Mulheres na construção civil: Capacitação e mão de obra feminina | Podcast da Construção #103

Civil engineer Isabela Ferraz founded Belas na Obra to train and hire women for construction work. She focuses on interior renovations and targets LGBTQIA+ and elderly clients. Most women need one to two months of on-site training to become professionalized.
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Capacitação e mão de obra feminina é o tema do bate-papo de hoje. Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Para conversar sobre o assunto, eu recebo a engenheira civil Isabela Ferraz. Isabela, seja bem-vinda a um episódio incrível que eu tenho certeza que vai acontecer a partir de agora. Pois é, eu queria iniciar Nosso bate-papo primeiro, falando um pouquinho como que você entra na engenharia e porque você, como você forma, cria esse movimento de mão de obra feminina.
Tá.
Você tão nova, tão jovem assim, mas tem uma história gigante, eu sei que começou cedo.
Não parece, né? A cara de novinha.
Não falando, vamos falar de idade aqui.
Não vamos falar de idade, tudo bem.
Porque a gente já entrou no formal, tá?
Exatamente. Mas a minha história começa, né? Eu sempre gostei de matemática em si, então decidi fazer engenharia civil. Mas antes disso, eu fiz um curso técnico. Eu sou técnica de edificações.
Onde você fez?
Fiz na ITEC, Guaraci, Silveira.
Na ITEC. É.
E aí, depois disso, eu já fui pra faculdade, né? Direto. Fiz engenharia civil no Mackenzie. Durante esse período, passei por diversos estágios. Fui trabalhar em algumas grandes construtoras, em alguns escritórios, e fui me identificando em algumas áreas do que eu queria fazer, o que eu queria trabalhar. No processo final disso, além de eu ter me identificado em relação a um gerenciamento de obra, digamos assim, eu sentia falta de ter mais mulheres dentro do canteiro. Então, eu tava lá batendo a laje do 23º andar, que acho que foi a última laje que eu bati.
23º andar.
É.
Muito legal.
Assim era sol no rosto, era chuva. E eu falei, meu Deus, não é isso que eu quero. E só tem 50, 70 homens aqui. Cadê a mulherada pra eu bater um papo? Eu tive que ficar conversando com os homens lá. Porque a gente se respeitava, claro, mas tinha essa questão de você poder se abrir ou falar alguma fofoca ou dar risada.
Aquele, sabe, papo de mulheres ali, da mesma forma que a gente tem ali nossos papos de homens.
Exatamente. E o que acontecia é que era muito papo de homem. Por mais que eles respeitavam, era, não sei o quê, da minha mulher. Ficavam falando de mulher, normalmente, com respeito, claro, mas eu dava broncas nele. Era sempre bronca. Não, não pode fazer isso. Enfim. E aí a construção do meu espaço em relação a me formar na faculdade foi eu quero fazer um TCC sobre mulheres na construção civil. Qual a quantidade? Qual a porcentagem? Por que que nós não temos mulheres? Então essa foi a minha pesquisa.
Nossa, que legal. Depois, inclusive, eu já tô te convidando pra gente mergulhar no seu TCC, pra falar da pesquisa. Porque eu acho que isso é um assunto bem importante. Ou seja, quais são, como tá esses números, como eram esses números na época. Até se você conseguir atualizar pra hoje pra gente fazer.
Acho que eu consigo.
Esse comparativo vai ser bem bacana. Acho que vai ser bem legal trazer esses números assim. E aí, continuando... E aí, depois da.
Faculdade, eu fiquei numa empresa mais fixa, digamos assim, no escritório. Era algo mais confortável, porém... ainda assim não era o que eu queria, porque eu gostava da atividade do dia a dia ser uma rotina diferente, né? Obra não é todo de igual. Sempre tem um pepino pra resolver, né? Acontece alguma coisa. Então você tem uma rotina diferente. E aí entrou a pandemia, né? E aí eu fiquei, meu Deus, home office, continuar no trabalho no escritório. Eu já tinha aberto a empresa, mas era um projeto de TCC, então eu não sabia se ia pra frente ou não. E aí eu fui em busca de mulheres. Eu fui no Senai, eu pesquisei no Facebook, eu pesquisei no Google. E aí eu encontrei uma primeira mulher, que eu conversei muito com ela, por sinal. E a gente fez um primeiro trabalho juntas, de pintura e de restauração de parede. Deu super certo, eu vi que era possível, né? Depois do projeto de TCC. E eu comecei a investir nisso, procurar outras mulheres e capacitá-las para trabalhar na construção civil.
E hoje todo o seu time de obra, você que capacita?
Hoje todo o meu time eu capacito.
E qual que é, assim, qual a dificuldade hoje em encontrar essas mulheres?
Pessoas determinadas a não ter medo de sujar as unhas, a pegar um pouquinho de peso, a se esforçar um pouco mais, porque a obra, querendo ou não, é um trabalho difícil.
Olha, mulherada, você que está ouvindo, entre em contato com a Isa aqui e vamos fazer a diferença nos canteiros.
Exatamente. E a partir desse momento, eu pegava mulheres que tinham já algum conhecimento, e depois eu comecei a capacitar, e aí eu conheci a mulher em construção, que foi aquilo que a gente... Ah, que legal! Eu já tinha feito uma pesquisa pro meu TCC através de contato com elas, mas eu conheci pessoalmente.
A Bia.
A Bia.
Um abraço pra você, Bia.
A Bia, Camila e companhia. E foi muito bacana, porque eu entendi o que elas faziam de perto. Elas pegavam mulheres mais periféricas, mães, né, chefes de família que precisavam de um emprego pra capacitar. Elas não pegavam já pessoas que tiveram algum conhecimento ou que só tinham interesse.
Pra não vir com vícios, né?
Isso. Elas pegavam pessoas que realmente precisavam daquilo. E é o que elas fazem, né, até hoje. E eu amo o projeto delas, então acompanha super.
Eu também admiro demais. Mulheres em construção.
É isso.
É sensacional. E aí, legal. E como que foi, assim, o... Qual que era o objetivo, assim, na construção de formação desse time? Você fala, tudo bem. Ah, eu... Naquele ambiente, ali onde eu estava, durante o meu processo em obras, eu entendi que a gente precisava de mais mulheres. Eu imagino que você se sentia sozinha.
Depois que aconteceu a pandemia, teve um boom da parte de construção civil. O pessoal tava em casa e queria reformar e reparar tudo e talvez não queria gastar muito, então reforma era a melhor opção. E a gente começou a ser muito procurada. Então, eu comecei a aumentar a equipe, né? Criar alguns treinamentos internos, profissionalizar as meninas e montar a primeira equipe da Belas, que deu tudo certo. Estamos aí até hoje, graças a Deus.
Assim, pras pessoas que querem te achar na internet, que querem reformar, enfim.
Chama Belas na Obra.
Belas na Obra. Se eu te perguntar, você sabe que eu te falei que eu sei fazer tudo de construção civil, assim, que você imaginar de construção civil.
Até mão na massa?
Mão na massa, eu sei fazer massa, eu sei temperar massa, sabe aquela quantidade de areia, cimento, pedras pra fazer concreto. E eu queria já deixar marcado aqui, até você pode falar com a Gabriela, para a gente ir em uma obra sua. E eu quero, eu, Paulo, quero fazer algumas aplicações. De preferência, escolha uma obra que você tem vários tipos de aplicações, desde reboco ou colocação de tijolos até aplicação de revestimentos.
Certo.
Eu quero fazer... Só tem um problema.
Ou solução, né?
O meu nome é Paulo Solução Barro.
A gente pede pra usar peruca, batom, porque só pode trabalhar mulher.
Ah, é sério?
Sério.
Meu Deus.
Não, é brincadeira.
Eu levo a minha esposa junto e falo assim, amor, você deixa?
Quando a gente tem algum homem trabalhando, a gente chama de Bellos.
Bellos? É. Poxa, adorei esse nome.
É, o Bello na obra hoje é esse.
Assim, pode combinar de fato, pode combinar um dia pra gente ir lá na obra pra... Até para a gente gerar esse tipo de conteúdo, porque como a gente está falando muito de industrialização, como eu te falei, eu vivo muito em várias obras e em situações e etapas diferentes, de repente posso também, inclusive, contribuir com olhar o que a gente poderia, por exemplo, numa situação de uma aplicação X, como que a gente poderia contribuir, pensando na industrialização, para facilitar aquele processo.
Sim, o maior problema delas hoje Eu acho que a que mais trabalha, né, a Tati, minha querida, é peso. Então, mesmo que a gente... todo mundo treina, né, todo mundo é forte em si, a gente consegue, a gente às vezes usa carrinho, né, pra ajudar. Mas um saco de édica massa 20 quilos, ok, dá pra carregar. Ainda assim é pesado, mas ok. Mas um saco de cimento 50 quilos é um pouquinho complicado.
É, eu tenho uma notícia pra você, tá?
Tem sacos menores...
Não, tudo bem, mas só que o saco menor, ele é muito mais caro.
É...
Ele acaba se tornando mais caro e quando eu vou... comprar esse cimento, imagina, se eu estou pagando essa conta, óbvio que eu vou preferir o de 50 quilos, tá? Mas já tem uma lei agora que, obrigatoriamente, as indústrias vão ter que deixar de produzir esse saco de 50 quilos. Então, eles vão dividir por... Vai ficar 25 e 25.
Ah, legal. Eu não sabia dessa lei.
É, então, assim, isso... Porque, de fato, É terrível. Agora...
Acaba com a coluna.
Acaba. Acaba. Inclusive, quando eu era criança, que eu trabalhava de agente de pedreiro, hoje eu tô pagando o preço.
É, eu imagino. Eu também, né? Sei fazer bastante coisa. Adoro fazer revestimento, por sinal. Cortar com a serra mármore.
Que legal.
É o meu hobby, digamos assim.
Você conhece o Gustavo Azulejista?
Eu conheço.
Conhece?
Então, ele... De visualizar... Ah, ele é sensacional.
Inclusive, é um grande parceiro.
É.
Aqui do Constricash. Assim, um baita profissional.
Então, a gente teve um boom na pandemia, né, foi onde a gente mais teve crescimento, o pessoal começou a procurar, e principalmente o nosso nicho, que a gente atingia muito, que eram mulheres do público LGBTQIA+. Então, a gente tava tanto homens, casais, gays, mulheres também. Então, a gente atingiu muito esse público durante o período, até a gente entrar aí com a parte de marketing e tentar atingir outras pessoas. Foi aí que foi um marco, eu acho. A gente atendeu uma senhora de idade, né? Ela tem 85 anos.
85, que legal!
Ela tinha, na verdade, tá? Desculpa. Não sei como...
Não, agora ela tá com, enfim...
É, não, ela deve tá com uns 87, 88, talvez, é. Então, foi muito legal a gente atender ela, porque o filho dela, né, um pai de família homem, buscou a gente, falando assim, minha mãe fica sozinha em casa, mora sozinha. Então, acho que vai ser muito legal e melhor ter mulheres trabalhando, que vão respeitá-la, vão... do que colocar um homem aqui que a gente nem conhece. Então, Essa foi a questão, então a gente não faz só um trabalho relacionado a mulheres para ter uma igualdade dentro da construção, a gente faz também um trabalho social.
Gente, que legal, histórias da construção. Nesse processo de contratação, que você já respondeu algumas coisas lá atrás, foi muito difícil encontrar mulheres para contratar?
Foi difícil, né? Eu fiz algumas buscas de Google, Facebook, e eu achei uma mulher. Foi a Eliane, eu adoro ela. Ela trabalha periodicamente com a gente hoje, porque ela tem outro emprego mais fixo. Porque nas obras, no começo, a gente não tinha uma demanda tão alta, então não poderia pagar pra um salário mensal, né? A gente tava começando, era uma startup, né? E ela começou com a gente, nos ajudou a capacitar outras meninas, trouxe outras meninas pra trabalhar. Ah, eu conheço uma pessoa que precisa. Falei, não, se ela precisa, vamos ensinar ela, vamos colocar ela pra trabalhar. E assim foi crescendo. As outras meninas, hoje, eu busco no Senai. Eu coloco na nossa página. Alguém tem interesse? Eu entro em contato com a mulher em consultoria. Meninas, alguém não foi contratado? Tá precisando de emprego? Eu ajudo. Então, é mais uma comunicação, né? Dentro aí desse nosso nicho.
Esse ecossistema, né?
É. E no Senai em si, quando eu consigo ir lá, e pegar alguém que é mais capacitado, né? Uma eletricista, por exemplo. A gente tem uma eletricista formada no Senai, que é maravilhosa.
Nossa, que legal! Oi, Iza, e quais são os serviços que você mais faz, assim, ou seja, o carro-chefe da sua empresa hoje?
É, hoje a gente já fez um pouco de tudo, né? Mas hoje a gente é especialista em reformas de interiores e apartamentos.
Reformas de interiores e apartamentos. É. E vocês fazem qualquer aplicação? Aplicação de drywall, pintura, fechamento, essas coisas?
Isso. Então, a gente tem aí... A gente tem a equipe, né? São cinco pessoas, digamos assim. Na verdade, tem mais meninas, mas a primeira equipe seriam cinco. Gessera, pintora, eletricista, encanadora e revestimento. São os nossos top cinco.
Que legal!
E aí dentro desse meio, na revestimento, tem demolição, organização de entulho, limpeza. Então a gente vai se ajudando na obra e tem outras meninas que são ajudantes que também fazem isso.
Gente, eu tô curioso pra ver um canteiro de obra de vocês, assim, ó. Porque quando eu trabalhava em obra, gente, eu era muito organizado, sabe assim? Então, eu... Eu vinha fazendo... Eu vinha aplicando meu azulejo ali e meu piso e, assim... Eu ficava parando toda hora pra limpar e tinha uma produtividade absurda.
É, o que a gente faz é... A gente organiza na obra entulho de um lado, material de outro, em locais que não vão atrapalhar muito, porque, no recorrer da obra, a gente tem que tirar as coisas desse local pra fazer a obra neste local. E aí, no final do dia dá quatro horas, né? Porque nosso horário normalmente é das oito e meia à nove até às cinco, que são os horários de condomínio. A gente organiza a obra toda. Então, ah, fez a bagunça o dia inteiro, dá uma organizada no final. Não vai ficar cem por cento, mas vai ficar noventa e cinco.
É, deixa... Assim, visualmente bonito, né?
Isso, visualmente melhor.
Tá. E durante esse processo, de obras aí, teve alguma situação, enfim, além dessa senhora de mais de 85 anos, que te marcou? Alguma obra que você falou, cara, não estou acreditando que nós entregamos essa obra-prima.
Eu acho que a obra da minha vida foi fazer o apartamento dos meus pais.
Dos seus pais? É.
Meu pai é aposentado hoje, né? E ele até me ajuda, ele é um belos.
É belos? Como que é o nome do seu pai?
Edjalma.
Djalma?
É.
Um abraço pra você, Edjalma. Então, ó, mais um belo, né?
É. Ele me ajuda hoje porque, né, não dá pra ficar parado. Eu peço sempre ajuda. Não, vamos buscar material, vai dirigir pra mim, vai fazer... Enfim. Então, ele conseguiu comprar um apartamento, que era o sonho dele. E o sonho da minha mãe também, né, no caso. E eu... E eles não tinham mais dinheiro pra reformar, pra fazer... Pra comprar material, eletrodomésticos, tudo. Então, eu fui atrás disso pra eles. Falei, vocês continuem aí no trabalho de vocês, o que vocês estão fazendo, eu vou resolver.
Nossa, que legal. Agora uma pergunta que eu não quero calar.
É...
O Djalma te pagou pelo serviço?
Só pagou os eletrodomésticos. Não, mas assim, eu dei pra eles toda a mão de obra, né? Consultoria, tudo. E ele pagou os eletrodomésticos, essas coisas, né? Pra ajudar também.
É porque o meu pai não me pagava quando trabalhava com ele. Por isso que eu tô te falando.
Eu queria poder dar tudo. Queria, mas eu ainda não tô nesse nível, né? Eu peguei a obra do zero, planejei tudo com eles, fiz um projeto, eles gostaram e eu fui tocando a obra o mais rápido possível aí, em dois meses eu entreguei o apartamento pra eles.
Pra quem quer te contratar, Isa, qual que é a sua capacidade de entrega e como você está hoje?
A gente tá com uma demanda alta, né? Nosso WhatsApp, como eu falei, que era congestionado e a gente solucionou, está congestionado de novo. Agenda a gente tem, assim, só pra um mês, um mês e meio pra frente.
Quantas obras você consegue tocar em tempo real?
No momento a gente tá com quatro obras ao mesmo tempo, mês assim. Mas acredito que entre seis e sete.
E você atende só São Paulo, litoral?
A gente já fez projetos no Rio de Janeiro e Bahia.
Que legal!
É, mas foi à distância, até falando com pedreiros da região, então não foi a mão de obra em si, foi outro departamento da nossa empresa, no caso, mas presencial a gente já fez interior de São Paulo e litoral de São Paulo.
Tá, e você tem o desejo de expandir a empresa? Como que você tá hoje nessa parte de contratação de mão de obra?
A gente tem, porém, está com um déficit muito grande de mão de obra, não só masculina, como feminina também, que já é difícil a gente ter que capacitar, e não tem centros de treinamento que capacitam a não ser a mulher em construção, como eu falei. Então, a gente precisa... A gente está, na verdade, fazendo um planejamento para fazer essa expansão, desde que tenha um treinamento para mulheres para fazer isso.
E agora é uma pergunta muito, assim, direcionada. Às vezes, eu vejo no meu dia a dia, eu vejo que tem mulheres, assim, pessoas que têm muito jeito pra construção civil, assim. Imagina que eu encontro uma pessoa, falo assim, Isa, qual que é o tempo médio pra essa pessoa se formar, pra ela, de repente, trabalhar nessa parte de aplicação de drywall? Imagina que eu pego uma mulher ali, do zero, pra você... Acho lógico, imagina que ela vai como sua ajudante ali das suas obras no dia a dia, em quanto tempo você entende que uma pessoa, uma média, que uma pessoa dessa tá pronta pra fazer ali suas aplicações?
Eu dou, às vezes, treinamento de um dia, pra pessoa conhecer a área e ver se ela quer. Eu acho que um treinamento básico, pra pessoa entender um pouco, seria uma semana básico. E pra ela sair profissional, pelo menos aí um mês a dois meses.
Topa um desafio?
Topa um desafio.
Então tá, se eu mandar mulheres pra você, tá? Se eu mandar mulheres pra você e falar, ó... Eu preciso que você aceite essa pessoa como ajudante pra ela ver se ela realmente quer isso, pra ver se ela gosta disso. Sim. A gente pode fazer algo nessa pegada?
Podemos.
Porque o que eu faço com as minhas pessoas que trabalham comigo? Geralmente, a grande maioria, eu formo essas pessoas. Mas nesse período, tem um teste pra ver se... Sabe aquela... pra ver se a pessoa realmente vai se adaptar à área.
Sim, a gente fala que é um mês mais ou menos, né?
Isso, geralmente sim. Então a pessoa revela. Porque eu falo, a construção civil, ela tem uma magia. Às vezes ela pica algumas pessoas e nunca mais você consegue sair. Que é o processo da transformação. Imagina, você pega uma casa... feia, mal acabada, aí você dá uma repaginada, deixa aquela coisa linda e tem pessoas que são tocadas por isso, assim. Podemos?
Podemos, claro.
Então, agora um recado pra indústria. A gente tá reclamando tanto de mão de obra e muitas indústrias estão investindo milhões na TV. E por que não pegar parte desse investimento e investir em formação? Então, o desafio de empresas como a sua e um pouco maior É, tudo que você tá fazendo, Isa, ali no dia a dia, você tá usando material da indústria, tá? Você tá usando cimento, uma tinta, um aço, materiais EPIs. Agora, cadê a indústria pra te ajudar, pra nos ajudar nesse processo de formação? É por conta de profissionais como você e tantas outras mulheres e homens que a indústria existe. Agora, por que a indústria investe tanto em marketing pra TV aberta?
E não pra profissionais.
E não pra profissionais, que são eles que realmente usam os seus produtos. Ou seja, então, será que essas indústrias estão colocando as pessoas certas no marketing?
Entende?
Então, é um desafio, assim.
A gente tem alguns canais que a gente fala com algumas empresas parceiras. E elas mandam algumas ferramentas pra gente usar, pra testar. Mas é muito pouco isso. É pouco, realmente é pouco.
É muito pouco.
Mas, assim, ainda é um processo. Óbvio, tem muito mais homens fazendo isso, né?
Eu vejo, assim, eu fico indignado, tá? É um desabafo mesmo quando eu vejo indústrias investindo milhões num cantor famoso pra fazer um comercial. Uhum. Entendi. Por que que não pega parte desse investimento? Investe de repente. Quando você para o seu processo de obra pra gerar um conteúdo, pra ensinar na rede social, você tá gerando valor pro mercado, você tá mostrando praquelas pessoas que vão contratar alguém, ó, quando o profissional for fazer uma pintura, se atente se ele está lixando a parede pra tirar o mofo, se ele tá passando um prime, Um fundo. Entende? Um fundo. Então, a parede tá mofada. Será que é só lixar e fazer uma nova aplicação? Não. O profissional tem que fazer isso.
É um processo, né?
Tem todo um processo. Então, você tá ensinando. Entende? E essas pessoas, donas dessas casas, desses apartamentos, eles vão consumir produto de quem? Seu? Não, não é seu. Da indústria. Então vamos lá, né gente?
Tanto é que a gente faz uma lista de material para o cliente, é totalmente voltado para as lojas de construção. A gente até consegue um desconto por ser parceria, mas ainda assim... Não é... A gente não é visto.
Não é visto. Então, recentemente, eu fui numa grande indústria. Não vou citar o nome aqui. E, enfim, tava um monte de jornalistas lá e tal. E todo mundo focando na construtora, na construtora, na construtora. E eu tenho uma experiência muito grande do mercado farmacêutico, né? Porque você vai no médico, ele especifica um remédio. Sim. Você chega na farmácia, o farmacêutico muda a receita. Entende? Aí eu peguei e fiz uma analogia lá e falei assim, vocês estão olhando tanto para as construtoras, mas as construtoras elas têm um corpo técnico, aí eles compram em grande quantidade. Só que essas pessoas que estão fazendo reforma, imagina isso a nível nacional, eles consomem, essas pequenas reformas, elas consomem produtos numa quantidade muito maior do que as construtoras. Agora, por que que a indústria esquece esses profissionais? Esses pintores, esses pedreiros, esses eletricistas? Sim. Tá? Então, era esse o meu desabafo. E, gente, só um desabafo, tá? Uma opinião minha. Não tô aqui pra dar opinião, mas...
Lógico que tá.
Não, não posso. Enfim, eu falo como profissional. Eu já fui invisível.
Quem é minoria, no caso, não é valorizado. Então, as grandes empresas têm nome, tem um budget maior, e aí eles acabam investindo nisso e deixando a minoria só. que é o que, na verdade, a minoria que sustenta, eu acho, pela quantidade, que é muito maior do que uma empresa grande.
Você vê, mas quando a gente fala de minoria, será que é minoria? Tem que eleger um presidente.
É.
Quem que elege um prefeito?
Exatamente.
Entende? Então, a gente precisa, de fato, tocar na mente dessas empresas, que os CEOs olhem quem que eles estão contratando para a diretoria de marketing, que os marketings dessas empresas conversem com o comercial, conversem com os depósitos de materiais de construção para entender qual que é a dor do mercado, que a indústria precisa colaborar para que de fato a gente tenha uma construção civil muito mais qualificada, para que isso resulte numa qualidade de obra Né? Melhor para aquelas pessoas que vão ocupar esses espaços. Sim. Então, no geral, é isso. Eu queria... Você viu que a gente tem um quadro, convidado e convida.
Legal.
Quem é que você gostaria de ver e ouvir aqui no Construir Cast?
A Bia! Eu falei da Bia mais cedo.
Bia, tá convidada. Convida você que a gente vai mandar esse quadro.
Bia Kerr, mulher em construção. Tô aguardando você aqui.
Quero ver, hein? A Bia é uma mulher muito requisitada, vamos ver se ela... Nossa, cada ano.
Que passa ela fica mais. Mas eu adoro ela.
E tem alguma coisa que você gostaria de falar? Aproveitando, enfim, será que eu esqueci de perguntar? Eu tenho muitas coisas, mas nosso tempo tá um pouco... Não tem problema.
Eu queria falar um pouquinho da Belas, o que a gente faz no geral, né? Que a gente falou muito da mulherada na construção civil, que a gente capacita, mas a nossa empresa é uma empreiteira de mão de obra feminina, né? Então, o nosso foco, não só fazer a obra, mas também um projeto, gerenciamento de obra e o acompanhamento. Então, o cliente vai viajar. Isa, eu sou a Isa, tá? Tá aqui as chaves, tá aqui o dinheiro, o contrato. Eu volto daqui a três meses." Ok, quando ele volta tá tudo pronto, com móvel limpo, decorado. Então, ele não quer, hoje em dia, ter este problema. Ele quer tudo pronto. Então, existem muitas empresas que estão fazendo apartamentos para investimento, mas nosso foco é para famílias, apartamentos um pouco maiores, mais médio, alto padrão, e entregando tudo chave na mão.
É o famoso turnkey. Você pega o projeto, Pega o problema e vem com a solução pronta.
Exatamente.
Muito legal. E pra você que tá acompanhando esse episódio, vai ter os contatos aqui das Belas, né? E vocês podem mandar aqui, comentar bastante nesse vídeo e eu tenho certeza que As mulheres, principalmente, que estão assistindo ou ouvindo esse podcast e queiram participar desse movimento de mão de obra feminina na Constituição Civil, podem também contar comigo que vocês têm meu apoio e, inclusive, eu de alguma forma vou trazer o apoio da indústria para que a gente amplie, porque você não faz só obra, né? você faz um trabalho social. Porque quantas pessoas que eu conheço não deixam de fazer uma reforma por conta de preocupação com mão de obra. Ah, eu sou, sei lá, sou uma mulher, moro sozinha e eu não vou deixar aqui um homem na minha casa. Enfim, então acho que a gente, esse trabalho social também que vocês fazem, eu acho, de muita valia. Por isso que eu me fixei aqui hoje, fazendo esse bate-papo. E conte com a gente. Esse canal, como eu sempre falo aqui, não é do Paulo, é nosso. É pra transformar, de fato, a construção civil no Brasil.
Certo. Muito obrigada, Paulo. Obrigada mesmo. Foi muito bacana estar aqui hoje, falar um pouquinho da mulherada no mercado. Abrir novos espaços pra gente, né? Tanto com empresas quanto com os clientes. Podem vir. É isso. Vamos fazer um crescimento ainda maior.
E aproveitar para você que quer aprender, que quer conhecer soluções construtivas industrializadas, nos dias 3, 4, 5 e 6 de junho, teremos no Sambódromo do IMB a maior exposição de construção modular off-site da América Latina. E você está convidado, tá? Manda aqui, ó, eu quero e a gente manda um convite pra você, uma credencial e você vai lá conhecer um pouquinho do que há de mais moderno na construção civil. Você vai poder tocar, de fato, nos materiais e sentir o que é uma qualidade térmica e acústica, porque essa feira acontece no meio do tempo. É sensacional. E você tá convidada.
Claro.
E pra finalizar esse episódio, que é sobre mulheres, nada mais justo do que uma mulher vir pra finalizar. Gabi, assume aqui que eu vou pegar minha roupa de belo pra ir na obra na sequência desse episódio. Vem cá.
Olha eu aqui de novo pra vocês. Ai, gente, vamos lá. Isa, queria agradecer a sua presença aqui. Fiquei muito feliz. Eu sempre comento aqui com o pessoal, né? Quando tem episódio com mulher, eu adoro. trazer a mulherada mesmo para esse universo da construção civil. E para finalizar esse episódio, eu queria te fazer uma última pergunta. Eu queria entender de você, como que você vê a evolução da capacitação feminina nas obras, de tecnologia, do dia-a-dia ali na obra, porque querendo ou não, Por mais que exista essa evolução da mulherada mesmo ali dentro dos canteiros, ainda somos minoria. Então, o que você consegue me dizer dessa evolução que teve e na capacitação em si das mulheres?
Hoje, a gente trabalha com reforma de interiores e a gente é uma empresa pequena, digamos assim. Mas eu estou observando que construtoras, grandes construtoras, por sinal, estão investindo nessa capacitação. Mesmo que seja uma minoria e em pouca quantidade, tá começando. Na verdade, tem aí um ano, dois anos que isso começou. Por conta de visibilidade mesmo de nós mulheres. E eu acho que tem um grande potencial pra atingir aí talvez, quem sabe, 50% da obra com mão de obra feminina.
Com certeza. Inclusive, achei muito legal isso que você trouxe. Inclusive, eu conheci um canteiro de obra em que existe já essa equipe 50% feminina, então é muito legal ver que tá evoluindo. E eu já vou aproveitar pra puxar o gancho aqui, você comentou das construtoras e tudo. Nós conversamos com a Nina, que ela é caminhoneira, ela faz parte de uma construtora que tem muitas mulheres que participam, muitas mulheres caminhoneiras, muitas mulheres que estão ali no dia a dia da obra e eu vou convidar você para acompanhar esse episódio que já está disponível, tá? Ele já saiu e vocês vão conseguir aí acompanhar um pouquinho da história da Nina, ela falando dos perrengues nas estradas aí com o caminhão, Maravilhoso. Ela falando do caminhão dela, que ela chega, ela quer ficar lá. Ela entra na cabine ali do caminhão, quer ler um livro, quer comer lá dentro, quer assistir algum filme.
É que é quase uma casa, né?
Não, na hora que ela falou, eu fiquei... Sabe aquele sentimento de coração quentinho? Parece que ali é o melhor lugar do mundo. Então, vai lá conferir. Vai dar uma olhada na história dela, né? Escutar um pouquinho da história dela. e escutar também mais histórias como essa, que a Isa trouxe, e vem com a gente transformar a indústria da construção civil através da educação. Obrigada, Isa, por ter participado.
Gabi, obrigada a você pela oportunidade. A gente já vem conversando há algum tempo, né? Espero que tenham gostado e aguardamos os próximos.
Obrigada, te dou um abraço.
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