Patologias na Construção Civil | Podcast de Engenharia | Arquitetura | ConstrueCast Felipe Lima

Podcast episode (ConstriCast) in Portuguese: an interview with Felipe Lima about patologia das construções (study of building "diseases"). Felipe explains his background, defines the field (analogy building = body), lists common pathologies (umidade/infiltração, fissuras, descolamento de revestimentos, corrosão de armaduras), and stresses prevention through project quality, correct execution, material choice, curing and inspection. He discusses argamassa classes (C1/C2/C3), practical execution details (junta de assentamento, dupla colagem, cura, tempos de uso), the role of education and training in construtoras, and the ADPAT/DEPAT community and postgraduate courses. Episode closes with personal reflections on legacy and gratitude.
Questions this video answers
NBR 16.747 (norma de inspeção predial) – mencionada como referência para check‑ups/avaliação clínica do edifício.
NBR 13.755 (revestimento cerâmico em fachadas) — foi citado o limite de junta de assentamento para fachadas não sendo menor que 5 mm (conferir embalagem/fabricante).
A exigência citada de dupla colagem aplica‑se a placas ≥ 30 cm × 30 cm (900 cm²).
C1: aderência por ancoragem mecânica (uso interno, sem aditivos de adesão); C2: combinação de ancoragem mecânica e aderência química (aditivada); C3: formulação com ênfase em aderência química (maior segurança para fachadas e bases não porosas).
Chapters
Construir é ser arquitetura, engenharia. Sejam bem-vindos a mais um episódio do Constra e Cash. E hoje, para falar sobre uma pauta que eu gosto muito, que vai tratar das prevenções. E como que a gente previne? A gente previne quando a gente se preocupa lá no início da construção. A pauta de hoje é patologias na construção civil. Para falar sobre o assunto, eu recebo Felipe Lima. Felipe, seja bem-vindo ao nosso podcast.
Ah, que incrível. Agradeço, obrigado pelo carinho, obrigado. que você está aqui acompanhando. Hoje é patologia, meus amigos. Vamos que vamos.
Felipe, para iniciar nosso bate-papo, eu queria que você falasse um pouquinho, antes de falar de patologia, eu queria que você falasse um pouco de você. Como que você se enveredou aí para essa área tão desafiadora?
Olha, eu sempre tenho uma dificuldade, eu não aprendi, mesmo depois de alguns anos, de falar de mim mesmo. É uma dificuldade que tenho. de conseguir expressar, né? Porque até tem uma palavra na Bíblia, né? Não fale bem de você, né? Deixa que os outros falem. Mas, dentro desse caminho, o que eu posso dizer é que eu sou um apaixonado pela patologia das construções, é um professor, tenho muito orgulho, muito carinho, né? Ser chamado, ser considerado um professor nessa área, um consultor, e eu comecei há 21 anos atrás, meu amigo Paulo. Eu fui enganado pelo destino. Lá com 16 anos de idade, estudando técnico em edificações, eu consegui um estágio, trabalhar em obra. E eu tava doido pra trabalhar. Peguei, entrei no carro do patrão, andando pelas ruas de São Paulo, chegamos até o bairro do Morumbi. Quando desceu do carro, ele falou, aqui é a obra. Eu falei, mas o prédio tá pronto? E aí eu fui descobrir o mundo da patologia das construções no âmbito de recuperação das fachadas. E aí eu encontrei o mundo. Reabilitar prédios já existentes. E era uma empresa super especializada nessa área. E eu vi no carro da empresa, sabe, estampado? Patologia das construções. Achei aquilo incrível. E comecei a minha carreira como estagiário de técnico nessa área das patologias. E aí foi o caminho até chegar até hoje.
Nossa, que bacana. Então, mas você tem alguém na família que é do mundo da engenharia, que.
É do mundo da produção? Ó, o meu mundo é um pouquinho diferente, né? Eu sou filho de policial militar e dona de casa. Então, eu tinha um tio mais distante, que era engenheiro, e lá com 13 anos de idade, os meus pais, né? A minha mãe, muito principalmente, já me incentivava fortemente a encontrar um caminho. E eu tinha um muito peculiar, que era o caminho da polícia militar, né? Meu pai policial, meu tio policial, enfim, tinha esse caminho da polícia militar. Mas algo me dizia que não. Tô falando lá com 13 anos. E aí eu comentei com a minha mãe, ela falou, tá, se não é polícia militar, é o quê? Eu falo, não sei, pode ser natação. Eu gostava, eu nadava bem. Fui até convidado para fazer parte da equipe do Corinthians ali, de crianças, tentar um caminho profissional. Ele me falou, não... Futebol, péssimo. Handball, até que gostava. Brincar na rua, se fosse uma profissão, então, estava dentro. Mas aí eu comecei, eu gostava de desenhar. E aí ela começou a procurar um curso de projeto, nas listas amarelas. Não tinha Google. E ela achou lá, acho que, não me engano, Unitec, escola de projetos. Ligou, me levou lá e tinha um monte de casa desenhada na parede. Ela falou, você topa fazer esse curso? Eu falei, claro, não estou fazendo nada. E aí eu comecei a fazer esse curso de desenho. Do curso de desenho, uma coisa vai levando à outra. Minha irmã encontrou uma placa no bairro sobre curso técnico de edificações. Daí meu pai me levou para os amigos dele, engenheiros, que ele trabalhava dando suporte em construtoras. Ele falou, não, você tem que fazer um curso técnico na Federal de São Paulo. Lá é top. Aí nós fomos correndo, procuramos, fiz o curso técnico na Federal. E daí eu comecei a me apaixonar pela área, ter os professores e tudo mais. E aí lá, quando técnico, eu consegui o estágio e aí encontrei o mundo da patologia.
Quando você falou de desenho, quando a sua mãe te levou pra desenho, você imaginei a arquitetura.
Então, era muito louco, porque eu assistia a picar pau e pra mim, talvez alguma característica, era muito fácil, né? Falei, vou desenhar o picar pau. É tão fácil. E eu desenhava o picar pau, ficava péssimo. E nem minha mãe aliviava, né? Porque geralmente a mãe fala, nossa, que lindo, meu filho.
Não, não, nossa, não tá muito bom.
Nem ela gostava. E eu ficava bravo, falando, é porque eu não tenho as canetas certas. E aí, ela comprou pra mim, sabe aqueles kits de criança, que é uma mala do lado, tudo cheio de ondinhas, assim, você abre, tem um monte de giz de cera, um monte de caneta, e mesmo assim, não ficava legal meu pica-pau.
Resumindo, arquitetura...
Não, não dava muito certo. Mas eu fui na escola de projeto e comecei a pensar na arquitetura, mas eu nunca olhei Só o projetar. Porque, não sei se vocês vão perceber aqui, eu já tô... Daqui a pouco, eu já tô querendo correr. Então, eu não me via muito focado dentro de um escritório, ali, desenhando, na visão de um jovem, né? Por isso que o caminho de tornar realidade pra obra sempre foi um caminho mais interessante.
E você sempre foi, assim, agitado, inquieto?
Sempre.
Você sabe que esse episódio eu tô gostando muito, porque eu me identifico com você.
Muito bom.
Então, até você perguntou pra Gabi, ele é sempre assim? Sim, sempre. Então, eu já entro no escritório rindo, feliz, quando eu vou na obra. A mesma coisa pra entrar num sol de 40 graus. Vamos entrar e tá tudo bem.
É o lema. É o vamo que vamo.
Vamo que vamo.
Vamo que vamo e tamo aqui. Vamo fazer bem feito.
Vamos fazer bem feito. Agora, vamos falar de patologias.
Bora.
Pra iniciar nosso bate-papo, eu queria te perguntar, o que são patologias e por que são relevantes?
Olha só, primeiro eu vou organizar um pouquinho aqui, né? Como a gente tem até um curso de pós-graduação, que eu sou coordenador da área pós-graduação em patologia das construções, pelo IPOS e pela DEPAT. Então, nós temos hoje já quatro turmas em formação e uma turma de perícia e avaliação.
Aproveitando, eu queria depois, se possível, já que a gente tá com essa Boa conexão, queria trazer um aluno seu aqui pra gente fazer esse bate-papo, tá? E você tá convidado pra sentar aqui do meu lado já, tá?
Olha só, quem mandou vocês me trazer aqui? Vocês estão lascados, agora a gente não laga mais.
Vamos nessa, porque quando eu falo que esse tema é importante, sim, eu entendo, é muito importante, porque eu já vivi aí na pele, quando você não trata ali na origem, no momento da construção, o que você... traz aí de consequências, né? E quando a gente fala de sustentabilidade, sustentabilidade, por exemplo, é você fazer bem feito pra evitar problemas lá na frente.
Sim. Você falou de ideias malucas, de não parar.
Ó, não vamos fugir do assunto.
Eu vou fugir, vou voltar. Imagina uma feira de patologia das construções. Uma feira grande. Imagina essa feira, quatro dias de feira, e um podcast rolando o tempo inteiro na feira. Top!
Bora!
Então, aguarde.
Bora! Inclusive, o Constra e Cash já estará aí presente numa grande feira de inovação na construção, de industrialização na construção, onde a gente une todos os setores Vários sistemas construtivos, ou seja, não é só metálica, não é só concreto, não é só madeira.
É uma união.
E o ConstriCast vai estar lá no estúdio. Exatamente assim estão falando.
Aguenta nós!
Patologia também.
Patologia das construções é uma especialidade da área da construção civil, tá? Então ela tem nível de pós-graduação e é uma área específica de profissionais que estudam as doenças das construções. Então assim, patologia a gente traz que é o estudo das doenças. Você vai ver que normalmente até os profissionais quando escreverem de maneira mais acadêmica, mais científica, até usam o termo patologia no singular. E as doenças nós chamamos de manifestações patológicas, de anomalias, mas como uma licença poética, patologias. Mas a patologia é uma ciência, é uma especialidade. A etimologia da palavra é estudo das doenças das construções. Então nós trazemos um edifício como se fosse um corpo humano. Fazemos essa analogia. Ou seja, a estrutura em concreto armado é o nosso esqueleto, estrutura óssea do corpo humano. A alvenaria é a nossa musculatura. A pele é a nossa fachada. As janelas são os nossos olhos. E as instalações? Sistema cardiovascular, sistema nervoso. Então, assim como uma pessoa é complexa e ela funciona como um indivíduo, um conjunto de sistemas, um edifício é completo. Um sistema interage com os outros, e é um sistema completo. E tem alguns doidos que se dedicam a estudar a partir das doenças, dos problemas, pra tratar os problemas e voltar pra evitá-los. Então, o universo da patologia, ele vai por esse caminho.
Felipe, nessa medida, quando você fala dessa de prevenções, né? Quando você dá o exemplo do corpo humano, existe ali um clínico geral, um patologista geral e depois ele, vocês, tem outras... Outras colegas, outros parceiros que vocês vão direcionando, é isso?
Exatamente.
Até trazer esse ponto porque é tão bacana quando eu falo que aqui a gente constrói Pontes, né? Aqui no Conselho de Quedas. A gente constrói pontes e não muros. Por essa razão, eu acho bacana quando a gente olha pros colegas como parceiros. E dessa forma a gente consegue, né? Trazer... Eu imagino que você vai falar disso agora.
Exatamente isso, ó. Pensa comigo. Por isso que a gente traz tanto... Olha, tem duas coisas que o ser humano hoje tá muito bem resolvido. tá? Dentro... as pessoas como de todo. Saúde, medicina e carro. Então você vai ver muito os patologistas sempre tratarem lidando com a medicina e com a indústria automobilística. Um exemplo, manutenção de edificações. É muito complexo fazer, mas de carro todo mundo entende.
Todo mundo entende.
Então vamos fazer nesse caminho. Na nossa área de engenharia e arquitetura, vamos trazer pra medicina quem aqui Não é um engenheiro que já não foi naquele tio no final de semana do Natal e o tio falou, você é engenheiro, né? Eu tô querendo construir dois andar pra cima? A minha casa aguenta? Eu respondo, eu não faço a mínima ideia. Mas você não é engenheiro? Eu sou, mas eu não sou engenheiro estrutural, eu não sou calculista estrutural, então essa não é minha especialidade. Aí normalmente as pessoas estranham um pouco. Aí eu trago assim, você já foi no oftalmologista e perguntou como é que tá seu rim? Mas não é médico? Ou seja, a medicina está muito mais A gente aceita muito mais que existe o cardiologista, existe o oftalmologista e outras especialidades. Na engenharia é a mesma coisa. Tem o engenheiro construtor. espetacular, como eu amo, eu trabalhei dentro da minha formação, meu último ano de engenharia, os três primeiros anos como engenheiro, fui trabalhar numa construtora aqui em São Paulo, uma construtora de alto padrão, então eu tive minha jornada como construtor, e eu sei quanto é complexo comandar um canteiro de obras, tudo pode dar errado, tudo é pressão, então é um trabalho incrível. Mas dentro da engenharia tem a especialidade patologia das construções. O patologista das construções é o clínico geral. É o especialista generalista. Então o aluno que vem em curso a nossa pós-graduação tem 20 disciplinas. E ele vai ter aula de todos os sistemas.
Mas vocês vão em obras também ou é online?
É online. Essa pós em si é online. Deu certo essa pós online, é incrível. Então o Brasil inteiro pode participar. E você vai passar por estrutura, por fachada, por revestimento, por imprimibilização, por sistemas e instalações elétricas, por tudo. Então você é um generalista, o clínico geral. E olha que louco, tem uma norma que é de inspeção predial 16.747, que toda edificação tem que passar por inspeções prediais ao longo da sua vida. Nós não precisamos passar por check-up?
Sim.
Na própria norma diz. É uma avaliação de clínico geral. Ele usa a palavra clínico geral entre aspas. Ou seja, o inspetor predial, o patologista que conhece um pouco de todos os sistemas, ele é o clínico geral da clinificação. A própria norma diz, 16.747, a norma de inspeção predial. O clínico geral avalia a edificação como um todo. Se ele vier aqui identificar que tem falhas substanciais na esquadria, ele pode recomendar no laudo dele dizendo, precisa agora ser encaminhado por um especialista em esquadria. estrutura por um especialista em estrutura, fachada por um especialista em fachada. E aí o aluno, o profissional, ele se forma como o inspetor geral, assim como o clínico geral, e depois ele vai encontrando o seu caminho. Eu, no meu caso, até pela minha experiência, 16 anos, lá atrás, eu entrei numa obra de... Fachada. Ou seja, minha vida inteira ela ficou focada muito mais em fachada. Adivinha qual que é a minha especialidade? Fachada. Então eu sou um especialista em fachadas, revestimentos de fachada.
E aí eu vou aproveitar essa deixa, vou te fazer uma pergunta. Quais são as patologias mais comuns na construção civil?
Nós vamos pegar aqui. Primeiro, vão reclamar muito de umidade. Se você for imaginar, a assistência técnica de uma construtora, que cada vez mais estão incríveis na assistência técnica, estão estudando, temos muitos alunos na assistência técnica. Eu chamo que é a pediatria. Assim que nasce o bebê, quem cuida dos primeiros anos do bebê? O pediatra. E quem cuida dos primeiros anos, dos primeiros problemas que aparecem na edificação? A assistência técnica da construtora. Até os cinco anos, mais ou menos, que eles têm aquele caminho. O que tem muito mais? Se a gente for medir, infiltrações e umidade, até porque normalmente é o que mais se reclamam. Então, umidade, muito. Fissuras, muitas fissuras, apesar de que tem fissuras que são aceitáveis, mas acontecem muitas fissuras, tá? E aí entra em revestimentos, desplacamentos, descolamentos de revestimento, é o que mais se tem. E edificações um pouco mais na geriatria, são problemas estruturais, as corrosões, das armaduras no concreto.
Agora, e como eu evito esse tipo de problema?
Sim.
Eu não gosto de falar muito a palavra problema, mas...
É um problema.
É um problema patológico, chama, tá? Então, assim, eu entendo que dependendo...
Problema patológico não é ser picado por pato, não. Fica tranquilo.
Sim, então, dependendo da situação ali, quando eu tenho um problema de rachadura, sei lá, de repente, numa fachada ali, enfim, eu tenho... várias situações, eu posso ter tanto problema de estrutura quanto problema de mistura, né? Ou o próprio aditivo ali daquela massa, daquela argamassa.
Então, como... Olha só, a nossa área, nós chamamos de patologia das construções e tem um termo também muito bacana, nossos mestres, percursores, Tito, Jerônimo Cabral, Marco Gullo, que nos trouxeram há alguns anos, que é a engenharia diagnóstica. que é essa área da engenharia que se propõe a fazer os diagnósticos. Então tem um problema, o inspetor, o perito, o patologista, ele vai fazer uma inspeção e vai ter que entender o diagnóstico, causa, origem e mecanismo. Para você entender como previne, a gente tem que entender porque que aconteceu. Os problemas patológicos podem acontecer por algumas origens. Ou ela pode ser uma origem lacongênita, endógena, ou seja, ela é oriunda de um processo construtivo da fase de produção, projeto ou execução. Depois a gente detalha melhor, tá? Então pode vir problemas na fase de construção, ou porque não foi projetado, ou porque foi projetado inadequadamente, ou porque foi construído de maneira inadequada. E aí pode ser por problema de material, pode ser um problema de método construtivo, pode ser um problema até de técnicas de execução.
Até trazer um pouquinho... Vamos parar aqui.
Então, a construção. Aí pode ser isso.
Tá. E quando a gente fala desses problemas, você imagina... Eu estou fazendo ali uma concretagem e a gente imagina que a gente está nesse calor aí de 40 graus que a gente está vivendo agora. Então, eu tenho um tipo... Imagina que eu não estava programado para essa concretagem acontecer numa situação como essa. E avançando um pouco mais, para essa mesma situação de calor, eu tenho... Ah, eu vou colocar um revestimento que também não tinha sido prevista numa situação como essa, mas eu fui lá para não ter problema e para não deixar a minha mão de obra ociosa, eu fui lá e executei mesmo assim. Então, eu queria que você falasse um pouquinho aí.
Perfeito.
Desde que... Seria, na verdade, as formas, né, de evitar essas patologias.
Isso. Então, nós estamos aqui no caminho, nós paramos aqui na fase de produção.
Sim.
Então, na fase de produção, esses percalços em obra, o que que se tem muito numa construção. Materiais cimentícios. Materiais cimentícios, eles reagem com a água para aí poder, então, fazer a sua cura e criar suas reações e ser o nosso grande concreto, grande argamassa, tudo lindo, maravilhoso que a gente vive. No ambiente que você trouxe, que é um ambiente de altas temperaturas ou também ventos fortes, o que vai acontecer?
O vento também influencia.
Influencia. O que vai acontecer? A água ela vai ser roubada, tá? Eu ainda tô procurando, se você é um cartunista, vamos conversar, eu gostaria de fazer uma revista em quadrinhos dessa história, imagina assim ó, um grão de cimento, é pó, só que ele em contato com a água, a gotinha de água, ele cria um casamento perfeito e fica sólido e incrivelmente resistente. Certo? Talvez seja assim, você com a sua esposa, eu com a minha, já está o momento aqui, fala assim, você é minha água, tá certo?
E eu sou seu cimento.
E eu sou seu cimento.
Adorei.
Muito bom.
Vou usar isso em casa.
Fica a dica. Já usa antes de sair no ar, que ela não vai entender.
Aí, Gabi, já usa isso em seu namorado.
Só que tem um perigo aí.
Eu sou sua água e você...
O Natal tá aí, o cartão já pode ser escrito, tá bom? Só que, como toda boa história, alguém projetou o grão de cimento e a gotícula de água. Não pode ter muita água, não pode ter tanto cimento, é a proporção exata. Vai para a vida real, vai lá para a forma, vai lá para a fachada. Só que aí tem o sol. Coloquem o sol como um inimigo. Tem os ventos. O que eles querem? Roubar a nossa água. Gente, que... E se ele conseguir roubar a nossa água, vai ficar só... Cimento.
Só cimento.
E cimento sem água é o quê?
Pó.
Então, eu sem você, Pri, sou pó.
Olha, vou falar também pra Nath. Eu sem você, Nath, sou pó.
E com ela?
Sou?
Resistente, sólido, duradouro. Você vai cumprir a lista. Senão você vai sair com uma mão ali, ó. Entende?
Felipe, gostei de você. Cara, eu tô chorando.
Você tá imaginando, né? Você é imaginativo também. Nós estamos muito iguais.
Na verdade, eu toco, né? Muito bom. Não, eu toco assim, igual eu tava falando com você da luz. Então assim, eu tô te olhando aqui, eu tô te vendo, e como que eu consigo transmitir isso pra tela ao ponto de... tocar, sabe, assim, de imaginar alguém, assim, do outro lado, com você, pessoalmente, tendo essa mesma visão que eu estou tendo.
Muito bom, muito bom.
Cara, eu consigo... a minha imaginação, ela... Tá fértil também. Tá muito fértil.
Tá, mas vamos continuar essa história. Então, o que a gente faz num clima hostil? faz a cura. A gente coloca mais água adicionada, porque o sol ele vai soar, ele vai roubar água, só que vai roubar água adicional. Então essa água adicional nos protege. A gente continua tendo as nossas reações, a gotícula de água com grão de cimento, e a gente joga uma água adicional. Estou falando uma cura úmida, poderia falar cura química, algo um pouco mais técnico. Assim como também na argamassa. Então essa água adicional são os nossos amigos nos protegendo, são as nossas orações, são tudo o que a gente faz que protege o nosso relacionamento. E depois de um tempo, quando a cura é feita, meu amigo, quando dá a liga, aí o sol pode vir, aí tudo pode acontecer que não solta mais, e aí também não tem as fissuras por retração. Então tem a questão de perda da gotícula de água, e aí fica um cimento, fica um material enfraquecido, o concreto fica enfraquecido, a argamassa fica enfraquecida. E também tem as questões de retração térmica, porque quando você tem altas temperaturas você pode ter essa retração e cria as fissuras. Por isso que quando você tem um ambiente mais hostil, por isso que executar um concreto no sul do Brasil é diferente de no Amazonas, que é diferente em São Paulo, que é diferente no Ceará. executar um revestimento em fachada, usando uma excelente argamassa em locais diferentes, em climas diferentes, tem outra forma de trabalhar, detalhes. Então são esses detalhes que nós estudamos e tentamos trazer de uma forma lúdica, mas também técnica, para mostrar que nós precisamos adaptar ao meio. Por isso aquele pedreiro que fala, eu faço há 20 anos, você dá muitos parabéns para eles. Aplaude, abrace, mas converse com ele, porque há 20 anos eram outros materiais, era um outro clima, era uma outra forma de se trabalhar. Por isso que a patologia vem para acender essa luz. É possível fazer o básico, só que de maneira diferente e ainda se alertar. Não dá pra aplicar um selante com um sol de mais de 40 graus. A química do selante, ela não vai ter ali as mesmas características.
É bacana essa forma como você traz, né? Você fala de um assunto que, em tese, é chato, mas quando você traz... Quando você associa isso à vida, ao cotidiano da vida, né? Quando você fala de equilíbrio, se torna uma coisa muito agradável. Por isso que eu falo, esse episódio hoje vai durar bastante. Já vai, já curte, já comenta, já manda para os seus amigos aí, porque hoje tem assunto. Eu tenho uma pergunta aqui da internet bem interessante. Como a educação e a conscientização podem desempenhar um papel na redução da patologia na Constituição Civil?
Ela, para mim, tem um papel de destaque e de protagonista. Porque qualquer mudança na nossa vida vem por meio da educação.
Aproveitando que você falou das construtoras lá atrás, como está essa questão da educação, desse investimento em treinamento dentro das construtoras? Eu estava conversando com um amigo que é CEO de uma grande construtora e ele deu o exemplo de que estão nascendo muitas construtoras. Ele falou uma frase que me marcou muito, um dentista bem-sucedido e um engenheiro desempregado montam uma construtora e começam a vender como se fosse...
É do mercado.
É do mercado. Então, como que está sendo essa questão de educação e treinamento dentro das construtoras?
É um gargalo, é fato, que nós temos um problema, um déficit muito grande de mão de obra especializada. Eu tenho visto um crescimento e a ADPAT quer estar na vanguarda disso, quer se colocar nessa brecha para apoiar. E eu vou te trazer um exemplo muito claro. Primeiro, nós temos que trazer essa conscientização para a engenharia, para os diretores, para a engenharia. Tive a oportunidade desse ano de ir em três construtoras, eu fui em Brasília, eu fui em Goiânia e duas aqui em São Paulo, para ministrar esse tipo de aula, esse tipo de assunto, para a área de engenharia, qualidade e assistência técnica de três construtoras. Então é um início, mas nós queremos mais.
E aí, como que foi essa aderência por parte dos profissionais, por parte dos empregados da construtora?
Olha, por incrível que pareça, ou mentiram bem, ou gostaram, porque a receptividade foi sensacional. Os amigos que nos levaram disseram que nos grupos, na Dark Web, dentro das construtoras, sempre tem os grupos oficiais e tem os Dark Groups, que gostaram bastante, foi bacana, foram trocas importantes. Sempre começa, às vezes, um ou outro assim, um pouquinho. É complicado, às vezes você fica indo lá como se estivesse apontando o dedo, né? É muito fácil falar. Apesar de eu ter já vivido no canteiro de obras, a gente tenta falar com muito carinho. Porque uma obra é prazo, custo e qualidade. É uma tríade. É um tripé de equilíbrio, certo? Eu venho só falar de qualidade. Eu falo, você que se vira com custo e com prazo. Mas claro, a gente tem que ter bom senso.
É, quem vive o dia-a-dia ali são as pessoas, né? Você não tá lá no dia-a-dia.
É claro, mas a gente traz um ponto de atenção. Teve uma aderência boa, só que eu quero chegar na mão de obra e fizemos um teste esse ano e deu super certo. Porque eu quero trazer essas aulas para os mestres, para os pedreiros. Nós temos que entender que eles são adultos. que eles são profissionais, experientes, e eles podem receber conteúdo sólido.
E você já testou fazer essa aula prática numa construtora? Por exemplo, você fazer aí, imagina que algum construtor ou investidor tá ouvindo a gente agora e ele convida a gente pra uma aula prática numa construtora e lógico aproveitando a gente pode levar pessoas né fora que não seja só funcionário.
Dessas construtoras imagina experiência com uma empresa, porque existe hoje um ramo de atuação, empresas especializadas, que eu chamo que é a tropa de elite, que são as empresas que tratam os problemas patológicos. As empresas de recuperação de fachadas, de recuperação e reforço de estruturas, as empresas que recuperam sistemas de impermeabilização, são as empresas de alto nível que trabalham focadas em resolver grandes problemas. Assim como aquela que eu trabalhei lá, que eu comecei com 16 anos. Então o que eu fiz? Eu tenho um curso chamado Patologia e Revestimentos, curso de um dia ali, mais imersão, mais pra trazer esse ponto, e falei pro meu amigo Fernando Gaal, da Serpol Engenharia, que é parceira nossa, falei, vamos dar esse curso para os teus encarregados, o mesmo curso que eu dou para os engenheiros, vamos colocá-los numa sala, e ele, mais doido que eu, falou, Que dia? Semana que vem, tal dia, e colocamos os operários, primeiro ali na linha de encarregados, os líderes dos operários, uns 30, 35, dentro de uma sala, para ouvir sobre patologia. Só ajustei um pouquinho, uma informação ou outra, porque é para eles, mas a mesma coisa, sorteamos o livro, com norma técnica, com detalhes. Primeiro, Todo mundo ficou prestando atenção, contribuiu, mas aí, esse é tudo bem. O que aconteceu foi uma semana depois. Um dos engenheiros da empresa, que não estava naquele dia, me ligou e falou, Felipe, é o seguinte, o encarregado tal, eu tô aqui com ele, e eu tô pedindo pra ele fazer assim, e ele falou pra mim, não. O Felipe deu na aula que isso não tá certo. Falei, pronto! É isso, entendeu? É o encarregado entendendo e acreditando no negócio. E hoje eles falam assim, manda o Felipe aqui na obra. Quando eles encontram algum problema, aí eu vou lá, treino eles. E a gente fez esse piloto. Então, eu acho que tem muita receptividade. E quando a gente entender que dá pra encarar, pra treinar seriamente, com base na patologia, essas equipes, nós vamos transformar o mercado. É isso que a gente acredita e o ano que vem a gente espera ter essas oportunidades.
Agora tem uma pergunta aqui um pouco provocativa, enfim, fique à vontade pra responder ou não. Você acha que a argamassa AC1 deveria existir? Sim. Por quê?
Sim. A C1, ela é uma argamassa. Primeiro você tem que entender o porquê que existe a C1, a C2, a C3. A C1, ela tem somente as questões de uma ancoragem mecânica. Então, ela não tem os aditivos para adesivibilidade, para aderência química. Então, ela vai ser usada em coisas, em questões muito pontuais, internas. E ela pode ser aditivada.
Então, assim, não é uma defesa minha, tá? Enfim, eu vou em obra, como você sabe, e eu vejo aí situações...
Agora, se você me perguntar se deve usar, eu vou falar que não.
Você entende?
Claro.
Então, assim, situações, porque muitas vezes o cara, tudo bem, ela tem o uso ali específico.
Tem o uso dela, deixa ela.
E o cara acaba falando, ah, já tô usando aqui, não, vou aproveitar essa sobra aqui, ah, vou terminar isso aqui.
Perfeito.
Então, por isso, acho que é essa pergunta aqui desse seguidor.
Por isso que a gente tem que, como patologista, a gente tem que entender o... Às vezes as pessoas não sabem a diferença de AC1, AC2 e AC3. Quando a gente começa a entender a diferença, e se você explicar isso para o pedreiro, ele não usa mais a C1 no lugar errado.
Vamos lá, dica com o Strikast, quais são as diferenças entre argamassa C1, C2 e C3?
A C1 ela vai trabalhar apenas como fosse uma argamassa de cimento e areia com características de aderência por propriedades mecânicas. Então ela faz todo o trabalho de entrar nos poros da base e faz uma ancoragem mecânica, a gente chama de agulhamento, intringida, tem um detalhe um pouquinho mais cristalização ali interna. Então ela requer uma base muito mais preparada para receber aquela argamassa e fazer essa adesão, essa ancoragem mecânica. A AC-2 já é considerada parte dessa aderência mecânica e parte de uma aderência química, cola. Então ela já tem aditivos que melhoram essa capacidade de aderência também química. Então a gente orienta muito mais ela porque a base hoje está muito mais complexa de você ter uma base exatamente propícia para só ter aderência mecânica, essa propriedade de ancoragem mecânica. E a AC3, por mais que ela também vai ter a mecânica, ela já considera na sua formulação apenas a aderência química, ou seja, ela tem uma maior segurança na aderência. Um sistema de revestimento aderido requer aderência, óbvio. Então você usa a AC-3 normalmente em ambientes mais hostis. Fachada, a AC-3. Em alguns outros cenários, a AC-3. Num piso sobre piso ali que vai ter uma base que não tem poros, que não vai ter essa ancoragem mecânica, a nossa água com cimenta não vai entrar nos poros, não vai fazer essa ancoragem ali dentro da base, aí você usa então propriedades ligadas a AC-3 que tem mais química para aderência de cola.
Ótima dica com o strecast. Tem mais uma pergunta hoje, ó.
Mas eu vou dar o luxo aqui de... Não me deram limites, então depois eles cortam, tá tudo certo. Só que tem um detalhe nas argamassas. Argamassas brasileiras, elas são classificadas apenas por aderência. Ó, vamos aprofundar aqui na patologia. A gente vai da quinta série ao mestrado em dois segundos, né? Aderência é importantíssimo, só que muitos descolamentos de revestimento não são por tração coaxial, são por cisalhamento e por cisalhamento por movimentação da base. Se aplica uma laxe zero e aplica um revestimento cerâmico. Numa fachada tem todas as movimentações hidrotérmicas, dilatações, ou seja, argamassa, revestimento cerâmico. Ele tendencia a cisalhar entre eles, a deformar. A nossa argamassa brasileira só tem características de aderência, ou seja, ela é rígida. Ela não acompanha essa flexibilidade, ela não é flexível. E tudo que não é flexível, tende a quebrar. Por isso que há muitos descolamentos.
Então, aproveitando, como a tecnologia contribui ou está contribuindo para evitar esse tipo de situação? A gente tem no Brasil essa argamassa flexível?
Está se trazendo algumas empresas. Tem duas formas. Muitos consultores aditivam a C1 e outras H-massas para poder ter maior flexibilidade, quando necessário, e já existe no mercado, não precisamos falar de marcas, enfim, a C3 super flexível. Aí o que eles fazem? Eles vão para as normas europeias e americanas e pegam as classes S, e logo mais vai ter isso no Brasil, ou seja, a classe de flexibilidade.
Então, quem quiser, quem tiver curiosidade, coloca aqui a pergunta.
Exatamente, a gente pode conversar no off, tá tudo certo. Então, igual eu uso. Quando eu vou trabalhar, nós fizemos agora uma inspeção de fachada, um prédio nobre em São Paulo, cerâmica preta. Ou seja, aquecimento muito grande, dilatação térmica, prédio com uns 15 anos, descolamento e revestimento cerâmico. Vamos trocar o revestimento. Ah, então tira a cerâmica preta. Engenharia não é para tirar a cerâmica preta. Engenharia está para resolver o problema. Então o que a gente fez? Criou um sistema de juntas para poder ter acomodação das dilatações e solicitamos que aplique com uma argamassa flexível. Ou seja, é uma aplicação talvez na cerâmica branca não aplicaria flexível, porque ela claro tem um custo maior, mas uma cerâmica preta pensando no custo total de evitar problemas patológicos, olha a tecnologia aí. Então a tecnologia vem para nos dar soluções de produto para a gente possa aplicar e aí sim poder ter uma cerâmica preta, ela vai dilatar e essa argamassa ela vai acompanhar de certa maneira por ter flexibilidade.
Essa parte das juntas que você citou, até aproveitando e dar uma dica para os meus muitos amigos e amigas pedreiras, inclusive Suellen Pedreira, um beijo grande para você. Qual que é a distância mínima das juntas de revestimento cerâmico?
Nós temos a junta de assentamento, que a gente chama de rejunte. Rejunte é o material que a gente aplica. O espaçamento entre as placas é junta de assentamento.
Ah, junta de assentamento. Então deixa eu reformular mesmo, né?
Só pra ficar, não. São várias juntas. Então eu tô só selecionando aqui, ó. Então a primeira junta, junta de assentamento. A diferença entre as placas cerâmicas. Elas precisam dessa diferença entre elas. Algumas até pra ter acomodação dimensional, elas não são exatamente do mesmo tamanho, né, por uma questão ali da fabricação.
Ah, mas esse problema é... Isso é problema de fabricação, né? Quando você tem essa diferença de tamanho ali das peças.
Sim, mas tem um limite, sabe? Tem... Quando você tem um revestimento cerâmico, a própria indústria, a própria norma tem, eu não vou lembrar aqui os detalhes, mas tem limites de variações exatos de medida, tá? Então, você tem ali uma folguinha de variação de medida.
E aí, o azulejista, no caso, ele tem que ser muito bom, porque quando você usa os... O espaçador se acaba criando um problema sério lá na frente.
Quando você usa um porcelanato, aí são materiais que tem uma maneira mais...
Precisão, né?
Por isso que tem uma junta menor. Então primeiro, junta de assentamento, qual que é o espaçamento do fabricante? Ele sabe o tamanho, como que a peça dele dilata, ele sabe as características e ele sabe as diferenças dimensionais que tem na placa dele. O que acontece que a gente vê muito, principalmente interno, 3mm na caixa, na especificação, eu compro de 1mm que fica muito mais bonito com... Só que aí, quando o revestimento tiver suas movimentações, pode acabar soltando. Nas fachadas, se não me engano, a 13755, que é a norma de fachada de revestimento cerâmico, traz que, primeiro, do fabricante, não sendo menor que 5mm, para revestimentos em fachada, tá bom? Então você tem um limite normativo e você tem o fabricante que pode te trazer alguma outra coisa. Enfim, só se esse número depois me corrigem aí se tiver certo, mas tem um certo limite. Eu sempre peço para ver o fabricante.
É importante ver a embalagem, né? Geralmente vem lá as especificações.
Leio a embalagem, a embalagem diz muito. Tem outras juntas, tá? Mas depois a gente pode conversar.
E nesse sentido, igual você deu o exemplo lá atrás do pedreiro, que o cara está ali fazendo aquela mesma... coisa há 20 anos, e você fala, mas a gente está vivendo outro momento, é outra tecnologia, são outros produtos.
Perfeito.
Mesmo para esse cara, é importante que ele sempre olhe a embalagem, sempre que vai começar um novo serviço?
Sempre. Primeiro que a embalagem está cada vez mais fácil de ser lida. Vamos trazer aqui argamassa. que a gente chama de massa, né? A massa. E, infelizmente, a massa, a argamassa de revestimento de parede, de embolso, de contrapiso, acaba sendo uma área, vamos pensar, um componente ali, um material um pouco desprezado na obra. É só a massa, é só o revestimento. A gente costuma dizer que o concreto é masculino e a argamassa é feminina. A argamassa é completa, a argamassa é linda. É outra coisa que a gente fala também. Eu acho a argamassa espetacular. Para mim, a argamassa tem a força feminina. A argamassa, repara, é ela que cuida de tudo. É ela que se fixa, se adere na base e recebe o revestimento. Ela nem aparece. A argamassa está lá, cumprindo o papel dela de manter planicidade, de manter tudo em ordem. A argamassa é espetacular. O que é argamassa? Uma mistura de cimento, areia, cal e água. A cal cada vez mais está em falta, já não estão se usando mais, então estão se usando aditivos para compensar, para trabalhar aqui. Areia, cimento, água e aditivos. Quando a gente promove isso na obra, então pensa lá o engenheiro, o Pedro de 20 anos atrás, o que ele fazia? cimento, areia, cal, misturava na obra e aplicava. Hoje vai vir um saco igual ou parecido de cimento, também de cinza, só que lá dentro já tem cimento, areia e aditivos. tudo pronto o que tem na embalagem? está lá gravado a quantidade de água que tem que colocar não é mais no olho não é mais na sensibilidade porque ali dentro tem aditivos que é necessário aplicar a quantidade de água certa e fazer a mistura no tempo certo com equipamento adequado para que ative o aditivo quer um exemplo? Sabe aquele... Já fez bolo de caixinha?
Sim, sim.
Normalmente dizem, né, que se a gente der aquele caixinha pra nossa avó, o bolo sai errado. A gente faz melhor aquele bolo que a nossa avó.
Sim.
Por quê? Você acha que a nossa avó vai ler embalagem?
Não.
Você acha que ela vai usar... E nós que não sabemos fazer bolo? Eu já fiz esse bolo. joguei o pózinho lá, dois ovos, meu, dois ovos, sobrou um pouquinho de clara você joga porque vai dar errado né, dois ovos, bata por cinco minutos, você coloca lá os cinco minutos e você bate exatamente, você não bate um segundo a mais nem um segundo a menos, no começo parece que não vai dar, não dá vontade de colocar mais leite? Porque isso aqui é 300 ml de leite e bata por 5 minutos. De repente, com 4 minutos e meio, nossa, já começou a ficar aquele ponto de massa. É assim a argamassa. Então, se a gente faz do jeito antigo e começa a colocar mais água para dar o ponto, Se a gente bater pelo tempo certo, desanda a argamassa. Então, por isso que a gente fala, leia a embalagem, tem esse hábito. A gente traz muito os fabricantes para perto, para poderem mostrar, por causa dessa parada dos aditivos, da forma como foi constituída.
Inclusive, além dessa mistura, respeitar o tempo de cura, né? Antes de fazer a aplicação.
Tem três tempos. Tem, principalmente, o tempo de mistura. para você ativar, normalmente esses aditivos tem incorporadores de ar, para dar aquela plasticidade, aquela coisa bonita, aquela massa vistosa. Tem o tempo de uso, ou seja, no momento que eu coloquei a água, vamos lá, duas horas de tempo de uso, a gente tem isso muito na nossa cabeça no concreto. Todo estagiário de uma construtora, qual que é o primeiro papel dele? Conferir, assim que chega a nota fiscal do caminhão, que horário que saiu lá da usina, porque tem duas horas e meia pro concreto tá aplicado. Isso chama tempo de uso. Ou seja, você já chegou, vai numa obra, dá 11h40 da manhã, aí o pedreiro faz aquela maceira desse tamanho. da meio-dia e vinte, da onze, onze e quarenta da manhã. Aí ele usa vinte minutos da meio-dia, ele vai almoçar, aí ele joga mais uma lâmina d'água ali, ou deixa ali no carrinho e vai almoçar. Aí volta e continua usando aquela argamassa. A uma da tarde, aquela argamassa já perdeu as características dela. E ele joga um pouquinho mais de água pra dar uma gostosa.
E continua fazendo como se tivesse ali, é.
Não pode. Tá? E aí você pega a argamassa colante, por exemplo, tem o tempo em aberto. que é o terceiro tempo. Ou seja, peguei a massa colante, misturei com a água, apliquei na parede, fiz os cordões bonitinhos, vou colocar a cerâmica. Quanto tempo eu tenho do momento que eu apliquei na parede até o momento de eu colar a cerâmica? Em laboratório, normalmente é 20 minutos. Imagina num sol de 40 graus.
É, inclusive nesse ponto que você falou, eu já vi situações, o cara começa a puxar ali os cordões numa área muito grande.
Produtividade?
É, o cara tá muito focado na produtividade e já vi... O cara para, porque secou, né? Ele vai...
No toque do dedo?
No toque ali, ele taca água ali pra... E simplesmente coloca a placa lá.
Só que vai aderir o suficiente pra ele ir embora. vai dar uns dois anos, um ano, seis meses e vai soltar. Não aderiu, porque criou peeling, ou seja, uma pele que não vai dar aderência suficiente.
E uma dica, mais uma dica com Streetcast, como que o dono daquela residência, que contratou aquele pedreiro, pode contribuir nesse processo? Porque muitas vezes o cara nem tá acompanhando, mas o que ele vai ter é um problema futuro ou, muitas vezes, dependendo da situação, o cara vai descartar aquele material até por... É cultural, às vezes, quando aquele pedreiro, qualquer área, enfim, não só da construção civil, tem aquele profissional que ele está fazendo o serviço, ele já... Se ele fica mais 10 minutos ou 20 minutos, ele vai terminar aquilo, mas ele simplesmente para o que está fazendo e vai embora. Entende? Então assim, uma dica sua, como que esse dono dessa residência que contratou, essa pessoa que contratou um pedreiro, pode contribuir com isso?
Olha, se for um dono leigo, não é da área técnica...
É assim, é com esse leigo que eu quero falar.
É salutar que ele tenha uma consultoria. E isso não é um absurdo, é super viável, é super possível, está cada vez mais próximo. Existem engenheiros de produção que não necessariamente tenham esse conhecimento técnico. Por isso que é importante você contar com profissionais que façam essa consultoria pra você. Agora, se for um leigo que tem essa capacidade, um leigo que acompanha o ConstruirCast, não é um leigo 100%. Então ele vai participar vai assistir o ConstruirCast, vai acompanhar outras aulas, vai fazer alguns cursos, vai estar integrado, então ele vai saber pelo menos o que é vital, sabe? Os pontos chaves, eu até penso para o ano que vem, nós fazemos alguns trabalhos aí até de cursos, de treinamentos, para esse pessoal, ou seja, 10, o que é vital, 10 coisas para você olhar como por exemplo isso, você chegou lá é simples o pedreiro esticou a argamassa colante, vai com o teu dedo que é assim que a gente faz, se você me contratar eu vou lá para fazer isso vou pôr o dedo lá na argamassa, se eu tirar e ele sair limpo, vou falar meu amigo dá uma paradinha aí Vamos rever aqui, se vai precisar descascar.
Isso é importante.
Ah, mas está falando de pôr o dedo, o que é isso? Norma técnica 13.755. Isso é uma determinação, recomendação de norma técnica. Colocar o dedo na argamassa. Então, faz parte do processo. É claro, você não pode construir sem um consultor técnico, sem um engenheiro, sem um arquiteto. Então, é salutar que ele tenha esse conhecimento em patologia. Por isso que a gente divulga tanto essa área. Que a gente traz esses pequenos pontos pra si. E como conhecedor pessoal, você pode já ter alguns detalhes importantes pra você, pelo menos, medir se a tua mão de obra tá indo no caminho certo e aí chamar algum especialista, tá? Não dá muito pra fugir de uma consultoria. Mas tem alguns pontos que dá por si só você já avaliar.
Não, bacana. Tem alguma coisa que você gostaria de falar que eu decidi perguntar pra você?
Olha só...
Depois eu queria... Acho que eu já vou até perguntar agora, que eu queria que você falasse um pouquinho do ADPAT.
Sim. Então eu vou pelo caminho. A gente trouxe evitar problemas patológicos. Construção. Tá? Então nós podemos... Primeiro, vou falar aqui de maneira bem rápida, mas o caminho da patologia. Precisamos evitar. Antes, projeto. O que acontece? Normalmente, nós não temos projetos técnicos. Nós temos projetos muito bons, arquitetônicos, que demonstram onde é a parede e onde é o revestimento. Mas como se constrói aquele revestimento? Como se constrói aquela parede? Como se constrói aquele concreto? Então, por isso que ter projetos técnicos é importante. Do projeto, tem a obra. A obra, sim, precisa determinar qual é a metodologia, como vai ser executado cada ponto, treinamento. 3 P's. Pessoas, processos e produtos. Então, as pessoas precisam ser treinadas, precisam de produtos bons e de bons processos. E como é que a gente treina a mão de obra? Os três Cs. Capacita, confia, mas confere. Tem que ter conferência. Tendo conferência, o próprio profissional já dá uma estigada no freio dele.
É, porque esse ponto que você falou agora da conferência, imagina, eu deixo lá na mão do meu funcionário e ele sabe que eu não tenho hábito de checar.
Ele vai dar uma... A gente também é assim.
Vai relaxar. Eu acho que eu também sou assim.
É natural.
Não é diferente quando ele sabe, opa, pera aí, meu encarregado, meu líder vai passar e ele vai checar uma hora ou outra. Então, até um exemplo, quando você vai pegar um metrô na Alemanha, você não tem lá o bilhete, você não tem que passar na catraca. Mas por que as pessoas fazem? Porque eles sabem que uma hora você vai estar lá bonitinho no seu transporte, vai passar um fiscal, apresenta o carimbo do seu... Que você pagou realmente a passagem. E se você não pagou, você vai receber um aponte.
Eu vivi isso no Rio.
No Rio de Janeiro?
É, tem lá, ó... É, VLT.
VLT.
VLT, que é o bondinho. Muito legal, né? Incrível. Eu amo o Rio de Janeiro. E eu estava indo para o aeroporto aqui, atrasado e tudo mais. Não conhecia muito ali. De repente, está ali, né? E aí eu falei assim, poxa, preciso ir pro aeroporto. É duas estações, mas tem que comprar. Tava uma fila de comprar. Eu falei, se eu entrar, sabe, você fica... E lá eu comprar, sei lá, pensar em alguma coisa. Tava atrasado pro aeroporto. Falei assim, meu, mas já pensou? Eu entro ali. E aí eu vejo alguém falando, seu bilhete. Eu falo, não tenho. Tá de brincadeira. Então, me perdoa, eu não vou, não tenho cabeça para passar por isso, não preciso disso. E aí, eu fui lá, ainda bem que deu tudo certo, mas fiquei esperando lá para comprar e ninguém me perguntou. Então, ou seja, em tese, poderia ter ido sem ninguém ter me perguntado.
Sem ninguém ter perguntado.
Mas não pode. E só nessa parte já faz a diferença. Muito bom, muito bom mesmo.
Então, é um exemplo, né?
É um grande exemplo. E tem técnicas. Ó, revestimento cerâmico em casa. De novo, o nosso amigo que está assistindo aqui. Como que se confere o assentamento do revestimento cerâmico? Muito simples. Para simplificar, está assentando no ambiente, você chega no ambiente, na sala, está assentando na metade da sala, você fala para o profissional, dá uma paradinha aí. Você assentou esse piso ou essa cerâmica na parede? Retira para mim. Com muito carinho, porque normalmente quem não está acostumado não vai gostar.
Inclusive, vocês que estão acompanhando pelas plataformas de áudio, essa é a dica. Estou colocando imagem que você consegue ver nos outros canais de vídeo, tá? Então, para vocês entenderem esse exemplo.
Muito bom. Então, tem lá a cerâmica aplicada. Acabou de aplicar. Fez lá a técnica. Tira para mim. Ele vai lá com a colher e vai tirar. Quando ele vai tirar, você vai olhar a parte de trás, que nós chamamos o tardós. O que a gente espera? A norma pede que pelo menos 90% esteja preenchida com argamassa, colante. Ou seja, todo lambuscado, os cordões quebrados, tudo bonitinho, tá? Se tiver menos de 90%, numa visão ali, né? Uma olhada ali, você fala, opa, não está adequado e você pode mudar a técnica.
Pode mudar a técnica.
Tá? Porque muitos dos problemas, ou seja, aquele profissional que deu uma jogadinha de água, porque formou pilha, ele não consegue mais quebrar os cordões. Se você pede para ele tirar, você vai ver muito da parte de trás da argamassa, da placa cerâmica.
Até aproveitando já, mais uma dica, na norma a gente tem, Dependendo do tamanho da placa, a norma pede dupla colagem. Então, a partir de que tamanho? Existe um tamanho mínimo? Qual que é?
30 por 30. 900 centímetros quadrados. Ou seja, você trouxe para a interna de um apartamento? Todas, né? Hoje em dia, 30 por 30 é uma peça muito pequena.
E isso é legal porque o leigo, o consumidor leigo que está contratando esse profissional, que ele está focado muitas vezes em produtividade, aquela pessoa que eu falo, repito, a pessoa está muito focada no dinheiro, esse é o pior profissional que existe. Porque quando você tem propósito, você tem comprometimento com a entrega, ou seja, eu moraria naquele apartamento, naquela casa, Então, tudo bem, é importante você ser produtivo, mas peraí, muitas vezes eu foco na produtividade e deixo de fazer uma dupla colagem. Então, é importante. O cara tá aplicando, ele não tá aplicando, fazendo dupla colagem...
Na parte de trás da placa e na base.
Então ele aplica na base, ele vai lá, ele passa também...
Na parte de trás da placa.
Na parte de trás da placa. E quando ele vai assentar também, ele tem, geralmente, ele tem que fazer essa aplicação com cordão cruzado. Então... Ou não necessariamente.
É. E aí você vai me dar um gancho incrível.
Vamos nessa.
Olha, eu desenvolvi um método, desenvolvi um método, eu só organizei uma coisa assim, que eu chamo de método dos três filtros. Porque a nossa engenharia, ela é dinâmica, ela é complexa, ela é mutável, ela é atualizável. Então, toda decisão técnica que eu tomo, eu uso o método dos três filtros. Alguém da minha equipe fala, Felipe, como é que faz isso? Eu falo, já passou nos três filtros? Depois que você passar nos três filtros, você vem conversar comigo com as suas dúvidas. Ou seja, primeiro filtro, normas técnicas. Vou assentar um revestimento cerâmico. Você é um técnico? Quais são as normas técnicas de assentamento de revestimento cerâmico? Você vai ter que saber. Não dá pra não saber. É impossível. Não pode. Nós sermos construtores, estou falando de engenheiros e arquitetos, e dizer que não conhecemos a norma técnica. Tudo que a gente faz, a lei, A justiça, a sociedade já entende que nós somos conhecedores das normas técnicas. Não dá pra alegar ignorância. Eu tô sendo bem forte nesse sentido, porque é um fato. Tanto é que a gente conseguiu um desconto de 20% pros membros da DEPAT pra acessarem as normas técnicas, por um site que faz isso. Porque precisa ter acesso às normas técnicas. As normas técnicas não estão lá à toa. Até pra você não seguir, você precisa conhecer.
Precisa conhecer.
Ponto. O que ela vai dizer com isso? Só que as normas técnicas bastam? Não. Por quê? A norma técnica de fachada é de 2017. O que aconteceu de 2017 pra cá? Muita coisa. Então, segundo filtro, boas práticas. o conhecimento atual das construtoras, do Paulo, das experiências do Felipe, do mestre João, da construtora X, da empreiteira Y, as boas práticas, o que estão nas dissertações de mestrado, que é muito mais dinâmica, o que estão nos estudos, nas rodas de pagode com engenharia. E o terceiro, especificações dos fabricantes. A indústria é inovadora, ela traz coisas novas, diferentes. Vamos falar do argamassa colante, eu vou usar bem esse exemplo. A norma pede, norma técnica, que seja assentado no sentido cruzado. Ou seja, se eu aplico argamassa colante com a desempenadeira denteada, se você pesquisar no Google vai aparecer desempenadeira dentada. Dentada é assim ó. Não é dentada, é denteada, que foi escrever tecnicamente, que é porque tá na norma técnica. Então você faz aqueles cordões bonitos, desenpenadeira denteada. Na placa, você faz cruzado, aí você aplica cruzado. Na teoria, isso é lindo. O que acontece? Vamos usar o bom senso? Boa prática. Começou a se aplicar assim, começou a não dar resultado. Um exemplo. Eu coloco o cruzado, o que fica entre eles? Um quadradinho. Esse quadradinho de ar. O ar tem como sair?
Então, mas você não desloca ela?
Como que o ar desloca? Se eu tô confinando ele. Olha só.
Ah, é verdade.
Eu fiz assim, ó. Confinei ele. Eu tento tirar o ar, ele consegue sair por completo?
Não.
Não muito. E aí, o que a gente agora faz como boa prática? No mesmo sentido.
E aí você desloca na direção... E.
Não é pra fazer vórtices. Ou seja, eu penteio. Desempenhadeira tem que ser penteada, né? Penteio, penteio, e coloco aqui, ó. Quando eu coloco um pouquinho afastado e jogo pra oposição... Ah, ela já quebra. Quebro tudo, e o ar sai. Tô tentando ser o mais... Não é tão bem assim, mas vocês deviam visualizar. O ar sai nessas correntes aqui, ó. que estão em linha reta, sentido cruzado. O ar é expulso, fica argamassa e tem uma maior densidade.
Inclusive, você agora me levantou aqui um alerta. Então, acho que é por isso que existia, pelo menos nas visitas que eu fui, muita quebra de material por conta do ar que fica embaixo da peça. Pode ser.
Porque dependendo do ar que fica e aí como a pessoa vai lá para poder assentar o piso e quer assentar e começa a bater forte pode quebrar ou até no uso fica normalmente nas bordas em peças muito grandes tá e aí você vai para o fabricante pergunta para o fabricante da argamassa O Ecomix, que sentido que eu aplico? Normalmente ele vai falar pra você, não, aplica no sentido cruzado.
Mas mudou a norma?
Ainda não, porque norma muda rápido.
Olha, agora você me trouxe aqui.
Você tá me entendendo?
Não, e faz todo sentido isso.
A norma, ela demora, certamente quando atualizaram a norma e devem estar em processo, em comissões e tudo mais, vai se alterar isso.
Sim, tá em processo.
Ok? Só que até lá acontecer, então assim, o engenheiro, o arquiteto, ele é muito responsável pelo resultado, não só pelo processo. Ah, mas eu fiz de acordo com a norma e soltou. Você não pode soltar. É complexo. Então por isso que a gente estuda esses três pontos. Ou seja, eu, se eu for especificar para vocês, sentido, Não condeno quem faz de acordo com a norma. Só que eu tô falando uma lição técnica do profissional. Eu vou nos três filtros. Quer uma outra jarga massa pra frisar?
Não, eu ia até aproveitar. Coloquem aí nos comentários, porque esse é.
Um ponto... Sim, se discorda, se tem.
Outra experiência, a vontade. Se discorda, se você concorda, porque é um ponto que você me chamou bastante atenção agora, inclusive, porque, como eu te falo, eu vou muito em canteiro, e eu defendia, tá? Eu defendia.
Sim.
Agora... Você acabou de...
Deu um bug na mente.
Não, não deu um bug na mente. Pra mim tá muito claro, eu mudei. Até pela lógica, faz todo sentido. E eu já testei essa questão de quebrar a peça, porque eu via o cara ali aplicando, falei, não, deixa eu ver. E tal. Falei, não, mas tá tudo certo. Aí chamam lá o cara do laboratório. Não, o problema tá na argamassa, mas enfim, essa questão do ar mesmo, que ele não consegue sair. Aí você começa a bater e a peça quebra.
Perfeito.
Faz sentido. E aí, o que acontece? Então, vamos mudar a forma de aplicar. Então, a gente coloca ela um pouco mais longe, põe uma força maior e tenta arrastar.
Por que a força maior?
Pra tirar o ar.
Por causa do ar?
Do ar. Muito bom. Acredito que... bom.
Coloca, participe. Participe. Vamos conversar aqui, ó. E se for uma peça de 3 metros por 3 metros? Tem que ter dupla colagem, não tem?
Sim.
É maior do que mais uma peça. Mas você já viu aplicar um super porcelano desse tamanho? E como que aplica argamassa no tardonas dela?
Sim.
É complexo. Eu fui chamado pra fazer uma consultoria de imprimabilização numa reforma de apartamento de altíssimo padrão no litoral de São Paulo. Só que nosso olhinho, né, mano? Eu chamo que é turismo patológico. Aonde a gente vai... As pessoas falam, não repara na bagunça. Eu falo, não reparo não, é só nas manifestações patológicas mesmo. Eu só reparo se tem fissura, infiltração, pintura descascando. Na bagunça, eu não tô nem aí. E eu entrei no apartamento todinho em reforma. Compraram porcelanato, que é o que acontece no normal. E aí a dica, de novo, tô tentando guiar pro nosso público aqui.
Vamos dar dica, vamos dar dica com o Street Cash, adoro.
O nosso público aqui. Porcelanato de 1,20m por 1,20m.
Lindo.
Eu costumo dizer que sempre tem projeto. A diferença é quem fará o projeto. O que acontece? Eu tenho um apartamento que precisa de piso. Eu tenho uma arquitetura que me projeta muito bem. Coloque esse piso 1,20m por 1,20m, maravilhoso, que vai ficar lindo. Ok. Só que esse caminho é longo. Normalmente, se a gente não tomar cuidado, o construtor nosso que está assistindo, o que ele faz? Pega aquele piso 1,20m por 1,20m, vai numa grande empresa que vende revestimento, escolhe, define e pronto. Escolheu o piso. E agora? Quem vai determinar a técnica de execução? Normalmente é o pedreiro. Ele que toma a decisão de qual técnica de execução.
É, inclusive o pedreiro tem uma força muito grande.
Ele sabe muito, entende muito. Ótimo. Só precisa ser acompanhado.
Sim.
Como todo mundo. Agora, que argamassa colante que vai usar? Normalmente se pergunta pra quem vendeu piso. E que rejunte vai colocar? Normalmente quem vendeu piso... Eu já comprei piso. Já veio o pacote. Não, eu já te mando com argamassa e com rejunte. Cuidado. O vendedor técnico tem muito bom coração, muita proatividade, ajuda e tem muito conhecimento, mas tem limite. Tem que ter um consultor técnico. Por quê? Ou, às vezes, ler a embalagem e ser crítico. Fui, assim, por exemplo, estava a arquiteta lá... Ótimo, o proprietário... Olha, e eles talvez tenham feito isso a vida inteira, tá? Não é uma crítica a eles, mas é... Eu sou patologista, então a gente vê o detalhe do detalhe. Vi aquele piso maravilhoso e comecei a olhar o apartamento inteiro, porque eles não chegavam, né? Tava em reforma ali e tudo. E eu vi a argamassa colante. AC3. Mas tava lá... Para grandes vãos. Para grandes dimensões. Até 90 por 90. Um metro por um metro. Até um metro por um metro. Qual que era o tamanho do piso?
Um metro e vinte.
Um metro e vinte por um metro e vinte. Você usaria?
Eu não.
Entendeu?
Inclusive, até já deixar claro que aqui, numa obra minha, eu não usaria argamassa C1.
Tá.
Já vou, que eu esqueci de registrar aqui.
Eu também não usaria.
Eu não usaria, tá.
Deixa ela existir, mas pra uso não se aplica muito mais hoje, de verdade, até.
É, mas usa por questão de economia.
Mas usa pra economia, enfim. E aí eu falei, olha, não tô aqui pra isso, vocês me perdoem se eu tô... Só que eu não consigo deixar de falar. Vocês vão usar essa argamassa nesse piso? Vamos. Vocês repararam que tá ali até um metro por um metro? Não sei porque tá até um metro por um metro, mas tá. E o piso de vocês é um metro e vinte por um metro e vinte? Falei, não, mas é tão pouco. E o vendedor disse que... Que pode, tudo bem. Falei, olha, eu não usaria. Parece algo simples, mas pode dar certo. mas se acontecer algum problema você vai chamar a indústria e ela vai vir aqui e de cara vai falar olha minha argamassa é um metro por um metro e aqui o piso tem um metro e vinte por um metro e vinte mas já tinha lá uns 40, 50 sacos de argamassa como muda naquele momento com o pedreiro tentando rasgar o primeiro para poder executar com prazo alguém comprou então normalmente vai aplicar um revestimento cerâmico tem que fazer uma consultoria ou tem que se pensar minimamente no todo. São esses detalhes que fazem a diferença. Entendeu, meu amigo?
Eu acho que o detalhe faz a diferença sempre. Eu acho que aquilo que a gente estava falando lá atrás, quando você tem essa preocupação, quando eu falo do detalhe, esse vendedor, ele está tendo ali, tudo bem, a melhor intenção. Agora, ele já se perguntou, peraí, se eu fosse morar nessa casa, será que eu usaria?
E tem que pensar em gestão de risco. E se der problema? Por isso que eu uso os três filtros. Eu trago o fabricante para perto. Porque eu sempre trago o fabricante para treinar mão de obra. Sempre trago o fabricante para poder orientar essas relações que nós temos.
Quero falar um pouquinho de pessoas agora. Você está falando de fabricante, de, enfim, das aplicações e por trás de tudo isso existem pessoas, tá? Eu já vivi algumas situações dentro de empresa mesmo, onde as pessoas só querem ali estar com o emprego dela, executando aquilo, enfim... Mas, no fundo, no fundo, eles não estão nem aí. Não tem, assim, preocupação zero para aquele produto, enfim. Ele fala, amanhã talvez eu não esteja mais nessa empresa. É triste ouvir isso, mas eu queria... Como que a gente trabalharia essa questão? Tudo bem quando eu falo de indústria, existe um CNPJ por trás, e aí eu não tenho cultura de trabalhar essa questão das pessoas, porque numa empresa eu entendo, como a maioria das pessoas entendem, que pessoas no início de tudo, depois vem todo o resto. Como que você vê isso aí no dia a dia? Existe realmente essa preocupação, principalmente numa indústria da construção civil, que é uma indústria tão... Muitas... Não generalizando, é importante, não generalizando aqui. Muitas vezes eu estou te pagando, vai lá e faz e tal. A gente está tendo ainda aquele olhar humano, onde, ó, vamos... Essa aplicação não dá para fazer hoje, por isso, por isso, por condição do sol. Como que você está vendo tudo isso?
Olha, eu sou entusiasta e talvez, no meio que a gente vive, eu tenha uma... uma fração diferente da sociedade como um todo, sabendo da realidade que se tem. Mas eu tô achando incrível as mudanças que têm acontecido. O pessoal, eu creio que as redes sociais trouxeram rostos para as empresas. Muitas empresas entenderam que precisam mostrar pessoas. Pessoas estão se apresentando. Então, eu não compro com a indústria tal, eu compro com o Josué.
Eu compro com o Josué.
Quando a gente tem pessoas, a gente vai ter falhas, a gente vai ter problemas. E aí, você me deu a melhor oportunidade, né? Você já colocou o gancho da Adepat. A Adepat veio com isso. Então, nós nos aproximamos, pessoas se aproximam, e cada uma na sua posição. Um é construtor, o outro é projetista, o outro é da indústria. E nós, então, trabalhamos em soluções proativas, em treinamentos, em crescimento, nos comprometemos uns com os outros, começamos a entender que cooperar é melhor que competir. que a competição é sadia quando tem uma cooperação por trás. Então isso faz com que comece a crescer. Eu acabo falando às vezes de algumas marcas, de algumas pessoas, de algumas situações, porque a nossa realidade, a gente vive com algumas situações, sabe? Até acho que a gente tem que estar perto de três tipos de pessoas.
Quais?
Primeiro tipo de pessoa. aquela que, primeiro você tem que ter o seu plano, né? Você tem que fazer o seu plano, o seu propósito de vida, paixão, propósito, aquilo que você quer, enfim. Depois disso, primeira pessoa, aquela que já tem o que você quer ter, tá? Não tô falando só de coisa, mas que já é, e não porque ela seja melhor que você, mas em algum momento da vida ela já trilhou um caminho que está à frente do teu. Por quê? Essa pessoa vai te inspirar, tá? Essa pessoa vai, pode te ajudar, mesmo distante, tem muitas pessoas que eu nem, não me conhecem, mas elas são minhas conselheiras, então aquela pessoa que está além de você, então ela sabe, ela já passou por o caminho que você está passando, então ela vai te inspirar, vai te dar suporte, vai te ajudar e vai ser ali uma inspiração para você. Ok, pessoas melhores do que a gente, a gente quer isso, claro que eu quero, eu estou aqui, eu tenho o nosso podcast, mas olha isso aqui, Olha, pô, você tá preocupado com o tom da luz. Isso aqui, pra mim, eu quero estar perto. Porque é inspiração. Você já passou por um caminho, eu vi alguns seus, era uma outra mesa. Hoje já tá diferente. Legal. Você já tá crescendo, tá evoluindo. Muito legal. Ou seja, eu quero estar perto aqui porque, poxa, ele já tá lá na frente. Então, eu quero chegar lá. Isso me inspira. Isso é ótimo. Só que a gente não pode ser só assim. Eu também tenho que estar do lado do segundo tipo de pessoa. Quem tá na mesma pegada que eu. Vivendo contemporaneamente no mesmo momento que eu. Ou seja, eu quero ser mestre. Eu quero estar perto do Marcos Gross, que fez mestrado no IPT e é a minha grande referência. Porque quando eu falo, Gross, está difícil, eu falo, não, mas dá certo. E como é que faz para escolher um tema? É assim. E no final, é legal. E fomos lá, pegamos aqui o diploma dele de mestre pelo IPT. Nossa, é a minha inspiração. Mas ele viveu isso já há alguns anos. É diferente agora. Eu tenho do meu lado o Jonathan, que trabalha comigo e nós fazemos juntos na mesma sala. Ou seja, é o segundo tipo de pessoa. Nós queremos a mesma coisa e estamos, no mesmo momento, batalhando por essa mesma coisa. Ah, mano, é energia.
Nós vamos entrar no mesmo buraco, nós.
Vamos sair juntos e vamos lá comer um xixi churrasco pra ir lá. Meu, nós temos que entregar o trabalho hoje. Não é legal?
É sensacional.
É esse clima.
Você sabe que eu tenho o Renan, que eu até falei o nome dele aqui durante o podcast. A gente sai às vezes assim, cara, a gente visita condomínios. Olha essa casa. O cara já imaginou a gente com 50 anos. Se ele me chamar de rei, né? E aí, cara, essa casa aqui é a sua. A minha tá aqui, ó. Tá ali, ó. Ah, faltou o meu rei, você tem um açúcar aí? Então a gente... Ah, vai numa concessionária...
Não vai parar, não! Tô querendo parar, desistir.
Não! Então a gente não tem essa vibe. Aí quando você fala de pessoas que te inspiram, né? Eu tenho o Ritinal do Bastos, que é uma mente, assim, parece que ele tem um chip na cabeça. Então eu tô com um desafio, e aí eu falo, não, calma, ó, que resposta eu dou pra esse meio?
Qual que lhe daria?
Não é? de maturidade, né? E você admira uma pessoa, na verdade, pela forma como você vê ela conduzindo as coisas. É sensacional.
Exato.
Eu falo que, nesse sentido, eu sou uma pessoa muito iluminada.
Privilegiada.
Privilegiada.
É, também.
Né? E eu quero estar perto de pessoas assim. E essas pessoas, elas podem me ligar a qualquer horário, a qualquer momento. Eu falo sempre, tenho tempo pra elas. Enfim, acho que...
Mas tem o terceiro tipo de pessoa.
Falamos dos dois, agora do terceiro.
Terceiro. Terceiro, tem uma pegada também, ou seja, precisamos estar perto de pessoas que estão atrás da gente, não no sentido de inferioridade, mas, no meu caso do mestrado, aquele que está cursando a engenharia e tem o sonho de ser um mestre. e eu tenho o sonho de começar o mestrado. Aquele que na jornada me vê como uma referência, como inspiração. Por dois motivos. Um, porque nós não estamos aqui só para sugar dos outros, né?
Sim.
Só para se inspirar, só para ter inspiração dos outros. Nós também temos o nosso papel de investir tempo ajudando as pessoas. Tá? Então, precisamos disso, dar suporte. Talvez você vai me aguentar perguntando sobre iluminação. Você aprendeu com alguém, mas você tem que suportar agora alguém que não sabe nada.
Você sabe que cada vez que eu ensino, eu aprendo muito mais.
Então, mas aí tem esse segundo ponto. Tem a parte de você doar pra sociedade, mas tem um ponto também importante. Você aprende mais, mas gera em nós gratidão. Porque a gente tem a mania de sempre querer mais e pode cair na besteira de reclamar da fase que você tá vivendo. O meu sonho era fazer mestrado. Eu tô cursando ele. E aí eu vejo o Grossi. Pô, o Grossi já tá no doutorado. Já escreveu três livros, um deles em inglês. Se eu não tomar cuidado, eu posso cair num pedacinho e dizer, poxa, eu tô só estudando mestrado. De repente, eu olho alguém que tá comigo e falo, pô, Felipe, meu sonho é estar estudando mestrado.
Não, mas é legal.
Aí você fala, caraca, é verdade, mano. Olha o que eu já conquistei, olha o que eu já tô vivendo. Então, isso gera gratidão, energia, pra eu dar suporte, pra eu chegar pro meu parceiro aqui e falar, mano, não vamos desistir, não. Vamos, tamo cansado, mas vamos que vamos. Imagina nós dois aqui, ó. O povo vai aguentar nós aí com o diploma na mão. E olhar lá pra frente pro cara falar, pode vir que o caminho é seguro.
Não, e ontem eu tava voltando de uma gravação por dentro da obra com a Gabi e a gente tava falando disso. Às vezes é bom a gente parar, olhar, fazer um review da vida. Olha quanta coisa a gente construiu, né? Às vezes a gente fica se cobrando. Ah, precisa melhorar essa iluminação. Ah, eu sou uma pessoa... muito exigente. Eu sou um eterno descontente. Eu tenho que trabalhar muito isso em mim, assim. Eu sempre acho que pode melhorar alguma coisa. Pode ser melhorado. E, às vezes, até notando isso... Uma vez eu tava conversando com a Gabi, ela... Porque eu acho que eu não tô rendendo igual eu tava antes. Eu, cara, olha... Calma, olha isso aqui. Olha isso que você tá fazendo. Olha isso. Olha esses cases, olha isso. Entende? Então... Essa atitude é boa, mas precisa avaliar e ser grato. E eu falo muito, né? Às vezes eu brinco com ela, falo, seja mais generosa com você.
Isso, pegue leve com você.
Pegue leve com você. Então, quando você se comprometeu, vou em tal lugar, vou em tal coisa, não cancela em cima da hora. Às vezes a gente faz isso, mas a gente não cancela. um compromisso com os outros, fica chateado quando cancelam alguma coisa em cima da hora, mas a gente acaba fazendo isso.
Exatamente.
Sempre com a gente.
Por isso, todo dia, a primeira coisa que eu faço quando eu abro o meu dia, primeira coisa, eu tenho, até no iPhone, eu coloco no bloco de notas, eu coloco lá diário, enfim, que eu anoto tudo lá, tenho o TKS dois pontos. É tanks inglês, eu sou um cara moderno. Muito jovem. É para escrever o motivo de gratidão do dia anterior. Porque nossa mente já tá... ela tá... enfervescente, né? Tá lá... Só que antes de eu começar meu dia, eu tenho que escrever pelo menos um... motivo de gratidão do dia anterior. Isso força a nossa mente a virar a chave pra olhar mais pra gratidão.
Essa coisa da positividade, né?
Gratidão. É uma pulseirinha da ADPAT, da Academia da Patologia. Então a gente põe, porque sempre quando eu aperto as coisas, eu olho pra essa pulseira e penso, começa pela gratidão.
Não, é legal. Quando as coisas não dão tão certo da forma como você esperava... Talvez eu falo, né? Eu acredito muito... Eu não sigo nenhuma religião, mas eu acredito muito em Deus. E às vezes tem coisas que é Deus colocando uma vírgula, ó. furou esse pneu, você tá indo numa reunião, tá tudo bem, era pra você parar, trocar, não ter problema.
Há tempo pra todas as coisas.
Há tempo pra todas as coisas. Então vamos, né, seguir com esse pensamento positivo e ver o lado bom das coisas.
Continuar o processo.
Tudo.
Só tem uma vida só. A gente cada um escolheu a sua profissão ou foi colocado nela e agora está lá. É o que sabe fazer. Eu não sei fazer outra coisa, não sei fazer pão, nem bolo de pote, nem naqueles de saquinho.
Mas se deixar, você aprende.
Mas bonitinho, mas tem que ser a receita bonitinha, te bate ali bonitinho.
Felipe, estava super bacana o nosso bate-papo, a gente falou de tantas coisas. Aqui a gente tem um quadro convidado com vida.
Certo.
E quem você gostaria de ver ou ouvir aqui no podcast?
Marcos Gross.
Marcos Gross.
Marcos Gross, ele é de outro mundo.
Então olha pra que ela convida ele e você tá responsável aí por fazer a ponte com ele e com a Gabriela.
Marcos Grossi, meu irmão, hoje... Eu escrevi uma música em tua homenagem. Depois eu conto pra você. Você sabe que eu te admiro muito. E esse lugar aqui vai ser um lugar que você vai poder mostrar todo o seu conhecimento técnico, compartilhar assim como você faz com a gente. Então te convido, te convoco, se vira. Você vai vir aqui também gravar com meus amigos do ConstruyCast. Tá convocado, meu irmão. Tamo junto.
Agora uma coisa que eu sempre gosto de perguntar, geralmente quando eu tô conversando com os funcionários, é... Fala cinco coisas, ou três, que você admira nele.
Nele? Ele é inteligente, tá? Ele é família, tá? Ele me aguenta. Pô, não é fácil, né? Ele é estudioso, aplicado. Aplicado bastante, tá? E ele é competente no que faz. Acho que é isso aí. Sabe ser um bom professor também.
Tá, e uma palavra que resume ele?
Resume ele? Mestre.
Mestre. É o cara que resolve.
Ah, ele é demais. Ele é mais novo do que eu. E certamente, no tempo dele, não que precise disso, mas será reconhecido como o principal engenheiro da área no Brasil.
E o que você quer deixar de legado aí? para as próximas gerações como resultado do que você vem construindo?
Olha, tem alguns. Eu sou muito ligado em legado. Eu prometi que não ia chorar hoje, então vou tentar. Mas o legado que eu deixo é o legado da família. Para mim família é tudo, irmão. Ontem eu assisti um filme com o meu filho, filme de comédia. E assim, eu sou formado em algumas séries, alguns filmes, né? O filme que eu gosto muito é do Poderoso Chefão. Tirando toda a parte máfia da história, né? A questão da família, pra mim, é crucial. E assistimos um filme ontem com o Albert De Niro, no Prime. Acho que é alguma coisa do pai, enfim, o pai e filho. Eu e o Gui, meu filho tem nove anos. E a gente ficou assistindo junto.
O meu também tem nove.
É?
Poxa, meu.
É louco. E tem uma filha de doze, a Manu. E aí o pessoal falou, o cara falou uma frase em italiano, assim, né? Falou assim, ó, tem uma frase em italiano e tal. Em italiano eu não sei falar, tá, Gabi? Mas ele falou assim, família não é uma coisa importante. Família é tudo. E eu olhei pro Gui e ele repetiu isso pra mim. Então assim, a Depart é uma família, tem a minha família, os amigos, é uma família escolhida, então eu vivo pela família. Então, pra mim, legado é legado de família, é legado de que é possível nós conquistarmos os nossos sonhos, que Deus nos abençoa, é possível as coisas, a nossa história mostra isso e a educação pode nos colocar em lugares que a gente não faz ideia.
Quantos aprendizados? Gente, você que ficou até o final, eu sei que foi bastante tempo, mas eu tenho certeza que valeu muito a pena. Suas considerações finais?
Minhas considerações finais é o seguinte. Primeiro, vou falar... Tem um link, depois põe um link. Tem um link aqui embaixo, não sou eu que pôs o negócio. Do que é a Depart, tá? Vai lá no Instagram da Depart. É uma comunidade de profissionais ligados à patologia das construções. Se quiser aprender mais, estudar mais, estar nesse universo conectado no Brasil inteiro, acompanha a gente, tá? Também no Instagram da Depart, é isso.
Todos os links aqui a gente vai colocar na descrição, sim.
Mas eu quero ver no meu coração aqui, falando de filhos, uma outra cena que a gente teve com o nosso filho. Meu, existe o tempo certo pras coisas acontecendo na nossa vida. E existe o tempo certo mesmo. Só que nós somos ansiosos. A gente pede e eu quero e quero agora, Paulo. Só que a gente tem as crenças, né? E a crença que eu tenho é num Deus que nos ama, mais do que a gente imagina e que tem um entendimento maior do que o nosso, assim como nós temos com nossos filhos. E eu vivi uma cena semana passada, meu amigo, que eu acho que aqui é o lugar pra gente expor dentro desse ambiente aqui, se você me permite.
Então bora, é claro, por favor.
Quando a gente pede uma coisa pra Deus, a gente recebe sim, não ou não houve nada. Não acontece nada. É o espera. E normalmente quando espera, é porque Deus tá trabalhando de alguma coisa muito maior. E às vezes a gente é ansioso, a gente não sabe o que vai acontecer. E a gente começa a querer agora, eu quero agora, eu quero agora, mas Deus sabe mais do que a gente. Então pode ser que muitas coisas que vocês já querem, já tá pronto, já tá embalado, já é de vocês. Deus só tá esperando o momento certo, porque há um momento certo. Exemplo, o Gui fez 9 anos agora, dia 10 de dezembro.
Dia 10 de dezembro, cara?
Não.
O Pedro faz dia 9 de dezembro.
Não. Essa não é brincadeira. 10 de dezembro.
Agora, curiosidade, vocês fazem aniversário quando?
16 de janeiro. Falei rápido e falei certo.
Eu acho.
Tô brincando. Eu sou prejudicado.
A minha fazia 7 de novembro.
7, então tá bom. E aí ele joga muito videogame, Play 4 e tal. E ele tá há muito tempo sonhando com Play 5. E a gente não, pô. Claro, aquela coisa tal. E ele é muito bonzinho, o coração é enorme, né? Ele não entende, então tá bom. Então ele deu uma baixada na bola de pedir, porque sabia que não ia vim. Como todo pai bobo e mãe boba, nos apertamos e a Pri foi lá no Black Friday, aí lascou, né? Não me empurra que eu já tô na beira. Na beira. Chegou lá, comprei. Comprou o Play 5. Vamos pensar aqui, vou por data, sem ser exato, mas só para vocês entenderem a cronologia. Comprou lá para o dia 7 de novembro. Chegou dia 15 de novembro. Ou seja, o meu filho estava desde o dia 15 de novembro jogando no quarto dele o Play 4, com um controle um pouco ruim, um esquema não tão legal, ele já querendo um outro, mas tudo bem. Com o coração dele voltado até um Playstation 5. E ele já tinha. já tava lá no meu quarto. Já tava embalado. Já era dele, Paulo. E se ele estivesse toda noite ali orando, eu incentivo ele, quer alguma coisa? Ora, planeja, economiza e tal. Ele tava olhando pra algo que já era dele. E eu como pai, ó, arrepia, 16 de novembro, o que eu queria fazer? Dar pra ele um videogame, mano!
Já tá lá!
Sabe, eu passava, ele via lá no controle, batendo, que já tava um pouco ruim e tal. Filho, tá aqui! Só que no meu coração veio. Tem o mesmo efeito? Eu entregar agora ou no dia 10 de dezembro, quando ele acordar?
Não, não tem. É outro efeito.
Se eu perguntar pra ele, ele vai querer antes. Só que Deus... Aí Deus colocou no meu coração assim, sabe? Veio aquele alento. Falou assim, tá vendo? Você é um pai. Você sabe que tem um momento certo. Que vai fazer melhor pra ele. Vai fazer total diferença pra ele, porque o dia dele, aniversário, é um dia mágico.
É, e a gente quebra um pouco aquela ansiedade, né?
É.
Porque, ah, eu quero as coisas acontecerem antes. Tem coisas que precisam acontecer antes, outras não.
E aí, veio no meu coração assim. Aguardamos a ansiedade. No dia 10, trollamos ele, porque eu sou o pai que trolla os meus filhos. Trollamos ele, deu o jogo do Homem-Aranha. Quando ele abriu, eu falei, pai, mas isso é do Play 5. Eu não tenho Play 5. E era o jogo que ele mais queria, que era o lançamento lá do... Aí eu falei, pô, Pri, você comprou errado, mano. Ela falou, não, pai, mas nem tem do Play 4 esse jogo, tranquilo. Falou, não, mas a gente troca e tal. Aí eu fui pegar a caixa e coloquei nele. Quando ele viu, falou, não, não, pode ser. Aí eu até gravei e tal. Aí quando eu rasguei a caixa, ele viu, sabe o que ele fez? Ele pôs a mão na boca, chorou e veio, abraçou a Pri e me abraçou. Ele não abraçou o Play Station.
Você vê que coisa incrível.
Ele não foi rasgar, falou, ah, tá, obrigado, sai daqui. Ele foi abraçar a gente. Cara, isso pra mim é contemplo, tá ligado? Então, o que que eu trago, meu coração? Às vezes, tudo que você tenha pedido, que eu tenha pedido... É, não aconteceu. Mas pode já estar embalado.
É, tenha paciência. Viva o processo.
Vai ter o momento certo. Enquanto isso, curta o processo. Enfim, eu poderia estar falando aqui no final sobre... Patologia. Construa melhor. Projete melhor. Também é importante. Leia a norma técnica. Contrate patologistas. Estude. Enfim, fique com o final que você preferir, Paulo.
Que sensacional. Olha, o legal é assim, eu assisto todos os episódios, tá? Todos os episódios. E não tenho dúvida que esse, com certeza, eu vou assistir pelo menos umas três vezes.
Fico muito feliz, meu amigo.
Que é muito bacana, acho que essa empolgação... Vamos marcar outros podcasts, você... Enfim, você não gosta que fale... Tá.
Convidado no Departamento de Podcast?
Vamos nessa! Você não gosta que fale de você, mas eu posso falar. Eu tô encantado com a sua energia e que eu tenha a sorte de trazer mais pessoas, assim, com essa energia que é sua aqui. Então... Repetindo, você que ficou até o final.
Do final, saideira da saideira.
Saideira da saideira. Falamos de filhos, falamos de vida, falamos de patologias, falamos de prevenção. Agora, ó, temos no final a música do Construy Cash. Olha a dica, ó. Fica ouvindo só o final. E no final do final, quem sabe você vai ter a possibilidade de ouvir a música completa do Constru e Cash, que vem para unir todo o setor de arquitetura, engenharia e construção. Só curte a música um pouquinho. Cada viga é tijolo Uma história pra contar Dos braços que levantam o mundo Sem ter margem pra errar Da fundação aos caminhos Da inovação e da união Construir queixa, arquitetura, engenharia e construção.
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