Mulheres que Constroem | Mulheres nos Canteiros de Obras | Berenice Ceravolo | Construecast

Berenice Ceravolo, an engineer and professor, talks about building a career in construction from technical school through an MBA, working on job sites, and navigating a field where her cohort had only five women among eighty men. She discusses BIM adoption, digitalization of construction sites, and initiatives like Mulher em Construção that train vulnerable women for field roles.
Questions this video answers
March 8, 2023
Entered in 1996 and graduated in 2000
PMP (Project Management Professional)
Mulher em Construção, founded by Bia Kern
About four years ago
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Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtora Infinity Plus. Está no ar mais um episódio do ConstrueCast. E hoje, dando continuidade à série Mulheres que Constroem, eu tenho a honra de receber um arquiteta que atua como PMO e coordenadora de obras em um escritório de arquitetura corporativa, Viviane Ribeiro. Seja muito bem-vinda ao nosso podcast.
Obrigada pelo convite, Paulo. Estou muito feliz por poder estar aqui, participar do ConstruCast, que eu venho acompanhando e tenho gostado muito. E tenho essa missão hoje de ajudar você nessa condução da entrevista com a nossa convidada.
E hoje a convidada é de peso, né? Então, temos uma responsabilidade muito grande, porque é um currículo bastante extenso. E é engenheira, então vai ser uma troca bem legal entre você, arquiteta, e engenheira. Vivi, com você, pode apresentar nossa convidada de hoje.
Sim, então hoje a gente está aqui com a Belenice, que tem um currículo super vasto e tem muita coisa interessante para falar para a gente sobre a mulher na obra mesmo, na condução e dentro de um canteiro de obras. Pode falar com a gente, Belenice?
Sim, claro. Obrigada pelo convite. Fiquei muito honrada com esse convite. Tenho muito orgulho de estar contando a minha história. Isso acho que é um ponto muito importante para mim. Então, hoje é um dia... É emocionante estar aqui. Acho que está muito mais emocionante do que técnico.
Eu posso fazer a primeira pergunta, Vivi?
Sim.
Então, vamos lá. Primeiro, eu queria entender como a engenharia chegou na sua vida. Ou seja, como você introduziu a engenharia na sua vida?
Eu sempre gostei muito de matemática, e confesso que a minha primeira opção era ser dentista. E aí, qual foi a necessidade? Eu queria trabalhar muito rápido. Eu queria sair trabalhando. Então, eu falei, bom, na escola técnica, eu vou conseguir enxergar isso, eu consigo trabalhar rapidamente. Com 17 anos, eu vou ter uma formação. E aí, naquele momento, tinham poucos tipos de curso na escola técnica. Um deles era edificações. Então, eu fui fazer o curso de edificações e me apaixonei. Na primeira aula, eu já defini que eu ia ser engenheira. Eu já consegui enxergar que aquilo realmente era minha paixão.
E você pode falar um pouquinho da sua formação, o que veio depois, só pra dar continuidade, que a gente acabou não perguntando, né, Vivi?
Sim, é verdade.
Só pra gente aproveitar e dar esse gancho.
Eu fiz técnico em cientificações, aí em seguida eu fui pra engenharia civil, aí eu fiz um curso de administração voltado para engenheiros e arquitetos, administração de empresas, segui no MBA de gestão de negócios, porque aí minha carreira foi indo pra área de gestão, Depois disso eu fui para o mestrado, então também como um plano e como um propósito de vida, eu gosto muito de ensinar, então eu sou professora também de duas instituições e sou PMP, então fiz essa certificação no momento em que a construção civil estava demandando de gerentes de projeto. E, com o mestrado, acabei sendo convidada para ser co-autora de um livro. Então, se a vida é plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho... Falta árvore!
Porque eu plantei e ela não deu certo.
Falta árvore.
Falta árvore.
Então, tá no caminho, né, Vivi?
Sim. Belenice, uma coisa que, você falando agora da sua experiência, a questão da formação é muito parecida, inclusive. Tipo, algumas coisas, eu tenho bem menos formações que você, mas eu entrei na arquitetura e depois eu fiz gerenciamento de negócios e projetos. E isso veio... Não estava pensado atrás porque eu queria na parte da arquitetura, da parte criativa, que era o que me atraía antes, só que hoje... Trabalhando na arquitetura, frequentando canteiros de obra, eu vi quanto isso unia as coisas. A arquitetura e a engenharia eram importantes. Você pode falar um pouco também sobre a sua experiência dentro do canteiro de obra e também da sua relação com arquitetos?
Não enxergo as profissões separadas. Não consigo enxergar o engenheiro e o arquiteto em funções separadas ou que não exista em uma obra as duas funções. Não tenho...
Mas, desculpa te cortar, mas assim, você já passou por alguma situação pelo fato de... Porque existe um pouco, né, Vivi? Não sei se você já passou por isso.
Eu já. Existia, tipo, uma rincha, e é uma coisa totalmente sem sentido, né? Porque, como você disse, as duas profissões se completam. O resultado final bom é quando tem a união dos dois.
É, então, acho que é por isso essa sua pergunta, porque eu também já conversei com arquitetos, mas eu não consigo conversar com engenheiro. O engenheiro é quadrado. E, às vezes, o engenheiro chega e fala, não, mas o arquiteto é louco, como que ele projeta um negócio desse? Sabe? Acho que isso entra numa questão de comunicação, entra numa questão de ego. E como que você enxerga? Talvez você nunca tenha vivido isso pelo tipo de projeto que você conduziu, talvez.
O meu primeiro projeto em obra foi uma obra hospitalar. E aí fiquei encantada com o entendimento que o arquiteto passava dos porquês, principalmente assim, por que a cor do centro cirúrgico? Por que a cor dos uniformes dos médicos? Então, tem todo um porquê que o engenheiro recebe o projeto e não entende. E aquilo me encantava. Então, por isso que eu entendo hoje os papéis são muito bem definidos. Um outro exemplo um pouco mais recente. O escritório onde eu trabalho foi reformado. Eu jamais conseguiria fazer um projeto parecido com aquele. A gente tem vontade de ir trabalhando. Outro dia, as pessoas falaram da inauguração. Que vontade de dormir aqui.
E aquilo é o quê?
É fruto do trabalho, do conforto, que o arquiteto pensa, que ele sabe, que ele estudou para aquilo. Então, cada um estudou para o seu pedaço.
E mesmo vocês sendo uma construtora, né?
E mesmo sendo uma construtora.
Ou seja, cada um na sua área. Vocês contrataram um escritório de arquitetura corporativa. Vamos executar o nosso projeto.
Vamos executar o nosso projeto. Então, eu tenho muito, eu enxergo muito valor nessa relação e nunca tive essa rincha que falam sobre a falta da comunicação e entendimento. Mas acho que é bem por aí, Paulo, acho que essas duas palavras mesmo, comunicação e ego.
É, porque quando você chegava, né, quando o arquiteto chegava pra você e explicava os porquês daquilo, talvez facilite, né?
Sim. Eu acho que entra a parte da criatividade que você, como arquiteto, você propõe soluções que talvez o que a pessoa fala, né, da cabeça quadrada, porque ele não pensa naquela solução, mas ele vai ter que pensar em alguma coisa pra solucionar aquilo que foi projetado, né? Então, é o trabalho em conjunto. É uma resistência que eu acho que é pessoal, tipo, algumas pessoas têm essa resistência.
Talvez está no ser humano isso.
É, eu acredito que mais está no ser humano mesmo. Eu acho muito interessante as conversas entre engenheiros e arquitetos no momento da obra, onde nós trazemos as dificuldades técnicas, fazemos o arquiteto pensar naquilo e aquilo volta para a gente como soluções. Então acontece muito isso, a questão de que você não enxerga no projeto e você vai enxergar quando a gente estiver executando em obra. Essa troca é muito válida, é muito legal.
E quando fala nessa questão de comunicação ainda, né? E essa questão de troca também com os profissionais, né? Muitas vezes tu tem um mestre de obra, ou até um profissional que tá lá executando no dia a dia, que tem muita experiência, e muitas vezes não é ouvido, talvez por um arquiteto, por um engenheiro. Não sei, já aconteceu isso? Sim? Você já viveu isso em um canteiro?
Já, já vivi. Já vivi num canteiro exatamente isso. Então, de promover essa troca. Então, quando eu contei essa história, eu lembrei exatamente de uma passagem que foi essa. Tinha um problema de uma interferência em obra. Então, vamos resolver com o arquiteto. Vamos ligar pra ele, vamos fazer ele vir aqui pra olhar essa interferência e revisar o projeto. Não, vamos nós mesmos criarmos uma solução. Mas será que essa solução vai manter tudo aquilo que foi pensado em relação a conforto, estética, ergonomia e etc? Então vamos chamar o arquiteto, sim. Então sempre lembrei de uma história que eu forcei uma situação dessa.
É, porque você entende, porque primeiro você, assim, é tudo pensado, aí a gente fala da questão do envolvimento de todos, aí o arquiteto ele trabalhou no desenvolvimento desse projeto, aí muitas vezes ele chega na obra e se depara com uma situação, peraí, mas não foi isso que eu projetei.
É, mas isso entra muito na questão da comunicação mesmo, que eu acho que a comunicação é o maior desafio em todos os tipos de relacionamentos, é profissional, é amoroso, qualquer tipo de relacionamento, a comunicação é o maior desafio. Que aí também entra, você tem uma alteração pra fazer em loco, aí é juntar todo mundo como você fez pra conversar, pra ver se vai ser ainda resguardado todos aqueles, a parte da criação de como foi pensado, Só que considerar que aquelas pessoas que estão em obras, elas têm conhecimento também, muitas vezes elas surpreendem com as soluções que elas pensam. Tipo, tem soluções porque uma coisa que eu falo, papel aceita qualquer coisa, a obra não. Então, a obra muitas vezes você tem que pensar, porque é outra coisa também, tipo, tem muito arquiteto que acaba não frequentando um canteiro, tipo, não frequenta uma obra, E eu acho que isso impacta um pouco também na hora de projetar, porque é muito interessante quando você projeta já pensando como que isso vai ser executado lá na frente. Acho que é uma troca bem grande que tem que ter entre engenheiros, arquitetos e também o pessoal de obra.
Me chamou a atenção um ponto que eu lembrei dessa história e essa história faz tempo. Então não tinha a tecnologia que nós temos hoje de WhatsApp, de conseguir fotografar e já trocar aquela ideia. Então a tecnologia também está aí para ajudar essa comunicação a fluir. Se hoje está acontecendo isso em obra, a gente já tem até ferramentas que você consegue interagir com a execução e a comunicação de todos os stakeholders, ou de todos os clientes daquele projeto. Então, acho que a gente tá falando que o problema é comunicação, mas a tecnologia também vem pra ajudar, que essa comunicação flua melhor.
E existe alguma resistência ao uso de tecnologia nas obras, assim?
Acho que não é resistência, acho que a gente está num processo de digitalização de canteiro muito interessante. Um dos paradigmas que eu enxergava assim, como tirar o papel, o projeto em papel da obra. Né, Vivi? Você já vive isso? A gente cola o papel, cola o projeto na parede. Então, como transformar isso numa visualização de tablet? Então, já estão acontecendo algumas mudanças interessantes em canteiro. Então, não enxergo que seja só uma resistência, é uma questão mesmo que está em processo.
Berenice, então você pode falar um pouco como que funciona para você hoje a condução de mudanças de processos para os departamentos que você conduz?
Para gerar um redesenho de processo, o que nós fazemos? Nós envolvemos não só a área que vai fazer o redesenho, que precisa ter a necessidade de revisar, de revisitar aquele processo, como as áreas de interface. Isso é muito rico porque as pessoas que estão dentro do processo nem sempre enxergam os problemas, as deficiências. Dessa forma, as interfaces e os departamentos que recebem as informações ou passam a informação para frente, trazem as melhorias, as dores que precisam. Com isso, a gente gera uma lista de melhorias e desenha o fluxo ideal. Então, esse engajamento, trazer essas pessoas não só da área, como das áreas de interface, é muito positivo, faz muito bem. E às vezes a gente traz pessoas de uma outra área que as pessoas daquele processo nem imaginavam que ela era cliente daquele processo. Então, quando a gente faz a lista da reunião de quem vai participar, a gente chama de clientes do processo. Então, gera um engajamento naquela área, assim, nossa, ele é cliente da minha informação.
E nesse sentido, vocês atuam dessa forma porque você acaba trazendo uma sensação de pertencimento pra todo time, né, que tá envolvido nesse projeto? Seria mais nessa pegada ou mais por questão de, ah, se eu envolvo todo mundo, raramente vou ter problema de comunicação?
Eu acho que é questão da aceitação também, não?
Também. Aceitação. Também tem isso. Mas eu acho que pertencimento é uma palavra que eu gostei. Pertencimento, aceitação. É, porque eu acho que... Entender a dor do outro. É, que ele tá terminando um processo, ele tem um gargalo, ou ele tem um processo muito manual que precisa ser melhorado. Então tem tudo isso, é muito interessante trabalhar com essa área e depois colher os frutos de processos que foram revisitados e melhorados.
É, e o que que você aprende, né, o que que você aprendeu com aquilo que de repente você pode aplicar ou alguém daquele grupo ali já viveu alguma situação parecida que pode trazer melhorias, né, para aquele lance de revisitar talvez aquela situação.
E um ponto importante também, que nós tratamos muito, é no escritório, escritório-obra. Então, fazer com que o escritório entenda que a obra é o nosso cliente interno principal. Então, também, como guardiando os processos da empresa, é um dos pontos que eu prezo muito. Então, fazer com que a gente tenha todo o processo muito bem elaborado pra gente conseguir atender o pessoal de obra, porque o nosso core, o nosso negócio está ali. E hoje a gente tem feito algumas pesquisas e conversado com as pessoas de obra e eles têm entendimento disso, que o pessoal do escritório está ali para atendê-los, para que o nosso negócio flua lá na ponta.
Isso é um ponto interessante que você trouxe, né? Porque também tem isso, às vezes o escritório não conversa muito com a obra, né? Como funciona isso, Vivi? Como que você... Então hoje o meu.
Papel como PMO é justamente fazer essa ponte entre os dois. Junto com o pessoal da arquitetura, com o pessoal do escritório, a parte do planejamento, a gente chama também junto o pessoal da obra antes de startar uma obra e no decorrer da obra eu tô junto com o pessoal da obra que aí eu também passo para o pessoal do escritório as ocorrências que acontecem na obra. Então, é interligar todo mundo, aí tem as reuniões de report com o cliente, onde a gente sinaliza, e é transparente com tudo que acontece, e com o pessoal da arquitetura para poder fazer essa interface, justamente o que a Bere falou, que tem alguma coisa acontecendo em obra, que ela falou lá atrás, aí a gente chama o pessoal da arquitetura para, vamos ver o que a gente pode fazer. Então, eu tô sempre nessa ligação.
E nesse processo de obra, escritório, como que a tecnologia ajuda, Berenice?
Olhando pelo viés escritório, obra, no escritório a parte técnica, então no meu caso o planejamento e controle, existe sim muitas ferramentas hoje de mercado prontas que facilitam essa comunicação. Desde como eu dei o exemplo há pouco, de você conseguir tirar uma foto de uma interferência, colocar dentro de um portal, fazer com que os envolvidos comentem sobre aquela interferência e com aquilo venha já a solução. Então, as coisas estão muito mais rápidas. Então, é a solução da comunicação mesmo que eu vejo. Além disso, a gente tem ferramentas que conseguem trazer os dados, por exemplo, de avanço físico da obra em tempo real. Então, você vai ao canteiro com o tablet, com o celular mesmo, e faz os avanços.
E como funciona a alimentação desse software para te dar esses números?
Dentro da sala técnica, que a gente chama, que é onde tem a equipe de engenharia, planejamento, controle, projetos, existe um profissional chamado apontador. Então, esse apontador passa o dia no canteiro fazendo esses apontamentos, como diz o nome. ele faz os apontamentos daquilo que evoluiu. Então, dentro da ferramenta, ele vai, por exemplo, se a unidade de medida é apartamento, então ele vai num apartamento, bom, todas as paredes, toda a alvenaria está pronta, então ele vai no item apartamento 55, alvenaria 100% concluída. Aquilo de alimento quantitativo de execução, previsto e realizado, pra gente entender se a gente tá atrasado ou não, alimenta a medição do subempreiteiro, caso a gente esteja usando um terceiro pra fazer a alvenaria, e alimenta a medição também que vai pro cliente. Então eu tenho tanto a medição física quanto a medição que depois vai me gerar a medição de custo e a medição de avanço com o cliente. Então isso fica tudo interligado dentro dessa cadeia de planejar e controlar.
Isso é muito bacana. Isso pode ser utilizado em qualquer... Tamanho de empreendimento?
Qualquer tamanho, sim.
Tamanho de empreendimento ou segmento?
Sim. A gente consegue colocar... Hoje, por exemplo, na empresa onde eu trabalho, nós temos obras residenciais, obras de edificações, obras públicas de saneamento, que são obras horizontais, né? Então, ele serve para qualquer tipo de obra.
Interessante. Vivi, com você. Pode conduzir o bate-papo aí. Está muito legal. Estou aprendendo muito.
E pra os segmentos que vocês atuam hoje dentro da empresa, como que tá a evolução do BIM?
Lá na empresa onde eu trabalho, nós idealizamos o núcleo BIM, faz quatro anos, e nós temos grande parte das obras que estão já modeladas. Só que o nosso viés é o viés de construtora, então é a aplicação de BIM canteiro, e é um desafio. Então nós separamos essas frentes de trabalho com projetos pilotos na área imobiliária e na área de infraestrutura. que são dois tipos de tipologias diferentes com aplicações, as aplicações do BIM são iguais, mas são projetos diferentes. Então hoje nós já evoluímos bastante com os projetos pilotos, já não são mais pilotos, já são projetos incorporados na área imobiliária. E na área de infra nós temos alguns projetos que já, o ano passado já foram pilotos e esse ano a gente está evoluindo. Então assim, o... O que tem acontecido é que muitas concorrências, muitos clientes já estão, já estão modelando, já estamos recebendo projetos em BIM. e ainda fazendo um link, uma ponte com a ferramenta que nós comentamos. Então, se o projeto está modelado, a gente consegue fazer o avanço da obra dentro do modelo. Então, eu consigo entrar dentro do modelo. Então, na plataforma, ao invés de eu procurar o nome daquela parede que eu dei o exemplo, eu clico dentro do modelo e falo, esta parede está pronta. Isso também fica vinculado às questões de qualidade. Então, da FVS, da ficha de fechamento de serviço. Também outra coisa que nós estamos quase no final de uma implantação. Então, mais um vínculo que a gente faz com uma outra área da obra, que é a área de qualidade.
Nossa, que interessante.
Então, agora vocês já tem projetos 100% assim, tipo, foi de cabo a rabo no BIM.
Recebendo o modelo. Aí utilizando o 4D, então também temos o nosso projeto piloto, quando eu falo aplicação encanteiro, é o 4D, que é o físico, e na questão do 5D, a exportação de quantitativos. Então, posso dizer, nós fizemos um trabalho de qual o grau de maturidade BIM dentro da construtora? ontem saiu esse resultado, ó, quentinho. Então, eu me surpreendi muito com o meu time, nós estamos quase 60% nesse grau de maturidade dentro desses quatro anos. Então, eu tenho muito orgulho desse projeto, eu tenho muito orgulho de ter sido escolhida pra estar à frente disso e do time hoje que nós temos, é um time enxuto, mas nós temos muita vontade ideal pela tecnologia, na verdade, pela metodologia, né? Porque o BIM, ele não é uma ferramenta, é uma metodologia. E é mais um ponto que a gente volta lá para a primeira conversa entre a conexão do arquiteto e do engenheiro.
E sabe uma coisa importante, um adendo? O seu olho brilha quando fala de tecnologia, você percebeu?
Sim, verdade.
Agora...
Não, é verdade. Tudo bem que você falou do time e falou de tecnologia, do orgulho que você tem do time, né? Talvez na absorção dessa tecnologia para chegar nesse resultado, mas um ponto que eu queria chamar a atenção para quem está ouvindo a gente pelas plataformas de áudio, você está extremamente emocionada quando fala de pessoas e tecnologia. Acho que é uma união bem interessante.
Porque é um desafio, não é, Vivi?
Sim, realmente. A gente fala que pessoas, processos e tecnologias. A gente precisa desse tripé para poder conseguir fazer as coisas funcionarem. Hoje vocês estão com 60% de maturidade BIM. E o que a gente vê é que quando você fala de BIM, muitas pessoas pensam só no Revit. E é muito além disso. Essa curva, e aqui no Brasil, infelizmente, a gente, tipo, são grandes construtoras, grandes empresas que estão conseguindo implementar e ainda tem muitas empresas que estão muito devagar nisso. Quando vocês começaram a implementação, houve resistência também da parte da equipe?
Não, não houve. Eu acho que foi o formato que a gente vendeu o projeto, de ter esse núcleo interno para que isso acontecesse. Porque a construtora foi sentindo essa onda chegando. Então, quando eu lembro de algumas primeiras conversas com o meu diretor, eu falei assim para ele, hoje nós estamos na frente da praia olhando o mar. Essa onda vai chegar. ainda não acho que ela poderia chegar numa velocidade um pouco maior. Mas eu acho que também, como você ainda está, tem muitos escritórios, muitas áreas, ainda muitas construtoras que ainda estão em processo. Mas naquele momento, há quatro anos atrás, eu falava, então a gente está olhando o mar. A onda está chegando. Quando essa onda chegar, nós precisaremos estar em cima da prancha. Então, eu acho que hoje nós estamos em cima da prancha. Então, acho que essa visualização, essa forma de conduzir, mostrando tanto que o decreto estava chegando, quais eram as construtoras, fizemos muito benchmarking, quais as construtoras já estavam utilizando, quais os escritórios também estavam utilizando. E o ponto principal que eu sempre falei, além desse discurso da praia, se o pessoal estiver ouvindo, eles vão falar, de novo, ela contando essa história da praia, mas acho que ela é emblemática, né? É fácil de você entender, eu tenho que estar pronto. Eu sempre falo o seguinte, nós temos que nos posicionar como construtora, de trazer a aplicação do modelo para o canteiro. Então, aí é quebrar esses paradigmas, é fazer a produção entender. Então, hoje também é muito prazeroso quando a gente vê alguém no canteiro, o mestre, o encarregado, ele pedir para ver o modelo para enxergar. vai, deixa eu ver aquela parte", ou imprime pra eu ver, né? Então, tem até o imprime pra eu ver e a gente fala, não, vem aqui, vamos ver aqui no tablet. Então, quando a gente começa a ver esse movimento, ela tá chegando lá, vai acontecer, está acontecendo. Então, é por isso que eu falo que é muito orgulho, porque a gente tá conseguindo realmente enxergar que isso vai acontecer lá na ponta.
E uma dúvida, só licente cortar, nesse ponto de quando ele pede pra ver, vocês ainda precisam ter conexão nos canteiros, ou você tem alguma forma de visualizar esse projeto... Offline? Offline.
Existe formas offline. O ideal é que seja online, porque aí toda, qualquer atualização, tá rodando naquela plataforma. Então, se eu fiz uma alteração, solicitei uma alteração pra vivi de manhã, e ela alterou, automaticamente, se eu tiver online, eu já vejo. Atualmente tá muito mais fácil da gente ter o canteiro online, ter a conexão, né? A não ser obras que são mais no trecho, obras mais lineares, aí a gente pode até ter uma dificuldade, mas tem uma forma de fazer offline sim. Não é o mundo ideal, não seria o mundo ideal.
Hoje você atua muito em escritório mesmo, mas tudo que você traz de melhorias, eu acredito que foi porque há um tempo atrás você estava no canteiro. Você pode, mudando um pouco de assunto, falar de dificuldade de você como mulher num canteiro de obra?
Ah, esse assunto é interessante, né? A gente começou falando, comecei contando um pouco da minha história, da minha formação, né? Então, quando eu falo da formação, as pessoas, nossa, quanta formação! Então, foi uma necessidade de ter o conhecimento para estar inserida cada vez mais dentro do canteiro, dentro da profissão. Existe, sim, essa dificuldade, Existia. Então, quando eu fiz faculdade, eu entrei em 96, me formei em 2000. Quando eu entrei em 96, a minha classe tinha quase 80 meninos e só 5 meninas. No primeiro canteiro de obras que eu trabalhei, eu era a única mulher. Num segundo, tinha técnica de segurança. E aí, ao longo desse tempo, 20 e poucos anos aí de profissão, a gente foi vendo que as mulheres foram sendo mais integradas ao canteiro. Existe, sim, um movimento novo. Então, eu costumo dizer o seguinte, a minha formação, toda essa força de vontade pra conseguir fazer essas formações e avançar, foi por conta disso. Deu mirar onde eu queria chegar e eu falava, eu só vou chegar lá se eu tiver conhecimento. se eu conseguir trazer o conhecimento como a base pra eu ter o convencimento, pra eu ser ouvida, pra eu crescer dentro da área da construção civil.
É, Brenice, e a gente fala que quando você tem conhecimento, você tem poder, né, e você lutou muito pra ter todo esse conhecimento, mas você já passou por alguma situação encanteiro que você falou, ah, eu não precisava passar por isso?
Eu vejo isso tanto eu quanto conversando com algumas meninas e mulheres que estão em canteiro. Sim, a gente passa em alguns momentos a não ser ouvida. E aí a gente precisa trazer à tona esse conhecimento, contar um pouco da sua história, dizer que você tem experiência. Coisa que você não vê isso um homem fazendo. Um homem por si só, eu sou engenheiro, ok. Não, eu sou engenheira, trabalhei com isso, sou formada nisso. Então, ter que trazer isso gera às vezes um incômodo.
Tem que estar provando, né, o tempo todo.
Você tem que ficar o tempo inteiro ali, é, provando. Acho que isso tem melhorado muito, né? Então, ao longo desse tempo da minha experiência em canteiro, eu também posso dizer que eu tive muita sorte das pessoas que eu encontrei, dos meus mentores, né, nesse sentido. Mas eu acho que esse conhecimento me ajudou muito.
Assim, você já ouviu alguma história de alguma amiga ou alguém do meio que passou por alguma situação também que te deixou um pouco incomodada?
Ah, sim, já ouvi. Já ouvi uma história de uma menina que não entrou num processo seletivo e disseram pra ela porque ela era muito bonita. Então, ela ia atrapalhar a produção do canteiro de obras.
Acho que é situação. E aí, Vivi, você já passou por alguma situação que você... Ou alguma colega sua?
Não, eu mesma já passei logo no início de carreira, inclusive. Eu era nova arquiteta no escritório, as nossas obras eram no litoral, e um dia antes eu tinha enviado o arquivo com as marcações dos pontaletes para o início da construção do condomínio. Aí, quando eu estava descendo no meio do caminho, falando com o engenheiro da obra, ele falou, ah, Vivi, a gente já marcou, tá tudo certo. Aí, ok, descemos, fui para o canteiro de obra, Aí após o almoço a gente foi pra obra pra ver como que tava, e foi um dia muito... tava chovendo. E os pessoal, os pedreiros mesmo, mão de obra lá, eles tinham retirado os pontaletes porque tiraram da cabeça deles que tinha que tirar. E nessa, tipo, a gente tentando entender, fazer a marcação de novo, porque solo de litoral encharca muito, tava ruim de marcar, de encontrar os pontaletes, só vi de fundo um rapaz falou, também deixam na mão de mulherzinhas pra fazer isso. Eu era muito nova, acho que eu devia ter 22 anos na época, alguma coisa assim, e eu não sabia me defender mesmo. Aí tinha uma amiga minha também, só que bem pequenininha como eu também, estudou comigo inclusive, ela só olhou pra ele e foi falar assim, pois bem, se não é por essas mulherzinhas, você não tem o seu trabalho. Tipo, eu não soube o que responder. Acho que é uma coisa que eu não vou esquecer jamais, mas me marcou muito.
É bem interessante, assim, coisas que, de fato, né, a gente não precisa passar, né, por isso, assim. E, gente, desculpa com vocês aí, podem tocar o bate-papo também.
Sim. Berê, você tinha comentado, a gente tava conversando um pouco antes e você comentou sobre um trabalho que você participou que é pra poder qualificar mulheres para trabalhar no canteiro de obra, mas com mão de obra mesmo. Você poderia contar um pouquinho pra gente?
Ah, sim. É uma ONG, que é do Rio Grande do Sul, chama Mulher em Construção, fundada pela Bia Kern. E ela qualifica mulheres em situação de vulnerabilidade e violência doméstica. É um projeto muito interessante e eu participei de algumas aulas e me interessei muito pelo projeto. Hoje a gente tá... Ela contou muitas histórias interessantes. Paulo, acho que você é uma boa convidada.
Eu já quero, inclusive.
Sim, e acho que ela tem o maior prazer de contar muitas histórias, ouvir muitas histórias interessantes. Nesse grupo, aqui em São Paulo, conheci uma mestre de obras, uma mulher mestre de obras, outras pessoas, outras mulheres maravilhosas que já trabalham, já fazem, já utilizam dessa desse propósito de vida pra ensinar mulheres.
E eles formam isso?
Formam as mulheres e aí conectam essas mulheres a construtoras. Ou essas mulheres também trabalham como maridos de aluguel, maridas de aluguel.
Nossa, que interessante.
Então, elas podem trabalhar, elas conseguem sair, então, treinadas, aptas a trabalhar tanto numa construtora ou trabalhar por conta, trabalhar como empreiteiras.
Berenice, você sabe se eles têm apoio da iniciativa privada ou de alguma instituição de ensino?
Sim, já tem algumas construtoras contratando essas mulheres. Então, já existe essa conexão acontecendo. Na empresa onde eu trabalho hoje, por exemplo, nós temos uma motorista de caminhão mulher. Que veio de lá? Lá no Rio de Janeiro. Não, nesse caso, não veio de lá. Lá no Rio de Janeiro, é uma mulher que... E aí, é um ícone, né?
Nossa, que interessante.
Espero que isso seja normal. Hoje, ela é diferente e não deveria, né?
Não deveria.
E quanto à aceitação, porque, infelizmente, pra gente poder andar mulheres, entrar em algumas áreas, precisa de uma aceitação masculina. Houve algum relato, quando você participou desses cursos que você ajudou a ministrar, delas falarem da aceitação delas dentro de um canteiro de obras?
Acho que são os problemas que a gente começou a contar um pouco aqui, sobre a aceitação, sobre o olhar, olhar de ser diferente, de ser ouvida. Por outro lado, também, existem os inúmeros elogios pelos trabalhos muito bem feitos, porque a mulher é detalhista, a mulher é caprichosa, a mulher deixa tudo organizado. Então, eu ouvi muitas histórias nesse sentido, tanto do lado de como ser ouvida e ter o espaço, mas por outro lado também dos elogios e do produto final que elas conseguiam entregar. Por isso que eu acho que é uma evolução, eu enxergo que vai acontecer essa evolução e também acredito que hoje em dia os processos estão mudando, a tecnologia, trazendo mais equipamentos, que fazem com que a mulher, sexo frágil, que não tem força, vai utilizar da tecnologia, vai utilizar dos novos equipamentos pra isso. Então, como que levanta tantos quilos, né? Então, tem a máquina. Os processos estão cada vez mais industrializados. Os materiais são mais leves, né? Então, a gente utiliza bastante material mais leve hoje em dia, por conta também de sustentabilidade, Então, acho que toda essa mudança me deixa muito esperançosa. Eu espero ainda conseguir enxergar esse número de mulheres crescendo dentro do canteiro e sendo utilizadas mesmo como mão de obra.
Berenice Vivi, no Constrycast a gente tem o quadro Convidado com Vida. Primeiro você, você já fez o convite de uma pessoa, você gostaria de ver mais alguma outra pessoa, enfim, de conhecer a história dessa pessoa aqui no Constrycast?
Ah, então, além da Bia Kern, que é a fundadora da Mulher em Construção, como nós falamos de BIM e os olhos brilham, né? Então, a gente podia falar sobre o BIM 7D e trazer como convidado o Rogério Suzuki, que ele é... Olha para.
Aquela câmera e convida ele.
Bia, Rogério, venham participar aqui do ConstrueCast, contar um pouco da história de vocês.
E, como você entende, Rubinho, já tô te convidando pra vir aqui conduzir esse bate-papo junto comigo.
Ah, então os olhos continuam brilhando.
Então, vai continuar brilhando.
Obrigada.
Então, tá convidada. Já tá convidada, inclusive você também. Você já aceitou o meu convite?
Claro!
Então, ótimo. Vivi, você tem alguém? Pode ser mais que uma pessoa também, tá?
Tá bom.
Você gostaria de vir aqui?
Eu vou pedir aqui, então, o Yuri Vital.
O que que você, assim... O que que o Yuri tem que você gosta tanto do trabalho dele?
Sou grande admiradora do trabalho, até na época da faculdade, por ser um profissional jovem e que traz para mim, nas obras dele, características de construção que eu via em grandes outros arquitetos já mais velhos, que já passaram.
Então... Ó, para testar, se você conhece mesmo, fala um projeto dele que te marcou.
Recentemente, não é nem o que mais marcou, mas, recentemente, eu estive em Ubatuba, e tem o prédio em frente à praia, se não me engano, a praia grande, que na sacada tem umas piscinas com os desenhos estão muito bonitos. E aquele azul contrastado com o mar tá a coisa mais linda.
Realmente, então, tá convidado, tá convidado. E quem é o próximo?
O próximo, Alex Anazaki, o... porque eu fiz, durante a minha graduação, eu fiz a iniciação científica na parte de paisagem e ambiente. Então, tem vários paisagistas que eu gosto muito e hoje eu acho que ele é o ícone do paisagismo no Brasil.
Alex Anazaki, eu espero que você atenda o pedido da nossa amiga Viviane. Então, te quero aqui no Constrycast falando sobre a importância do paisagismo nas cidades e na vida das pessoas. Vivi, agora com você.
Tá, então, Berê, a gente sabe, a gente passou por muitas coisas pra poder estar nessa área que majoritariamente é masculina, e você, com toda a sua experiência, quais são os conselhos que você daria pra as mulheres que estão querendo entrar na área de obras hoje?
Olha, vou pegar minha cola. Eu escrevi aqui, por acaso, porque ontem eu estava conversando com duas estagiárias que estão indo pra obra. Elas fizeram um job rotation no escritório e agora elas estão indo pra obra. E aí nessa conversa eu captei algumas coisas e acabei escrevendo. E aí eu voltei lá pra minha história pra eu escrever esses 10 pontos. O primeiro é o seguinte, escolha um profissional pra se inspirar, tanto tecnicamente ou de forma comportamental. Com isso, convide-o para ser seu tutor. Esse tutor, essa pessoa normalmente, é uma pessoa que é admirada pelos outros. E aconteceu isso na minha vida mesmo, profissional. Então, eu escolhi um tutor que eu já tinha admiração por ele e ele era admirado por outras pessoas. E aí eu criei uma conexão muito grande quando eu comentava as coisas que ele me ensinava pra estas outras pessoas que eu trabalhava dentro do canteiro. Então, como eu levava o assunto? Olha, eu acabei de aprender tal coisa super legal, muito boa. Aprendi muito com essa pessoa. Ele é meu tutor.
Fiquei curioso.
É um mestre de obras. Que é o primeiro mestre de obras que eu trabalhei.
Eu quero saber o nome desse mestre de obras.
João Medeiros.
João Medeiros.
É.
Acho que a gente precisa, de fato, João Medeiros. É muito bacana.
Muito bacana. Então, ele foi meu tutor, inicialmente. E aí, quando eu chegava na produção e falava assim, o mestre João me ensinou isso. Para o carpinteiro, por exemplo. Opa, peraí, então... Então, eu trazia a fala dele pra mim e aquilo foi me dando base, foi me dando espaço, e eu acho que isso foi um ponto que eu parei pra refletir esses dias, assim, como que eu consegui? De que forma? Parece um conselho tão bobo, não é? Mas é um pouco do que eu acho que vale a pena.
Faz um sentido, né?
Faz um sentido. É, eu acho que é muito importante você mirar num profissional em que você tem essa admiração. Mas conseguir a admiração profissional e como pessoa, que os valores daquela pessoa batem com o seu, não é tão fácil. Mas eu tive essa sorte. E não foi só ele, eu tive outros tutores também. Mas ele foi o meu primeiro tutor dentro de obra.
Foi a base, né?
É.
Bom, e aí eu acho que são também coisas que, seja dedicada, seja organizada, né, então acho que dedicação é um ponto-chave. E aí lembro de alguns feedbacks que eu tive de um diretor e ele falou assim pra mim, Berê, sabe qual a sua diferença? Você é muito dedicada. Então, você se dedica a qualquer assunto que a gente passe e você vai além. Então, também parece um clichê, também algo, mas como eu falei, como eu fui lembrando da minha história, eu fui tentando trazer isso pra essa listinha, né?
Resolutiva.
É.
Invista em autodesenvolvimento. Quando eu comecei, há muito tempo atrás, a gente não tinha tecnologia na palma da mão. Então, hoje, por mais que a gente fale, nossa, minha vida é corrida, eu estudo, eu trabalho, eu pego transporte. Então, mas você tem, reserve aquele momento para o autodesenvolvimento. E não estude somente a área técnica. Importante que você estude também soft skills, que é um nome bonito, mas é o comportamental. Porque isso ninguém ensina. A gente não tem esse ensinamento em nenhum lugar, não é? Aí você aprende aonde? Na raça, na dor. Então, muito se fala hoje de soft skills, de comportamento, de autoconhecimento. Eu acho que isso unido à tecnologia, a saber novas técnicas, eu acho que essa junção das duas coisas é muito legal. E acho que, pelo menos durante a minha carreira, ninguém falou assim pra mim, estude soft skills, veja como que é o comportamento. Então, por quê? Porque a gente é muito cartesiano, o engenheiro, o arquiteto, tem muito disso, e a gente esquece essa outra parte que é tão importante. Seja curioso, pergunte, questione. Seja humilde, acho que é o principal, isso daqui deveria estar em cima. Todo dia a gente aprende, isso é para sempre, acho que até o último dia a gente sempre aprende. Se apaixone todo dia pela sua profissão, a nossa profissão, seja o engenheiro, seja o arquiteto, o técnico, quem trabalha na construção civil, tem um propósito muito bonito. É muito emocionante você passar na frente de uma obra que você construiu e falar assim, nossa, tem um dedo ali.
É, acho que eu falo, eu não sou engenheiro, eu não sou arquiteto, eu deixo isso bem claro, mas eu trabalho há muitos anos com comunicação pra esse mercado de construção civil e eu me encho de orgulho quando eu passo num prédio, aí eu já entrei aqui pra gravar qualquer coisa, ou participei de qualquer direção de alguma produção, assim, eu tenho, de fato, muito orgulho. Agora, eu imagino vocês como arquiteta, como engenheira, enfim, acho que isso é uma coisa...
Mas é um homem eletricista que faz a passagem de cabo para uma UTI, para um centro cirúrgico? pra um shopping.
Sim, não é...
É toda uma cadeia, né, de... É que a gente é muito apaixonado, brilha os olhos, então...
Quando a gente fala de pertencimento, né, como fazer com que essas pessoas se sintam parte, né, desses empreendimentos. Igual, você tocou em vários pontos que eu acho super relevantes. Eu acabei de ler um livro que fala sobre pais e professores inspiradores, né, e fala muito disso. Porque a partir do momento que você tem um comportamento impaciente com seu filho, né, ou com seus alunos, você tende a ter um filho impaciente, um filho que não vai ter paciência de ensinar, ou um aluno que não vai ter paciência porque ele não teve, um professor muitas vezes ele não teve isso. em casa. Então, eu achei bem interessante esses pontos que você relatou aí, nesse sentido, que eu liguei com o livro que eu acabei de ler.
O penúltimo aqui, ó, seja firme, se posicione em frente às adversidades que você passa no canteiro. A gente tava comentando sobre uma história em que acho muito importante, se você passou por um momento de constrangimento, algo que não te agradou, fale, se comunique. Justamente com aquela pessoa que não te agradou. Às vezes não naquele momento, mas volte a falar, aquilo não me agradou. Eu acho que é muito mais importante você dizer pra esta pessoa do que você escalar em outro nível. Não, vou falar com o diretor, com o gerente, com o mestre, com o encarregado. Não, acho que tem que ser meio de igual pra igual. Não foi legal a sua colocação. Não gostei de não ser ouvida. Eu acho que isso promove essa onda do nosso espaço de ser ouvida. Porque faz com que o outro pense, poxa, peraí, não é bem assim, tá errado.
Porque às vezes aquela pessoa não teve a intenção, né?
É, não teve a intenção.
E você já resolve ali, porque a partir do momento que eu comento isso com outra pessoa, peraí, de repente aquela outra pessoa vai ter uma impressão sobre aquele assunto totalmente distorcida.
É, e aí você tende a fazer o quê? Não falar com a pessoa e falar com o gestor da pessoa. Então, aí acaba, né? Eu acho que não traz um resultado positivo, né? E o último conselho aqui é nunca perca a doçura de ser mulher no canteiro de obras, né? Porque aí esse é um ponto muito importante, né?
Profundo. Profundo, não é?
Então, assim, nunca perca a sua doçura.
Não precisa, né?
Não usar, use disso, né?
Repete essa última que eu achei marcante.
Que é do...
A última.
Tá. Nunca perca a doçura de uma mulher no canteiro de obras.
Acho que você tem que manter, você tem que manter a sua essência, manter quem você é, porque só dessa forma você vai conseguir... Acho que você é feliz, né? Acho que a felicidade é um conjunto de coisas e quando você vive a sua essência, de fato, Quem que resiste.
A doçura de uma mulher, Paulo? Agora responde você.
Eu, olha, eu sou totalmente suspeito pra falar, porque, enfim, eu me emociono quando falo de mulher, porque eu sempre fui muito apaixonado pela minha mãe e, enfim...
Mulheres são guerreiras, né? Nascem guerreiras prontas já, né?
Minha primeira casa foi uma mulher, então... falar o quê, né? Então, é isso. Então, hoje eu sou apaixonado pela vida, pelas mulheres e pela minha esposa, enfim, defendo muito a causa, acho que incentivo muito a questão do conhecimento, porque se você tem conhecimento de fato, você tem poder, só assim você vai conseguir transformar, né, o hoje e preparar o futuro das próximas gerações e mulheres, principalmente.
Fez sentido, Vivi, pra vocês? Dicas?
Pessoal, queria eu saber isso anos atrás. Porque com certeza, tipo, a gente infelizmente acaba aprendendo, se posicionando depois de sofrer até bastante. E não precisaria ser assim. É bom mesmo a gente poder apoiar umas às outras pra que mais meninas estejam no canteiro de obra, mais mulheres estejam nessa área que sempre foi tão masculina e agora vamos igualar isso, né?
Vamos, eu falo que ainda vou ficar velhinha e ainda vou ver isso.
Berenice, e quando você fala dessa questão de perguntar, é, imaginar, eu sou estagiário, tô começando agora, eu preciso, eu tô, eu quero saber alguma coisa em relação ao meu diretor, eu preciso perguntar pra ele, como que eu quebro essa barreira, né, de falar com essas pessoas com cargos mais elevados? Existe uma técnica pra você?
É um pouco difícil responder, Paulo, porque eu não sou nada introspectiva, então eu não tenho essa barreira, mas eu vejo que muitas pessoas sim têm essa barreira. Eu acho que você precisa não enxergar aquele profissional no nível hierárquico, e sim como uma pessoa, e sim como um conhecedor da causa, da técnica. Eu acho que isso facilita muito você tirar da frente a hierarquia. Porque nós somos, estamos gerentes, não somos gerentes. Então, eu acho que um pouco é isso. Eu, como sou professora, gosto muito de, como falei, meu propósito de vida é ensinar, é replicar. Então, eu tenho muito isso aberto. Então, as pessoas me procuram muito para as perguntas e eu fico muito orgulhosa disso, de poder contribuir nesse sentido, né? Então, quando... Tem pessoas que são mais fechadas, realmente, mas eu acho que o ponto é esse, não enxergar essa pessoa no nível hierárquico.
É, isso é interessante, porque quando você ensina alguém, quando você orienta alguém, você aprende, né? Ou seja, você tá aprendendo de novo.
É, eu falo pro meu time isso e espero que eles estejam me assistindo, né? Eu falo pra eles assim, quem ensina aprende duas vezes, né? Não sou eu que falo, eu falo de alguém, até vou pesquisar quem é, mas eu tenho esse mantra, quem ensina aprende duas vezes.
Mas é verdade, eu adoro quando alguém vem me perguntar alguma coisa, às vezes eu relembro ou eu ensino de outra forma. Nossa, não sabia que dessa forma andava certo, né? Ou seja, acabei de aprender uma forma diferente de fazer a mesma coisa. Então, é bem interessante. Vivi, tem alguma curiosidade que você gostaria de saber da Berenice?
Sim.
E fora do mundo das obras, o que você gosta de fazer? Tipo, como que a Berenice, fora de um canteiro de obras, de um escritório...
Ah, então, além da profissão 2 que é ser professora, né? Eu gosto muito de música, música é alguma coisa, é engajado também na minha família, né? Meu marido é engenheiro e também é músico. Então, nós temos uma banda, né? E aí, eu acho que é uma válvula de escape e é alguma coisa totalmente diferente, né? Desse mundo engenheiro, cartesiano, matemática e tal.
Banda.
Música.
O que você traz de aprendizado da música para o dia a dia na sua profissão?
Nossa, tem muito aprendizado, muito trabalho em equipe. Eu achei muito interessante o dia que eu entrei num estúdio e falei assim, bom, eu vou cantar, vou tentar cantar, né? E aí, como se conectam todos aqueles equipamentos naquele mesmo momento, e eles precisam estar todos conectados. É um trabalho em equipe, é um trabalho de respeito. Então, cada um entrar no seu ponto, no seu tempo, ou aquele que erra para, volta. É muito interessante isso.
Respeitar o momento do outro, né?
O tempo do outro.
É, o tempo do outro. E ao mesmo tempo, no dia do ensaio, todos levarem aquilo já ensaiado, pra que todos se conectem ao mesmo tempo, pra um não esperar o outro. Tem muito aprendizado na música. Além de ser uma válvula de escape, além de alimentar a alma. É um negócio muito legal. É muito legal.
A música, de fato, é transformador. É. Vivi, tem mais alguma pergunta pra nossa convidada?
Não, adorei já. Tô encantada com a Virei, mas não tenho mais nada hoje.
Virei, você tem alguma pergunta pra Vivi?
Eu tenho. Vivi, por que arquitetura?
Por que arquitetura?
Eu sei falar eu, por que não arquitetura, né? Porque, como eu falei, quando eu fiz edificações, eu não contei esse pedacinho. O primeiro desenho que eu fiz, o professor olhou e falou, acho que você não desenha bem, você não tem uma visão tridimensional. Foi aí que eu falei, ah, é não. E por que você arquitetura? Como que você descobriu?
Desde os 10 anos, eu gosto de desenhar. Também, como você, sempre gostei de matemática. Quando eu fui escolher para o vestibular, eu... Gosto de matemática, gosto de desenhar. O que se assemelhava mais? A arquitetura. Meu pai queria que eu fosse engenheira. E eu cheguei a me inscrever pra matemática também, que eu me dava muito bem com exatos. Não deu certo por algum motivo que não era pra dar mesmo. Aí, pra o lado criativo. Sempre me atraiu muito. E a união dos dois, pra mim, foi a arquitetura mesmo. E como você, primeiro dia de aula, fiquei apaixonada.
E brilha os olhos, né?
Brilha os olhos.
Não, é impressionante. Eu falo que quem, assim, quem pisa num canteiro de obra, assim, acho que raramente consegue sair. Eu entrei no canteiro de obra pela primeira vez e falei, peraí, eu já atuo em comunicação em indústria em geral, mas peraí, não, é pra esse mercado que eu quero atuar. Sou apaixonado, assim como vocês, sou apaixonado por audiovisual, sou apaixonado por construção, por transformar e é isso, eu entendo exatamente o brilho no olho de vocês.
E hoje você guarda os nossos tesouros com as suas imagens e com o formato que você traz essa visão. Também tenho muita admiração pelo seu trabalho, que eu já acompanhei algumas vezes. Obrigado. Você transforma e traz esses nossos tesouros pra gente guardar.
Precisamos registrar, né? O processo. Quando a gente fala de legado, né? O que nossos filhos, né? O que as próximas gerações vão ver aí do que vocês construíram, né? Então essa é a minha função, registrar de uma forma diferente o que vocês constroem.
Sim.
Então, Beri, eu gostaria que você falasse aí as suas considerações finais. A gente já está chegando no final do nosso podcast.
Ai, que pena. Foi muito bom, Paulo e Vivi. Obrigada pela oportunidade. Mais uma vez, me orgulho da minha história e fiquei muito emocionada com esse convite, que me fez ir lá atrás e reviver momentos muito importantes. e ter a esperança de ter as mulheres mais engajadas e mais dentro do nosso espaço da construção civil foi um tema muito importante. Obrigada por dividir, por eu conseguir dividir minha história com vocês e com quem está assistindo.
Eu que agradeço, eu fiquei muito honrado com sua participação aqui no Construir Cash. Vivi, e as suas considerações finais?
Bom, agradeço muito porque eu acho que a gente precisa de referências. Precisamos ver outras mulheres que tem sucesso, que passam isso pra outras mulheres, e a Beret é uma referência muito grande, assim como a minha chefe também é uma referência muito grande, e a partir das referências, outras meninas vão se enxergar lá e ver que é possível sim, e a gente vai quebrar esse tabu. Então, foi uma troca muito feliz. Eu agradeço muito.
Eu que agradeço, Vivi, a sua participação aqui, o desafio de conduzir esse bate-papo com uma pessoa tão qualificada como a Beret aqui no Constricash. Então, você que ficou aqui até o final conheceu um pouco da Bire, que atua com grandes obras de saneamento e infraestruturas, e a Vivi, que atua com construção corporativa. Então, um abraço e até o nosso próximo encontro.
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