Obras do Novo Distrito Anhembi | Por Dentro da Obra | ConstrueCast

Transcrição de um vídeo em que anfitrião e o engenheiro Welson descrevem a construção do novo Distrito Anhembi, enfatizando uso de estrutura metálica para grandes vãos, métodos de industrialização (peças pré-fabricadas, telhas zipadas), preocupações com sustentabilidade e preservação de elementos históricos (marquise e telhas originais). O projeto inclui um pavilhão de eventos multiuso com divisórias retráteis, cerca de 120 mil m² de área estimada e execução em aproximadamente 18 meses a partir de janeiro do ano anterior.
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Hoje o Costa e Caixa desembarca aqui no novo distrito A&B para mostrar um pouco do processo construtivo dessa obra que está encantadora quando o assunto é sistema construtivo industrializado. Welson, e qual que foi o grande desafio de engenharia, você que acompanhou, que está acompanhando, para conseguir vãos tão grandes como está sendo aqui, que é notório, que eu fiquei um pouco impressionado com o que vi aqui. Pelo menos, falando de Brasil, eu nunca vi algo tão grande como o que eu estou vendo aqui agora.
É, justamente para isso a gente estava optando pela estrutura metálica. A gente parte de uma estrutura de concreto convencional, até mesmo concreto pré-moldado, ele tem a sua limitação. Então, com estrutura metálica a gente consegue volos maiores. Então, o projeto já foi concebido pensando na utilização de uma estrutura metálica parruda como essa. Isso aqui é o pavilhão dos eventos, então é uma área, embora seja uma área multiuso, mas é uma área destinada a partir de feiras, exposições. Nós temos dentro desse pavilhão como um todo, são cinco grandes salas com divisórias móveis na separação entre elas. Essas divisórias são retráteis para poder liberar o espaço. Você pode trabalhar com o espaço utilizando toda a área livre ou então subdividir essa área através de salas por essas divisórias móveis. A divisória é baseada no nível do piso até o fundo da viga, e acima da viga, esse fechamento que acontece, ele é um septo acústico. Se você não tem esse bloqueio, mesmo com a divisória fechada, você tem a passagem do som. Para cada linha de divisórias, a gente tem uma sala de reservação como aquela.
O que você destacaria como o principal desafio?
Eu acho que foi buscar realmente métodos construtivos e atender sem a necessidade dos eventos em curto prazo de tempo para execução. A gente iniciou a obra tecnicamente em janeiro do ano passado e são 18 meses para você fazer todo esse empreendimento que vocês estão vendo aqui.
Estamos falando de quantos metros, assim, mais aproximadamente?
Vamos lá, eu vou estimar 120 mil metros quadrados. Todos esses pavilhões são abastecidos por túneis de serviço. Eu tenho na periferia toda deles túneis de serviço que foram construídos com aduelas prontas. São anéis de seção retangular de concreto e eles foram montados ao invés de a gente fazer no concreto pré-fabricado, executado em loco. A gente optou por peças pré-fabricadas para que a gente só montasse e fizesse a consolidação deles e cobrir com o piso. O nosso telhado, desse pavilhão, ele é composto por duas águas. Então a gente tá praticamente na cunheira dele, que é o ponto mais alto. Então essa caída toda, eu tenho uma única telha que sai daqui e chega até o ponto mais baixo. São telhas zipadas. Então, ele é um painel só, sem emenda de telhas. Então, a probabilidade de vazamento é muito menor, de você ter um destelhamento com alguma rajada de vento é menor, porque são faixas de telhas contínuas. Eu acho que, na realidade, a sustentabilidade está mais vinculada à destinação. Esse material que a gente recebe, todo o material de embalagem é destinado para espaços adequados para recebimento. A demolição que aconteceu aqui, todo o material foi segregado, o concreto foi mandado para a volta fora legalizado, a estrutura metálica foi enviada para reciclagem para empresas capacitadas nessa área. Então assim, desde o princípio, a JL sempre teve essa preocupação. Poxa, a gente vai reconstruir. O que a gente vai fazer com o antigo? Aquilo que a gente conseguiu reaproveitar foi reaproveitado. O que não pode reaproveitar, a gente não pode simplesmente descartar. Então essa preocupação sempre houve. Os materiais também são comprados nessa mesma condição. O material ele vem embalado. As embalagens, esses materiais, elas não são descartadas de maneira aleatória, né? Então tem toda uma triagem pra retirar esse material. A gente queria realmente deixar parte da história do antigo IMB, que remetesse a toda a magnífica estrutura que tinha aqui. E ela tem uma história bastante relevante, até mesmo na construção do Rio Brasileiro. Foi a primeira grande obra feita totalmente em alumínio no Brasil. A ideia de manter a marquise principal sempre foi o ponto-chave do projeto. Era uma estrutura única, espacial, Quando a gente remove todo esse trecho novo que você vê aqui, a gente tinha que buscar soluções para manter estável essa estrutura. Então, essa estrutura metálica que foi instalada, ela já foi pensada e calculada para também receber os esforços dessa antiga estrutura que existia. Então, todos os elementos existentes nessa estrutura, eles estão passando por um processo de digitalização. As telhas de fechamento não foram descartadas, são as mesmas telhas de fechamento que foram para restauro. A cobertura vai ser mantida dentro da mesma estética existente. A gente falar em industrialização hoje, a gente traz tecnologia junto do processo. Você não tem industrialização sem tecnologia. A tecnologia hoje, ela anda em velocidade da luz. Então, se você pegar engenharia civil, obras feitas há 20 anos atrás, o nível de complexidade era praticamente uma barreira intransponível para você fazer. Então, hoje, todo esse avanço que a gente tem e olha que o Brasil ainda precisa, assim, a gente tá trazendo, observando coisas acontecendo lá fora, trazendo pra cá, mas assim, a gente vê que a facilidade e as possibilidades, elas aumentam de maneira exponencial. É uma honra participar disso tudo, de fato mesmo, como profissional, pela vultuosidade do projeto, as técnicas construtivas que foram empregadas, comunicação entre todas elas. Então a gente tem uma estrutura metálica com um fechamento que não é desenvolvido exatamente, então criar elementos para conseguir fazer essa comunhão entre elementos foi muito bacana. Eu, ao longo da minha carreira, eu já passei por vários projetos e cada um com seus desafios, né? Mas esse aqui realmente, por tudo que a gente tá vendo aqui, ele realmente é um desafio muito grande, né?
E o Por Dentro da Obra fica por aqui. Então coloca nos comentários o que você achou e nos vemos em um próximo canteiro. Construir creche, arquitetura, engenharia e construção.
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