Mulheres que Constroem | Segurança no Canteiro de Obra | Aline Ravagnani | Podcast Construecast

Transcrição de um episódio do podcast ConstrueCast (série "Mulheres que Constroem") em que Aline Ravagnani e Marília Bessa conversam com a engenheira Linde Moraes sobre segurança no canteiro de obras. O diálogo aborda desafios da conscientização de trabalhadores, treinamentos, riscos mais comuns (trabalho em altura e movimentação de cargas), interação com a comunidade, uso de tecnologia e EPIs, além de questões de gênero, inclusão e desenvolvimento profissional nas obras.
Chapters
Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtor à Infinity Plus. Sejam bem-vindos, está no ar mais um episódio do Constricash e hoje seguimos na série Mulheres que Constroem. Como vocês podem ver, eu tenho a honra de receber aqui Marília Bessa, uma jovem arquiteta que, apesar de nova, já tem uma carreira brilhante e vai me ajudar na condução desse bate-papo com a nossa convidada que você vai apresentar, Marília.
Hoje a gente vai estar aqui com a Linde Moraes, ela é formada em Engenharia Civil e pós-graduada em Segurança do Trabalho e também em Meio Ambiente, e ela vai estar agora falando com a gente sobre Segurança do Trabalho voltada para essa área.
Seja bem-vinda ao nosso podcast.
Muito obrigada, gente.
Prazer é meu estar aqui. Muito feliz.
É... A primeira pergunta vai pra você ou eu faço?
Pode fazer. Você faz boa.
É. Coline, qual que é hoje pra você... É, trazendo o tema, né? No caso, desafio da segurança nos canteiros de obra. Como é pra você hoje o... Qual é o maior desafio na questão segurança, né? No convencimento da segurança nos canteiros, até pela questão da formação das pessoas, muitas vezes, você tem um ambiente ali um pouco desafiador na questão comunicação.
Sim, a gente trabalha com uma mão de obra que tem ali uma baixa escolaridade e que com isso vem também uma baixa autoestima. E a segurança do trabalho também vai muito com a autoestima de cada um, né? Então, é você se sentir importante pra você mesmo, pra você entender que você precisa se preocupar com você. Essa é a maior preocupação que você precisa ter. Então, a gente precisa focar muito na questão dos treinamentos e muito na valorização individual de cada funcionário, né? É entender, dentro de cada obra e de cada pessoa, como atingir cada um deles. Essa é a parte mais difícil, porque a gente lida com pessoas muito diferentes. Então, eu falo que a gente precisa, primeiro, conseguir conscientizar a parte da gerência da obra, os engenheiros, porque eles servem de exemplo. as pessoas que estão ali trabalhando mais diretamente na execução, vêem todos eles como exemplo. Então, eles precisam estar muito focados nessa questão também e ajudando a segurança do trabalho a divulgar tudo isso.
E, antes de passar a palavra para você, eu queria entender onde começa essa questão da conscientização, porque eu entendo que não é só no canteiro, que você tem todo o trajeto para chegar na obra, para voltar. funciona essa comunicação.
A gente começa com várias campanhas, então a gente entende o público. É um público que vem mais a pé, então a gente coloca ali as questões de quais são os cuidados que eu preciso ter e leva coisas para o dia a dia. Você não está indo só para o seu trabalho, às vezes vai levar o seu filho em algum lugar Então, o que que a gente vai focar quando eu tô levando meu filho numa escola, por exemplo? Ah, eu vou tentar atravessar na faixa de pedestre, vou ensinar pra ele o farol, que ele precisa olhar ali se tá vermelho, se não tá, e dando os exemplos também, né? Então, eu preciso levar isso pra minha vida particular também, porque senão eu não consigo executar ali no dia a dia, né?
Inclusive, você tá no processo de formação, né? de outra geração.
Exato.
Então, isso precisa estar passando, né? Ah, é uma equipe que vem mais de carro, que são poucos no nosso caso. Então, eu preciso respeitar as regras de trânsito. Eu preciso cuidar do meu veículo para que ele esteja em dia com as manutenções para mim, para evitar tipos de acidente. Então, a gente tem que trabalhar no todo, né? O colaborador já entra na obra passando por uma série de treinamentos de conscientização. que vão no todo, né? Desde a parte do trajeto dele até a execução da obra e tudo que ele vai precisar ali fazer pra conscientizar.
Até o improviso na casa dele, né?
Até o improviso.
Você falou uma coisa muito importante, né? Até dessa parte de você ter cuidado nessa parte doméstica, né?
Sim.
Porque todo esse processo que vocês estão fazendo, todo esse trabalho, não só técnico, mas também comportamental, né? É fundamental pra pessoa não ter deslizes e até acidentes domésticos, né? que são frutos do trabalho, que ele acaba tomando até uma certa confiança, né, no trabalho, que faz conta da autonomia, e pensando não só nele, mas na equipe inteira que tá acompanhando ele, que às vezes acaba tendo deslizes, talvez, mais até domésticos, né. Mas você sente que isso acaba acontecendo, essa parte de relutância, assim, de entender que são posições diferentes, são ambientes diferentes, é muito relacionado a geracional, ou acaba, assim, numa prenômina geral, assim, na equipe?
Eu acho que os mais antigos têm maior restrição sobre isso ainda. Porque a geração mais nova, as empresas já incorporaram essa questão da segurança do trabalho. Então, os funcionários já entenderam que isso realmente é importante, que as empresas não vão deixar isso como uma situação em que não vai ter atenção. Então é mais fácil para os mais jovens, eles já vêm com essa cultura mais enraizada dentro deles. Mas aí a gente pega as funções que são mais relevantes e que deveriam estar dando um exemplo, que são as que têm mais dificuldade. Então você pega um mestre de obra que está ali às vezes há 30 anos, E ele vai te falar, eu nunca tive um acidente, sempre fiz desse jeito, né? E nunca aconteceu comigo, mas um dia pode acontecer, né?
E esse é o maior perigo, né? Você ter essa confiança a ponto de abrir mão de um equipamento, né? De uma proteção geral, né?
Muitos acidentes acontecem com pessoas que já têm uma experiência grande, né? E que acham que aquela atividade já faz parte do dia a dia, e que ela sabe como executar e não precisa mais prestar tanta atenção, né?
E existe, assim, alguma técnica, né, da sua parte? Eu sei que é desafiador. Imagina você convencer um profissional que tá ali há 30 anos executando, né, uma atividade e falar... Eu estou trazendo essa melhoria por isso, ou seja, você tem uns porquês.
Tem que explicar.
Para aquela pessoa, de repente, usar uma jugular no capacete e tal. Como que funciona esse processo de convencimento de um profissional de 30 anos de experiência?
Eu costumo dizer que eu tenho uma relação muito boa com esses mestres de obra no geral. Eu acho que a primeira coisa é você colocar-se à disposição pra ajudar. Ele entender que você tá ali pra ajudar e não pra atrapalhar. Ele ter essa confiança em você, né? E aí a gente vai mostrando, ó, quando eu tenho um acidente, a sua obra vai parar por um tempo. É tudo que a gente não quer. A gente vai ter uma exposição. A sua equipe vai pensar o quê? De um mestre de obra que tem um acidente grave. Isso também vai prejudicar a sua imagem. Então, vamos colaborar um com o outro? Eu tô aqui pra te ajudar, volta do seu lado, precisa de alguma coisa, é só me chamar que eu tô junto com você, mas eu preciso do seu apoio também, pra incentivar a sua equipe, pra mostrar que a gente tá realmente preocupado com tudo isso.
Essa parte de colaboração deles também vai pra essa parte até antes do projeto mesmo, nessa parte de gerenciamento, de gestão e de já precaver esses processos. Ou é só muito mais na atuação em si. Quando já começa a obra, eles participam também dessa logística anterior. Que é um jeito deles acabarem tendo confiança e exporem toda a experiência que eles têm. Querendo ou não, a gente falou, 30 anos.
Sim, que tem que ser levado em conta, né?
É, e são 30 anos de história, né? É uma bagagem muito grande, né? Mas eles conseguem também ter essa flexibilidade de participar pra isso e contribuir assim?
A gente tem tentado chamar cada vez mais eles pra esse tipo de coisa. Então, hoje, nas obras, a gente faz muito reunião de produção, que a gente fala, né? Então, naquela semana, a gente vai dizer todas as atividades que estão previstas pra dali alguns dias, talvez 15, às vezes um mês, dependendo da empresa, né? E aí a gente coloca o que a gente precisa de necessidade, tanto deles quanto da nossa parte, e aí troca ideia, porque às vezes o que a gente pensa pra execução não é o que dá pra ser feito, né? Porque a gente não tem a experiência deles. Então eles colocam a linha, ó, desse jeito, eu não vou conseguir fazer o que eu preciso, não vou produzir o quanto eu preciso. E aí a gente vai, ah, tá bom, como que você acha que precisa ser feito? Ah, eu preciso desse jeito. E aí a gente vai conversando, se entendendo, até que a gente consegue chegar num consenso, de uma maneira que a gente faça com segurança, pra garantir ali a integridade de toda a equipe, e que ele consiga executar da maneira que ele precisa também, né, uma via de mão dupla ali.
E nesse processo, tendo em vista que vocês atuam em grandes obras na consultora que você trabalha, geralmente você não trabalha em um técnico de segurança só. Existe uma pré-comunicação entre você e seu time de segurança para convencer essa pessoa ou é tudo ali na hora?
Eu falo que a gente tem que conseguir falar a mesma língua, né? Porque senão eu vou falar que ele pode executar e o técnico vai falar, não, não pode, né? E aí vira um conflito, e aí isso atrapalha muito a comunicação. Então, a gente tem alguns debates e a gente vai se conhecendo como equipe também, né? Então, a gente identifica até qual é o técnico que vai se dar melhor com cada mestre de obra, porque tem isso também, né?
Tem que se dar empatia, não. Tem que ser.
Tem uns que a gente consegue entender, né? Esse técnico aqui, se eu colocar ele com esse mestre, vai ser melhor do que com aquele. O outro, não. Então, a gente vai jogando dessa maneira também.
E até mais do que só a característica entre eles, né? Senão acaba se tornando... Só leva a um conflito em vez de solução, né? Sim.
Que é pior.
E você comentou que você trabalha só nessa parte de... Principalmente de segurança de trabalho, mas também relacionada ao ambiental. Como isso vem aparecendo nas obras, assim? Isso vem destacado, porque a gente tá falando sempre de certificado de LIDI e todo esse processo, a importância da gente não tá tendo acidentes, acidentes graves, sempre de preferência, mas ainda é um número gigantesco, né, no nosso país falando de acidentes, né. Então, e até, infelizmente, de mortes. Então, como isso vem espelhando, né, esse caminhamento e essa ideia de, olha, eu não tô só pensando na sua saúde, a gente tá pensando num coletivo, a gente tá falando só do que a gente vai jogar no ar. Esse ar é o seu, é o que você vai usar, você tá respirando. E como é que vem transformando essa mentalidade, assim?
Hoje, a grande maioria das empresas não trabalha mais só com uma área de segurança do trabalho. Ela tem a área que é incomum, que trata tudo junto de qualidade, de segurança, de meio ambiente e de saúde. Então, essas áreas hoje estão interligadas. A gente está, cada dia a mais, fazendo obras que estão muito próximas de um córrego, muito próximas de uma vegetação que não pode ser desmatada. Então, a gente busca trabalhar com eles a importância de tudo aquilo. O que isso vai trazer para mim? O que a gente tem de consequência hoje no nosso dia a dia por tudo que a gente já fez lá atrás com o meio ambiente? Eu acho que como o foco nosso principal hoje nas empresas ainda não é tanto o meio ambiente, tem uma questão legal aí muito forte, a gente tem mais dificuldade com eles no meio ambiente, até porque muitos deles vêm de locais onde moram, e o meio ambiente não tem relevância nenhuma ali na comunidade que eles estão inseridos. Então, acho que esse trabalho do meio ambiente é ainda mais difícil, porque a gente chega em uma obra e o que faz mais de meio ambiente? Coleta seletiva. E não é só isso, vai muito além de tudo isso.
E até um ponto que eu queria chamar a atenção, quando, nessa questão de meio ambiente, quando você conscientiza, faz um trabalho de conscientização dessas pessoas, você acha que, de repente, você pode estar transformando a mentalidade dessa pessoa para transformar, para ser um agente de transformação no bairro que ele atua?
Até completando o que você está falando, porque a gente estava até debatendo, A obra é uma mini comunidade, né? A gente tá falando de 500 a 1.500 pessoas, ou enfim, é um número gigantesco de pessoas, desde projetos falando da parte administrativa até dentro do campo mesmo, né? Então, como é que esse trabalho de transformar as pessoas, essa parte até de cidadãs, né? Como é que a gente pode fazer essa parte pros outros, né? Porque a gente tá falando de um leque de até uns 3, 4 anos de construção, 5. Então, como é que você pode fazer essa parte educacional, né, de comportamento durante esse período, né? E vocês fazem por obra também, pra desenvolver as pessoas? Porque, enfim, no final das contas, o mais importante são as pessoas ali, né?
Com certeza.
E as atitudes que elas tomam que acabam gerando empatos no meio ambiente, ou até, infelizmente, se acidentam, né? Então, como é que isso funciona também?
A gente tem um planejamento inicial de quais são os treinamentos que a gente vai dar, quais são as campanhas que a gente vai fazer. E aí a gente vai trabalhando com relação a isso. Mas, como a gente sabe, na obra tudo muda constantemente. Então, às vezes, o foco que você pensou por um início de obra, de alguns treinamentos, muda totalmente. E você vê que precisa ir por um outro caminho. Ou você entende que aquela sua equipe, aquele tipo de conscientização que você pensou não vai funcionar. Então, eu acho que na questão do meio ambiente, a gente vai pensando por isso. E você começa a perceber algumas pessoas que se destacam, que se interessam mais por aquele assunto. Então, eles podem servir como multiplicadores desses assuntos na própria fente de trabalho. Eu acho que eles conseguem falar entre eles a língua deles, que vai se entender melhor. e vão conseguir passar as mensagens. A gente, às vezes, leva algumas coisas pra casa. Então, a gente mostra pra eles o que que eles podem colocar daquilo dentro da casa deles. O que que ele pode levar pro filho, o que que ele pode ensinar também, porque acho que pra qualquer pai é legal a gente tá levando um ensinamento diferente pra casa, né? E mostrar pro nosso filho o que a gente tá aprendendo, né?
Sim, não, é interessante. Quando chega em casa, você tem essa troca, né? Porque muitas vezes, dependendo da idade do filho, ele tá falando dessas questões. na escola.
É importante porque você gera o orgulho de estar participando daquilo, né? Você tem o senso de comunidade, você tem o senso de cooperação, né? Porque a gente tá falando de atividades que não impactam só ele diretamente, né? Tem esse momento que é de equipe o tempo todo, né? Que não é só ele. Então, eu acho que é bem diferente. Tem até aquela curva de Bradley, né? Que eles falam, né? De quanto mais você pode desenvolver a pessoa pra fazer com que diminua os riscos. E isso é muito legal, porque, no final das contas, quando a pessoa desenvolve esse orgulho de estar participando disso, quando tem essa visão de coletivo, melhora 100% a obra. Então, não só o desempenho dele, mas também a visão como geral. E acaba sendo até um pouco legal de você ver essas pessoas se desenvolvendo lá dentro.
E a obra é uma comunidade ela em si, como a gente já falou. Mas ela também está trabalhando dentro de uma comunidade maior. E eu costumo dizer que, quando a gente está fazendo a obra, a gente só está causando prejuízos. A gente só está trazendo coisas ruins para a comunidade. É o barulho, é a poeira, é a sujeira, é aquele monte de gente transitando, às vezes, em um local que não é desejável. Então, a gente traz uma série de transtornos, né? Então, eu falo muito também na obra sobre isso. A gente precisa aprender a evitar ao máximo os transtornos que a gente causa, ou pelo menos diminuí-los, né? Então, eu tenho que conseguir que o funcionário respeite as pessoas que estão passando dentro ali na rua, né? Então, ele tem que conseguir interagir com aquela comunidade em que a gente está inserido naquele momento, né?
Não, e é interessante esse ponto que você trouxe, porque imagina, Eu moro naquela rua, de repente, que tá tendo uma intervenção. Ali. Então, ali você tem, no caso, ah, eu tô passando e, de certa forma, eu fico incomodado, porque você acaba alterando o meu trajeto. E isso é importante que você falou, porque aquele profissional que tá ali na operação, no dia a dia, ele é um defensor, muitas vezes, da construtora, né? Das empresas. Então, existe. Tem que existir. Na verdade, deve existir. um trabalho muito grande, né, em cima desses profissionais pra até conseguir lidar com situações ali do dia a dia, né, de repente uma discussão com o morador, né, do bairro.
Não só o defensor, né, ele é um representante, né, é aquela pessoa que tá, como a gente até falou, né, é uma pessoa da equipe ali, é uma pessoa que tá mostrando lá, né. Mas eu acho engraçado que você até, você pontuou, né, falando que você gera tantos empacos, e eu tenho uma visão muito romântica sobre isso, na verdade. Que era... Porque eu acho que a obra é o momento que nasce o projeto, né? É o momento que você começa a desenvolver tudo, né? E um projeto nunca acaba, né? A gente dá um fim, é diferente, né? Então, quando a gente tá falando de construção, né? Essas pessoas tão participando desde o começo, a gente tá desenvolvendo pessoas lá. E quando a gente entrega esse projeto, a gente vai tá não só entregando pra uma sociedade, né? A gente não tá entregando pra um indivíduo, a gente tá mudando todo aquele em volta, né? Então a gente tá mudando a parte financeira, né? Se a gente tá fazendo, sei lá, algum comércio ali embaixo, a gente tá mudando o fluxo, porque a gente tá possibilitando que, sei lá, é um metrô, agora eu posso fazer com que pessoas transitem mais naquela área. Então, eu acho que todo esse mecanismo é até engraçado, porque a gente mexe muito, às vezes a gente perde a noção, né? O quanto que a gente tá afetando o coletivo. Na obra, né? Porque a gente fica olhando só naquele coletivo, naquele mundo que a gente criou ali dentro, né? E a gente perde a noção do quanto isso impacta. E a construção é um impacto sempre muito longo, né? A gente fala sempre de muito tempo. Então, é uma construção de 4, 5 anos. E depois disso é o tempo que as pessoas vão estar absorvendo aquele projeto. como é que aquilo vai funcionar ou não. Tanto que a gente acaba vendo, né, até projetos que ficam vazios. Porque foi uma coisa que não foi pensada para aquelas pessoas que estavam em volta, não foi pensada para aquela moradora que morava do lado. Que às vezes não era a necessidade que aquela região precisava, né. e gerar até um conflito da pessoa se sentir invalidada, né, nessa parte, assim, de necessidades, né, de falar, poxa, a gente tem tantas necessidades aqui nessa área e você tá me pondo aqui, sei lá, um hopi-hari, uma coisa assim, nada, beijo.
Quando você fala em obra pública, mais ainda, né?
Mais ainda, porque a gente não vê.
A nossa... Tá gastando o meu dinheiro.
Tá gastando o meu dinheiro numa questão que talvez não seja benquista ou talvez não seja pro melhor uso, né? Então, isso é muito difícil de você comunicar o de dentro da obra pra fora, pra comunidade, né? Como é que você faz com que as pessoas que estão ali em volta comprem aquela ideia de falar, não, isso não só financeiramente vai melhorar o seu apartamento, ele não vai aumentar o preço, o seu método quadrado vai melhorar. Não é só sobre isso, né? Mas sobre a qualidade de vida de quem tá morando ali em volta, né? Então, porque a gente fala de segurança do trabalho, a gente fala da saúde física, mental das pessoas, né? Sim. Mas, às vezes, a gente se perde, né, e esquece do, tá bom, e aqui eles estão em volta. Como é que a gente trabalha com eles, né?
É o mais difícil. Porque durante a execução, as pessoas têm muita dificuldade de entender esse benefício, de conseguir enxergar isso, né? Então, ela vê a poeira que você tá deixando, né? Ela vê o barulho que você faz o dia inteiro.
O caminhão que tá saindo ali com a rota suja. Toda hora!
Então, é muito difícil a gente conseguir.
Mostrar isso pra comunidade.
É um desafio muito grande, assim. E são poucas as empresas e as comunidades em que a gente consegue fazer isso, né? É um trabalho muito grande.
E existe um, assim... um trabalho no sentido, até com os próprios operadores, porque eu acredito que tem gente ali no dia-a-dia, enfim, que está ali naquela construção, que de repente não acredita naquele projeto. Você que está no dia-a-dia, enfim, melhor que ninguém para falar. Existe um trabalho em cima dessas pessoas? Porque você tem a rádio pinhão, a famosa rádio pinhão das obras. Como que funciona isso? Porque muitas vezes, de repente, imagina, eu estou aqui na obra. E o vizinho acaba perguntando quando essa obra vai sair, como funciona esse trabalho.
A gente tem que mostrar. Primeiro é inserir o colaborador ali. O que eu estou fazendo? Qual é a minha obra? O que ela busca trazer? É uma obra, por exemplo, de um hospital? Para que aquele hospital? Quantos atendimentos a gente vai ter? Ah, mas é um hospital particular, então para o meu funcionário ali ele não vai ter grande impacto. Mas tá bom. Quanto de emprego aquilo vai gerar? Acho que a gente conseguir mostrar para essas pessoas que estão dentro da nossa obra, executando ela, o que a gente vai trazer de benefícios. Não, talvez, diretamente para ele naquele momento. Ele vai estar empregado e tal, tem um impacto, com certeza, mas ele precisa entender que aquilo gera um emprego, que aquilo traz um comércio, que aquilo traz um benefício para a comunidade, às vezes, não diretamente para ele. Então, eu acho que é a gente mostrar o que a obra tem, qual é o objetivo daquela obra, né? Acho que essa é a maior importância nesse caso.
E aí que entra, né? A partir do momento que você tá contente, né? Que você entendeu os porquês, né? Daquela obra acaba ficando fácil. Você não vou usar um capacete, eu vou usar um óculos, eu vou entender o porquê. de cada EPI ou de cada comportamento, né? Eu tava conversando agora há pouco, eu tava numa indústria de... motobombas, né? E a gente tava conversando sobre, ah, quais são... o que que acontece, assim, que você tem que se... tá o tempo todo preocupado aqui. Lá, no caso, são as movimentações de empilhadeiras, né? Tem que tá passando, às vezes, com a peça, às vezes, com o compressor. É, no dia a dia de obra, né? O que que é mais comum acontecer de... de acidente ou incidente, ou quais são os pontos que vocês geralmente chamam mais atenção?
Os maiores acidentes são com trabalho em altura, e aí eu acho que principalmente porque a gente ainda tem uma grande resistência no uso do EPI pra trabalho em altura, que é o cinto de segurança. Então, você vê às vezes até o funcionário com o cinto de segurança lá em cima de alguma coisa, mas sem estar com ele amarrado em algum lugar. Então, não tem validade nenhuma. E eu costumo sempre falar pra eles, então é melhor ficar sem. Pelo menos a gente tá batendo o olho lá e tá sabendo que você tá correndo risco.
Vira quase um acessório, né?
É, não preciso ficar assim tentando enxergar se você tá amarrado ou se não tá. Já sei que você tá sem. A gente tem a questão de movimentação de carga muito grande dentro de uma obra, né? Então, você tá sempre descarregando material. Você tá subindo material pra algum lugar. Então, essa questão, e aí as pessoas não conseguem entender o risco que tem de eu estar passando embaixo de uma carga. É um equipamento, e equipamentos falham. Mesmo com manutenção em dia, acontece. Então, são os dois maiores riscos ali que a gente tem na obra. E que geram o maior número de acidentes hoje.
E como é que vocês fazem pra, porque a gente tá falando de cargas de máquinas, né, que são toda essa parte mais industrial, mas como é que vocês fazem que, e como estão implementando, né, a parte de tecnologia, né, porque a gente tá vendo que as máquinas estão desenvolvendo, estão melhorando, e estão tendo até sensores, né, de movimento, principalmente se a gente tá falando de escavação, então tem um humano ali passando, às vezes ele dá uma diminuída, então isso a gente vê e é publicado, né, mas o quanto que isso tá se tornando real, assim, na nossa indústria, né, o quanto que isso a gente tá vendo ativamente toda essa tecnologia, as listagens e essa parte de precaver.
Isso ainda é bem raro dentro das obras, esses equipamentos mais modernos. A gente acaba usando das pessoas mesmo. Então, você está fazendo uma escavação maior, você está com alguém ali orientando, você está fazendo uma movimentação de carga, você coloca alguém para estar, além de fazer o isolamento ali da área, está olhando se realmente ninguém vai entrar naquela área isolada. essa modernidade, eu acho que ainda está demorando para chegar para a gente.
Esse é um ponto interessante que você trouxe, porque eu visito muitos canteiros, enfim, todo mundo que me acompanha aqui pelas plataformas sabe que eu visito muitos canteiros. E eu acho muito interessante, por exemplo, você estar num, imaginar, tem um guindaste, descendo um concreto ali numa área totalmente desafiadora para ele enxergar. Então, ele, de fato, ele defende de uma pessoa que está ali muitas vezes com um sinal, né? Não sei como que funciona esse sinal.
Mas... Ou, às vezes, um radiozinho ali. Pode ser um rádio, né?
E aí, nessa questão de tecnologia, seria interessante... Tudo bem, se você tivesse uma câmera ali com monitor para esse operador... ver o que está acontecendo, só que, ah, legal, tem uma câmera vendo a parte de baixo, mas e a parte de cima?
Sim. Você entende?
Então, assim, são várias coisas acontecendo e, de fato, a gente ainda depende, né, do lado humano. Acho que a tecnologia, nesse sentido mesmo de canteiro, é bem desafiador, porque você, ah, legal, eu tenho equipamento altamente tecnológico, mas... E o meu solo?
Sim.
A parte humana talvez nunca vai ser descartada, né? Na verdade, nunca vai ser descartada.
Ainda bem, né?
Estamos com uns problemas aqui. Mas eu acho que quando a gente fala de mitigação desses riscos, às vezes a gente, não só na parte de investimento, não só necessariamente dentro dessas empresas, Mas talvez, eu acho que falta no mercado esse investimento externo, né? Porque se perde muito, falando de lucros, quando a gente muda esses processos, né? Quando a gente fala de uma coisa nova, a gente perde todos os lucros anteriores. Isso não só pra parte de tecnologia, né? Até pra materiais construtivos, né? A gente vê essa revolutância e isso acaba perdendo, por um lado, o lucro, né? Mas, por outro lado, a gente acaba evitando riscos, né? A gente mitiga tantos riscos e é um... óbvio, óbvio que tem tantas coisas a melhorar ainda, né? Mas às vezes é até decepcionante, né, da gente ver que infelizmente muitas pessoas ainda estão em risco assim, né? Às vezes, por falha mecânica, porque esses equipamentos talvez não consigam chegar nisso.
E esses investimentos, acho que a gente pode pensar em coisas até bem pequenas. Como se eu pensar num EPI. Quanto mais confortável o uso dele for, mais fácil vai ser das pessoas usarem. Então, um investimento, por exemplo, num conforto de EPI, também geraria impactos muito bons dentro de uma obra. E a gente tem muito pouco disso.
Eu tenho duas perguntas, inclusive... Essa questão de investimento... Eu nem vou citar o nome da pessoa porque eu achei uma pergunta bem provocativa e tal. Você pode falar muito bem disso, que é... Lógico, às vezes eu vou fazer algum trabalho nas indústrias e eu tenho uma causa muito forte com essa questão da segurança. E eu noto que dentro das empresas, isso é uma opinião que eu assumo, é pessoal, existe uma dificuldade das áreas de segurança e de RH. São duas áreas que sofrem com a questão de investimento. Nunca tem verba pra nada.
Porque a gente não tá gerando um lucro. A gente tá dando um custo, sempre. Na grande maioria das vezes é visto dessa maneira. Você tá gastando, mas o que você tá me trazendo de volta?
Então, mas aí eu vou emendar a outra pergunta que é... Quando acontece um acidente, que teve um caso recente também, que eu não vou citar, onde, enfim, essa construtora teve que, por conta desse acidente, teve que, enfim, teve todo um remanejamento de custo ali, onde veio bilhões, né? Por conta de um acidente, por conta de, ah, se eu tivesse feito um pequeno investimento ali pra, numa prevenção, teria evitado. Então, se esses gestores, se eles mudarem a mentalidade, já tem cases aí de empresas que os gestores, eles têm uma pegada, sabe, segurança em primeiro lugar. Melhorou muito. É uma situação de risco, pode parar a operação. Aquele técnico, aquela pessoa que tá ali no dia a dia, ele tem total autonomia pra parar aquela operação. E ele, de fato, ele investe muito. E eu noto como as pessoas se sentem. Felizes, essa questão que você falou do, por exemplo, se você tem uma bota confortável, cara, é outra pegada.
Lógico, você tem muito mais vontade de pôr, né?
É, e você vai passar o dia todo, eu já ouvi muitos debates referentes a isso, né? Não, mas essa bota de plástico, pra essa outra enforrada, não sei o quê. Mas, assim, é uma pessoa que tá lá horas e horas sobre aquele sapato. Ela vai estar naquela situação que já.
É... Mais tempo do dia com aquele sapato do que com qualquer outra.
Já é uma situação super desgastante pra ele, né? Porque é um trabalho, às vezes, físico. E não só físico, mas é uma tensão mental ali, né? De atenção, de o tempo todo preocupação, né? Sim. E acaba... E acaba sendo até um pouco engraçado, porque eles acham que é um custo. Isso é uma mentalidade, né? E eu sinto... Eu já senti isso mais forte, mas eu fico percebendo que tá melhorando, né? Que é uma mentalidade antiga que é muito enraizada, que é de... Não é assim. Ah, não é tudo isso assim também. Só que até que ponto a gente está falando que pessoas não são um valor. É só um princípio. Ah, não. Segurança do trabalho é um princípio. Ah, não, a gente tá falando de diversidade. Ah, não, isso é um princípio. É o princípio da nossa empresa.
Quando realmente faz parte daquilo, né?
Mas, assim, o princípio ele varia, né? Hoje meu princípio pode ser diversidade, mas amanhã meu princípio pode ser, ah, não, eu preciso melhorar meu desempenho. Então, eu preciso que seja produtividade. Mas quando a gente tá falando que isso, que é um princípio, é uma coisa maleável, é uma coisa que varia, então a gente põe em risco as pessoas, né?
É isso.
Então, por isso que é tão importante a gente ter, e óbvio que é muito difícil, né? A gente ter essas pessoas. E é uma confiança imensa, né? Da pessoa falar, não, eu prefiro parar esse trabalho, eu prefiro pensar todo mundo em como eu vou melhorar essa atividade, como é que a gente vai com o tornado, do que pôr alguém em risco, né?
E hoje a gente vem tentando colocar mais esses engenheiros, esses gerentes nessa questão. Então o técnico de segurança vai lá para a atividade naquela hora, mas comunica, ó, tá acontecendo isso, isso e isso. Tô parando a atividade, tudo bem? Pra que a decisão também não venha só da segurança do trabalho, né? Pra que a decisão também venha deles, porque é importante que eles tenham essa conscientização, né? Quando a gente fala de um acidente de trabalho, hoje a gente tem trabalhado muito com mostrar o custo que aquilo gerou. Ah, eu tive um acidente ali pequeno. Mas o que tudo aquilo me gerou? Quantas horas eu tive parada? O funcionário ficou afastado quantos dias?
Eu queria que você falasse um pouco sobre isso, né? Da importância, né? Ou seja, da importância do investimento na segurança dessas pessoas, né? Quando acontece, por exemplo, um acidente que o profissional precisa ficar afastado, porque não é só isso.
Sim, tem outras coisas.
Fala um pouquinho, ou seja, o que a empresa perde?
Então, a gente tem, você parou... E.
Na sua empresa também tem o profissional, né?
Sim. Nem vamos entrar nesse mérito ainda, mas assim, se eu pensar na empresa, aconteceu um acidente, você teve que parar aquele momento pra organizar tudo que aconteceu. Então, você parou a sua obra por alguns momentos. Mesmo que seja um acidente pequeno, aquilo vai refletir. Você tem a equipe que ficou impactada com aquilo. Então, quando você fala de um acidente maior, como é que você faz a sua equipe voltar a trabalhar no dia seguinte?
Você para outras áreas, né?
É. Como é que você consegue pôr aquela equipe pra trabalhar na área que um funcionário se machucou de uma maneira grave, né? Aí você tem esse funcionário que vai ficar fora da obra. por um período que você não sabe, às vezes, quanto tempo é. Às vezes, uma coisa muito simples, ah, martelei meu dedo e quebrei o dedo. Aí você fala, ah, com quinze dias ele tá de volta. Às vezes, não. Às vezes, dura um mês. Às vezes, dois, dependendo do funcionário. E aí você não vai colocar alguém ali porque ele vai voltar. Então, você ficou sem alguém, né? Aí vem o impacto na imagem da empresa também, porque é isso, as mídias estão aí pra mostrar pra todo mundo. E o que acontece com isso é, o acidente aparece, mas ninguém vem falando das causas depois, né? Então, a gente vê uma divulgação muito grande do acidente que acontece, mas ninguém explica o que aconteceu. Então, fica sempre na conta de que a empresa fez alguma coisa errada. É óbvio que tem várias variantes, mas isso aparece pra quem?
Ah, sempre pra empresa, né? Principalmente essa parte de, falando de exposição, né, denúncias, que vem acontecendo muito nas redes sociais, né? É nítido, né, a pegada e a forma que isso vem se tornando, né? As pessoas vêm tornando isso, literalmente, como denúncias, né? Olha, essa empresa não pensa no funcionário, ela não pensa na qualidade de vida dele, ela não pensa na qualidade da trajetória dele, ele não pensa na pessoa. Enfim, dentre isso, várias outras coisas. E, às vezes, até se torna complicado, né? Depois de... Como é que você traz confiança para os funcionários que estão ali, né? Ou como é que você traz a confiança para aquela empresa, né?
Sim.
Então, é muito difícil essa parte de quebra de confiança, né? E até de... Como é que você faz um planejamento de crise, né? Aquilo se torna um planejamento de crise, né?
Eu queria pegar um ponto que você está falando nessa questão das mídias. Como que vocês trabalham isso? E depois eu queria aqui emendar, a gente conversou sobre duas experiências que você trabalhou. Em uma obra você tinha um caso que vocês eram extremamente preocupados com a questão segurança e em uma outra não era tanto e aconteceu um acidente, né? Então, eu queria que vocês falassem um pouquinho sobre, né, principalmente essa questão das mídias, porque acontece uma coisa, o funcionário tá ali com o celular, ele já grava tudo, ele não sabe o que que ele tá fazendo, porque muitas vezes você pode quebrar uma empresa, né, e às vezes, enfim, queria que você falasse um pouquinho.
A gente não consegue evitar isso mais hoje, né? Então, assim, às vezes o funcionário grava, isso vai parar nas redes sociais e, por exemplo, a família do funcionário não sabe o que aconteceu. Porque você leva o funcionário para o hospital, até você entender o que aconteceu para você comunicar a família. Então tem essa questão primeiro que eu acho que é extremamente importante, mas isso se divulga muito rapidamente. Manda para um amigo aqui, manda para outro amigo ali, daqui a pouco está todo mundo sabendo. Você tem os grupos que ali a divulgação é muito rápida, né?
E não só as pessoas dentro da obra, né? A gente tá falando do entorno, né? Às vezes, um transeúnte passou ali, visualizou, as pessoas da casa em volta viram o acidente e gravaram sem querer. Então, se perde muito mais do que você só conseguir controlar o seu interno, né? O externo tá todo mundo com o celular na mão, né?
Você tem hoje também a questão dos drones.
Dos drones.
Hoje, por exemplo, eu tava numa empresa, eu vi uma imagem na TV, eu falei, nossa, essa imagem não poderia estar aqui. Não, como assim? Ah, porque eu sou responsável pela comunicação dessa, enfim, dessa construtora e tal. Não, não pode ir daqui. Não, é porque foi um cara de um drone que me ligou aqui e me vendeu essa imagem. Falei, cara, não pode tirar daqui, pelo amor de Deus.
Ele não pode estar no seu rumo. Tanto para o bem quanto para o mal. A gente, hoje, na obra que eu estou, a gente usa drone. pra fazer filmagens da evolução da obra, que é muito bacana, traz imagens muito boas, mas pode vir por mal também.
Então, mas aí você tem todo, por exemplo, você tem todo um processo de documentação, porque pra um drone estar ali sobrevoando, você tem que ter, enfim, licença da ANATEL, tem que ter certificação do profissional que tá operando, porque se esse drone cai em alguém, você tem ali toda a documentação, tem todo o registro e você tem a quem recorrer.
É isso aí.
Agora, imagina, uma empresa pega uma imagem ali e usa. Será que é inocência? Porque deixou... De repente, sei lá, mandar um e-mail ali pra comunicação da empresa. Ó, eu tenho tal imagem, posso utilizar? Porque tem a questão de segurança também, né? Às vezes você publica uma imagem e a pessoa está, de repente, sem um EPI que ele deveria estar.
Tem que fazer toda essa avaliação antes, né? Eu acho que quando a gente está em empresas maiores, que você tem uma área de comunicação, a gente acaba sendo instruído muito a isso, né? Ah, teve um acidente, teve um problema com a comunidade. Demanda tudo isso para a área de comunicação da empresa, para que a gente não corra o risco de dizer algo que não deveria ser dito, né? Agora, quando você pega empresas menores, essa área não existe. Então, vai falar, né, o que pensa ali e às vezes vai falar o que não devia, né. Depois não dá pra mais voltar atrás, né, porque já se espalhou.
Não, e nessa questão de comunicação, né, que a gente tava falando das mídias, existe um treinamento, né, dentro da, geralmente dentro da construtora, pra falar sobre essa questão de imagem, o que pode, o.
Que não pode, Hoje em dia tá muito difícil, né? Tudo vai pro TikTok. Então, é fato, você vê quantos funcionários ali que às vezes você vê e aí você olha alguma coisa e fala assim, caramba, mas da onde a gente saiu isso aqui? Ah, tá lá. Aconteceu, às vezes, um acidente com dano material e daqui a pouco tá lá o funcionário e às vezes tirando um... tirando saldo, o que aconteceu, ó, meu dia a dia, sabe, alguma coisa desse tipo, você fala, meu Deus, né? E esse controle não dá pra ter.
Não, e muitas vezes você, ele tá expondo ali.
Você não consegue, né?
O colega do lado, porque você tá com a câmera aqui, peraí, o que que tá no meu entorno?
A imagem, né, do outro e não tem essa preocupação. Quando a gente fala da empresa como um todo, a gente faz essa conscientização do funcionário, ó. Se eu tiver algum problema, quem só pode falar em nome da empresa é a área da comunicação. A gente não pode dar nenhuma entrevista. Ah, veio um morador aqui reclamar? A gente tem uma área na obra que vai receber essa reclamação do morador. Então, a gente coloca, mas essa questão da mídia ali, você não tem o que fazer. Ele vai pôr e você vai... O que que a gente vai colocar? Vai colocar uma proibição de uso de celular, por exemplo? Hoje em dia não cabe mais, né? É muito difícil fazer isso porque é.
Um meio de comunicação. É isso que eu ia falar. O telefone, além dessa parte de exposição, de poder gerar, acabou se tornando a melhor comunicação que você tem, né? É uma comunicação rápida, fácil pra tomada de decisões, pra até verificações. Então, o tempo que eu trabalhei numa obra super bacana, que, inclusive, era isso que a gente estava conversando, que teve um desempenho ótimo, que foi uma gestão e realmente uma preocupação imensa com a segurança do trabalho. A gente desenvolveu vários projetos sociais. Então, para as pessoas que estavam lá...
Inclusive, você pode citar, tá? O positivo pode citar o nome da obra, tá?
Eu trabalhei, participei de uma obra que se chama Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein. Agora ele é ali na frente do hospital, no Morumbi. E aquela obra, eu realmente tirei uma admiração surpreendente com as pessoas. E a forma que... Que a gente fala sempre do lado negativo, né? É muito fácil a gente falar do lado negativo. Mas era surreal ver como as pessoas, com todas essas ferramentas que você falou, com toda essa prática, as pessoas começaram não só a levar pro pessoal no sentido de, ah, tô levando pro meu doméstico, eu tô levando... Mas aquilo foi escalando pra uma parte social. Então, se tornou uma preocupação com o desenvolvimento daquelas pessoas. se transformou em campanhas que a gente tava falando pra aquelas pessoas de Natal, a gente tava falando de, ah, não, vamos melhorar aquilo, como a gente pode fazer, é o aniversário de uma pessoa, ah, aquela pessoa perdeu aquilo, como a gente pode fazer, e gerou um senso de comunidade incrível, né, que é uma parte de social que é tão importante que às vezes se perde, né, e é muito difícil, né, e eu acho que às vezes é muito difícil até de a gente ver mulheres conseguindo estar nessa posição. E no caso, enfim, no caso lá a gente tinha uma engenharia de segurança incrível, Que assim, e você olhava até, as pessoas vinham com admiração. Que depois de um tempo, depois de tanta relutância, aquilo se torna uma coisa tão familiar. E eles falam, não, eu tô entendendo que isso não é só pra mim, né? Tô entendendo que é pras outras pessoas, né? E eu acho que essa ferramenta é surreal, né? Porque você tá lutando pra aquela pessoa não só sair daquela posição, né? Não, ela vai deixar de ser contramestre, vai virar mestre, vai não sei o que. É muito legal, porque eu vi, e se acabei não vivendo, mas tem esse processo até na parte educacional, né? Então, a gente fala de segurança do trabalho físico, né? De a pessoa não machucar a mão, mas é um desenvolvimento que eu vi, assim, obviamente, que ainda é um pouco difícil, né? Porque eu vejo que tem muita relutância nessa parte mental ainda, de pensar não só em doenças mentais ou desgaste, eu entender essa parte, né? Que ainda é um tabu, é um grande tabu. não só na Constituição Civil, vale destacar, mas em tudo, né? Mas, assim, das pessoas realmente conseguirem desenvolver aquilo, né? Então, ela falou, poxa, você precisa, pra você sair, pra você entrar num técnico, você precisa aprender informático? Não, vamos desenvolver aqui na obra, tal. Isso eu acabei não vivendo, mas eu vi em vários outros lugares, e era uma coisa assim que... Que dá um respiro, assim, né? Você vê, assim, poxa, a gente tá mitigando as situações, os problemas. Isso não é só bom para a empresa, mas para aquelas pessoas. E começar a obra e terminar a obra nisso era muito legal. E até o respeito que as pessoas geram para as pessoas, segurando os trabalhos. Então aquilo era, enfim, surreal. E ver mulheres nessa posição é uma coisa de tirar o chapéu. Porque eu via os trampos e barrancos que aconteciam, de você literalmente ter que falar, cara, eu entendo a sua opinião, entendo que você pode entender que 30 anos de carreira é sua proteção mágica, mas não funciona assim. Então é uma situação muito louca. Em contrapartida, apesar... Apesar de toda essa parte de pessoas incapacitadas, de pessoas super qualificadas na obra e preocupações, às vezes acontecem uns riscos não só por essa parte das pessoas que estão lá, acaba se tornando uma tomada de decisão externa, de não, segue a obra e acontece um acidente.
Que eu tenho um prazo, que o meu cliente tá ali me cobrando.
E é isso que eu ia falar, esse é outro ponto negativo. E às vezes afeta a comunidade em volta e é uma loucura, né? Então, ou até mesmo, isso é uma coisa que é muito comum você escutar, né? As pessoas falando, ah, não, esse equipamento, esse EPC é muito caro. Vê outro. Ah, não. Não vai ter vistoria, não. Não precisa. Reutiliza. Não, mas tá furado. Precisa de uma comunicação visual, precisa de uma comunicação física. Às vezes barreiras, né? Literalmente, para as pessoas não se machucarem. E, ah, não. Vamos, vamos, vamos achar outra. Isso não. Então, eu queria muito perguntar nessa área de como você se sentiu em toda a sua trajetória, assim, nessa parte de se provar, não só a mulher, mas nessa área de falar, olha, o que eu tô falando é isso. Ponto. Acabou. Senão, a gente tá falando de punições. Porque não é uma punição porque você discordou comigo, mas é uma punição porque você tá pondo você em risco e todas as pessoas em volta. Então, como é que foi pra você nesse papel e também nesse papel administrativo, né? De gerencial, de falar, não, vai ser esse EPC porque a gente tá falando do coletivo. Aquele outro não funciona, a gente tá falando de um custo. De novo, a gente volta pra esse ponto, né? De, infelizmente, falar de pessoas versus custos. E é uma coisa que não é mensurável, né? A gente tá falando de uma vida contra um dinheiro. Não é uma coisa que se mensura, né? Então, como foi pra você nessas duas trajetórias, assim, até passando por, não sei se aconteceu, por alguns acidentes ou por nenhum, como foi ter essa desquerpança entre obras, assim, que você falou, poxa, aconteceram coisas incríveis, foi lindo, e as outras você falou, puta, deu, acabou dando tudo fora do controle, né?
Eu acho que, assim, eu tive vários anjos na minha vida com relação a isso. Então, a minha primeira obra como engenheira de segurança era uma obra muito grande. Eu era extremamente inexperiente. Tava com uma equipe que tinha muita experiência tanto da parte de produção quanto da minha equipe também. Então, isso é muito difícil, né? Então, você tá liderando uma equipe que, às vezes, tem mais experiência do que você. Então, eu tive uma pessoa que me ajudou muito e que me carregava ali junto. Vou te levar ali e vou te explicar, mas quem tem que falar é você, porque você é engenheira de segurança da obra, eu vou te ensinar, mas você vai colocar essa posição para eles, porque quem está gerenciando a gente aqui é você. Então, a gente vai aprendendo e eu acho que a gente vai desenvolvendo. Então, no começo era muito difícil. Eu lembro que fazer um DDS era uma coisa que eu gaguejava, O que.
É o DDS pra quem não entende?
O DDS é um diálogo diário de segurança que a gente faz nas obras todos os dias, no inicio do trabalho, em que a gente fala sobre segurança, é um bate-papo bem rápido, 5, 10 minutos ali, mas que a gente tenta focar nesse assunto. Então, fazer um DDS, eu gaguejava, às vezes era aqueles, tipo, 200, 300, 400 pessoas, Meu Deus, o que que eu vou falar? Tinha que estudar um dia antes, procurava um assunto, às vezes levava uma colinha, mas isso vai virando natural, né? Então a gente vai aprendendo. E a gente vai aprendendo a como se posicionar. Qual é o lado que funciona, né? Eu focar no que vai trazer de malefício pra empresa no geral, né? O que que, se eu não investir na segurança, se eu não usar um EPC adequado, o que que eu vou provocar? É a gente mostrar o lado ruim. Infelizmente hoje a gente ainda tem que levar por esse lado. Com relação à parte mulher, eu falo que a gente tem que sempre fazer mais. Então, a gente tem que estudar mais, para a gente mostrar mais conhecimento. A gente está sempre tomando cuidado com a postura que a gente tem na obra, para ninguém dizer que você não tem uma postura adequada para aquilo. Até porque, qual é a postura adequada? Então, a gente vai sempre tendo que fazer mais, né? A gente tem que tomar cuidado, porque se a mulher é a que fala muito palavrão, nossa, mas uma mulher falando palavrão, enquanto todo o resto tá ali falando, né? Se é uma mulher que não fala, pô, mas ela fala tão baixinho que ninguém ouve direito e como é que a gente consegue respeitar?
Ela não se posiciona ou nunca tem a ponderação correta, né?
Nunca.
Ou é de mais ou é de menos.
Então, a gente vai aprendendo. Eu acho que eu fui ao longo desse tempo de carreira entendendo que a briga, ela precisa existir nos casos mais extremos. Então, no começo você acha que por tudo você vai brigar e vai resolver. E não é assim que funciona. Então, hoje eu entendo que eu tenho que brigar, ir lá e discutir de verdade quando realmente é uma coisa maior. Quando é menor eu vou conversar, eu vou expor, eu vou falar e a gente vai se entender de uma outra maneira. Mas em alguns casos extremos é preciso a gente ir lá e falar, ó, eu estou aqui e não vai acontecer porque eu estou dizendo que não vai e eu estou aqui para isso. Eu sou a responsável pela área. Eu fui escolhida pela empresa pra garantir que as pessoas estejam aqui em segurança, em que a gente não tenha nenhum tipo de acidente mais grave, em que as pessoas cheguem aqui e voltem pra casa da mesma maneira. Então, ninguém vai fazer enquanto eu estiver aqui. E se precisar, a gente se planta ali, já fiz isso algumas vezes, e você fica ali esperando até alguém tomar uma atitude que vai mudar.
Ninguém vai passar por cima de mim aqui. Eu posso só te perguntar, aproveitando, nessa questão, né, desses desafios que você encontra de resistência, não só pelo fato de você ser mulher, que isso de fato acontece, eu sei, como que você vê a questão também da formação, né, do dia a dia? dessas pessoas, porque eu vejo que tem muito jovem hoje nos canteiros de obra, né? E eu já percebi também que muitos deles defendem, muitas vezes, quando uma técnica de segurança tá numa situação, eu já vi muitos defenderem essa técnica, né? Como que você enxerga esse processo de formação, né? Porque muitas vezes, se você não tem um bom comportamento, na sua casa você acaba trazendo isso para um canteiro.
Eu acho que a gente vem num processo de mudança mesmo na comunidade com relação a isso. Por isso que a gente enxerga mais isso nos mais jovens, dessa coisa de... Porque estou vendo uma técnica de segurança passando por uma exposição, vou ali e vou colaborar com ela. A gente vem num processo de desconstrução disso tudo. Conseguir trazer isso para os mais velhos é mais difícil, porque tudo isso era muito comum A gente não falava que isso era um preconceito.
É a mulher que serve o prato dele.
Exato. Então, isso era mais difícil, né? Então, essa desconstrução deles ainda é mais difícil. Então, ter isso do jovem hoje é mais fácil. E, assim, a gente tem os jovens... Pra quem não estudou, pra quem não conseguiu ter um estudo, como é que ele consegue entrar no mercado de trabalho? Às vezes, como um ajudante de obra. É uma entrada no mercado mais fácil. Então, ele vai para aquilo, mas, às vezes, ele não conhece nada de obra. Ele não sabe nem como começar. Então, a gente precisa incentivar, é, mais uma vez, a conscientização. Essa questão, acho que, dos assédios morais, sexuais e o tratamento igualitário para todo mundo vem sendo muito trabalhado pelas empresas hoje, né? Inclusive na construção civil. Então, isso vem facilitado bastante o trabalho da gente.
E você falou uma coisa muito clara, né? Porque a gente tá falando só de um recorte de gênero, né? A gente tá falando, e a gente não tá falando de toda a parte social, da parte de raça, da parte das sexualidades, que ainda é uma coisa muito questionada. E é uma coisa que aparece muito na construção civil. Então, tanto como pejorativo, ou até como uma forma de questionar, Então é muito, muito louco isso tudo acontecer ainda. E eu acho que ainda, falando de outra geração, falando de fora, é uma coisa ainda que a gente se assusta entrando no mercado de trabalho. E até de as pessoas falar, eu não quero mais isso, questionar, porque isso é meu moral, eu não abro mão. Isso é uma coisa horrível, porque a gente tá falando de umas proporções de mulheres na construção civil assustadoras, né? A gente não chegou nem próximo de pé de igualdade de 50% e 50%, né? E todas essas situações que acontecem por N fatores de questionamentos, né? e acaba se tornando só mais um impasse para toda situação acontecer. Então, é uma atitude, sim, cansativa, mas até um pouco política de ter que se posicionar falando, não, a gente está aqui trabalhando junto, você está igual a mim, a gente está aqui junto e a gente deve ter que conversar. Não gostou, infelizmente, sou eu que vou estar aqui.
Um caso bem simples é obras, por exemplo, que a gente executa na rua. Chega uma mulher... Ah, onde eu posso ir no banheiro? Não tem um banheiro feminino?
E aí?
Por que que não tem um banheiro feminino?
Porque a capacidade dos vestiários também não é proporcional. Quem são as pessoas que estão na obra do feminino?
Isso é uma É assim, eu não pensei naquilo, né? Eu tenho uma maioria de homens. A mulher vai vir aqui quantas vezes? coisa... Por obra. Quantas mulheres vão passar por aqui? Mas às vezes você tem uma engenheira na obra, né? Às vezes a parte de mão de obra de execução é mais difícil hoje ainda, né? Mas engenheira a gente tem bastante em obra. E aí? Como é que ela vai no banheiro se ela precisar? Então, a gente vem trabalhando muito isso também, né? Da gente ter um banheiro pra mulher, mas ter um banheiro na mesma condição que eu tenho pro homem. Então, eu vou lá e construo, às vezes, um vestiário, um banheiro masculino ali de alvinari, não sei o que, aí chega a mulher e eu vou por um banheiro químico. Por que pra mulher é um banheiro químico?
É quase um arranjado, e não é assim que funciona pra ter um pé de igualdade, né?
Exato, a gente precisa pensar igual, né?
Eu não tinha... Nossa, eu nunca tinha pensado nisso. E eu já... Como eu vou, né? Às vezes, eu levo mulheres comigo pra alguma gravação, alguma situação, e eu já me deparei e falei, meu, a gente tem que sair, muitas vezes, do canteiro pra ir usar algum... Enfim, um restaurante, um bar. E nem sempre tem, né? Certo.
Sim, dependendo da obra.
É, falando da localidade, às vezes é uma coisa inviável, né? Você tá fazendo uma árvore de infraestrutura, o lá é uma árvore. É tipo isso. É isso. Então, é bizarro como isso ainda é visto como um arranjo, né?
Faz um puxadinho ali e tá tudo certo pra ela.
Por a proporção ser muito baixa, ainda se torna uma coisa de arranjo. Mas falando até de proporção, você vê uma evolução, desde o começo da sua profissão, você vê uma evolução feminina no mercado, você vem sentindo uma mudança? Porque eu vim olhando umas entrevistas, eu vim olhando umas reportagens, até de uma engenheira super bacana que chama Erika Matsumoto, ela tava fazendo uma entrevista pra Forbes, E ela falou, nossa, em determinado momento eu me vi como a única mulher naquele canteiro, e olhei assim, completamente pasma, né, de assim, ok, estamos falando de 2022, tive o prazer de conviver com mulheres incríveis no canteiro, em muitas situações, mulheres de qualquer situação, tanto na parte hierárquica, enfim. E eu já cheguei a pensar e falei, como seria ser um ambiente que é simplesmente só você mulher, né? Você vem sentindo isso, você vem sentindo mais acolhida também? Como vem essa parte de você estar segurando o trabalho que, às vezes, eu vejo muito dominado por homens, né?
Acho que a proporção é muito menor de homens e mulheres, com certeza. Quando você pega, por exemplo, numa posição de liderança, é menor ainda. Às vezes, você vai para uma reunião em que vai discutir vários assuntos na área de liderança e está lá, só você. Então, a gente precisa trabalhar aquilo de que, ah, não é porque eu sou mulher que eu tenho menos valor. A minha opinião vale tanto quanto a sua. Eu acho que a gente teve, sim, uma evolução, mas a gente precisa evoluir muito ainda, né? A gente precisa conseguir fazer com que a mulher se sinta bem naquele ambiente. Porque a gente sabe que tem muitas mulheres que não vão pra essa área, pelo medo de como vai ser aquele acolhimento, de o que ela vai passar no meio de tantos homens. Você pega a parte operacional. Quantas mulheres a gente tem na área operacional? Menos ainda do que o que a gente tem na área da engenharia. Por quê? Porque a gente não tem capacidade? Com certeza não. Mas porque eu acho que elas não se sentem acolhidas naquilo. Não consegue se inserir naquele ambiente porque...
A parte de acolhimento é muito fundamental para se abrir espaço para essas pessoas dentro.
Se você pegar esse ponto mesmo do banheiro, que é um investimento pequeno. Então, imagina isso em uma escala maior. Como essas mulheres se sentem.
Porque aí você pega, por exemplo, numa obra, você vai ter um vestiário para as pessoas chegarem de manhã, se trocarem e tal. Aí você tem cem homens e uma mulher. Pô, eu vou ter que fazer um vestiário exclusivo para essa mulher, né? Vai me gerar um custo também. Então, começa nesse discurso, né? Que não não leva a nada e que não vale mais hoje nos dias, né? Então, ah, beleza, eu vou ter uma mulher porque hoje é o que eu tenho na minha obra, tá bom, eu vou ter um vestiário pra ela. Não é isso que a gente precisa ter? A gente não precisa ter um local ali separado? Eu vou construir um vestiário exclusivo pra ela.
Também, mulheres visitam obras, né?
Sim, mulheres visitam obras.
Eu vou muito em obras, eu faço, assim, é uma coisa minha, né? Se você me ver um dia, sei lá, indo numa reunião ou indo numa obra, geralmente vai ter uma mulher, né? E eu passei por isso já várias vezes, é extremamente chato eu ter que falar isso aqui, mas, enfim, eu não tinha, nunca tinha passado pela minha cabeça. Porque não tem um banheiro feminino numa obra.
É, e não só um banheiro. É isso que eu ia falar. A gente começa por só um banheiro feminino.
Uma coisa simples.
E vai, assim, a escalas gigantescas, né? Eu acho que... E, não sei, é isso que a gente tava falando. Isso não cabe mais no dia de hoje, mas torna frustrante de ter que ainda lutar por isso, né? É até... Ainda tem muito que lutar.
Mas você percebe que, às vezes, isso não é nem muito culpa do gestor, assim? Porque será que isso é passado? Porque às vezes a pessoa tá preocupada com tanta coisa Ah, isso foi um ponto que ele, de repente, não chegou para ele e acabou não sendo feito ali naquele canteiro. Você percebe que precisa, de fato, criar um movimento? Estou chamando a atenção para esse ponto?
Eu acho que precisa. Eu acho que não é porque... É porque realmente não consigo entender a importância daquilo, porque ele sabe que a mulher está ali. Então, por que eu preciso pensar no banheiro pro homem, mas eu não preciso pensar pra mulher?
Por que eu preciso de uma estrutura? Por que você é questionado em questão de valor, né? Então, por que eu vou ter que ter mais um investimento pra isso? Entende? Tipo assim, a gente pode não estar falando da índole da pessoa ou até de, nossa, está sendo misógino. Não, mas até de você normalizar que, nossa, esse ambiente vai ter mulheres ali, sabe? Esse ambiente precisa ter mulheres ali. E até mesmo, a gente falou tanto de campanhas, será que tem uma campanha naquela empresa de, não, vem trabalhar aqui, a gente precisa de mais mulheres. Eu quero abrir vagas na diretoria, eu quero abrir na gerência, enfim, que seja, qualquer espaço, mas eu preciso de mulheres. E não só mulheres, né? De novo, a gente tá falando... Eu preciso de mulheres de todos os tipos. Eu preciso que seja um ambiente... Porque a gente tá falando de obra. A obra é um lugar muito difícil de ser um lugar acessível. É. Então, a gente tá pensando nessas mulheres também. A gente tá pensando em que tipo de mulher que eu quero que tenha relato, sabe? Então, eu acho que é isso, sabe? Pode não ser intencional, mas se tornou literalmente social. a ponto de não se tornar questionável, às vezes, por valor, né? Porque, normalmente, a gente tá falando do banheiro químico, sabe?
Mas é por isso que eu tô chamando atenção, porque, assim, eu nunca tinha pensado nisso.
Às vezes não é proposital. Eu acho que, na maioria, não é.
Não é, mas é assim, se tornou tão inrealizado que não se torna questionável. Por isso que a gente tá falando de, tipo, Nossa, as pessoas não têm políticas nem pra entrar mulheres na empresa, pra fazer proporcional nas empresas, grandes empresas tomando atitude de falando, não, eu quero que seja a minha diretoria forrada de mulheres, eu quero que seja um pé de igualdade, eu quero que esteja no canteiro, eu quero funcionar isso, eu quero que tenha mulheres ali de liderança a ponto de se tornar reconhecível, mas não reconhecível só pra mim que tá entrando no mercado de trabalho e falar Caramba, essa empresa tá pensando em mim. Ela tá pensando em ter mulheres ali pra poder ter na frente.
Ou não pra fazer marketing.
Isso que é o Porque pior.
Aí não adianta, né?
Porque é aquela coisa de, nossa, essa mulher é incrível, ela tá aqui, ela é CEO, ela não sei o que, nananã. Aí, quantos CEOs tem? 50. Ela é o que? Uma. É.
Ou fala tudo isso na frente das câmeras, né? E aí, quando vira, Tudo mudou.
Exatamente. E pior do que até o tudo mudou, às vezes a gente tá pondo uma vaga pra quantas mulheres se debaterem e terem que lutar e terem que ter uma rixa e ter qualquer coisa, uma situação horrível pra ter uma vaga.
Sim.
Sabe? Então a gente tá gerando, a gente tá falando uma vaga, mas eu tô gerando uma intriga imensa pra aquela uma vaga. Sendo que, de novo, proporções.
De mais uma vez, rivalizar as mulheres.
E você não se reconhecer. Por isso que eu falei tanto de como você se sentiu nessa posição. Porque assim que eu entrei na obra, de novo, cercada de pessoas incríveis que me formaram como profissionais, que literalmente falaram e falaram, vou instruir você e a gente vai estar aqui de mentoria juntos, vamos lidar trampos e barrancos, né? Mas era, assim, de você olhar e segmentar, falar, nossa, essa área de produção, meu Deus, tem uma mulher? Não, a área de mulheres, a área de projetos temos mais mulheres, mais confortável, mas por que que no planejamento não é meio a meio? Então, é muito questionável de você falar por que que tá aceitável ter um grupo inteiro, ou quase inteiro, de mulheres numa área de projetos, mas não é tão bem quisto, ou não é tão influenciado, ou não é tão desejado, não é racionalizado, pra ter mulheres nessa parte de produção, sabe? Então, é até... Por isso que eu puxo tanto pra essa de sentir, né? Então, é muito difícil você se sentir, às vezes, confortável numa obra, porque, de novo, é uma proporção de 500 pessoas, 1000 pessoas, E é você lá, o Alíquim Dourado, andando numa obra que você não se reconhece.
O diferente. Eu ia falar isso é o diferente.
É diferente, né? Parece que tá todo mundo de colete amarelo e você é o laranja, entendeu?
Você fica marcado, né? Porque, assim, a mulher lá não só tem ela, só tem uma ou duas ali. É, de fato, é o diferente.
É o diferente. E, de novo, traz o questionamento, mas também é o de você não se sentir ali, você não tá representado. Então, não é uma coisa de pé ali, sabe? Por isso que eu questionei tanto, eu falei, poxa, se eu acho isso agora, poxa, antigamente era uma coisa assim que.
Não... Nunca foi fácil, com certeza.
Não é fácil, sabe? Então, é um... Ah, é aquela coisa, espero que o futuro seja melhor. Mas...
Esperamos que seja diferente. Eu acho que não é fácil, não. A gente vai se posicionando e eu acho que conforme você vai ganhando experiência, isso fica mais fácil, né? De você conseguir mostrar que você não tá ali simplesmente por estar, né? Mas quando a gente tá começando, isso é muito difícil e eu acho que você deve ter passado por situações dessas, né?
Nossa, era... era até... era esquisito, né? Você... E frustrante, né? Porque você cresce naquela... Eu, pessoalmente, cresci naquela bolha de, não, se posicione, mulher, não sei o quê. Super incentivada pela família, por tudo, de você consegue, vai fundo, é isso. Aí você chega no mercado de trabalho e fala, princesa, calma.
É bem assim.
É bem assim. Você pode... Você pode tudo na sua casa. Aqui você, no máximo, fala, sabe?
Sim.
Então... De até você aprender a ter inteligência emocional, de lidar com a situação e de não é tudo sobre você. Não é pessoal, de Marília pra Aline. Aquela situação é muito maior do que acontece, sabe? Isso foi uma coisa que eu pessoalmente tive que aprender a lidar. Quanta inteligência emocional de falar, tá bom, quer gritar? Grita, mas eu não vou gritar com você e a gente vai, em algum momento, ter que conversar. Você não quer conversar?
Não vou mudar o meu jeito de ser por causa disso, né?
Tipo assim, sim, eu tenho aqui documento provando, não sei o que, você vai dizer que não? Então, por que que você assinou? Você não quer falar comigo? Então, fala com... Vou falar eu, você, meu gestor e seu gestor. Então pronto, a gente precisa de mais pessoas, mas eu vou continuar aqui, porque eu não vou sair daqui, sabe? Então, óbvio que já passei por situações de chorar, é claro, porque o clássico...
Acontece, até porque a gente tem uma parte emocional que é muito mais frágil, isso é real.
De chorar, de ir chorando aos prantos. Eu tinha uma chefe incrível, que chama Carolina, aí eu falei... Cara, ó, deu tudo errado, eu não consigo me posicionar, não sei o que. Mas eu fico olhando assim, é óbvio que é uma situação vulnerável, né? Estagiário sempre é uma situação vulnerável, né? Porque estagiário, em alguns momentos, as pessoas olham só como um burrinho de carga pra subir e descer, né?
Eu acho que não deveria existir esse nome, eu acho que deveria abolir esse nome estagiário.
Sim, é aquele que não sabe, né? Fica naquela coisa, ah, porque ele não sabe nada, então por que que eu tenho que ouvir, né? E não é bem assim.
Não é. E, mas é isso que eu ia falar, acabou se tornando um choque, mas ao mesmo tempo eu falei, Não, vai se tornar, sim, um ambiente que vai ser aceitável para mim. Não porque eu vou normalizar aquilo. Porque isso não só para mim como pessoa. Eu acho que até para arquitetura, a gente não pode ter a contentação. Não dá para eu levar isso como, ah, não, tudo bem, veja bem. Não, eu não posso me contentar com aquilo. O mundo inteiro está sempre mudando. A gente está falando de arquitetura, de obras. As obras vivem mudanças. Não só porque a gente quer, mas porque tem previstos, tem um entorno. E eu falava, não, se tudo muda, isso também vai mudar. Sabe?
A gente precisa acreditar nisso.
Então, assim, hoje eu vou chorar? Não, mas amanhã a gente vai bater o pé porque a gente vai resolver isso.
E assim, Marília, eu acho que a gente cresce mais nesses momentos de vulnerabilidade. Porque a gente, quando a gente tá numa zona de conforto, a gente tá ali, tá tudo bem, tá tudo tranquilo, né? O aprendizado que a gente tem nesses momentos é muito maior. É muito maior. Acho que você teve uma sorte muito grande de ter, numa primeira obra, uma equipe que te acolheu, que te tratou bem, que quis te ensinar o que estava acontecendo. E vai acontecer alguns casos em que, infelizmente, isso não vai ser uma realidade. Mas vai ser um momento em que você vai falar assim, poxa, estou aqui sozinha e vou ter que aprender. E vai aprender.
E de ter trabalhado numa construtora renomada e numa obra, inclusive, muito renomada.
Sim, que ficou conhecida.
É, e por isso que eu falo tanto, a gente fala tanto dos negativos, mas o que me dá um alívio é de eu olhar pra trás e falar, não, sofri, sofri, acontece, tá todo mundo sofrendo. Mas não sou a única e eu sei que tem pessoas ali que são surreais, são pessoas que tão fazendo diferença.
Sim.
E cada um do seu jeito, né, é sempre importante isso. Porque o meu posicionamento pode ser muito diferente do da Aline, mas tá tudo bem. de, tipo, a gente começar a ter essa mudança de olhar e desenvolver as pessoas.
É o respeito, né?
É o respeito. E é o respeito, é a confiança. Então, é loucura, às vezes, isso ainda acontecer da gente estar falando de, enfim, de situações. E a gente até brincou de não deveria ter estagiário esse nome. Concordo. Mas, assim, eu acho que mais do que não deveria ter estagiário, eu devia estar olhando ali como aquela pessoa, não. você vai ser um futuro arquiteto, você pode ser meu futuro gestor. Não, vamos crescer juntos. Eu vou ensinar pra isso, sabe? Porque isso é uma outra coisa, né? De você ver pessoas se levantando, né? Então, falando da construção civil de... Não, eu vou te auxiliar, vou te instruir, não sei o quê. Mas quando a gente olha, falando do recorte feminino, né? Quem são as pessoas que vão me levar a subir? se eu olho e, às vezes, elas não existem, sabe? Por isso que a gente pergunta, assim, quem são essas gestoras, né? Quem são esses coordenadores? Porque, assim, se eu não me vejo num lugar, é muito difícil de eu estar naquele lugar. Óbvio que vão ter pessoas que vão ocupar aquilo, né?
E quem eu vou me espelhar, né?
Quem eu vou me espelhar, né? Quem vai ser aquela pessoa que vai falar, não, vai ter espaço pra você hoje, sabe? Tipo assim, eu entendo o que você tá passando, a gente vai desenvolver.
É, eu acho que no estagiário, a gente tem que entender que o estagiário tá ali pra aprender. E a gente aprender com ele, né? E a gente aprender com ele também. E faz parte de quem tá ali naquela gestão, naquela liderança, ensinar. Se você não entendeu que isso faz parte do seu dia a dia, é porque você não deveria nem estar naquele cargo de liderança. Porque você tá ali pra ensinar ele. Até pra ele ser um profissional. Eu acho que a gente tem que entender que a gente tem um mercado muito grande. Que tá ali pra atender um número de pessoas gigantescos, né? Então, não é porque eu tô ensinando hoje que aquela pessoa vai tomar o meu lugar no mercado. Não existe isso, né? A gente tem espaço pra todo mundo e a gente precisa desenvolver pessoas, né? Sempre.
E nesse caso de ensinar, né? Eu acho que se você parar pra pensar que você já viveu aquilo, né? Então, sempre que eu preciso orientar e ensinar alguém, eu sempre me volto um pouco, né? Quando eu tava naquele processo onde eu não tinha currículo.
Sim.
Né, onde eu tinha o que que eu faço pra, né, pra me afirmar aqui que eu consigo sim, né, tá nessa posição. Então, assim, eu já passei por situações, assim, várias situações que eu não quero relatar aqui no meu caso. Mas eu imagino pra vocês como deve ter sido, de fato, desafiador.
Eu acho que a gente tem que pensar no que foi difícil pra gente pra tentar facilitar pro próximo, né?
O que eu posso ajudar. Hoje é que não é regra, né? Eu nem gosto da palavra regra. Acho que você tem que ousar, tem que ter a liberdade de ousar, mas nos nossos valores, nos valores da Infinity, tá? A paciência, sim, ela tá lá no topo. Principalmente com quem tá começando.
Mais do que paciência, talvez. Eu acho que a gente, isso pode ter acontecido anos passados, a gente sabe, a gente tem a história explicando de onde veio todo esse raciocínio, tem a filosofia e tudo mais, mas eu acho que agora, a gente falando disso, a gente vai ter que aprender a lidar com a diversidade. É isso. E tem uma coisa que eu pessoalmente levo pra mim, que é a gente pode tolerar tudo menos intolerável. Menos intolerável. Então, sim, tá tudo bem se tá chateado um dia. Mas assim, uma coisa é, tá bom, vamos falar do resto. E o resto? Você vai me tratar bem só no dia que você tá feliz? Porque, ah, não, tá tudo bem se eu gritar com ela porque ela é, sei lá, minha subor de nada. É pra não ficar bem. Ou você vê que ela está na mesma situação e, tipo, sei lá, não, tudo bem. Hoje a Aline também não estava bem. Ah, não, histérica. Então, a gente não está falando de diversidade. A gente não está falando que ele está entendendo as pessoas. Na verdade, a gente está tendo uma visão péssima sobre aquilo, sabe?
Eu acho que é se pôr no lugar do outro sempre que a gente quer trabalhar muito.
Então, a empatia e principalmente ter esse momento de entender todo o contexto e toda a pluralidade que a gente tem. Afinal, a gente está falando do Brasil, né? A gente está falando de um país gigantesco. o nível e o quanto que a gente pode explorar na parte da construção civil e de infraestrutura é ginantesca, não só na nossa parte de materiais, não só na parte de exportação e importação de matéria-prima, a gente pode falar de construir, fora os grandes nomes que a gente tem por aí, né, brasileiros.
A gente tem muito pra evoluir, né?
A gente tem muito pra evoluir e às vezes é Tudo bem, vamos só dar a volta das casinhas pra trás e vamos lá. Vamos aprender com o diverso, sabe? Vamos ver isso de uma maneira positiva, né?
Não precisa ser uma evolução desenfreada, né? Pode ser um negócio mais calmo, mas que a gente tenha coisas que realmente vão ficar. que a gente vai evoluir isso e vai continuar, né?
Que se torne uma coisa que a gente veja como produtiva e não só uma coisa de, de novo, que a gente falou, né? De marketing, né?
Sim.
Que seja uma coisa de verdade, né? Então, você vai chegar em casa e, não, tratei super bem a linha em casa, ou no trabalho, mas em casa você acaba se tornando uma pessoa difícil. Então, a gente tá falando de, desculpa ser redundante, mas a gente tá falando de pessoas, né? É tudo sobre pessoas. É tudo sobre a gente desenvolver essas pessoas, não só pro mercado de trabalho que a gente vai estar convivendo, né? Mas quem vão ser essas pessoas na nossa sociedade? Essas pessoas vão estar contribuindo como na sociedade? Elas vão ajudar a gente a desenvolver e criar projetos que vão vão impactar na área pública. A gente vai fazer um prédio que é uma faculdade. Poxa, quem não são essas pessoas que vão estar estudando lá? Que incrível. Essas pessoas vão ser o quê? Elas vão desenvolver vacinas? Elas vão desenvolver o quê? Então, assim, a gente tá criando uma escala macro. Por isso que eu até brinco que eu falo que a arquitetura é um pouco romântica demais. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que sim. A gente tem que ter um olhar um pouco mais carinhoso com a situação, sabe?
Quando a gente fala de pessoa, só pra concluir, eu acho que a gente tem o lado magnífico de tudo e o mais difícil também. Porque o magnífico, porque é isso, a gente tá ali junto, a gente sozinho é tudo mais difícil, né? Então, a convivência é importante e é muito boa, mas o conviver com pessoas traz as dificuldades maiores que a gente tem no dia a dia. porque as pessoas não são iguais, porque eu preciso entender o outro, porque eu preciso respeitar. Eu falo que a escolha de cada um, eu não preciso achar que ela é a melhor, eu não preciso... A minha opinião não precisa ser igual, mas eu tenho que respeitar que o outro pensa diferente, que a vontade do outro é diferente da minha e não quer dizer nem que ele está errado ou que eu estou certa. É o que é para cada um. Então, eu acho que essa questão das pessoas é o que traz para a gente o de melhor e o de pior. ou de mais fácil e o mais difícil, né?
E a gente tem um quadro aqui que é Convidado com Vida. Acho que você deve ter ouvido ou assistido. E antes da gente encerrar, eu gostaria de te perguntar, primeiro você, pode citar duas pessoas que você admira e que você gostaria de ver aqui no podcast?
Uma pessoa que eu já até comentei, foi uma chefe minha, que é a Carolina Almeida. Ela, além de uma coordenadora incrível de projetos, é uma pessoa ótima. E tudo aquilo que a gente fala e tudo que, inclusive, tenho muito orgulho de dizer que aprendi com ela e não só com ela, com outras pessoas incríveis. Ela é uma comunicadora ótima e ela entende, ela tem uma facilidade de lidar com o diferente, ela tem uma facilidade de lidar com as pessoas. Isso é incrível.
Ela é o quê? O nome sobrenome dela?
Ela é coordenadora de projetos, Carolina Almeida. Ela é ótima. Ela é ótima.
Onde que ela trabalha hoje?
Ela trabalha na Racional Engenharia.
Racional Engenharia.
Ela é, enfim, fenomenal. E tem um portfólio ótimo. E eu acho que ela tem de mais agregar. E agora, pondo agora, falando pra uma pessoa mais júnior, eu estaria indicando a Luisa. A Luisa foi uma engenheira de meio ambiente, que trabalhou comigo também.
Inclusive, meio ambiente é uma coisa que a gente vai falar muito aqui, tá? Que é pouco falado.
Isso que eu ia falar. O que eu mais vi nela foi toda essa parte de gênero, de dificuldade, de meio ambiente e tudo mais. E ainda mais falar de um assunto que as pessoas não entendem. Ou não... Vou reformular. Talvez não seja não entendem. Ou melhor, talvez as pessoas não deem importância. É isso. É o desconhecido. É o desconhecido. Eu lembro que ela até falou que foi uma das primeiras turmas de engenharia de meio ambiente. Então eu falei, meu Deus, é literalmente você falar, não, vamos começar a levar isso a sério. E não tá sério a ponto, né, de a gente ver reuniões de política internacional, pensando de como a gente vai diminuir o ambiente. A gente tá falando de novo de certificados. E certificados, por exemplo, o LEAD não é só uma coisa linda, né? Olha, somos ótimos. Tem o seu valor, tem toda essa parte por trás. Eu acho que elas são duas pessoas fenomenais, assim, que tem muito a contribuir.
Pode, então, olha praquela câmera e você convida. As duas, você que tá encarregada de trazer essa aqui, tá?
Não me matem, sempre bom. Venham, acho que vocês vão gostar, meninas.
Não, você acha?
Ah, sempre bom, né?
Eu tenho certeza, imagina.
Com certeza.
Eu tenho certeza. Está convidado. Será que você não pede, você manda. Aline, agora pode citar duas pessoas? Não sei se você já tem na cabeça, quer pensar um pouquinho, a gente vai conversando.
Eu tenho uma pessoa já para indicar. Eu vou indicar um homem, mas uma pessoa que eu acho que tem uma visão diferente de gestão, que consegue agregar. Eu costumo dizer que ele consegue coisas grandiosas, pela maneira como ele trata a equipe dele. Todo mundo acaba se engajando no que ele propõe, às vezes por ele e não por acreditar de início que aquilo vai dar certo. É um engenheiro de segurança também, Silvio Tonietti.
Ele atua hoje onde?
Na Passarelli.
Construtora Passarelli.
Isso, uma pessoa que está sempre à disposição para ensinar, aquele que consegue juntar a equipe, que apoia, mas que também está ali para dar o puxãozinho de orelha quando precisa e para dizer, ó, aqui não está legal, aqui foi errado. Então, acho que ele tem muito para agregar aqui para a gente.
Ó, essa câmera. Fala com ele, ó. Essa câmera precisa falar direto com ele.
Silvio, vem pra cá, que eu tenho certeza que você vai se sentir muito bem e vai conseguir trazer aí temas bem importantes pra nossa área.
Não, é interessante, inclusive, não sei o que você acha, mas, de repente, eu poderia fazer esse bate-papo, porque ele fala muito de canteiro, de obra, e, de repente, eu trazer a Márcia pra fazer essa troca, porque a Márcia, ela atua...
Mostra dois lados, né?
Dois lados, inclusive, né? Ela como mulher e ele que tem essa capacidade de unir, né? Então, se você admira tanto, acredito que, de fato, ele... seja uma pessoa, um homem diferente da maioria.
Sim.
É importante ressaltar isso.
Isso. Eu acho que vai ser legal mesmo. São duas visões diferentes de segurança do trabalho, né? Que a gente que tá na Constituição, a gente tem aquela ideia de que, ai, na indústria é tudo tão fácil, né? Porque é tudo igual, é aquela linha de produção, então... Nossa, é muito mais fácil, né?
É incrível, né?
E com certeza não é, né? Eu nunca atuei na indústria. Mas, com certeza, tem lá os problemas, tem os percalços deles, né? E a gente não vê.
E a gente fala daquele ponto, né? São pessoas.
São pessoas. Cada um tem suas dificuldades, né? E pra uns é maior, pra outro não.
Enfim, tem alguma coisa que vocês gostariam de falar antes? A gente nem viu passar o tempo, já passamos de uma hora. Tem alguma coisa que vocês gostariam de falar antes de dar o recado final?
Eu só queria dizer o seguinte, que para as mulheres que estão ouvindo e vendo a gente, que não é fácil para a mulher estar ali, mas que é uma área apaixonante a construção civil. Então, Não desacreditem de vocês, lutem, façam por merecer, mesmo com as dificuldades. Um dia vamos ser extremamente valorizados nessa área, acredito nisso. E vamos mostrar tudo o que podemos contribuir, o que podemos colaborar para que essa área se torne ainda melhor todos os dias.
E eu fico na torcida ali, né? Bom, você sabe que eu sou entusiasta, eu torço muito aí que a gente chegue nesse tão sonhado 50-50, nesse equilíbrio. E você, Marília?
Eu acho que eu vou... Você fez um recado pra gestão, a geração de baixo, né? Eu acho que eu vou fazer um oposto pra complementar, né? Eu acho que não só agradecer, mas incentivar as pessoas que estão ali na parte de gestão, de gerência. É sempre muito confortável e muito bom, né, a gente tá falando de ver que tem mais pessoas preocupadas com o outro na liderança e de entender, realmente estar aberto a entender. Entenda essas dificuldades, entenda essa diversidade, entenda o quanto que isso tá acontecendo, né, estejam abertas a gerir pessoas. É verdade. Estejam abertos a entender isso, que eu tenho certeza que vai se tornar tudo um pouco mais fácil. As dificuldades vão continuar a estar ali, vão estar tudo ali, mas eu tenho certeza que vai se tornar tudo mais confortável e talvez até um pouco mais contraída, a ponto de você ter uma confiança, até o ponto de você e pro pessoal, porque você tá admirando aquela pessoa também, não só profissionalmente, né.
Mais fácil de resolver problemas, né.
Mais fácil de resolver problemas. Então, eu acho que é sempre isso. Tem pessoas fazendo isso já. Inclusive, falamos de tantas, né. Enfim, eu acho que a gente tem que olhar de novo o lado bom. Mas, é isso. Pros outros, deem esse voto de confiança, né. Estejam abertos. Escutem, estudem, porque a gente precisa, né. Sempre bom a gente estar aberto a estudar as coisas que a gente não conhece. E eu acho que vai tudo melhorar.
Né? E editamos.
E é sobre tudo isso. Então, hoje, de fato, eu me sinto mais uma vez muito grato pelo papo que tivemos aqui. Aproveitar e pedir para que vocês compartilhem com o máximo de pessoas, porque acho que não é todo mundo que tem a sorte de ouvir pessoas tão incríveis como a Aline e a Marília. Então, nos vemos no próximo encontro. Inclusive, o nosso próximo encontro ainda é sobre a série Mulheres que Constroem.
Tchau!
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