Planejamento de Obras | Estratégia | Engenharia Civil | PodCast

Podcast episode (Portuguese) where host Paulo/ Speaker A interviews engineer Hélio Ferreira Júnior about planning in construction. Key points: good planning must start during budget/conception and covers logistics, equipment selection (e.g., grua vs minigrua), sequencing and team dimensioning; common errors include not accounting for material movement, limited equipment capacity, and inadequate supplier lead times. Technology (BIM 4D/5D) helps but is underused due to interoperability and business-model limits. Reengineering done at conception can reduce structural elements (~30% fewer pillars) and enable industrialized systems (drywall, kits) improving productivity and reducing labor needs. Important metrics: respect for execution sequencing, adherence to planned workflows, and indicators beyond just final delivery time. Lead-time examples: crane supply ~6 months; escoramento ~120–150 days. Interviewee runs mentorships and is moving to back-office/management roles.
Questions this video answers
6 de março de 2025
Aproximadamente 30%.
Cerca de 6 meses.
Cerca de 120 dias; processo completo considerado ~150 dias.
Chapters
Qual o impacto de um bom planejamento no custo e no prazo de uma obra? Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Para falar sobre o assunto, eu recebo Hélio Ferreira Júnior, que tem uma vasta experiência e você vai conseguir acompanhar isso a partir de agora. Hélio, seja bem-vindo a mais um episódio aqui no ConstraeCast.
Muito obrigado, é um prazer estar aqui contigo.
Eu queria, antes de começar o nosso bate-papo sobre planejamento de obra, Eu queria que você falasse um pouquinho da sua experiência no mercado, tendo em vista que eu te conheci em um canteiro de obra, e que canteiro de obra, não à toa, eu tô falando dessa forma, com muita segurança, que você vai entregar um conteúdo incrível aqui pra nossa audiência.
Perfeito, obrigado pelo convite. Me apresentando um pouco, e eu sempre nessas conversas eu gosto de resgatar a essência, porque eu acho que a nossa essência consegue inspirar pessoas. A ideia de ser engenheiro civil veio lá atrás, na infância. Eu tive uma professora bastante inspiradora, e ela me convidou para fazer um trabalho. Um trabalho de qual profissão você queria ser, queria ter quando crescer. E por falta de referência, eu não fiz aquele trabalho. E ela, isso vai até em homenagem aos professores, ela se abaixou no meu tamanho e falou, Elio, você pode ser aquilo que você quiser. desde que você se dedique e corra atrás dos seus sonhos. E com aquilo, e por ter facilidade em números, em desenhar, eu optei pela engenharia civil. E é uma área que eu me realizo todos os dias. pouco mais de 10 anos em canteiros de obra, em gestão de empreendimentos de alto e altíssimo padrão. Então eu participei de empreendimentos comerciais, residenciais, de uso misto, o colégio onde nós nos conhecemos.
O Colégio Bandeirantes, que é um baita case, né?
Foi um case de engenharia no momento pós-pandêmico, alta de preço, uma gestão tanto de contrato, gestão de pessoas, gestão de conflitos e gestão estratégica, propriamente dita, do projeto. Foi um grande desafio, foi um prazer a gente conversar naquele momento de questão.
Não, bacana. Então, eu quero aproveitar para pedir para você se inscrever, seguir nossas redes sociais e agradecer também aos nossos patrocinadores. São eles que fazem com que esse canal tenha a força que tem. Eu preciso de ajuda para bancar tudo isso aqui, todo esse custo. Agora, Hélio, queria que você respondesse a minha pergunta do início. Qual o impacto de um bom planejamento no custo e no prazo de uma obra? Perfeito.
O bom planejamento vai ser um dos principais norteadores que indica se aquela obra vai ter uma entrega de sucesso ou não. O planejamento começa desde a fase inicial do projeto, que vai desde a concepção inicial, no planejamento de canteiro, as diretrizes, qual técnica executiva vai ser executada, até o momento de planejamento da fase final do empreendimento. Então, acho que um bom planejamento envolve todas as fases do projeto, acaba abrangendo todas as interfaces do empreendimento.
Agora, antes de fazer a próxima pergunta, eu queria... fazer uma pergunta muito comprometedora, vamos dizer assim, quais são os principais erros que atrasam e encarecem um projeto?
Os principais erros voltados para planejamento, vamos dizer assim, concepção dos equipamentos logísticos, Logística.
Tem um problema, né?
Nos canteiros. Acho que vale a pena você marcar um episódio aí pra falar só de logística. Trazer profissionais aqui pra falar desse assunto. Acho que a logística, a disponibilização desses equipamentos pensados, né? O sequenciamento, né? Muitas das vezes o projeto ele nasce e isso não é incomum, tá? eles nascessem pensar num fluxo de execução de serviço, pensar num prazo sem o dimensionamento de equipe. Porque muitas das vezes a gente, a construtora, ela é uma terceirizada da incorporadora em muitas das situações. onde a gente não detém como construtora da mão de obra própria, muitas vezes a gente terceiriza por questões de risco, por questões de disponibilidade de mão de obra.
Custo também?
Custo também. E muitas das vezes parte da premissa é de não dimensionar a equipe para execução da atividade e sim cobrar apenas a entrega da atividade no prazo. E sendo que essa concepção depende de vários fatores. Movimentação de materiais, equipamentos, disponibilidade de mão de obra, logística, movimentação. Então, são vários fatores que a gente acaba não amarrando, o mercado acaba não amarrando na concepção do prazo de execução daquela atividade dentro de um macrofluxo. Então, isso é um fator determinante.
Então você pode trazer algum exemplo dentro, por exemplo, de movimentação? Dá um exemplo de uma grua, por exemplo.
Por exemplo, uma grua. Hoje não é incomum estruturas de concreto serem pensadas em serem executadas com equipamento de minigrua, onde a gente sabe que um equipamento de transporte vertical otimiza a movimentação de materiais, porém ela tem algumas limitações, que eu cito comprimento de lança, peso de carga suspensa, O operador não está propriamente no equipamento, ele está fora. Então envolve vários riscos de limitação de visibilidade. Num canteiro, eu necessito que os materiais fiquem alocados próximo da área de içamento e a gente, por ter um braço limitado, a gente sabe que isso acaba criando uma movimentação adicional na parte de recepção desse material. Então, assim, quando a obra nasce com esse equipamento, que a gente sabe que ele ajuda, porém ele é limitado em questão do todo.
Você tem limitações ali, né?
Tem limitações. Então, o ideal seria toda obra hoje nascer com uma grua, por exemplo, onde Ela tem um custo elevado, porém tem outros custos que a gente não consegue hoje ou na fase de orçamentação mensurar, que é o custo de movimentação, otimização de serventia, afinal não preciso lá embaixo no meu pátio ficar movimentando materiais. E também hoje temos que falar que os nossos canteiros são cada vez mais esbeltos. Então acaba ficando limitado essa questão de transporte e armadilhamento de material.
Olha, nessa experiência que você tem com grandes obras, sempre ali atuando em obras importantes e com certeza também você teve ali a sorte de trabalhar junto com bons profissionais, que dica você daria para minimizar esses, na verdade, eu diria que esses transtornos, porque a partir do momento que eu escolho um equipamento que ele não vai suprir as minhas necessidades do dia a dia, eu vou acabar tendo, criando transtorno que vai impactar de fato no cronograma da minha obra.
Eu uso uma palavra muito simples que eu ensino que isso vale desde um gestor do contrato até um estagiário que está começando. É uma palavra comum, que ela parece ser até infantil, mas ela é muito agregadora quando você sabe utilizar ela. Como eu vou executar aquela atividade? Então, quando a gente pega cada atividade e pensa nela, como se executa, entende e sabe dar técnica para... são as predecessoras e as sucessoras daquela atividade, eu consigo me aprofundar naquela atividade para poder trazer o resultado esperado. Vou te dar um exemplo. Quando a obra nasce com orçamento puro, sem pensar em como vai se executar apenas com macrofluxo simples, a gente acaba se deparando com uma série de custos adicionais não inseridos naqueles orçamentos. Vamos pegar um exemplo de um empreendimento com terreno limitado de espaço. Eu orço a escavação por metro cúbico no corte, tá? Porém, O caminhão muitas das vezes não consegue adentrar no meu empreendimento para poder eu cortar aquela terra e armazenar direto no caminhão para fazer o descarte. Eu tenho que fazer o que a gente chama de tombo.
Seria o tombo?
O tombo seria jogar a terra de um lado para o outro e naquele outro espaço eu fazer uma nova movimentação. Então, quando eu tenho esse movimento, ou eu aloco outro equipamento, eu pegar daqui e jogar para cá, daqui e jogar no caminhão, ou então eu tenho que fazer esse mesmo equipamento, deixar de produzir para fazer uma nova movimentação. E isso, além do prazo ser impactado, custo de equipamento adicional, eu tenho uma questão de empolamento daquele solo. Isso, se não pensado na etapa de concepção do orçamento, eu acho que é um grande segredo, o planejamento adentrar na etapa de orçamentação, a gente acaba tendo vários custos adicionais. O outro exemplo, voltando até para a mini-grua, quando eu penso apenas na mini-grua, que ela atende a questão também da minha área, da minha laje, Muitas das vezes eu não consigo pensar em quanto aquele equipamento pode me otimizar, onde eu consigo chegar com blocos paletizados, cargas direto da indústria de drywall paletizada e trazer para o meu pavimento, ensacados paletizados. Então, ou seja, são muitos custos que muitas das vezes a equipe de orçamentação, por não ter a visibilidade de execução, acaba falhando na etapa inicial de orçamento.
E é interessante, nesse planejamento também do dia de obra, o elevador cremalheiro entra também nesse... acaba impactando, porque às vezes quando eu visito obras próximo do horário de almoço, às vezes, ou dependendo do horário de lanche, eu percebo que tem ali um certo congestionamento, que essa movimentação de pessoas também atrapalha o deslocamento de materiais.
Absurdamente. num fluxo normal de empreendimento, pensando num ator residencial, onde eu tenho um fluxo convencional de atividades, de sequenciamento de serviço, eu tenho cinco atividades que são caminho crítico. Ou seja, se aquela atividade for impactada em um dia, ela impacta em um dia no meu cronograma. Então, se ela atrasar um dia na minha atividade, ela atrasa um dia no meu cronograma. Evidente que tem várias outras técnicas, mudanças de planos de ataque para eu tentar recuperar, Mas, por conceito, é isso. Que é a primeira, a fundação. Se eu não faço a fundação, não consigo fazer nenhuma outra atividade. A segunda atividade é a minha estrutura. Se eu não faço uma laje, não consigo. A laje tá pra fazer em uma semana. Se eu atrasar essa laje na semana seguinte, eu não consigo fazer duas lajes. por técnica, por sequência de serviço, assim como fundação. Se eu não fizer a fundação, eu não consigo fazer mais rápido outra atividade. Evidente que isso gera custo. Custo e prazo andam juntos sempre. A terceira atividade é elevador. A quarta atividade é a fachada. E a quinta atividade é a própria atividade do macrofluxo. Muitas das vezes, eu atraso a estrutura onde você olha para São Paulo, tem muitos empreendimentos, onde você vê o esqueleto do prédio lá em cima, né? E a alvenaria e as demais atividades lá embaixo. E hoje, com a nossa disponibilidade de mão de obra, evidente que se eu colocasse 10 equipes ao mesmo tempo, eu conseguiria fazer 10 pavimentos no mesmo time, considerando uma produtividade padrão.
Porque eu já tenho estrutura, né?
Exato. Porém, Eu teria que ter um recurso de conferência desses serviços. Eu tenho uma disponibilidade de equipamento para transporte vertical para colocar essas 10 equipes. Eu tenho vazão nas demais atividades diretamente relacionado com o custo aéreo mas eu posso colocar 10 equipes eu tiro atrás da alvenaria tira. vai ter gargalo de logística. Porém, e o custo? Eu vou ter gente para conferir? Esse é um ponto. Outro ponto, as demais equipes vão colocar dez equipes para eu buscar o meu atraso? Eles vão cobrar esse custo? Vai ser dois turnos? Vai ter três turnos? Quem vai acompanhar esses turnos? E a questão de segurança? Então acaba sendo gargalo. Elevador, porque sem elevador muitas vezes não acaba o rol. Eu não faço a entrega de alvarácio, eu não tiro o meu hábito do empreendimento. E o cremalheira? ele acaba impactando na minha fachada. Então, muitas das vezes, as cremaleiras são alocadas na fachada e se eu não tiro o elevador, eu não tiro a cremaleira para a movimentação de material e pessoas, eu não finalizo a minha fachada. E se eu não finalizo a minha fachada, eu não consigo finalizar o meu empreendimento, meus apartamentos, fazer as entregas.
Eu achei interessante essa questão que você fala, por mais que eu tivesse a possibilidade de trabalhar com dez frentes ao mesmo tempo, será que eu teria equipamento para servir essas dez frentes? Realmente.
A obra foi pensada e a gente acaba se enganando quando a gente faz projeção de cronograma, quando eu atraso o início do meu macrofluxo. Então a obra foi concebida para fazer a implantação, fundações, estrutura e inicia-se o macrofluxo após o tirado e descolamento. E aqui muitas vezes acaba travando por um tema que é muito relevante, que é suprimentos, contratações. Mas não vamos entrar, adentrar aqui que vai longe.
Vai longe.
Mas quando isso impacta, o empreendimento, como ele foi pensado no macrofluxo, fazer uma atividade a cada, que seja uma atividade por semana sequenciada, o meu equipamento cremaleira foi minimamente pensado para atender essa demanda. Então, ele tem que ser pensado na concepção de orçamentação. Então, sempre está amarrado o custo-prazo. Então, quando eu tenho o descolamento inicial, por mais que eu tente atender o macrofluxo, o meu prazo final, ele é impactado. A gente acaba fazendo um achatamento de cronograma. A atividade que era para cinco dias, eu vou colocar em quatro dias, o meu software, ele vai atender isso, ele vai respeitar. Ele falou, opa, realmente dá para acabar o prazo, mas será que dá mesmo? Eu tenho pessoas conferindo. Para efeito de visual, você vê a casca do empreendimento, mas hoje é tão complexo a questão de projetos, qualidade do projeto, velocidade como você recebe, compatibilização, apesar de a gente estar falando BIM aqui no Brasil, é recente, mas não é tão recente no mundo, não é tão utilizado no dia a dia, na prática. É muito bonito para efeito de marketização, mas no front, para o mestre de obra, para aquele tocador, Não é. Então assim, o nosso projeto hoje acaba, é triste falar isso, mas acaba sendo apenas... Indicativos.
Teríamos que ter mais investimento na formação desses profissionais para a gente ter de fato ajuda da tecnologia que está aí para ajudar.
Como se muitas das vezes os nossos mestres eles acabam utilizando os projetos como indicativos. O projeto indica que ali eu tenho uma luminária mas não necessariamente é ali que aquela luminária consegue se adequar. Muitas das vezes eu tenho instalações que impactam naquilo ali e o custo de readequar aquilo ali acaba não encaixando.
E quando a gente fala de plano de ataque, como lidar com esses imprevistos nas obras para que isso não impacte no cronograma da obra?
Um grande segredo, falando de plano de ataque, são duas disciplinas trabalhando junto, que é contratação antecipada, e o planejamento estratégico e logístico pensado antecipado. O mundo ideal. Na etapa de orçamento, eu tenho uma equipe de planejamento envolvida para informar como eu vou executar aquele empreendimento, considerando distanciamento, zona máxima de restrição de caminhão, pesos, volumetrias dos materiais a serem alocados, a técnica a ser utilizada, para que o meu orçamento nasça completo. Esse é o primeiro ponto. Partindo da premissa que isso aconteceu, eu tenho um planejamento pensado com tudo isso. O sequenciamento, as disposições de entradas e saídas de materiais, equipamentos de transporte vertical, grua, maquinários de movimentação dentro do canteiro, paralelismo entre equipamentos de gruas, por exemplo, execução de fachada, em paralelo com a execução de estrutura, como foi o caso do Colégio Bandeirantes, E com isso, eu consigo otimizar o meu trabalho produtivo dentro do canteiro. Então, tudo nasce lá no conceito. Agora, respondendo de forma objetiva a sua pergunta, que é como lidar com isso. sabendo que esses dois elementos trabalham em paralelo. Então, como foi pensado? Se não foi pensado da forma que se deve, necessita um trabalho de engenharia apurado de fazer e responder aquela palavra que eu te falei, como vamos fazer? Entendido como nós iremos fazer, temos recurso suficiente? Não. Então, como nós podemos fazer reengenharia? O que a gente precisa, o que a gente tem de artifício de engenharia para entregar a mesma qualidade que o meu incorporador necessita, que a minha empresa precisa, com o recurso disponível? Feito isso, como minha estratégia de suprimentos, de contratações, me atende? feito esse trabalho em conjunto, tende a minimizar os impactos na obra.
Quando você fala em como, eu recebo aqui muitos convidados, eu já ouvi de dezenas deles, que as pessoas têm preguiça de pensar. E aí você traz esse como, e esse como eu entendo que ele é direcionado para aquele profissional que está ali na linha de frente. Seria isso?
É isso aí. Seria para o nosso equipe de engenharia. Porque hoje a inteligência artificial veio para ficar. Hoje nós temos projetos bastante complexos. Hoje a forma de construir não é a mesma forma de construir de 5 a 10 anos atrás.
É, inclusive eu queria até te perguntar como que a tecnologia entra para ajudar nesse planejamento.
Hoje a gente tem bastante artifícios, né? Do BIM para nos ajudar na etapa. Tem o BIM até o 7D. Inclusive, a minha tese foi de BIM. tem um BIM 3D, 4D, 5D, onde eu tenho as interfaces primeiro com planejamento, que é o 4D, eu tenho a interface 5D, que é com parte de orçamento. Hoje se utiliza isso, mas na prática, no dia a dia, nem todos os escritórios que estão envolvidos naquele projeto, onde a gente sabe que o ciclo de vida de um projeto de construção civil aqui nosso é bastante extenso, desde a compra do terreno até a entrega, gira em torno de cinco a seis anos, Então a gente acaba pegando flashes. Falando da construtora pura, onde a gente participa muitas das vezes só do processo de concorrência e execução da obra, a gente não tem uma interface de inteligência, de tecnologia na fase de concepção do projeto, determinar novas metodologias construtivas, orçamentação executiva, projeto final e execução da obra. E apesar de ter a tecnologia, hoje o nosso modelo de negócio muitas das vezes não facilita com que essa tecnologia seja utilizada. Acaba sendo um pouco filosófico falar de BIM.
Sim. É isso que eu noto. Até eu queria acrescentar mais um tempero nessa conversa de BIM. Hoje você tem aí muitas empresas que disponibilizam a biblioteca dos equipamentos ali em BIM. Eles fornecem isso para você no momento de orçamento. Só que muitas vezes quando eu estou orçando, vou dar um exemplo aqui, uma empresa de formas e escoramentos. Imagina que essa empresa tem uma biblioteca, BIM, ela está participando desse processo de concorrência. O BIM, nesse momento de orçamento, ele é utilizado para você ter uma precisão e inclusive uma segurança de orçamento?
Sim, ele é utilizado. Hoje, por exemplo, na consultoria anterior que eu estava, a gente utilizava-se do BIM para projetos próprios. Mas quando recebemos, muitas das vezes, projetos de terceiros, nem todas as disciplinas estão modeladas no BIM. Nem todas as disciplinas têm o modelo que a gente chama de modelo universal, que é o IFC, para poder extrair dados. Então, eu acabo fazendo uma coxa de retalhos. Parte eu consigo mensurar através do software, parte eu tenho que partir para a metodologia inicial, que é o CAD. Muitas das vezes até manual, levantar. Então, tenho a disponibilidade, mas enquanto a nossa indústria, todos os elementos se conversarem, não se conversarem, na verdade, enquanto eles não fizerem isso, acho que a gente sempre vai fazendo de forma paliativa.
É interessante. Vamos falar um pouquinho agora de execução e estratégia, tá? Como equilibrar prazo, qualidade e orçamento na obra?
É uma tria de... que é o desafio da engenharia, né? Sim! Primeiro dia que um estagiário adentra na obra, você fala, você é responsável por gerenciar o custo, o prazo e a qualidade, e a qualidade e segurança. É um baita desafio.
Essa qualidade realmente é... porque as empresas estão tão focadas em prazo, prazo atender as demandas. Peraí, mas e a qualidade?
Mas assim, isso a gente acaba, o mercado acaba se enganando. Porque assim, eles estão amarrados.
Sim.
Então quando eu orço minha obra muito barata, né? e com prazo irreal, ela vai afetar a qualidade. Afetando a qualidade, isso vai afetar em custo. Pode não ser hoje, mas vai ter um custo de vida útil do meu empreendimento, onde a consultora, muitas vezes, por lei, inicialmente, ela é responsável por uma manutenção e prestar assistência técnica naquele empreendimento. Então, o custo volta. Só que se não pensado no momento exato, no momento adequado, acaba... Eu só movimentando esse custo na linha do tempo.
Em algum momento ele volta.
Em algum momento ele volta.
A conta chega.
A conta chega. Então quando a gente fala, por exemplo, eu vou te... Hoje é muito difundido o conceito reengenharia, engenharia de valor. Eu entregar valor com a minha limitação orçamentária. Mas muitas das vezes o meu ecossistema que vai me entregar aquele produto não está preparado para aquela reengenharia. Eu cito. Disponibilidade de material, muitas vezes eu tenho, mas por ele não ser tão difundido, eu tenho um custo elevado desse material. Aceitação do meu mercado de mão de obra, de utilização daquele material. Eu sempre fiz assim. Quantas vezes a gente não escuta isso, né? Eu sempre fiz assim, então eu vou continuar fazendo assim, porque eu sei o resultado esperado. Então a gente acaba tendo um conflito muito grande nessa questão de reengenharia. Então muitas das vezes as reengenharias são pensadas em redução do que já se tem.
E quando você fala em reengenharia, e lá atrás você fala de planejar para que você peça os materiais com antecedência e tudo mais. Outro dia eu ouvi de uma engenheira de estrutura, ela fala que a palavra reengenharia é assustadora para ela, né? Quando você fala em reengenharia, você não acaba prejudicando essa cadeia de fornecimento? Porque imagina, eu estou no meio da obra ali, as coisas vão acontecer, eu preciso reinventar ali a roda com o carro em movimento. Imagina que esse reinventar a roda, o que pode causar no fornecimento de materiais ali?
A reengenharia pode ser alocada em alguns momentos. Momento ideal na concepção. Te dando exemplo, a gente está participando de um projeto onde nós entramos desde a viabilidade. E no anteprojeto recebemos uma pilarização para compatibilizar com a questão do projeto arquitetônico e conceitual. E conseguimos propor para o nosso incorporador redução de pilares com uma laje pré-moldada. Perdão, uma laje protendida, uma laje praticamente plana. onde eu tive uma redução de aproximadamente 30% dos meus pilares.
30%? 30%.
Então, ou seja, a questão de custo ficou muito páreo. Porém, em questão executiva, eu tenho menos carpinteiro, eu tenho um processo mais limpo, eu tenho uma fundação mais otimizada, afinal, tenho 30% de pilares a menos e eu consigo ter um processo industrializado. Essa vai ser uma obra que eu vou utilizar a grua, vai ser uma obra que vai ser toda em drywall. Nós fizemos uma parceria com a indústria.
Fechamento em drywall?
Fechamento em drywall, acho que posso citar aqui.
Pode, pode citar.
Fizemos uma parceria com a Sangloban.
Eles vão fornecer que tipo de material lá?
Eles vão fornecer todos os materiais que eles possuem no seu catálogo. Desde o material de drywall, propriamente dito, materiais de impermeabilização, material para fachada, vai ser em fachada leve, em steel framing. Então, todo um pacote. Não posso abrir muitos detalhes do projeto, que está em fase de pré-executivo, mas nasceu no momento correto. Apesar de os ganhos financeiros palpáveis e mensurados não terem sido tão significativos, eu estou entregando um produto com uma visão para o mercado mais otimizada, uma engenharia embutida muito forte nisso. Eu estou reduzindo a quantidade de operários que vai fazer esse empreendimento daqui a.
Um ano e meio. É, quando você fala que isso não é notório, imagina, só quando você reduz mão de obra na escassez que a gente tá vivendo hoje.
Exato. Só que isso, quando eu trago um papel na viabilidade, muitas das vezes, por que que eu vou fazer isso sendo que ficou zero a zero?
É, isso eu percebi... Não é percebido, assim.
Não é percebido, não é uma qualidade percebida inicialmente, mas a entrega final nossa que estamos vivendo nesse momento de escassez de mão de obra e forçando a gente a tentar a passos lentos ir para a industrialização, isso eu acho que a gente vai conseguir entregar valor realmente, mostrar valor para esse produto daqui dois, três anos, quando vai ser a entrega dele. Dois, três anos, quando vai ser a entrega. Isso no momento da concepção inicial. Porém, a gente tem um momento dois, que muitas das vezes a gente faz a reengenharia, porque eu estou aqui com um gargalo orçamentário. Eu estou com uma limitação de mão de obra. Eu estou com uma limitação de equipamento. Então, acaba sendo, apesar de ter engenharia embutida, acaba sendo improvisado. Quando você me pergunta, isso não vai impactar em fornecimento? Provavelmente sim, mas muitas vezes a gente está pensando na saúde do negócio.
É, mas o legal da sua resposta é que fica claro que você está fazendo essa reengenharia ainda em projeto, ou seja, a obra não aconteceu.
Exato.
Ainda.
Exato.
Tá, então, a minha pergunta ela está a dizer que eu me refiro quando a obra já está acontecendo e às vezes você precisa fazer uma reengenharia, mudar ali de repente uma solução construtiva, ela foi inicialmente concebida em metálica, mas precisou mudar para concreto. Ou vice-versa. Ou pra madeira, enfim, era nesse sentido. Agora, eu tenho uma outra pergunta aqui. Quais são as métricas essenciais para medir o sucesso do planejamento?
Os indicadores, você quer dizer, né? Isso. Primeiro, é... Pergunta difícil, hein?
É, mas é importante, porque como você mexe muito com dados e você tem essa experiência também ali no dia a dia de obra, e diga-se de passagem aqui, pra quem tá ouvindo pelas plataformas de áudio, enfim, de vídeo, é um ótimo gestor também de pessoas na obra. Então, essa pergunta é muito... direta e ninguém melhor para responder ela aqui que você.
Obrigado, vamos lá. Um dos indicadores, como eu te disse, inicialmente, nem tudo que está pensado inicialmente na concepção da orçamentação, vou usar muito esse termo, porque acho que é importante a gente enfatizar da importância do planejamento estar na etapa de orçamento. Porque hoje acaba tudo, tudo é custo, tudo é valor agregado. Então, se eu nasci com um projeto... fraco em planejamento, quando eu partilho ele para a execução, onde eu vou verificar a real necessidade de metodologia construtiva, real necessidade de disponibilidade de equipamento, materiais e mão de obra, isso vai afetar diretamente no meu orçamento. Então, quando nasce com esse pensamento na concepção, isso facilita muito para o gestor do contrato lá na frente. Qual o indicador? Primeiro, Se não nascer nessa concepção, é muito difícil a gente mensurar. A gente vai acabar fazendo uma mensuração de prazo, propriamente dito. Eu tinha uma previsão executiva, eu vou verificar se aquela atividade foi executada naquele momento. um outro excelente indicador, o respeito do sequenciamento executivo. Se a obra respeitou a sequência executiva, por mais que se atrase, eu não vou ter um custo surpresa futuro.
Entendi.
Porque eu sei que por mais que atrasou, eu mensurei, eu vou executar uma atividade a cada cinco dias, eu atrasei aquela atividade, eu vou executar ela seis dias. E por mais que a próxima atividade também demore seis dias, que eu vou ter um atraso efetivo no meu cronograma, se respeitado a sequência executiva, liberação, conferência, liberação para a próxima etapa, conferências e muita conferência para poder a liberação da próxima atividade e assim sucessivamente, isso é um excelente indicador que o cronograma está sendo cumprido no seu conceito, não necessariamente no seu prazo de execução. Porque muitas vezes eu não tenho a disponibilização de mão de obra para aquela atividade. Muitas das vezes a qualidade do material não entrega aquilo que eu esperava inicialmente. Muitas das vezes a questão logística, disponibilidade de equipamento para subida, movimentação de materiais, movimentação de pessoa, movimentação de próprio equipamento, movimentação de entulho, muitas vezes não atende para o que tem aquela produtividade, porém se respeitado o sequenciamento, é um excelente indicador para dizer que um cronograma é efetivo.
Porque quando você trabalha dessa forma, o que está sendo executado, você sabe de fato que você não vai ter retrabalho.
Muitas das vezes a gente acaba olhando o prazo simplesmente para fato de conclusão efetiva. Uma obra tinha 24 meses. Independente do que aconteceu nesse meio do caminho desses 24 meses, se ela entregou os 24 meses, era um sucesso? Meu cronograma foi um sucesso? Esse é um bom indicador. executado? Eu tenho minhas dúvidas, eu acho que não.
E nessa medida, quando você fala desse plano de execução, nesse planejamento existe ali uma variável de atraso, por exemplo, quando você falou lá de plano de ataque, a partir do momento que de repente atrasou essa fase, essa etapa da obra, existe ali um planejamento, prova tudo bem, mas a gente consegue talvez recuperar esse prazo em tal etapa da obra?
Sim, na verdade é assim. Vou falar de um fluxo comum do empreendimento, da metodologia consultiva convencional do nosso mercado hoje. Essas atividades, elas possuem margem de atraso. Por quê? Ela é concebida na implantação, fundação e estrutura, perfeito? Dentro da estrutura tem um macro fluxo de execução de serviço, que vai desde instalações, alvenaria, revestimentos, impermeabilização e tudo mais. E a gente, por prezar pela qualidade do produto percebido, Algumas atividades são pausadas. Eu vou citar para você quais são. Cachilho, por exemplo. Hoje um dos principais elementos de um apartamento entregue é um cachilho. Questão de atenuação acústica, qualidade, material de valor agregado, que é o alumínio. Uma porta, hoje nós temos um mercado que entrega portas de excelente qualidade, infórmica, que não necessita de pintura manual. Vem direto da indústria, um excelente material. E esses materiais, uma bancada de mármore, isso falando de um alto padrão. Então, esses materiais de valor percebido, valor agregado, eles acabam sendo segurados no meu macrofluxo para a conclusão de atividades mais grosseiras. Então, quando eu vou subindo, executando a minha estrutura, finalizando a parte de vedações, enfim, eu desço executando fachada. Tem um momento que eu tenho essa interface entre subir, executando macroflux, e descida de fachada. Eu não executo as atividades por prezar pela qualidade, garantindo macroflux, sequência construtiva, eu não inicio colocando esses meus materiais de valor agregado, valor percebido pelo cliente final, enquanto eu estiver executando fachada. Então, muitas das vezes você percebe fachadas descendo por atraso, por N motivos, e eu subindo finalizando apartamento. Isso é uma percepção ilusória. Então, se você bate num cronograma, numa análise fria, eu tô afirmando que eu tô finalizando apartamento, sendo que eu tenho etapas de fachada, acaba sendo incongruente com a qualidade de entrega final do meu produto. Isso é um fato. Então, muitas das vezes, a gente tem alguns números mágicos para empreendimentos convencionais. Então, como eu te disse um pouco atrás, eu tenho a fachada como um caminho crítico, eu tenho o elevador como um caminho crítico e eu tenho o meu cremalheiro aqui, age nessas duas interfaces. No momento que eu tiro esse equipamento da minha fachada, eu tenho uma atividade muito grosseira de execução na fachada, com atividade subindo, né, no sequenciamento de finalização do meu apartamento. Como garantir a qualidade, sendo que eu tô, hoje, falando convencionalmente, tô com um pedeiro passando com um carrinho num corredor, pode lascar uma porta, lascar um cachilho. Então, muitas vezes a gente segura essas atividades. Então, isso acaba criando um gap no meu cronograma, que isso daqui é meu pulmão, minha margem de atraso permitida. Quando tá no gargalo, aí o que nós fazemos? Mitigamos essa atividade. O que a gente tem que fazer pra proteger? Quem vai cuidar dessa atividade específica pra que, nesse meu momento de subir a cabana e descer finalizando fachada, eu tenha... Poucos prejuízos. Prejuízos teremos, mas que tenham prejuízos mitigados. Então, ali é um pulmão num ciclo de vida convencional de um empreendimento.
Nossa, bem desafiador, hein? Fazer essa compensação aí.
Compensação. Muitas das vezes, não é incomum hoje, em nossos empreendimentos altos, a gente fazer a divisão de fachada. Muitos construtores não gostam disso, porque quando eu tenho um empreendimento de acima de 25 andares, acaba compensando eu dividir minha fachada. Enquanto eu estou subindo com a minha estrutura, atividade de vedação e todo o sequenciamento de serviços, eu estou descendo em parte do meu empreendimento fazendo a vedação, fazendo o revestimento externo argamassado. Só que aquele pavimento onde eu faço todas as minhas proteções de equipamentos, ali acaba ficando um caos. que eu preciso fazer bandejas, balancins, o equipamento que nós utilizamos hoje para fazer a fachada, eu fico com um andar onde eu tenho um caos. Um caos mitigado, sabemos onde é, mas é ruim. Então, quando eu vou subindo, acabando essa primeira etapa, eu estou descendo, finalizando essa segunda etapa de revestimento. E aquele pavimento acaba sendo um pulmão, onde eu tenho todo um macrofluxo de atividades preliminares atividades de fachadas, de acabamento, e aqui, atividades de finalização. Então, é difícil administrar. E hoje, somado a isso, Paulo, nós temos nossos empreendimentos hoje, por questões de zoneamento, uso misto, fachada ativa, muitos deles acabou ficando... Eu acho muito interessante, inclusive, esse modelo de negócio, onde eu tenho áreas comuns elevadas.
Áreas comuns elevadas?
Exato. Então, eu tenho os primeiros andares com apartamentos voltados para uso não residencial. Por exemplo, locação, estúdios, apartamentos menores, onde vão ser comercializados para locação, seja pequena locação ou long-stay. E eu tenho apartamentos de alto padrão ou apartamentos de uso residencial, propriamente dito, em determinada altura do empreendimento. E a minha área comum geralmente é segmentada. Então, eu tenho uma área comum para o empreendimento de uso não residencial e tenho uma área comum para o empreendimento de uso residencial. E muitas das vezes, essas áreas comuns vão... Em comum, aqui em São Paulo, a gente encontra empreendimentos com a área comum elevada. Estão lá no décimo, décimo segundo, décimo primeiro pavimento. E ali eu tenho uma transição de cargas na distribuição do meu empreendimento, do meu modelo estrutural. ali é uma complexidade absurda fazer aquela área comum, onde eu falo de macrofluxo, Eu falo de mudança, porém mantém o macrofluxo, porém aqui eu tenho um macrofluxo totalmente diferente, que eu tenho uma área comum, que precisa ser finalizada, é um ambiente totalmente atípico do convencional dos apartamentos. A mão de obra, apesar de ser a mesma, tem uma outra produtividade e escassez de mão de obra, muitas vezes está relacionado com produtividade.
Eu vi isso no Itapema, num prédio em Itapema. Eu achei bem interessante. E você agora tocou nesse assunto.
Lá eles tem muitos empreendimentos altos e com área comum elevada.
É, eu não sabia, eu até achei estranho, assim, estranhou diferente.
Então, falando de macrofluxo, se essas áreas não forem pensadas na concepção do planejamento, acaba se tornando bastante complexa a sua execução. E acaba tendo soluções paliativas. Nem sempre o paliativo atende a triagem que nós conversamos, de custo, prazo e qualidade.
Bem bacana, eu achei bem esse conteúdo importante que as pessoas comentem o que tá achando, mas eu achei que é bem aprofundado assim, de uma forma que as pessoas conseguem de fato entender e seguir esse passo a passo. Agora eu queria te fazer uma pergunta que na verdade era pra ter feito lá no início. Você acha importante nesse planejamento, tendo em vista que a maioria das construtoras, elas não têm essa estrutura adentro das suas empresas, de repente elas contratarem consultores para dar esse suporte de planejamento?
Sim, para consultoras menores, onde está ainda desenvolvendo o seu modelo de negócio. Sim, com certeza. Mas é um custo muito elevado se é levado em consideração que muitas das vezes a consultora participa da concorrência e diversas concorrências. Se eu tenho a minha certeza da execução do meu empreendimento sou um construtor que eu já tenho aquela concorrência ganha e eu não tenho um time de engenharia excelente é um valor que é diluído no meu próprio orçamento. Mas porém se eu sou uma consultora pura eu tenho que agregar esse valor um custo por geralmente é um custo não mensal é um custo por projeto. Então acaba sendo bastante elevado.
E não é certeza que você vai executar.
O próprio momento de eu fazer esse orçamento já é, muitas vezes, um custo irrecuperável, certo? Porque muitas vezes eu orço, tenho revisão 1, 2, 3, 4, 5 revisão, mas muitas vezes não é a certeza de ganhar aquela obra. Imagina ter isso e um parceiro externo de planejamento. Então, acho que é um desafio para pequenas construtoras. Porém, construtoras mais estruturadas já tem o departamento de planejamento. Muitas das vezes apoia externos para a complexidade. Muitas das vezes tem um empreendimento com uma complexidade maior. Elas acabam se utilizando de parceiros externos para ter uma visibilidade e metodologia construtiva. Mas é um valor que acaba sendo irrisório se comparar do tamanho do desafio.
Olha, lá no início, quando você fala da importância de antecipar os pedidos dos materiais para que você garanta ali um cronograma de obra, você que está na linha de frente, tendo contato com vários fornecedores, enfim, está no canteiro de obra e também está ali no back office, que dica você daria para essas pessoas se planejarem melhor nesses pedidos de material? E, de repente, até uma dica para a indústria, porque muitas vezes você está ali Obra é um evento natural, né? E muitas vezes, quando você pede uma demanda que vem da indústria, se você não tiver ali bons parceiros, acaba te prejudicando, de fato. Por mais que exista um planejamento, de novo, eventos acontecem. Então, que dica aí você tem, não só para a indústria, mas também para os profissionais ali que estão no dia a dia das construtoras?
Perfeito. Algumas dicas, vamos lá. partindo de um pressuposto ideal. Podemos partir desse pressuposto?
Sim.
Tudo aquilo que for adaptativo, porém seguindo ao ideal, não vão ter resultados ótimos, porém terão resultados bons a partir dessa premissa. Na etapa inicial, pré-obra, eu preciso ter um cronograma de trabalho. Muitas das vezes a gente faz um cronograma executivo, cronograma de desafio, enfim. E nesse cronograma de desafio, eu tenho quando vai se iniciar cada atividade. Perfeito? Essa informação é importantíssima. Eu tenho um cronograma executivo, onde eu tenho a logística pensada, os equipamentos, materiais, serviços a serem executados e o sequenciamento bem pensado, pensando no passo, tudo aquilo que nós conversamos. Então, eu tenho um material de trabalho importantíssimo para falar de suprimentos. Momento dois, eu ter parceiros, situação dois, eu ter parceiros estratégicos, você citou a indústria, é um deles, mas ter para cada disciplina, fazer um processo de validação de fornecedores, ter parceiros próprios, ter relacionamento. E com isso eu consigo ter a clareza do meu time de engenharia, no meu departamento de compras, ou se é na obra, muitas das vezes consultora tem um departamento de compra, o próprio engenheiro faz a compra na obra, ou se eu tenho um departamento externo de suprimentos e compras, eu saber a minha capacidade produtiva desse meu departamento, tá? Com isso, sabendo o que eu preciso, sabendo os fornecedores parceiro e os prazos, tanto no processo de solicitação de proposta, equalização técnica, negociação, fornecimento de material, disponibilidade, eu consigo determinar os meus lead time de suprimentos, perfeito? Com essas informações, na largada do meu pré-obra, eu tenho um cronograma de suprimentos amarrado. Fornecedores parceiros, lead time, capacidade de entrega do meu departamento ou do meu engenheiro, certo? E um cronograma bem claro. Com isso, eu consigo fazer um cronograma de compras e contratações com as minhas folgas necessárias. E com isso eu consigo fazer a contratação antecipada. Então se eu sei que hoje eu tenho escassez de equipamento, vou dar um exemplo, grua. Muitos fornecedores estão pedindo no mínimo seis meses para fornecimento de grua.
Passa seis meses?
Seis meses. Um fornecedor que eu sei que aqui em parceiro, até um tempo atrás, eles estavam pedindo 120 dias para fornecimento de escoramento. e é uma das contratações na obra mais complexas de fazer, que é o escoramento, por exemplo, de fazer a alocação e gestão desse material, desse equipamento. Então, qual o tempo? Então, eu tenho 120 dias por fornecimento do equipamento, eu tenho o processo de elaboração da minha proposta, do meu quadro de concorrência, eu tenho o processo de concorrência, eu tenho o processo de equalização técnica, eu tenho o processo de negociação, eu tenho o processo de validação, muitas vezes com o incorporador, gerenciador, processo de contrato, para só, então, efetivar o dia que eu posso falar, fornecedor, me forneça um escoramento. Então, se eu for falar aí num procedimento, por exemplo, de escoramento, minimamente 150 dias pra poder ter um escoramento pensado, um fornecedor de qualidade na sua obra.
Nossa, e eu tava falando com um grupo de engenheiros, né, eu tava jantando essa semana com o pessoal, e foi assim, por unanimidade, eles falam que o grande desafio de uma obra é lidar com escoramento.
É um baita desafio. Eu tenho um conceito que se alguém tiver isso em livro, minha presente, que eu adoraria saber que alguém pensou e colocou isso, materializou isso num livro. Quando essa tríade que eu vou falar agora, ela não é respeitada, eu tenho um problema sério, ou de prazo, ou de custo e na gestão. que é saber como eu executo, lembra da palavrinha como? Ela acompanha. Eu guardo ela no bolso e levo a todo lugar.
Eu vou usar muito agora, inclusive.
Como eu executo, né? Como eu contrato, como eu pago. Parece ser muito básico isso, né? Então vamos falar de estrutura de concreto. Como eu executo? Eu executo com os equipamentos, materiais, mão de obra, mas, propriamente dita, a principal unidade é metro cúbico. Então eu tenho um metro cúbico de concreto lançado, que vem da indústria, que vem da concreteira. Eu tenho um metro cúbico de concreto que eu pago para a minha empresa que executou, certo? Como eu contrato? Por metro cúbico. Como eu pago? Por metro cúbico.
Por metro cúbico.
Então, essa trade é fácil de controlar. O desvio é fácil. Você concorda?
Sim.
Eu contratei 10, foi 11. Onde está essa perca do 11? Foi erro de orçamento? Foi erro de quantidade? Mudou o projeto? Foi erro de execução? Foi erro de fornecimento? Eu amarro. Eu, como construtor, eu consigo fazer o gerenciamento de forma clara, objetiva. Perfeito? Vamos falar de escoramento? Como eu executo? como eu contrato e como eu pago. Eu executo um projeto, peças, em uma área. Como eu contrato? Valor de escoramento por metro quadrado, por dia. Perfeito? Como eu pago? Peça por dia. Você vê que não se conversa?
Não, não se conversa.
Então assim, como eu vou fazer uma gestão efetiva desse contrato? como achar um denominador. Todas as disciplinas, e eu cito alguns exemplos pra você se você quiser, que não respeitam essa tríade, pode perguntar pra todos os construtores, é gargalo de gestão.
Sim, é não, é gargalo de gestão de fato, e eles até estavam falando, a gente estava nesse jantar, e eles falam que é comum você estar numa obra e ver escoramentos lá, andenes abandonados, só que assim, a empresa tá pagando por isso.
Exato. Então assim, muitas vezes eu não tenho um controle no recebimento desse material, Como eu orcei por um metro quadrado de equipamento dia, eu não sei a quantidade efetiva de material que a indústria vai me fornecer. Perfeito? Então, muitas das vezes eu não tenho um processo efetivo de saber o quanto que chegou. Eu precisava de quantas porcas, quantas agulhas, quantas torres. Eu acabo aceitando a quantidade de material recebido porque o meu sistemista, ele está falando que precisa daquilo e respeitando aquilo ali, atende a questão de segurança da minha laje, porém respeitando o valor de metro quadrado. Porém, quem me garante que a quantidade de material que ele me forneceu, eu vou conseguir fazer a gestão cada peça fornecida no dia. Eu falei que eu vou usar por 35 dias desde o dia que saiu do pátio dele, apliquei, desformei, limpei, coloquei no caminhão e devolvi. Foi exatamente os 35 dias para todas as peças que foram fornecidas para aquele meu sistema. Como ter esse controle?
Nossa, é desafiador.
É complexo.
Sim.
É muito complexo. Isso é questão de fazer algoritmo. Mas algoritmo... O computador funciona pra isso. A gente consegue ter parâmetros. Mas é gestão no dia a dia, na obra, no empreendimento.
E esse controle é a construtora que tem que ter?
É a construtora.
Porque pra empresa que tá alocando...
É cômodo.
Enfim, é cômodo. Deixa lá.
É cômodo. Então tem um custo agregado de indenização altíssimo.
Eu vi, teve casos assim de milhões, de passar de milhões, tô falando de...
É muito significativo. E o que é responsabilidade? Muitas das vezes é de quem executa. Perfeito? Se a questão do atraso tá muito amarrado na mão de obra, quem executa? Então tem um valor ali que muitas das vezes ele embute no metro cúbico do concreto, encarece meu metro cúbico de concreto, porque sabe que a gestão desse material é complexa e nos contratos vai ser direcionado para ele fazer essa gestão. Eu forneço equipamento, ele fornece a mão de obra, eu forneço o concreto, mas quem faz a gestão disso é ele.
Bem interessante, eu nunca tinha pensado nisso.
É complexo.
Nossa, você bugou a cabeça das pessoas agora.
É complexo, é complexo.
Nossa, que bacana, que interessante, eu nunca, nunca tinha pensado nisso. Eu achava que era muito mais simples, viu, Helio?
É muito complexo. Eu te dou exemplos de outras disciplinas, mas a gente acaba pagando por essa complexidade de gestão. Uma outra disciplina pra gente fechar essa tríade, né, pra ficar martelando aí contigo. Como eu executo sistemas elétricos e hidráulicos? De N maneiras. Eu executo prumadas por pavimento, eu executo sistemas de fechamentos que a gente chama de aranha ou ramais por unidade de apartamento, eu executo enfiação por unidade de apartamento, por pavimento, eu executo prumada elétrica por pavimento, eu executo, enfim, as unidades variam de forma que eu quero. O final eu quero aquela atividade concluída. Se vai ser por apartamento, se vai ser por andar, se vai ser segmentado, não importa. Como eu contrato aquele fornecedor? Muitas das vezes eu contrato ele por empreitada, porque ele tem a mão de obra, ele tem a gestão, ele tem a compra, ele tem o material, ele tem a movimentação, ele tem a aplicação e tem a garantia de todo aquele sistema.
Você fica tudo na mão dele?
Fica muitas das vezes na mão dele. Tem construtoras hoje, grandes construtoras, que tem um departamento de instalações. para que para mitigar esse risco. Mas grandes construtoras que é construtora pura de prestação de serviço tem essa equipe de instalações que não é uma equipe barata. Imagina é uma mão de obra muito escassa. Você achar um encanador hoje achar um eletricista de qualidade que saiba fazer. Acaba sendo bastante complexo.
E esse projeto elétrico, por exemplo, tem que ser dessa empresa?
Não. É sistemista mesmo. Hoje a indústria vem muito forte nisso, fornecendo kits. Fornecendo o kit polvo, de sistema elétrico, kit de banheiro, kit de plumada, kit de ramal para industrializar. Aí entra de novo naquilo que nós conversamos. Se esse conceito nasce na concepção orçamentária, bem determinado antes do início da obra, fica uma gestão muito mais fluida e fácil.
Quando a gente fala de escassez de mão de obra, de repente, agora eu vejo uma baita oportunidade da indústria também participar desse processo de formação.
Sim. Na verdade, nós temos várias oportunidades. Sempre que a gente tem um desafio, uma dificuldade, abre portas para oportunidades. A oportunidade é isso, é atender os nossos desafios. Hoje a indústria tem trabalhado bastante na questão de fornecer kits de sistemas elétricos e hidráulicos para diminuir o controle desse material na obra, que geralmente é uma disciplina da curva orçamentária, tem muito volume de material, muitas movimentações, materiais de grandes valores agregados, em momentos onde a obra é mais vulnerável, vamos dizer assim, então a indústria acaba fornecendo. Então, mais uma vez, se contratado no momento correto, isso acaba trazendo grandes ganhos para a obra. Eu acabo tirando a responsabilidade do meu encanador de fazer todo aquele sisteminha peça a peça e só encaixar. Evidente que falando assim é muito simples, né? Às vezes só encaixar, minha medida não bateu direito, acaba sendo sempre alguma medida paliativa se todo o projeto não nasceu com esse conceito. Naquele exemplo que eu te citei, Esse meu empreendimento se tornou laje plana, ele era laje reticulada, então toda a minha laje virou plana, toda protendida. Meu sistema de vedações era em estrutura, em alvenaria. ou cerâmico, ou bloco de cerâmico, ou bloco de concreto, virou todo em drywall. O sistema de revestimento externo virou todo em steel framing. Por selagem plana, eu vou ter todo o sistema elétrico industrializado, que a gente chama de kit polvo, isso é homologado com os nossos fornecedores de mercado, chama kit polvo, o kit elétrico. Então ele chega o projeto, ele desmembra e só fixa no teto. O meu drywall em muitas das situações já vem montado com esse meu sistema hidráulico elétrico. Então realmente vai virar uma linha de produção. não fica 100% otimizada, porque tem certas adaptações, porém, ela é muito melhor do que o convencional, pecinha por pecinha, pega na mão, xerifado, kit de cotovelo, kit de tubo, rolo de fio, aquele monte de gente, monte de material e a perda...
É, o material some, né? Você não sabe pra onde vai, realmente...
A perda é muito grande. Então, como mensurar o ganho disso em valores, talvez no momento de one-on-one. Não bata, fica um pouco mais caro.
Sim, sim.
Mas ao longo da vida útil da construção daquele empreendimento.
Ah, e a qualidade também, né, que gera. Imagina você trazer uma coisa tudo que é colado na indústria. Você chega com aqueles kits, pronto, você só vai ali e só monta. Inclusive a qualidade da mão de obra também, que vai fazer essas conexões ali. Na obra também você tem uma qualificação muito maior.
E tem um detalhe que é muito bacana disso. Essa indústria fornece o treinamento E assim, hoje com a escassez do meu encanador, do meu eletricista, eu formo essa minha equipe lá na indústria. Eles viram montadores. Ele não vira um encanador. Apesar dele ter a necessidade, ter o conhecimento técnico de hidráulico e elétrico. Mas ele fica muito mais fácil eu conseguir recepcionar essa mão de obra sem qualificação e dar o treinamento necessário para aquela para aquele sistema. Aí é investir mesmo é balancear a.
Leitura de projeto e ensinar ele a fazer a leitura de projeto.
Kit você vai montar esse kit você vai montar o 1 no 2, o 2 no 3, né, ele pega, opa, esse aqui é o 1, tá no pacotinho, esse é o 2, esse é o 3, coloca o 1, coloca o 2, coloca o 3, isso eu conecto, opa, fica um sistema mais fácil, mais palatável, né?
Sim. A gente tá passando um pouco do tempo aqui, mas enfim, tá um bate-papo super bacana. Tem algum... Eu tenho muitos assuntos pra falar com você, mas você vai ter que voltar mais vezes aqui, se vira.
Vai ser um prazer.
Eu queria... Você tem alguma coisa que você gostaria de falar neste episódio que você, de repente, sei lá, não poderia deixar de falar sobre tal ou tal assunto?
Boa pergunta.
Então vamos deixar para outro episódio. Aqui a gente tem um quadro, Hélio, convidado com vida. Quem você gostaria de trazer aqui no Construir Cash? Você entende que essa pessoa iria agregar não só para você em conteúdo, como também para toda a nossa carreira da construção?
Claro, eu tenho um mentor meu, ele se chama César Cato. Ele é formado na FAAP, foi da Gomes de Almeida Fernandes. Ele trabalhou quando virou gafisa, trabalhou na Cirela. foi um gestor na na construtora e.
As becas da velha guarda da velha.
Guarda trabalhando na construção e as becas por mais de 15 anos e ele tem um muito bem pensado ele tem muitos valores de construção que vai agredar muito para o canal questão logística ele é ele é muito fera falou disso.
Ele é esse tema logística de verdade eu gostaria muito de ter esse tema aqui até aproveitar para te convidar para vir aqui como meu co-host para conduzir esse bate-papo junto com ele.
Vai ser um prazer.
Como você vive ali o dia-a-dia de obra, é engenheiro, eu vivo também o dia-a-dia de obra, mas assim, eu não tenho, eu não sou engenheiro, eu não tenho ali a técnica que você tem. Então, quando eu faço esse tipo de conteúdo aqui, às vezes eu trazendo gente da indústria como meu co-host para participar, eu percebo que o bate-papo fica muito mais rico, sabe? Então, deixa de ser a pergunta do Paulo só e de profissionais do dia a dia, mas você é um cara técnico, você também conhece os bastidores por trás, então fica uma troca legal. Agora eu queria que você falasse um pouco para a gente encerrar, falar um pouco das suas palavras finais e alguns trabalhos que você faz, que você é engenheiro, não por formação, tem aquele... Por essência. tem a essência, mas tem um outro nome.
Por vocação.
Por vocação, né? E você tem aí muitos trabalhos no sentido de ajudar as pessoas. Eu queria que você falasse um pouquinho aí pra gente encerrar esse episódio.
Mais uma vez, obrigado pelo convite, Paulo. Como já dissemos aqui, eu sou engenheiro. Eu iniciei um projeto recente agora em janeiro, um processo de mentoria para novos engenheiros, para estudantes, para gestores. Hoje a gente percebe que há uma evasão de estudantes de engenharia por N motivos, acho que não cabe a gente entrar aqui porque vai abrir um leque, uma outra discussão muito importante também. E pelos desafios que nós temos enfrentado hoje no canteiro de obra. Então a gente percebe que muitos gestores estão vindo despreparados da questão técnica e questão comportamental. Está tendo uma base, infelizmente, nosso sistema educacional não está conseguindo trazer uma base sólida para esses nossos engenheiros, então ele no primeiro dia como gestor, ele cria qualquer obra, canteiro pequeno, ele tem uma gama de gente, muita gente abaixo dele, uma esfera de níveis de complexidade muito grandes, desafios, hoje saúde mental em alta, falando-se muito de burnout, falando de sobrecarga de trabalho, falando de estresse, O engenheiro, ele vive em tensão e pressão.
Sim.
Então você falando, imagina uma estrutura tensionada e pressionada, né? Então, dependendo do tipo de material, se ele for dúctil ou frágil, ele vai ter reações diferentes. E quando a gente fala disso, a gente tá falando de flexibilidade, nós estamos falando ali de, do profissional ele ser maleável às dificuldades. Muitas das vezes, profissionais no início de carreira, eles não têm essa maturidade.
Acaba levando muito para o pessoal.
Tem um conceito que a gente trouxe da física e está se usando muito para o mundo corporativo, o mundo pessoal, que é a resiliência. O que é resiliência? É um conceito físico, capacidade de um material sofrer deformações e em determinado período de tempo voltar para o seu estado inicial. Mas isso é um material e uma pessoa. Como ela volta pro seu estado inicial? Uma pessoa, a partir do momento da experiência, ela não volta pro seu estado inicial. Quando fala-se de resiliência, a gente tá usando um termo apropriado da física que não se encaixa pra nós. Você acaba falando, opa, você volta pro estado inicial, você não volta pro estado inicial. Você evolui. Então não é resiliência, eu não sei o termo, mas eu sei que resiliência não é. Mas, utilizando esse termo e sabendo dessa complexidade, eu abri um canal, tá lá no meu LinkedIn, se chama Sessão de Mentoria, é gratuito, eu tenho um horário toda semana onde eu atendo esses profissionais pra poder discutir, criar dúvida, prometo respostas. Não prometo respostas prontas, mas com certeza, vamos falar de resiliência, não volta para o estado inicial da forma que era.
Você já leu a carta Garcia?
Não.
Não. Eu vou deixar aqui, eu vou mandar inclusive para você. Eu tenho um perfil, eu sou um perfil de profissional que eu entregaria essa carta Garcia. Eu entregaria. Você é notório que também entregaria. Essas falas que você trouxe aqui de como, como, como, como o tempo todo, né? Como que eu faço isso? Antes de buscar ajuda, eu pensei? Então, eu vou te mandar, eu tenho certeza que vai te ajudar muito nessas mentorias... Obrigado. E eu vou deixar aqui, isso foi uma indicação do Edson Kater, tá? E assim, é muito louco, porque você vê aqui, você lê e você fala, poxa vida, será que antes de eu pedir ajuda, eu pensei?
Entendi.
Então, você traz uma reflexão... Autorreflexão. Uma autorreflexão, assim, muito interessante, tá? Então...
Outro ponto da minha carreira, aproveitando a oportunidade, eu tô fazendo uma transição, tô indo pra área de gestão, pra pegar todo esse conhecimento técnico do front, do canteiro, do nosso chão fabril, pra trazer pro escritório, pro back office. Então, eu tô atuando como gerente geral de engenharia numa construtora, atuando desde a etapa de concepção de orçamento, gestão desses projetos. Muitos dos projetos a gente pega, como esse que eu te citei, a gente pega ele desde o anteprojeto, fazer toda essa gestão para entregar ele liberado para a obra executiva. Na parte de planejamento e custo, então eu estou participando desde o orçamento, com o planejamento e visibilidade de custo. Implantação do sistema de custo nessa construtora. pensando lá na frente em assistência técnica e desenvolvemos um departamento de qualidade. Então está sendo um desafio bastante rico, bastante agregador, pensando no nosso produto final, que é a entrega de empreendimentos.
E é bacana, de novo, essa experiência que você tem com canteiro de obra, com o dia a dia de obra. Nós falamos aqui apenas de sei lá, de uma obra, que foi aqui o Colégio Bandeirantes, que pra mim foi uma obra muito exemplar, mas no outro dia a gente vai conversar mais aqui pra falar sobre os desafios vividos naquela obra.
Perfeito, vai ser um prazer.
Imagina, Hoje você ter essa experiência e atuar ali no back office, ou seja, dando suporte. Eu sei tudo que acontece ali no dia a dia de obra, então é um baita facilitador aí.
Sim, e essa construtora que me convidou para esse desafio, ela teve uma sacada muito inteligente, no meu entendimento, porque muitas das vezes os profissionais que atuam como gestores desses departamentos isolados, eles não têm a vivência, a bagagem da obra que se necessita. Então, eles não têm a estruturação completa do como.
Sim.
Então, eles não sabem o como se executa.
E é justamente aí que está o gargalo.
É aí que está o gargalo. Então, se eu sei como eu faço, se eu sei como eu faço a gestão, se eu sei como eu tenho que pagar, é uma receita perfeita para que eu tenha um produto a ser entregue para o gestor do contrato mais rico. Tem várias outras variáveis para garantir a eficiência e a qualidade daquela entrega. mas com certeza ele não vai iniciar aquele projeto de forma defasada, sem base pra construção com um orçamento de qualidade, um orçamento com profundidade, um planejamento, por mais que ele não tenha a vivência, opa, eu não tenho a vivência, mas quem pensou nisso daqui tem. Como foi pensado? Como como o para e passo que foi pensado nesse macrofluxo aqui. Quais foram os fornecedores parceiros que estão nessa concorrência que eu posso me embasar que foi os facilitadores nessa orçamentação para utilizar na etapa de execução da obra. Por mais que passe um ano entende. Então foi uma sacada muito inteligente dessa construção.
Isso é sensacional e ter e você contar com essa experiência de vivência de canteiro de obra acho que eu falo posso falar com muita veemência que a cereja do bolo porque é de fato é aí Eu tô aí no dia a dia direto também das construtoras, é aí que tá o grande gargalo. E aí, quem consegue resolver isso?
Exato.
Então, sensacional. De novo, Helio.
Obrigado.
Gente, olha o nível do bate-papo que vocês tiveram a oportunidade de acompanhar hoje aqui no Constricast. De novo, compartilhem nossos conteúdos. Vamos servir o mercado, vamos transformar a indústria da construção Só dessa forma, só com união a gente consegue de fato chegar onde nesse sonhado mundo onde a gente vai ter uma qualidade construtiva. Isso vai refletir diretamente em quem usa esses espaços.
Exatamente.
Então é isso pessoal. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no ConstructCast.
More from Andre

Construção Industrializada no Setor Público: Desafios e Inovação em SP | Marcos Monteiro (SIURB)

Mestre de Obras Merecem Reconhecimento e Nós Valorizamos | Podcast | Construção | Engenharia

Muitos Cursos On-line São Divulgados na Internet | Obra se Aprende na Prática | Podcast

Tenha Cuidado Redobrado na Hora de Comprar um Apartamento | Podcast | Construção | Arquitetura

Quanto Ganha um Ajudante de Pedreiro na Construção Civil? Fala do Mestre de Obras Glaudio | Podcast

O Erro na Reforma Tributária que Pode Custar MILHÕES à Sua Empresa | Podcast #202

Valorização Profissional na Construção Civil | Podcast | Engenharia | Arquitetura #obra

Método CHAMA Gravado Com o Engenheiro Boutros Bichara | Pessoas Negativas | Paulo Barros #podcast

Assista ao Vídeo do Roberto Justos Sobre Caso Daniel Vorcaro do Banco Master | Podcast | Construção

AI FIRST #2 . André Abucham e Lauro Fiuza - Os desafios intrageracionais dentro e fora das empresas

Vidro NÃO É Tudo Igual! Descubra o Erro Que Pode Destruir Seu Projeto | Podcast | Arquitetura