Liderança na Construção Civil | ConstrueCast | Podcast de Engenharia, Arquitetura e Construção

YouTube podcast episode (ConstrueCast) in Portuguese where host André Abucham interviews Renato Cruz do Nascimento about leadership in construction. Renato frames leadership as rooted in three premises — origem (origin), crença (beliefs) and formação (formation) — and emphasizes human-centered leadership: know yourself and your people, invest in training, and prioritize 'salário emocional' (emotional rewards) alongside financial pay. He links safety (NR/NBR compliance) to productivity, argues that culture beats strategy, and offers practical guidance for leaders on listening, humility, ethics, emotion management and how to approach troubled employees. Several listener questions about leadership traits and implementing safety were answered with examples and maxims.
Chapters
Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtora Infinity Plus. E trago flores para você. Sejam bem-vindos a mais um episódio do ConstrueCast. E hoje para falar sobre um tema que eu reputo muito importante. Liderança, liderança na construção civil. Por que flores? Porque o convidado de hoje é Renato Flores. Seja bem-vindo ao nosso podcast, Renato. Obrigado.
Muito obrigado pelo convite e oportunidade de estar aqui somando com vocês.
Renato, uma curiosidade. Primeiro, por que Flores? E seu nome está ligado a quem? De onde veio esse sobrenome? Porque na construção civil isso já deve ter acontecido aí algumas coisas, enfim.
Esse nome faz parte do meu sobrenome, né? Depois eu vou contar uma história pra vocês no final aqui, pra gente fechar.
E é legal que...
Outro dia me perguntaram se o meu nome era artístico, né? Falei, não, é Flores do Nascimento, Nascimento de Pai. Meu pai chamou o Baldo Francisco Nascimento e a Dona Célia Maria Rodrigues Flores do Nascimento. Então a minha família no interior de São Paulo, Junqueirópolis, já tem um conhecimento da família Flores. E quando eu fui pro universo da construção civil, eu priorizei o Flores aí, pra dar essa diferença, exatamente pra ir num ambiente que poucas pessoas usariam esse nome, e eu tô usando Flores, e aí virou até o hashtag Flores no Coração.
Hashtag Flores no Coração. Quando você fala de nome artístico, uma curiosidade também que me surgiu agora, no seu Insta tem X no final. Por que X?
Uau! O X é interessante. Foi uma conexão que eu coloquei com a área que eu trabalho hoje, que é treinamento. Então, o X é um símbolo de multiplicação exponencial, crescimento. Um dos maiores símbolos de multiplicação que nós temos na história da humanidade foi a multiplicação dos pães. E quem fez foi Jesus. Jesus é o mestre dos mestres, líderes dos líderes. Então como eu tenho uma conexão muito forte com ele, pela liderança dele, e aqui sem entrar em detalhes de religião ou religiosidade, mas sim a essência dele como líder de equipe, então eu coloquei o X também. E o conhecimento é o único que quanto mais dividido for, mais multiplicado ele será. Por isso o X.
Muito importante esse ponto que você colocou agora. Para aquela câmera, repete a pauta de hoje.
Liderança na construção. Liderança. Nós vamos falar muito hoje sobre a essência da liderança. Como que é possível você fazer a diferença na vida das pessoas. E não é sobre treinamento, é sobre educação e desenvolvimento. Em liderança você tem que gostar de pessoas se você quiser ser um líder e trabalhar a sua essência existencial. É isso que a gente vai falar bastante hoje aqui.
É, e quando a gente fala de liderança, não importa o setor, mas, de fato, quando se trata de canteiro de obras, por exemplo, existe um desafio muito maior.
Sim.
Porque você tá lidando ali com... assim, com situações que nem sempre você tem um controle, por exemplo, diferentemente de um escritório, onde você tá ali no ar-condicionado, onde você tem controle das coisas. Agora, quando você tá ali, de fato, num evento, né, num canteiro, As coisas são totalmente diferentes.
É muito dinâmico, né?
Muito dinâmico. E eu queria que você só se apresentasse um pouquinho pra nossa audiência te conhecer um pouco mais antes de eu fazer a primeira pergunta e já adianto aqui. Eu espero continuar amigo dele até o final desse podcast. Eu vou trazer algumas provocações aqui.
Coisa só.
Só que como você tem flores, eu acredito que você tem um coração muito bom.
Vamos nessa.
Vamos lá.
Bom, eu sou o Renato Cruz do Nascimento. Faço 46 anos agora, dia 24 de novembro. Faço agora 46 anos. Dia 24 de novembro é minha data de aniversário. Faço o mesmo dia que minha esposa. Ela faz também dia 24.
Foi escolhida a dedo, hein?
É, foi bem forte isso. Eu sou de Junquerópolis, uma cidade interior de São Paulo. Papai e mamãe ainda moram lá, então eu tenho um carinho muito grande dessa cidade. Eu saí de lá com 20 anos de idade, em 1998, Copa do Mundo de 1998, com a oportunidade de trabalhar na construção civil. Minha primeira obra foi a construção da Penitenciária do Estado. E aí eu rodei quatro penitenciários, fui ganhando confiança, ganhando gosto pela construção civil. Tive a oportunidade de trabalhar em grandes construtoras, obra de óleo duto, gás duto, refinaria, ampliações de refinaria, reabilitação de rodovia. A obra que foi... É a obra da minha vida, um desafio gigantesco, onde eu aprendi a colocar a essência da liderança mesmo, estudando ali sobre como desenvolver pessoas. Foi uma obra numa comunidade carente no Rio de Janeiro. Então, eu participei de um projeto Favela-Bairro, muito desafiador, com todas as particularidades e complexidades de trabalhar numa área dessa. E trabalhei em obras prediais. E em 2013 eu tive a oportunidade de abrir a minha empresa. Hoje eu trabalho com consultoria. O que me levou a sair do trecho? Em 2007 eu comecei a entender que eu estava ficando muito distante da minha família. Então eu amava o trecho, gostava demais do trecho, rodava, só que dia 16 de maio de 2007 eu tive a oportunidade de estar em Vila Velha, lá no Espírito Santo, fazendo uma obra de saneamento grandiosa, e eu recebi um telefone seis horas da tarde. E esse telefone era meu pai. Eu falei, papai, não aguento pouquinho, eu tô numa missão aqui e tal, já falo com o senhor. Eu só fui falar com ele dez horas da noite. Aí quando eu liguei em casa, minha mãe falou assim, ô filho... Eu falei, nossa mãe, vocês tão fazendo churrasquinho em plena quarta-feira, que bacana, né? Ela falou, filho, é aniversário do pai, você esqueceu, né? Esqueci completamente, porque eu estava te esperando. Aí eu falei, cara, o trecho não é mais para mim. E aí, falei com a Carolina, na época minha noiva, falei, vida, vambora, tô indo embora. Larguei uma construtora grande. Hoje ela é meu cliente, né? Ela é minha cliente, a construtora que eu trabalhava. A última empresa que eu trabalhei como CLT foi minha primeira cliente como CNPJ. Então tem uma conexão forte com essa empresa. E depois veio uma oportunidade, nasceu a minha filha, a Manoela. Aí eu não quis mais ficar longe, não. Então eu falei, não, agora eu vou cuidar da minha filha, né? E hoje eu viajo muito o Brasil, então mais ou menos 3, 4 dias. Esse final de semana eu estava em São Luís do Maranhão, esse agora quinta-feira eu já estou indo para Natal. Então eu rodo os quatro cantos do Brasil aí com treinamento. Mas é 2, 3 dias lá, 3, 4 dias em casa, né?
É muito bacana a sua história porque eu me conecto muito assim, já passei por isso, eu tenho uma história um pouco... parecida com a sua e também nessa questão de viagens, né? Então, a gente tem aquela questão, né? A obra da vida.
Sim.
Né? Então, da mesma forma que você teve ali uma obra, uma situação que te marcou, enfim, eu já tenho aqui algumas. Vou te contar depois aí fora das gravações. Mas é uma pergunta, quando eu falo de provocação, de cuidado com a questão do canteiro de obra, com a questão da liderança. Renato, existe uma receita para uma liderança, para uma boa gestão? Por que eu te pergunto? Porque a gente vive hoje o mundo das coisas prontas. Ah, vou fazer ali um curso rápido, faça esse curso de dois dias, de três dias e você vai estar pronto. para tal situação. Existe essa receita?
Paulo, existe. O que que é importante? A pessoa que está assumindo a liderança, ela tem que entender três premissas. Antes de eu falar essas três premissas, eu queria mostrar pra vocês um pouco como que eu desenvolvi a diferença de ser segurança de trabalho, sou de formação TEC Segurança de Trabalho, e como que eu comecei a entender esse desafio. Quando eu entrei no mundo da construção civil, era humanamente impossível você pensar em fazer uma palestra de segurança de trabalho. Conheci do DDS, diálogo diário de segurança, reuniões com a produção para se falar de segurança de trabalho. Era, assim, uma resistência, sabe? Você chegar num mestre de obra, num engenheiro, as pessoas não queriam. Eu comecei, eu faço essa brincadeira, falo, ah, ninguém gosta de mim, né? Ninguém gosta de mim. Não, mas não é que nem gostavam do Renato Flores do Nascimento. As pessoas não gostavam do técnico de segurança. Aí eu analisei, cara, também não é o técnico de segurança. As pessoas não gostam da segurança. E aqui vem uma máxima que eu trabalho muito, que é o técnico de segurança não para a obra. Quem para a obra é a produção por não se fazer condições seguras no meio do trabalho. Então, a falta de segurança faz com que o profissional dê segurança, por isso a diferença de segurança do e no trabalho. Segurança do trabalho são os profissionais, segurança do trabalho são todos. Quando eu comecei a entender que existia esse desafio de não querer fazer segurança do trabalho, entendendo que era um mal necessário, Eu falei, cara, eu tenho que entrar na mente deles. Eu tenho que entender o que que ele entende, o quanto que ele entende.
E como que ele tá vendo, né? Como que ele... De que forma ele tá vendo isso, né?
O quanto que ele tá preparado, né? Como você falou. Eu não posso hoje, eu como mentor, facilitador de treinamento, eu tenho uma imersão de três dias e tenho um projeto que a gente fica 12 encontros, são 96 horas, pra você formar uma pessoa. E a gente tem que respeitar que algumas pessoas não mudam. Doutor Augusto Cura, ele fala muito forte isso. Ninguém muda ninguém. Você pode até prejudicar a vida de alguém se você tentar mudar ela. Mas você pode dar um caminho. Então qual que é o caminho? Qual que é a receita? Antes de você entender uma pessoa, tem três premissas que você precisa respeitar. Se eu fosse você anotava essa, que vai ser interessante.
Gente, você que tá ouvindo pelas plataformas de áudio, se estiver dirigindo, enfim, se estiver, tenta anotar porque Eu nem sei, mas tendo em vista que o convidado de hoje é muito respeitado no meio, vale a pena anotar.
Vale. Origem, crença e formação.
Origem, crença e formação.
Não é crença religiosa, mas é só crença limitante ou empoderadora. O que é importante você entender como origem? Cada um de nós temos uma origem. Certo? Então eu tenho que entender desde a origem de Berço, a origem da cidade que eu vim.
Que tá ligado à essência.
A essência. A essência da pessoa. Então hoje você pega, com muito respeito, você pega as pessoas, coloca num canteiro de obra e dá uma data pra ela fechar essa obra. Não adianta bater metas se o objetivo não for cumprido. Então você vai lá e fala, ó, começou a obra, o cara, o responsável, o preposto da empresa, o diretor da empresa assina lá o contrato, tirou a caneta, Acabou. Você tem que cumprir. Não adianta, quando a gente fala, não adianta bater meta. Se a construtora não bater meta, ela quebra. Se ela não faturar, ela não merde. Se ela não medir, ela não recebe. Vamos ter problema. Mas toda empresa que foca em meta, esquece o objetivo. Focou no objetivo, vai bater as metas. Então, foque no objetivo. Então, respondendo a pergunta, existe uma receita para se fazer liderança? Existe. Respeitar as pessoas na origem, crença e formação. Quando a gente fala de liderança, você precisa entender que liderança é sobre os outros, não é sobre você. Então, entender as pessoas, ouvir para entender e não para responder, é uma sequência, é uma somatória de habilidades que nós temos. Por exemplo, primeira habilidade do líder, entender para atender. Entender as pessoas, a origem, a crença e a formação. O que aquela pessoa acredita, o quanto ela conhece. E a formação não é a formação técnica, Paulo, não é a acadêmica dela, é como ela foi formada. Poxa, você pega hoje um líder de equipe, hoje, pelo menos dentro de 1998 pra cá, eu posso dizer que eu acompanhei a evolução de algumas pessoas. Você pega um cara que se destacou em determinada disciplina dentro de uma obra, e ele é convidado por experiência e por entrega de resultado, ele vira líder de equipe. Poxa, mas você não preparou ele.
Não foi preparado.
Não foi, então ele é um encarregado. Aí ele tem um status. E geralmente o que que acontece? Eu fui zoado quando eu era servente. Eu fui zoado quando eu fui encarregado. Então agora também eu vou ser duro.
Que é ação e reação.
Ação e reação. Eu fui formado assim, entende?
O ciclo... Sim, sim. É até trazendo um... Não perca o seu raciocínio. É igual quando você é criado apanhando do seu pai. Geralmente você tende a reproduzir aquilo. Muitas vezes você não tem culpa. Porque você foi criado daquela forma.
Exato.
Entende? Então, nesse sentido, nessa linha que você tá falando, eu entendo que o meio em qual você está inserido também influencia muito.
Sim.
Porque tem aquele pai muitas vezes que ele é agressivo, ele tá com uma boa intenção muitas vezes, mesmo batendo, tentando educar aquele filho. Mas quando vem um olhar de fora e tenta direcionar que essa forma não tá correta, você... Tente seguir esse caminho e analise o comportamento do seu filho.
Perfeito.
Entende?
É essa linha.
Essa linha. Isso é preparar.
Isso é. E pode ser utilizado a origem, crença e formação. Só que eu tenho que entender que eu vivo ciclos. Peraí. O meu avô brigava com o meu pai. Meu pai brigava comigo. Eu necessariamente preciso bater no meu filho? Preciso treinar meu filho, preciso educar meu filho. A liberdade só cresce no terreno do amor. A liberdade só cresce, ela só evolui no terreno do amor. Então, muitas vezes o ser duro, a gente trabalha uma máxima hoje nos treinamentos, que é duro com os processos, gentil com as pessoas. Então... Duro com os processos... Gentil com as pessoas.
Gentil com as pessoas.
Ser gentil não é ser bonzinho. Entende? É ser justo. Então, eu tenho um processo que eu tenho que ser seguido. Eu, como líder de equipe, eu tenho resultados. Eu tenho que entender os objetivos da empresa. Satisfação do cliente, entrega do produto, qualidade do produto, garantia do produto, meu responde civil e criminal. Vem uma bronca agora, para quem ainda não entendeu, CNPJ paga a conta, CPF vai preso. O que você quer dizer com isso, Flores? Que muitas pessoas se preocupam em entregar a obra, mas não entendem a responsabilidade civil e criminal que você tem. Ah, mas é a empresa, é a construtora. Tá bom, cara, alguém vai pagar a conta.
Alguém vai pagar a conta.
Só que você vai ser responsável civil e criminal pela justiça comum e do trabalho. Então, o líder de equipe, ele precisa, na receita dele, entender que leva-se um tempo. Você tem o cognitivo das pessoas, tem pessoas que evoluem mais rápido, tem pessoas que não vão evoluir, não querem. Por quê? Porque elas não se permitem mudar. Elas até querem, mas elas não se permitem. Muitas vezes, lá na construção civil, você vai ver uma pessoa e ela começa a querer fazer, por exemplo, a segurança do trabalho. Pô, você está ficando bonzinho agora. Aí o que que acontece? Como ele pertence a um time de profissionais que foi criado na pancada, poxa, eu não posso mudar. Eu não vou me permitir, porque se eu sair daqui, o time que eu pertenço, que são os líderes mais duros, eles vão me sacanear. Então ele não se permite mudar.
Que é o que a gente pode chamar de bolha.
Sim, sim. É permissão. Eu preciso permitir. Não é porque eu fui criado assim que eu tenho que ser assim. Eu tenho que ser seriedade, serenidade, sensibilidade e sensitividade. Jamais severidade. Eu tenho que ser duro com os processos. Eu tenho normas reglamentadoras. As diretrizes normativas. Hoje são 38 normas reglamentadoras. Duas foram revogadas. Nós temos aí das 36, 33 passaram por uma nova revisão. Eu tenho que entender que a INR diz o que fazer e não o como fazer. Daí eu preciso da equipe multidisciplinar. Então, para o líder chegar em uma liderança de excelência, primeiro ele tem que se respeitar. Ele tem que pedir ajuda e se ajudar. Como ele foi criado, gerado e formado daquele jeito, Ele se perde. E ele se confunde. Pera lá. A gente fala. Você sabe o que fazer. Muitas vezes você não sabe o como fazer. Entende? Quantas normas reglamentadoras você precisa atender para fazer a sua atividade, uma etapa dela? Quantas NBRs você tem que seguir para você fazer a sua atividade? Quais são os procedimentos internos, procedimentos dos clientes que você precisa dominar? E muitas vezes você sabe o que fazer, e por você saber o que fazer e ter entrega de resultado, você acredita que você chega lá e bora, eu tenho que bater meta e eu... Tô bom, tô ganhando, tô fazendo.
Que é a questão da cegueira, né? Eu tô tão focado naquele objetivo de atingir aquela meta de entrega, e eu acabo deixando de prestar atenção ali, muitas vezes, nas pessoas do meu time que estão envolvidas, e como elas estão fazendo aquilo de fato.
Exato. Qual o outro desafio que tem no mundo da construção civil, principalmente? O famoso cabô-lavô. Isso aí foi um... Uma estratégia, e aqui eu trago mais uma máxima, eu vou usar bastante máximas, tá? Eu gosto demais. A cultura engole a estratégia no café da manhã. Isso é forte. Se você não tiver uma cultura bem definida na sua empresa, você vai vir com uma estratégia. Uma estratégia, por exemplo, é o cabô-lavô. Para você ganhar, ter um ganho, uma agilidade de produção, você chega para o funcionário e fala assim, ó, cabô-lavô. Quer dizer, quanto mais cedo você acabar, você vai pra casa e eu te pago o dia. Ou tarefa, se você fizer isso aqui em dois dias, eu te pago três, tal. O que você tá fazendo? Você tá comprando o cara. Só que você tá expondo ele, porque ele vai esquecer de tudo. Use o objetivo, porque o foco dele é meta financeira.
Mas aí, Flores, eu também tenho uma reflexão, eu diria. Hoje a gente está vivendo, da mesma forma que, me desculpem o termo, que a gente vive hoje muitas vezes a geração mimimi, tudo ofende, a gente também vive o medo, eu enquanto empresa, Muitas vezes eu tenho ali um funcionário que é muito dedicado. Muitas vezes ele quer estar junto. Às vezes esse líder tem medo. Eu tenho uma reunião estratégica que vai acontecer, está horário fora daquele expediente de trabalho e muitas vezes eu não envolvo aquele funcionário com medo, muitas vezes até da pressão CLT. Entende? Como que o líder deve trabalhar isso? Porque eu entendo que muitas vezes, tudo bem, o líder ele tem que incentivar esse profissional ali a fazer mais, a entregar mais, de uma forma que ele esteja ali de fato jogando o jogo. Porque a gente, enquanto líder, a gente espera também esse funcionário, pô, eu tive essa ideia aqui, Eu posso contar com você fora do horário comercial, ou muitas vezes num feriado, ou num domingo, ou num sábado? Por que que eu tô te perguntando isso? Muitas vezes no calor do dia a dia, a gente acaba... entrando naquele modo automático e as coisas realmente, as tomadas de decisões, elas vêm fora desse horário.
Sim.
Entende? Então, você enquanto tem essa habilidade para gestão, para incentivar esses profissionais, Como você entende que isso deve ocorrer? Tem que partir muito mais do líder, porque... E tem uma parcela também desse colaborador ou empregado, como alguns chamam, enfim.
Paulo, o líder, ele é um direcionador de pessoas. O fato de você mostrar a meta é interessante e é importante e é preciso, ok? Mas eu tenho que mostrar os objetivos. Como que eu vou mostrar os objetivos? Mostrando a cultura, treinando pessoas, formando pessoas. Muitas vezes a obra, e cada vez mais está desafiador as obras, porque o menor tempo, cada vez o tempo menor, preço de obra menor, preço de material e um monte de obra cada vez mais difícil de você encontrar. Então você tem essa combinação bombástica de você ter uma obra feita num tempo como ela precisa ser feita. Então o que precisa deixar bem claro? Como líder, como líder de equipe, você na construção da sua liderança, como você perguntou, da receita, cada um dos seus liderados, você precisa fazer esse exercício de entender crença, origem e formação. Quando você tem uma equipe alinhada, você conhece os objetivos da empresa, você trabalha isso com ele, você vai formar, incentivar e reter profissionais. O reter não é só financeiramente. Muitas vezes... Qual que é o salário mais buscado hoje, é procurado a nível mundial? Salário emocional.
Salário emocional.
Não é isso?
Sim.
Quanto custa para você estar ganhando seu salário hoje? Bom, às vezes você vê num canteiro de obra o cara, ah, vou embora porque ela está pagando 1,50. Não aguento mais esse encarregado.
Eu queria que você detalhasse mais essa questão do salário emocional. Porque assim, eu tenho um entendimento do que é um salário emocional. E você, por conta do que você vive no dia-a-dia, você tem muita autoridade pra falar sobre isso. No dia-a-dia eu ouço muito, às vezes eu tô ali num canteiro de obra e as vezes eu falo, Paulo, eu tô indo pra tal canteiro porque tal construtora tá pagando X% a mais que aqui. E às vezes essa pessoa tem um ambiente tão incrível. Porque você sabe, canteiro de obra, acho que quem vive canteiro de obra, é um ambiente... transformador.
Sim.
E nesse sentido as pessoas acho que elas se vendem por tão pouco. Porque quanto vale, por exemplo, você tá trabalhando numa empresa onde você tem ali um amigo, um líder que abraça a sua causa, que de repente você tá com um problema fora ali no seu pessoal e essa pessoa te entende, porque toda relação ela é construída. Então eu queria que você falasse um pouco o que é salário emocional e como isso é desenvolvido dentro da companhia.
Vou dar um exemplo vivido pelo Flores em 2005, 2006. Eu trabalhei em 2001, 2002, 2003 e 2004 em área de óleo duto e montagem de refinaria e destilaria de álcool e petróleo, refinaria e destilaria. Eu fui convidado a participar de um projeto numa favela, com muito respeito a uma comunidade carente na cidade do Rio de Janeiro. Complexa demais todo o conflito que tem, que vocês conhecem das histórias aí da televisão. E eu fui convidado, logo assim seis meses de obra, a voltar a trabalhar com Olho Duto. Uma grande construtora me ligou, Flores, você vem trabalhar com a gente e tal? Quanto é que você tá ganhando aí? Falei, tô ganhando X. Na época era um bom salário. Então vem, a gente consegue 50% do aumento, vou te dar mais 30% mais isso ou aquilo. Que isso, cara. Salário financeiro. A empresa que eu estava trabalhando chegou para mim e falou assim, você vai ficar, eu cubro a oferta, você fica aqui. E eu falei, cara, mas aí ele falou assim, não, fica tranquilo, a gente vai te dar isso, isso e isso. E questionando muito se o que eu ia, para onde eu ia e o quanto que eu estava desenvolvendo ali, O salário emocional do desenvolvimento de líder de equipe, que eu estava liderando pessoas dentro de uma comunidade, contribuindo com a vida de pessoas, favorecendo pessoas e a obra, tanto é que eu fiquei dois anos nesse projeto, e por isso que eu chamo que é a obra da minha vida, porque foi transformador e acredito muito no que eu sei fazer, no que eu aprendi muito de lidar com pessoas, foi extremamente importante essa obra na minha vida. Então o salário emocional falou muito mais alto que o financeiro. E já teve lugares que eu fiquei 17 dias, ganhando um bom salário em 2000 ali. Deixa eu ver, por volta de 2007, eu fiquei 17 dias, obra de óleo duto, eu cheguei e falei, cara, vou embora. Salário bom, falei, vou embora. Isso tá muito caro pra... Fiquei 30 dias numa empresa, eu pedi a conta. Eu não fico. Falei, não vou ficar, porque tá custando muito caro pra eu ganhar isso. Então, hoje, o que que a gente trabalha nos líderes, principalmente nos treinamentos, na consultoria e na mentoria que eu faço nas empresas? Você tem que formar pessoas, Você tem que treinar pessoas e você tem que reter pessoas. Quando você leva a formação de pessoas, que você fala com ela, você ensina ela, você entende a realidade, a necessidade dela. Você aprende a dar bom dia, você chama pelo nome. Você consegue envolver essa pessoa através da mente mestra. Quando você tem esse desenvolvimento e respeito à sua essência existencial, eu trabalho com cinco pilares. Quais são esses cinco pilares importantes? Primeiro, autoconhecimento. Tem que se respeitar. Conheça a ti mesmo e não temerás o teu inimigo. Conheça a ti mesmo e terás o poder de Deus, o poder divino do mundo. É muito importante esse autoconhecimento. Segundo, conheça as pessoas. Verdadeiramente, você conhece as pessoas com quem você trabalha? Você sabe a realidade, a necessidade? Às vezes o cara, esse às vezes vem com dúvida, tá? Eu não sei onde a pessoa mora. Ela mora num lugar que tem uma situação difícil, ela dormiu a noite. Eu, na minha casa, na frente, eu moro num apartamento, terceiro andar, de frente pra rua. De um lado é prédio, do outro são casas. Cada casa tem três, quatro cachorros. Pra dormir durante o dia é absurdo. Flores, você dorme durante o dia? Sim, às vezes eu pego e falo, vou dormir um pouco mais tarde. Eu viajo, eu durmo muito pouco, eu viajo muito. Não dá. É impossível. Eu fico imaginando um cara que trabalha noturno, ali, e precisa dormir durante o dia, ele passa mal. Conheça as pessoas. Conheça as atividades. O conhecer as atividades não é o que fazer, é o como fazer. Exemplo, instalar um ar-condicionado a 2 metros de altura. Beleza, isso é o que fazer. Como fazer? NBR e NR. montar andando, treinamentos, conversar, a pessoa sabe, não sabe, quanto que ela conhece. Conheça as pessoas e conheça as atividades. Conheça a empresa. Você precisa saber missão, visão, valores, entender como que a empresa tá, qual que é a cultura da empresa. E aí o quinto, não menos importante, que perda e meia por todos, seja mais humano. Então a partir do momento que você tá falando que eu preciso entender, eu vou repetir bastante que é pra ficar bem gravado. Origem das pessoas. Cara, essa pessoa veio de onde do Brasil? qual é o ciclo, qual é a crença dela, qual que é a formação. Tem muita gente que acredita que técnico de segurança para obra, tem muita gente, engenheiros, mestres de obras, que acredita que técnico de segurança só atrapalha. Mas a partir do momento que eu entendo que segurança no trabalho, eu vou gerar segurança organizacional, operacional, ocupacional, Eu vou ter um time treinado, preparado, com condições de saber o como fazer, eu vou errar menos.
Sim, inclusive você vai cuidar para que aquele profissional volte para casa com segurança.
Perfeito.
Para encontrar a família.
Perfeito. E aí, se ele vai errar menos, ele vai parar menos. Se ele para menos, ele produz mais. Logo, segurança no trabalho também é sinônimo de produtividade. Então eu preciso entender que a segurança do trabalho, ela gera uma qualidade de serviço, ela gera uma condição de serviço.
Flores, e nesse sentido de desenvolvimento de liderança, eu, no meu entendimento, eu entendo que o ciclo no qual você está inserido fora do dia a dia da companhia, da empresa, influencia muito. Quando eu falo em desenvolvimento de líderes, esses líderes ou futuros líderes, eles tendem a ter um comportamento diferente dos demais funcionários ali. Só que, muitas vezes, imagina que esse cara não tem ali uma... De repente, não tem um amigo no ciclo dele, ele está inserido, muitas vezes, numa família que limita isso dele. Agora, como que ele busca esse desenvolvimento, de repente visitando outros lugares, visitando, muitas vezes, uma academia melhor, um restaurante melhor. Porque é o que a gente... Às vezes, quando a gente tenta buscar isso, também tem a questão do... Ah, mas eu não tenho condição de fazer isso. Ah, eu não vou visitar essa academia porque ela é mais cara. E ele não tem esse olhar, que muitas vezes, quando eu vou nessa academia, eu tenho... Essas pessoas pertencem a outro ciclo e, consequentemente, elas vão te trazer um olhar, elas vão te trazer uma provocação, quando você fala de autoconhecimento. Porque, muitas vezes, tudo bem, eu vivo num lugar, eu vivo numa rua, eu vivo num bairro, mas aquele bairro, tudo bem, eu só durmo, mas eu não me vejo ali. Agora, como que eu busco ajuda?
Lembra que a gente comentou sobre permissão? A pessoa precisa ter permissão, ela precisa se permitir isso. Quando ela consegue desenvolver a sua vida profissional e pessoal, ela leva. Então se a empresa investe em pessoas, treina pessoas, veja só, hoje no treinamento, no desenvolvimento que a gente faz, porque treinamento é treinar, preparar pessoas, o grupo de pessoas. Desenvolvimento é o quanto que você vai ter depois daquilo. Hoje a gente fala essência da liderança, a essência mesmo, autoconhecimento para depois falar de conhecer pessoas. Autoliderança e liderança. Liderança é sobre os outros, não é sobre você. A gente vai falar sobre conhecendo os riscos da sua atividade. Percepção de risco no sentido de desafio, impacto e solução. Todo problema tem uma recompensa. Então quais são os desafios na sua vida hoje, pessoal e profissional? Qual é o impacto que isso está causando? E como você vai fazer isso mudar na sua vida?
E nesse sentido de autoconhecimento, quando você tem consciência disso... Imagina que eu tenho uma pessoa que eu acredito muito no potencial dessa pessoa. Ela tem um potencial excepcional. Mas você entende que tem que partir dessa pessoa, por exemplo, esse pedido de ajuda. Eu sou dependente emocionalmente de tal coisa, de tal situação. E se eu fizer tal coisa, por exemplo, ah, o que isso vai impactar na minha vida daqui X anos? Será que essa pessoa ou situação vai estar comigo, de repente, nessa trajetória de sucesso? Ou eu serei abandonada ou abandonado? Como lidar com isso? Porque você sabe muito bem que isso acontece.
Sim.
Parte da minha vida, do meu sucesso profissional, aconteceu sempre por conta de situações de amigos, colegas que tinham a viagem marcada muitas vezes, mas ele tava ali num relacionamento e a pessoa colocava na parede ou a viagem ou eu. Então a gente tá vivendo infelizmente num mundo que... A gente vive de alguma forma dependente emocionalmente de uma situação ou alguém. Como lidar com isso?
Hoje, por conta até mesmo das redes sociais, que ajudam muito, mas as pessoas estão medindo muito a vida dela com a régua dos outros. Isso é um grande erro. Eu posso modelar pessoas. Poxa, o que esse cara fez pra conquistar isso? Deixa eu ver se pertence aos meus princípios e valores. Tem muita gente aí que tá... contente com o lado financeiro, mas não sabe quais são os princípios e valores. Tanto é que a gente fala muito isso no desenvolvimento de liderança. Então, quando a gente está ali falando da construção das pessoas, da formação das pessoas, eu tenho que entender a realidade de cada um, eu tenho que mostrar para elas os resultados, certo? Quais resultados positivos. Eu tenho que mostrar para ele que não adianta bater meta, se não for cumprido o objetivo, que esses objetivos é a questão, por exemplo, consequências de um acidente. Qual é a consequência de um acidente? Muita gente faz análise de risco na obra pensando única e exclusivamente pela obrigatoriedade de cumprimento normativo. Esquece! A APR é um direcionador de como evitar um acidente. Ali está dizendo o como eu vou fazer, o que fazer, tarefa, como. Você descreve tudo. Quando eu começo a colocar para o líder de equipe isso, que eu falo para ele sobre delegar e fiscalizar, que é a arte da comunicação. Na comunicação violenta, que a gente também conversa muito, tem uma máxima que Marshall fala que toda agressão é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida. Então, Napoleão Rio vai trazer para a gente, a necessidade é a mãe da criatividade e o pai do crime. Quando você começa a levar para o seu pessoal, para o seu liderado, para o seu funcionário, que aquela necessidade de se fazer uma coisa bem feita, de se fazer algo, na necessidade financeira dele, na necessidade emocional, você pode ter a criatividade de algo bom na vida dele, ele vai começar a entender. Só que ao mesmo tempo, é preciso entender que existe mentalidade fixa e de crescimento. A de crescimento vai expandir, a fixa vai se limitar e não vai se permitir mudar. Ela não vai, não adianta.
E isso tem que estar muito claro, porque muitas vezes essa pessoa não faz parte, muitas vezes, do momento dessa empresa.
Duro com os processos, gentil com as pessoas. Você não entendeu a missão da empresa, nesse momento eu vou te dar uma oportunidade de novos negócios no mercado. Você está dizendo mandar embora? Sim. O que é importante?
Até só para... Eu gosto muito de... Eu acredito... Tem gente que acredita que existe um mundo fora da empresa, um mundo pessoal e um mundo profissional. Eu falo aqui abertamente que pra mim não existe. Quando eu trago pra um relacionamento, muitas vezes tu tem um relacionamento difícil e você continua batendo ali na tecla, batendo na tecla. Você está deixando de se permitir que você encontre alguém que entenda ali o seu jeito, ou que tenha mais ou menos, que viva aquele mundo que você acredita, e você está impedindo muitas vezes essa pessoa também de encontrar alguém que pense como ela. Por exemplo, de repente eu posso ter uma mente fixa, e eu vou me conectar com outra pessoa e vai estar tudo bem. Agora, se eu tenho uma mente, não, eu penso lá na frente, eu quero... a mim, o meu estilo de vida é isso, é crescimento, é encontrar novas oportunidades, é transformar a vida de outras pessoas através do meu conhecimento, ou seja, eu preciso me conectar com alguém que pense pelo menos parecidos, parecido comigo. Você consegue trazer, de repente, algum exemplo do que é essa pessoa mente fixa e mente evoluída?
O que é importante a gente entender? Quando a gente fala de liderança, liderança tem muito a ver com empatia. O que é empatia? Quando a gente fala em empatear, não é se colocar no lugar dos outros. Você não consegue. Ah, eu tenho empatia. Vai na Cracolândia lá e vive que o cara vive. Você vai explodir. Mas é ver com os olhos dos outros o que ele não está conseguindo enxergar. E muitas vezes eu tenho que entender que empatia é cognitivo e emocional. Então, indo pra linha do que você perguntou, como que a gente faz isso? Eu tenho um funcionário com baixo valor, valores dele tá distorcido, e pouca entrega, o que que eu tenho que fazer com ele? Tchau e obrigada. Não adianta eu ficar com uma pessoa que tá distorcida, que tá comprometendo, que tá fazendo coisas fora daquilo que eu estou determinando pra ela. O processo tem que ser seguido. Eu respondo serviço criminal, como empresa, eu sou obrigado a cumprir e fazer cumprir. A NR1 deixa claro isso. Então, muitas vezes, a empresa é responsabilizada por um funcionário que não cumpre aquilo que ele tem por obrigação legal e normativa de cumprir. Então, cara, seus valores estão distorcidos dos valores da empresa. A sua entrega tá baixa. Tchau.
E é importante essa questão da comunicação, você tem que tá muito claro, anotado, ali escrito. Muito próximo, muito próximo.
Treinamento, treinamento.
Tá claro isso pra você? Porque de repente... o one-on-one, quando precisa ser feito, ó, reforça, sabe? Ah, porque assim, no fundo, no fundo, as pessoas dão sinais.
Sim.
Né? Então ela já sabe, ó, isso aqui, ela sabe que ela tá sendo desligada, o porquê. Quando a gente fala, inclusive, de comportamento, a maioria desses desligamentos, eles acontecem por... pela questão de comportamento.
Sim.
Tô errado?
Sim. Não, não. Ou é fase da obra, ou é comportamental. Agora, vem um item muito importante. Por que a gente erra bastante? Porque a gente trabalha o comportamento e não a mentalidade. O dia que a gente começar a trabalhar, durante muito tempo, permita essa observação, durante muito tempo, a gente trabalhava assim, mudança de comportamento e atitude. Não é mudança de comportamento e atitude, eu tenho que trabalhar e incentivar as pessoas a mudar a mentalidade dela, mostrar para ela novos caminhos. O ignorante do século XXI não é aquele que não sabe ler e escrever, aquele que não está preparado para aprender reaprender, desaprender e reaprender. Então, o fato dele ter feito assim a vida inteira, eu tenho que mostrar para ele um novo caminho. E aí eu entendo que os valores deles, o valor dessa pessoa é bom e a entrega está sendo baixa, o que eu vou fazer? Eu vou investir nele. Cara, você tem bons valores, só que sua entrega não está legal. Você está trabalhando comigo de um jeito, eu entendo que você aprendeu a fazer assim, mas há uma oportunidade de você mudar. Topa mudar? Vou treinar você. Você tem um cara com bons valores e alta entrega? Investe nesse cara. Baixo valor e baixa entrega? Tchau. Muito bons valores e baixa entrega? Treina. Você tem um cara com bons valores e alta entrega? Investe. Então quando eu pego, como que é a leitura que a gente faz hoje das obras? Pô, abre lá uma seleção de contratação, x número de funcionários, diversas atividades, coloca o cara na obra, faz uma integração, na maioria das vezes uma integração de uma, duas horas. O profissional que faz a integração não é preparado para falar de tudo. que é um grande desafio. Eu como professor de SENAC, eu sou professor convidado do SENAC também, vejo que algumas pessoas vão fazer o curso de Tecnologia, Segurança e Trabalho, chega lá, não sabe o que é o curso, não entende, quando vê, fala, meu Deus, eu não sabia que era isso. Aí o cara não tá preparado, aí ele pega uma velocidade pra fazer um treinamento, leva pra obra, produção em cima, o cara chega numa velocidade, a obra já tem oito meses, e aí às vezes ele fica ali 30, 40 dias e já é dispensado. O quanto que o encarregado dele teve tempo de parar um, dois dias pra falar? As pessoas falam assim, Flores, mas tem que dar treinamento. Eu falo, tá bom. Pra que que eu vou dar esse treinamento? O que que eu vou falar? qual a carga horária, qual que é o conteúdo, com base no quê que eu vou falar, quem vai participar e quem vai ser o facilitador.
Eu tenho uma outra pergunta. Antes de falar da questão da indústria, como que eu, enquanto empresa, devo investir no setor de segurança, no setor de RH, eu vou fazer uma última para a gente entrar nessa questão do outro lado, porque a gente falou muito da questão ali quem está na linha de frente, porque muitas vezes eu como líder eu tenho que estar respondendo alguém, agora o que eu estou tendo de feedback de fato, o que eu estou tendo de apoio para trabalhar essa minha liderança, quando você fala de comportamento de treinamento, se eu não tiver apoio ali da alta liderança, enfim...
Não vai.
Não vai, a coisa não vai. Não vai funcionar. Então, só fazer uma perguntinha aqui rápida, Como você acredita que a liderança transformacional na construção civil deve acontecer? Como você acredita que a liderança transformacional na construção civil deve acontecer? Eu trago isso pra dentro do canteiro de obra, por conta do desafio de gestão de canteiro.
Preparando melhor os líderes. A empresa precisa investir em desenvolvimento pessoal e profissional.
Ótimo, e aí eu faço agora a minha pergunta. Quando você fala de preparar melhor os líderes, eu entendo que enquanto eu tô lá na alta direção, eu tenho gente lá no canteiro de obra. E muitas vezes eu não estou indo lá pra viver a realidade. Então, quando eu falo de treinamento, quando eu falo de treinamento, não necessariamente é uma habilidade. Treinamento, muitas vezes é você olhar pra um funcionário e você entender que muitas vezes ele tá lá, o filho faleceu ontem, ou muitas vezes ele não dormiu à noite, porque ele vive ali numa situação que, infelizmente, eu já tive funcionários aqui e tinha esse lance, o cara chegava cansado, o que tá acontecendo? Aí às vezes eu tenho que pegar, eu sei que não dá pra fazer isso sempre, mas, cara, você tá cansado, o que tá acontecendo? E ele falar pra mim, vai, fala o seguinte, fica nesse lugar. Fica uma semana aqui fora da sua casa. Tentei fazer. Ele voltou ser muito produtivo. Voltou com uma produção e criatividade absurda. Só que depois ele preferiu voltar pra comunidade dele.
Como que você aplicou isso nele nessa semana?
Eu... A gente mede. A gente mede a questão de criatividade, a questão de tempo, por exemplo. Quanto que ele tá quanto tempo ele tá levando pra desenvolver isso e como que tá a criatividade dele no sentido de tudo que a gente faz quando a gente cria alguma coisa eu não trago só o meu olhar a minha experiência eu trago o olhar muitas vezes de um tem cliente que você acaba tendo uma relação esse cliente é um pouco mais chato ele é um pouco mais exigente ah deixa eu fazer alguma coisa pra esse cliente só pra testar e assim Por unanimidade, aquele cliente que muitas vezes aprovava uma arte dessa pessoa em três tentativas, ele foi lá e aprovou de primeira. Entende? A rapidez, o jeito dele com o time, tava muito diferente. Só que daí eu falei, ó, cê quer eu consigo pagar um aluguel pra você vir morar aqui perto? Só que ele falou, não, eu prefiro morar na minha comunidade, ficar perto da minha família.
É o pertencimento, né?
Você entende?
Ele sozinho, ele se sente sozinho, ele não consegue desenvolver. Tem muita gente que vive bem sozinho. É errado pensar sozinho, né? Você tem a dualidade, você nunca vai estar sozinho, né? Mas... Tem pessoas que não conseguem. Mas o que você fez pra conseguir esse resultado? Você investiu em pessoas.
Eu investi em pessoas.
Tem que investir em pessoas. Primeiro, eu tenho que entender que existe uma certidão de nascimento antes do contrato de trabalho. Existe o RG e o CPF antes do crachá. As pessoas querem só investir no profissional. Tá errado. É forte quando eu falo que tá errado. O seu jeito de pensar é o seu jeito de pensar e tá tudo bem. Só que eu tenho que pensar em pessoas. A liderança é investir em pessoas. Se eu não entender como é que ela tá na vida pessoal, ah, mas eu não tenho nada a ver com a vida pessoal dela. Tem, cara. Às vezes o seu modo de falar, o seu modo de ser, de agir... E se vestir. É. Você faz o cara chegar na casa dele e o cara tem uma vida agressiva com a família porque você teve um dia difícil. Eu cheguei em casa, você não sabe o dia que eu tive, pô meu chefe, o cara briga, vai levar a discussão pra família. Muitas vezes você investiu naquela pessoa, uma forma de falar, de conduzir a pessoa, fala caramba, eu tive um dia difícil, poxa, mas olha o meu líder de equipe, o cara é fera. O cara é brabo, mas é uma mãe, né, como a gente brinca. Puxa a minha orelha, mas o cara tá ali, é ponta firme. Entende? Eu às vezes faço treinamentos, desenvolvimento aí Brasil afora, quando menos espera, O cara me manda um particular e dizem, cara, você mudou a vida da minha filha. Outro dia mesmo eu recebi um certificado do filho dele que passou de ano. Flores, obrigado por você ter contribuído com o estudo do meu filho. Falei, mas eu? Ele falou, é cara, lembra aquela conversa que nós tivemos nos bastidores do treinamento? Quando você falou isso, isso, isso, e eu coloquei em prática. Eu falei, caramba, eu não sabia que eu estava contribuindo com a formação do filho que não... ele estava com medo de ficar de recuperação, passou direto. Por quê? Porque a gente, eu conversei e falei, Pedro, você precisa investir em pessoas. Seu filho, vai, investe nele.
Eu quero trazer um ponto agora, até que você falou dessa questão de filho, né? Amigo, família e tudo mais. A gente tá vivendo uma... o mundo da recompensa, né? Conforme você falou lá atrás, né? Essa questão do, ó, faça tal coisa que eu te pago dobrado, que eu te pago três vezes mais, venha trabalhar no final de semana que eu te pago esse final de semana. E eu sempre entendi que você nunca deve comprar uma relação. Eu sempre acreditei no propósito. E trazendo essas questões para o mundo de hoje, onde você é um pai ausente, onde você é um amigo ausente, e você está o tempo todo tentando compensar com presentes. Eu fui, neste último final de semana, num aniversário com meu filho de 8 anos. Fiquei um pouquinho ali conversando e ele pegou o celular. Ficou ali jogando com outro amiguinho lá, primo dele. Aí eu, filho, você quer... tinha uma bola, você quer jogar bola? Aí no condomínio tinha uma quadra e tal. Se você quiser, o papai tá ali te esperando, tá? Beleza. Daqui a pouco ele levantou e falou, Arthur, eu vou jogar bola. Pode ficar jogando que eu vou jogar bola com o papai. Beleza. Do nada, eu desci. Daqui a pouco chegou o Arthur também, que tava com o celular. Chegou o pai desse Arthur. E chegou mais o pai com uma menina.
Uau.
Beleza. Ficamos lá brincando no parque, depois jogando bola. Vieram outras crianças do condomínio. Enfim. Depois veio um pai e falou assim, ó. Vai cantar o parabéns. Vamos lá e tal, tal, tal. Enfim, ninguém quis ir. Pra ouvir, cantar o parabéns. Enfim, ninguém quis ir. E aí ficamos lá, jogamos. Depois voltamos. Já tinha cantado o parabéns. Comemos o bolo. Como que um líder deve trabalhar essas questões? Porque muitas vezes você está ali na sua vida pessoal. Eu entendo também que a gente, enquanto líder, precisa saber como está a vida desse funcionário fora para ver se a gente, de alguma forma, com o nosso direcionamento, com o nosso estilo de vida, pode contribuir de alguma forma. Como que você entende que a gente, enquanto líder, pode ajudar um pai, muitas vezes, uma mãe ou um amigo a estar presente, de fato, na vida do amigo, a estar presente, de fato, na vida do filho, da esposa? Porque, ainda mais no mundo que a gente vive hoje, se você pegar a carga horária de uma mulher em atividades não remuneradas, chega a ser o dobro de um homem. Então, como que você traz aí um direcionamento para essas pessoas?
É a diferença de ser pai e papai, mãe e mamãe. O pai é o que cobra, o papai é o que brinca. Eu tenho uma liberdade muito forte com a Manoela, a Manoela puxa minha orelha. Se eu fizer alguma coisa que não foi legal com ela, eu dei essa liberdade pra ela. Liberdade e respeito. Então, lá em casa, cada um tem uma obrigação. Chegou em casa, Carolina tem as obrigações dela, eu tenho as minhas e a Manoela tem a dela. exemplo a pia é minha viu? em casa quem lava a louça sou eu quando eu não tô as meninas que lavam mas se eu tô em casa sou eu que lavo a louça quem guarda a louça é a Manuela às vezes a Carolina chega em casa e ela... é a Manuela não mas eu... vida chama ela pra vir Não tem que brigar. Manu, por favor. Por favor.
Que é a participação.
Poxa, pai, papai, mãe, mamãe. É a participação e você saber respeitar os direitos. Conheça as pessoas. Quando eu falei ali conheça a ti mesmo, as pessoas, as atividades e a empresa. Imagina você dentro da sua casa. Você conhece seu filho? O quanto verdadeiramente você conhece? Quando você conhece sua esposa, quando você conhece a frequência, a energia da sua casa. Eu passo dois, três dias fora de casa, viajando. Mas quando eu chego, eu tô conectado com ela.
Você tá presente, né?
Tô presente.
É o ser presente.
Ser presente. Eu ligo pra Manuela. Eu sou mais... Eu tenho essa necessidade de estar mais próximo, né? Eu sou mais carinhoso, mais junto. As meninas já são mais duras. Eu choro com muita facilidade. É o meu jeito de ser.
Inclusive, eu quase chachorei aqui. Nesse bate-papo aqui.
É o jeito de ser. É o jeito flores de ser, né? E ela... Nossa, eu pisar na bola, papai. Quero conversar com você. Lembrando, o amor só prospera no território da liberdade. Não é controlar, é direcionar, é treinar. Então, eu treino a Manoela, eu falo com a Manoela, a gente discute, eu como pai e filho, discute. Ela tem 14 anos. O Flores com 14 anos, morando em Junqueirópolis, não sabia metade do que a Manoela sabe hoje, poxa. Eu tenho uma foto com 14 anos brincando de carrinho de madeira, pivetão. Não tinha internet, não tinha isso. Era o meu mundo, era a minha formação. Eu até falo, se eu fosse levar em conta todas as crenças que colocaram lá, por exemplo, nossa, esse menino Raimaldo não vai ter futuro. Era muito arteiro, brincava muito na escola, não era um bom exemplo de aluno. Mas se eu fosse levar tudo que falaram, hoje eu não era palestrante, consultor, coach, mentor e professor. Então, eu quebrei algumas crenças na minha vida, respeitando a formação que o meu pai me deu. Então, eu tenho dois direcionadores, dois anjos, papai e mamãe, São Baldo e a Dona Célia. Eles me ensinaram, então eu respeitei. Só que também eu tenho que entender que eu não posso pegar as mesmas palavras e formação que o meu pai me deu e querer aplicar na manuela. Lembra quando eu falei a tradição conectada com o novo? Seu Obaldo tem 76, Dona Célia tá presta aí 70, 71 anos agora. Faz agora dia 21 de novembro. O Flores faz 46, a Manuela tem 14. Como é que eu vou querer colocar o mesmo ensinamento?
Não pode.
São anos diferentes, vidas diferentes.
Realidade diferente.
Totalmente. Informações diferentes, acesso à informação. Antigamente, o mundo levava 100 anos pra você ter uma mudança de tecnologia. Hoje é menos de 5.
É, tá muito rápido. E a pandemia veio pra acelerar ainda mais.
Explode.
Flores, eu tenho uma... Assim, eu tinha várias perguntas aqui pra te fazer. Infelizmente, a gente vai ter que marcar um outro dia. Se prepara, a gente vai aqui falar. Acho que eu aprendi muito. com você e conseguir também expor algumas coisas que eu acredito. Enfim, é muito bom falar com pessoas como você, que tem essa mente pra cima, pra frente, que tá sempre disposto a aprender e ensinar. Então, eu brinco que, como você falou lá atrás, quem ensina multiplica o aprendizado. Nesse sentido, eu vou fazer já, só pra não esquecer as perguntas, vindas da internet, eu tenho aqui a pergunta do Rodrigo Leite. Quais as principais características que um bom profissional deve ter para liderança na construção civil?
As habilidades e as características.
Isso.
Primeiro, saber servir. Liderança é sobre o outro, então você tem que saber servir.
O líder se serve por último.
Maior é o que serve. Olha que interessante. Quando a gente pega os exemplos de Jesus, uma das maiores habilidades dele é saber ouvir. Toda vez que alguém estava falando, Jesus parava, ouvia, pensava. Então, ouvir para entender, não para responder. Ele ouvia, analisava e ele falava, não, em verdade, em verdade. Conhecimento. Logo, eu tenho que entender saber servir, saber ouvir e ser conhecedor. A proficiência que a gente fala é o domínio da técnica, da teoria e da prática. Saber o que e o como fazer. O líder tem que conhecer a atividade dele. Tem que estudar. O líder tem que estudar, estudar, estudar, estudar, estudar muito.
E dá sim um ponto também que eu queria chamar a atenção, e quando eu falo de conhecer a habilidade dele é, me corrija se eu tiver errado, a partir do momento que você está liderando alguém sobre uma atividade, não é só sobre comportamento, é saber que de fato é ter conhecimento sobre aquela atividade pra ter autoridade, pra adquirir o respeito daqueles liderados.
Todo mundo sabe o que fazer, pouco sabe o como fazer.
O como fazer. Então isso é adquirir respeito na liderança.
Perfeito. Outra habilidade que ele precisa ter, a humildade. A humildade é saber mostrar as vulnerabilidades que ele tem como líder. Tem muito líder que fala, mas se eu falar que eu não sei, cara, você não tá com pessoas? Você não tá treinando pessoas. O treinar pessoas é, vem cá, vamos juntos, vamos formar aqui. Você já fez isso? Então é saber ouvir e ter a humildade de perguntar pro seu liderado. Ter essa humildade de falar com ele. Ser ético. Tem uma máxima que fala assim, a sua moral poderá ser confrontada pela ética diante de um tribunal. Flores, o que quer dizer isso? Ética é nem tudo que eu quero eu posso, nem tudo que eu posso eu devo, porque nem tudo que eu devo eu quero. Cuidado com a sua moral. O cara vai lá falando, é, eu tô mandando. Isso é sua moral. Moral é sobre você. Ética é sobre todos.
É questão da reputação, né?
Na obra tem muito isso, né? Eu faço, quero ver, eu tô mandando, pode ir lá que eu assino. Tá bom, você tem moral. para assumir responsabilidade com responsabilidade civil e criminal, você tem moral para assumir com responsabilidade a responsabilidade pelo responsável do projeto? Cuidado com a sua moral. Então seja ético. Então, saber servir, saber ouvir, ser conhecedor, ter ética, Ok? Investir em pessoas. Esses cinco. Se a gente levar, tem uma relação aí que a gente passaria a caridade.
Mas as principais aqui já...
Eu coloco. O gestor das emoções é quando a gente tá muito... Hoje comenta-se muito, você falou das emoções, tal, de lidar com as pessoas. Fala-se muito de inteligência emocional. Enquanto a gente também comenta sobre gestão das emoções. Que nada mais é inteligência emocional, é ter gestão das suas emoções. Primeiro é saber, se conhecer, pra você saber lidar com os problemas seu e das pessoas. Então muitas vezes no calor da emoção você acaba explodindo.
E aí que entra quem sou eu.
Quem sou eu.
Eu sei quem sou eu. Por que que eu vou ligar pra alguma coisa? Ah, estão falando do Paulo. A partir do momento que eu estou procurando saber quem e o que estão falando, Acho que eu estou me permitindo, eu estou colocando ali muitas vezes.
Eu estou validando.
Estou validando.
Se a pessoa falou e eu fiquei irritado, eu validei o que ela falou. Com a gestão das emoções, isso é interessante, com a gestão das emoções, eu escuto a pessoa falando, eu processo em três segundos, duvido de ser decritivo do que foi falado, analiso aquela informação e falo, ele tem razão, eu preciso mudar. mentalidade de crescimento. Tem razão, eu preciso mudar. Não, é problema dela, é o ponto de vista dela, tá tudo bem. Tem aquela, né? Quanto mais Pedro fala de Paulo, mais.
Sei de Paulo do que de Pedro.
Aquela bagunça toda.
Aquela coisa, enquanto você tá apontando, um dedo tem três, quatro ali.
É o ponto de vista dela. Ela tá me vendo assim. Agora, o quanto que ela tem razão, eu que tenho que me conhecer pra saber se eu tenho que mudar, evoluir ou não. Beleza? Obrigado. É a sua opinião.
Posso ir pra próxima?
Pode, por favor.
Então, essa é uma pergunta da Mayara Gomes. Um beijo pra você, Mayara. Você tem sido muito participativa aqui. Enfim, esse canal é seu, é nosso. Por que é tão difícil implementar a segurança do trabalho na construção civil?
Bela pergunta, Mayara. Essa pergunta, por que é tão difícil? Porque as pessoas não conhecem a segurança no trabalho. As pessoas não gostam da segurança do trabalho. Hoje, quando eu digo elas assim, a nível de funcionário, diferente da função, até o CEO de uma empresa, por eles não conhecerem como se faz segurança no trabalho, Eles entendem que a segurança do trabalho para a obra. Lembra que a gente falou agora pouco? Técnico de segurança não para a obra. Quem para a obra é a produção por não se fazer segurança no trabalho. Por que é difícil? Porque muitas empresas ainda entendem que é um mal necessário e não custa o benefício. Mal necessário por quê? Porque eu sou obrigado a cumprir e de fazer cumprir. Por vias de regras normativas, Constituição Federal e portarias e tudo mais, a NR1, determina que a empresa é obrigada a cumprir e de fazer cumprir. Toda vez que você contrata por CLT, você tem que cumprir as normas regulamentadoras. E aí vem um custo muito alto para se fazer segurança de trabalho. Só que é investimento. Eu recentemente comecei a fazer uma mentoria numa empresa E essa empresa, ela falou, poxa, mas eu preciso fazer, eu trabalho. Eu falei, vamos entender a norma? Quando eu abri pra ele a NR18, a NR1, e fui na Justiça Comum, ele falou, Flores, eu quero isso. Ele pegou, montou um comitê, colocou todo mundo dentro da empresa, se envolveu tudo, do servente ao CEO, ao dono da empresa. Fez um trabalho aqui em São Paulo e falou, agora eu quero isso acontecendo no Rio de Janeiro. Porque ele falou, cara, isso é tudo de bom e eu não sabia o como fazer. Então por que é difícil implementar a segurança do trabalho nas empresas? Porque a mentalidade da maioria das pessoas não conhece o como se faz a segurança. O dia que você descobrir a diferença do que e o como, você vai fazer segurança.
Posso fazer agora uma pergunta do Paulo?
Pode. Eu só queria completar. Qual que é o desafio? Eu comecei a descobrir por que os engenheiros não fazem segurança de trabalho. Porque não é passado na faculdade. Você pega um engenheiro civil, cinco anos, O cara tem nas 50 a 60 horas, mais ou menos 80 horas durante 5 anos. Boom! Explode na cabeça dele. Ele não sabe NR18, a principal norma argumentadora da condição civil, ele não sabe.
É o básico.
É o básico. Mas por que ele não sabe? Porque ele não foi preparado lá na faculdade. Então existe isso.
A pergunta do Paulo é um pouco provocadora, como algumas que eu estou fazendo aqui. Eu vivo dentro de algumas indústrias e também vivo dentro da construção civil. No canteiro de obra eu entendo que existe sim um grande desafio de implementar a segurança do trabalho. Eles entendem que o segurança do trabalho para a obra e tudo mais, mas ao mesmo tempo eu vejo que não tem um investimento por parte da alta direção nessas áreas, como eu já falei há pouco, nas áreas de RH e na área de segurança. Quando eu falo dessa questão de investimento, é investimento de tempo desses gestores da alta gestão, porque eu já vi o gestor visitando canteiro de obra, já vi e vejo ele ali de sapato social. Não, porque eu não vou trocar minha... Não vou colocar uma bota só para entrar nessa obra. Que exemplo que ele está dando. E muitas vezes, quando se trata de obras públicas, você vê grandes gestores entrando numa obra de sapato, de tênis, que é mais grave ainda... E capacete branco. E capacete branco. Entende? Então, no seu olhar no dia a dia, como que você traria, de repente, uma mensagem para esses gestores, para essa alta liderança?
Muito bem. Quando a gente fala de investimento, precisa trazer investimento de fora? A empresa precisa contratar gente de fora?
Eu acredito que sim. Que, na verdade, que tenha um olhar também. Eu, Paulo, acredito que sim, tá? Porque você traz outro olhar.
É, você traz um outro olhar. Isso é forte. Eu trago um outro olhar pra somar. Aquela máxima que santo de casa não faz milagre, né? Mas o quanto você tá investindo nos departamentos pra que os departamentos conversem entre eles pra falar sobre pessoas, processos de gestão? Quando a gente fala em investimento, a gente tem que falar de pessoas, processos e gestão.
E um adendo, tá? Quando eu falo de fora, não necessariamente precisa ser fora da companhia, porque quando eu tenho ali um departamento, uma área que é exemplar... Fora do departamento. Fora do departamento. Eu posso trazer esse case de sucesso e apresentar para um outro time.
E você vê como isso é forte. Eu trabalho com treinamento, então eu sou de fora.
Você é de fora.
Mas eu estou dizendo que a empresa precisa aprender. Pessoas bem preparadas, treinadas e qualificadas, capacitadas, habilitadas, desenvolvem bons processos. Processos que direcionam pessoas. Pessoas que sabem o que fazer, como fazer e querem fazer, fazer uma boa gestão. O CEO, diretores, líderes de empresas, que tem essa mentalidade de que cada um sabe o que faz e não prepara, porque ele também foi formado assim. E é difícil falar com esse público. Por quê? Porque eles trouxeram bons resultados. Então, você pega gestores de grandes empresas, o cara tem um número significativo. O cara trouxe bons resultados. A que custo? Não adianta bater meta se o objetivo não for cumprido.
Pergunta da Gabriela Brito, tá? No dia a dia, dentro da empresa, eu vejo que algum... empregado, algum colaborador está com algum problema. Eu, enquanto líder, eu vou atrás dessa pessoa para saber o que está acontecendo, porque muitas vezes esse problema pode não ser ali da empresa, e sim do lado pessoal, do dia a dia vivido na casa dela. Como que eu devo proceder? Eu tomo a iniciativa de chamar essa pessoa para conversar e tentar ajudar de alguma forma, ou espero ela vir até mim? Renato Flores.
Maravilha, a gente precisa entender que existe uma linha e essa linha é a linha da frieza entre ser líder e ser pessoa. Eu tenho que tomar cuidado para não invadir a vida da pessoa. A curiosidade aqui ela tem que ser com muito carinho, respeitar pessoas. Então quando eu estou próximo da pessoa, quando a gente falou lá de conhecer pessoas, isso é importante. Peraí, eu tô vendo que ele tem, tá tendo uma variação de humor. Qual que é o momento que eu vou conversar? Você tá com algum problema? Você vai perguntar? Eu vou falar não. É saber chegar no momento certo. Que momento que essa pessoa, ela tem uma liberdade de falar com você. É numa pausa por um café, é na hora do almoço. Que momento? Então, o conhecer as pessoas é isso, Paulo. Então, eu entendo que a pessoa tá tendo uma situação, porque eu converso, eu fiz uma boa entrevista com ela, eu treino com ela, tô sempre conversando com ela. Qual é o desafio aqui? A pessoa chega, bom dia, tudo bem? Vou trabalhar e não falo com a pessoa. Poxa, permita ali. E aí, como é que foi o final de semana? Tudo bem? Família? Tá joia? Não fica repetindo sempre isso, não fica batido, né? Mas percebeu que tem alguma situação, chama pra conversar. Com muito carinho a gente até chama de feedback sanduíche, né? Olha, eu vejo que você tem um bom desempenho, gosto muito, estou um pouco preocupado com algumas atitudes que você tá tendo, gostaria de entender melhor. Você tem algo que eu possa somar com você? Você está precisando conversar alguma coisa? Esteja aberto.
Porque muitas vezes a gente, quando está naquela situação, a gente fica cego.
Totalmente.
E é importante. Essa é uma muito boa pergunta, Gabi.
E aí vai ter a empatia cognitiva e emocional. Eu não falei bem claro isso lá atrás e vai somar muito agora. Empatia emocional e cognitiva. Poxa, eu estou vendo que essa pessoa, estou sentindo e percebendo que essa pessoa não tá legal. Eu vou ter um momento de conversar com ela um pouco sem o carinho, sem a frieza da emoção, gestão das emoções, entende? Razão e emoção. Peraí, eu vou me colocar no lugar, mas... Ah, e detalhe, quando a pessoa tiver com a situação, ela quer ser ouvida. Ai, que eu tô com um problema. Ai, por que você não faz isso? Esquece? Esquece. Saber ouvir para entender, não para responder. De repente ela está com uma situação, você vai dar palpite na vida dela, você vai influenciá-la, vai ficar, poxa, mas não era isso.
É, só ouve.
Ela só queria alguém para ouvir.
Só ouve. É, isso é importante.
Uma das habilidades.
E essa questão que você falou, né? A forma como você chega, porque muitas vezes não é tirar a pessoa ali do trabalho dela e levar para uma sala de reunião, porque assim, essa pessoa já contaminou o ambiente com aquele comportamento. E quando você leva pra uma sala de reunião, cê tá dando a entender, fica todo mundo, meu, agora ela vai ter o que merece.
Pois é.
E não é isso. Muitas vezes é chamar a pessoa, vai tomar um café, entende? Manda ali uma mensagem pra pessoa, fulano, vamo tomar um café comigo? Vamo sair um pouquinho? Vamo lá fora? Vamo tomar um ar? Então isso é um ponto importante.
De preferência, se tiver alguma outra pessoa que seja do vínculo mais próximo dela, combina com a outra pessoa. Eu vou sair para tomar um café e eu queria que você viesse comigo, mas na hora que a gente estiver conversando, só esteja lá. Perfeito. Só esteja lá.
Isso é legal.
Você me empresta dinheiro? Não, mas você não sabe guardar dinheiro? Não, eu te pedi dinheiro, não é um conselho.
Boa, boa. Flores, para a gente encerrar esse bate-papo gostoso que fizemos aqui, no quadro Convidado Convida, quem você gostaria de ver e ouvir aqui no Constra e Cash?
Nossa, que bacana. Eu vou deixar umas duas opções aqui. Pode deixar. Vou trazer, vou indicar alguém da área da Segurança de Trabalho também, para falar sobre gestão de Segurança de Trabalho. É interessante, é uma área que eu atuo, mas precisa ser dito e divulgado sobre gestão. Já posso falar os nomes?
Claro, por favor.
Vou fazer um convite para o Domingos Alfano. E acredito que trazer o Tom da Osborne para que ele venha conversar um pouquinho sobre arquitetura, sobre essa parte aí, é interessante também. São duas pessoas que eu gostaria de trazer aqui para vocês.
Bacana e nesse quadro convidado convida eu gostaria de te convidar mais uma vez mas da próxima vez que você se você aceitar o convite é claro eu quero ter outra pessoa aqui junto com você pra gente fazer esse bate-papo essa conversa porque eu acho que a gente quando a gente abre né pra discutir com outras pessoas outros olhares a gente aprende muito mais topa Topo, topo, obrigado.
E se você me permitir, eu posso vir falar com vocês sobre mentalidade segura e produtividade assertiva. A gente vai falar um pouquinho sobre planejamento estratégico, como que a gente faz para a obra ou para a empresa. Churrasco em casa dá certo.
Ótima pauta. Inclusive, porque eu tinha uma pergunta para fazer para você, que eu deixei de fazer e não vou perguntar, que é essa questão de eficiência e agilidade. Porque ser ágil não é fazer rápido. É fazer direito, é fazer bem feito, para que não tenha retrabalho. Então, é um tema que a gente vai tratar aí no nosso próximo encontro.
Poxa, maravilha. Será um prazer. Obrigado pela oportunidade de estar aqui com vocês.
Então, Flores, eu queria que você falasse um pouquinho aí suas considerações finais pra gente encerrar esse incrível bate-papo, que nitidamente eu gostei muito.
Eu vou usar uma analogia das flores como flores. As flores, ela pode ser utilizada na chegada da vida ou na despedida dela. Flores tem toda uma simbologia, uma magia, tem todo um... Uma história por trás dela, só que as flores tem espinhos, se você não souber pegar e até mesmo você não souber tirar o espinho, a hora que você leva a flor ou as flores para uma pessoa, você pode machucar ela. Tem flores venenosas também, então você tem que saber selecionar as flores. As flores, quanto mais magoada, Quanto mais amassada, quanto mais pancada ela leva, mais ela exala a sua essência. A vida vai te bater, a vida vai ser dura com você, mas lembre-se de se lembrar de nunca mais esquecer, nunca deixe de exalar a sua essência existencial. Seja mais humano com as pessoas que estão ao seu redor. Essa é a mensagem que eu gostaria e deixar flores no coração, que é a minha hashtag.
Que finalização! E eu aproveito que, como eu falei, eu trouxe flores pra você. Eu também acredito que a gente tem que dar flores em vida. Sim, totalmente. Então eu espero, de alguma forma, ter contribuído com cada pessoa que está agora ouvindo ou assistindo Flores mais uma vez. Eu queria agradecer. Foi a... Eu sempre falo, quando você indica alguém, ou quando você usa alguém pra ajudar outra pessoa, sempre quem é lembrado em primeiro lugar é aquela pessoa que indicou. Nesse sentido, eu não vou agradecer a você. Eu vou agradecer a Mayara.
Tu ia falar pra gente deixar um abração pra ela, porque ela fez essa conexão aqui com a gente.
Maiara, meu abraço a você, meu agradecimento por tudo que você vem fazendo, por todas as conexões que você está trazendo aqui para o podcast. Você que é uma engenheira do setor, uma engenheira que briga pela causa da construção civil. meu abraço, meu carinho pra você, que... Enfim, então é dessa forma que eu encerro o bate-papo de hoje. Lembre, gente, se você achou que esse bate-papo, que esse conteúdo vai ajudar outras pessoas, compartilhe, coloca nos comentários o que você achou, alguma situação vivida, porque é dessa forma, é contribuindo, é colaborando que a gente vai, de fato, transformar e, enfim, ter um mundo muito melhor. Um abraço e o nosso próximo encontro aqui no Constra e Cash.
Abraço!
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