Mestre de Obras Rodrigo Hansen (Melnick): De Servente à Liderança no Canteiro | ConstrueCast

Rodrigo Hansen rose from teenage laborer to master builder in Rio Grande do Sul, following his father's path in construction. He says a foreman needs both hands-on experience and formal training, starting as a servente to learn the site and build relationships with engineers and crews. Hansen stresses that alignment with engineering is essential to turn drawings into reality.
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E mais um episódio da série Por Dentro da Obra. Hoje vamos conhecer a história do mestre Rodrigo Hansen. Construycast Arquitetura e Engenharia de Construção. Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Rodrigo, vamos iniciar nosso bate-papo falando um pouquinho como que você entra na construção civil.
Eu venho na construção civil através do meu pai, né? Então eu vim desde lá dos 17 anos.
17 anos você entrou no curso?
17 anos, é. Incentivando pelo meu pai, depois eu servi o exército e depois eu voltei 2007 de fato mesmo, né, na construção e comecei a entrar pra dentro mesmo da obra, né.
Entrou forte no canteiro.
Forte, né. Então é isso que eu quero, então vou seguir. Então tenho meu pai como Tinha meu pai como espelho, né, que hoje meu pai é falecido. Então segui firme e forte, tô aí com 19 anos de carreira.
Agora é importante pra gente entender sobre a formação de um mestre de obra, vai ser bem legal esse bate-papo. Para as pessoas entenderem quem é o mestre Rodrigo, fala um pouquinho do seu pai, porque você, na verdade, você é a continuidade dele.
Isso aí. Ah, cara, meu pai criou 6 filhos, 5 homens e uma guria, né? Então ele sempre deixou nós sempre bem à vontade em relação ao que a gente queria, né, para nossa vida. Os exemplos que ele tinha em casa, né, que a gente via lá desde pequeno, a gente sempre seguiu. A gente era de uma família humilde ali, né, Mas ele sempre com postura de pai, cara correto, um cara leal, conduziu nós aí para uma trajetória, né, então de vida. Acho que todo— eu tenho um irmão falecido também que foi mestre de obra, né, também. O meu pai foi— a gente sempre brinca que meu pai criou, formou mestre de obras, né.
E o que que seu pai fazia?
Meu pai era— ele era do interior de Cachoeira do Sul.
Cachoeira do Sul, tá. E ele atuava o quê?
Trabalha com na lavoura lá, né. Ele não veio para Cortanegri começou a trabalhar em obra como carpinteiro. Como carpinteiro foi trabalhando e virou mestre de obra, e depois ele montou uma construtora para ele.
Tá, agora é importante ressaltar que você fala que você entrou com 17 anos na construção civil, só que o seu pai ele já trabalhava na construção, e indiretamente você criança, eu acredito que você já tinha ligação com a construção.
Sim, certo? Sim, sim, tinha.
E aí os seus 5 irmãos, o que que eles fizeram? Qual foi a formação deles no setor? Trabalhavam com o quê ou trabalham com o quê?
Tive o meu irmão que hoje é falecido, que era mais velho, ele chegou a trabalhar em mercado, mas depois ele saiu, começou a trabalhar com meu pai. Meu irmão, o Juliano, que também é mais velho que eu, o Paulo, que é mais velho, todos eles tiveram um serviço fora e depois viram, tipo, a ambição que meu pai tinha na obra, começou a montar uma construtora para ele e a gente começou a seguir, seguir com ele, vendo o que era bom para nós, para a família, né? E naquela época a construção civil também, né, tava bombando e a gente entrou para esse meio junto com ele, abraçou a causa com ele e hoje quem segue mais na função sou eu e o meu irmão mais novo.
Tá, então você vê, seu pai deixou um legado aí, né?
Deixou um legado muito forte para nós.
E a guria tá em que área?
A minha irmã, Claudia, mora em Dubai, ela é casada com jogador de futebol, mas ela não quis seguir na área da construção civil.
Não quis, só fica acompanhando os bastidores.
Isso, isso, isso.
Agora fala um pouquinho, como que é atuar no dia a dia de uma obra aqui no Rio Grande do Sul?
Ah, cara, é assim, ó, é difícil, né, é difícil pela falta de mão de obra que nós temos hoje, a gente tem que fazer, que nem a gente fala, fazer mágica do que a gente tem. Mas eu sou apaixonado pelo que eu faço, sou apaixonado mesmo. Então eu trato o meu canteiro de obra como se fosse a minha segunda casa. Eu tento achar recurso para minhas dificuldades e acredito que eu venho conduzindo bem nessa minha trajetória fazendo isso. Mas o canteiro hoje, eu sempre falo, não temos problemas na execução, Hoje a gente tem problemas em relacionamentos, temos dificuldade em relacionamento de pessoas. Então eu procuro me atualizar, estudar, ler alguma coisa referente a isso, para mim ter o meu canteiro de obra sadio, um canteiro de obra bem comunicativo, onde as pessoas tenham prazer de trabalhar comigo. Então eu tento ser mais leve possível, não ser tipo que nem aqueles mestres, que nem tempo do meu pai, que era mais faz ou não faz, né? Mas eu tento me levar dessa forma porque eu sei que hoje a gente lida mais, né, com o emocional das pessoas, sabendo que não é só trabalho também. Não é só trabalho, não é só a gente pensa no dinheiro, mas a gente tem que fazer com uma motivação.
É importante que esse bate-papo está acontecendo diretamente de uma obra. A gente está aqui no departamento decorado. Isso aí. Agora, Mestre, pra você hoje, qual que é o grande desafio de viver o dia a dia de obra?
Meu grande desafio hoje é fazer o que tá no papel formar, fazer realidade.
É o que a gente chama no mercado de "caracrachar".
Isso aí. Pegar aquilo que tá no projeto, né, o que tá no papel, fazer aquilo dali ficar, fazer essa edificação Fazer essa educação começar a subir usando as pessoas, né, com as qualidades que elas têm ali. Acho que o desafio maior é tu saber usar a pessoa certa para determinado serviço. Se não dá numa ponta, vai na outra. Mas meu desafio maior é tirar do papel e fazer aquilo ali, aquilo no prédio acontecer.
Mestre, agora o que forma um bom mestre de obras? É o dia a dia de obra ou um curso de formação de mestre? Os dois pra mim.
Pra mim é os dois.
Mas assim, como que a pessoa começa? Vamos lá.
Como começa?
Ah, eu quero entrar, eu quero ser um mestre de obra. Como que eu tenho que começar?
Relacionamento.
Relacionamento. Ou seja, tem que começar no canteiro, vai trabalhar na obra.
Vai no canteiro pra te entender o vocabulário da obra. Tu tem que entender o vocabulário da obra. Então nada mais é tu entrar pra dentro do canteiro e pegando esse vocabulário e estudando junto, né? Eu acho que o vocabulário de obra é bem rico, né? Mas bem específico, assim, você tem que saber o que a obra está te dizendo.
Agora, olha a diferença, vou fazer uma pergunta aqui que eu faço geralmente em todas as cidades que eu vou do Brasil, eu pergunto. Olha a resposta: "Quem manda na obra, mestre?" É o mestre de obra. Aí, gente, não adianta, quem manda na obra é o mestre. Agora, eu queria que você falasse um pouquinho qual que é a importância do mestre ter um bom relacionamento com engenharia e com arquitetura.
Cara, eu acho que é essencial mestre e engenharia estar na mesma sintonia, tem que estar na mesma sintonia. Isso eu não consigo, eu como mestre, trabalhar num ambiente que isso esteja rompido. Acho que tem que ter a parceria, tem que ter a cumplicidade, tem que ter a transparência, porque eu não faço a obra sozinho, mestre não faz a obra sozinho, engenheiro não faz sozinho, a engenharia não faz sozinha. A gente precisa estar ligados de qualquer forma. Então o que acontece no canteiro a engenharia tem que estar sabendo, e o que a engenharia está planejando o mestre tem que estar sabendo, para os dois se unirem e fazer, né, manter o planejamento, manter a qualidade, principalmente a segurança da obra. Então acho que Tem que ter essa sintonia, eu não abro mão disso.
Rodrigo, uma última pergunta pra gente encerrar esse episódio é: o que você traria de dica para os mestres, não só para os mestres, mas também para as pessoas que vivem o dia a dia de canteiro de obra? Eu gostaria muito, se possível, que você traz essa parte, principalmente da qualificação, do estudo, porque você é notório que você tem um grande diferencial nessa questão de estudo, até na forma de se portar no dia a dia. E antes de você continuar, eu gostaria de aproveitar aqui e deixar o meu abraço para o Mestre Cláudio, que é o mestre de obras lá de Brasília, que ele é líder dos mestres de obras de Brasília, o Mestre Fagno, presidente dos mestres de obras de Goiás, e todos os mestres aí que eu tive contato nos últimos anos. Deixar meu abraço carinhoso aí para vocês. Agora continua com a sua resposta.
O que eu tenho a dizer para essa galera que está vindo aí, né, que Cara, estando dentro do canteiro de obra, a gente tem que procurar crescer. Então eu comecei desde baixo também, eu não cheguei como mestre do nada, eu comecei como servente, fui para carpinteiro, fui para pedreiro, fui subindo de degrau em degrau. Eu acho que esse pessoal que queira ter uma formação de mestre tem que seguir esse caminho, mas também tem que ter a responsabilidade do querer. Tu tem que querer, tu tem que saber o que tu quer. E pra isso, né, tu ter essa certeza, tu tem que olhar um pouquinho pra trás, olhar pra tua família, porque tu representa tua família. Então, tu quer ter uma importância no teu trabalho, tu tá representando a tua família, né, tu tá crescendo pra tua família. Então, acho que o teto nosso da obra, né, tipo, quem não tem uma formação de nível superior, em construção civil é o mestre de obra. Então todas as pessoas que eu posso, que eu tenho contato, eu sempre tento ajudar e mostrar para elas que às vezes eles não querem a responsabilidade, mas só vai ser alguém com um nome forte, né, é tendo a responsabilidade e tendo compromisso. Eu prezo, né, eu sempre falo para o pessoal, eu gosto muito de ouvir meu nome, né, o meu nome Rodrigo, né, como mestre de obra, no elogio, né, o pessoal vinha aqui visitar minha obra, então pra mim isso é muito importante, eu amo muito por isso, não é só estar aqui no canteiro, mas eu amo pelo que as pessoas falam, hoje tu chegou ali, fez ali o teu acompanhamento, a primeira coisa que tu disse foi uma obra organizada, cara, que daí pra mim é meu orgulho, entendeu, eu acho que é ter essa visão e ter o reconhecimento também, então o pessoal que queira crescer tem que ter essa ambição, de ter o compromisso, responsabilidade e preservar o conhecimento, o reconhecimento das pessoas.
É importante, primeira coisa que chamou muita atenção, organização da obra, a forma como o canteiro está sendo conduzido. Queria primeiro, antes de te parabenizar, quero você que quer se aperfeiçoar, que quer se atualizar, que quer conhecer soluções construtivas, que quer participar de grupos de network, venha fazer parte do ecossistema Hub Construção. No portal Hub Construção, que é hubconstrucao.com.br, você tem conteúdos sobre o setor. A gente também tem a comunidade Hub Pro, onde você que é profissional quer se conectar com outros profissionais da sua área. A gente tem comunidades específicas. Você também lá pode participar de eventos, de encontros. Então, gente, vem ser Hub junto com a gente. Mestre, obrigado pelo bate-papo.
Obrigadão, eu que agradeço.
Parabéns pela sua história e aqui em nome da Hub. Eu tô aqui para somar no que você precisar, pode contar com nosso apoio.
Tá bom? Obrigadão aí, sucesso!
Esse foi mais um episódio do ConstruiCast. Afinal, conhecimento também se constrói.
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