Neurociência Aplicada à Arquitetura | Podcast da Construção | Biofilia na Arquitetura

Podcast interview (Paulo host) with architect Amanda Siqueira about neuroscience applied to architecture and biofilic design. Amanda describes her career (graduated 2009; ~17 years experience; 16 years at Itaú; left in 2022), training (neuroarchitecture study ~3 years; NeuroArq / ENFA), and how personal experience (neonatal ICU) motivated her focus. She explains methods (design based on evidence, an IAPA/self-perception scale, workplace monitoring with New Worker devices) and lists seven environmental variables architects use: sounds (acoustics), colors, forms, lighting, aromas, personalization, and biofilia. She gives case studies (Itaú Jabaquara biofilic retrofit; workplace monitoring revealing underused focus rooms) and accessibility/inclusion data cited in the episode: ~1 billion people worldwide with disability; 46 million in Brazil; 6.6% of those reach higher education. Practical recommendations include circadian lighting, ergonomic furniture, zoned quiet spaces for neurodivergent people, and incremental change. Amanda also accepts an invitation to speak at Modern Construction Show (Oct 1–3, at Novo Distrito A&B).
Questions this video answers
2009
16 years
2022
About three years
Sounds (acoustics), colors, forms, lighting, aromas, personalization, biofilia
Chapters
Constra e creche, arquitetura, engenharia e construção.
Neurociência aplicada na arquitetura é o tema do episódio de hoje. Sejam bem-vindos a Estanuar, mais um episódio do Constricast. Amanda Siqueira é nossa convidada. Eu vou pedir para que ela se apresente para vocês entenderem um pouquinho desse tema que eu reputo. Eu, Paulo, vou aprender muito. Amanda, seja bem-vinda ao nosso podcast.
Obrigada, Paulo. Obrigada pela oportunidade. Eu sou a Amanda, sou arquiteta, tenho 17 anos em experiências em projetos. Tenho uma formação continuada pela NeuroArqueAcademy, sou especialista em neurociência aplicada à arquitetura. Hoje sou embaixadora da academia e consultora. Um prazer estar aqui.
Você sabe que as pessoas, geralmente quando elas vão assistir ou ouvir o episódio completo, elas têm muita curiosidade para saber como que as pessoas iniciam uma trajetória. E é notório que você tem uma trajetória de muito sucesso. E para a gente chegar em algum lugar, tem muito trabalho, tem toda uma história por trás. Eu queria que você falasse de forma resumida como que você chegou nesse ponto atual, né? Onde você se encontra hoje. Eu sei que você passou por bancos, enfim. E como a gente vai falar de um tema tão desafiador, a gente vai falar de comportamento, como a neurociência se aplica na arquitetura e como isso reflete ali no dia a dia, principalmente dentro das empresas, enfim. Então, o que que te levou aí pro mercado de arquitetura até chegar onde você se encontra hoje?
Eu me formei em 2009, era estagiária já do Banco Itaú, trabalhei 16 anos lá, entrei estagiária.
Você já entrou como arquiteta?
Entrei como estagiária. Estagiária, e aí fui crescendo ao longo dos anos. Em 2022, eu decidi sair do banco porque a minha vida tinha mudado. Acho que a pandemia veio também trazer muita transformação. E a neurociência entrou nesse processo muito numa mudança pessoal. Quando eu tive meu filho, ele ficou na UTI neonatal e eu passei por uma experiência que não foi muito boa e eu comecei a perguntar por que aqueles ambientes me afetavam tanto. Porque eu fui tão afetada por um ambiente que na verdade não era a UTI neonatal, mas era o ambiente em que as mães ficavam. E aí eu comecei a pesquisar, queria saber. Eu falei assim, alguma coisa precisa linkar, precisa ter uma explicação. E aí, durante toda a minha pesquisa, pasmem, eu fiz na licença maternidade, nas horas vagas ali que eu tinha, eu queria... Aquilo mexeu muito comigo, de alguma forma. Fiquei muito tocada. Eu não queria que outras pessoas tivessem aquela mesma experiência. A gente poderia pensar diferente. E aí eu encontrei a ENFA, que é a Academia Americana de Neurociência Aplicada à Arquitetura, e a Priscila Bem, que é a Gabriela Sartori, falavam, começavam a falar disso aqui no Brasil, isso em 2019. E eu estudei com a Gabi, que é uma das fundadoras da NeuroArq, e aí me conectei com ela. Falei, Gabi, preciso entender como que isso funciona. E ela logo de cara, a gente vai fazer um curso. E aí eu resolvi estudar. E aí a transformação veio, é uma formação longa de quase três anos de estudo, e aí eu entendi, eu fiz muita coisa dentro do banco, pautada em neurociência, tem projetos até que foram publicados, mas eu queria fazer mais, eu queria fazer mais e mais para outras pessoas. Então, que eu conseguisse, em todos os meus projetos, trazer a neurociência aplicada à arquitetura.
E sabe uma coisa que é interessante? Quando você atuava no banco, você recebia projetos de outros escritórios de arquitetura.
Sim.
Então, como que era isso para você, só para a gente entrar propriamente no tema?
A gente faz o projeto a quatro mãos. Dentro do banco, a gente fazia um projeto a quatro mãos. Eu recebia o briefing do cliente interno. Toda a conceituação inicial partia da gente. A gente mandava para um escritório terceiro, enfim, para fazer propriamente dito o projeto executivo, que é uma força de trabalho grande. Então, era um projeto muito a quatro mãos, a escolha dos materiais, a concepção, aquilo que funcionava, aquilo que não funcionava, porque ali a gente, dentro da instituição financeira, consegue entender quais são os comportamentos que existem, que um escritório que está de fora não tem a mesma vivência do ambiente que a gente ali. Então, são projetos feitos a quatro mãos.
E você acaba aprendendo muito com essa experiência, né? Porque você, tudo bem, você é arquiteta, você tá acostumada com o seu ambiente. Agora, o que que estão trazendo de fora que eu consigo, de repente, colocar aqui no nosso ambiente?
Eu falo que, ao longo desses 16 anos, pra mim, foi a minha segunda faculdade, a minha pós-graduação, eu aprendi muito. Eu fiz muita coisa dentro do banco, que eu tenho muito orgulho, acho que eu deixei um legado lá muito grande, e a gente vai aprendendo. Cada projeto é um desafio, cada cliente é um desafio, e cada necessidade que vem é um desafio diferente.
Uma curiosidade para você que está ouvindo pelas plataformas de áudio, é impressionante como o olho da Amanda brilha quando fala de arquitetura, quando fala de aprender. Então, razão pela qual, se você tá com dúvida, vai lá nas plataformas de vídeo pra você conferir. Tá muito agradável o nosso papo aqui. Antes de continuar, eu gostaria de agradecer o apoio da produtora de vídeo Infinity Plus, que é especializada em comunicação audiovisual pra arquitetura, engenharia, construção e indústria. Amanda, agora eu queria que você falasse um pouquinho o que é neurociência aplicada na arquitetura, só pra contextualizar, e eu tenho algumas perguntas aqui na sequência pra te fazer.
A neurociência é a ciência que estuda o comportamento humano e ela se junta à arquitetura para entender como que os ambientes afetam o comportamento das pessoas, seja ele de forma positiva, seja ele de forma negativa. Começa, acho que a pandemia, a ENFA, que é a academia americana, ela existe há muito tempo já, desde 2012, se eu não me engano. Mas, aqui no Brasil, acho que esse tema começou a ganhar muita relevância muito por conta da pandemia, porque a gente não ficava em casa na pandemia, todo mundo se viu recluso dentro da sua própria casa e começou a entender o que aquele ambiente tinha, como ele te afetava de alguma forma. Brinco que, durante a pandemia, descobri que o meu apartamento não batia sol. Eu não ficava no apartamento, né? Eu morava numa região central, não morava num apartamento, e quando eu vi na pandemia, eu falei, nossa, não batia nada de sol, porque eu saía, saía de manhã e voltava à noite, não tinha esse... Sabia que tinha uns períodos ali, mas era muito pouco, e aí começou a construir muito do lado. E aí o sol é super importante, acho que para a iluminação natural, a questão de você ter uma temperatura agradável dentro da sua própria casa, enfim. E, como eu, outras pessoas começaram a descobrir outros problemas dentro das suas casas e a gente teve um boom de reforma durante a pandemia.
Confesso que, inclusive, eu reformei muito. Sem condição, na época, mas fiz muito isso.
Então, é justamente isso. A gente começou a entender que o ambiente influenciava no comportamento das pessoas, na produtividade das pessoas, na criatividade. E até em uma questão de saúde mesmo. Tem ambientes que deixam as pessoas doentes sem você saber que aquele ambiente está te influenciando dessa forma. Às vezes porque não pega muito sol, tem muita umidade, vai gerando doenças respiratórias.
É muito interessante, inclusive esse tema que você trouxe agora, que a gente fala muito da qualidade das construções, então muitas vezes você vê um monte de prédios ali, vários prédios, que assim, não tem o mínimo de preocupação. Quem tiver curiosidade também para entender mais sobre esse tema, eu gravei com arquiteto Zanettini toca nesse ponto da qualidade construtiva que está acontecendo hoje no Brasil, que é uma coisa absurda. Eles não têm a mínima preocupação com a questão do sol, com a questão do vento. Enfim, queria chamar a atenção. Agora tem uma pergunta aqui. Primeira pergunta. Como a neurociência pode contribuir para a compreensão dos padrões de comportamento humano em ambiente arquitetônico?
Eu acho que tem várias formas. Hoje a gente tem algumas ferramentas. A gente tem o design baseado em evidências científicas. Então, quando você recebe um projeto, um briefing, e que você tem um desafio ali para levantar premissas e tudo mais, hoje o Google, O Google é uma ferramenta muito importante de busca, você consegue buscar artigos científicos que são de fato fidedignos, que a gente pode confiar naquele material e a partir dali você começa a ter um um fato para você defender aquilo que você está propondo como projeto.
Mas isso está muito ligado à questão, por exemplo, de como funciona esse estudo. Tudo bem que a gente fala muito de comportamento. E cada família tem, por exemplo, quando vou falar no caso de uma família X, uma família Y, cada pessoa tem um tipo de comportamento. Aí a gente vai para um ambiente corporativo e leva essas pessoas. Tudo bem, elas vão ter que fazer uma troca, aí tem aquela pessoa que ela é mais reservada, você coloca ela lá num canto lá no fundo, aí tem aquela pessoa que ela, enfim, ela é mais do povão, fica no meio. Então, assim, como que é feito esse estudo, assim? Como que é usada essa ferramenta pra definição desses espaços?
É, eu tenho essa forma. Aí dentro da neuroarquia, a gente tem a escala de auto-percepção do ambiente. E aí essa ferramenta é individualizada. Então a gente submete você a uma série de perguntas. E aí todo mundo está fazendo essas perguntas. Então sejam os moradores da casa respondendo essas perguntas. Seja o morador da casa. seja os funcionários da empresa. Obviamente que uma empresa de 10 mil funcionários, talvez a gente não faça com os 10 mil, mas você tenha uma amostra bacana para conseguir trabalhar. Com base nessas respostas, são gerados quais são os principais ofensores e os principais pontos positivos do ambiente. Então, um exemplo, a gente fez recentemente em um escritório que era pequeno, eles queriam expandir, A gente aplicou a ferramenta, se não me engano, para 14 pessoas. O escritório era pequeno mesmo, mas eles iam passar por uma expansão. E aí as 14 pessoas responderam que a iluminação era ruim no escritório. eles não se conversavam, tanto que quando a gente apresentou o resultado, o sócio falou assim, nossa, é, realmente, vocês estão falando, eu estou olhando, olha, ali é meio escuro, nunca tinha reparado. E aí, vem um gráfico, né, eu posso até depois te mandar para ver, para vocês, para vocês verem. E aí, nesse gráfico, aparece o gráfico, então lá, dar todas as diretrizes e também estudos acadêmicos relacionados a isso. Então, por exemplo, iluminação. Tem vários estudos acadêmicos que falam da importância da gente fazer o ciclo circadiano, que a gente entenda que o dia começou, que a gente está no meio do dia e que o dia vai terminar, porque isso é uma questão fisiológica, é uma questão que afeta o nosso sono, Então, de alguma forma, se você não faz esse ciclo da forma correta, você tem um pico de estresse, isso deixa você menos produtivo, menos criativo, né? O sono é algo que afeta diretamente o nosso comportamento aí ao longo do dia.
E aí eu queria chamar a atenção justamente para aquilo que a gente estava falando, né? Quando a gente fala de qualidade das construções, a gente precisa se atentar Porque, imagina, você tem uma empresa, as pessoas hoje estão vivendo essa era do uso de celular constante, muitas vezes elas saem da empresa, vão para casa e ficam no celular até horas ali, dormem pouco. Tudo bem, é uma questão... Muito, pessoal. Mas no dia seguinte, se você tem um ambiente mais preparado para receber essas pessoas, em tese, cansadas, eu acredito que elas vão ser um pouco mais produtivas.
Com certeza. Hoje, quando a gente fala de ambientes corporativos, então, falando dos ambientes corporativos, eu falo que a iluminação é o ponto, para mim, principal desse ambiente. Não só por uma questão de norma, porque a gente precisa cumprir a norma, mas por uma questão de conforto. Então, não adianta eu ter um escritório que toda a iluminação é igual. Isso não vai trazer um conforto para o usuário. É óbvio que tem lugares que talvez você precise ter uma iluminação mais puxada para fria do que para quente, porque você tem uma questão ali de atenção, de... de contribuição das questões do trabalho, mas se essa pessoa vai para um ambiente mais calmo, mais tranquilo para fazer um trabalho focado, ela não precisa ter uma iluminação branca em excesso. Você pode trabalhar com uma iluminação indireta, uma iluminação mais quente, justamente para que aquilo traga um conforto e ela consiga exercer aquela atividade, que talvez seja uma atividade que ela precise estar centrada, sem ter tanta influência do que está acontecendo fora. Porque se você tem um ambiente que é mal iluminado, Obviamente que você vai querer buscar onde tá a luz e você vai ficar... Você se distrai, né?
Que interessante. Eu tô... Você falando, parece que eu tô vivendo, sabe? Tudo isso. E até chamar a atenção de novo, né? Às vezes, as pessoas... A gente tem, né? Nossas empresas e... Às vezes, as coisas... Ah, por que essa pessoa não tá rendendo? Por que aquele time não tá rendendo? E, muitas vezes, o detalhe pode estar ali, na iluminação, no ambiente.
Acho que o mobiliário, a gente precisa entender que os móveis são ergonômicos, eles precisam ser ergonômicos. Então, quando a gente fala para uma empresa, investe numa cadeira, não é porque o arquiteto quer que a cadeira seja X, porque ela é bonita, não, é porque a cadeira é saúde para o colaborador, porque você fica quanto tempo sentado. Então você precisa ter sentado numa postura correta, numa cadeira que regule o braço, que regule a altura, que tenha o jogo das costas. Porque isso lá na frente acaba sendo um benefício para a empresa. Imagina quantos funcionários saem de licença porque tem uma postura inadequada, tem um problema nas costas. Então, você vai tendo um custo que você não quis gastar inicialmente da cadeira, só que esse custo vai virando licença, vai virando uma contratação que talvez você precise fazer porque o seu funcionário está fora em decorrência de um problema de saúde.
Uma postura chata de um funcionário que te incomoda, muitas vezes, porque aquele é a pessoa que fica deitando na cadeira e tal. Aí eu vou trazer uma pergunta, talvez ninguém nunca te fez ou já fez, enfim. Naquelas situações, às vezes eu visito algumas empresas e daí eu noto que tem pessoas que estão ali sentadas com o comportamento, sabe? Bem... Sim. Ali, acontento. Aí tem outro que tá jogado lá na cadeira. Bom, quem tá vendo pelas plataformas de vídeo, a gente tá colocando aqui imagens, né, pra vocês entenderem. Esse tipo de comportamento dessas pessoas está diretamente ligada pela questão do mobiliário, será?
Eu acho que pode estar ligada a uma questão do mobiliário. Pode ser uma coisa cultural da pessoa. E também uma questão de que, será que ela está ali porque ela gostaria de estar ali? Porque uma pessoa que senta jogada e vai caindo assim, em algum momento ela está cansada. Então, será que essa empresa tem algum outro espaço onde ela possa sentar dessa forma e talvez se desconectar? por, sei lá, cinco minutos para poder voltar e, de fato, ser produtiva.
Será que essa atividade, de fato, está fazendo bem para essa pessoa?
Sim. Acho que tem todos esses pontos aí que podem estar influenciando no comportamento dessa pessoa.
Interessante. E, de repente, o gestor daquela área pode ficar de olho nisso e, de repente, Tá se sentindo bem, né? Enfim, eu dou uma volta, sei lá, faço alguma coisa...
É, por que que tá sentado assim, né? Acho que... Porque é uma preocupação mesmo, né? Você sentar de forma correta, você ter os equipamentos ergonômicos, né? Então, principalmente quem trabalha com notebook, ter o suporte, o mouse, o teclado... Porque são itens que podem parecer frescura, mas eles não são, né? Eles vão refletir diretamente na sua saúde, no futuro.
Eu não acredito em frescura. Eu acho que a gente tem que ouvir. Acho que nada acontece por acaso, né? Se de repente a pessoa está com aquele tipo de comportamento. Enfim, alguma coisa não está batendo ali, é importante que a gente olhe. Enfim, tem mais uma pergunta para você? Quais são os elementos arquitetônicos que podem promover a produtividade e criatividade e foco em ambiente de trabalho, de acordo com a neurociência?
Hoje a gente trabalha com sete variáveis, que são sons. Hoje, dentro dos ambientes de trabalho, o som é algo que são os ruídos. A questão da acústica hoje é algo que vem pegando muito, porque a gente trabalhava em um ambiente super barulhento, todo mundo presencial, cinco dias da semana. Então, você se acostumou com aquilo tudo. A gente foi para casa. A gente sabe que nem todo mundo tinha a mesma condição, mas dentro da sua casa é um ambiente mais silencioso, você tem menos interferência. Eu tive a pandemia, passei a pandemia com um bebezinho, então... Mas tende a ser muito mais silencioso, tem menos pessoas do que um ambiente de escritório. Quando você volta, você já voltou com outro comportamento. Então, tem gente que faz reunião de pé, andando, porque era o modo que fazia em casa para poder se movimentar, falar alto. Você não tem a pessoa que senta do seu lado mais. Ou você trabalha sozinho, enfim. Então, acho que hoje a acústica é o principal desafio que a gente tem dentro das organizações. Então, essa é uma variável que a gente trabalha. E tem, enfim, hoje acho que o mercado, ele está trazendo muitas soluções acústicas num preço muito acessível, porque sempre foi caro investir em acústica. Então, depois eu quero me aprofundar um.
Pouco sobre esse assunto, tá?
Sempre foi caro investir em acústica e acho que hoje o mercado, ele viu essa necessidade e vem trazendo soluções muito bonitas até e que são super funcionais. Então acho que esse é um ponto que a gente trabalha. Uma segunda variável são as cores. Então não adianta nada a gente voltar para um escritório, ter um escritório que ele não é humanizado, que a gente fala que não tenha cores. E aí para cada cliente você trabalha as cores de acordo com a sua marca, com o seu guide ou com as pesquisas, com as ferramentas que a gente aplica para os colaboradores. as formas. Então, um layout não precisa mais ser tão engessado como ele era antes. A gente tem inúmeros mobiliários hoje que a gente pode usar para dar uma forma diferente nesse layout, algo que seja mais fluído e que as pessoas consigam circular entre o todo, que a gente fala. Não aquela circulação principal, mas que a gente também traga essa questão do andar, do caminhar pelo layout, porque isso é importante para você gerar interações sociais, para você até se exercitar, não ficar 100% do seu tempo sentado e gerar conexão com uma outra área, com uma outra pessoa. Aí a gente tem aromas. Aromas já é mais difícil da gente...
Então eu uso som, cor, aroma.
Forma e aromas. Aromas é mais difícil, mas também quando a empresa permite que se tenha algum cheiro específico, É muito legal porque isso traz muita memória afetiva. Acho que a Lelys Blanc faz isso muito bem. Quem entra na loja tem aquele cheiro específico. Você fala que é o cheiro da Lelys Blanc, por exemplo. Todo mundo que consegue trabalhar com algum aroma, acho que traz muito essa memória.
É, eu visitei o projeto da Natura muitos anos atrás, que é a fábrica de inovação aqui, que é um projeto do Loeb, inclusive, e assim, ficou muito marcado essa questão do aroma, assim. Então, eu ia num ambiente, eu tinha um aroma, ia em outro, eu tinha um aroma, assim, e era de fato... Agora acabei de lembrar que me marcou muito isso. E já quero voltar lá, inclusive.
É, eu tô com um projeto agora de uma empresa que faz fragrâncias, aromas, e a ideia é muito você usar o que a empresa tem de produto pra dentro do espaço de trabalho, né? Então, que cada ambiente, que cada área tenha um cheiro específico, que você saiba que ali é o RH, sabe? Trazer essa comunicação olfativa. Não sei nem se existe esse termo, mas...
A gente inventa aqui, não tem problema.
Seria isso.
Como o Arnaldo só repete o termo.
Comunicação olfativa. Comunicação.
Eu acho que pode ser um termo criado aqui no CountryCast, tá?
Personalização, para o arquiteto é muito importante entender que os ambientes são personalizados, os projetos são personalizados. O que eu fazia para o banco não necessariamente eu vou fazer para uma empresa de fragância, para uma empresa de advocacia. Cada empresa, cada residência, cada escola, enfim, tem as suas premissas. Então o ambiente precisa ser personalizado para aquelas pessoas que vão ocupá-lo de fato. E quando a gente fala em personalização, a gente também tem que levar muito em consideração as questões todas de acessibilidade. As pessoas hoje, a gente tem muito os neurodivergentes. Então, trazer para esse ambiente todo mundo. É por isso que a gente fala que é um ambiente personalizado. A gente tem a iluminação, que não pode faltar, acho que ele é um elemento principal do espaço, porque ele reflete todas as outras variáveis, a cor, a luz, enfim, tudo isso tem uma influência. E, por último, a biofilia. Porque a biofilia é uma variável que consegue englobar todas as outras variáveis juntas. Porque se você parte do princípio que vai fazer um ambiente totalmente biofílico, você consegue trabalhar. com os sons, de que forma você consegue trazer esse ambiente mais aconchegante, mais fechado. Você consegue trabalhar com as cores da natureza, você consegue trabalhar com os aromas, com as formas orgânicas. E aí, a biofilia, ele engloba tudo isso.
É, e passa aquela coisa gostosa, né? Da natureza, né? Aquela conexão. Principalmente pra quem tem essa sensibilidade e gosta dessa conexão, acho que, de fato...
O Kellert, que é um grande cientista, traz muito isso, que é o design baseado na natureza. O quanto nós somos conectados com a natureza e o quanto precisamos dessa conexão. Fiz um projeto, ainda no Itaú, junto com o Piratininga, arquitetos associados, Ele até saiu na revista Projeto e foi feito todo pautado em biofilia. A premissa dele era ser biofílico, porque a gente tinha um espaço que era quase que um subsolo, porque não tinha tanta incidência de luz.
E onde foi esse projeto?
Foi lá no Jabaquara, nas torres do Itaú. Depois eu passo o link para vocês da revista Projeto.
Será que eu não falei sobre esse projeto? Quem que fez com você? Quem que trabalhou com você lá no Piratinha?
O Marcos.
O Marcos.
O Marcos e a Cíntia. O Marcos, a Cíntia e a Carol. Mas a Carol não está mais no Piratinha.
Sim, eu não lembro se eu falei com a Cíntia. Eu não lembro, mas eu já... Acho que esse projeto não me é estranho.
É... Ele saiu na revista Projeto e a gente trouxe um conceito novo para esse espaço, porque as pessoas não queriam trabalhar num andar que era quase que um subsolo. Durante muito tempo, precisava todo mundo caber, então tinha que trabalhar. Quando eu fiz esse projeto, foi logo que eu voltei de licença-maternidade. Eu fui fazer uma reunião e voltei para o meu chefe e falei assim, olha, se eu conseguir tirar todo mundo, reorganizar, posso mudar a cara desse andar? Ele falou, se você conseguir, pode. Rearranjei todas as cadeiras, todas as posições, que é um quebra-cabeça para quem trabalha com workplace e sabe que é difícil. Falei para o Marcos que precisávamos fazer algo novo. Quero trabalhar com biofilia, mas não quero que a biofilia seja só colocar planta. Acho que não é isso. Temos que trazê-la na essência. O que a gente fez nesse projeto? Trabalhamos em um andar muito grande, era uma laje grande. Trabalhamos com grandes praças. Eram arquibancadas em madeira de forma totalmente orgânica, com vegetação. As cores das almofadas a gente escolheu para que remetessem às folhas. Então, de que você tivesse, mesmo numa praça, que você pudesse deitar e sentar. Toda a parte acústica, a gente trouxe o fiberwood, que é um material... Ai, agora não vou me lembrar o nome do fabricante, mas o fiberwood. É um material acústico em madeira, né? Então, que também, quando você aplica ele na parede, você tem uma consistência natural, né? Você tem uma textura natural ali. E aí ficou um ambiente totalmente colaborativo. Então, as salas de reuniões não estavam grudadas na janela. Elas estavam no centro, de modo que a luz pudesse entrar pela janela, passar por elas e chegar no corredor, que, na teoria, não tinha uma luz natural. Então, todo esse trabalho foi feito. Eu falo que, para mim, é um projeto supervencedor. Porque ele virou um espaço Instagramável hoje. As pessoas tiram foto, querem estar nesse espaço, querem vivenciar esse espaço. E que, há cinco anos atrás, não era essa a vivência. Ninguém queria ficar nele.
É, eu fico... Às vezes, eu tenho curiosidade pra entender, né? Daquelas pessoas que estavam lá no passado, né? Como que era antes e como que é hoje. Até pra reforçar a importância da arquitetura. Porque, muitas vezes, você tem um espaço ali que... Ah, tu não encontra uma forma. E dependendo do olhar do arquiteto, dependendo... do olhar daquele time para aquele espaço, você acaba trazendo, né? Outra, enfim... Porque fazia todo sentido.
Ninguém quer ficar oito horas num ambiente em que você não tem muita noção do que tá acontecendo do lado de fora. Será que tá chovendo? Será que não tá chovendo? Ficou escuro? Vai chover? Não vai chover? Preciso sair mais cedo? Enfim, você não tem um planejamento do que está acontecendo ali fora. E quando você transforma esse ambiente para um espaço que não é de longa permanência, então você vai fazer uma reunião, ou você vai descansar depois do almoço, ou você vai fazer um trabalho específico por tanto tempo, você deixa de ter essa visão. E aí, lá, a gente também, acho que trouxe a iluminação circadiana. Então, justamente por esse déficit de iluminação natural, as luminárias, elas fazem o ciclo do sol. Então, de manhã, tem aquela... né? O sol nascendo. Que legal! Aí, meio-dia, tem aquele pico.
Automatizado, isso?
Automatizado. E aí, depois, ele vai... Vai diminuindo, né? Porque aí o seu corpo também tá, quem tá lá no final do dia tá entendendo que tá ficando à noite, tá anoitecendo, tá na hora de ir embora, enfim.
Bacana. Eu só queria que você repetisse, de forma resumida, os sete... São as sete variáveis do ambiente.
Então, são as sete variáveis que, toda vez que nós começamos um projeto, a gente trabalha. Que é os sons, cores, formas, iluminação, aromas, personalização e biofilia.
Muito bacana, já conseguiu vivenciar todos. Agora tem mais uma pergunta. Como a neurociência pode ser usada para criar ambientes mais inclusivos e acessíveis para pessoas de diferentes necessidades e habilidades.
Hoje, eu até vou pegar aqui minha cola, porque eu fiz uma pesquisa e eu fiquei assim até bem chocada com os números, né? Hoje a gente tem um bilhão de pessoas no mundo com deficiência.
Um bilhão?
Um bilhão, é. Quarenta e seis milhões aqui no Brasil. E dessas quarenta e seis milhões, só 6,6% chegam no ensino superior. E aí, pesquisando e querendo entender um pouco disso, muito é pela falta de autonomia dessas pessoas. Lógico, tem uma questão cultural, do julgamento, enfim, que as pessoas ainda acham que uma pessoa com deficiência não vai ser produtiva como uma pessoa sem deficiência, o que é muito triste. Mas a gente vê que os números são muito... É muita gente e que consegue chegar num nível superior de ensino pouco. Isso muito em decorrência da acessibilidade. Hoje, se você anda nas ruas aqui, você percebe que elas não são acessíveis. A gente tem uma quantidade de buracos gigante. Até ouvi uma palestra do Guia de Rodas, o fundador do Guia de Rodas, e ele fala uma coisa muito interessante, que todos nós, um dia, vamos ser deficientes. Todos nós, um dia, vamos precisar de alguma coisa especial. E aí, se sentir na pele, quando você tá com um carrinho de bebê andando na rua, o quanto a rua é esburacada, o quanto a rua não tem acessibilidade, você tem inúmeros degraus, né? Você tem, às vezes, algumas rampas, mas você fala, nossa, essa rampa não tem 8% de inclinação.
Não, e é interessante porque, às vezes, a gente só tem noção quando a gente passa. Não tem aquela máxima que você só aprende ser um bom filho quando você é pai. É. Acho que é bem isso. Então, você tá falando dessa questão do bebê e tal, quando você vai andar com um carrinho de bebê na rua. Assim, é horrível você andar. Eu tive experiências, assim, que eu não desejo pra ninguém.
É, de ter que passar pela rua, assim.
É, ou então pegar a criança no colo, pegar o carrinho lá e ficar, porque não dá e tal. Então...
Enfim, acho que a gente tem essa problemática cultural. Hoje, os projetos são pautados na norma, mas eu sempre falo que é fazer além da norma. Como você consegue fazer além da norma? Uma coisa pequena, mas que deu muito resultado, e a gente vê dando resultado em vários projetos, é a questão da tipologia de imobiliário. Quando a gente fala de ambientes corporativos, tem muito uma questão de, ah, esse é o padrão, a gente tem que comprar tantas desse padrão. Só que não. Por quê? Porque eu sou diferente, eu tenho um tamanho, você tem outro tamanho, tem uma pessoa com deficiência, tem uma outra pessoa que é muito alta. Então, eu não preciso ter a mesma cadeira, a mesma poltrona para todo mundo. Acho que a gente pode diversificar o imobiliário. Por quê? Porque o que é bom para mim, não necessariamente é bom para você. E a gente tem feito isso, a gente tem proposto algumas tipologias diferentes, tanto de cadeira de staff, nem tanto, mas as cadeiras que ficam nos espaços colaborativos, nas salas de reuniões, e tem dado resultado. Porque você escuta de pessoas que são muito altas, que aquela poltrona super se encaixou, de pessoas que são baixas, de pessoas que têm alguma mobilidade reduzida e conseguem subir, conseguem sentar e levantar sem nenhum tipo de ajuda, porque a poltrona ou o sofá é firme, ele consegue dar essa sustentação. Porque deficiência não é só a cadeira de rodas. Falando um pouco na mobilidade e na cadeira, acho que a gente pensar nas circulações. Então, ter circulações em que a cadeira consiga transitar, que você não tenha interferência também nessas circulações principais. Porque uma pessoa com deficiência visual, ela vai com a bengala, tateando o que tem no chão, e se ela se depara com alguma barreira, aquilo é um perigo. Então, você ter essas circulações de forma livre. Eu falo isso porque, às vezes, você vai a algumas empresas e eles colocam vidro, colocam lousa. Então, acho que a gente tem que tomar cuidado muito nessa questão das circulações principais serem de fácil acesso, livre.
Que dica você traz aqui? Eu já vou emendar em uma pergunta. Como a iluminação os materiais e a luz interferem no comportamento dessas pessoas para que elas se tornem mais felizes, eu diria.
É, porque acho que o neurodivergente é um termo que veio à tona agora, né? Mas, sei lá, acho que minha geração talvez tenha inúmeros neurodivergentes que nunca foram diagnosticados, né? E aí essas pessoas que têm uma sensibilidade ao som, à luz, enfim, a qualquer outra variável aí do ambiente, ela precisa ter uma atenção especial. Então, já falo que você está acima de... Nossa, fico super feliz quando eu vejo que tem gestores como você que se preocupa com o colaborador dessa forma. porque geralmente o colaborador que tem alguma divergência, ele é colocado no meio de todos os outros, e aí isso acaba afetando muito a equipe, porque essa pessoa não performa como ela deveria performar, talvez ela atrapalhe as pessoas por algum motivo. Todo mundo fica em cima dessa pessoa, sendo que, na verdade, não. Ela tem uma questão relacionada com o ambiente. Hoje, eu acho que quando a gente fala de ambientes corporativos, você tem a possibilidade de fazer zonas que sejam mais silenciosas, que estejam longe das estações de trabalho de forma geral. Você tem as cabines de foco, as cabinezinhas acústicas, mas aquilo talvez não seja para a pessoa trabalhar 100% do dia. não é um ambiente, também, confortável para essa pessoa trabalhar 100% do dia, né?
E depende muito da atividade que essa pessoa exerce, né?
Exatamente. Então, acho que isso, você pode ter zonas em que a iluminação seja muito mais baixa, ou até sala mesmo, que a iluminação seja, de fato, baixa, para que isso melhore o desempenho daquela pessoa. Eu vou dar um exemplo que não está dentro do ambiente corporativo, mas eu achei incrível. num aeroporto aqui de Congonhas, eu acho que tem outros aeroportos também, tem uma sala para crianças neurodivergentes. Porque o aeroporto, aquele barulho, aquela zona toda, e anuncia aqui a galera correndo, é barulho de roda. Aí fiquei imaginando uma criança dentro de um espectro que não se sinta confortável naquele ambiente, ficar ali esperando o voo. Aquilo causa um estresse na mãe, causa um estresse na criança, que pode causar um estresse dentro da viagem. E aí agora no aeroporto tem uma sala em que essas crianças podem ir, acho que crianças e adultos, e que ela tem uma baixa iluminação, ela é totalmente acústica. Quem está dentro consegue acompanhar o que está acontecendo do lado de fora, mas de uma forma que não prejudique a criança ou até o adulto que está ali, de alguma forma, que é impactado por aquele ambiente. Então, por que não trazer essa solução para dentro de um ambiente de trabalho?
É bem interessante.
Tem que olhar o seu público, o colaborador que está ali com você. E você tem a possibilidade de fazer isso, e não é um custo alto. Acho que as pessoas, quando falam de investimento em espaço físico, por isso que eu falo que o design baseado em evidência científica é muito importante. Porque é contra fatos, né? Não tem muito argumento. Então, a gente não está propondo isso porque é bonito. Lógico, é bonito também, senão a gente não estaria propondo.
É um conjunto, né?
Mas é porque vai funcionar para a sua empresa, vai funcionar para os seus colaboradores, né? Veja a faixa etária que você tem na sua empresa, né? Por isso que eu acho que a ferramenta, a IAPA, ela é super legal, assim, de fácil aplicação. Porque você consegue entender a faixa etária, você consegue entender o gênero, Porque, lógico, homens e mulheres têm comportamentos diferentes, têm necessidades diferentes, têm níveis de concentração diferentes. Tem as fases ali do dia-a-dia. Tem as fases todas do dia-a-dia e que tá tudo bem. E que bom que se a gente conseguir trazer o ambiente e proporcionar uma TPM menor para a mulher, por exemplo. Então, acho que é por isso que você tem que olhar o todo. Não é só a Amanda é arquiteta sênior, ganha X. Não. A Amanda tem tantos anos, ela tem uma história.
É por isso que eu falei, né? Quando eu te apresentei lá no início, é importante que as pessoas entendam toda a trajetória de um profissional, toda a trajetória de uma pessoa. Porque, assim, acho que tem horas que cansa. As pessoas começam a ver só o resultado, resultado, resultado. Igual você vai numa peça de teatro. Um próprio exemplo de esforço é uma escola de samba.
Sim.
Eu comecei a acompanhar minha esposa em ensaios. Eu falei, cara, como assim? Vocês ensaiam essa quantidade de dia pra desfilar uma hora.
E tem que ser perfeito, né? Tem que tirar nota 10.
E aí eu vejo o esforço de um, porque assim, se uma pena tá fora do lugar, perde nota. Se um carro, por exemplo, quebra o eixo, perde nota. Então tem toda uma preocupação, tem todo um investimento que tem que ser feito. para que o resultado final, enfim, seja aquele espetáculo. Então, até trazendo essa analogia, visitando algumas empresas, às vezes ouvindo de colegas empresários e falando, às vezes dando dicas. Cara, tá precisando de uma reforma essa empresa, assim, geral. Ah, não, isso aqui é muito caro, é muito caro. Porque a gente tende a olhar, muitas vezes, o custo imediato, o custo inicial. Mas, assim, eu fico me perguntando, às vezes, quanto vale um funcionário feliz, um funcionário contente, onde chega ali no final do dia, tudo bem, as pessoas têm suas atividades e tal, mas, de repente, assim, ele acabou o expediente dele, De repente, ah, não vou embora agora, vou ficar aqui um pouquinho sentado num sofá agradável, numa poltrona agradável e tal. De repente, ela tá esperando o horário do rodízio pra ir embora, depois do rodízio. Então, assim, quando você começa a olhar isso a longo prazo, a satisfação de uma pessoa em pertencer àquele meio, acho que isso é... Não tem preço que pague, assim.
Eu faço um trabalho com a New Worker, que é uma empresa de tecnologia, em que eles fazem monitoramento de espaços, monitoramento de espaços, mas no geral espaços de trabalho. Então, eles colocam os devices no teto, E aí, a partir desses devices, vai se gerando os dados. Então, os dados de ocupação, quais são as mesas que as pessoas mais sentam, mesas que as pessoas não sentam, a quantidade de horas que essas pessoas ficam. Eles monitoram pessoa, não vai sair nunca o nome de quem é, não é isso. Salas de reuniões, quanto tempo a sala fica ociosa, por quantas pessoas essa sala é usada. Enfim, é uma infinidade de dados. E a gente já fez dois estudos de caso e apresentou para os clientes e a gente começa a entender um pouco. E é legal porque a gente começa a entender essa dinâmica. do que está acontecendo no escritório, como esse escritório vive, quais são as maiores influências ali que tem, e você começa a perceber que às vezes você não precisa fazer uma intervenção gigantesca no escritório, não preciso mudar o escritório inteiro, eu preciso mudar coisas pontuais. Então, um exemplo de um estudo de caso que a gente fez, não posso falar o nome da empresa, mas era uma empresa muito grande, E a gente monitorou ali dois andares deles, né? E aí a gente começou a ver, eles tinham salas de foco, salas fechadas mesmo de foco, bonitinhas e tudo mais. Mas elas eram pouco usadas e tinha uma que era muito usada. Eram oito. Das oito, sete eram pouquíssimo usado e uma era muito usada. E aí, eu analisando a planta, analisando o layout, enfim... Um dos principais ofensores de que a sala não era usada é porque você sentava de costas para a porta e você tinha um visor. Então, eu tô totalmente vulnerável, né? A gente não gosta de sentar de costas pra nada, porque a gente se sente vulnerável, de alguma forma. Você não sabe o que tá acontecendo. Você não tem a percepção do que tá acontecendo ao seu redor. E você ainda tem um visor. Então, quer dizer, o que é foco, talvez alguém fique lá de olho, sabe? Porque...
Depois eu vou comentar duas coisas aqui com você.
E aí essas salas, elas estavam colocadas na ponta do layout, então você tinha que andar todo o staff para chegar nessas salas foco. E a que era muito usada, ela estava muito perto dos espaços de café, dos espaços de reuniões. E aí, apresentando então todo isso tudo, eu falei, olha, eu acho que a gente precisava mudar essas salas de lugar, porque elas são muito apertadas, elas têm uma questão do visor, sentar de costas, acho que elas não estão funcionando nesse espaço aqui. Aí o cliente virou e falou assim, tem mais uma coisa, Amanda, além de tudo isso que você falou que você está certa, Todo mundo fica olhando você entrar na sala de foco, porque você tem que atravessar o layout. Aí, quando ele falou isso, eu falei assim, agora eu entendi porque que a sala que tá perto da área de descompressão, né, ali é a mais usada. Porque você não tem que passar pelo layout.
Você já tá isolado, você já entra e ninguém tá vendo.
Você já entra e ninguém tá vendo. Ele não precisa mudar o layout inteiro, porque as salas de reuniões funcionavam, uma série de coisas funcionavam. Ele precisava basicamente mexer naquele ambiente de foco.
Criar um caminho ali.
Porque as pessoas acabavam usando as salas de reunião como ambiente de foco. Então, na maioria do período que as salas eram disponíveis, ela era usada por uma pessoa.
Amanda, e uma coisa também que eu queria te perguntar lá atrás, quando você estava falando da questão da personalização, eu gosto muito desse termo, quando você tem ali uma empresa, tudo bem, a empresa é grande e tal, e você programa algumas mudanças em períodos, período em período, por exemplo, uma vez por mês ou a cada três meses, de repente um quadro novo no lugar, uma troca de quadro ali, de uma imagem, alguma coisa, isso influencia também? Eu gosto muito de mudança. Eu gosto até de trocar de lugar de trabalho. Até de sala, se for o caso.
Influencia totalmente. Porque o nosso cérebro demora três meses para se adaptar à mudança. Depois que a gente se adaptou à mudança, Mesmo que a gente não goste do que aconteceu, a gente vai adaptar alguma forma para aquilo ser em benefício nosso. Um exemplo claro é a sala de reuniões. Você fez lá um layout com uma área de sala E aí, as salas estão sempre ocupadas, só que elas estão sempre vazias. Por quê? Porque as pessoas, de alguma forma, se adequam às mudanças e vão burlando ali para conseguir sempre ter uma sala de reuniões na manga, por exemplo. Então, do momento que você vai fazendo pequenas intervenções, automaticamente, seu cérebro sempre tem alguma coisa nova. Então, você chega no escritório e, nossa, olha, colocaram, sei lá, um vaso de planta, colocaram um jardim vertical, trocar umas imagens, trocar umas fotos, por exemplo. Tudo isso é algo que vai trazendo um benefício para o colaborador. Ele está vendo que está tendo um cuidado. Não é que aquele espaço é abandonado. Não, tem alguém olhando, tem alguém que teve um cuidado para pensar em trazer uma ambientação mais bonita ou trocar uma máquina de café. Enfim, acho que esses cuidados são bacanas porque são pequenos e vai gerando senso de pertencimento na pessoa. Ela vai vendo que sempre está acontecendo alguma coisa nova. Então, que sempre tem algo em busca para deixar aquele ambiente melhor.
É, você traz uma curiosidade que eu não vou falar, assim, pra não descobrirem segredos sobre mim. Mas uma coisa que eu tenho muito apego é por pessoas que gostam de plantas. Que cuidam de plantas. Porque, assim, eu sempre gostei muito de plantas. Então, eu também tive uma fase onde eu dava uma planta pro funcionário, né? Então, eu entrava, essa planta tinha que ser sua. Aí a pessoa não cuidava, eu tinha que cuidar. Enfim, aí eu vi aquela planta morrendo, aí eu automaticamente já associava. Falei, pô, se eu estiver precisando aqui numa situação complicada, essa pessoa não vai cuidar de mim. Porque eu dei essa planta pra ela e dava nome, assim. Acho que eu tinha seis funcionários na época. Então, assim, cada plantinha tinha um nome. Eu dava pra pessoa. E aquela plantinha morrendo, aí eu cuidando. Aquilo me batia uma tristeza. Chegou um tempo em que parei com isso. Uma coisa que queria te perguntar é quando você tem esses ambientes, quando você fala de biofilia, tem lugares em que tudo bem, não bate luz e tudo mais. Qual é o grande desafio para vocês, arquitetos e arquitetas, em trabalharem essa questão do ambiente com plantas naturais?
Eu acho que é o custo. É o custo da manutenção, que é isso que você comentou. Então, quando você tem planta natural, automaticamente você aumenta o seu custo de facilities, pensando dessa forma. Você tem que ter um jardineiro, alguém que minimamente saiba cuidar daquelas plantas, daquela espécie. Porque quando você trabalha com vegetação natural, você tem um cuidado ali com o paisagista também, que vai te orientar e dizer quais são as plantas que podem ficar em ambientes fechados, quais são as plantas que ficam... Ah, aqui bate menos sol, então coloca esse tipo de espécie. Eu não sou paisagista, a gente tem uma noção, mas sempre que a gente vai trabalhar com vegetação natural, eu prefiro ter o apoio de um paisagista Até para que a empresa que está contratando aquele serviço, que também não é um serviço barato, ela tenha ciência de quais são as tipologias, o que precisa, qual tipo de adubo, enfim, né? Nessa minha jornada eu aprendi que orquídea você não pode regar todo dia, você tem que colocar um cubinho de gelo. Você vai aprendendo...
Inclusive, eu tenho umas plantas ali que, assim, como já morreram algumas, eu acabei pegando a experiência que ela tem que ser regada uma vez por semana e, assim, meio copinho de água, porque a base dela já é muito úmida.
Então, eu acho que esse hoje é o maior desafio. Você conseguir que a empresa faça esse investimento, né, que é ok para ela, porque ela vai ter um custo recorrente Vai aumentar o custo recorrente porque você tem que ter uma pessoa que cuide daquele espaço. Um jardim vertical tem toda uma questão de irrigação, então seja ela automatizada ou seja ela manual, você precisa ter aí esse cuidado para que as plantas sobrevivam. Mas, ao mesmo tempo, é um investimento que, de novo, vai te trazer menos licenças. A Interface, que é uma empresa de pisos, carpetes e tudo mais, ela tem uma pesquisa muito legal sobre biofilia. Porque eles fizeram todo um trabalho de carpetes, tem até um que é bem famoso, que é o MOS, que ele é um carpete que tem grama, que imita grama, Então, tem hora que ele tem muita grama, tem hora que ele tem menos grama e você vai fazendo uma composição e quando você olha ele, de fato, parece que é um gramado. Então, eles tiveram todo um cuidado pensando não só na biofilia, mas na sustentabilidade, uma série de coisas. E essa pesquisa é muito interessante porque ela fala que quando a empresa investe em biofilia, ela tem menos 6% de absceteísmo.
Nossa, menos 6%?
Menos 6%. É um número bem relevante.
Eu acho que se eu trabalhasse em uma empresa com bastante plantas, imagina, eu iria cuidar fácil. seria o meu, sabe, a minha válvula de escape, ah, tô fazendo alguma coisa, assim, então me programaria ali dias da semana, até, assim, procuraria entender mais, assim, pra cuidar, porque aquilo faz um bem, pelo menos pra mim, né, tudo bem que a gente tá falando aí de espaços corporativos, nem todo mundo tem essa preocupação, mas...
Mas faz muita diferença. Não é só no visual, não. Eu acho que faz uma diferença... A hora que você chega, você se sente... É uma questão de acolhimento mesmo, né?
Até trazer um ponto, recentemente, o ano passado, eu visitei o aeroporto de... de Florianópolis, que foi considerado, por três anos consecutivos, o melhor aeroporto do Brasil. E eu lembro, você sai ali da área do aeroporto, primeiro que tem toda a frente ali, enfim, tem muita planta. Quando eu subi na parte do escritório, fiquei encantado. com a quantidade de plantas naturais que tinha ao longo do escritório, assim, é um espaço muito grande, tem muitos funcionários, e eu fiquei me perguntando como que eles faziam pra cuidar daquelas plantas. Aí, por coincidência, tinha uma pessoa lá, um funcionário ajudava esse jardineiro, que ele acabou diminuindo a ida dele até lá. Aí ele foi me explicando, ó, essa planta aqui eu faço tal coisa, que... faço isso, faço aquilo, essa daqui ela tem que ser regada dessa forma. Aí eu perguntei se ele era jardineiro, ele falou, não, eu gosto de planta. Aí outras pessoas acabam interagindo comigo, elas também aprendem, levam isso pras casas delas, assim. Eu falei, gente, aqui... Que legal, e esse aeroporto de fato, assim, eu falo, quem tiver a curiosidade de conhecer, vale a pena, não só a área de embarque e desembarque, como aquela praça ali na frente, mas também as áreas administrativas desse projeto, assim, é muito marcante, principalmente pela biofilia que tem lá.
É, e a planta, ela ajuda também na questão da qualidade do ar, ela ajuda até numa questão acústica, né? Hoje você tem alguns musgos que você coloca junto na parede e que ele tem propriedade acústica, né? Mas a pessoa fala, ai, musgo, né? Fica... Mas tem todo um tratamento. Então, é muito além disso, né? Eu acho que é você pensar o além daquele custo, né? Porque como é um custo que às vezes a pessoa não põe, não se tem alguém, acho que o que eu sinto falta nas empresas é alguém que olhe esse todo, sabe? O quanto eu gasto de manutenção, o quanto eu gasto de licença, o quanto os meus funcionários estão saindo de licença, seja por uma questão física, seja por uma questão mental. Hoje a gente tem aí um alto índice de pessoas com burnout. Então, será que o ambiente não está influenciando nisso tudo? Vamos fazer um investimento. não quero fazer o todo, hoje você tem soluções que você consegue, então a New Worker lá, a gente faz um acompanhamento ao longo de três meses, seis meses, e aí vai monitorando, vai entendendo o que está acontecendo, vai propondo essas mudanças. Mas eu brinco que é um monitoramento recorrente, a gente tem que fazer isso sempre, pra sempre, né?
Porque quando a gente fala dessa questão, né, que eu tava falando de mudança, eu falei que eu, Paulo, gosto muito de mudança. Toda vez que eu... Ah, eu mudei. Quando eu me... Parece que, assim, quando eu vejo aquilo muito parado, é como se eu me sentisse um pouco acomodado. Então, eu quero mudar de novo. E tem aquela coisa, eu acho que time que está ganhando, tudo bem, ele está ganhando, mas o adversário está vendo que você está ganhando, ele já estudou você. Quando você muda, opa, você enganou ele de novo.
É isso.
Então, acho que essa mudança, ela traz aí diversos benefícios. Agora, tem uma pergunta do Marcelo, que, você lembra da pergunta dele?
Se você mudar o escritório, afeta a vida das pessoas?
Ou se é melhor reformar?
Eu tenho algumas experiências profissionais em relação a isso, porque o banco era muito diversificado, ele tinha vários polos e tudo mais. E aí sempre que você propunha mudar uma área para um polo que, por exemplo, não tinha um metrô perto, as pessoas ficavam muito bravas. porque o metrô é um meio de transporte muito fácil. Você não pega trânsito, por mais que ele esteja cheio, que tenha uns perrengues do dia a dia, mas ele é um transporte público de muito fácil acesso. Você não pega trânsito, você sabe que se você entrou no metrô vai demorar meia hora, quarenta minutos, mas você vai chegar.
O trajeto é previsível.
O trajeto é previsível, exatamente. Então, e não afeta só isso, afeta a dinâmica da casa, porque às vezes você colocou o seu filho perto da escola, que é perto do seu trabalho, porque você faz esse trajeto, então fica mais fácil. Então, o local que você trabalha, ele afeta a dinâmica do seu dia-a-dia. Você já se prepara para sair e já sabe, vou de metrô, vou de carro, demoro tanto tempo. Quando você propõe mudar, eu vejo muito isso, que as empresas não olham muito para o funcionário. É muito assim, o dono mora na Vila Olímpia, vamos todos para a Vila Olímpia. Só que chegar na Vila Olímpia todo dia é o caos. Então, essa pessoa, ela vai chegar cansada, aí às vezes ela já tem que chegar ralando, ela não teve nem tempo de aterrissar, sabe? De chegar, ter um espaço adequado para, sei lá, ela parar um pouco, tomar um café, lavar a mão. Sei lá, lavar o rosto. Enfim, que eu falo que quando você chega no escritório, você tem que ter um lugar de aterrissagem, assim. Então, um lugar que você lave a sua mão, tome um café, sabe? Que você se desconecte com tudo aquilo que você viveu no trajeto, para você estar conectada, estar conectado ali dentro do escritório. Então, hoje, eu acho que vale conversar o que eu faria se eu fosse dona do escritório.
Ah, dá dica. Sua dica é muito importante.
O que eu faria, obviamente. Eu acho que eu soltaria uma pesquisa para os colaboradores entenderem onde esses colaboradores moram, porque o RH tem essas informações. Então, se a maioria das pessoas mora na Zona Leste, por que eu vou fazer o meu escritório e ir até a Vila Leopolda? a Vila Olímpia. Será que eu não consigo encontrar um meio termo em que seja... Porque eu não posso ir para a Paulista, sei lá, Vila Mariana, algum lugar que seja de fácil acesso. Eu acho que eu faria isso, mas é óbvio que tem alguns escritórios que estão onde estão por um posicionamento de marca. E aí é complicado você mudar esse escritório porque ele está numa região onde O negócio acontece, a Faria Lima, toda a parte financeira ali acontece na Faria Lima, você tem grandes bancos, os investidores, então muita coisa acontece ali que para o dia-a-dia dessas pessoas que transitam fica mais fácil o dia-a-dia, então por isso que tem essa concentração. Mas um escritório que não precisa de um posicionamento de marca pautado no endereço, eu acho que eu faria dessa forma.
É muito importante a gente olhar para o negócio, porque realmente, como você falou, tem situações que a gente olha muito para a marca, tem a questão do posicionamento. Aí tem outras situações que as pessoas não precisam estar naquele local, mas assim, muitas vezes o CEO lá ou os diretores moram perto.
É isso.
Aí eu tenho cinco que moram perto da empresa e tenho lá cem que moram a quilômetros, que levam aí duas horas pra chegar. Então é importante essa...
É, e acho que também, dependendo do investimento que vai se fazer, uma coisa que eu acho bacana é que não necessariamente você precisa ter um endereço. Às vezes você tem um endereço que é muito caro, que você tem um custo altíssimo para bancar. sendo que, sei lá, você poderia ter dois escritórios, um numa região mais central e um onde as pessoas moram, sei lá, um escritório satélite, por exemplo, na Zona Leste. Ah, a maioria dos meus funcionários moram na Zona Leste, então será que eu não posso ter um escritório menor para que quando essas pessoas forem em presencial Elas se encontrem no Tatuapé, que é fácil ali para todo mundo. É uma região que também é abastecida de comércio, de restaurante. Então, acho que tem várias soluções, mas precisa entender o tamanho desse investimento, entender...
Qual é o uso.
O uso. Acho que hoje a gente tem muito isso, a dificuldade das pessoas voltarem para o escritório.
É, eu tava... Recentemente, eu... Inclusive, a gente tá passando aí por um processo de mudança devido ao crescimento do canal e, enfim, acaba afetando toda a produtora. E aí, eu recebo uns colegas e falo, Paulo, vem pra Alphaville e tal. Cara, aqui é legal, por isso e por isso. Enfim, tem uma visibilidade muito grande, os clientes gostam daqui e tal, tal, tal, beleza. Aí, eu comecei a fazer uma pesquisa. E tal. Falei, nossa, quando eu vi o preço do metro quadrado, falei, pô, até iria, porque é muito barato ir para Alphaville. Barato mesmo, comparando aqui com essa região da Barra Funda, São Paulo e tudo mais. Então, aí beleza, eu comecei. Imagina, eu vou levar uma quantidade de horas absurdas. Os funcionários também vão, imagina, ter que muitas vezes se deslocar uma hora a mais. Eu falei, não, não é assim, para o meu negócio não é viável. Então, assim, eu não vou muitas vezes mudar de endereço. apenas por vaidade. Então, muitas vezes, quando você faz isso.
Atendendo a vaidade... E muita gente, às vezes, sai da empresa porque não quer. É porque é qualidade de vida, né? A gente viu que dá pra ter qualidade de vida trabalhando em casa também, né? Então, por isso que o modelo híbrido, as pessoas têm... Tem gente que fala que não acredita.
Eu confesso que sim. Não me coloque pra trabalhar em casa, senão eu fico...
Mas o modelo híbrido, eu acho que ele é muito vencedor, porque você consegue ter essa qualidade de vida. É muito importante estar no escritório. Eu já fui da vertente que poderia trabalhar remoto sempre, e aí você vai aprendendo e você vai entendendo que, não, eu falo hoje, é muito importante você estar no escritório. É muito importante a troca do que acontece no escritório, as coisas que você faz no escritório, o apoio que você dá para um júnior que acabou de entrar. Então, eu lidero uma equipe. É difícil você liderar essa equipe remotamente. Dá para fazer? Dá, a gente faz. Mas, quando você está presencial, acho que o processo flui mais. Mas o modelo híbrido veio para ter essa qualidade de vida, para você não ter que ficar todo dia, duas horas no trânsito.
É, tira aquela obrigatoriedade, assim. Mas eu acredito que, acho que, assim, todo extremo é prejudicial. Eu e o Paulo não funcionam no home office. Eu gosto de ver gente, eu gosto de ver expressão. Eu gosto de estar aqui olhando, sabe, para a sua expressão, assim. E talvez se eu tivesse através de uma câmera também, não sei se eu teria esse mesmo tipo de sentimento que eu estou tendo agora.
Hoje eu falo que eu fiz muita reunião online, né? A gente vivenciou aquilo e eu tenho trauma. Eu falo assim, eu tenho trauma mesmo, gente. Quer fazer reunião? Vamos fazer presencial.
Porque é isso, a gente toma um.
Café, a gente fala de outras coisas, na tela ali é uma coisa muito... passou, né? Eu acho que é óbvio, eu faço reunião às vezes com outros estados, então tá tudo bem, acho que a tecnologia veio pra gente também não precisar sempre se deslocar. de avião, mas no dia a dia eu hoje prefiro muito mais o contato presencial do que o online.
É, eu acho que o corpo também fala.
Sim.
É, eu acho que essa questão do presencial, do olho no olho, muitas vezes também é uma forma de você não cair na lábia de alguém que fala muito e não entrega nada, então... E.
Eu acho que de você auxiliar aquela pessoa que também acabou de entrar, de você ser um apoio e até de você ter a cultura da empresa. Porque eu brinco que para um escritório funcionar, para uma empresa funcionar, ela tem um tripé, que é a cultura dela. Então, se as pessoas não tiverem adeptas à cultura, entender o que se passa, o que a empresa prega e tudo mais, Não adianta.
É, não adianta.
Tecnologia, você precisa ter tecnologia, então, que as pessoas consigam fazer o seu trabalho da melhor forma possível, né? E a tecnologia, ela vem para nos auxiliar, seja com as ferramentas digitais, seja com o pacote Office ou qualquer outro software que se use. E o ambiente físico? Se algum desses três aqui não estiver funcionando, alguma coisa ali tá capenga. Então, eu brinco que eu falo que é um tripé, né? Que é a cultura, a tecnologia e o ambiente de trabalho.
E o ambiente de trabalho. Amanda, e como que você agora vai indicar uma pessoa para o quadro Convidado com Vida? Depois de tanto conteúdo agora. Quem que você gostaria de ver e ouvir aqui no Constricash?
Eu vou convidar o Flávio Pimentel, que é da New Worker, que é a empresa de tecnologia, porque eles trazem a tecnologia pautada para a construção civil. Eles vão lançar agora um Comfort Pack, onde os devices deles também vão ter o sensor de iluminação, de CO2, medir temperatura. Então é uma parte de tecnologia alinhada à automação predial. e que, no fim do dia, resulta num comportamento das pessoas, porque tem posições que, às vezes, não são usadas porque o ar-condicionado é super gelado, porque a iluminação é ruim, né? E você tem uma posição que não é usada em função de uma má qualidade daquilo que tá dentro do espaço, né? E que você, às vezes, não consegue medir.
Então tá, se o nosso propósito é promover ideias e soluções, convida pra essa câmera aqui, ó. Convida ele pra essa câmera, isso.
Flávio, meu convite pra você tá aqui junto com o Paulo no ConstruCast falando sobre a New Worker, esse trabalho incrível que vocês vêm desenvolvendo e que eu sou muito feliz em ser parceira de vocês.
Agora eu vou te convidar, você já ouviu falar na feira Modern Construction Show?
Não.
Ela vai acontecer nos dias 1, 2 e 3 de outubro, aqui no Novo Distrito AMB. Isso é um convite do Paulo para você. Eles vêm com o propósito de falar de industrialização, mas de uma forma unindo todos os sistemas, não defendendo o único sistema. Então, aqui no Construquete a gente fala muito da questão de união, de unir, de construir pontes. de falar, por exemplo, da construção industrializada, mas da madeira, do concreto, do aço, enfim, de várias soluções ali que se complementam. E essa será a maior feira de construção industrializada da América Latina. E você é minha convidada.
Eu vou sim, com certeza.
Aceitou?
Aceitei.
Então, para aquela câmera de novo.
Eu sou a Amanda, sou arquiteta e estarei na Modern Construction Show nos dias 1, 2 e 3 de outubro no novo distrito A&B, a maior feira de construção industrializada da América Latina. Espero vocês! Ó!
Então, gente, eu tinha aqui algumas outras perguntas, mas eu acredito que a gente falou bastante. Tem algum ponto, algum tema que você gostou, alguma coisa que você gostaria de falar antes da gente encerrar?
Eu acho que o que eu queria trazer é que eu falo que eu tenho arquitetura hoje como um propósito de vida, que é o transformar as pessoas através dos ambientes. Então que os empresários, os donos de escola, os donos de hospitais, os donos de empresa, enfim, eles têm um olhar pautado para a arquitetura. A arquitetura Ela não é só... Acho que tem essa mística do arquiteto, não. Acho que a arquitetura vem para somar, vem para ajudar na qualidade de vida dos seus colaboradores, dos seus pacientes, dos seus estudantes. Quem não gostaria de estudar em uma escola que não fosse um prédio branco? Enfim, acho que tem... Tanto a oportunidade de fazer coisas legais, mas que a gente ainda tem uma barreira aí cultural que ela precisa ser quebrada. Acho que melhorou, mas acho que precisa melhorar mais.
Arquiteto é caro? É caro contratar um arquiteto?
É isso. Ai, vocês são muito caros. Não, a gente não é caro. Imagina você fazer uma obra na sua casa sem um arquiteto, e aí o cara, a pessoa, né, te enganar e fazer as coisas erradas.
Você sabe que eu fiz um tour pelo Nordeste? E aí meu desejo, quando eu voltei, é que todo mundo procure um arquiteto antes de fazer qualquer construção. Porque, meu Deus do céu! Eu fiquei assim e falei, gente, como isso pode acontecer? E depois eu ainda quero voltar lá para tentar fazer uma pesquisa mesmo, boca a boca, para ver quantas pessoas contratam um arquiteto para fazer um projeto.
É muito... Eu vejo no residencial, né? Eu tenho alguns clientes residenciais e todos eles, assim, vieram... Amanda... Ah, eu mudei, fiz uma reforma, mas olha, vaza água, eu ligo, o ar-condicionado cai, o chuveiro, sabe assim, umas coisas... A janela não tá no lugar... Aí a gente fala, não, vamos lá, vamos resolver. Mas é isso, porque acha que é caro, só que, na verdade, o barato custa caro, porque aí depois você vai ter que corrigir. Existem empreiteiros muito bons, gente, a gente não vai generalizar, mas eu acho que é muito importante ter o acompanhamento de alguém técnico.
É, ter esse olhar, né? Esse olhar pro lado humano, né? Porque você fala, igual a gente... A arquitetura, ela olha pro comportamento, né? Então, isso é importante. Agora, eu queria te fazer outra pergunta antes da gente encerrar. Você acompanha nossos conteúdos?
Sim, acompanho.
Qual que é um conteúdo que te marcou e por quê?
Acho que eu comentei, né, sobre a segurança do trabalho, a técnica de segurança do trabalho. Não vou me recordar o nome dela.
A Márcia.
Primeiro que ela, no discurso dela, ela já traz uma questão de barreira de gênero, né? Então, que as pessoas... Ela foi fazer entrevista e aí o cara tava esperando um homem e aí chegou ela. Mas por que ela me marcou? Eu acho que é um conteúdo muito interessante, porque as pessoas enxergam isso assim, tem que ter o técnico, mas você vai numa obra, por exemplo, você não vê as pessoas com EPI, é uma dificuldade para as pessoas colocarem, seja o capacete, o doutor auricular, o óculos. Às vezes, você vê uma pessoa fazendo solda e aquele negócio sem uma proteção. Então, é muito importante. Eu acho que é uma função muito importante que as pessoas meio que subjugam, sabe? Eu tenho um pouco essa impressão. E eu acho que é fundamental. Acho que vai muito em contra ao meu trabalho, porque, do momento que você gera segurança no trabalho, em que as pessoas tenham condições adequadas para trabalhar, você gera um comportamento adequado naquela pessoa, né?
E sabe uma coisa também que me chamou bastante atenção nessa questão da Marcia te marcar? Eu conheci a Marcia através de uma indústria que a gente atende, que é nosso cliente pela Infinity Plus. E, como eu te falei também, eu analiso muito o comportamento, né? Então, lá tem vários técnicos. E a Márcia, ela tem uma forma, assim, de ver as coisas de lá e chamar a atenção, mas ela não abre mão da segurança. Sabe? Com ela não tem o jeitinho. Então, assim, olha... é para o seu bem e tal. Então, assim, ela tem um tato, muitas vezes, para pedir, para direcionar, que eu falo, poxa vida, se tivesse mais profissionais assim, sabe, que tudo bem, ao mesmo tempo que eu sou sério, eu também tenho um jeito ali para tratar cada pessoa de forma única. Então, a Márcia tem essa característica que eu reputo. Eu gostaria muito de ver mais profissionais de segurança do trabalho dessa forma, como é a Márcia.
É, porque eu acho que é superimportante. É muito importante. E eu acho que é um... que as pessoas até olham assim, ah, lá vem ele, né? Se você vai em obra, às vezes, aí já chegou. Aí você vê todo mundo correndo pra colocar.
Não, porque todo mundo olhando, assim, ó, o técnico tá aí.
Pra colocar, sendo que, na verdade, é fundamental que você use o capacete, que você faça solda com... Eu tenho aflição de solda, né? Então, sempre que eu vejo, que eu tô numa obra, eu vejo alguém com solda e que tá sem, aí eu nem sou técnica, eu vou lá, você não vai pôr? Aí a maioria das pessoas fala assim, não, nada acontece.
É, tô acostumado e tal.
É, nada acon...
É, uma hora.
É.
Uma hora a conta chega. É. Amanda, e agora uma coisa, né, que eu queria te perguntar, assim, só pra gente, agora é a última pergunta. Como que você enxerga hoje o ConstriCast, esse canal que vem pra unir, né, todo setor de construção, arquitetura e engenharia? Hoje eu tô aqui conversando com você, que é arquiteta, você fala da Márcia, que é uma técnica de segurança, que te marcou, que conheceu Aqui no Costa Ricaeste eu recebo engenheiros, recebi aqui também uma soldadora que falou sobre solda. Enfim, então eu falo com toda a cadeia da construção. Como que você enxerga esse canal assim? Você que é do meio da construção.
Eu acho incrível, porque a gente tem poucos canais que fazem isso. Não tem tanto conteúdo para todo mundo. Acho que tem muito conteúdo para arquiteto, tem muito conteúdo para engenheiro civil, enfim. Mas você não tem muito conteúdo para o todo. Então, é muito legal você ouvir uma engenheira, uma técnica de segurança do trabalho falando, porque aquele trabalho é fundamental dentro da obra, dentro de uma empresa, para que as coisas aconteçam de forma segura. Uma soldadora, uma mulher soldadora que faz um trabalho super difícil e que, às vezes, não é valorizado, mas que é um trabalho muito... importante dentro da cadeia como um todo, porque eu sempre falo isso, acho que é importante a gente entender a cadeia como um todo, como que essa mesa chegou aqui, de onde que é essa madeira, como que isso é produzido. Eu tenho muito... todos os meus parceiros, eu conheço eles, Sempre que é possível, eu gosto de ir na fábrica, porque para entender essa cadeia como um todo, porque... Até para agregar aquele valor que está aqui, né? E eu poder passar para o cliente, olha, você está comprando tal coisa porque tem esse valor agregado. Então, eu acho que isso que você faz é muito legal, porque você traz o valor agregado para todo mundo, né? E juntando todas essas peças, porque no final do dia, um precisa do outro, né? Um precisa do outro.
Então, é importante aqui a gente... dessa importância para toda a cadeia, né? Porque o arquiteto desenha, o engenheiro torna aquilo viável ou não e as pessoas constroem, né? Tornam aquilo realidade. Então, esse é o nosso propósito aqui do Constitutete.
E essas pessoas, elas têm muito conhecimento de base, de campo, né? Então, que é muito importante você aprender com o mestre de obra, Quantos mestres eu já ouvi falar, isso aí não vai dar certo não. Não dá pra gente mudar. Até recentemente a gente tinha feito um desenho num revestimento. E aí o mestre falou assim, olha, não vai dar bom acabamento não. Aí eu falei, vamos fazer um teste antes de você falar que não vai dar acabamento? Vamos fazer um teste? E aí, no fim, ele tava certo. Não ia ficar com o acabamento que a gente queria. Então, eu acho que é importante também a gente ouvir o todo. Porque eles têm um conhecimento de base que a gente não tem.
É ouvir, né? Aquelas pessoas que estão ali, de fato, vivendo o dia a dia.
Sim.
Amanda, agora as suas considerações finais para encerrar esse papo maravilhoso que fizemos aqui.
Eu queria agradecer, foi muito bom, acho que foi um papo super leve. Eu adoro esse tema, sou super apaixonada, acho que a arquitetura, eu tenho a arquitetura como um propósito mesmo. Então, muito obrigada pela oportunidade de estar aqui, de falar um pouco sobre neurociência, de falar um pouco sobre a minha trajetória. Acho que essas trocas são fundamentais.
É gente, é sobre tudo isso que vocês acompanharam até aqui. Agora no final você vai curtir, comentar e claro, compartilhar com o maior número de pessoas que você conseguir. Então um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constra e Cash.
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