Perícias e Diagnósticos na Construção Civil | Podcast de Engenharia | Construção | ConstrueCast

Podcast episode (YouTube) in which host Paulo interviews engineer Marcos Grossi about inspections, perícias and diagnostics in building construction. Grossi explains his background (grew up in a family of civil-engineer peritos, began assisting at age 15, later worked seven years in a contractor, then returned to the family practice), critiques common weak diagnostic practices, emphasizes method, scope and legal responsibilities, cites applicable norms (inspection standard NBR 16747 and renovation standard NBR 16280), discusses technology trends (drones, AI, NDT), and lists his books and publications. The conversation includes practical case examples (e.g., removing non-structural partition causing localized damage) and advice for clients on scope and three-hypothesis diagnostic practice.
Questions this video answers
April 4, 2024
NBR 16747 (inspeção predial)
15 years old
Chapters
Música.
Expressões.
Perícias e diagnósticos é a pauta do episódio de hoje. Para falar sobre o assunto, eu recebo o Marcos Grossi. Ele é engenheiro e você que não teve ainda a oportunidade de conhecê-lo. Ele apresenta um podcast, fala de diversos assuntos sobre patologias, sobre construção, especificamente o assunto você vai conhecer por ele. Marcos, seja bem-vindo ao nosso podcast. É uma honra receber você aqui e aproveito para, já na apresentação, falar que você é um convidado indicado por um grande amigo e irmão, Felipe.
Obrigado, Paulo, pelo convite e Felipe, mais uma vez, aprontando comigo, ele gosta de fazer essas coisas, mas totalmente honrado de estar aqui com vocês, parabéns pelo projeto, assisti vários episódios e todos de altíssima qualidade, então muito obrigado pela oportunidade de estar aqui conversando um pouco sobre perícias, inspeções, que é a minha paixão.
É bacana. E eu até aproveito para agradecer novamente a sua presença, tenho certeza, que vai contribuir muito com a nossa audiência. E aí, durante o nosso bate-papo, enfim, quem tiver curiosidade para conhecer também o podcast que você apresenta, a gente vai colocar aqui o link em todas as plataformas de áudio e de vídeo. Marcos, eu queria já aproveitar para você fazer uma apresentação Quem é o Marcos Grossi e como você se enveredou para o mercado de engenharia e, principalmente, para uma área tão desafiadora que é a que você atua atualmente?
Perfeito! Eu tive um privilégio da vida de ter os dois pais engenheiros civis que atuam com perícia. Então, eu com 15 anos, eu estava buscando emprego, estava vendo meus amigos fazendo... Ah, vou ser estoquista, vou trabalhar no McDonald's... Eu fui lá, tirei minha carteira de trabalho e estava batendo de porta em porta. E daí meu pai descobriu e falou assim, você está procurando emprego? Por que você não vem trabalhar comigo? E daí com 15 anos eu comecei a trabalhar auxiliando ele com perícias judiciais, extrajudiciais. Desde os 15 eu trabalho com isso e daí depois foi só uma consequência. Eu ia bem exatas, gostei da área. me formei em engenheiro civil. E daí eu tive uma ruptura nessa área, quando eu falei assim... Eu nunca vou provar o meu valor estando debaixo da asa dos meus pais.
Inclusive, depois eu vou te fazer uma pergunta voltada para esse tema. Pode continuar, desculpa.
Não, perfeito. E daí eu falei assim... Eu preciso me desafiar. Daí eu saí do escritório e comecei a trabalhar em construtora. Daí, primeiro para pegar a experiência prática, né? Fala assim, nenhum engenheiro realmente se não sujou o pé de barro. Então, fui lá e fiquei 7 anos sujando o pé de barro.
E você entrou lá com quantos anos para fazer estágio em... Para trabalhar de fato em uma construtora?
É... Foi 2000... Eu tinha acho que 19 anos, mais ou menos, por aí. Foi no segundo ano da faculdade. Entrei com 17, então por aí. É, porque não era tão fácil, né, porque eu estudava de dia, e daí era mais difícil eu arrumar estágio, daí quando eu mudei a faculdade pra noite eu consegui estágio, e daí eu fiquei lá durante sete anos na construtora, depois meu pai veio a falecer, e daí eu voltei a trabalhar com a minha mãe, né, que é o escritório hoje familiar de perícia, e daí eu continuei essas dez anos já trabalhando só com isso.
Não, e bacana que você acabou voltando por uma necessidade e, sobretudo, voltou com muita experiência e mérito. Então, eu queria te fazer uma pergunta, já que você tocou nesse assunto de, enfim, trabalhar em empresa familiar, de pai, mãe, etc. Eu queria que você falasse um pouquinho como que era o seu sentimento naquele momento estar trabalhando ali, tudo bem? Eu entendo que você, assim, pelo que eu te conheço um pouquinho, você sempre teve muita iniciativa. Mas, ao mesmo tempo, como que você se sentia em trabalhar na empresa do seu pai ou da sua mãe?
Não, eu gostava. Tem algumas questões de relacionamento, né, que acaba... É muito difícil separar o pessoal do profissional. Esse é um exercício que a gente trabalha e desenvolve até hoje. É muito difícil... Ah, hoje eu sou o Marcos, engenheiro. Ah, virou... Passou da 18, hoje eu sou o Marcos, filho, né? Isso é muito difícil. Mas... Eu gostei por causa da oportunidade, né? Que criança de 18 anos... Com 15 anos, 16 anos, está fazendo inspeção predial... Então, quando eu entrei na faculdade, eu já conhecia engenharia melhor que alguns professores, dependendo da área. Dentro da área de perícia, eu conhecia muito mais, porque eu já tinha... Porque.
Você vivia, de fato, no dia a dia.
Exatamente.
Os bate-papos ali, às vezes, na mesa, era engenharia.
Isso. Então tem a questão muito boa de... Você tem portas mais abertas, mas sempre tem essa pulga atrás da orelha. Estou aqui por mérito ou porque eu sou o filho do dono, né?
Não, é muito bacana.
Dono da bola, né?
Dono da bola. Então trouxe essa pergunta porque, enfim, eu tenho experiências vividas por várias pessoas e muitas pessoas vêm compartilhar experiências comigo e tal. Eu preciso ter muito cuidado e ter muita coragem para decidir não trabalhar na empresa dos pais e se lançar para o mercado. Porque, de certa forma, não é só o seu desejo de mostrar, de provar que você tem realmente capacidade, mas também você mexe um pouco com a vaidade dos pais, que você fala... Cara, eu queria que ele estivesse aqui do meu lado para eu me ensinar do meu jeito. Então, vamos a primeira pergunta aqui. Quais são os principais objetivos e benefícios das inspeções, perícias e diagnósticos na construção?
Esse campo de vistoria, inspeção e diagnóstico, perícia, ele é bastante amplo. E daí eu vou focar no diagnóstico, que eu acho que é... Primeiro que é, das vertentes dessa área, a que eu mais gosto. Que é um quebra-cabeça a ser desvendado a cada dia. E ela é muito desvalorizada, pensando em construção civil como um todo, o diagnóstico em si é desvalorizado. Porque quando você tem um problema na sua casa, ou até mesmo numa obra que você está fazendo, A primeira impulso seu é, chama ali o pedreiro, chama ali o profissional, mesmo que seja uma empresa, chama a empresa de engenharia para arrumar. Só que você compra um remédio sem ir no médico? Sem o diagnóstico da doença que você tem? A gente não tem essa cultura na construção. Normalmente a cultura da construção é, você vai chamar um profissional como eu, ou como o Felipe, que atua na patologia, no diagnóstico, se o problema voltar. Então, é na tentativa e erro. Se deu certo aquilo que foi feito, se maquiou bem, se escondeu o problema... você não vai chamar, mas se voltou, você acaba chamando. Então, é por uma dor de já ter gastado dinheiro, recursos e o problema não foi solucionado.
Eu vou só trazer um pouquinho antes uma pergunta, não pergunto assim, é também uma preocupação do meu lado aqui. Mas você já pensou em uma forma de... Você acha que existe uma forma de educar o mercado a ter essa pessoa para recorrer antes de chamar o pedreiro ali ou alguém para consertar aquele problema?
A gente tem um termo, que é atuar de forma preventiva. E daí a gente tem várias iniciativas, não muito envolvidas com o público direto, eu particularmente não, mas de conscientização, que é o barato sai caro. Então, você tomar uma decisão sem ter certeza, então você economizou num diagnóstico, vai sair mais caro. Porque você não está tratando a doença, você está tratando só o efeito. Então, você está com febre, você tomou lá a dipirona, baixou a sua febre. Só que a infecção está correndo solta por detrás, daí quando passar o efeito, você vai estar mais doente que antes.
Você vai ter um agravante. Desculpa, pode continuar? É.
Não, mas é isso. Então, assim, eu gostaria de cada vez mais elucidar mais o público, mas dentro do próprio setor de construção ainda existe essa dificuldade e eu acho que é por causa do custo. porque as pessoas normalmente tomam a decisão baseada no custo imediato e vai sair mais caro. Se eu vou gastar X para arrumar e eu tenho que gastar mais Y com o diagnóstico, obviamente sai mais caro. É que ninguém pensa a longo prazo de que aquela solução não vai durar o que deveria. Então, acaba a longo prazo sendo mais caro.
Marcos, você acha que está ligado à cultura do brasileiro isso? Porque eu te faço essa pergunta, quando a gente fala hoje... Ah, eu estou fazendo... Eu vou contratar uma empresa de consultoria e tal. Às vezes, eu tenho um cliente aqui que fornece esse tipo de solução para o mercado. E a gente tem um grande desafio que é mostrar valor nesse serviço de consultoria.
Perfeito.
Entende? Isso eu estou falando no meu caso, quando eu vou fazer esse tipo de trabalho para os meus clientes para agregar valor nos serviços deles de consultoria. Então, eu procuro buscar um tipo de comunicação onde esse meu cliente consiga transmitir para o cliente dele o valor. daquele serviço, né? No seu mercado, ele está muito ligado à cultura do brasileiro? Como que você vê isso?
É, eu acho que é mais falta de conhecimento, talvez, em parte, né? Tem uma parte da cultura, porque, na verdade, a cultura é uma forma de conhecimento, né? É, tipo, replicada de... Pelas ações, mas... Pensando, você falou um termo muito importante, valor, né? Então, se a gente conseguir mostrar valor para o cliente, é impossível que racionalmente ele tome a decisão de não contratar um diagnóstico. Porque se você fizer uma análise de risco, se eu não contratar o diagnóstico, eu tenho, sei lá, 90% de chance de ter que gastar de novo com o mesmo valor. Se eu fizer o diagnóstico, vou ter 10% de chance de gastar de novo esse valor. Então, racionalmente, não seria uma decisão racional a ser tomada. Então, acho que é mais, se você conseguir esclarecer quem tomar decisões de forma racional, não tem porquê fugir disso.
Quanto vale a segurança. Então, a decisão, a gente só sabe, na verdade, o preço das coisas ou o valor das coisas quando você toma, na verdade, uma decisão equivocada, uma decisão errada. Então, eu vou te fazer outra pergunta antes. Eu quero agradecer o apoio da produtora de vídeos Infinity Plus, que é especializada no mercado de construção, arquitetura, engenharia e indústria. Agora, eu queria te perguntar, aproveitando esse tema, como você trouxe aí o exemplo da medicina, Também a gente tem um grande agravante que é, a partir do momento que eu vou ao médico, eu tô com uma dor. e esse clínico geral. Ele simplesmente receita ali um remédio para eu tomar, beleza, eu vou e tomo. Só que eu saio de lá com a dúvida, será que realmente vai... Ele tomou essa decisão certa? Ou ele, de repente, está sendo ali... Ele está agindo de forma interesseira numa indústria farmacêutica X, que eu tenho que consumir aquele remédio com base no achismo dele.
Perfeito.
Geralmente, quando eu vou ao médico, eu não saio do consultório, eu não tomo nenhum tipo de remédio com base no achismo. De alguma forma, eu forço o médico a fazer o exame. Eu quero fazer um exame para que, de fato, esse remédio que eu vou tomar esteja alinhada com aquilo que eu estou sentindo. E tal. No seu mercado. Então, vamos aproveitar, vamos tentar agregar valor nisso. Porque eu entendo que também, da mesma forma que você tem bons profissionais, que através da experiência já vivida, ele consegue passar um remédio ali para aquela dor. Você também tem muitos aventureiros. Ainda mais quando vivemos em época de rede social, em que a gente mede muito métrica de vaidade, que as pessoas estão gerando conteúdo a todo custo. Exemplo disso é o que aconteceu agora com aquele prédio da Praia Grande. Eu vejo engenheiros aproveitando para dar diagnósticos com fotos, ou seja, fotos da internet.
Sim.
Ninguém foi lá e tirou, viveu de fato, ninguém foi lá fazer um diagnóstico presencial para entender as coisas, enfim... Então, queria... No seu mercado também, como que funciona isso?
Sim, você tocou num ponto muito importante, que é uma luta diária, que particularmente eu enfrento, pelo menos nas minhas redes sociais, eu tento combater o mal diagnóstico a todo custo. Então, eu sou... Eu quis até falar do diagnóstico, porque é uma área que me interessa muito e mesmo aquele profissional mais capacitado que tem no mercado, ele não conhece o diagnóstico em toda a sua essência, porque falta, inclusive, estudo sobre diagnóstico. Se você pegar artigos sobre diagnóstico, eles são muito nebulosos. Daí, se você pegar outros profissionais muito experientes e competentes na área, eles vão falar que o diagnóstico depende muito da experiência do perito. Então, preciso da sensação do perito. Eu discordo frontalmente.
Da sensação do perito?
É, da subjetividade do perito. E eu discordo frontalmente disso. Por quê? Quando você contrata um engenheiro para fazer um diagnóstico, você não está contratando a opinião pessoal do Marcos. Você não quer saber a minha opinião pessoal, você quer saber a opinião da engenharia sobre aquele assunto, é o que você falou. Eu não aceito a opinião pessoal do médico, eu quero uma demonstração fática, uma evidência científica. Então, nesse aspecto, eu acho que o diagnóstico tem muito a desenvolver nesse aspecto, em demonstrações, ter métodos padronizados... Que qualquer engenheiro seguindo aquele roteiro de diagnóstico vai chegar na resposta. Como se fosse uma equação matemática onde eu tenho que achar as variáveis. Na minha cabeça é isso, tanto é que o meu projeto de doutorado é esse, metodologia do diagnóstico, porque a gente tem essa carência. Mas você tem então, mesmo quem é muito bom, ainda falta porque a gente tem escassez de recursos metodológicos na área. E tem os profissionais que começam a entrar na área, E daí não tem noção do que é o diagnóstico, eles estão só na ponta do iceberg, daí a situação é bem pior. Tudo para eles é virose, né? Tudo é virose. E receita ali sempre de pirona. É aquele negócio. Tem isso na nossa área. Então, a gente tem que combater.
E quando você toca no assunto de metodologias e tal, como que funciona o processo para você chegar no diagnóstico e tal, para você poder apresentar de fato a isso aqui?
Isso. Primeiro, eu vou falar o que não é, que é o que normalmente acontece até para você. Se já contratou um diagnóstico, você vai saber se o que você contratou está suficiente ou não. O que não é. Hoje, normalmente, você vai pegar um livro... Daí, você pega o meu livro, por exemplo, que está aqui. Tem um monte de desenhos de problema. Então, o Merchan... Fazer o Merchan aproveitar, né? Você tem desenhos de fissuras, por exemplo. Então, lá tem... Fissura de retração tem essa cara. Daí, o profissional vai em campo, tira a foto e compara essa foto com a figura do livro e faz o diagnóstico. Fala... Essa fissura é de tal coisa porque no livro está escrito isso. Isso não é um diagnóstico, porque o único ponto de contato que você tem daquilo é a forma, né?
Sim.
Então, existem várias manifestações, várias doenças... Vamos pensar em doença, acho que, do ser humano, fica muito mais fácil.
É, porque você consegue falar com um público muito maior.
Isso. Então, você fala febre. Milhares de doenças causam febre. Então, milhares de problemas construtivos vão gerar aquele tipo de fissura. Então, você só ficar comparando... Eu sou bem radical, porque é crítica, né? Você ficar comparando figurinha de problema do livro com a realidade não é diagnóstico. Então, o diagnóstico, como ele funciona? Você vai coletando evidências e vai tentar montar uma história na sua mente. Uma história que a gente fala que, para ficar mais fácil a linguagear, é a história mais provável. Então, existe um método da ciência isso. Então, tudo que a gente tem hoje no diagnóstico, a gente acaba importando da ciência. Não sei se você já ouviu falar da navalha de Okham.
Não.
Que é assim, se você tem duas explicações para o mesmo problema, você vai ficar com aquela que é menos complexa, porque a realidade é simples. Então, por exemplo, se você viu um monte de pegadas na praia, Qual que é a resposta? Ah, uma pessoa andou. Tá lá e andou e fez as pegadas. Daí você vai olhar o tamanho do pé, daí você vai ver. Tamanho 43. É mais provável que seja um homem ou uma mulher?
Entendi. Será que é lógico um homem?
Isso, mas você é certeza que é homem?
Não.
Não é, porque existem mulheres que podem causar 43. Sim. O diagnóstico é isso. Você sempre vai estar trabalhando com um cenário mais plausível. Então, você, na sua cabeça, vai montando cenários vários. Um grande erro diagnóstico é montar um cenário só. Ele é aquele perito, o diagnosticador muito confiante... O primeiro cenário da mente dele é o que ele acha que é a verdade e receita e fala que é a virose.
E aí, ainda nesse momento de certeza, né, daquela pessoa que tá falando ali, ou seja, tá fazendo aquela análise e tal, ainda vou bater um pouquinho de novo nessa parte de redes sociais, de pessoas que têm uma capacidade muito grande de se lançar, de falar, e eu entendo que, ao mesmo tempo que você tem muito tempo pra estar gerando conteúdo nas redes sociais, eu entendo que você não... você acha que tá deixando de fazer, Aquilo que você realmente, em tese, faz bem, que é a execução daquilo que é a mão na massa, que é até ali realmente vivendo aquele mergulhado, ou seja, fazendo uma imersão, de fato, em descobrir uma solução ali para aquele desafio, para aquele problema, se essa pessoa tem uma capacidade muito boa de se comunicar e tal, ela acaba incutindo naquele cliente que aquilo que ela está falando é a certeza. Ou seja, é a certeza dela que aquilo é o resultado correto. Por exemplo, vocês estão vivendo hoje essa questão do... Essa pessoa gera muito conteúdo, mas com a sua habilidade, você sabe... Não, essa pessoa não tem noção nenhuma do que ela está falando. Eu estou falando isso na sua área, você conhece. Na minha área, tem gente aí que o cara está falando de uma coisa que eu fico olhando e fico... Cara, como assim? E ao mesmo tempo, eu vejo o mercado ali aplaudindo, Sim, sabe? Pessoas totalmente sem noção. Eu estou trazendo, na verdade, como o bate-papo aqui é uma coisa também para a gente levar a reflexão para o mercado, a gente fala com construtoras, com uma variedade de público muito grande do setor de construção e, sobretudo, com quem contrata. essas pessoas. Então, eu queria entender de você também se tem alguma situação vivida nesse contexto que eu tô tentando passar nessa pergunta.
Não, é muito comum. Principalmente na esfera judicial. Na esfera judicial, você acaba tendo a figura de vários peritos em simultâneo no mesmo caso. Um nomeado pelo juiz e, às vezes, um nomeado por cada parte. Daí, você tem essas discussões... Você tem.
Três ali pra cruzar.
Isso. E daí, é técnica. É técnica pura. E tudo isso tentando convencer o juiz. Obviamente que ele vai ouvir mais o perito que ele nomeou, né? E daí, para o juiz, como ele deve pensar nisso, né? Ou você como cliente que contratou a perícia, como... Será que aquelas informações, para um leigo, já não são suficientes para ser uma explicação? Será que se ele falar, fizer um exame de sangue e te falar, ó, você está com taxa de leucócito alto e isso indica que é uma virose mesmo, você já não vai ficar convencido? Muito provavelmente sim, porque você não domina a área. Então, você acredita no viés de autoridade do profissional. Daí você pode diminuir o seu risco analisando a formação dele, a experiência dele...
Fazendo um novo exame...
É, ou uma segunda opinião. Mas o principal, se você não quiser ir para uma segunda opinião, porque você pode cair em outro profissional que não sabe, existe uma coisa muito simples, que é o que normalmente eu tento, pelo menos, auxiliar nos casos judiciais, que é o que eu mais trabalho. você tem outras alternativas para o problema necessariamente. Você não tem só uma causa possível. Se você só tem uma causa possível para o problema, você não fez direito. Então, é a primeira coisa que você deve perguntar. Quais são as causas possíveis para um problema? Daí tem um protocolo médico que eu uso na engenharia, que eu ensino para os meus alunos. Mesmo se o caso for muito simples, você obrigatoriamente tem que fazer três hipóteses, levantar três hipóteses. Porque senão você pode estar envolvido com vieses. Esse viés de eu já vivi isso no passado, então eu estou associando o meu diagnóstico da semana passada com o de hoje e não estou me baseando realmente nas evidências reais. Então, obrigue ele a apresentar outros cenários e confirmar porque é o cenário que ele escolheu e não os outros. Daí sim, quando você tiver várias opções de caminho e ele te justificar qual que ele escolheu, você pode vê se é mais ou menos coerente, que é igual a pessoa andando na praia. Se ele te mostrar, tem um estudo que fala que 90% da população masculina, que 90% de quem tem calça 43 é homem, ele vai te convencer com uma evidência de um estudo.
Mais plausível, né?
Mais plausível. Mas qual a outra hipótese? Ah, teve uma mulher com o pé grande, tinha duas pessoas caminhando na praia, uma com o pé pequeno e o pé grande, isso só ficou da pé grande... Tem várias histórias. Ele falou que isso é muito pouco provável por alguns argumentos. Então, o caminho das três hipóteses é a grande dica para qualquer diagnosticador iniciante e até para você validar o diagnóstico de médico ou qualquer pessoa que for fazer um diagnóstico na sua vida. É a regra das três hipóteses.
E aí, no seu meio, existe algum gabarito onde você siga ali aquela forma de estruturar esse documento para facilitar a tomada de decisão, por exemplo, de uma forma que facilite o entendimento não só do juiz, mas também daquela pessoa que contratou? esse estudo.
Perfeito. Você está perguntando se tem um procedimento, né?
Se tem um procedimento padrão, entende? Porque a partir do momento que... Quando você está falando... Eu tenho três profissionais ali e cada profissional me apresenta um estudo com um formato. Eu entendo que isso também pode confundir a minha cabeça, porque eu não vivo aquilo.
Exato, perfeito.
Tem uma norma assim que...
A norma que a gente tem hoje, tem duas normas que podem regular muito isso. Então, eu tenho a norma de inspeção predial, que é 16.747, que regula atividades como se fosse um clínico geral fazendo um check-up no paciente. Então a inspeção predial é isso, eu vou lá no prédio e levanto todos os problemas que tem no prédio, vejo se você está fazendo manutenção, vi se você fez reforma irregular... E daí eu tenho sim uma norma que mostra o procedimento de como você fazer esse check-up e como apresentar esse relatório, esse laudo. E tem uma norma de perícias de engenharia que é voltada para o diagnóstico, quando eu quero realmente descobrir cada doença. Então o clínico geral te falou que você está com, sei lá, uma mancha no coração, você está com, sei lá, acima do peso, daí você vai ter que buscar os especialistas, você vai para o perito e ele vai fazer o diagnóstico mais aprofundado. Nesse momento do diagnóstico mais aprofundado a gente não tem um padrão Porque, na verdade, ele pode ser muito específico, ele é muito detalhado e acaba não tendo. E é justamente aí que eu pretendo desenvolver algo que eu acho que é possível estruturar melhor o que a gente tem hoje, deixando uma cara, um modelo melhor estruturado para todos seguirem.
E agora uma pergunta também muito pessoal, vivida aí, que eu já vivi em algumas situações que eu já presenciei, é em que momento eu contrato um serviço desse? Por exemplo, quando você fala de inspeção predial e tal, imagina que o meu prédio vai passar por uma reforma e eu sou síndico daquele prédio, enfim, cuido de certa forma, daquele condomínio. Quando eu contrato uma empresa para fazer essa manutenção, eu já tenho que contratar um serviço como o seu para facilitar, de certa forma, até a entrega final dessa reforma, porque a partir do momento que eu tenho um acompanhamento, um diagnóstico de possíveis problemas que eu consiga, de repente, consertar nesse processo de reforma, já que eu vou mexer ali na casca, na aparência, E tal... Assim, eu estou trazendo essa pergunta de repente para ajudar essa galera que vai fazer reforma e tal...
Eu vou deixar ela um pouco mais abrangente. Então, vamos fazer uma linha do tempo desde o nascimento da edificação. Então, nasceu, acabou de construir. Está lá passando, entregando do construtor para o usuário. Nesse momento, já é importante você fazer um checkup, uma inspeção. É no bebê recém-nascido.
Mas aí você tem a inspeção de entrega.
Isso.
Isso é uma coisa.
Isso. Então, é bom fazer um check-up. Só para a gente entender a cronologia e como funciona esse bebê. Porque o bebê é um prédio. É recém-nascido.
Você não sabe... Que de fato é um bebê. Quem é da engenharia, quem é quem vive construção sabe que é um bebê que está sendo entregue e que alguém vai cuidar.
Exato. Precisa de muitos cuidados inicialmente. As pessoas acham que é novo, não requer cuidado. É o contrário. A gente não conhece o comportamento da edificação e eu preciso de mais atenção nos primeiros anos, que é quando eu tenho uma taxa de ocorrência de anomalia muito maior do que em toda a história, até chegar na velhice. Então, quando é recém-nascido e quando é muito velho, são os momentos mais críticos da sua edificação. Isso já serve de termômetro para você tomar a decisão. Se a minha edificação é muito recém-nascida, vale a pena eu gastar energia para entender melhor ela. Se ela já está bem velhinha, idosa, também vale mais a pena eu gastar mais energia para entender melhor ela. Daí, nesse processo, periodicamente é bom fazer um check-up, que é a inspeção predial. Então, mesmo sem problema, é bom você fazer um check-up, mas vou gastar com reforma. Hoje em dia, a reforma tem a norma 16280, que regula isso, regula quais seriam procedimentos para você fazer a intervenção na edificação. Porém, nem todo mundo segue o que está escrito lá. Uma coisa importante que está lá escrito que ninguém segue exatamente. Primeiro, eu tenho que ver o impacto dessa reforma no desempenho da edificação, não só durante a reforma, mas como depois. E daí, eu tenho um exemplo de aula que para engenheiro vai ficar bem claro. Vamos tirar uma parede de vedação. Você deve estar familiarizado. A parede de vedação eu posso tirar, não tem função estrutural.
Mas é importante você falar, porque a nossa audiência que contrata muitas vezes não conhece isso.
Tá, perfeito. Então, na edificação, às vezes a parede está lá só para fechar um ambiente do outro. Então, eu tenho vigas, pilares, ilagens, colunas, como vocês queiram, que estão segurando ela, fazendo ela parar de pé.
É, aquela na verdade, até trazer um termo mais conhecido, que ela... Por exemplo, você tem a parede que tem uma função estrutural. E aí, você tem a parede de fechamento que só tem a função de fechar, não é estrutural. Que muitas vezes, quando você, por exemplo, você compra um apartamento de três dormitórios e aí a construtora pensa em uma solução. Se ele quiser transformar em um dormitório, em dois dormitórios, a gente está... Eu posso eliminar paredes e sem prejudicar a estrutura do prédio.
Perfeito, perfeito. E daí, nessa análise, pensando em estrutura, você pode arrancar a parede que ela, teoricamente, tem a resistência para se manter em pé. Porém, análise de reforma não é só se um prédio vai ficar parado de pé ou não. Você tem que analisar outras variáveis, que a gente chama de requisitos de desempenho. Um outro exemplo de intervenção que as pessoas só pensam em parar em pé, por um fechamento de vidro na varanda. A pessoa só pensa se aquele vidro não vai derrubar a varanda. E deixa de pensar em aspectos de durabilidade, segurança, conforto, que podem impactar. Então, o caso, voltando para o caso da parede de vedação... Eu tenho um caso...
É que eu ia te fazer uma pergunta também sobre isso, depois eu complemento.
Então, ele tirou a parede de vedação, é um caso real de perícia que eu fiz, tinha um vão de 10 metros, ele tirou 5 metros de parede e deixou o restante ali. Só que a estrutura ela deforma com o tempo, ela vai deformando e ela acaba comprimindo essa parede. Todos os outros andares que tinha uma parede inteira, essa deformação foi distribuída em uma área maior.
Entendi.
Então, sofreu menos esforços e não rompeu. Nessa que tinha uma pequena parede, teve a deformação que se distribuiu em uma área menor e a parede explodiu. Daí você chega na segunda-feira... no seu apartamento. Se destranca a porta e vê uma parede rachada no meio.
Pô, entrou alguém aqui, entrou um ladrão...
E daí, a causa é o esmagamento pela estrutura, mas foi porque o cara da reforma não percebeu que a parede poderia ter esse comportamento e ele tinha que mudar o encunhamento, que é a argamassa de contato da estrutura, deixá-la mais deformável, etc.
E até, já ia aproveitar para te fazer essa pergunta, já vou perguntar. Numa situação como essa, geralmente você tem a documentação da construtora, onde você tem ali a planta, é importante você entender o que é estrutura, o que é fechamento e tal, para não acontecer um tipo de problema. Geralmente, essas empresas que vão executar um tipo de reforma dessa, um tipo de intervenção dessa, eles têm acesso a esses documentos? Como funciona? E se vocês são consultados durante uma execução de uma reforma como essa que você está falando de um apartamento, mas que pode afetar outras estruturas do prédio?
Tem uma boa prática que é o seguinte, a unidade, o apartamento, contrata o engenheiro, obviamente que se ele vai fazer uma intervenção ele precisa ter noção dos projetos para conhecer o paciente dele antes de fazer qualquer intervenção, você não vai fazer uma cirurgia sem fazer uma série de baterias de exame antes, a mesma coisa na estrutura, as baterias para o engenheiro é ter acesso aos projetos, às vezes fazer algum ensaio. E é bom ter um agente com a figura do perito para acompanhar para ver se esse profissional que executa está verificando esses aspectos de desempenho. Porque essa área de análise dos impactos de qualquer intervenção, ela é uma especialidade da perícia de quem atua com patologia ou o desempenho das edificações. Então, é muito nichado. Então, quem executa reformas pode não ter o conhecimento suficiente para entender a repercussão do que ele está executando.
Está executando. E agora uma coisa que eu queria chamar a atenção, quando você fala do bebê recém-nascido que está sendo entregue ali, alguém que vai cuidar, dele, o cuidado que você tem que ter, e ao mesmo tempo quando ele está velhinho, que também ele vira um bebê de certa forma, que você também tem que ter um cuidado muito maior. Quando você fala desse cuidado, é por conta até do comportamento daquela solução construtiva que foi aplicada, porque de repente foi utilizado ali um tipo de acabamento que às vezes é algo novo, que o mercado não está acostumado ainda, não aderiu ainda aquilo bem como solução construtiva. Quais são as variáveis ou o tipo de análise que você faz durante esse período de cuidado com o bebê recém-nascido? E quais são também os cuidados, os pontos de atenção que você dá também para esse bebê que já envelheceu, que já está idoso?
Perfeito, perfeito. O grande problema do recém-nascido é que a gente nunca usou o produto, a gente nunca usou edificação. Então, eu não sei se foi executado certo. Mesmo que a construtora siga todos os procedimentos de qualidade adequados, o método hoje de verificação de qualidade é... Ele é atender alguns requisitos. A parede está reta, está com caimento para o ralo... Ele não testa se a estrutura aguenta o peso que ela foi dimensionada.
Entendi.
Então, eu não sei exatamente o comportamento, porque eu não coloquei ela em uso e é inviável eu simular condições de uso na edificação antes de entregar. Então, por isso que é importante. Se ele esqueceu de pôr aço na estrutura, é o primeiro dia que vai manifestar quando você encher de imóvel dentro do seu apartamento.
E geralmente aí você vai sofrer, na verdade, ou o vizinho de baixo vai sofrer algum impacto e vai falar, espera aí, isso aqui está vindo de onde? Pode ser do peso, do sobrepeso que está vindo do apartamento de cima.
Exatamente. Por isso que é inicial, porque a gente não sabe esse comportamento em uso dos sistemas. Alguns sistemas a gente consegue testar, tipo hidráulica. Hidráulica, a gente tem forma de pressurizar a rede, simular uma pressão maior que é de uso e daí tem uma segurança elétrica, né? Alguns sistemas é possível, outros não, tipo a estrutura.
É, porque você não está vendo, né? Enfim, inclusive o aço. Você não sabe se ele estava pedindo, por exemplo, seis barras e o cara utilizou quatro.
Exato.
Então, você tem um grande desafio. Agora, tem uma pergunta aqui da internet, é... Quais são as responsabilidades legais dos profissionais responsáveis pelas inspeções e perícias na construção?
Isso é uma pergunta muito... Porque, de.
Certa forma, você está, enfim, você está dando ali uma opinião e quais são as responsabilidades, assim, legais?
Assim, tem duas responsabilidades, eu diria. Primeiro, no que você especifica de causa. Então, se você é um médico que identifica uma doença e receita o remédio errado, você é responsável se isso não for o tratamento adequado para o paciente. E você tem uma outra responsabilidade que é por omitir alguma coisa, deixar de ver, que eu acho que é a que mais pode pegar até. Então, profissionais que às vezes vão, fazem, assinam laudo sem ir no local. Então, eles estão assumindo um risco de ter um problema lá que eles não viram. E daí eles estão se responsabilizando, porque eles estão... Eu vou atestar no laudo que o paciente só tem um problema, só que ele tem um segundo problema oculto. E isso que gera um sinistro, algum problema. Eu vou ser responsável... Pelo menos corresponsável eu vou ser. Então, até uma coisa muito importante que eu oriento quem atua na área é o seguinte... Você se responsabiliza pelo escopo que você definiu no seu laudo. Então, se eu estou falando que estou inspecionando térreo, Se aparecer um problema no primeiro andar, eu não vou ser responsabilizado, porque eu não fui até lá. Então, o escopo é muito importante. Porque as pessoas, às vezes, na hora de redigir o laudo, engenheiro não é a melhor profissional para escrita.
Mas ele tem que ter um apoio ali, conhece o meio... E daí, às.
Vezes, os termos utilizados ou são ambíguos ou muito abrangentes. O maior problema é ser muito abrangente. Então, eu falo assim... Eu vim fazer a inspeção da edificação. Estou pressupondo que é 100%, certo? Mas às vezes não, ele está indo só em alguns lugares, ele não deixa isso claro. Então, ele está se responsabilizando por algo que ele não inspecionou de fato, por um erro de precisão na escrita. E outro que eu acho mais importante, que é a minha área do método... Eu adoro o método... É o que era possível de você observar com o método que você propôs. Então, se você vendeu uma inspeção só visual e tinha um problema no núcleo da estrutura e ela rompeu por causa desse problema, eu não posso responsabilizar o profissional porque ele não tinha como ver aquilo. O ideal é você já prever isso. Se eu sou um bom profissional, eu sei que a inspeção sensorial é insuficiente para ver determinado problema e eu vou sugerir no meu escopo esses ensaios aqui. Mesmo com ensaios, não é certeza que eu descubra, porque a maioria dos ensaios que a gente tem hoje são destrutivos. Então, eu vou gerar danos na edificação caçando. É tipo, vamos fazer uma cirurgia exploratória no seu tórax para ver se eu vou achar algum problema. Não faz sentido. Então, tem essa limitação tecnológica.
É, e quando você falar nesse ponto que você colocou importante que você não vai fazer da edificação inteira, você vai pegar pontos ali.
E daí, eu vou extrapolar por todo. Então, eu não consigo ter a amostra representativa. Mas tudo bem, vamos supor que você não conseguiu vender, você falou isso, mas o cliente fala que não tem o dinheiro. Muitos profissionais acabam fechando só a sensorial porque o cliente não está disposto às vezes a pagar. Então, qual seria a minha conduta? Eu oriento esse escopo, porém se você... quiser fazer um escopo mais reduzido, é melhor que nada. Daí pensa... Sem diagnóstico nenhum, sem ir no médico, é melhor que pelo menos o médico faça uma análise clínica.
Com a experiência dele e tal...
Exatamente. E daí, nesse momento que você fez a inspeção sensorial, você no seu laudo recomenda um complemento. E daí você se resguarda... Eu fiz aqui, sensorialmente não tem nenhum indício, porém recomendo que sejam feitas tais ensaios. Então, você acaba não fazendo o ideal e isso pode esbarrar um pouco na questão ética, porque eu não posso, como profissional, me submeter à decisão do cliente, porque eu que sou a autoridade sobre o assunto é a minha decisão que deve valer. Porém, eu também não posso ser hipócrita de... de negar o trabalho, que a gente precisa fechar trabalho...
É, que depende do momento da empresa também, do momento que você está passando, das contas que você tem para pagar, então tem uma série de...
Não, e até pensando no bem-estar do cliente, ele só vai fechar com aquele valor. Então, é melhor que seja eu consciente do que eu inconsciente.
Sim.
Então, não é lógico punir aquela pessoa que foi mais consciente e correta possível, só porque ela não seguiu um escopo ideal. Então, essa é a minha opinião sobre o assunto.
Bacana, mas faz assim, acho que respondeu. Faz sentido.
É, tem sentido.
Sim, muito. Faz todo sentido. Eu tenho mais uma pergunta aqui. Quais são as tendências e perspectivas futuras para o campo das inspeções, perícias de diagnóstico na construção?
Legal, legal. A gente tem bastante coisa tecnológica nova, né? Então a gente tem a questão do drone, que não só como câmera que voa, mas com softwares por detrás que conseguem identificar e reconhecer padrões. Isso acho que vai ser uma grande tendência, facilitar muito a vida de quem faz diagnóstico. Imagina eu fazer um scanner de uma fachada, filmando ou tirando foto e esse software já me identificar todas as fissuras, todas as anomalias... Então, vai tirar um pouco de erro humano. você tendo uma máquina por detrás. Pode deixar a gente preguiçoso, né? Então, eu posso ficar submetido a um erro da máquina, mas eu posso fazer um double check, né? Então, tem análise humana ainda do computador, então isso tende a ser mais rápido, melhor e de mais baixo custo.
Não, é bacana. E os drones, eles vieram para revolucionar mesmo. Hoje, você tem drones com três câmeras, então eu estou em uma altura, não preciso ficar descendo, movimentando tanto... Tem a questão aí da análise por temperatura, né? Então, acho que é um ponto bem importante que você trouxe aqui, que vale a pena, enfim, reforçar. E nessa parte de, como você citou, de tecnologia, ao mesmo tempo, que a tecnologia vem para somar, também atrapalha muito, principalmente nesse ponto que ela acaba deixando as pessoas com preguiça de pensar e, sobretudo, muito refém da tecnologia. No seu meio, como está sendo o uso da tecnologia nessa questão? Porque quando a gente fala da experiência também do perito, da pessoa que está ali fazendo aquele diagnóstico, tudo bem, isso conta muito. Mas e a tecnologia como meio? Como está sendo utilizada? Além dos drones, é claro.
Sim. A gente tem, para esse aspecto, a gente tem softwares que fazem cálculos, dimensionamentos, a gente tem o próprio chat GPT Agora está sendo usado a inteligência artificial até para ajudar no diagnóstico. Eu acho que no futuro a gente vai ter inteligência que vai conseguir. O drone vai lá, escaneia, vê a fissura e a inteligência já faz o diagnóstico da fissura. Isso eu acho que não está muito distante. que... Mas é tudo uma questão de consciência do profissional. Ele tem que saber que aquilo é uma ferramenta e ele não está dando a resposta certa. Porque se você coloca lixo na entrada, vai sair lixo na saída.
Sim.
Então, é uma questão de conscientização. Obviamente que o instinto humano é conservar energia. Então, quanto menos eu pensar e mais eu ganhar dinheiro com isso, mais eu vou...
É melhor!
Então, é mais uma questão, acho que, de conscientização das pessoas de que aquilo não traz a resposta absoluta, principalmente em software de cálculo. Quem mexe com o dimensionamento de estrutura, por exemplo, sabe que o software te dá mastigado todos os valores. Só que se você lançou algum dado errado ou tem alguma configuração particular da estrutura que o software não consegue entender ou ele tem uma limitação, você vai ter que ir manualmente e fazer o detalhamento daquele local.
Então, é importante checar. Mesmo você usando tecnologia, dá uma checada geral para ver se... Porque, de repente, você pode ter um número que com a sua experiência, com o que você já vive ali no dia a dia, você fala... Peraí, isso aqui tem alguma coisa errada... Você vai lá e conserta. Você não fica tão refém da tecnologia. Beleza, fiz. Está ok. Não, checa. Essa checagem é importante.
Na minha área de diagnóstico, seria como se fosse um falso positivo ou um falso negativo. Você tem que saber que isso é possível. Então, o resultado de um ensaio, de um exame, não necessariamente representa a realidade. Então, sempre você tem que fazer essa checagem. Mas com o software, você ganha tempo, porque em vez de eu checar 100%, eu consigo analisar amostralmente nos pontos mais.
Críticos e ganhar velocidade. O software já te traz uma estrutura mais para você, de repente, só ir alimentando os dados, trocando informação por outra. Então, isso é importante. Você tem alguma coisa que você gostaria de falar que eu deixei de te perguntar?
Não, acredito que não. A gente fala bastante.
Falamos até demais, né? A gente coloca aí situações...
Falamos bastante.
O Marcos, e assim, a gente tem um quadro aqui, Convidado com Vida, eu queria ouvir de você, quem você gostaria de ver e ouvir aqui no Constricash?
É, uma boa pergunta.
Você se preparou para isso ou não?
Não me preparei. Posso passar depois ou tem que ser aqui na lata mesmo?
Tem que ser na lata.
Na lata?
Porque da mesma forma que a gente fala aquela coisa, por exemplo, é muito fácil a gente falar dos problemas das pessoas e quando a gente fala de qualidades, a gente tem, às vezes, dificuldade para falar. Então, é uma forma de repente você lembrar de algum profissional, não precisa ser... necessariamente da sua área de engenharia, mas pode ser arquiteto, enfim... Alguém que represente uma empresa de serviço na sua área. Fiquei encantado com o serviço que uma empresa prestou em uma obra que eu participei e tal. Então, eu acredito que você conheça bastante aí.
Sim, sim. Tem uma pessoa que eu tenho um carinho muito grande por ela e ela é uma arquiteta, trabalha com patrimônio histórico. Não sei se vocês já entrevistaram alguém dessa área.
Não.
Mas é uma área muito interessante. Eu mesmo tinha começado doutorado em arquitetura só para trabalhar com patrimônio, que é uma área bem fechada para os arquitetos. Então, a Fernanda Craveiro, amiga minha... Fernanda. Ela trabalha com patrimônio histórico, então, com edificações tombadas, essas coisas...
Bacana. Então, imagina... Hoje, inclusive, eu estava conversando com o Roberto Loeb e a gente estava falando dessa parte de preservação, de você preservar uma história. Enfim, acho que nada... Não foi por acaso, você sugeriu.
Legal, legal.
Que era uma pauta que a gente estava aqui para tratar e você já trouxe.
Que bom. Tem uma sinergia da arquitetura com a patologia... Sim, sim.
É muito bacana, né? E quando a gente estava falando do... Como foi falado aqui, né? Do bebê que virou um velhinho e tal... Acho que faz todo... Faz todo sentido.
Vamos falar de geriatria depois.
Sim, vamos falar de geriatria. Então, faz todo sentido. Agora eu queria que você falasse um pouquinho, você que conheceu um pouco o ConstriCast, o que esse canal representa para você, tendo em vista que a gente vem com esse propósito de unir toda a cadeia, de falar de diferentes sistemas construtivos e não defender só o concreto, o aço, o vidro, enfim, então a gente fala de soluções construtivas, como um todo, fala de conexões, então a gente entende que um empreendimento você tem o arquiteto que desenhou, você tem um engenheiro que tornou aquilo de pé, mas você tem também a mão de obra que concretizou aquele sonho, inclusive você tem os engenheiros como você que aparece ali para trazer um diagnóstico muitas vezes de viabilidade de execução de uma reforma, por exemplo, de como preservar mais, ou seja, como que eu uso, trago soluções que vão evitar possíveis problemas no futuro com o tipo de material utilizado. Então, eu queria que você falasse um pouquinho o que o ConstruCast representa para você como engenheiro civil.
Perfeito. Uma coisa que eu acho que é uma contribuição do ConstruCast é não trazer uma visão muito limitada, circunscrita a um tema. Porque, na verdade, a interação dos agentes da construção são diversas, como você falou, é multidisciplinar. Não só profissional, mas de usuários, de sociedade. A construção tem um impacto social, cultural, que a gente às vezes nem imagina. Então, a gente começar a colocar a realidade em caixas é só uma forma de a gente simplificar ela para a gente entender, só que o ideal é essa proposta de analisar o todo. Quanto mais eu entendo o todo, mais eu consigo entender as inter-relações e fazer melhor o meu trabalho. Eu tenho uma frase que é bem interessante... Eu só comecei a ser um engenheiro melhor depois que comecei a estudar coisas que não eram de engenharia, porque daí eu comecei a entender a realidade como ela é, não como o engenheiro enxerga.
É, faz todo sentido. Inclusive, quando eu falo dessa questão de união, de entender como as coisas funcionam, é... Por que não ouvir quem contratou aquele serviço, quem vai morar naquela edificação, naquele edifício? Então, é bem... Está tudo muito ligado, assim. Esse é o nosso desafio, o nosso propósito aqui.
Perfeito. E é um modelo de sistema de gestão, você ouve os usuários, todos os stakeholders, todas as partes envolvidas, então é perfeito. E acho muito bom esse projeto, esse ideal e desejo muito sucesso para Construicast.
Bacana, vamos juntos construir esse canal, construir essas pontes para que de fato a gente consiga deixar um legado para as próximas gerações, para os próximos engenheiros, enfim, arquitetos e profissionais da construção. Agora eu queria te passar aí as palavras finais pra gente encerrar esse conteúdo incrível, enfim, cheio de insights.
Legal. Primeiro, gostaria de agradecer. É uma honra sempre estar podendo compartilhar, ser convidado. As pessoas querendo me ouvir já é um privilégio, você ser ouvido, então eu agradeço muito essa oportunidade porque eu tenho muita coisa para falar, que eu gosto de falar dessa área especificamente de perícia, que é a minha paixão, eu sou um orca rólico e gosto muito de falar sobre o tema e falar, então muito obrigado pela oportunidade, estar aqui compartilhando, então toda a troca, né? Sempre que eu acabo conversando, a gente acaba tendo insights. Então, você me deu várias realidades nas suas perguntas, né? Coisas que me fizeram refletir, enxergar a realidade de forma distinta. Então, essa troca, acho que ambos acabam ganhando. E toda audiência acaba ganhando também com essas trocas.
Não, bacana. E por falar de troca, eu queria que você falasse também dos seus livros. Sim.
Você já quer trocar?
Eu já quero trocar. Eu já quero, inclusive, que você falasse um pouco, não só desse, mas você tem mais três, e queria que você falasse um pouquinho. Aproveita aí a nossa audiência.
Esse daqui é um livro em inspeção e recebimento de obras.
Esse é meu, né?
É, esse aqui é um presente.
Então, esse daqui você devolve para mim. É meu. Esse aqui é meu.
Ele foi uma dissertação de mestrado, que foi uma necessidade, a mesma necessidade que eu falei hoje do diagnóstico, Na época eu identificava essa carência na inspeção de recebimento. Cada profissional fazia de um jeito, não tinha modelo, padrão e método. Então, a proposta é ter um método padronizado para fazer a inspeção de todos os sistemas construtivos da edificação.
Não, é bacana, é bem ilustrativo, bem...
É, tem foto de tudo, né? São vários checklists. Eu falo que ele é um resumo de todas as normas técnicas possíveis de serem observadas no momento do recebimento. Então, é um resumo de mais de 100 normas que eu fiz em formato de checklist. para você ir olhando ali. São 100 normas mastigadas no livro, ilustradas.
É muito bacana, bem ilustrativo, bem muito fácil de entender. E os outros livros, quais são?
Os outros são capítulos que eu escrevi, que é o Manual de Engenharia Diagnóstica, que eu escrevi junto com 33 outros autores. onde eu falo de metodologia do diagnóstico, que é o que a gente falou um pouco aqui hoje, e falo também de inspeção de recebimento. Então tem dois capítulos nesse livro. Tem um livro que chama Building Pathology, Durability and Service Life, que é uma editora europeia, Springer, que eu escrevi sobre inspeção e recebimento de estruturas. E eu escrevi um capítulo de ensaios não destrutivos no Manual de Caça-Vazamento, publicado pela Yamatec.
É, os nomes bem gigantes, assim...
É, o nome é aquele... Tem que chamar atenção o nome.
É, então se o propósito do Constricash é promover ideias e soluções, aqui você está tendo várias dicas, todos os livros, a gente vai colocar os nomes. aqui nos canais de áudio e de vídeo, para que as pessoas tenham acesso. E quem quiser conhecer mais sobre o nosso convidado Marcos Gross, também vamos colocar o contato dele aqui na transcrição. Então, um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constricast.
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