Gestão na Segurança do Trabalho | Podcast de Engenharia | Arquitetura | Construção | ConstrueCast

Portuguese-language podcast interview (ConstrueCast) with Márcia, an experienced workplace-safety professional (34 years in the field) focused on safety management in construction and industry. Márcia recounts starting in safety at age 18, learning through Senai and on-the-job mentorship, and building safety culture on sites (including five years without lost-time accidents). She describes managerial challenges (human behavior, leadership example, legal compliance — ~17,000 safety/environmental legal requirements across units), the scale of her remit (≈230 field technicians, ~90 sales staff, 16–18 direct managers), and practical programs: toolbox meetings, KPIs, and a risk-observation mobile app (named TIA) integrated with SharePoint. Emphases: presence of leaders, coaching approach, client engagement to negotiate hazard fixes, balancing productivity with safety, and using technology to collect data and drive continuous improvement.
Questions this video answers
34 anos de profissão.
18 anos.
Cerca de 17.000 requisitos legais.
Quase 230 técnicos de manutenção e cerca de 90 vendedores; 16–18 gestores diretos.
Cinco anos sem acidentes com afastamento em uma obra em que atuou.
Chapters
Construir queixa, arquitetura, engenharia e construção.
Sejam bem-vindos, está no ar mais um episódio do Constra e Cash. E hoje vamos conversar sobre um tema que eu gosto muito, que é segurança do trabalho, mas segurança de uma outra forma. Por exemplo, gestão. Para falar sobre o assunto, vou receber aqui uma convidada que tem 34 anos de profissão. Ela é uma amiga querida. Eu conheço ela ali do dia a dia. se preparem, porque o bate-papo de hoje promete. Márcia, seja bem-vinda ao nosso podcast. Na verdade, é um encontro muito esperado, porque eu já te convidei outras vezes e, por conta de agenda, você não conseguiu vir, né? A sua agenda é muito...
Complexa.
Muito complexa. Você atende aí o Brasil inteiro, treinando, técnico de segurança... A empresa que você trabalha atualmente, pra mim, é uma referência em segurança, né? Vocês têm um slogan... Segurança em primeiro lugar. Na dúvida, não faça. Então, seja bem-vinda, Márcia, ao nosso podcast.
Agradeço a oportunidade, o convite. Fiquei muito feliz. Gosto muito do seu trabalho, né, do podcast. Fantástico. Virou pra mim agora uma... um momento em que eu paro pra poder aprender, né? Eu adoro, a minha metodologia de trabalho é essa, né? A minha metodologia de vida é sempre aprender cada vez mais e aprender a ensinar.
Então tá, Márcia, então, bom, você tá aqui, primeiro que eu te conheço do dia a dia, eu visito muito a empresa que você trabalha, eu vou ali na fábrica e tal, eu só fiquei surpreso em saber que você iniciou sua trajetória no mercado de segurança do trabalho, no ramo de construção civil, que é.
A qual o nosso... Minha paixão.
O nosso podcast é direcionável.
Tenho paixão por construção civil. Inclusive, eu acho que eu sou uma das profissionais que mais acompanhou, inclusive, uma obra que tem do lado da empresa, que está lá atual, né? Estou construindo um hospital e muitas vezes me deu vontade de ir lá e ficar lá no meio, porque tenho paixão por construção. É uma área que me ensinou muita coisa, foi de onde eu iniciei, né? Jovenzinha, jovenzinha.
Você começou com quantos anos na construção?
18 anos.
Então, Márcia, para iniciar nosso bate-papo, ou melhor, antes de iniciar, eu queria agradecer ao apoio da produtora de vídeo Infinity Plus, que é especializada na indústria da construção, arquitetura e engenharia. Márcia, para iniciar nosso bate-papo, eu queria que você falasse um pouquinho como que você se enveredou para o ramo de segurança do trabalho. Hoje a gente vai falar sobre um tema muito importante que é gestão na segurança do trabalho e eu resolvi trazer você para falar desse tema porque você tem um jeito peculiar de falar com as pessoas e eu entendo que segurança do trabalho é um tema bastante desafiador. Porém, se as pessoas que decidem atuar nessa área estudarem um pouco sobre comportamento, sobre formas e pedir, a gente consegue, de fato, educar. Porque só educando a gente consegue, de fato, aquilo que a gente quer. Então, primeiro, se apresenta um pouquinho e o que te levou para esse mercado?
Bom, eu fui descoberta na área de segurança do trabalho. Eu trabalhava numa empresa de refrigerantes como secretária da diretoria. E eu fui convidada para participar da SIPA. Entrei na SIPA e aí a técnica de segurança, ela me colocou para fazer inspeções junto com ela. E aí ela ficou impressionada. Ela falou, Marcia, você tem um olhar muito crítico para o risco. E eu fazia muitas atividades relacionadas à parte de PCP. E aí eu estava o tempo todo na área de produção. E aí foi onde eu tinha aquela consciência de que alguém poderia se machucar, uma garrafa poderia quebrar, uma máquina poderia causar um choque. E aí eu fui cada vez mais me aprofundando nas inspeções. E aí onde ela falou, Marcia, acho que você deveria entrar na área de segurança do trabalho. E eu fui. Fui com a cara e a coragem. E fui estudar inicialmente no Senai, só tinha o curso de supervisor. E depois dos seis meses que eu estava fazendo o Senai, eu já estava atuando em outra empresa como estagiária. Uma empresa que foi um sonho para mim e foi a base que eu tenho hoje de conhecimento. E aí eu fui fazer o curso de qualificação profissional lá em Guaratinguetá. Eu morava em Pindamonhangaba e fui fazer. Então, eu saía do meu estágio. Pegava o ônibus, ficava lá estudando até meia-noite. E até eu chegar na minha casa, dava por volta de uma hora e seis horas da manhã eu já estava em pé de novo. Mas foi bastante desafiador para mim estudar, entrar nessa área. E eu tive grandes professores nessa área e pessoas que me ensinaram muito como lidar com o ser humano, com a diversidade. Naquela época já se falava bastante. Parece que era um assunto tão distante, mas era tratar o ser humano de uma forma diferenciada, porque eu ia falar de um assunto muito polêmico, né? Segurança do trabalho, eles passam, fazem todo mundo, né? Entra numa empresa, vai prestar serviço, tem que fazer integração, aí um monte de informações. Muitas vezes, ali daquele momento, ele capta 10%, porque a mentalidade dele já está no serviço, ele não está prestando atenção, ele está fazendo aquilo por prática.
Calma que vamos falar disso daqui a pouco.
Por prática.
Agora, você entrou no ramo de construção, você já iniciou como técnica de segurança?
Não, eu entrei como estagiária e aí dentro desse estágio, terminando o meu estágio...
Com quantos anos você entrou?
18.
18 anos. Agora, como que foi a sua chegada, como que foi o seu início na construção civil? Porque se hoje já é um desafio às mulheres, no mercado, ou seja, nos canteiros de obra, imagina isso há alguns anos atrás. Você pode só falar um pouquinho como que foi o seu início, você sendo mulher, né? E uma mulher, diga-se de passagem, muito bonita, que chama a atenção pela beleza. Como que foi esse início?
Eu tive a oportunidade, abriu a vaga para essa função na área de construção, e eu já atuava, já estava participando ali dentro da empresa, cuidava na parte como estagiária, e aí o meu chefe falou, Márcia, eu acho que você deveria tentar nessa empresa onde você já acompanha. porque você fiscaliza essa empresa, essa área, e eu acho que você vai ter uma grande chance. E eu mesma falei, mas eu como mulher, será que vai dar certo? Eu não vejo quase mulheres nessa área. E o meu chefe falou, aí está o diferencial. Aí está o diferencial.
Você já começou com desafios.
Já comecei com desafios. Meu chefe gostava muito de mexer com isso, para eu sair da mesmice. Sempre eu tinha que ser diferenciada. E aí eu fui fazer entrevista. Fui fazer entrevista, eu linda, maravilhosa, 18 anos.
Adorei sua autoestima, Márcia.
É, linda e maravilhosa. 18 anos, 18 anos.
E continua linda e maravilhosa. Quem tá ouvindo pelas plataformas de áudio, vai lá nas plataformas de vídeo, porque vocês vão se deparar com uma mulher linda e inteligente, tá? Eu tinha que quebrar um pouco isso.
Que de verdade... E aí, eu com aquele cabelo na cintura, mas eu não era loira, né? Eu tinha o cabelão. enrolado, preto, jovenzinha, com aquela pele bem bronzeada, porque eu morava no interior, né? Toda bonitinha, toda novinha, toda linda.
A vitalidade da juventude.
Toda linda. Aquela... o sorriso, aquele brilho na pele, né? Aquela coisa iniciando e toda feliz, né? Porque eu queria iniciar essa área. E eu cheguei, fui conversar com esse meu... que foi o meu chefe durante dez anos. E, quando eu entrei, ele olhou e falou, eu acho que você chegou para a vaga errada. Eu vou entrevistar as pessoas que estão concorrendo à vaga de segurança do trabalho. Não, sou técnica de segurança do trabalho, ele. Pô, bicho, mas para trabalhar na área de construção civil? Tem certeza? Eu falei, eu tenho certeza absoluta. E esse cabelo? Eu falei, qual o problema do cabelo? Não sei, tem que usar capacete. Eu falei, não, eu posso colocar o meu cabelo dentro do capacete. Eu posso usar uma touca. É, mais ou menos. Não gostei muito desse cabelo muito grande, essa coisa toda. Aí eu falei, não, mas eu não tenho problema nenhum em cortar o cabelo.
Nossa, já na entrevista?
Eu falei, não tenho problema nenhum se eu tiver que cortar o cabelo, se eu tiver que cortar a minha unha, se eu tiver que usar uniforme, se eu tiver que usar macacão. E eu tô aqui pra lavar trabalho. Eu quero me desenvolver. E ele falou, então você está contratada e eu não vou te perguntar mais nada a respeito de nada. E daqui a 90 dias nós vamos conversar. Eu falei, você tem certeza? Ele falou, tenho. Eu falei, mas você não vai perguntar nada do que eu conheço? Ele falou, não. Eu já vejo você há bastante tempo aqui. Eu já observo o seu trabalho. Só que eu não imaginava que você, e para mim você era enfermeira. Eu nunca achei que você ia ser técnica de segurança, até porque você vai vir para uma obra de expansão. e vão ter muitos homens. E você está pronta para esse desafio de chegar aqui todos os dias de manhã e encontrar muitas vezes situações em que você vai ter que passar por vestiários, você vai ter que ir para acompanhar serviços de caldeiraria, serviços pesados com soldadores, com pessoas que vêm de muitas partes do Brasil, muitas vezes com pouca cultura, E aí, você tá pronta?" Eu falei, eu tô pronta, e se eu não tiver eu vou ter que aprender. Ele falou, então tá bom, você é ousada, vamos ver. Em 90 dias ele me chamou pra conversar e ele falou, eu vou tornar você supervisora. Eu vou te tornar supervisora porque nós temos uma missão na nossa empresa que é certificar. Nós vamos ser uma empresa que vai ser certificada ISO 9000 e 14000. Naquela época era... Eu não sei, acho que foi uma das empresas bem pioneiras a respeito de certificação. E ele falou, olha, você nos ajudou muito nesses 90 dias gerando procedimentos. criando, escrevendo como funciona as coisas, os processos. E você conversou com todas as pessoas, em todos os níveis. Então, você conheceu, em pouco tempo, você conheceu o que cada um faz.
Você foi no detalhe mesmo.
Eu fui no detalhe, eu precisava conhecer o processo.
Só uma coisa, quem tiver curiosidade de saber o nome das empresas, podem colocar nos comentários aqui, que a Márcia responde tudo, enfim, tem algumas que eu sei, eu também posso responder, enfim.
Sim, sim.
Nossa, Marcia, que interessante. Agora, uma pergunta que não quer calar. Nesse período de três meses, você cortou o cabelo, sim ou não?
Cortei.
Cortou o cabelo?
Cortei. Cortei o cabelo. Adotei a minha roupa como macacão. Então, eu usava o macacão de manga comprida. Eu trabalhava até de luva, para não parecer minhas unhas. Pra não parecer, né, que eu tinha... Eu tinha um lado meu também, que era feminino, que eu não podia. Mas eu não queria cortar o cabelo também. Corto pra ficar igual, mas eu cortei ele na altura dos outros.
Eu ia te perguntar isso lá na frente, mas eu vou aproveitar agora. Você acha que ainda hoje acontece esse tipo de situação? Porque eu entendo que hoje a gente... Tudo bem, a gente tem a questão... da internet, que está aí dando voz às pessoas e tudo mais. Só que, ao mesmo tempo, você tem situações onde a pessoa chega, ela precisa de um emprego e ela muitas vezes precisa passar por alguma chamada de provação, tá? E você acha que acontece ainda?
Eu acho que acontece ainda, sim. A área de segurança do trabalho, ela cresceu muito e hoje a gente tem uma... a mulher, ela tem uma visibilidade muito grande. e ela conseguiu avançar muito, por conta de que nós somos detalhistas, nós temos uma forma de abordagem, acho que às vezes um pouco menos... O homem às vezes é um pouco mais direto e muitas vezes a mulher sabe chegar com jeitinho.
Eu costumo dizer que a mulher sempre consegue o que quer.
E a gente começa a conversar com o colaborador e você vai se desenvolvendo também. No início, quando eu comecei na área, eu tinha medo de chegar para conversar com soldador. que eles eram o terror da construção civil soldadora. Eles usavam anéis nesse dedo, aquelas medalhas gigantescas.
Aqui também, até pelo próprio salário, eles já se sentiam superiores.
Eles eram reis do canteiro de obras.
Márcia, agora vamos fazer umas perguntas mais direcionadas. Qual é o grande desafio na gestão de segurança do trabalho?
Conhecer o processo, primeiro. Eu acho que é o seguinte.
Acho que para você gerir, você tem que conhecer. É óbvio.
Você vai conhecer, né? Aí vai ser só documentação. Só pegar documentos e transformar em evidências. E como que você gerencia um processo? Hoje eu tenho requisitos legais a cumprir, né? Seja na parte federal, estadual, municipal. Na empresa onde eu atuo hoje, são praticamente assim, se for colocar todas as unidades, está em torno de 17 mil requisitos legais.
17 mil?
17 mil. Colocando todas as unidades que nós temos, na parte de segurança e na parte ambiental. Tirando a parte de trabalhista, eu estou colocando só requisitos na parte de segurança e na parte de meio ambiente.
E nesse processo, nessa parte de desafios de gestão de segurança do trabalho, essa questão de lidar com a pessoa, porque tudo bem, você tem a questão das burocracias e tudo mais, lógico, isso é importante conhecer tudo isso, mas essa parte humana, né? Como que é? Porque eu falo, eu visito muito a empresa que você trabalha, inclusive tenho muitos amigos lá, grandes amigos, fiz grandes amigos, e... Às vezes eu tô passando na fábrica e falo, ah, às vezes as pessoas falam de você, do seu jeito. Só que, ao mesmo tempo, você tem um jeito muito sério, né, que a gente conhece. Só que por trás existe uma mulher muito amorosa, muito carinhosa e tal.
Eu sou meio maisona, né?
Muito maisona. Mas assim, por que que eu noto que, geralmente, os profissionais dessa área, eles precisam criar uma casca, muitas vezes, para obter respeito?
Porque é o seguinte, nós trabalhamos com legislação, eu falo sobre assuntos polêmicos e eu, o tempo todo, eu procuro direcionar a pessoa para fazer o correto. É complicado quando eu vou criar regras, como é o caso nosso lá, que temos as regras de ouro da companhia, e eu chegar na alta de administração, chegar em determinadas pessoas e falar, olha, você precisa subir e descer pegando num corrimão. Você não pode atender o celular andando. Então, você vai começando a criar regras e como que você vai chegar, falar com essa pessoa. Então, você vai refinando a sua forma de abordagem. Só que, ao mesmo tempo, eu tenho que ser delicada, mas, ao mesmo tempo, eu tenho que ser séria.
E você tem que dar os porquês, né, para essa pessoa.
E os porquês, eu explico sempre, sempre. Toda a minha abordagem, geralmente eu peço até para o funcionário explicar se ele entende o risco que ele estava correndo. Então, eu não vou parar ele ali. E outra coisa também, uma coisa que eu uso bastante, né? Praise in public and criticize on reserve. Nunca, em maneira nenhuma, critique alguém na frente dos outros. Seja para corrigir, né? Elogios, sim. mas criticar, não, não exponho o colaborador. E às vezes eu tenho que pegar e chamar atenção naquele momento, porque não dá se eu deixar pra outro momento, ele pode se acidentar, mas eu faço de uma forma brincando ou, sabe, de alguma forma, como que ele não se sinta, sabe, repreendido na frente das outras pessoas.
Como que você torna aquela situação um pouco descontraída.
Sim, sim.
E ao mesmo tempo, em um outro momento, você pode chamar a pessoa Eu.
Já tenho aquela coisa que quando as pessoas me veem andando muitas vezes no corredor, as pessoas falam, ah, é a Márcia. Cuidado, sabe assim? Então é muito engraçado, mas eu vejo que as pessoas me respeitam.
Ó, eu vou te contar aqui um segredo em primeira mão, tá? Uma vez eu tava passando lá na fábrica, e aí eu tenho um amigo lá, ele tem 43 anos, se eu não me engano, o Xavier.
Sim.
E a gente tava lá conversando, tal, tal, tal. Ele falou um pouco de você, depois a gente tava passando, outra pessoa, tal, tal, tal. Eu falei, cara, por que que a Márcia é tão conhecida aqui? Aí ele pegou e deu o exemplo de um guarda de trânsito.
Sim.
Ele fala, cara, às vezes você toma multa e nem sabe por quê. O cara tá vendo alguma coisa que.
Você não... Você está fazendo errado.
Estou fazendo errado.
Só que você não está sabendo, mas você já tomou a multa.
Se a Marcia estiver a 300 metros de distância, ela está vendo que você está sem um protetor auricular lixante.
Verdade.
Marcia, isso é um dom? É isso?
É, eu acho que não. Eu tive um mentor, como eu falei para você. Eu tive uma pessoa que... Ele que me preparou. Ele que me fez acreditar que era possível fazer principalmente na obra que eu participei, que eu atuei durante cinco anos, nós ficamos cinco anos sem nenhum acidente com afastamento.
Cinco anos sem nenhum acidente.
Eu recebi um reconhecimento da Rede Globo na ocasião.
Ô, Marci, você, nessa época, você já chegou a liderar quantas pessoas? Na verdade, liderar não, cuidar, né? Porque a sua função é cuidar, né?
É, e hoje eu acho que é o número maior de pessoas, porque eu trabalho com os técnicos de campo, de manutenção. são envolvidos com a parte de manutenção, e tenho quase 230 técnicos de manutenção espalhados por todo o Brasil, mais 90 vendedores, e nós temos acho que 16 ou 18 gestores diretos com essa equipe, então eu acho que é a maior equipe.
E aí eu tenho uma pergunta, depois eu vou entrar um pouquinho nessa parte de tecnologia, como a tecnologia ajuda. Mas eu queria... Tem uma pergunta da internet que chegou pra mim, que é assim... Ele fala, Márcia, como fazer o presidente da nossa empresa usar o EPI sempre que ele visita a fábrica? E eu entendo que o exemplo vem de cima, inclusive na sua empresa a gente tem um grande exemplo, uma pessoa que preza muito por segurança e tudo mais. Nesse caso, sei que acontece, estou só fazendo uma visita aqui, não vai acontecer nada. Qual que é o grande desafio pra vocês? Porque quando... Tô te fazendo essa pergunta agora porque você citou é que você tem os técnicos de campo, você tem os vendedores e você tem os gestores, né?
Tem os gestores.
Então, assim, como que é o desafio pra você incutir na mente dessas pessoas, ou seja, botar na mente dessas pessoas que a segurança, ela tem que ser respeitada?
Eu acho que é a presença. Eu brinco, vou usar um termo que eu uso bastante, que eu falo para o pessoal quando eu me aposentar, eu vou escrever um livro que chama TBC.
Que é o TBC?
Tirar a bunda da cadeira. Então é estar junto da operação. Se eu estou presente, se a alta administração da empresa Ela me vê presente. Eu acho que, por si só, ele já vai entender toda a dedicação que tem de um departamento. E nós estamos preservando vidas.
É, e esse exemplo que você citou, né, de tirar a bunda da cadeira, é muito interessante, porque a gente estava conversando sobre gestão em obras, né?
Sim.
E ali você tem um pedreiro, um azulejista, um pintor, qualquer pessoa que está numa atividade. E o gestor tem o hábito, aquele engenheiro tem o hábito de passar e aí está tudo bem, tal, tal, tal. Só isso... Só uma situação como essa já dá para aquele profissional que está fazendo a aplicação que ele tem que fazer de forma correta porque ele está sendo observado.
Ele dá a sensação de pertencimento à empresa. Nós temos também as nossas reuniões, que são as reuniões gerais, em que a gente tem a nossa participação e onde nós falamos sobre segurança do trabalho. e tem que ser falado isso desde a entrada, quando você chega lá na portaria da empresa, começa por ali. a parte de segurança do trabalho. Então, eu acho que... Pra mim, eu acho que foi muito, assim, até fácil conseguir fazer segurança do trabalho na empresa onde eu atuo atualmente, né? E eu até achei que eu ia ter mais desafios. E eu venho, né? Agora, sábado passado, eu tive uma reunião com uma equipe offshore, e que são técnicos extremamente críticos, porque eles são muito cobrados. E foi muito engraçado, porque eu saí daquela reunião, e foi a primeira também no ano, eu saí muito feliz, porque até Todo momento, eles não tiravam um olho de mim um minuto sequer. E não é por causa dos meus olhos azuis. Não é por causa dos meus olhos azuis. Eles... eu vejo que eles se aprofundaram tanto tanto na parte de segurança do trabalho, eu acho que eu consegui fazer esse trabalho com eles, que é muito natural eles falarem sobre segurança do trabalho, e cada vez mais eles atuam de forma a preservar vidas, e eles cobram as pessoas, eles cobram os gestores. Sabe? De melhorias...
Isso é um ponto importante, porque essas pessoas que estão representando a sua empresa em outros clientes, eu tô falando de clientes grandes, assim, as maiores empresas aí do país, né, e também fora do país, está presente. Então, você levar a sério esse trabalho é muito importante, porque eu entendo que o que você representa ali pra companhia, O seu cliente, ele, opa, peraí, essa empresa é séria, essa empresa realmente ela se importa com as pessoas, né? E esse trabalho é muito importante.
A gente tem uma empresa toda voltada, né? Fala muito de segurança do trabalho, né? Safety first mesmo. E eu venho de várias empresas que tinham essa... eu dei sorte. Eu também atuei em empresas que eram complexas. Eu consegui, uma vez, nessa transição, quando eu saí da construção civil, eu resolvi trabalhar com a OPJ. Então, eu trabalhei em umas outras empresas, até porque eu queria conhecer outros segmentos. E, em uma ocasião, eu entrei numa empresa, conversei, falei que eu queria fazer primeiro uma vistoria na empresa, olhar o que eu poderia acrescentar de valor a essa empresa antes que ela me contratasse. E eles aceitaram. Seria essa a minha entrevista. E aí eu fiz um relatório no final do dia e fui conversar com o gestor, que era o diretor da empresa, e ele falou, olha, Márcia, mas não vai ser bem assim, eu já tenho o nome das pessoas que vão ser os cipeiros, alguma coisa que a gente não vai conseguir implantar, não vai ter como entregar equipamento de segurança de forma contínua, do jeito que você está está almejando aqui. Então, acho que a gente vai ter que conversar, porque eu vou ditar as regras. E aí eu falei, não, eu vou deixar com você esse relatório, mas eu não vou fazer parte da sua empresa. Não vou fazer parte da sua empresa. Aí ele falou, não entendi, nós gostamos do seu perfil. Eu falei, não, eu não gostei do perfil da empresa.
Eu quero aproveitar, eu estou usando, na verdade, a sua empresa. como referência, né? Até pelo porte dela, né? Eu tô falando de uma empresa que tem mais de 57 mil funcionários em todo o mundo. Você tem aí a mudança de gestão dentro da companhia. Uma hora você tem um gerente-geral, né? Um presidente em cima do gerente-geral. Outra hora, assim, você vai tendo ali uma rotatividade de tempos em tempos, né?
Até mesmo dos gestores.
Até mesmo dos gestores. E aí você falou de um ponto muito importante que é a questão da aderência, da cultura, como eles dão importância para o tema segurança do trabalho. Nesse sentido, você que já viveu muitas trocas de cadeira, uma puzenta entra outra, enfim, tem todas essas trocas, e você também tem trocas com outras unidades. Como que é, existe, mesmo dentro de uma empresa, quando muda um gestor, tem um gestor que dá mais importância, tem um gestor que fala assim, não, eu vou investir mais nessa... Nessa área, porque você deu um exemplo de EPI, né? E eu, Paulo, entendo que os maiores desafios dentro de uma empresa é você trazer investimento para as áreas de segurança e para as áreas de RH. Então, eu queria saber de você, existe diferença e... Por quê?
Nunca tivemos esse problema, porque todos os gestores sempre foram muito voltados para a parte de segurança do trabalho.
Mas a minha pergunta é, existe gestor que ele se preocupa, assim, que ele dá mais, ou seja, te dá mais liberdade de investimento?
Mas lá eu nunca tive essa dificuldade, nunca tive. Sempre nós tivemos um budget já bem... Eu acho que até de todas as empresas onde eu atuei, é a que eu mais tenho liberdade para conseguir colocar um equipamento de melhor qualidade. de investir em treinamentos, em fazer campanhas, em colocar o melhor calçado, o melhor vestimenta. E agora nós tivemos um ganho muito grande, porque eu tenho um gerente geral que foi técnico.
Que legal!
Então, ele vivenciou.
Isso eu não sabia. Ele vivenciou. Eu sei que ele trabalhou ali na fábrica e tal.
Sim, ele vivenciou. Então, ele sabe o que é sentir na pele. estar dentro de clientes, ter todas as dificuldades que tem em termos de conseguir entrar com o carro, de conseguir ser ouvido, de conseguir ter o respaldo. internamente dentro da empresa, porque, às vezes, você tem que trabalhar em uma empresa que tem dificuldade de movimentação, estruturas bem precárias. Então, eu falo que nossos técnicos são amantes, apaixonados pelo que fazem.
Suspeita em falar deles. Enquanto eu tô falando com você, tá um brilho no olho absurdo.
Eu amo, eu amo o que eu faço, eu amo. Amo e eu tenho paixão por eles. Eu até falo que eles são os meus meninos. Porque todas as vezes que eu tenho interação com eles, eu aprendo alguma coisa. Todas as vezes. Eu saí da reunião do sábado trazendo mais conhecimento na minha bagagem.
É muito bacana, Márcia. Acho que esse encantamento é a base de tudo pra qualquer área. Qualquer área que você vai atuar, ter esse encantamento e se sentir abraçado pelo time e pelas pessoas. Isso é fundamental. E agora vem uma pergunta interessante, que é tecnologia. Como a tecnologia te ajuda, Márcia, em tudo isso? Como a tecnologia te ajuda nessa gestão?
E ajuda bastante, bastante mesmo, né? Fazer gestão de uma quantidade significativa de localidades. Eu cuido aí de algumas filiais junto com outros dois técnicos. Agora eu tenho um reforço de mais dois técnicos de segurança na nossa equipe. Temos dois estagiários, então, eu acho que ficou um pouco mais fácil em termos de organização. Mas nós usamos softwares, nós usamos SharePoint da empresa, nós temos todo um banco de dados, onde nós fizemos uma comunicação mais fácil, onde as pessoas podem abrir esse banco de dados e ter acesso às documentações, aquelas que são permitidas. Nós temos aí a LGPD. Então, algumas que são permitidas, eles podem ter acessos e aí facilita o trabalho, né? Até de uma inserção desse funcionário para fazer uma integração, para fazer até a parte mesmo de concorrência de um novo contrato. Eles precisam muitas vezes ter acesso a essa documentação, então ficou mais fácil. Agora, em contrapartida também, nós temos alguns softwares que a gente utiliza. pré-gestão de equipamento de segurança, eu tenho pré-gestão de observações de risco, então hoje o técnico tem na palma da mão dele um software em que ele pode pegar e a qualquer momento ele identificar um risco, questionar, questionar não, registrar esse risco, esse risco vem imediatamente para mim, eu sou avisada quase que de imediato. Então é muito legal, mas como fazer ele utilizar a ferramenta?
Aí que eu ia te perguntar, porque, assim, na prática, tudo é lindo. Recentemente, eu tava numa palestra, a gente tava conversando sobre indicadores, né? Que quando você mede, você torna as decisões mais assertivas, você tira aquela coisa da personalidade. Exemplo, às vezes, um vendedor, ele precisa vender. E aí, ele chega, fiz 10 ligações e tal, tal, tal, não rolou. Ah, tudo bem. Ele está defendendo o dele. Está naquela reunião. Beleza. Daqui a pouco ele está culpando que o pessoal de tecnologia deixou, sei lá, o sistema fora do ar.
Sim.
Ah, legal. Então, aí o pessoal de tecnologia, não. Não deixamos. Ou, ah, tudo bem. Saiu um pouco, mas não prejudicou o fato dele não ter vendido, exemplo.
Certo.
Agora, imagina que eu tenho uma fórmula. Eu estou alimentando isso. Aí aquela reunião, na verdade, ela foi totalmente improdutiva, porque ficou aquela coisa, eu defendendo o meu, você defendendo o seu. Num outro momento, a gente vai lá, o gestor vai conversar e fala assim, a partir de hoje, eu quero dados. Beleza? Você da tecnologia, levanta pra mim. Quanto tempo nosso sistema ficou fora do ar? Beleza, então eu chego numa reunião e tal, tal, tal, ó, tudo bem, na próxima reunião. Naquele dia, o sistema ficou fora do ar, no exemplo, dois minutos. E aí também tem a questão dos clientes, porque quando o cliente está cobrando alguma coisa, fica aquela coisa, ah, porque me prejudicou e tal, aí você chega com dados. Você percebe que muda tudo? Então, nesse sentido, como que é o desafio de fazer as pessoas alimentarem esses sistemas?
Nós temos os KPIs, né, de segurança do trabalho também, mas temos esse do TIA, esse aplicativo ele chama TIA, que é tratamento de incidentes e acidentes. E nós colocamos uma meta para cada funcionário, no mínimo, emitir uma observação de risco. Nós fizemos toda uma preparação para que esse colaborador entenda o que é ter percepção de risco, para que ele aguce essa percepção de risco, no sentido de que ele não se acidente, ou que ele possa fazer uma parceria junto a esse cliente, porque o que acontecia? Nós começamos a observar que existia muitas vezes recusa da execução do trabalho, por conta de que se identificava um risco, e aí o cliente muitas vezes falava que não tinha sido reportado sobre o risco. Então a empresa pensou em utilizar um aplicativo, e utilizou esse aplicativo, e nós passamos a treinar esses colaboradores para utilizar. Inicialmente, no primeiro mês, foi uma loucura, porque eles achavam absurdo ter meta para isso, e a gente depois falou, olha, não é meta. Nós estamos trazendo uma ferramenta para vocês que pode auxiliar com que vocês, a partir do momento em que vocês identifiquem o risco, O técnico de segurança e o seu gestor vão receber essa informação quase que de imediato. Se você não conseguir avançar com o cliente a respeito da negociação de uma melhoria, muitas vezes de uma iluminação, de um espaço, de uma estrutura, aí vai vir o pulo do gato do aplicativo. O seu gestor, juntamente com a nossa equipe de segurança, vai fazer contato com o cliente para tentar negociar uma melhoria naquele ambiente de trabalho, evitando de que você emita de imediato um direito de recusa, que é direito dele. Mas a gente viu que a gente pode negociar. Não é simplesmente chegar lá e eu não vou fazer atividade. Era mais fácil, né? Eu chegar lá e não vou fazer atividade. Ah, por quê? Porque tá faltando iluminação. E aí eu vou, fecho minha mala lá de ferramentas e vou embora. E aí, como que fica?
Você integra, né? Você coloca todo mundo na mesma página, né? Integra.
E aí, muitos deles, né? No início, porque todo mundo quando... Acaba sendo assim. As pessoas, principalmente os mais velhos, né? Ficam meio avessos à tecnologia, né? Ai, não acredito. Ixi, nossa, agora vai complicar. Puxa vida, antes era mais fácil, eu ligava, já falava com a técnica de segurança, agora tem que registrar, tem que escrever um monte de coisa, o aplicativo inicialmente estava na língua inglesa, ninguém entendia nada. Não, peraí. Então, vamos resolver o problema. Aí fizemos lá o contato com a gerenciadora da do software, trouxemos a versão para português. E aí eu comecei a observar que não estava tendo tantos registros. Por que a gente não está tendo esse engajamento? E aí eu comecei a conversar com eles. O que está acontecendo? Ah, não, porque eu vou... Nossa, quando eu faço aí, o cliente chega e fica pé da vida. porque eu estou registrando um risco que está na área dele, que ele tem técnico e que ele tem pessoas e que as pessoas de lá estão vendo os riscos e que eu não posso ir lá e chegar e falar que as coisas estão erradas. Eu falei, peraí, então agora eu vou usar o meu lado coaching, o meu lado de abordagem. Vou ensinar o técnico agora a fazer uma abordagem mais assertiva com esse cliente na hora de apresentar essa ferramenta que nós estamos utilizando. E foi onde a gente fez alguns slides e eu comecei a mostrar para eles a parte da percepção de risco e a mudança da filosofia da empresa. Antes, a gente tinha o boca a boca. E por que que nós passamos a registrar? Para a gente ter dados também, para poder, muitas vezes, futuramente, de repente, até premiar esse cliente pelo engajamento que ele teve de um a nossa equipe, que ele melhorou e ele trouxe avanços naquela área em que a gente não perdeu horas de trabalho, em que a gente conseguiu fazer a atividade com qualidade, com segurança e ninguém se acidentou. E aí foi onde eu comecei a trabalhar essa parte de abordagem. Ah, mas o cliente, na hora que recebeu lá o meu tia lá, ele ficou pé da vida e falou, não, não, não, não, não quero saber, não vou fazer nada. Que daí? Faz tanto tempo que você já está aqui. E por que você nunca me falou? E agora, de uma hora pra outra, vocês resolveram agora tudo? Tudo tá errado. E aí eu falei, meu Deus, o que nós vamos falar? A empresa participa, nós somos certificados e a metodologia da empresa é melhoria contínua. A gente tem que melhorar o processo a todo momento, por isso que foi criado. Então, a equipe de segurança do trabalho está o tempo todo buscando melhoria no ambiente de trabalho. E aí, o que que é? É mostrar pro cliente, e aí a gente trabalhou bastante isso com os colaboradores, no sentido de saber abordar, chegar no cliente. Ah, olha que eu acabei de ver uma luminária que não tá funcionando. Eu preciso porque, ó, não vou fazer o trabalho? Não, não. Nós temos agora um programa dentro da empresa, na parte de observação de risco, tem nos ajudado bastante. Eu gostaria de saber se você gostaria de fazer uma parceria com a gente. Até no sentido de que eu acabei observando aqui, na área de trabalho, que nós temos uma situação que poderia ser melhorada. Pode trazer um dano, de repente eu fazer um trabalho, não conseguir observar muito bem o uso da ferramenta, me acidentar, ou de repente até um colaborador seu, na nossa ausência aqui, ou de repente fazendo algum tipo de atividade, não vai trazer um resultado positivo porque está com baixa luminosidade. Olha a diferença.
É, na verdade, você acaba fazendo parte do seu cliente, da equipe ali.
E aí nós tivemos agora até reconhecimento dos próprios clientes, que estão reconhecendo o nosso trabalho, e muitos deles até pedem para que a gente passe informações sobre esse programa que nós criamos na empresa.
Nossa, que bacana, Márcia. Não, é muito legal.
Mas foi difícil. Foi difícil de formiguinha. Teve muitos técnicos que falavam, não, não, não, não, não dá, não dá certo, é complexo. Eu já levei muita sapatada na cabeça de cliente, porque ele fica a pé da vida quando eu vou falar a respeito de algum risco. Ninguém gosta, né? Está na minha casa.
É que as pessoas estão acostumadas, na verdade, a fazer aquilo. básico e tal, e quando você coloca na cabeça do outro a importância de, ó, a onda tá indo pra esse lado, o vento tá indo pra esse lado, vamos ajustar?
Sim.
E tal. E quando você tem resistência do outro lado, muitas vezes, assim, a resistência ela existe porque, muitas vezes, por ausência dos porquês. Mas, ó, tá vendo? Acho que, com um pouco de esforço, nada é fácil. Você precisa se esforçar um pouquinho mais, insistir, para que as coisas aconteçam de fato.
Houve clientes que recusaram na primeira... aí nós deixamos passar seis meses, aí vamos falar do assunto de novo, aí eu agendei uma visita, aí fui conversar com o cliente, fui mostrar os programas da empresa e aí você traz, o cliente ele sente que você quer fazer parte daquele mundo onde o seu profissional está inserido.
Você está ali para somar, na verdade. Eu tenho uma pergunta aqui, Márcia, que é da internet, olha só. Como incentivar a comunicação aberta e relatórios de incidentes para melhorar continuamente a gestão da segurança?
Nós implantamos na empresa, desde que eu entrei, foi uma das coisas que eu achei muito importante, era ter uma reunião focada para a parte de segurança do trabalho. E uma coisa muito bacana é que ficou, durante esses 13 anos que eu estou atuando nessa empresa, em momento nenhum levantaram a hipótese de mudar a nossa participação nessas reuniões. E as reuniões, o primeiro tópico da reunião dos técnicos de campo de forma trimestral é segurança do trabalho. Então, eu podia colocar a importância do tema dentro da empresa. E aí, eu acho que essas reuniões, elas dão a possibilidade de a gente entrar no assunto. Nós temos normas, nós temos leis, mas nós temos a filosofia da empresa, a metodologia, o jeito que a empresa faz, o jeito que a empresa dá aí em fazer um assunto, e é onde nós trabalhamos. Nós fazemos ali, nós chamamos elas de toolbox meeting, então são aquelas, a gente apresenta todas as ferramentas que podem auxiliar esse colaborador, nós também ajudamos na parte dos gestores, então nós trabalhamos os assuntos, muitas vezes focando não só quem está em campo, mas levando também um pouco de conhecimento, um pouco do assunto para o gestor.
Marcia, vocês trabalham muito, por exemplo, dentro da construção civil, a gente tem o responsável pela obra, enfim, que a gente pode, não o caso do arquiteto, a gente pode chamar o maestro da obra, ele está responsável ali pela obra. E numa indústria, numa fábrica, como você já atuou nos dois lados, nas duas frentes, você tem geralmente os gestores de área de produção e tal. Esses gestores, eles têm um trabalho diferenciado sobre segurança? Porque, de certa forma, eles têm ali esse processo de educar esses... colaboradores dele. Como que funciona isso?
Até engraçado que você tocou nesse assunto, nós tivemos várias aberturas de vagas de supervisores, né? E aí muitos supervisores falaram, Márcia, você seria a pessoa ideal, porque o que nós fazemos em termos de atividades voltadas para a segurança, Então o gestor, e não é só o gestor da empresa onde eu atuo. Hoje eu vejo que hoje toda a equipe de gestão, na maioria das empresas, tem que ter esse cuidado. Por quê? Se eu não tiver o cuidado com o meu colaborador, com a minha equipe, entender quais são os riscos e me envolver nesse tema, eu não vou ter o colaborador. O que adianta eu ter o... Eu trabalhar em cima da parte do treinamento, do desenvolvimento das habilidades dele, técnica, do conhecimento dali da atividade, sendo que se ele se acidentar, eu não vou ter a pessoa.
Como eu falei lá atrás, a gente estava falando dessa questão lá do presidente da empresa que entra ali e tal no ZPI, a gente entende que o exemplo vem de cima. Como que eu vou cobrar que você não está usando, por exemplo, uma camisa de manga longa? se eu não estou usando, né? E eu faço parte daquele ambiente. Aí eu tenho mais uma pergunta. Como as empresas podem manter um equilíbrio entre a produtividade e a segurança no ambiente de trabalho? Porque a gente ouve muito isso, né? Ou eu faço tal coisa, ou eu produzo.
Como manter esse equilíbrio, Márcia? Não é bem assim, não. É assim, isso daí... Eu brigo bastante a respeito disso.
Mas você ouve muito isso, né?
Muito, muito. E vou ouvir a vida inteira porque, assim, nossa, A gente tem prazo, tudo tem prazo, né? E ainda mais a velocidade que as coisas estão ocorrendo hoje, né? Então eu tenho diversos, muitas vezes eu tenho até dois ou três atendimentos num dia, né? Deslocamentos, e eu tenho velocidade. Mas a gente tem toda a parte do quê? Eu preciso fazer a integração desse colaborador, eu preciso entregar os equipamentos de segurança, eu preciso que ele esteja ciente da APR que ele tem que fazer, então análise preliminar de riscos. Para cada... Para cada atividade.
Para cada atividade. Isso é importante reforçar, porque não existe uma...
Não, não. E existe também, na época que eu atuava mesmo em Constituição Civil, quando tinha troca de turnos, todas as APRs, todas as permissões de trabalho, elas eram paralisadas. E aí caberia o técnico de segurança e mais o gestor revalidar para ver se não mudou a condição climática, existe hoje um guindaste que vai fazer uma movimentação. Eu tenho que conhecer as atividades ao redor, tem tudo isso.
Até você me trouxe um ponto bem interessante. Eu sempre atuei com comunicação no mercado, na indústria, enfim. Então, de forma indireta, hoje tudo bem, a gente está forte no mercado de construção, arquitetura, engenharia. Mas eu lembro que eu fiz, eu até já citei aqui algumas vezes, um treinamento em uma indústria que faz turbinas para hidrelétricas. E aí a gente tinha ali um desafio muito grande da parte de segurança, que era com as movimentações de carga. E aí nos treinamentos de segurança, eu lembro que existia um desafio muito grande, que era falar da importância de você manter distância, por exemplo, daquela peça.
Sim.
Que estava em movimentação, por conta do cabo de aço, que se ele se rompe ali, você pode causar um acidente fatal.
É, nós falamos raio de ação.
Raio de ação, isso.
Raio ação de da carga.
E aí, tinha as questões, ah, não, mas aqui você dificulta por isso, aqui atrasa. Ah, que a gente tem que entregar, enfim. E aí, o que acontece? Nós demos uma ideia de por que a gente não pode trabalhar essa questão da comunicação de uma forma mais visual. Porque, tudo bem, você não vai pegar uma câmera, colocar uma peça, vamos fazer com que esse cabo de aço se rompa. pra você dar aquela movimentação, de repente, pra aquilo vir na testa, no corpo daquela pessoa que tá fazendo a movimentação. E aí nós fizemos esses treinamentos, essas apresentações com 3D. Então, a gente pegava, a gente tinha turbina em 3D. Aí fazia, né? Reconstruía, pegava um ambiente, aí você tinha a pessoa, perto, e aí você tinha um rompimento desse cabo, aí ia na testa, acidente fatal. E quando você estava numa distância, no raio de ação adequado, tudo bem, o rompimento, ele acontecia, mas estava tudo... Nós.
Falamos muito a respeito de raio de ação, zona de risco, né? Isso é falado bastante e é uma das coisas, assim, eu acho que todo técnico de segurança bate muito nessa tecla, porque nós temos muitas vezes, assim, o colaborador está fazendo uma atividade e ele tem o reflexo, né? E o reflexo, às vezes, ele quer segurar um equipamento e às vezes ele não para nem pra pensar que aquele equipamento pode acabar com a vida dele.
Eu ia falar isso.
Então, ele tem o reflexo, né? Então, a gente tem que trabalhar o tempo todo na parte da observação de risco.
E a pergunta de milhões, eu vou fazer no final.
Sim.
Eu deveria ter falado isso lá no início. Eu vou fazer daqui a pouco. Só que antes, eu quero te perguntar uma coisa, que eu até anotei aqui, essas duas perguntas. A primeira dela é... Deixar de usar os EPIs dá justa causa?
Depende.
Depende do quê?
Depende, porque muitas vezes o que acontece, e a gente conversa bastante a respeito disso, é... Por que eu não estou usando equipamento de segurança? Mas pode ser muitas vezes que acontece que o colaborador, às vezes, está desenvolvendo um motite, tá com algum problema na unha, tá com alguma coisa, então tem que ter essa comunicação direta. O tempo todo, o técnico tem que estar muito presente, por isso que eu falo técnico. Se ele não estiver presente lá, né, eu não consigo, eu mesma, né, na minha atuação hoje, eu não consigo estar próximo dos técnicos. Mas o que eu faço? Eu procuro usar essas abordagens que eu tenho, as abrangências que eu faço muitas vezes de acidentes que eu visualizo com outros clientes e que eu trago pra nossa realidade e aí eu transformo em comunicação pra eles, né? Então, tem que ter essa troca de...
Você tem que entender por que aquilo não tá sendo usado.
Por que que você não tá utilizando? Você tá com dor de cabeça, você tá com algum problema no ouvido, Desatenção, porque pode ser, né? Muitas vezes. Eu tenho que saber o lado humano também, né? Muitas vezes eu chego pra trabalhar e eu tô preocupada porque meu filho, sei lá, quebrou o braço, porque ele foi mal na escola, porque alguém da família faleceu. E desculpa, vamos falar, né? Às vezes as pessoas falam, você tem que separar o trabalho da...
Eu ia te perguntar isso. Dá pra separar, Márcia?
Não dá.
Você consegue?
Eu não consigo.
Eu também não.
Eu consigo tentar procurar ser neutra e não demonstrar muitas vezes a minha irritabilidade por algum assunto. Isso eu tenho trabalhado cada vez mais, porque antes eu era explosiva, então a idade tá me ajudando a respeito disso. É ponderar algumas coisas que, às vezes, eu já saia faísca porque eu sou brava e brigo por causa da área. Brigo, brigo, brigo. Acho que vou brigar até o último dia da minha vida.
Na verdade, tá em você, né?
É, é de mim.
Mas é uma curiosidade. Você gosta tanto de cuidar de pessoas? Por um acaso, você é psiana?
É claro que eu sou. Sou do dia 9 de março.
Dia 9 de março.
Sou opiciano.
Gente, isso é uma característica do opiciano, né?
Cuidar de pessoas. E eu amo pessoas, adoro descobrir pessoas, conversar com pessoas, sabe? Só que eu tenho esse lado meu, né? Que é assim, eu sou séria. Até o pessoal fala, nossa, Marcia, é muito engraçado. Você é justiceira, Marcia. É muito engraçado, né? Não.
Você é justiceira.
Não, não sou.
Não?
Não. É muito engraçado, porque quando você tá na empresa, quando você atravessa, né, que você vem com a sua bolsa lá, com essas coisas, nossa, aquela seriedade em pessoa, quando você sai que a gente às vezes tá descontraindo, ou tá numa reunião, fora da reunião, né, porque durante a reunião também tão sério. Então, mas é um jeito meu, assim, e eu também, né, fui criada por militares, a minha família inteira, né, toda praticamente, é quase um batalhão da... da Polícia Militar, do Exército, Aeronáutica, Marinha. Sou neta de general, filha de capitão. Então, eu servi um pouco o quartel. E também fui criada com homens. Fui criada com homens porque eu tenho quatro irmãos. Então, são dois mais velhos e dois mais novos.
Uma curiosidade da Márcia que ninguém sabe. Ou que poucas pessoas sabem.
Eu sou super, super criançola, super infantil. Às vezes, de vez em quando, eu me pego. E às vezes, meu marido puxa, pega no meu pé. Porque às vezes, eu tô andando dentro do mercado, escuto uma música legal, eu começo a dançar. E aí, ele olha pra minha cara. Menos, porque ele é mais sério também, né? Ele também é sério. Mas ele tem um lado dele também brincalhão. Mas de vez em quando, assim, sabe? Eu me pego fazendo essas coisas. E eu sou amante de flores.
Eu posso contar também um segredo que acho que pouca gente sabe? Pode. Você também é uma amante da dança.
Sim, amo dança. Amo dança, amo mesmo. Música e dança. Eu acho que é uma das coisas que eu acho que eu me apaixonei tanto também, né? Pela parte de podcasts. Eu fiquei agora fã de podcast, tanto é que eu acabo escutando até, assim, me parando poucas vezes pra ver televisão. Eu fiquei fanática por podcast porque eu acho que é um momento em que eu tô muitas vezes no trânsito, autoaprendendo.
É, você conhece a história das pessoas igual agora. A gente tá falando com uma pessoa que tem 34 anos de profissão na área de segurança do trabalho, igual, você tá aqui, primeiro que a gente construiu uma relação, você tá aqui por exemplo, né? Ou seja, eu vivi. vendo muitas coisas. Eu conheço pessoas que você tem relação. Já dançamos.
Sim, sim, é verdade.
Então, assim, a gente tem toda uma história. Então, agora vem a pergunta de um milhão. Ó, eu queria que você falasse um pouco das distrações. Quando eu falo de distrações, a gente fala principalmente do nosso maior vilão, que é o celular, redes sociais.
A minha briga. Eu uso rede social também, ajuda bastante, mas eu até mesmo, eu mesma tenho me policiado a respeito disso porque distrai. Distrai é uma das coisas, nós atuamos com máquinas e equipamentos. E aí uma das coisas que muitas vezes a gente via que acabava ocasionando algum acidente era o fato da pessoa se distrair mexendo no celular. Nós já tivemos situações de deslocamentos na empresa em que as pessoas bateram a cabeça em escadas, quase caíram de escadas. E aí, gente, como trabalhar isso, sendo que é uma ferramenta hoje de trabalho, né?
Sim.
Eu tenho acesso aos principais aplicativos da própria empresa, eu tenho acesso a telefone, internet, ao meu banco, a e-mail. Então, ela tornou a vida muito mais fácil. Só que a gente sempre procura falar, principalmente para quem atua em campo, ou até mesmo os nossos vendedores, que muitas vezes se deslocam e precisam do celular, para que faça pausa. Precisei utilizar o celular. É o momento. Vai lá, bebe sua água. Tem um momento de mexer o esqueleto um pouquinho.
É, sai da atividade.
Sai da atividade. Sai da atividade. Porque alguma coisa vai dar errado. Alguma coisa vai dar errado.
Ou você não presta atenção no que o outro tá falando.
Não tem, porque eu fico muitas vezes, até brinco com o pessoal. Falo com os vendedores, principalmente, que às vezes eles começam a se deslocar e falando no telefone. Eu falo, quando você anda com o telefone atendendo, ele continua carregando? Aí eles não estão entendendo. Por que precisa andar? Aí eles acabam caindo na risada. Você não consegue atender o telefone parado, senta um pouquinho, pega um café. Né? Pega uma caneta, às vezes você precisa anotar alguma coisa, porque no momento que você está andando, você tem que prestar atenção no que você está fazendo.
É, inclusive eu vou trazer aí futuramente um tema pra falar sobre produtividade.
Sim.
Né? Porque hoje a gente está vivendo aí, é um desafio muito grande. A gente, aqui na Enquanto Infinity, a gente tem os processos, tudo muito bem definido, mas aqui a gente fala que não existe regra. A gente costuma, a gente faz um notion board, a gente fala da abstração, a gente fala de uma série de coisas tudo documentado, apresenta, faz sentido pra você, tá ok. E aí quando a gente vai no dia a dia, se deparar com situações, fala, pega mais leve com isso, procura deixar o telefone longe, né, que a gente tem aquela coisa, se for urgente, avisa para as pessoas, o mais importante é te ligar.
Sim.
Porque toda vez que eu vou mexer, responder um amigo, qualquer coisa do tipo, eu vou distrair.
Ser humano é autoconfiante.
Autoconfiante.
Autoconfiante. Eu vejo, eu vou contar até uma situação, né, assim, Eu, quando entrei em construção civil, eu morria de medo de altura. Morria de medo, morria, morria.
Eu adoro altura.
Então, agora eu aprendi a gostar. Mas eu morria de medo. E esse meu primeiro chefe, ele era maluco. Mas ele me ensinou muita coisa. E aí ele falou pra mim, Marcia, eu preciso que você comece. Como que você vai fazer uma liberação de um trabalho em altura, ou em andame, ou no telhado, sendo que você tem medo de subir a escada? E as escadas eram aquelas escadas praticamente quase que abertas, né? Com aquelas telas. E aí eu subia, eu grudava no corrimão, que eu não sei como que eu não quebrava os meus dedos de tanta força que eu fazia pra subir no corrimão e aquele medo. Quando eu fui fazer o curso de ponte rolante também, né? Que eu fui fazer o curso, eu fiz o de cabine. E essa empresa era próxima ao laminador, eu tinha que subir uma escada como aquela de bombeiro mesmo.
Você fez curso de ponte rolante.
Ponte, empilhadeira. Ó!
Você assistiu o nosso episódio que a gente fala de movimentação de carga?
Eu vou ver, então. Fiz curso de ponte em Piradeira de... Nossa, eu faço um monte de coisa.
Gente, eu acho que são coisas que eu estou descobrindo.
E aí, o que acontece, né? Voltando lá... do autoconhecimento, a gente acha que sabe tudo e tudo mais, né? A medida que eu fui acostumando a subir e descer a escada, Entendeu? Eu já não segurava tão forte no corrimão. Depois eu comecei a subir um pouco mais rápido. Até um ponto que eu peguei e me policiei porque eu quase escorreguei. E naquele momento eu fiquei até com medo. Eu falei, gente, se eu tivesse caído daqui de cima, eu tinha morrido. E aí eu vi que eu estava agindo com autoconfiança.
Você já estava confiante.
Eu já estava confiante. Eu já não estava mais com aquele medo de que é o novo ou então pode trazer um risco. E aí o que a gente bate muito na tecla com os nossos colaboradores a respeito disso. Eu conheço o risco, mas qual é o meu comportamento perante esse risco? Porque conhecer é fácil. Eu posso encher empresas de cartazes, banners, colocar em vários veículos de comunicação imagens de acidentes gravíssimos. Mas e aí? É o comportamento. Qual é o meu comportamento?
É bem interessante, depois que eu fui na sua empresa e aí a gente começou... Na verdade, eu sempre, inclusive, participo dos treinamentos, de vídeos de integração, né? E aí é muito interessante, porque sempre que eu levava um funcionário meu, E assim, eu já orientava ele antes, né? Tudo bem, já mandava a documentação dele, tudo bem, tava tudo certo. Só que eu já fazia a integração dele antes.
Sim.
Né? E aí, quando chegava lá pra fazer a integração, aí eu falava assim, ó, já fiz a integração dele. Não, mas como assim? E sabe o que é legal? Porque, assim, eu tô dentro, né, inteiramente da sua empresa, acompanhando ali os treinamentos, as melhorias, a evolução e tal. E, ao mesmo tempo, uma semana depois, eu tô dentro de uma outra grande empresa, aí eu tô vendo, né, como funciona as regras de segurança e tal, tal, tal. E, às vezes, eu chego nessas empresas e eu me comporto de forma diferente.
Sim.
Então, eu chego, paro para atender o telefone, enfim, já falo para todo mundo, o comportamento é esse. Então, eu levo muito, eu carrego muito o exemplo que eu vivi com você para outras empresas. E, às vezes, eu chego assim e a pessoa fala, Por que isso?
É tão engraçado que às vezes acontece comigo quando eu tô andando no shopping.
Não é interessante?
É, é tão engraçado que eu já fiquei tão condicionada que às vezes toca o meu telefone e eu paro. Aí às vezes eu tô com pressa, aí eu fico... Mas eu não consigo sair do canto, eu não consigo me mover do lugar. Eu paro e aí eu falo, não adianta, pressa, não vai me ajudar em nada. Eu atendo tranquilamente e aí eu sigo. É uma coisa que ficou assim já...
Pra você ver como o exemplo fica. Aqui, até uma última coisa que eu vou falar antes da gente encerrar. No nosso onboard, quando a gente fala dessas questões das distrações, a gente tem uma foto de um motorista assustado, como se ele tivesse olhado e se assustou. E aí eu dou muito exemplo da distração, que é assim, imagina que você está na condução desse projeto, entende? Então, quando você tira a atenção por um minuto, tudo bem, a gente trabalha com audiovisual, trabalha com comunicação, você pode colocar um letter errado, você pode escrever algo errado. E prejudicar a imagem da nossa empresa. O né? resultado, Prejudicar o resultado.
Com certeza. E esse resultado muitas vezes pode ser um acidente.
Sim.
E o que eu falo? Quem sabe qual o tipo de acidente que vai acontecer? No momento nenhum. Às vezes tudo bem, você vai descer, subir uma escada, você tá correndo risco. Eu posso correr? Posso. Mas eu também posso cair, quebrar o pescoço e perder minha vida.
É igual aquelas brincadeiras com piscina.
Sim.
Você sabe que depois que eu te conheci, eu virei um chato. Eu virei o chato do rolê. Então, se a gente tá em casa, assim, final de semana com o pessoal, aí daqui a pouco aquelas pessoas começam a jogar.
Ah, com essas brincadeiras.
Gente, gente, sabe o que eu faço? Aí eu adotei o modo Márcia. Falei, ó, gente, isso, não, por isso, por isso, por isso, por isso. E aí eu trago o exemplo de situações que eu vi de amigos, né, que eu já vivi, onde eu tenho aí colegas tetraplégicos. Uma brincadeira de jogar de piscina, quando joga, na volta, um escorrega, sabe? Às vezes, um lado escorrega e bate a parte de trás ali. Então, assim, acontece muito. Inclusive, uma dica, que dica constriquece, gente. Cuidado com brincadeiras em piscina. Cuidado com bebida em piscina, porque não combina. Já vi muitos casos acontecer. O Marcio, eu queria te fazer uma última pergunta, antes de te passar as considerações finais. Você, que é uma pessoa ativa nos nossos canais, que está sempre acompanhando, o que você está achando e o que mais te chama a atenção no Constricast?
Primeiro, a diversidade de conhecimento das pessoas com quem vocês convidam. Pessoas fantásticas que, inclusive, quando você me convidou, eu até vou confessar, eu cheguei no meu marido e falei, amor, será que eu estou à altura de eu ir lá? Olha os profissionais que ele convida, né? E ele falou, claro, claro que sim, claro que sim. Então, eu aprendo todas as vezes, todos os episódios, não consegui assistir ainda tudo, não dá, não consigo. Estou fazendo engenharia. Estou no último ano agora da engenharia e estou fazendo curso de inglês também, porque eu preciso falar inglês, pelo amor de Deus. Eu só não estou tendo tempo, mas uma hora eu chego lá. E eu acho interessantíssimo. É uma diversidade de informações. E a forma como você também puxa as informações é porque você também tem bastante conhecimento.
É, eu confesso que tinha aqui, ó... A Gabi, ela colocou doze perguntas aqui. Doze perguntas. Mas eu conduzi assim, eu acho que o assunto foi acontecendo e dessas 12 perguntas, eu fiz acho que três que vieram da internet, tem duas aqui que eu reputo, assim, eu tinha que perguntar, a gente foi fazendo um bate-papo. Porque eu sempre falo que, assim, o... O Constricash, na verdade, ele é reconhecido, ele está sendo reconhecido pela credibilidade dos convidados, né? Então, como foi falado aqui durante o nosso bate-papo, você é uma pessoa que tem história.
Sim.
Você é uma pessoa que tem conteúdo, então é uma coisa que a gente preza muito.
E vou brigar pela área de segurança do trabalho, acho que até o último dia, que às vezes eu falo, ai gente, não vejo a hora de me aposentar, ir pra praia, andar de bicicleta, tomar minha cervejinha.
Ai, outra curiosidade, outra curiosidade da Márcia.
Mas aí eu fico assim, não adianta, eu tô na praia, eu tô assim, meu Deus, a pessoa tá andando, tá assim, em alta velocidade, sem o capacete, meu Deus, eu não consigo deixar de ser técnica de segurança nunca.
A cervejinha a Márcia gosta muito.
Gosto, gosto.
Ô, Márcia, a gente tem um quadro aqui, Convidado Convida.
Sim.
Você já sabe quem você gostaria de ver aqui. Lembra, indústria faz parte da construção. Igual hoje, mesmo na sua empresa, que é uma empresa que fornece soluções para indústrias e etc. Você vê que você está dentro de canteiro de obra. Você tem gente lá dentro de canteiro de obra. Pode escolher o convidado que eu trago. Inclusive, você me ajuda a trazer, se eu não tiver capacidade.
Eu tenho uma pessoa, né? Ele... Eu acho que vai agregar muito valor, né? Com o conhecimento que ele tem da área onde ele atua, que eu acho que...
Fala o nome e o tema que ele vem falar aqui.
João Roberto. E eu acredito que ele pode falar em auditoria de sistemas de gestão e atendimento a requisitos legais, porque isso é algo que já precisa ser pensado no início de uma obra.
Sim.
A parte de eu escolher um terreno...
O João, se for a mesma pessoa que eu estou pensando que é, Vai ser um bate-papo de alto nível.
Vai ser, vai ser, sim. Eu acho que você também vai dar bastante risada com ele, porque ele é bastante divertido e bem leve de conversar.
Ô, Márcia, antes da gente encerrar, eu queria te perguntar, tem algum assunto que você gostaria de falar, que eu deixaria de te perguntar?
Eu acho que... Uma dica, né, que eu gostaria de deixar, até porque tem aí uma... Muitas pessoas que vão ouvir, que vão, eu acho que se interessam pelo assunto, não só da parte de construção, mas em si, toda a estrutura dentro da empresa, deem atenção ao departamento de segurança. Departamento de Segurança do Trabalho não é só entregar equipamento de segurança, fazer integração, entregar uniformes. Nós fazemos uma parte toda de gestão, nós trabalhamos e atuamos muito em parceria com a empresa no sentido de de prever ou então antecipar determinados riscos, sejam eles na parte de acidentes, para que não cause doença ocupacional a esse colaborador, que muitas vezes está lá, seja na parte de construção, seja ele na parte de chão de fábrica, seja ele na parte mesmo da parte de apoio operacional, que se desloca pela empresa. Então é uma área que precisa ser Assim, eu acho que mais consultada, mais envolvida em projetos. Muitas vezes existem mudanças de instalações. Segurança do trabalho é ótimo a saber. Depois entra, tem todo um problema, tem todo um passivo que fica. Então, eu deixaria essa dica aos gestores, essas pessoas que idealizam muitas vezes novos empreendimentos, que pensem na segurança. E até na parte das construções mesmo, lembrar que existem pessoas que vão trafegar muitas vezes, então tomar cuidado com o piso que vai colocar, com o tipo de maçaneta que vai colocar.
Por isso que é importante a segurança participar, inclusive, nesse processo de construção de uma área e etc.
É isso.
Muito bacana. Eu vou complementar, vou dar um recado aqui para as pessoas da área de segurança. Então, eu tenho a sorte de ter muitos amigos na área e ver, né, vários comportamentos. Então, gente, sejam gentis com as pessoas e rígidos com os processos. A Márcia é reconhecida justamente por isso. Ela tem a sutileza de tratar as pessoas e, ao mesmo tempo, ela é rígida com os processos. É isso?
Correto. Exatamente. Me definiu perfeitamente. Então, é isso.
Eu te defino dessa forma, de fato, porque eu te conheço. Gente, ó, compartilhem nossos conteúdos. A Márcia agora vai sair daqui. A gente vai... compartilhar nos grupos de segurança do trabalho. Enfim, não é só para a segurança do trabalho, porque a segurança... Vou compartilhar.
No meu LinkedIn também.
No LinkedIn, inclusive.
Não, Instagram.
Tem uma coisa que eu queria falar também, Márcia, que assim, a gente até falou pouco aqui nesse bate-papo, que foi a questão do uso de celular durante o uso do veículo.
Sim.
Gente, cuidado, uma mensagem pode esperar, uma ligação... Um segundo.
Um segundo você leva a vida de alguém.
Então, se está voltando para casa, você está vindo para o trabalho, lembra, você quer ver sua família, Você quer participar dos momentos em família? Lembre, ó, às vezes um segundo, uma distração no trânsito, um olhar para o celular pode causar, enfim, um acidente fatal.
E às vezes você não vai conseguir mais depois falar, né?
Sim.
A pressa de querer falar e aí bater o carro. Então, você leva a sua vida ou leva a vida de outra pessoa e tudo se perde.
Cuidado, né? Então, por isso que eu reforço aqui, cuidado com a abstinência do celular, porque a gente vive uma ansiedade, né? Não estou falando vocês, não. Eu também sou assim, né?
Somos seres humanos.
Todos, né? Somos seres humanos e vale muito a gente estar aqui reforçando ainda mais quando a gente tem aqui uma pessoa com a credibilidade que a Marcia tem, que trabalha com vidas, né? Orientando as pessoas a terem, cuidarem da segurança. Gente, então... É uma pena que acabou. Marcia, mas já vou te convidar.
Adorei, adorei. Adorei mesmo.
Já vou te convidar pra participar de um episódio aqui em março. A gente tem episódios só com mulheres.
Ah, legal.
Eu gostaria muito de te convidar já. pra fazer um bate-papo com o Minhako Roshi aqui do meu lado, pra falar, conversar com outras mulheres aí.
Ah, legal, legal, legal mesmo. Obrigada.
Tá feito o convite.
Gente... E já aceitei.
Então, convite aceito. Então é isso, galera. Olha, compartilhe de fato nossos conteúdos. Temos uma trajetória muito grande aí pra percorrer e conto com o apoio de cada um de vocês. Um abraço, até o nosso próximo encontro. Aqui sobe o som, ó.
Construir queixa, arquitetura, engenharia e construção.
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