O Papel da Arquitetura na Industrialização | FGMF | Fernando Forte | Skylight | José Eduardo Meroni

Transcrição de episódio do podcast Constrycast (YouTube) com debate sobre industrialização da construção. Participam Fernando Forte (titular do escritório FGMF) e José Eduardo Meroni (CEO da Skylight Estruturas Metálicas). Discutem experiências de projetos (Japan House, Casa Cigarra, Casa Mirante, Corujas, Casa Bosque), escolhas construtivas (aço, pré-moldado, concreto, madeira, brises), logística de obra, integração indústria–arquitetura (BIM, mockups), sustentabilidade passiva/regenerativa e déficit de mão de obra. O episódio também anuncia presença no Nexpo Construção Offsite (dias 3–6 de junho).
Questions this video answers
Constrycast
Fernando Forte — titular do escritório FGMF; José Eduardo Meroni — CEO da Skylight Estruturas Metálicas.
Formado em 1996; Skylight aberta em 1994.
3, 4, 5 e 6 de junho (ano não especificado no trecho).
Chapters
Sejam bem-vindos a mais um episódio aqui no Constrycast. Hoje estamos iniciando uma série sobre industrialização da construção. Que tipo de solução construtiva eu devo usar de acordo com a obra que eu estou ali projetando?
Este.
Episódio é um oferecimento hub e construção. Para falar sobre o assunto eu recebo Fernando Forte, ele é titular do Escritório de Arquitetura FGMF. E o melhor, nesse episódio eu tenho também a presença do José Eduardo, que é CEO da Skylight Estruturas Metálicas. Sejam bem-vindos a mais um episódio aqui no Constricast.
Obrigado pelo convite, é um prazer estar aqui.
É um prazer estar aqui.
Fernando, eu vou pedir para você falar um pouquinho sobre a sua atuação no mercado, só para a gente dar um breve... para as pessoas entenderem o poder desse episódio. Fala aí três projetos que vocês fizeram no FGMF.
Bom, é... Três projetos. A gente fez, sei lá, Japan House, que é um museu famoso.
Muito conhecido, na Paulista, né?
Junto com Ken Gokuma, o artista japonês. Fizemos aí o POD, que é um prédio da Rebouças. O Omelo Alves, também da Rebouças, que são prédios... grandes, né? A Casa Grelha, o Casa Cigarra junto com o Zé, que são os prédios que foram bastante premiados.
Agora chega.
Bastante coisa nos últimos 25 anos.
Esse episódio promete, então aproveite, você que está chegando agora, se inscreve em nossos canais e anota tudo que vale muito a pena. Agora, Zé, fala um pouquinho aí do que você dá sua atuação no mercado, para as pessoas entenderem um pouquinho também.
Sim, eu sou engenheiro civil de formação, Me formei em 96 e sou cofundador da Skylight. É uma empresa familiar, éramos eu e meu pai. E a Skylight, ela nasceu no nome Skylight como um termo arquitetônico, quando entrou o policarbonato, coberturas transparentes, isso há 31 anos atrás. E aí fomos crescendo no segmento, eu me formei em 96, a empresa abriu em 94, e cada vez mudando o tipo de obra, Passando mais pra obras estruturais. E tamo aí hoje no mercado, na briga e na batalha.
Obrigado aí por ter aceito esse convite pra conduzir esse bate-papo aqui junto com o Fernando. Agora a primeira pergunta, Fernando, é pra você. Durante a... Desde 2013, onde de fato eu conheci o escritório FGMF, eu fiquei muito impactado, né? A gente tava no evento das Beia, em Foz do Iguaçu. E, sim, teve as premiações. E assim, era toda hora FGMF, FGMF, FGMF. E eu fiquei me questionando, quem são esses caras? São três arquitetos novos, extremamente ousados. Até aproveitar para mandar um abraço para o Lourenço e para o Rodrigo. Como você, como nasce essa ousadia toda, principalmente em projetos tão ousados? E qual o desafio de trazer os profissionais de engenharia para viabilizar esses projetos junto com vocês?
Bom, acho que tudo começa porque a gente tem um certo entusiasmo juvenil, assim, de faculdade, né? Nós somos três amigos do mesmo ano da faculdade, a gente gosta de fazer todos os projetos juntos. Então a gente senta na mesa da nossa sala, que é conjunto, a sala com os três sócios sempre juntos, e começa a desenhar na mão mesmo, qual que é a solução pro projeto. Então, ah, vamos fazer desse jeito, essa cara, essa organização faz disso, aquilo, das variáveis todas. E a gente se provoca muito, não, essa solução a gente já fez, vamos fazer uma coisa diferente e tal, vamos aproveitar essa oportunidade, vamos propor uma coisa bacana. Então essa discussão é densa, uma discussão construtiva no sentido de, ah não, eu quero do meu jeito é melhor que o seu. Não, cada um tem que provar que a ideia é melhor e assim por diante, concordar, bem democrático o papo entre os sócios. E acho que isso dá uma robustez ao trabalho. uma capacidade investigativa grande, porque são três pessoas muito ativas em relação ao projeto, de fato. Um quer comerciar, outro quer não sei o que, e outro faz os projetos. Não, a gente faz os três dos projetos. Então isso dá uma certa robustez e são três pessoas realmente engajadas no assunto arquitetura, construção e que entendem do assunto. Então tem uma convergência de ideias e de soluções, inclusive estruturais, que a gente faz esse lançamento e tal. E daí a gente sempre tem que buscar um parceiro adequado, tanto pra... tanto pra projetar, muitas vezes pra construir também, né? Ou pra consultar a gente, porque a gente tá delirando já no primeiro momento. A gente trabalha com metálica bastante, né? Incluído com muitos projetos com o José. Mas a gente faz também coisas em madeira, concreto pré-moldado, concreto moldado em lóculo, proteção... O que tiver a gente faz, tijolinho a gente faz, então é realmente um desafio a cada vez, né?
E é interessante que são todos projetos muito ousados, né? E como que funciona, Zé, até direcionando pra você, esse momento de quando o Fernando ou alguém do escritório te procura com aquelas ideias malucas, como que é essa troca entre vocês?
É mais ou menos como ele falou. Ele liga e fala assim, será que eu tô viajando? Dá pra fazer isso?
Pode mandar um print, Zé. É, pode mandar um print.
Vê se dá aí. E qual que é o diâmetro? Qual que é a espessura? E sai. Eu acho muito bacana isso da FGMF, porque a concepção do projeto, ela é muito pensada se é executível ou não, entendeu? Um pré-projeto deles é praticamente um projeto executivo. Ele vem muito mastigadinho, muito resolvido estruturalmente.
Aí tem aqueles desafios, né? Eu tava lembrando aqui, Zé, que eu te liguei uma vez, acho que era, sei lá, final do ano, no final do ano passado, retrasado agora, né? Mas no final de 2023, assim, falei, ó, Zé, tem um breeze aqui, os caras precisam fazer em 30 dias, tá? O Zé falou, 30 dias não consigo, mas em 40 eu faço. Aí eu falei, é, mas é um negócio meio louco, não sei nem se vale a pena pra você, dá pra fazer, fica de pé, ele manda aqui o desenho, mas o desenho tá aí oito da noite. Ela falou, acho que dá pra fazer e tal, aí embarcou. Estrutura Deliane, né? Nossa, meu Deus.
Ah, mas como é que é essa estrutura? São só 400 quadros pra placa pendurada, não sei o que. Ela falou, puta, Fernando. Mas na alegria e na tristeza, né? E não tem eu executar um projeto da FGMF. Com certeza é um case de sucesso, os projetos são muito top. E acaba num resultado muito bacana.
Ousados, né?
Sim.
Ô Fernando, como que nasce um projeto, assim, desde quando você é procurado ali pelo investidor, como que a estrutura é pensada? Como eu falei lá no início, vocês trabalham muito com estruturas mistas. Eu visitei aí vários projetos de vocês, inclusive já fizemos muitas coisas juntos. E eu percebo que vocês têm, de fato, aquele lance de usar a melhor solução construtiva para cada tipo de obra. Como isso é pensado ali no projeto?
É, tem muito a ver com... Até a palavra investidora é difícil, no sentido de você leva mais para o lado de incorporação, que a gente atende também. E aí ele é mais travado em alguns aspectos, quando a gente fala de incorporação. Mas falando do aspecto geral do nosso trabalho, são pessoas jurídicas também, mas a sede da empresa, a loja, o pequeno prédio, o edifício horizontal, como Corujas, pra dizer que o Zé trabalhou também conosco. Então isso dá uma liberdade maior pra você usar sistemas estruturais, seja pra expressão artetônica, vão, solução, sustentabilidade, rapidez, enfim, são muitas questões envolvidas. E acho que realmente a gente leva muito em conta a situação, as necessidades objetivas do cliente, né, o programa, a isso e isso que eu preciso e tal, as abstratas, o sonho, eu quero isso, eu quero uma loja aquilo, uma flagship, eu puta quero uma minha casa que seja incrível desse jeito e coisas do gênero. nosso desejo de solução daquele problema, que leva em conta legislação, topografia, budget, insolação, vistas, vegetação, uma série de variáveis que a gente chama de... ou problema, tipo problema matemático, qual que é a solução para esse problema. E aí muitas vezes A estrutura é uma expressão artetônica, assim, que é um pouco como a gente aprendeu na FAO, de onde a gente vem, da Faculdade de Arquitetura da USP, da estrutura ser a concepção espacial. E para isso acontecer, a gente tem que imaginar, vai ser metálico, vai ser madeira, vai ser concreto. Às vezes algumas coisas mudam no meio, e muitas vezes as coisas são mistas. Acho que o Corujas é um exemplo legal, que o Zé pode falar bastante a respeito, que é uma estrutura, é um prédio que tem três pavimentos, tem um que tem quatro, mas um é para baixo, então não conta, que é o Plano Diretor Antigo de São Paulo, que está a nove metros de altura. Tem que enfiar três andares de nove metros, em nove metros de corporativa é muito difícil, porque assim, três, três, três, tá, mas aí você tem a estrutura, a viga, a urbanização e tal, quanto sobra, vai ficar um pé direito executível, porque geralmente precisa de um piso elevado, forro, porque é um negócio de alta qualidade corporativa. Então lá a gente usou pré-moldado de concreto, Large blown adenoco, large explodendidas gigantescas, um monte de 46 camisas de concreto e estrutura metálica. Então foi tipo quase tudo.
Eu queria que você falasse um pouquinho sobre esse projeto, aproveitar quem tá ouvindo pelas plataformas de áudio. Você pode vir nas plataformas de vídeo e acompanhar um pouco aí a gente tá ilustrando com imagens, tá? Pode falar um pouco sobre o projeto.
Esse projeto foi a grande felicidade, né? Trabalhar um primeiro projeto da FGMF. E eles pegaram um prédio que poderia ser construído totalmente em pré-moldado, mas pra mudar e ser uma arquitetura da FGMF, eles tiraram as vigas e colocaram vigas metálicas. Então eram apenas os pilares pré-moldados. E todo o perímetro dessas grandes lajes alveolares protendidas é o aço que segurava. Então são as vigas metálicas que seguram. E aí era um nó de passarelas, de um prédio se encontrando com outro, E a maior dificuldade dessa obra era a logística de montagem, porque a obra... Nós tivemos até uma curiosidade lá, um pilar ficou errado e não tinha mais como sair da obra, ele foi enterrado lá.
É, tem um corpo lá dentro.
Tem um corpo enterrado.
Foi que ninguém vê, né?
Não tinha como sair mais. Então era uma obra que tinha que se pensar muito na logística. Você monta essa laje, aí o guindaste não sai mais daqui de dentro, porque eu tenho que receber o material por lá. Foi bem complexo.
Foi.
Mas um resultado final brilhante e com aquela casinha que ficou no meio lá.
É, esse projeto pra mim é muito marcante. Eu queria aproveitar que você falou do guindaste. Fernando, como que funciona durante o processo de desenvolvimento para vocês arquitetos essa parte logística. Porque é um desafio, muitas vezes você pode até inviabilizar um projeto por isso.
Sim. Na verdade, a gente não sabia nada de logística quando fez esse projeto. Então, a gente queria fazer um concreto moldado em local para esses pilares. E eles eram até... tinha uma cadência diferente daqueles, eram 5 metros de vão, 5 metros e pouquinho de vão das garagens, e não 7,5 como tem lá. Mas aí existia um engenheiro da Ideazar, os caras incorporadoras, que falou, não, eu quero fazer pré-moldado de concreto, que é muito rápido e tal. Porque ele vinha da... esqueci, aquela grande empresa de engenharia que faz shopping e coisa. Eu vou lembrar já, já, mas vinha de uma... pegada dessas desde que tinha vindo da montagem daquele shopping de raposo e aí ele veio com essa lógica né, ele falou tá bom vamos fazer então vai ficar aparente lá os nós mas legal vamos fazer vamos mandar bala nisso aqui Mas não foi a decisão, daí ele foi embora, aí entrou o Sérgio Mester e aí começou a obra e aí né, formar terreno era ruim pra fazer isso daí, porque você não conseguia botar uma torre central assim, tipo uma grua aí, rodopiar como se fosse um quadradão e aí mandar bala nas peças e montar rapidinho tipo um lego e sair. Você tinha que fazer primeiro uma parte, depois outra, outra, outra e achar essa saída aquela na Pascual Vita que o Zé tá falando. Então não foi a melhor opção, não foi a melhor opção e daí Lá, conversando depois com o mestre, com o Zé, com a turma na obra, eu percebi que foi uma opção errada e que nem foi culpa nossa, porque a gente nem tinha pensado em fazer pré-moldado. E a lógica do Jefferson, que ele tinha falado isso, também não era errada, ele se atentou ao formato do terreno e às entradas obrigatórias pelo DETRAN, que também era uma coisa que naquela hora o cara não estava pensando, estava pensando na hora de executar. Então, foi um aprendizado pra mim. Falei, puta, não é um negócio que funciona em qualquer lugar. Funciona, tipo, se você tem um terreno quadradão, espaço, uma grua, legal. Você vai fazer um negócio diferente, um formato diferente, talvez não seja a melhor opção. Se fosse de qualquer tombolado in lock, teria sido mais rápido essa obra, inclusive, né?
É, e por exemplo, os pilares lá, as vigas metálicas, elas não entram no eixo dos pilares. Elas entram pela face interna, entendeu? Então o pilar fica com aquele corpo solto e as vigas por dentro. Então é muito bacana o projeto. Tios em séries, né? Tios em séries, alta confiança nas soldas.
E essa parte quando você está desenvolvendo o projeto, essa parte de acabamento, Fernando, que a gente falou um pouco dessa parte estrutural, e esses acabamentos, como funciona essa questão da escolha dos fornecedores para você conseguir, de fato, manter esse prazo? Quão é importante vocês, arquitetos, manterem ali todo esse contato junto com o cliente e com as empresas de acabamento? Porque se você não se envolve, você pode ter ali...
É, para ser sincero, Paulo, é um porrado todo... Porra, atrás da outra até hoje, né? É...
A gente tá falando de uma cadeia aqui, né? Ou seja, estrutura e acabamento, que é o que vai ficar ali no final.
É... Então... A gente gosta muito de inventar, né? A gente gosta de, tipo, testar coisas diferentes e tal. Então a gente fez um prédio agora que a gente... Tem dois volumes na frente, tem entrada, é um prédio super alto, padrão, caríssimo e tal. E aí, um monte de gente falou, nossa, que lindo esse revestimento, o que que é, tá com esses volumes na frente do forro e tal. Daí eu falei, ah, é um ladrilha interauro incotátil, é a coisa mais barata que tem no mercado, que ajuda o cego a seguir a calçada, custa, sei lá, 55 reais o metro quadrado. Deve ser mais barato comprar na indústria, inclusive. E a gente usou na fachada do prédio chique. Todo mundo acha lindo, então a gente gosta de usar coisas diferentes e tal. Mas algumas coisas saem pela culatra, né? Acho que agora a gente tá experimentando lá. A gente usou o Grand Elite numa loja que o Zé fez, Instrumentalica, por exemplo. E que eu fui meio contra o jeito que queriam fazer lá com o fornecedor, ele garantiu que ia ficar perfeito e tal, mas deu alguns problemas de patologia, né? Porque as estruturas se mexem, por exemplo. Então, aí é um dor de cabeça, eu falei, putz, eu não queria placa. Moldada, se colocada lá e o cara insistiu em fazer em loco, não foi a melhor escolha. Talvez fosse mais conveniente pra ele, com a velocidade da obra e tal.
Por causa de vibração, né?
De vibração, é. Então acho que as placas soltas teriam sido melhores.
É que a estrutura dessa obra, as lajes são penduradas na metálica. Tudo por tirantes.
São lajes pretendidas penduradas.
A gente tem tirantes com esforços de 60 toneladas. Nossa! Então é bem arrojada. E tem muita movimentação de ônibus ali na Rebouças, então ela dá aquela tripidade.
Tem o metrô, né?
E como isso é pensado, Fernando, na arquitetura? Porque assim, como que vocês chegam nessas ideias malucas, assim, quando eu falo maluca com responsabilidade, óbvio.
A gente faz muito teste, testa, testa materiais, discute, vai atrás do fornecedor, acha alguém legal, conversa. Às vezes... Às vezes, como é esse caso, por exemplo, a coisa saiu pela colatra, eu fui contra, mas o cara insistiu que ia ficar bom e ele não tá bom. Dizem que vai ficar, acredito que vai ficar, mas me arrependi da escolha, né? Então não é que a gente acerta toda vez. Quem dera, né? Ia ser mais fácil. Mas... E tem uma coisa que a gente testa materiais, conhece oferecedores novos, manda bala, mas as empresas têm um ciclo, as empresas parceiras. Até achei legal o Zé estar aqui, porque a gente estava de parceiro há muito tempo, já fez perto pequeno, grande, faz de tudo junto. A gente está vendo uma consistência, assim como outros parceiros. Mas tem algumas empresas que você conhece, foi bem num negócio, mas no outro foi bem, e no outro já de repente derrubou. Você fala, o que aconteceu? Ah, a construtora não está legal, ou a empresa... Às vezes tem uma empresa, sei lá, de piso de concreta, está indo bem. Pô, legal, parceiro, estão fazendo as coisas direitinho, ficou ótimo. De repente dá uma caca enorme numa obra. O que acontece? A empresa tem ciclos, né? Então, às vezes ela começou ali, tá se esforçando, o dono tá à frente e tal, fazendo a coisa legal, ela começa a crescer, ele começa a pegar muita obra, começa a terceirizar umas coisas, não consegue olhar mais a coisa ali, não deu pra arrumar o back of the office pra as coisas funcionarem direito, e aí isso é uma queda de qualidade, mas que vai resultar num problema em obra grande, né? A gente teve isso numa casa né, que a gente trabalhou junto aqui, puta que começou a descolar a fachada do fornecedor e tal, e não resolvia, e era um cara que ia bem assim, concreto, placas de concreto para moldadas, e aí deu uma descambada ali, não sei porquê né, mas acontece isso, os caras ficam com muito trabalho, precisam de algumas coisas, caiu a qualidade do material, nem ele sabe até a hora de aplicar então.
É, porque você tem muitos problemas ocultos ali, né, geralmente numa situação como essa. E quem tá, até o cara que vai instalar, quem é o fornecedor? Quem tá fornecendo aquele material pra ele?
É, então o fornecedor tá bom, a gente tá construindo um prédio lá, pra ideia das áreas, que é o Valente, super complicado e tal, não é? É metálico, é todo de concreto. Projeto do Leandro da Gamazê de estruturas. Difícil, eu trabalho há oito anos nesse projeto, nove, sei lá. Prejuízo enorme pra história, mas é um projeto massa. E aí, sei lá, tinha uma coisa de revestimento que não... Veio desbitolado, aí ela colocou e ficou feio, porque fica desalinhado, aí tem que tirar, jogar fora. Aí eu falei com a outra indústria, que ela me explicou, não, olha... Aí você vai aprendendo todo dia, né? Ele falou, olha aqui, ela pega a placa de concreto e olha a lateral dela. Aí se tiver muita bolinha aqui embaixo, é que tá mal feita e vai dar problema. Olha, essa aqui é outra que tá bem feita. Daí eu aprendi a olhar. Mas como é que eu sabia que tinha que olhar a bolinha embaixo da placa? Só fazendo pra aprender, né? Não tem um curso que te explica isso.
E vocês têm apoio da indústria nesse, quando você tá desenvolvendo um projeto, que você faz uma especificação em um determinado produto ali, você tem esse apoio ali de repente não só pra você enquanto arquiteto, mas também praquelas frentes que vão instalar aqueles equipamentos?
Assim, falando de revestimentos e acabamentos e tal, a gente tem cada vez um apoio maior da indústria, que eu acho uma coisa ótima e acho que até podcasts como esse ajudam a aproximar o arquiteto e o engenheiro da indústria de fato, que também é composta por engenheiros e arquitetos, mas que não sei por que no Brasil é meio cindida, o que não tem o menor sentido, porque quem especifica o arquiteto, quem vai executar o engenheiro e quem está vendendo vai ser a indústria, porque não é todo mundo próximo. Então, com as redes sociais, com as coisas todas que acontecem, existe agora um interesse maior da indústria de se aproximar dos artetos. Vocês perceberam que são os especificadores, mas não só para vender, mas para ter o material depois. Então, sei lá, se vende vidro. Estão falando, sei lá, a Guardia é uma parceira nossa, uma empresa super bacana e que quer se aproximar dos artetos. e que não só aqui, no mundo todo. Acabei de dar uma palestra no México e eles eram os patrocinadores do evento, fizeram uma festa e tudo mais. Por quê? Porque vender vidro é difícil, vai precisar de alunos de vidro. Olha esse vidro que bom, é transparente. Esse vidro é ótimo, ele tem capacidades térmicas, controle solar e tal, mas é um vidro para um cara que está olhando. Como ilustra isso? Um projeto, né?
E o que eles fazem, eu como executor, a gente já fez diversos mockups pra eles, de situações reais, vamos montar um protótipo aqui, um pra um mesmo, mas claro que a gente vê como é que vai funcionar essa ligação, como é que vai encaixar isso, como é que... que vai apoiar uma peça dessa.
Tem um mocap que a gente fez faz, sei lá, cinco anos aí no Puga Sobra. Agora vai. Agora vai.
É legal esse trabalho da indústria quando ela tá de fato participando junto com vocês especificadores e sobretudo vivendo ali também o dia a dia de obra, né?
Porque... Acho que sim. Acho que a indústria como um todo tá querendo... A indústria total tá falando mais dessas bag indústrias, né? Tipo de vidro, de pastilha de cerâmica, sei lá o quê. pois eles estão cada vez mais próximos e abertos a ajudar a explicação, participar das fotos, usar de material de marketing. aquele relacionamento, fazer preços especiais, fazer premiações para a arquitetura e também, sei lá, expor, por exemplo, esse valente também, desenvolver uma cor da pastilha de toda a fachada, porque era um monte de coisa. Então, a indústria estava afim de fazer, reformei o prédio, a indústria veio lá, o vice-presidente de marketing, Tem um cara técnico pra mostrar como dava pra limpar uma pastilha de 70 anos atrás, foi um negócio massa. E tem os parceiros mais próximos, como tipo o Zé, que, puta, Zé, vamos ter um protótipo aqui e tal, não dá, não dá. A equipe vai lá no galpão do Zé, já mudou uns três vezes né, Zé, de galpão e a gente sempre faz seguido lá.
É muito legal isso, eu executo diversos escritórios de arquitetura e aquilo que a gente tava conversando anteriormente, eu trabalho, a minha especialidade é o alto padrão, entendeu? Mas o nível de detalhamento que parte da FGMF na preocupação se... Puxa, mas esse furo aqui vai causar um ferrugem depois na peça aqui? Vamos galvanizar isso? Não vamos fazer isso? Essa preocupação vindo da arquitetura é diferenciada.
Então é justamente nesse sentido que o ConstriCast se posiciona, né? Porque a partir do momento que a gente começa a unir mais o mercado, a partir desse momento sim você vai ter construções muito melhores, né? Com muito mais qualidade, sobretudo, gerar uma qualidade de vida pra quem vai usar esses espaços depois.
Sim, e que eu acho uma coisa importante colocar, que assim... A grande desvantagem da industrialização da construção, é claro, e acho que o abismo social do país dá uma certa impedida nisso, mas acho que caminhamos para a industrialização a trancos e barrancos a fórceps.
Exatamente.
Hoje já está muito mais avançada, como é fora do Brasil. Mas assim, independente de críticas ao nosso sistema econômico ou qualquer coisa dessa natureza mais vasta de problemas, O arquiteto e o engenheiro calculista não serem bem pagos, ou serem muito experimentos em tempo, atrapalha a qualidade. E vejo que um lado positivo, Eu nunca tinha pensado direito, mas da industrialização da construção é assim, se a gente enxuga esse tempo de obra, a gente ganha o tempo de projeto, o que é bom para todo mundo, porque para se debruçar sobre as coisas que o Zé falou, tipo, esse furo aqui, essa água aqui desse perfil que vai ficar parede, como é que vai sair? E esse encaixe telescópico aqui desse cachilho com a metálica, como vai ser? Sei lá, são N questões, só podem ser pensadas com o tempo, né? Porque se não você faz o projeto lá. Vai correndo, vamos começar a obra e tal. Nem deu tempo de pensar nisso, você tá muito mal pago, você não tem as horas pra gastar nisso. olhar vai ter trabalhado muito mais do que deveria e teve um prejuízo. Então, tem esse lado positivo de uma maior industrialização que cai o tempo da obra e dá pra você trabalhar mais tempo do projeto. Não só de arquitetura, mas de engenharia, de mock-ups, de testar, do Zé pegue-se-a-puta, mas isso aqui não vai ficar tão bom. Tá ferrando hora esse negócio aqui, vencendo uma outra ideia. Qualquer coisa meio truncada, feita assim... Faz um projetinho qualquer aí com prefeitura, começa a obra aí, põe o espinhão lá pra fazer e tal, é um pensamento antigo, né?
E o que mudou muito também, que melhorou pra todos, acho que principalmente pra arquitetura, é a integração BIM, né? Tudo integrado, né? Você consegue jogar dentro do projeto de arquitetura estrutura hidráulica, elétrica, você enxerga todo mundo que tá acontecendo, né?
É.
Melhorou muito.
Mas ainda não está 100%.
Melhora o cabelo.
E aí como que a indústria está também preparada nessa parte do BIM? Vocês têm muitos produtos ali que já tem, que já está preparado para receber, ou seja, você já recebe esses produtos para colocar ali nas bibliotecas BIM?
Sim, a gente, acho que sim, a gente trabalha com arcade no escritório, né? Tudo organizadinho assim e a maior parte dos players já tem os produtos tridimensionalizados, né? Assim, sei lá, losses metais, acabamentos e coisas assim, mas acho que ainda o problema tá ainda na interlocução com as disciplinas complementares, né? Então, por exemplo, a recepção da UFC é fazer um clash, né, de estrutura. Então, uma estrutura metálica, um engenheiro com um escritório de engenharia que é muito bacana, todo mundo tá de acordo com a proposta. Eu saio de cena num certo momento, que eu tenho que fazer outros projetos, então a concepção está fina aí, os tamanhos das peças estão ok, legal. Vamos lá, aí manda o UFC, a gente faz o clash, vê se tá tudo direitinho. Massa! Mas aí no final ainda a emissão é 2D, que eu acho que é o próximo passo que a gente tem que vencer. O canteiro ainda trabalha com a folha só. Tem uma obra nossa que eles já tinham lá TVs, abrindo lá e vendo todos os detalhes no 3D, que foi melhor. Porque daí, como aí parou o clash lá, e aí a engenharia continuou, eles colocaram umas chapas de chegada de vigas e uns enriquecedores e tal, que não estavam no UFC. Então a gente não tinha visto. Aí a pessoa ia ver, ia olhar todas as pranchas e achasse o desenho da chapa pra ver no detalhe. E aí parasse pra pensar e comparar com a parede de concreto da outra folha e com a minha arquitetura. Dá uma dificultada, entendeu? Você não imaginava que isso ia estar ali. E aí quando o Zé foi executar, apareceu uma chapona e eu falei, o que é isso? Tá doido.
É que a obra vai acontecendo. Infelizmente, a gente não começa uma obra com o projeto 100% pronto. A gente tá executando a obra e o projeto tá andando, entendeu? Eu fiz uma obra agora no interior, que nós estávamos montando o andar de baixo e o andar de cima, tava chegando detalhamento de ligações, furações em peças, então foi uma loucura.
Isso não atrasa? Porque assim, a gente tá falando de industrialização, de industrializar. Quando você se depara com situações como essa, você não atrasa o processo? Porque você tem que fazer, você tem que fabricar essas peças, né?
Eu vejo que é uma... Talvez a culpa do cliente, sabe? Aquele negócio, eu quero começar, eu quero começar e... e fazer com que a construtora que está à frente do serviço iniciar a qualquer custo e ir buscando com os projetistas as respostas para o que está acontecendo no momento que está acontecendo.
Então vou aproveitar, vamos transferir uma responsabilidade aqui para o Fernando que tem um papel fundamental nesse processo. Existe uma dica sua para esse cliente tirar um pouco aquela ansiedade de começar o projeto e confiar no processo?
Eu tenho dicas, mas assim, eu tô toda hora nessa situação. Então não é exclusiva desse cliente do Zé. Toda hora a gente tá pressionado pra algumas coisas. Ou o contrário, que também é pior. Pior ainda é o cliente que não tem pressa. Se não tem pressa, vira um puta prejuízo. Porque tem gente que fica lá três anos de projeto e o cara não sei se vai fazer. Tipo, uma puta, todo desperdiçado, né? Então, porque a gente faz os projetos pra serem feitos. Na FGMF a gente tá interessado realmente no produto construído. A gente se preocupa com o projeto que vai ser executado, a gente quer construir as coisas. Existe lógico que falamos da arquitetura que pensa em coisas mais utópicas ou uma investigação de algo que não vai ser construído e tal, mas não é muito do nosso perfil. E essa coisa, assim, existem projetos que tem que ser dessa forma. Então, se o cara vai alugar uma loja no shopping, uma loja comercial que é muito cara, o cara tem que começar a fazer sem o projeto estar pronto, porque, putz, o aluguel é muito alto. Então, não dá para o cara esperar um ano, que seria o ideal para fazer o projeto, todas as complementares, se o cara está pagando 250 mil reais por mês de aluguel. E a obra vai custar 5 milhões, porque seria, tipo... 15% e 20% do valor da obra, não dá. Então, existem essas parcerias, né? Fast Track, você faz tudo junto. Mas posto isso... Os outros projetos, residenciais, prediais, séries de empresas e tal, precisam de um processo de amadurecimento de projeto, pelo menos uns cinco, seis meses. Porque às vezes o que joga a nosso favor é o atraso burocrático das aprovações para você poder fazer o projeto, que é uma coisa ruim também, porque não é bom que as coisas demorem na prefeitura, nos órgãos de aprovação, mas às vezes tem esse lado positivo para a arquitetura, porque o que acontece é um problema cultural do Brasil. No sentido de assim, não há uma cultura de planejar, de projetar, né? Não só de, infelizmente, não só o problema da arquitetura e da engenharia, né? Que vem aquele clássico, não, ó, o engenheiro faz, não precisa do teto, ou tipo, qualquer engenheiro que acha isso é um cara que não manja do traçado. Cada um na sua área, juntos fazemos o melhor, né? Agora, é um problema de planejamento de tudo, né? A gente não tem um planejamento a longo prazo de projetos governamentais. Pega, muda, muda pra lá, muda pra cá, eu não vou pagar você, eu vou fazer... Por que não? O cara se comprometeu, tem que ser uma coisa perene, né? Tem que atravessar projetos de infraestrutura, projetos da cidade, tem que atravessar diversas governanças públicas, né? projetos de governo não tem, projetos de economia não tem direito, são sempre truncados, curtos. Então o planejamento, mesmo o planejamento financeiro das famílias e tal do Brasil é muito baixo comparado com outros países. Então não sei por que a gente tem esse problema de projetar, no sentido de imaginar o que vai ser e como chegar lá, não só na construção, mas como em tudo no Brasil, o que é terrível.
E nessa parte de aprovações, de documentações, o projeto ele tem que tá fechado? Qual que é?
Ou seja, quais são... Ah, isso varia muito.
Varia?
Varia muito de prefeitura, porque isso é uma coisa, assim, de prefeitura pra prefeitura, né? A aprovação barco.
É, como você falou que ganha tempo ali, né? De repente.
Não, é... Não é que ganha tempo. É assim, como eles vão demorar, você acaba tendo tempo pra desenvolver. Não é nem que ganha tempo, né? É o tempo que precisa.
Sim.
Mas... Assim, em São Paulo, por exemplo, as aprovações são simplificadas, então são só manchas diárias e tal, então o que deveria para nós agilizar as aprovações. Tem outros lugares, Goiânia, por exemplo, tem que estar com o projeto de engenharia, estrutura, hidráulica, elétrica, tudo já no projeto, então tem que estar muito maduro para você fazer entrada.
E torcer para não ter uma árvore dentro do terreno. Aí trava tudo.
O Zé está fazendo isso por causa de uma casa, conta a história.
Não, a gente já teve... Eu já tive casas assim, de sair no jornal, replantar 50 árvores por causa de um coqueiro que eu derrubei. Então é... É bem complexo. Uma casa... Não sei se é essa que você tá se recordando, mas eu me recordo.
De uma... Foi na hora 15 lá que a gente fez, lá que você tava falando bem, eu lembro.
Da onde?
Era ali na... Era duas casas que a gente fez, assim. E aí era... Era ali na rua, perto da Estação Vila Madalena do metrô.
Ah, sei!
A prefeitura não aprovou ela tirar uma árvore. E assim, era uma árvore fia, a gente queria pagar. Tinha uma árvore atravessada no meio da casa, tudo construído em volta da árvore, e a árvore nasce no banheiro dos caras.
Esse caso era pior, porque eles mandaram fazer um estudo, pra ver até onde a raiz da árvore alcançava. Por exemplo, a árvore tava aqui, era um estudo de solo por radiofrequência pra ver onde a raiz alcançava e você só podia fazer a escavação do terreno a partir de onde acabava a raiz da árvore. Ou seja, o cara perdeu quase 4 metros da área dele ali pra poder escapar da raiz da árvore. Então essas coisas travam também.
Isso aqui é interessante.
E acho assim, eu sou super a favor de manter a flora, né? Especialmente a flora nativa da Mata Atlântica, que não é o... Provavelmente não é, deve ser esse coqueiro aí, mas... Falta um projeto da prefeitura, dos órgãos ambientais e assim, então assim... Olha, o cara vai construir, o cara vai comprar o terreno, tem umas árvores, mas ele precisa construir aqui, vai ter que tirar, sei lá, seis árvores, tem que tirar, puta. O cara comprou, quer construir, é importante, gera economia, tem que fazer. Não é que a gente... E geralmente, nem um cliente meu é predatório. Nunca vi um cliente falar isso abertamente, predatório. Eu quero tirar essas árvores, se der, e tal. Não tem isso. O cara quer manter, não dá para manter, não tem que tirar mesmo. Como a gente faz? Vários clientes já falam assim. Eu posso pagar 100 árvores, posso escolher uma avenida em São Paulo, eu ponho 100 árvores aqui. Resolve o problema da falta de árvores. Todos estão interessados em fazer isso. Não existe essa possibilidade.
Não existe esse... É, na verdade, compensação.
Não, tem que ser... um pouquinho pode ser fora, mas assim, o grosso tem que ser no próprio terreiro, mas às vezes não cabe, aí o que acontece? Acaba acontecendo. O cara tem que fazer na marra, aí tira, aí faz a compensação, demora muito tempo isso daí pra conseguir a aprovação e tal, então... E aí tem que ser no próprio terreno, aí o cara coloca umas árvores lá pra ele tirar, porque ele sabe que não vai poder pôr lá, porque vai ter uma vaga de carro lá, então não adianta ele pôr a árvore, ele põe a própria e depois ele tira. Que é uma coisa ruim que o cara não quer fazer isso, mas ele acaba sendo levado às vezes a fazer isso, quando ele poderia, tipo... Tá disposto a falar, 300 árvores na avenida tal. O cara faria feliz sair da... O cara tem orgulho de falar, olha eu fiz as árvores nessa avenida aqui pro filho passar 10 anos depois. Então falta um pouco disso daí.
O problema é que o time de resposta da parte da prefeitura pra remoção de árvores é diferente da aprovação. Não conversa com os dois juntos. Então às vezes você aprovou, mas não aprovou a árvore.
Exato.
Esse é o problema.
Tem uma divergência aí, né?
Você tem um projeto carimbado, aprovado, com.
Alvará de execução, mas tem a árvore lá que ainda não te impede de fazer.
Isso, a gente tem que fazer uma casa integral da árvore, porque não saiu a aprovação de tirar aquela árvore lá que já tinha aprovado nos outros órgãos. Então é uma coisa complexa.
Aproveitando esse tema de árvore e tudo mais, eu queria entender de você como é pensado essa questão da sustentabilidade desde as soluções construtivas que você vai utilizar num projeto como esse. Se de repente a solução que você está especificando para aquele projeto de repente não é um facilitador para a remoção dessa árvore, enfim, para outro lugar.
Quando é possível. Tem uma árvore no meio do terreno, uma linda, uma puta árvore lá, vamos fazer um projeto ao redor da árvore. Eu fiz já projetos dessa natureza. Não quero nunca tirar a árvore. Agora sim, são coisas que acontecem, mas nosso trabalho sobre sustentabilidade, a gente acredita que ela surge na verdade, ao contrário de uma grande propaganda que existe hoje em dia, a gente está afim de acreditar que ela surge junto com o traço do Norte Teto. Então, é muito mais um retorno a práticas de sustentabilidade passivas que existiam já nos anos 40, 50, no modernismo brasileiro, do Lelé, de... de vários artéticos, tipo vou usar uma pérgola, vou usar um brise, vou usar um cobogó aqui, vou orientar da forma correta aqui o projeto, vou usar o teto de jardim, teto de jardim é novidade? Não, teto de jardim é do Corbuzier de 1927, então assim não é novidade, é novidade as pessoas adotarem 100 anos depois, né? Então, assim, você usar essas coisas e também ter uma atitude regenerativa, não só sustentável, assim, tipo, ah, eu coloquei várias espécies, várias plantas aqui, legal, mas o legal mesmo é colocar as espécies, por exemplo, aqui em São Paulo, colocar as espécies originais nativas da região, da Mata Atlântica, como estava do Ricardo Cardim, E fazer um trabalho regenerativo. Além desse prédio ser sustentável, ele tem que ser regenerativo. No sentido de, assim, muros existem pra você se sentir protegido do seu vizinho, do ladrão, pra você ter sua privacidade. Mas eles não existem pra flora, né? Ou passarinho, pra fauna, assim. O passarinho passa, pega a semente de um, põe no outro, a abelha passa, os mosquitos passam, as lagartixas, todos os pequenos animais. Não tem essa coisa do muro, para eles é uma coisa só. Então se todo mundo fizesse desse jeito, seria uma regeneração da flora e por consequência da fauna local, que seria importantíssimo para aspectos climáticos e assim por diante. Mas voltando à nossa questão do traço, A gente não concorda muito com assim, ah, faça um prédio todo de vidro voltado para o Oeste. Às vezes tem que fazer isso, tá? Mas como conceito, é um prédio igual ao da década de 80, igualzinho, pá, um pouquinho mais moderno os elevadores, põe um ar-condicionado mais eficiente, ecológico, entre aspas. E não abre a janela pra ter ventilação cruzada. Tá, a gente tá pegando o problema que a gente mesmo criou nos anos 80, replicando em 2025. e melhorando com gadgets, que é legal ter um ar condicionado mais ecológico, é óbvio, mas não é essa a solução, é conseguir um LEED, tudo bem, você preenche aquela lista. Seria mais legal ter um breeze, esse prédio abrir, ventilar, ter ventilação cruzada, você ter que usar menos vezes o ar condicionado, o cara poder abrir a janela, parece muito mais sensato do que só meter um monte de coisas tecnológicas num projeto ultrapassado. Eu acho que essa consciência de que o projeto pode ser melhor, desde o traço e abraçar as coisas de sustentabilidade, eficiência energética, também abraçar os guedes, também abraçar a placa fotovoltaica, também abraçar as espécies nativas e essa ideia regenerativa, o teto do jardim, a massa da inércia passiva de calor e frio, é um conjunto de atitudes projetuais, e não pegar o mais do mesmo e mandar bala lá.
Quando você fala de brise, me chama a atenção, inclusive, os projetos de vocês, vocês usam bastante, né? Assim, pra mim...
Eu que faço. Você que faz?
E eu acho bacana o uso do brise, assim, porque ele tem...
O brise é o osso.
Tá, ele dá o filé mignon para os outros e a gente passa o osso.
Não, a gente faz o filé, mas tem que comer o osso também.
Mano, como que funciona assim? Qual que é a função principal ali? Porque, assim, tudo bem, além de você ter ele muito casado com a arquitetura ali, né, de estar conversando muito bem com a arquitetura, qual que é o papel principal do Briz, assim, para a nossa audiência que está acompanhando principalmente estudantes de arquiteturas, enfim, engenharias e investidores?
Olha, o papel principal do Breeze assim né, ele vem de Breeze, vem de Breeze Soleil, que é o Breeze Contour Sol em francês, que é o Breeze pra você minimizar o impacto térmico dentro do ambiente, né? E o brise vale para tudo, qualquer tipo de brise, pode ser aletas, pode ser ripas metálicas, pode ser de cerâmica, pode ser o Cobogó. Cobogó é um brise, né? Meio feita no Brasil, em Recife. Cobogó é o nome dos, são três fundadores, esqueci o nome dos caras, são bem portugueses, tipo Coimbra, Borges, Mas não é isso exatamente, mas que é o Cobolgó. Então era uma fábrica em Recife e virou Cobolgó, mas é um brise também, é um elemento de sombreamento, mas também se usa para outras coisas. A gente já usou brises que o Zé fez, por exemplo, na Casa Mirante, que era uma ideia mais de proteção de privacidade do que de... de sol, propriamente dito. Nesse sentido, se alinharia com a arquitetura mourisca, assim, né, do pulso humano, assim, do periotomano, que era aquela coisa de... É melhor ficar lá e ver e não ser vista, né? Então, também é uma coisa que é bacana.
Mexe um pouco com o seu imaginário ali, com a sua imaginação.
Sim, então também tem esses... Pode ter esses papéis, né, de... se reservaram ou não se reservaram, podem ser móveis, podem ser inteligentes, como o do Janovel lá do Instituto do Mundo do Árabe, que bate a luz, o sol, e automaticamente a fotocelular abre. A gente tá fazendo muito legal. Agora, não sei se você tá envolvido nesse projeto ou não, lá em Cuiabá, de uma casa no Lindote lá, sabe qual que é isso?
Se for mesmo o que eu tô pensando, ele ainda tava em processo. É que era tudo de gabeão?
Isso. Tá rolando essa obra aí. E aí ela tem uma parte que é de concreto que tá sendo feito, tem uma parte metálica, não sei se vai ser com o Zé ou não, mas ela é toda de... ela é um envelope de gabião de pedra, né? Suspenso, que é uma coisa meio contra lógica, mas tem toda uma poesia, um porquê disso, com umas pedras locais que não esquentam muito e que fica escorrendo água e circulando água por isso, então o vento atravessa esse brise de pedra, digamos assim, ele é falhado também, não é um monte de pedra empilhada, é alguns lugares mais, menos, ele passa e resfria o ar e cria um microclima interno, então é um brise ativo. Nossa, que legal. Ele é passivo no sentido de bater o sol.
Estavam na brisa quando projetaram o brise.
Não, eu não sei quem que brisa mais ali.
E tem essa coisa de água circular que tá ligada numa placa fotovoltaica aqui em cima e que, né, É ativo também, você gasta energia para refrescar o ambiente, mas de uma forma diferente.
Eu fiquei curioso para ver esse projeto, principalmente tratando esse de Cuiabá, né? Que aquilo não é um calor, aquilo é um sauna.
A ideia é que aquilo não dá para fazer nem varanda, vamos fazer um microclima. Então essa é a ideia, de fazer um pequeno oásis, um terreno sem... sem vista, assim, num condomínio, então ele fica, né, fechado pra si mesmo, mas é bem legal. Vamos ilustrar com algumas imagens.
Eu vou aproveitar que a gente tá nesse tema, né, de materiais e perguntar, assim, como que vocês estão lidando hoje, a gente tá vivendo aí essa transformação do clima de uma forma tão, assim, forte, Como que você tá tratando hoje na arquitetura essa parte da escolha de pisos, assim? Principalmente nas áreas externas, onde você precisa ter uma drenagem.
Ah, acho que uma das novidades, já tenho há 10 anos, mas quando apareceu eu fiquei muito impressionado. Acho que o Zé também quer aquelas placas de piso drenante, né? Que você põe embaixo da torneira, assim a água passar, você fala, nossa, o que que é isso? Então o piso drenante, a gente usa bastante no escritório, acho que é um recurso muito legal. Passa mesmo, foi mais uma torneira lá, água. Passa mais que uma bucha, a gente lava o corpo. É bem bacana. Então é um recurso... A gente já tinha pisos semidrenantes, com cangramas na vida, mosaico português colocado só na areia, coisas assim, que já funcionavam um pouco, mas não dessa forma tão agressiva. Então é uma coisa que dá pra ser térmica, funciona de um jeito bacana e tal. Mas ele manja. Tem que ter muniforito. Tem uma criança lá e tal.
Em atendimento diário, impervinável, né?
Super solução legal.
Aproveitar a sua presença aqui. Você acha que seria possível a gente começar a aplicar em centros urbanos? Ou não era demais? Ou falta um pouco de interesse da iniciativa pública para usar esse tipo de solução nas calçadas dos centros urbanos?
Eu acho que super utilizável. Na verdade, a gente está colocando em várias calçadas. Nosso escritório era feito com isso, nossa sede anterior era feita assim. Mas a prefeitura não aceita atualmente nem qualquer grama, nem... Que é esburacado, que você vê o da terra lá, ao contrário desse. Ela aceita mais como a parte permeável da solução por conta de... Eles não sabem como está aí embaixo. O cara pode ter feito um contrapiso e colocado isso em cima. O que é uma pena. Porque, sei lá, daria pra fazer um laudo, ter uma foto de como é que é, sei lá, o cara tirar uma peça pra ver como é que tá feito ali embaixo. E assim, os padrões das calçadas de São Paulo tem lá um padrão agora, que também não é seguido, porque também aqui no Brasil tem esse negócio das calçadas serem dos proprietários e não públicas, o que leva a calçadas mais grotescas do que tem por aí. E eu acho que, eu tenho certeza, mas acho que tá tudo de, vamos chamar de blocrete, assim, que eu acho que não é a solução, que é a melhor solução.
E ladrilha hidráulica, né?
Ladrilha hidráulica, mas é só no São Paulo.
É, no São Paulo.
Que também não é premiável, né?
Mas aí quando você vai pro bairro, é, cada um tem a sua frente, a sua calçada.
Exatamente, é. Não, porque tem que ser 98% da cidade, assim, é o... Aí é o cimentadão ali, se passou uma vassoura pra ninguém escorregar é muito quebrado. desalinhado um com o outro, né? É uma questão mais profunda do que o material em si, eu acho.
José, agora queria que você fizesse aí uma pergunta pro Fernando, coisa que você sempre quis perguntar pra ele e você nunca perguntou. Aproveita esse espaço agora.
Nunca passei vontade, não.
Vou falar a verdade.
Então, vamos lá. Que pergunta você gostaria de compartilhar aí?
Indo assim pra... pra como eles pensam nos projetos, né? Porque os projetos deles são arrojados. Eu vou falar que os outros arquitetos não fiquem com ciúmes, mas as obras mais bonitas que eu já fiz são projetos deles mesmo.
Obrigado, Zé. Valeu. Vale muito.
Como que nasce... Nós falamos no começo do Bate-Papo, um projeto desses, mas como eles viajam dessa maneira, com essa volumetria que tem os projetos. Isso parte da ideia do cliente ou é vocês que oferecem isso?
Não, nunca parte do cliente, assim, né? A gente se provoca mesmo pra fazer. Em todos os aspectos, né? Assim, com você sempre são coisas mais construtivas, que vão durar. Então, quando a gente vem, quando a gente tá fazendo com o Zé, ele é legal, porque a gente vai sentar lá e fala assim, é, vamos fazer aqui o negócio, vamos fazer um balanção e tal, dá pra fazer, não dá, como otimizar e tal. Tem uma troca muito grande, né? Ele ajuda a gente a pensar e fazer, e fazer acontecer, executar mesmo. Até agora era aquela casada, um marafiote inclinada, depois é um desafio novo, terreno 50% de inclinação, aí fica esses... Mas também eles pedem pra gente pirar daí nesse caso, né? Mas a minha... a gente tá fazendo um pavilhão agora pra revestir, que é pra... pra usar um exemplo totalmente oposto a coisas que a gente trabalha, né? A gente tá fazendo um pavilhão pra revestir pra uma empresa de metais internacional chamada Kohler, né? Que é muito bacana e tem... É uma empresa gigante fora do Brasil, no Brasil não é tão grande, mas são metais super de alto padrão e louças. E é o estande da Revestir e tal. E aí, minha esposa perguntou outra, falou, pô, mas ficou muito legal isso daqui. O pessoal foi contratado pelo pessoal do Brasil, do Marketing do Brasil, que são uns caras muito legais. E o pessoal de fora veio ver a apresentação depois que o pessoal do Brasil falou, ok, gostamos. E gostaram muito e falaram, puta, a gente quer comprar o conceito que a gente quer replicar aqui em umas feiras internacionais e tal, que foi uma coisa legal, porque o Brasil é uma pelas muito pequenininha dessa indústria, então o nosso processo de projeto junto com o pessoal do marketing daqui tá levando essa ideia brasileira pra essa empresa que tá em sei lá quantos países pra rodar pra fora. E aí minha mulher perguntou, mas como é que é? Eles vieram e falaram, quero que você faça uma coisa assim, assado e tal. Eu falei, não, eles vieram e falaram assim, ó, referência que a gente tem é o que o pessoal do marketing internacional tá fazendo, que é uma feira chamada Cames, que é uma coisa, uma casa corcada, ambiente de um jeito, muito maior, inexequível pra revestir, que é outra realidade de tempo, de visitantes, de duração, de budget. E era um negócio com vários ambientes, uma coisa que a gente nunca faria. Mas era a única referência que tinha. A gente teve que falar, põe de lado e vamos fazer o que a gente acha que dá pra fazer dentro desse tempo. Então são, sei lá, 1.600 tiras de tecido penduradas, que variam de, sei lá, 40 centímetros, 4 metros e meio de altura, nomeadas cada uma com seu comprimento, que vão criando anéis, que vão se entrelaçando e cria toda essa cenografia, quer dizer, numa feira. E que aí eu liguei pro Zé e falei, Zé, eu preciso torcer um perfil em duas direções. Quando é que eu falo? Ele, não, liga pro cara que tá no Rio. Faz aí, liga pra esse cara aqui de calendragem do Rio pra ver como é que faz. A gente vai lá no dia C, cara, assustado. Liga aí pro cara da calendragem. Vou conversar com o pessoal da montadora.
Fala quem faz, né?
Você tem o contato, né?
Ele me ajuda, vou fazer o quê? Peço ajuda com os amigos. Se vocês estiverem na minha casa, falam pro Fernando, eu tô com umas dúvidas de... Ele vai me ligar, entendeu? Então a gente tem que ser amigo e se ajudar. É claro, a gente se dá super bem e tal, mas... Então às vezes a gente tem que pegar e o cliente não sabe exatamente o que ele quer, né? Então ele chama a gente porque ele quer uma coisa bacana, legal. Acho que a gente tem que entender muito do... Ele não tá errado em não saber, tá? Ele não tem que saber, porque ele teria que saber? É que nem você vai no médico, você sabe o que você tem? Não, você vai no médico. Você vai no advogado e sabe que você tem um problema, mas a solução ao advogado que vai dar não é você. Você pode vir com algumas ideias, mas se você não quiser ouvir o advogado, você faz sozinho. Então é a mesma coisa na arquitetura. Então as pessoas vêm com a questão e a gente tenta muito entender o briefing. objetivo que a pessoa quer, então, ah, eu quero 3 quartos, eu preciso de tantas fases de reunião, eu vou em empresa, ou quero expor meus produtos pra revestir, tal, tal, tal, mas a gente tem que entender o abstrato, tipo, o que ele tá querendo, ele quer aparecer, né, numa feira, quer ter visuais, que situação a gente consegue fazer desse lugar aqui, é, numa casa, a gente tem que entender, puta merda, É uma casa que ele tá fazendo pra juntar os filhos e os netos, então ela tem que ser mais introspectiva, ela tem que promover a união dessas pessoas que vão estar lá. Ou não, é uma casa que o cara quer fazer e é um cara que não tem filhos, ainda tem, mas eles são um casal festeiro e gostam de receber. Ela é estruturada de outro jeito, sabe? Então... O cara é apaixonado por aquela vista, então vamos fazer alguma coisa voltando pra lá. Então vamos usar isso como um artifício pra nossas ideias aqui. Então tem muito a ver com essa coisa abstrata que a gente tenta captar dos clientes, das empresas. de quem quer que seja o cliente pra poder propor uma coisa aderente, sabe?
Nessa linha que você tá falando agora, eu tava conversando um pouco antes da gravação com o Zé, né, antes de você chegar, a gente tava falando, às vezes as pessoas colocam estruturas metálicas ou um outro tipo de estrutura qualquer lá no projeto e simplesmente colocam revestimento por cima. E vocês têm essa arquitetura bem marcada ali para revelar de fato os materiais ali utilizados. Você tem algum desafio ou alguma dificuldade para convencer o cliente que aquela estrutura metálica, por exemplo, aquele tipo de concreto tem que ser aparente ou não? A gente estava discutindo isso lá atrás.
Tem bastante dificuldade. No caso da estrutura metálica, que o Zé sabe muito bem, muitos clientes querem aquele aspecto. que é bonito, fica legal, precisa ser branco, preto, colorido, enfim. Fica legal. E aí tem um aspecto que joga contra a gente, às vezes, com obras maiores, que é o fato das normas de bombeiros. Porque quando pega fogo, tem que ter um certo tempo que ela aguenta e você tem que dar uma pintura adolescente, que é muito cara.
Mas existe, dentro dos projetos, uma inteligência no projeto, no elemento correto que está sendo utilizado. Tem obras que a gente executa em metálico que aqui ficaria inviável fazer em concreto. Então é o aço ali sendo usado para aquela situação que é certa para o aço, entendeu? Vem cevão, geometrias mais baixas, entendeu? Então... A maioria dos projetos que eu vejo, que eu executo no alto padrão e essas obras diferenciadas, é o aço sendo usado pra necessidade dele. É uma ajuda de ação, eu já fiz casas em estrutura metálica, que se você for lá hoje, você não sabe nem que ela é metálica, a pessoa revestiu ela inteirinha.
Ele não precisava, né?
Não precisava. Podia ter feito convencional e ia gastar seis meses a mais pra fazer.
A gente tem muita dificuldade de convencer o cliente a fazer qualquer aparente. Qualquer aparente é um negócio que virou tabu no Brasil, não sei porquê. A gente tem a tecnologia, a gente tem o cimento, a gente é um país especializado em concreto, a gente foi o líder do concreto armado durante décadas, no século passado, com o Niemeyer pra frente. E as regras mudaram, a gente tem muita construção, autoconstrução, todos os índices tem que ser muito altos para o concreto, porque se não era para ser Brasília hoje em dia você não passa nas normas. E aí o lance do concreto aparente eu não sei como se perdeu, porque é uma vertente pelo menos da Rocha, do Pritz, do Artigas, do Niemeyer, dos grandes exemplos que a gente tem aí. Alguns envelheceram mal e tal, mas por mais falta de manutenção do que problemas de projeto, E assim, pra fazer um prédio de concreto aparente, nossa, é um drama. Ah, não, concreto aparente, meu Deus. Na verdade, se você tiver a manha de executar e tal, é até mais barato. Então, é uma solução que, por exemplo, em outros países se usa muito. No México, por exemplo, lá, qualquer lugar de alto padrão é um prédio de concreto perfeitinho atrás do outro. Concreto aparente, do jeito elegante que eu tô falando, tá? De alto padrão e tal, um atrás do outro. E lá ainda tem terremoto, quer dizer. Teoricamente, tem até um problema de fundações, uma estrutura hiperestática em cima, que aqui a gente ainda tem a vantagem de não ter esse problema. Então isso é uma coisa mais difícil pra gente do que até... o cara topar a metálica aparente, desde que a pintura intumescente não inviabilize o...
É, nós temos casos que o cliente pediu para não pintar a estrutura.
Mas e aí como que você lida com isso, com a questão de normas de bombeiro?
Se for maior, tem que fazer.
Quando você está em residencial, nós não temos esse problema, mas esse problema vai para o comercial, para o industrial e para o edifício mesmo. Mas nós tivemos um caso de um cliente, você conhece a obra lá, Casa Mirante?
Ah, sim, conheço.
Que ele falou assim, eu não quero pintar, quero aço bruto. O aço é aço estrutural, passaram a ser, ele me ligava, agora não liga mais, mas a cada dois anos ele ligava a mim pra ver se tinha corroído muito a estrutura dele. Não se tratava de um ambiente agressivo, a corrosão era superficial. E foi ficando. Hoje eu sei que ele já pintou, mas faz mais de 10 anos na Fernanda.
Faz, ele adesou.
Ele pintou, mas ficou acho que por uns 8 anos sem pintura.
Sem pintura, correto.
Zé, você acha que o Fernando, o escritório FGMF, tem sorte pra pegar uns terrenos privilegiados como aqueles, assim? Você pega a própria Casa Cigarra também, que pra mim é um grande exemplo de...
Mas quem tem sorte é os clientes de achar o... Boa, Zé, gostei!
Isso aí, olha aí!
Poxa vida, não, porque tem uns terrenos assim que eu olho, aquela casa mirante, a própria... Tem um outro projeto que eu não lembro que eu fiz, que eu acho que eu gravei com você em 2014, eu não lembro agora qual que é.
Mas eu acho que é muito mais o que você faz da arquitetura do terreno que tinha dado do que a chance de pegar um terreno legal, porque tem um monte de terreno do lado lá, né?
Nós temos uma casa no Alphaville 1, né, Fernando? A casa da... Aquela que não tem parede, o cara não tem parede pra colocar um interruptor. Então você chega na casa e tem um pedestalzinho aqui que é pra ele apertar o botão e acender a luz. Porque a casa é toda suspensa, pendurada. Então é um projeto arrojado, que é uma treliça na frente, lembra? Nós levamos uma treliça inteira pra essa obra. A laje de cima apoia nessa treliça e o piso superior apoia na laje.
É a casa Kumaru, é.
Não tem parede.
Não tem parede embaixo.
A casa você tem, vocês tem fotos, né, pra mandar pra gente?
Temos, tem até o sistema estrutural, ela é legal porque é uma mistura de concreto e metálica também. E é uma casa que tem cinco pilares atrás, assim, no fundo, fora da casa. E aí umas vigas invertidas aí em cima, que caem nessa treliça que o Zé montou num dia, assim. Esse vídeo da treliça é que eu perdi. A gente não achou demais, né?
Não, foi feito a timelape dele.
É, eu sei, mas eu não acho esse arquivo.
Eu tenho, eu acho que tem.
Você tem?
Manda pra gente, manda pra gente.
Eu te pedi uma vez, você falou que a chave aqui não tinha perdido.
Tenho que achar, mas... Se achar, me.
Manda, porque eu vou pegar. Tá gravado. Ou se ele botar aí um... Ou se ele botar aí um dia, ele bota esse satélite, você quer? Sei lá, tem uns 30 metros, 40?
Eu saí, naquela época, minha empresa era em Osasco. Nós saímos de madrugada na Castelo Branco com o batedor, com tudo, por causa do volume, a peça acho que tinha 3 metros de largura, 3 metros e 20. e 18 metros de comprimento.
18 metros de comprimento?
Não, 18 pedaços que eu levei, mas tinha mais 6 ficando 24, entendeu?
Ah, entendi, 24.
É que 24 era exagero pra levar, né?
Sim.
Então, levamos em dois pedaços e apoiávamos em dois pilares.
A gente contratou uma fotógrafa pra fazer esse time-lapse, porque a gente sabia que ia montar tudo num dia só, era um dia memorável da estrutura, então a gente gosta de participar. A gente participa da obra, né? A gente tem uma equipe de obras no escritório, a gente construía nossas obras no começo. Então também isso que a gente deu uma carga de gostar do canteiro, então tipo, esse era o dia de montar essa estrutura, todo mundo foi lá, vamos ver montar essa estrutura e tal. Porque ela pega cinco vigas invertidas de concreto e pega essa grande treliça do Zé, que joga em dois pilarzinhos de concreto de alto desempenho só. Então fica uma treliçona que segura os breezes toda e pendura metade da casa. Joga em dois pilares só.
Essa é uma das obras, eu gosto muito do tema, porque quem olha hoje a casa pronta, fala assim, ah, puta que legal. Mas ninguém entende que a viga da cobertura tinha uma contra flecha de oito centímetros e era tirantado pra segurar o debaixo.
Mas é de oito centímetros.
A gente teve que simular uma carga na estrutura de cima pra poder fazer o tirante funcionar, então eu montei a laje da estrutura do superior em cima do escoramento todinha, só coloquei o tirante funcionando depois de fazer o teste de carga na laje. pra ele poder funcionar que nem uma flange. Então, tem uma peculiaridade, assim, de quem gosta de estrutura, esse projeto é muito legal, entendeu?
E hoje você vê mais, né? É uma coisa... A gente gosta de trabalhar com quem gosta daquilo mais.
É, né?
Eu gosto. Quando o cara não gosta, ferrou. Quando tem engenheiro preguiçoso, lá de campo, sabe? Você vai fazer uma obra. Às vezes não é nem uma obra sua, é uma obra da incorporadora, da construtora tal, tal. Aí você tem que ter um engenheiro lá que o cara não sai da... O cara não sai do escritório, ferrou. Porque, assim, tem que andar na obra. Tem que andar na obra. Você não anda na obra porque você não tá muito afim, sabe? Saca, ficar aqui no computador olhando as coisas, forçando, não sei o quê. Tem que olhar a obra. Não precisa todo dia, mas precisa olhar. E precisa olhar com prazer. Ir lá, olhar, arruma aqui, chama o fulano, arruma aquilo lá. Senão a coisa desanda, entendeu?
E dentro da minha área, voltando assim, falar um pouquinho da engenharia dentro de obra, são pouquíssimos os engenheiros que conhecem estrutura metálica e que sabem ler um projeto de estrutura metálica, entendeu? Então a gente entra na obra, assim, é muito na confiança, fica muito à vontade. de estar executando aquele projeto e com toda a responsabilidade, porque é só o nosso olhar mesmo em cima daquilo. A engenharia da obra, ela não tem a visão disso, entendeu?
E o ambiente de obra, ele é muito bacana, né? Uma energia, assim, sensacional. Eu gosto muito de canteiro.
Eu gosto também, eu acho o canteiro legal. Tem coisas acontecendo, você vê a coisa nascer ali e tal. Então as épocas são meio chatas, né? A situação hidráulica e elétrica foi tudo cinza, né? Não acontecia nada.
A primeira parte legal é só ter a estrutura.
Quando ficar pronto, você gosta de ir lá dar uma olhada. Tirar foto.
Fernando, você tem algum projeto que você gostaria de citar aqui antes da gente estar chegando no final? Que ele é em estrutura mista, concreto, madeira e aço?
Sim, tem uma casa que a gente chama Casa Bosque, que é concreto, madeira e aço. Acho que fizeram um trabalho nesse projeto. É legal esse projeto. É uma casa bem bonita, bacana.
Onde que fica?
Porto Feliz.
Porto Feliz.
E ela abraça um bosque, assim, chama a casa bosque, umas puta árvores e tal. Quando os clientes contataram a gente, eles falaram assim, a gente gosta muito dos prédios de vocês, mas a gente quer uma casa com cara de casa, viu? A gente não quer essas coisas muito loucas não e tal.
E um projeto do Heidemann também, que são os três, né?
Ah, que também são os três, o Heidemann, é. São os três, é isso mesmo. A gente vai fotografar agora, acho, semana que vem.
Eu acho que a gente conseguiria gravar, a gente tem uma série por dentro do projeto, onde a gente leva o arquiteto chama a pessoa que ocupa, né? Alguém, o cliente, para fazer esse bate-papo, para falar um pouquinho, né? Da experiência da pessoa com o projeto. Você acha que rolaria de um modelo de fazer algo assim?
Acho que talvez o Hydro, talvez role, precisa forçar com ele.
Aí você vê, aí você fala para a gente ver se a gente consegue fazer um... É bem legal, assim, é um... É muito legal mesmo, eu gostei bastante da experiência que fizemos aí no passado. E agora eu queria... A gente tem um quadro Convidado convida, você pode indicar até três convidados.
Mas para falar sobre qual aspecto você quer?
Você escolhe, você gostaria de ouvir ele falando sobre um tema que você vai trazer, você vai indicar ele para vir aqui falar sobre um tema que você entende que ele domina.
Olha, para falar sobre... Não é nem pré-moldados, é sobre ilustração da arquitetura no sentido modular mesmo da coisa, acho que o pessoal que está à frente domina e mode, que é um módulo que você compra pronto, chega pronto, pronto, com tudo, com papel higiênico, assim. E aí você pode ir, vai na obra e monta um com o outro, tipo um Lego e fica uma construção. Que era o pessoal do Mapa, que era a história que era de dois caras que são de brasileiros e dois uruguaios, todos amigos nossos, mas eles se separaram agora de novo. Então eu não sei quem tá à frente desse projeto, mas o pessoal do Minimod, acho que seria um convidado muito massa de ouvir aqui. Acho que o pessoal do Bloco Artéticos de Brasília seria muito bacana de ouvir também, são ótimos artéticos, tem muita similaridade com o nosso trabalho e também muitas diferenças de aparência, mas uma lógica construtiva muito legal, assim, sabe, um modernismo lindo, assim, no bom sentido da palavra, assim, eu tenho uma inveja dos projetos deles, de tão lindos que são. E, por fim, Eu acho que seria interessante ouvir o cara que eu acho que é o melhor arquiteto do Brasil na atualidade, que é o Angelo Butti.
Angelo Butti, também gosto muito. Agora você pode indicar aí três pessoas que você entende que somaria muito, ou seja, que complementa aí esse bate-papo que fizemos aqui.
Eu acho muito bacana. bons projetos que nós fizemos juntos.
Pode ser também alguém da indústria, tá?
Sim, bons projetos que nós fizemos juntos, o Leandro da Gama Z. Porque dentro dessa concepção doida de projeto, há soluções, entendeu? E eu entendo que o Leandro é um projetista arrojado.
Super, super.
Eu acho que seria...
Ele quase veio hoje pra falar com a gente.
Isso é muito legal.
Quase.
Ele é uma figura.
É um bacana. E... Tá convidado, Leandro, você já... a gente já se conhece também.
E construtora, eu traria o Diego, da CPA, um cara muito bacana, a gente tem uma parceria bastante em algumas obras também. Eu acho que é isso.
Tá. Então eu queria até aproveitar pra te falar que a gente vai estar no Nexpo Construção Offsite. A gente vai estar com o estúdio lá e tal. Falar com convidados e também com... Vamos levar, inclusive, vocês estão convidados pra fazer um bate-papo lá na... A construção Offset acontece dentro do Sambódromo do AMB, então é uma feira que você consegue de fato saber se aquela construção é eficiente nas questões térmicas, acústicas, porque você tem do lado a Marginal Tietê e do outro lado a Olavo Fontoura. Então os dias 3, 4, 5 e 6 nós estaremos lá com um podcast fazendo esse bate-papo aqui.
Diga aí, quando?
3, 4, 5 e 6 de junho.
De junho.
Já. Salve as energias.
Pensei que já era no carnaval e já...
É. É bem legal a experiência.
Como a gente defende muito essa questão aí da industrialização da construção, e lá é uma oportunidade onde você consegue, de fato, saber se essa solução funciona ou não. Você tá ali no meio do sol, você tem as avenidas ali, ou seja, você tem muito barulho. Não é uma feira que acontece dentro de um pavilhão, assim. Tem uma pergunta aqui da internet pra vocês. Poderiam falar sobre condomínios logísticos e como a industrialização da construção civil impactam o setor?
Então, os condomínios logísticos vão ainda crescer, assim, enormemente no país, né? Como o Zé falou, fica nos lugares estratégicos, geralmente, do encontro de rodonéis com isso aqui.
Eu acho uma maneira, eu fiz, por exemplo, na Castelo, acho que é na Castelo Branco, Eu fiz uma área enorme pra Pernambucanas lá, de uma estrutura como se fosse um mezanino, acho que mais de 3 mil metros quadrados. E dentro desse mesmo centro logístico tinha outras 4, 5 empresas que aproveitavam o mesmo lugar como sublocação. Então isso acontece bastante em centro logístico.
Sim.
Dentro daquele centro logístico, dentro do mesmo galpão, às vezes só é dividido por uma grade. Aqui fica empresa tal, aqui fica empresa tal.
Sim, eu conheço uma pessoa que tem um centro logístico que ele fez pra... uma empresa de leite em pó da família e aí ele subloca o resto e dá mais dinheiro que o leite em pó. Porque assim, isso vai acontecer cada vez mais por várias razões, né? Compras na internet, isso e aquilo, você vai ter que entregar direto pra pessoa, você não vai ter mais o estoque na... Dentro do shopping lá na Fast Shopping, mas é o centro logístico.
E você tem toda a parte logística administrada por quem administra o centro logístico. É bacana isso.
Cada vez você recebe mais coisas remotamente, você compra mais internet, fica mais barato, você tira intermediadores, você tira todas as coisas. Então vai ter mais centros logísticos, inclusive para construção. Você pega aquele pessoal da ABC da construção lá de fora, tem 400 franquias. Eu fiz uma palestra pra eles no final do ano, um evento enorme. de quase 2 mil pessoas, eles vão montar 16 lojísticos aí no Brasil. Porque o lance deles é, tipo assim, em 24 horas tá lá o material pro franqueado deles, entendeu? A empresa do cara é uma empresa de logística, na verdade. É franqueado de uma loja de matéria de construção, mas o lance do cara é a logística. O cara que tá lá vendendo, franqueado ali, não precisa se preocupar com a logística, que é o problema, né? É o estoque logístico. O cara cuida de tudo, o cara tem uma loja, vende a coisa e chega lá em 24 horas. Então, o cara fazia R$16.000 logísticos.
Você acha que essa experiência, geralmente são construções industrializadas, quase 100%, essa experiência que esses centros logísticos, enquanto industrialização, trazem, pode acelerar a cadeia da industrialização da construção civil como um todo?
Eu acho que, com certeza, a cadeia acelera. Por quê? Quando você fala em centro logístico, esse tipo de construção vai para aquilo que é bem o que a gente entende de obras industrializadas. Toda obra é industrializada, na verdade, mas ela pode ser industrializada dentro da sua fábrica e levar aquele sistema para um...
É mais a seco, né?
É mais a seco. Então, com certeza, acelera.
É que você, assim, se é um projeto de grande escala, você acaba pegando aquele exemplo e, de repente, reduzindo pra escalas menores, assim.
Mas eu tenho uma experiência, uma vez, que a gente pegou aquela situação que os caras usavam muito, nem sei se usam ainda, em galpões, falando dos galpões, a distribuição, né, ou esses portos secos, né, que são controles intermodais de trem, ônibus, caminhão e tal. Eles montavam com aquela coisa que era uma placa de concreto de cada lado, com uma telhista no meio e aí um isopor e você colocava o concreto onde precisava só e ia levantando, sabe? Aí a gente, acho que em 2009, 2011, a gente fez uma casa em Bauru, chama Casa das Pégolas Deslizantes, e a gente fez ela toda com essas paredes. que são com cada aparelho que vem lisinho, porque é feito de uma forma vibratória, de uma mesa vibratória de forma metálica e colocou lá e já vem com a elétrica toda pronta e aí os telaços já eram condicionados, só colocaram no lugar. Ele fez uma estrutura metálica e pôs uma Tinha sanduíche em cima, então era uma experiência de fazer uma casa em dois meses. Demorou um ano e meio, assim, porque o engenheiro não conseguia entender bem como fazer. Tava fazendo as paredes, as poucas paredes que tinha que fazer de tijolinhas, fazendo um contraste, né? Tipo, a parede chegando todas prontas no caminhão, o cara em sete dias colocou todas as paredes estruturais, jogou concreto dentro delas no lugar, soltou as vigas metálicas de corovamento, arrematando por causa dessas pernas que deslizam. Te mando umas imagens pra ilustrar, se você quiser.
Ah, quero, sim.
E aí a empresa que fez as paredes de concreto falou assim, nunca mais vou fazer isso. Por quê? Porque assim... A gente tá acostumado a pegar e fazer um volumão. Fazer um galpão lá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, e pode ser desenvolvido por uma empresa, blá, talvez não seja essa empresa, essa empresa focada em outras coisas, mas talvez uma empresa menor possa se focar em uma logística, especialmente agora que tem BIM, você pode receber tudo lá, já põe, roda as formas lá, sai, vem etiquetado e você vai lá e monta, mas precisa de uma especialização do montador lá, que o cara não tinha, que é uma especialização no mundo de obra. Então é um nicho que acho que é super possível ficar muito legal, mas o que a gente tem hoje em dia não atende, tá viciado em outro tipo de solução.
Estão focados muito em grandes escalas, né?
Sim, mas acho que a pequena escala tá aí, é o nicho de que alguém podia desenvolver, né? Não acho que é a empresa, teria que ser uma subempresa da empresa que faz esse tipo de coisa, mas com preço diferenciado um pouco, com alguém mais especializado na montagem, mas assim, era uma casa pequena, experimental e tal, mas que ainda não foi uma experiência positiva por conta da falta de entendimento do engenheiro responsável da construtora local lá. Porque em um mês tava tudo colocado e coberto. Agora demorou mais um ano pra botar o piso e as paredinhas assim, é droga que é elétrica, não dá pra entender. Mas fora isso, faça um condomínio de 200 casas, 100 casas legais. A gente fez agora de 110 casas aqui em Alphaville. Entregues prontas, casas caras. Casas prontas, com sucesso e tal, chama a vista alta. Casas de 250 metros quadrados, casas de alto padrão. Entregas prontas, muda um pouco a fachada, isso e aquilo, pra dar uma paisagem urbana. Mas poderia ser feito um sistema desse tipo, seja esse de light steel frame e tal, e não foi. E não ter ninguém explorando isso daí, eu acho que é um nicho de mercado, mas... Ela é em concreto? Demanda especialização, essa que eu falei, a primeira é em concreto. Essa agora, nessa condomínio, é de concreto molado em loco.
Eu lembrei de uma pergunta que eu queria te fazer. Você recebe muito convite da indústria pra desenvolver algum produto?
Não muito, mas sim. A gente fez uma linha da Coeliane, por exemplo, de revestimentos. São duas linhas na verdade, tem a linha relevo, tem a linha risca e a linha sílica. E agora a gente está lançando a extensão delas e no segundo semestre a gente vai lançar uma nova linha. Eles têm procurado bastante arquitetos para se dar em suas linhas. Mas a gente tem outros produtos, como mobiliário, muita coisa, com a Solarium tem comogó. Já fizemos outros comogós com a Monofat, mas a gente faz para uma obra e depois A gente quer desenhar o Komogó daquela obra que a gente quer fazer, o raio do Komogó e faz ele especial, porque ele é estrutural, ele é auto portante, então a gente só vem com um igual de sarda. E aí depois a gente põe pra... Usa nesse protótipo e depois põe pra rodar, entendeu?
Pra rodar, que legal, que bacana.
Então, mas assim, a gente fez agora esses tecidos, esse negócio de tecidos que eu falei pra Kohler lá, então a empresa de tecidos falou assim, você não quer desenhar um tecido pra gente? Falei, nossa, nunca pensei. e desenhar o tecido, nem sei o que dá pra fazer, mas legal, vamos conversar. Então, há, nos últimos anos, uma aproximação maior da indústria com a arquitetura que eu acho sensacional.
Não, é bacana. Eu tenho notado, assim, a indústria tem nos procurado muito, assim, até porque a gente tem muito contato com os arquitetos e tal, e eu tenho notado que tá existindo, assim, uma procura, né?
Boa baita, né?
É, porque quando ela traz o arquiteto junto, ela consegue, de fato, desenvolver ali algo muito assertivo, né? Porque ela tem o maquinário, tem, enfim, tem ali a matéria-prima, enfim.
Vocês estão afim, os colunistas estão afim, o Orteta tá afim, a Indústria tá afim, acho que sempre é um match muito legal.
Tem alguma coisa que você deixou de falar, que você gostaria de... Eu tenho tantos assuntos pra falar sobre cases, inclusive, com você, mas... Ah, acho.
Que a gente falou bastante coisa, né? Foi um papo bem abrangente, bacana. Acho que falei um pouco tudo. Sempre tem mais pra gente conversar aí, quando juntamos os três, assim, mas... Acho que a gente deu uma passada legal.
É, deu uma pincelada geral, assim. E vocês, tem alguma coisa que você gostaria de falar, que você...
Eu acho que dentro do nosso bate-papo de hoje, tudo foi falado na medida do possível e do tempo, mas eu deixo pra você uma indicação de um tema que é o que a gente sofre bastante hoje, tá sofrendo dentro da construção civil, que é a falta de mão de obra e a falta de capacitação de novos profissionais na mão de obra, a falta de interesse das pessoas em estarem na construção civil. Então, esse é um tema que eu acredito que seja um tema importante a nível de alguns anos, porque a mão de obra tá ficando escassa.
Isso é falta da formação, você acha, Zé?
Falta interesse.
Interesse da formação existe.
Fernando, você imagina que... A minha área é uma área com um profissional, outro tipo de profissional, mas você vai pra um segmento de uma construção civil, onde você pega um servente de obra, um pedreiro, pro cara ganhar um salário pra trabalhar no sol, serviço pesado, não é melhor o cara tá dentro de um... telemarketing da vida, ganhando a mesma coisa no ar-condicionado, trabalhando menos tempo. Então, as ajudas sociais do país também ajudam a contribuir a não ter mais isso também. E a falta. Eu, por exemplo, dentro da minha empresa, eu não terceirizo mão de obra. A nossa mão de obra é própria. E eu formo os meus funcionários. Então, às vezes, eu mesmo dou um curso para os meus funcionários de leitura e interpretação de projetos muito voltado para o que eu faço. Não vou ensinar de uma maneira geral ele a ler um projeto. mas se um projeto de estrutura metálica, o que tem que ter em uma obra, como começa a partida de uma montagem de uma estrutura metálica. E eu vou formando. Eu prefiro às vezes pegar um funcionário que tenha interesse e eu conseguir criar esse funcionário formado, porque está difícil.
Eu acho que desse tema é superinteressante mesmo, Eu sempre defendi muito escolas técnicas para a gente ter profissionais. O pedreiro, o assistente de pedreiro, no sentido aspiracional de virar um pedreiro e depois um mestre de obras e assim por diante, serem pessoas especializadas com uma formação. Então escolas técnicas para isso, né? A gente também não para falar assim, todo mundo vai ser, todo mundo vai passar na universidade. Não, a gente precisa de pedreiro, precisa de outras coisas. Precisa de um pintor, precisa de um pintor bom. Precisa de um pedreiro, precisa de um bom pedreiro, um bom eletricista. E a gente tem aqui uma coisa muito tipo, ah não, isso é uma subprofissão, é uma coisa na raça, é mal pago, né? E isso também atrasou a industrialização da coção, que é o nosso tema de hoje, né? Com certeza, porque a galera encarava e tal. E aí todo mundo doeu na pedreira, só que não. Nos Estados Unidos, por exemplo, Você pega um pedreiro, o cara chega com o ferramental, sabe o que vai fazer, rende, vai embora e custa caro.
Ele chega com a sua picape, seus equipamentos.
E faz, e ele tem uma vida decente, uma vida bacana, melhor que muita gente aqui no Brasil. O eletricista chega com o seu cinto, com tudo lá, sabe o que fazer e tal. Não fica lá perdendo horas e fazendo bobagens e tal, porque o negócio é muito... E elétrica, especialmente, é um negócio assim, falando de residência e tal. Pô, é um negócio que você tá lá com o projeto, segue aquilo lá e passa, é um jogo de multar, né? E aqui no Brasil nunca se deu atenção pra isso, então acho que faltam essas escolas técnicas e ele ser mais bem pago, que ajuda a indústria da construção e ajuda as pessoas quererem nessa profissão, porque vão ter uma vida decente, né? É uma coisa complexa.
Na minha opinião, eu acho que esse déficit de mão de obra, na construção, você vê a mão de obra básica, vai acabar encarecendo o custo da mão de obra.
E vai levar a industrialização na marra. Não é do jeito certo, né? Que seria os caras serem formados e terem uma vida mais digna, serem caros e por isso ter industrialização. Não, vai ser ao contrário.
Eu duvido você entrar em qualquer canteiro de obra corporativo, residencial e achar um pedreiro de 22 anos, 25 anos.
Não existe. Não existe. Eu queria até aproveitar, a gente tem uma parceria muito forte com o Senac, até mandar um abraço para o Josué, mais um abraço. Se você toparia, Fernando, um dia ir lá fazer uma palestra para os alunos de edificação, tem também o de estradas, eles têm três cursos lá, voltados para a construção civil, até aproveitar para você.
É um prazer.
Dá uma palestra lá e você também para falar um pouco sobre essa parte de leitura de plantas metálicas. Eu estou organizando aí um evento bem interessante, inclusive eu estou vendo se o hotel governador vai também para falar um pouco Ele, como é engenheiro, né, atua muito forte no desenvolvimento de obras, de fazer algo bem, assim, bem estruturado.
Eu tive uma experiência bacana com o Senai.
O Senai também é um grande parceiro.
O Senai, do... em uma parceria com a gente, forneceu cursos pra soldadores, forneceu algumas leituras e interpretações de projetos. Eu tive alguma parceria com eles nesse sentido sem custo nenhum, foi muito bacana.
O sistema S é muito legal, né? Pena que não tem mais dessas coisas.
Então vamos tentar ampliar, porque a gente tem um propósito aqui no ConstrucCast de ser o motor de transformação da construção civil através da educação. E assim, sem educação a gente não chega a lugar nenhum. Então eu vivo em canteiro de obras, assim... semanalmente, eu vou pelo menos três vezes em canteiro de obras, visito periferias, então eu consigo levar alunos, tem muita gente interessada, tá? O que tá faltando de fato é oportunidade, ou seja, quais são os caminhos que a gente tem que trilhar pra chegar e se tornar um bom profissional no setor. Então, eu acredito que a gente consegue, de fato, transformar um pouquinho, mas é no momento que a gente cuidou oportunidade.
A gente consegue Que bom, porque é essencial, né? As coisas não são construídas sem isso. Por mais que a gente industrialize, né? Tem que ter.
Sempre vai existir essa mão de odor, sempre.
É, acho que é uma carreira, assim, bacaníssima, assim, sabe? Quando o cara enxerga que ele não tá pôndo um tijolo atrás do outro, se ele tá construindo um prédio, uma puta casa, uma série de empresas, o que é que você construiu na cidade, né? É uma outra visão, assim. Eu sempre ficava muito feliz, assim, né? Acabava o projeto daí eu via todos os pedreiros tirando fotos das obras ou alguns levavam a família para ver o que ele tinha feito, sabe? Porque pô, ele fez. Eu fiz, mas ele fez também, o Zé fez, todo mundo fez. Não é um negócio de uma coisa só, o arquiteto fez, não. Tu pensou, projetou, o Zé projetou com a gente, construiu, o soldador do Zé pôs a viga lá no lugar, senão a coisa não funciona, é o barco o negócio, entendeu? Tem o Marujo, tem o Capitão, tem o Contramestre, tem todo mundo lá, entendeu? E assim, a profissão do mestre de obras, eu acho maravilhosa. É um conhecimento super amplo.
O mestre de obras, ele é um carpinteiro profissional. A maioria dos mestres de obras vem da carpintaria.
Sim. Fazer a forma, né?
Porque o profissional mais completo dentro de uma obra é o carpinteiro.
Sim. Faz a forma, faz isso, aprende a ferrar, aprende a dobrar, aprende tudo. Mas pode ser outros caminhos. O importante é ter formação.
Essa sua fala foi muito importante agora, eu fui visitar uma casa de vidro lá em Minas, de um grande amigo, Daniel, ele é da indústria do aço, e ele tinha um sonho de construir uma casa no meio da floresta, então ele construiu uma casa de vidro lá, e ele me convidou, fez um evento para todos os profissionais que trabalharam nesse projeto, foi muito bacana, ele levou arquiteta, Angela Rodão, Levou as empresas estruturas metálicas e cimento, os ajudantes. Então foi um evento muito bacana. Eu nunca vi isso acontecer na Constituição Civil.
Eu vi uma palestra agora, duas semanas atrás, de um amigo mexicano, Michel Rogge, que fez um projeto super importante, que é uma orquestra sinfônica numa cidade ali do México, na Peramara. Lindo o projeto. mas o que ele mostrou no vídeo que eu achei super impactante foi que teve um certo momento no final da obra, mas não tava acabado, tava em obra ainda, os que tão trabalhando lá e tal e que eles... E que aí os diretores da Orquestra Sinfônica mandaram, ó, que a uma hora todo mundo vai estar aqui dentro da Orquestra pra ter uma conversa e tal. Aí os caras falaram, puta, vamos tomar um pito, né? Vamos tomar uma dura. Trazou todo mundo, o arté todo mundo, o servente, o faxineiro, todo mundo. E aí todo mundo juntou lá e aí entra a primeira violinista, né? Que é o que responde pela Orquestra. de um palco assim, vestido de operário, com colete, capacete e tudo, e começa a tocar o violino. Aí entra a orquestra sinfônica inteira vestida de operário e faz o primeiro concerto pra eles.
Nossa, que legal!
Que top, hein?
O primeiro concerto da orquestra foi pra eles que fizeram a orquestra.
Outro dia eu trouxe uma pedreira, a Suelen. Ela, enfim, ela mantém... Ela tem, acho que 40, 40... Não sei se já tem 40. E ela tem oito filhos hoje.
Oito filhos?
E ela mantém tudo com uma profissão de pedreira, assim. Uma excelente pedreira, sabe assim?
Nossa!
E esse foi um episódio que repercutiu muito aqui. E assim, a gente abre esses espaços. Então, a gente recebe mestres de obras aqui, soldadores, soldadoras. Então, é muito legal porque, ou seja, no mesmo espaço que eu tenho o arquiteto, que eu tenho o investidor, que eu tenho o construtor, eu também tenho o pedreiro, o engenheiro. Então, é muito bacana. Agora, eu queria passar as considerações finais aí, Fernando, para você.
Eu quero agradecer o papo, acho super importante divulgar, difundir a questão da, não só da arquitetura, mas da arquitetura com a construção, sabe? Esse link é necessário, importante, uma coisa não acontece sem a outra, né? Os bons profissionais tem que se unir e ajudar com com coisas diversas, que vão desde a solução de um problema, a concepção, a uma melhora social, a uma industrialização, a um awareness de uma série de coisas. Aprendi agora um monte de coisa com o Zé aqui. E para melhorar não só a nossa arquitetura, a nossa engenharia, as nossas construções, mas também o país, já que a construção civil é um dos grandes vetores de crescimento da nação. Então, ela não pode ser negligenciada.
Isso aí, as redes do Fernando estão na descrição dos vídeos, em todas as plataformas. E você, Zé, queria que você falasse um pouquinho aí, suas considerações.
Eu também quero agradecer a oportunidade, é a primeira vez que eu participo de um podcast.
Primeira de muitas, tá?
Você vê que eu falo de todas as áreas, né? Eu não me concentro só na minha, porque eu tenho paixão realmente pelo que eu faço, que é a construção, a engenharia, né? E é isso, eu gostei bastante, eu acho que tem tantos assuntos legais pra ser abordados realmente, que não falam, não tratam só de estrutura, arquitetura, mas de uma maneira geral, né? E pode me convidar sempre aí que vamos estar aqui.
Então bacana, então eu deixo aí o nosso canal aberto pra você, Fernando, pra você, se quiser sempre que precisar trazer alguém pra discutir algum tema, vamos levar isso adiante, que só dessa forma a gente consegue, de fato, transformar a Constituição Civil como um todo.
Maravilha.
Então é isso, pessoal. Espero que vocês tenham gostado da mesma forma que eu. Aproveite para se inscrever em nossos canais, comentar, compartilhar, enfim, trazer sugestões. Estamos sempre abertos aí a aprender também junto com vocês. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no ConstrueCast.
More from Andre

Construção Industrializada no Setor Público: Desafios e Inovação em SP | Marcos Monteiro (SIURB)

Mestre de Obras Merecem Reconhecimento e Nós Valorizamos | Podcast | Construção | Engenharia

Muitos Cursos On-line São Divulgados na Internet | Obra se Aprende na Prática | Podcast

Tenha Cuidado Redobrado na Hora de Comprar um Apartamento | Podcast | Construção | Arquitetura

Quanto Ganha um Ajudante de Pedreiro na Construção Civil? Fala do Mestre de Obras Glaudio | Podcast

O Erro na Reforma Tributária que Pode Custar MILHÕES à Sua Empresa | Podcast #202

Valorização Profissional na Construção Civil | Podcast | Engenharia | Arquitetura #obra

Método CHAMA Gravado Com o Engenheiro Boutros Bichara | Pessoas Negativas | Paulo Barros #podcast

Assista ao Vídeo do Roberto Justos Sobre Caso Daniel Vorcaro do Banco Master | Podcast | Construção

AI FIRST #2 . André Abucham e Lauro Fiuza - Os desafios intrageracionais dentro e fora das empresas

Vidro NÃO É Tudo Igual! Descubra o Erro Que Pode Destruir Seu Projeto | Podcast | Arquitetura