Os Novos Profissionais da Construção Civil | ConstrueCast | FATEC

This is a Portuguese podcast interview (ConstrueCast) between Paulo and Josué Góes (director of FATEC São Paulo) about training new professionals for Brazil's construction sector. Josué shares his personal background and explains FATEC São Paulo's public mission: inclusion, 19 courses, ~6,000 students, ~300 professors, 74 laboratories, and strong ties to Centro Paula Souza (which oversees 229 ETECs and 78 FATECs). He stresses industry partnerships, capacity to run applied research (Centro Paula Souza recognized in 2022 as an ICT), and the need to address a national labor shortage via capacitation and innovation. The episode also covers construction industrialization, social responsibility, technology in education, and upcoming events (Modern Construction Show, Oct 1–3).
Chapters
Música.
Sejam bem-vindos, está no ar mais um episódio do Constra e Cast. Hoje eu recebo um convidado que é realmente apaixonado pela vida. Quando você tem paixão pela vida, paixão por fazer, geralmente tudo que você faz é com muita, sabe, brilho no olho? E brilho no olho esse, que ele está contribuindo muito com a formação de novos profissionais no setor da construção civil. Josué Góes, seja bem-vindo ao nosso podcast.
Muito obrigado, Paulo, pelo convite aqui para participar do programa de vocês. Tive a grata surpresa de conhecê-lo numa gravação e foi muito interessante o nosso entendimento de como deve ser a vida profissional e, obviamente, a pessoal. Eu gostei do convite e estou aqui hoje para a gente conversar um pouquinho e tentar contribuir de alguma forma para quem nos ouve e nos vê.
Uma coisa que eu já, de verdade, na minha apresentação que eu falo, quando a pessoa é apaixonada pela vida, pela forma de fazer as coisas, quando eu visitei a FATEC São Paulo, eu fiquei encantado com a forma como foi recebido, principalmente por você ir ali e mostrar cada detalhe do que vocês fazem, como vocês têm o desejo de transformar, de contribuir, com o futuro da construção civil no Brasil. Então, por essa razão que eu, de verdade, eu fico encantado com pessoas assim como você que tem esse tipo de comportamento e de atitude, né? Porque quando a gente gosta daquilo que faz, realmente a gente consegue criar ali muitas conexões que vêm muito de encontro, né? Aquilo que somos, que o Constricast nasceu com esse desejo também e hoje estamos aqui.
É, foi até bom você ter dito essas conexões. Eu entendo que não há acaso, não há acaso. E até a ida de vocês, em tese, teria sido um acaso, não é isso?
Porque seria uma outra... Seria uma outra equipe lá.
Uma outra equipe, vocês acabaram indo e isso tudo deslumbrou para nós aí, abriu um caminho da gente poder conversar. Eu tenho, assim, colocar sempre no meu dia a dia uma visão própria e eu quero passar isso para as pessoas com quem eu trabalho, seja hoje no cargo de diretor da Faculdade de Tecnologia de São Paulo ou seja como tecnólogo, engenheiro, pai, amigo, filho, porque a vida é assim, não tem como ser diferente. Claro que há momentos onde você tem responsabilidades que exigem uma postura, uma colocação diferente, Mas nós trabalhamos com pessoas e para pessoas. Então não tem como você desvincular o ser humano de qualquer sistema construtivo, de qualquer aula, de qualquer ambiente. Não tem jeito. Se eu fabrico um carro, esse carro vai atender pessoas. Se eu vou construir uma casa linda, maravilhosa, com todas as tecnologias disponibilizadas hoje, são pessoas que vão habitá-las. E são pessoas que as constroem também. Então, o olhar nosso é sempre pensando no todo. Até um tempo atrás, eu estive com o diretor do Museu Paulista, no Museu do Ipiranga, E eu ainda não fui visitar, veja bem, é uma pena.
Inclusive, podemos visitar juntos.
Eu gostaria, adoraria, vamos. Adoraria. Porque ele nos disse o seguinte, que a visão da exposição do museu hoje, ela está voltada para as pessoas que escreveram a história daquele museu. inclusive com todas as peças que lá estão. E o que ele quis dizer com isso? Que pessoas construíram aquele espaço. As pessoas produziram os tijolos, produziram a madeira, produziram tudo o que foi feito ali foi feito por pessoas. Então, eles abriram um espaço no museu para as pessoas. Eu achei isso fantástico, porque é um olhar diferente de entender o que é uma cidade como São Paulo. Uma cidade como São Paulo é única, eu acredito, no mundo, pelas diferenças, todas as possibilidades que nós temos. Há pouco a gente falava de tantas empresas, tantas coisas que podem acontecer, e muitas vezes a gente nem sabe nem 5% de todo esse potencial. Então, se a gente olha para as pessoas, para atender as pessoas, receber as pessoas, acolhê-las e, enfim, trabalhar com as pessoas. Claro que nem tudo é um mar de rosas, né? A gente precisa, eventualmente, às vezes, ser rígido em algumas posições, mas também com pessoas, porque isso também faz crescer, faz a vida ser melhor.
Melhor, eu aprendi uma coisa com um convidado que veio aqui, que é o Flores, Ele, durante o nosso bate-papo, a gente estava falando de gestão de projetos e processos mais voltado para a área de segurança. E ele me falou uma coisa que me marcou muito que é, devemos ser gentil com as pessoas e rígido com os processos. Então, sempre que você tá ali numa situação onde, ah, eu preciso fazer algo, eu preciso cobrar algo, como eu te falei, é notório a forma como você faz. Você faz com muita empolgação, com muita vontade, com muito prazer. Tudo que você sente prazer em fazer, você acaba amando aquilo. Porque o amor é uma consequência, lógico, daquilo que você... da energia que você coloca. e como as pessoas recebem.
Isso.
Então, o que eu estou querendo dizer com isso? A gente vai falar muito aqui de déficit de mão de obra que o país está passando. A gente vai falar muito aqui da dificuldade que temos hoje na construção civil como um todo. E como você, Josué, está contribuindo para esse futuro da construção civil. E como que a gente também, de alguma forma, vai trabalhar aqui nessas conexões. A gente tem muita conexão com a indústria, tem muita conexão com os profissionais de arquitetura, engenharia e construção. Então, nesse sentido, José, eu queria ouvir de você o que te faz tocar a FATEC São Paulo hoje com tanta vontade, com tanto brilho no olho. Eu falo, quem estiver ouvindo pelas plataformas de áudio, se tiver a oportunidade, vai olhar. Vai lá, vê o olhar, a forma como ele tá aqui nesse podcast agora. Então, o que te faz tocar essa faculdade, essa universidade, vou chamar assim, com tanta empolgação, com tanto amor, com tanta vontade, eu já adianto que a próxima gestão eu quero que você continue.
O que eu quero dizer é o seguinte, eu só posso explicar isso mostrando um pouquinho do que eu sou e talvez seja exatamente a resposta. Quando eu entrei na Faculdade de Tecnologia de São Paulo, era a única possibilidade que eu tinha de cursar um nível superior. Eu não tinha outra possibilidade. Eu havia passado, por exemplo, em alguns vestibulares, mas eram faculdades pagas. Eu, por exemplo, eu entrei no Mackenzie, eu poderia ter estudado no Mackenzie, Engenharia Civil no Mackenzie, mas eu não fiz porque eu não tinha a menor condição, a família não tinha condição. Então, você imagina que eu represento aqui talvez 80% ou um pouco menos aí da população de São Paulo que de alguma forma tem uma história parecida com o que eu vou dizer. Então, meu pai, Minha mãe é retirante de Sergipe, vieram ganhar vida em São Paulo em 1954. Sete filhos eles tiveram. Eu trabalho desde os nove anos de idade.
Oh, ganhei de você viu, só pra te falar.
Desde os nove anos.
Comecei com oito.
Com oito, foi uma questão de tempo. Mas assim, o que eu escutava da minha mãe e do meu pai. Olha, não é porque nós não estudamos que vocês não vão estudar para todos os filhos. Então, eu fui o primeiro a entrar numa faculdade e terminar a faculdade. E quando eu digo isso, não é só da minha família direta, aquele núcleo familiar, meu pai, minha mãe e os sete filhos. Eu estou falando dos primos, tios, tias, enfim, que nós estamos falando de umas 150 pessoas, pelo menos, grosso modo, espalhadas pelo Brasil, até mais espalhadas pelo Brasil. E sem nenhuma condição de pensar numa faculdade. A entrada na FATEC foi uma abertura de portas, eu entrei num mundo novo. Eu entrei num mundo diferente daquilo que eu estava habituado. Eu morava numa região pobre, não passei fome, claro que não, mas passei muitas dificuldades, daí a necessidade de começar a trabalhar cedo. Até o meu tio, que também chama Josué, ele disse o seguinte que se fosse hoje ele estaria preso, porque ele me levou pra Fiera pra trabalhar na Feira com ele. E pra mim foi uma experiência riquíssima. Aquilo que a gente falava um pouquinho antes, né? Que não tem um acaso. A feira, pra mim, tirou uma timidez que eu tinha, que eu jamais ia conseguir estar como eu era antes, aqui, falando pra vocês. Jamais eu ia conseguir.
Mesmo sendo fácil assim, porque a gente não tem câmera aqui também.
Pois é. Tudo bem, porque, por exemplo, a feira, você trata com pessoas no dia-a-dia. É ali. O cliente quer vender, quer comprar, e você tem que... mostrar o produto e é, não tem gravação, é real. Então eu aprendi a me comunicar melhor, a tratar, conhecer as pessoas e entender também o que é bom e ruim nesses caminhos que a gente vai traçando. Pessoas que não são tão legais, outras muito boas. E aí é o núcleo familiar que me orientou nesse sentido. Meu pai sempre dizia, olha, eu não estudei. Aliás, foi uma pena, porque ele era uma pessoa inteligentíssima. Meu pai era inteligentíssimo. Ele tinha soluções. A casa, a nossa casa, nós construímos. Então, ele tinha soluções construtivas. Ele que criava as coisas, entendeu? Então, quer dizer, ele poderia ter tido uma melhor sorte. Então, pegando esse lado, minha mãe praticamente morreu analfabeta. Aliás, eu ajudei a alfabetizá-la, que eu achava que eu tinha essa obrigação. E isso quem fez, abriu essas portas pra mim, foi a FATEC São Paulo. E hoje, no cargo de diretor, eu me sinto na obrigação de falar pra todos, olha, há um caminho. Sabendo das dificuldades que a gente tem hoje, pensando em em uma população ainda com instabilidade, por exemplo, uma insegurança alimentar, segundo o IBGE, beira aí 90, 100 milhões de pessoas, não é que estão passando fome, mas não sabe se terá ou se terão as três refeições por dia. E o mercado, por outro lado, precisando de gente trabalhar com qualidade, com capacidade, competência. Então, isso tem que ser unido de alguma forma, porque tem gente precisando trabalhar, gente precisando melhorar de vida, o país precisa melhorar como um todo para deixar de ser o eterno celeiro do mundo e aqui não é uma crítica ao agro, não, ao contrário disso, mas a gente não pode só pensar em uma produção de commodities e coisas que não tem um valor agregado Bom, porque o mundo está se industrializando cada vez mais rápido. E agora, com inteligência artificial, quer dizer, tem um mundo, um vazio nesse caminho entre essas pessoas tão necessitadas. e um mercado que necessita dessas pessoas para trabalhar e com qualificação, e aí é o nosso papel como educadores, e a FATEC São Paulo se presta muito bem a isso. Pegar esse público mais carente, e aliás, divulguem bem isso. Nós temos 19 cursos hoje, tendendo a ter mais cursos, mas nós somos hoje 6 mil alunos, é a maior unidade do Centro Paula Souza, e é gratuito. do lado do metrô, você foi lá visitar. É difícil chegar até São Paulo?
Fácil, muito fácil.
Pois é. E aí a gente vê que tem curso que não tem procura. E por outro lado, a gente tem todos os dias empresas falando, olha, você não me arruma umas cinco pessoas pra me ajudar num projeto? Então, falta profissional e por outro lado não tem gente entrando pra cursar.
Vamos resolver isso, José.
Vamos tentar, vamos tentar. Só pra concluir aqui. Então, o que me move é exatamente isso. Eu tenho hoje, Sobre a minha gestão, 19 cursos, eu tenho 6 mil alunos, tenho 300 professores. Isso tudo está a serviço da população. E qual população que eu digo? No último vestibular, o perfil do aluno que ingressou entre 75% e 80% desses alunos de alguma forma tiveram algum processo de inclusão, ou via cotas, ou a isenção da taxa do vestibular, alguma ajuda. Então, perceba que o público que a gente está atendendo é aquele público mais carente, mais necessitado, que é o que precisa ter uma virada. Então, se é para fazer essa virada, eu quero ser o representante disso. Como eu acabei de dizer, eu não teria estudado, seria hoje tecnólogo, engenheiro, que sou especialista em tecnologias ambientais e mestre na engenharia também. Eu não teria feito isso se não fosse uma faculdade pública e gratuita com qualidade. Hoje está sob as minhas mãos a gestão desse patrimônio e que a gente precisa, obviamente, alertar a todos. Olha, tem vaga, É bom, é qualificado. O que você achou lá do espaço? É bom ou não?
Ah gente, eu sou suspeito pra falar.
Você gostou?
Você estudaria bem lá? Demais. Sabe uma coisa que eu sou muito apegado? É a energia do lugar, eu adorei. Eu adorei a recepção, a forma, o tour que você fez ali, pela biblioteca, enfim. pelos ambientes ali, eu achei muito bacana, inclusive a forma como você, eu acho que, eu sempre falo que geralmente o lugar, ele é muito reflexo de quem está à frente daquilo. Então, agora conversando com você, eu conheci um pouco mais da sua história, entendi mais o porquê você trata aquele lugar, a FATEC São Paulo, com tanto amor, com tanto carinho, porque eu sempre falo que a pessoa que é grata, geralmente ela acaba sendo grata àquilo que ela viveu e ela quer passar aquilo para outras pessoas, ela quer que outras pessoas deem continuidade. Nesse sentido, eu queria entender o que a pessoa tem que fazer para estudar na FATEC São Paulo. Primeiro, eu queria que você falasse um pouquinho antes, A gente está vivendo o déficit de mão de obra na construção civil. Ontem mesmo, eu estava fazendo uma pesquisa, já lançamos um produto no mercado para ajudar nessa questão da divulgação de conteúdos especializados, de conectar, por exemplo, quem precisar de uma mão de obra qualificada, por exemplo, você é um engenheiro estrutural, sei lá, de concreto, mas não tem habilidade muito ali com metálica. A gente tem esse hub de conexão que eu consigo conectar você com o engenheiro que vai te ajudar nessa parte estrutural metálica. Então assim, eu queria entender de você, tudo bem, o mercado está passando por um déficit de mão de obra, eu tenho ali, eu sou um construtor ou uma indústria, como que de repente eu enquanto indústria posso trabalhar junto com a Fatech São Paulo nesse desenvolvimento de novos profissionais? Porque, de um lado, eu tenho o interesse, né? Opa, peraí, tá faltando mão de obra. Por que tá faltando e como que a gente atrai esses alunos pra levar pro mercado?
Assim, vamos lá. A FATEC São Paulo, ela tá dentro do sistema que a gente chama da autarquia Centro Paula Sousa. Centro Paula Sousa congrega tanto as escolas técnicas quanto as faculdades de tecnologia. Estou só para você entender os números. Hoje, se eu não estiver errado, porque tem faculdade sendo aberta e ETECS também, são 229 ETECS e 78 FATECS, Escolas Técnicas, 229 e 78 FATECS, Faculdade de Tecnologia. Falando das Faculdades de Tecnologia, dentro do sistema Paula Sousa, a FATECS São Paulo é a maior. Tem o maior número de alunos, o maior número de professores, a mais antiga também. Como isso funciona? Então, qualquer parceria eu tenho que reportar ao Centro Paula Sousa. Isso já foi bastante facilitado nos últimos dois, três anos, com alguns processos internos de parcerias com empresas, instituições de ensino, públicas ou privadas. Hoje tudo é possível. E o Centro Paula Sousa foi alçado em 2022 à condição de instituição de ciência, tecnologia e desenvolvimento. Então hoje nós estamos no mesmo patamar como instituição IPT, Embrapa, Instituto Adolfo Lutz. Ou seja, podemos fazer pesquisa, podemos contratar no mercado, podemos fazer trabalhos com a indústria, comércio, enfim. E é isso que a gente está buscando fazer. Por exemplo, alguma empresa precisa de um treinamento específico para um produto novo, que às vezes a própria empresa, e é sempre assim que funciona, quem produz, faz uma demonstração desse produto e leva para a aplicação e acompanha. Na construção civil isso é bastante comum. Porém, a parte de formação teórica, um embasamento mais completo, nós nos dispusemos a fazer. Nós estamos aí para isso. É a nossa função enquanto instituição pública de ensino superior. E a gente está aberto. Então, se tiver qualquer empresa com interesse de fazer parcerias, de fazer treinamentos, capacitações... Eu nem gosto de usar muito treinamento, eu gosto de usar capacitação. Treinamento não fica muito legal. A gente já escuta há tanto tempo, mas as capacitações... Pode ser tanto na própria empresa, nos locais de obra ou lá dentro da FATEC. Hoje a FATEC São Paulo tem 74 laboratórios. Hoje é quase impossível que a gente não consiga atender com algum deles alguma demanda de mercado. E além disso, a gente tem uma possibilidade de ampliar através da agência inova, por exemplo, desenvolvimento de produtos, melhoria de produtos, criação de novas metodologias, técnicas, tudo isso é possível hoje. O que a gente se sente, na verdade, dificuldade, é que a empresa nos enxergue como esse parceiro. Porque muitas vezes a empresa também, dentro do sistema produtivo, ela não tem alguém lá dentro que esteja motivado, disponível para poder entender as inovações, como é que faz isso. Então a gente tem que juntar isso. E é uma carência. Então talvez hoje a maior carência do mercado seja que nas empresas tenha alguém com o olhar. Falaram, eu quero desenvolver produtos, mas eu não vou parar minha linha de produção. A gente sabe, a produção, ela custa...
Tem que acontecer, né?
Tem que acontecer. Então eu não posso tirar alguém da linha de produção para começar a ficar pensando num produto inovador, novas técnicas. Então a gente está aí para isso. Faça contato conosco, nos leve. Olha, eu tô com essa linha de produção aqui, eu tô precisando melhorar. Como é que a gente faz isso? Você tem como me ajudar? Mesmo que a gente não seja o próprio agente inovador naquele momento, nós temos 78 unidades e parcerias ainda assim com USP, UNESP, UNICAMP, vários professores que nos conhecem também, que recebem nossos alunos para mestrado, doutorado e que conhecem o nosso potencial. Então a gente tem hoje que fazer essa ligação, ligar essas pontas todas, que é mais ou menos o que você tem feito aqui também. Olha, tem arquiteto, tem engenheiro, tem empresa de metálicas, um trabalha com... Como é que vocês se falam? Então, é isso. A Fatec São Paulo, e eu gostei muito também de você, porque acho que... É por isso que a gente está falando hoje, né? A gente era para falar por... E ele me enganou, hein, gente? Ele me enganou porque ele falou que era no máximo meia hora. Quanto tempo você ficou lá?
Ah, na verdade a culpa foi sua. Você falou, não, eu quero que você conheça lá, enfim, vamos conhecer.
É, mas aí ele foi ficando.
Inclusive os laboratórios, assim, eu falei, caraca, que estrutura vocês tem aí.
É, nós precisamos, nós precisamos, é, você viu só uma parte, mas, então, isso tudo está à disposição, basta que a gente sente, Faça um plano de trabalho onde, como nós podemos ajudar as empresas, o comércio, enfim. E não interessa o tamanho, porque pode ser uma... porque normalmente as grandes empresas, elas têm exatamente o que eu estou dizendo. Elas já têm um setor que fica... é linkado, é pensado, ele trabalha. com as inovações. A pequena empresa que é o problema, e é ela que necessita mais de atenção, e é a que mais emprega.
E aí eu vou te trazer uma provocação, José, olha só. Tudo bem, nas empresas eu tenho, de fato, ali nas grandes empresas, eu tenho área de inovação. As pequenas, geralmente, tudo bem, é desafiador a gente ter ali inovação, né, tudo bem, eu tenho uma grande ideia, mas eu não tenho recurso. para viabilizar aquilo. O que a gente está vivendo também hoje, por parte das grandes empresas, é a questão de ego das lideranças. Muitas vezes, quando eu tenho ali um bom funcionário, eu tenho, de repente, uma linha de produto, uma forma de gerir aqueles processos. Às vezes, eu tenho um estagiário que chega com muita vontade, porque hoje a internet está aí, a pessoa que quer aprender, ela aprende de fato e ela consegue trazer inovação. para essas empresas, mas ao mesmo tempo. Esse profissional novo, estagiário, que ele vem com muita vontade de crescer, que ele está inquieto, ele precisa ter alguma coisa para fazer, ele precisa se sentir parte daquilo. Se tu pega um gestor inseguro, Aquele estagiário, ou seja lá quem for que está abaixo dele, ele vê como ameaça. Então ele começa a barrar, barrar, barrar, barrar. Eu tenho exemplos práticos que eu não vou citar aqui, mas ontem mesmo eu conversei com uma menina que eu fiquei assim, eu falei assim, como que uma menina dessa com essa vontade de contribuir. Na verdade, quando eu falo de contribuir com o todo, que é notório que ela não é uma pessoa egoísta, que ela quer aquilo para ela, não. Eu tenho um desejo de transformar. Quando eu falo transformar, é pegar essa empresa que está com esse processo, aí eu vou, pego aquilo, busco ideias e tento, sabe, tento agregar naquele processo, mas não sou vida, não sou vida, não sou vida. Então você acaba muitas vezes pegando aquele jovem E, de repente, ele pode entrar numa depressão. Porque a gente vive hoje, nesse momento. Agora, quando eu vou pra um ambiente daquele, né? Não tô aqui fazendo propaganda da Fatech, tá? Eu, de fato, tô falando aquilo que eu vivi. E o gestor que tá aqui na minha frente, que eu fico encantado pela forma como vocês conduzem aquilo. Então, quando eu tiro essa vaidade de dentro da indústria, E eu levo para um ambiente daquele, que é a FATEC, onde eu desperto nesses alunos, eu dou voz para eles desenvolverem novas soluções. De repente, eu trago de fato algo para o mercado muito inovador. Eu chego para a empresa porque é muito mais fácil ouvir alguém de fora do que alguém de dentro. Daqui eu acabo quebrando aquela vaidade de alguns gestores. Diga de passagem, existe. Você entende? Então, é muito bacana a gente começar a olhar enquanto empresas, grande ou pequena, começar a olhar para aí. Deixa eu olhar um pouco para fora. Porque ali vocês vivem uma realidade diferente de dentro das empresas. Vocês trazem um olhar de fora de inovação que pode ser aplicado, de fato, que pode agregar dentro das empresas. Então, eu acho que o que a gente precisa começar a fazer agora é isso, sabe? Mesmo gestores dentro das empresas. A gente tem área de inovação, tudo bem, temos, mas por que não? Opa, deixa eu conversar com o Josué. O que vocês têm aí? Olha o que a gente está fazendo isso, a forma como estamos fazendo isso hoje. O que a gente consegue fazer para ampliar? Então, como que você lida hoje, Josué, com essas questões de inclusão mesmo? Como que você identifica, por exemplo, talentos, esses jovens que querem, de fato, contribuir com novas soluções? Como que vocês tratam isso lá dentro? Até me desculpe, eu fugi um pouco do tema, mas... Eu tive essa conversa ontem e eu venho falando com muitos jovens reiteradamente, eu noto que a gente tem um problema também de gestão de pessoas e olhar para as pessoas.
É bastante complexo tudo o que você falou, mas vamos tentar aqui colocar do ponto de vista da instituição de ensino. Na verdade, se a gente olhar hoje, não é a empresa, não é a faculdade, O mundo passa por uma necessidade de melhoria das relações interpessoais. Isso é nítido. E aí o pessoal gosta de usar muito agora os termos em inglês que eu detesto, mas lá os hard skills, soft skills.
E aí você pega muitas vezes o nicho de gente, de pessoas que não têm a menor noção.
Pois é. Entendi.
O que é hard skill? O que é soft skill? A gente tem que ficar explicando.
Então, é porque parece assim, a gente tem que descomplicar as coisas. Então, por exemplo, se eu tenho competências socioemocionais, o nome também não é fácil, mas o que vai acabar nesses soft skills e depois os hard skills são as competências técnicas e de aprendizado. Como instituição de ensino, eu como gestor, o que eu tenho buscado fazer, eu sempre digo na aula inaugural, um dia se você tiver a oportunidade de chegar numa aula inaugural com a gente, você vai ouvir exatamente o que eu vou dizer aqui. A FATEC São Paulo, ela forma cidadãos, não tecnólogos somente. O que quer dizer cidadão? É uma palavra esquecida, mas a cidadania te dá o todo, do ser humano no habitat, vai na pólis, vamos dizer assim, na cidade. Então, o que é o cidadão? Ele é aquele que tem que respeitar as regras do local, ele tem que entender ele e o próximo, ele tem que saber que tem um limite para as coisas que ele faz. E essas relações têm que ser tratadas dessa forma. Na escola não é diferente. E a gente tem problemas também com professores que tiveram aulas lá naquele, naqueles idos lá do início da faculdade, até que hoje tem 54 anos do primeiro curso.
54 anos.
54 anos do primeiro curso. E esse professor, ele tem um conflito. também, da forma como ele aprendeu e como o aluno que está chegando hoje, com um celular ele consegue viajar o mundo inteiro, até uma viagem interplanetária, ele consegue entrar em Marte hoje. Com o celular você consegue ver a imagem de Marte. são as sondas que estão lá, os robôs que estão lá em Marte hoje, tanto da China quanto da NASA. Não tem sentido hoje em uma sala de aula eu ficar falando, e aliás deve, mas olha, vai na biblioteca, pega o livro, lê cinco capítulos e tal. Professor, mas o que você me falou está aqui, eu vi que não é isso. A gente não pode falar disso agora.
Porque já está ali, está na hora.
E o professor às vezes se sente até desautorizado, desafiado, de forma, na minha forma de pensar e entender, totalmente errada. Porque o aluno curioso é o que o professor mais deveria querer. Esse é o aluno que você sabe que vai sair e vai ser o melhor profissional do mercado.
Você sabe que você citou uma coisa agora interessante? Eu fazia terapia e hoje eu convivo com uma pessoa que ela é tão curiosa, não é tão curiosa, que tudo que eu falo, por quê? Por quê?
É isso.
Você sabe que eu tô aprendendo tanto?
Mas é isso. A curiosidade é o que você... é o que deveria mover uma sala de aula. E a gente procura incentivar na medida do possível. Claro que existem relações de... de contrato de trabalho que você não pode, por exemplo, na sala de aula, um professor ele é soberano, certo? Agora, ele é soberano até um limite também. Estou lembrando que a gente está falando de cidadania. Então, o aluno que se sentir desmotivado por algum motivo, ele tem que conversar com o professor. Professor, a sua aula não está legal. Hoje, se eu voltar para a sala de aula, faz três anos que eu não dou mais aula, porque na gestão da FATEC eu posso ficar, aliás ela é até regra, eu fico afastado da sala de aula. E eu sinto falta disso, eu sinto falta da sala de aula, porque eu dou aula há 20 anos. Nesses 20 anos, eu certamente não dei uma aula igual a cada semestre, sempre elas foram modificadas pelos alunos, pelos alunos.
Porque eu falo muito essa questão assim, de você ser aberto, porque quando você cria uma casca, quando você não está disposto a ouvir o outro, igual eu falei dessa questão, dessa pessoa que tá ali sempre comigo, por quê? E eu tenho um filho também, cara, eu fico olhando os dois assim, eu falo... Aí eu tô no dia-a-dia com a pessoa, por quê? Aí eu chego em casa, meu filho, papai, por quê? Papai, por quê? Por quê? E eu falo, cara, será que eu vou ter que ter resposta pra tudo?
Exato.
E eu fico...
A questão não é ter resposta pra tudo, mas estar aberto.
Mas aí eu estou aberto. Por quê disso? Como que essa pessoa funciona? Como que meu filho funciona? E aí eu pego isso e levo pra minha vida. Então, sempre que eu vou conversar com qualquer pessoa, eu entro assim, a mão pra trás, desarmado. Vamos lá.
É a famosa frase do Einstein, uma mente que se abre para o conhecimento jamais volta ao tamanho normal. E é verdade, porque a partir do momento que você abrir um espaço e o conhecimento vai chegando, e o conhecimento também não é sozinho, ele trata de relações interpessoais, são pessoas. Então se eu travo numa sala de aula, se eu fecho a porta para uma conversa entre professor e aluno, eu já acabei com o próprio sentido de ser uma escola. Acabou. Não tem sentido mais ser uma escola. Por exemplo, essa estagiária que você está falando, eu lembro de uma historinha que me mandaram pela internet, muito tempo atrás, que foi a seguinte. O Cidadão estava lá fazendo uma entrevista para contratar novos funcionários. Na verdade, tinha um cargo vago. E vieram trinta, quarenta interessados. E aí ele fazia uma pergunta. O que você espera da empresa? O que você quer aqui na minha empresa? Aí, eu quero crescer, quero isso, quero aquilo. E ele foi ficando meio entediado. Lá, um dos últimos que foi falar com ele, se não o último, ele chegou, sentou na cadeira e tal, pra ficar à vontade e tal. O que você espera da minha empresa? Ele falou, quero sentar no seu lugar. Eu quero esta posição que você tá um dia. Foi o contratado. Agora, o que que a gente... Claro que é uma historinha, mas o que que você tira disso?
Mas eu já peguei.
A empresa falou, pô, esse é o cara que eu quero. Ah, mas ele está me ameaçando. Não, esse é o olhar, é essa energia, essa garra que eu quero. Eu quero sentar um dia na sua presidência, ser o CEO, sei lá.
Olha que legal.
É isso.
Você está com o objetivo claro.
Acabou, é isso.
Agora, quando eu quero crescer, tá, mas e aí?
É uma dificuldade.
Hoje, por exemplo... Você entende o que é crescer, né?
Então, voltando, a gente tem uma questão, então, hoje nós formamos tecnólogos. E aí tem uma questão de mercado com engenheiro. arquiteto é um pouco menos, mas há uma confusão sobre o que é tecnólogo e técnico, cada um tem o seu espaço, cada um tem a sua função no mercado de trabalho, e no mercado tão carente. Eu gosto de conversar, falava disso ontem inclusive em uma reunião lá no Centro Paula Souza, tive várias reuniões com empresas, E é sempre a mesma questão. Olha, a gente tem uma deficiência no mercado hoje. Se eu não abrir caminhos, e veja bem, e aí é onde eu queria chegar também. O Brasil hoje está crescendo 2%. vai chegar talvez a três, um pouquinho mais, um pouquinho menos. O Brasil, numa fase, se começar a crescer entre 4% e 5%, já não tem mão de obra. Hoje, já não tem mão de obra. Então, com todas as perspectivas, tanto do governo do estado de São Paulo, quanto do governo federal, propondo áreas para financiamento de desenvolvimento na área da construção civil, por exemplo, a gente conversava um pouquinho, Hoje o fomento para a pesquisa, desenvolvimento na área de construção industrializada, especialmente pegando o que aconteceu com nossos irmãos lá do sul, a tragédia que está, não é que aconteceu, está acontecendo com eles. Soube agora de manhã que agora que em alguns lugares a água de fato conseguiu ser retirada. Então imagina para reconstruir aquele estado inteiro. Então a gente vai ter que ter o que? Gente qualificada, gente que entenda construções mais rápidas, seguras, eficientes.
União da indústria, né?
Principalmente.
Exatamente.
Então esse eu acho que é o momento, embora tenha sido uma tragédia, é uma tragédia, mas é o momento dessa união. Então, por exemplo, esquecer, aí você usou uma palavra que eu sempre lembro também, tira um pouco o ego da sala, né? E vamos conversar o que vai ser feito pra todos. Porque hoje é o Sul. certamente acontecerão em outros locais. Não é porque eu estou aqui fazendo uma previsão apocalíptica, não, é porque o meio ambiente está reclamando já faz tempo, a natureza está reclamando e agora estamos sofrendo as consequências.
Isso é uma especialidade também que você domina bem, até pela sua área de atuação.
Eu falei do ego, eu lembrei agora de um que eu vi recentemente, aquele... O dia... não, a noite que mudou o pop, não foi isso?
A noite que mudou o pop.
Qual que era a plaquinha que o Quincy Jones colocou lá na entrada do estúdio? Pra quem não... eu vou dizer, né? É a história por trás do We Are The World, que realmente foi um arco histórico na música mundial, né? Mas ele colocou uma plaquinha na entrada do estúdio. A gente tá falando de ego. Você imagina juntar todos, 55, 54 vozes, todas talentosíssimas. Nós estamos falando aqui de Steve Wonder com Michael Jackson, com Lionel Richie, com... Enfim, a plaquinha dizia o seguinte, deixe o seu ego do lado de fora. Isso tá na gravação.
E aí, trazendo isso pra questão do crime, você vê que essa música retrata muito.
Exato.
Quantos anos atrás?
Exato, exato. Então, quer dizer, precisamos salvar o mundo, precisamos nos unir. Porque eles estão falando de, sei lá, 20, 30 anos atrás. Hoje, nós estamos sofrendo essas consequências de catástrofes naturais. Por ser catástrofe natural, obviamente que muitas coisas nós não vamos conseguir controlar, mas parte dessas catástrofes estarem acontecendo de forma muito mais, com uma frequência menor. Acontece com uma de maior intensidade e uma frequência cada vez menor. Então o Sul, por exemplo, nós tivemos três eventos em dois anos. Dezoito meses, na verdade. Seca, absurda. Uma enchente em novembro e agora uma.
Que veio para... Temos o caso também aí do litoral do Rio de Janeiro, né?
No Nordeste. São Paulo. São Paulo também. São Sebastião.
E essa música que você citou é muito interessante, porque quando a gente fala de ego, né? Quando você pega o próprio We Are The World, né? Que é o que já somos o mundo, né? Ou seja, somos, né? Ou seja, eu tenho culpa disso, se eu não fizer um pouquinho.
Isso, então. E aí, voltando então pra sua questão, como que nós, da academia, podemos ajudar? A academia está aberta. Aliás, é a função dela, é a missão dela estar aberta ao que a sociedade precisa. Uma instituição pública, a FATEC do estado de São Paulo, ela está aberta. Então, a gente tem que receber todas as pessoas, tratar de todas as pessoas de forma igual. Com equidade, nem com igualdade, é com equidade. Oportunidades diferentes para que todos fiquem iguais. Então, hoje nós estamos trabalhando para que a gente tenha o nosso campus totalmente acessível. Ainda faltam algumas coisas, mas vamos fazer para que ele fique acessível para todas as pessoas. Então, seja portador de qualquer deficiência. e abrir para a sociedade e dizer que é uma faculdade que está muito bem localizada, mas que é carente de mais pessoas que venham nos visitar, venham nos conhecer. E, principalmente, a grande mudança dessa instituição pública é exatamente a parceria com as empresas, com as indústrias. Então a gente está aberto, a gente quer que eles nos procurem, a gente vai fazer, a gente já tem trabalhado e talvez agora no segundo semestre a gente consiga fazer um coffee break ali juntando empresas, parceiras e até como se fosse um trabalhar ali, fazer um networking ampliado para as empresas e pessoas profissionais para que a gente consiga juntar isso, porque hoje Há recursos para desenvolvimento e pesquisa. Há recursos. O que faltam são projetos. E quem que faz esse projeto? Então, hoje, a FINEP, que é o órgão de fomento federal para financiamento. Eu li agora, ontem ou anteontem, que já há linhas de crédito, existem recursos. Precisa ter projeto. Como? pode ser uma ICT, que é uma Instituição de Ciência e Tecnologia, mas tem que ter empresas, exatamente para fazer essa ponte. Olha, eu tenho um produto a ser desenvolvido, eu quero desenvolver uma nova tecnologia, uma nova metodologia, aí tem que juntar uma instituição de ensino e pesquisa e a empresa, e aí você consegue financiamentos, alguns até sem fundo perdido, outros com reembolso, mas com taxas baixas. Então até isso, A gente tem que trabalhar para abrir, não é só a questão financeira, há possibilidades. Então, primeiro, eu acho que o grande momento hoje é aproveitar, infelizmente, da tragédia que a gente acaba renascendo e trazendo novidades. Perdemos irmãos lá no Sul, muita gente que perdeu tudo, eu fico imaginando. Tive a oportunidade de estar, na época que eu estudava na FATEC, nos ídolos de 87, Eu entrei em 87. Nós tivemos uma enchente em São Paulo e eu namorava com uma menina que era da FATEC também. Dentro da casa dela teve um metro e oitenta de água. E aí eu fiquei vendo as imagens lá do sul, eu fiquei pensando, não saía da minha cabeça o que aconteceu. Só que ali foi um bairro, aqui em São Paulo foi um bairro, alguns bairros. Lá no Sul foi praticamente o estado inteiro. Então quer dizer, você perdeu até a capacidade de receber até os donativos, porque o aeroporto estava fechado de Porto Alegre, que dificultou bastante, e todos os acessos. Então quer dizer, foi uma trajeta, é uma trajeta, na verdade, que nos pegou assim de... E tem que nos fazer refletir. Embora tenhamos perdido pessoas, mas isso tem que servir para alguma coisa. Não pode servir para a gente ficar lamentando a próxima. Porque isso vai acontecer de novo, infelizmente, da forma como estamos fazendo com o meio ambiente.
José, e agora você falou nessa questão de união, de desenvolvimento, de pesquisa, novas tecnologias e tal. Agora nos dias 1, 2 e 3 de outubro teremos a Mountain Construction Show, que inclusive a FATEC São Paulo está em parceria.
Somos parceiros lá.
Nós também. do ConstriCash, e lá vai ser uma grande oportunidade para quem quer ver, de fato, soluções construtivas industrializadas. Quando eu falo de soluções, a gente vai ter a primeira oportunidade no Brasil de ver a maior feira de construção industrializada, onde eu estou falando de várias soluções construtivas, porque um sistema industrializado é um sistema. Eu não posso falar só de um concreto pré-fabricado, ou aço, ou steel frame, ou drywall. Enfim, nesse sentido, como que você enxerga hoje, como que você vê a industrialização da construção civil no Brasil?
Eu vejo com muita alegria, embora, como eu tenho dito aqui, eu falei agora há pouco, eu estou um pouco afastado das salas de aula, mas a gente acompanha. A expectativa está enorme para o Modern Construction Show. Tenho certeza que será um espetáculo para quem Pra quem é e quem não é da Constituição Civil, porque eu acredito que vai ser uma mudança de paradigma das feiras, inclusive, e esse olhar.
É, inclusive essa feira, na verdade, você ter a oportunidade de colocar...
Ver todo mundo, né?
Vários sistemas construtivos em um único lugar, de fato.
Eu acho que vai trazer inovações em todas as áreas, então eu vejo com muita alegria, estou com uma expectativa enorme para estar lá nos três dias, quero participar ativamente e a FATEC São Paulo está aberta, onde a gente puder colaborar, a gente está disposto a ajudar, disponível para isso. Eu vejo assim, até pegando um pouquinho do que a gente falou agora há pouco, A construção industrializada não tem retorno mais. É daqui pra frente. Não tem como, hoje, a gente continuar construindo da mesma forma que se construía no século 17, 18. 17, 18 é o que ainda tinha. Mas basicamente, se você parar pra pensar, é basicamente a mesma coisa. Então, por exemplo, eu quando entrei na FATEC, Eu fiz o curso chamada Obras Hidráulicas, depois eu fiz Edifícios também. A única coisa que eu nunca entendi é como é que eu construo uma parede, depois eu tenho que quebrar a parede para colocar a tubulação de água, fazer o esgoto, colocar elétrica, elétrica hidráulica.
Quebrar pra passar o conduíte.
Depois eu tenho que refazer o que.
Eu quebrei, porque eu tenho que...
Não dá. Então aí, aí já entra parte da industrialização, que hoje você já tem a indústria dos kits, que é... E é daí pra frente. E a construção em si. Eu lembro que o primeiro apartamento que eu fui morar, porque eu sempre morei em casa, fui morar num apartamento era com drywall. Então, muita gente já nem entrava, não queria saber porque era drywall. Mas eu, sinceramente, adorei, porque era fácil de você fazer qualquer reparo, qualquer mudança, era simples de fazer.
E não fica marca, né?
Exato. Se eu quiser tirar uma parede daqui e colocar ali, o apartamento tinha 12 possibilidades de layout. Então, quer dizer, eu escolhi um, acabei ficando com esse layout. Mas se eu quisesse, por exemplo, como alguns colegas que tiveram filhos, né? Depois, daria para ter feito um segundo quarto, terceiro quarto, ampliar um escritório, tudo de uma forma simples, rápida, sem quebradeira, sem sujeira. Então, isso para dar um método, uma tecnologia. Mas olhando hoje a todas as técnicas de kits, de você, a containerização, de você levar isso pronto, já leva para a obra pronto. Recentemente vimos na China, lá, Um prédio, agora não lembro a área, mas enorme, foram construídos em 16 horas. É impossível imaginar isso se não for com construção industrializada.
E é importante esse ponto que você falou, essa quantidade. Na verdade, ele foi montado. Mas teve muito tempo de projeto, né?
Eu ia dizer isso, eu ia chegar a isso. Quando a gente fala da construção em si, você tem que olhar o todo o outro, o que tá por trás, né? Não é só... É que nem aqui, nós estamos aqui conversando, estamos nós dois aqui conversando, mas tem todo um aparato aqui que faz com que esse podcast vá ao ar.
E siga... Tem muita estrutura aqui que tá por trás.
Exatamente, e lógico que numa... numa construção industrializada, você tem hoje, por isso que eu estou dizendo que não tem como, é a tal da mente que se abriu, não vai voltar. Porque, por exemplo, hoje com a inteligência artificial, acoplada aos sistemas de criação de layouts e tal, o céu é o limite, entendeu?
E você traz um ponto aí, José, que a gente está falando muito de vaidade, de se abrir para o novo. Hoje, infelizmente, eu ainda ouço, ah, porque eu não vou fazer uma parede com drywall. Enfim, tem vários mitos. Mas assim, como eu te falei, eu sou muito curioso, eu faço muitas pesquisas, assim... Pessoal, eu falo com arquiteto, eu falo com engenheiro, eu falo com aquela pessoa... Às vezes a pessoa tá fazendo uma reforma ali, eu entro pra conversar, pra entender...
Agora tá falando com um tecnólogo também.
Agora tá falando com um tecnólogo. E eu fico me perguntando, por que você tá fazendo dessa forma? Por que você não fez com drywall? Ah, mas porque aqui vai pegar chuva, vai fazer... Então, mas aqui era só você colocar uma placa cementícia, Aqui você resolvia de tal forma e tal. Aí a pessoa, ah, mas... Ah, mas... Aí eu falo pra pessoa, você precisa se abrir pro novo. Então a gente precisa falar mais. Precisa falar mais. Precisa falar mais porque esse mito que, ah, vou construir. Com drywall, com light frame e não pode tomar chuva. Gente, é mito. É mito. Vamos se abrir para o novo. A construção, a realidade da construção civil mudou e a gente precisa. Olha só, você citou esse exemplo do prédio da China. Nós temos casos aqui no Brasil, incríveis. Inclusive, mandar um abraço aqui para o Ricardo Matheus, que é um gênio. Esse cara foi muito disruptivo aqui no Brasil. Imagina, você construir um prédio inteiro, que é o caso que ele fez no sul, e fizemos aqui também no Albert Einstein, você construir um prédio inteiro em questão de semanas ali.
Isso.
Aí você não tem problema com trânsito, você não tem vizinho ali sofrendo com barulho de obra. No caso do Albert Einstein, o hospital, que era uma ampliação, o hospital estava funcionando, enquanto fazia essa ampliação. Então, assim, aí você tem a questão ambiental, onde você não usa quase, você usa quase zero de água. Então, assim, gente, são tantas vantagens. E quando a gente falou da música We Are The World, vamos pensar no meio ambiente também.
Sem dúvida, sem dúvida.
Essa conversa está bem profunda.
Por exemplo, uma construção, a gente fala da construção, é o final de toda uma história que tem. É um projeto, você tem que pensar o local, você tem que pensar entre a arquitetura, a engenharia. E eu gostei de ouvir essa palavra fazia tempo que eu não escutava. Disrupção. Porque de fato, tem que ser disruptivo, não tem como fugir disso hoje. Então eu entendo, e aí eu imagino o seguinte, tem que pegar os nossos colegas lá na MDS, lá a gente tem que dizer pra eles o seguinte, como desafio. Nós temos que bater o recorde da China numa construção, é isso que a gente tem que colocar. Ó, nós temos capacidade de fazer.
Só pra te contar um segredo aqui, Off, tá? Nós batemos o recorde.
Olha aí, ó, tá vendo?
Eu nem sabia. A construção que foi feita na China, tudo bem, o prédio foi construído, mas ele não foi acabado. Esse caso aqui que eu tô falando do Ricardo Matheus foi feito, assim, foi um case incrível. Esse prédio fica lá em Tubarão. Quem tiver curiosidade, quem tá ouvindo a gente, quem tá assistindo, pode mandar aqui que a gente manda no inbox e a gente manda.
Precisa divulgar. isso, entendeu? Eu não sabia, por exemplo, que tinha... Mas eu acho que é isso, a gente tem que colocar esses desafios pra mostrar, porque, por exemplo, de novo, falando de tragédias, né? Mas a gente renasce. O que aconteceu com a gente, nem parece que faz só pouco mais de dois anos que a gente saiu de uma pandemia e que morreram 700 mil pessoas no Brasil, no mundo todo foram Perdas irreparáveis, em alguns casos, e todo ser humano, na verdade, é uma perda irreparável, mas a gente sentiu isso. A ideia de se fazer construções rápidas, e assim, não dá pra pensar, eu vou começar a projetar agora, que eu tenho seis meses, não, em quinze dias eu tinha que colocar um hospital pra funcionar. Entendeu? Como é que você faz isso? Você não tem um caminho.
A gente precisa divulgar, José, o que a gente tá vivendo também na era das redes sociais. É muita gente querendo aparecer. É muita gente dando com a mão direita e filmando com a esquerda. Então, coisas que eu vi no sul e que eu estou vendo agora, que é muito triste, é muita gente ali engajada, engajada, sabe? Enquanto estava aparecendo lá a água no alto e as pessoas mostrando e tal. Agora, eu estou conversando com algumas pessoas pra gente tentar trabalhar com a indústria, pra desenvolver algumas soluções no processo de reconstrução. E agora eu te pergunto, cadê essas pessoas?
Exatamente.
Entende? Cadê essas pessoas? Porque a gente tem uma indústria forte, mas a gente precisa de união. Agora, é tudo burocracia, é tudo burocracia. Gente, a gente precisa de burocracia, a gente precisa resolver.
Sim.
Mas no Brasil, nós temos, de fato, como reconstruir o sul assim, ó. Mas precisa ter união, é isso?
É nisso que eu acredito. Por exemplo, lá a gente tem que pensar como um todo, porque uma tragédia dessa monta, desse porte, ela afeta tudo, tudo, literalmente. Nós estamos falando de sistema de saneamento. Os hospitais foram atingidos, hospitais, escolas foram atingidas. A gente tem que lembrar que faz 39 dias Ontem que a água abaixou, em 1939. Você imagina um hospital. O que você vai ter que fazer para recuperar aquele hospital? Então, talvez, não pensando em tragédia, porque a gente tem que pensar que hoje, você falou agora muito bem, tem muita gente querendo aparecer. Eu escutei, por exemplo, mas também fica colocando construção onde não pode, tá do lado do rio, tá, e 85% de um estado que ficou submerso. Você faz o quê? A Holanda é, em tese, submersa, se você imaginar, está abaixo do nível do mar.
Você pega os próprios cases ali de Amsterdã.
Pois é, e como é que eles resolveram? Ciência, tecnologia e união. Eles pensaram como nação. Então a gente tem que pensar hoje como cidadãos, novamente a palavra aí, mas do Brasil. Somos todos brasileiros, ponto final. Esquecer essa história de que, ah, mas é lá, muito bem, porque... O nordestino pode ser que fale, ah, tá vendo? Ficaram falando da gente e agora são vocês. Não, de repente são vocês de novo. E daqui a pouco... E não é por esse caminho que a gente tem que ir.
É, a grande questão é.
É a questão da empatia.
Sim, como que a gente olha pra isso agora, né, e tenta evitar outras travessas.
Aproveitar o que aconteceu. Aproveitar isso para a gente se prevenir, para a gente se proteger e pensar o seguinte, por exemplo, está aqui ó. Obviamente que o hospital que está lá construído, que recebeu essa enchente, obviamente que a gente vai trabalhar para que não tenha mais. Mas vamos supor que aconteça de novo. O que pode ser feito do ponto de vista de construção para que na hora de se fazer uma desinfecção seja mais rápida? Será que o revestimento que eu uso, piso e parede, não poderia ser pensado de uma forma de higienização mais rápida? É um desafio. Novas formas de desinfecção, não só produtos químicos, mas a própria parte física da desinfecção, porque a parte química existe. Mas você tem que ir lá, tem que lavar, você tem que garantir que aquela sala de cirurgia, aquele centro cirúrgico, ele esteja de fato totalmente próprio, apto para a próxima cirurgia.
E você toca num ponto também que eu reputo muito importante, que é quando a gente fala de industrialização e as pessoas começam a olhar para o preço das coisas num primeiro momento, a gente precisa... Na verdade, eu sempre falo, né? O que é caro? O que é barato? Eu sempre dou o exemplo de um ar-condicionado. Quem for colocar ar-condicionado nas suas casas, comece a se atentar. Eu vou usar um ar-condicionado inverter, você pode deixar aquele ar-condicionado ligado ali. Ele gasta quase zero na conta de luz. Ah, não, mas eu não vou pagar 3 mil reais nesse ar condicionado, eu vou pagar 1.800. Só que, meu amigo, você vai... Sua conta de energia vai lá no alto. Eu tô falando aqui pra um cara leigo que tá olhando muito pro agora. Quando a gente parar de olhar pro agora e começar a olhar... Sabe? A longo prazo. Eu sempre falo que quem tem pressa come cru. Uma comida boa é aquela que ela é feita com fogo baixo. Sabe? Que você consegue de fato... Sim. Entende? E também quando você come aquela comida ali devagar, lenta, então... É.
Não é só o preparo, a própria... o próprio comer. Tem que ter o tempo também.
Então, até essa coisa do podcast, que a gente tá aqui conversando, a gente ficaria horas aqui. Entende? A gente vai ter que encerrar daqui a pouco, mas... Você entende?
Eu, assim, eu tô lembrando aqui de uma palestra que a gente teve lá na FATEC São Paulo, eu era aluno ainda, e teve uma... Eu não lembro qual foi, se foi lá do Rio de Janeiro, que teve Petrópolis, aquele escorregamento, que morreram acho que 250 pessoas, Petrópolis, Teresópolis, eu não lembro, mas foi uma tragédia. Assim, que até hoje não foi reconstruído ainda. Até hoje não foi reconstruído. Estou falando de mais de dez anos. Acho que foi nessa época. E aí teve uma questão, a empresa de energia deu essa palestra, e aí eles disseram assim, A gente tem que pensar o Brasil como um país completamente fora do que a gente conhece no mundo. Poucos países têm as dificuldades e as facilidades que o Brasil tem. Tudo e tem, por conta disso, grandes problemas. É gigante, é um país continental e tem grandes problemas, mas tem grandes soluções também. Porque ele tem matéria-prima, ele tem clima, ele tem água, tem tudo. A biodiversidade está muito bem. Mas por que eu estou contando isso? e vai cair exatamente um pouco do que você falou. Ele falava o seguinte, olha, tem no contrato da empresa de energia elétrica que eu tenho que restabelecer a energia em 24 horas. Aí ele falou, numa cidade como São Paulo, Rio de Janeiro, uma metrópole é relativamente simples e dependendo da logística você faz até em menos do que, muito menos do que isso. Aí ele mostrou uma foto, que a empresa também estava, e na verdade ele nem era da empresa de energia, ele era da Eletrobras à época. E ele falou, olha, dá uma olhada nessa foto. A primeiro momento, você pensa lá, na Amazônia, em uma das canoas, e o cidadão lá está pescando. Ele falou, não, olha direito, preste atenção na foto. Aí a gente olha com mais atenção, era um poste de energia, ele estava passando rente ao fio do poste de energia. Ele falou o nome da cidade, isso aconteceu. essa cidade, para chegar lá eu tenho que pegar um avião até a capital mais próxima e dali pego um avião menor e ainda tenho mais tantas horas de barco para chegar nessa cidade. Ele falou, lá tem energia elétrica. Como é que eu vou garantir que em 24 horas eu vou restabelecer? Porque eu não posso ter estoque e é uma coisa que a gente não... não conseguem enxergar isso pelas dimensões do Brasil. Então, voltando para o nosso tema da construção industrializada, pensar nas pessoas, a gente tem que ter esse olhar também para o Brasil como um todo. Não esquecer que nós temos a região norte, ela é riquíssima numa biodiversidade e que tem Nós temos quase 30 milhões de brasileiros que moram lá e que precisam ter esse olhar também. Assim como nas grandes cidades, nós temos pessoas que não vão ter, obviamente, condições de comprar kits. Eu já estou aqui pensando nos kits habitacionais, que a gente possa pensar em algo mais barato e rápido e que a própria pessoa compra o kit e ela mesma faz com a família.
Você chegar ao conhecimento desse público.
É isso que eu quero, entendeu? Pensar nisso. E para isso a gente está aberto como instituição de ensino para ajudar até usar um termo que eu gosto, eu sempre brinco, a molecada, para de me perturbar, colocar os nossos jovens lá para pensar o que pode ser feito para ter uma construção rápida, segura, barata, que qualquer um possa ter a sua casa, desde que tenha as mínimas condições de segurança e que atenda às normas. Isso é um desafio. Eu sei que a indústria hoje, que está pensando, os escritórios de arquitetura, de engenharia, as escolas estão pensando nisso. Mas eu acho que a gente tem que partir para isso, o desafio de como fazer o atendimento com qualidade dignidade para pegar aquele cidadão que está em qualquer lugar do Brasil, que estiver em qualquer lugar do Brasil, tenha no mínimo a sua casa decente, protegida, que tenha conforto térmico, acústico, que ele possa ter a sua liberdade como um todo e ser cidadão.
É, e dessa forma que você fala, né? Dessa questão aí que você citou agora do Norte, é muito legal porque eu já vivi tudo isso. É uma região que eu fui fazer alguns trabalhos lá. Eu tenho cliente que ele tem filiais no Brasil inteiro. E eu, assim, eu vivi situações ali no Norte do Brasil que eu falo assim, olha, eu não vou entrar no mérito aqui porque eu sou uma pessoa muito emotiva e, enfim... Mas só quem vive aquilo, sabe? Então, aquilo que a gente desconhece, realmente, a gente começa a criticar o outro. Então, por isso que eu trago esse olhar mais humano, né? Por isso que eu falo tanto de, sabe, se abra pro novo. Vamos parar, né? Arquitetura, engenharia, profissional de obra, parar de criar conflito.
Tem lugar pra todo mundo.
Tem lugar pra todo mundo.
Tem lugar e necessidade de todo mundo. Porque não adianta eu, por exemplo, ter o melhor material, o melhor acabamento, eu tenho a melhor torneira, mais bonita, mais... Tudo, se eu não tiver, quem vai instalar com a devida competência. E ele, de repente, não vai ser um doutor, ele é um pedreiro, ele é um encanador, mas você precisa dele.
E ele qualificado. No começo da nossa conversa, você deu o exemplo do seu pai, da sua mãe, que não tiveram a mesma formação, mas foram pessoas extremamente inteligentes.
Sim, com certeza.
Então, a inteligência de uma pessoa não está nem sempre ligada àquilo que você estudou.
A gente tem que pensar assim, Paulo. Vamos colocar a questão da inteligência, vamos pensar assim. Imagina como você faz... Eu tô pensando de novo na questão do sul, porque realmente a gente tá vivendo isso. Mas você imagina que tem pessoas que aquilo acontece três, quatro vezes por ano.
Que é o caso que eu tô te falando e que eu não quero lembrar agora lá do norte.
Ele perde. E aí eu pergunto, quem que é fraco ou quem que é forte nessa história? Aquele que perdeu, reconstruiu. Perdeu, reconstruiu. Ele falou assim, olha, eu tenho que viver, eu preciso, eu tenho um filho, eu tenho que viver. Eu, por exemplo, eu vivi, até você me fez lembrar uma coisa, falando de emoção, você acha que vai conseguir fazer. Quando eu entrei na FATEC, eu achava que eu tinha que oferecer alguma coisa pra população. E eu continuo achando isso. Eu acho que escola pública tem que devolver alguma coisa para a população, de alguma forma. E eu, por conta dos contatos que eu tive, eu fui trabalhar, ajudar a montar uma... Já existia, na verdade, mas a gente fez um centro comunitário, era uma favela que tinha ali perto de casa, e eu fui ajudar na alfabetização. Tanto é que a minha mãe foi alfabetizada lá e eu ajudei nesse sentido.
Você já aproveitou, né?
É. E aí, eu tinha, lógico, conhecimento técnico de poder construir alguma coisa, então a gente ajudou em algumas coisas no próprio centro comunitário. Depois, esse centro comunitário acabou indo para mutirões de construção. Eram as freiras que tinham todo esse contato lá. Até quero lembrar delas, a Pompeia, a Lázara, que eram absolutamente anjos aqui na terra. E me motivaram demais. Mas aí eu lembro de uma história... Por isso que eu falo, a gente está em São Paulo. Com certeza a maior cidade do hemisfério sul, ou pelo menos uma das maiores do mundo, com uma riqueza, uma pujança, e acontece coisas desse tipo que eu vou dizer agora, que me impactou demais. Eu cheguei um dia para uma aula, que eu dava uma aula à noite, eram duas vezes por semana, Cheguei lá e eu vi a irmã Lázara de Apompéia ali sentada com uma senhora. E aí elas conversando e tal, e atrasou a entrada da aula, os alunos estavam lá e quem tinha que falar era ela antes de mim. Ela falou, começa aí e eu... Eu falo depois. E aí eu comecei a aula e tal. Ela falou, agora pode parar que a Pompeia vai precisar falar com você. Ela me contou que aquela senhora que estava ali, que lógico, uma situação de carência absoluta, ela estava preocupada com o filho, o bebê, porque... e elas tinham ido de manhã, um pouco antes da aula, elas sempre faziam lá as orações, enfim, eram de cunho religioso, católico, e elas faziam as novenas e tal, e iam nas casas, né? E ela chegou lá e estava conversando com essa senhora e a criança um resmungo, incomodada, a mãe foi ver a criança. Sabe o que a criança estava incomodada? Tinha um rato mordendo a boca da criança por causa do leite que ela tinha tomado. Era essa cena. Um rato comendo parte do... Tinha comido já uma parte da boquinha da criança. Aí você fala, pô, mas eu estou dentro de uma cidade como São Paulo e essas coisas acontecem. Deixaram de acontecer? Não. Então, quando eu falo isso, não é que a gente quer salvar o mundo, não é que a gente quer... Mas é um pouquinho que se cada um fizer a sua parte, com essa empatia, esse olhar humano, A gente vai mudar muita coisa.
E não precisa estar num lugar desse pra perceber, né?
Não precisa, não precisa, não precisa.
Eu falo que tem muita gente do seu lado.
É que impacta muito, é que impacta muito.
Tem muita gente do seu lado. Muitas vezes você tá num ambiente lindo dentro da sua empresa ali, ou dentro da sua casa de milhões. Tem gente morrendo do seu lado e você não tá percebendo. Só precisa, na verdade, assim, olhar mais pras pessoas. A gente fala muito hoje de tecnologia. A gente... tecnologia é o meio. O começo é pessoa, depois vem tecnologia, depois vem pessoa de novo. Então, só pra gente mudar o assunto, a gente tá hoje vivendo a era do celular.
Sim. Então, lembra que eu falei das relações interpessoais? Sim. Esse é o grande impacto que o celular trouxe hoje. Então, é muito comum você ver pessoas que vão sair para jantar, pega, reúne a família uma vez, está todo mundo no celular. Então, tem uma história legal, tem um amigo meu, o Valdir, ele reunia uma vez por ano os primos. Primo que ele não via há muito tempo. Enfim, o primo com filhos, alguns com netos inclusive. Sabe o que ele fazia? Ele pegava toda a molecada, os jovens principalmente. Quanto tempo você não vê seu primo? Ah, faz uns quatro anos que eu não vejo. E você? Cinco? Seis? Ele pegou uma caixa e falou, ó, celular aqui dentro. Aqui ninguém vai usar celular agora. Porque ele tem uma casa muito boa lá em Itu. piscina e tem sítio também, né? Ele falou, pô, vocês estão num lugar legal, vão ficar com o celular. Por que todo mundo sentado no celular? Você tá do lado, você vai ficar mandando mensagem pra quem tá do seu lado, sabe? Aproveita esse momento. E isso também tem impactado a sala de aula, tá?
Isso é importante. Eu falo sempre, quem acompanha aqui o podcast, quem me conhece no dia-a-dia, sabe? Eu, Paulo Barros, sou uma pessoa que adoro entrar num atrito. Porque só o atrito resolve. Você falou desse negócio do celular, até uma coisa que aconteceu agora no último final de semana. Eu fui pro aniversário do infantil, convidados lá da escola do meu filho e tal. A gente tá num buffet legal pra caramba, sabe? Um monte de gente lá de paz. O filho, ó... dá um resmungo, toma o celular. Eu tô falando de criança de oito anos, de sete, de nove, de dez, de onze. O meu filho não tem celular, ele tem nove anos e não tem celular. Aí ele veio, pediu o celular da mãe, aí não sei o que, ele é esperto pra caramba, ele falou, papai, aí pediu pra eu olhar um negócio, daqui a pouco eu olho o celular, cadê o celular? Minha esposa simplesmente deu o celular. Peguei, eu olhei aquela cena, aí a minha esposa olha e fala, já vai fazer seu... Enfim, eu peguei, simplesmente eu dei uma disfarçada, saí. Aí tava lá um monte de criança, inclusive meu filho, sentado num sofá lá do buffet. Todos eles sentados, jogando. Aí eu olho pro Pedro e falei, e aí, filho? Tá certo isso? É, papai. A gente tá jogando. Aí eu falei, gente... Por que vocês não aproveitam a quadra, esses brinquedos? Então, filho, você me dá o celular? Se você quiser jogar, tudo bem, pode ficar jogando. Mas vocês estão perdendo uma grande oportunidade de jogar lá na quadra. Inclusive, eu posso ir jogar com vocês. E tal. Beleza. E todos, ó, todos me deram os celulares. Aí eu saio no meio do buffet, pego os celulares, coloco em cima da mesa. Aí eu voltei, fui lá na quadra, comecei a jogar bola com eles. Enfim, tomei um tombo lá na quadra, parei, mas eles continuaram.
Entende?
Mas assim, falta um pouco mais de...
Sabe?
Porque aquelas crianças, elas não têm a menor noção do que estão fazendo. E daqui a pouco você começa a formar.
E você tá tendo problemas, tanto da saúde, seríssimos. Não só a questão cognitiva. Problema de cognição. Escrita, praticamente, você já tem dificuldade de ter o que a gente chama de coordenação motora fina. É um problema sério. Posição, né? Que você fica meio...
Postura, né?
Postura. E a conexão com o mundo real. Então isso é muito triste. Você me fez lembrar do Fábio, meu primo, lá de Jundiaí. Ele fez uma ocasião, uma festinha para os dois filhos dele. Ele falou que não queria uma festa com buffet e tal, e como ele tem uma clínica veterinária, tem um espaço grande na parte de trás, ele falou, vamos lá na clínica, a gente vai fazer uma festa, só que assim, traz roupa de banho, esse negócio todo, porque vai ser bagunça. O que ele fez? Ele colocou um plástico, esticou um plástico lá no quintal dele, encheu de sabão e tal, e a molecada ficava... As mães e os pais que chegaram aqui ficaram de cabelo em pé. O moleque todo sujo. Só que ninguém queria ir embora. Estava um dia até meio frio. Tremendo ali. Vamos embora, mãe. Deixa eu ficar um pouquinho mais. Isso com quatro, cinco horas de festa. Ninguém lembrou se tinha celular. Era porque ele criou um ambiente lúdico. De contato, pega-pega aquele negócio todo, vamos fazer disputa aqui, mas tudo que a gente fazia antes. Então hoje, a questão do celular é importante? É. Tecnologia é importante? É. Mas tem que lembrar que ela é feita por e para as pessoas. Porque mesmo com a inteligência artificial, O Miguel Nicoleles, que é talvez o maior neurocientista do Brasil e do mundo hoje em atividade, ele sempre fala isso. Primeiro que não é inteligência e nem é artificial, porque por trás da inteligência artificial tem uma inteligência humana que a criou. Isso, entendeu? Mas enfim, a gente tem aí as tecnologias, a gente quer, obviamente, criar esse mundo disruptivo e talvez a disrupção daqui adiante seja exatamente reverter a tecnologia para.
O lúdico, para o dia a dia.
Porque, por exemplo, a gente não pode abrir mão das artes, a gente não pode abrir mão do convívio. Não pode, porque senão o que vai ser? Eu vou ter eventualmente algum dia um robô que vai me servir o meu vinho no final do dia, o meu uísque, o meu suco, vai me ajudar nas tarefas de casa, mas tá bom, é um robô. E cadê aquele contato até o... a parte do erro, a parte do desacerto, do desajuste, até a própria fala que você usa com a pessoa.
As frustrações.
Exatamente. Então, quer dizer, nós não podemos abrir mão disso, não devemos. E aí, voltando agora para a minha área, a escola é para isso. A escola serve para isso. Está aí uma questão colocada também, a gente está falando de tecnologias, a educação à distância. Ela é prejudicial? Não, ela é importante. Ela também veio pra ficar. Só que não tem como você ficar o tempo todo somente à distância. Em algum momento você tem que ter contato com pessoas. Porque se eu hoje pegar, tenho certeza, se eu sentar com um tablet, um celular, um computador e falar, olha, eu quero aprender mecânica. Eu não sou da área. Quero aprender mecânica. Com esforço, disciplina, eu vou conseguir aprender mecânica. Agora eu vou ser mecânico? Depende do que eu estou fazendo. Eu vou ser professor? Eu consigo ser? Consigo. Posso pegar 200 assuntos. entendê-los muito bem e falo que eu sou professor, ou coach, que também é uma profissão do momento, ou youtuber. Mas aí eu vou ser esse professor e quando é que eu vou encontrar com a pessoa? Quando é que eu vou falar com a pessoa?
Como é que eu vou ter o.
Trato com a pessoa? Porque uma coisa é eu falar com a tela, a outra coisa é eu tratar com a pessoa, porque a tela não reage. Eu até lembrei da minha filha pequenininha, porque a gente quando fez o curso...
A sua filha tá com quantos anos agora?
13.
Tá com 13.
Quando a gente fez o curso lá de... pra mãe, né? Minha esposa grávida. Primeiro filho, aquele negócio todo. Vai lá fazer aquele cursinho, aprender a dar banho, não sei o quê, tal, tal, tal. Vem a criança viva, se mexendo. A boneca não se mexe. Pra você dar banho, a boneca não se mexe. Estou fazendo uma comparação, mas a vida real é outra. Embora a tecnologia é muito bem-vinda, gosto muito, uso, mas a gente tem que lembrar que tem pessoas.
Você resumiu bem, Josué. Esse ponto que você trouxe, do curso que você fez com a sua esposa grávida, quando a sua filha nasce, E aí a gente traz... Eu falo, você consegue implantar uma cultura numa empresa com seus funcionários home office?
Esse é o desafio que você tem. Entende?
Então eu falo, eu, Paulo, a minha forma de ver o mundo, eu preciso olhar para as pessoas. Eu preciso sentir as pessoas. E você não consegue sentir através de uma tela. Eu te falei, quem tá tendo a oportunidade de olhar pra você, de me olhar, a nossa forma de pensar, ela é muito parecida. A gente tem um desejo de transformar o mundo, mas, de repente, a voz fala muito por si só.
Sim.
Agora, esse é o nosso momento agora. Agora, enquanto estamos gravando. Amanhã, se a gente precisar conversar, de repente, cara, eu vou precisar de um abraço seu.
Isso!
Será que eu consigo dar esse abraço virtual?
Não, não consegue.
Você entende?
Você tá tocando num assunto, por exemplo, vamos pegar um caso que é um cara famosíssimo, né? Que veio numa vida difícil, que agora tá aí com milhões de seguidores. O Whindersson Nunes, qual que é o problema dele hoje? Ele precisa de dinheiro?
Não.
E ele não consegue se livrar de uma coisa que ele precisa de muito mais do que isso. Nem com todo o dinheiro. E várias vezes ele fala, eu tenho que me cuidar para não fazer uma besteira. Quer dizer, eu estou falando dele, mas tem outros tantos que são famosos, ricos e que tem tudo, só que falta aquela inter-relação com as pessoas, falta o contato, falta tomar uma dura também, um xingo, brigar, discutir, porque faz parte. É daí que você se reconhece como você, as suas dificuldades, as suas necessidades, e vai ter que entender o outro. Não tem outra forma. E a gente em sala de aula, a gente vive muito isso, porque a gente tem uma sala de aula cada vez mais diversificada. Então eu tenho tanto gente com alguma... portador de alguma deficiência, eu tenho gente que não... fisicamente eu não enxergo nada, mas tem problemas de... psicológico, até psiquiátrico.
Defeito de atenção.
Eu tenho aquele que já é automaticamente aquele aluno que você sabe que ele vai sozinho, ele vai chegar no mais alto cargo que ele quiser, então ele não precisa dar atenção específica pra ele, mas também tem que dar atenção pra ele. Então tanto praquele que é o que tem a maior deficiência, vamos colocar assim, e aquele que não tem. Ambos precisam de atenção.
É porque você traz esse ponto que às vezes você pega esse que anda sozinho, mas de repente com o seu direcionamento, além dele andar sozinho, ele também traz outros com ele.
E tem um detalhe, por exemplo, esse que é, vamos dizer, autossuficiente, ou seja, o autodidata, qual que é o problema dele? Ele precisa de atenção também, porque senão ele vai, se é que ele vai sozinho, ele vai sozinho, mas não é assim.
Não, não entendi o vai sozinho seu.
Eu conheci uma menina, Tá muito bem, tem empresa também já, ela e o pai. Sabe o que ela falou pra nós? Não faz tanto tempo assim. Eu conhecia há mais de 20 anos. Reencontrei há pouco tempo. Sabe o que ela me disse? Ela falou assim, eu ia mal na escola. Porque eu queria tomar bronca. Porque meu pai, ele pegava as minhas duas irmãs, ele dava bronca, ele brincava. Você não vai ficar com brinquedo? Você não vai pra festa? E pra ela, ele não falava nada. E ela queria que ele olhasse pra ela. Você entende o que eu digo? Então, tudo isso faz parte da nossa atuação como ser humano. O olhar, a prática, acertando ou errando, faz parte.
José, a gente... Falamos muito, a gente tem muito assunto.
Eu sei quanto nem tempo nós estamos aqui.
Gabi, quanto tempo foi?
Nem sei aqui.
Uma hora e meia? Eu vou fazer a última pergunta pra você. A gente tem o quadro Convidado com Vida. A gente vai fazer um encontro lá na FATEC com auditório, com plateia. Isso já foi anunciado aqui, já conversamos sobre isso. Agora sim, a gente tem o quadro Convidado com Vida. Você pode trazer um convidado aqui, pode mandar um convidado que você gostaria de ouvir. Quem você gostaria de ver ou ouvir aqui?
Aqui? Ver ou ouvir? Pode ser qualquer um?
Qualquer um.
Da minha, do meu meio?
Sim, pode ser do seu meio, pode ser... Enfim, você aqui, você não pede, você manda.
Olha, eu gostaria pra falar...
A Maria Alice não vale porque ela já vem, ela já é minha convidada.
É, convidada sua, né? Deixa eu pensar aqui numa pessoa... que eu gostaria de ouvir, é que eu queria fazer um pouco mais amplo, tá?
Pode ser indústria, pode ser o que você imaginasse, pode pedir.
Pode ser? Eu tô pensando, é uma pergunta difícil, hein? Você não me falou que ia fazer essa pergunta.
Sabe difícil por quê? Porque você quer trazer várias pessoas, mas...
Não, é que eu tô pensando numa pessoa que pudesse trazer uma parte de falar de economia, um olhar humano também, É... vai ser difícil você conseguir, hein? Mas é uma pessoa que eu acho que você consegue.
Eu só vou te contar um segredo antes, tá?
Pra mim... Você consegue qualquer um.
Meu nome, na verdade, eu troquei o Silva por Solução. Então hoje meu nome é Paulo Solução Barros.
Muito bom.
Se esse cara não vier ou essa mulher não vier aqui é porque não é pra ser.
Tá bom, então eu vou colocar um nome aqui. Eduardo Moreira, o economista.
Eduardo Moreira, economista.
Ele tem o Instituto Conhecimento Liberta. A história dele é fantástica. Se você falou comigo uma hora e meia, com ele você vai falar quatro horas.
Olha para aquela câmera e convida.
Eduardo Moreira, do ICL. Eu quero você aqui. Aqui no Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo.
Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo.
Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo Pau Convidado, hein? Venha, não esqueça de vir.
Então, beleza. Agora vamos para a penúltima pergunta aí, encerramento. Josué, o que que você... Assim, a gente se conheceu, né, recente, até através da Débora, que eu queria aproveitar e mandar um abraço para ela estar fazendo um trabalho brilhante na Francal Feiras. E o que que você está achando, né, depois que você conheceu o Constra e Cash, como que você enxerga esse canal?
Eu confesso que eu estou querendo copiar, inclusive. Mas não vou fazer isso.
Pode melhorar.
Não, não vou fazer isso. Mas assim, a gente tem hoje... lá na FATEC, um curso chamado Produção Cultural. E a gente vai precisar do seu apoio também nesse sentido para mostrar as dificuldades, as facilidades a gente sabe.
Pode contar comigo.
É, mas eu penso, passando aqui pela conversa um pouco mais, de certa forma tem uma formalidade, querendo ou não, é um programa. Eu tenho um olhar para este tipo de programa e este especial, que até para a forma como você conduz, como você é, como você transmite e faz, você transpira isso que a gente conversou agora, a questão de humanidade, de uma atenção pelo lado, lógico, de negócios e, enfim, pensando em empresas, mas um olhar do ser humano. E aí, não é que eu modifiquei porque eu já sabia que ia ser assim, mas eu olho um canal que precisa ser expandido, ele tem que crescer, ele tem que fazer parte de todas as rodas de conversa, principalmente ligadas diretamente à construção, mas não só isso. Acho que tem que pensar, a gente tem que expandir isso pensando numa numa forma de criar aqui o nosso gueto, o nosso nicho, vamos dizer, o nosso bunker, mas não para...
A nossa comunidade.
É, criar um gueto, um local que una as ideias e esteja aberto, e você é isso, vocês aqui do ConsciCast. Eu saio daqui maior do que entrei, tenho certeza, e espero ter deixado também com vocês um pouquinho do que eu sou, do que eu represento, e estou aí à disposição, mas quero parabenizá-los aqui, você e toda a equipe, e eu, assim, eu recomendarei com certeza Vamos fazer um programa juntos lá na faculdade. E eu me disponho a tentar ser um hub de contato com as instituições de ensino também. trazer o pessoal de USP, UNESP, UNICAMP que eu conheço, o pessoal ligado aí na questão de pós-graduação, trazer o pessoal ligado à pesquisa científica que também faz parte. Então eu me comprometo do ponto de vista educacional tentar ampliar. Tentar não, nós vamos ampliar.
Nós vamos ampliar.
Nós vamos ampliar bastante. E aí estamos à disposição. E não esqueçam de participar da MCS, Modern Construction Show. Vai ser um... Um arraso, tenho certeza.
Ô Josué, eu fiquei assim, eu, de verdade, eu tô muito, muito feliz da sua vinda aqui e até eu tive uma ideia quando a gente for conversar com a Maria Liz pra gente trazer, de repente, um aluno junto.
Sim, vamos trazer, vamos trazer.
Pra fazer essa conversa, porque... Boa. Nós falamos muito aqui sobre ser humano, sobre a vida, porque primeiro que você está numa posição onde você está formando pessoas para entrar no mercado de trabalho. Então a gente falou de distrações, falou de uso de celular, o porquê que falamos disso. Enfim, eu penso que não fugimos do assunto. Foi uma conversa leve. Esse é um bate-papo realmente pra quem é apaixonado pela vida, por servir. Eu penso que tem gente que nasceu pra servir. Esse é o meu caso. Eu nasci pra servir. E olhando pra você...
Tanto é que eu sou um servidor público.
Servidor público! Eu sou um servidor, mas eu não sou público ainda.
Exatamente. Ah, e outra coisa, não esqueça, a gente vai ter o congresso nosso da FATEC. A gente vai fazer um evento lá, aberto ao público. A gente vai convidar muita gente, muitas empresas, usando lá o nosso home theater, você conheceu.
Sim.
Vai estar melhorado, com certeza, até lá. E a gente fala, primeira semana de outubro, tem 1, 2 e 3, nós já temos o compromisso com a MCE. Certo?
Sim.
Na sequência, o nosso congresso.
Fechou. Inclusive, eu queria aproveitar esse episódio, né, que o Matheus e a Gabriela visitou lá a FATEC com a gente. Eu queria aqui agradecer. Hoje eu tô com os dois ali também nos bastidores e são pessoas que eu quero levar pra vida, porque essa mesma empolgação que temos aqui, né, Ou seja, vocês estão conseguindo ver e ouvir o Josué e eu, mas eu falo que esses dois ali que me acompanham sempre nas minhas viagens e no canal.
Tem que fazer isso mesmo.
Estendo isso também para as outras pessoas, para a Karina, para o pessoal que está também lá.
Não conheci os outros dois, conheci hoje, mas Matheus e Gabi, a gente conheceu bem. agradabilíssimos, sérios, muito competentes, e vão lá estudar com a gente também. Vamos lá.
Vamos lá, nossa equipe, enfim, quem não fica aqui, fisicamente, pessoal da comunicação, do.
Marketing... Se não estudar, vai ter que fazer um curso, mostrar o que eles são capazes de fazer, que são excelentes. muito jovens e altamente capazes. E é isso que a gente precisa, né? Precisamos de gente com essa competência, com essa vontade de ver mudar e aquela história, né? O que a mão direita faz, a esquerda não precisa saber.
Não precisa saber.
Certo? É isso que, inclusive, é bíblico. Eu não sou religioso, embora o nome seja altamente religioso, né? Mas isso eu guardei, que é uma das coisas que eu li na época lá, que o que a mão esquerda faz, a direita não precisa saber.
É, não precisa saber.
Então, faça o bem, não interessa quem e é só isso. Então, não precisa complicar muito. Então, a gente tem pessoas como vocês aqui, que a gente... Eu me sinto muito bem e não tem problema nenhum. O que tiver de dificuldade, onde eu puder ajudar, como eu puder ajudar, eu estou à disposição.
E é Recíproco, Josué. De verdade, eu falo por mim, falo pela Gabi, pelo Matheus, enfim, toda a minha equipe. Na verdade, eu falo que hoje eu estou à frente de um grupo de empresas que todo mundo que vem fazer parte tem esse propósito, que é de servir, que é de tirar a vaidade do lado e entender que tudo que eu envolvo as pessoas, que eu coloco as pessoas no centro, tende a crescer, tende a dar frutos, independente de mim, ou não. Eu nunca vou pagar pra alguém fazer algo, eu vou pedir.
Você, por exemplo, eu posso agora fazer um relato aqui, rápido, porque senão a gente vai ficar mais uma hora.
Por favor.
Quando vocês estiveram lá, eu estive com os dois, com você a gente conversou muito, mas os dois estavam sempre ali, o Matheus e o Gabi, estavam preparando as coisas. Eu pude ver o alto grau de comprometimento da equipe. Isso só se consegue quando cada um entende o que é exatamente para ser feito. Mas não é questão técnica. Eu sei que eu tenho que conectar o microfone no plugue, tenho que levar... Isso eu sei, é técnico. Mas tem um outro detalhe. Olha, nós vamos falar com pessoas, nós estamos recebendo, isso tem que ser o melhor. Você não precisa falar, ó, cuida disso, faz aquilo. Eles já sabiam.
Sim.
Automaticamente. E quando teve alguma... questão que você foi falar, muda um pouquinho aqui, coloca a câmera aqui, foi com uma cordialidade, que isso falta muito, essa cordialidade. Ô Gabi, vem cá, muda um pouquinho aqui ó, fica melhor, dá uma olhada, porque você, ali você tava dando uma aula, querendo ou não, e ela pra você também, e o Matheus também, com a competência, com a qualidade que a gente vê, né, na produção de vocês, mas que Vocês estão de parabéns de conseguir essa união sem precisar dizendo que está unido. Isso que é mais importante. Vocês sabem que está aqui. Eles sabem que é uma empresa que precisa gerar recursos. Afinal, os boletos chegam, não é isso?
Sim.
Mas que tem um alto grau de comprometimento, de envolvimento, que isso com certeza é pra vida.
Obrigado, José. É muito gratificante ouvir isso, porque a gente vai fazendo as coisas de forma automática, a gente acaba não percebendo, mas tudo que eu faço é com muita vontade, é com muito amor, e é muito legal quando as pessoas notam isso de forma automática.
Eu estou te falando porque eu já participei de outros momentos, Mesma coisa, vai gravar pra apresentar e é diferente. É um tratamento que tem uma barreira e aí quando termina, você vê o cara guardando o cabo lá, deixa eu ir embora, que eu vou pra minha casa. Lá eu não vi ninguém com pressa.
Não, não tem isso.
Pô, eu tenho... Se tivesse também, eu falaria, poxa, eu preciso ir embora, desculpa, mas... Realmente eu tô aqui... Não teve isso, entendeu? Tanto é que a gente ficou acho que mais de uma...
Ficamos...
Não, era pra ser até às 11, foi uma hora vocês saíram de aula, não foi?
É isso aí. Mas assim, eu fico contente, assim, eu.
Sempre... E estão sempre muito bem-vindos.
E vamos continuar essa relação, e o que você viu... na gente, na minha equipe, eu espero que você veja em outras empresas, em outros líderes, porque, de fato, só assim, igual técnica, a gente compra. Técnica, a gente compra. Agora, comprometimento, união, isso é construído.
Por isso que eu falo, o pessoal tem brigado no mercado, assim, esse é um problema, mais uma hora. Eu conversava inclusive ontem sobre isso, a questão das empresas participarem com a escola, junto à educação, para capacitar os funcionários, os colaboradores, para que eles tenham uma melhor qualidade, para eles e para a empresa. Qual é a barreira que a gente encontra? A empresa fala, mas eu vou gastar. O cidadão, ao invés de ficar aqui trabalhando, ele vai ficar uma, duas horas fora num curso, treinamento, tem que pagar pra ele. Depois ele consegue uma outra empresa, vai embora e me larga aqui. Eu que paguei, ele que vai embora. É assim que tem que ser?
Não.
Não? Claro que não. Mas peraí, eu transformei a vida de uma pessoa. Se ela entender que tem que ir embora porque o salário lá é melhor, a vida dela é melhor, vá e seja feliz. Vou pegar outro e vamos trabalhar. A hora que você cria um ambiente de compromisso, de relação, não são mil reais a mais no salário que o cara vai mudar, a pessoa vai mudar. Porque tem o algo a mais, e esse algo a mais só se consegue no dia a dia, com respeito, com detalhe, com respeito, cordialidade, com a transmissão do conhecimento. Entendeu? A transmissão do conhecimento.
No servir.
Então é isso. Por exemplo, lá na FATEC, em São Paulo, até onde eu sei, os colegas meus professores, a Maria Alice está aí, ela pode dizer, A gente não esconde nada. Se o aluno chegar, inclusive aluno que já está trabalhando em empresa. Ô professor, tô fazendo esse projeto aqui, como é que eu resolvo? Poderia dizer pra ele, olha, isso eu vou te ajudar, mas custa 500 reais a hora. É uma consultoria. Não, ó, vem cá, faz assim, assim, assim e tal. Claro que você também tem um limite, mas ele vai falar, professor, agora sofreu. Não, peraí, eu te ajudei, se você quiser a gente conversa de outra forma, mas não vai esconder o conhecimento. Conhecimento, quanto mais compartilhado, mais ele chega. É assim que funciona.
E pra encerrar, olha só, nas minhas relações, no meu lado o amor, a minha esposa, a gente vive um dia de cada vez. Nosso relacionamento não é comprado, não tem pressão. Se ela quiser ir por dinheiro pra qualquer relação, ela pode, ela consegue. Mas ela está comigo porque ela quer ficar comigo. Na sua empresa, você precisa ter pessoas que queiram estar na sua empresa. O dia que você tiver medo dela ir pro mercado, de repente o problema não tá nas pessoas, tá em você. O nosso episódio de hoje com esse cara incrível fica por aqui e nos vemos até o nosso próximo encontro aqui no Constricash.
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