres, que me deram o maior apoio. Tiveram a paciência de falar, o doutor, até o meu mestre, o primeiro mestre que eu tive, ele falou, o doutorzinho, vamos fazer direito aí, doutorzinho. Não esqueço isso. Eles tiveram muita paciência. Talvez o que eu levo hoje para orientar a minha equipe foi consequência desses professores que eu tive anteriormente.
Eu costumo dizer que a gente dá pro outro aquilo que tem. Se você tem amor, você dá amor.
Exato. Eu acho que eu tive muito.
O que você tá incutindo hoje, o que você tá colocando nas pessoas, tá dando pras pessoas, é muito do que você teve no passado.
Bom, aí eu terminei essa obra e minha esposa é descendente, ela é Sansei, terceira geração da nação japonesa. E todos os irmãos dela, a família dela, estavam todos no Japão. E ela tinha um grande desejo de ir lá visitar os irmãos. E eu tinha um desejo de montar uma construtora, vamos dizer assim. Só que eu não tinha recursos. E, naquela época, parecia-se que essa ida ao Japão conseguiria um recurso financeiro muito rápido. E eu juntei essa minha vontade de querer juntar um recurso rápido com a vontade dela ficar perto da família dela um pouco. Eu me aventurei, trabalhei lá, foram sete anos, um país fantástico, fantástico, onde as coisas realmente funcionam, tá? E fomos pra lá, fiquei sete anos, acabei ficando, fomos pra ficar três anos, tá? Mas ela acabou engravidando lá. Aí praticamente passamos a morar no Japão. E foi sensacional. Não me arrependo nenhum minuto de ter passado por essa experiência. E o povo japonês é muito sistemático. Ele não é... Como brasileiro, não tem, mas é sistemático e funciona muito bem as coisas. As coisas lá são muito bem planejadas.
Costumam dizer que o japonês é muito unido.
Eles são muito unidos, tá? E também não confiam, principalmente nos dekasekis, vamos falar assim, né? Mas a partir do momento que você conquista a confiança deles, meu, você é sensacional. A forma com que eles te tratam, o respeito que eles têm por vocês...
É, você passa a fazer parte daquela comunidade, né?
Você passa a fazer parte, exatamente, passa a fazer parte daquela comunidade. E como eu estava falando, eles são muito sistemáticos, eles planejam muito as coisas, eles testam muitas coisas antes de iniciar qualquer atividade. e não aceitam falhas. Talvez eles exageram até nesse ponto. Eles não aceitam falhas. É inadmissível falhas. E quando tinha alguma falha de alguma peça, de algum componente de veículo que deu problema na produção, nossa, a fábrica parava. Eram designados pessoas pra se locomover até a outra onde essa peça ia pra fazer toda uma checagem em todas as peças. Pra identificar a causa, né? A causa. Mas eles levam isso muito a sério, tá? E essa questão deles serem muito sistemáticos, eu trouxe um pouquinho pra minha vida e pra aplicar um pouquinho aqui na Construção Civil. Só que a gente tem que adaptar um pouquinho, né? Não dá pra trazer, né? Então, consegui adaptar. Eu acho que, através dessa adaptação, eu tô conseguindo bons resultados aí com a minha equipe.
Eu vou te contar um segredo. Por conta dessas experiências que você teve no Japão, se eu tivesse uma construtora, a primeira proposta que eu ia fazer era trazer você para trabalhar comigo. Porque eu acho que essa experiência, de verdade, eu falo que a empresa na qual você trabalha tem muita sorte de ter um profissional como você que viveu essa experiência. Eu trabalhei muito. muito tempo com japoneses, por isso que eu conheço um pouquinho da cultura, e eu acabei entrando também, de fato, nessa comunidade deles. Sou apaixonado pela cultura japonesa e como eu aprendo.
Ah, assim como a gente tá sentindo.
Como eu aprendo essa questão de tolerância zero ao erro.
É.
Eu tenho isso comigo, eu sofro muito com isso.
Então, somos dois. Salve! Meu Deus! Às vezes, eu falo e paro de se exigir tanto assim.
Não, e no dia que eu fui na sua obra, sabe o que foi interessante? Porque a gente estava num pavimento que, na minha cabeça, não precisava de cinto de segurança. E você, não, tem que ter o cinto, tem que ter o cinto, porque eu falei, meu Deus do céu, agora eu posso revelar isso pra você, e agora eu sei de onde veio, sabe?
Então, justamente, se tem equipamento, e lá no Japão, principalmente, Eu trabalhava numa linha de produção, o Paulo, então, todos os dias. Na construção civil, a gente fala o DDS uma vez por semana. Na minha obra, a gente costuma fazer às terças-feiras. Na fábrica onde eu trabalhava, eu trabalhei em três fábricas lá. Era todos os dias, pelo menos cinco a dez minutos, antes de iniciar qualquer serviço, era feita uma reunião.
Gente, DDS, pra quem não sabe, é Diálogo de Segurança, tá? Inclusive, mandar um beijo pra minhas amigas, meus amigos aí, que é uma profissão que eu admiro demais. Eles estão todo dia ali encurtindo na cabeça das pessoas.
Eles precisam ter muita paciência pra conseguir fazer com que essas pessoas entendam que eles estão ali para garantir a segurança da própria pessoa. Entendeu? E foi isso. Então lá no Japão, todos os dias, sem exceção, sem passar um dia sem fazer, era feito IDS. pra falar de segurança, pra falar da meta que a gente teria que alcançar, da meta que a gente conseguiu bater, ou da meta que a gente não conseguiu bater e por que não conseguiu bater, então é muito sério, cara, é muito sério.
É, e aquilo que a gente falou, né, você acaba envolvendo as pessoas, né, e trazendo a porquê que você está.
Fazendo parte de tudo isso. Por que que você está ali, é fantástico.
Agora eu tenho uma pergunta pessoal pra você.
Fica, vamos lá.
Como você faz parte desse movimento? Hoje somos o Constricast reconhecido pela credibilidade dos convidados, né? E você faz parte agora desse movimento.
Obrigado, obrigado. Com muito orgulho.
E pela qualidade dos conteúdos gerados agora. Pra dar continuidade nessa credibilidade, a gente tem o quadro convidado convida. E você tem o direito de trazer aqui um convidado. Ou dois, enfim, aqui. Hoje você manda.
Hoje eu mando. Poxa, saiba que o Paulo, assistindo, eu acho que um tema legal e é uma pessoa que ele nem sabe, mas agora ele vai ficar sabendo, que eu gosto muito, é o engenheiro Fred, da Zax Falcone. Ele é consultor de solos e de projetos de fundações. Eu acho ele uma pessoa extremamente inteligente, que conhece profundamente todos esses sistemas de fundação, que tem uma vasta experiência aí no mercado. E ele traz uma tranquilidade tão boa nas soluções e ele envolve a gente nessas coisas. Eu acho que é uma pessoa muito... que ia agregar muito aqui no Coast to Cast.
Sabe que é uma pauta também que eu tenho muita curiosidade de entender como funciona na prática. Inclusive entender um pouquinho como funciona aquela parte de bombeamento. Meu, como que essa obra vai acontecendo? Você vai descendo ali? Imagina, e a água? Como que vocês vão...
É isso que eu acho, assim, fantástico. Porque na construção do servil, do terreno pra cima, você consegue prever tudo.
Sim.
Você consegue, pra baixo, você não sabe o que tem. Você tem um estudo ali de uma sondagem que foi feita, mas nem sempre ela é... É assertiva. Eu já fiz obra em que eu tinha uma resistência ali que eu tinha que cravar esse perfil metálico com 12 metros. Eu cravei 30 metros. E a sondagem estava ali tipo 1 metro de distância ali de onde eu cravei esse perfil. Então, é um desafio muito grande. Por isso que eu admiro demais. Eles trazem soluções sem saber o que tem pra baixo.
Eu vou aproveitar que você está muito à vontade nesse episódio, está muito à vontade mesmo. Olha para aquela câmera e convida ele.
Fred, Fred, você está convidado a participar de um bate-papo aqui no ConstruCast com o meu amigo Paulo aqui. Venha, é sensacional. Vai ser muito legal você compartilhar suas experiências aí. Está convidado, né, Paulo?
Está convidado, inclusive eu vou atender, porque eu quero trazer mais esse tema, porque eu falo, gente, Eu acompanho a construção de grandes obras, inclusive de metrô também. Mas eu tenho curiosidade pra entender, de fato, na prática, como que funciona aquela parte de você... Principalmente a parte de rebaixamento, onde você vai rebaixando ali. E esse bombeamento da água, como que funciona o travamento pra aquela água não invadir, né? Então, assim... Vai ser um bate-papo legal.
Você tocou num assunto aí agora que eu até me esqueci de comentar. Esse empreendimento que eu tô fazendo lá.
Agora... Que eu visitei.
Que você visitou, é sobre o túnel do metrô.
Nossa, que legal!
É, somente no metrô. O metrô passa exatamente no meio do prédio. Então, o Fred participou da parte de fundação, que desenvolveu todo o projeto de fundação para sustentar o... Para você ter uma ideia, a ponta da nossa estaca está a 3 metros do... da parte superior do metrô. Ela para a três metros da parte superior do metrô. Então, é um desafio muito grande.
Por isso que eu falo, a engenharia é fascinante.
É fascinante, é fascinante. É demais, cara. É demais. E eu agradeço até o diretor da minha empresa que me deu essa oportunidade de... Fábio, essa aqui você que vai encarar, cara. Vai lá e... Nosso desafio dessa obra aí.
Você sabe que eu tenho uma coisa comigo? Geralmente, quando eu admiro uma pessoa, eu gosto de falar o nome dela. Qual que é o nome do seu diretor?
Marcelo Wisniewski.
Marcelo, um abraço pra você e, ó, você tem um cara incrível na sua empresa. Ô, Fábio, agora eu queria aqui, só pra gente... Eu tinha algumas perguntas, mas pra o episódio não ficar muito extenso, eu vou aproveitar pra gente voltar numa outra oportunidade. Uma coisa que eu esqueci de te perguntar, não sei se você respondeu. Qual foi o ganho que você teve na utilização dessa forma só na fachada?
Na fachada, eu tive um ganho aproximado entre 4 e 6 meses. É o tempo que demora uma fachada para você executar no sistema convencional de estrutura de compressa.
Você consegue antecipar com esse prazo.
Consegui antecipar. É o que viabilizou até esse empreendimento para a gente.
Além da qualidade construtiva.
Além da qualidade construtiva, lógico.
Quando a gente fala de sustentabilidade, está muito ligado à sustentabilidade.
É, a gente tem que considerar todas a qualidade construtiva, a industrialização, né? Vamos trabalhar juntos aí, Paulo, pra gente conseguir trazer isso, né?
Vamos nessa e, inclusive, quando, lá na Modern Construction Show, eu faço questão de você ir participar, inclusive, de um bate-papo rápido lá, falar da feira, do que você viu, das novidades, enfim. Agora eu queria que você falasse aí, desse suas considerações finais, um abraço pra quem você quiser e a gente vai aí se encontrar em outros episódios, eu tenho certeza disso.
Ô Paulo, eu primeiro agradecer profundamente a oportunidade que você me deu aí pra participar dessa sua empreitada aqui fantástica que é o ConstruCast aqui, né? E você traz nomes de peso, tá? Isso é muito importante até pra facilitar a vida, até nossa, dos gestores mais experientes, pra conseguir buscar soluções com quem, pô... Às vezes a gente acha que só a gente tem essas dificuldades, mas não. E você trazendo esse conteúdo acrescenta muito pra todo mundo. Então, quem não teve a oportunidade, que... Que aproveite isso, que curta, como eu curti. Depois que você fez a visita pra gente, eu falei, poxa, preciso conhecer. Meu, eu fiquei muito feliz, cara, com o trabalho que você e a Gabriela desenvolvem. Parabéns mesmo, cara. Não, é muito... E continue, por favor. Você que tá contribuindo demais pra gente, cara, na construção.
É muito bacana. Eu fico feliz em ouvir de você, que você... consome nossos conteúdos. E até aproveitar esse momento pra agradecer a parceria de algumas empresas que colaboram com esse nosso trabalho. Tem agora... Fechamos uma parceria grande... Que bom! Com o maior portal de conteúdo da indústria da construção, arquitetura e engenharia. Eu estou falando do portal Hub e Construção. Qualquer tema, qualquer conteúdo que você quiser saber, sobre a cadeia da Conção como um todo. Se não estiver lá, você manda um e-mail, vai lá nos contatos, manda um e-mail que eles preparam para você. Inclusive, esse episódio que você está assistindo ou ouvindo agora, saiu uma matéria especial no portal com a participação do Fábio Mello. Então, você vê que a coisa está ampliando. Começou com uma brincadeira com o propósito de unir o setor de construção, arquitetura e engenharia. Ou seja, unir vocês, engenheiros dos arquitetos.
Importante.
E hoje tomou essa proporção toda. Fico muito feliz. Mais uma vez, agradecer aos meus parceiros. Você citou o nome da Gabriela, mas tem outras pessoas.
Tem outras pessoas, com certeza. O Márcio e a Karina.
Enfim, o Flávio, o Fábio, o Lucas. Tem uma galera grande trabalhando. aqui conosco e eu fico, de verdade, fico emocionado de ter pessoas tão especiais. Inclusive, quando eu falei especial, estendendo para os convidados que vêm aqui fazer parte desse movimento.
Muito bom, Paulo. Isso aí, gente. Fiquei muito feliz em participar.
Obrigado mais uma vez. Você que esqueceu de comentar o que você achou do conteúdo, ainda dá tempo, compartilhe nossos conteúdos, gente, estudantes de engenharia, estudantes de arquitetura, profissionais de obras, se você tem um gestor que na sua cabeça ele precisa melhorar, compartilhe esse episódio com ele, eu tenho certeza que as dicas e o jeito de liderança do Fábio pode de repente incutir aí o desejo de mudança na cabeça do seu gestor. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constricash.
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