Inovação e Liderança na Gestão | Paula Casarini | Podcast de Engenharia

Podcast interview (YouTube) with Paula Casarini on innovation and leadership in real-estate management. Paula summarizes a ~30-year civil-engineering career, her progression into real-estate valuation and consultancy, operational leadership at Colliers/Collis (taking responsibility for real-estate business in 2014, becoming CEO in 2018 and president since late 2022), and runs a company with ~220 people. The conversation covers crisis leadership during the COVID-19 pandemic, building culture and communication, conflict resolution, workplace relocation and fit-out strategy, and cautious adoption of digital tools (e.g., Power BI) and AI.
Questions this video answers
2014.
2018.
Since the end of 2022.
About 30 years.
Approximately 220 people (total headcount).
Chapters
Construir, crescer, arquitetura, engenharia e construção.
Inovação e liderança na gestão imobiliária é o tema do episódio de hoje. Para falar sobre o assunto, eu recebo a Paula Casarini, que, como sempre, vai dar uma aula aqui para a gente. Então, vou preparar papel e caneta na mão e vamos juntos aqui acompanhar esse bate-papo junto conosco. Paula, seja bem-vinda ao nosso podcast.
Muito obrigada. Obrigada pelo convite. Obrigada ao Rodrigo, que foi o convidado que me indicou.
Rodrigo Leite.
Rodrigo Leite.
Diga-se de passagem. É um cara que eu tenho uma admiração muito grande. E é parte fundamental do sucesso do Constricast. Paula, para começar a nossa parte de papo, eu queria que você falasse um pouquinho, contasse de forma resumida a sua história, a formação e como que você entra num segmento tão desafiador, que é esse tema do episódio de hoje, que é a liderança e inovação em gestão imobiliária.
Tá bom. Bom, eu sou aqui do estado de São Paulo, sou engenheira civil de formação. Então, o desafio já começa quando você escolhe o seu ensino superior. Ser engenheira civil hoje é uma coisa completamente diferente do que ter escolhido engenharia civil há mais de 30 anos. a exatos 30 anos, nesse ano. Então, sou engenheira civil. Já durante a fase que a gente está fazendo estágio e testando para que área você vai dentro da engenharia, eu comecei a trabalhar em avaliação de imóveis. Então, eu entrei como estagiária para fazer avaliação. Depois fiz obras de fundação pesada, fiz projetos, trabalhei com estrutura metálica e decidi que era a avaliação imobiliária o que eu gostava de fazer. Então, faço isso desde então. Comecei a fazer isso. Trabalhei na área diretamente com avaliação de imóveis até o ano de 2014. Em 2014, eu comecei a tomar conta dos negócios imobiliários dentro da Collis. A Collis é uma empresa de consultoria imobiliária, full service. engenheira civil, pós-graduada em avaliações perícias, e aí, de repente, eu paro de fazer avaliação do imóvel e começo a cuidar de um negócio que também tinha venda de imóvel industrial, locação e escritórios e varejo, e os demais serviços que a gente tem. Em 2018, eu assumi como CEO da companhia, então, eu comecei a cuidar de todas as operações no Brasil. E eu sou presidente da College desde o final de 2022.
Nossa, que história e que resumo, que pitch você fez aí num período tão curto. Então, continua, pode continuar.
Então, eu acho que entrar na liderança ou assumir a liderança foi uma coisa... Eu não vou te dizer que foi uma coisa natural, porque eu tive muita ajuda de pessoas extraordinariamente inteligentes e bem intencionadas ao longo da minha carreira. Então, eu comecei a fazer estágio numa empresa que era pequena e foi onde eu aprendi como é que as coisas funcionavam. Trabalhava para um engenheiro que chama Otávio, que é meu amigo até hoje, trabalha na Collier junto comigo ainda hoje. Depois, quando eu estava em avaliação, a gente vai assumindo a liderança por projetos. E a hora que os teus projetos vão sendo bem-sucedidos numa cadência, que a hora que você percebe que todos eles já estão do mesmo jeito, aí você consegue assumir a liderança da equipe, depois de um negócio e depois de uma companhia. E, todo este tempo, o que a gente precisa saber é que você não para de estudar em momento nenhum e que não tem problema se você for fazer alguma coisa e isso não for dar certo. O problema é você perceber que não está dando certo e você continuar insistindo naquilo. Então, quando você consegue aceitar esse tipo de coisa, e que vai ter coisa que vai dar ok, tem coisa que vai ser super, tem coisa que vai ser uma tristeza, depois tem que arrumar, aí flui. E os problemas vão mudando de categoria só, que nem um furacão, vai mudando.
É muito legal, muito motivador conversar com você. E você tocou num ponto muito importante, que é essa questão de como que eu lido com os desafios. De entender que tudo bem, eu tenho iniciativa, eu estou fazendo, nem sempre dá certo. Agora, a grande questão é como que eu lido com esse não deu certo, como que eu aprendo. Eu tenho algumas perguntas aqui para te fazer, mas eu queria, nesse processo todo dos seus mais de 25 anos ou 30 anos aí de carreira, quais foram os seus maiores desafios? Depois eu tenho uma pergunta bem específica pra você.
Tá. Depende um pouco da fase, né? Então, conforme você vai passando pelas fases, aquilo que foi...
O que que é importante? A gente tá vivendo hoje num mundo onde quem tá perto Tá longe e quem tá longe tá perto em função dos celulares. Aí eu quero, até trazendo sua experiência bem-sucedida na área que você atua, você falou de um ponto importante que você chegou onde chegou graças às pessoas que te ajudaram.
Apoio, né?
O apoio que você teve. E nesse mesmo sentido, tem gente muito boa, jovens aí que estão começando a carreira, que tem muito potencial, só que eu bato muito na tecla Tem muitos líderes inseguros que acabam barrando essas pessoas. Felizmente não foi o seu caso. Mas agora queria que você falasse um pouco, desde o início, pelo menos trazer uns três casos de fases até hoje.
De desafios. Então eu vou trazer alguns e aí não necessariamente isso vai ser na ordem cronológica, tudo bem? Eu acho que de todos os desafios que eu já tive na minha carreira, o mais complicado foi manter a empresa no trilho durante o período da pandemia. A gente se lembra hoje com alívio porque já acabou, mas, de repente, você precisa tirar todo mundo do escritório e mandar pra casa e providenciar a cadeira e tela e um monte de coisa. e todo mundo naquela fase com medo de morrer, sem saber o que vai fazer, e ninguém tinha a menor ideia de nada. Então, eu acho que de todas as fases, graças a Deus, a gente naquela época estava bem estruturado, estava com... folga de caixa, vamos dizer assim, a gente não tinha problema financeiro nenhum, graças a Deus, mas você, de repente, tem 180 pessoas e suas famílias que dependem das decisões que você está tomando no momento de crise, que você não tem benchmark nenhum. E aí, como é que a gente fez para passar por isso tudo? coloca a empresa do seu lado. Eu me lembro que, no começo, as pessoas muito preocupadas, sem saber o que fazer, os clientes no mesmo jeito, os nossos fornecedores do mesmo jeito. Parecia como se, durante um período, a terra tivesse parado de girar. Ninguém sabia muito bem o que fazer com aquilo. Então, já que a gente está assim, nossos clientes não estão respondendo, eles não vão saber o que vão fazer, vamos arrumar o que fazer dentro de casa. E a gente teve um salto de inovação gigantesco nesse período, porque precisou aprender a trabalhar de uma forma geograficamente dispersa para valer. precisou implementar uma cultura digital que não tinha outra opção. Então, pelo lado bom da época ruim, mesmo quem não queria trabalhar remoto ou não queria usar ferramenta digital, a pessoa não tinha mais escolha. Ou fazia ou fazia. E nessa época nós montamos comitê, comitê de processo, de revisão de processo, de força de trabalho, de atendimento a cliente, de montar squads de pessoas que começaram a ligar para os clientes para entender como é que as coisas estavam acontecendo lá. E quais são as dúvidas, e deixa eu te contar o que eu estou fazendo aqui, eu estou com um problema assim, como é que você está fazendo aí. E aí a gente começou a se unir. Eu tinha call com a empresa inteira todos os dias, e conforme o problema foi diminuindo, a gente mudou pra duas vezes por semana. A gente ainda mantém esse call uma vez por semana, porque agora eu tô em quase todos os estados do país, nas mais diversas funções.
E liderando quantas pessoas?
Hoje somos 220, no total.
Diretos?
Não, no total.
Ah, sim, sim, sim.
No total da empresa.
Não, imagino. Então, bem desafiador. E eu queria só complementar esse momento. O que facilitou passar essa fase desafiadora? Porque no seu setor afetou demais o mercado imobiliário. Né? Então, assim, o que que passava na sua cabeça naquele momento? Porque, assim, a gente vive disso.
Uhum.
Né? E as empresas... Muitas coisas fechando, né? Como que... Assim...
Eu acho que qualquer empresário... Sério, né? Com caixa ou sem, ele passa duas coisas o tempo todo. Meio que em looping, né? Então, a primeira é como é que eu faço pra pagar todo mundo.
Porque ele tá o tempo todo com dívida, né?
Né? E a segunda é qual é o plano de continuidade de negócio? Se isso não estava previsto, o que você faz? Então, como é que você paga todo mundo? Como é que você mantém as pessoas próximas da empresa? E muita coisa que a gente percebia na época era... Talvez eu não acredite tanto naquilo que eu ouço, ou no telejornal, ou eu lia no Twitter, hoje eu leio no X, ou eu vejo no Instagram, mas aquilo que a empresa fala pra mim, eu acredito. Então, a gente precisava estar o tempo todo, gente, vamos devagar, isso vai passar. Enquanto isso está acontecendo, vamos aproveitar o nosso tempo, reveja o processo, arruma a casa, e vai fazendo aquelas coisas que, sabe aquela coisa que nunca dá tempo de você fazer? Tá, agora é a hora, vamos fazer estudo aqui.
Vamos aproveitar o momento.
Exatamente, exatamente. E a preocupação, ela era constante. E a gente tem uma linha lá na empresa que é de imóveis industriais. E a parte boa da pandemia foi que ela fez todo o e-commerce dar um grande salto de desenvolvimento. e o e-commerce precisa de galpão, que é o que a gente vende, é o que a gente aluga. Então, eu não posso me queixar dos resultados que a gente teve durante a pandemia. Uma área ou outra, escritório sofreu um pouco mais, teve área que o pessoal não conseguia ir para o campo fazer a avaliação ou fazer a gestão de uma obra. Nossa equipe de administração predial ficou nos empreendimentos o tempo todo, com muito mais cuidado. Então, você não podia perder de vista que aquelas pessoas que confiam em vocês, elas querem ter a garantia de que elas vão ter um ambiente seguro para trabalhar.
E você tem que estar ali presente o tempo todo.
Precisa.
Isso é importante. Agora, como que é liderar um time de mais de 220 pessoas?
Como é que é? Ah, é como qualquer problema que a gente tem na engenharia, né? Você pega um problema desse tamanho e você divide em outros problemas. Então, a primeira coisa que a gente tem que fazer é, e parece clichê, parece que é conversinha de boteco, mas não é. Primeiro você tem que ser exemplo. Não existe nada que eu peça para a minha equipe fazer, que eu não saiba como faz ou eu já não tenha acompanhado como fez, embora eu não seja a especialista no assunto. Mas eu me preocupo, eu visito o empreendimento para ver como essa equipe trabalha, para saber os limites, as necessidades, como é que as pessoas fazem as coisas. Pois não fica fácil, né? Você fica sentado lá no seu escritório, mandando a pessoa fazer as coisas, e você não tem noção de se aquilo é factível.
É o famoso liderar pelo exemplo.
É, mas não é só o exemplo, é vontade genuína de entender o que aquelas pessoas passam. Por mais que você não vá fazer aquela mesma atividade, mas você precisa entender o que é aquilo, porque senão você não entende o que a pessoa está tentando te falar. E a segunda coisa que você faz, você coloca pessoas do teu lado, Eu acho que a única vantagem que a gente tem em ser, vamos dizer assim, você poder liderar uma equipe, é que você pode escolher quem trabalha com você. Então, escolha pessoas que vão fazer bem para o negócio e que vão complementar você de alguma forma.
Paula, e quando você fala de fazer bem para o negócio, aí tem a questão cultural.
Tem.
E qual que é a estratégia para criar, ou seja, para implementar uma boa cultura organizacional de uma forma que essa cultura seja aderida por todos?
A gente nunca sabe se ela está sendo aderida por todos. Porque a empresa é como... Sabe população flutuante no metrô? Tem gente que entrou no inicial e vai sair no final. Mas tem gente que entrou depois e sai no fim. Tem gente que entrou antes e sai no meio. Na verdade, você nunca sabe as coisas que você... Todo mundo sabe aquilo que você já falou. Então, você precisa ter um plano de comunicação que seja consistente e, em hipótese alguma, você pode falar, não, eu não vou explicar isso, porque isso as pessoas já sabem. A gente volta para o básico o tempo todo. E o básico para a gente lá na cole são coisas simples. Então, a primeira coisa que, para você conseguir trabalhar lá com a gente, você precisa entender, aceitar e ser do mesmo jeito, é que as pessoas precisam ser respeitadas pelo que elas são. Essa é a primeira regra de ouro lá dentro. A segunda coisa é Antes de você fazer qualquer coisa, entende por que está fazendo. Porque a grande maioria das falhas que a gente já teve em projeto, em qualquer coisa, foi... Eu começo esse projeto com o objetivo de ter uma ferramenta que tire tarefas repetitivas, para dar um exemplo qualquer. De repente, os times vão se envolvendo Isso é tão legal, e dá pra fazer mais isso, e dá pra fazer mais aquilo, e dá pra fazer não sei o quê, que a hora que você vê, esse projeto faz tudo, mas não tira a tarefa repetitiva do negócio. Então, tem que pensar, o tempo todo, por que você tá fazendo aquilo? Se você não sabe explicar por que você tá fazendo aquilo, pode parar, porque provavelmente vai ter erro. E eu acho que a última coisa, que são as três coisas de base, o cliente é importante para a empresa, mas eu não posso pedir para um colaborador Colocar o cliente no centro da discussão. Tratar o cliente com respeito. E fazer tudo aquilo que o Mundo de Engenhos trata, se eu, empresa, não trato o meu colaborador desta forma.
Sabe que eu estou me conectando muito com você? Eu terminei de ler um livro ontem, não sei se você já leu, que é o Metanoia. Eu acho sensacional, porque fala justamente disso. Então, o que que é ser uma empresa única? Porque ser único, na verdade, começa dentro. Como que eu envolvo as pessoas? E fala muito dessa questão do porquê. Peraí, eu vou começar uma tarefa. Por que que eu estou fazendo isso? Será que eu tô me preocupando com o meu cliente? Quando eu falo meu cliente, pode ser o seu superior, a pessoa que tá acima de você, o seu colega. Então, quando eu pego esse processo de envolvimento e coloco nesse porquê, ou seja, quem são as pessoas que tão participando comigo? Quando eu falto? Amanhã, será que, ó, tudo bem eu trazer um atestado? Será que eu tô pensando no meu colega? Que falta eu faço naquele time?
E tem uma coisa que eu percebo, que hoje as pessoas têm menos preocupação, que é, ok, no que as outras pessoas dependem de mim? Longe de fazer apologia, de não pode tirar testado. Não, não.
Eu estou falando disso. Na verdade, eu dei o exemplo até assim. A internet também tem isso, né? Pode ser cancelado aqui, mas no meu caso...
Eu tinha te entendido, mas o meu ponto é o seguinte. Às vezes, a pessoa continua trabalhando. Mas eu me comprometi com você e a minha parte, pra você poder fazer a sua, é te entregar isto. Só que as demandas chegam, assim, de tudo quanto é lado o tempo todo. É flechada de tudo quanto é lado, né?
Toda hora.
O tempo todo. E se você não estiver atento, você prioriza alguma coisa, às vezes com razão, porque ela é crítica, ou é uma crise, ou ela é urgente, ou alguma coisa acontece, e você esquece que se ela não terminar, o Paulo não faz a parte dele. E o impacto que eu posso fazer na tua carreira porque eu não fiz a minha parte, ele pode ser fatal. Mas as pessoas não pensam nisso.
Você acabou de me lembrar que eu estou devendo uma atividade aqui para a Gabriela.
De nada.
É bem interessante. Eu recebi lá no Slack que eu tenho uma... Estou em dívida com você, tá? Terminando aqui, já vou fazer para você dar continuidade.
Não vamos deixar o Matheus cortar essa parte.
É bem interessante, você trouxe... Eu até queria chamar a atenção de quem está ouvindo e assistindo nas nossas plataformas. Manda esse conteúdo para o seu gestor, para o seu colega de trabalho, porque eu nunca tive um pensamento desse assim, de forma tão clara. Porque como que a gente... Até que ponto eu estou comprometido com o meu colega? Até fora do ambiente de trabalho.
Exato. E como é que você resolve esse tipo de situação? Porque o imprevisto, ele acontece, a demanda urgente, ela vem, mas você precisa negociar com a pessoa. E você precisa também entender que essa pessoa provavelmente vai ter que negociar com alguém. E não importa em que posição da hierarquia você está. Então, no meu caso lá, é muito frequente, o pessoal me manda as coisas e, assim, olha, me responde até o dia tal. Aí quem não está muito acostumado com esse tipo de cultura vai dizer, mas como assim? Você está falando para a presidenta da empresa até que dia ela tem que fazer. Exatamente. Tem que me dizer até que dia eu não causo nenhum impacto negativo no resto das coisas que você tem que fazer. Porque se você for parar pra pensar, todos eles, e se tem uma coisa que é comum lá na empresa, é que todo mundo quer que as coisas dêem certo. Então, se eu quero que dê certo, você quer que dê certo, você precisa de mim até o diatal, e eu... Porque se? Às vezes esquece, tá? Então, lembra, fala assim, ó... Vamos lá, que se você não fizer isso, vai acontecer tal coisa, tal coisa, tal coisa, tal coisa.
Isso é importante.
Não deixa nem mentir, tá vendo?
Você esqueceu de alguma coisa, mas a pessoa te lembrou de novo?
Ah, lembram.
Isso é bom, isso é ótimo.
Lembram, lembram.
Olha que dica legal, a gente tem aqui a dica com o Streecast. Então você pediu alguma coisa, não importa. a hierarquia da pessoa, ou seja, o nível de hierarquia que tem na sua empresa, seja presidente, diretor, seja lá quem for. Você pediu, a pessoa demorou pra responder dentro daquele prazo que você estabeleceu? Lembra. Porque a responsabilidade é sua.
E conversa. Não é lembrar.
Sim, tentar entender ali.
Tipo, eu te mandei um e-mail... Não, eu falo assim, ó, lembra aquele assunto? A gente tem que resolver até semana que vem. Tá tudo certo? Tá tudo certo. E tem uma outra coisa que aí não tem como falar de liderança e não tratar gestão de conflito. Porque ele acontece muitas vezes ao longo do dia em qualquer lugar. Então, como é que você faz? E isso é uma coisa que a gente já aprendeu lá faz tempo e faz com alguma frequência, né? Então, eu tô combinada com você, mas não fiz minha parte. Se eu não faço a minha parte, você não consegue fazer a sua. Sim. Como é que você faz pra você resolver esse problema sem dar uma bolada nas minhas costas?
Bem interessante.
Aí, como é que a gente costuma fazer? Você vai fazer o seguinte pra ele. Você fala, Paula, o negócio é o seguinte. Como você não está conseguindo me entregar, isso está impactando tal projeto. E eu preciso reportar para a Luciana. Como você prefere que eu faça? Você vai junto comigo. Eu mando por e-mail e te copio. Ou você quer contar pra ela primeiro? 80% dos casos o negócio resolve, tá? Antes de falarem. Mas naquilo que não dá pra resolver, não vamos juntos. Ou, deixa que eu falo primeiro. Porque aí não fica aquela situação, ah, você viu lá o Paulo, viu aqui, reclamou de você, né? Porque aí muda o foco de discussão e você não resolve nada.
Não, e você traz um ponto muito importante que é as fofocas. Eu falo fofoca no sentido porque, assim, todas...
Elas são importantíssimas.
Entende? Então, quando você leva as duas pessoas pro centro da discussão, você acaba...
Não é fofoca, não é intriga, não é puxa-tapete. São duas pessoas que precisam resolver um problema.
Bem interessante.
Acontece o tempo todo ou não? Tem gente que tá mais tempo, que faz isso com mais naturalidade, e tem gente que tá menos tempo, que ainda não faz ou faz com muito menos naturalidade, né? Mas o importante é... Não tá dando certo esse, mas eu vou continuar tendo que trabalhar com você.
Não, é sensacional. Tô tendo uma aula aqui com você.
Como é que você faz isso? Então, daí, no próximo, tipo, vai instaurando o ranço, né? Tipo, implanta. O ranço, ele é o câncer da organização.
Não, eu imagino.
Não tem coisa pior. Pior que a fofoca.
Sim, e você trazer essa transparência na comunicação, essa abertura para todas as áreas da empresa, isso facilita demais e você traz as pessoas para o centro de tudo.
É, e aí você não deixa mudar o foco da discussão. Qual é o foco da discussão? Este projeto que ela precisava não vai ficar pronto. Como é que nós vamos resolver?
Vamos resolver. Esquece os problemas e vamos pensar na solução.
Exato.
Paula, eu tenho uma pergunta aqui, que fala dessas questões de inovação e flexibilidade. Como inovar e ter flexibilidade? nos tempos de hoje, que a gente vive em tanta dispersão, principalmente falando das redes, dos celulares.
Eu acho que a primeira coisa é... Vamos dividir a conversa aqui em dois e depois a gente junta. O que é inovar? Porque dependendo da situação do teu negócio, ela pode ser... Eu não gasto nada e faço as coisas diferente, porque eu consegui montar um fluxo de valor agregado ou eu consegui mudar a mentalidade de quem faz as coisas. Ou eu preciso ter um produto novo, eu preciso mudar o meu modelo de negócio. Então, se o teu problema for, olha, eu preciso, eu sou uma empresa de pesquisa e desenvolvimento, eu tenho que inovar, aí você tá mais encrencado, quando você tá disperso. Daí eu não sei te dizer o que tem que fazer, porque nunca passei por isso. Mas, se você é uma empresa que presta serviço, tem muita coisa que é, como eu vou atender esse cliente melhor, Como é que eu modernizo a experiência dele com a empresa? E aí o celular que você falava, ele é disperso? Ele pode ajudar ou ele pode atrapalhar? E por quê? Porque cada um usa este equipamento de um jeito diferente, embora pareça que está todo mundo com o rosto iluminado de baixo para cima o dia inteiro. Igual, né? Então, como é que você faz para gerenciar a equipe dispersa? Primeira coisa, você tem que começar a entender que pode ser que o seu time esteja no escritório com você, o dia inteiro, os cinco dias da semana útil. E ainda assim ele está disperso. porque um tá pensando em como resolver um problema matemático, o outro tá pensando como é que ele vai fazer pra levar um cliente pra aquele escritório, o outro tá preocupado com a obra que tá fazendo de gestão, o outro tá preocupado com outra coisa. Tá todo mundo sentado junto, mas ninguém tá conversando.
Mas a mente tá longe.
E cada um tá longe, né? E aí, o único lugar que todo mundo se encontra na empresa é o ciberespaço. Parece, mas é verdade. Se tem um único lugar que todas as minhas pessoas se encontram, são nas ferramentas digitais. E isso não tem volta. Então, como é que você tem que fazer para fazer a gestão desse pessoal que está disperso? Você tem que ser digital, mesmo que você vá para o escritório. Então, uma coisa é você fazer uma gestão com mentalidade digital. A outra coisa é você estar trabalhando num regime presencial, ou remoto, ou híbrido, que é toda a discussão que a gente tem no mercado imobiliário e que a gente sabe que é importante porque muda o mercado escritório, o mercado de logística, o mercado de varejo, de construção, e vem todo mundo a reboque dessa conversa. Então, Como é que você inova estando todo mundo desperto? Você tem que puxar todo mundo para o mesmo lugar. Você tem que trazer um projeto que todo mundo... que seja uma ideia que todo mundo compre.
Isso requer uma atenção muito grande aos detalhes, a questão de comportamento da equipe.
Sim.
Isso, assim, por parte das lideranças.
Não tenha por parte das lideranças, por parte da área de gente ou de recursos humanos, aí depende o nome que cada empresa dá, e da alta liderança. Porque não existe história de lado único. E eu não tô dizendo que os gestores, eles mudam a conversa pra poder manipular. Às vezes, a pessoa simplesmente não entendeu o que tá acontecendo. Né? Pode contar caso?
Claro, óbvio. Mas, inclusive, eu tinha um monte de coisa aqui pra perguntar pra você.
Você já esqueceu.
Não, não, eu não esqueci. Na verdade, tá tudo aqui. Só que, assim, o papo sobre liderança tá tão bom que a gente vai ter que marcar outro episódio depois com você.
Tá bom. A gente vem.
Pode continuar.
Então, e a forma como você entende as coisas e o quanto a tua realidade é diferente da realidade dos outros. A gente está no mercado do Rio de Janeiro há 23 anos. Então, durante muito tempo, a gente ficou com um escritório no cem da cidade, no centro, no Almirante Barroso, e aí foi feito um empreendimento na região do Porto. A gente estava responsável pelo listing dele, por fazer a comercialização, e nós mudamos o nosso escritório para este prédio, que a gente estava mostrando para os nossos clientes, explicando para eles como é que aluga, que vale a pena e tudo mais. Ficamos lá acho que de 2018 até este ano. Com a volta depois da pandemia e uma quantidade muito maior de empreendimento e uma mudança que teve de trânsito, o pessoal de lá me falava assim, está complicado vir para o escritório. Na minha cabeça, Empatou, porque aqui também tá.
Mas tá complicado por quê?
Não, tá complicado, a gente leva muito tempo. Beleza. Mas por quê? E aí a pessoa me contava esses pedaços e os gestores me falavam, olha, precisa repensar o escritório do Rio, tá complicado, não sei o quê, o pessoal quer ir pra não sei aonde. Falei, pra não sei aonde não vai dar. Que é muito longe dos clientes. até o dia que eu fui trabalhar no escritório. E tinha que ir trabalhar o dia inteiro lá e depois ir para um jantar. Então, eu estava me deslocando do porto até o Jardim Botânico. Consulta lá o aplicativo, o mapa de tudo, quantas marcas você pode imaginar, e falam, vai levar uma hora. Falei, Beleza, eu tenho que estar lá às sete e eu vou sair daqui às seis. E, de repente, teve um acidente na linha vermelha. E eu levei quarenta minutos pra conseguir sair do prédio, andar dois quarteirões e conseguir pegar um táxi. E a hora que eu fiz esse caminho que eu falei game over, não vou mais ficar na frente desse prédio, botei minha mochila e comecei a andar naquele porto à noite, eu vi a menina que trabalha na área de avaliações que tinha saído mais de meia hora antes do que eu, ainda tentando tirar o carro da garagem do prédio. Aquela noite, eu tava com a... A gente tem uma equipe que cuida de escritórios lá. Eu falei, Áurea, é hoje que você vai me arrumar outro escritório. Porque não dá. Não dá pra... Uma hora e meia... Menina, não consegui tirar o carro da garagem. Em 40 minutos, você não consegue pegar um táxi.
Sim.
Aí, eu entendi a complex... O que que é não tá complicado? Que na minha concepção, pra mim, escalar já tava impossível. Mas eles que estão acostumados a viver com aquilo todo dia, para eles estava complicado. Então, às vezes, não adianta, Paulo, se você não vai e você não sente, você não vê, você não entende o que as pessoas estão passando.
Esse é um ponto importante. Eu gosto muito de andar de bicicleta, a pé, enfim. E nesse processo de andar, eu presto muita atenção nas coisas por onde eu ando, sobretudo no comportamento das pessoas. Nesse processo de pensamento, eu fico pensando, por exemplo, quando você vai governar uma empresa, não é diferente de você governar uma cidade, um estado ou um país. E você trouxe um ponto importante, é como que eu vou governar, como que eu vou liderar alguma coisa que eu não vivo. Como que eu vou tomar partido de algo que eu não vivo?
Como é que você vai tomar uma decisão do pedido de um gestor que trabalha pra você, e se você não entende o que ele tá falando?
Sim.
Porque você nunca passou por aquilo?
Paola, nesse sentido, você já deu a dica, a dica já está clara, mas como você é adepta à comunicação clara e direta, que dica você daria? A gente tem aqui a dica com certeza, que acho que você já deu algumas, né? Mas que dica você daria pra gente resolver esses problemas que a gente tem de comunicação?
Não tenha ranço. Isso não pode ter de jeito nenhum. Eu sei que às vezes é difícil, tá? A gente sabe. Porque quando começa o conflito gerado pela comunicação, as pessoas levam à discussão, como tem um amigo que fala, não leva para o fígado. Então, não é pessoal, mas vira pessoal. Aí depende muito do perfil de cada pessoa. O que é mais importante para você? É tomar a decisão? É manter os seus relacionamentos? É ter certeza que a decisão está sendo tomada direito? É aplacar as necessidades de todo mundo? O que é mais importante para você? E aí começam a acontecer os embates. Isto precisa ser resolvido antes que vire ranço, porque, na hora que virar ranço, você prejudica o resultado da empresa. A minha estação de trabalho dentro do escritório da Colliers era lá no final do salão. Tinha dia que eu só precisava ir ao banheiro, mas eu levava 40 minutos.
Quarenta minutos.
Quarenta minutos. Por quê? Porque passa um para, o outro para, o outro para, o outro pede, o outro pergunta. Porque você tá passando pelo salão. Então as pessoas interpretam que você tá disponível pra conversar. Não, vem aqui, deixa eu te perguntar um negócio.
Tá livre, tem um minuto.
E eu falava assim, eu preciso ir no banheiro. Falei, segura a onda aí que eu já volto. Né? Às vezes, simplesmente não dá pra pessoa responder. As pessoas, às vezes, não percebem que não é naquela hora, sabe? Que tem que pegar. Então, por exemplo, e cada função tem um período crítico do mês, né? Não é porque é homem nem porque é mulher, mas porque experimenta falar com a contabilidade na primeira semana do mês. É um parto aquilo. Eles não conseguem pensar em outra coisa. Eles têm que fazer o fechamento, eles têm a pressão. Então, esta semana não é a semana pra você procurar a área e pedir pra elas revisarem as políticas da empresa. Eles vão olhar pra mim e vão falar, aham, vai rolar, sim. Pode deixar.
Eu estou aqui, mas não estou.
Pode deixar, eu não tô nem discutindo. Então, você também tem que saber que hora que você pede as coisas ou que hora que você fala as coisas com a pessoa. Mas eu particularmente não gosto quando a conversa começa assim. Aí eu sei que você está muito ocupada, mas não sei o que é, não sei o que é, faz a pergunta. Mas por que que sabe? Não é muito mais simples falar. Preciso falar com você sobre o plano de comunicação da empresa. Preciso falar com você sobre o processo de fechamento. Preciso falar com você sobre a proposta que tem que mandar pra vender o imóvel. Muito mais fácil.
Muito mais objetivo. E nesse mesmo sentido, sabe aquelas mensagens de WhatsApp?
Sei.
Que você recebe bom dia, mas não fala o que é.
Sei. Gente, olha... Tem de um tudo.
Tem de um tudo. E como que a gente lida com isso?
Com paciência.
E esse ponto que você trouxe agora, de você sair pra ir ao banheiro, de você passar e as pessoas te chamarem... Eu participo de um grupo com alguns empresários e muitos falam... A mesma coisa. Então, olha que conexão. E como que você lida com isso, assim?
Com qual parte?
Com essa parte de, ah, eu preciso ir ao banheiro.
Às vezes tem jeito que eu tenho que falar, amigo, não dá. Espera.
Mas você presta atenção, porque muitos deles, eles falam o seguinte, ó. Eu falo com as pessoas, mas eu não lembro o que eu falei. Às vezes eu dei uma resposta, mas eu nem sei o que eu falei.
Não, eu presto. Eu não tenho problema de memória, não.
Não, percebe-se.
Sabe? Isso não é um problema. Eu me lembro... E tem coisa, tanto no comportamento humano, que é igual ao phishing. Sabe phishing? Você recebe que está tentando te dar o golpe?
Sim.
É a mesma coisa. Então, às vezes, a pessoa sabe que você está com pressa, porque sabe que você tem um problema biológico para resolver. E te pega naquele momento porque você vai resolver rápido.
Mas isso não tá ligado a essa partida? Tudo bem, eu presto atenção, eu tô ligada no movimento, mas isso não tá muito atrelado à sua experiência profissional?
Ah, não tenha dúvida, e com a equipe que eu tenho também. Porque a gente sabe, né? No final, o gestor, ele sempre sabe. E aí quem tá ouvindo deve pensar na sua equipe, ou no teu grupo da igreja, ou no teu grupo do condomínio, se você trabalha num condomínio. Todo jeito é igual, né? Tudo é gente do mesmo jeito. Ah, você sabe quem deixa as coisas para a última hora. Você sabe quem é o que faz rápido demais e não presta atenção no detalhe. Você sabe quem tem que ter muito mais segurança no que tem que fazer. Então, às vezes, até o tempo que você dá para a pessoa fazer as coisas tem que ser diferente. Então, se você já sabe que a tua equipe tem um perfil de fazer as coisas na última hora, dá pouco prazo.
E aí é bem interessante.
Se você sabe que precisa muito tempo pra ter segurança, pede antes. Também não vai pedir na véspera, porque não vai sair, né?
Sim. Então é como que você lida, né? Como que você trabalha o comportamento ali, como que você conhece a sua equipe pra você tratar de acordo com o comportamento que elas estão ali te mostrando no dia a dia.
Quem tá no mercado há mais tempo deve lembrar de uma fase que a gente falava, não. Eu sou o chefe, eu falo e todo mundo me obedece. E a forma de comunicação é assim, as pessoas que me entendam. Acabou isso. Mas já acabou faz tempo.
Paula, mas nesse sentido, não requer também um pouco de esforço do outro lado, da pessoa que tá ouvindo? Porque eu tenho uma colega de trabalho que, assim, eu sou o tipo de gestor que eu não gosto de dar as coisas muito clara. Porque eu falo, se eu te der muito claro, eu, de certa forma, não tô contribuindo com o seu desenvolvimento. Eu sempre trago a pessoa pra, de alguma forma, contribuir. De repente, eu tenho essa ideia, tá estruturada dessa forma. Mas fique à vontade, se você quiser contribuir com alguma coisa nesse processo, de repente você tem um olhar que eu não tive durante esse processo de execução. E às vezes eu me julgo, será que o meu comportamento está certo, no sentido de querer que a pessoa traga algum pensamento, algum olhar diferente para aquele processo?
Pode ser que sim, pode ser que não. Eu prefiro fazer da seguinte forma, olha, a gente precisa fazer... Por exemplo, vamos num exemplo simples. Eu gosto muito de falar assim, qual é a problemática? nós vamos fazer um evento com clientes e queremos ter o material que eles possam se lembrar deste evento, por exemplo. Eu não entro no mérito da tarefa. Eu não falo o projeto vai ser assim, vai ser assado e a gente vai fazer uma caneca.
Entendi.
Eu falo assim, o nosso objetivo é ter alguma coisa em que as pessoas possam se lembrar desse período que a gente passou. E aí a equipe, cada um dentro da sua especialidade, vai vir alguma coisa que é de brinde, que é material, mas pode vir um relatório de mercado. Mas pode vir um e-book e aí o outro que tem um viés muito mais, não sei o quê. Então, vamos transformar numa experiência e aí é natural que as pessoas vão contribuir.
Entendi.
Mas esse é o jeito que é o meu jeito.
Não, mas faz todo sentido, porque você traz uma outra, você traz uma forma muito mais... Ou seja, o propósito, você traz o propósito, é esse. Então, de repente, o que marca? O que marcaria aquele evento para essa pessoa do time? De repente, ela consegue se imaginar. Poxa vida, acho que se eu fosse, de repente, uma caneca iria me marcar ou não. Talvez um, sei lá, uma mochila ou alguma coisa, uma caneta.
Não, e aí depende muito do que você está fazendo. Até mesmo, você tem que juntar dois times pra fazer uma proposta de serviço. Eu não falo, eu quero uma proposta que diga isso no capítulo 1, aquilo... Não tem paciência pra isso, não.
Entendi.
O meu negócio é, olha, o problema do cliente é... Então, qual é a problemática? O problema do cliente é... Como é que a gente soluciona isto? Aí vem a solução. Mas pra fazer isso, não foi do dia pra noite, tá? Pra fazer isso, eu precisei abrir mão de uma coisa que chama direito de autoria. Eu, pra mim, hoje, eu não preciso mais dizer que fui eu que fiz alguma coisa. E eu, graças a Deus, passei da fase de que se eu não estiver envolvida, não tá bom. Que é o lugar onde tem um monte de gestor.
Paulo, e aí você traz um ponto importante que é a vaidade.
Ah, sim. Todo mundo tem.
Todo mundo tem, né? Mas em que momento da sua vida você, de certa forma, eliminou? Porque você fala assim, peraí, o meu foco, assim, eu tô focada no resultado final. Eu quero que dê certo, né?
Eu comecei a mudar esta mentalidade, eu fiz o MBA na Fundação do Cabral, executivo, e eu comecei a trabalhar dentro de uma mentalidade que chama agilismo. Para você conseguir fazer isso, você precisa abrir mão de alguns conceitos. Então, não é sobre fazer as coisas mais rápido, mas é sobre fazer as coisas de uma forma que elas dêem certo. E por que eu entrei nisso? Porque, de repente, eu assumi as operações todas da empresa e eu falava assim, tá bom, por onde que a gente começa? E, no dia que eu sair daqui, como é que eu quero ser lembrada? Eu espero que eu seja lembrada como a pessoa que modernizou uma série de coisas na empresa. Espero.
Eu não tenho dúvida. Durante o nosso bate-papo, eu percebo que você trabalha um ponto muito importante dentro da empresa, que é a questão confiança. Porque eu não consigo ter nada ágil se eu não tiver confiança no time e, sobretudo, se eu não despertar confiança nos meus clientes. Como que você trabalha a questão confiança no seu modelo de gestão?
É todo dia, né? Então, existem coisas... E quem estuda muito cultura organizacional ou qualquer outro tipo de cultura, a gente sabe que as pessoas prestam atenção nos símbolos, nos rituais que você tem dentro da empresa. Tem alguns, tem bastante TED Talk que fala sobre isso. Eu estou me lembrando de um agora que você falou, que é uma série de TED Talks curtos, e a pessoa explica o seguinte, olha, esta é uma empresa que as pessoas trabalham baseadas na confiança, mas o processo de aprovação de comprar um computador tem 15 aprovadores. Então, não trabalha, né?
Não trabalha.
Então, não trabalha. Quando eu assumi como senhor, a gente começou um trabalho que ainda não terminou, que é de melhorar a experiência do colaborador com a empresa. Quando a pessoa percebe que ela pode trabalhar lá e ela não precisa se preocupar se o salário vai cair na conta dela ou não, Porque não estou chamando as pessoas de mercenários, mas as pessoas têm boletos.
Sim.
E, normalmente, eles vencem no dia que você recebe. Eles não vencem no dia seguinte. Não é isso? Então, se você vai receber no dia... Escolhe qualquer um. 20. Não é para o dinheiro estar na conta dia 20 às 23h59. É para a pessoa acordar e o dinheiro estar na conta. Então, quando isto vira um hábito, a pessoa não precisa se preocupar mais se vai receber o salário ou não vai receber o salário. Na coles, tudo é preparado. No dia anterior, está tudo programado. Sete horas da manhã, a águia pousa, como eles falam lá. Então, as pessoas vão ganhando confiança nas coisas que você faz na empresa. E aí, precisa tomar um cuidado gigantesco com a coerência. Então, não adianta eu falar, mas a hora que você vai aprovar o computador, passa por finanças, passa pelo TI. Então, não funciona. Então, vamos rever o processo.
Esse tema, assim, eu tô muito envolvido com ele. E só uma coisa que eu queria pedir sua autorização. Eu queria... Tudo bem, a gente tá falando aqui. Você é uma gestora de uma empresa super renomada, reconhecida no mercado imobiliário. Mas esse tema não é só pro mercado imobiliário. É pra qualquer gestora, é pra qualquer coisa. É pra qualquer pessoa, pra... Você começa a criar essa cultura dentro da sua casa. Porque o que você trouxe aqui, com a clareza que você trouxe, assim, é muito gratificante. E a gente vai, eu vou trazer um outro amigo aqui, o Mário Fonseca, ele tem cases incríveis, é um profissional, assim, super gabaritado, pra dar continuidade nesse tema e, se possível, gostaria muito de... nenhum desses bate-papos que eu vou ter, A gente vai tá ampliando agora o nosso podcast, vai ter plateia. E esse modelo com plateia, a gente tá trazendo a parceria com a Fatec São Paulo, junto com Josué. Eu quero fazer algo grandioso. Quando eu falo grandioso, é ter pessoas do seu nível, do Mário Fonseca, que... Assim, você dá uma aula de comportamento, e eu tenho certeza que... O fato de eu estar aqui, na sua frente, você, com esse brilho no olho, em falar da sua empresa, em falar do seu time, você me passa uma verdade absurda.
Não, e trouxe o time.
E trouxe o time.
Que não tá lá fazendo careta, dizendo que um... acho que não, hein.
Inclusive, você é indicada pelo Rodrigo Leite. Que é um cara que eu admiro demais. Que já participou aqui do ConstrayCast. E é uma pessoa muito envolvida. Então, acho que as pessoas se conectam. A gente cria ali uma certa conexão. E essa conexão que você criou com o Rodrigo, né… E ele, pô, indicou.
A Paula pra fazer… E ninguém me contou. Bandido.
E durante esse, queria só aproveitar, a gente tem o quadro Convidado Convida, que você veio através do Rodrigo. Quem que é seu convidado ou sua convidada?
A minha convidada é a Clélia Schein. Ela tem uma história de vida incrível. Ela entrou na Collier's há alguns anos. Agora não me lembro. Quando faz mais de cinco anos, eu já não me lembro mais.
Você falou que sua memória era boa.
É, eu posso fazer a conta. Se você quiser, pode fazer a conta. Mas ela deve estar há uns dez anos lá. E ela entrou pra trabalhar na área industrial como corretora. E hoje ela é a representante da Collis para assuntos de diversidade, equidade e inclusão.
Isso aqui é legal.
E ela é extraordinária. Vocês vão gostar dela.
E é um tema que eu gosto muito de falar. Então, convida pra aquela câmera. Para você, olha para ela.
Eu convido a Clélia ali.
Isso, a Clélia está lá naquela câmera.
Clélia, eu espero que você aceite o convite, venha aqui conversar com o Paulo, com o pessoal, sobre diversidade, equidade e inclusão e o quanto isso é importante para as empresas.
Muito legal. Agora, eu tenho uma pergunta antes da gente encerrar esse episódio. Você está numa área que, assim, é uma área... Você está resolvendo o problema, não gosto da palavra problema, mas enfim, você está resolvendo o problema de várias empresas. Desde a questão do Casey que você citou aqui, quando... As pessoas estavam com problema pra chegar e sair da empresa, você viveu aquilo. E o legal é que outras empresas acabam vivendo isso e você, o seu papel vai resolver. Nesse sentido de mudança de escritório, a gente também tem a questão da reforma.
Tem.
Reforma assusta.
Normalmente. Ou cansa. Ou desiste.
Ou desiste. Mas eu queria chamar a atenção, eu sou do mercado de construção, eu atuo no mercado há muitos anos e eu gosto muito de mudança. E nesses processos de mudança tem escritórios de arquitetura corporativa que dão show de eficiência e principalmente em prazo. Eu tenho cases aqui, casos de escritórios que fazem reformas incríveis, que fazem transformações incríveis em 30 dias, 45 dias, enfim. Que conselho você daria para aquelas empresas que querem mudar seu escritório, mudar seu workplace e, sobretudo, pensar que a gente tá vivendo um momento agora onde a gente tem que criar espaços que os colaboradores queiram levantar da cama e se deslocar, ou seja, que... Mudou tudo.
É. A gente tem uma área de engenheiros e arquitetos, são pessoas incríveis. Eu juro por Deus que é tudo verdade, tá? Eu rezo pelo Gustavo. Gustavo é o líder da área de projetos estratégicos que faz gestão de projeto e obra, workplace advisor e que conta como é que tem... Eu rezo por ele todo dia, porque aquele homem é de uma paciência. que eu sou incapaz de ter. Ele... Casa de Ferreiro, espelho de ferro, né?
Sim.
É ele quem cuida das obras da Colliers, que cuida da... Imagina ele reformar um escritório pra uma empresa que é especializada em consultoria imobiliária. Que só tem crítico, né?
Imagina.
Né? E esta santa alma faz esse trabalho, né? Mas o pessoal consegue te ajudar... a entender, né? Então, tanto falando de escritório, a área dele, quanto a de escritórios. Ok. Para isto que você quer, qual é, de fato, a área que você precisa? Para você ocupar desta forma, qual é, de fato... Porque as pessoas normalmente fazem o caminho contrário. Eu tenho aqui 500 m² e eu quero... Aí vem uma lista. Aí piru no Pires, né? E aí é escritório de arquitetura que se vira. Só que aí você não casa isso com o que você realmente quer para a empresa. E a equipe ajuda a entender como é que você faz para conseguir colocar tudo o que você precisa ou tudo o que você quer, como é que isso vai harmonizar uma coisa com a outra. Porque não adianta eu querer o espaço de concentração e você querer uma área de descompressão com uma mesa de ping-pong e vai botar um do lado do outro, né?
Não faz sentido.
Menor. Então, essas coisas precisam se encaixar dentro do espaço. E dependendo da forma como isso é feito, você vai precisar de mais área ou você vai precisar de menos área.
E esse estudo, vocês dão todo o direcionamento antes? Por exemplo, imagina que eu tenho uma empresa, tenho lá mil funcionários e eu preciso mudar. É importante que eu chegue em vocês primeiro, antes de contratar o Escritório de Arquitetura.
É importante.
Para que vocês façam esse estudo e dê todo o direcionamento.
O Escritório de Arquitetura, ele vai... entender e te ajudar, e muitos com muita profundidade, de como é que esse projeto vai ser, aonde você põe o quê e tudo mais. Mas o nosso trabalho vem para dar base para a arquitetura fazer o projeto dela. Às vezes, ele vem junto com a equipe que está te ajudando a escolher o escritório, se você precisa de um espaço novo. Então, olha, pra você ter tudo isso aqui que você quer, esse escritório não funciona. Ele pode ter a mesma área, mas ele não vai ter a incidência de luz natural que você precisa. Ou muda a face, não olha pra esse lado, vai pro outro lado. Então, de fato, até o processo da gente mudar de escritório na Colliers, ele também tem muitos críticos.
Sim, sim.
Porque todo mundo entende, né, do assunto.
É muito bacana esse direcionamento, porque eu tenho, como eu te falei, como eu vivo muito dentro de várias empresas e eu percebo que tem líderes, gestores que tomam decisão de tomar, de mudar. o espaço, ou até mesmo de prédio, e no dia a dia eles falam, poxa vida, eu esqueci do essencial. Eu comecei a fazer a reforma, eu contratei o escritório de arquitetura, mas agora, no meio do processo, eu entendi que essa laje não era mais adequada para mim.
E aí a arquitetura está presa no espaço que você já alugou.
Sim.
E aí você fica com aquele gosto amargo porque as coisas não vão ser do jeito. Tem um outro equívoco que tem muita gente que faz, que é... Eu quero que as pessoas voltem pro escritório, né? Então eu preciso fazer coisas que agradem, que elas tenham vontade de ir pra lá. Até aí tá tudo certo. Só que se você for fazer tudo que todo mundo quer ao mesmo tempo, Vai ficar igual aquele filme lá do Jim Carrey, sabe, do Todo Poderoso, que apertou sim pra todo mundo, deu um monte de problema? Vai acontecer a mesma coisa. Então, como é que a gente te ajuda a priorizar? E por que a gente agrega valor nisso? Às vezes dando base para o arquiteto, às vezes trabalhando junto com ele, ou às vezes a gente vem até depois deles. Depende do caso. A gente entende do imobiliário, a gente entende de cultura organizacional, a gente entende de change management, a gente entende de uma série de coisas E o arquiteto pode entender disso tudo, às vezes, com menos profundidade. Ele entende muito mais da arquitetura, que provavelmente a gente entenda, mas o arquiteto vai entender com mais profundidade. E aí monta esse conjunto. para te atender. Isso pode acontecer, vem um, depois vem o outro, isso pode acontecer, vem os dois juntos, ou isso pode acontecer, eu entro para fazer tudo, entregar tudo pronto, chave na mão, e eu faço a cotação e indico para os clientes quais empresas que eles podem contratar. Depende do estágio em que a gente entra no negócio.
E ter esse gerenciamento de forma neutra é muito importante.
É importante. Sabe por quê? Porque se você... A gente sabe, da nossa experiência, que tem muita gente de facilities, que é o pessoal que cuida do dia-a-dia do escritório, ajuda a fazer... Faz este papel. Qual é um pouco o problema disso? Você já cuidar de facilities, já é um trabalho tempo integral. Então, não dá para, ao mesmo tempo que você está fazendo isso, às vezes não dá. Eu também tenho que cotar agências de viagem nova, cuidar da viagem do presidente e fazer não sei o quê. E tem mais um evento com cliente da área tal. E ganha mais um empreendimento lá no Nordeste, tem que cuidar da implantação do empreendimento. Então, esta equipe de gestão de projeto, ela reporta para a pessoa na empresa quem está cuidando disso. as decisões vão ser tomadas por ela, mas a gente vai falar, as tuas alternativas são.
E o legal é que você traz uma assertividade muito grande porque você vive isso no dia a dia.
Então, a chance de estourar o prazo é muito mais remota, é muito menor, e a chance de você estourar o orçamento, a não ser que você mude de ideia no meio do caminho, mas estourar um orçamento por causa de não cuidou da cadência daquele projeto, ela cai pra muito perto de zero, né?
Não, isso é muito interessante, porque, por exemplo, você tá muito ligada a quanto custa tal material, quanto custou o mês passado, quanto custa agora, porque, de repente, você não tá fazendo a gestão só daquela obra, você tá fazendo outra.
Exatamente.
Você tem um time pensando naquilo dia a dia.
E você tem experiências, né?
Sim.
Então, olha, o pessoal da empresa tal montou desta forma porque o problema de negócio dela era este.
Entendi.
Eu trabalhei com outras empresas que tinham o mesmo problema de negócio e montaram de uma forma diferente. E aí você tem, às vezes, são seus clientes, né? Eles vivem com você durante o período da obra toda. Às vezes você fala, olha, deixa eu tentar e você visita o escritório deles.
É muito bacana. Eu acho que foi uma dica muito importante e, de fato, reformar não assusta. Mudar não assusta, né? Mudança é bom.
Toda mudança é boa. Depende da gente.
É, depende da gente. Como que a gente lida com aquilo. Exato. Eu tenho uma última pergunta aqui antes da gente encerrar. Como você vê o futuro da gestão imobiliária, mas eu vou falar o futuro da gestão, tá? Com a integração de tecnologias emergentes e práticas na... Enfim, no dia a dia das empresas.
Eu acho que a gente tem um grande desafio, que ainda é um desafio de repertório. O que eu quero dizer com isso? Vamos supor que, pra mim, eu fiquei absolutamente encantada... A gente já passou por isso, tá? Por isso que eu vou contar. A gente ficou absolutamente encantado com o que o Power BI pode resolver pra você. E a gente tá falando de uma inovação faz muitos anos já, tá?
Sim.
Que ajudou a fazer relatório pra cliente e mais um monte de coisa. Mas, de repente, Power BI é o que tem no repertório das pessoas, é o que elas conhecem. Aí quer resolver tudo com isso. Até o que não devia. Tem coisa que não precisa. Às vezes, o Excel resolve. Ele continua existindo, tá? O e-mail, o telefone, essas coisas funcionam ainda. Né? E você quer resolver tudo desse jeito. Então... E aí, eu volto... Eu sei que tô parecendo meio insistente, mas é assim mesmo.
Não, mas você trouxe até um ponto também que eu ia tocar, que eu ia falar do Power BI, mas eu falei, como tá... Mas você tocou, não foi por acaso. Por favor.
Então... O que que as pessoas fazem? Elas têm um problema. imediatamente elas começam a pensar em como elas vão solucionar. Aí, o repertório que elas têm para solucionar é? Power BI, por exemplo. Então, ela vai para a equipe, ou ela faz uma cotação, ou ela ainda... Tem gente que ainda vai fazer um curso para aprender a fazer Power BI para resolver o problema.
Conheço casos.
E aí, de repente, ela não está mais resolvendo o problema. Ela está trabalhando em Power BI. Então, o que acontece aqui? Sabe quando você vira para cá e começa a andar para o outro lado? Acontece isso. Aí o projeto dá errado, porque aquilo não era a solução. Então, a gente tem um primeiro problema, que é de repertório. E depois, a gente tem um segundo problema, que é de falta de curiosidade. Porque se você for olhar todo mundo que se encanta com uma solução tecnológica, quantos por cento dessa população realmente se dedicou a entender o que era aquilo? Pra saber se pode usar. Ou, ah não, o Paulo me contou que tem um negócio super legal que tá fazendo Power BI, eu vou fazer também.
É modinho, eu quero.
Então, essa falta de curiosidade do que mais você pode fazer, o que mais existe. A gente tem sempre a discussão de como é que utiliza a inteligência artificial generativa. Ou como é que eu pego todo esse universo de informação que eu tenho dentro da empresa, e uso isso com inteligência artificial para dar para o meu pessoal informações para eles criarem oportunidades de negócio. Como é que a gente garante a segurança disso? Então, existe o problema de você não pensar exatamente no problema e sim você já encomenda uma solução. Você não encomenda a solução de um problema, você encomenda uma ferramenta. que às vezes você não sabe se é melhor. Mas é tudo que você sabe. Né? É o que, pra você, é o que tem de mais mais na tecnologia, né?
Que você ouviu falar, né?
Exato. Né? Então, tem esse problema. Depois, você tem uma falta de curiosidade. Aí, você tem... É... Pessoas... E a gente ouve com alguma frequência. É... Começa uma coisa muito diferente. Eu já não tenho idade pra isso. que me dá uma tristeza absurda. E aí você vê um outro espectro da curva que fala, a empresa não está me ensinando a usar, que também me dá outra tristeza.
Muito. Eu entendo bem isso.
Então, aí você tem que conciliar isso tudo, procurar um equilíbrio e vambora. Mas você vai fazendo isso andando, né?
Sim, o mundo moderno, né?
Exatamente.
E nesse sentido, nesses pontos que você trouxe, Power BI, a gente poderia ficar falando horas aqui, porque eu vejo como... Tecnicamente, talvez não.
Eu te indico um amigo. Você convida outro, entendeu?
Mas assim, as pessoas usam muito disso pra vender. Não, porque a gente usa Power BI pra, enfim, pra uma série de coisas. Agora, você trouxe um ponto até que eu queria que você falasse um pouquinho sobre essas questões, esses pontos do conteúdo raso, né? Esse episódio que a gente tá agora no final, quem tem a oportunidade de assistir ou ouvir o episódio completo, tem uma chance, de repente, de se conectar com algum ponto que você trouxe e como você falou aquilo, enfim, pra que a pessoa consiga, de fato, aplicar no dia-a-dia. Essa pessoa, ela consegue se sobressair no mercado. Tem aquelas pessoas que elas começam a tomar partido por um trecho de 30 segundos ou um minuto que ela viu numa rede social.
Ou pior. Ela não viu, mas o amigo falou que viu. Qual é a pergunta mesmo?
Que conselho você daria pra essas pessoas que elas começam a tomar partido, muitas vezes por um conteúdo raso, por um título? Sei lá, ela não leu aquele livro, mas ela leu o título, adorei, e começa a tomar partido disso.
Eu acho que precisa primeiro entender o que a pessoa quer pra vida dela. Se você quer crescer na carreira, se você quer se desenvolver, você tem que ser uma pessoa curiosa e você não pode confiar de forma nenhuma numa história única. Então, eu acho que, e eu procuro fazer isso, independentemente de qual linha política, por exemplo, eu sou mais favorável, eu sigo no X os dois lados. Dá mais trabalho? Claro que dá.
Mas é importante entender os dois lados.
Por que um lado vê isso? Por que o outro lado vê aquilo? E tem coisas que, assim, na hora que você pensa... Eu não acho criminoso a pessoa que, para alguns assuntos, não se aprofunda nos temas e, para outros, ela se aprofunda. Eu não sei o que é prioritário para ela. Então, se você, por exemplo, a sua carreira é ser influencer, Não quero ser politicamente incorreta aqui, tá? Mas o influencer, ele sabe que ele vai ter um período de atenção pequeno. Então ele não vai ficar duas horas falando de Power BI, entendeu? Ele vai falar se é legal ou se não é. E vamos que vamos.
E vamos que as coisas estão acontecendo.
Em compensação, uma pessoa que é mais estudiosa, que precisa resolver um problema de negócio e vai aplicar isso, aí esse não pode se fiar no mal... Opinião de 30 minutos. Já aprendi com o meu pessoal do marketing que tem. Assunto que é topo de funil, que é meio de funil, que é fundo de funil.
E é muito interessante. E você...
Viu?
Olha que legal.
Quase me biei com ela.
Não, e você trouxe um ponto importante até... Inclusive, a última pergunta vai ser sua, tá? A última pergunta vai ser sua.
Vou gravar ela.
Já que ela falou de um ponto que, inclusive, todo gestor de uma empresa deveria entender. Do topo, meio e fundo de funil.
Eu tô aprendendo, tá? Dá trabalho, viu?
Sim, mas dessa forma, os gestores vão entender de fato, porque assim, nem sempre quando você lança uma rede no mar, você vai trazer bons peixes, ou se você vai trazer algum peixe, mas você precisa continuar tentando, até que peixe caindo, opa!
E pensa isso do mesmo jeito, um projeto que você está começando. É importante que a pessoa entenda pra quê que ele serve, é importante que ela entenda pra onde que vai, como é que você vai usar, pra quê que você vai usar isso. Mas não é no começo que você tem que fazer a pessoa se preocupar em como é que vai ser a semana da entrega do escritório, por exemplo.
Sim.
Isto é, tipo, cada coisa no seu tempo.
E você traz uma visão, Paula, muito interessante que eu penso que todo gestor de uma empresa ou de equipe deveria ter. Porque a partir do momento que você se preocupa em entender o que todo mundo está fazendo, porque se você entende o básico, você não fica refém.
Exatamente.
E você consegue conversar.
E você reduz o risco de você tomar a decisão errada.
Sim, sim, porque você... Que pra posição.
Que eu tô, ele basicamente é um trabalho tomar decisão, né?
Não, e é muito legal quando você tá com o time. Ou seja, você não tá mandando, você tá ali fazendo parte. Se você toma uma decisão errada, a partir do momento que você tá participando junto com eles, eles... Vamos pegar um pouco daquela culpa, porque, de certa forma, eles te influenciam o tempo todo.
Ah, sim. E, assim, não existe empresa que o líder ou o autoexecutivo não mande, manda também, tá?
Sim, sim, óbvio.
Mas... Não é, tipo, só... Tem coisa que não tem jeito.
Sim.
Vai ser assim e tem que implementar.
Até porque você falou lá atrás, né? Não dá pra falar sim pra tudo, né?
Ou é governança. Ou, simplesmente, essa decisão não é sua pra tomar. É sua pra você defender como vai ser tomada também. Porque a gente que é presidente da empresa também não é autoridade máxima. Se a empresa for sua, talvez você seja, se você não tiver sócio. Mas se você tá numa empresa multinacional, você tem mais gente pra quem você precisa reportar e quem você deve ouvir, porque são pessoas mais experientes ainda.
E aí você aprende mais ainda.
É sensacional.
Agora vamos lá, faz a sua pergunta pra gente encerrar. E a Paula vai introduzir a sua pergunta. Faz uma pergunta que tá ligada a esse podcast.
Eu queria que a Paula falasse um pouquinho mais sobre essa questão da curiosidade, de saber as coisas, e do ponto do objetivo. Porque eu acho que uma das coisas que ela mais frisa é por que isso está sendo feito. Eu acho que ela falou bastante sobre isso, mas eu queria que ela frisasse, porque eu acho que isso muda a mentalidade. Muda a forma como você começa um projeto, até o como você decorrer desse projeto, você está agindo e retoma a rédea, sabe? Calma aí, mas qual era o objetivo? Então a gente não pode ir para lá. Eu queria mais um comentário. E um pedido de reforço, uma dica nesse sentido, pra que as pessoas não se percam nesse caminho. Que ela comece pelo porquê.
Eu adorei, eu adorei. Porque, de certa forma, você acaba resolvendo vários conflitos ali naquele processo. Agora, introduza a pergunta e fala o nome dela pra nossa audiência. Saber que quem tá fazendo essa pergunta é uma pessoa que trabalha com você e é notório que ela te admira demais.
Eu também. E eu também. Então, quem fez a pergunta agora foi a Luciana Cruz. Ela é a responsável pela área de marketing da Colliers aqui no Brasil. E o que ela me pediu para fazer foi salientar e explicar um pouco mais do por que eu falo tanto que tem que entender por que tem que fazer as coisas. Não é isso, em resumo?
Por que, por que, por que?
Por quê? E até onde isso vai? Entender o porquê que você está fazendo antes de você fazer, isso está no planejamento estratégico da empresa, de tão importante que ele é. Por que a gente está fazendo? E aí eu vou contar e também falar um pouquinho aqui do Michel, que também está com a gente. Quando eu recebi o convite, a primeira coisa que eu fiz foi não responder para a Gabi. Embora eu já tivesse achado a ideia super legal e falei, vamos nessa. Mas eu fui para o Michel, que trabalha com a Luciana e ele cuida de toda a parte de relacionamento com a imprensa, e a pergunta que eu fiz foi, Eu recebi este convite. Isso está alinhado com tudo que a gente está fazendo no nosso plano de comunicação? Que é para entender de, ok, por que eu estou vindo aqui? Eu estou vindo aqui só porque é legal, embora seja muito legal. Eu tô vindo aqui porque isso, pra gente, tá muito alinhado com o tipo de coisa que a gente quer que as pessoas saibam sobre aquelas pessoas incríveis que trabalham na coles com a gente. Quer que as pessoas saibam sobre os serviços que a gente faz. Então, precisa sempre entender. E tem uma coisa que não pode ter preguiça, também não pode ter vergonha. Aí não pode ter vergonha, porque você vai falar assim, ah, tá bom, eu vou perguntar para eles se está de acordo com o planejamento estratégico da minha empresa e com o plano de comunicação que eu aprovei para eles. Eu não devia saber isso já?
Sim, tudo bem.
Você deveria. Eu sei, mas eles não têm que opinar sobre isso?
Óbvio. Então, eu entendi o seu modelo de gestão, e que é isso que tá me deixando muito encantado. E, de fato, estou aprendendo muito, porque eu vivi, recentemente, isso. Eu tomei uma decisão de participar de alguma coisa, e eu deixei... Eu tomei a decisão, mas, peraí, você teria que ter me informado.
Então, ok, gente, tem isso daqui, o que vocês acham? Vamos ou não vamos? Michel, você quer entender como é que a gente vai fazer? Eu não fiquei com aquela coisa, putz, o Michel é fraco, eu sou uma, tipo, essa mulher aí, coitada, não sabe nem o que a gente já aprovou. Não pode ter vergonha. E se ele pensou isso, sinto muito, mas ele teve que me responder igual, né? Não acho que pensou, mas teve que responder igual. Vai, vamos, não vamos.
Sabe uma coisa que é legal? Que o Michel, ele chegou e a gente começou a conversar sobre mercado imobiliário, sobre mercado de construção, e eu achei muito interessante, na sua função, você falar tão bem. Você conversar tão bem é sinal que vocês estão muito alinhados, principalmente no que você fala do porquê. Então, o porquê do Michel estar aqui agora, estar acompanhando.
E isso, vou te dizer, funciona até para reunião. Porque não tem nada que acontece com mais frequência que reunião e empresa. Eu não aceito reunião se eu não entender por que ela está acontecendo.
Isso é importante.
Porque às vezes... Porque a gente tem uma síndrome, né? O invite vem e depois você aceita. Daí você não sabe por que estão fazendo essa reunião.
Por que eu estou aqui agora?
Por que eu tenho que estar lá? E aí, quando você começa a fazer isso, você aprende que tem gente que te convida. Porque tem medo que você seja uma pessoa ciumenta, que se você não tiver vai ficar chateado com ela. Tem gente que te convida só pra você saber o que ela tá fazendo, mas não é pra você ir. Pra mim, bastava me mandar uma mensagem falando o que tá fazendo. Não precisava você convidar, mas tudo bem. E tem gente que realmente precisa. E como é que você prioriza se você não entende o que tá acontecendo aqui? Então, gente, não custa nada. Passa a mão no telefone, manda uma mensagem no WhatsApp, manda um e-mail e fala assim, ok, me explica essa reunião. E aí também tem uma pergunta que eu faço que absolutamente choca a maior parte das pessoas que entram lá.
Já quero.
Eu falo assim, você precisa de mim nessa reunião pra eu fazer o quê? Qual vai ser o meu papel lá? Então, a hora que a gente sair da reunião, a gente vai falar isso foi um sucesso por quê? Porque a gente conseguiu fazer o quê? No começo é meio difícil, as pessoas não entendem muito você, tá? Mas depois, não tenha preguiça, porque repete isso muitas vezes, aí entra a porra da preguiça. Até você pegar o jeito, até isso virar hábito, até as pessoas te entenderem.
Você lê o livro Comece Pelo Porquê?
Li.
É bem louco.
Mas eu li depois que eu já estava nessa viagem, tá?
Já estava nessa viagem louca. E eu queria... Agora, a última pergunta, eu prometo, já que eu estou... Enfim, eu ficaria mais horas aqui conversando com você.
O Matheus vai cortar a gente mesmo depois?
Não, não vai, não.
Vai sim, vai.
Esse podcast está proibido de curta.
Ele tem uma katana ali já, que eu estava falando, tchau.
Não, o Matheus, eu estou vendo a expressão dele aqui. Ele está fascinado com esse episódio. Uma pergunta agora sobre o nosso canal, o Constra e Cash. Felizmente, hoje ele é reconhecido pela credibilidade dos convidados que vêm aqui, pela qualidade do conteúdo gerado. Fico muito contente, né, por tudo que a gente está construindo. E tudo começou com o propósito de unir toda a cadeia da construção.
Tá.
Arquiteto, engenheiro, investidor, construtor, pedreiro. Então a gente recebe todo mundo, a gente dá voz aqui. a todo mundo, e tudo isso fica dentro de um portal Hub Construção. Então, esse bate-papo, além de estar nas matérias, desculpa, nas redes sociais, a gente também está numa matéria, num portal, também que gera conteúdo para o mercado de construção, arquitetura, engenharia e mercado imobiliário. Como que você enxerga um canal como o ConstriQ, que acho que vem com esse sentido de união?
Olha, eu me enxergo com uma iniciativa que é excelente, e como toda coisa que tem um propósito do bem, a gente sabe que não é pra todo mundo. Eu digo que ele não é pra todo mundo, não é porque um é mais ou é menos, é por causa do teu interesse. Então, por quê? Porque fazer as coisas que são de união, que são educacionais, que vão... Isso daí, ele precisa de disciplina. Para você se dedicar a ouvir um podcast como os que vocês têm, ou ler os materiais que tem nos sites, os acadêmicos, você precisa se dedicar, você precisa ter vontade. E não é o tipo de coisa que você faz... Talvez você consiga fazer dirigindo, mas você não faz trabalhando.
Sim.
Talvez você faça andando de bicicleta, mas se você estiver começando a andar de bicicleta, você não vai fazer.
Sim. Não, é muito interessante. Eu tô muito contente com o bate-papo que fizemos aqui.
Eu agradeço muito.
A gente vai ter essa série agora, junto com a FATEC, São Paulo e com outras universidades. Eu gostaria muito de contar com a sua presença pra trazer o seu olhar sobre liderança. Porque tem gente que fala... Hoje a gente tá vivendo muito a coisa das redes sociais, que tá todo mundo falando. O legal é que você pratica, entendi?
É, e a nossa prática lá é... Pode parecer mentira, mas é porque os meninos estão aqui, você vai perguntar pra eles.
Eu tô vendo, eu de olho, tá aqui, ó, tá...
É, a gente não conta antes de fazer. A Clélia, que foi a pessoa que eu indiquei, ela foi voluntária no nosso primeiro comitê de diversidade, que aconteceu na época da pandemia, lá no começo da pandemia. E o combinado sempre foi, vamos começar a trabalhar, a gente vai começar a entender o assunto, mas eu não quero post nenhum em lugar nenhum, até a gente estar seguro de que a gente sabe o que a gente está fazendo.
É, isso é importante.
Então, não é pra quem tá de fora achar que você é o máximo. É realmente pra você fazer as coisas. Tem que ter um interesse genuíno de fazer as coisas.
É, nesse sentido de interesse genuíno é aquilo que a gente tá fazendo aqui, né? Você tá convidando outra pessoa que você admira. E o bem mais precioso que temos hoje é o tempo.
É.
Então, é muito gratificante quando eu falo de construir o que estamos construindo e ter o prestígio da sua presença hoje aqui pra gente, né, enquanto ConstruCast, enquanto Hub. E construção é muito gratificante.
E eu agradeço e sei da responsabilidade, porque... A equipe de marketing vai promover isso dentro da empresa de uma forma que talvez você não tenha noção da dimensão do que vai ser. Mas eu sei que existe uma possibilidade de, sei lá, a maioria das minhas duzentas e poucas pessoas ouvirem o que eu estou falando aqui para vocês. Imagina se é mento.
Não, com certeza. Inclusive, eu já vou aproveitar agora.
Deixa eu ser bonito.
Olha que deixa que você me deu.
Não é?
Olha, você, você que está assistindo, ouvindo esse episódio, Coloca nos comentários aqui se você gostaria, inclusive, de contribuir com algum case que você viveu com a Paula. É muito interessante. E de onde você está falando? De que região do Brasil você está falando? Porque a gente precisa levar esse modelo para outras pessoas, para outras companhias, e a partir do momento que você está trabalhando, que seja na sua empresa. E quem sabe o seu exemplo não serve para outros gestores.
É, e tem sempre que pensar assim, né? Tudo tem que ser feito de acordo com o momento da empresa.
Sim.
Mas se você não começar, não começa.
É muito legal. Eu tô fascinado, tá, Paula, com você.
Muito obrigada.
Eu falei pra Gabriela. Gabriela, vamos terminar esse podcast em 30 minutos.
Tipo, botar a vassoura atrás da porta.
Eu falei 30 minutos. O que o Matheus falou pra mim? Se você gostar do convidado... Então eu fiquei muito contente.
Você sabe que é igual a entrevista, né? De verdade. Entrevista que vai entrevistar alguém pra trabalhar com você.
É a mesma coisa. É muito legal.
A diretora da área de gente, onde eu tava... A gente faz coisa muito bonita, mas às vezes a gente erra também, tá? E eu tava por aqui de coisa pra resolver aquele dia. Tinha muito, muito, muito, muita coisa. E ela tinha agendado uma entrevista e pediu pra eu fazer. E sabe quando o santo não bate de saída? Você já não se empatiza. E eu tava tão cheio de coisa que eu acabei a entrevista em 15 minutos. Mas eu tomei uma bronca.
15 minutos.
Mais uma bronca. Que nunca mais na minha vida eu fiz isso.
Mas tem algum caso que você demorou horas ali?
Sempre tem. O da Luciana mesmo, eu nem sei quanto tempo levou. Muitas horas, talvez duas, não sei. Porque a gente ficou falando um monte de coisa.
Gente, ô Luciana, faz um favor. Vem pra cá. Não, as pessoas precisam ver você, por favor. Você tem um jeito ótimo, assim, que dá vontade de levar pra casa.
Ela é jogadora de beat tennis. Abre essa câmera.
Olha, ó.
Tudo bem? Prazer.
Ela que fez a pergunta, tá?
Olá, gente. Obrigada, obrigada pela participação e pelo papo.
Que realmente foi muito bom, viu?
Não, e vocês vão voltar mais vezes aqui, tá? Essa casa, a partir de agora, é de vocês.
Muito obrigada.
Tem mais alguma coisa que você gostaria de falar pra gente encerrar e deixar a audiência com curiosidade pra verem ou assistirem o próximo episódio?
Olha, eu acho que sejam curiosos, dediquem um tempo para o desenvolvimento da carreira de vocês, para o desenvolvimento profissional de vocês. A vida é muito mais do que só pensar naquilo que você tem que fazer no dia, né? E para os próximos episódios, eu fortemente recomendo que vocês tenham disciplina para assistir, porque vem muita coisa boa por aí, né?
Então, se preparem, porque o episódio de hoje, gente... Eu sempre falo, você que ficou até o final, com certeza conseguimos mudar alguma coisinha na sua cabeça. E a vida é isso, né? Quando você lê um livro, você... Se.
Você mudar alguma coisa pequena cada vez, é muito mais do que muita gente tá fazendo.
É isso. E detalhe, todo esse conteúdo é gratuito. Você não precisa pagar por nada. E ter a oportunidade de ouvir você, né, Gina?
Nossa, muito obrigada.
Sou muito grato, de verdade. Eu tô muito emocionado e impactado com o que eu ouvi hoje. Já te convido pro nosso próximo encontro. Vou te deixar na curiosidade. Dá seu like, comenta o que você achou desse conteúdo. E se você tiver sugestão de outras pautas, inclusive com a Paula, Pode colocar aqui.
Ou com a Luciana.
Não, inclusive, Luciana, eu quero participar um com você, tá? Eu quero trazer você pra falar. Gente, até o nosso próximo encontro aqui no Constrycast.
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