Gestão de Obras na Prática | Inovação | ConstrueCast

Lucas Simas, engenheiro do Rio de Janeiro e ex-fuzileiro naval, explica como recuperou uma obra que perdeu 20% do orçamento através de planejamento, padronização e métodos industrializados. Ele detalha o uso de câmeras, relatórios e time-lapse para controle, além da importância do marketing visual da obra.
Questions this video answers
Rio de Janeiro.
35 anos.
Três filhas (uma prevista para novembro).
Fuzileiro naval (Marinha).
Mercadão Municipal, São Paulo.
Chapters
Construir, castar, arquitetura, engenharia e construção.
Gestão de obras na prática com foco em inovação é o tema do nosso bate-papo de hoje. Seja bem-vindo, Lucas. É um prazer receber você aqui. E eu já aproveito para pedir para que você se apresente um pouquinho para a nossa audiência.
Então vamos lá. Me chamo Lucas Simas, sou natural do Rio de Janeiro, casado, pai de três filhinhas agora.
Porra, três?
Três filhinhas. Três meninas. Uma tá vindo agora em novembro.
Você tá precoce, hein?
É, tô com 35 anos, tenho 35 anos.
Imagina, com 35 anos, já com três filhos, meu amigo, imagina quando a gente for falar de obra, o que você não já fez? Lucas, e assim, como que você entra no mercado de engenharia? Só queria que você, só que antes de falar propriamente da sua inserção no mercado de engenharia, eu queria que você falasse um pouquinho o que que te leva de fato, né? Por isso que é importante conhecer um pouquinho antes da sua história, ou seja, com quantos anos você começou a trabalhar, para que a nossa audiência entenda que, apesar da sua pouca idade, você pode, sim, ser um profissional diferenciado, porque a engenharia, ela tem aí os desafios de, às vezes, a gente só adquire um respeito quando nossos cabelos vão ficando brancos, né? Às vezes, eu participo aí de rodada de negociação no mercado de engenharia, e eu sei bem como que é. Por essa razão é importante você fazer esse, como que você entra na engenharia.
Perfeito, bem colocado, porque isso acontece com muita frequência. Realmente, a parte de você estar aparentando ter um pouco mais de juventude, isso passa para o cliente que não te conhece, passa a falta de experiência, Então, dependendo do seu posicionamento, você não passa tanta autoridade, tanta credibilidade. Mas a minha trajetória começou bem na infância, então eu sempre morei em casa. Minha casa sempre esteve em obra, desde que eu me entendo como gente. Eu chegava do colégio, minha casa estava em obra, então meus amigos eram meus próprios pedreiros. Brincava de fazer massa com ele, carregar tijolo. Então, já tive essa inserção desde muito cedo. Meu pai era o construtor, então ele também sempre trabalhou com obras. Tive essa influência, fui gostando, também já gostava. E um dos meus primeiros trabalhos foi quando ele estava justamente do tema, em gestão de obras. Ele estava pegando muitas obras simultâneas ao mesmo tempo. E eu comecei a tocar a obra já sozinho, só por acompanhar ele e vendo como funcionava. Além de estar familiarizado com a mão de obra. Então ali eu já fui assumindo uma postura, imitando, no caso ali, o meu pai. E eram todos amigos, eu me senti mais seguro, mais confiante. E aí começou, então, essa influência veio desde muito cedo.
Ô, Lucas, aí até abrir um parêntese aqui, não perca seu raciocínio. Quando você via seu pai ali naquele dia a dia de obra, você via os desafios, não sei se era o caso de obra atrasar ou não, porque obra geralmente quando você não tem uma boa gestão, principalmente quando você começa a pegar várias obras e você não tem ali uma boa gestão de time, de equipe pra conduzir de uma forma que, ou seja, que cada uma ande no ritmo e seja entregue no prazo, no custo, enfim. Você ficava com aquela sensação, mesmo sendo jovem, cara, isso aqui se tivesse feito de tal forma teria dado certo?
Isso. Eu sempre fui também muito organizado. Então eu via essas falhas, essas faltas de gerenciamento. Porque isso também acontecia. Então assim, como toda obra, não toda obra, mas com muita frequência, eu via que tinha falha de atraso. Então, um material que foi mal calculado ou que não estava previsto. E isso aí se resolve com que? Com organização, processo. Você prevendo já todos os seus discos, você fazendo um conhecimento, um reconhecimento do local, vizinhos, rua, logística, mão de obra, condução, local para almoço do pessoal. Então, tudo isso aí a gente já vai colocando dentro do nosso orçamento, prevendo já todos os eventuais atrasos, riscos, para que a gente não deixe passar despercebido. E aí, com a organização, a gente consegue seguir esse caminho com menos dificuldades.
É engraçado, você falando de organização, planejamento, essa questão de você, ah, tudo bem, eu pego uma obra, eu tenho que fazer uma análise sobre as questões logísticas, fazer uma análise ali da vizinhança, que tipo de transtorno pode ter e como que eu posso evitar. Eu penso que esse tipo de pensamento a gente pode levar para todas as áreas.
Exato. No campo de obra, então assim, a gente já vê O vizinho do lado tem um muro baixo, tem piscina, tem esposa, tem filha. Eu vou trabalhar com pedreiro. Então a gente, vou fazer uma proteção ali que eu não quero tirar a privacidade, não quero causar a obra a ser mais transtorno pro vizinho. Então já vou me preocupando com isso, então já coloco, já prevejo aquele... aquele tapume, não vou botar um tapume também de qualquer jeito, vou botar uma coisa pra que fique apresentável, pra que fique confortável para os meus vizinhos. Então, na rua, quando for entregar material, tijolo, cimento. Então, eu vou parar, vou interditar. Então, tudo isso aí a gente já tem que ir prevendo.
Não, é importante. E aí, esse ponto que eu falei é muito interessante, porque quando você faz esse planejamento é igual, ah, eu passei um orçamento, por exemplo, para produzir um vídeo, né? Que é a minha área, que eu atuo aí com comunicação audiovisual para o mercado de indústria, arquitetura e engenharia. há muitos anos e já teve casos, óbvio, não foi uma vez, nem duas, nem três, enfim, várias vezes. Na hora de passar um orçamento, eu não calculei as visitas que eu ia nesse cliente, entende?
Então, não calculei os cafezinhos, a gasolina, estacionamento, o tempo que eu deixei de.
Atender outro cliente porque eu me desloquei. Então, são essas e várias outras questões que é importante você que está nos assistindo ou ouvindo Fique atento, porque o planejamento é parte fundamental para o sucesso de qualquer negócio. Então, esse episódio é muito dedicado, não só para a construção civil, mas para qualquer área de quem quer, de fato, planejar, organizar e, sobretudo, coloca a tecnologia como meio que dá certo. Pessoas no início, tecnologia no meio e pessoas fechando o ciclo. Ô, Lucas, agora eu queria que você falasse um pouquinho Como começa o seu... Eu queria que você falasse um pouquinho do desafio da sua formação, né? E dando continuidade como que foi sua primeira obra.
Perfeito. Comecei a trabalhar muito cedo. Então, meu primeiro trabalho não foi direto na obra.
Mas você já estava formado em engenheiro? Ah, não.
Eu ia começar até mais... Tá, não.
Pode, por favor.
Mais novo. Então, é assim. Eu comecei a trabalhar muito novo. Eu comecei fazendo imã de geladeira, cartão de visita. Vendi bebida na praia. Então eu fui trabalhando já desde muito cedo pra conseguir ter as minhas coisas que eu via as condições também da minha família. E eu já tava naquela fase de adolescente, jovem, precisava ter as minhas coisas pra me sentir bem, me sentir mais seguro. E aí eu fui vendo que o método pra conseguir isso seria o trabalho. Então eu comecei a trabalhar mais cedo, fui conquistando isso. E aí, passei na prova pra marinha, eu fui militar.
Isso que legal!
Fui militar fuzileiro naval. E associei, assim que eu passei pra Marinha, eu tava ganhando já uma condição financeira melhor. Foi quando eu entrei na faculdade. Então eu tava associando a vida militar e à noite eu fazia minhas aulas. Então eu saía do quartel, ia pra faculdade. Depois eu tinha que retornar pro quartel, quando eu tava de serviço. E foi assim ao longo de toda a minha trajetória. Assim que eu me formei, eu dei baixa também na Marinha. E fiquei só mais um ano no Rio de Janeiro e depois eu vim pra São Paulo. foi quando eu comecei a pegar bastante serviço, por indicações também, de clientes que eram de outra área de mercado de importação, mercado internacional. Então, comecei a pegar bastante obras e fui indicando, foram gostando da minha metodologia, do meu protocolo de trabalho, da organização, desde o início, da montagem do contrato, da apresentação do orçamento. Então, tudo é uma coisa que não fica chata de ler. Então, tudo isso aí foi passando para o cliente, foi passando autoridade, segurança, para que hoje a gente vá, a cada obra, implementando novas melhorias para que a gente consiga atingir sempre num nível maior.
E aí, quando você se formou, como que foi a experiência da primeira obra?
Como eu já vinha acompanhando, eu tive a maior dificuldade, no caso aqui, foi de conseguir mão de obra, por eu não ser natural daqui de São Paulo. a maior dificuldade foi de conseguir a mão de obra.
Porque você se formou no Rio e veio para São Paulo.
Exato. E aí minha primeira obra em São Paulo, eu não tinha uma equipe de mão de obra. Mas como eu reformei o meu escritório, por uma indicação do prédio, eu consegui um empreiteiro que fez a reforma do meu prédio, do meu escritório. O projeto foi feito por mim, do meu escritório de importação. E aí eu fui pedindo indicações, né? Preciso de um gesseiro, preciso de um cara pra colocar um porcelanato. E começou assim. Até... É interessante. É, mas eu já tive casos de procurar na internet quando não tinha ou quando faltava, quando não atendiam.
E aí, por falar em mão de obra, que a gente tá vivendo de fato a escassez, esse episódio é um oferecimento por tal Hub e Construção e Produtora de Vídeo Infinity Plus. Você sabe que no portal, tudo que você quiser saber sobre construção, tem tudo lá. Você que quer, inclusive, aprender mais como que eu melhoro a minha qualificação profissional, a gente tem materiais técnicos, tem materiais informativos, por exemplo, para que serve um ACM, quais são as aplicações, os conteúdos, eles são assinados por um engenheiro especialista, então, se eu tenho algum conteúdo sobre impermeabilização, tem algum engenheiro ou engenheira assinando esse conteúdo para que ele seja, de fato, um conteúdo transformador. Então, isso é importante. Portal, hub e construção.com.br.
Excelente dica.
Agora, você falou aqui de pilares da construção com estrutura metálica. Você menciona quatro pilares indispensáveis. Qualidade, resistência, velocidade e economia. Claro, com sustentabilidade. Você poderia detalhar um pouco como funcionam esses quatro pilares?
Sim, essa é uma história até bem interessante, como que eu comecei a implementar esses quatro pilares dentro do meu protocolo, dentro do meu método construtivo, como solução. Surgiu quando, já deve ter acontecido com muitos engenheiros, arquitetos, construtores, um estouro de orçamento. Então, no início da obra já previ esse estouro, Porque ficou uma falta de informação, ficou confuso, pavimento com andar. E aí, acabou que eu dei mole em um andar. Então assim, faltou material, mão de obra, faltou todo o cálculo de orçamento pra calcular um pavimento.
Nossa, um pavimento?
Exato. Um pavimento, mas esse um pavimento significava 20% da obra, porque eram quatro pavimentos. Então era um estouro bem grande. E aí, eu tinha calculado toda a obra no método construtivo convencional. Então a gente tá falando de tijolo, cimento, areia, pedreiro, servente. Então, pra eu conseguir sanar esses 20% que eu tava estourado, Inclusive prazo, né? Exato. Tanto em prazo, que meu prazo tava calculando pra três pavimentos, né? No caso, teve essa confusão. Então, eu tive que conseguir entregar no prazo e no custo certo. Então, foi o meu maior desafio até hoje. E eu tava somente com essa obra. Então, assim, não tinha nem a opção de eu conseguir tirar de uma outra obra, fazer um jeitinho e ir jogando pra frente. Então, foi quando eu comecei a pesquisar, comecei a procurar produtos, materiais, mãos de obras diferentes, inovadores, tecnologia. Então, eu fui encontrando substitutos. Então, assim, o que posso substituir? Como eu posso substituir a parede de tijolo? Como eu posso substituir o reboco convencional com massa, cimento, servente, ocupa muito espaço na sua obra. Eu tinha um espaço também reduzido. Então, com isso, eu não podia receber muito material, então eu tinha que pagar mais frete. Então, como eu consegui juntar tudo isso e não conseguir... e absorver esses 20% sem prejuízo? Então, foi numa obra dessa aí, foi ano passado, essa obra, né? A gente tá falando de... Tem um ano e meio, né? Foi o início do ano passado aqui em São Paulo. E através desses métodos constitutivos inovadores, né? Procurei produtos que fossem mantivessem a mesma qualidade ou superior. Então, foi o meu primeiro quesito. Segundo, que fossem rápidos, por conta do meu prazo e por conta da mão de obra que eu vou pagar menos.
É porque você reduz o tempo, reduz o prazo.
Exato, reduzindo o tempo. Então, fui procurando também que utilizasse menos mão de obra. Então, um profissional consegue executar tantos metros quadrados, por exemplo, de reboco, E aí, então tinha que ser barato, ou tinha que ter qualidade, tinha que ser rápido, tinha que ser mais barato pra eu conseguir absorver todo esse valor. E, no final de tudo, ainda procurava, dava preferência pra que fossem sustentáveis, porque nem todos os clientes que estão abertos a aceitar inovações nas suas obras. Então tem clientes que, não, eu quero daquele jeito, eu quero com cimento, por que você tá usando isso? Então, eu aplicando e mostrando tudo isso pro cliente, né, então o cliente até gostava. Ele, ó, vai ser mais rápido se eu fizer dessa maneira.
O Lucas, aí eu quero trazer uma provocação aqui, tá? Acho que a gente tá num bate-papo. O bacana de podcast é isso, que a gente pode fazer uma discussão ali, sabe? Não é uma entrevista. Agora, quando você se depara com uma situação como essa, né? Imagina, você deixou de calcular ali um pavimento. que vai onerar, você vai ter um tempo maior de mão de obra. Enfim, você vai ter um custo, de certa forma, global. Aí você tem aquela, pô, peraí, eu preciso minimizar isso. Só que, ao mesmo tempo, quando você vai encontrar soluções, você tem, muitas vezes, mudança. Eu não diria mudança de projeto, mas você tem mudança das soluções construtivas. E aí você precisa, muitas vezes, recalcular algumas coisas. Tudo bem, você foi industrializar, e quando você foi industrializar, você precisou de fornecedor. E aí, como que é, numa situação como essa, pra você mesmo, numa situação de industrialização, você conseguir fornecedor? Pra que você consiga, de fato, executar no prazo, no preço, e ainda tirar até um pouco de margem.
Hoje, por se tratar de São Paulo, a gente tem esse privilégio de estar bem localizado com um dos maiores polos de fornecedores. Então, eu tive também a sorte de ter esses fornecedores todos bem próximos do meu local de obra. Então, aqui próximo da região de Guarulhos. Então, eu fui conseguindo encontrar esses fornecedores com mais facilidade. Então, assim, desses métodos que eu utilizei, eu utilizei massa polimérica, utilizei reboco pronto, fiz a construção toda em metálica eu faço com isso uma sapata menos robusta porque o metal oferecendo a mesma resistência do concreto comparativo ele tem aí três vezes menos de peso mantendo a mesma capacidade Conversei com o cliente também sobre substituir a laje de shield deck por painel wall. Então, com isso a gente ganhou tempo, ganhou custo. E aí foi associando fornecedores com as soluções que a gente tinha de substituir alguns materiais convencionais.
E aí é bem interessante, acho que ficou bem claro essa sua inquietação por inovar e, sobretudo, você tem também um processo de convencimento do investidor, né? Porque tudo bem, eu mudei, de repente, o método construtivo, mas aí eu vou ter também um processo de convencimento daquela pessoa que está fazendo o investimento. Então, eu achei bem interessante nesse sentido. Agora, antes de eu continuar com a minha pergunta, eu queria só te fazer uma bem pessoal. Inovação pra mim é Inovação para mim.
É você construir com soluções diferentes. Inovação é você buscar soluções onde está todo mundo acostumado com o método convencional. Isso em qualquer área. Então é você apresentar, é você se destacar, é você se comunicar a fim de conseguir buscar uma grandeza melhor para o cliente ou para você.
Na verdade, de fato, é olhar o que já existe e como que eu inovo em cima daquilo que já existe.
Exato.
Bem interessante. Agora, vamos falar um pouquinho de tecnologia. Quando a gente fala hoje de inovação e você que é uma pessoa jovem, acho que geralmente as pessoas... Tudo bem, você começou muito cedo, trabalhou muito cedo. E como que você enxerga a tecnologia nesse processo de inovação? Porque você teve aí um desafio e como a tecnologia foi utilizada para sanar esse problema?
São muitos problemas que a gente vai enfrentando durante obras, né? E que muitos amigos aqui, engenheiros, construtores, já passaram por isso também. Por exemplo, com a sua mão de obra. Então, assim, você armazena, dependendo da sua organização, você armazena seu material na própria obra. Então, você vai ter furto, Vão ter... Alguém vai quebrar, vai arriscar na hora. Quem fez isso aqui? Ninguém fez. Não vai aparecer o dono. Pô, quem quebrou essa Cuba? E aí, com tecnologia, no caso, eu consigo monitorar todas as minhas obras e o cliente também consegue monitorar. Eu tenho ferramentas de gestão de obra, onde eu consigo fazer o meu relatório, tanto com descrição do que foi feito na semana, com relatórios de fotos. Tem a câmera ao vivo, tem o modo time-lapse, que ele consegue ver a obra toda de 6 meses em 30 segundos, né? Então, fica bem legal do cliente acompanhar como era, como subiu tudo bem rápido.
E você consegue integrar tudo isso num único sistema?
Não em um único sistema. Hoje eu utilizo duas ferramentas. Meus clientes têm acesso a essas ferramentas. Eles conseguem acompanhar todo o relatório. Então assim, tem clientes que têm mais de um serviço comigo. E para ele estar nos locais das obras e agendando essas visitas, não casam as agendas, então ele consegue, achou até mais prático, e todos os clientes acham mais prático, ele do escritório dele, da rotina dele, ele consegue estar acompanhando.
Em tempo real.
Em tempo real e ler todo o descritivo.
Bem interessante, antes de entrar agora a falar do próximo tema, como que você enxerga essa parte de exposição da engenharia? Por que eu estou te perguntando isso? tem muitos engenheiros mestres, papas, e eles não mostram o trabalho que está sendo feito, e aí surgem outros engenheiros que não têm a mesma capacidade, que não têm a mesma qualificação e tudo mais, mas eles têm, de fato, a capacidade de se comunicar e acabam aparecendo como se fossem os papas da engenharia. O que conselho você daria para essa galera, para esses engenheiros que não expõem seu trabalho na internet?
A chave foi exatamente o que você falou. A palavra principal foi a comunicação. Hoje, tem estudos que apontam que 92% das pessoas não se comunicam. E que apenas 8% se comunicam. E essas pessoas, quem tem o poder de fala, hoje tem a vez, tem o passe mais caro. Então, você sabendo se comunicar, você vai conseguir, obviamente, mais destaque. Hoje a internet oferece essa possibilidade de você estar em todas as telas no mundo inteiro.
É, e até uma dica constriquente que eu sempre trago aqui nos episódios, ó, engenheiros, principalmente vou falar para engenheiros, porque, diga-se de passagem, os arquitetos eles sabem se comunicar muito bem. Só que aquelas obras incríveis que os arquitetos fazem, os engenheiros desenvolveram soluções incríveis pra manter aquilo de pé. Portanto, meus amigos engenheiros, que não são poucos, apareçam mais. Pode expor o seu trabalho porque a engenharia é apaixonante, eu sempre falo pra todo mundo. A engenharia é uma coisa mágica, né? Como você falou lá no início, Você... A sua casa sempre esteve em reforma.
Sim.
A minha não é diferente. Né? Então... E é muito legal quando você desenvolve ali uma solução e eu falo que a engenharia, ela tá em tudo. Né? Desde você apertar o parafuso de uma cadeira. Por que você tá apertando aquele parafuso?
Exato. A construção civil, a engenharia, ela está presente realmente em tudo na nossa vida. Desde... Você já sabe de carro, já tem uma estrada, já tem uma rua pavimentada. Então, hoje, você mora numa casa, num apartamento. Então, realmente, está bem presente na nossa vida. Hoje, a engenharia civil está, junto com o agronegócio, representando o PIB do Brasil, né? Então, é um mercado muito em alta.
É muito legal. Agora eu vou sair daqui e vou numa obra portuária, uma obra incrível. Inclusive, eu vou conversar um pouco lá com o engenheiro justamente sobre essa... Eu sempre tive muita curiosidade para entender como funciona uma obra portuária. E esse engenheiro participa das obras mais imponentes no Brasil. Só que assim, eu não tenho acesso. Lógico, vou ter agora acesso a esse engenheiro, mas assim como esse, tem outros e outros. Por exemplo, em Volta Redonda eu conheço engenheiros incríveis. Mas não tem nada sobre esse cara na internet. E como a gente está falando aqui de inovação, de inovar, de exposição, porque justamente para que esses caras que ajudaram na construção do Brasil, continuem aparecendo mais para que eles, de repente, contribuam ainda mais para essa nova geração de engenheiros que está vindo aí. Que, diga-se de passagem, o mercado está precisando de profissionais mais aguerridos.
Exato. Também tem um estudo que, hoje, um país bem desenvolvido, tem uma média de 5 engenheiros a cada 100 habitantes. O Brasil tem meio engenheiro para cada 100 Para cada mil habitantes?
Para cada mil habitantes.
Isso, cinco engenheiros para cada mil habitantes. E isso nos países desenvolvidos, né? A gente está falando de Estados Unidos, Japão, Austrália. E no Brasil, a gente está falando de meio a cada mil. E já é um número que está crescendo bem. Então, assim, a dica é, assim... Todo mundo, ah, tem vergonha. Da vez, certamente, um engenheiro desse foi, postou alguma coisa. E aí críticos vão ter bastante. Então... pra tacar pedra, pra criticar, pra falar, ah, blogueirinho. Então, isso aí vai aparecer sempre, muito, e aquilo já vai criando uma objeção pro engenheiro que gravou, né? Ele, ah, não, já tão me zoando, tão me chamando de blogueirinho.
E o engenheiro, na verdade, ele é um pouco mais conservador.
Exato.
Ele é mais conservador, igual, ah, eu vou fazer um stories aqui. Cara, você tá fazendo stories? Ou você começou antes de começar o trabalho? Ou faz no horário de almoço? É que, de fato, passa uma imagem. Às vezes, eu recebo direct no meu Insta e falo, cara, como você dá conta de tanta coisa? Não, eu gravei aquele stories no tempo que eu estava livre.
Isso.
Eu não estou fazendo aquilo de fato agora. Né? Então, é... É importante que... Cara, não necessariamente o fato de você ter publicado esse vídeo agora, você pode simplesmente não ter sido você que publicou.
Exato.
Pode ser seu assistente de mídia social.
Isso.
Né?
Então... Você pode ter programado, agendado.
Pode ter programado. Então, é importante trazer aqui como você... Como você se comunica muito com a audiência e, de fato, A internet traz um poder muito grande, da mesma forma para o bem, mas também para o mal, como eu estou falando e vou reiterar aqui. Tem muitos engenheiros bons que não geram conteúdo. E tem muitos engenheiros que deixam a desejar que geram conteúdos e acabam ganhando voz.
É, e é aquilo, você começa assim, você começa relatando, né? O engenheiro tá ali, começa a relatar o que você tá fazendo, né? Então, assim, já vai ser uma, já é uma dica que você não precisa criar um conteúdo. Ai, meu Deus, vou produzir um conteúdo, o que que eu vou falar? Começa a explicar aqui, ó, aqui o profissional tá subindo essa parede, aqui a gente tá cavando uma viga baldrame, aqui a gente vai iniciar a concretagem dessa laje aqui de 600 metros quadrados, tá previsto tantos mil caminhões, e por aí...
E aí, de repente, quando terminou alguma coisa, é você fazer um relato rápido, ele faz um pit rápido, entende? Ah, pega ali, vou falar o que aconteceu, o que fizemos em um minuto.
É, o negócio é não ter vergonha e praticar.
Vai praticando, e a prática leva à perfeição. Até aproveitando, mandar mais um abraço para o engenheiro Nilson Tsuji, que eu tenho uma admiração gigante. Você me ajudou muito nesse fato de se expor e com o seu jeito de ser, você acabou me ajudando também a ter coragem para apresentar esse podcast que hoje é reconhecido pela credibilidade e qualidade dos convidados que vêm aqui. Agora, você tem algum case que você gostaria de relatar, um case de sucesso? E como foi o processo desse case?
Hoje eu tenho duas viradas de chave na parte de construção civil. Foi essa obra onde eu tive esse erro de cálculo no orçamento, que foi uma obra... Que você reverteu. Onde eu consegui reverter, então foi um desafio vencido, foi uma barreira que eu consegui ultrapassar, que a nossa equipe conseguiu ultrapassar com louvor. e atualmente onde eu tô trabalhando que eu tô responsável por pela maioria dos serviços no Mercadão Municipal aqui de São Paulo. Então, estou conseguindo implementar, agora com mais experiências, mais estrutura, todo o protocolo de construção que eu sempre quis fazer, desde a parte de organização, padronização, uniformes, EPIs, apresentação, tapume. Então, estou conseguindo implementar tudo o que eu quero fazer, que a equipe tem que ser feita, E, consequentemente, o que a gente recebe em troca? São os elogios do dia-a-dia, né? Tanto dos usuários que frequentam, ó, essa empresa tá... Tá diferente, ó, só da sua apresentação, né? Desde ali do seu tapume. Você já passa maior autoridade, você já passa mais credibilidade. Ali, esse é o cartão de visita. E aí, consequentemente, seus profissionais estando todos padronizados, uniformizados, almoxarifado, tudo identificado. Então, as sinalizações, transtornos, estamos trabalhando, piso molhado, desvio.
Lucas, agora que você tocou num ponto que eu acho muito importante, que é o cartão de visita de qualquer obra, eu tô falando dos tapumes. Como que é o seu processo de fechamento de uma obra, assim? E como que você enxerga a importância do tapume em qualquer canteiro de obras?
Hoje eu enxergo diferente do que eu enxergava há 2, 3 anos atrás, por exemplo. E também muitos construtores também vão debater sobre isso, né, que pra mim era um desperdício de dinheiro fazer o tapume. Então, eu já começava a obra, né, então assim, meu Deus, vai ter que botar salvapisos no piso todo, 250 reais, 300 reais um rolo daquele. E aí, não, vamos colocar um papelão de piso, vamos colocar uma lona, vamos tentar substituir. Isso tanto nas proteções quanto no tapume também. Então no tapume... Eu vou fazer a demolição se já tiver uma construção. Então, eu vou fazer a demolição e a obra vai ficar toda aberta. Eu tenho que colocar um tapu. E aí, inicialmente, colocavam um madeirite simples, tábua, sarrafo. E aquilo não era uma coisa apresentável, não era uma coisa de encher os olhos, mas era econômico pra mim. Fazer uma coisa mais básica. E como a gente sempre tinha um orçamento muito apertado, o básico nos atenderia. Então eu decidi inovar, uma vez que eu passei numa construção e o Tapomi me chamou muito a atenção. O Tapomi todo pintado, identificado e resolvi implantar isso num próximo orçamento e gerou muito sucesso. Então você aumenta a sua autoridade Ali é como se fosse um outdoor. Dependendo de onde fica localizado, é seu cartão de visita, realmente. Então, o cliente vê aquilo e você já passou credibilidade, confiança. E através do tapume, por exemplo, de um tapume que eu fiz agora na semana passada, eu já consegui três ligações só porque passaram em frente. Então, assim, caramba, o que vai sair daqui? Então, está um tapume tão imponente, que passa tanta credibilidade que a construção que está ali já está gerando uma grande expectativa. Assim, do que vai sair daqui?
É porque essa coisa do... Eu até tenho um caso de um azulejista que eu acompanhei uma obra há muitos anos atrás e era impressionante a forma como ele trabalhava, sabe? A limpeza dele na hora que ele estava aplicando argamassa, o piso, então ele ia trabalhando de forma muito limpa e a quantidade de trabalho que esse cara pegava em função da organização de quem via ele trabalhando, cara, o que é aquilo?
Geralmente ele nem é o mais rápido, né? Geralmente não é o mais barato, mas justamente por conta da organização, limpeza, né? Então assim, a sua obra pode estar até atrasada, mas se estiver organizada, você já não vai ser chamado a atenção, você já não vai ter... é... Tanta crítica quanto se você tivesse rápido, mas tudo bagunçado, tudo... Tudo riscado.
Não, e ela é um cuidado, assim, finalizava, ele parava um pouquinho ali cinco minutos pra limpar, pra deixar tudo limpo, pra quando vier... Era uma obra que tinha morador e tudo mais, mas eu acompanhei outras obras dele e era a mesma organização, assim, então... E o tapume não é diferente.
O que a gente tem que fazer, assim, ah, é o tapume realmente muito caro, proteções são muito caras, isso tudo a gente resolve com planejamento. Então assim, é possível ter uma obra bem identificada, uma obra bem organizada, limpa, sem custear mais ela, sem onerar mais ela. Então a gente consegue manter esse orçamento com um bom planejamento e a gente consegue manter essa limpeza. E claro, tem que ter também a consciência e parte do treinamento, né. do próprio gestor da obra, do próprio arquiteto, do próprio engenheiro, de quem estiver administrando, de reunir sua equipe, passar essas informações, ter uma prévia ali antes de começar as obras no dia, chamar, reunir a equipe e dar esse treinamento pra eles, apresentar pra eles a importância do que aquilo significa.
É, e quando você traz essa organização, né, e você apresenta isso para qualquer cliente, você agrega um valor absurdo nesse projeto, para esse cliente, porque no final todo mundo ganha.
Sim, o cliente identifica com você porque você está tendo o zelo pelas coisas dele. Então...
É igual essa questão do EPI, né? Muitas empresas não investem tanto em segurança do trabalho e, cara, quando você vai ver no final É uma das partes mais importantes.
É onde as pessoas mais negligenciam.
Sim, sim. Então, você pegar um capacete com boa qualidade, sabe? Que dê um conforto ali bacana para aquele usuário, para aquela pessoa que está ali usando aquele capacete, tipo de luva. Então, assim, a gente está falando muito de inovação. E inovar é isso, gente. A gente precisa olhar pro que existe, porque não é criar nada do zero. É olhar pro que existe e o que eu posso fazer melhor a partir de agora.
É bem isso. E essa visão tá explicando bem, eu me identifico bem com essa frase. Então, assim, o que eu posso fazer? O que eu posso inovar? Então, assim, primeiro pra você inovar é porque você enfrentou uma... você viu uma dificuldade, um problema. Então, assim, a inovação vem quando você identifica um problema. Então, assim, eu até costumo falar para os meus colaboradores, meu braço direito, assim, procure, busque um problema para resolver. O engenheiro, os administradores de obra, os arquitetos, nós somos, na verdade, solucionadores de problemas. Então, o cliente tem um problema e a gente está ali para resolver esse problema. Então, o funcionário, o pedreiro também tem um problema e você está ali fazendo todo esse meio campo. Tanto no operacional quanto na parte estratégica, esses problemas vão estar presentes no nosso dia a dia e é aí que as inovações, a tecnologia, vêm como solução.
E o fim de um problema é o início de outro.
Perfeito.
Sempre. Lucas, agora, antes da gente... Eu quero fazer um bate-bola com você rápido, só que eu queria que você, antes disso, deixasse um recado para o mercado, para a cadeia de construção. Ou seja, o que a gente tem aqui, dica com strecast e tal. O que você deixaria de recado, de alerta para os profissionais da construção como um todo, de toda a cadeia, assim?
Seria de você sempre buscar dar o seu melhor a cada dia, isso acho que é a intenção de todo mundo. Você ter coragem de se desafiar. Então, se desafie, crie esses problemas, se coloque à prova, tenha mais fé em você. E assuma esses riscos, né? Pra você sair dessa linha, dessa linha básica, pra você avançar, buscar a grandeza, você tem que se arriscar. Então, é coragem, bravura, se arriscar e confiar no seu trabalho. Que aí o sucesso tá logo ali.
Agora, vamos começar o bate-bola aqui, bem rápido. Um minutinho, coisa muito rápida. Mas, ó... Você que chegou até aqui, se inscreva em nossos canais, comente o que você está achando, vê se você tem alguma sugestão para contribuir com... Não só com o tema que foi abordado aqui durante esse episódio, mas, de repente, sugerir convidados, enfim... Ou então, a gente tem a série por dentro da obra. De repente, Paulo, eu gostaria que vocês mostrassem tal obra. A gente vai e conversa com... com engenheiro, com arquiteto, com mestre, para falar sobre aquela solução construtiva, desafios, o que deu errado naquela obra.
Nesse case que eu citei ali do centro, seria bem interessante que a gente associou essa inovação junto com as estruturas metálicas.
Bora conversar. Bora conversar de repente pra gente ir lá fazer uma gravação lá por dentro da obra pra mostrar um pouco do dia a dia, como foram de fato as soluções construtivas, enfim. Agora, Lucas, tem um bate-bola aqui bem rápido. Primeira vez que a gente tá fazendo isso aqui, tá? Então, me perdoe seu... Mas assim, tem que ser rápido. Vamos lá! Um projeto que marcou sua vida.
O projeto que marcou minha vida está sendo esse atual do mercado municipal.
Uma tecnologia que eu não vivo sem?
Celular.
Agora, um conselho que você já recebeu na sua carreira?
Foi coragem.
Um engenheiro ou arquiteto que você admira?
Hoje eu tenho como... como mentor até o Thiago Albuquerque, ele não é nem engenheiro nem arquiteto.
Qual o material de construção favorito para você?
Rapaz, a estrutura metálica.
Tá. Uma cidade que admira pela engenharia?
Niterói.
Niterói!
Minha cidade natal. E tem... Na verdade, é mais até... Está bem marcada pelo Oscar Niemeyer, né?
Sim, sim. É... O maior desafio que já enfrentou em uma obra?
Foi calcular... Foi resolver, né? Buscar essa solução quando se tem menos 20% do orçamento previsto.
Um hobby que você vive fora da engenharia?
Esportes.
Um país que gostaria de trabalhar como engenheiro?
Gostaria de trabalhar na China.
Na China? Muito bem, eu percebi que você gosta da China. Bom, gente, ó... Espero que vocês tenham gostado desse episódio. Então, falando... De novo, ó, comentem, compartilhem nossos conteúdos. Só se gostou. Se não gostou, não precisa comentar, não precisa curtir, mas só a experiência de ter passado por aqui já valeu a pena. Então, Lucas, mais uma vez, obrigado pela sua participação. Espero poder contribuir aí com o seu dia a dia, poder fazer uma visita nas suas obras para que a gente consiga ainda. levar mais conteúdo de qualidade para essa galera, para os meus amigos engenheiros, arquitetos, profissionais de obra como um todo. Então, um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constricash.
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