Patologias de Fachadas | ConstrueCast | Podcast de Engenharia, Arquitetura e Construção

Podcast episode (Portuguese) about facade pathologies featuring Renato Saad (civil engineer, facade pathology specialist). Covers Renato's background (started 1990; Master's finished 2005; doctorate in materials ongoing), core definitions of pathologies (cracks, delamination, infiltration), causes (project/planning failure, execution, material defects, climatic agents), a notable study of large-scale internal ceramic delamination mapped (~2.6 million m² / cases between 2011–2017), the 'lei de Sitter' cost multiplier for late fixes (x5, x25, x125), and practical prevention: training, supervision, appropriate material selection, application windows (maturation/time-in-open for adhesives), regional adaptations (littoral corrosive agents, rainfall+wind "chuva dirigida") and a maintenance-plan case where targeted periodic inspections prevented repeated full restorations.
Questions this video answers
1990
2005
~2.600.000 m² (casos mapeados entre 2011–2017, conforme o estudo citado)
Chapters
Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtora Infinity Plus. Patologias em fachadas é o tema do episódio de hoje. Para falar sobre o assunto, eu recebo o especialista Renato Saad, que é engenheiro civil. Renato, seja bem-vindo ao nosso podcast. Eu já vou pedir para você se apresentar e falar um pouco da sua trajetória até chegar na especialidade de fachadas.
Muito obrigado, Paulo. Agradeço também a Mayara, que nos indicou aqui.
Um abraço para você, Mayara.
A Mayara é aluna nossa lá no Mackenzie. Está fazendo especialização em excelências construtivas e anomalias. É um curso de pós-graduação e ela é uma das alunas nossas. Mas eu agradeço pelo convite e vou falar um pouquinho do meu trabalho. Eu comecei, em 1990, fazendo estágio nos laboratórios da Falkenbauer. Na época, o pai, o Alfredo, ainda era vivo. E, junto com ele, tinha uma sócia, a professora Maria Noronha. Ela sai, cria o escritório dela e eu estou nessa transição. E eu fico com ela, um período de férias, entre 1990 para 1991. Estava no terceiro e quarto ano de faculdade de Engenharia Civil. E ali eu vi a patologia. Ela foi uma das primeiras patologistas, mulheres, do Brasil. A primeira engenheira civil formada pelo Mackenzie, em 1955. E aí tinha um conhecimento muito grande. E ela transmitiu para mim e alguns outros colegas, que hoje a maioria está no mercado nessa área de patologia, essa paixão por essa área da patologia e eu vou enveredar minha vida toda sempre seguindo esse caminho. Então em 95 para 97 eu iniciei uma pós-graduação na USP, mestrado, focado nessa área de patologia, mas devido a situações profissionais e financeiras na época, Não consegui continuar. Eu tranco, eu concluo os créditos e não finalizo. Achei também que estava muito teórico. Eu sou um cara que gosta, eu gosto da teoria, mas eu gosto dela aplicada. Então eu estou no mercado e sempre na academia, buscando informação ou fazendo a ponte. Olha, a academia não funcionou isso aqui, isso não funciona. Volta para a academia, estuda de novo, vem para o mercado. Em 2003 eu volto para o mestrado, agora no IPT. É o mestrado profissionalizante também. Ele é Street Sense. Você tem o título de mestre. É uma dica que eu deixo para os colegas que trabalham. Tem a área de planejamento, de informática e tem uma área lá de arquitetura que eu não vou lembrar agora o tema. Eu acho que é ligado a cidades, desenvolvimento.
Essa parte mais de urbanização.
Urbanização, urbanismo, exatamente. E é noturno, só que é pago. Mas todos os pesquisadores são doutores lá do IPT que dão aula para nós, alguns professores da própria Poli e professores convidados de outras universidades. Ou seja, você tem a vivência do IPT, a prática deles com a teoria. E aquilo é o que eu amava e amo até hoje. Então fiz o mestrado lá, em 2005 finalizo. E agora eu voltei para o doutorado. Eu estou no Mackenzie, sou professor lá nessa área de pós-graduação de Engenharia Civil, mas fazendo o doutorado em Engenharia de Materiais. Então, você comentou antes aqui, eu estava conversando sobre inovações tecnológicas, eu gosto muito dessa área e o Mackenzie, ele é forte em nanotecnologia, na área de materiais. Então, tem um infinito, não é infinito, mas vamos dizer que a construção civil tem muito material inovador que nós não vemos ainda, como engenheiros Não, inclusive ao.
Longo do nosso bate-papo eu vou trazer aí alguns pontos para falarmos de fato de material, da importância de material e como a tecnologia também está aí para ser usada como meio.
Isso, é um meio até para diminuir patologia e aumentar durabilidade, que na realidade a patologia ela vai interferir na durabilidade do teu empreendimento. Bom, nesse período todo, em 1998, Logo que eu saí do primeiro mestrado, eu montei um escritório com um colega. Eu e esse colega, a gente monta o escritório para ir nos caminhos da professora Maria Noronha, ou seja, prestar consultoria ao mercado, mas o mercado residencial, não o industrial e nem o comercial. Na época era o residencial, porque nós enxergávamos a pessoa do síndico, como uma pessoa leiga e que tem 50% ou 60% da sua edificação é fator humano, mas os outros 40% ou 50% é construção. Então você tem bomba, você tem reservatório, você tem elevador, você tem fachada, você tem os pisos, as piscinas, tudo. E que ele não entende, ele deixa na mão de uma administradora que normalmente contrata pelo mais barato. E como é que a gente caiu nesse mercado? Foi um acaso, a gente querendo trabalhar com essa área. E dois clientes nossos, amigos nossos pessoais, eram síndicos em dois empreendimentos diferentes. Um tinha acabado de reformar a fachada e a fachada trincou inteirinha. E quando nós fomos analisar era um problema estrutural. tivemos que fazer reforço, desenhar um reforço. E o outro é uma piscina. Não lembro como é que esse chegou em nós. Acho que a Cindy, que era amiga do meu ex-sócio, ela esvaziou a piscina para poder fazer uma limpeza e, de repente, apareceu uma trinca e, conforme foram enchendo de água, aquela trinca foi crescendo no fundo da laje. Chama o especialista. Aí nós fomos analisar e vimos que faltava espessura. A construtora quando fez, lá devia ter 20 centímetros de espessura e só tinha 15. E com isso o concreto começou a entrar influência, que a gente chama. Na hora começou a aumentar. Enquanto ele estava lá, 30 anos ali estabilizado. Na hora que abaixou, ele abriu a trinca, ele entrou no estado limite último. E se enchesse, ele realmente vinha. Ele era teto de garagem.
E aí era um problema que poderia ser evitado se tivesse trabalhado isso lá na hora, no momento da construção.
Isso é fato. A gente chama de lei de Sitter. A lei de Sitter é uma lei que mostra que quanto antes você se preocupar com o planejamento, Se você pensar no planejamento papel inicial projeto, tem custo 1. Se você deixar para resolver na OB durante a execução, aumenta a forma, muda a armadura, aumenta o pé direito, diminui, cria um detalhe aqui que não estava previsto em projeto, você já tem um fator 5 vezes mais caro do que o papel. Se você deixar na manutenção preventiva, 5 vezes o 5, então já estamos falando em 25 vezes mais. E se você deixa para o corretivo é 5 vezes o 25, ou seja, 125 vezes mais o original. Essa lei é fantástica, lei de Sitter ou lei dos 5. Ou seja, nunca deixe para fazer amanhã o que hoje você pode fazer por cinco vezes menos, né, Paulo?
Não, é aquela coisa, né? Tem pressa, faça direito. E só para a gente introduzir um pouquinho o nosso bate-papo, o que são patologias de fachadas? O que eu posso considerar patologias?
Em 2015, então, eu fui convidado, foi ali que eu começo a dar aula, fui convidado a dar cursos. de pós-graduação em revestimentos. Um colega nosso deixou, aposentou e me indicou. Nisso eu até então era um engenheiro mais generalista, patologista, e o patologista é aquele que mexe com as doenças, fazendo uma associação com a medicina. A gente tem o problema, assim como o corpo envelhece e tem seus problemas, E muitas vezes você precisa de um patologista na medicina para analisar algumas enfermidades que não estão no protocolo do dia a dia. Então é um especialista que pega as trincas, as infiltrações, as deformações estruturais, as falhas executivas. Você pode ter falha de planejamento, projeto, falha executiva, falha no material. Por isso hoje eu estou enveredando pela área de materiais. Ah, mas você só quer pegar a falha? Não, a gente quer evitar a falha. Mas também tem o cara que vai mexer só com... A falha já aconteceu e é um CSI, né, o brinco. A gente vai lá investigar as causas. Você tem falhas devidas a falta ou manutenções inadequadas? E podendo até gerar acidentes fatais em algumas manutenções inadequadas ou falta de manutenções. E tem outras falhas devido a própria situação de mudança que nós estamos vivendo. A mudança climática.
Eu ia te perguntar essa mudança climática.
Então se chama de outro. Se você fizer um gráfico ali, você vai ver que os outros estão aumentando. Eu fiz um estudo, eu peguei um estudo do professor Paulo Helene, que é um especialista patologista também. Esse estudo é de 87 e fiz em 2014 um estudo muito semelhante que ele fez dentro do nosso escritório, só com projeto de recuperação. E nós vimos um aumento de 3% para 6% nessas questões dos outros, ou seja, Vento, terremoto, maremoto ou problemas de solo, né, com lençol freáticos, mudanças climáticos que não dependem de nós e que nossa edificação não é calculada para esses eventos, a gente chama de eventos, às vezes, centenários ou milenares. Nós vamos ter aqui dois dias Eventos na ordem de 100 km por hora. Nossas edificações aqui em São Paulo são calculadas na ordem de 70. Então lá em Santos, 120 km por hora, ou seja, nós vamos sofrer. Mas se eu calculasse por 120 e 100, meus edifícios seriam tão robustos e caros que seriam inviáveis. Então são eventos que vão acontecer Mas estão acontecendo muito rápido nos últimos anos, Paulo, a gente tem sentido isso.
Eu vou trazer aqui algumas questões, inclusive, depois sobre materiais, mas antes eu tenho uma pergunta que é, quais são os tipos de patologias mais comuns que afetam as edificações? Inclusive, eu queria que você falasse, quando falo de edificação, eu separo, por exemplo, de uma residência e de um prédio. Eu queria que você falasse um pouquinho também sobre isso dentro dessa pergunta.
Certo. Quando eu comentei que a gente fez do predial, hoje o meu leque aumentou. A gente já atende construtoras. O construtor não quer. Ele não quer ter patologia porque, para ele, é um passivo. Mas, às vezes, acontece. Mesmo ele fazendo tudo corretamente ali, chegou um material que ele não ensaiou e confiou muito no fabricante. Ou ele confiou na mão de obra dele, ou então essa mão de obra, fica aqui o nosso recado a mão de obra. Não é que a mão de obra está errada. Primeiro a gente está perdendo aquela mão de obra especializada. Os anos, o filho do mestre ou o neto do mestre não quer ser mais mestre. Ele vai para outras áreas. É evolução. Isso aconteceu nos países desenvolvidos. A industrialização vem substituindo essa mão de obra. Então a gente perdeu um pouco o especialista. Então a gente tem que treinar essa pessoa. Mas aquele que está há 30 anos fazendo da mesma forma, os materiais mudaram, as técnicas de aplicação mudaram. Então, vale aí um alerta, para que a gente sempre... Ah, mas eu faço isso há 30 anos. Perfeito. Vamos treinar? Vamos atualizar? Então, há uma atualização. As normas se atualizam. Nós nos atualizamos. Eu já estou num doutorado. Não esperava nessa idade minha aqui, mas sempre foi um sonho, apareceu a oportunidade. E quando a gente vai estudar, a gente vê quanto a gente não sabe. Quanto a gente pode aprender mais. Então, falando em quais são mais comuns. Se eu falar em fachada, que eu estou muito focado em fachada, eu tenho as trincas. Eu tenho as agamassas retraindo demais, fissurando. Então, eu tenho falhas de conceito. Nossos prédios hoje estão muito altos, muito esbeltos, muito deformáveis. E nossos revestimentos continuam ainda muito rígidos. E com essa subida muito rápida dos edifícios, eu tenho perda de prumo. Então, eu estou voltando as situações assim, Paulo. Eu tenho concretos muito resistentes, permitindo essa subida. Eu tenho perda de prumo e tenho deformação. E tudo isso impacta no meu revestimento. No revestimento cerâmico. Se você observar aqui em São Paulo, nós não temos mais edifícios com revestimento cerâmico. O mercado criou um medo do revestimento de cerâmica. Ah, impossível, um monte de obra não sabe mais assentar. Mas nós temos técnicas para isso, nós temos engenharia para isso. Ah, então eu não vou fazer mais cerâmica, eu vou fazer só... Emboço, reboco e textura. Aí as texturas estão fissurando.
Professor, antes de você continuar, eu queria trazer uma pergunta. Nessa questão que você fala dessa mudança, da evolução dos materiais e falta de treinamento, muitas vezes, das pessoas que estão ali aplicando.
Perfeito.
Eu entendo que existe, de fato, sim uma resistência por parte do material. Só que ao mesmo tempo eu sinto, tá? Eu tô falando eu, Paulo, tá? Que há uma resistência por parte da indústria na questão de investimento nessas mãos de obras. Porque tudo bem, eu tenho aquele cara, ah, eu tô fazendo aquilo há 30 anos. Mas se eu tiver uma comunicação eficiente dentro da minha empresa, se eu invisto, por exemplo, numa área de RH, se eu invisto, por exemplo, numa área que vai trazer, sei lá, benefício para os dois lados, se eu tenho uma qualidade de comunicação, será que eu não consigo trazer, de fato, uma construção com a mão de obra ali mais a contento, tendo em vista que tem, de fato, uma evolução sim, de tecnologia, de materiais. Será que não está faltando um pouco disso? De comunicação, investimento nas pessoas, eu diria.
Sim, sim. Falta investimento nas pessoas. E eu sinto que a própria... Você falou do material. As indústrias, na hora que elas criam esses processos e materiais novos, elas vêm trazer essa informação. Eu tenho acompanhado muitas empresas... E aí.
Mas como que chega essa informação?
Treinamento. Eles chamam treinamento. Só que é caro. Ah, mas é caro. Aí você não treina a construtora, você treina aplicadores. Esses aplicadores têm uma certa conexão com aquela indústria, então ele só vai atuar na hora que a indústria conseguir vender o produto ali. Aí, às vezes, dá aquele boom de venda daquele produto, mas ninguém se interessou em aprender. Aí, como é que se usa? Ah, não, cerâmica não dá mais, vamos usar uma textura. A textura está fissurando, agora eu vou usar EPS colado, que é o EIFS, né? EPS colado direto na alvenaria. E quem faz isso? Tem duas, três, quatro empresas no Brasil inteiro. Aí dá aquele boom porque um consultor fala com o outro e eles falam. Outro dia eu me meti a fazer chapisco colante na obra. Todas as consultoras ficaram sabendo. Deu problema. E todas as consultoras já sabiam. É, você inventou de fazer chapisco, você é louco. Falei, cara, não tem loucura nenhuma. Eu tenho um concreto muito resistente, fechado, e eu preciso turbinar meu chapisco. Eu pego uma areia fina, eu pego um adesivo acrílico e fiz o chapisco colante. Qual o problema?
E você cria essa flexibilidade ali.
É, aí o hotel, quem me perguntou, foi o gerente de compras de uma consultora grande, ele falou, Mas você é louco. Falei, não. Desde que a mão de obra soubesse utilizar, e nós treinamos a mão de obra, mas ninguém fiscalizou. Então é outro problema. Não adianta você só treinar, você tem que fiscalizar. Você tem que acompanhar. Eu escutei de um colega nosso que eles pagaram, de uma grande consultora, que teve problema muito sério, descolamento cerâmico interno. Assim, coisa de mais de 100 mil metros quadrados, descolamento cerâmico interno. E ele pagou para a mão de obra fazer dupla colagem. Diz que enquanto o engenheiro estava lá, o pessoal, dupla colagem, né? Passa, cola no piso, cola na cerâmica e tal. O engenheiro virava as costas e os caras só de um lado, só no piso. Então, é assim, fiscalização é importante, treinamento é importante, investir em mão de obra é importante, mas eu ouço das consultoras e dizem assim, ah, não adianta investir em mão de obra, porque amanhã ele quer mais. Lógico que ele se especializou. E ele vai procurar outra consultora. Eu invisto nele aqui pra ele sair ali. Eu acho que é uma questão, eu não sei se isso é 100% verdade, mas eu ouvi consultoras falarem pra mim, sabe Paulo? Não, não temos interesse em treinamento da nossa mão de obra. E consultoras assim, que eu já estou há alguns anos trabalhando com eles, então eu já mapiei as principais patologias, saberia como resolver na planta e no processo. Não, eles esperam dar um problema. Parece que aposta, né? Vamos lá. Vamos fazer. Se der o problema, eu chamo o Renato e o Renato resolve.
Ou então pelo menos que dê esse problema fora da garantia.
É, dê fora do... Mas muitos desses problemas, Paulo, vão ser considerados vícios ocultos e não tem data. Infelizmente.
Não, e essa questão de investir...
Não é só falta de manutenção.
É, investir em treinamento realmente gera custo. Mas, assim, faz parte do processo. Só que se eu tenho essas aplicações... Por exemplo, você tem ali uma... aquilo documentado, quando você tira aquela informação aqui, tudo bem, você tem um aplicador ali, que ele sabe fazer, documenta aquilo, deixa documentado. Em uma situação, sei lá, você contrata lá mais cinco pessoas, você como construtor, você consegue treinar aquelas cinco pessoas, porque você tem aquilo documentado.
Sim.
Faz sentido?
Faz sentido. O negócio é que essas nossas grandes obras aí não tem cinco pessoas, né?
Sim, sim.
Você tem trinta, quarenta pessoas, às vezes, numa frente fachada. E como é que se controla isso?
O Renato, e quais são os sinais, assim, de alerta de patologias?
Bom, a patologia quando ela acontece, ela é gritante, ela entrou água, descolou um revestimento, fissurou, manchou, tem aquele sais e fluorescência, são sinais que a gente enxerga o problema, manchas, Fissuras, infiltrações, deformações excessivas. Tudo isso é visível. O que não é visível aos olhos? Então, a gente teve um caso de descolamento cerâmico no Brasil todo. Foram aí dois milhões mapeados, tá? Sem contar que a gente não consegue mapear o usuário que compra na loja. Isso mapeado em construtoras e considerando que E que nem todos os consultores responderam a essa enquete. Mas nós tivemos 2,6 bilhões de metros quadrados entre 2011 e 2017, que foi o boom, aquele boom que a gente sofreu na construção. de descolamento cerâmico interno, ou seja, a pessoa não está nem numa fachada exposta a vento, chuva, sol, ela está em um ambiente confinado de um metro quadrado, às vezes um banheirinho, e 100% se descolou. Ah, mas foi falha de assentamento. A gente provou que não foi. Era falha do material. Mas até chegar a falha no material, se gastou muita energia e muito tempo e custo financeiro em ensaios laboratoriais muito avançados. Microscopia eletrônica, difração de raio-x, fluorescência de raio-x, ou seja, a gente teve que ir lá no âmago Aquilo que é invisível aos olhos, para tentar entender o que está acontecendo. Então tem patologias que são visíveis, mas tem patologias que falha a mão de obra, falha da estrutura, falha do material e muitas vezes não está na cartilha. Então você precisa aprofundar esse conhecimento.
E nesse ponto que você falou agora, dessa questão de dupla colagem, quando você está falando de revestimento cerâmico, você consegue, deu problema, você consegue identificar que aquela situação ela não estava com a dupla colagem? Tudo bem, a indústria especificou que para aquele tamanho de placa teria que ser dupla colagem.
Na verdade é a norma, né? Está em norma. Não é só a indústria, a norma está lá. Se você não fez, você já tá errado.
Mas dá pra identificar depois, quando dá o problema, você consegue saber que aquilo.
Lá... Sim, na hora que ela descola, você vê, né, se tem os cordões cruzados ou cordões paralelos, pela espessura, se sujou a placa, né, fica aqueles vazios na placa. Você tem como identificar. Nesse caso, sim. Mas existiram, nesse caso específico, os 2.600.000 m², mesmo fazendo a dupla colagem. Como é que a gente descobriu que não era um problema da mão de obra? Porque o mesmo funcionário que assentava errado... Porque, na verdade, uma coisa é você garantir a dupla colagem, outra coisa é você... Isso não é quantitativo. A dupla colagem é qualitativo, mas se ele colou errado, sem dupla colagem, mas garantiu, a norma fala em 0,3 MPa no piso ou 0,5 MPa na fachada, é um ensaio de aderência, isso é quantitativo. Isso eu consigo mensurar. Então se ele está atendendo, mesmo aplicando errado, Errado, né? Entre aço. Ele não tá seguindo... Porque a norma fala das duas coisas. Você tem que ter dupla colagem, mas você também tem que ter um ensaio de aderência que você vai medir a resistência com que a placa tá sentada ali. Pra você ter uma ideia, uma placa de 20 por 20, são duas toneladas. Ali, num ensaio de 0,5 MPa. Então, o que tá acontecendo? Ah, foi só falha de assentamento? Ele assentou uma placa igual, uma placa cerâmica, e assentou o porcelanato. O porcelanato não soltou nada. Fazendo errado, de novo, entre aspas, do mesmo jeito que ele assentou aquela outra placa. O porcelanato descola, o outro descola. Aí você vai ver o sistema... Você faz um treinamento pessoal, faz dupla colagem, faz tudo bonitinho, daqui a pouco, daqui a uns dias, meses, até um ano, dois anos máximo, soltou de novo. Aí você começa a pensar, pô, não pode ser a mão de obra.
É, mas aí você tem dois tipos de materiais diferentes.
Sim. Você tem uma colagem com uma C2, vamos dizer assim, e uma C3.
E uma C3. Nesse caso fica mais fácil identificar o problema?
Então. Não, não fica fácil. Aí nós tivemos que analisar. O que aconteceu? Mas peraí, a norma fala que pra área interna eu posso usar uma C1, inclusive. que, aliás, é consenso de todos os construtores que essa argamassa não deveria nem existir mais.
Não, eu ia te perguntar isso agora.
Você confia? Não confio, lógico que eu confio. Mesmo com a dupla cola? Não.
Você construiria na sua casa, no seu apartamento, com a C1?
Não, não construiria como não construir, né? Lá em casa teve porcelanato, teve cerâmica, só a C2 e a C3.
E às vezes aquela economia boba que pode te levar aí.
Mas a norma permite. Então, precisa da revisão de normas. A gente precisa... Você me perguntou se é fácil. Não é fácil. Então, muitas vezes... Nesse caso aí, desses dois milhões e seiscentos, o nosso estudo começou em dois mil e dezesseis... dois mil e dezessete e nós terminamos esse ano que nós, na justiça, a gente conseguiu provar para o juiz que é a falha do material.
A gente está vivendo agora essa mudança louca, essa mudança climática. Como os profissionais, os aplicadores ali, podem trabalhar para prevenir possíveis patologias? Porque muitas vezes, tudo bem, você tem um tipo de aplicação. Imagina, hoje o dia está, sei lá, 20 graus. Aí no dia que você tá, vai aplicar um tipo de revestimento, sei lá, tá 40. Acredito que possa dar problema.
Isso, pode dar problema. Não possa ser aplicado. A massa colante, por exemplo, ela tem uma faixa de aplicação, tá? Então, eu não vou lembrar exatamente, mas no momento que você mistura ela, você tem um período ali de 10 a 15 minutos, que chama de... é o tempo de maturação dos polímeros da agamaça colante reagirem. Então você não pode simplesmente jogar água ou pôr ela dentro da água e bater e já aplicar. Você tem que esperar aquela agamaça porque ela trabalha com polímeros, principalmente AC2, AC3. Agamaças tipo 2, tipo 3 colantes. Então ela precisa que os polímeros reajam. Na hora que você vai utilizar, ela tem um tempo de pote que é de duas a três horas, dependendo do tempo. Muitas vezes o funcionário deixa no sol ali enquanto ele está trabalhando, então o tempo é menor. Você tem o tempo em aberto, que é o tempo que você espalhou na parede. Esse tempo é tempo em aberto para assentar. Se ela secar, se você bater a mão ali e secou, você pode eliminar, porque aquilo já criou um filme, secou e não vai aderir nada. Ela pode até aderir a placa ali na hora por vácuo, Na hora que o funcionário bate e põe ali, ela cria uma ventosa, vamos dizer assim, um efeito ventosa que adere à placa. Mas ela vai soltar, porque ela não tem aderência química mais. E essas placas nossas de fachado, principalmente os porcelanatos, elas são aderência química, então ela precisa que a ponte química seja feita. Tem consultoras que deu 30 graus, não permite a equipe de fachada subir, não sobe, proibido. Nós estamos vendo aí, as consultoras estão no pique, com esses dias nós estamos tendo picos de 38, 40 graus.
É até chamar a atenção para como trabalhar, como fazer a aplicação num dia como, imagina, quase 40 graus.
Ou você faz uma proteção, mas é difícil, numa fachada exposta ao tempo, você não faz. Ou pega a fachada, nós tivemos um caso, por exemplo, Celantes, o Celantes Silicone, a gente aplicou numa fachada No dia seguinte, bolhou tudo, formou bolhas nos selantes. Chamamos o fabricante e ele falou, olha, superfície quente, fachada quente. Insulação direta. Não pode, porque o selante, ele polimeriza por evaporação. Então, na hora que ele tá curando, ele tá tentando sair os gases. Se seca muito rápido a superfície, os gases ficam presos e formam bolhas. Então, orientação que foi dada. Arranca tudo, né? Não tem jeito, arrancamos tudo. E a orientação foi, aplica de manhã, o sol tá aqui, aplica do lado oposto. E a tarde inverte.
Já que a gente tocou nesse ponto de aplicação, eu já vi várias situações onde o cara tá aplicando ali um revestimento e ele passou numa área muito grande, é que ele secou. Simplesmente, o que ele fez? Ele pegou a brocha, jogou uma água lá, molhou, pra conseguir fazer aquela aplicação.
Ou então a caixa dele, né, que secou ali, ele vai e joga água e remistura.
Isso não pode fazer.
Não pode. Agamassas colantes não... Agamassas de reparo, de recuperação... E sabe o que eu percebo, Paulo? Não é maldade do funcionário, é uma coisa que tá enraizada. Eu tive um caso de um mestre de recuperação de estruturas, a gente tava fazendo recuperação de umas vigas na fachada, O pessoal de recuperação, como patologista, a gente trabalha com uma mão de obra um pouco mais refinada. É um pessoal que, obviamente, ganha mais e é treinado de uma forma diferente, porque são materiais especiais, que custam muito caros. Então, você vai pagar pelo menos três, quatro vezes mais que se fosse uma gamassa normal ou um concreto normal. Então, ele é treinado e bem treinado para aquilo. Eu cheguei, ele tava pulando do balancinho dele pra dentro da varanda do edifício, e o sol a pino, e o caixote dele ali exposto com argamassa de reparo. Eu falei, mestre, esse material aí, o senhor vai largar aí? O senhor vai aonde agora? Vou almoçar. O senhor só volta daqui uma hora, sim. E esse material? Não, depois eu volto, jogo um pouco d'água e ele tá bom. Eu falei, não pode, mestre! Ele levou um susto, ele ficou sem graça, ele não sabia o que falava. Não, não pode, como não? Aí eu tive que explicar para ele. Olha a embalagem. A embalagem desse fabricante tinha uma gota d'água desse tamanho, que é fantástico. Continuem assim. Mostrem para o funcionário a quantidade de água que vai para o saco. É aquilo lá, aquela gotona, que muitas vezes está disfarçado num carimbo, num código de base. Você tem que deixar claro para o funcionário. É tantos litros por saco, ponto. Passou disso, mestre, aqui tem aditivos, tem adições que se você mexer ele pede resistência. Ou o senhor joga fora esse material, o senhor tira do sol e cobre, mas quanto tempo tem que o senhor misturou? Ah, tem umas duas horas. Olha a embalagem. Vida útil do material, três horas. Então provavelmente na hora que o senhor voltar o material não está funcionando mais. Então isso é fiscalização, isso é treinamento. A gente tem que ter uma visão diferente, sabe Paulo? Não podemos deixar na mão de obra. E ela tem que ser treinada, mas também tem que ser fiscalizada. Então, nossa função como engenheiro não é ficar atrás de um computador no ar-condicionado, que é bom, né? O dia inteiro. É a gente estar lá na frente de obra, acompanhando a equipe. Ah, mas eu não consigo ver tudo. Não faz mal, mas estatisticamente, se você... Ele sabe que você vai passar em algum momento ali na obra, ele já tá mais atento. Mas se ele sabe que ninguém olha...
Se você tem o hábito de passar, a probabilidade de ele trabalhar de forma correta é muito maior. Professor, eu queria aproveitar a sua presença aqui. Aquele momento em que ele joga água ali... na parede antes de receber argamassa, aquilo está correto?
Esse é salutar. Porque a superfície muitas vezes está quente, então ele tem que diminuir aquela temperatura superficial e quando ele molha, sem saturar, ele não pode encharcar, é só aquela molhada mesmo, é para que aquele substrato não absorva a água do teu revestimento que vai em cima, do chapisco, do emboço.
Tá, então eu vou aproveitar para dar a dica com o Street Cash. Como a gente tem uma audiência que a gente atende desde os engenheiros, arquitetos e também os profissionais de obras, os aplicadores. Quando você vai aplicar um revestimento cerâmico, primeiro, você vê a quantidade de água que você vai utilizar naquele saco.
Isso.
Mexeu, você aguarda o tempo necessário que está no saco. Pode ser 10 minutos, 15 minutos, enfim. Começou a aplicação, você vai, aplica água ali onde você vai fazer aquela aplicação. O tipo de revestimento, você tem que verificar se na norma está pedindo se é uma dupla colagem ou não. E, beleza, fez essa aplicação, nunca joga água depois que o material secou. Secou na parede, descarta e começa de novo.
Começa de novo. A gente recomenda que ele abra, no máximo, uma área equivalente ao braço dele, que é ali seu metro quadrado. E eu tenho um colega que brinca que o bom ceramista está com a calça suja.
Com a calça suja?
É. Por quê? Porque ele bate o dedo ali para ver se a gamassa ainda está fluida. E limpa na roupa, né? Então ele está sempre batendo o dedo, porque às vezes ele acabou de esticar mesmo um trecho pequeno e o sol incidente, vento, secou. Ele bateu ali, não sujou o dedo dele.
Ele descarta.
Passa a espátula ali e joga fora. E nós, então, a dica agora para fiscalização. Está em norma. Eu não vou lembrar agora as áreas, mas há 13.755, que é a norma de projeto e execução de fachadas com revestimento cerâmico. Fala que há X metros quadrados. Você, como fiscalizador, tem que ir lá, enquanto o rapaz está sentando, pedir para remover uma a duas placas. Ele remove aleatoriamente essas placas. Você olha o tardoz dela, o verso da placa. Ela tem que estar toda preenchida de argamassa. Ah, mas não está 100%. Está 90%. Então, a norma permite para a fachada até 90%. Ah, tem falhas. Não, só 20%. Se só 20% tá preenchido, não tá 90% preenchido, aí você tira mais duas. Se não passou de novo, manda arrancar tudo e refazer. Enquanto tá fresco, hein? Ele nem terminou de assentar ainda.
Então, um recado pros meus amigos aplicadores e gestores de obras é ser eficiente e rápido é fazer direito.
Fazer direito. O trabalho dá pra fazer errado, dá pra fazer certo.
E dá pra fazer certo.
É o mesmo trabalho.
Então, a eficiência não está na velocidade e sim na qualidade, ou seja, naquilo que está sendo feito. E quais são as técnicas e tecnologias hoje disponíveis para evitar patologias?
Nossa, é um universo muito grande, né, Paulo, você pergunta assim. Mas na minha área de revestimentos, a gente tem essa questão dos edifícios muito altos e deformáveis, argamassas flexibilizadas. A gente nem vai chamar de flexíveis, flexibilizadas. Ou seja, é um aditivo que vai nela para permitir que ela absorva a deformação da sua estrutura. Isso nas argamassas colantes. Então, já existem. e ficam alerta aqui para o mercado, essas argamassas, elas são classificação europeia, não tem classificação nacional.
Mas e com essa mudança climática? Porque lá você tem um clima, aqui no Brasil você tem outro.
Pois é, essa é uma questão só de flexibilização, ela é uma C2 ou uma C3 com Você não está mais preocupado com a aderência, então somente mais com a flexibilidade dela. Então tem dois tipos, S1 e S2. Essa questão do clima, evitar dias muito quentes, então esses dias que nós estamos passando, a gente não deveria realmente subir na fachada, mesmo molhando o substrato. Você deveria tomar um cuidado, tentar aplicar. Vamos assentar na parte mais cedo de manhã, até umas 10 horas. Depois, pega face oeste enquanto a leste está nascendo. À tarde, você inverte, vem para a leste, deixa a oeste, que é o poente, que é o sol mais quente. Ou seja, planejamento. Ah, mas a face norte pega sol o ano inteiro. Aí não tem muito o que fazer. Então, deixar essa face, de repente, para climas mais amenos. Mas a gente insiste em fazer, em plena época de chuvas agora e verão, os revestimentos. Então, como é que eu contorno essa patologia, que com certeza vai acontecer? É fiscalização.
Essa dica que você deu agora é muito importante. Se você tem um planejamento, dependendo, ao soltar de um lado, você aplica do outro, vai para o outro. Na parte da tarde você aplica do.
Outro lado, é bem... Às vezes não dá, às vezes o cronograma começou, atrasou ali na fundação, a fachada chegou bem na época do verão. Aí você tem algumas técnicas de proteção dos balancins para evitar o sol incidente direto, vento direto. A gente já tinha comentado, no litoral, por exemplo, eu tenho amaresia que vem com o vento. E aquilo impregna o teu revestimento. Se você abre um trecho muito grande de revestimento, não estou falando só de agamaça colante, Você vai chapiscar, vai rebocar. Tivemos vários casos lá. E em recuperação de fachada, ou seja, a gente removeu tudo, refazendo, em que ali entre prédios forma uma concentração de vento muito alta, que vem da praia, do mar, e você põe a mão assim, você sente um óleo em cima do revestimento, porque é a maresia que está vindo ali. Então, o que nós fizemos? Na lateral, estou na fachada aqui, o vento está vindo da minha esquerda. Então, nós criamos um anteparo com uma lona. para evitar o vento incidente direto.
Nossa, tão rápido assim, só nesse processo de aplicação eu já posso ter problema se eu não criar essa proteção?
Sim, porque ela cria a maresia ali, aí você assenta a cerâmica. Daqui a uns anos ou você tem o descolamento, porque criou um óleo que impediu a boa aderência, ou você tem a fluorescência, porque esse sal que acumulou ali pode querer sair.
Renato, nesse processo de... Tudo bem, estou construindo um prédio, por exemplo, aqui em São Paulo, e vou construir um prédio no litoral. É a mesma? De repente é o mesmo layout? É o mesmo formato?
Não, são diferentes.
E o tipo de material que eu vou utilizar lá e a mão de obra tem que ser diferente? Como que funciona isso? Como que eu evito? Porque isso... patologias no litoral, eu entendo que deva ser mais comum. Ou não?
Olha, nós temos um ambiente em São Paulo muito ácido, né? Nossa chuva ácida. Então você tem formação de ácido sulfúrico, né? H2SO4. Ou seja, o enxofre que está aqui no nosso ambiente, que misturado com a água de chuva, ele é ácido, ele vai comer meu revestimento. Então come rejunte. Ataca as pinturas, degrada os rejuntes entre as placas cerâmicas, as tintas, tem uma degradação, os selantes nas juntas. Para você ter uma ideia, Paulo, lá na Europa, para cidades como São Paulo, altamente industrializadas e poluídas, Você deveria fazer uma lavagem de manutenção preventiva a cada oito meses. Isso é a norma europeia. Aqui no Brasil, se male é male, você faz a 5, 6 anos aqui em São Paulo.
Mas isso não é cultural?
É cultural, por isso que tem que ter o engenheiro de manutenção, tem que ter o acompanhamento das edificações, tem que ter por parte dos nossos síndicos, Existe um movimento, aí fica a dica para você chamar os síndicos profissionais agora que está crescendo muito no mercado. E a gente está tentando, como engenheiros, fazer encontro com esses síndicos para mostrar para eles, gente, a importância da manutenção preventiva. Nós temos duas normas agora de desempenho e a norma de garantia, que vai, de certa forma, proteger o construtor, porque não é certo também, Paulo, eu chegar aí 20 anos sem lavar uma fachada e falar que a responsabilidade é do construtor. É a mesma coisa eu pegar um carro, andar 10 mil quilômetros, 100 mil quilômetros, não trocar o óleo. Isso está bem enraizado na engenharia mecânica, no teu bem que é infinitamente mais barato que o teu imóvel, mas no teu imóvel não está. Então existe um trabalho que cresce, dos cons, IBAP, associações de classe, a universidade. Nós, profissionais, a gente está tentando fazer.
Inclusive, Renato, eu já queria até aproveitar e convidar, de fato, um síndico. Porque, assim, trazer esse olhar. Por que o carro a gente faz manutenção? A gente troca óleo, a gente lava.
Lava, né?
E a casa... Porque a gente lava toda semana. Às vezes, vou colocar uma gasolina aditivada para proteger os bicos, enfim. E na casa, no prédio, a gente não tem o hábito de fazer isso. De fato, é muito cultural e quando você quiser trazer aqui para fazer um bate-papo com a nossa audiência, trazer um síndico e mostrar, ele pode estar aberto aqui.
Fica aí a dica. Então... O que a gente tem que pensar aqui? Há uma mudança climática? Ah, nossos materiais deveriam estar sendo preparados para essa mudança climática? Sim, Paulo. Eu acho que isso um colega levantou, eu achei engraçado, eu fui com ele ver um problema de descolamento de piso, ele virou para os condôminos, ele estava representando a indústria, a assistência técnica da indústria. Olha, pode ser o efeito estufa. Eu falei, cara, ele está tirando sarro da cara dessas pessoas, né? Depois eu fiquei pensando, não, pode ser. De repente pode ser. De repente os nossos materiais ainda são modestos em relação ao que está acontecendo no mundo. Nós temos seca lá na Amazônia, temos aqui para o sul a cidade se desfazendo em águas. Santa Catarina, mais da metade dos municípios estavam com níveis altíssimos de água. Ficamos quantos dias sem luz. Uma capital como São Paulo. Três, quatro dias. Tem gente... A minha mãe mora aqui no Ipiranga. que é quase uma região central, ela ficou três dias sem luz, depois voltou a ficar mais um dia sem luz e agora de ontem para hoje está sem água. Sabe? São coisas que a gente tem que prestar atenção. Então você me perguntou, o prédio aqui, o prédio lá no litoral, mão de obra tem que estar consciente do efeito maresia, problema de corrosão das armaduras por causa da maresia, problema de filme que forma em cima dos revestimentos com sal, Então a mão de obra não é que ela é diferente, o assentamento, o processo é o mesmo, mas a forma de você se proteger é diferente.
É diferente.
Durante a aplicação. O sol mais quente, se venta mais. Aqui você tem esse efeito estufa, esse calor que os próprios edifícios emitem, chamado ilhas de calor. Então isso seca muito rápido, isso transfere energia para a estrutura que ela dilata mais. O problema não é a dilatação. O problema é a contração, depois que o material volta, né?
Leandro, quando você fala essa questão que o próprio edifício emite, você se refere à questão, por exemplo, dos edifícios com vidros, onde você tem ali um...
Vidros, né?
Exatamente. Você tem um sol ali que ele reflete no vidro e manda calor ali, por exemplo, para um outro prédio, para uma área de outro prédio, seria isso?
Sim, sim. Você tem radiação, né?
Tá.
Eu tive um caso, assim, de uma internalização, Nós trocamos a improvisação do cliente e tinha muita infiltração. Fizemos tudo como um mando figurino. Fizemos, inclusive, um colchão de tijolo para diminuir a carga térmica na cobertura. Fizemos um piso elevado. Ele reclamou que aumentou a temperatura. Por que vocês fizeram um piso vermelho? Porque o original era vermelho. Não, mas não deveria estar esquentando. Ah, está muito quente. Está absurdamente quente. Ficou mais quente. E aí eu fui um dia na casa de um dos moradores ali. Quando eu chego, eu sinto aquele calor batendo no meu rosto, queimando o meu rosto. Porque eu olho para fora, estão construindo um edifício do lado com um espelhado e o calor que ele sentia era da reflexão do vidro, do vizinho. Não era da cobertura.
Não era da cobertura, então é importante a gente trazer esse olhar externo aí pra avaliar.
Então, sim, essa mudança do nosso ambiente prejudica.
Ô Renato, e tem algum case que você consiga compartilhar com a gente onde a manutenção preventiva, já que a gente entrou nessa questão de manutenção, cultura e etc. trouxe ali benefícios para uma durabilidade maior ali daquela fachada, daquele edifício.
Perfeito. A gente tem um... isso não está 100% desenvolvido, já apresentamos num congresso, mas eu acredito que a nova norma vai ter essa alteração. Nós estamos mexendo numa norma de AGAMAS, que é a 13.749, de procedimento de revestimento. Diretrizes, né? Não é o procedimento executivo, mas é a diretriz de ensaio, de prevenção. E ela vem com um texto novo que está sendo estudado por vários professores do Brasil inteiro. Chama-se Chuva Dirigida. O que é isso? Nós mesmos engenheiros ainda não temos consciência certa do que é. Então eu vou trazer aqui em primeira mão para vocês. O que é chuva dirigida? É o efeito da chuva com o vento. Porque só a chuva ou só o vento tem seus Trazem seus problemas, mas quando eu tenho o vento dirigindo a chuva, então cada capital, cada cidade do Brasil vai ter uma posição de incidência maior de chuva dirigida. Isso é calculado, a gente tem que calcular. Pega-se os 10 últimos anos de vento, velocidade de vento, posição de vento e os 10 últimos anos de precipitação e faz-se um cálculo. E você sabe, por exemplo, São Paulo é a face nordeste. Ah, mas a face sul não pega sol, é que é mais úmida. Porque não pega sol, não seca, mas não quer dizer que a chuva dirigida vem do sul. Ela vem, no caso da cidade de São Paulo, é nordeste. Então, as fachadas nordestes minhas têm mais problemas de infiltração, mais problemas de fissuração. De infiltração por fissuração. Então, o que eu tenho que fazer nessa fachada específica? Eu tenho que ter um cuidado maior. Baseado nisso, a gente desenvolveu um sistema de tratamento de fachada por situação de exposição. Olha que interessante. Por que que a cada 5, 6 anos eu tenho que fazer uma recuperação geral da minha fachada? Eu vou lavar, vou trocar todas as juntas, eu vou remover o revestimento, vou repintar. E se eu fizesse anualmente prumadas? Porque elas vão se desgastando de forma diferente, Paulo, em função da situação da exposição. Se eu tiver um prédio na frente da fachada Nordeste, por exemplo, esse meu prédio aqui está protegido por esse outro. Então, eu não precisava. Esse é um estudo de engenharia, obviamente, em que eu poderia criar um plano de manutenção tri-anual, a gente fez para cada três anos, ou até anual, como foi um caso real. Então, esse é o meu case. A gente pegou quatro edifícios ali na região da freguesia do Ó e criamos um plano de manutenção pôr-pro-mada em função da situação de exposição. Então, você tem prédio se protegendo, você tem ação de vento, chuva, E só. Em função desses três elementos, proteção, sol, vento e chuva, a gente criou um plano para o mar. O que o prédio fez? Tudo concreto aparente. A gente fez uma obra pesada, inicial, porque nunca tinham feito nada, dez, doze anos sem nenhuma manutenção. Arrancamos tudo, o verniz. Tinha armadura exposta. Tratamos tudo aquilo. O prédio está novo, zerado. Ok, agora vamos fazer o plano de manutenção. O que o condomínio fez? Contratou um funcionário. Esse rapaz desce na corda anualmente. Isso já tem quase seus 20 anos que ele faz isso. Você vai lá no prédio hoje, eles nunca mais fizeram recuperação total de fachada há 20 anos. Ele fica tratando Ele pega o mapinha nosso lá, que a gente criou, ele trata a fachada X do prédio A, a fachada Y do prédio B, a fachada Z do prédio E, EC, e ele fica lá. Ele lixa e aplica um ademão de veniz. No outro ele lixa, veniz e um selantezinho. No outro ele lava. Ele sabe o que ele tem que fazer pro prumado. Ele fica nos quatro prédios ali. Qualquer dia do ano, qualquer hora que você chega lá, você acha que o prédio foi pintado naquele dia. É muito interessante, Paulo.
É interessante porque você não trata os quatro prédios. da mesma situação. Você trata de acordo, lógico, com a prumada, com a situação. Ah, onde que tá batendo o vento? Ah, legal, esse vento ele tá batendo aqui, mas eu tenho... Esse prédio tá protegendo o outro, então não faz sentido eu tratar aquele prédio que tá protegido da mesma forma que eu trato esse que tá exposto.
Aí eu pergunto, você acha que a fachada norte é igual a fachada sul?
Não.
E por que os materiais têm que ser os mesmos? E por que eu tenho que aplicar hidrofugantes e impermeabilizantes iguais na fachada norte em relação ao sul? Então, se houvesse esse planejamento, e isso começa na arquitetura, começa no planejamento, na construtora, e tem que passar isso para o cliente final, para o usuário, a gente teria uma forma de gastar-se muito menos, muito menos. O prédio está sempre novo. Sabe de onde veio essa ideia? Da imigrantes, Rodovia dos Imigrantes. Você tem duas pistas em asfalto e duas pistas em concreto. Enquanto a de asfalto só passa veículo leve e o de concreto, veículo pesado. Só que o tempo de desgaste dos quatro é igual. Porque aqui é pesado e esse aqui é leve. Mas o asfalto dura menos que o concreto. Então, enquanto eu faço duas manutenções no asfalto, no concreto eu faço uma. É mais caro o concreto? Sim, é mais caro, mas eu só faço uma, enquanto no asfalto faço duas. Mas se eu fizesse as quatro asfaltos, com certeza eu estaria gastando o dobro do lado do caminhão. Estaria fazendo muito mais manutenção, gastando muito mais.
É interessante como a gente traz uma ideia de transporte, de rodovia para um empreendimento.
Então isso está vindo. A norma não vai ser tão clara assim como eu estou te dizendo. Ela vai falar em chuva dirigida e vai dizer qual é a tua fachada mais preocupante. Mas as outras fachadas merecem atenção. Obviamente esse prédio vai ter que passar agora, depois de 20 anos, num processo geral. Chega uma hora que você põe verniz, põe verniz, põe verniz. Chega uma hora que você tem que remover tudo aquilo. Você não pode pintar de eterno. Mas olha quantas manutenções corretivas ele eliminou em 20 anos.
Renato, antes de passar para as perguntas da internet, vou fazer uma hoje só. Eu queria te fazer uma pergunta. Durante o processo de projeto ali na arquitetura, é importante ter um consultor de patologias em fachadas? Por que eu te pergunto isso?
A gente tem um outro olhar, outra visão.
Quando você fala em consultoria, geralmente sempre remete muitas vezes a custo e tal, mas quando a gente coloca, quando a gente incute isso ali no planejamento, é o que a gente está falando aqui o tempo todo, se você traz esse olhar já no planejamento, no projeto, você vai evitar aí problemas futuros, inclusive que é o caso desse case que você falou, que você fez ali o mapeamento, isso aqui você vai tratar dessa forma, isso aqui dessa, isso aqui de X em X tempo, Isso é possível prever já em projeto. Como você vê isso, esse seu trabalho.
De ajuda aos escritórios? Eu acho salutar. Eu acho que deveria existir. Há seis, sete anos atrás, uma colega apresentou um trabalho num congresso que ela mostrou que... Eu acho que ela pegou dez construtoras grandes, fez um trabalho interno, onde dessas dez, só uma fazia projeto de fachada, E todas elas tinham uma parceria com o arquiteto, obviamente, porque primeiro lança-se a beleza da coisa. Depois vai-se pensar no sistema construtivo. E que 70% dessas construtoras, ou seja, sete delas, só vão pensar em qual é o sistema final de acabamento durante a obra, em execução. Aí não tem como, não é, Paulo?
É, você cria... Você pode criar um monstrinho aí.
Uma delas tinha a parceria com o arquiteto e com o projetista de fachada. Então, esses dois se conversavam, o arquiteto e os três, obviamente. Aí sim, aí realmente você consegue evitar a patologia, pensando. Eu tenho um mestre que eu admiro demais, o professor Hércio Tomás, e ele é patologista também. Tem um livro que é um best-seller, chama Trincas e Identificações.
Trincas em edificações, vamos deixar aqui na transcrição.
É, da editora Oficina de Textos. É assim, fantástico. E ele dá esse tipo de consultoria. Então ele atua dentro das consultorias, como ele é um patologista, para evitar a patologia. Aí eu atuei algumas vezes, muito pouco, muito pouco. Eu tento convencer meus clientes, mas eles começam bem, mas não terminam bem.
Acho que assim, quando você tem mais gente olhando ali, quando você tem mais pessoas trabalhando naquilo, quem sabe a gente não comece a trabalhar essa cultura do brasileiro. Enfim, eu vou trazer agora uma pergunta do Rodrigo Leite. Você poderia comentar sobre a ação de agentes em fachadas de edifícios nas regiões litorâneas? Ação de agentes... Ação de agentes em...
Agentes degradantes deve ser, né?
Isso, isso mesmo.
Acho que ele só esqueceu da... Em regiões litorâneas?
Litorâneas.
O que eu tenho lá? Amaresia, cloreto de sódio, cloro, que é terrível para o metal, os metais sofrem, então alumínio. Ontem eu descobri que até ar-condicionado. Você tem ar-condicionado com filamentos de cobre e de alumínio. De alumínio não dura nada.
De alumínio não dura?
Não dura, ele forma uma corrosão branca. Então tem que ser de cobre, e aí o de cobre é mais caro, por isso que equipamento de ar-condicionado litoral é um pouco mais caro mesmo. Descobri de um usuário que mora no litoral. Então as nossas armaduras, a ferragem que está dentro do concreto, ela tem que ter cobrimento, tem que ter proteção e esse cobrimento do próprio concreto, ele tem que Pode ter porosidade, permeabilidade, tem que ser um material denso. Então, concretos de altas resistências. Então, cuidado você tem que ter. Outro agente, estruturas muito próximas ao mar. Então, você tem a ação do sulfato, tem região de maré, que é aquela que sobe e desce. Então, aquilo vai lixiviando a estrutura, permite o ataque do sulfato que vem do mar, o cloro que vem do mar. O litoral a gente tem praticamente chove o ano inteiro nos litorais do Brasil. Clima subtropical. Eu trabalhei já no litoral de São Paulo e eu tentei fazer uma impermeabilização durante um ano. Não conseguia impermeabilizar ali o térreo dos prédios porque choveu o ano inteiro.
Que loucura.
É uma loucura. Tinha até a piscina lá. Estava concretada, mas não estava impermeabilizada. Encheu de água e deu um monte de peixinho ali.
Entendi. Então respondida a pergunta do Rodrigo Leite. E uma dica do Renato para quem está querendo começar uma construção. Enfim, não importa se é residência, prédio, construção no geral.
Você quer começar uma construção.
Por que eu estou te perguntando isso? Porque eu tenho falado muito aqui da importância de pensar num projeto de impermeabilização. Você traz ali muitos problemas, inclusive... Você.
Já chamou algum projetista de impermeabilização aqui?
Já, eu trouxe aqui a Priscila.
A Priscila Bezerra.
Sobre impermeabilização. Eu vou trazer mais gente, porque é.
Uma pauta bem... Se você vai começar... Comece certo. Então, você tem um projeto de arquitetura, Onde o arquiteto tem a capacidade de estudar o ambiente, eu não sou o cara do layout. Eu só sei que o ideal é que meus quartos não fiquem na fachada oeste, para pegar o sol da tarde. De preferência, norte e leste, para pegar o sol da manhã e o sol que descontamina. Aí você tem detalhes nessa construção como beirais, pingadeiras, proteções externas que vão evitar patologias. A patologia está no acúmulo da água parada ali ou naquela fissura que permite a água passar. Então esse trabalho é feito em duas mãos, com quatro mãos, o arquiteto junto com o teu engenheiro. ou o teu arquiteto que é capaz de ver essa situação. Estou falando de uma edificação, uma casa. Num edifício onde você tem essa questão ainda da deformação estrutural, aí você tem que chamar o estrutural, o engenheiro de estruturas, junto com o executor e o arquiteto, e os três olharem como é que o teu prédio se comporta. Peguei um caso em que o calculista, não, meu prédio não deforma nada. Cara, impossível, seu prédio tem 37 pavimentos, esbelto, com balanços de um metro e meio em frente ao mar, cara. Lógico que deforma. Ah, mas vai deformar, tal. Aí eu comecei a perguntar, e a fluência do concreto, a deformação lenta? Ah, isso é outra coisa. O calculista. Não, não é outra coisa. Eu tenho que me preocupar, daqui a 10 anos, Porque ele jogou no programa, o programa dele calcula lá a deformação. Hoje, deformação zero. Daqui a 10 anos, dobrou a deformação. Opa, essa mudança. Por quê? A estrutura vai relaxando, vai se deformando com a própria carga, vai sofrendo toda a ação de intempéries. É, daqui a 10 anos é outra conversa. Cara, mas eu estou me contratando para não ter esse tipo de patologia.
Para evitar, né?
Então, o que vem por aí, vamos dizer assim, é a nossa visão do patologista.
Renato, eu queria que você deixasse aqui mais uma dica com Street Cash hoje.
Paulo, de tudo aquilo que a gente falou, existe uma preocupação com a patologia que não é só o problema da patologia. Ah, trincou, eu vou contratar um especialista para diagnosticar e me dar o tratamento. Eu vou gastar um dinheiro aqui para recuperar. Não é só o dinheiro, o custo da recuperação que a gente falou lá no comecinho, que é 125 vezes mais caro do que se tivesse feito a coisa certa, mas é o fato do nome da consultora que está em jogo, Paulo. Quantos anos e quanta energia você gastou e dinheiro para chegar com a tua empresa no nível que você queria, com o padrão de qualidade que você queria. De repente, uma patologia desmorona tudo isso. Aqui em São Paulo tem algumas consultoras que a gente não indica nem que mudasse, já mudou toda a diretoria, já foi vendida, recomprada, já quebrou, já levantou. Todo dia a minha esposa me olhou lá no jornal, olha, está uma promoção boa no apartamento aqui, vamos lá ver. Quem que é consultora não aparece, mas é ali na Oscar Freire. Pô, na Oscar Freire, vamos lá. É do lado de Perdizes, né? Não é do lado das lojas, é do outro lado. Oscar Freire, estava um preço bom, 1m², vamos lá. Quando eu cheguei perto, que eu vi a marca da costura, eu dei uma volta no quarteirão e falei, vamos embora. Nem parei.
É reputação. Preste atenção na reputação, porque você constrói anos para construir uma reputação. E para perder... Às vezes é segundos. Então quanto custa. Boa, boa dica.
Tem aquela máxima, em 20 minutos tudo pode mudar, né?
Em 20 minutos tudo pode mudar.
Tudo muda, viu? Às vezes, como eu dou aula para muitos alunos de assistência técnica, são engenheiros de assistência técnica, eles vêm me mostrar e falam, rapaz, apartamentos inteiros se perdendo, Ao social vazando para tudo quanto é lado, fachada toda trincada, armário se perdendo, televisão, piso levantando, fachada caindo. A gente teve um cliente que trocou 50 fachadas, 50. Como é que fica o nome dele?
É como que você segura também, né? Porque assim, além da reputação, você tem muito dinheiro aí sendo jogado pelo ralo, né?
Isso é passivo, né? Não vale a pena.
Ótima dica. Agora a gente tem um quadro aqui que é convidado com vida. E antes da gente ir para as palavras finais, quem você gostaria de ver aqui no Construe Cash?
Deixa eu pensar um pouquinho. Passou tantas pessoas aqui na minha cabeça.
Pode ser mais que uma. O que você manda?
Conhece a Mareza Menezes?
Não, não conheço.
Mareza Menezes. Então pode, essa é uma dica aí. Tem a Juliane Brown. Ela é da área de economização. Não é da área de projetos, mas é muito ativa nessa área. São os novos jovens gênios que estão surgindo e que ela faz doutorado com a gente lá em materiais também.
É a nova geração.
Nova geração, com uma visão bem interessante. A Juliane seria uma dica de nome aí. Nessa área de impermeazação. Eu tenho um Alexandre Sonsini. Ele também é uma referência em projeto, em execução, então ficam as dicas aí de nome. Menezes ou Alexandre Sonsini, na área de hiperonização.
Então, ótimo.
Se você quiser, na área de patologia...
Eu quero uma dica sua para falar sobre a história da engenharia.
História da engenharia.
É uma pauta que eu... Já me pediram, na verdade, tem várias pessoas me pedindo, e eu acredito que você possa colaborar com isso.
História da engenharia.
Você pensa, depois você me manda.
Eu vou te mandar, porque eu conheço alguns professores, mas eles talvez não viriam aqui, por causa da demanda da universidade, são mais reservados.
É, mas às vezes não custa nada tentar. A gente tem recebido convidados do Brasil inteiro.
Não custa, não custa mesmo, até porque aqui não é difícil chegar. Professor Antônio Figueiredo.
Professor Antônio Figueiredo para falar sobre a história da engenharia.
Da USP, da Poli. É uma pessoa fantástica e muito acessível e de um conhecimento fantástico que eu admiro demais.
Renato, eu queria agora passar aí as palavras finais pra gente encerrar esse episódio que tá incrível, que aprendi muito, tenho certeza que você que tá acompanhando também já aproveita, compartilha, comenta, me fala o que você achou que isso é importante aí pra gente saber de fato o rumo que estamos tomando e a sua participação é fundamental, porque eu quero tal conteúdo De repente o Renato pode ajudar, o contato dele tá aqui na descrição, fiquem à vontade pra chamar, enfim, sempre que quiser. Eu já tô... Tá certo? Vai ser acessível mesmo, né Renato?
Sim, somos acessíveis, pode... Professor, né? A gente quer explicar tudo nos mínimos detalhes, né? Bom, palavras finais, gente. Primeiro, quero agradecer, mais uma vez, a ConstructCast por essa oportunidade de estar aqui. Eu gosto desse trabalho, da gente poder transmitir um pouquinho de conhecimento sem muita teoria, mas, ao mesmo tempo, falando em teoria. Tudo que eu falei aqui é teoria, mas aplicada na prática. Então, você nunca vai desvincular a teoria. Não existe você falar mal da academia Porque é ali que nós nos formamos. Então, a gente vê um grupo de jovens hoje falando, ah, você não vai aprender isso na academia, vem aprender comigo fazendo meus cursos. Cuidado, gente. Esses cursos são fragmentos. Eles pegam informação daqui de lá e criam uma estrutura que parece estável, mas na primeira ventania, no primeiro problema, elas vão desmoronar. Então Jesus Cristo já avisou há dois mil anos. A casa tem que ser feita na rocha. Então nós temos um processo. Rocha não nasce da noite para o dia. Ela foi se formando em milhões de anos. Mas ela foi aglomerando todo aquele material solto, seja por pressão, seja por ação de intempéries, por peso. De alguma forma, o teu conhecimento tem que ter esse embasamento. É isso que ele falou. Ele fala de dois homens. Um homem inteligente, sensato, e o outro que era insensato. Construiu em cima da areia, não aprofundou a fundação, os alicerces, e veio o vento, veio a chuva, veio os rios e derrubaram. E foi grande a ruína. Então, processo. Tudo na vida é um processo de conhecimento. Então, começa na universidade, ali você tem a base, ali te abre o raciocínio lógico, depois dali você vai fazer teus cursos de especialização naquilo que você se sente mais apto. Você nunca vai ser bom em tudo, sabe, Paulo? Eu vejo alguns vezes alunos nossos que põem lá no cartãozinho dele e tá lá. Ele é engenheiro de estruturas, ele é patologista, ele é engenheiro de fundação, ele é engenheiro de instalações. Não existe isso, gente. Não existe.
É importante esse ponto que você tá trazendo, ainda mais em tempos de redes sociais. Aquele cara que tem a capacidade de falar bem, nem sempre ele executa. aquilo que está sendo falado.
É um bom marketing.
É um bom marketing. Então, foi até bom você ter trazido esse ponto aqui que é um... Eu tenho chamado muito a atenção, porque ele... Muitas vezes... Eu tenho um exemplo aqui. Eu fui contratar... Eu estava contratando gente aqui para a produtora e eu perguntei para esse candidato o que ele estava fazendo no dia a dia. Ele falou que ganha dinheiro pelo celular. E aí eu me questionei, mas... Enfim, aquela entrevista ia demorar 30 minutos, eu acabei levando 2 horas. Porque eu aprendi muito com aquela pessoa. Entende? Então assim, ele vendia alguma coisa que ele não praticava. Entende? Ele não conseguia ganhar dinheiro com o celular, mas ele vendia facilidade. Até que chegou um ponto que ele não conseguiu vender mais nada, porque ele começou a se queimar. E aí ele foi para o mercado. Então, foi um ponto bem importante que você trouxe aqui. Até queria agradecer já de antemão.
Fica uma preocupação minha de muitos professores hoje, de muitos acadêmicos. Gente, a pessoa ter um pós-doutorado não é de graça. Ele pode não ser bom para tocar uma obra, mas naquilo que ele se especializou, ele é o melhor. Então você, de alguma forma, está usando aquilo que ele estudou e que ele deixou, gente, de curtir família, de finais de semana, de baladas. Ele deixou de viver porque ele quis estudar. Ele resolveu um problema para a nossa área de engenharia que está embutida ali no estudo dele. E você tá pegando muitas vezes de graça. Você acha na internet a tese dele lá e aplica.
Sim, muitas vezes você tem preguiça... De estudar. De estudar aquela tese que já foi resolvida.
Aí essa pessoa quer a facilidade de alguém que já estudou e te transfere em uma linha.
Em uma linha, em um título, sabe?
Aquela pessoa que vê o título. Uma fórmula pronta. Eu não sou engenheiro de fórmula pronta. Meus alunos sabem disso. Tem que pensar. Engenharia é física e bom senso.
E bom senso.
E tem que estudar muito. E eu acrescentei depois a Lava Jato nessa frasezinha, que era de um professor meu de física. É, né? Porque ele tá vivo ainda. Engenharia é física, bom senso e ética.
E ética. Repete. Repete pra gente encerrar.
Então, engenharia é física, bom senso e ética.
E ética. Hoje eu conversei com o Renato Saad, que é especialista em patologia de fachadas. Você que ficou até o final, comente, compartilhe. E mais uma vez, o seu contato, Renato, está aqui na transcrição de nossas plataformas de áudio e de vídeo. Obrigado mais uma vez por ter aceito o convite. Maiara, mais um abraço para você. Renato, para aquela câmera do meio lá. Manda um abraço para a galera.
Tchau, gente.
Um abraço.
More from Andre

Construção Industrializada no Setor Público: Desafios e Inovação em SP | Marcos Monteiro (SIURB)

Mestre de Obras Merecem Reconhecimento e Nós Valorizamos | Podcast | Construção | Engenharia

Muitos Cursos On-line São Divulgados na Internet | Obra se Aprende na Prática | Podcast

Tenha Cuidado Redobrado na Hora de Comprar um Apartamento | Podcast | Construção | Arquitetura

Quanto Ganha um Ajudante de Pedreiro na Construção Civil? Fala do Mestre de Obras Glaudio | Podcast

O Erro na Reforma Tributária que Pode Custar MILHÕES à Sua Empresa | Podcast #202

Valorização Profissional na Construção Civil | Podcast | Engenharia | Arquitetura #obra

Método CHAMA Gravado Com o Engenheiro Boutros Bichara | Pessoas Negativas | Paulo Barros #podcast

Assista ao Vídeo do Roberto Justos Sobre Caso Daniel Vorcaro do Banco Master | Podcast | Construção

AI FIRST #2 . André Abucham e Lauro Fiuza - Os desafios intrageracionais dentro e fora das empresas

Vidro NÃO É Tudo Igual! Descubra o Erro Que Pode Destruir Seu Projeto | Podcast | Arquitetura