Podcast da Construção | REVITALIZAÇÃO DO CALÇADÃO DE OSASCO | Marcio Gozzi

Podcast episode (Construcast / Podcast da Construção) in which Paulo interviews Márcio Gozzi (sócio-diretor at Reinstall) about the revitalization of the Calçadão de Osasco. The conversation covers Márcio’s background, project-development and execution details (design phase, materials and quantities), logistics and safety challenges working in a busy pedestrian mall, coordination with architects and suppliers, and lessons on maintenance and the value of detailed project work. Key project facts given by Márcio: ~3 months of design development; ~40,000 kg of aluminum; 1,340 laminated reflective glass panels (12 mm); >4,000 silicone tubes; ~4,000 m of aluminum structure and ~3,000 m² glass coverage; main installation ~5 months; modular layout of 268 modules with 5 glass panes each; typical glass panes ~2 m × 2 m; steel/metalic structure ~450 tonnes; overall structure ~500 m long and ~8 m high.
Questions this video answers
Approximately 3 months.
Approximately 40,000 kilograms (40 tonnes).
1,340 laminated reflective glass panels, 12 mm thick.
More than 4,000 tubes/sachets of silicone (structural silicone).
Aluminium structure area ≈ 4,000 m (linear/metres of structure); coverage area ≈ 3,000 m² of glass roof.
Chapters
Sejam bem-vindos ao ConstruyCast. O episódio de hoje é um oferecimento produtora Infinity Plus. Está no ar mais um episódio do ConstruyCast. Hoje eu vou conversar com o Márcio Goz, ele é sócio-diretor da Reinstall. Vamos falar sobre a obra de revitalização do calçadão de Osasco. Márcio, seja bem-vindo ao nosso podcast. É um prazer muito grande receber você aqui.
Eu que agradeço, Paulo, o convite. É um prazer poder falar um pouquinho desse projeto muito bacana e que a gente teve a honra de participar, ter um pouquinho do nosso trabalho lá.
Márcio, antes de falar propriamente do projeto, eu queria que você falasse um pouquinho como que você foi inserido aí no mercado de construção, enfim, de engenharia, já que a gente vai conversar não só do projeto e também falar um pouco do mercado, dos desafios que você enfrenta aí no dia a dia, enfim.
Certo. Eu nasci já em família de engenheiro. Meu pai é engenheiro mecânico e tem uma indústria de esquadrilha de alumínio, onde eu cresci. Ia lá desde criança, ficava lá bisbilhotando as áreas e sempre tive o interesse em fábrica, obra. e em 2002 iniciei os trabalhos lá, ainda bem jovem. Comecei na parte de fábrica, então fiz alguns serviços de fábrica, fui para Mocharifado, fui para compras, fui para vendas. Pode dizer que eu rodei bem as áreas e isso me ajudou bastante, além de criar mais gosto pelo negócio, Também de ter um conhecimento, uma bagagem aí que me auxiliasse hoje na atual situação poder realmente entender um pouquinho mais para ajudar a resolver as dificuldades do dia a dia, vamos dizer assim.
Porque você passou por toda a etapa, né? Ou seja, desde o chão de fábrica... Enfim, as dificuldades ali da fábrica até as dificuldades que acontecem ali no dia a dia de obra.
Sim, a gente brinca que a fabricação e instalação de esquadrilha de alumínio é É um lego, você vai montando as peças, vendo as dificuldades, achando as soluções, um... adequando aos projetos, fazendo toda essa engenharia acontecer e que no final tenha um resultado satisfatório que atenda a todas as necessidades, tudo direitinho que o projeto exige.
Então, é importante para quem está assistindo, a gente está colocando algumas fotos para contextualizar um pouco do que a gente está falando. Agora, eu queria que você falasse um pouco, para iniciar, do número da quantidade de alumínio de vidro que foi utilizado nesse projeto. Infelizmente, não temos o número de estrutura metálica que foi utilizado, mas só para contextualizar antes de você, de fato, começar a falar dos desafios desse projeto. Ah, e do tempo de execução, que é muito importante.
Legal. Começando, frisando um ponto que é fundamental, que é a parte de projeto. Então, a gente teve aproximadamente três meses de desenvolvimento de projeto, onde a gente viu a expectativa do arquiteto no projeto, que fez um projeto maravilhoso, só que tem que acontecer, tem que executar e tem que dar certo. Então, a gente foi identificando as dificuldades, achando as soluções, pensando ponto a ponto para que a coisa acontecesse de uma maneira tranquila, menos... menos trabalhosa, vamos dizer assim, possível. Então foram aproximadamente três meses de projeto. Material, a gente usou lá aproximadamente 40 mil quilos de alumínio. Vidro, foram 1340 peças de vidro, um vidro laminado refletivo de 12 milímetros, refletivo para poder realmente conter o calor também do sol para quem passasse por baixo da cobertura. A questão de silicone estrutural, que é o que a gente usou para selar e garantir toda a vedação da cobertura, foram mais de 4 mil tubos de silicone, sachês de silicone. A gente tem uma área de estrutura de alumínio de quase 4 mil metros e de cobertura quase 3 mil metros. porque essa diferença porque a estrutura ela tem os trechos laterais que se alternam entre vazio e barrote para também ter aquele visual quando você olha por baixo e por cima uma coisa realmente com riqueza de arquitetura na cobertura não é meramente uma cobertura ela tem um todo um Um contexto de... Até uma função, né?
Arquitetônica ali naquele... Pra aquele espaço, né?
Perfeito. Teve até uma preocupação do arquiteto na questão das palmeiras e tudo mais. Então, a palmeira não podia coincidir no módulo que tem a barrocha, que não ia ter como passar. Teve vários detalhes, assim, que a gente foi se atentando e ajustando. no decorrer da obra. A questão de estrutura, como eu falei antes, a logística foi um ponto fundamental para a gente pensar e tomar muito cuidado. A gente estava no calçadão de Osasco, o fluxo de gente lá é imenso. Isso tem que ser, dentro do possível, o menos traumatizante para a população. Então, a gente pensou em módulos menores, entregues na obra de uma maneira periódica, então a gente não chegou lá com uma carreta de material. A gente foi fazendo várias entregas, de duas a três por semana, para ir dando serviço sem parar o pessoal e atendendo a expectativa também da obra de prazo.
É, para falar um pouquinho do desafio de executar uma obra no meio de um centro como aquele que é o Calçadão de Osasco, onde você tem muitas lojas, você está próximo ali à estação, então você tem um fluxo ali de gente muito grande. E ali na época você tinha também um problema de usuários, que poderia também acabar... Enfim, se você traz muitos materiais, essas pessoas acabam... Sei lá, de repente podiam levar embora, enfim. Então eu queria que você falasse um pouco, de forma mais detalhada, desse processo de execução, da importância do planejamento, principalmente da logística de material, como que eu planejo uma logística para fazer com que eu execute essa obra num período tão curto. Foram o quê?
4, 5 meses de obra da nossa parte, né? Que quando a gente entrou já estava com a estrutura metálica praticamente pronta, que é um trabalho bem, bem complexo lá, tão quanto ou mais que o nosso. Então, ele já tinha experimentado. Então, da nossa parte lá do grosso foram aproximadamente 5 meses de obra.
Mas vocês foram trabalhando em paralelo, por exemplo, quando a estrutura metálica vinha avançando, vocês já vinham com outra frente ou primeiro foi executado toda a parte de estrutura metálica e depois vocês trabalharam a parte de alumínio e do vidro?
Na verdade, quando a gente entrou na obra, em agosto de 2021, a parte de estrutura metálica estava, diria que aí, 80, 90% concluída. Os 80%. Por quê? O meu trabalho foi muito mais rápido. A minha parte de execução era muito mais prática e rápida de fazer do que a da metálica. Então, se eu entrasse muito antes, ia chegar um momento que eu ia estar parado.
Entendi.
Então e como a minha estrutura é alumínio, eu tive o vidro também, são materiais sensíveis. Então não poderia ter nenhum serviço grosso de solda, pintura próximo à minha estrutura de alumínio com vidro. Então a gente foi esperando e na hora certa, que foi no mês de agosto, a gente deu início à atividade e aí a gente teve campo para trabalhar com bastante frente de trabalho, fazendo um cronograma bem justo para poder realmente não passar do prazo combinado. O que você me perguntou sobre a questão de segurança realmente...
Essa questão de logística que é muito importante, né? Para que eu chego com o material e esse material já vai basicamente... Já vai sendo ali aplicado onde tem que ficar, enfim.
Exatamente, a meta era essa. Era, se possível, até um caminhão por dia para não ter material no chão. porque a noite, enquanto o calçadão não estava com a iluminação que tem hoje, que é uma super iluminação e tudo mais, tinha muito usuário, a partir de umas 7, 8 horas da noite, o volume de usuário de droga moradores de rua que não estavam lá só para dormir, tudo mais, era grande. Então, a preocupação nossa era enorme. Então, a gente foi levando o material conforme a necessidade. Tinha uma área isolada para guardar o nosso material com segurança, tudo mais. Porém, o medo sempre existia. Então, eu tive equipe trabalhando durante a noite também. Então, ferramenta, material, alumínio. Eu acho que todo mundo sabe que é um material visado.
Muito, muito visado, sim.
Para sucata, o pessoal vende e realmente quem compra também a sucata não está preocupado de onde veio. Mas enfim, graças a Deus, o nosso número de furto lá foi zero da minha parte, não tivemos problema nenhum. e conseguimos abastecer o pessoal de instalação, ninguém ficou parado por falta de material e também não ficou material lá dando sopa para ter risco de roubo.
Agora eu queria que você falasse um pouquinho dos desafios de executar, quem tá assistindo pelo YouTube tá vendo algumas imagens, essas ligações aí, por exemplo, entre o perfil inferior e o vidro, quem tá acompanhando tá vendo que não tem nem um perfil em cima do vidro, ou seja, por cima da cobertura, o que deixa o projeto muito bonito, ou seja, visualmente ficou muito bonito. Então, como que foi essa parte de montagem da estrutura entre a metálica, alumínio e o vidro?
Paulo, a gente, como falei no período de projeto, a gente foi se atentando a todos os pontos. E essa cobertura está a 8 metros de altura do piso, então não é tão alta assim de uma maneira que quem está nos prédios não tivesse a vista, a visão. Então a gente procurou ter um visual bacana, o mais limpo possível. E normalmente, até alguns concorrentes na época sugeriram para o cliente, a questão de tampa e contratampa. O que é isso? É um perfil base, onde entra depois o vidro. e por cima um outro perfil de alumínio fazendo esse sanduíche.
Só para contextualizar, isso é usado muito em cobertura de policarbonato.
Perfeito, exatamente.
Você tem o perfil embaixo, a chapa de policarbonato e mais um segundo perfil fazendo essa vedação.
Perfil de alumínio, perfeito. Então você imagina, vendo a vista aérea da cobertura, imaginar que toda junta de vidro, todo encontro de vidro com vidro, imaginar que fosse aplicado um perfil de alumínio ali, a vista ficaria uma coisa muito poluída, além de acúmulo de sujeira, mais um ponto de acúmulo de sujeira, então mais manutenção e tudo mais. Então, diante disso, a gente falou, pera aí, aqui é um ponto importante, vamos pensar o que vai ser feito para resolver e melhorar esse aspecto visual. E a gente acabou adotando a aplicação de silicone estrutural, que é o que é feito hoje em dia, hoje em dia, sempre foi feito em pele de vidro, de prédio comercial. Você vê aqueles prédios todos espelhados, na verdade o que é? Uma estrutura de alumínio, que está fixada na estrutura de concreto, os quadros de alumínio com o vidro colado com o silicone, na maioria das vezes com o silicone estrutural, que é o mesmo silicone que a gente usou na cobertura.
Foi utilizado nessa cobertura.
Perfeito. Então você tem juntas lá bem discretas, ainda pelo vidro ser um vidro refletivo, com silicone preto, fica uma coisa bem sutil, fazendo aquele pano de vidro ali, né, uma coisa, uma vista... Quando você olha sem a cobertura de cima, parece que não tem fim. Então, fica uma coisa bem leve.
Quem está vendo aqui pelo YouTube está tendo a oportunidade de visualizar isso.
Eu sou suspeito. Eu sou suspeito. Não dou muito minha opinião que não vale.
E esse processo de... Os vidros, na verdade, ele tem um tamanho padrão? Ele tem uma fabricação padrão? Ou em algum... ponto dessa cobertura, existem ali outras medidas de vidro?
Na verdade, a estrutura metálica teve também um projeto, claro, a gente está falando de estrutura metálica, tem 500 metros de comprimento, é uma coisa grande, se você garantir que milimetricamente vai estar, não tem como, é fisicamente impossível. Então a gente teve que trabalhar com algumas margens de tolerância, E na modulação dos vidros e também na otimização do corte do vidro, na produção do vidro e tudo mais, e na logística, a gente acabou adotando três medidas de vidro. Então todos esses módulos são 268 módulos com 5 vidros cada módulo e a gente tem lá 3 tipos de vidro que tem a composição e a ordem certinha e isso distribuído ao longo da cobertura a gente consegue com as juntas e tudo mais ir ajustando e fazendo essa linha contínua de vidro.
E esse vidro ele já vem separado de fábrica?
Identificado, sim.
Identificado.
Quando a gente pegou e fechou o projeto, já tinha a medida dos vidros, então a gente passou quantas peças a gente na época deu nome de V1, V2 e V3. Então você tem no projeto a paginação e a identificação do V1, V2 e V3. Então o fabricante do vidro na hora que forneceu o vidro, ele já tinha a lista com medida, com identificação, e na etiqueta, na hora da montagem, você vai identificando e posicionando da maneira correta.
E é importante também, quando a gente fala nessa questão do fornecimento do vidro, você ter parceiros, tendo em vista que está se tratando de um projeto extremamente desafiador, então o parceiro tem que ir ali andar junto com vocês, que estão ali na parte de instalação, enfim, porque... Senão não faz sentido, né?
Na verdade, na construção a gente não faz nada sozinho. Diria que ali a quantidade de gente envolvida e afim de resolver foi muito grande, graças a Deus. E por isso que as coisas aconteceram direitinho. Tanto os fornecedores quanto a parte de arquitetura, a parte de engenharia. Tudo, graças a Deus, andou super redondinho, todo mundo empenhado. Então, o pessoal do alumínio entregou tudo no prazo certo. O pessoal do vidro foi nota 10, tudo que a gente precisou. Tiveram pouquíssimas quebras de vidro. Estou falando que a gente teve... Lá na cobertura tem 1340 peças. Eu acho que o número de peças quebradas não chegou a 10. Não é nada, manuseando um vidro. Cada peça de vidro tem aproximadamente 2 metros de base e mais 2 metros de altura. Então, são vidros grandes, pesados, laminados de 12 milímetros. São peças pesadas.
Para uma obra desse porte, é zero, basicamente.
Zero. Então, a logística também do vidro foi fundamental e andou que nem um reloginho, uma coisa bem certinha, graças a Deus. Então, ali foi muita gente envolvida, muita gente comprometida. que deu o resultado que deu, lá graças a Deus.
Márcio, você que viveu toda aquela experiência e ainda visita o local, você conhecia antes aquela região. Como você vê um projeto desse replicado para outros centros, onde você tem ali a mesma situação de pessoas em situações de rua, por exemplo? Você acha que isso melhoraria um pouco essa questão até da estética dos grandes centros?
Engraçado você perguntar isso, porque no final da execução do serviço, eu fiquei sabendo que tiveram algumas prefeituras que foram atrás de saber, de ter mais informação, porque realmente foi um diferencial, fez um diferencial para o bairro, para a região. Falar de revitalizar centros, bairros, isso é muito importante para poder realmente e ir mudando aquela cultura, tentando fazer com que a própria população crie um pouco mais de ânimo. Então assim, eu acho muito legal. Eu não sou da área pública, sou da área privada. Mas você vive o público. Acaba vivendo, você acaba participando. Eu falo pelo calçadão ali, e minha opinião particular. Eu achei que realmente mudou muito a região para as lojas. A prefeitura fez todo um trabalho de captação de água, que mudou realmente a condição do pessoal lá.
É, acabou resolvendo algumas questões de alagamento que existiam naquela região, enfim.
Sim, sim. Então teve todo esse benefício ainda pro pessoal, além de toda a estética e todo o bem-estar do pessoal que tá lá.
Márcio, e como que foi o trabalho de execução entre arquitetura, engenharia, enfim, entre as partes envolvidas? Eu falei um pouquinho antes da importância dos parceiros, dos fornecedores, mas essa parte de projeto, engenharia, enfim, como que foi esse processo durante o planejamento e durante a obra? Como que foi essa interação entre as frentes?
A gente recebeu primeiro um projeto de arquitetura base, onde tinha lá todo o conceito, que não mudou nada significativo, mas tinha lá alguns detalhes, questão de queda d'água, tudo mais, que a gente acabou começando a ficar um pouquinho esperto e atento e preocupado. em ter uma coisa que no final não tivesse dor de cabeça. Então, um exemplo, o projeto inicial, cada triângulo, cada peça de vidro tinha uma queda d'água. O que aí é para um lado. Então, você imagina, 1340 peças de vidro. Cada uma jogando a água para um canto. Para um ângulo, né?
Uma angulação diferente.
Um ângulo. Então, você tem juntas de vidro em ângulos diferentes. Tudo isso cria a possibilidade do problema. Entendeu? E a gente não quer esse problema. Então, a gente quer que tenha uma coisa stank, que a gente chama de stank, ou seja, zero vazamento, zero dor de cabeça, que não saia do projeto da arquitetura. Então, isso foi conversado, o pessoal do escritório de arquitetura, o arquiteto que desenvolveu tudo isso, foi nota mil, foi um parceirão. Então, ele entendeu os problemas. Isso é muito importante. Porque às vezes o conceito do projeto, o arquiteto acaba se prendendo tanto nele que ele fica meio cabeça fechada, ele não aceita a opinião de quem vai executar. E não foi o caso. A gente foi expondo as situações e o pessoal, o arquiteto foi super solícito em entender, em pensar junto, em ajudar a resolver. Então, isso contribuiu muito para que a coisa acontecesse.
Porque ele aceitou as suas contribuições, tendo em vista que você ia executar a obra ali. Então, é muito importante essa abertura entre a arquitetura e toda a frente que vai executar aquela obra.
Isso é fundamental. Se não tiver isso, realmente a coisa fica muito mais difícil do que já é.
E nesse sentido eu tenho uma pergunta aqui, que veio da internet. que vai bem nessa questão. A pergunta é, a pessoa prefere não se identificar, ela fala o seguinte, Márcio, você que está no dia a dia de obra, como que você lida com uma vaidade dos arquitetos? E a pessoa gostaria que você falasse também, se você tem algum case de um projeto que você já executou ou está executando, que você fala, cara, isso aqui vai trazer problemas futuros de manutenção. Então, você tem aí algum case para falar sobre essa pergunta?
Tenho. Tenho alguns, mas vou ser breve. Até para não criar problema com os meus parceiros, amigos...
Não precisa citar o nome.
Não, isso, pelo amor de Deus. Isso de jeito nenhum. A gente lida com a vaidade. Não vamos nem chamar de vaidade, vamos chamar de personalidade. Acho que é mais leve. A personalidade do arquiteto nos projetos dele. Então a gente procura entender primeiro o que o arquiteto quer, desenvolver um projeto que atenda esse conceito, porém eu nunca deixo de pontuar e bater o pé onde a gente sabe que vai dar problema. Porque querendo ou não, no final é o meu nome que está lá. É a minha empresa que está executando. Se der algum problema, é a empresa que executou. E a gente não quer. Eu trabalho hoje com o risco zero de manutenção. Eu não gosto, eu tenho fobia de manutenção. Eu gosto de fazer a coisa para que não dê problema. A manutenção periódica vai existir sempre. Então a limpeza, o ajuste, uma troca de rolamento, uma troca de acessório. Isso é uma manutenção periódica, isso sempre vai acontecer. Mas a questão de manutenções ocasionadas por problemas de projeto... Olha uma coisa interessante.
Aqui, o Trida tá me ligando.
Opa, importante.
Olha só, agora a gente vai ter o número do volume de aço, tá? Fala Trida.
Oi Paulo, tudo bom meu amigo?
Tudo bom. Cara, eu tô no meio de uma gravação sobre a... Sobre a obra do Calçadão de Osasco, a gente precisava do número de aço usado lá, você teria para passar para a gente?
É aproximadamente, é um pouco mais de 400 toneladas, pelo que eu me lembro, cara, eu não tenho certinho o quanto foi, mas é 400 e poucas toneladas, ele tem 500 metros de comprimento, 8 de altura, 8 de largura, tudo conformado.
Tá, então tranquilo, o Márcio já tá ouvindo aqui, ele já passou todas essas informações, a gente precisava do volume de aço utilizado, então aproximadamente...
É uns 450 toneladas mais ou menos, pelo que eu me lembro.
Aproximadamente 450 toneladas de aço.
Isso.
Ótimo, então que bacana, só faltava essa informação pra deixar o episódio mais completo aqui. Não, vamos conversar sim, vamos falar, vamos bater um papo sim, Trida.
Esse é um cara bom pra falar. Esse tem bastante história também, interessante. Ah, legal.
Vamos pra cima. Obrigado viu, Trida.
Valeu.
Um abraço, tchau tchau. Olha que legal, então agora temos a informação completa. E aí, dando continuidade sobre essas questões de manutenção, eu diria que não é à toa que a sua empresa já está aí na segunda geração.
Então há 33 anos, com parceiros de muitos anos e graças a Deus, andando direitinho né e você a pergunta era sobre alguma situação que teve né que você fica tem tem algumas situações uma das coisas que a gente tem se deparado aí hoje tá muito na moda a questão do barrote então painel de barrote vertical horizontal Explica o que é.
Um barrote para a nossa audiência entender.
Barrote são aqueles tubos, no meu caso de alumínio, então faz a montagem de painéis com tubos de alumínio na vertical ou na horizontal. de determinada dimensão, largura, profundidade, espaçamento. Então, isso na arquitetura está super usual.
Muito conhecido como... Você pode substituir a palavra por brise?
Brise, pode ser um brise, sim.
Até para facilitar um pouco o entendimento das pessoas.
Eu acho que dá para entender melhor como um brise, está certo. Só que é um material super bacana, é uma coisa que ajuda até na questão solar, Então quebra um pouco a entrada de luz, ajuda no consumo de energia de ar-condicionado, tudo mais. Porém, uma coisa engraçada é assim, eu já tive alguns projetos onde o pessoal tem lá a fachada pele de vidro, e resolve fazer esses breezes na frente, encostado no vidro. Tudo bem, e a manutenção de limpeza desse vidro? Amanhã depois tem uma quebra de vidro, como é que você troca esse vidro? Então, tudo isso fica depois para quem? Para quem forneceu se virar. Você entendeu? Então, a gente tem que mostrar, a gente tem que, junto, explicar os problemas, explicar que isso vai dar... dor de cabeça amanhã para o condomínio, você entendeu? Amanhã daqui 5, 10 anos eles podem nem ter meu contato ou uma outra... administradora, acabar tendo problema e tendo que resolver. Você imagina, vai ficar na mão... Às vezes vai ter um custo muito mais oneroso de manutenção, porque vai ter que desmontar toda uma estrutura para trocar um vidro.
Mas isso é possível resolver em projeto? Por exemplo, quando a gente está falando, se o arquiteto, o escritório de arquitetura te dá essa abertura, vamos tentar resolver isso em projeto, existe a possibilidade ou geralmente você já pega o projeto ali, enfim, não tem mais como mexer.
Não, existe.
Porque, de repente, essa questão do espaçamento ali, mas aí você pode mexer um pouco na questão estética, entende? Então, como que funciona isso no dia a dia, assim? Como que resolve?
Assim, é muito raro o caso que você não tenha abertura para dar o pitaco. Como a gente que vai executar e a gente que tem que dar a garantia, a gente costuma ter esse espaço. Claro, tentando ao máximo não mudar o conceito do projeto. Isso é fundamental, senão você acaba até ofendendo o arquiteto ou a construtora. Criar uma situação que amanhã e depois te deixe em maus lençóis também não é vantajoso para ninguém. muito menos para a construtora, para o arquiteto. Então a gente costuma ter sim essa abertura. Eu diria que eu nunca tive nenhuma situação onde eu não pude dar a minha opinião e que a gente não se acertou. A importância de projeto, eu sou um cara que defende muito o projeto. Eu acho que o projeto é um período que você precisa realmente se dedicar demais. A gente tem um departamento técnico lá, um engenheiro e uma outra pessoa que está também já se formando em engenharia, que eles trabalham muito firme na parte de projeto, muito detalhado, questão de compatibilização, porque toda essa ideia que vem do projeto de arquitetura, Ela precisa ser compatibilizada entre os materiais. Então você precisa que isso no final fique uma coisa harmoniosa e que tenha vedação, que tenha acústica, que tenha tudo isso. E o projeto é o ponto onde você vai pensar em todas essas interferências. Você entendeu? Então eu sou um defensor número um de projeto. Eu acho que a China é o que é na construção porque tem obra que ela perde muito mais tempo em projeto do que execução da obra.
É, a importância de investir mais tempo em projeto.
É, teve um hospital que fizeram em três meses que foram dois anos de projeto. Então, por quê? Porque a hora que começou a fazer já estava tudo pensado, os problemas estavam resolvidos. É uma cultura que a gente ainda não tem. Aqui no Brasil é difícil. Eu vejo muita obra que começa, que é um projeto, que o resultado final não tem mais nada a ver com o projeto.
Porque você vai inventando, você tem que fazer tantas adaptações ali durante a execução, enfim, que acaba perdendo ali a originalidade daquilo que foi pensado para a execução, enfim.
Perfeito. Principalmente obras menores, tá? Claro que obras grandes, muita gente envolvida, o custo, então preocupa mais. Mas se você falar em obra de pequeno porte, putz, projeto é uma coisa que o pessoal nem dá atenção. Quando vê alguém cobrar projeto, acha que é dinheiro jogado fora. Que nem eu falei, eu tenho um departamento de projeto que perde tempo, custa dinheiro, tudo mais. É difícil o pessoal valorizar, é difícil.
É igual consultoria, né? Você pega empresas de consultoria, enfim, eu vivi isso aqui. Eu peguei um projeto bastante importante, enfim, de uma multinacional, e pra mim só era viável se eu tivesse uma inteligência de execução. Então, o que eu fiz? Eu contratei uma empresa de consultoria em projetos e processos. Eu consegui, de fato, tornar aquilo viável, porque eu preciso ter inteligência na execução. Criar processos que tornasse tudo aquilo mais assertivo, que me desse velocidade para que aquilo, de fato, fosse viável. Então, até eu queria trazer esse ponto. A importância também de investir nessas empresas de gestão de projetos e processos, porque isso também faz uma diferença absurda, né?
Total.
E eu tenho mais uma pergunta pra fazer pra você. Vamos lá. Melhor, mais duas, que também veio da internet aqui, deixa eu ver aqui. Essa daqui, bom, essa daqui eu acho bem simples de responder, acredito. Eu sou de obras e tenho muito mais facilidade para trabalhar com arquitetos que atuam muito, ou seja, que vão nas obras que de certa forma eles entendem o dia-a-dia. projetar de uma forma que vão criar problema para manutenção. Eu queria que você falasse um pouquinho do seu dia-a-dia. Vocês pegam situações que... como a pessoa pensou na manutenção, enfim, dessa obra de arte, desse projeto, enfim.
Sim. São dois mundos totalmente diferentes. O arquiteto que participa de obra, que vai na obra, que vê a execução é um. ou aquele arquiteto que faz o projeto, ou que às vezes vende o projeto. Não vou nem culpar o arquiteto, às vezes o próprio cliente quer comprar o projeto, o arquiteto entregou, acabou a parte do arquiteto. Eu não sou muito fã disso, porque realmente fica muito mais difícil a realização do serviço, o desenvolvimento do produto.
O arquiteto, é importante que o arquiteto acompanhe a execução do projeto.
Muito, muito, muito. Eu acho super importante o arquiteto junto, acompanhando, ajudando a resolver os problemas. Ajudando em que sentido? Nos orientando também dentre as opções de solução do problema, ele falar o que ele acha mais viável, o que ele acha mais pertinente, o que ele acha que realmente vai casar mais com o projeto dele. Porque senão a gente acaba assumindo um monte de responsabilidade, chega na hora o resultado final, é fácil virar e falar, pô, vocês mudaram tudo isso, não tem nada a ver com o que eu queria, isso na cabeça do arquiteto ou do cliente que seja. Pra gente é uma responsabilidade difícil de assumir, você entendeu? A gente não tá lá desenvolvendo ou a arquitetura, a gente está desenvolvendo o produto, o sistema. Então, isso sem dúvida. Eu sou a favor de que tinha que ter uma... Uma regra e o arquiteto tinha que estar lá e bater o cartão lá uma vez por semana, pelo menos, na obra e vendo como é que a coisa está rolando.
Para entender ali as dificuldades do dia a dia, enfim.
Com certeza.
Eu tenho outra pergunta, sou de obra e gostaria de me especializar mais em alumínio. Onde eu posso achar um local para estudar mais e aprender mais? Sobre alguma associação, o que você indica para essa pessoa?
Bom, tem o que eu sei. O Senai tem alguns cursos voltados para a área, tanto de serralheiro quanto de desenho técnico voltado para a esquadria. Existem alguns cursos promovidos pela FEAL. A FEAL é a Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadria. que faz um trabalho muito bacana, desenvolvendo cursos, palestras, workshops, para trazer essa informação pessoal. A cada dois anos acontece a FESCUA, O ano passado teve lá no Expo Imigrantes, foi maravilhoso, foi um evento que mudou o nível da penúltima para essa última que teve. O pulo foi enorme, o volume de gente visitando, o nível dos estandes, foi realmente uma coisa muito bacana, que traz bastante informação também. Diria que o principal é isso. O Senai faz um trabalho bem bacana também.
Tem uma outra que queria me especializar mais em outras soluções ágeis, principalmente metálica. Bom, eu acho que essa parte metálica... É, pode ser oprida. Tem o CBCA também, o Instituto Osso Brasil, enfim, eles têm muitos materiais, promovem concursos, enfim. Tem mais alguma coisa que você gostaria de falar sobre o mercado antes da gente encerrar? Porque eu tenho mais uma última pergunta para você.
Não, fica à vontade. Eu, na verdade, como eu falei também, eu sou suspeito, eu amo o que eu faço, eu sou apaixonado pelo que eu faço. Já tive algumas experiências profissionais em outras áreas. E entendi o seguinte, a gente tem que fazer o que a gente ama. Fazer o que a gente gosta. Porque fácil nada vai ser. Nada vai ser. Tudo dá trabalho. Tudo tem as suas dificuldades. Umas mais, outras menos. Umas é o processo, outras são as pessoas, outras são os materiais. Então o problema sempre vai existir. Então eu aprendi uma lição que faça o que você gosta. Trabalhe com o que você gosta. Se tiver o privilégio que eu tenho de trabalhar com as pessoas que eu gosto, aí você tá feito.
É, isso é fundamental.
Aí é fundamental. Então, eu tenho um time que trabalha comigo, que eu sou apaixonado. A empresa tem 33 anos e eu tenho um funcionário que tem 32 anos de casa. Trabalho com meu pai todos esses anos, ele tá lá tirando um pouquinho o pé, mas eu não deixo. Ele tá querendo tirar o pé, só que eu não deixo, porque pra mim a participação dele lá é fundamental, ele é meu mentor. e isso na vida, fez pessoal, profissional. Tem uns parceiros que são também sensacionais, o arquiteto que fez o projeto do calçadão... Como que é o nome do arquiteto? Arquiteto Satio Tomita.
Satio Tomita.
Satio Tomita. É um cara, sim, é um paizão pra mim, é uma referência. E outros clientes também. Uma curiosidade, eu não tenho vendedor na empresa. A gente não tem vendedor. Graças a Deus, todos os nossos clientes são ou clientes de carteira ou indicação. Isso mostra um pouquinho... Bem bacana. Qual é o nosso foco de trabalho. A gente nunca pensou em ser o maior. A gente procura ser um dos melhores.
É, isso é raro. Acho que isso é, de fato, bem raro no mercado. É, acho que...
Pé no chão, né?
Pé no chão.
Pé no chão.
E tem um... A gente, aqui no Constra e Cash, tem um quadro que é Convidado Convida. Você foi pego de surpresa. Quem você gostaria de ver aqui, de ouvir? A pessoa falando um pouco da carreira, enfim, um pouco do que ela desenvolve para o mercado, das soluções. Você pode citar dois nomes.
Olha... Já falamos dos dois aqui que eu acho que seria interessante. O Satil é um arquiteto que tem muita história, tem muito projeto bacana, muita experiência, tem muita bagagem.
E o que você mais admira nele como profissional, como pessoa?
E eu acho que além da criatividade, é participação. Ele é um cara participativo. Ele é um cara que tá lá junto do cliente, do fornecedor, tá lá pra resolver. Ele te liga 8 horas da noite, ele tá lá pra resolver. É um cara que tá lá pra resolver. Não sei se financeiramente ele precisa, mas você vê que ele gosta do que ele faz. Então, quem está do lado dele no trabalho é motivador.
Sabe o que me chama bastante a atenção? Geralmente, a gente enxerga no outro aquilo que somos. E é muito importante. Isso mostra que ele é bastante acessível. Fala, convida ele com aquela câmera.
Satio Tomita, vem para cá. Vem falar um pouquinho da tua... Todas as experiências aí de vida profissional.
Então é isso. ConstriCast é um canal para unir toda a cadeia de engenharia, arquitetura e profissionais de obra no geral. Tem mais alguém que você gostaria de ver aqui?
O próprio Trida é um cara também que tem bastante história, tem umas obras sensacionais, faz umas coisas malucas, trabalha bastante com uns arquitetos bem criativos e é um cara também que eu acho que tem bastante história bacana pra contar.
Não, o Trida já foi, o Trida já tá convidado, já enfim, a gente já tá agendando, já tá intimado, a gente já tá tratando aí da agenda pra ele vir aqui falar um pouco aí da trajetória dele no mercado e como que ele desenvolve projetos tão rápidos assim, como executa, na verdade. E antes da gente encerrar, eu gostaria que você fizesse suas considerações finais, porque quem ficou até o final, eu tenho certeza que aprendeu muito aqui com esse bate-papo.
Paulo, eu queria primeiro agradecer você a oportunidade de falar um pouquinho do nosso trabalho. É um trabalho que a gente sofre às vezes um pouco na questão da valorização. Em que sentido? Justamente voltando, projeto, acompanhamento, preocupação, execução. A parte de esquadria de alumínio, a gente brinca que o pessoal se preocupa se o piso é o mármore, se a torneira é a de marca. A esquadria de alumínio pouca gente pergunta quem forneceu as esquadrias. Isso é raro. A gente tem uma estrutura de fábrica lá bem bacana. Pergunta quantos clientes vão lá ver aonde a esquadria vai ser feita. Então, a gente sabe, às vezes, de algumas concorrências desleais, de gente que, às vezes, mal tem estrutura, mas está lá concorrendo e o cliente não presta atenção, não se atenta nisso. Então, assim, esse espaço que você está me dando para poder falar um pouquinho disso é muito bacana, é muito importante para que o pessoal que esteja assistindo possa entender um pouquinho dos bastidores da fabricação da esquadria, o que envolve tudo isso. E a responsabilidade, né? Você vê, a gente tem lá quase 4 mil metros de estrutura, 3 mil metros quadrados coberto com vidro pesado. Imagina a responsabilidade disso. Imagina você colocar para qualquer um, fazer de qualquer jeito. Deus o livre.
Isso, inclusive, reflete no produto final que aqueles clientes recebem.
Sim, sim. Então, minha consideração é agradecer esse espaço que você me deu aqui, que fiquei muito grato.
Não, bacana. Esse espaço, na verdade, é o que eu falei, é para unir toda a cadeia da construção. Eu tenho certeza que, assim como você, que não é engenheiro, não é arquiteto, está aqui, esse espaço também é para outras pessoas que, assim como você, tem aí trazido soluções para o setor da construção, arquitetura e engenharia. Mais uma vez, obrigado. E quem tá ouvindo, dá lá seu like pelas plataformas de áudio. Quem tá pelas plataformas de vídeo, curtam, compartilhem nossos conteúdos, comentem de onde você está falando e o que você aprendeu, o que você contribui para o mercado, isso é muito importante para a evolução e para o crescimento do nosso canal. Então, um abraço e até o nosso próximo encontro.
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