Gestão | Propósito | Inovação | Novo caminho da Engenharia | Construção Civil | André Abucham

Portuguese-language YouTube interview (ConstrueCast) with André Abucham (CEO of Ingeforme Engenharia) about his personal and professional trajectory from childhood site visits and an early engineering degree (graduated Dec 1998), through work in New York's financial market (~1998–2005/2006), to leading a nearly five-decade-old Brazilian construction group. The conversation covers leadership and culture (autonomy, strategic planning, continuous learning), innovation (first Green Buildings in Brazil, Okara innovation hub), social impact and flagship sectors (saneamento and hospital architecture), concrete impact metrics (projects affecting tens of millions of Brazilians), operational approaches (lean construction, supply-chain partners, design-and-build, PPPs), and education/philanthropy (Academia Engeforme, Santa Fé).
Questions this video answers
December 1998.
From late 1998 until the end of 2005–2006 (about 7–8 years).
About 30 million Brazilians.
Over 40 hospitals, totaling ~7,000 beds and more than 1 million square meters built; hospitals receive ~50 million people per year.
Approximately 80,000 square meters.
Chapters
Do balcão de uma loja aos 12 anos para o mercado financeiro em Nova Iorque aos 22 e hoje ele está à frente de uma das construtoras mais consolidadas do Brasil com quase cinco décadas de história. Este episódio é um oferecimento Uma Construction. Agora, o que moldou essa trajetória? Quais foram os desafios e aprendizados que fizeram a diferença? No episódio de hoje, vamos descobrir como gestão, propósito e inovação estão definindo a construção civil. André, seja bem-vindo ao nosso podcast.
Paulo, muito obrigado pelo convite, é um prazer, uma honra estar aqui com vocês e poder dividir um pouco do que esses quase 50 anos me ensinaram.
André, eu queria que você falasse um pouco mais da sua trajetória, além do que eu já fiz aqui na abertura. Então, como que você entra no mercado de construção civil?
Eu entro primeiro sendo filho do Reinaldo, um engenheiro civil nascido em Ourinhos, que se casou com minha mãe, a Suzana, apaixonada por história, por filosofia, o que me dá uma ativação nos dois pedaços do cérebro, né? Os dois hemisférios são bem... trabalham de forma bem diferente, mas eu tive a chance de crescer acompanhando a jornada de engenharia do meu pai. Com isso, um jovem de calça curtas ia aos sábados ver as canteiras de obra, se encantava com os prédios, as obras de saneamento sendo executadas, as máquinas movimentando os materiais. Para mim, uma coisa curiosa é que jamais me passou pela cabeça ser algo diferente do que o engenheiro civil que me formei em dezembro de 1998. Então a minha escolha talvez tenha sido uma escolha mais simples da que eu vejo alguns jovens como meus filhos hoje. Eu sou pai de cinco crianças, casado com a Brigitte, e eu acompanho um pouco, e também era uma época que não tinham tantos profissionais como hoje. Então pra mim foi fácil saber que ia ser engenheiro civil.
E o que que... Até é um fato curioso, né? Quando... Eu falo que quando você é picado pela construção civil, dificilmente você sai. Eu queria que você falasse um pouco mais como que foi pra você fazer essas visitas em canteiros com seu pai, ainda criança, né? E como isso foi importante pra que você entrasse aí na engenharia.
Que pergunta gostosa, porque se eu pudesse voltar no tempo e viver essas visitas de novo, ah, eu pagaria caro pra poder sentir o que eu sentia naquela época. Mas assim, eu ansiava pra chegar um final de semana, quando ele me pegava e me levava pra dentro de um canteiro de uma grande estação de tratamento de esgoto. Ele tava me fazendo entender o fluxo do esgoto pra sair de uma casa, ser levado até uma estação e ali tratado. E ele era muito criativo, eu lembro de uma maquete que ele fez uma vez, grande, maior que a nossa sala aqui, que mostrava todo o fluxo do esgoto numa estação que, se eu não me engano, ficava até em Suzano, ou Baruerinha, não me lembro agora. E crescer ouvindo essas histórias. E, por curiosidade, eu sou de 76 e é angieforme também. Então, eu brinco às vezes, como eu sou de janeiro e é angieforme de outubro, ela precisa me respeitar, porque eu sou um pouco mais velho.
Tem meses ali de diferença, né?
Mas eu cresci assim, acompanhando o crescimento, a evolução, a transformação do Arnaldo, que é meu tio, que é o fundador da empresa, e meu pai, que era o seu grande amigo antes do Arnaldo fazer angieforme. Depois, no começo da década de 80, eles se juntam. e a capacidade de empreender deles, Paulo, que eu acho que é uma das coisas mais admiráveis que eles têm, né? Então, assim, nasci engenheiro, cresci nesse ambiente e hoje, quando eu converso com os meus filhos, assim, a paixão que eu tenho pelo que a gente faz é uma coisa, assim, incalculável. Eu realmente amo isso que a gente faz.
É, e acompanhando o seu trabalho, né, de fora, eu vivo visitando aí várias construtoras, várias indústrias e... eu noto que você tem um... parece que é um propósito, um dom naquilo que você... Sabe quando você vem ao mundo e você tem um propósito? O que eu quero deixar como legado? Nesse sentido, o que que você tem como legado, tendo em vista toda a trajetória que você construiu até aqui?
Você sabe que essa pergunta hoje é mais fácil de responder, mas eu demorei mais tempo na minha existência para me encontrar e ter uma resposta mais fácil. Sempre me moveu muito coisas que eu podia fazer pessoalmente que trouxesse um impacto positivo na vida de outras pessoas. E isso também vem de uma inspiração dos pais da minha mãe, que eram vicentinos, e eles cuidavam de famílias. E eu lembro quando eles estavam bem velhinhos, um com 90 e tantos, outro com 80 e tantos, e eles se reuniam com essa comunidade dos vicentinos na casa deles em Genópolis pra tomar sopa à noite e discutir como é que eles iam cuidar de tantas famílias, o que eles iam fazer. Aquela coisa, quando eu era pequeno, já me brilhava os olhos. Mas quando você pega um pouco desse propósito, do impacto positivo na vida das pessoas. Você consegue ir para uma organização como a Ingeforme, que você consegue exponencializar essa ideia. Daí vem o propósito da Informa Engenharia de fazer a diferença na vida das pessoas através da nossa arte de engenharar. Então esse é o propósito só da Informa Engenharia. Cada uma das nossas cinco empresas tem um propósito diferente. Mas se pudesse falar sobre um elemento de cultura que é muito relevante, é isso. É a possibilidade de você conversar com o seu time toda vez que você precisa falar um pouco sobre cultura e falar, não, peraí. Isso aqui vai fazer a diferença na vida das pessoas de um jeito muito legal. Tangibiliza.
Nessa linha de transformar a vida das pessoas, vocês têm uma experiência muito grande na arquitetura hospitalar. Então, assim, você tem vários exemplos. Só que antes de falar desse, de continuar falando da Ingenforme, da sua trajetória na empresa, eu queria voltar um pouquinho e você, se possível, falar da sua trajetória em Nova York. Como que você foi pra Nova Iorque, atua no mercado financeiro e como isso impacta o líder que você é atualmente.
Essa é uma história curiosa, né, porque eu tava lá em dezembro de 98, não, isso foi em setembro de 98, tava pra me formar, e aí eu conheci uma pessoa de origem israelense, que tava tendo uma reunião com meu pai, E meu pai me chamou pra sapear a reunião, tinha ali meus 22 anos, e a Dália se chamou, se encantou comigo, gostou do meu jeito, ou resolveu dar uma chance pro moleque, e me convidou pra fazer um estágio fora do Brasil. E eu tava me formando em engenharia, já tinha, eu comecei a trabalhar com 18 anos, já tava trabalhando há 5 anos, e uma certeza que eu tinha naquele momento é que minha carreira ia ser na engenharia. E eu falei, mas o que eu vou fazer? Ela falou, você vai trabalhar no mercado de capitais. E eu falei, quanto tempo? Ela falou, vamos ver se dá certo três meses, seis meses, talvez um ano. Então, toca fazer uma festa de despedida, arrumar umas coisas pra ir embora e mudar pra Nova York, onde de fato, quando eu cheguei, pra mim era muito incerto quanto tempo ia ficar. E lá eu conheci elementos de gestão, elementos de cuidado com uma empresa, elementos de cuidados com uma pessoa. que me ajudaram ao retornar para a Engenform quase oito, sete anos depois, porque eu fiquei de noventa e oito, de dezembro de noventa e oito até o final de 2005 para 2006 lá em Nova Iorque. E foi uma grande escola, uma grande escola de gestão, de trabalho no mercado de capitais, trabalho com pessoas de diversas nacionalidades.
E tem algum ponto marcante, assim, nessa ida sua pra lá? Alguma coisa que te marcou e... Enfim.
Ah, tem uma história que eu adoro contar, que é quando eu quase fui despedido nas primeiras semanas. Eu não sei se você já ouviu essa.
Já ouvi, mas provavelmente a nossa audiência não. Gostaria que você contasse aqui.
Eu gosto de contar essa daí porque, assim, quem vê agora algumas histórias de coisas de sucesso, realização, não sabe dos tombos que a gente leva, né? E pra mim é muito marcante. Quando eu cheguei lá, então, recém, peguei meu creia no final de dezembro, e daí de fevereiro, acho, primeiro semana de fevereiro, eu tava trabalhando em Nova York. Primeiro, foi muito marcante pra mim, e tudo bem que era uma grande capital, uma metrópole, mas no fundo, eu era um moleque sozinho em Nova York, eu não tinha amigos, não conhecia ninguém, tava começando uma carreira num mercado que eu não dominava, então assim, aquela primeira sensação de um grande desafio. E eu tinha altas expectativas, afinal eu era um engenheiro civil, do que é fazer? E nas primeiras semanas como estagiário em Nova York, eu não sei se é um teste de resiliência, ou se é assim que começa a mesma carreira, eu servi bastante café, eu distribuí carta, eu passei fax, eu digitei coisas, enfim, eu senti que eu não fazia nada ali muito assim relevante. Depois, passado um tempo, não sei se eu comecei a bufar ou começaram a perceber que eu podia fazer mais do que aquilo, me deram uma mesa, uma cadeira e falaram, olha, agora você vai trabalhar aqui como sales assistant, assistente de venda, quase um secretário executivo, para três profissionais do banco. Um cara da Itália, que se chamava Alexis Pineta, nunca vou esquecer o nome dele, um indiano chamado Anil Yuttancing e uma americana chamada Tina Karbo. E a Tina era ardida, né? A Tina era ardida e ficava bem perto da janela dela, assim, né? Cuidando dos três, fazendo um milhão de outras coisas, aprendendo muito já sobre mercado, as coisas que eu não sabia nada, né? E aí, um dia, pro meu azar, Paulo, eu toco o telefone, e eu puxo o telefone assim, e era uma mulher que queria falar com a Tina desesperadamente, e ela tinha uma comunicação muito, assim, firme, né? Eu preciso falar com a Tina, e eu falei, bom, posso te perguntar seu nome? E ela falou, olha, eu sou o Barry. E eu falei, tá, deu ruim, né, não consegui pegar nem três letras do nome dela. Ela falou, senhora, me desculpa, eu tô começando aqui agora pra esse enxergado do Brasil, né, estagiário. Fala um pouco mais devagarzinho seu nome pra mim, que eu vou fazer uma forca aqui e vou colocar umas letrinhas. E aí ela falou, eu peguei e coloquei um E, um S, um T. E a Tina gritava, pô, passa a chamada, quem é, quem é, passa aí. Eu falei, calma, calma, a moça aqui quer falar com você. E aí quando ela falou a terceira vez, eu virei pra Tina, ela falou, quem é? Eu falei, a Hillary Clinton. Aí eu falei, pô, mas a Hillary Clinton, que moça importante a Tina.
Cara, desculpa, por quê?
É, mas a história é verdadeira, e eu rio hoje com a Tina até hoje. Aí eu mandei a Hillary Clinton pra Tina, né? A Tina atendeu a moça lá pro meu azar, era a vice-presidente número 2, 3 do banco, chamava Betsy O'Leary, e até hoje eu tenho trauma desse nome, né? E a Betsy despachou com a Tina, cuidou das coisas, arrumou o que precisava arrumar, e deu assim a instrução, agora pega aquele analfabeto que tá na porta do seu escritório, pelo amor de Deus, tira esse cara da nossa organização. O cara não conseguia entender o telefone. E assim levantou a Tina, né, assim, poçou toda assim, veio com os rostos vermelhos, e só não falou, you're fired, né, mas falou assim, Puta, não vai ter jeito, cê não tem como ficar, cê não fala inglês, cê não sei o quê. E eu achava que eu falava inglês, hein.
Na verdade, todo mundo pensa, né? Todo mundo acha que fala, quando vai pra lá.
Uma coisa é o inglês, assim, daqui, outra coisa é o inglês em Wall Street, né? E eu, naquela hora, falei, cara, que derrota, Jesus, o que que eu vou contar lá em casa, né? Terminei com a namorada, vendi o carro, fiz a festa, despedi, aluguei o apartamento e tal, tô demitido aqui em semanas. Não vai dar, se derrota, eu vou atirar no seguinte. Eu olhei pro seu escritório, e o seu escritório é uma bagunça, esse seu lugar aí. É uma bagunça que eu não sei como você acha um papel aí, um documento. E outra coisa, eu sou muito bom em plano de Excel automatizado, eu vou pegar, você vai me dar uma semana, e eu vou transformar esse escritório numa outra coisa, você vai achar as coisas, você vai ver um monte de coisa que eu vou fazer pra você, e sua vida vai ser bem melhor. E eu vou estudar inglês também, porque precisa melhorar o inglês, né? Ela me olhou com aquela cara assim de brava, e falou assim, então eu vou pensar. E aí ela foi pra casa dela pensar, e eu fui pra minha casa não dormir, né? Eu fui pra minha casa, cheguei, deitei no sofá, com o olho aberto assim, desse tamanho, vendo virar a noite, pra ver o que a Tina ia fazer comigo, né? E pra minha sorte, a Tina não me despediu, e o que era pra ser uma carreira encerrada em Nova York em semanas, virou uma carreira de grande aprendizado, evolução, amadurecimento, é muito meritocrática. Eu não sei se você sabe que na cultura do americano, principalmente no mercado financeiro, a sua carreira só avança na medida que você passa em testes extremamente complexos, difíceis, que você precisa estudar muito, muito, muito, e ficar quatro horas na frente de um computador respondendo perguntas, e se você não tirar sete, volta pra trás.
Não volta, recua.
É, recua.
André, e o que que você traz de aprendizado após um acontecimento desse, e você superou com resiliência, teve coragem, ou seja, teve atitude pra falar, não, vou mudar o rumo dessa história. O que que você traz pra sua vida como aprendizado e como isso impacta aí a sua volta pro Brasil, ou seja, pra continuar sua história na Constituição Civil?
Eu acho que é uma coisa que independe de indústria, né? E acho que tem algumas coisas assim, tipo, de coragem, porque eu podia, Paulo, de verdade, ter colocado meu rabinho no meio das pernas, levantado a cadeira com os olhos em lágrima, voltado pra casa, arrumado minha trouxinha e voltado. Minha história de vida ia ser completamente diferente, mas essa mesma situação da Tina, eu já vivi. em outras escalas, em outros lugares, em outras dimensões, muitas vezes, e acho que uma característica que eu gosto de ver na liderança é a resiliência, a coragem, a capacidade de ser criativo para contornar situações difíceis ali na hora, em situações com rotas alternativas para você achar uma solução, como conciliar um problema complexo.
Então, nessa medida, eu percebo que quem está próximo de você, até devido a sua própria história, acaba se inspirando para se encorajar a tocar a vida de uma forma mais encorajada, né? Como que você nota, assim, a sua gestão mesmo no dia a dia diante de... assim, eu estou aí também na linha de frente da empresa e, como eu te falei, eu visito aí várias empresas e canteiros de obras, então, assim, a gente vive um desafio por dia, e como que você traz, assim, as pessoas pra falar, ó, isso tá acontecendo agora, mas você precisa olhar pra frente e superar, né? Não adianta olhar pro problema.
Eu quero dar um passo pra trás só, né? Porque a sua pergunta realmente é como gerir isso numa esfera um pouco maior de uma organização, né? Sim. E eu realmente acredito na relevância das estratégias das organizações. Acho que a gente pensar a estratégia, a cada tempo recalibrar a estratégia, nós acabamos de encerrar um grande evento de planejamento estratégico de reforma em engenharia, que vai nortear ações agora para os próximos três anos, pelo menos. Mas nada disso da estratégia vai dar certo se a gente não for uma organização com uma cultura muito forte e robusta. E a cultura passa por elementos que têm que ser repetidos, conversados, compreendidos e principalmente usados no dia a dia, que vão muito além da missão, razão da empresa existir, visão, o sonho em que a gente quer chegar, esse propósito genuíno de fazer a diferença na vida das pessoas através da arte de engenharar, os valores que suportam a organização, e no caso a gente tem um valor que é de relacionamento interpessoal e liderança. E nesse quesito de liderança, a gente tem um item que para nós é muito relevante, que remete à autonomia. Nas empresas da Ingeform, a autonomia é compreendida de um jeito muito especial. A gente tem quase que um manifesto de duas páginas sobre isso, para que alguém, eventualmente, saiba como tomar suas decisões dentro do que é alçado, do que tem que fazer.
Bem interessante. E como que cria uma cultura onde você dá essa autonomia pras pessoas? Principalmente num... Tratando-se de construção civil, né? Que você... A gente vai falar um pouco aí dos projetos relevantes, que todos são muito relevantes, mas queria que você citasse alguns, né? E como que se dá essa autonomia pras pessoas?
Eu acho que a gente tem que dividir esse tema em duas coisas. Primeiro, toda vez que a gente tem um projeto, um desafio, a gente tem as caixinhas, o organograma, e a gente tem as competências que são requisitos daquelas cadeiras. Então, muitas vezes, você tem que tomar um cuidado ao montar essas equipes para, de fato, você atender aos requisitos, às competências que aquelas cadeiras pedem, à experiência que aquele profissional precisa ter, em detrimento de eventualmente você estar usando pessoas do time que são aderidas à cultura, ou que o diretor A gosta muito dele porque é um cara que é batedor de meta, ou o B é muito aderido à cultura. Então essa questão de você colocar as pessoas certas sentadas nas cadeiras certas é muito relevante. E depois disso, um sistema de gestão robusto. Uma das coisas que eu me orgulho muito que a gente construiu em Reforma nos últimos anos, bastante apoiado pela escola do professor Falcone, foi a nossa forma de gerir os nossos negócios, independente se eu estou fazendo uma unimédia em Novo Hamburgo, que está a exatas 5 horas de voo da Unimed Natal, e a gente faz do mesmo jeito padronizado os nossos processos, a nossa execução das coisas na ponta, a nossa gestão do dia a dia, a forma de se relacionar com o cliente, a forma de se relacionar com as comunidades, a forma de se relacionar com o meio ambiente. Então, é por isso que na nossa visão, a gente sempre sonhou em ser uma empresa de referência no desenvolvimento de pessoas, e se refere-se a ingestão, porque acho que essas duas coisas bem combinadas é o que faz uma empresa se perenizar, o que é muito raro aqui no Brasil, né? Você vê empresas muito longevas.
É, e quando você cita, né, o professor Falcone, ele é um exemplo, na verdade, em gestão de projetos e processos, então até queria aproveitar essa deixa aí para você Dá uma dica aí de algum livro pra pessoas que estão ouvindo ou assistindo este episódio.
Livro de gestão?
De gestão.
Eu queria lembrar o título do último livro do professor Falcone que eu li. Mas a Gabi ali vai me dar uma ajuda, vai me dar uma pesquisada no celular dela, porque eu vou te falar que o último livro do professor Falcone, que eu li o último que ele lançou, me marcou muito. E o Falcone foi além agora só dessa gestão dos processos que tornou ele tão renomado por ajudar empresas de diversas indústrias a entregarem, a executarem seus planos, né? Porque no fundo, acho que a ferramenta que ele nos traz é pegar isso, tudo que a gente faz agora no começo do ano, que é planejar, em empresas muito grandes, aquele resultado que você precisa entregar no dia 31 de dezembro. Ele te dá essas ferramentas. Você escalando com essas pessoas certas... Vamos bem adiante.
É, inclusive, até uma dica importante, né, que essas empresas invistam em empresas de consultorias, né? Especializada em gestão de projetos e processos.
Mas adoramos, Paulo. Mas adoramos sim. Se tem uma coisa que a gente reforma e fez ao longo da sua existência, foi sempre se apoiar muito no conhecimento externo pra fazer a gente sair do patamar que a gente tá, pra um patamar maior, maior, maior e maior.
É muito importante. E aí, Gabriela?
A gente tem os três livros, Gerenciamento da Rotina, gerenciamento pelas diretrizes e o verdadeiro poder. Eu adoro O Verdadeiro Poder.
O Verdadeiro Poder, eu já li, li bem legal.
Isso, acho que vale ler O Verdadeiro Poder.
Agora, eu queria que você falasse, até pra nossa audiência entender um pouquinho dos projetos icônicos que vocês fizeram. Eu queria que você citasse alguns e falasse quais são, quais foram os principais desafios e principalmente falar um pouco, quando eu falo de proposta, vocês tem uma atuação muito forte no mercado hospitalar.
E saneamento também, se fossem os dois principais braços que a gente mais reconhecido.
É, eu queria que você falasse um pouquinho desses cases e o porquê de tanta relevância nesses dois setores.
Eu vou começar pelo saneamento, porque é onde a engenharia informática tem uma grande origem, uma grande paixão do meu pai, o Engenhario Reinaldo, mas no fundo talvez as pessoas hoje não entendam que ao se investir um real em saneamento básico, A gente economiza 4 reais no tratamento de saúde em hospitais. Você tinha esse número na cabeça, 1 pra 4?
Nossa, que forte.
É muito forte, né? E assim, os números que a gente ainda tem no Brasil de pessoas que não têm esgoto tratado, são números alarmantes, são dezenas e dezenas de milhões de pessoas, idem pra pessoas que não têm água tratada na sua torneira. Então o Brasil ainda, apesar de ter tido muito investimento e a gente tá avançando na direção da universalização, os desafios são tremendos. A gente continua trabalhando muito fazendo isso, espalhados pelo Brasil inteiro, mas tem uma obra que me marcou muito. Nos idios de 2015, eu não sei se você se lembra, que a gente teve uma crise hídrica tremenda aqui em São Paulo. Foi a primeira vez aqui que a gente tinha que tomar banho, pelo menos pra mim, e guardar a água do banho pra usar na pia ou pra lavar roupa, enfim. Você se lembra bem desse momento?
Eu lembro, lembro. Inclusive, quando lavava roupa, aproveitava a água do enxague para lavar outras.
Não é? Então, a gente viveu uma temporada disso e a gente participou de um grupo de empresas que construiu uma obra, que é a obra da transposição de duas bacias importantes, que interligam quase que o sistema de água que vem de Minas e do Rio com o de São Paulo. É o sistema... a Tibainha-Jaguaribe. Ali foi feito uma adutora em aço de diâmetro de dois metros e meio, quase 14 quilômetros, e um túnel rocha de seis quilômetros, e depois uma baita estação elevatória que permite que esse sistema funcione para os dois lados. Então, se um dia faltar água lá pra eles, o sistema pode abastecer o Rio e Minas. E se a gente precisar, abastece pra cá. E eu sei que esse sistema foi super importante em resolver o abastecimento de água da gente aqui, da nossa turma próximo de onde nós estamos agora. Então, a gente gosta muito de medir, Paulo, o impacto que as nossas obras, os negócios que a gente executa, tem na população brasileira. A gente escolhe ser uma empresa de foco só nacional, né? E a gente conseguiu levantar que as grandes obras dos últimos 10 anos que a Engenharia e Reforma fez, espalhados pelo Brasil no saneamento, hoje impactam 30 milhões de brasileiros.
Nossa, 30 milhões.
30 milhões de brasileiros. E isso aí foi feito, assim, buscando indicadores super relevantes. Não pra estar falando num podcast, tentando passar um número grande. Mas mais porque, assim, a gente fez a maior estação de tratamento de esgoto da América Latina. Estação de tratamento de barueri, né?
Sim.
A gente fez agora uma doutora, há uns anos atrás, na Zona Norte, em Caieiras. Que só aquela doutora de água levou água pra um milhão de pessoas. E aí, você vai somando tudo isso que você vai fazendo, e realmente fica um impacto muito grande.
Eu conheço todos esses projetos que você tá citando aqui, inclusive quem tá acompanhando pelas plataformas de áudio, se você for pras plataformas de vídeo, você consegue ver imagens aí, a gente tá colocando aqui ao longo do nosso bate-papo. Então, imagina que esse de 2015 pra mim foi muito marcante, eu não sabia que era vocês. Nos informe.
E ao mesmo tempo, eu vou fazer uma conexão direta já, você me perguntou de projetos que me chamam a atenção. Nos últimos anos, a gente se tornou uma empresa muito especialista em fazer hospitais, ao ponto que em algum momento, uns 2, 3 anos atrás, a gente fazia 11 hospitais simultaneamente. Hoje nós estamos fazendo só 5.
Que é um número bem expressivo, né?
É um número expressivo porque são projetos muito grandes sempre. São projetos de 80 mil metros quadrados, 50 mil metros quadrados. Enfim, sempre projetos de escala de 60 mil metros quadrados. Mas eu me lembro muito bem quando a gente teve também a crise do Covid. E aí a Reforma Engenharia construiu um equipamento de saúde na zona norte de São Paulo. E eu lembro que a gente tinha um desafio de construir esse hospital mais rápido, porque se a gente conseguisse fazer isso, esse hospital seria ocupado especificamente para cuidar de Covid. Faltavam leitos em São Paulo e faltavam leitos especificamente nessa zona onde estava esse equipamento para que pessoas pudessem ser salvas. Então a gente arregaçou as mangas no meio da pandemia, usamos os nossos melhores especialistas de lean construction, e eu quero até fazer uma menção ao nosso engenheiro Felipe, que é um craque, Felipe Fazan, que é um craque no uso de lean, e ele tava lá como gestor do negócio também, e nós entregamos esse equipamento com muitos meses de antecedência, e eu sei que ali muitas vidas foram salvas naquele momento.
Inclusive é importante, esse ponto que você citou de gestão ágil nas obras, isso é um fator importante, principalmente no momento em que a gente tá vivendo, né? A gente fala tanto de agilidade, de industrialização e esse processo...
A gente é uma indústria que evoluiu tão pouco desde que fizeram as pirâmides do Egito, né?
Sim.
A gente evoluiu muito pouco.
Inclusive vou convidar você aqui, tá? Pra fazer um bate-papo junto com a gente.
Isso aí. Eu quero... aproveitar pra te contar um pouco o que resulta, né, essa experiência de uma empresa de 48 anos no setor de saúde.
Eu queria só voltar um pouquinho pra falar do hospital, né, porque assim, imagina que é um hospital que ele já tava ali no projeto com prazo de execução.
Isso.
Quando você antecipa, vai, em quatro, seis meses, qual que foi a época de, o tempo de... De quatro a seis.
Meses, eu não me lembro agora.
De quatro a seis meses. Qual que é a importância de você contar com bons fornecedores e como isso é tratado ali no dia a dia da construtora?
Veja, uma construtora como a Engeforme Engenharia, ela sem a sua rede de parceiros e fornecedores estratégicos conectados de forma estruturante à sua cadeia produtiva, a gente não é ninguém. A gente não é ninguém. Em muitos momentos a gente trabalha, como os americanos falam, como general contractor, né? Então a gente tem um especialista em instalações elétricas hidráulicas, outro especialista em ar condicionado, tem o camarada que é especialista em forro, né? E a gente precisa que todo esse ecossistema de fornecedores, muito bem qualificados, trabalhem em harmonia, como uma bela orquestra, né, pra gente poder antecipar. E o que eu queria te contar é que, assim, eu realmente adoro dados pra ajudar a gente a fazer gestão e, principalmente, tangibilizar o que a gente faz, né? Os 40 e tantos hospitais que a gente já fez somam 7 mil leitos.
7 mil leitos.
7 mil leitos. E somam mais de 1 milhão de metros quadrados de hospital construído. Então, eventualmente, quando alguém nos faz uma prospecção, porque a gente é muito procurado pra falar do tema de hospitais, assim, e um milhão de metros quadrados tem muita lição aprendida, tem muita coisa que a gente já errou, muita coisa que a gente aprendeu com os erros, muita coisa que a gente otimizou ao fazer muitas vezes de forma repetitiva, né? E o que é mais legal é que a gente conseguiu voltar nesses 40 e tantos hospitais e descobrir qual era o fluxo de pessoas, pacientes, famílias, atendidos por ano. E agora você vai se assustar, Paulo, porque nesses hospitais passam 50 milhões de brasileiros por ano.
50 milhões por ano?
Isso. É um dado validado por uma sala de inteligência de mercado e por aí vai. Então você vai começando a pensar no impacto da engenharia. Se no prazo de saneamento se atinge 30 milhões com as obras do curto prazo, se os hospitais passam 50 milhões de brasileiros, daqui a pouquinho com tudo que a gente faz, agora tem aeroporto sendo entregue em Macaé, tem obras de energia pra vale, tem parques eólicos, parques fotovoltaicos, linhas de transmissão, de repente uma engenharia se conecta com metade da população brasileira.
Não, e é muito interessante, né? Quando a gente tava falando lá no início de propósito, de, enfim... Tá muito ligado ao impacto que vocês deixam, né? Enquanto empresa na sociedade. Porque imagina você impactar essa quantidade de gente, não só nessa parte de saneamento básico, mas também nessa parte hospitalar e agora também nessa parte de mobilidade, né? Quem conhece Macaé... O aeroporto, esse novo aeroporto tá sendo um exemplo de construção... Vai transformar. Sim, sim.
Vai transformar lá, sim. Um projeto que a gente tem muito orgulho de ter feito. E tudo isso, Paulo, se conecta com uma coisa que é muito cara pra nós, dentro da nossa cultura. Essa estratégia nossa de formar pessoas, de ter uma academia, a gente sempre teve um valor chamado aprendizagem contínua. A aprendizagem contínua se conecta com você viver uma vida toda se desenvolvendo. E isso precisa ser feito com o apoio da empresa que te oferece algumas coisas, mas também você comprar essa ideia de ler aqueles todos os livros que eu vi que você tem ali na sua estande, estar assistindo podcast, estar lendo textos, artigos, isso é viver uma vida de aprendizagem contínua constante. E a gente, ao celebrar 47 anos, a gente fez uma coisa muito bacana, a gente formou a Academia Engeforme. A gente constituiu, a gente garantiu um orçamento, a gente contratou pessoas, montou uma equipe, tem uma estratégia, tem um budget, e as coisas estão andando pra que a gente possa formar mais e mais pessoas dentro da Engeforme, que através dessa formação possam transformar o mundo num mundo melhor. Então é um pilar muito estratégico pra nós, esse pilar de formar pessoas.
Sim, você tá, na verdade, você tá formando a base, né? Então, imagina, tanta gente que vocês transformam através da arte, né? Da engenharia ali no dia-a-dia. E como que tá sendo, ou seja, a nossa casa, né? No caso da Engine Form. Então, é o tipo de gestão de dentro pra fora. Eu invisto de dentro pra fora. E nessa história toda, assim, tem alguém, assim, que de repente chegou com algum testemunho que te marcou? Lá dentro da Engine Form?
Ah, são várias, porque a cada ciclo que a gente termina, a gente recebe o feedback, a gente recebe e-mails. Inclusive, eu estou para ler, mas vou mencionar a nossa arquiteta Gabi, que teve que sair da Engeforme esses dias. Depois de 10 anos de jornada, ela precisou voltar ao sul do Brasil. E eu sei que ela fez ontem um post no LinkedIn, que ela falou sobre a jornada dela na Engeforme, tanto que ela se desenvolveu e eu ainda não consegui ler, mas eu sei que eu vou ler e vou comentar. Mas são muitos, assim, os... Os reconhecimentos pelo desejo genuíno que os acionistas da Ingeforme têm de ter uma empresa que realmente se importa com a formação das pessoas. Então, para dar um pouco mais de exemplo, não ficar tão no ar esses conceitos, ano passado a gente teve três trilhas que assim são um motivo de muito orgulho para mim. Claro que primeiro você precisa começar com uma trilha de liderança, porque se você não consegue liderar a si mesmo, você jamais vai conseguir liderar um time, não vai poder liderar uma organização. A gente contou com o apoio da Carol Garrafa, da Santê. A Carol Garrafa é uma pessoa brilhante, brilhante nesses assuntos, e fez um programa que foi super bem avaliado dentro da nossa empresa.
Quantos dias o programa durou, quanto tempo?
Ela foi longo, foram 120 pessoas ao longo do ano inteiro. Não só o trabalho feito dentro da Engeforme, como um homework profundíssimo pra fazer depois que você saía. Acho que foram 12 livros que eu sugeri o leitura, e N podcasts, e TED talks, assim, foi muito legal o trabalho com a Carol. Depois, eu também sonho, Paulo, em ser uma empresa ainda mais referência na execução dos nossos planos. Então, quando a gente tá no ciclo do planejamento estratégico, do planejamento operacional, São dezenas de negócios nas cinco empresas, onde todo mundo está dizendo custo, receita, tempo, como é que os negócios se comportam. E eu tenho um sonho verdadeiro, que a gente vai aprimorando a nossa capacidade de fazer planos para, daqui a algum tempo, a gente falar que realmente somos uma empresa no Brasil referência na execução da capacidade de executar planos. Qual plano? Qualquer plano. A gente vai lá, estuda tudo com muito carinho, com muito afinco, no detalhe, com profundidade, os riscos, faz um plano, um planejamento, vai lá e executa.
Agora é hora de agradecer as nossas empresas parceiras. Uma Construction, soluções em formas, escoramentos e alta performance para obras de edifício, indústria ou infraestrutura. Agradecer também ao apoio do portal Hub Construção. Você que quer se aperfeiçoar, que quer aprender sobre conteúdos aprofundados sobre construção, arquitetura e engenharia, vai lá. que tem muito conteúdo bacana para você. Ou aproveite e aponte a sua câmera para o QR Code que aparece na sua tela. E diante de tantas ações que vocês têm dentro da companhia, como que vocês lidam com, por exemplo, eu tenho lá uma obra que ela precisa ter uma certificação X. Tem algum exemplo de algum projeto desse que você citou que ele tem alguma certificação de Gold? Porque esse é um ponto importante que...
Você sabe que a gente foi pioneiro no Brasil na construção de Green Buildings?
Por isso eu estou te perguntando.
Você sabia? Você sabia. Mas essa história também é legal, porque remete a Nova Iorque, né?
Sim, sim.
Então, já mais maduro lá em Nova Iorque...
Inclusive, eu liguei essa história de Nova Iorque ao projeto de vocês, né? De ser pioneiro aqui no Brasil.
É, e a gente foi mesmo. Mas nada é por acaso, né? A Carol fala que nada é por acaso, tudo faz sentido e não existem coincidências. Eu trabalhava perto do banco, e no meu caminho do banco, de casa pro banco e vice-versa, eu passava na frente de um prédio que chamava Hearst Building, E, enfim, era um Green Building em construção. E demorou, claro, que seus dois, três anos à obra, e eu podia conhecer o engenheiro residente, o mestre e tal, e eu observava a placa do Green Building, o barulho que eles faziam por estar construindo um Green Building certificado. E eu não entendia nhacas de pitibiricas. E, com eles, eu pedi uma vez para eles me explicarem o porquê. Por que vocês fazem isso? Onde isso é relevante? Onde isso vai ser relevante no tempo? e fiquei super entusiasmado de aprender o que era Green Building. Volto eu para o Brasil em 2006, estou sentado em uma reunião lá com o meu pai, meu tio, o Richard e o Ney, que hoje são os conselheiros que fizeram a empresa junto com o Reinaldo e o Arnaldo, e abrem a planta de um projeto que ia começar a obra, que era o Edifício Jatobá, na região da Berrine, de 2006 para 2007. E aí mostram tudo, o projeto da Flávia Gasperini, maravilhoso, E eu falo, olha, mas o prédio é green building? E eles falam, mas o que é green building? Então a gente vai lá, começa a falar o que é green building, porque os americanos já tinham criado essa tendência de construir em green building, e eu falei, olha, pra mim eu acho que a gente rasga esse projeto e constrói um green building aqui nesse lugar. Naquele momento eles abriram a janela e quase me jogaram pra fora, né, porque tava tudo pronto pra começar. Mas a gente deu um passo pra trás, engajou o pessoal da Flado para ir nessa direção, contou com o apoio, naquela época só tinha a CTE e o Bob Souza fazendo isso, então eles foram fundamentais no processo de certificação e o Jatoba Green Building acabou sendo o segundo Green Building certificado do Brasil. De lá, a gente evoluiu com algumas coisas relevantes, Paulo. Primeiro, a gente já fez outros green buildings, muitos deles certificado platino, mas hoje a gente opera os prédios de Reforma e Desenvolvimento Imobiliário também com certificado de operação platino. Então a gente aprendeu muito nesse sentido. E aí, mais do que aprender o que foi incorporado em prédios que são verdes e tem todos aqueles atributos e requisitos, a gente levou muitas dessas coisas para diversos outros empreendimentos que a gente fez Brasil afora. Então é muito comum, ao nascer, por exemplo, uma escola que a gente está fazendo em Bauru, e eventualmente essa escola não é certificada, porque para ela não é relevante ter o selo, mas a gente aplica muitas coisas que transformam todo o processo construtivo e depois de operação e manutenção num projeto mais verde.
André, e qual que é o grande desafio de você construir um prédio, qualquer tipo de edificação, green building, tendo em vista que você precisa envolver, né? É importante que a arquitetura abrace também a causa, né?
Sem dúvida.
E qual que é o grande desafio de envolver a arquitetura, a construtora e principalmente fornecedores?
Eu acho que o desafio tá um passo pra trás. Tá em você convencer o empreendedor, o dono da grana, que ele vai precisar gastar um pouquinho mais na construção, para gastar bem menos na operação. E mais do que isso, ele vai fazer um bem para o planeta que é imprecificável. As iniciativas do E... do S, do G que você pode encontrar num Green Building, assim, são muito relevantes. Quando você coloca um prédio Green Building, ele tem que estar perto de uma distância mínima de uma estação de metrô, ou de um ponto de ônibus, ou CPTM. Só de não fazer carro, ficar andando por ali, já... Enfim, você incentiva pessoas a irem de bicicleta, faz os bicicletários, faz os banheiros bacana, tem negócio pra carregar carro elétrico, né? tem os telhados verdes, tem as fachadas inteligentes, tem os brizes internos pra você não precisar de luminária aqui nessa fachada. Tem um milhão de iniciativas que tornam o prédio Green Building um prédio mais inteligente.
E agora uma dica do André, como se convence o investidor pra dar um pouco... soltar um pouquinho mais de grana, porque assim, em quanto tempo, mais ou menos, eu consigo reverter isso?
Pra nós.
Porque tem tantas vantagens, né?
Sim, sim, sim. Pra nós. que temos como crença no grupo Fazer com Arte, trazer atributos de green building para uma edificação que vai ser operada por décadas e décadas e décadas, quase não fazia tão relevante fazer muita conta. Mas a gente também gosta de fazer conta no detalhe. E aí quando você vê o quanto você gasta na construção versus o quanto você economiza na operação, aí você consegue ver o seu prazo de payback e tudo mais. Mas mais do que isso, qual é o legado que você deixa aqui no mundo?
Quando o investidor, ele mesmo vai operar esse edifício, fica mais fácil o convencimento.
Mais fácil, com certeza. Mas eu hoje, se pudesse falar com qualquer empreendedor que vai fazer uma edificação relevante no Brasil, eu não deixaria de atentar a esses requisitos de forma alguma.
É realmente quando você entende a importância, né? E o que você deixa de legado pra sociedade, o impacto que você causa positivo na sociedade, faz toda a diferença.
Eu acho que a gente ali foi muito inovador. O Jatobá Green Building, né, que tá ali na região, na Rua Sansão, atrás da Berrine, foi o segundo prédio Mas ele se mostrou um produto que, na época que ele foi lançado, tinha um valor de mercado muito legal. Eu me lembro muito bem que ele entrou em operação em 2010, se eu não me engano, e seu preço de locação era 140 reais por metro quadrado.
Nossa, em 2010?
Em 2010. Hoje, hoje, você aluga na birrinha em 25 por um preço muito menor do que esse valor. Então, assim, as empresas também buscavam tá ocupando um prédio que tivesse pré-requisitos de Green Building.
É, isso é interessante. Eu me preocupo muito com essa parte de eficiência do prédio que eu vou operar. Então, eu acredito que a maioria das empresas olhem isso, vejam isso. Você, enquanto investidor, na hora de construir um prédio, você se atentar. Isso tem um valor competitivo lá na frente.
Olha só, você me fez lembrar, no começo da nossa conversa, aqui em cima do bate-papo que foi mais técnico, Você me fez lembrar de uma coisa chamada roda entálpica. Você já ouviu falar na tal da roda entálpica?
Não.
É uma roda que tem dentro dos elevadores modernos, que você gera energia com o elevador operando, e essa energia vai pro seu sistema de abastecimento do prédio.
Isso eu não conhecia.
Pois é. Elevadores operando geram energia e você aproveita a energia na sua própria edificação.
Nossa, que interessante. Não é? Não, isso é pra mim...
É, reaproveitamento de água de chuva, faz aqueles grandes poços depois dessa água pra ir pras privadas, ir pro jardim, lavar garagem. Então, assim, são N coisas que são feitas nos prédios verdes que são relevantes.
Não, isso é importante. Isso eu não conhecia. De verdade, pra mim é novo. Inclusive, a gente vai fazer uma série agora. sobre logística e movimentação nas obras e a gente quer um episódio para falar sobre elevador. Porque muita gente tem dúvidas sobre se o elevador é seguro, se acontece alguma coisa e o que acontece.
O time fala sobre elevador. Quero contar duas coisas bem rapidinhas.
Vamos lá.
A primeira É o seguinte, a gente construiu um grande empreendimento chamado JK Square. Tá aqui no Itaim, 80 mil metros quadrados. Mas foi a primeira vez que o posto do elevador foi inteiro montado com robôs.
Robôs!
Sem um camarada dentro do posto de elevador. Depois, se quiser, dá uma lida lá no meu linkedin. Esse caso tá lá. A gente falou bastante, porque foi bastante inovador. Em parceria com a Hilti, a gente criou esse projeto. E foi a primeira vez que a gente fez uma montagem do que vai dentro de um posto de elevador sem usar pessoas dentro. Um sistema todo robotizado, automatizado, né? E mesmo com tudo isso aí, toda essa tecnologia, semana passada eu tava em Nova York, terminei minha visita lá onde era o World Trade Center, que eu tenho uma conexão super especial com aquele lugar, porque eu tava em Nova York quando as Torres Gêmeas caíram, né? E não é que eu me entro num elevador daqueles mais modernos pra subir lá no lugar que tinha uma reunião no andar 80 e fico preso quase uma hora no elevador? E tem até foto ali pagando mico no elevador, que saco, né?
Acho que todo mundo tem uma história em elevador, por isso que...
No elevador, no lugar mais moderno, né?
É, muita gente quer saber como funciona o elevador. Eu vou trazer um episódio aqui. Agora eu queria que você falasse, antes da gente continuar, eu queria que você falasse um pouquinho da sua... da sua... Além da Engine Forming, tem algum... empresa ou caso que você gostaria de falar? Eu participo de tal grupo e tal... Que eu não quero citar, vou deixar você citar.
Não, tá ótimo. Obrigado pela pergunta, né? Eu hoje, assim, tenho como principal papel na minha vida ser pai dos meus cinco filhos, o Pedro, a Júlia, o Francisco, o Felipe e o Henrique. E o meu papel como marido da Brigitte. Na Ingeform, eu sou CEO da Ingeform Engenharia, mas eu atuo como conselheiro nas outras quatro empresas que são muito relevantes a desenvolvimento imobiliário, a energia, a concessões e investimentos e a nossa gestora de recursos. Então, ali eu tenho as minhas atribuições com a Engeforme. Mas eu tenho muito orgulho também de, há quase dois anos, ser o presidente do YPO do Brasil. O YPO é uma organização que se chama Young President Organizations, que tem 35 mil membros no mundo inteiro, todos CEOs de grandes organizações, que dentro dessa organização chamada YPO, a gente vive uma vida de aprendizagem contínua. Uma das principais coisas que a gente faz, entre outras, se conecta muito com os principais gostos nossos da Engenform, viver essa jornada de lifelong learning. Então eu me orgulho muito de liderar uma diretoria espetacular na área Brasil, eu tenho muitos diretores, a grande maioria deles muito mais capaz do que eu em tudo que eles fazem, então acho que o meu mérito foi ali na escalação dessas pessoas, a quem eu sempre agradeço tanto pela ajuda na gestão do IPO, E eu tenho um outro trabalho que eu amo muito e assim que eu encerrar meu mandato agora em junho no IPO como presidente da área Brasil, eu vou virar conselheiro por quatro anos, eu quero me conectar mais com a Santa Fé. Esse é um projeto que a Engeforme mantém desde 1998. que cuida de crianças e adolescentes que são vítimas de abandono, maus-tratos e violência. E na Santa Fé, juntos, a gente já transformou a história de 7 mil crianças que, se não tivessem sido acolhidas pela Santa Fé, teriam tido histórias de vida completamente diferentes. Então, eu espero encontrar tempo na minha atribulada agenda, encerrando o IPO, para me dedicar mais a esse tipo de filantropia que passa por crianças e educação de crianças, que eu tenho tanta paixão.
É bacana, e todas essas trocas que você tem, por onde passa, você acaba, de certa forma, trazendo pra empresa onde você atua e pro dia-a-dia dentro de casa. Nessa medida, eu queria que você falasse um pouco também como um pai presente, esposo presente, como isso impacta esse lado família que você tem, impacta na gestão do dia-a-dia de uma empresa.
É que eu te contei de duas trilhas da academia, mas a nossa terceira trilha, ela é de gestão do tempo.
Gestão de tempo. E tem uma outra que eu vou citar daqui a pouco que você não vai lembrar, tá?
É?
Culinária você gosta.
Amo, amo. Inclusive, tô pensando que eu vou cozinhar sexta-feira. Vou chegar em casa e discutir com a Brigitte o que eu vou cozinhar pra turma na sexta. Mas... A gestão do tempo, ela é um tema muito relevante, né, pra todo mundo. E o que a gente percebeu ao longo dos últimos anos é que uma má gestão do tempo traz muita angústia para as pessoas, mede com o tema de saúde mental. Então, nós temos que usar todas as ferramentas digitais possíveis e imaginárias para nos ajudar na gestão do que a gente faz. Eu sou absolutamente apaixonado pelo Planner. Eu não sei se você usa o Planner ou não, mas assim, acho que pra você saber as coisas que precisam ser feitas, em que prazo, quem tem que fazer, até quando. É uma ferramenta digital espetacular, né? Você tira da sua memória aqui e coloca lá e o sistema te ajuda a gerir isso tudo.
É uma dica importante.
Acho relevante também a gente entender qual que é o nosso papel a cada momento, né? Qual que é o líder, como o meu grande amigo César Souza fala, não sei se você o conhece, César, escreveu o livro Qual que é o líder que o momento exige, né? E assim, em função do que você precisa ser nesse momento, você precisa fazer suas escolhas pra usar o seu tempo. Quais são suas prioridades? E, eventualmente, eu fazer essas escolhas, infelizmente, cada escolha é uma renúncia. Você acaba tendo que dizer muito não. Não é brincadeira. Quando o pessoal brinca para embarcar almoço, eu falo por um prazer. Oito de abril é o primeiro almoço livre na minha agenda. E eu não tenho orgulho disso. Mas, assim, se tem uma agenda que é super disputada no dia a dia, eu dou almoço. E você, ao conseguir ou dizer não, ou delegar com bastante qualidade, você vai fazendo a sua vida um pouco mais fácil. Eu acho que dentro do conceito de autonomia, você tem uma boa forma de gerir a delegação Delegação que não é de largação.
Sim.
Você delegar com prazo, checkpoints, combinar que a pessoa precisa te retornar, dizer, olha, combinamos, foi lá e eu fiz. Fazer a comunicação fluir. Acho que todo líder, Paulo, precisa ser um bom comunicador. E pra ser bom comunicador, não basta só você ser bom aqui. Você precisa ser um bom ouvinte. Ou você precisa ter certeza que o que você falou foi compreendido pela outra pessoa.
Isso é importante, né? As pessoas estão hoje muito mais querendo dar respostas do que ouvir. Eu queria até aproveitar essa deixa que você fala da gestão do tempo. Qual a importância do exemplo dentro de casa pra você construir uma sociedade que, de fato, É tudo. Faça essa gestão de tempo. Porque, se imagina, eu sou pai, né? Eu sou pai do Pedro também. Tem um Pedro.
Tem um Pedro também?
Que legal.
Sim. Mais velho, então.
É. O Pedro tem 10 anos. O meu filho tem 10 anos. E aí, como que eu dou exemplo pra que eu tenha, de fato, uma gestão dentro de casa que vai impactar, de fato, a minha vida profissional e a vida dos meus filhos? Eu queria que você trouxesse, fizesse uma associação, né, de dentro de casa pra, assim, pra vida profissional. Porque, pelo menos ao meu ver, eu penso que não existe vida profissional... Só existe um, né? Sim, eu penso também da mesma forma.
Eu também acho que nós só somos um. Eu acho que um dos grandes desafios que a gente tem como pais hoje, no tempo que a gente pode estar com os filhos, é até, de fato, presente com eles. Pega aquele seu celular ali, né, e por favor, deixa ele longe de onde você tá, pra que você possa estar focado naquela conversa, naquele momento, deixando outras coisas aparecerem. E eu sei que a agenda de todo mundo é disputada, então, assim, façam escolhas para que você possa estar com os seus filhos. E, por exemplo, uma das escolhas que para mim é cara, cara no sentido de importante, é que eu não consigo começar o meu dia sem fazer esporte. Mas eu, seis e meia da manhã, faço café da manhã de dois. Um pouquinho antes das sete, levo eles pra escola. Aí eu tenho que voltar, daí eu faço café pro outro. Aí até as oito eu levo esse daí. Então, que horas sobrou pra você treinar? Cinco e quinze, cinco e meia, cinco e quarenta e cinco. Mas assim, não tem problema pra mim. Eu me organizei já faz muito tempo pra fazer e cuidar da minha saúde física, que também é cuidar da minha saúde mental, nesse horário.
Não, isso é importante essa questão, essa parte do exercício físico é importante, eu também penso que todo mundo deveria aderir, porque isso faz uma diferença absurda, muita gente acaba deixando de lado e... Nós.
Temos programas em reforma de saúde em foco que são muito legais e trazem diversas iniciativas, né? Entre elas as corridas que a gente faz, as pedaladas, as nutricionistas, os psicólogos com atendimento para a saúde mental. Mas tem um que eu gosto muito e acho que a gente é muito único nesse sentido. A gente tem meditação corporativa há muito tempo e quem conseguiu conectar está lá toda terça e quinta-feira meditando.
Eu queria que você deixasse uma dica para profissionais, não só engenheiros, mas profissionais de qualquer área que está acompanhando a gente aqui. Que conselho você daria para quem está começando agora em qualquer carreira, em qualquer profissão?
Ser curioso. Eu adoro chegar lá com os estagiários, e assim me orgulho muito. Outro dia eu falei, quantos estagiários tem agora aí trabalhando com a gente? Pô, tinha 80 pessoas, tinha 80 estagiários naquele momento. Eu falei, sejam curiosos. Aproveita esse momento que vocês estão aí mais pra aprender do que pra entregar. e perguntem, escarafunchem, vão atrás e vejam se o que vocês estão ouvindo realmente é o melhor jeito de fazer. Hoje, com tudo que a gente pode encontrar aí na internet, com inteligência artificial, hoje é tão legal a gente poder explorar os caminhos. Então, eu acho que os jovens têm que ser muito curiosos, e também responsáveis, né? É difícil você construir uma carreira como jovem se você não se comprometer a fazer o que tá combinado. Chegar na hora certa, entregar o relator na hora certa, tá na reunião na hora certa, mostrar que você tá comprometido com o que você tem que fazer.
É, isso é importante. Acho que a gente tem que, realmente, foco e disciplina é um fator importante. E que legado você quer deixar Eu vou direcionar para a engenharia, mas você pode tratar isso para a vida como um todo. Qual legado você quer deixar?
Eu acho que passa muito por isso aí, né? Que as coisas que a Reforma Engenharia venha a construir daqui pra frente, que a gente possa, através dessas coisas, desses negócios, desses equipamentos, fazer a diferença na vida de mais pessoas. Eu acho isso muito legal. Quer ver um projeto que pouca gente sabe que a gente fez, mas ele é transformador? Nós fizemos a calçada da Paulista. A Caçada Paulista, até 2006, tinha aqueles mosaicos horrorosos que ninguém conseguia andar na rua. Tropeçava, caía... Eles eram bonitos, hein? Da Rosa Clias, a arquiteta. Mas eles não eram acessíveis, não eram fáceis de você andar. E a engenharia participou da transformação da Paulista na principal avenida do nosso país, numa avenida que é muito mais acessível hoje, tem guias bacanas, tem piso podotátil ao longo de toda a Paulista.
Isso é uma curiosidade, no dia a dia de vocês, vocês trazem esses projetos? Isso aqui fomos nós que fizemos, somos nós que fizemos, e qual a reação das pessoas ao ouvirem essas histórias?
Acho que eles gostam de saber. A gente tem uma linha do tempo no Itavandar, que é o nosso centro de educação e treinamento, que ela foi construída de um jeito muito legal. Em 2014, depois de um encontro com o professor Falcone, alguém colocou um papel em branco na parede e falou, olha, está um incêndio em tantas pessoas, cada um pega três post-its e vai na linha do tempo, da década de 70 até hoje, colocando algo que eu acho que a gente já fez, que foi muito relevante. Aí você vai ver pontes que foram legais, você vai ver túneis urbanos, você vai ver sistemas de água, de esgoto. Uma coisa que ninguém sabe, nós fizemos 31 fábricas de cerveja pantártica pra Abramo. Muito provavelmente quando você abrir uma cervejinha gelada e for tomar, as chances de ter sido fabricada numa planta que a gente construiu é enorme. Então, assim, são quase 50 anos, né, Paulo? E um dos meus principais projetos, e que me move hoje, são as decisões que eu tomo pensando na engenharia de forma de 100 anos. Será que essas decisões que eu tô tomando hoje, aqui no prazo curto, me ajudam a perenizar essa empresa por mais cinco décadas?
Nossa, é muito legal esse pensamento, assim.
É, mas eu sou, de verdade, muito movido por isso. Tem muita coisa que eu tô pensando ali, que eu vejo nossa turma mais no prazo curto, médio, e eu tô pensando, peraí, isso aqui é o melhor pra gente chegar em 100 anos?
É bacana, porque é aquela coisa, né, quando você pensa no legado, né, que você quer deixar, é muito bacana, porque você acaba abraçando as coisas de uma forma diferente. Ou seja, por que eu estou fazendo isso? As coisas começam a fazer mais sentido, né? E agora eu queria te perguntar, a gente tem um quadro convidado, convida, a gente já está chegando no final. Quem você gostaria de ver e ouvir aqui no Constraycast?
Olha, eu vou te dar algumas ideias e elas vão se conectar com um pouco também do que é uma fortaleza na nossa empresa. A gente tem hoje Os quatro caras que fizeram a empresa, ainda atuando no conselho, que é aquele combinado de nariz pra dentro, mas mão pra fora, né? Assim atuam nos nossos conselheiros. E a gente tem uma diretoria mais jovem, aí nos seus 50 e poucos anos, 40 e poucos anos, né? E a gente é muito movido por dois temas que a gente acabou não conversando muito, mas que é o tema de inovação e gestão do conhecimento. Pra você saber, Paulo, eu criei lá, em 2018, o primeiro hub de inovação da nossa indústria no Brasil, chamava Okara Hub. Você se lembra do Okara?
Não.
É, lá em 2018 a gente criou o primeiro hub pra acelerar startups no modelo de Open Innovation Equity Free. E o Okanaganpo foi muito relevante na nossa história. A gente acelerou diversas empresas da nossa indústria, mas diversas, e tivemos ganhos muito relevantes. E a gente sempre gostou de andar conectado nesses ecossistemas. A gente, inclusive, tá pra decidir agora onde a gente vai se conectar ao longo desses próximos anos. E eu tô te dizendo, tudo isso... pra comentar, por exemplo, que eu acho que é legal você receber aqui pessoas que estão transformando um pouco a nossa indústria. Então, junto com o Nico da NOAA, eu não sei se você conhece a.
NOAA... Sim, NOAA conheço.
Se você já o convidou pra falar aqui como é a visão dele do mundo de construção em madeira engenherada. Assim, nós estamos fazendo agora três prédios junto com o Nico, ali no comecinho da Faria Lima, prédios maravilhosos de design de projetos dos arquitetos mais renomados de São Paulo, que pela primeira vez vão colocar empresas trabalhando em ambientes monosuários, lindíssimos, aqui no coração de São Paulo. E a tese do Nico, na minha opinião, está super ratificada, porque lá em Nova Iorque, semana passada, eu também vi os grandes projetos de madeira engenheirada que estão subindo pelo mundo. Então eu acho que, assim, existe um nicho pra isso. Um cara bacana de você ouvir.
Não, bacana.
Também acho legal você chamar aqui o Bruno Balbinó, da AMBAR. O Bruno Balbinó é um cara super forte em construção off-site. Fazendo um monte de coisa de construção off-site. É, um craque. E por fim, se você precisar de um terceiro nome, por que você não convida também? Eu sei que você é muito conectado nas sistemas. Convida o Felipe Ventura da Opus.
Felipe Ventura.
Da Opus. Aí são três caras bacanas aí de você ouvir. São pessoas mais visionárias, assim, que estão em momentos de empresa diferente da Ingeforme, né? Mas que com certeza vão fazer com você um podcast muito bacana.
É bacana, agora eu queria te perguntar uma coisa muito pessoal, assim, tem algum arquiteto ou mais que um que você admira, assim, e por quê? Tem que citar, hein?
Não, não, mas eu vou citar, sim. Eu acho a turma da Perkins and Will, craques, craques, né? Antes de ser... Perkins & Wheeler, o Roco e Vidal. Roco se aposentou, o Fernando Vidal tá lá à frente. Lideram uma equipe de caras junto com o Douglas, que eles são brilhantes. Porque eles têm uma vantagem, eles se conectam aqui do Brasil com um ecossistema lá fora, mundial, tremendo. Eles estão sempre antenados nas tendências. Então acho que assim, ouvir o Fernando Vidal ou o Douglas falar aqui vai ser super legal. E ao mesmo tempo, tem uma outra casa que a gente admira muito, que é a Flávia Gasperini. E lá você pode falar com a velha guarda, o Luiz Felipe Aflalo, ou pode chamar alguém mais do mundo contemporâneo, um sócio relevante, que é o José Celidonio. Então acho que você ouvir esses dois caras aí, com certeza...
É, eu já entrevistei todos eles, assim, no passado, num outro projeto que eu participei, assim, que eu participava... sobre arquitetura, sobre acervos e arquitetura. E agora, como a gente tem esse desafio aqui no ConstrueCast, que é de ser o motor de transformação da construção civil através da educação, ouvindo histórias como a sua, eu penso que tudo nasce na arquitetura.
Eu, sem dúvida.
Tudo nasce na arquitetura. E ouvir essas pessoas é de fundamental importância. E, lógico, trazer a indústria junto com a gente nesse desafio.
A gente precisa disso. A gente precisa fazer essas vozes ouvidas e precisa, através desse aprendizado, criar outras conexões, que eu tenho certeza que você, depois de tudo que você ouve, você consegue articular, fazer outras conexões, desenvolver novas ideias. Sim, a gente... Um trabalho super relevante para a nossa indústria e fica aqui meu agradecimento sincero.
Não, bacana, a gente tem um propósito aí de promover tudo o que acontece aqui, a gente falar o que a gente pode melhorar na construção civil como um todo e você tem um trabalho fundamental, eu aprendo e, de fato, levo isso para o mercado.
É bem isso. Olha, só pra fechar aqui e, assim, mais uma vez concordar veementemente com você, o projeto mais legal que a Engenharia, que o grupo Engenforme contratou nos últimos dias foi essa PPP pra fazer as 17 escolas pelo estado de São Paulo, que a gente vai construir, operar e manter por 25 anos.
Ah, vocês vão operar também?
É, a gente vai construir, operar e manter por 25 anos, né? E é um projeto enorme, onde 20 mil crianças vão estudar todos os dias. E por onde começa tudo isso aí? Começa por um bom projeto de arquitetura e excelentes projetos complementares. Tudo começa por aí. A nossa indústria precisa valorizar essa cadeia de parceiros e fornecedores.
Não, é importante. Você quer falar mais sobre esse projeto? Você tem mais cinco minutos?
Tenho mais cinco, sim. É um projeto muito inovador. Acho que o Governo do Estado de São Paulo, mais uma vez, inovou.
Inclusive o Tarcísio estará aqui comigo em breve para fazer um bate-papo sobre as obras.
Eu acho que é um dos projetos que ele mais tem paixão. Lembrando a você que eu falei um pouco da Engeforme Engenharia, a Desenvolvimento Mobiliário, que em sua história construiu 13 prédios no coração da Faria Lima, Berrine, Paulista, que hoje a Engeforme mantém no seu portfólio esses prédios e opera 120 mil metros quadrados. A gente tem a Empresa de Energia Renovável, que é a maior empresa do nosso grupo, falando pouco da nossa empresa de energia, mas tem seus parques eólicos, tem a desenvolvedora e a comercializadora. E a concessões e investimentos, ela tem três concessões de saneamento, duas PPPs habitacionais, a concessão dos cemitérios de São Paulo e ganhou agora essa PPP das escolas do estado. E aí a gente se soma à nossa gestora de recursos que faz o grupo Ingeforme. Esse projeto é muito inovador, porque ele vai muito na linha desse design and build que a gente conversou no começo aqui. Ou seja, a responsabilidade do projeto, atendendo as diretrizes que estavam lá no processo, mais a construção, uma construção muito bem feita, Paulo. Sabe por que ela é muito bem feita? Porque eu não quero custo na operação de 25 anos. Então a gente vai construir essas escolas como se a gente estivesse fazendo um prédio de engenharia pra desenvolvimento imobiliário.
Sim, sim.
Eu quero eficiência, eu quero qualidade, eu quero qualidade em tudo que a gente for fazer. Pra depois receber 20 mil crianças que vão estar lá sendo educadas dia após dia.
Eu acho interessante esse ponto de quem constrói opera. O ideal seria que independente quem vai operar, a qualidade da construção deveria ser o máximo do máximo. Mas eu percebo que nós tivemos um caso agora recente do aeroporto de Florianópolis, que é um grande exemplo de... Bom projeto, né? Enfim, ganhou aí o prêmio de melhor aeroporto do Brasil por quatro anos consecutivos. E a mesma empresa opera, né? Azuric Airport. Ela construiu e opera.
Foi nosso cliente lá em Macaé.
Sim. Então, e agora vocês estão construindo um aeroporto lá em Macaé pra eles. Eu tô citando esse exemplo. Eu recebi aqui a Jasmine Reis pra falar da forma como esse aeroporto foi construído. E também foi importante o fato de, ó... Eu estou construindo e eu vou operar. Então, assim, eu preciso de qualidade e eficiência, porque eu não quero ter custo ali no dia a dia de operação.
Eu acho que esse é um grande desafio em tudo que a gente faz no mundo de construção. Eu acho que várias vezes a gente se pega tentando passar um pouco da nossa experiência, de quem já aprendeu muito com os erros, explicando que investimentos no momento do CAPEX podem, por consequência, trazer grandes reduções de custos na operação. E é esse equilíbrio aí, esses números têm que ser estudados com profundidade.
É, isso é importante. André, eu queria que você agora desse suas palavras finais aí pra gente encerrar esse bate-papo. Gostaria de continuar aqui, mas enfim, acho que já passamos de uma hora e uma pena.
Não, mas eu te agradeço a oportunidade de estar compartilhando um pouco mais. No fundo, pra mim, é um momento de grande alegria poder deixar um pouco do que eu aprendi, um pouco do que eu tô vendo, à disposição dos seus ouvintes aí, e que eles possam compartilhar, se acharem relevante. Porque acho que isso é um pouco da minha missão aí, né? Tentar, através do que eu tô vivendo, aprendendo, inspirar pessoas e ajudar a transformar tudo isso aqui em algo melhor.
Não, sensacional. Eu aprendi muito aqui, eu tenho certeza que os nossos mais de 70 mil ouvintes das plataformas de áudio ficaram impactados com esse bate-papo. E eu peço que você vá lá nas nossas plataformas de vídeo, se inscreva em nossos canais e sigam as nossas redes sociais. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no ConstrueCast. Paulou!
Posso fazer uma última coisa ou você fechou? Se o pessoal quiser saber mais, eu gosto de escrever, eu faço aula de escrita criativa, você acredita?
Que legal!
Super legal, do professor Max Rogers. E assim, eu gosto de fazer artigos autorais, e é onde eu tento passar um pouco mais disso tudo que eu tô vendo. Sobre a viagem de Nova Iorque, que você me perguntou, daqui a pouco vai ser um artigo muito legal, conectando toda a inteligência artificial que eu vi com isso. Então é só seguir ou a Angéforme ou o Andréa Bouchan lá no LinkedIn.
More from Andre

Construção Industrializada no Setor Público: Desafios e Inovação em SP | Marcos Monteiro (SIURB)

Mestre de Obras Merecem Reconhecimento e Nós Valorizamos | Podcast | Construção | Engenharia

Muitos Cursos On-line São Divulgados na Internet | Obra se Aprende na Prática | Podcast

Tenha Cuidado Redobrado na Hora de Comprar um Apartamento | Podcast | Construção | Arquitetura

Quanto Ganha um Ajudante de Pedreiro na Construção Civil? Fala do Mestre de Obras Glaudio | Podcast

O Erro na Reforma Tributária que Pode Custar MILHÕES à Sua Empresa | Podcast #202

Valorização Profissional na Construção Civil | Podcast | Engenharia | Arquitetura #obra

Método CHAMA Gravado Com o Engenheiro Boutros Bichara | Pessoas Negativas | Paulo Barros #podcast

Assista ao Vídeo do Roberto Justos Sobre Caso Daniel Vorcaro do Banco Master | Podcast | Construção

AI FIRST #2 . André Abucham e Lauro Fiuza - Os desafios intrageracionais dentro e fora das empresas

Vidro NÃO É Tudo Igual! Descubra o Erro Que Pode Destruir Seu Projeto | Podcast | Arquitetura