Importância dos Relacionamentos Corporativos | Relacionamento |

Trecho de um episódio do podcast Constricast com José de Lourenço Messina (engenheiro de produção) discutindo a importância dos relacionamentos interpessoais no trabalho e na vida pessoal. Messina descreve sua formação em engenharia de produção, aplicações práticas (otimização de processos, logística, análise de filas), casos de inovação e um modelo de relacionamento baseado em quatro pilares: confiança, compromisso, empatia e intimidade. O episódio aborda também leitura e mudança de hábito como ferramentas para crescimento e encerra com convite para episódios futuros sobre meio ambiente e mudanças climáticas.
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Construir, caste, arquitetura, engenharia, construção. José de Lourenço Messina é o nome do convidado de hoje. E a pauta, quem vai falar é o próprio convidado. É uma pauta que eu reputo muito importante. Como que a gente pode melhorar as relações, não só no ambiente de trabalho, mas nas nossas relações no dia a dia, desde as nossas convivências aí nas nossas próprias casas. José, seja muito bem-vindo ao nosso podcast e é uma honra receber você aqui.
Eu que agradeço o convite, vocês são muito gentis aí e pautando o seu podcast naquilo que eu acredito que seja mais relevante e importante nos dias de hoje, que é a qualidade do conteúdo, a solidez do conteúdo, tendo em vista que a gente hoje tem muita gente que vai para o lado do empreendedorismo de palco. e que depois acaba não dando sustentação às pautas que desenvolve. Eu sou engenheiro de produção, formado aqui na Politécnica em 81, e isso sempre perseguiu a minha vida. cirurgicamente os conteúdos explorados para poder passar para as outras pessoas. E daí que nasce essa minha pauta bastante estruturada sobre relacionamento interpessoal.
Que a gente vai falar hoje da importância do relacionamento no ambiente de trabalho, né? Que eu amplio isso para a vida.
Lógico, é isso aí. O relacionamento, ele está presente, é uma palavra muito ampla e que, em algum momento, eu fiquei preocupado. Puxa vida, vou procurar um pouco de texto, de bibliografia a respeito de relacionamento. E encontrei muito pouco, muito pouco mesmo. São dez anos atrás, estou falando dez anos atrás, que eu comecei a pesquisar o tema e vi que tinha pouca bibliografia. E eu falei, não, então agora eu vou construir uma bibliografia importante sobre esse assunto.
Lucina, e antes da gente entrar propriamente no assunto da pauta, eu queria que você falasse um pouco da sua história de vida, como que você chega, né? Hoje você é um engenheiro de produção, é uma profissão que eu reputo muito importante, principalmente quando a gente fala de relação, porque a partir do momento que eu tenho clareza, que eu tenho um processo ali, que eu tenho uma comunicação alinhada, eu reduzo tempo de produção, eu reduzo custos, sobretudo, enfim, melhoro significativamente toda comunicação.
Aliás, Paulo, a engenharia de produção é uma engenharia que ela tem que ser entendida mesmo na sua essência. A essência da engenharia de produção é otimizar processos, otimizar tempo, otimizar layout, otimizar o produto, enfim, tudo o que diz respeito à otimização. A mais sofisticada área de otimização é a área de pesquisa operacional, quando você vai pegar problemas complexos e tentar soluções simples. Não é muito fácil, porque sempre são N variáveis que vão modelar um processo N variáveis que vão ter seus pesos, e aí você vai ter as condições de restrição do processo para tentar otimizar. Então, engenheiro de produção, eu sou formado em engenharia de produção, engenharia de produção é exatamente isso. Você olhar e melhorar. Fazer mais com menos, fazer mais com o mesmo, ou até fazer mais com mais, desde que você tenha um resultado melhor.
E como que você entra nesse enveredor para a engenharia de produção ou para a engenharia como um todo?
Não, eu fui realmente assim uma intuição, eu estava ainda em fase de escolha de profissão e eu sempre estava orientado a melhorar as coisas, a fazer coisas bem feitas. E aí, por uma questão de... Enfim, eu tinha muita vontade de resolver os problemas, com rapidez, eu fui um excelente aluno em matemática, em especial trigonometria, me chamava muito a atenção. E aí eu falei, não, vou desenvolver essa competência. Qual é a área de conhecimento que eu podia estar mais, me representava mais? Era a de engenharia. Aí no primeiro ano da faculdade, era um ano geral, genérico, onde eles apresentavam para nós todas as áreas de engenharia, foi apresentada para mim a engenharia de produção. Na época, em 1976, quando eu entrei, a nossa turma tinha só 70 alunos. Tava começando. Era um branch da engenharia mecânica, a engenharia de produção. E aí foi criado um corpo técnico, um corpo de professores, e aí eu acabei escolhendo engenharia de produção. E tem matérias de engenharia de produção específicas da engenharia de produção que não tem nas outras Engenharias, por exemplo, pesquisa operacional, por exemplo, layout, layout de fábrica, layout de um canteiro de obras, layout de uma escola e assim por diante. Recentemente, até nessa área específica de engenharia de produção, eu vou exemplificar. Uma escola aqui de São Paulo muito grande, com 5 mil alunos, tinha uma fila de mais ou menos 300 alunos. para frequentar, para entrar na escola e todo ano a escola estava perdendo 300 alunos. Então a gente, junto com um professor meu da Politecnico, a gente foi estudar como poderíamos ter mais espaço livre na escola. E uma das competências do engenheiro de produção é análise de filas. Fila da balsa, fila do call center, Tudo que é fila, a gente analisa porque tem técnicas de gestão de filas. E no colégio, onde a gente trabalhou, foi a mesma coisa. Enfim, depois de um trabalho de seis meses, onde a gente trabalhou processos, verificou uma série de lead times, de gargalos, a gente conseguiu achar 12 salas de aula no mesmo colégio. 12 salas de aula com 30 alunos, a gente zerou a fila de espera do colégio. Então, isso pode se transferir para qualquer operação. para um canteiro de obras, gerar que os materiais cheguem na hora de consumir, diminuir o estoque, ter um estoque de segurança. Ou seja, toda essa problemática de gestão, o engenheiro de produção tem uma solução para cada uma dessas demandas.
E sabe o que é interessante? Você falando isso parece simples, até pela sua vivência, né? E quem indicou você pra vir aqui no Constrycast foi a engenheira Mayara, que é uma pessoa que tá vivendo aí os desafios do dia-a-dia que a construção civil vive. Nesse sentido, eu gostaria de te convidar pra fazer uma participação junto com a Mayara, inclusive, pra gente fazer um bate-papo, porque a forma como você fala é muito simples de entender, e dessa forma eu entendo que a gente consegue transformar, de repente, ou mudar um pouco a visão das pessoas.
Então, e aí vai muito do engenheiro de produção não cacarejar, porque o engenheiro de produção coloca um ovo de pato, o pato põe o ovo, sai, não cacareja, ninguém sabe, mas é um ovo enorme, né? A galinha põe um ovo pequeno e sai cacarejando. O engenheiro de produção, ele é pouco cacarejador, então ele é bem low profile e é muito pouco inserido nas pautas. E também tem uma versão, uma vertente, que por anos e anos e anos o mercado financeiro absorveu muito os engenheiros de produção. Então, por essa competência, o engenheiro de produção foi colocado na pauta financeira. Os bancos financeiros, os fundos de investimento, Tem vários engenheiros que estão lá trabalhando técnicas de pesquisa operacional dentro das instituições. Enquanto que setores como a construção civil, a indústria, o varejo. O varejo tem muita aplicação, tem muita necessidade de práticas. Mas como engenheiro metalúrgico, engenheiro químico, são poucos que se formam por ano. Mas tem uma oportunidade espetacular de aumentar isso.
É, o que despertou, na verdade, também o meu interesse pela engenharia de produção é um case que eu tenho de um amigo aqui. Ele é engenheiro civil e depois ele fez uma outra faculdade de engenharia de produção e, inclusive, a empresa dele cresceu mais de 70% na pandemia porque ele começou a olhar o exemplo da China e falou, peraí, a gente consegue fazer melhor aqui no Brasil. E foi um baita case de sucesso.
Uma outra área de muita especialização do engenheiro de produção é logística. meu filho fez engenheiro de produção no Rio de Janeiro e saiu da faculdade depois de um ano e meio ele falou quero montar uma empresa de entrega de pacotes de até três quilos com bicicleta no Rio de Janeiro a empresa chamava-se Pedala e aí ele usou modelos de logística. Hoje as empresas como o Mercado Livre, a Amazon, a excelência delas está no sistema logístico. Você compra uma coisa hoje e no dia seguinte está na sua casa. É logística pura. Isso é engenharia de produção. Esse meu filho, depois de três anos e meio, ele entregou no Black Friday do ano de 2021, 370 mil pacotes. Nossa! A empresa dele depois foi vendida para as lojas americanas, que colocou todo o processo e gestão deles dentro do sistema das lojas americanas. 370 mil pacotes com bicicletas.
Não, é interessante, trazendo essa inteligência para a construção civil, ainda mais quando a gente fala de industrialização, que você tem que respeitar ali o tempo de cada coisa, tudo acontece muito rápido. É bem interessante a gente tentar trazer esse modelo para os canteiros.
Acho que a inovação todo dia acontece na construção civil. Você pode ver, o Instagram nos proporciona inúmeras novidades todo dia. Ontem eu vi no Instagram, uma construção de um prédio, todo modulado, onde os andares, eles construíram a primeira torre de elevador, de sustentação do edifício, e aí módulos de mil metros, mil e quinhentos metros, sendo levantados e indo para o último andar, ou seja, a construção ia do último para o primeiro andar. Então, a possibilidade de inovação é sempre possível e importante. Faço questão de falar um assunto aqui e também diz respeito ao engenheiro de produção. Tinha uma empresa no Rio Grande do Sul, Frango Sul, o maior produtor de frango do Brasil na época. E tinha um presidente da empresa chamado doutor Paulo Velinho, que me chamou e falou, ó José, você está recém-formado, vem aqui dar uma olhada no nosso ambiente de trabalho, no nosso processo, mas eu acredito que você não vai conseguir nada de melhoria. porque a gente já estudou tudo, a gente já mediu tudo, controlou tudo, alimentação dos frangos, crescimento, taxa de gordura. Muito bem. E aí eu fui lá na Frango Suco, Dr. Paulo, fiquei um mês lá avaliando o processo e tal. Percebi que a temperatura, ambiente de um criatório de frango é muito alta, tanto que eles deixam a parte de cima dos galpões abertos para circular o ar. Aí eu falei, doutor Paulo, puxa vida, vamos fazer uma tentativa, já que eu estou falando de inovação, eu fiz uns cálculos aqui, e que se a gente abaixar a temperatura, o ganho de massa do frango vai ser maior. Não, Messina, não é possível, isso não faz sentido. Vamos fazer o seguinte, doutor Paulo, o cálculo está aqui, está feito. Vamos abaixar a temperatura de um galpão com ar-condicionado. Ah, mas a energia que vai consumir... Sim, a energia vai ser maior, mas o ganho de peso do frango vai ser maior. Conclusão, hoje os criatórios do frango sul todos estão com ar-condicionado e abaixa a temperatura porque o frango ganha mais peso numa proporção maior do que o gasto de energia do ar-condicionado. Então, sempre tem uma inovação possível para fazer.
E o que essa sua fala me traz de ensinamento é que a gente precisa estar aberto a ouvir?
A grandeza do doutor Paulo, presidente da empresa, é que ele não falou não. Ele falou, não, vamos testar. Você está dizendo aí que nos cálculos a coisa Você é um engenheiro. Você está me dizendo que isso é possível, então vamos fazer. Da mesma forma na construção civil. Tem vários métodos construtivos. Na minha residência em especial, meu filho é arquiteto, o outro filho é arquiteto. Eu moro nela há cinco anos. Meu filho estava recém-formado em arquiteto e eu falei, vou apostar nele para construir a minha casa. E aí a construção demorou um ano e meio, e no meio da construção, a minha casa não tem Eu não comprei um tijolo, foi uma reforma e eu usei todos os tijolos da casa antiga em uma estrutura nova de sustentação de parede, com cacos de tijolo, com um madeiramento externo, ficou ótimo. A minha casa não tem uma lajota, é tudo cimento queimado e estruturas de concreto e tijolo da própria residência. E foi uma inovação essa parede de sustentação com carcos de tijolo. Um menino que tinha acabado de sair da faculdade.
É, você se permitiu.
Exatamente.
Ô, Messina, e o que agora eu queria falar da importância do relacionamento no ambiente corporativo? E, sobretudo, antes da gente começar o assunto, eu gostaria de falar quais são os problemas gerados por conta desses atritos dentro das empresas?
Eu vou falar... Chegarei na tua resposta, mas antes eu vou chegar na... na definição do problema e da modelação disso. A pessoa acaba de se formar e ela entra na empresa, se conseguir um trabalho, entra na empresa, entra lá no departamento A, B, C ou D, na sua função A, B, C ou D. Ela entra lá e ela para de se relacionar fora da empresa. Ela fala, não, essa empresa aqui é atualmente a minha mãe ou meu pai, ou seja, existe uma identificação de imagem, tem até um livro a respeito desse assunto, imagens da organização, essa imagem que a empresa é sua mãe ou seu pai. Então você está protegido lá, até o momento. em que chega um novo chefe, muda o acionista, muda a filosofia da empresa e você que acreditava que aquela empresa era sua mãe ou seu pai e te protegia, de repente você é mandado embora. Esse estudo de relacionamento vem com essa provocação, a provocação do profissional que está entrando no ambiente de trabalho para ele não se acomodar. para ele saber que a qualquer momento a mudança vai existir. Ou ele vai ser saído ou vai acontecer essa saída dele. E isso é uma constatação quase que unânime. Você vê vários profissionais com 40 anos que são demitidos por uma razão ou outra, ficam perdidos porque durante o período de trabalho eles se esqueceram de se relacionar fora do trabalho. No ambiente de construção civil, onde você ou trabalha numa obra, ou trabalha num escritório, ou trabalha em projeto, você entra na empresa, você esquece que o mundo existe. Mal e mal, no fim de semana, você vai poder descansar com a sua família. E é isso do que trata esse relacionamento. É para que você não se acomode. Poxa vida, vou sair da empresa às seis horas da tarde, ou vou almoçar, E aí vou pra casa, ligo a televisão, mal e mal leio, e você é um jovem, você tá num momento mais espetacular da sua vida, dos 20 até os 40 anos. Então você tem que pegar a energia e participar da vida de relacionamentos. Vou frequentar o Sindicato dos Engenheiros. Vou frequentar a Associação Brasileira dos Metrais. Vou frequentar a Fiesp. Vou frequentar a Associação Comercial. Puxa vida, mas vou frequentar a Câmara Italiana. Vou frequentar a Câmara Britânica, a Câmara Americana. Puxa vida, mas tem que frequentar. Eu por anos, anos, eu sou mais da área de telecomunicações, por anos eu frequentei Um café da manhã, na Câmara Americana, às sete da manhã de sexta-feira. Sete da manhã.
Durante anos.
Às oito e meia eu frequentei esse café. Até que dez anos depois, um dia, o presidente da Câmara Americana falou, Messina, chegou a sua vez, você vai ser o presidente do Comitê de Telecomunicações. Isso mudou a minha vida. Mudou, porque aí eu falava com o presidente da Sims, com o presidente da TIM, com o presidente da Nortel, com o presidente da Alcatel, porque eu insisti no relacionamento. Então, Paulo, a essência do que eu aprego é relacionamento é um valor. Não é simplesmente uma palavra sem sentido. Ah, vou me relacionar. Só um exemplo importante. Se hoje a gente extinguisse a lei da obrigatoriedade do cinto de segurança quando se dirige. Eu tenho certeza que 99,99% iria continuar usando o cinto de segurança. Por quê? Porque aquilo tornou-se valor. É quase que sinônimo de segurança. Se eu não usar o cinto de segurança, o risco de eu morrer é muito alto. É a mesma coisa com o relacionamento. O relacionamento, para mim, e que a minha carreira profissional cresceu e se desenvolveu por relacionamento, para mim, relacionamento é um valor. Então, eu pratico isso todos os dias.
Messina, quando você começou a falar agora da importância do relacionamento, você citou uma coisa, um ponto que eu reputo muito importante, que é a leitura. Como que você avalia a leitura nesse contexto de relacionamento?
Olha, a leitura nesse contexto é muito importante, muito, extremamente importante, porque o relacionamento em si são quatro pilares. Isso vem de uma pesquisa. Aí eu vou dar a resposta para você da leitura, tá? Mas o relacionamento da minha pesquisa, ele se estabelece entre eu e você, ou entre você e seu chefe, ou entre você e o seu amigo, ou entre você e uma pessoa que ainda você não conhece, com quatro pilares. Segurança... Aliás, desculpe. Confiança, compromisso, empatia e intimidade. Confiança, compromisso, empatia e intimidade. Uma coisa é você confiar confiando e outra coisa é confiar desconfiando. Uma coisa é você ter compromisso e a outra coisa é você ser totalmente descompromissado. Uma coisa é você ter simpatia e outra coisa é você ter empatia. Uma coisa é você ter intimidade superficial e outra coisa é você ter uma intimidade pessoal. Esses quatro fatores, o modelo que eu criei, eu criei o indicador.
E você cita um bem importante, que é o primeiro, que é a confiança.
E a confiança, ela se estabelece com o tempo, com demonstrações factuais, com desapego. Isso é confiar confiando. Porque 90% das vezes é confiar desconfiado. Ah, confia em você, mas de fato ele quer provas, ele está desconfiado. Isso não é confiar. A leitura faz parte de todos esses. Quatro eixos do relacionamento. E mais ainda, a leitura faz parte de um... Existem... Também é um outro autor, chama Anthony Robbins, que fala sobre desenvolvimento pessoal. O maior autor nessa área de desenvolvimento pessoal, não é? Desenvolvimento pessoal, ele diz que nós temos quatro coisas a atingir do ego, e duas do espírito. Do ego, é segurança, variedade, reconhecimento e importância, amor e conexão, e dois da ânima, que é crescimento e compartilhamento. Então, crescer é ler, na minha visão. Crescer é ler e distribuir conhecimento, que é compartilhamento. Então, essa prática de leitura, É muito importante. E eu sou um leitor obsessivo. Tento por mês ler um livro, minimamente.
E você, nessa sua fala, é bem bacana como você chega nessa importância da leitura, todo esse storytelling que você criou pra chegar lá. E no início de tudo, quando a gente fala da confiança, pra quem tá assistindo ou ouvindo pelas plataformas de áudio, como que você entende que a gente consegue a confiança de alguém?
Então, você tem várias formas de conseguir a confiança. De qualquer maneira, a maior delas é com fatos concretos. Porque a pessoa espera de você situações em que ela vai depositar em você aquele próximo passo, tendo você como um apoio. Essa é a confiança. É o compromisso. Então, você vai desenvolvendo essa confiança com fatos concretos. Demonstrações cabais que a pessoa vai poder Depositar em você as suas dúvidas, as suas inseguranças. Confiança e segurança também caminham muito próximos. Então, eu vou confiar desde que você me dê segurança. E essa segurança vem com o tempo. Não é que amanhã você vai confiar em mim, confiar confiado em mim. Não, é tempo. E isso acontece muito com os alunos, com professores, a relação aluno-professor, onde ele vai desenvolver essa confiança.
Isso é construído. Você traria algum exemplo, assim, dessa construção de confiança? Até dá um exemplo mesmo. Imagina que eu tenho uma viagem marcada para uma reunião de negócio, como se a gente tenha um voo.
Certo.
E trazer o exemplo de um horário, imagina que a gente combinou, sei lá, no aeroporto, se encontrar no hall do aeroporto, sei lá, 18 horas. Você consegue trazer um exemplo dessa construção?
Essa é uma mistura quase de confiança e compromisso, que são próximos, também andam próximos, de você estar lá naquele dia, na hora. Então, vou te dar um exemplo. Eu fui instrutor, de atendentes da TAM. Então, a gente fez um processo de treinamento, de atendimento para os clientes da TAM. Então, foram três meses de treinamento com as meninas, eram dez meninas. E aí, a gente vai qualificando, exemplificando e tendo confiança. E aí até um dia que você fala, bom, agora você vai falar com o cliente final. E aí toda turma treinada e tal. Uma das moças, na véspera de ir pra frente, começar a atender cliente, ela tem uma briga com o namorado, alguma coisa assim, e ela dorme mal e chega completamente despreparada, mas desenvolveu-se nesses três meses uma relação de confiança entre ela e o professor, e ela estava preparada. Então, simplesmente o fato de ela ter falado o que aconteceu, e que ela não iria participar, gerou uma relação forte de confiança entre o professor e ela no desempenho da função. Simplesmente ela não trabalhou e no dia seguinte voltou ao normal. Ou seja, essa relação chefe-subordinado, que é o que mais acontece, inclusive no setor de construção civil, se você trabalhar com exemplos, com treinamento, essa questão de confiar de fato gera muito ganho de produtividade, muito, muito, muito ganho de produtividade. O chefe vai ter mais tempo para se dedicar a questões estratégicas e a pessoa que tem que fazer as tarefas vai se dedicar focada na resolução dos problemas.
E você traz um outro ponto importante na sua fala que é a importância da transparência nas relações, que foi por conta dessa transparência entre os dois que gerou essa confiança.
Exatamente.
Aconteceu isso, enfim.
É, a questão, Paulo, é sempre a maturidade e fazer com que o medo de sentir dor... Por que a gente tem medo? Porque a gente vai sentir dor. Então, a gente tem medo de fazer alguma coisa porque, eventualmente, vai sentir dor. Então, não vou falar para o meu chefe porque eu fiz algo errado. Tem outro tipo de solução. Eu vou falar para o meu chefe porque eu fiz algo errado para gerar uma outra posição. E é muito difícil o ser humano se afastar da dor. Então ele desenvolve o medo e o medo acaba dando algumas soluções que não são as melhores. Então a melhor solução é a transparência. Falar a verdade para o seu chefe Tem uma relação de transparência total. Errei, aqui está meu erro. O que é delicado é quando os erros começam a ser muito frequentes. E aí você dá um feedback, e aí o erro continua a ser recorrente, dá outro feedback e aí não tem situação que não desligamento. Mas você tem que dar oportunidade para o seu colaborador para ele recuperar o que ele perdeu.
Lucina, e nesse ponto que você fala que essa pessoa teve lá um problema com o namorado e tal, eu queria trazer um outro ponto que a gente está vivendo hoje a era das redes sociais. E, enfim, você começa, pega o celular e vai passando. O tempo vai passando e gera aquela ansiedade. Daqui a pouco você dorme mal. Isso compromete ali o trabalho. Você acaba... Quem trabalha com comunicação, às vezes precisa ler um texto e vai passar um erro de português ali em função dessa...
Dessa desatenção.
Dessa desatenção. Como que, pela sua experiência, a gente resolveria isso, principalmente com esse público jovem? Nós, com um pouco mais de experiência, como que a gente trata isso?
Hoje a gente vive uma transformação total nas relações de trabalho. As relações de trabalho são mais fluidas. Existe um empoderamento muito grande onde a conversa chefe colaborador é muito diferente do que era. Existe uma vontade de que as coisas aconteçam rapidamente, você receber um salário maior mais rapidamente. Eu acredito, Paulo, eu já não sou um especialista nessa nessa área de gestão de lideranças jovens. Mas eu acredito que tem que ser, por parte da chefia e da pessoa mais velha, ter essa abertura de ouvir o que ele está falando e saber orientar sem perder o recurso, porque também a decepção é muito rápida. É um jogo de videogame. A geração sua, você tem quantos anos?
Eu tenho 40.
Você tem 40, eu tenho 65. A tua geração é uma geração que nasceu com videogames, pelo menos uma parte.
Uma parte, eu não tive essa oportunidade.
Eu também não desenvolvi, mas o que é um jogo de videogame? É uma partida de futebol? Um tem que ganhar, outro tem que vencer, é uma perseguição a alguma pessoa. E isso acaba indo para o inconsciente da pessoa que somos. De fato, é o nosso inconsciente com o nosso consciente. E esse inconsciente automaticamente vai jogar. E aí as regras de trabalho que existiam vão mudando, tudo muito fluido. Mas, na minha opinião, a conversa, a transparência, acho que é a solução para a gestão de pessoas e as expectativas. Existe hoje uma tendência a querer deslocar. Por outro lado, a possibilidade de fazer trabalho virtualmente. Sexta e segunda-feira, hoje, você anda no trânsito de São Paulo tranquilamente. porque as pessoas estão fazendo trabalhos híbridos. A questão do trabalho híbrido é complexa, muito complexa. Eu estudei teletrabalho na minha dissertação. Estou falando de 1994, era outro momento. Mas as pessoas que trabalhavam em casa, por exemplo, as atendentes do 102, da Telesp na época, elas tinham dificuldade de fazer teletrabalho. Elas queriam ficar em casa, Mas a gente teve, enquanto Telespe, que construir ambientes de trabalho dentro da própria casa das atendentes. E mesmo assim entrava a criança. E assim é o trabalho virtual. Ah, eu tenho liberdade. Em termos, você fica circunscrito a uma tela de quatro lados, você não sabe o que tem no ambiente da tela, Então, tenho certeza que o rendimento fica prejudicado no médio e longo prazo.
É, inclusive na incerteza se aquilo está feito a contento ou não. E nessa nossa conversa está me chamando bastante a atenção, porque quando você abre falando que você tem um filho, enfim, você é pai.
Sim.
Eu, como um líder de equipe, de time... Hoje eu sou pai também, tenho um filho de 9 anos, e eu percebi, fazendo uma análise comigo mesmo, que depois que eu fui pai, eu mudei o meu comportamento com os meus liderados. Eu passei a ter mais paciência, e eu uso muito o exemplo da pasta de dente, por exemplo, de escovar os dentes. Eu tenho que pedir pro meu filho, ó, isso aqui, filho, isso aqui, filho... Enfim, eu vou melhorando como pai a cada dia, e nesse sentido também eu noto que eu vou melhorando Um sugestão, Paulo.
Pede para o seu filho mudar a mão que ele escova o dente. Para desenvolver uma habilidade maior nele. E aí você vai surpreendê-lo, porque há anos você tem falado para ele escovar o dente. Aí você fala, filho, vai escovar hoje o seu dente com a outra mão. Como assim, pai? Eu não consigo. Você vai conseguir e você vai poder ser uma menina que vai escovar os seus dentes com as duas, com a mão direita e com a mão esquerda. Isso é mudança de hábito. Isso vai desencadear nele uma outra visão. Vai dizer, puxa, meu pai pediu e eu tô conseguindo, ou seja, eu tenho capacidade de fazer mais, simplesmente mudando a escova de uma mão pra outra. Imagina o que eu vou poder fazer na vida.
Você traz um ponto interessante, porque às vezes a minha esposa me liga, tá acontecendo isso e tal, tal, tal. Aí eu fico pensando numa forma de resolver aquilo sem criar atrito. E aí vou tentando chamar ele. Filho, vamos brincar de tal coisa, mas levando ele. Falei, nossa, olha o que eu acabei de descobrir. E aquilo se torna uma coisa prazerosa. E essa ideia do mudar a mão, de escovar os dentes, eu já sei que vai ser bacana.
Na verdade, o tema mudança é um tema bastante rico para ser explorado. Como mudar? Nesse caso do seu filho também, eu tenho dois filhos. Mas uma outra forma importante é você antecipar aquilo que você quer que ele faça. Você antecipar, você dar tranquilidade. É sempre questão de segurança, ele se sentir seguro. Aí ele vai crescer com maior capacidade de administrar as dificuldades da vida. No ambiente de trabalho também. Mas voltando ao tema da mudança, Se eu falo pra você, amanhã você vai parar de fumar. Eu quero parar de fumar. Ou eu quero emagrecer. E sempre existe essa dificuldade da gente, do dia pra noite, parar de fumar, emagrecer, parar de escovar o dente com a mão direita. Tudo isso porque o nosso cérebro é muito preguiçoso. Ele gosta, quando vem pro trabalho, você faz o mesmo caminho. Ou você chega em casa, senta na mesma cadeira. Ou você vai conversar com a sua esposa sistematicamente. São as mesmas conversas. E a importância de você ter consciência disso e mudar. E mudar também é um modelo. Eu sempre coloco as coisas meio engenheirando produção. Mudar também é um processo. Então você tem que mudar o hábito. Depois você muda o comportamento. Depois você muda a atitude. E, por último, você muda o valor. Aí é a questão do cinto de segurança que eu tinha falado para você. Quando você consegue mudar o valor, aí, de fato, isso se aplica a qualquer processo na vida. Na construção civil, na engenharia de produção. na arquitetura, em tudo.
E esse ponto que você tá falando de escovar os dentes com a outra mão, eu vou fazer porque eu tô pensando que como que seria eu fazendo, sabe? Eu fazendo movimento. E aí o desafio, você que tá assistindo, ouvindo pelas plataformas, de áudio de vídeo, testa escovar os dentes com a outra mão.
Isso.
E coloca nos comentários qual foi a sua experiência. Se possível, testa com o seu filho ou com a sua filha. Vai ser muito divertido.
É divertido e muito significativo.
Significativo.
Porque mexe.
Mas eu tô fazendo uma viagem, enquanto você tá falando aqui, eu tô imaginando como que seria. Eu tô pensando, eu, a minha reação.
Sim, sim, sim. Mas faz isso hoje e você vai ver. Mas não é um dia, aí você faz uma semana. E aí você vai ver que você consegue. E aí, pra você, você fala, puxa vida, eu tenho capacidade de mudar muito, muitas coisas. Puxa, todo dia eu vou no trabalho, faço a mesma coisa, bom dia a chefe. Vamos fazer de uma forma diferente? Eu sou capaz de fazer. Um modelo construtivo, um equipamento, um material que você sempre compra o mesmo material, uma mistura que você sempre faz a mesma coisa. E nas mudanças é que aparecem as grandes soluções.
Essa parte de leitura que a gente está conversando, eu comecei a me transformar através de uma dica de um amigo, que ele falou, Paulo, você fala que tem dificuldade para ler, que não gosta de ler e tal, faz um desafio com você, começa a ler todos os dias, que seja 10 minutos, 5 minutos. E aquilo foi ficando gostoso, mas assim, eu assumi um compromisso comigo, foi ficando gostoso, foi ficando gostoso, e as pessoas começaram a me notar diferente. Eu comecei a consumir muito filosofia, Não.
Muda, exercita o cérebro, o seu cérebro, o nosso pior inimigo somos nós mesmos. Que a gente tenha a tendência de acomodar, de não querer exercitar, porque o cérebro não quer, nosso cérebro não quer, ele prefere é ficar fazendo a mesma coisa. E a gente vai enrijecendo, a gente vai ficando... E eu sou uma pessoa que tem isso assim no meu DNA. Então, eu sou presidente do Círculo Italiano de São Paulo, que tem várias atividades. Atualmente, eu trabalho na Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, que está sendo o momento mais rico em termos de mudanças diárias, de assuntos diários. Desde na área do meio ambiente, saber como se trata da fauna silvestre e dos animais domésticos em São Paulo, a invasão de javalis e javaporcos que tem no estado de São Paulo, estradas que estão na nossa secretaria, mineração, energia, recursos hídricos, saneamento, é muita coisa.
Bicina, eu gostaria muito, já quero te convidar para você voltar para a gente continuar esse bate-papo, falar dessa parte de engenharia ambiental, essa parte meio-ambiente, que é um assunto também que eu preciso falar aqui no ConstruCast.
Aí eu vou até trazer também para você especialistas. Eu acho que, tendo em vista o seu conteúdo bastante rico e sólido, Por exemplo, eu vou falar sobre mudanças climáticas. Eu vou trazer a Karina, a dona Bela, que é a coordenadora da área de mudanças climáticas da Secretaria, para falar com você.
A gente tem o quadro convidado convida, então ela já é a próxima convidada e vem junto.
Vou falar com a Karina, ela vem comigo aqui, para a gente falar sobre mudanças climáticas e seja a adaptação a mudanças climáticas, seja a mitigação dos riscos que a gente está tendo agora.
Não, é importante, a gente precisa começar a falar mais. Messina, você tem um compromisso daqui a pouco? Só pra gente encerrar esse bate-papo. Como que você enxerga o Constricash, tendo em vista que ele tá presente nos principais canais de áudio e vídeo? A gente pega tudo isso, coloca dentro de um portal hub construção? para gerar conteúdo qualificado para o setor da construção.
É importantíssimo ter esse canal de comunicação, é mais uma mídia especializada e quem se enriquece de conhecimento tem que ter esse tipo de leitura, é uma leitura pela audição, que é o podcast hoje. E dá quase uma leitura de uma hora sem ter a obrigatoriedade de você estar lendo. Então, eu queria parabenizar esse tipo de construção de conteúdo e segmentado, porque as especificidades são tão grandes de cada setor. Você vai falar de tecnologia de informação é uma coisa, você vai falar de construção é outra, química, metalurgia, o que tem de pesquisa. Um canal que você tinha que gostaria que você também procurasse, posso te conseguir algum contato, é com o IPT. Ali é a pesquisa pura de materiais.
De processos, Eu estou organizando já uns conteúdos especiais.
Então, o IPT é fantástico, a qualificação técnica que tem lá. Falar também com professores em universidade, trazer professores da engenharia civil, da área de transportes. A tecnologia de construção civil na área de transporte é uma coisa espetacular.
A gente está gerando vocês.
Ou seja, tem um mundo só na área de construção. Você pode até começar a ir para a área de construção residencial. É um outro mundo.
Sim, a gente está gerando, tem as playlists lá no canal do YouTube, enfim. Também que a gente vai segmentando por tema. Por tema. Então agora eu queria que se desse suas considerações finais.
Tá, então eu queria agradecer aqui, Paulo, o canal por ter me convidado pra compartilhar, né, uma das coisas que cresce o ser humano é compartilhar, né, voluntariamente o seu conhecimento pra quem vai ouvir um dia. vai estar lá relaxando, vai falar, poxa vida, mas eu preciso me relacionar mais, porque isso vai fazer o resultado da minha carreira ser mais positivo. Eu preciso desenvolver relacionamento, tomar café com amigos, ex-colegas de faculdade, ex-colegas de colégio, ex-colegas, colegas, falando mais, porque o dia que você tiver fora do seu trabalho, alguém vai te ajudar a você se recolocar. E aí você vai falar, poxa, por que eu não me relacionei antes com os meus amigos? Então esse é o canal para divulgar esse tipo de mensagem solidária. Então muito obrigado e continue aí firme e forte nos seus propósitos.
Messina, muito obrigado mais uma vez. E é com essa mensagem que encerramos o episódio de hoje. É importante que compartilhem nossos conteúdos e não só isso, comentem o que você achou deste episódio e dessa forma vamos juntos transformar não só o setor da construção, mas a comunicação como um todo. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constricast.
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