Inovação e sustentabilidade na construção com madeira engenheirada | Podcast da construção #99

José Alberto, especialista em madeira engenheirada, explica como o material sequestra carbono, compete com aço e concreto, e já aparece em projetos brasileiros como a Aurora em Suzano. A tecnologia usa adesivos e CNC para criar estruturas certificadas FSC que tendem a crescer no mercado de construção.
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Construção com madeira engenheirada é a pauta do bate-papo de hoje. Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Para falar sobre o assunto, eu recebo José Alberto, que é um dos maiores especialistas do país quando o assunto é construir com madeira engenheirada, desde a produção, desde o processo de fabricação até a entrega da obra pronta. Zé, seja bem-vindo a mais um episódio aqui no ConstriQuest, eu tenho certeza que quem Está chegando agora, eu uso muito a palavra curtir, viver uma experiência única e é isso que eu tenho certeza que com a sua experiência a gente vai proporcionar para a nossa audiência hoje.
Eu espero que sim, Paulo, muito obrigado pelo convite, é um prazer enorme estar com você aqui e ter a oportunidade de falar de um assunto que é minha paixão, é minha vida, é minha história.
Seu Berto, para a gente iniciar o nosso bate-papo e as pessoas conseguirem entender o porquê você tem uma profundidade tão grande nesse assunto, eu queria que você falasse um pouco como que você entra nesse mercado e sobretudo tão inovador que é a madeira engenheirada.
Essa é uma história muito longa, muito longa, que uma parte é uma história familiar, desde o meu bisavô, passando depois pelo avô, pelo pai. E, na minha vez, quando eu era adolescente, quando começou a ter muito essa questão de preservação de matas nativas, sustentabilidade, eu ainda estava na minha adolescência. E, como eu acompanhava muito meu pai e meu avô em compra de madeira, Viajei muito ao Paraná, Santa Catarina, e depois que essas áreas foram exauridas de matas nativas, começou a exploração da floresta, a mata do norte, região amazônica. E eu não queria dar continuidade a essa história familiar. Eu me rebelei. E fui fazer outras coisas da minha vida, mas o meu avô, na sabedoria dele, falava, Filho, sangue não é água. Um dia você volta. E eu voltei. Por incrível que pareça, ele estava certo. E nessa volta eu pesquisei muito como eu poderia continuar isso, porque eu era apaixonado pela madeira. Eu nasci em cima de uma carpintaria, de uma marcenaria, de um grande distribuidor de madeira. Eu nasci em cima, literalmente. Meu pai tinha o comércio e nós morávamos num sobrado em cima do comércio. E eu convivi com grandes carpinteiros, carpinteiro ucraniano, japonês, espanhóis. Convivi muito com essa gente quando eu era criança e uma parte da adolescência. E eu queria voltar. Só que eu tinha uma formação de engenheiro mecânico.
Tem tudo a ver, na verdade.
Exatamente. E quando eu comecei a estudar esse tema de madeira engenheirada, eu vi que eu poderia ali unir as minhas grandes paixões, aquilo que realmente eu me identificava. Foi onde eu entrei. começamos a produzir, primeiro, vigas de escoramento de concreta, as conhecidas vigas H20, que são muito conhecidas para escoramento. Depois, em determinada altura, logo no início, tivemos uma encomenda de uma residência no Rio de Janeiro, na região de Teresópolis. Começou por lá e não parou mais. Durante essa caminhada, eu tive contato com um produto chamado CLT e aquilo me tirou o sono. Falei, enquanto eu não produzir CLT no Brasil, eu não descanso. E assim foi. Foi uma época que a empresa estava super bem e ela já estava se equilibrando financeiramente. Aí eu cheguei para o pessoal e falei, vamos mudar a nossa linha, vamos fazer um novo produto. Primeira coisa que me perguntaram é, vamos vender isso pra quem? Eu falei, não sei, o produto é tão bom que vai ter demanda. E realmente foi isso que aconteceu e uma certa altura foi isso que essa diversificação da empresa é que trouxe ela até aqui onde ela está, ela saber se diversificar e investir muito, muito em capacitação.
E agora, para a gente dar continuidade na pauta de hoje, Zé Alberto, o que é madeira engenheirada e como ela se diferencia da madeira tradicional?
A madeira é engenheirada porque você consegue, através de classificação, classificar a madeira serrada de modo que você consiga ter confiabilidade nos dados estruturais daquela peça. Por isso que ela é engenheirada. Estando a madeira engenheirada, eu consigo projetar em cima daquilo com segurança. E a madeira serrada tem todos os defeitos, nózes, moados, enfim, todos os defeitos que o material natural tem e que você extrai esses defeitos dela e você fica só com a parte realmente que é capaz de atender os requisitos normativos.
Isso aqui é legal e eu não vou me aprofundar nesse episódio, nesse processo, de fabricação, a gente vai falar um pouquinho de forma mais macro, porque a gente vai fazer uma visita lá na sua fábrica, na sua empresa, para a gente mostrar para o mercado como esse processo é eficiente. E como a madeira engenheirada tem todo esse processo industrial, quais são as vantagens em relação ao concreto e o aço no uso da madeira na construção civil?
Paulo, nós sempre tivemos uma visão diferente disso que você está colocando. Quais são as vantagens? O nosso olhar é outro, diferente. O nosso olhar e o nosso lema na empresa é usar a madeira sempre que possível, mas saber usar todos esses elementos, o aço, o concreto e a madeira juntos, que é a grande arte. Então, hoje, grandes edifícios, grandes edificações em que a madeira engenheirada é protagonista, ela vai estar sempre acompanhada do aço e do concreto.
E você traz um ponto muito importante que, inclusive, é o principal propósito do ConstructCast, que é promover ideias e soluções para o mercado de construção, arquitetura e engenharia. E, sobretudo, a gente defende muito uma construção que ela seja utilizada sempre a melhor solução construtiva para aquele projeto. Dessa forma, todo mundo ganha. A madeira ganha, o aço ganha, o concreto ganha e, o melhor, o planeta ganha.
Exato. Porque, olha só, o que é bacana da madeira? É uma matéria-prima que, dentre essas, aço e concreto, é a única que é renovável. Então, já é uma coisa muito interessante. O aço você pode reciclar, o concreto você pode ter formas diferentes de reutilizá-lo, mas, infelizmente, na grande maioria das vezes, esses resíduos acabam em aterros. Existe um esforço hoje do setor bastante grande para que isso mude, mas eu vejo que ainda está relativamente longe de acontecer. E são processos que demandam muita energia, tanto para a fabricação do cimento, que é o componente principal do concreto, quanto para a fabricação do aço. São processos intensos energicamente falando, de energia, ao contrário da madeira. Mas saber misturar e saber utilizar esses três elementos harmonicamente em uma estrutura, Essa é a grande arte.
E nessa pegada de sustentabilidade, como a madeira engenheirada contribui com a redução da pegada de carbono na construção civil?
Porque a madeira é um sequestrador de carbono. Então, a madeira, uma vez que você cortou a árvore, você beneficiou e ela está aprisionando o carbono no edifício, na edificação.
Isso aqui é interessante.
É, porque ele fica ali imobilizado por décadas, no mínimo. E mesmo na reutilização, é um carbono que já existia.
Sim.
Mas ele está ali aprisionado. E todo o processo de fabricação de uma estrutura de madeira engenherada, o consumo energético é muito baixo. É extremamente baixo. E você tem também algumas particularidades, que aí sim ela começa a mostrar toda a sua grandeza, eu acho, da madeira, que não é só a beleza, que a beleza é inquestionável. Falo um pouco da estética da beleza. Não existe nenhum visitante à fábrica que eu vi até hoje, que acompanhei a visita. Nenhum cliente que não entrasse no nosso salão de acabamento, que não passasse a mão sobre uma viga, que não passe a mão em cima de um pilar com muito carinho. Então é muito atrativo.
Então, inclusive, um dos motivos de você estar aqui hoje é que eu visitei um projeto no qual você está fornecendo a madeira engenheirada e aí você me trouxe um ponto importante porque a primeira coisa que eu fui fazer quando eu cheguei foi tocar. Eu estava com o meu pessoal lá, que a gente vai falar um pouco desse projeto durante esse episódio. E realmente, você quer sentir a textura, porque chama tanto a atenção.
Não existe um ser humano que não queira tocar daquela maneira. É uma atração que você não consegue não tocar. Aí vem a outra parte que eu acho excepcional, que é a precisão que você consegue introduzir numa estrutura. Poxa, mas por que é tão importante a precisão? É importantíssima, é fundamental. Então, traçando um paralelo muito rápido, como que uma que hoje é montadora, não é mais uma fabricante de automóvel, são montadoras. Como que ela consegue produzir mil veículos por dia, por exemplo? Qual que é a grande mágica que ela faz, além de ter todo um processo muito bem organizado? Ela consegue fazer isso por quê? Porque todas as peças que vão ser unidas durante a montagem são extremamente precisas. Porque senão estou eu e você lá na linha de produção, na linha de montagem, você é responsável para colocar na estrutura a lanterna traseira direita. Aí você vai encaixar, ela não encaixa. Ela não entra, ela não... Já não se faz mais mil carros por dia. Vão ser feitos 500, vão ser feitos 100, vão ser feitos 10 carros se aquilo for impreciso. Na construção civil não é diferente. Então, quando você tem uma estrutura extremamente precisa, você pode projetar, encomendar e comprar todos os outros componentes desse edifício e você especifica no projeto, olha, a tolerância dimensional dessa peça é de tanto a tanto, a outra é de tanto a tanto. Aí tudo vai conversar, tudo vai ser montado, então você já não está fazendo uma obra, você está fazendo uma montagem, uma assemblagem no campo. são processos completamente diferentes. Então, a gente sai do ambiente de construir para um ambiente de montagem.
De montagem. E eu fiquei, de fato, estou muito curioso para entender como é esse processo de produção dessas peças. Inclusive, eu vou poder ter esse privilégio de acompanhar lá na sua fábrica. Agora, Gilberto, eu queria que você falasse um pouquinho, até de forma um pouco resumida também, quais são as práticas que você destacaria, práticas sustentáveis na produção desse material, desde o processo de fabricação até a questão do transporte também, que ele é muito mais leve. E quando eu falo de sustentabilidade, assim, de uma forma mais ampla, né? Porque eu acho que o brasileiro em si, ele entende sustentabilidade de forma muito distorcida, assim.
Olha, de uma maneira ampla, o que eu posso te dizer? Primeiro, toda matéria-prima é proveniente de reflorestamentos. Isso é uma parte muito importante e talvez seja a mais importante de todo o processo, que foi aquilo que eu falei anteriormente. Ele é uma matéria-prima renovada. Hoje, no Brasil, as florestas que são próprias para a fabricação de madeira engenherada são de espécies exóticas, ou é pinus ou é eucalipto. Então, você já tem uma segurança que você não está trabalhando com espécie nativa. Por sorte nossa, a gente precisa ter sorte às vezes, né Paulo?
Eu não acredito em sorte, acredito que você vai buscar que você constrói essa sorte.
É incrível que o mesmo eucalipto que é utilizado para a celulose É o mesmo eucalipto que se presta perfeitamente para a produção de madeira engenhada.
Nossa, que interessante.
É incrível. E qual é o país que detém a maior tecnologia e know-how em produção de eucalipto? É o Brasil.
O Brasil, sim.
De longe. De longe. Os australianos, que é de onde a espécie é nativa, vêm beber da nossa fonte de conhecimento na questão de produção de eucalipto. Então já é uma coisa pronta e a gente pode replicar esse sucesso que nós temos no ciclo e na celulose no Brasil na madeira engenheirada mundo afora. Percebe?
Nossa, que interessante isso.
Sim, isso é incrível. E o que que acontece? Quando você corta uma árvore de reflorestamento, você abre espaço para que outra seja plantada. E aí não vamos entrar aqui em discussões, ah, o eucalipto faz bem, faz mal, etc. Porque hoje existem técnicas de plantio e de reflorestamento que eles abraçam também as espécies nativas. Você consegue formar ali um ecossistema bastante interessante e diverso, criando corredores para a fauna, para a flora, etc., corredores naturais dentro desse ecossistema, e que torna isso tudo muito mais interessante do que você simplesmente querer preservar tudo a todo custo. Porque tem aquela questão, Paulo, Puxa, por que baleias estão em extinção? Estão em extinção porque não tem donos. Sim. Por que vacas não estão em extinção? Por quê? Porque elas têm donos.
É, tem alguém cuidando.
E a floresta é a mesma coisa. Exatamente. Então tem ali cuidando e cuidando muito bem. E existem selos, né, hoje.
Eu ia te perguntar, inclusive, isso agora, se existe alguma certificação ou regulamentação que dê essa rastreabilidade dessa matéria-prima.
Sim, existe. Certificação FSC, BFC, que se você não tiver boas práticas com isso tudo, inclusive na questão social, você não recebe esse selo. E são rigorosos. São rigorosos, fazem um acompanhamento de cadeia de custódia bem feita. Então, você consegue sim comprovar e ter de uma maneira verdadeira essa questão da sustentabilidade de uma maneira bastante adequada.
Interessante. E falando de tecnologia, quais são as vantagens, os avanços tecnológicos que permitam uma produção muito mais assertiva nesse processo de, desde a produção até a chegada desse equipamento na obra?
Ah, Paulo, é muito curto o tempo que a gente tem aqui pra discorrer.
Sobre isso e... Acho que isso daria um episódio inteiro, né?
Daria e, assim, se eu pular alguma etapa ou se eu falhar em alguma coisa, não vai ficar bem... bem claro para quem vai assistir o nosso episódio. Existem algumas coisas muito interessantes. Por exemplo, o advento do adesivo com base em poliuretano monocomponente foi um grande avanço para essa indústria. E esses adesivos têm, ano a ano, evoluído e cada vez mais se tornando mais verdes. De verdade, é muito interessante essa evolução. E também a racionalização de outros componentes de uma estrutura em madeira engenherada ou estruturas híbridas em função de novos conectores, uma maneira diferente, são horizontes diferentes de se pensar em resolver o mesmo problema. É um setor que avança com muita velocidade.
E nesse sentido, como que funciona, a gente já falou um pouquinho lá atrás, o processo de fabricação, isso pensado na... imagina que eu sou um arquiteto, eu projetei, especifiquei a madeira engenheirada, por outro lado eu preciso de um engenheiro estrutural para viabilizar esse projeto, para tornar ele execuível, Como que funciona esse processo e como a sua empresa, com a expertise que tem no mercado, como ela auxilia de modo a contribuir com essa aceleração de produção?
Via de regra, os arquitetos ou os clientes já com projeto arquitetônico nos procuram e entregam uma documentação daquilo que seria o desejável. porque num projeto arquitetônico entra muito essa questão dos desejos e da questão estética. O que a gente procura fazer? A gente procura respeitar ao máximo a questão estética e do projeto arquitetônico e propomos uma solução que seja uma solução que viabilize aquilo da melhor maneira e no melhor custo.
E sempre tentando manter a estética ali.
Conforme... Sempre procurando preservar a estética ao máximo. Aí isso volta para o cliente barra arquiteto, ele analisa. Às vezes ele faz algumas ressalvas ou sugestões até que se encontre um denominador comum que todos fiquem satisfeitos. E aí esse projeto, ele vai para o projeto de fabricação. Né? E... Já muitos arquitetos hoje entendem o que é um projeto voltado para a industrialização, ou seja, várias peças iguais, repetidas, um projeto todo parametrizado. Outros não são apegados a isso, e entendemos perfeitamente por quê. Porque a busca dele ali é estética, ponto. É uma questão que... Ele não quer abrir mão, o cliente não quer abrir mão daquilo. E já outros procuram, além da estética, a eficiência produtiva e estrutural.
Seberto, e nesse processo, quando você recebe... Para existir esse projeto de fabricação das peças, eu preciso ter o detalhamento de projeto já, né?
Todo.
Todo projetar.
Todo.
E quem faz esse detalhamento de produção, no caso do projeto?
A compatibilização é feita por nós. Principalmente também com os outros escopos, né? Que são os projetos complementares, elétrica, hidráulica, ar-condicionado, essas coisas todas. Ele precisa ser compatibilizado. E aí vai para o projeto que a gente fala projeto executivo de fabricação. Aí é outra coisa, aí esse Esse bicho, ele vira outro bicho.
Não, eu tô imaginando aqui agora.
Aí ele passa por vários outros processos e foi o que eu falei pra você anteriormente aqui no começo do nosso bate-papo. Ele é transformado numa linguagem máquina.
Mas você aproveita, por exemplo, essa questão da tecnologia. Imagina que ele tá ali na... Você tá usando a tecnologia BIM, por exemplo. Sim. Construir esse projeto para facilitar.
É do o gêmeo que nós chamamos digital.
Sim. Essa tecnologia, ela te ajuda nesse processo de você consegue pegar esse projeto e importar ele para as suas máquinas?
Aí que vem o grande lance. A importação não é direta. Não é eu pego... um projeto que esteja, vamos falar, no grande software que é usado hoje, o grande software BIM que é usado no Brasil, que é o Revit. Você não pode simplesmente pegar aquele arquivo e transformar numa linguagem máquina. Não dá certo, não funciona. Mas sim, ele é uma ferramenta extraordinária para você, do gêmeo digital, produzir seu elemento, seu arquivo de fabricação, para daí ele ser levado a nível linguagem máquina. O advento de softwares BIM, e eu diria não softwares BIM, mas você trabalhar num ambiente 3D, é fundamental para o nosso processo. Sem isso, não existe o nosso processo, ou poderia existir, mas com um esforço muito maior do que é feito hoje.
E, nessa medida, quais são os principais desafios da madeira engenheirada para o Brasil aderir mais a essa tecnologia?
Na minha visão, na nossa visão como empresa, é assim, Paulo. Você pode ser apaixonado pela madeira, você pode ficar encantado com a estética dele, Muitas coisas. Mas, no final do dia, você vai olhar a última linha do orçamento, quanto custa. Então, ela precisa ser competitiva com os outros sistemas construtivos. Nós, como empresa, já deixamos para trás há muito tempo essa questão dessa poesia toda que envolve ainda madeira engenheirada. Nós buscamos hoje na empresa eficiência, eficiência em todas as frentes. Nós não queremos abandonar a estética, nós não queremos abandonar o apelo da sustentabilidade, nós queremos ter projetos eficientes e que também sejam economicamente viáveis para os nossos clientes. Se isso tudo não conversar, fica tudo no âmbito do Poético mesmo.
José Berto, quando você fala de viabilidade econômica, a gente tem, obviamente, acredito eu, que se a demanda aumenta, a possibilidade da gente ter uma escala maior e, consequentemente, uma redução de custo, acredito que isso funcione. Por outro lado, o Brasil está preparado para atender essa alta demanda quando isso melhora essa adesão culturalmente falando?
Eu acredito que a oferta sempre acompanha a demanda. Onde existe demanda, mais cedo ou mais tarde, você vai criar oferta. O que eu vejo que existe hoje, já aqui no Brasil, é uma base de empresas, de profissionais, que é bastante interessante, mas ela precisa aumentar. E uma parte desse setor precisa se afastar um pouco desse olhar romântico que existe sobre a madeira engenherada e falar, não, nós queremos bater de frente com os outros sistemas construtivos, nós queremos sim participar em um outro nível dentro desse jogo, desse mercado, e sair desse mercado de nicho. A gente precisa colocar a cabeça para fora desse mercado de nicho. E esse é o nosso grande driver hoje dentro da empresa. A gente sair dessa questão romântica e ir para uma questão mais prática e sermos realmente agressivos. no bom sentido, frente aos outros sistemas construtivos.
Fazer com que essa solução construtiva se torne competitiva tanto quanto outros sistemas construtivos.
E, de verdade, a gente só vai conseguir isso com know-how. Porque, por exemplo, nós já há quase sete anos estudamos Dentro das universidades, com os nossos colaboradores que fizeram tese de mestrado e doutorado, estudando estruturas híbridas. E isso custa muito dinheiro.
Imagino.
Isso custa muito tempo. Então é necessário ter essa coragem de investir, é necessário você se preparar melhor tecnologicamente para você poder oferecer uma solução que realmente seja competitiva. Acho que o investimento em saber, em know-how, é que vai levar a gente a esse nível. Vamos conseguir bater de frente com os outros sistemas construtivos que são muito consolidados, aço e concreto, Meu Deus do céu, dispensa comentário.
É, eu diria que o aço a gente ainda tem alguma resistência quando a gente fala na questão de qualificação de mão de obra, principalmente no quesito projetista, que as faculdades elas formam muito o projetista para projetar...
Concreto armado.
Concreto armado.
Concreto armado. Mas aí que tá, aí também vai de profissional para profissional ter o interesse, querer fazer a diferença. Isso também entra naquela seara que eu falei com você, o projetista é mal remunerado. E essa mal remuneração, nós temos perdido muitos jovens extremamente inteligentes, capazes, para o exterior. Então é uma coisa louca. Nós formamos doutores em estruturas, concreto, aço e madeira também. alguns casos, que depois ele faz o doutorado com a bolsa, com uma bolsa, seja ela a nível federal ou a nível estadual. Ou seja, nós, com dinheiro público, nós investimos nesses bons alunos, nesses profissionais muito promissores, para eles irem embora. para depois eles irem trabalhar na Alemanha, na Suíça, Estados Unidos, na Inglaterra. Então, isso é um desperdício muito grande. Isso é um desafio nosso, não só do setor de madeirinha gerada, mas eu diria todo o setor da construção civil. de remunerarmos o melhor esse profissional e retê-los aqui conosco, porque eles é que vão fazer essa passagem, eles é que vão trazer realmente eficiência para o setor.
Realmente o Brasil é um berço de engenharia, exporta muitos engenheiros para fora, eu tenho acompanhado muito essa... Engenheiros, arquitetos, é incrível. É, e uma porcentagem grande de, por exemplo, de arquiteto e engenheiro quando eu falo a nível mundial, Então aqui, exemplo disso é que aproximadamente 10% dos arquitetos de todo o mundo estão no Brasil. Sabia dessa informação?
Não, não sabia.
Então, assim, a gente exporta muita mão de obra pra fora. E, nessa medida, o que vocês estão fazendo pra contribuir com esse processo de formação, tendo em vista que você é uma indústria consolidada, com muito know-how e que, de fato, tem muito a contribuir nesse processo, né? Porque, de fato, Você não está me pagando para eu estar aqui elogiando, mas assim, eu visitei um projeto de vocês, a gente vai falar agora sobre esse projeto, e por isso a minha pergunta, o que vocês estão fazendo para melhorar, ou seja, contribuir de alguma forma com esse processo de formação?
Então, o que acontece? A Crossland sempre foi uma empresa muito audaciosa. em várias frentes. Uma empresa audaciosa, curiosa e sempre quis cada vez mais desenvolver seus processos, a sua paleta de soluções. Muita curiosidade. Nós sempre investimos muito em pesquisa, pesquisa e desenvolvimento. E por muitos alunos das universidades saberem dessa natureza da empresa, nessa cultura da empresa. Então, nós sempre conseguimos atrair ótimos alunos da academia que vieram trabalhar conosco. E, vindo trabalhar conosco, nós demos todas as oportunidades, suporte, apoio, para que eles desenvolvessem seus trabalhos de mestrado e de doutorado. Foi um investimento irrestrito nesses alunos, nesses colaboradores, e fizeram grandes trabalhos, trabalhos realmente de relevância. E, junto a isso também, os orientadores desses alunos reconheceram isso em nós. Então, se criou um vínculo, um laço de confiança com esses orientadores. Eu deixo aqui registrado Fazer um agradecimento ao professor Nilson Macia, da Unicamp. Foi um grande parceiro nosso. Então, esses jovens chegam até nós. E nós devolvemos a eles. Investimos bastante, de uma maneira extremamente generosa, acreditando mesmo nesses jovens. Então, isso cria um ciclo virtuoso. E não só nessa frente. Não só nessa frente. Então, nós estamos falando aqui de pessoas que tiveram a oportunidade de chegar à academia, à universidade, estudar. E tem o outro lado que é tão rico quanto esse, que é o quê? Nós temos lá equipamentos de controle numérico computacional, CNCs e robôs. Então, essa é uma história maravilhosa dentro da empresa. Por quê? Quando nós fomos montar o nosso primeiro CNC, eu cheguei a um ajudante geral nosso, que já era um menino que se destacava. Eu via nele um menino realmente capaz, muito inteligente, e eu falei para ele, Cola no pessoal que está montando, não saia, veja tudo, aprenda tudo que você puder com eles. E no momento certo, quando essa máquina estiver montada, quem sabe você não vai ser o operador dessa máquina. E ele acreditou em mim. E assim aconteceu. E hoje ele não é só um operador de CNC, Ele é um programador de CNC, um programador de robô.
Nossa, programador de CNC e de robô.
De robô. O robô é uma coisa que, fazer a programação dele é uma coisa muito, muito, muito complexa.
É, você sabe que eu participei muito de produção, assim, de usinas hidrelétricas, enfim, desses rotores, etc. Então, assim, eu vivia muito. dentro da indústria e o grande problema da indústria para não parar o processo de produção era você ter esse tipo de profissional internamente. Era muito desafiador. Então eles sempre dependiam de terceiro. E quantas vezes acontecia dessa operação parar por falta desse profissional. Então eu entendo de fato a importância dessa pessoa numa operação.
O mais incrível depois que ele é um profissional assim estupendo. E ele era um ajudante geral. Esses colaboradores também exijam que, enquanto estejam conosco na empresa, que estudem. Então, ele foi fazer faculdade. Com apoio da empresa. A empresa apostando nele. Esse profissional formou todos os outros operadores de robôs e cd&c da empresa, que eram ajudantes gerais.
Mas Alberto, e um ponto importante... Olha.
A atratividade que tem quando você tem alguma coisa que tem mais tecnologia, você tem mais afeição com o jovem, são as coisas digitais.
Quando você fala desse profissional especificamente, é muito legal ver essa evolução profissional, só que como você identificou esse potencial nele? Você percebia que ele tinha muita vontade, que ele era estudioso? Porque de nada adianta, muitas vezes a gente investir em uma pessoa quando ela não... Você percebia esse esforço nele? Partiu dele?
Olha, Paulo, o que eu aprendi na empresa, o que é um aprendizado muito forte. Nós já tivemos vários colaboradores vindo de ótimas universidades no Brasil. Ótimas universidades. e outros colaboradores como ele, só com o ensino fundamental concluído, e outro de universidades sem tanta fama, mas com um querer muito grande. Hoje, quando vou entrevistar qualquer profissional, a primeira coisa que preciso e quero entender dele é o quanto ele quer. Qual é a vontade dele de crescer, de evoluir, mas de uma maneira adulta, de uma maneira verdadeira. Porque esse querer, não existe barreira para essa pessoa. Ela vai poder ter as suas dificuldades, mas ela vai transpondo essas barreiras paulatinamente durante a vida dela.
É, e esse esforço faz esse cara vencer qualquer obstáculo, né?
É inevitável que ele cresça, é inevitável que ele se transforme, é incrível. Isso é muito, muito bacana.
É, vamos conhecê-lo lá.
Isso é fantástico.
Vamos conhecer no dia da visita na fábrica, enfim, vamos fazer um vídeo incrível.
Você vai conhecê-lo e conhecê-los. E eu quero que você tenha a oportunidade de entrevistá-los sem a minha presença, faço questão. Você vai ver esse brilho nos olhos desses colaboradores e todo mundo que tenha essa oportunidade de conhecer o nosso... o nosso processo Fabril e ter contato com eles, se apaixonam por eles.
É, inclusive eu quero fazer um bate-papo com ele, pra falar de carreira, eu quero trazer ele aqui pra gente se aprofundar, pra falar um pouco do processo, dessa trajetória profissional dele, porque acho que a gente precisa contar mais essas histórias, porque muitas vezes eu falo, a gente tá vivendo hoje, não só hoje, né, já tem um tempo, o desafio da formação profissional, e muitas vezes, quando a gente tem uma história como essa contada, esse cara se conecta com outras pessoas e ele acaba abrindo a mente, opa, peraí, deixa eu ir pra indústria, deixa eu entender como funciona esse processo, o canal fica aberto pra essas pessoas que têm interesse conversar com essa pessoa, ó, queria tirar algumas dúvidas com você, como que funciona e tal, acho que é um... Uma grande oportunidade para a gente contribuir com o mercado.
E não só entrevistar eu, mas entrevistar ele mesmo.
Sim.
É uma coisa que tem uma... tem uma força muito grande.
José Alberto, e agora falando de cases, como eu falei, eu imagino que essa obra que eu visitei em Jundiaí, pelo menos para mim, eu visito muitos projetos e eu nunca tive acesso, nunca tive contato com projetos grandes igual aquele, com madeira engenheirada e tendo a oportunidade de ver um outro prédio na frente com concreto pré-fabricado. Agora falando de cases, qual que é o maior diferencial de um edifício construído com madeira engenheirada? Naquele caso a gente tem ali a felicidade de poder fazer um comparativo, né? Eu visitei, tive ali o feedback das pessoas que estiveram ali falando das vantagens. desde a percepção quando você tem um guindaste trabalhando com concreto, com a estrutura em concreto, e outro guindaste trabalhando com a madeira engenheirada. Ele também falou da redução de custo no transporte de peças e tudo mais. Queria que você falasse um pouquinho dos projetos que estão acontecendo no Brasil, enfim, e outros que, se você quiser citar, também no mundo.
Olha, Paulo, esse projeto de Jundiaí realmente é um caso de sucesso. Ali foi uma parceria muito grande entre todos os envolvidos. O cliente foi fundamental, porque quem é o cliente? Ele é justamente quem produz o adesivo que nós usamos para a fabricação da madeira engenharada. E esse prédio não tem só uma questão de adesivo madeira a madeira. Ele também foi um edifício que foi usado um adesivo deles, de tecnologia deles, que é para aderir aço à madeira, de uma maneira extremamente eficiente e confiável. Justamente na peça que, olha que interessante, que une a madeira ao concreto. Então, esse adesivo é usado para colar o aço à madeira e o aço vai segurar o concreto à madeira. Então, já é uma coisa, uma certa sofisticação. E aquele prédio, ele não tem nenhum parafuso. É um prédio literalmente colado.
Foi isso que me chamou mais atenção.
Sim.
E quando eu visitei, que eu ficava olhando, peraí, mas como isso aqui tá fixado?
Isso. Então, a continuidade de pilares toda é feita por adesivo. Todas as lajes lá, que é uma tecnologia nossa e também muito utilizada no mundo, que são as lajes híbridas de MLC, madeira lamelada e colada junto com a mesa de concreto, toda adesivada. Então, no fim do dia, o prédio tem uma quantidade peças unidas por adesivo enorme, gigantesco.
Aqui ele é o maior case no Brasil?
Sem dúvida nenhuma. Ele junto com a Aurora, que é o nosso edifício residencial.
Onde que fica esse edifício?
Fica na nossa gloriosa cidade de Suzano. Nossa sede é em Suzano.
Podemos fazer um vídeo também lá dentro desse edifício.
Super. Inclusive, eu gostaria muito de ter sido superado no Aurora. Pavimento térreo mais cinco, então seis pavimentos.
Seis pavimentos.
Seis pavimentos. Mas ainda não fui superado, infelizmente. Eu mesmo estou querendo me superar, mas até agora não aconteceu.
E o projeto arquitetônico do Aurora, de quem que é?
É nosso. Por que foi nosso também? É importante. Ele foi muito mais um laboratório para todos os nossos profissionais, um grande case de aprendizado interno da empresa, do que necessariamente um empreendimento para gerar lucro. Nós nunca visamos lucro no Aurora, mas sim ter ali um grande laboratório, uma grande oportunidade para que o nosso setor de engenharia aprendesse, os nossos montadores entenderem melhor como é trabalhar em alturas um pouco mais altas. É um edifício híbrido também, ele é todo hibridizado, então é um aprendizado assim... que o que ele custou, ele se pagou muitas vezes.
Eu imagino, porque ele facilitou a decisão dos empreendedores que querem construir madeira, tomar a melhor decisão.
Exato. Então, eu acho que a Aurora, o edifício da Henkel, na contribuição para o setor, foram decisivos, são prédios decisivos. Houve uma grande oportunidade que foi o prédio da XP, mas infelizmente ele não chegou a ser montado, mas era um edifício enorme, 22 mil metros quadrados de área. Nós fabricamos ele todinho, toda a estrutura foi fabricada e agora recentemente essa estrutura foi vendida, ele vai se transformar em outro tipo de edificação com um grande cliente também.
E o que você fez com essa estrutura que foi fabricada?
Então ela foi vendida.
Você consegue aproveitar em outro projeto?
Que recentemente foi vendida a um outro cliente. Readaptamos todo o projeto para que todas essas peças, que é um grande lego, fossem transformadas em um projeto hoteleiro. Toda essa estrutura vai virar três edifícios grandes Quartos de hotel.
Aqui no Brasil?
Aqui no Brasil.
Isso é muito legal.
E muito próximo daqui. Eu só não posso falar...
Não, tranquilo.
Por essas questões de... NDA, mas muito em breve você vai ficar sabendo.
Não, bacana. Então eu já tenho aí mais um case pra gente ir lá gravar na obra.
Também é um grande case. É um grande case e... Essas... Existem outros projetos muito interessantes na mesa. É um setor que me surpreende. Eu gostaria que ele fosse mais veloz, mas quando eu olho para trás, de onde nós saímos, de onde nós estamos, quando eu comecei a fabricar CLT e mesmo MLC, ninguém sabia direito o que era isso.
A gente pode considerar que a madeira engenheirada é o futuro da construção sustentável no país?
A madeira engenheirada inexoravelmente vai fazer parte do futuro e, como já é, do presente da construção civil, mas cada vez mais ela vai ter uma participação maior no mix de produtos. Isso, Paulo, não tem como escapar, porque ela é um produto de performance e é um produto que, quando bem projetado, quando bem estudado, Ele faz coisas maravilhosas a um valor extremamente competitivo.
Bom saber. E quais são as tendências aí dessa solução para o futuro?
Tendências de que sentido?
No sentido de tipos de construções.
Todos os tipos, Paulo. Hoje, nós quando começamos, nós fazíamos majoritariamente residências de alto padrão. Só. Chegou um ponto que eu chamei o pessoal e falei, olha, a gente não pode ficar preso a esse nicho de mercado, a gente tem que começar a explorar outros tipos de edificações. E isso tem acontecido com muito sucesso dentro da empresa. Nós fizemos, por exemplo, o novo centro de treinamento do Red Bull Bragantino, que é um edifício espetacular. Escolas, nós temos uma escola pública aqui em São Caetano, que é uma escola excepcional. Escolas públicas em Suzano também, disputando junto com outros sistemas construtivos. Colégio Santa Cruz, Colégio Infantil Santa Cruz. Estamos fazendo agora a biblioteca do Miguel de Cervantes.
Nossa, que legal.
Sim.
É um projeto lindo, inclusive.
Belíssimo. Edifícios corporativos de vários segmentos, galpões industriais. Enfim, esse mix já mudou bastante. Hoje, o que a gente menos faz são residências. A gente faz portarias de centros logísticos também, refeitórios para esses centros logísticos. Então, o mix mudou muito. Isso mostra que realmente a penetração que ele tem já é bem maior e diversificada. É isso que precisava acontecer, essa diversificação.
E, nessa medida, o mercado de concreto e de aço, ele já tem ali aquelas chamadas casas e prateleiras, né? Onde você vai lá e escolhe, já tem os modelos ali pré-definidos. Vocês, com essa estrutura toda, vocês já pensaram em ter esse tipo de solução para o mercado?
Nós temos, nós temos.
Já tem?
Que são as larges nervuradas, híbridas madeira concreto, que é um produto excepcional performa de uma maneira incrível, tá? E que você pode misturar essas lajes híbridas, madeira, concreto, com uma estrutura em alvenaria, com uma estrutura em pré-moldado de concreto, você pode numa estrutura metálica, numa estrutura de madeira engenherada, ela pode estar presente.
A laje pi lá do projeto de Jundiaí vocês conheceram?
Sim. E aquilo foi... estudado profundamente na empresa. Fizemos vários ensaios no laboratório de estrutura da USP de São Carlos. É um produto incrível. Eu vou... E belíssimo, né, Paulo?
Você terminar... Sensacional, na verdade. Tanto é que nós... Agora a gente vai começar a produzir muito conteúdo no portal Hub Construção e também vai gerar muitos conteúdos, graças a essa aproximação que temos. E no nosso time de comunicação, a gente tem o engenheiro Rafael dos Santos, que é autista, com super dotação e especialista em soluções construtivas inovadoras. Inclusive, eu vou te apresentar.
Eu vi um podcast seu com ele, junto com o Enrico.
Com o Enrico.
Foi muito legal, gostei muito, muito interessante.
É, ele é assim, é um cara fora da curva, assim, né?
Sim, sim, sim.
E agora pra gente, tem alguma pergunta que eu decidi te fazer, que você entende que é importante ter nesse episódio?
Pô, eu acredito que não. Eu acho que... Nesse tempo, acho que abordamos vários assuntos que estão relacionados com madeira engenherada, com projeto, com obras. Enfim, eu acho que foi bem interessante.
E a gente tem o quadro que você viu, o Convidado Convida. Quem você gostaria de convidar de uma forma que esse convidado contribua aí com o setor da construção civil como um todo?
Isso é uma saia justa, Paulo, porque eu conheço tanta gente e eu tenho... assim, grandes amigos no setor e confesso pra você que no caminho eu vim pensando nessa pessoa. Mas tem uma pessoa que eu tenho, assim, a certeza que vai enriquecer muito o programa e ele é um coringa, vamos dizer assim, né?
E joga em qualquer posição.
Ele joga muito bem em todas as posições, né? Que é o engenheiro Francisco Ode. Eu acho ele um cara incrível porque ele já é um engenheiro de muita experiência, mas ainda tem a cabeça muito jovem, muito curioso, muito atento e extremamente capaz e que fala com muita segurança e propriedade sobre engenharia e sistemas construtivos industrializados.
Bacana, então convida para aquela câmera.
Pode, você está convidado.
Tenho certeza que, em breve, teremos a presença. Agora eu queria passar para você as suas considerações finais e para a gente encerrar esse episódio.
Eu achei a sua última pergunta bastante pertinente, Paulo. Qual vai ser a participação da madeira engenheirada no futuro da construção civil? Como eu respondi, vai ter cada vez mais par e passo, cada vez mais importância, mais relevância. Ela vai conseguir se misturar cada vez mais com os outros materiais de uma maneira inteligente, de uma maneira racional. E quando olharmos para as nossas obras num futuro que não está muito distante, em todas elas você vai começar a ver elementos de madeira engenheirada, combinada com concreto, com aço, com vidro. Isso vai trazer uma questão de ambientes construídos mais agradáveis, mais... Como que eu posso dizer? Mais amigos do homem.
A palavra amigo, realmente.
Ele é um material que aproxima, que ele traz acolhimento. E acho que isso daí tudo vai ser muito positivo.
Bom, Zé, obrigado pela sua participação. Você que chegou até aqui, compartilhe nossos conteúdos, comente, manda para aquele amigo que você entende que vai fazer diferença na vida dele. E o aprendizado que eu tive aqui, nesse episódio gravado com você, poucas vezes a gente vê alguém No seu caso, você vem para falar de madeira, mas uma coisa que você fez muito foi falar das melhores soluções construtivas para cada tipo de obra. Então, é construindo pontes que a gente vai transformar a construção civil ou qualquer área da vida. Então a gente precisa, de fato, parar de defender tanto o nosso lado, defender o eu, e pensar no todo. É dessa forma que eu encerro o episódio de hoje, que diga-se de passagem, como sempre foi sensacional. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constra e Cash.
Muito obrigado, Paulo.
Sensacional.
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