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Entrevista em português (podcast Constricast) com Hélio Fonseca — engenheiro mecânico, advogado e perito judicial — sobre perícias em veículos, máquinas e equipamentos (elevadores, escadas rolantes) e práticas relacionadas a seguros, oficinas e vistoria cautelar. O episódio traz experiências práticas, dicas para compradores e usuários (troca de óleo, garantia, documentação, escolha de concessionária, riscos de carros lançamentos e turbo) e considerações sobre formação e especialização profissional.
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Constra e creche, arquitetura, engenharia e construção. Sejam bem-vindos, está no ar mais um episódio do Constricast. Hoje eu vou conversar com um convidado super especial. Por que especial? A gente vai falar de perícia de automóvel, falar de perícia de elevador, de vários equipamentos do setor de construção, enfim. Então, por exemplo, escada rolante de shopping. Imagina, já pensou que existe perícia para esse tipo de situação? O convidado de hoje, ele é advogado engenheiro mecânico e, sobretudo, perito judicial. Hélio, seja bem-vindo ao nosso podcast.
Agradeço muito pelo convite e estou à disposição para aquilo que vocês quiserem tratar hoje.
Vamos lá. Para começar o nosso bate-papo, eu queria que você falasse um pouquinho da sua trajetória e como você chegou aí na nessa função de perito e, sobretudo, perito advogado, engenheiro mecânico. Eu queria que você falasse um pouquinho aí da sua... um pitch rápido até você chegar aí nessa experiência que você traz hoje.
Eu acho que todo sonho de quem... se forma engenharia mecânica, é trabalhar dentro de uma montadora. O cara que é engenharia mecânica, ele vê o veículo como a primeira coisa que existe. Eu fiz o meu estágio numa indústria de teares, não tinha nada a ver com a indústria automobilística, e depois disso eu fui trabalhar na antiga CMTC, que cuidava de ônibus. Naquela época, o meu gerente falou assim, olha, nós precisamos fazer análise estrutural e mecânica em ônibus. Você gostaria de fazer isso? Eu falei, claro, lógico. Eu comecei a entrar nisso e logo no primeiro ano apareceu uma perícia para fazer em 360 ônibus em Santo André. ônibus que estavam degradados, deteriorados, e eu criei uma forma para não ter que me valer simplesmente do que tinha no mercado, eu criei formas de avaliar componentes, estado de componentes desses ônibus, para que eu tivesse uma noção correta disso. Por acaso, uma pessoa que estava participando dessa análise tinha acabado de ganhar a eleição para presidente do IBAP São Paulo. O Paulo Magri falou bastante do IBAP, que ele é vice-presidente agora.
Inclusive, você, Hélio Fonseca, é convidado do Paulo Magri, do convidado, convida aqui do Country Cash, que já vai preparando o seu.
Fico muito feliz dele ter feito isso. Então, o caminho foi esse. Naquela época, eu tinha uma pessoa que tinha acabado de ganhar a eleição para presidente do IBAP São Paulo. Ele gostou muito da forma que eu estava fazendo a avaliação, a perícia, e ele falou assim, você não quer fazer uma palestra no IBAP sobre esse assunto? Eu falei assim, bom, primeiro, eu não sei o que é o IBAP, eu não sei o que é. Ele falou, é o Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia, eu acabei de ganhar a eleição, estou te convidando para fazer uma palestra. Tá bom, eu fiz uma palestra, todo mundo gostou do assunto, porque normalmente o IBAP, a maior quantidade é de engenheiros civis. Todo mundo achou alguma coisa diferente. Por sorte, na plateia eu tinha um juiz do Fórum de São Miguel Paulista. No dia seguinte da minha palestra, eu recebi um telefonema da diretora do cartório. chouade, chabude, alguma coisa assim, quer falar com você. Tá bom, eu fui até lá, não tenho nenhum perito na área mecânica, preciso urgentemente de alguém que entenda de veículos como você e eu vou começar a identificar você nos processos. Você aceita? Aceito. E aí começou. Isso lá em 1988. Começou tudo isso. E aí foram aparecendo casos, eu fui me especializando, fui melhorando, lógico. Porque eu acho que é importante, e uma das coisas que a gente não fala muito, mas é muito importante, a gente sai da faculdade de engenheiro, mas o engenheiro teórico, e a gente precisa buscar muito a especialização. E foi o que eu fiz. Ao longo da minha carreira toda, até hoje, Eu prezo muito, tanto como advogado e como engenheiro, da especialização e do conhecimento de novas tecnologias. A área automobilística principalmente é farta em novas tecnologias.
Toda hora está lançando um veículo novo, toda hora está nas próprias máquinas e equipamentos de construção civil, toda hora é um novo lançamento, uma nova tecnologia e por isso a importância de fato de estar se especializando.
Com isso a gente também tem que deixar claro que nós estamos, mesmo a tecnologia desenvolvendo tanto, nós temos mais potencial do que aquilo que aparece no mercado. Então a gente tem que estar aqui, se especializando, já pensando no próximo passo, naquilo que vem de novidade. E não esperar a novidade chegar, como é o caso dos carros elétricos. Muita gente está esperando ter carros elétricos no mercado para se especializar. Não pode ser assim. A gente tem que ir atrás antes que as coisas apareçam em um nível maior.
É, você tem que se antecipar. Ô Helio, e uma coisa que é muito importante que eu não falei aqui no início da sua apresentação, esse episódio, você que está buscando, está querendo trocar de carro, está querendo comprar um carro, que já tem um carro, não compre ainda antes de assistir este episódio e você vai se surpreender com algumas conversas que teremos aqui sobre tipos de câmbio, Tive um problema no câmbio. Como funciona aquele processo de conversa que a pessoa está tendo com a concessionária, até da garantia? Como funciona a troca de um óleo? O que eu devo me atentar durante a troca de óleo? O que é funcional, por exemplo? Que tipo de carro eu devo escolher se eu gosto de potência? Eu escolho um carro com turbo? Não. O que é vantajoso ter um carro com turbo? O que não é? Então vai ser um bate-papo bem bacana nesse sentido. Agora, o que faz um perito judicial em automóveis? Eu posso estender esses automóveis para máquinas e equipamentos?
Pode, pode. É exatamente a mesma forma. Alguém se sentiu lesado com algum problema num veículo, numa máquina, num equipamento, e ele entra na justiça. Aí o advogado vai fazer lá o tipo de ação que ele pretende e se pretende provar alguma coisa através de uma perícia específica daquele problema que ele teve. É óbvio que o juiz não tem conhecimento técnico para isso. Então ele chama um perito que a gente chama de perito judicial para que faça análise desse caso. Então, nessa análise, o juiz pergunta para as partes, normalmente duas, o que eles querem que seja apresentado pelo perito. Como que eles fazem isso? Através da elaboração de quesitos que devem ser respondidos pelo perito. Primeiro, eles passam por um crivo do juiz, porque, de repente, o quesito, a pergunta, não tem nada a ver com o assunto, E é só para dar robustez à petição ou ao processo que está ocorrendo. Uma vez que o juiz determina que aquilo está correto, ele chamando o perito, ele convida o perito do rol, hoje nós temos pela legislação, antigamente se falava, é o conhecido do juiz. Hoje não, hoje eu tenho um hall no Tribunal de Justiça de pessoas habilitadas que são comprovadamente conhecedoras do assunto de onde o juiz vai escolher o perito para atuar naquele caso. Por exemplo, não adianta ser engenheiro mecânico e não tem especialidade em máquinas e equipamentos ou não tem especialidade em veículos. Então ele vai buscar dentro do hall que ele tem um perito que possa atuar naquele caso porque tem conhecimento comprovado através do registro no conselho, através de um currículo de experiência para que possa fazer. Uma vez que o perito aceite fazer esse trabalho, ele vincula um orçamento de honorários, de quanto seria o custo para fazer aquilo. É aberto para as partes, para quê? digam sobre o perito. Segundo, se tem quesitos a apresentar para o perito ou se tem alguma outra coisa e escolher um assistente técnico. O perito é escolhido pelo juiz, o assistente técnico é escolhido pela parte. No frigir dos ovos eles têm a mesma função, que é analisar o caso, só que cada um É óbvio que o perito do juiz tem o conhecimento, está comprovado. O assistente técnico, não. Por exemplo, não precisa ser um engenheiro mecânico para atuar em um caso de veículos. Pode ser o mecânico de confiança da parte. Porque o assistente técnico não está vinculado a ser registrado no conselho como perito. A partir daí o perito marca, o que a gente chama de diligência, para fazer a verificação. Convoca as partes, porque obrigatoriamente ele tem que convocar as partes para que participem. Não é obrigatória a participação das duas partes, mas o perito tem a obrigação de divulgar. A perícia vai ser feita em tal lugar, em tal dia, tal horário. Como pareça.
Bacana. Esse episódio é um oferecimento produtora Infinite Plus, que é especializada em produção audiovisual para indústria, arquitetura, engenharia e construção. Agora, nessa questão de perícia, Hélio, eu entendo que, como foi falado aqui pelo Paulo, a experiência do perito conta muito. Por exemplo, imagina uma situação, eu comprei um veículo e esse carro, por alguma razão, incendiou. do nada, às vezes eu não tenho provas ali o que causou. Numa situação como essa, como funciona essa perícia, né? Porque eu não tenho mais provas ali daquele, do ocorrido.
Bom, duas coisas são importantes dizer. A perícia pode ser realizada de forma direta, quando ainda tem a preservação do equipamento, do veículo para ser analisado, mesmo que tenha sido incendiado, e de forma indireta. De forma indireta é quando eu não tenho mais o bem, o que eu faço? Analiso documentos. Então, por exemplo, um incêndio, ele estava coberto por seguro? Se estava coberto por seguro, o seguro vai emitir um parecer do que aconteceu, para pagar ou não a indenização. Vou ter também um boletim de ocorrência, que vai me dizer alguma coisa, nem sempre é muito, mas me mostra alguma coisa, e uma perícia do Instituto de Criminalística, de quem possa fazer isso. Se eu tiver isso documentado com fotos e coisa assim, é possível fazer a perícia indireta? Sim. Desde que eu tenha dados nesses documentos que estão inseridos nos autos, eu tenha dados para chegar a alguma conclusão. Ou, pelo menos, identificar a causa mais provável do que tenha acontecido. Mas é possível, sim.
Entendi. E até já você me chamou a atenção agora para um ponto. Quando acontece algum sinistro com o veículo ali, eu preciso acionar o seguro. Geralmente, a parte do seguro, ele tem um perito para atuar naquele caso. E na maioria dessas situações, a pessoa, ou seja, o proprietário desse veículo, ele não tem um perito da parte dele. Então, ele fica muito, a Mercélio, muito na mão da seguradora. Como que funciona isso e que dica você Hélio, dá para aquele cara, para aquela pessoa que teve ali o bem roubado, enfim, ou que aconteceu a ocorrência.
Nesse caso, não é uma perícia judicial, é uma perícia do seguro. Então, o seguro, hoje mais do que nunca, ele vai tentar verificar se não foi uma fraude. Então ele vai analisar. A diferença é que no passado a seguradora tinha pessoas do caste dela interno que faziam essa perícia, ou seja, engenheiros, pessoas. Hoje não, hoje é feito por uma terceirizada. Eles contratam uma pessoa terceirizada e essa pessoa tem que fazer Diversas análises durante o dia, durante um dia de trabalho. Provavelmente a resposta não seja tão boa. Mas qual é a dica que eu dou para quem vai fazer esse tipo de coisa? O que dá perda total é mais tranquilo. Perda total, devolve o valor lá, tabela FIP, acabou. O que acontece mais e hoje acaba se transformando numa perícia judicial é, bati o carro, levei para a oficina da seguradora que é credenciada, a análise da seguradora é o seguinte, dá para recuperar. Por melhor que seja a empresa que vai fazer a recuperação nesse veículo, nunca mais ele volta à condição original. Uma coisa que acontece com muita frequência. Você bateu de frente, afetou a longarina. Tem que cortar a longarina, em alguns casos até tentam desentortar com um equipamento chamado ciborgue ou coisa assim, o que não vejo com bons olhos. Mas eu tenho que trocar uma parte da longarina. Eu tenho que cortar e depois aplicar uma solda. Eu tenho gabarito pra fazer exatamente como foi feito na fábrica, pra ficar absolutamente reto. Eu tenho pessoas que sabem fazer a solda, que sabem fazer o trabalho e coisa assim. E aí a seguradora, depois de terminar esse trabalho, que em alguns casos eu tenho dúvidas se a qualidade foi boa, vai alguém e libera por fotografia.
Nossa, por fotografia.
Não vai pessoalmente como antigamente. Você me manda as fotos, oficina, me manda as fotos, eu vou analisar, se tiver ok, libera o carro. Isso acontece.
Mas eu não tenho nenhum teste ali, por exemplo, que eu consiga comprovar a qualidade daquela solda, por exemplo.
Dentro da oficina?
Sim.
Não.
Eu tenho que confiar naquele fornecedor que está fornecendo aquele serviço.
É, eu entendo assim, a seguradora credenciou uma oficina, ela tem a qualidade para fazer o serviço para a seguradora. Isso era o que eu pensava no passado.
Bacana, então a gente vai falar um pouquinho sobre isso, inclusive depois, assim, vocês vão entender esse meu questionamento, quando a gente for falar da parte de troca de óleo, de filtro de óleo, então só, já estou criando aqui essa provocação, vocês vão entender lá na frente.
Eu vou ter isso, né? Eu vou ter um carro que foi montado e uma vez que eu não tinha um gabarito pra fazer, eu montei a primeira peça fora de posição, todas as outras vão ficar fora também, porque eu vou tentar seguir a inicial e não vai ficar legal. Eu pego esse carro, não conheço muito bem, eu sou leigo, eu gosto de carro, mas sou leigo em estrutura ou coisa assim, eu pego o carro e ando um ano, dois anos e aí me dá vontade de trocar por um outro. Eu vou até uma concessionária ou até uma loja para fazer a troca ou para vender meu carro. 100% das empresas, e até os particulares hoje, falam assim, vamos fazer uma vistoria cautelar para ver se o carro está íntegro. E na vistoria cautelar, que também é um engodo, porque ela não tem um procedimento técnico, ela não é credenciada junto a organismo nenhum, e em alguns casos não tem sequer o profissional habilitado para fazer essa análise. Mas ele vai lá e analisa e olha que foi trocada a longarina, uma parte da longarina. E ele vai lá e reprova o carro.
Ele faz lá um... Sem critério.
Sem critério. Sem um critério definido. Tem alguns, tem mais, outros tem menos, mas não tem um procedimento, não tem um critério. Cada um utiliza o seu. Ele vai lá e analisa o carro e... Reprovado. Pô, carro reprovado, você volta na concessionária pra trocar, a concessionária fala, eu não compro esse carro. Ou eu compro com 50% a menos do que tá no mercado porque ele já foi batido e coisa assim. Você, que é o dono do carro, tá confiando no seguinte. Quando bateu meu carro, eu submeti a uma análise da seguradora. Seguradora falou pra mim, não é perda total, que tem os critérios de valor, de mercado, não é perda total, então dá pra reparar. Me envia pra uma empresa que é credenciada por ela, então eu tô entendendo que serviço de boa qualidade. É feito o serviço. Eu não consigo vender esse carro num valor de mercado mais, ele não tem originalidade, Ou eu vendo por um valor menor ou vou entrar na justiça contra quem? Então a maioria dos casos, a maioria dos casos que acontece isso. vira uma ação judicial.
E esse ponto que você trouxe é importante porque muitas vezes, tudo bem, eu até confiei ali na minha seguradora, fiquei de repente, fiquei com o carro naquela situação, ele não tá mais original, mas a seguradora tá me garantindo que opa, legal, tá bacana, tá bom, eu confiei naquele serviço prestado pelo fornecedor da seguradora, né, que tá credenciado ali, tudo bem. Só que depois, daqui um ano, dois anos, três anos, enfim, ou quatro, eu vou passar esse carro pra frente e aí vem a surpresa. Exatamente. Ou seja, quem vai pagar essa diferença? Porque se aquela concessionária está comprando meu carro por 50% do valor, que ele vale de fato de mercado, quem vai pagar esses 50%? A seguradora? Ou eu fico com prejuízo? Então, por isso que acontece a ação judicial.
Exatamente. Porque você foi pego de surpresa ao tentar trocar o teu carro, vender o teu carro. E o que acontece? Quem vai pagar essa diferença? 99% das ações que vão pra justiça contra a seguradora.
Contra a seguradora?
Contra a seguradora. Porque eu confiei que o trabalho ia ser de boa qualidade e que o carro era seguro. Não vamos entrar no aspecto de segurança, porque não dá pra fazer uma análise de segurança sem fazer os testes de laboratório. Não quero dizer se estava seguro ou não, mas esteticamente ficaram marcas. E é normal. Se você bater um carro, o para-choque trocar um para-choque, quem entende vai falar, trocou o para-choque.
Eu confesso que, assim, quando eu vou comprar um carro, eu, Paulo, tá? Eu não ligo pra isso, entenda? Se eu tô comprando um carro usado, eu entendo que, assim, que faz parte, né? Você ter ali algumas marcas de uso.
Pequenas marcas.
Pequenas marcas, né? Assim, porque o carro, assim, esteticamente, ele tá bonito. A gente vai conversar agora, daqui a pouco, sobre o que que eu... olho quando vou comprar um carro, né? Tem gente que olha uma coisa, tem gente que olha outra, enfim. Então, nesse sentido, tem gente que se apega, não, se eu tiver um risquinho ali no para-choque, ah, esse para-choque já foi pintado, não, não vou comprar esse carro, né?
Então... Então você tem uma forma de pensar que seria conveniente ter. Então, mas nesse caso, não. A pessoa se vê ali com um prejuízo de 50%. Vou cobrar a seguradora.
É que dependendo do veículo, é um valor considerável, né?
É. Vou cobrar a seguradora. Ele entra contra a seguradora. Na minha forma de pensar, entraria contra duas entidades. A seguradora, quem fez o serviço, talvez até três. Quem fez o serviço e quem fez a vistoria cautelar.
Mas a gente tem esse histórico? Essa documentação, sim?
Sim. Todo caso que você atende... Por exemplo, concessionário fala assim, faça uma vistoria cautelar. Você leva e você vai receber o laudo. Seu do laudo. Do que ele encontrou. Tem lá quem fez.
Perito?
É, perito não, não tem perito isso.
Não tem perito.
Isso aí é um funcionário que faz.
Entendi, faz a vistoria cautelar.
Não tem um procedimento, não tem nada, não tem regulamento, não tem nada.
Só um adendo. Quando falou dessa vistoria cautelar, na verdade, é aquela pessoa que aprovou o serviço dessa dessa empresa credenciada pela seguradora.
Não, não, não. Depois de terminado o trabalho na empresa credenciada, quem dá o parecer favorável é a seguradora através desse perito que veio através de fórmulas.
Entendi. Então, mas por que que esse vistoriador, essa pessoa que fez essa vistoria, entra também nesse processo?
Porque você está reprovando o meu carro. Vamos lá, depois de três anos.
Só que assim, depois de três anos, só que a coisa aconteceu lá atrás.
Tá bom, mas a primeira coisa que eu penso, está reprovando o meu carro. Quando você coloca no sistema que você reprovou o meu carro, todo mundo está vendo.
Ah, isso fica registrado.
Fica registrado e eu não consigo mais sair dessa situação. Primeira pergunta, essa empresa que fez, tem procedimento para fazer? Está credenciada para fazer? Não. Tanto é que eles escrevem ao final desse documento, que alguns chamam de laudo, é que esse parecer não tem nenhuma notoriedade jurídica. Simplesmente eu estou te falando sobre isso. Não tem nada técnico comprovável. É uma opinião. Então, veja, eu, no caso de entrar com uma ação, entraria, primeiro, contra quem fez a vistoria cautelar, segundo, contra a seguradora que disse que o carro tinha condição de fazer, e terceiro, contra quem fez. Porque se ele não fez um bom trabalho, e é isso que a gente vê depois na perícia, então vamos dar uma acelerada nisso, e entrou numa ação judicial e veio para o L fazer a perícia. É um caso exatamente desse. E eu vou chamar as partes que estiverem lá, normalmente é só a seguradora e o dono do veículo, e eu como perito para fazer a perícia. O que eu vou analisar? Primeira coisa que eu vejo. Era possível trocar aquela parte da longarina? A resposta, sempre. Sempre. Sim, era possível. Por quê? A montadora vende essa parte da longarina pra ser substituída. Portanto, é possível. Então a primeira parte eu eliminei. Segunda parte, a empresa que fez o trabalho tinha condições técnicas de fazer isso? Eu vou perguntar, você tem uma mesa pra você fazer o alinhamento do veículo, você tem gabarito pra poder fazer as soldas no lugar certo, Você tem um soldador qualificado, você usa a solda correta, você faz tudo isso e no final você testa? Se eu te falar que de cada 100 que eu faço eu encontro 99 que não tem nada disso? Tudo isso, às vezes, não usa da forma correta.
Mas por questão de economia?
Por questão de economia, por agilidade do trabalho, porque, normalmente, uma empresa que faz esse reparo, ela consegue fazer cinco carros por semana, mas ela tem no pátio dela 40. porque a seguradora manda, ela não quer perder, então ela vai atrasando o trabalho ou vai fazendo de uma forma, não vou dizer que está totalmente errado, mas é uma forma que não é totalmente correta. Então a segunda etapa é eu analisar para ver se eu tenho capacitação da empresa, dos funcionários, se tem o procedimento de como fazer, porque você pega, por exemplo, o que eu me lembro com mais frequência que encontra, a Honda, manda pra todos os concessionários dela a forma de fazer qualquer tipo de corte numa longarina, qual a forma de soldar, que gabarito usar e coisa assim. É raríssimo você ver isso em qualquer outra oficina.
Entendi.
E mesmo na Ronda, às vezes, você vê algumas que não... Mesmo tendo esse documento, não se utilizam dele. Eu vou ver isso. Passado, ver se tem tudo isso, eu vou ver. Mesmo sem ter o serviço foi bem feito, Não estou dizendo o que devia ou não devia fazer. Foi bem feito? Não foi bem feito. Vai provocar uma insegurança no outro choque? Vai. Se eu tiver qualquer componente da estrutura do veículo fora da posição e mal soldado, quando eu tiver um choque a resistência é muito menor.
Interessante esse ponto que você falou e eu queria até voltar um pouquinho aqui e falar da questão do laudo, né? Porque assim, bom, eu gosto de às vezes até trocar de carro a cada X tempo, né? E agora a gente tem essas questões aí do laudo e eu queria ouvir.
De você... Da vistoria cautelar.
Vistoria cautelar, né? Chamam de laudo cautelar?
É, erroneamente, mas chamam.
É, e aí assim, eu tinha um entendimento que aquilo ali, que aquelas empresas, elas eram ali credenciadas, existia um critério, ou seja, você tinha um gabarito ali, ou seja, uma padronização de critérios para chegar naquela decisão de, ah, esse carro passou por tal coisa, aí eu... Já aconteceu comigo, tá? Eu fui trocar, a última vez que eu fui trocar, eu fui comprar um carro para minha esposa, aí eu cheguei com o meu carro, estava com o carro super conservado, E aí esse cara, ele entendeu que tal item lá já tinha acontecido uma ocorrência, ele simplesmente pegou falando em valores. Na troca desse meu carro, ele falou, aconteceu tal coisa aqui, o gerente da concessionária conversou ali com ele e tal, ele veio pra mim e falou, ó, a gente vai ter que diminuir o valor aqui de seis mil reais. nessa troca. Eu falei, não, mas por quê? A gente já fechou o negócio, já estava tudo certo. Eu fiquei rodando com o meu carro um mês. Falei, por que você não falou isso antes da gente fechar o contrato, assinar tudo, sem falar agora, quando eu estou trazendo o carro, você faz essa vistoria aí e tal? Não faz sentido. Então, vamos desfazer o negócio. Beleza. Não, mas aí já tá tudo assinado. Eu falei, tudo bem, já tá tudo assinado e eu vou perder seis mil reais agora. Assim, eu vou ter que te dar mais seis mil reais no negócio. Enfim, aí beleza. Ah não, calma aí, eu vou lá conversar com o dono da concessionária, não sei, foi conversar com alguém. Aí voltou, ó Paulo, então não, faz o seguinte, eu consegui conversar lá e tal. Desses seis, você dá só três e tá resolvido o problema. Fui bem direto, falei assim ó, ou é da forma que foi acordado antes, ou não tem negociação, tá? Virei as costas e falei, não, não, não, calma aí, se eu tentar de novo. Fui lá, beleza, batei o martelo. Então, naquele momento eu tava, assim, pelo menos o que eu entendi é que eles ficavam conversando entre si, para tentar, de alguma forma, tirar dinheiro de mim. Tirar alguma grana de mim, eu não sei. Posso estar enganado. Aconteceu situações aí parecidas até com a mãe de uma funcionária minha que a gente estava conversando e ela acabou pagando um valor adicional, não sei porquê. Mas são situações que eu quero tratar aqui porque acontece muito. Eu tenho certeza, você que está ouvindo esse podcast ou que está assistindo, por qualquer plataforma, comente se já aconteceu com você e se você já conhece, ou seja, se você conhece alguma situação com amigos, enfim, colegas. Então, o que você tem a dizer sobre isso?
Então, vamos lá. O documento que sai, que eles falam laudo cautelar, não é laudo coisa nenhuma. Ele não é baseado... Não é laudo. Não. Ele não tem valor nenhum como laudo. A empresa não é credenciada em lugar nenhum, mas eles se utilizam, normalmente essas empresas também fazem a vistoria de transferência para o DETRAN. Então ela é credenciada pelo DETRAN para a vistoria de transferência, que não tem nada a ver com a vistoria cautelar. Então eles se usam, eles usam esse título, sou credenciado. No DETRAN, que é uma outra coisa, não tem nada a ver. Então, para a vistoria cautelar não é credenciado, não tem nenhuma regra que combine tudo isso, não é obrigatório ter um funcionário que tenha uma experiência X, Y ou Z. Como é que surgiu a vistoria cautelar? Normalmente, antigamente, as empresas de compra e venda de veículos, inclusive concessionárias, já tinham um funcionário interno que fazia uma vistoria no teu carro, superficial, olha, tá amassado aqui, tá não sei o que, tem que tirar. Eles descobriram que eu mando pra essa empresa E ela me manda o retorno. Tem partes boas da vistoria cautelar? Tem. A primeira, é um veículo furtado? É um veículo que tem o chassi adulterado? Essa é a parte boa. Foi vendido em leilão ou não? Mas a parte técnica de verificação do veículo, não tem nenhum procedimento que avalize isso. Não tem. Então, foi criada essa vistoria cautelar que, no fundo, ajuda o comprador e o vendedor do carro. Porque ele tem ali na mão alguma forma de reduzir o preço do teu carro, do valor do teu carro que vai entrar, ou numa venda ou numa troca. Então ele tem isso, foi o que aconteceu com você. Esse carro não estava reprovado?
Não, não estava.
Não estava reprovado, mas ele encontrou algumas coisas, por exemplo, um amassadinho, uma troca de paralama, ou coisa assim, e ele colocou. É uma carta na manga de quem tá comprando teu carro ou trocando.
E o que eu queria chamar a atenção pra isso? Eu percebi que eles trabalham muito a questão emocional. Porque a partir do momento que eu tô comprando um veículo, um automóvel, eu tô naquela empolgação. No meu caso, não acontece, porque assim, eu sou a pessoa do ser. O ter, pra mim, é uma consequência. Então, assim... Ah, eu vou comprar um carro, já passei aquela fase de assim... Primeiro, não é meu primeiro veículo. Não é meu segundo. Então, hoje eu tenho essa percepção, que eu tiro a emoção de lado. Eu estou comprando um carro ali para... Estou trocando e tal, mas se não der certo, não tem problema. Eu espero mais seis meses, um ano, vou continuar com aquele carro.
É como eu faço.
Porque carro para mim é assim, um Fusca ou um carro, sei lá, ano 99, se ele estiver em boas condições.
Te leve onde você quer.
E me leve onde eu quiser.
É o que eu penso também.
Não importa, eu vou fazer um investimento aí. de centenas de reais num carro que vai me levar no mesmo lugar, mas se dá conforto. Peraí, mas... Conforto pra me deslocar de um lugar ou fazer uma viagem a cada, sei lá... três vezes no ano ou duas vezes no ano. Então, assim, eu tenho alguns critérios. Por essa razão, eu falei, ah, não quero. Tá aqui. E não caí, eu entendi, tá? Desculpa o meu termo. Eu entendi que aquilo ali era um golpe emocional.
Exatamente. É uma estratégia, que eu acho errado, é uma estratégia, porque você tá ali naquele afano de quero carro zero. Já tá tudo certo. Se eu te falar em seis, dez mil reais de diferença, Não, você vai acabar aceitando. E se você não aceitar, ele vai acabar mudando, porque aquele carro não tem nada que comprometa. É estético, é uma coisa muito simples. Quando ele der o banho de loja pra revender esse carro, não vai nem aparecer. Mas é isso que acontece. A vistoria cautelar não tem nenhum regulamento. Seria bom que se tivesse, se fosse credenciada e coisa assim, seria bom. E o critério é mais ou menos assim. Eu faço a vistoria e digo que está reprovado. Você faz a vistoria em outra, em outra empresa, aí ele vai dizer que não, que não está reprovado. Mas ele vai colocar uma observação. Então, isso acaba matando. E vai pra ação judicial. E vai lá o perito... E aí.
Acontece aquela discordância toda.
Sim.
Agora eu queria trazer aqui um ponto importante pra você que está me ouvindo, assistindo, enfim. Na hora de eu comprar um carro, quais são os pontos que eu preciso me atentar?
Primeira coisa que você tem que fazer, não pode comprar por estética. Você tem que saber para que eu quero o meu veículo. pra usar na cidade, pra viajar, quantas pessoas vão estar nesse carro, eu gosto de fazer ultrapassagens ou não gosto de fazer ultrapassagens, eu preciso de porta-mala, tudo isso tem que entrar numa conta. Ah, é importante também se falar assim, eu tenho que fazer seguro do carro. Se eu pegar um carro que o seguro é alto porque o ladrão também gosta, isso vai me custar. A rede de concessionários é muito importante.
A rede também?
Exatamente. Você vai comprar um carro determinada marca. E você não tem nenhuma concessionária numa abrangência razoável do teu trabalho ou da tua residência. Você vai ter que se deslocar. Tomara que seja só para levar e trazer o carro, mas você pode levar o carro, trazer e o problema não está resolvido. Você tem que levar de volta. Você tem que saber, a rede de concessionários, a reputação não da marca só, mas do modelo, tá? E aí vai um conselho, eu vou aproveitar e fazer um conselho, eu vou dar um conselho.
É dica constricash.
É, nunca, nunca, em nenhuma forma, compre qualquer veículo no ano de lançamento.
Tá. Eu tenho uma pergunta depois sobre isso, é um caso que aconteceu comigo, depois eu vou te contar.
Por quê? Antigamente, você entra a prancheta do desenho do veículo e ele está, depois de testado no campo, você ter esse carro disponível numa concessionária, demorava em média cinco anos.
Cinco anos? No período de teste? Pra lançar?
Entre você fazer o desenho, montar o protótipo, fazer todos os testes, desenvolver fornecedores para aquelas peças que não é tão simples assim. Quando tiver tudo ok, lança o veículo. Em média, cinco anos, na década de 70, por exemplo. Hoje, se uma empresa fizer isso, demorar esse tempo, o concorrente simplesmente lança um modelo parecido com o dele em menos tempo e ganha o mercado. Então hoje eu tenho esse grande problema, eu tenho que reduzir o meu tempo entre eu ter um projeto e vender o carro. Muito provavelmente você vai ser um laboratório para a empresa. Os problemas que acontecerem com o veículo naquele primeiro ano, ela vai corrigir para os próximos. Talvez nem todos, mas vai tentar corrigir. E você vai estar constantemente tentando resolver um problema. Pode ser um problema de menor poder, mas pode ser um problema no motor, de consumo de óleo ou coisa assim. Então, nunca, isso é dica. Nunca compre um carro no ano de lançamento, no primeiro ano. Nunca.
Tem até um ponto importante que eu queria chamar a atenção aqui, pra gente começar até agora a falar dessa questão de garantia e tudo mais, né? Quando você tem um problema geralmente aí vindo de um veículo que você comprou de lançamento, que é o caso que eu vou citar agora. Eu tenho um colega, ele comprou um carro de lançamento de uma marca nacional, muito conhecida, daí lançaram um carro, um sedã, estética assim, linda, já tinha um carro hatch, e lançaram ali o irmão, né, que a gente chama de irmão...
Na mesma plataforma.
Na mesma plataforma. Enfim, aí fui lá com ele, escolhi o carro, lindo, maravilhoso, beleza, veio todo feliz. Ficou seis meses esperando esse carro chegar. Enfim, quando chega, beleza, veio, pegou o carro, veio andando e tal, tal, tal, aquela coisa toda, todo feliz. Depois de três semanas, ele tava indo num cliente e esse carro para na rua. Beleza, chama o guincho, a consistência do todo, suporte, bacana, foi atendido, pegou carro reserva, ficou sete dias ali com carro reserva, ligaram pra ele, então assim, só que detalhe, eu vou resumir, ele ficou nesse vai e volta pra tentar descobrir o problema durante toda a garantia que na época era três anos. Resumindo, eles não resolviam. Depois da garantia, assim, uma semana depois, eles ligaram. Resolvemos lá, descobrimos o que era. Você vai ter que trocar seu câmbio. Enfim. Eu queria entender de você como que funciona numa situação dessa. Isso não aconteceu só com esse meu amigo. Aconteceu também com uma outra amiga de um carro importado também, muito caro. E essa brincadeira para ela trocar o câmbio dela ficou em 70 mil reais. Só que também descobriram quando venceu a garantia.
Não, na realidade eles não descobriram quando... Sim! Eles tinham um problema e eles tinham paliativos porque ou a fábrica não tinha solução definitiva ainda ou essa solução era muito cara. Então vamos tentar... Resolver de forma paliativa, aí você vai e volta. Esse é um dos problemas de quem compra carro no primeiro ano. Você começa, leva, traz, você vai ser o laboratório para que se tenha uma solução técnica para aquele problema. Mas nesse caso, fica claro que não tem solução ou não tem capacidade técnica para resolver, vai se levando. Agora, quando chega depois da garantia, se você tiver toda a documentação, de que o carro vai... porque isso também é uma dica, hein? Toda vez que você levar um carro numa concessionária ou numa oficina qualquer, tem que ter uma ordem de serviço. E, obrigatoriamente, por lei, eles têm que te dar uma cópia daquilo que você reclamou e do que está escrito que eles constataram. pra você ter aí um histórico, pra chegar lá no final, quando ele fala assim, acabou a garantia, agora eu tenho a solução, precisa trocar o câmbio. O que você fez das outras vezes? O problema era recorrente? Eu reclamei da mesma coisa e você não solucionou? Tá claro, era um vício oculto, e quando o vício é oculto, não é quando termina a garantia, é a partir do momento que ele é constatado.
Constatado.
Então, dentro de um câmbio, você consegue ver problema? Não. Quem você consegue ver? Concessionário, fabricante. Se ele levou tudo isso e não te falou que tinha um problema, aí eles usam de má fé pra jogar isso. Quando acabar a garantia, 70 mil reais é... Depende do carro, é um terço do valor.
É um terço do valor.
Então, você vai lá e agora precisa trocar o câmbio. Peraí, não. Agora nós vamos entrar na justiça porque eu levei o carro oito vezes, você não falou pra mim que tinha um problema no câmbio, porque se tivesse problema no câmbio você tinha que trocar na garantia, e você jogou isso pra lá. Isso, tecnicamente, desde que tenha a documentação correta, numa perícia lá na frente é tranquilo.
Então é importante que você, sempre que leve o carro, você guarde, assim, você pega essa ordem de serviço e olhe também se está relatado ali o que você está questionando, ou estou com esse problema.
A primeira coisa numa ordem de serviço, isso é a primeira parte, o primeiro campo está escrito lá, reclamação do cliente. Então vamos dizer, barulho no câmbio, tá? Quando eles te entregam o trabalho, de volta, vai estar escrito. Lubrificado tal coisa, substituída, engrenagem, tá lá escrito. Ah, mas isso tá na garantia, não é obrigado. É obrigado sim. A lei diz que você tem direito a saber o que aconteceu no teu carro. O que eles podem te dizer? Não, eu não vou te devolver a peça porque a peça tá em garantia. Então você não consegue levar a peça. Mas se você pagar pelo trabalho, você tem direito de levar.
Você Ah, pode levar mesmo estando na garantia?
Não. Estando na garantia, você não pode levar...
Porque você troca só óleo ali, geralmente você paga só o óleo e...
Isso. Se você tiver um problema, que eles trocaram uma peça em garantia, aquela peça é propriedade do fabricante.
Mas você precisa ver essa peça que foi trocada ou não necessariamente? Você pode confiar na concessionária?
Desde que esteja escrito na ordem de serviço.
Tá.
Veja que a ordem de serviço é importantíssima porque você reclamou de alguma coisa e fique, deixe bem claro todas as reclamações que você fez. Porque ele vai dizer, não, reclamou de barulho na frente. Não, não, eu reclamei de barulho aqui ó, na região do câmbio. Então você coloca aí. Quando voltar, vai estar aparecendo, substituída peça tal. Você não vai ver a peça, mas tá escrito.
Tá, então a gente, enfim, estamos no Brasil, né, dá pra confiar, não dá? Eu sou uma pessoa que eu falo, eu sou um pouco, eu sou desconfiado de algumas coisas quando eu levo meu carro no mecânico, assim, geralmente eu gosto de acompanhar, quando não dá, dependendo da situação, eu... Vou embora, mas eu quero ver cada peça, cada item que foi trocado. Então, a minha pergunta pra você agora é... Quando eu vou trocar o óleo de um carro, o que eu devo me atentar? Porque isso é uma coisa que todo mundo faz. A gente tem aí as mulheres que também caem em muitos golpes. Eu já vou chamar de golpe porque... Eu já caí, você já caiu com certeza. Então, o que a gente deve se atentar? E se você tem algum case, por você entender tanto desse assunto e lidar com tantas situações, o que eu devo me atentar durante a troca de um óleo? E o que já aconteceu com você que você pode trazer de aprendizado para a nossa audiência?
Aconteceram vários casos, em perícias e pessoalmente. Mas o que é importante no caso do óleo? Qualquer óleo. Qualquer lubrificante.
Sabe por quê? Porque quando a gente vai trocar, a primeira coisa, que óleo você quer? Eu não sei.
Então, a resposta não tem que ser não sei. Qual óleo você quer? Aquele que é recomendado pelo fabricante no manual. Ah, mas esse é muito caro. É o que está recomendado pelo fabricante. Ah, mas eu tenho um que é muito melhor. É recomendado pelo fabricante. Se em algum momento o fabricante falar assim, a partir de agora você pode usar o óleo X ou o óleo Y, Beleza, ele recomendou, eu vou usar. Porque a característica do óleo é importantíssima. Viscosidade, aditivos, tudo isso é importante. Então você precisa, se o teu motor, se o teu equipamento, seja ele qual for, o recomendado é aquele tipo de óleo, é aquele que você tem que usar. Ah, mas tem o óleo para 5 mil, óleo para 10 mil, óleo para 20 mil. Não. A troca tem que ser feita conforme é designado pelo fabricante, com o tipo de óleo designado pelo fabricante e aqueles equipamentos que tem um filtro agregado para trocar, sempre trocar junto com o lubrificante. O que não é recomendado? Mudar para outro óleo Porque sempre você vai deixar o resto de óleo dentro do cárter e a mistura, em qualquer situação, a mistura de óleos diferentes, de características diferentes, tem uma reação química que pode provocar que eu perca a qualidade do óleo ou forme um outro produto, normalmente uma graxa.
Entendi.
Que não lubrifica da mesma forma.
Ainda dentro desse assunto, antes de você falar de cases que já aconteceu com você e também você como profissional em perícia, e quando eu chego no posto, que é normal, todo mundo que chega para abastecer um carro no posto, eles pedem, geralmente, para ver o óleo, nível da água e tal, e eu vejo casos direto ali, a pessoa completa o óleo. Situações como essa, vamos lá, a dica do Hélio.
Ou você chega num posto de gasolina. Ô, doutor, quer que eu olhe o óleo? Não. Não, eu não quero. Primeiro, ele vai analisar esse óleo, ele vai fazer o seguinte, o carro acabou de parar, ele vai puxar a vareta de óleo e vai ver a medida. Se eu não tiver com esse carro parado há pelo menos cinco minutos, num lugar totalmente plano, o óleo não desceu, então o que eu tenho no cárter não é a verdade. E aí vão me dizer o seguinte, precisa completar com meio litro de óleo. É pouco, meio litro de óleo, A pessoa fala assim, complete. Que óleo ele vai usar? O que ele tiver disponível. E aquele que você puder pagar. Que não tem nada a ver, ou pelo menos não tem como dizer isso, se é exatamente aquele que você tinha lá no cárter. E aí você vai completar. Quando você completa o óleo e deixa o nível acima do máximo, é tão ruim quanto se estivesse abaixo do mínimo. Porque a pressão que eu vou ter dentro do motor para a lubrificação, também vai ser errada. E isso provoca dano, seja para mais ou para menos. Além da mistura de óleos. Além da mistura de óleos que eu vou ter que podem provocar um problema grave. Então, não se faz isso em posto de gasolina. Se não dá pra ir na concessionária... Pelo menos uma empresa que seja especializada em troca de óleo e sempre a gente tendo em vista qual foi o óleo que foi utilizado quando foi substituído na concessionária. Porque senão eu vou ter um grande problema. E é óbvio que esse problema não aparece da noite para o dia. Ele vai provocando danos internos no motor até o momento que você ou perde o motor ou tem que retificar. Vai acontecer.
Dicas importantes aqui. Gente, cuidado. Parou no posto, pediu pra ver o óleo. Sim, tudo bem. Eu acho que ele pode até ver se tá baixo ou não tá, mas pode ser um alerta pra depois você levar o carro em algum lugar de confiança pra validar se esse óleo tá baixo ou não, se tá no momento de trocar de forma com antecedência, talvez. Ou não, não precisa ver o óleo?
Eu diria não precisa ver o óleo. Pra ver o óleo do jeito que ele vê lá, você vê na tua casa, no teu local de trabalho, você deixa o carro parado na reta, cinco minutinhos, pega um pano que não solte fiapos, tira a vareta, limpa a vareta, não considera aquela primeira, coloca de novo, Tira, aí você vai ver em que posição você tem lá o nível máximo, nível mínimo e nível máximo, você vai ver isso aí. É muito melhor do que ver no posto.
É, porque o carro ali está em movimento, né? O óleo está... enfim, ele está... Você.
Tem... a função do óleo é lubrificar o motor inteiro. Então, você está andando com o carro, ele está no motor inteiro, que é onde tem partes móveis lubrificáveis, ele vai estar lá. Então, depois de um tempo, é que ele vai descer e vai pro cárter. A minha varinha, a minha vareta, ela vai lá simplesmente medir o que tá no cárter. Se tá baixo ou não.
Se tem algum óleo ali em volta que não desceu ainda pro cárter, ela vai medir.
Ou tá passando pelo filtro ainda. Tudo isso vai te dar a falsa ilusão que você tem um nível baixo. Aliás, se você fizer isso, 90% dos casos vai estar abaixo do meio.
Sim.
Mesmo que não esteja abaixo do mínimo, ele vai estar abaixo do meio. E aí você vai ficar preocupado. Pô, não, tá normal.
Um case que já aconteceu com você aí durante troca de óleo, vamos lá, me conta, quero saber tudo.
Há um tempo atrás eu comprei um veículo zero pra minha esposa e eu levei, como sempre leva o veículo pra fazer a revisão. Só que... por trabalhar com isso, eu tenho uma certa forma de agir. Por exemplo, vai trocar óleo e filtros, eu faço uma pequena marca nos filtros que estão ali visíveis, eu faço uma pequena marca no lugar que as pessoas não vejam, não fique muito identificável. Quando eu fui buscar o carro no final do dia, Eu fui, paguei, ele me deu a nota, paguei. Quando eu voltei, eu levantei o capô, olhei, chamei a pessoa que estava me atendendo, falei, escuta, vocês trocaram óleo e filtro? Falei, claro, doutor, imagina, revisão tem que trocar. Tirei a vareta, falei, é bom. Eu não estava muito rodado, pela característica visual eu não posso dizer. Aí eu olhei para os filtros e falei, mas eu vou trazer sempre meu carro nessa concessionária. O senhor gostou do trabalho? Mas muito! Porque além de tudo, vocês conseguem fazer as marcas iguais as que eu fiz nos filtros originais que estavam aqui. Você fez igualzinha, não é a mesma posição. Igualzinho. Pô, doutor, você tá querendo dizer que a gente, por acaso, não trocou os filtros? Não, eu não tô querendo dizer, eu estou dizendo que vocês não trocaram os filtros. Não, não sei o quê, aí fui falar com o gerente, o gerente falou, não, não é possível, a gente não faz isso. Mas pode ficar tranquilo, nós não vamos cobrar o trabalho do senhor. Pô, você queria me cobrar pelo que você não fez? Meu amigo, nunca mais eu trago o carro nessa concessionária. Então algumas dicas que ficam também quando você tiver dúvida se vão trocar ou não um filtro ou um componente Faça uma pequena marca, discreta.
É, isso é uma coisa que eu já vou começar a fazer, assim, porque ainda mais depois desse bate-papo de hoje, onde... Inclusive, antes, quando a gente estava conversando, a gente conversou sobre tantas coisas, enfim. Então, essa dica de fazer marcas ali para testar e que depois, opa, deixa eu ver se realmente foi trocado, porque muitas vezes eu não estou ali acompanhando. E o fato de eu só olhar um filtro, ah, tem uns filtros aqui ali, pode pegar um filtro que foi trocado de um outro carro e demonstrar, então?
Pode, pode. Isso, você quando faz algum tipo de trabalho, você pedir as peças, uma vez que você pagou, você pedir as peças de retorno, que foram substituídas, é bom, mas não garante que são do seu carro.
Agora é uma pergunta, bem, talvez fique à vontade para não responder, a gente muda. Agora, assim, você como perito, né, já viveu tantos problemas aí com diferentes veículos, assim, cinco nomes de carros ou marcas, assim, que se atente na hora de comprar. Porque às vezes eu vou comprar o carro pela estética e nem sempre, eu falo, geralmente quem escolhe relacionamento, moradia, o carro mesmo pela estética e não pela funcionalidade tende a dar um tiro no pé, com o tempo depois.
É, tem alguns carros que eu não compraria, eu não compraria mesmo. Em primeiro lugar, ainda não estou tranquilo para comprar um carro chinês. E não estou tranquilo para comprar um carro chinês. Pelo menos uma das marcas francesas que tem uma tecnologia de ponta Ainda não tem no Brasil uma rede de concessionários que esteja preparada para atender o cliente. Se eu for comprar esse carro na Europa, eu compro de olhos fechados. No Brasil eu não compro. Porque o carro é ruim? Não, o carro é ótimo, excelente. Mas onde eu tenho tecnologia, eu dependo de pessoas que conheçam o assunto. Pessoas que tenham equipamento para fazer o trabalho. Então, algumas eu não compraria. Não compraria mesmo.
E quando eu... Essa questão que você fala, né? Às vezes o carro está preparado para, por exemplo, estar na Europa. Beleza, eles pegam esse carro, eles acabam trazendo para o Brasil. Como você falou, o carro é ótimo, mas eu não tenho mão de obra qualificada e muito menos tecnologia. Exemplo disso é quando você compra um carro, você leva numa concessionária e você fica lá meses esperando uma peça chegar, porque não tem no Brasil. Seria mais ou menos isso.
Isso acontece até com os veículos nacionais, de você não ter peça à disposição. Mas é óbvio que a possibilidade de isso acontecer com um veículo importado é muito maior.
É muito maior.
As peças que são menos utilizadas no veículo, elas não estão disponíveis na concessionária. Então se não estão disponíveis na concessionária, depende de importação. Então eu tenho que ter lote mínimo de fabricação na origem. Depois de fabricado, controle de qualidade, de vir para o Brasil, passar pela alfândega, esperar no porto, chegar no centro de distribuição para depois chegar na concessionária, isso vai acontecer.
E essas questões de perícia em máquinas e equipamentos, elas funcionam da mesma forma que em veículo? Quando eu falo em máquinas e equipamentos, você pode falar de compressores, equipamentos de circulação em obras, elevadores e escada rolante. Eu queria que falasse um pouquinho desse tipo de perícia.
O formato da perícia é exatamente igual. Eu tenho problema, tenho uma ação judicial, o juiz verifica quem tem capacidade técnica de falar sobre aquele assunto, é convocado, aceita, chama as partes para dizer o que querem comprovar e é feito da mesma forma. O formato de que é realizada a perícia é exatamente igual. Então, se eu tiver, por exemplo, tive casos absurdos de um shopping da Zona Leste, que todas as escadas rolantes que foram adquiridas tiveram problema e foram para uma ação judicial. E por que ela aconteceu? Esse fabricante de escadas rolantes era situado na Alemanha e ele transferiu toda a produção para a China. Toda a produção passou a ser feita na China. É pior qualidade ou é melhor qualidade? Não vou entrar nesse assunto. Porém, os formatos eram diferentes. Porque a escada rolante vem desmontada e você monta ela no local. As pessoas que estavam tecnicamente vinculadas a essa montagem conheciam o produto alemão e não chinês. Na hora de montar, as engrenagens não ficaram perfeitamente acasaladas. E elas quebravam. Uma forçava a outra. Todas as escadas rolantes, se não me engano, eram 16 no shopping. Todas quebraram. Por sorte, não quebraram todas no mesmo dia. Então você trabalhava com duas hoje, com quatro a semana que vem, não sei. Teve que ser feita uma perícia. E a perícia era O seguinte, não tem o pessoal para montar essa escada rolante. Ele não consegue fazer uma análise do que está ocorrendo.
E nesse caso, Helio, acontece de dar perca total num equipamento desse? Ter que trocar por um outro? Porque, geralmente, você tem aquela área ali e tal. Dependendo do fabricante que você escolhe, para colocar aquela escada rolante, posso colocar qualquer fabricante?
Desde que atenda, escada rolante ela trabalha num vão, como ela é modular, esse vão, todos os degraus e equipamento tem que atender aquele vão. Eu não consigo colocar um outro se não tiver um projeto específico. Tanto é que quando você tem, por exemplo, que fazer uma penhora e as pessoas do shopping dão como garantia uma escada rolante, você vai fazer a avaliação. Quanto vale essa escada rolante? Valor de sucata. É novinha. Por quê? Eu não consigo tirar ela dali e aproveitar em outro lugar. Além de ter... desmontagem, transporte. Eu não consigo, os vãos não são exatamente iguais. O projeto é feito para aquele vão. e não tem como reaproveitar. Então, normalmente, quando acontece, eu tenho que fazer um novo projeto, se vier um novo fabricante, tenho que fazer um novo projeto para visualizar e montar nessa nova situação. Se eu tiver que tirar do lugar, não vale mais nada.
No caso de elevador, como funciona?
Elevador é mais simples, porque eu tenho as peças de reposição, eu posso fazer um retrofit, posso fazer uma melhora de qualidade. Então eu tenho os problemas com elevadores, normalmente, ou são de produção, eu tenho casos de, na fabricação eu tive um problema, ou falta de manutenção. Porque as manutenções são programadas, não são realizadas, aí eu tenho desgaste de cabos, a própria máquina, a casa de máquinas tem que ter um certo cuidado e não tem. O equipamento também tem que funcionar de forma correta, descendo. perfeitamente no vão, os contrapesos, tudo isso te mostra o possível problema. Mas são de muito mais fácil solução do que numa escada ou numa esteira rolante.
Entendi. Olha, agora eu queria assim, eu acho que a gente conversou bastante aí em torno de uma hora, mais ou menos assim, Tem alguma pergunta que eu deixei de fazer pra você antes de eu fazer algumas perguntas mais específicas falando de convidado convida, enfim, alguma dica com os triquete que você queira dar, enfim?
Eu acho que as dicas mais importantes nós falamos, mas nós temos que tomar muito cuidado na hora de adquirir um veículo, uma máquina, um equipamento, porque isso vai me desencadear. Se ocorrerem problemas, vai me desencadear uma dor de cabeça horrível. Então, a análise inicial do que eu vou comprar não é custo de aquisição. Custo de aquisição, na minha opinião, é o menos importante. Eu vou conviver com um equipamento ou com um veículo durante um determinado tempo. Mesmo que eu troque todo ano de carro, eu vou conviver com ele. E para que eu quero? Um veículo ou um equipamento? Para ele não me dar nenhum tipo de dor de cabeça. Então especificar muito bem aquilo que você quer. Seja um equipamento, uma escada rolante, um elevador. Não se ater simplesmente a custo inicial. Valor de aquisição. Custo, para mim, é aquilo que eu vou gastar durante a vida útil que vai ficar comigo do equipamento e a dor de cabeça que ele vai me trazer.
Então, por isso, faça um planejamento prévio. Então, vou comprar um carro. Qual que é o seguro calculado de mercado? Faz uma pesquisa.
No meu perfil.
No meu perfil. Ah, e tem uma pergunta que eu queria te fazer, porque como a gente tá falando muito de... A gente falou de equipamento turbo, não turbo. Eu acho que eu não fiz essa pergunta. Quais são as vantagens e desvantagens, por exemplo, de um carro turbo, assim? Porque eu falo, ó, eu falo de cara que eu adoro um carro turbo, então... Tecnicamente...
É uma vantagem você ter um carro turbo? Sim, porque eu tenho um motor de cilindrada menor, portanto vai consumir menos e eu vou conseguir tirar uma potência maior dele. Porém, isso é bom de se falar quando eu já tenho uma tecnologia consagrada, que não é o caso do Brasil ainda. E o mais importante é dizer o seguinte, o turbo é uma peça delicada, delicada, e se ela tiver qualquer problema ele vai te trazer alguma coisa muito mais grave, que depende da lubrificação com o mesmo óleo que está no cárter do teu veículo. Se eu tiver uma contaminação por menor que seja nesse óleo, o motor vai aguentar, ou seja, vai demorar muito mais tempo para desgastar. Só que um turbo, uma turbina, não. Ela tem um eixo muito sensível que gira sobre mancais e são lubrificados pelo mesmo óleo do motor. Se eu tiver uma pequena sujeirinha, ela vai provocar um dano e vai estourar essa turbina. Minha preocupação maior é quem tem tecnologia pra mexer nessa turbina, quem conhece pra mexer nessa turbina. Normalmente, se você for numa concessionária com problema de turbina e não seja garantia, ele vai te dizer preciso trocar a turbina, que tem um custo elevadíssimo. Se você for numa oficina particular, provavelmente ele fala vamos tentar corrigir, Vamos trocar o eixo, vamos trocar a mancal, vamos fazer alguma coisa e você vai ter problema. Ainda, minha opinião, tá? Ainda não estamos... Opinião, essa aqui eu.
Respeito muito pela sua experiência.
Ainda não estamos preparados para veículos turbo. É a tendência? É a tendência, mas eu tenho que preparar mão de obra, tenho que ter equipamento. Treinamento é uma coisa que a gente não fala no Brasil quase. Treinar mecânicos, treinar... Estamos chegando com os veículos elétricos aí. Eu me meti a falar assim, não, eu preciso melhorar, eu preciso conhecer veículo elétrico. Eu fui fazer um curso de veículo elétrico no Senai. Tá bom. Ao final eu vejo a bibliografia do curso, são os meus livros. Quer dizer, eu fui procurar o Senai, um curso, tá certo que em EAD, para melhorar o meu conhecimento e o curso é baseado nos meus livros. Então, isso quer dizer o seguinte, eu preciso melhorar o nível dos treinamentos, pensando no futuro, para que eu consiga melhorar. Veículo elétrico, veículo turbinado. Não tanto mais o veículo com três cilindros, que a gente vê muito problema, principalmente que eles, depois de um certo desgaste, eles não são recuperáveis, eu não consigo fazer o recondicionamento desses motores, ou seja, muita gente fala, e em alguns casos eu compartilho com a ideia, eles são descartáveis ainda. Não estou dizendo que é ruim. São descartáveis, porque eu não tenho o conhecimento suficiente, não tenho equipamento suficiente para fazer o trabalho bem feito. Eu acho que a gente já deve estar terminando. Eu queria só contar uma passagem que é muito engraçada. Há um tempo atrás, uma concessionária de um veículo francês que eu fazia perícias lá, o gerente me ligou e falou, Ed, você pode vir aqui? Por quê? A gente tá lendo aqui o manual de oficina, mas tem algumas coisas que a gente não tá entendendo. Tá bom, mas tá em português? Tá em português, mas a gente não tá entendendo. Tá bom. Aí eu fui lá e ele me falou, olha, aqui tá dizendo que antes de eu fazer qualquer tipo de trabalho em tal lugar, eu preciso remover o embelezador de jantes. O que é embelezador de jante? Eu falei, bom, primeiro a gente tem que entender. Isso aqui foi traduzido do francês para o português de Portugal. Jante, em Portugal, é roda. Embelezador de jante é calota. Então você precisa remover a calota, limpar a região pra depois fazer... Ah, mas aí tá dizendo pra eu trocar a sapata do travão também. É, a sapata do travão é o que a gente chama de lona. Ou de pastilha, depende do modelo de carro. Então isso também a gente tem que levar em conta, né? Tive um caso também com Toyota, que nós tivemos, Toyota importado, nós tivemos que chamar um engenheiro da fábrica da Inglaterra, porque não conseguia resolver um problema no sistema de freio. Por quê? Unidade de medidas original era milímetros no Japão, passou para a Inglaterra para polegadas, passou para os Estados Unidos para polegadas e veio para o Brasil, voltou para milímetros. Só que a medida se perdeu totalmente. A gente media conforme estava no Manual do Brasil, a medida estava correta. Depois que esse engenheiro, que porventura era japonês, mas trabalhava na Inglaterra, ele chegou a primeira coisa e falou, a medida está errada. Por isso que vocês não resolvem o problema, a medida está errada. E a gente conseguiu ver que o problema estava na troca de unidades de medida de um país para o outro e chegou até aqui. Isso reforça um pouquinho mais a análise do perito, que o perito não pode somente se ater àquilo que ele vê, porque nem sempre a informação é a melhor.
É aquilo que às vezes a gente fala, mas assim, ou seja, você está falando algo em palavras, mas o corpo está falando outra.
Exatamente.
Por essa razão, muito importante a experiência, né? Conforme foi falado aqui, do perito.
Exatamente.
Isso é importante?
Na engenharia mecânica, isso é essencial. Lógico, na civil, na elétrica, também é, mas na engenharia mecânica, pequenos detalhes Você não consegue resolver um problema, uma concessionária, um mecânico, porque um detalhe passou despercebido em algum momento.
Eu achei esse episódio, eu refuto, muito bacana, porque eu aprendi muito, dou muito contente, eu gosto muito de aprender. E, Helio, eu queria te fazer uma pergunta, muito... Você foi indicação aqui, né, pelo Paulo Magri, e você já conhecia o constrita... Acho que eu queria que você falasse um pouquinho, né, o que que... o que representa para você um canal como esse, que tem o propósito de promover ideias e soluções para o mercado, além de tudo, unir todo o setor de engenharia, construção, arquitetura, que existe de fato uma certa separação, Mas no.
Fundo existe um elo de ligação entre todas elas. Então, o importante...
A gente vem pra unir, né?
O importante é justamente isso. É unir e mostrar as coisas que podem ser aplicadas a vários ramos da engenharia. O principal, como eu bati na tecla, é o aprendizado. O aprendizado você vai ter quando você ouve pessoas que têm conteúdo técnico. Mesmo que não seja da minha área, eu vou tirar disso uma forma de trazer pro meu lado, de melhorar alguma coisa. Então, esse trabalho que vocês estão fazendo, na minha opinião, é importantíssimo. É importantíssimo, porque eu tô, de certa forma, abrindo os olhos de quem tá do outro lado, de quem trabalha com aquilo, mas não se atenta. Um detalhe, talvez na nossa conversa de hoje isso tenha acontecido, Um detalhe vai fazer alguém puxar uma outra coisa e analisar melhor uma outra coisa.
Você acaba aplicando em outras áreas.
Exatamente, porque elas têm um elo de ligação. Pode ser menor ou maior, mas tem. A engenharia, a arquitetura, todos nós temos, e até quem não é da engenharia e arquitetura, mas que com as informações que são trazidas aqui, vão, com certeza, olhar de uma outra forma. E isso vai solidificar, vai melhorar o desempenho de todos nós na indústria, na engenharia, nos projetos, em tudo isso. E é o que a gente espera. Os profissionais querem ver a área de atuação cada vez melhor.
Eu fico feliz pelo que foi apresentado, inclusive somos reconhecidos hoje no mercado pela qualidade dos conteúdos trazidos aqui. Qualidade essa que, confesso, aprendi muita coisa nova que você trouxe. E vendo aqui a reação do pessoal da produção lá atrás, eu não tenho dúvida que, apesar também da pouca idade deles, eles também aprenderam. Bastante. Então eles são meu termômetro nessa questão de conhecimento. Opa, tô aprendendo coisas novas aqui.
Isso é muito bom, porque a gente consegue levar uma informação para aquela pessoa que está começando a coletar a informação. Então ela já muda a forma de pensar. Independente de ser um automóvel, equipamento ou coisa assim, ele já começa a pensar. Eu preciso prestar atenção nisso. Eu preciso especificar o que eu quero. Até uma roupa quando eu vou comprar, né? Você precisa especificar o que você quer. Porque você falou de chegar em algum lugar, pelo aspecto visual, não sei o quê, mas eu preciso saber, eu quero comprar um paletó? Que paletó eu quero? Pra onde eu vou usar?
Qual que é o uso, né?
Exatamente. Pô, eu tenho tendência de engordar um pouquinho, então eu tenho que comprar um mais largo. Não, eu tô querendo emagrecer, então eu tenho que comprar um que fique bem legal pra senão depois vão falar que o defunto era maior, né? Então, tudo isso, a análise que você tem que fazer, até pra comprar uma caneca, uma água, alguma coisa assim. Eu, na área de direito, eu atuo na área de consumidor, até porque perícia é a área de consumidor. Você vê o que acontece no dia a dia hoje quando você vai comprar um produto, uma fórmula diferente para reduzir custo, uma quantidade menor para reduzir custo. Eu tenho que saber, eu quero comprar aquilo, mas eu não quero ser ludibriado. Eu quero comprar uma coisa de uma empresa que seja honesta. Eu quero um profissional que faça a coisa corretamente, um mecânico, por exemplo.
É, e quando você fala dessa forma, como você falou durante o nosso bate-papo, de custo de aquisição de alguma coisa, que na verdade não é o meu custo inicial quanto eu vou pagar por aquele objeto ou aquele serviço. Na verdade, o que eu vou ter de benefícios ali? durante o período de utilização. Eu vou ter problema, exemplo, que eu dou muito aqui, que é o... Eu vou comprar um ar-condicionado com a tecnologia antiga, onde ele tem ali a categoria A, B, C e D. Qual que é a categoria dele? Aí eu venho por uma categoria mais tecnológica, inverter, por exemplo, que ele me traz uma redução de energia ao longo, né, do tempo. Então, será que não é melhor eu investir um pouco mais agora para reduzir isso? ao longo do tempo?
Costumo dar um exemplo do seguinte, se você comprar um carro que dá muito problema e fica muito tempo dentro da concessionária e você consegue usar muito pouco, você corre o risco de não pagar IPVA desse carro, sabia?
De não pagar IPVA?
É, porque você vai ter que pagar IPTO, porque ele é um imóvel. Ele é um imóvel. Se você deixa o carro mais tempo na concessionária ou no mecânico pra arrumar, ele não é mais um automóvel, ele é um imóvel.
É um imóvel.
Então você vai começar a pagar IPTU, não é IPVA.
Essa foi um... Que ótimo fechamento.
Eu acho que é importantíssimo você saber isso, né?
E assim, a dica constricash, quem que você gostaria de ver aqui, você que tem aí também uma vasta experiência, você vê que o Paulo indicou você aqui, mas peraí, falar de automóvel, automóvel na verdade na indústria da construção, você tem uma construtora ou qualquer negócio que seja, você tem frota de automóvel, enfim, mas a gente acabou falando de uma forma que não só as construtoras, não só os condomínios vão se beneficiar com esse conteúdo, mas também acho que as pessoas no geral. O que eu chamo, inclusive, esse episódio de total utilidade pública.
É, eu, assim, eu gostaria de não deixar ninguém de lado, mas de cara, eu gostaria, como a gente falou muito de equipamentos, complexos, industriais, eu gostaria de citar o nome do engenheiro Marcos Augusto da Silva, que é professor do IBAPE e é uma fera em máquinas, equipamentos e complexos industriais e em veículos também, que ele atua, mas ele é o papa. Gostaria também de falar do engenheiro e advogado Francisco Maia, que fala muito bem das perícias e avaliações em imóveis, até partindo por uma forma mais moderna de mediação e arbitragem, que quase a gente não fala na engenharia. E, por último, a Andrea Munhoz, que foi presidente do IBAPE na última gestão, que também trata muito bem de todos os assuntos relacionados à engenharia civil. São três pessoas que eu gostaria de indicar e peço perdão aos demais, porque eu não vou lembrar de todos. Não vou lembrar dos demais, mas nós temos uma equipe no IBAPE de todas as áreas muito boas. E eu acho que esse canal que você abre é muito bom, é excelente pra trazer a quem tá do outro lado assistindo informações importantíssimas e criar essa forma de buscar novos conhecimentos. Tenho certeza que alguns vão falar, Vamos falar também sobre um outro assunto que é coligado? É importantíssimo.
Bom, bacana.
Esse trabalho que vocês estão fazendo é... Pra você ter uma ideia, eu tava assistindo e a minha esposa tava ao lado, né? Ela é bióloga. E ela parou e ficou, pô, mas é muito interessante. O que estão falando é muito interessante. O Paulo Magri tá falando muito bem também. Quando falou meu nome, então, ela falou, poxa vida, falou bem de você ainda. É, porque não me conhece muito bem.
Não, eu estou, assim, de verdade, eu estou muito contente. Eu estendo aqui o nosso canal que vocês precisarem, enfim, qualquer área aí da engenharia que você precisar trazer aí conhecimento para a nossa audiência, né? Esse espaço aqui é de vocês. A gente está ampliando agora, assim, devido ao nosso crescimento, justamente para...
É mais um canal que se abre que eu vou abusar.
Pode abusar, pode contar. Pode contar, você tem aí...
As boas coisas, a gente tem que trabalhar pra crescer mais ainda.
É, vamos... Acho que assim, quanto mais gente participa, né? Pessoas qualificadas, inclusive como é você, a gente vai, de fato, atingir aí um número muito maior e, principalmente, pegar essa nova geração e falar da importância de se aprofundar nos assuntos e não ser tão superficial, né? A gente dá muita atenção a título. Não, gente, vamos... Entender antes de tomar uma decisão, antes de dar opinião sobre algo. Vamos entender, vamos aprofundar.
Esse processo decisório é importantíssimo em qualquer área. Se a gente tivesse esses processos decisórios melhor formatados, a gente viveria muito melhor.
Sim, acho que você tira um pouco aquela coisa de dúvida, né? Será que eu fiz certo? Será que foi isso? Da emoção.
Vou fazer.
Então, assim, igual hoje, eu tava falando pra você, né, que eu gosto muito de ficar por trás, né, eu gosto de ficar lá na produção, na técnica e tal, e eu acabei me lançando aqui na frente justamente porque, assim, eu tento viver a técnica no dia a dia, mas também viver assim, o que as pessoas querem ouvir? O que as pessoas vão entender? Então, eu acho que essa troca que a gente fez aqui, a gente falou um pouquinho de técnica, mas também alertou as pessoas, o que você precisa se atentar, inclusive, quem vai comprar um equipamento, um veículo, tem seu contato aqui na descrição das nossas plataformas. Você pode orientar, porque acho que se você está comprando um veículo, uma máquina, adquirindo aí um... Enfim, algo de valor... Assim, alto, médio, enfim... Acho que quando você tem ali um direcionamento de alguém que entende um pouco mais daquele assunto, eu tenho certeza que você vai se tornar aí... Durante o uso desse equipamento, uma pessoa muito mais feliz, porque...
Não tenha dúvida, eu ia falar essa palavra mesmo, você vai ficar mais feliz de utilizar o equipamento, o veículo que você comprou. E você vai olhar pro espelho e falar assim, fiz a boa compra.
Fiz a boa compra. Então, suas considerações finais pra encerrarmos esse episódio?
Não, eu queria agradecer e... Parabenizar pelo trabalho, queria agradecer por esse momento de estar aqui, podendo falar um pouco do meu trabalho, me colocar à disposição, mas principalmente pelo trabalho que vocês estão realizando e pela repercussão que tem. Isso é muito importante.
Obrigado, Hélio. Então, gente, como eu falo, né? É sobre tudo isso que vocês só conseguem ver e ouvir aqui no Constricat. Então, continue compartilhando nossos conteúdos, assistindo, dando sua opinião, que lugar você está falando do Brasil, do mundo, então a gente acaba... chegando em outros países também. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constricast, o podcast que veio para unir todo o setor da indústria, construção, arquitetura e engenharia. Hélio, para aquela câmera lá. Manda um abraço para a galera.
Obrigado.
Cada viga e tijolo Uma história pra contar Dos braços que levantam o mundo Sem ter margem pra errar Da fundação aos caminhos Da inovação e da união Construir, creche, arquitetura Engenharia e construção.
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