PAREDES DE CONCRETO: Everson Nascimento Revela Segredos e Desafios da Engenharia | Constru e Cast

Everson Nascimento, a structural engineer, explains why concrete wall systems dominate Brazilian construction. He covers the method's speed and consistency, his work on massive social-housing programs like Minha Casa Minha Vida, and the real obstacles: formwork supply chains and upfront costs that scare smaller builders.
Questions this video answers
2002
2004
Around 2012–2013 (two years during the Minha Casa Minha Vida peak)
1,080 apartments in nine months
10% of all national concrete-wall projects (per his statement)
Chapters
Sejam bem-vindos a mais um episódio do ConstrueCast e hoje eu tenho uma informação importante sobre o convidado que eu só vou falar no final deste episódio. Este episódio é um oferecimento aditivo. Everson Nascimento, vamos conhecer hoje a sua história. Seja bem-vindo.
Obrigado. Obrigado, Paulo. Agradeço aí o convite, já foi feito há algum tempo, né? Eu não consegui vir antes, mas... É até difícil eu sair, né? Eu sou uma pessoa meio reservada, eu não gosto muito de sair. Ainda mais sair do escritório, de casa. Então, às vezes, quando eu saio, são raras, às vezes, assim, que eu participo de alguma coisa, assim, né? Mas é pela... a forma, né, que eu lido com as coisas, né? Eu gosto de simplificar, né? Uma palavra legal, assim, que tem é que eu gosto muito de simplificar as coisas, né? Então...
O famoso menos é mais.
É, essa é uma frase do amigo nosso, do Rafael, né? Do menos é mais. Ele adora isso, né? Mas é mais por aí mesmo. A gente gosta de simplificar as coisas assim pra não complicar, né? Então... É, isso é algo que a gente prega bastante, né?
Então, o episódio de hoje promete. É, Versão, tá preparado pra contar um pouco da sua história pra nossa audiência?
Vamos lá.
Então, eu queria, antes de qualquer coisa, eu queria entender como você entra na engenharia e depois eu vou voltar um pouquinho.
É, eu vim assim de família, de uma família assim que sempre teve ligada a construção civil, né. Meu avô era pedreiro, meu pai ele era carpinteiro, trabalhou como pedreiro também, teve loja de material de construção, então era um foco, né. E uma coisa assim que meu pai fez, ele nunca deixou eu trabalhar no pesado. Ele falava que eu tinha que estudar e ser doutor. Isso era uma coisa que meu pai falava, que ele podia... assim, não me dar nada, não deixar nenhuma herança, nada, mas que ele ia me dever formado, né?
Então... Deixar ligado, né?
É, isso, isso. Então, tanto eu como meu irmão, ele fez isso. Eu e o meu irmão, nós somos engenheiros, né? Então, graças a ele, minha mãe ali, que tiveram um sacrifício grande ali pra conseguir, muita dificuldade. E daí, eu consegui me formar em 2002. Eu me formei lá em Barretos, na faculdade lá de Barretos, de engenharia, faculdade excelente lá. E a minha luta, assim, a entrar, eu achava que eu ia mexer com construção civil, no começo eu fazia projetinho, construções pequenas, e eu fui para a área de estrutura metálica no meu começo. Então, eu trabalhei praticamente um ano e meio fazendo projetos de estrutura metálica. Fiz obras aí, nós fizemos obras, tinha uns parceiros lá da minha cidade, Nós conseguimos fazer, assim, obras para vários locais do Brasil, assim, o que tem, né? Aí eu tive um problema, né? A gente, toda vida, assim, a gente tem... Lá que foi... A gente teve um problema financeiro sério, né? E eu parei de construir e falei, vou fazer o que ninguém faz. Daí foi aonde surgiu essa ideia, né? De ir para a estrutura, para firmar mesmo na estrutura. Daí eu entrei no concreto, comecei a trabalhar com concreto em 2004 assim que tem, daí tinha um amigo meu que até infelizmente ele faleceu no começo desse ano, que era muito amigo meu mesmo. E ele me trouxe e me colocou dentro das paredes de concreto. Ele chegou lá pra mim e falou, Everson, eu tenho aqui um projeto de uma casinha com tela, como que você... Você sabe calcular isso? Eu falei, não, não sei. Daí eu fazia especialização, cheguei pro professor e perguntei, ô professor, como que eu calculo uma casinha assim? Ele falou, não tem a mínima ideia. Daí ele falou, ó, mas eu sei que tem uma norma francesa que segue isso daí. Então, daí a gente foi atrás dessa norma francesa. Na época lá, acho que o valor que eu recebi pelo projeto, eu paguei a norma francesa.
E qual que é a diferença de trabalhar... Quando você trabalhava com estrutura metálica, você não calculava?
Não calculava, mas era um cálculo assim que eu achei que ia fazer pro resto da vida. Eu gostava demais, gosto ainda de estrutura, mas eu nunca mais, depois dessa virada de chave pro concreto, Voltei pra estrutura metálica, né? Tem até uns professores que brincam, que falam que quando a formiguinha do concreto pica, você não consegue voltar a fazer outra coisa, né? Então... E uma coisa assim que também eu sou assim, é que a gente não pode ser pato na vida, né? Pato é uma ave completa. Ela anda, ela nada e ela voa. Só que ela não anda direito, ela não nada direito, ela não voa direito.
Ela não voa direito.
Então, se você pega pra fazer muitas coisas, você não consegue fazer nenhuma direito, né? Então, daí eu acabei focando, né? Que através desse projeto, desse amigo meu lá que a gente fez, Que a ABCP me descobriu na época e ela me indicou para uma empresa de Ribeirão e eu fiz uma primeira obra grande assim. Foi uma obra de 500 casas, que era um negócio que eu jamais iria imaginar na cidade de Ribeirão Preto.
Isso em parede de concreto.
Parede de concreto. E era casinha ainda, a gente usava um sistema já incorporado, não tinha norma, não tinha nada nisso daí. Daí, nesse período todo, a gente buscou tentar se aperfeiçoar, ali ver, daí começou a surgir grupos de norma, eu participei desses grupos de norma que tinham, até que uma grande incorporadora me contratou. na época para desenvolver o sistema de parede de concreto. Então, lá foi assim a minha especialização em paredes de concreto, porque qualquer falta, necessidade que eu não tinha, eles me davam. Então, como que a gente vai tratar uma junta? Ele ia lá, catava o melhor profissional do mercado, de junta trazia, pra me ensinar a fazer essa junta. Daí, foi novamente... Ah, e cálculo. Ah, vamos catar o melhor calculista que tinha no mercado, experiente, trazer pra ser meu consultor, pra alinhar meus cálculos e acertar. E aí, isso foi com concreto, com parede, com fundação, com... com fibra, uso de fibra, uso de qualquer elemento que usasse na construção, eu tinha uma dificuldade. Então, eu conheci muitos profissionais, assim, que eram os top do mercado, ela contratava e trazia pra mim. A gente ia montar, na época, da tech número 1. de paredes de concreto, ele não efetivou porque a empresa quebrou. E eu fiquei com todo esse material.
E você participou de tudo isso?
Tudo isso. E quando foi sair o produto, a empresa quebrou, ficou meio que abandonada. Eu era a única pessoa que tinha todas as informações reunidas. Porque eles pagavam para mim ir atrás, desenvolver, buscar. Por isso que eu acabei ficando conhecido por esses profissionais gabaritados que tinham, porque eu era muito novo na época, eu tinha 25, 26 anos quando isso aconteceu. Então, eu era muito novo assim, mas eu era uma esponja, né? Como eu sou até hoje. Tudo que você me der de informação fica armazenado na minha cabeça e algum dia eu consigo usar ela.
Você me traz uma informação importante, Everson. E agora, pra gente continuar, eu queria entender, eu queria falar um pouco do Everson criança. Só pra eu tentar entender algumas coisas que você tá me falando. Qual que era o seu sonho de criança? Imagina você criança, porque o Paulo eu tinha um sonho que hoje eu tô vivendo, tá? Qual que era o seu sonho de criança? Pra gente continuar esse bate-papo.
O meu sonho de criança era uma criança assim que era muito agitado, muito... queria mexer, muito curioso, né? Eu tenho uma filha, então minha filha, ela é assim, eu me vejo muito nela, assim, nessa parte de ser curioso, ter curiosidade de mexer com tudo, de... e tudo. E tinha duas coisas que eu sempre falavam, né, que eu queria ser. Uma era ser piloto de avião. Piloto de avião. Piloto de avião. Bateu na trave.
Bateu na trava e por quê?
É, não, é que eu cheguei a prestar tudo lá, mas por algumas coisas lá, acabei não indo pra frente.
Mas chegou a passar?
Não, não. Daí eu tive uma reprovação lá, daí eu... E o engenheiro. O engenheiro também, que era um sonho do meu pai também, que tinha. Daí eu ia com ele às vezes nas obras lá que ele fazia, e eu falava, não, eu quero ser... Eu quero ser engenheiro. Daí eu falava, eu vou ser engenheiro. Então, eu não tive muita dúvida no que fazer depois, sabe? Então, daí quando eu entrei na engenharia, o primeiro e segundo ano eu queria morrer, porque era um curso... Parece que você tá fazendo curso de matemática.
E a vontade de ser piloto passou em que momento?
Não, isso daí passou. Conforme foi indo assim, fixou mais, né? Porque era dentro da possibilidade, da minha possibilidade ali de enxergar o mundo, né? Eu vi que engenharia pra mim seria a melhor coisa. E eu sou uma pessoa assim que você pode tentar me influenciar, eu sou influenciável, ninguém consegue me influenciar, eu tenho opinião própria, nem que ela seja errada, mas é terrível assim. Eu brinco muito com o Rafa, eu tava conversando com o Rafa, ele me passou um cantor e falou, você vai gostar. Eu falei, Rafa, eu escutei três vezes o CD do cara e eu não gostei, porque não me influenciou, não tocou.
Não é... Você tem que se tocar, tem que te tocar assim.
Tem, tem, tem, tem, tem. Mas é engraçado isso. É engraçado.
Ué, Everson. E aí, quando a gente daí... Agora, voltando, né? O que a gente estava falando dessa parte do... Que você entra nessa parte de parede de concreto. E quando você fez esses cálculos, né? Com essa quantidade de informação que você teve, essa capacidade que você tem de absorver essas informações e guardar pra você que você vai usar em algum momento. O que que muda na sua vida a partir daí?
É que eu fui começando a achar meu lugar, né? A achar meu lugar de mercado. Então, quando começou o sistema, porque isso teve um delay grande, isso foi em 2006, 2007, a norma só foi sair em 2012. Então, até lá a gente teve que, que nem fala, camelar ali, trabalhar em cima daquilo ali, porque daí surgiu esses negócios de desenvolvimento de normas particulares, como o da TEC assim. Eu participei, na época foram quatro da TECs, Eu participei... Que ano? É, isso daí 2008, 2009, 2010, até 2002.
Então, você pega aquele programa do Minha Casa Minha Vida?
É, eu peguei... Eu peguei o auge do Minha Casa Minha Vida, que foi 2012, 2013, quando surgiu a norma de parede de concreto. Em dois anos, eu cheguei a fazer 40 mil unidades de projeto.
40 mil unidades?
Uau! É, em dois anos. ali do Minha Casa, porque as obras eram grandes, era tudo obras de 1.500, 2.000 casas que a gente pegava pra fazer.
Não, é bem interessante, porque assim, eu lembro que nessa época a construção civil tava em alta, né, e você tem aquele período que é pré-copa, né, também.
Enfim. A Copa, assim, né, eu cheguei a fazer projetos de alojamentos, assim, pra tirar algumas empresas lá que tinham. A gente chegou a fazer projetos de alojamento de fundações pra Copa, pra Olimpíadas. A gente chegou a pegar, mas o boom mesmo foi o Minha Casa Minha Vida de 2000. e 12 até 2014, quando daí começaram a ter cortes. Mas ali, a gente pegou o auge deles ali, que era um negócio absurdo, absurdo, absurdo, né?
E qual que é... O que muda na sua vida, depois que você participa de momentos tão importantes do desenvolvimento do país, né? Porque, de certa forma, você tava ali envolvido na Nasdaq, né? Dessas... Porque, assim, o que tinha de notícia, que o governo anunciava, a quantidade de casos absurdos...
É, o que eu brinco, assim, que era muito, assim, né... Porque, assim, tinha os calculistas que tinham nome... Eu não tinha como competir com um calculista que tinha 30 anos de mercado, eu tinha 2, 3...
É, só que você já... Só que, como você fala aqui, você tinha uma capacidade de absorção de informação pra salvar no OHZ...
É, aí a juventude pegava, né? Porque a turma olhava e falava, não, ele é muito novo pra fazer isso, sabe? Mas daí tinha assim, então onde que eu nadava? Os grandões não pegavam obras menores que 500 unidades. Então eu nadava nesse submundo ali, que eu brinco que era um submundo, né? Que era obras de 150, 500. Daí a minha sorte qual era? Que muitas empresas dessas que fizeram 500, 250 ali, que os grandões não pegavam, Foram bem e passaram a fazer mil, mil e quinhentas. Então, como eles não davam suporte pra eles quando eles eram pequenos, daí eles não queriam depois. Aí eu falei, não, vamos ficar com ele que até agora ele atendeu a gente, ele veio aqui, ele fez o negócio funcionar. Então, essa foi a minha sorte, né? Toda vez que levantar, eu consegui chutar pro gol.
É, Werson, aí você traz uma coisa importante, que é quando esses caras eram pequenos... Na verdade, não eram pequenos, né? O cara que constrói ali 150 unidades...
É, na época era considerado... Hoje já não é. Hoje já não é, né? Porque os valores eram diferentes, né? Na época lá você tinha uma casa por R$25.000, R$26.000.
É, mas naquela época era muito dinheiro, né? Se você voltar pra 2000, meados de 2013, enfim.
É, hoje essas mesmas casas é 300.000, 250.000. Então, ali... é, tinha um delay ali grande ali, né, que você vê como que o nosso país desvalorizou, né, o mercado olhando esses valores, né, de residência.
E, Everson, e aproveitando aí, como eu tava falando, uma coisa que me chama muito a atenção é o fato da gente estar perto Dessas pessoas tudo bem, naquela época na sua cabeça tudo bem, era pequeno, mas assim... Eu já enxergo que não era, tá? E só que assim... Tudo que é grande, ninguém nasce grande, né? E quando essas empresas cresceram, você estava ali junto e consequentemente... Quando foi construir ali mil unidades, lógico que estava perto.
É, que passou aí dois anos, né? Que era, porque... Qual que era a vantagem desse sistema, né? Ele era muito rápido, né? Então, eu tive uma obra aqui em Jundiaí, que a empresa, ela usou dez jogos de forma. Fizeram mil e oitenta apartamentos em nove meses.
Mil e oitenta em nove meses?
É. É uma obra gigantesca que tem ali, mil e oitenta apartamentos em nove meses. A velocidade que a parede de concreto dá, ela é absurda em relação. Hoje eu posso falar com propriedade que não tem sistema aqui no Brasil que bata a parede de concreto em custo e execução.
Em cuspo e execução não tem.
Só que é em escala.
Tá, então você pega esse tripé, custo, execução e escala.
É, se precisar de escala hoje, nenhuma delas bate parede concreta.
Nossa, essa informação, assim, pra mim é extremamente importante.
É, porque como que funciona, né, assim, os sistemas construtivos? Todo sistema construtivo, ele tem variáveis construtivas. Então, vamos supor, você pega a alvenaria comum lá. Você tem o tijolo, a argamassa, o pedreiro, o ferro, o aço, a areia, tudo isso é uma variável construtiva. Então, quando você soma todas essas variáveis, sabe, que é a pessoa que vai pegar, vai montar, vai fazer, vai assentar, vou ter que fazer o concreto, tudo isso é variável. Então, você pega a alvenaria convencional hoje, ela tem 72 variáveis executivas, mais ou menos. Você pega a alvenaria... e duas. Você pega a alvenaria estrutural, que daí você já tem que ter um projeto do bloco, a resistência, você vai diminuir aço da obra, você vai ter que ter uma mão de obra especializada que você padroniza, ela passa a ter 46 variáveis executivas.
Então, você sai de 72 para 46 na alvenaria estrutural.
E daí, quando você pega a parede de concreto, que você monta uma forma, enche ela de concreto e trabalha lá, monta armação, tudo, você tem 28 variáveis executáveis. Então, quanto menor é esse número de variáveis executivas, maior é sua produtividade e menor é o risco de você ter insucesso. Então, assim, você... Quanto menos variáveis, menos problemas eu vou ter na obra. Daí fala assim, mas e custo? Vale a pena? Se você pegar o custo das três, elas vão ter uma variação de custo de mais ou menos de 4% a 8%.
Quando você juntar essas três.
As três. Compara as três no custo final, elas vão ter uma variabilidade assim de 4 a 8%. Pode ser que a alvenaria convencional em algumas regiões fique mais barato, que a alvenaria estrutural fique mais barata ou a parede de concreto fique mais barata. Mas daí você fala, mas por que a parede de concreto se custa a mesma coisa? É, a grande vantagem dela, tempo de obra. Então, se eu pego uma obra em convencional, vamos supor assim, um prédio de quatro pavimentos. Na convencional, eu levo quatro meses a cinco meses para fazer. Na alvenaria estrutural, eu levo três meses. Na parede de concreto, um mês.
Nossa, e quando você junta ali, é que tem os custos invisíveis, né?
É, você dá um passivo em tudo. Só que assim, eu vou ter que uma mobilização de equipamentos maior, mais cara na parede de concreto, inicialmente. Então, o gargalo dela é o quê? Ali no começo eu tenho que ter um desembolso muito grande. Só que lá no final ela compensa pelo tempo de obra. Então, porque as grandes incorporadoras que você tem no mercado hoje são quase 100% em parede de concreto. Elas entregam um volume muito grande num período menor, custando a mesma coisa.
E mesmo... E essa... E você consegue essa redução de custo mesmo... Porque você precisa contar com uma empresa que vai fornecer essas formas.
Sim, sim. Geralmente é compra, né? Locação... Tem só duas empresas que locam no Brasil.
Duas empresas.
É, só tem duas. É muito pouco, né? Deveria ter mais. Mas, em geral...
É, inclusive eu conheci. Recentemente agora eu fui visitar uma empresa. Ele... Eu fui até fazer um trabalho para um parceiro e eles conseguiram reduzir o tempo de obra utilizando, inclusive, esse sistema de formas, né? De parede de concreto. Reduziram, se eu não me engano, para mais de oito meses.
Sim, sim, sim.
Eu fiquei assim, eu falei, não é possível. E aí, ele foi me explicar, né? Porque o que acontece? Você está subindo e essa forma, ela tem um sistema que... Quando ela sobe um andar, aquela parte de baixo, ela tem uma estrutura que as pessoas já vão dando acabamento.
Sim, sim.
Então, já vai deixando...
É tudo progressivo.
É bem legal, assim.
É tudo progressivo. Você vê em canteiros grandes, né? Eu tenho obras aí hoje de mil, duas mil unidades fazendo. Que você vai lá hoje, você volta assim um mês depois lá. Tá a torre pronta, torres de 17 andares, tá lá na última laje.
Ué, Everson, e quando você tá desenvolvendo aí, quando tá fazendo o cálculo de um sistema desse, é você que define o tipo de forma?
Não, não. Daí é o cliente. O cliente me traz a forma e a gente monta o projeto, né?
Porque aí... Ah, a forma, ela vem antes.
É, ela vem antes ou a gente pode até ajudar na concepção ali com consultoria, alguma coisa assim. Geralmente, quando pega do começo do empreendimento, que ele só tenha o projeto legal, né? Que é a aprovação na prefeitura lá. Ele chega e fala, ó, vou fazer em forma. Daí a gente passa pra ele a relação das formas que tem no mercado, né? Eu tento ser o mais imparcial possível. Apesar de ter duas marcas que acabam se destacando, né? Mas a gente tenta ser o mais imparcial possível que a gente tenha amizade. Eu trabalhei com todas elas que tem aqui, né?
E nesse processo, quando você tem, quando você direciona ali essas empresas de forma? Tanto assim, eu tô te fazendo essas perguntas porque... Eu sempre falo que eu vivo em canteiro de obra e eu vejo a dificuldade que muitas construtoras tem com empresas fornecedoras de formas de escoramento. Então, por isso que eu estou te perguntando. Quando você indica uma empresa para fornecer formas de escoramento, qual que é o critério para fazer uma indicação? Não é só a qualidade do material, né? Não, não.
É produção. Então, hoje, parede de concreto, o que você tem de gargalo? Então, forma, sim. Tem formas para obras pequenas, tem formas em sistema de locação que dá pra fazer obras pequenas. Se bem que eu tenho obras grandes sendo feitas com essas formas de locação, não teria problema nenhum. Só que daí o que é importante pra gente é o que? Retrabalho. Então, tem formas, as mais modernas, você tem menos retrabalho. Então, ela tem menos furo na parede, porque a forma ela tem que ter uma faqueta, que a gente chama, que liga um lado ao outro da forma, né? Então, essa faqueta... Tem formas que tem um número maior e outras que tem número menor. Então, as que tem número menor são mais modernas. Então, tem hoje formas com três linhas de faqueta. As antigas eram sete, oito. Então, você quando tira a forma, o profissional que vai tamponar esses furos é menos. Então, chega a reduzir 20 mil furos numa hora, 50 mil furos só de usar uma forma. Então, é material que você vai ter que pôr ali, é mão de obra. Então, isso depende muito do tipo e do tamanho da obra. As grandes hoje trabalham com as formas top, né? Porque elas sabem que tem.
E essa quantidade de furos que existe nessas formas mais modernas, quando você reduz, isso influencia na parte acústica do empreendimento?
Não tem a ver, o material que é feito o tamponamento, ele tem a mesma propriedade do concreto, praticamente. Então, não teria problemas relacionados à acústica, né.
E nessas indicações, né, quando você está fazendo essa parte de... O tipo de... A forma como a empresa presta o serviço, sabe? De prontidão, de suporte. Isso também é um diferencial na hora de indicar ou isso você não tem acesso?
Eu, muitas vezes, assim, eu acabo nem participando. Ou a empresa já tem a forma, ou está querendo comprar, a gente orienta ali mais na modulação, tipo, tamanho de janela, de porta, que tem que ser ali. Porque daí, assim, eu não posso interferir no bolso da empresa, né? Falar, ó... Falar, eu tenho o X de cá, você vai gastar X mais Y para comprar essa outra aqui? Ah, mas eu não vou ter condições agora, então... Até porque se você pegar as marcas mais simples, a repetição de uma forma dessa bem cuidada, passa de mil unidades.
Nossa, mil unidades? E geralmente essas formas são adaptáveis, por exemplo, se eu mudar o meu projeto... Imagina que eu vou mudar o meu projeto, vou fazer um novo empreendimento... Eu consigo adaptar ou como que eu fico muito...
É, se ele for praticamente assim, com poucas modificações, sim. O ideal é que quando você compra uma forma, né, você apresente mais de uma arquitetura pro fabricante. Porque daí, mesmo que você não compre os complementos, ele já adapta aquela forma pra depois você, numa obra seguinte, solicitar os complementos dela e ela se adaptar a outra obra. Senão, daí as adaptações são difíceis. É possível... São possíveis serem feitas, mas é bem difícil ali. Às vezes o fabricante vai te cobrar um valor muito maior ali do que se você mandar os projetos para ele no começo, né?
Então... Entendi. E, Everson, quando você... Falando de cálculos, né? Hoje você calcula... Tudo bem, você tem uma especialidade muito maior nessa parte de parede de concreto. Também calcula em metálica. Você hoje calcula em madeira também? Tem um...
Não, não. É aquela coisa que eu te falei.
Lá... Que você tinha falado lá no início.
Você acaba indo para um foco, né? Então, hoje lá a gente faz alvenaria estrutural. que é um carro-chefe, a gente faz bastante alvenaria estrutural, só que tem mais concorrência no mercado. A gente faz parede de concreto bem. Eu falo que hoje a gente tem um projeto legal, otimizado. A gente preza por otimização, economia nos cortes, tudo. A gente tem, ele é bem otimizado mesmo, o projeto, para ter o máximo de economia do cliente. E a gente faz alguma coisa de estrutura convencional. Muito pouco ali, que às vezes tem que fazer alguma transição. Então, daí a gente acaba usando. Então, a gente agora tem essa vertente de BIM também vindo, então a gente está se adaptando a isso também. Estamos entrando no BIM para entregar um projeto decente em BIM, porque você pega ali no mercado, ainda tem muitas lacunas do BIM. Todo mundo fala em BIM, mas ninguém entrega o que é prometido. Então, a gente está tentando entregar mais próximo do prometido o BIM hoje.
É, porque quando você está calculando um exemplo, se você está falando de ar, eu estou especificando um tipo de aço nessa estrutura, mas se esse aço você não tem biblioteca BIM, você não consegue entregar para o seu cliente final.
É não, isso até é simples, isso a gente consegue adaptar fácil. O problema é o projeto ficar mais próximo do que a gente fazia em CAD, porque a gente otimizava, então você joga lá no modelo 3D, daí você tira os quantitativos de tela tudo ali do BIM, só que ele não me dá uma prancha de paginação. É horrível a paginação que ele me dá. Então, tem como criar um modelo 3D, jogar ele para o modelo de cálculo e conferir. É possível fazer isso com as ferramentas, só que ainda são muito caras para a realidade do nosso mercado. Então, a gente está entrando nessas ferramentas caras lá, estamos sofrendo um pouquinho com elas.
É, mas alguém tem que pagar essa conta.
Tem, tem, tem. Mas tem funcionado, né? Eu acredito aí que até lá pra novembro desse ano a gente vai estar 100% BIM lá, mas um BIM decente.
Um BIM decente, novembro de 2025. Importante citar. Agora, tem alguma informação que você gostaria de... Alguma pergunta que você gostaria de me responder pra nossa audiência conhecer um pouco sobre o Everson que eu deixei de perguntar?
É, a nossa empresa lá, né, ela é pequena, ela não é grande, eu já desisti de ter uma estrutura grande, né. Então, eu desisti pelo seguinte, não vale a pena ter uma estrutura grande hoje. Hoje compensa fazer menos e bem feito, então... Esse é o que a gente preza, a gente é bem familiar lá assim, a gente trata os clientes ali, acaba fazendo amizades aí por todo esse caminho que a gente trilhou aí de 20 anos aí dentro da construção. Então, isso é o que importa lá pra gente, ter o consumidor final ali feliz.
E eu prometi no início desse episódio que eu ia dar uma informação importante sobre você. O Everson Nascimento é responsável por uma quantidade... de empreendimentos no Brasil, qual que é a informação? Isso quando você estava medindo.
É, o histórico que a gente tem hoje assim, em paredes de concreto, é que 10% de todos os projetos de parede de concreto nacional saíram de dentro do meu escritório. Isso a gente tem lá, assim... Lá é um número gigantesco de obra, assim, é bom nem pensar.
Não, não. É melhor não pensar. Então, quando ele fala que a empresa, que é o escritório é pequeno, gente... E que ele é uma pessoa muito modéstia e tal... A grandiosidade tá na nossa mente. O Everson, eu falo com propriedade, o pouquinho que eu conheço, ele é de uma... Assim, tudo que ele faz é muito grandioso. O Everson, agora eu queria que você trouxesse um convidado, indicasse um convidado aqui pra depois a gente fazer um bate-papo com essa pessoa. Alguém que você admira, que você gostaria de conhecer um pouco da história. Dessa pessoa.
Nossa, um convidado.
É, você tem que indicar um convidado.
É, um que seria legal seria o Rodrigo. O Rodrigo da... O Rodrigo Melo.
Rodrigo Melo.
É, ele é um amigão nosso, assim. Ele também tem uma passagem, assim, maluca.
Aí pra... Então, convida você, ó. Pra aquela câmera.
O Rodrigo, é... Ah, hoje é seu aniversário. Hoje. Então, você está convidado a vir aqui.
No... Constra e Cash. Presente de aniversário do Rodrigo Melo. Vem fazer um bate-papo aqui com a gente no Constra e Cash, para a gente conhecer um pouco da sua história.
Não, perfeito.
Olha que coincidência, então. Primeiro, eu gostaria de te agradecer pela sua participação no Constra e Cash. Eu costumo falar que eu tenho muita sorte, desde quando foi fundado o Constricast, eu tenho tido a sorte de trazer aqui muita gente bacana e hoje somos reconhecidos pela qualidade do conteúdo e credibilidade dos convidados. E ter você aqui, Everson, contribuindo com a nossa audiência, eu fico extremamente honrado por isso.
Ah, eu que agradeço. Eu agradeço de coração.
Tá, então eu deixo aqui nossa casa aberta para você e sempre que você estiver aí, a gente vai falar mais futuramente sobre soluções construtivas. Eu vou trazer, inclusive, depois um episódio com o Rafa para falar de soluções construtivas, desafios de engenharia, que vocês têm muitas trocas assim, vocês têm um complemento absurdo assim. E eu queria que você deixasse só uma dica sobre cuidados com... Cuidados nas obras aí, pra nossa audiência.
É, a maior dificuldade que a gente vê hoje é que o pessoal não conhece norma técnica, sabe? Então, a maior dica que eu dou pro engenheiro é começar a ler as normas. Leia todas as normas, vamos buscar de onde vem, porque tem que ser feito. Por que tem que ter procedimento, né? Isso é a maior dica. Acho que o que mais valoriza o profissional é a quantidade de norma que ele sabe. Uma coisa assim que eu falo, eu já fiz algumas palestras assim, eu sempre prego que tem que começar a ler as normas, tem que todo mundo catar, mesmo que não for de interesse, dá uma lida pra entender ali, pra você saber onde você tá pisando.
É dessa forma que encerramos mais um episódio. É, Everson? Obrigado!
Obrigado!
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