Mulheres que Constroem | Construção do Melhor Aeroporto do Brasil | Jasmine Reis | Construecast

Jasmine Reis, civil engineer at Zurich Airport, led the modernization of Florianópolis Airport in Brazil under a concession model. The team used modular steel and industrialized systems to add features late in the project, like a rooftop terrace, while managing design coordination and the critical operational transfer process that began five months before handover.
Questions this video answers
About five months before the transfer (ORAT started ~5 months prior).
September 2017.
Early 2017 (around June–July 2017).
October 2019.
Florianópolis, Vitória and Macaé.
Chapters
Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtora Infinity Plus. Sejam bem-vindos, está no ar mais um episódio do ConstrueCast. Hoje estamos iniciando a série Mulheres que Constroem. E para conduzir esse bate-papo junto comigo eu tenho uma honra de receber a engenheira civil Rosane Bevilacqua. Vou ter que ler o currículo dela porque é bastante extenso. A Rosane tem mestrado em Engenharia de Estruturas Metálicas pela UFMG, possui MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGVSP, ela é especialista em Marketing Estratégico pelo INSPER, possui mais de 15 anos de experiência no segmento de construção civil, tendo passado pelas principais fabricantes de estrutura metálica do país. Além de atuar na sinderurgia, seu trabalho tem como foco o desenvolvimento do mercado da construção industrializada, novos sistemas construtivos e inovação, especialmente nas áreas de estruturas metálicas e mista. Rosane, seja muito bem-vinda ao nosso podcast.
Muito obrigada, Paulo, pelo convite. É uma honra participar desse bate-papo contigo e com a nossa convidada super especial aqui. Fico muito contente pelo convite. Espero que a gente tenha bons minutos de bate-papo pela frente.
Obrigado, Rosane. Agora faço a questão que você apresente a nossa convidada.
Ok.
Bom, gostaria de apresentar pra vocês a Jasmine, que assim como eu, é uma mulher, mãe e engenheira, gerente de projetos da Zurich Airport, e gostaria que você mesma apresentasse um pouquinho aí da tua trajetória pro pessoal.
Obrigada, Rosane. Obrigada, Paulo, pelo convite. Para mim também é uma honra estar aqui. Eu espero que eu possa contribuir às expectativas, né, que são altíssimas. Bom, eu sou engenheira, como você falou. Eu sou de Florianópolis, manézinha da ilha, nascida e criada. Eu, durante o projeto do aeroporto de Florianópolis, eu fui coordenadora de projetos, cuidei bastante da parte de look and feel. E agora, depois de ser mãe, no retorno para a companhia, Eu fui convidada a assumir a área de projetos, estou gerente de projetos da Zurich Airport no Brasil e sou responsável pelos projetos regulatórios dos nossos três aeroportos, Florianópolis, Vitória e Macaé.
Bom, eu vou passar a bola, Rosane, para você conduzir esse bate-papo comigo. Eu tenho algumas perguntas que todo convidado que vem aqui eu compartilho com amigos engenheiros, arquitetos e players do mercado. Então, primeiro você vai conduzindo aí e ao longo do bate-papo eu solto uma pergunta ou outra escolhida a dedo. Com você, Rosane.
Tá, ok. Bom, Jasmine, eu queria começar te parabenizando pelo trabalho. Como usuária, o aeroporto de Floripa, ele realmente é um aeroporto diferente, que traz um pouco do clima da cidade para o usuário, né, e como engenheira também acompanhei um pouco de todo o processo, né, de escolha e das tecnologias construtivas que vocês utilizaram nesse aeroporto. E eu gostaria de começar esse bate-papo entendendo um pouquinho contigo, te perguntando sobre como é que acontece todo esse processo, desde a concessão de um aeroporto até todo esse processo de definição de quem vão ser os seus parceiros, qual vai ser a escolha dos sistemas construtivos e dos parceiros que você utiliza para uma obra desse porte, como foi o aeroporto de Florianópolis.
Perfeito. Bom, respondendo a primeira parte da tua pergunta, o que é uma concessão de aeroporto? Eu acho que para a gente poder, de alguma forma, contextualizar, a gente precisa voltar um pouquinho até na história do nosso país, onde a gente vê que Ali na década de 2000, a gente começou a ter um aumento significativo do PIB e as pessoas começaram a ter mais acesso a voar de avião. E com isso, a gente teve um acréscimo da curva de demanda gigantesco, que antes não era previsto. E as infraestruturas que a gente tinha instalado na época eram infraestruturas que já não atendiam mais essa quantidade, essa demanda de voos e o número de passageiros que vinha crescendo. Então, essa infraestrutura foi pressionada a ser ampliada ou modificada ou adequada para trazer qualidade para esses serviços e uma das soluções que foi encontrada, o que já havia sido aplicado internacionalmente, que era a concessão para a iniciativa privada. E aí o porquê dessa escolha? Obviamente isso permeou muitas decisões, mas o maior motivo foi a necessidade de um investimento muito alto, porque a gente não tá falando de um aeroporto só, a gente tá falando de uma malha de aeroportos num país tão grande quanto o Brasil, em curtíssimo tempo, pra atender essa curva de demanda que só crescia. Então, a concessão para a iniciativa privada viabilizaria esses investimentos com a qualidade necessária para atender a curva de demanda. E aí, respondendo a tua segunda pergunta, a segunda parte da pergunta, sobre a escolha dos fornecedores. Isso tudo nasce como... como qualquer outro projeto, no próprio design, na especificação ali da solução construtiva. Então, geralmente, num projeto como esse, o que se faz, até extrapolando um pouquinho o projeto do aeroporto de Florianópolis, mas um projeto de aeroporto de modo geral, né, a gente faz um pré-projeto, entende quais são as necessidades que precisam ser atendidas ali, do ponto de vista de ampliação, de dimensionamento, E esse pré-projeto é a base de solução construtiva das principais dificuldades que a gente vai ter de budget e de cronograma. No caso das concessões, a gente tem uma determinação por contrato de concessão do qual é o tipo de investimento que a gente precisa fazer e qual que é o prazo que a gente tem que entregar esse investimento. Então, tem algumas condições de contorno que precisam ser atendidas, que determinam aí a escolha dos nossos fornecedores, não só o design, mas também a qualidade, a expertise e tudo mais. Não sei se eu respondi ou tô perdendo.
E quais são os critérios, assim, na escolha desses fornecedores?
Tá, eu vou exemplificar num caso prático, tá? E aí vou voltar para o aeroporto de Floripa. No caso do aeroporto de Floripa, a gente começou o nosso projeto com um contrato de design, aonde a gente tinha lá uma construtora com expertise suficiente para desenvolver esse projeto, que abarcou dentro do contrato de design os subcontratados especializados em cada matéria. E esse design era desenvolvido em muitas mãos, por nós e por eles, com a nossa validação final e a validação final da nossa agência reguladora, que é a ANAC. Depois disso, esse contrato migrou para um contrato de construção, no formato PMG, e aí a gente conhece outros formatos, obviamente, por exemplo, EPC, enfim. Mas nesse caso foi um contrato PMG, onde também todos os subcontratos estavam dentro do guarda-chuva da construtora, dentro da nossa EAP, né, de contrato. E a gente validava a contratação desses subcontratados de acordo com os mapas que a gente recebia de cotação da construtora. Então, o que a gente validava? a qualidade do material, do fornecimento, se aquilo estava dentro do que tinha sido especificado nos projetos que a gente já havia validado anteriormente, se estava dentro do prazo de entrega, porque muitas vezes num projeto desse tipo de tiro curto, por mais que o fornecedor consiga atender dentro da qualidade da especificação, às vezes ele não consegue atender dentro do prazo. Então, o prazo para nós era algo realmente muito importante, e por fim, obviamente, dentro do custo estimado para aquela obra, para a gente não ter um estouro de capas. Então, basicamente, foi assim que funcionou para o projeto de Floripa e para os outros projetos que a gente tem. Uma coisa ou outra muda, mas geralmente é esse mesmo caminho.
Nessa mesma linha.
Nessa mesma linha.
Muito legal. E até pra gente trazer um pouquinho mais a fundo essa questão que você trouxe aqui do prazo, de um projeto que você chama de tiro curto. Quais são as etapas que você precisa seguir quando você tá tratando de um projeto de um aeroporto? Pra gente conhecer um pouquinho mais sobre o processo.
Vamos lá. Não vai diferir muito, né, de um projeto de grande porte. Eu acho que a grande diferença, já adiantando aí um pouco do tema das etapas, é que num projeto de aeroporto a gente tem muitos stakeholders envolvidos, que num projeto, vamos colocar, de um shopping ou de uma edificação de grande porte, muitas vezes esses stakeholders não vão estar presentes ali. Então, tudo nasce, como eu falei, no pré-projeto, onde a gente tem ali um desenho do que precisa ser solucionado do projeto. No caso de uma concessão de aeroporto, geralmente no contrato de concessão já vem a contrapartida do que precisa ser construído, de qual que é o investimento. Então, em Florianópolis, a gente tinha que construir um novo terminal e fazer algumas adequações do lado ar, que a gente chama que é o sistema de pátio e pista. Então, construir táxis, implementar um novo pádio, fazer uma extensão da pista. Então, a gente já tinha esse macro do que precisava ser feito e o macro do dimensionamento mínimo que a gente precisava ter para essas infraestruturas. Então, a quantidade de passageiros que a gente ia processar em concomitância doméstico e internacional, embarque e desembarque, aí entra nos detalhamentos bem técnicos mesmo. E aí com essas condições que a gente tinha já pré-determinadas pelo nosso contrato, a gente consegue encomendar um projeto de especialistas, então esse é um ponto primordial para conseguir ter sucesso num projeto como esse, é ter abarcado parceiros que conhecem do tema, porque precisa ter um conhecimento técnico das normas de aeroportos no Brasil e até internacionais é muito sólido, né, porque a gente tem que atender essas normas, tanto do ponto de vista de dimensionamento físico e espacial, ou seja, quanto que precisa ter uma sala de embarque, qual que é o fluxo de check-in, esse tipo de coisa, mas também do ponto de vista de segurança operacional mesmo, a gente tem vários processos de segurança para garantir que o passageiro vai embarcar bem e vai desembarcar bem sem nenhum problema adicional. e que a aeronave vai pousar, que a aeronave vai taxiar, que a aeronave vai acoplar na ponte de embarque também sem nenhum acidente. Então, o primeiro passo aí é desenvolver esse projeto com esses especialistas que conhecem do tema. Hoje, felizmente no Brasil, como a gente já passou por sete rodadas de concessão, já existe um grande arcabouço aí de conhecimento nos profissionais, e aí depois disso a gente segue então para uma contratação de obra, A contratação de obra vai seguir o que a gente já conhece de gestão de projeto dentro do desenho de contrato estabelecido como o melhor para aquele caso e também buscando no mercado construtoras que de alguma forma já tiveram uma experiência parecida numa situação semelhante. E aí entra uma outra particularidade que muito provavelmente nos casos de concessão no Brasil essa obra vai acontecer num aeroporto já em operação. Acho que, se eu não me engano, a única situação que isso não aconteceu foi em São Gonçalo do Amarante, que foi a primeira concessão do Brasil em 2011, onde foi construído um aeroporto totalmente Greenfield, onde não existe aeroporto. Então, pra gente conseguir conduzir uma obra com o aeroporto em operação, é necessário fazer um planejamento, que eu brinco que é quase um planejamento de guerra, pra gente garantir que a operação ocorra de forma contínua e principalmente segura, né, que a gente não tenha às vezes alguma condição ali que inviabilize essa operação e as condições mínimas de segurança do aeroporto. Então, é extremamente importante que todos os nossos atores envolvidos não só na construção e os subcontratados, mas também companhia aérea, torre de comando, aeronáutica, todo mundo realmente que faz esse sistema funcionar, estejam dentro desse planejamento, entendam as suas responsabilidades, aonde cada um tem que estar em cada momento, para que tudo ocorra conforme foi o planejado.
E eu imagino que a etapa de planejamento, a etapa de projeto seja uma etapa extremamente importante. E aí até trazendo um paralelo que eu acho que a gente pode se utilizar para a construção civil como um todo. A gente está falando aqui do aeroporto, que obviamente a gente sabe que tem um grau de complexidade e um grau de maturidade, talvez, do desenvolvimento dos projetos maiores, mas que a gente possa trazer isso um pouco para a construção civil. o quanto você trouxe aqui na tua fala, que é importante uma etapa de planejamento muito bem feita e muito robusta para que a gente não tenha nenhum tipo de problema na etapa da execução. E esse eu acho que é um ensinamento muito importante que a gente precisa trazer para a construção civil como um todo, porque por vezes a gente faz o projeto com a obra já em andamento, muito se perde, eu acho, do potencial das tecnologias construtivas que nós temos quando você não trabalha bem na etapa de planejamento. Então, não adianta você ter... todos os subsistemas como potencial de serem executados de maneira extremamente racional se o planejamento desses subsistemas não for assim também. Então acho que essa é uma reflexão e um aprendizado muito grande que a gente pode trazer para a cadeia como um todo, que a gente se utilize desses exemplos de alguns segmentos que já estão mais desenvolvidos em termos de planejamento e operação e conexão de todos os parceiros, para o nosso grande mercado da construção civil convencional, né? Isso é particularmente importante.
Perfeito. E é muito difícil aplicar, né? É desafiador. Para quem trabalha com obra, a gente sabe. Até assim, é um pouco tópico a gente falar do planejamento como algo fixo, né, porque ainda mais nos dias de hoje onde tudo acontece tão rápido, onde as demandas elas precisam se acontecer para ontem, senão já não faz mais sentido aquela demanda e a próxima aparece. Então, dentro desse nosso contexto de precisamos construir algo para atender uma curva de demanda que daqui a pouco está batendo na nossa porta e temos um prazo muito curto para entregar tudo isso e um projeto relativamente complexo e sério para ser entregue, eu costumo dizer que é exigido de nós, que somos engenheiros e planejadores por natureza, uma grande flexibilidade. né, porque o que a gente planeja no início de um projeto como esse, geralmente não vai acontecer. Ele vai acontecer, óbvio, com a entrega final lá do jeito que a gente desenhou e planejou, mas as entregas incrementais, né, do dia a dia, no desenvolvimento, tanto desde o início, né, da concepção até a construção e a entrega propriamente dita, cada entrega incremental muda a próxima etapa do desenvolvimento. E a gente tem que estar disposto a ter essa flexibilidade e ter agilidade em mudar o rumo da coisa para garantir que lá no final aquilo que precisa ser entregue vai ser entregue no prazo e no custo e na qualidade planejado. Então, para mim, o planejamento realmente é fundamental para a gente estar preparado para essas mudanças de traçado e conseguir ajustar a rota, sabe? E outro ponto também que eu trago, eu acho que a criatividade, por incrível que pareça, né, às vezes a gente tem, eu escuto assim de algumas pessoas que não são do meio, pô, o engenheiro é um cara meio quadrado, e não pensa fora da caixa e tal, esses são pensamentos que a gente escuta, né, E eu acho que muito pelo contrário, o engenheiro tem que ser um cara muito criativo.
Exatamente.
Porque nesses projetos que tem muita pressão e muita pressa, né, a gente tem que ter solução criativa pra tudo e se adaptar aí às surpresas no meio do caminho, porque elas vão surgir com certeza.
Eu tenho uma pergunta, mas acho que eu vou esperar primeiro você falar um pouco dessa questão da escolha das soluções construtivas.
Sim. Desculpa te interromper, é que só para finalizar a questão das etapas para entregar um aeroporto, a gente tem uma etapa quase que final, que é uma curiosidade, na verdade, acho que a gente conversou isso um pouquinho da última vez, que é o orati. Não sei se vocês conhecem o que significa o orati. O ORAT é um preparo para a gente transferir operacionalmente uma estrutura para outra. Então, no caso do aeroporto de Florianópolis, a gente transferiu de um terminal antigo, que foi totalmente desativado, para um terminal novo, toda a nossa operação. E um terminal não ficava próximo ao outro, era um local completamente diferente, com acesso viário diferente, e isso aconteceu da noite para o dia, como um apagar de luzes mesmo, a gente vai lá, aperta um botão, e no dia seguinte toda a operação tem que estar acontecendo perfeitamente do outro lado. Então, isso é uma etapa importantíssima para que a gente tenha sucesso num projeto como esse.
E isso já foi avisado, hoje a coisa está acontecendo aqui, amanhã será transferido para o outro lado.
O Orochi, ele tem uma equipe especializada no Orochi, dedicada exclusivamente para fazer o Orochi acontecer, E é um planejamento de meses de antecedência à virada de chave oficial, onde a gente faz primeiro todo esse mapeamento de todos os sistemas e subsistemas que precisam acontecer do ponto de vista operacional, quem são os stakeholders, então isso vai desde companhia aérea, que é o mais fácil de a gente lembrar, porque sem companhia aérea não tem voo, mas também desde polícia, polícia civil, polícia federal que checa os passaportes, Vigiagra, Visa, que checa a questão ali de vacinas, enfim, toda essa parte. Quem mais? Transporte público. Quem que pensa, né, o transporte público, se a gente muda um terminal de um lugar para o outro, como é que esses passageiros vão chegar até o novo terminal, né? Sinalização viária da cidade, que indica um aeroporto para um lado, tem que mudar do dia para a noite para outro. Então tudo isso é pensado para que realmente o passageiro que vai embarcar no primeiro dia, que é o dia D da operação, consiga embarcar sem nenhum tipo de problema. A companheira testa o pouso do avião sem passageiro, faz todo o fluxo de... Imagina que a gente construiu um pátio novo num lugar novo, né? E a partir daquele dia ela tem que começar a transitar para outro lado. Então tem que passar pela taxiway nova, posicionar em posição nova de pátio, acoplar na ponte de embarque, no caso de Floripa a gente não tinha ponte de embarque no terminal antigo. Então, são vários processos aí que precisam ser testados pra que a coisa ocorra.
E em quanto tempo acontece todo esse treinamento, né? Porque você tem um pré-treinamento pra essa coisa acontecer naturalmente.
Eu vou te dar o exemplo de Florianópolis. Começou a se falar de Orochi com cinco meses de antecedência à transferência operacional. E, a partir dali, a gente vai incrementando esse planejamento. Então, são checklists e mais checklists de isso tá pronto, isso não tá pronto, com quem que a gente tem que falar, quem que tem que validar esse processo. Então, realmente, é uma infinidade de assuntos que precisam ser testados e dado ok ou ajustados, conforme o que for encontrado, né, pra que a gente consiga operar.
Com você, Rosane.
Muito legal. Eu não sabia desse nome em particular. Acho que ele se assemelha, talvez, um pouco com o que a gente chama de comissionamento, né? De grandes obras, né? Mas uma coisa interessante que você trouxe e que me chama a atenção é assim, a quantidade de clientes que você tem, de diferentes clientes, vamos falar assim, né? Porque a gente pensa no cliente passageiro, usuário final, né? Mas você tem toda uma gama gigantesca aí de clientes internos, né? Do aeroporto. que você também precisa atender. Como é que funciona a interlocução com todos esses usuários também do aeroporto e como é que é pensada toda essa dinâmica para atender a todos eles e se os aeroportos e em particular os de Florianópolis, como é feita a medição do nível de satisfação desses usuários com a infra que é proporcionada pelo aeroporto?
Eu acho que essa pergunta é excelente porque ela responde muita coisa do que é fazer um projeto de aeroporto. O projeto de aeroporto é feito a muitas mãos. Então, tudo que a gente desenha, desde layout, até dimensionamento, até fluxo, até uma porta, uma chave, a altura da cadeira, a altura do balcão, a tomada, onde a tomada fica, se ela fica mais para a esquerda, mais para a direita, tudo isso é validado com todos esses stakeholders. Então, é algo muito rico que exige uma dinâmica de comunicação on time, porque pensa que a gente precisa ter essas reuniões, validar o que está sendo desenhado com esses stakeholders, depois a gente precisa voltar para o projetista, solicitar essas revisões, aí no momento que ela é feita, a gente tem que validar de novo, então isso é um fluxo contínuo e infinito. Até mesmo durante a obra, porque quando a obra ela tá criando o corpo, a gente leva esses parceiros na obra pra visitar, pra entender espacialmente se aquilo vai funcionar. Então chega ao ponto, como eu falei né, eu vou dar o exemplo prático e fácil que aí a gente consegue imaginar. Por exemplo, o balcão de check-in. O balcão de check-in ele é feito em diversos mock-ups. até que se chegue ao balcão de check-in ideal, que a companhia aérea consegue operar com ergonomia, com qualidade, e que tenha lá todos os plugs e máquinas e botões que é necessário para que aquela operação ocorra de forma eficiente. Então, tanto o atendimento ao passageiro tem que ter qualidade, mas também quem está atendendo esse passageiro também tem que ser atendido com qualidade, né? Da tua pergunta sobre como a gente é... regulado em relação a esses padrões de qualidade, hoje no nosso contrato de concessão, e até esse é um dos pontos chave do nosso contrato de concessão, a gente tem algumas pesquisas de satisfação que são respondidas de acordo com o critério que é pré-estabelecido, então tem toda uma métrica e uma metodologia dessas pesquisas a ser executada, aonde indica quais são os, a nossa pontuação nesses critérios de qualidade. E além disso a gente tem o que a gente chama de parâmetros mínimos, que aí fala mais de questões físicas e espaciais. Então, a quantidade de assentos que a gente disponibiliza, a quantidade de balcões de embarque, a quantidade de filas pra inspeção no raio-x, da bagagem de mão, esse tipo de coisa. Então, tudo isso é regulado e é checado regularmente.
Uma coisa interessante também, uma dor grande que a gente acaba vivenciando muito na prática dos projetos é de fato a pouca integração entre as diferentes disciplinas, quer dizer, você entender a dor, o projetista de estruturas entender o propósito daquele partido arquitetônico, da especificidade das instalações, para que você tenha a capacidade de conduzir um projeto como um todo. Como é que você desenvolve toda essa dinâmica de rearranjo do projeto, principalmente quando a gente está olhando agora para as etapas de design, seja o design de arquitetura, da estrutura e dos projetos complementares das demais disciplinas.
Bom, com muito planejamento, porque a gente tem um prazo, né, então dentro desse prazo precisa estar contemplado essas idas e vindas de design, e essas validações são extremamente importantes, porque dentro da curva de detalhamento do projeto, quanto mais pra frente a gente leva esse refazimento, mais custo a gente vai gerar e, possivelmente, maior atraso a gente vai gerar na hora de resolver esses retrabalhos, né? Então, quanto antes a gente resolve as principais questões do projeto, é extremamente crucial para a qualidade do que a gente vai entregar lá no final. E dado, assim, a complexidade do que é essas validações do ponto de vista de um projeto de aeroporto, eu diria que é até fator de sucesso ou insucesso de um projeto como esse. Por quê? Lá no final quando a gente entrega a infraestrutura pronta, a gente entrega obviamente para o nosso poder concedente, a nossa agência reguladora que vai lá também com a checklist ver se foi entregue ou não foi, se está adequado ou não está, mas também para todos esses atores que fazem o sistema funcionar. E se por acaso alguma coisa não está sendo atendida do ponto de vista da operação desses atores, a gente não vai conseguir operar também. Então, como que a gente gere tudo isso, né? Do nosso procedimento padrão, a gente tem reuniões de consulta, que a gente chama internamente de consultation, aonde a gente apresenta o projeto, toma nota de todos os questionamentos pedidos de alteração, volta pra dentro de casa, refaz e faz esse fluxo até que a gente consiga sanar todas as questões. E nesse processo a gente também envolve o poder concedente pra validar se essas soluções estão atendendo ou não o que foi desenhado lá atrás, o que a gente tem que entregar de fato. Porque lá na frente, quando a gente for entregar, existe um processo que a gente chama de homologação. que é checar se toda a infraestrutura tá adequada pra operar com segurança, dentro das normas e tudo mais. Então imagina lá no final da cadeia, quando já tá tudo construído, testado, comissionado, todo mundo feliz operando, a gente encontra uma coisinha, ah não, não vai poder homologar porque essa lâmpada de belizamento tá a 10 centímetros no lugar errado. Então tem que ir lá refazer aquilo. Então são realmente situações que são críticas para o projeto e para o sistema comum todo.
Em termos de tecnologia, vocês desenvolvem os projetos todos na plataforma BIM?
Não todos, tá? Tem alguns projetos que apesar de a gente Querer que seja elaborado na plataforma BIM por conta até mesmo da praticidade do que é o projeto às vezes não faz muito sentido, tá? Geralmente a gente contrata em BIM, faz toda a análise em BIM, mas no final a gente gostaria de um pouquinho a mais do BIM, né? A gente queria realmente utilizar o BIM como algo com informações mais integradas. E hoje a dificuldade que a gente tem, não sei se isso se aplica aí para os outros parceiros com quem vocês conversam, a gente encontra sempre a barreira da limitação entre a entrega e o pós-obra. Porque o BIM nos fornece informações além pra gente usar no pós-obra e tudo mais, mas acaba que a gente sempre esbarra nisso. O BIM acaba ficando como um projeto numa pastinha de arquivo do SBuilt e acabou.
E é muito legal ouvir isso porque é um pouco da realidade mesmo do que se vive, né? Existe o BIM que realmente a gente vai conseguir utilizar ele na etapa de operação e existe o BIM que nada mais é do que uma modelagem 3D, né? E aí ela perde um pouco do sentido se ela para nesse... Eu acho que o grande desafio que a gente percebe é de fato que o BIM seja integralmente utilizado na obra, né?
Sim.
Uma continuação, né? Não adianta você desenvolver o projeto em BIM se o pessoal na obra vai trabalhar com o papel em 2D, né?
É, tem várias questões, né, o Binha, se ele é ousado no máximo dele, ele traz cronograma, ele traz até tempo de manutenção das peças, tem muita coisa ali, tudo bem que depende muito da demanda do próprio cliente em querer essas informações a posteriori, né, porque isso custa. E tem que ter alguém que saiba lidar com toda essa plataforma, enfim, com essa base de dados.
E existe alguma resistência ao uso da tecnologia? Eu sei que você viveu isso no dia a dia.
Não, eu não vejo assim, eu acho que hoje o mercado está muito capacitado, eu acho que todo mundo com quem a gente interage de fato Gostaria muito que a tecnologia estivesse ali, fácil e aplicável, mas a gente encontra barreiras de tempo mesmo e de por que que estamos fazendo isso. Às vezes não vai ser usado, então vamos fazer do jeito que todo mundo já está habituado, fazer rápido, entregar rápido. Então, acho que tem diversos fatores aí, não é uma barreira de mudança, não.
Mas é aí que pode acontecer muito retrabalho, né? Porque é quando você acaba, vou pular essa etapa porque é mais rápido, você se depara com... Pode acontecer alguma surpresa no meio desse caminho, assim.
Ainda que você tenha um planejamento muito bem feito, né? A gente sabe que na prática nem tudo acontece da forma como se planeja, né? Eu acho que essa é uma das grandes funções de nós, engenharia, como a gente vinha falando um pouquinho antes aqui de começarmos a gravação, né? A ideia de que um planejamento ele é algo feito uma vez e que você vai seguir a risca e você não vai ter nenhuma intercorrência ao longo desse caminho é uma ideia quase utópica. Então essa flexibilidade é muito importante e aí eu faço com isso um gancho aí um pouquinho mais para a questão toda da escolha de materiais e sistemas. O segmento de aeroportos e eu acho que em particular o projeto do aeroporto de Florianópolis ele trouxe uma grande gama de tecnologias industrializadas. Eu queria te ouvir um pouquinho em relação a como foi a experiência de se utilizar esses tipos de tecnologias e se essas tecnologias te trouxeram algum benefício especialmente nesses momentos críticos aí onde você precisou ter algum tipo de alteração no projeto, replanejamento na obra, a tua visão em relação ao desempenho mesmo dessas tecnologias dentro da tua obra como um todo.
Legal, essa é uma pergunta que eu depois vou fazer um gancho para um acontecimento atípico. desse projeto que eu acho que é interessante compartilhar. Mas o primeiro ponto que eu queria fazer em relação a tua pergunta é, eu acho que toda tecnologia industrializada ela traz uma facilidade de ser produzida muitas das vezes, boa parte dela fora do canteiro de obras né, ela já vem meio que pré-pronta para ser montada ali, isso gera uma organização de canteiro de obras incrível, e também uma celeridade dos nossos processos, ainda que a gente precisa fazer um controle no site do fornecedor de vez em quando dependendo da criticidade daquele material, para nós foi realmente algo importante a gente ter essa dinâmica de organização do canteiro de obras e também da da agilidade mesmo de quando chega esse material ele já é implantado, ele já é montado e já libera uma nova frente de serviço para acontecer. Dando por exemplo a estrutura metálica. A gente optou por fazer uma modulação estrutural padrão, muito porque o projeto de um aeroporto é vivo. Então, ainda que a gente tenha entregado a obra, daqui a pouco a gente precisa fazer alguma adaptação de fluxo, alguma adaptação de expansão de layout de uma sala. E quando a gente tem essa padronização dos eixos estruturais, a gente consegue ter uma dinamicidade melhor dos layouts. A gente tem lá no nosso projeto alguns núcleos estruturais que a gente não consegue mexer. que foi alocado nos banheiros, então até foi escolhido alocar isso nos banheiros porque geralmente banheiro a gente não gosta muito de mexer mesmo, né, por conta das instalações, mas todo o restante é uma planta basicamente livre que a gente consegue ali adaptar conforme o aeroporto for demandando operacionalmente. E aí indo agora para o gancho que eu queria fazer, que tu me perguntaste sobre a Como que essas escolhas facilitaram alguma mudança que aconteceu no meio do caminho, né? A gente tinha que entregar esse projeto em outubro de 2019, se eu não me engano. E em janeiro de 2019, a nossa companhia tomou a decisão de a gente construir um boulevard na frente do aeroporto, que não estava nos planos, não tinha sido projetado, foi algo que foi uma ideia totalmente revolucionária, até num primeiro momento vista, nossa, será que a gente deveria mesmo estar fazendo isso? E no final das contas foi um grande sucesso para essa entrega, que realmente foi a cereja do bolo, que contribuiu muito para essa percepção de qualidade do que é o nosso aeroporto hoje, e até resgatando uma fala tua do início, que o aeroporto de Florianópolis, ele reflete o espírito do que é Florianópolis, né?
Sem dúvida.
E aí eu convido a um exercício mental de a gente imaginar o que seria o aeroporto de Florianópolis sem o boulevard na frente, com o estacionamento na frente. E é outra experiência, completamente diferente.
Se pode só contextualizar um pouco o que que acontece no boulevard e já emendar? numa situação como essa, onde você tem um projeto com essa magnitude, com essa grandeza, como que é trazer um outro projeto também grande, que é aquele boulevard, como que você lida com todos os envolvidos no projeto? Então acho que aí você tem que ter uma... capacidade de comunicação muito grande, porque você mexe muito com o ego das pessoas, né? Estou falando especialmente agora da arquitetura, imagina, eu projetei o aeroporto, agora no meio do caminho eu coloco um boulevard no meio, como que funciona esse processo de tratativa entre os envolvidos no projeto?
Eu acho que o primeiro a primeira questão é que eu acho que é importante colocar a tomada de decisão por construir o boulevard apesar de parecer muito arriscada considerando que a gente tomou uma decisão quase que em cima da hora.
Isso é uma imposição tem que haver.
Um Não, na verdade foi uma escolha, até o que eu queria trazer, foi uma escolha muito responsável da companhia, tem porque a gente viu uma necessidade de atender não só ao que é a operação de um aeroporto, que mas também tornar o aeroporto um place to be. O aeroporto hoje de Florianópolis, ele tá localizado numa região que tem a maior previsão de crescimento populacional do ponto de vista de bairro mesmo, de Florianópolis como um todo para os próximos 10 anos. E era uma região que carecia de infraestrutura mesmo, tanto opções de lazer, opções de alimentação, enfim. e que a gente viu desde até um pouco antes da entrega do novo terminal até hoje, que isso já mudou totalmente de cenário, um pouco óbvio por conta da construção do novo aeroporto nessa localidade, mas também por conta dessa predisposição dessa região a crescer mesmo, do interesse das pessoas em morar ali e tudo mais. Então, a gente viu como oportunidade, a companhia viu como uma oportunidade de negócio e uma oportunidade, inclusive, de contribuir para esse ecossistema do bairro e da cidade, em trazer esse boulevard ali pra frente como um primeiro ponto de desenvolvimento imobiliário do nosso sítio aeroportuário. O nosso sítio aeroportuário é imenso, Florianópolis é uma ilha, né? e ele tá basicamente localizado nessa localidade que é o Camp Echell e o sul da ilha, então a gente tem realmente uma intenção de trazer mais pessoas pro fluxo do aeroporto que não estejam viajando, trazer mais visitantes pra fazer compras, pra se alimentar, pra passear, pra ir num show, então hoje até o boulevard ele foi concebido para ser esse grande centro de lazer e de recepção de pessoas mesmo. Então, ali a gente tem já alguns serviços à população, como o Detran, onde a pessoa pode ir lá fazer a carteira de motorista. A gente tem o Instituto Nacional de Perícias para fazer a carteira de identidade. Então, são serviços que não estão relacionados à operação de um aeroporto, mas que a gente ter toda uma infraestrutura ali adequada para receber pessoas, por que não, né? Nós temos um bom acesso viário, nós temos um bom estacionamento, nós temos sanitários limpos, disponíveis, bonitos, confortáveis, temos várias opções de alimentação, então por que não trazer essas pessoas que precisam resolver alguma coisa para o nosso aeroporto?
Isso é bem disruptivo. Não é muito comum de se ver. Eu não tenho conhecimento de tantos aeroportos, mas eu nunca vi nada parecido, pelo menos aqui no Brasil. E isso é muito legal, né? Porque muitas vezes o aeroporto, ele pode ser mal interpretado como um elefante branco no meio da cidade, que traz barulho, que traz... Assim, você incorpora o cidadão a se... É, apropriar daquele espaço como um lugar não só para quem está viajando, né? Isso é muito legal, né?
Um lugar comum, né? Um lugar da população.
É, eu já fui, já visitei, assim, eu tive uma experiência muito boa, principalmente na gastronomia lá.
Ó, que bom, fico feliz. Vou passar para o pessoal do comercial. Então tudo isso foi pensado dessa forma, por isso que eu digo que foi uma decisão responsável, porque imagina agora começar a construir o boulevard ali na frente, né? Então vamos construir, já que já tem um canteiro de obra ali instalado, a gente já tinha uma construtora mobilizada, os nossos parceiros todos já estavam mobilizados, bastava um esforço nosso interno, de fazer acontecer e aceitar o desafio bater no peito e fazer acontecer. Então a gente teve muito planejamento, esse projeto específico eu fui a responsável, então eu posso falar com bastante propriedade, a gente teve muito planejamento, E um dos pontos principais aí de escolha para que isso tivesse sucesso foi a gente replicar as soluções construtivas que já tinham tido sucesso no terminal, porque o terminal estava praticamente pronto quando a gente decidiu construir o Boulevard, então tem até algumas fotos assim muito legais, depois eu posso compartilhar aéreas do terminal ali, a gente vê a carinha dele já quase pronto e um canteiro de obras imenso na frente dele que era o Boulevard. Então a gente replicou a solução da estrutura metálica, a gente replicou a solução dos fechamentos de fachada ventilada, então tudo que a gente pôde escolher de industrialização, agilidade, organização do canteiro de obras, facilidade de instalação, a gente foi nessa direção para poder atender principalmente ao prazo.
Até aproveitando um pouquinho desse ponto que você trouxe aqui do replicar, o que ficou para vocês em termos macro, logicamente, de aprendizado e como funciona dentro da companhia essa transmissão de boas práticas, do quanto uma companhia que é global, enfim, tropicaliza, entre aspas, algo que de fato é local, mas como vocês trabalham dentro da empresa toda essa transmissão de conhecimento e de experiências de uma obra para outra?
Isso é muito interessante porque eu tive a oportunidade, a sorte e a felicidade de começar a trabalhar na Floripa Airport, que na época era Floripa Airport, em setembro de 2017. E a empresa se constituiu, se eu não me engano, no início de 2017, junho, julho, por conta de Azuric Airport lá na Suíça ganhar o contrato de concessão do aeroporto de Florianópolis. Então, eu tive a oportunidade de estar quase que desde o início desse desenvolvimento do que foi a constituição do projeto, das ideias e tudo mais. Isso é uma questão cultural dentro da empresa mesmo, essa troca é muito importante. E a gente por vezes recebeu diversos especialistas da nossa nave-mãe. lá em Floripa para compartilhar conhecimento e construir essas ideias em conjunto. Então, isso foi extremamente importante até para ter um DNA traçado do que seria a entrega a Zurich Airport, né, do que seria o nosso DNA de qualidade, qual seria as lições aprendidas que eles teriam para compartilhar com a gente de projetos semelhantes que já haviam passado. Então, desde o ponto, assim, pontos muito que o passageiro toca e percebe, né, como qual é a longarina ideal, qual é o tipo de piso ideal, o que que acontece se a gente escolhe uma torneira X ou uma torneira Y pra colocar no sanitário. Vários, realmente vários detalhes que às vezes passa despercebido até por uma questão de, ah, talvez isso não seja tão importante, que no final fazem a diferença pra qualidade da entrega e a percepção. Mas além disso, a gente também teve outros inputs que eu colocaria como benchmarks do que a gente gostaria de aplicar de sense of place. Então, a questão do paisagismo, Florianópolis é uma ilha, as pessoas viajam pra lá por conta da natureza, de estar perto da praia e tudo mais. Então, de trazer também esse sentido de o que o passageiro que viaja pra Florianópolis quer ver num aeroporto em Florianópolis, né? Então, tivemos muito isso também.
Uma coisa que quando eu fui lá você me mostrou, inclusive, que é o mirante. Esse mirante, ele já nasceu na concepção do projeto ou também foi uma adequação de projeto?
Ele foi um extra-projeto. A gente teve vários extras-projetos que nasceram um pouco do DNA da Zurich, de queremos ter isso porque isso faz parte do nosso DNA de qualidade. O terraço panorâmico é algo que veio de lá, lá no aeroporto de Zurich tem um terraço panorâmico aberto ao público em geral, então todo mundo que é amante da aviação vai levar algum parente para viajar, dá uma passadinha lá, toma uma Coca-Cola, assiste o avião pousando e decolando e sai do aeroporto feliz, né, com essa percepção que a gente fala que é a magia da aviação. Não sei se vocês vão se lembrar, mas antigamente não existia essa diferença tão grande entre lado ar e lado terra, que hoje a gente passa por checagem de segurança, todas essas questões mais, como é que eu posso colocar, mais difíceis do processo de embarcar, mais estressantes, mais tensas, isso antes não era tão assim. Então, por exemplo, lá no aeroporto de Florianópolis, no terminal antigo, eu lembro de eu criança indo levar a família para embarcar, e a gente ficar no parapeito do aeroporto assistindo o avião decolar sem nenhum vidro, sem nada. Não tinha diferenciação física, né, entre um lado e outro. E isso, com o tempo, foi se tornando cada vez mais rígido, e o terraço panorâmico em Floripa é uma conquista em relação a essa questão, porque ele é totalmente aberto, e ele fica, literalmente em cima do nosso pátio de aeronaves, então a pessoa consegue sentir o cheiro do querosene ali, ela consegue realmente estar dentro da operação do pátio e isso é muito legal, não sei se você chegou a visitar lá, fui visitar, foi.
Uma experiência bem interessante para mim, vale muito a pena, quando você for já, é um passeio interessante, com certeza, e.
Esse também foi um estereoscópio.
Então, isso é importante, né? Quando você tem uma escolha de soluções construtivas, assertiva, de modo que isso facilite essas adequações, isso faz toda a diferença na escolha.
Sim, totalmente, totalmente.
Isso te leva também a olhar para as escolhas de uma forma mais ampla. A gente tem um grande, eu chamo de paradigma porque é um paradigma mesmo, de se falar que a construção industrializada é mais cara e, portanto, não se viabiliza. E aí eu queria te ouvir um pouquinho em relação a esse cenário como um todo, de quais são os condicionantes, quais são os fatores como um todo que entram com seus diferentes pesos, suas diferentes medidas na escolha de um sistema construtivo para um empreendimento que é de fato um ícone da região.
Eu acho que a perpetuidade é muito importante nesse sentido, como eu falei antes o aeroporto ele é um organismo vivo e a gente vê nos sistemas mais industrializados soluções mais práticas de adaptação, de reversibilidade, enfim, até soluções um pouco mais leves, construtivas, que viabilizem a gente fazer as coisas de uma forma mais rápida. Eu vou dar um exemplo também mais prático, que é todas as nossas paredes no terminal, elas são feitas de um material que é resistente a risco, resistente a mancha, resistente a impacto, só que ele não é um material fixo na parede, ele tá ali fixado como se fosse uma fachada ventilada, enfim que seja, e se a gente precisar de algum dia mudar ele e realocar uma parede, a gente consegue facilmente deslocar tirar como se fosse uma chapa, fazer a mudança de layout e reinstalar ele, ou seja, não é um material que é perdido. Então pode ser que o investimento inicial, e aí vai depender muito do que a gente tá falando de solução construtiva, de sistema de material, vai depender muito, mas pode ser que o industrializado custe mais caro nesse investimento inicial, pode ser, não sei, pode ser. mas ele muitas vezes vai durar mais tempo, vai ser mais resistente, vai estar mais adequado ao uso para um aeroporto.
E essa inteligência de projeto é particularmente importante, né, quer dizer, se eu olhar para o projeto ao longo da vida útil também, né, qual é o impacto que eu vou ter quando eu vou precisar fazer uma substituição, retirar uma peça, mudar como você trouxe muito bem, não só nos aeroportos, né, mas eu acho que cada vez mais Os empreendimentos as estruturas como um todo elas precisam estar aptas a essa flexibilidade. A pandemia jogou isso na nossa cara. Quer dizer poxa será que as plantas dos imóveis pré pandemia são as mesmas do que a gente está precisando hoje. E essa flexibilidade para a mudança de uso ocupação layout é muito importante. A gente precisa levar isso em consideração.
E isso é pensado muito também na questão da como você vai reduzir custo, né? Porque quando você pensa na manutenção, imagina você pensar na manutenção.
É, você imagina o que é um aeroporto que tem carrinho de bagagem passando, com uma família carregando mala, bolsa, criança, aí a criança chora, o cachorro corre, aí o carrinho é solto, bate lá na parede. Se fosse uma parede comum, que não foi pensada para esse tipo de impacto de uso, em uma semana tinha que ter alguém ali passando massa, lixando, pintando. A gente não consegue manter a qualidade operacional e a qualidade até mesmo de ópex, né? se a gente não pensa antes no que esse produto, esse material vai impactar no depois. Então é um equilíbrio entre CAPEX e OPEX no final das contas, a gente tá falando de uma concessão de 30 anos, né, e a gente não vai construir um ativo para durar um ano, tem que construir para durar o máximo possível com a qualidade que foi planejada lá no início.
Jasmine, e nessa linha, falando um pouco de sustentabilidade, que inclusive isso entra nessa questão de pensar no pós, como foi pensada as questões térmica e acústicas? Vocês pensam, vocês têm um apoio da indústria, vocês testam, porque às vezes você acaba usando uma solução exclusiva, que nunca foi usado antes. Como a indústria atua em um projeto como esse?
Os projetos de acústica foram todos trabalhados junto com fornecedores, porque depende muito do material, então cada material vai ter ali um nível, colocar ali um índice de... de comportamento diferente, então precisa ser testado, precisa ter alguma garantia de que aquele material vai atender o que foi calculado, então realmente foi estensamente estudado e pensado para que quando a gente aplicasse funcionasse de fato. Nosso tratamento acústico ele tá, vou dizer, 99% nos forros, E todos eles, e cada ambiente foi dimensionado para o uso específico do ambiente. Então, ao percorrer o terminal, você vai perceber forros diferentes ao longo do terminal, com furos mais furos, um material diferente do outro, por conta do dimensionamento da acústica. E no dimensionamento térmico, a mesma coisa. E aí eu vou um pouquinho mais além, porque o dimensionamento térmico, ele tem uma briga aí com a luminosidade natural, né?
Então, até voltando um pouco na questão acústica, você também tem, quando você fala da acústica, você tem que pensar no ambiente, no layout, como isso impacta, porque às vezes eu quero usar tal solução, mas não é possível pela questão estética.
Sim, sim. No nosso caso, a gente tentou fazer o forro ser uma estrela do projeto, então realmente foi escolhido a dedo. E aí na questão da solução térmica, a gente tem hoje um sistema, falando de sistema de... de climatização, a gente tem um sistema totalmente inteligente, automatizado, que é o nosso BMS, que a gente consegue, até falando de sustentabilidade, a gente consegue programar ele para diminuir a potência, aumentar a potência de acordo com as horas do dia e com a incidência ou não do sol, né, e o outro ponto que são as fachadas, né, a gente escolher materiais de fachada que estejam adequados a essa otimização térmica. E ao mesmo tempo não perder a luminosidade natural, conseguir aproveitar isso de uma forma também equilibrada, né, porque também luminosidade natural demais, dependendo, ela incomoda. E pensando em sala de embarque, que é um lugar que o passageiro fica esperando, né, ele tem uma maior permanência, isso tem que ser trabalhado também. Então todas as nossas fachadas, elas foram dimensionadas especificamente para cada posição do vidro que estava sendo instalado ali, então a gente vai ter vidros com tratamento de filtro solar, maior ou menor, dependendo da posição que ele está instalado na fachada.
E nessa questão do vidro, como funciona o processo de escolha? A indústria vai, ela testa em loco?
Como funciona isso? Funciona por catálogo dos fornecedores, que tem lá os indicadores de os comportamentos mesmo de cada vidro, de cada película, duplo, não duplo, que aí é utilizado para dimensionamento do projeto. E aí depois a gente lança esses vídeos no mercado, o mercado traz de volta as suas cotações e é decidido com base naquilo que eu tinha comentado antes, do preço, da especificação técnica e do prazo de entrega e instalação.
Prazo de entrega, mas nem sempre o preço é um fator decisivo.
Não, não, eu vou até te trazer um ponto que eu acho que é interessante, a gente sempre falou muito na obra do dare to choose quality. E o dare to choose quality não significa que a gente vai pagar mais, significa que a gente vai escolher bem. Então pode ser que a gente tome uma decisão de escolher algo que tem mais qualidade e às vezes é mais caro, e aí a gente vai precisar equilibrar em outra coisa, que talvez não vai ter muita diferença. Mas também pode ser que a gente vá escolher algo que tenha mais qualidade e que tenha um preço equiparado, mas de alguma forma a gente vai estar usando porque não é o fornecedor que é o habitual, ou porque é alguém que vai ter que fazer um desafio de prazo, enfim. Então, realmente, a qualidade foi um fator primordial nesse projeto.
Eu até queria fazer um paralelo, tendo em vista que o nosso público é bastante variado, pra quem, enfim, quem tá ouvindo ou assistindo, se você pegar um ar-condicionado, que ele tem uma categoria B, né? Então você vai pagar, um exemplo, vai chutar R$ 1.500 e você opta por uma solução A, sei lá, um aparelho inverter, que custa o dobro, muitas vezes, ou, sei lá, R$ 2.500, o que ele vai te trazer de retorno em questão de consumo de energia, você acaba recuperando esse investimento aí em questão de meses, acho que é de meses, né? Então, seria mais ou menos essa analogia que eu queria passar.
É, são vários fatores que geram um equilíbrio no projeto como um todo e até trazendo o ponto do que a gente estava conversando antes, no Apex, né? É. Então, não é só o material em si, ele tem que fazer sentido pro depois também, né? Não é só se ele é bonito, se ele é feio, se ele estruturalmente atende.
Então, são vários fatores que determinam a escolha.
E é por isso que quando quem opera também constrói, a gente consegue ver esse cuidado nos detalhes, né? Porque você vai estar com essa edificação em operação por 30 anos, você vai precisar cuidar dela, né? Então, é muito mais, não mais fácil, mas é mais lógico fazer esta conta de maneira mais integrada, mas é um conceito que a gente precisa trazer pra construção civil como um todo. Porque não é pelo fato de eu não estar operando, que eu vou construir e depois a gente vai deixar o usuário numa situação de muitas vezes, dependendo do que for, você nem consegue mais colocar essa melhoria depois na operação do empreendimento. E quando a gente fala de sustentabilidade, sustentabilidade não é só... ter o reaproveitamento da água, eu ter um painel fotovoltaico, mas aí eu cuidar do desempenho dessa minha edificação como um todo, né? Porque isso impacta diretamente, principalmente no custo de energia elétrica, que é algo que você vai levar ao longo da vida útil dessa edificação, né? Então, esse conceito é super importante, eu acho que a gente... hoje começa a ter um pouco mais de luz sobre esse tema do usuário exigir também, além de localização do imóvel, além de toda a questão arquitetônica de interiores, mas começar a olhar para essa questão de desempenho das edificações. Esse ponto é super importante e vem puxado muitas vezes por quem opera. São esses grandes empreendimentos, as grandes empresas que trazem as tecnologias E que a gente vai aos poucos permeando para o grande mercado da construção civil.
Perfeito. Você tem mais alguma pergunta? Bom, eu vou te perguntar agora uma que me chamou bastante atenção. Esse aeroporto foi premiado por três vezes consecutivas o melhor aeroporto do Brasil.
É, na verdade, aí eu vou ter que fazer um...
Não, eu, assim, por que que eu tô te perguntando isso? Porque eu já vivi, eu já fui lá, enfim. Fiz um... andei bastante pelo aeroporto. Realmente, eu vivi uma experiência e eu queria entender quais são os critérios de avaliação, né, pra receber essa premiação.
Só fazendo um adendo à tua colocação, desde que a gente inaugurou, nós somos o melhor aeroporto do Brasil, tá? Unanimamente.
Desde...
Essa premiação ocorre todo ano, e esse ano vai acontecer de novo, então desde 2019, agora a gente tá em 2023, vamos esperar pra ver o resultado do 2023, mas estamos na torcida.
Não foi construído nenhum aeroporto novo, né? Deve ter uma grande chance.
Então, falando como que isso funciona, né? Como que é a métrica dessa pesquisa? É puramente satisfação do nosso público, do nosso cliente. É feita uma pesquisa regular, e ela vem dentro de uma métrica, de uma metodologia que precisa ser feita daquele jeito, senão não atende lá os parâmetros e que é checada pela SAC para que a gente possa ser o melhor aeroporto do Brasil, então não somos nós, não é alguém que vai lá e checa alguns parâmetros, não, isso é pesquisa de público puramente, tá?
Acredito que é tudo aquele cuidado, né? Se eu entrei em algumas áreas, você tem a planta natural, você não, a planta, por exemplo, você não vê uma planta artificial, é tudo muito bem pensado, né? Para quem vai estar ali, passando no dia a dia, enfim, desde os funcionários que vivem, né? Aquilo ali a todo momento, até o passageiro que só passa. Então, acho que isso é um pouco, talvez, né? Na minha concepção que proporciona esse É.
Eu acho também que tem um fator, eu acho não, eu tenho certeza que tem um fator que também é um pouco invisível, quando a gente fala do melhor aeroporto do Brasil e até num fórum de construção a gente sempre vai estar falando da infraestrutura que está instalada da qualidade dos revestimentos, dos acabamentos, do que o passageiro vê, do que ele percebe, mas também tem fatores subjetivos que contam muito para essa percepção, que é a limpeza, a cordialidade de quem tá atendendo, a oferta de opções comerciais, a qualidade da comida, o preço do que a pessoa vai pagar nesses serviços, quanto que custa um pão de queijo, sabe, esse tipo de coisa, porque muitas vezes isso tá atrelado à pessoa ficar feliz ou ficar triste dentro do nosso aeroporto, e isso tudo vem numa nota que é a nota, você gosta ou não desse aeroporto, né.
É, e aí você, geralmente você tem experiência, né, com outros aeroportos, enfim. Ô, Jasmine, e o que que você aprendeu, né, o que que você traz e aprendizado nesse projeto que você vai aplicar em outros futuros projetos?
Muita coisa, mas aí falando pessoalmente mesmo eu sempre fui uma pessoa muito autodidata e sempre gostei assim de resolver as coisas by myself e num projeto como esse a gente aprende a trabalhar em conjunto então eu acho que esse foi um grande aprendizado para mim justamente a questão da comunicação de tudo desses desafios, né, de interfaces, de a comunicação precisar acontecer de forma rápida, objetiva, e aprender que a gente não faz nada sozinho, isso eu vou levar para o resto da minha vida, eu repito isso todos os dias, em todas as interações que eu tenho, porque esse tipo de projeto ele não sai de uma cabeça só, de uma mão só, ele sai de muitas mãos, então trabalhar em equipe, trabalhar em conjunto, eu acho que é o.
Maior E para o futuro, assim, você já está em algum novo projeto? Até com a experiência vivida até aqui?
Então, eu estou indo, estou embarcando para um novo desafio na Índia. Eu fui convidada para participar de um pedacinho de um projeto gigante que está acontecendo lá também da Zurich Airport, que é a construção de um novo aeroporto totalmente Greenfield perto de Nova Delhi.
Isso aí, então estamos chegando ao final deste episódio. Rosane, tem alguma consideração final para a.
Gente Eu gostaria de agradecer a oportunidade e agradecer esse papo incrível com a Jasmine. A sua fala é muito inspiradora. É muito bom a gente ver tão poucas mulheres na engenharia. E quando a gente vê uma mulher jovem, mãe, super bem-sucedida, embarcando num desafio internacional gigantesco, com o aprendizado do que foi feito aqui no Brasil, a gente tende muitas vezes diminuir o conhecimento, a tecnologia, a capacidade técnica do que a gente tem no Brasil e acho que, né, você tá levando tudo que você aprendeu aqui pra um super desafio lá fora, mostra que tem, sim, muito conhecimento, muita capacidade, né, de todo lado, né, tanto da parte de projeto quanto da parte de execução, mas especialmente ver uma mulher levando isso tudo do Brasil pra fora é muito inspirador, então, muito obrigada.
Obrigada.
Enfim, realmente é muito inspirador. A sua fala realmente mexeu comigo desde o início até aqui. E você tem mais algumas considerações pra gente encerrar o nosso podcast?
Não só agradecer muito, para mim também foi muito inspirador. Eu acho que quando a gente é questionado sobre esses temas, primeiro que volta lembranças muito boas, mas também a gente reflete sobre caminhos a seguir, decisões que a gente tomou, talvez tomaria de forma diferente. Então, obrigada pela oportunidade. Quando quiser, me chama de novo, que vai ser um prazer voltar. Talvez online, agora da Índia.
Vou aguardar você voltar.
Porque a viagem é longa.
Mas, gente, eu espero.
Mas, obrigada.
Sou paciente.
Obrigada mesmo.
Eu tenho uma outra pergunta pra vocês duas. Eu queria... O ConstruCast, ele tá completando hoje, no dia da gravação, tá completando dois meses. E tá sendo bem aceito pelo mercado. E eu queria ouvir de vocês, né? Qual a experiência pra vocês, assim, de ter um canal que conecta a indústria da construção arquitetura e engenharia, dando voz a essas pessoas, como que vocês enxergam isso? Enfim, quero ouvir de vocês. Você primeiro, Rosane.
Eu primeiro? Bom, eu acho fundamental, super importante, a gente, como a Jasmine disse, a gente não faz nada sozinho, mas a gente tem a tendência de trabalhar muito esse lado, né? Então, trazendo um pouquinho até da experiência do que nós temos feito dentro da Gerdau também, né? Quer dizer, quando a gente fala de aço, o aço ele é um produto, mas ele não é um produto dentro do aeroporto, né? Ele é parte de todo um sistema vivo, né? E a gente precisa trazer enquanto cadeia um conhecimento cada vez maior de sistema, de todo, e o todo ele demanda que o arquiteto entenda da aplicação do material, que o time de engenharia tenha a habilidade de otimizar esse desempenho, que você tenha uma cadeia de um fabricante de estruturas metálicas que consiga atender a esses requisitos do sistemista que saiba trabalhar com esses sistemas todos juntos e de alguém que possa dar a voz do cliente final, em última instância, do que cada um dessas partes do todo são capazes de fazer de maneira conjunta para trazer um resultado final para vocês e para os usuários. É fundamental que a gente se integre cada vez mais, que a gente entenda a dor do nosso colega, que nós engenheiros consigamos entender porque que o arquiteto especificou o projeto daquela maneira, que o arquiteto consiga entender porque que muitas vezes aquela solução que ele especificou não é factível, não é possível em termos de engenharia, e que a gente passe a ter, apesar de sermos especialistas, mas que a gente consiga ter uma visão mais integrada, mais do todo. Então, informação é fundamental.
Isso, você.
Perfeito, agora ficou difícil. Eu acho que aproximar, né, acho que traduzindo um pouco assim, eu acho que quanto mais a gente poder se comunicar e mostrar quais são os desafios, os diálogos que precisam acontecer para que um projeto saia do papel, é extremamente importante. Então, quando a gente tem uma plataforma que encontra tudo isso e traduz isso para quem está interessado, Eu acho isso muito rico.
Bacana, eu vou colocar o contato da Jasmine na descrição das plataformas de áudio e de vídeo e da Rosane a mesma coisa. Então, quem tiver interessado em entrar em contato, quem quiser conhecer mais, já adianta. Eu nem pedi a autorização delas, mas tenho certeza que vocês estão à disposição.
Totalmente. Totalmente.
Então é isso, pessoal. Foi um bate-papo muito inspirador. Te encontro no nosso próximo episódio. Um abraço e até o nosso próximo encontro.
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