Podcast da Construção | Construção Modular | Ricardo Mateus | Construecast

Ricardo Mateus founded Brasil ao Cubo to build modular housing in factories instead of on-site. His company built eight pandemic hospitals and the Albert Einstein hospital in weeks instead of months, cutting waste and improving worker safety while reusing modules across projects.
Questions this video answers
11 de setembro de 2016.
Eight hospitals manufactured; average ~33 days each (fabrication+installation).
103 modules; fabrication in 78 days; installation in 34 days; total finishing period ~150 days.
17 projects in 2017; ~R$6 million revenue in 2018; grew to R$72 million from 2018→2019.
Dexco ~19% and Gerdau ~44% of Brasil ao Cubo.
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Sejam bem-vindos ao ConstrueCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtor à Infinity Plus. Sejam bem-vindos a mais um episódio do ConstrueCast. Hoje vamos conversar sobre um tema muito importante, que é construção modular. E para falar sobre o assunto, eu tenho a honra de conversar com o Ricardo Matheus, que é fundador da Brasil ao Cubo, empresa provedora de soluções ágeis para o mercado de construção. Ricardo, seja muito bem-vindo ao nosso podcast e é um prazer receber você aqui.
Bom, gente, muito obrigado pelo convite. Participar de um podcast desse, essa envergadura pra nós é super importante, porque ajuda também na própria divulgação da nossa empresa e também do sistema construtivo ao qual a gente trabalha. Então aí fica o meu agradecimento e vamos lá, vamos trocar figurinha aí pra gente se entender melhor aí.
Ricardo, como a engenharia entra, como surge a engenharia na sua vida?
Bom, vamos lá. No ano de 1999, eu ingresso no mercado de trabalho. Eu vou trabalhar na empresa do meu pai, que é uma empresa de construção metálica. De fato, eu fazia alguns pavilhões, fazia alguma coisa no sentido de coberturas metálicas, alguns mezaninos. E aí eu trabalho lá com 12, 13 anos. Começo a trabalhar com ele, mas parte de auxiliar, ajudante. Depois eu acabo sendo soldador, montador de estruturas metálicas. Em 2005, eu já trabalhando na parte de obras, pelo fato de trabalhar com estrutura metálica, eu faço engenharia civil. E ao fazer engenharia civil, no ano 2007, eu conheço um programa de iniciação científica na faculdade. que era um PUIC que diz respeito ao estudo do Light Steel Frame. Então a gente está falando aí de praticamente 15 anos atrás, estudando um processo que ainda era embrionário no Brasil, mas que nos outros países era muito mais desenvolvido. E aí eu fui bolsista na universidade para estudar isso. Acabei gostando muito, visto que eu já era soldador, então tinha um certo fit com essa questão da industrialização. E aí depois o meu TCC foi dimensionamento de uma residência não familiar em Light Steel Frame. Então, tendo esse conhecimento teórico junto com a prática, fez com que eu, de fato, lá na frente pudesse fundar a Brasil Alcool.
Mas aí você fez a sua formação em Engenharia de Produção Civil, é isso?
Bom, vamos lá. Eu fiz Engenharia Civil de 2005 a 2009, e aí em 2013, a partir do momento que eu já tinha feito alguns projetos em Light Steel Frame na empresa do meu pai, de 2010 até 2012, acabou que deu muito errado, algumas coisas que talvez tivesse a visão e a coragem para empreender, mas não tinha a competência técnica ainda. Meu pai acabou tendo um declínio financeiro, teve que fechar a empresa em 2014. Enfim, aí eu vou fazer engenharia de produção, porque eu entendia que o produto de fato era correto, a industrialização da construção civil, ela teria que acontecer, mas que talvez para mim o time estava um pouco distinto. Então eu vou fazer engenharia de produção. Quando eu faço engenharia de produção, eu entendo que a facilidade de como algumas empresas colocam em linha de produção seus produtos e lá na frente tem um escoamento mais facilitado, poderia trazer para a construção civil uma certa inovação. Então, ao invés de fazer obras no local, a gente resolveu, calma aí, eu vou tentar prototipar no sentido de pegar uma obra, fatiar em fatias menores, colocar num caminhão e depois só fazer a instalação, porque com isso eu conseguiria ter as ferramentas da engenharia de produção para ter esses processos mais bem elaborados. Então, com a engenharia civil e depois sendo engenheiro de produção, aí de fato a gente cria a Brasil Alcun.
Interessante. Pra gente... Até pra... Como a gente fala com públicos variados, né? A gente precisa até deixar claro o tema do nosso podcast aqui, que é construção modular off-site. O que é construção modular, Ricardo?
Bom, vamos lá. A construção modular tem alguns princípios, né? Hoje, a Brasil ao Cubo, ela atua na construção modular volumétrica, que de fato é pegar uma obra maior, como se fosse um grande bolo, fatiar ela. Por que fatiar? Porque a gente faz em módulos, em blocos de 3 de 80, por até 15 metros, com 4 metros de altura, por exemplo. E são fatias de uma grande obra para que você consiga colocar em uma linha de produção, depois disso transportar e apenas instalar no local da obra. Com isso, você tem vários ganhos. Por isso que é off-site, fora do sítio de onde ocorreria a obra. Então, a gente faz em uma fábrica, transporta e depois instala. Com isso, a gente tem vários ganhos, não somente de prazo, mas tem ganhos também com menos desperdício. A sustentabilidade fica muito evidenciada nessa questão. E aí tu consegue explorar não somente casas, mas inclusive prédios, como a gente já vem fazendo.
Uma dúvida, até me perguntaram isso, fiz uma publicação nas minhas redes sociais, que você viria aqui, e o senhor tinha uma pergunta muito interessante. Pergunta para ele se a construção industrializada tira emprego das pessoas.
Não, eu não acredito nisso. A partir do momento que tu tens um ganho de produtividade, um país só gera riqueza a partir do momento que tu produz mais com menos mão de obra. Não adianta gastar muito tempo pra produzir a mesma coisa. A partir do momento que tu traz a industrialização da Constituição Civil para um processo, Fabril, não é que tu vai tirar a mão de obra. Lá dentro de Parque Fabril, de maneira mais ergonômica, por exemplo, os trabalhadores lá estão. E depois tem a parte de transporte, tem a parte de inçamento, tem a parte de montagem. Com certeza, a maior produtividade no sentido da industrialização faz com que não tenha essa perda aí na mão de obra.
E aí você tem uma vantagem, porque eu entendo que a própria indústria, no caso até vocês mesmo, vocês acabam trabalhando muito forte a questão da qualificação, muitas vezes, desses profissionais que estavam lá no canteiro, trabalhando, fazendo aquele tipo de trabalho sem formação.
É, exatamente, né? Imagina tu trabalhar 100% aí, full time aí, montando, executando uma obra no ardor de um sol latente, quando que tu... facilmente pode estar dentro de uma fábrica trabalhando. Então, ergonomicamente falando, é muito mais interessante para um colaborador estar lá. E a gente pratica também desenvolvimento desses colaboradores no sentido de ele ter uma qualificação um pouco mais desenvolvida, ele se sente mais apto, ele performa melhor quando está em um ambiente controlado. E aí a BrazilClub desenvolve escolas técnicas, a gente costuma trazer várias empresas para desenvolver os nossos colaboradores, principalmente colaboradores nossos, mas também empresas terceiras que lá dentro do nosso Parque Fabio, pra executar as obras, eu acho que é um ganho pra todo mundo.
Ricardo, e nesse sentido de qualificação, você tem apoio da indústria pra ajudar nessas, quando você monta esses pontos de qualificar, pra qualificar esses profissionais? Basicamente vocês acabam bancando isso?
Bom, várias instituições acabam auxiliando, o próprio Senai já fez um treinamento com a gente, mas normalmente a Brasil Ocubo acaba desenvolvendo os próprios cursos, os próprios treinamentos para desenvolver a mão de obra própria.
E como que você enxerga hoje a qualificação dos profissionais nesse sentido? Porque tudo bem que a Brasil ao Cubo é uma grande referência, mas é por conta do treinamento que vocês desenvolvem desde sua fundação até então. Vocês têm problema com mão de obra pra trazer do mercado?
Bom, teve um período de adaptação, né? Durante certo tempo, lá em 2013, quando eu inicio a parte de protótipo, a gente teve que qualificar essas pessoas, mas não necessariamente eram pessoas cruas, né? Vamos dizer que, por exemplo, a parte de estrutura metálica, Bom, é um soldador, um montador estruturamentado que vai lá e faz a parte de chassi, por exemplo. A parte de elétrica tem as suas particularidades no sentido de você ter que fazer uma obra, então tem que ser plug and play entre um modo e o outro, elétrica, então você tem que ter os plugins ali para só conectar, entretanto ainda é elétrica, então um eletricista conseguiria fazer isso. A parte de gesso, Tem N profissionais que já atuam também, por exemplo, na instalação de gesso, cerâmica. Então, na verdade, é praticamente compilar todas essas disciplinas dentro de uma fábrica, mas de profissionais que já existem. Agora, a parte de projetos, aí sim, você precisa desenvolver profissionais um pouco mais especialistas, porque você precisa fazer a compatibilização de todas as disciplinas, de maneira que tu tens que fazer numa fábrica, mas lá na obra ela tem que tudo se encaixar e tudo funcionar. Então tem uma certa particularidade. Então a parte de projetos que precisa de fato ser um pouco mais evidenciada.
Este episódio é um oferecimento Workplace Arquitetura Corporativa, que tem como grande diferencial pensar em ambientes que tenham sinergia com o propósito do seu negócio. E produtora Infinity Plus, pensou em vídeos corporativos para sua empresa? Pensou produtora Infinity Plus. E dando continuidade ao surgimento da Brasil ao Cubo, que na verdade é parte da sua história, como surge o primeiro projeto até chegar em uma entrega como esse case do Hospital Albert Einstein?
Bom, vamos lá. O Brasil ao Cubo, como eu comento, em 2013, iniciou a parte de prototipagem. Então foram três anos testando, se eu não me engano, foram feitos quatro módulos. Eram duas casas, duas casas de apenas dois módulos nesse período. E aí, em 2016, porque que marca a história da Brasil ao Cubo como o nascimento dela? e a gente não fala em 2013, porque culmina com a primeira venda da empresa. Então a gente faz o lançamento numa feira da Constituição Civil em 2016, lá em Criciúma, Santa Catarina, chamada Casa Pronto, o nome dessa feira, e a gente lança o nosso protótipo para o público de fato verificar. E naquela feira a gente faz a venda do nosso protótipo. Então, 11 de setembro de 2016, a gente tem aí a nossa primeira venda, por isso que a Brasil ao Cubo nasce nesse período. Mas a gente está falando de três anos de prototipagem, de teste, de içamento, para ver se vai trincar vidro, cerâmica, coloca numa carreta, transporta, volta. Então, tem uma parte de prototipagem para nascer da maneira correta o produto. Em 2016, a gente faz a primeira venda. Em 2017, a gente acaba crescendo. Já tinha vendido 17 obras em 2017. Em 2018, a gente acaba crescendo 300%. vendendo 6 milhões de reais já em 2018, no segundo ano da empresa. E aí de 2018 para 2019 a gente acaba crescendo muito, a gente vai até 72 milhões em venda de um ano para o outro. Realmente foi um crescimento exponencial, visto que naquele momento eu trouxe para a empresa alguns sócios estratégicos que atuavam já em grandes obras, que além de trazer a expertise deles, trouxeram também até clientes para que a gente pudesse se desenvolver. Isso foi muito importante ter esse entendimento de que eu não tinha a expertise necessária para algumas áreas do empreendedorismo e tendo sócios essa lacuna poderia ser preenchida. Então entender também para quem que é empreender, entender que a gente não vai ter só Pelé ou empreendedor também, não é só camisa 10. Das 10 características empreendedoras listadas pela ONU, por exemplo, num curso que eu fiz do Empretec, talvez eu tivesse 7 bem afloradas, 3 delas nem tanto. Então eu fui buscar sócios competentes para suprir esse gap meu e aí fazer essa somatória, por isso que a gente acabou crescendo exponencialmente.
Ricardo, e nesse processo de crescimento, na sequência vem a pandemia, né? E aí tivemos aquele case daquela construção de um hospital muito rápido, né? Isso deu uma alavancada muito maior nesse processo de crescimento que já vinha de forma exponencial?
Bom, exato. Digamos que o timing estava correto no sentido da nossa empresa. Nós tínhamos um produto e o timing da necessidade era muito interessante pela velocidade. Então, não é que a gente se desenvolveu na pandemia, nós estávamos prontos para aquilo que veio, que era uma pandemia. Com certeza acabou fazendo com que a gente mostrasse, de fato, o potencial da construção modular no Brasil, a questão da pandemia dos hospitais, mas a gente já vinha se estruturando em termos de cultura organizacional, nosso crescimento com sócios estratégicos, então com certeza foi um ponto bem marcante na nossa história a fabricação desses oito hospitais em tempo médio de 33 dias cada um deles, espalhados por quatro regiões do país, realmente fantástico.
Isso mostra a importância de você crescer de forma estruturada, organizada, para de fato conseguir sanar um problema que o país passava naquele momento. Inclusive eu queria que você recitasse um pouco como foi a construção do hospital Em Boi Mirim em plena pandemia.
A gente recebe a notícia pelo fato de a gente já ter a Ambev como um dos clientes nossos e a gente também ter a questão de ser acelerado pela Gerdau num programa de aceleração que era o Gerdau Builders, um programa de aceleração da Endeavor e a gente estava naquele processo de 5, 6 meses sendo acelerado pela Gerdau tendo o Ambev como cliente e do meio do nada aparece uma pandemia. O que a gente faz naquele momento? Tendo dois players desses já nos apoiando, a gente de fato faz uma provocação para os clientes. Ambev, por exemplo, vamos fazer um trabalho legal, a gente tem uma tecnologia, a gente não tem o dinheiro para fazer, mas talvez vocês possam fazer a doação, a iniciativa privada. iniciativa pública, para a gente fazer um hospital super rápido. E eles apoiaram a Gerdau, de fato, queriam nos provocar para ver se a gente conseguiria, de fato, entregar, no sentido de um investimento, um aporte que eles poderiam fazer no curto prazo, que eles já estavam nos avaliando. E a Ambev também queria fazer essa boa... ser proativo, de fato, e entregar valor para a sociedade. Então, eles acabaram bancando, financeiramente a obra e a Brazil Cuba executou. E a gente tinha um prazo super rápido, do fechamento de contrato até a entrega. A gente foi super arrojado e falou que faria em 45 dias. E acabou que a gente entregou em 33 dias, entre projeto, fabricação e montagem. Não é que tinha algo pronto. A gente virou, se eu não me engano, nos primeiros cinco dias, a gente virou 24 horas, todos os engenheiros e arquitetos projetando, porque a gente sabia que projeto era gargalo para execução daquilo. Então no projeto a gente conseguiu explodir todas as listas de materiais, pra ir pra suprimentos, pra não ser um gargalo, imagina, tem que chegar uma maca, tem que chegar um bate-maca daqui 15 dias. E tu imagina se tu não tens isso detalhado inicialmente no projeto, como é que tu pede? Então foi uma força tarefa, a gente montou uma operação de guerra, mas graças a Deus deu certo aí.
Isso é uma dica do Ricardo, investir em um projeto antes da execução, porque você facilita todo o processo depois.
Ah não, seguramente. Brasil ao Cubo, às vezes a gente é provocado com a pergunta, qual é a maior inovação do Brasil? O que o Brasil ao Cubo é inovador? Eu digo que, com certeza, o fato de ter verticalizado alguns processos de projeto e focar 100% em planejamento antes da execução, com certeza essa é a maior inovação da própria empresa.
E esse outro case do hospital Albert Einstein, queria que você falasse um pouco dele e detalhasse como funcionou todo o processo, inclusive subsistemas e tal, como funcionou tudo, até tratamento desses materiais, enfim, desses insumos.
Bom, vamos lá. Passado aí o período de pandemia, a gente entregou esses sete hospitais e agora, neste ano de 2022, a gente executou um prédio de três pavimentos para o Albert Einstein, mas aí não tinha muito a ver com a pandemia. De fato, ele já tinha nos conhecido, conhecido o fato de a gente entregar super rápido, com qualidade, e a gente participou de um bid aí de uma ampliação de uma ala hospitalar com 56 leitos de altíssimo padrão para entrega super rápida. Tinha previsto inicialmente uma obra convencional em torno de 20 meses e o nosso desafio era fazer em 5 meses. Então talvez antecipar 15 meses de faturamento do nosso cliente fazia muito sentido, principalmente quando a gente está falando de um hospital de altíssimo padrão. A concepção arquitetônica foi feita pelo time da Brasil Cubo em parceria com a arquitetura do Einstein, então a gente trabalhou a quatro mãos para desenvolver um projeto otimizado para nascer de maneira modular, porque algumas pessoas acabam perguntando, dá para fazer qualquer obra modular? Bom, dá sim, desde que ela tenha uma concepção arquitetônica modular. Fazer adaptações, dá pra fazer de um projeto já pronto. Entretanto, com certeza o custo vai ser maior pelo fato de já não ter nascido com aquela concepção. Então aquele hospital já nasce com isso, com a concepção de ser 103 módulos conectados entre si, com corredores centrais, que a gente conseguiria fazer toda uma torre de utilidades e conectando para cada módulo e tudo funcionasse. Naquele período a gente fez a instalação em 34 dias. Imagina instalar 4 mil metros quadrados em 34 dias. Fabricou em 78 dias e aí o restante dos 150 dias foi aí para a parte de acabamentos. Realmente a gente gosta de fazer industrializado o processo, mas tem uma pegada arquitetônica, de arte lá no final, que é fazer as emendas para não perceber que de fato foi emendado, por exemplo, um gesso. Tu não percebe ao entrar numa obra dessa. E aí a gente fez tratamento do aço, por exemplo, com pintura intumescente, seguindo normas do bombeiro no sentido de anti-chamas. E é isso.
E é importante reforçar que todo esse movimento, o hospital estava funcionando, estava em pleno funcionamento.
Exatamente, né? A grande importância também nesse projeto é fazer de maneira celery e também não haja barulho, por exemplo, que não tenha movimentação de ovo. Então, foi realmente uma obra fantástica, um case de logística. Imagina, no bairro Murumbi, então chega caminhão, que hora que chega? A gente tinha sete minutos da chegada de uma carreta, o guindaste tirava, ela saía, liberava o trânsito para o restante do pessoal passar. Então, a cada subida de um módulo, apenas sete minutos eram interrompidos para depois não tem esse congestionamento. Então foi uma sincronia, quase que um pit stop de Fórmula 1.
Ricardo, e nesse processo, quando você fala de vantagens da construção metálica, pra convencer um investidor, alguém, investir nesse tipo de solução, você precisa fazer uma conta, né? Se você vai pra uma obra, um hospital, por exemplo, uma obra comercial, Enfim, a gente entende que faz todo sentido, né? Como fazer essa conta se você vai... porque com obra comercial você antecipa a receita, né? E se você vai para uma construção de uma residência, por exemplo, de um prédio residencial, como funciona? O que a pessoa tem que se atentar para se convencer? a adotar esse tipo de solução?
Bom, tá muito claro que a construção modular, ela se adapta muito bem a vários projetos. Entretanto, não é pra todos os projetos. Essa é uma verdade que precisa ser dita, que talvez fica mascarada por algumas questões que estão sendo faladas aí no mercado, mas a gente precisa se atentar a isso, né? Obras comerciais, elas costumam ter mais fit com a construção modular pelo fato de você antecipar prazo e você antecipa faturamento para o cliente, então fica muito mais fácil você justificar talvez um custo inicial mais alto. Uma obra residencial, aí já muda um pouco, porque normalmente o que precisa ser vendido ali é a questão da sustentabilidade e agilidade quando um cliente, por exemplo, quer, de fato, veranear naquele verão, naquele ano, por exemplo, numa casa. Faz sentido. Ou ele quer a segunda casa de sítio para começar a explorar. Mas muito nessa linha, porque, de fato, inicialmente ele tem um custo um pouco mais elevado que o modelo convencional. A gente acredita, enquanto Brasil ao Cubo, que verticalizando alguns processos da nossa fábrica, onde hoje a gente subcontrata, a gente consiga ter preços mais acessíveis aí nos próximos anos. Entretanto, de fato, a gente tá falando de 15, 20% mais caro neste momento, né? E aí convencer um cliente de pagar uma residência um pouco mais cara, somente se ele realmente quiser prazo, né?
E até pra deixar claro, né, pra quem tá ouvindo pelas plataformas de áudio e assistindo pelas plataformas de vídeo, quais são as principais vantagens da construção industrializada?
Bom, agilidade, com certeza isso está muito claro, a sustentabilidade, o fato de tu ter uma segurança de trabalho mais evidenciada, no sentido de tu ter mais ergonomia de trabalhar dentro de uma fábrica, isso com certeza é um ponto positivo. Menos desperdício, não é que tu compra um tijolo e vai rebocando e faz a massa, tu compra a placa, dá aquela medida, 2,85 é 2,85, o desperdício acaba sendo minimizado, então isso é super importante comentar. Mas com certeza a parte de agilidade é o que nos vende muito bem.
Uma curiosidade que veio também, me mandaram para te perguntar, já aconteceu durante esse tempo de Brasil ao Cubo, vocês terem feito uma obra residencial ou qualquer uma outra, E no meio do processo esse investidor resolveu, sei lá, comprar um outro terreno e resolver pegar esses módulos e reaproveitar, reutilizar em outro lugar?
Sim. A gente tem, por exemplo, um case legal que é uma academia que a gente fez para a Mormai, em Florianópolis, que ela já foi realocada. De fato, o cliente, naquele momento, alugou um estacionamento. Então, ele cobriu com pórticos metálicos esse estacionamento. Não é que cobriu, fez pórticos metálicos e a academia ficou em cima. Ele locou esse terreno. Depois de vencido o contrato, ele simplesmente disparafusou toda a obra e levou para outro lugar. A obra já está em outro lugar, por exemplo. E assim acontece com academia que virou escritório e agora é uma loja, por exemplo. É uma coisa realmente legal que tu consegue dar vários destinos aí pra sua obra, se eventualmente tu não quiser mais aquele modelo, por exemplo.
E a Brasil ao Cubo dá esse suporte. Você tem esse serviço.
A gente tem, sim.
E como foi o processo de investimento pra Brasil ao Cubo atingir esse momento, né?
Como eu estava comentando, a gente participou de programas de aceleração na Endeavor, e um deles foi o Gerdau Builders e o outro foi o Garage Duratex. E a partir do momento que a gente foi selecionado, a gente fez um pitch lá, passou entre cerca de 300, 400 empresas que lá se inscreveram, A gente ficou entre as 15, depois entre as 8, e depois no final a gente foi escolhido para que eles investissem, tanto a Dexco quanto a Gerdau. Foi muito importante, a Gerdau um pouco antes, a Gerdau acabou investindo em 2020, e agora mais recentemente a Dexco. Foi muito importante porque acaba que grandes players endossam o nosso produto. Eles fazendo esse aporte acaba dizendo para o mercado, ó, legal, o produto deles é bom, a empresa é sólida, tem credibilidade e por isso eu tô investindo e por isso devem, por exemplo, construir com essa empresa. Então, é um momento super importante pra nós, somou aí quase 200 milhões de reais de investimento nessas duas empresas, deixa a empresa muito bem capitalizada pra novos investimentos, prospectar de fato novas inovações aí pro mercado.
E tudo isso até o ano de 2022?
Exato. Praticamente, acho que faz um mês que o CAD aprova. O CAD faz uma orientação para verificar se de fato não tem ali uma certa restrição de aporte, de investimento dessas empresas. E faz um mês que foi aprovado, tanto o Gerdau quanto a Dexco. Então hoje no cap table da Brasil ao Cubo são os sócios fundadores, a Dexco com cerca de 19% da companhia e a Gerdau com 44% da companhia.
É importante ressaltar que estamos gravando esse bate-papo no dia 1º de fevereiro, tá? Então, faz um mês que saiu. E dando continuidade, eu tenho uma pergunta. E o que vocês estão fazendo agora de novo, né? Tendo em vista que o Hospital Albert Einstein, eu entendo que foi até então o maior projeto já executado pela Brasil ao Cubo. O que vocês estão fazendo agora ou fomentando aí para os próximos meses, enfim, ou para o futuro da Brasil ao Cubo?
Bom, a gente tem como métrica, desde o ano de fundação da empresa, a cada semestre apresentar uma nova inovação. A gente busca isso porque a gente nasce com a inovação, né? Antes do Albert Einstein a gente fez o Level, antes do Level a gente fez as casas, os hospitais, e agora para este ano está em desenvolvimento o primeiro prédio residencial da Brasil Alcoba, que vai ser O primeiro prédio feito dessa maneira e residencial do Brasil. E são larges de 410 metros quadrados, então é de altíssimo padrão esse edifício, construído de maneira modular. Então são 13 apartamentos, são 13 andares para apartamentos, dois outros deles para área de convivência e garagem. Então são 15 andares de prédios de estado de desenvolvimento. e vai ser apresentado, na verdade vai ser executado ainda este ano, então a gente quer finalizar os projetos até meados deste ano, iniciar a obra e entregar ainda este ano. É uma coisa bem legal, cerca de 8 mil metros quadrados de obra entregues em tempo super rápido. Isso é legal porque acaba validando a tese nossa de explorar edifícios múltiplos andares também para residencial. É lógico, é uma parte de prototipagem. Mesmo sendo prototipagem, ele está sendo comercializado, está sendo vendido, mas a gente precisa testar para depois, de fato, expandir com esse segmento de múltiplos andares residencial no país.
Me surgiu uma pergunta agora. Vocês têm alguma solução para, de repente, solucionar o problema de déficit habitacional que o país vive? Alguma solução com custo-benefício, de prateleira?
Bom, eu adoraria, do ponto de vista de geração de valor para uma sociedade, se alguém conseguisse resolver essa questão do déficit habitacional por meio de alguma moradia econômica, eu acho que seria um sonho. Eu estou torcendo para que alguém consiga fazer isso. De fato, a Brasil é como não consegue. Os custos da operação nossa hoje não justificam fazer uma obra com custo econômico, infelizmente. Mas assim, parte de P&D da empresa está trabalhando, a gente está trocando alguns materiais, Está verificando algumas verticalizações do processo para diminuir custos, mas a gente está um pouco distante dos custos da realidade dessa questão do déficit habitacional de casas econômicas.
Você já tem algum modelo de casa? mesmo tirando a questão econômica de lado, mas algumas soluções assim prontas que você pode escolher ali uma... Ah, eu quero essa casa... Você já apresenta um modelo ali pra pessoa?
Sim, a proposta da Brasil ao Cuba agora pras casas, e a gente tá falando de casas de alto padrão no sentido dos custos, né, porque eles têm realmente um custo um pouco maior, são casas de prateleira. A partir do momento que a gente tem 10 projetos prontos, e que tu consiga de fato, eu quero uma casa para instalar em Recife, para ser entregue em 45 dias. Não, tudo bem, eu tenho um catálogo de 10 casas, você vai escolher essa, eu te entrego essa casa. Os projetos já estão prontos, eu tenho uma otimização dos processos, pelo fato da repetição, então por isso os custos ficam um pouco mais reduzidos. Então a Brasil Cubo, ela está em desenvolvimento esses projetos, nos próximos meses aí a gente ter essa proposta de valor para entregar para a sociedade, no sentido de, se tu quiser uma casa em 45 dias, 60 dias, tu recebe ela em qualquer lugar do Brasil.
E quando você desenvolve essas casas, vocês montam primeiro, antes de lançar para o mercado? Constroem a primeira quando você vende.
Bom, vamos lá. A gente está prototipando agora no México, que é uma filial da empresa México ao Cubo, com duas residências por lá. Por quê? Porque a gente entendeu que o mercado no México é um mercado que a gente consegue fomentar essas residências. Então estamos desenvolvendo por lá e aí em escala real, fazendo de fato as duas casas, colocando em terrenos e depois comercializando ela. Validando essa tese pós-projeto, no sentido de fazer fisicamente, fazer as conferências de prazos, de custos, de materiais, de patologias que eventualmente podem ocorrer, validando isso fisicamente, aí a gente coloca no mercado. Então, estamos nessa fase de ter três projetos, a gente já fez três e agora esse é o quarto projeto para estar de prateleira. Mas só vai para a venda comercialmente se, além do projeto, a gente ter validado fisicamente.
Entendi. Ricardo, antes da gente... Enfim, já estamos chegando ao final do nosso bate-papo, e todo convidado que vem aqui, a gente pede pra ele indicar uma ou mais pessoas que ele gostaria de ouvir, enfim, alguém que você admira, que, de alguma forma, contribuiu pra você, que você gostaria que essa pessoa contribuísse também na vida de outras pessoas.
Bom, vamos lá. Eu sempre me apoiei em vários empreendedores do Brasil, e não necessariamente na parte de construção civil, mas em empreendedores como Osiris Silva, por exemplo, fundador da Embraer, pra mim é uma referência. O cara que lá na década de 60, ele resolveu, ao invés de ser engenheiro aeronáutico, ao invés de ser piloto de avião, ele resolveu fazer uma fábrica de avião. Mas como assim? Isso no Brasil e na década de 60? Então realmente, para mim foi uma super referência. Uma pena que realmente ele está num período aí, acho que já passou dos 90 anos e o Brasil poderia ter oportunidade de ter ouvido um pouco mais. Mas enfim, em termos de empreendedorismo na construção civil, Tem um parceiro nosso, parceiro meu, que ele cresceu junto comigo praticamente na parte de Light Steel Frame, que é o Valsir Nunes, da Mundo Steel. Para mim, a simplicidade do empreendedorismo que ele trouxe, a simplicidade como ele dialoga hoje com o mercado, como ele fala com o cliente, como ele tem todos os stakeholders conectados de uma maneira exemplar, para mim é uma grande referência de simplicidade e humildade, está crescendo muito. Ele tem seis franquias hoje, E o Valsir Damundes tinha o meu abraço aí, porque se tem um cara que eu admiro na construção civil industrializada é tu. Então o meu abraço aí, Valsir.
Vamos trazer ele aqui?
Vamos trazer o Valsir aí, pô. Tem o convite aí.
Tá feito então o convite. Agora uma pergunta meio de bate-pronto. O que é sucesso pra você?
Caramba, bota bate-pronto nisso.
Sabe por quê? Porque assim, entendo que os convidados que vêm aqui, eles de alguma forma contribuíram com a transformação do país. E você não é diferente.
Eu sempre tive comigo, porque de sucesso vai depender para cada uma das pessoas. Sucesso para mim, de fato, era lá atrás ter uma empresa referência na construção industrializada do país, porque a gente tem um mantra na nossa empresa que é empreender é empurrar o país para frente. E a partir do momento que a gente está fazendo isso, com certeza para mim isso é sucesso. Porque a gente está no centro do propósito daquilo que a nossa atribuição técnica contra o engenheiro Gostaria de estar. Então, pra mim, sucesso é isso. Conseguir empurrar o país pra frente por meio da minha atribuição técnica, que é a industrialização da construção civil.
Uma palavra que te define?
Arrojo. Na verdade, eu posso falar arrojo, mas vou botar duas palavras, que é arrisque tudo. Eu sempre fui um cara que arriscou demais. E assim, quando a gente fala arrisque tudo, inclusive tem algumas camisetas lá no Brasil ao Cubo que é escrito arrisque tudo, mas a gente é uma brincadeira, né? Não é que tu tem que arriscar tudo de fato. A gente, nas camisetas, por exemplo, aqui dentro dela, escondidinha, mas tá ali escondido. Arrisque tudo, mas antes certifique-se que terá estrutura pra bater as asas. Também não adianta pular num penhasco e tu não ter asa pra voar, por exemplo. Então precisa entender isso. Mas essa frase, essa palavra me define muito, que é arrojo.
Eu ia te fazer outra pergunta agora, que é uma frase que você gostou, uma frase do Ricardo pra nossa audiência, pra audiência do Constrycast.
Bom, é que eu tenho várias frases que eu gosto muito, né? Uma delas que é empoderar as pessoas para que elas estejam juntas. É, nos vemos no topo. Quando a gente fala isso, e eu falo isso, e isso foi criado lá em 2013, quando eu estava fazendo o business plan da empresa. Como assim, nós vemos no topo? As pessoas às vezes enxergam isso até com uma certa prepotência. Como assim, Ricardo? Não, quando eu falo nós vemos no topo, é todos estarão lá no topo. E quando a gente fala disso, é para empoderar que todos cheguem juntos. Não é eu que estarei no topo, todos... colaboradores da Brasil ao Cubo, todos os apoiadores da Brasil ao Cubo estarão lá. É isso que a gente gosta de falar, então por isso fica a frase aí, nos vemos no topo.
É isso aí. Então eu conversei com o Ricardo Matheus, que é fundador da Brasil ao Cubo, eu peço que vocês compartilhem esses conteúdos aqui do ConstruCast, tenho certeza que vai ajudar muito e quem ficou até o final, tenho certeza que mudou a forma de pensar sobre empreendedorismo, sobre a forma de construir enfim Ricardo para encerrar tem alguma coisa que você gostaria de falar além de tudo e de tudo que foi falado até então Bom, acho que tem sim.
Iniciativas como a sua, de trazer pessoas aqui, empoderá-las para que elas possam falar, dialogar sobre a industrialização da construção civil é super importante. Então, peço aí que realmente a gente consiga compartilhar um pouco mais desses conteúdos, a gente consiga explorar, porque eu acho que a vida é assim, todo mundo tem que se adiantar, todo mundo andar para frente. Não é uma ou duas pessoas andando para frente, mas todo mundo. E acho que a partir do momento que a gente faz esse movimento colaborativo, com certeza a gente consegue se adiantar. Muito obrigado aí, Thomas. Valeu, hein.
Obrigado, Ricardo. Então, até o nosso próximo encontro aqui no Constra e Cash.
Valeu. Até mais.
Isso aí, Ricardo. Boa.
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